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Leitura, oralidade e escrita Apresentação A linguagem é a responsável por estabelecer toda atividade comunicativa. Todo e qualquer texto representa um ato de comunicação que prevê a sua existência dentro de um processo interacional, o qual pode ser tanto escrito quanto falado. Sabendo que a linguagem representa o uso da língua em uma esfera social, para que a vida em sociedade exista, é fundamental que as manifestações linguísticas sejam compreendidas. A interpretação dos fatos representa a leitura de cada usuário de determinada língua. Ou seja, um bom leitor não somente decodifica uma sequência de signos, mas desenvolve sua capacidade de leitura em relação ao universo em que está inserido. Entretanto, o hábito da leitura não é tão fácil de ser adquirido, pois esse processo começa ainda na infância. Dessa forma, uma maneira de introduzir as crianças ao universo literário é apresentando-lhes a literatura infantojuvenil. Nesta Unidade de Aprendizagem, você conhecerá as formas de linguagem, escrita e oral, bem como o significado do conceito de textualidade. Verá também como ocorre a análise da oralidade em textos literários infantojuvenis e a relação da linguagem com seu contexto de produção. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Diferenciar as formas de linguagem: escrita e oralidade.• Analisar a oralidade em textos literários.• Identificar a relação da linguagem com seu contexto de produção.• Desafio A forma como a linguagem é compreendida se manifesta no estudo sobre o texto. Segundo Barbisan (2001), o texto é uma linguagem funcional, a qual desempenha um papel em determinado contexto. As manifestações da linguagem perpassam a fala e a escrita, pois elas representam qualquer manifestação de comunicação. O texto pode ser verbal, como um poema escrito; não verbal, como uma fotografia; ou misto, como a fala, que é composta por gestos e tom de voz. Portanto, ao interpretar um texto, seja ele de qualquer tipo, o receptor manifesta a sua leitura de mundo, a qual é composta pelo seu conhecimento de mundo repleto de intertextualidade. Entenda melhor: Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/ad44a5d3-645d-44fd-9040-450ae50ce7af/795e959d-5d56-4b96-a4c1-5e4ed0d9edad.png Sabendo que todo texto tem um contexto e uma intencionalidade, você resolve citar uma hipótese sobre a releitura dessa obra clássica que se baseou no mito de Narciso com a utilização de material reciclável. Além disso, explique também por que o artista escolheu o quadro de Caravaggio, entre tantas outras pinturas relevantes, com o objetivo de refazê-la com lixo. Infográfico Os textos, além de literários e não literários, também podem ser verbais, não verbais e multimodais, conhecidos também como mistos. Conhecer essas manifestações textuais da linguagem é fundamental para o seu trabalho como professor. No Infográfico a seguir, conheça de forma detalhada essas manifestações da linguagem. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/de616991-4822-403d-aabe-e45370b5b93c/0b2f9e68-5783-41b5-ae85-d1fa2722630a.png Conteúdo do livro A linguagem representa o uso da língua para a comunicação e a interação social. Pode-se dizer que o texto é a materialização da linguagem. Alguns textos são constituídos apenas de imagens, conhecidos como textos não verbais, enquanto outros são constituídos de palavras, conhecidos como textos verbais. Há também textos mistos, isto é, compostos por textos tanto verbais como não verbais; nesse caso, trata-se de um texto multimodal. Nesse contexto, é importante compreender que um bom leitor não apenas decodifica uma sequência de signos, mas desenvolve sua capacidade de leitura em relação ao universo no qual está inserido. É por meio da leitura que os indivíduos se tornam capazes de analisar diferentes contextos e de refletir sobre eles. No entanto, o hábito da leitura não é tão fácil de ser adquirido, pois esse processo começa ainda na infância. Ao introduzir as crianças e os adolescentes ao universo literário, a leitura crítica é inicializada. Na obra Literatura infantojuvenil, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, leia o capítulo Leitura, oralidade e escrita e conheça um pouco mais as diferentes manifestações da linguagem e o conceito de textualidade, a oralidade em textos literários infantojuvenis e o uso da língua em seu contexto de produção. Boa leitura. Literatura Infantojuvenil Roberta Spessato Leitura, oralidade e escrita Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Diferenciar as formas de linguagem: escrita e oralidade. Analisar a oralidade em textos literários. Identificar a relação da linguagem com seu contexto de produção. Introdução É por meio da leitura que os indivíduos se tornam capazes de analisar e de refletir sobre os diferentes contextos em que estão inseridos. Como você sabe, o hábito da leitura não é tão fácil de ser adquirido. Entretanto, ele tem mais chances de ser desenvolvido se for incentivado ainda na infância. Quando as crianças e os adolescentes adentram o universo literário, a leitura crítica é inicializada. Neste capítulo, você vai estudar as diferentes manifestações de lin- guagem verbal, escrita e oral. Após, vai ver como a oralidade aparece em textos literários. Por fim, vai verificar a relação da linguagem com seu contexto de produção. As diferentes manifestações da linguagem A linguagem consiste no uso da língua para a comunicação e a interação social. Da mesma maneira que a linguagem pode ser oral ou escrita, a leitura ultrapassa o universo da escrita. É possível fazer a leitura tanto de um artigo de opinião quanto de um debate político. Ou seja, ler não signifi ca, restritamente, decodifi car uma sequência de palavras escritas. A linguagem e o conceito de língua em uso A linguagem é a responsável por estabelecer toda atividade comunicativa. Ou seja, ela representa a manifestação da língua, que é composta por um sistema de signos convencionais usados pelos membros de uma mesma comunidade linguística. De maneira genérica, pode-se afi rmar que a língua não passa de um contrato estabelecido entre os seus usuários. Caso esse contrato seja de conhecimento pleno dos usuários, a comunicação está garantida. Cada indivíduo utiliza a língua de sua comunidade de maneira individual e personalizada, desenvolvendo assim a fala. Ou seja, as manifestações de qualquer falante em relação ao uso da língua são representadas pela fala. No entanto, deve-se ter cuidado para que não ocorra a confusão da fala com o ato de falar, pois tanto o ato de falar como o de escrever são manifestados pela fala individual de cada indivíduo, que está contida no conjunto mais amplo conhecido como língua. Por exemplo, os falantes da língua portuguesa podem falar ao telefone ou escrever um texto em alguma rede social. Em ambas as circunstâncias, estarão usando a sua fala individual para manifestar a língua portuguesa em diferentes meios sociais. O caráter social de uma língua e a sua representatividade para o processo de comunicação são inegáveis em qualquer estudo linguístico. Sabendo que a linguagem representa o uso da língua em uma esfera social, Preti (1974) afirma que, para que a vida em sociedade exista, é fundamental que as manifestações linguísticas sejam compreendidas. Sons, gestos e imagens compõem diferentes tipos de mensagens que podem se manifestar por diversos canais, como a televisão, o cinema ou um livro. Ou seja, estudar as manifestações linguísticas significa compreender que a língua é o suporte para toda e qualquer dinâmica social. No entanto, segundo Preti (1974), o seu uso não compreende apenas relações corriqueiras orais, mas também expressõesmais específicas, como uma notícia escrita em um jornal. Dessa maneira, a fala e a escrita são duas manifestações da linguagem estabelecidas por um objetivo específico dentro de um contexto linguístico. Para Calsamaglia e Tuson (2008), o discurso representa, principalmente, uma prática social interativa que pode se manifestar em contextos tanto orais quanto escritos. Inclusive, a forma como se compreende a linguagem implica uma análise textual. Segundo Barbisan (1995), o texto é uma unidade funcional, a qual desempenha um papel dentro de um contexto. Com uma visão bastante similar, Adam (2008) afirma que o texto não representa uma sequência de palavras, e sim de atos. Essas manifestações da língua em uso, em seus contextos e necessidades específicas, são conhecidas como gêneros textuais. Ou seja, as diferentes finalidades que expressam o uso linguístico são estabelecidas por circunstâncias contextuais que caracterizam e deter- minam o gênero textual. Leitura, oralidade e escrita2 Todo e qualquer texto deve ser entendido como um evento comunicativo — que ocorre em determinado contexto situacional. Inclusive, para Koch e Elias (2017), todo texto é resultado de uma coprodução entre interlocutores: o que distingue o texto escrito do falado é a forma como tal produção se realiza. Ou seja, tudo o que você fala ou escreve em situações comunicativas é representado por textos. Fala e escrita: conjunto de partes unidas entre si Todo e qualquer texto representa um ato de comunicação dentro de um processo interacional, que pode ser tanto escrito quanto falado (KOCH; ELIAS, 2017). Os principais aspectos paradoxais entre essas duas esferas (a oralidade e a escrita) é que os contextos de produção e de recepção, de maneira geral, não coincidem no tempo e no espaço. No texto escrito, a produção da mensagem é estabelecida de acordo com a intencionalidade do emissor em relação ao seu receptor. Além disso, não há necessariamente a participação direta daquele que recebe a mensagem. Nesse quesito, para Koch e Elias (2017), o diálogo se baseia e se constitui numa relação em que o emissor (nesse caso, escritor) dialoga com a perspectiva de que o receptor (nesse caso, leitor) possa compreender a sua intencionalidade. Em contraponto, o texto falado ocorre no momento da interação comuni- cativa, ou seja, a situação é imediata e simultânea para aqueles que participam dela. O tom de voz, por exemplo, é uma das características capazes de mani- festar mais do que as palavras individualmente, pois o contexto interacional carrega identidade, e as manifestações linguísticas dos atos de fala perpassam o nível sintático de análise. De acordo com Infante (1998), a língua falada se vincula às situações comunicativas em que ela é usada diretamente entre os interlocutores. Embora haja questionamentos em relação às mídias sociais, como o What- sApp, você não deve se esquecer de que o produtor do texto escrito (mesmo que esteja on-line) tem mais tempo para o planejamento e para a execução da sua fala. Afinal, meios de comunicação como o WhatsApp frequentemente apresentam duas manifestações linguísticas: o uso da escrita e da fala, com a possibilidade de enviar áudios. Nesse caso, a conversa, por mais que pareça simultânea e imediata, não acontece na mesma esfera de uma conversa presencial. 3Leitura, oralidade e escrita Em relação ao uso e às manifestações da fala nas diferentes esferas comunicativas, orais e escritas, o vocabulário utilizado é preponderante para analisá-las. Na oralidade, o vocabulário é bastante alusivo, pois o uso de pronomes como “eu”, “tu”, “você”, “nosso”, “isto” ou “aquilo” ou de advérbios como “aqui”, “lá”, “hoje” ou “agora” possibilita que o processo comunicativo ocorra de maneira fluida e eficaz. Afinal, existe a possiblidade de indicar tudo o que está envolvido na mensagem sem uma nomeação espe- cífica e sem comprometer o entendimento dos interlocutores. Na escrita, é necessário que a linguagem seja menos alusiva. Para que a comunicação se estabeleça com êxito, devem-se utilizar formas de referência mais precisas e específicas, como citar datas, descrever lugares e objetos. Logo, é possível perceber que, enquanto a fala se adapta ao contexto interacional, a escrita procura ser suficiente em si mesma. As manifestações orais e escritas são, portanto, duas modalidades da língua. Dessa forma, de acordo com Koch e Elias (2017), a oralidade difere- -se da escrita principalmente devido aos seguintes aspectos: (a) pelo próprio fato de ser falada; e (b) devido às contingências de sua formulação. Ou seja, os dois códigos, oral e escrito, têm suas manifestações e suas regras próprias de organização e funcionamento. A linguagem oral (fala) se manifesta por meio de emissões dos sons da língua, os fonemas. Em contraponto, a linguagem escrita utiliza as letras, que nem sempre mantêm uma correspondência exata com os fonemas. Enquanto o código oral conta com o tom de voz, com os gestos e com o olhar, o escritor precisa se expressar por meio da pontuação e de marcas de formação do texto. Além disso, as estruturas sintáticas das manifestações escritas necessitam de certa linearidade. Já as estruturas das manifestações orais conseguem fazer inúmeros hiperlinks, ou seja, está em jogo uma leitura sem linearidade, não comprometendo o entendimento entre os interlocutores. Contudo, embora exista uma descontinuidade na oralidade, a sintaxe geral da língua está presente na sua constituição. Ainda que exista uma dicotomia entre textos orais e escritos, perceba que nem todas as características são essencialmente de uma ou de outra categoria. No entanto, as manifestações escritas podem ser pensadas, re- pensadas ou até mesmo ignoradas por uma questão de planejamento; já as manifestações orais, não. Isso ocorre porque, de acordo com Koch e Elias (2017), é como se a fala oral estivesse no mesmo patamar do rascunho de uma manifestação escrita. O texto falado, embora em muitos casos seja previamente planejado e estruturado, se apresenta em sua própria criação, visto que o contexto nunca é o mesmo. Leitura, oralidade e escrita4 No Quadro 1, a seguir, veja as características da linguagem falada e da linguagem escrita. Embora essas características não sejam exclusivas de uma ou de outra instância, oral ou escrita, o quadro apresenta uma organização mais geral e superficial em relação às manifestações linguísticas da língua em uso. Fonte: Adaptado de Koch e Elias (2017). Fala Escrita Contextualizada Descontextualizada Implícita Explícita Redundante Condensada Não planejada Planejada Com predominância de modus pragmático Com predominância de modus sintático Fragmentada Não fragmentada Incompleta Completa Pouco elaborada Elaborada Com pouca densidade informacional Com densidade informacional Com predominância de frases curtas, simples ou coordenadas Com predominância de frases complexas, com subordinação abundante Com menor densidade lexical Com maior densidade lexical Quadro 1. Linguagem falada e linguagem escrita Gêneros e tipos textuais Todo texto se manifesta com uma forma e com uma fi nalidade. A forma do texto é representada pelo conceito de tipologia ou tipo textual. Segundo Marcuschi (2005, p. 154), “Tipo textual designa uma espécie de construção teórica defi nida pela natureza linguística de sua composição (aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais, relações lógicas, estilo) [...]”. Em relação à manifestação dos tipos, é importante salientar que eles não são textos, mas são as formas que os textos assumem em diferentes contextos. Os 5Leitura, oralidade e escrita principais tipos textuais são os seguintes: narração, argumentação, exposição, des- crição e injunção. Além de se manifestar em determinada forma, o texto também assume a sua finalidade, ou seja, o seu uso. Quando você analisa as manifestações contextuais dos textos, você trabalha com o conceito de gênero textual. Os gêneros textuais são os textos que vocêencontra no cotidiano e que apresentam padrões característicos, definidos pela funcionalidade, pelo estilo e pelo objetivo em diferentes esferas comunicativas. Dessa forma, na visão de Marcuschi (2005), o gênero textual materializa e adapta os textos em diferentes situações comunicativas. Você pode considerar como exemplos de gêneros: telefonema, crônica, diálogo, aula de português, reportagem, bilhete, e-mail, notícia, carta pessoal, carta comercial, resenha, romance, poema, etc. Segundo Koch e Elias (2017), para viver em sociedade, todo indivíduo constrói, ao longo de sua existência, uma competência metagenérica, que diz respeito à utilização dos textos na sua esfera de uso. É por esse motivo que as pessoas se adequam a diferentes situações comunicativas. Sabendo que a comunicação é heterogênea e que os gêneros textuais são organizados de acordo com a finalidade da comunicação, pode-se incluir nesse grupo desde um diálogo cotidiano até uma tese de doutorado. Ou seja, os gêneros se transformam com o contexto. Alguns podem desaparecer e outros, surgir, como o da conversa no WhatsApp. Embora haja um número específico de tipologias textuais, não há um número exato de gêneros. Um gênero é composto por, no mínimo, uma tipologia, mas cada tipologia pode estar presente em inúmeros gêneros textuais. O texto literário e as suas manifestações linguísticas A literatura infanto-juvenil, por ser uma porta de entrada para o universo da leitura, carrega consigo marcas da oralidade. Isso é importante para promover a proximidade entre os interlocutores (emissor e receptor). Todavia, para com- preender como o universo linguístico interage no campo da literatura, você deve: saber identifi car o que é um texto literário e o que o diferencia de um não literário; e encontrar as marcas da oralidade nos textos literários infanto-juvenis. Leitura, oralidade e escrita6 O que é um texto literário? Como você já sabe, um conjunto de palavras ou frases não constitui necessa- riamente um texto. Falar de texto implica falar de comunicação, ou seja, de uso da linguagem. Ademais, na visão de Antunes (2010), o texto se caracteriza como uma atividade funcional, visto que é utilizado sempre com a fi nalidade de manter o processo comunicativo. Você também já viu que o texto pode ser oral ou escrito. Quando estão em jogo os textos escritos, inicialmente, é possível subdividi-los em dois grupos: textos literários e textos não literários (ou utilitários). Os textos utilitários procuram informar, ordenar, argumentar, explicar, etc. Normalmente, a sua linguagem é clara e objetiva. Em contraponto, os textos literários, de acordo com Fiorin (2000), caracterizam-se por uma unidade de significado composta por uma linguagem plurissignificativa determinada pela sua função estética. Em convergência, Gonzaga (2007) afirma que o texto literário não é apenas uma criação ficcional, mas também é um trabalho de criação de linguagem, cumprindo assim a sua função estética. Além disso, para Fiorin (2000), en- quanto o texto não literário aspira à denotação, o texto literário, ao cumprir a sua função estética, busca a conotação. Na visão de Fleck (2008), a literatura é arte; e arte, por sua vez, é recriação, expressão da realidade. Por meio da leitura, o homem consegue redimensionar a interpretação do mundo em que está inserido. Ou seja, mergulhar em textos literários e entrar no universo da literatura faz com que a visão de mundo do sujeito se amplie, conjugando novos significados. Com a literatura e a estética, é possível desenvolver a criatividade e a sensibilidade. No entanto, saber ler não significa apenas decodificar os signos linguísticos. Segundo Orlandi (1988), a leitura de um texto representa o momento em que os interlocutores se identificam como tal, desencadeando o processo de significação do texto. É com a leitura e pela leitura que os indivíduos se tornam capazes de analisar e refletir sobre os contextos vivenciados. Contudo, o hábito da leitura não é tão fácil de ser adquirido. De acordo com Fleck (2008, p. 15), esse processo se inicia ainda na infância, quando a criança tem acesso ao “[...] mundo mágico, fantástico e aberto da literatura infantil, cujo acesso garante um aprimoramento do processo de aprendizagem da linguagem como meio de construção e representação da realidade [...]”. Com a introdução das crianças e dos adolescentes no universo literário, inicia-se o processo de leitura crítica. Bamberger (1991) afirma que os pais e os professores são peças funda- mentais para a introdução da leitura na vida das crianças. No entanto, há situações em que os professores adquirem papel de destaque. Por esse motivo, é 7Leitura, oralidade e escrita importante que eles conheçam o universo da literatura infanto-juvenil. Assim, podem incentivar as crianças e os adolescentes a desenvolverem o hábito da leitura de maneira não traumática. Inclusive, para Zilbermann (1998), realizar atividades com a literatura infantil resulta imediatamente em um exercício de interpretação e compreensão, pois não enaltece somente a captação de um sentido, mas as relações que existem entre a significação e a situação atual e histórica do leitor, mesmo que ele seja uma criança. Os textos literários são representados, principalmente, por novelas, histórias em quadrinhos, romances, crônicas, contos, fábulas, poemas, etc. Na literatura infanto-juvenil, há alguns autores bastante significativos, como: Beatriz Potter, Lewis Carroll, Hans Christian Andersen, J. K. Rowling, L. Frank Baum, C. S. Lewis, Paula Pimenta, Thalita Rebouças, Monteiro Lobato, Ziraldo, Maurício de Sousa e Tatiana Belink. Cabe ao professor conhecer o universo literário das crianças e dos adolescentes para que possa apresentá-lo aos seus alunos e fazê-los desenvolver o hábito da leitura de maneira saudável e natural, sem uma imposição. Alguns escritores e suas obras É importante que os professores conheçam, pelo menos, os principais escritores da literatura infanto-juvenil — não somente para indicá-los aos alunos, mas também para compreender as leituras de mundo que caracterizam a infância. A seguir, veja alguns dos principais autores nacionais e internacionais (EBIO- GRAFIA, 2019; SANTANA, 2019). Escritores internacionais Lewis Carroll (1832–1898): além de um dos precursores da poesia de vanguarda, foi um poeta, romancista e matemático inglês. É autor do clássico Alice no País das Maravilhas. Suas obras incluem: Alice no País do Espelho, Algumas Aventuras de Silvia e Bruno, Rimas do País das Maravilhas e A Caça ao Turpente. Hans Christian Andersen (1805–1875): foi um escritor dinamarquês autor de contos infantis. Sua obra inclui: Soldadinho de Chumbo, Patinho Feio, A Pequena Sereia e A Roupa Nova do Rei. J. K. Rowling (1965): é uma escritora britânica, autora da série que conta a história do bruxo Harry Potter. Sua obra é uma das mais mar- cantes da atualidade a nível mundial. Foi sucesso absoluto entre os jovens. Seus principais livros incluem: Harry Potter e a Pedra Filosofal, Os Contos de Beedle, o Bardo e Animais fantásticos e onde habitam. Leitura, oralidade e escrita8 Escritores nacionais Thalita Rebouças (1974): é uma escritora e jornalista brasileira, autora de livros direcionados ao público juvenil. Tornou-se ídolo do público jovem e já publicou 20 livros, vendendo mais de 1,5 milhão de exem- plares. Suas obras viraram jogo de tabuleiro, peças de teatro, filmes e até mangás. Alguns de seus livros já chegaram a Portugal e foram traduzidos para diversos países da América Latina. Suas obras incluem: Ela Disse, Ele Disse, Era Uma Vez Minha Primeira Vez, Fala Sério, Mãe!, Traição entre Amigas e Tudo por um Namorado. Paula Pimenta (1975): é uma escritora brasileira conhecida princi- palmente por suas séries de livros Fazendo Meu Filme e Minha Vida Fora de Série. Suas obras incluem: A Estreia de Fani, Fani na Terra da Rainha e O Livro das Princesas. Monteiro Lobato (1882–1948):além de ter sido um dos primeiros autores de literatura infantil do Brasil e de toda a América Latina, foi um escritor e editor brasileiro. O Sítio do Pica-Pau Amarelo é sua obra de maior destaque na literatura infantil. Suas obras incluem: Reinações de Narizinho, Caçadas de Pedrinho, Emília no País da Gramática e O Minotauro. Ziraldo (1932): é um cartunista, desenhista, jornalista, cronista, char- gista, pintor e dramaturgo brasileiro. É o criador do personagem Menino Maluquinho, sucesso até hoje entre as crianças. Suas obras incluem: Turma do Pererê, O Menino Maluquinho, O Planeta Lilás, Uma Pro- fessora Muito Maluquinha e Lili no Mundo da Lua. Mauricio de Sousa (1935): membro da Academia Paulista de Letras, é o mais famoso e premiado autor brasileiro de histórias em quadrinhos. Sua obra mais famosa é a que gira em torno da Turma da Mônica. Marcas da oralidade na escrita Como você já viu, há contrastes entre a língua falada e a língua escrita. Embora conhecer tal antítese seja importante para compreender as diferentes manifestações textuais, você deve notar que, na literatura, não há uma visão dicotômica entre a oralidade e a escrita. Há manifestações da língua dentro da literatura que carregam consigo características individuais cheias de estética e de signifi cados vinculados à língua falada. A literatura infanto-juvenil é, geralmente, o primeiro contato da criança ou do adolescente com o universo dos livros. Um dos objetivos de todos os 9Leitura, oralidade e escrita professores, não somente dos das séries iniciais, consiste em apresentar aos seus alunos o universo mágico da literatura, fazendo com que eles o apreciem e desenvolvam o hábito da leitura. Para que isso aconteça, desde os primeiros contatos do aluno com a escola, os professores devem apresentar livros pertinentes à sua faixa etária. Normalmente, os livros que mais agradam os jovens leitores são os que se aproximam do seu universo linguístico. Ou seja, é importante que você saiba identificar livros que agradem os alunos não apenas pelo seu conteúdo, mas também pela sua forma e pela sua ma- nifestação linguística. Quanto mais próximo da linguagem do aluno, mais o texto terá afinidade com ele. As marcas da oralidade, por exemplo, fazem com que o abstrato da arte se torne concreto. Segundo Koch e Elias (2017), há diferentes marcas de oralidade na escrita, como a questão da referência, as repetições, o uso de organizadores textuais continuadores típicos da fala (“e”, “aí”, “então”, etc.) e o discurso direto. Quando a criança consegue materializar a leitura não apenas com imagens, mas também com a identificação da sua lingua- gem e do seu vocabulário, o resultado interacional com o texto alcança mais êxito. Como você sabe, Mauricio de Sousa, criador da Turma da Mônica, é um dos mais renomados autores nacionais. Ele foi responsável por intro- duzir muitas crianças no universo da literatura. Seu vocabulário simples, coloquial e objetivo é familiar ao seu leitor, como é possível perceber na Figura 1. Figura 1. Tirinha da Turma da Mônica, de Mauricio de Sousa. Fonte: Sousa (2015, documento on-line). Leitura, oralidade e escrita10 A obra de Mauricio de Sousa também apresenta as diferentes manifestações da linguagem, como você pode ver na Figura 2. Figura 2. Tirinha de Chico Bento, de Mauricio de Sousa. Fonte: Sousa (2017, documento on-line). Thalita Rebouças, autora de diversos livros do universo pré-adolescente e adolescente, assim como Mauricio de Sousa, procura utilizar a linguagem do universo dos seus leitores. As marcas de oralidade se fazem presentes não somente nos discursos diretos, mas também no uso das gírias e dos organi- zadores textuais continuadores típicos da fala, como se percebe no trecho a seguir, retirado do livro Fala sério, professor! (REBOUÇAS, 2006). Nesse trecho, Malu (a mesma protagonista do livro Fala sério, mãe!) conta como se relacionou com os professores — desde o professor da academia até os do colégio — que mais marcaram a sua vida. — Quanto farelo, gente! Quem foi que comeu biscoito sem pratinho embaixo? Cadê o aspiradorzinho que a minha mãe deu pra gente? As duas começaram a rir. Permaneci séria, eu estava muito brava, muito brava. — Malu! Desestressa! — disse Helô. — Comemos sem pratinho, sim, depois a gente limpa — completou Bené. — Depois quando? — Depois... — Que biscoito foi? De polvilho? — eu quis saber. — Arrã — fizeram as duas, sapecas. — Tem ainda? — rendi-me à gula e à bagunça. 11Leitura, oralidade e escrita Comi o último do pacote e acabei rindo com elas. Eu até gosto de ba- gunça. Sempre gostei. Mas o apê estava tão bagunçado que tinha ultrapassado até o meu nível permitido de bagunça. — Pô, gente, assim não dá! A gente precisa tomar vergonha na cara! Nossa casa está uma zona! — Ih, Malu, você está parecendo o Francisco, aquele professor de português da quinta série que tinha mania de arrumação, lembra? — perguntou Bené. — Ô, se lembro... (REBOUÇAS, 2006, p. 9). A marca da coloquialidade e da oralidade nos textos literários infanto- -juvenis, por aproximar os interlocutores, é bastante presente tanto nas obras literárias para crianças, como as de Mauricio de Sousa, quanto nas obras para adolescentes, como as da Thalita Rebouças. Assim, com o estímulo da leitura durante a infância e a adolescência, é possível que novas portas se abram para uma literatura mais crítica e complexa. O conceito de língua é bastante amplo, visto que ele engloba diferentes manifestações da fala, incorporando as suas incontáveis possibilidades. Esse universo linguístico é constituído pela norma padrão (ou culta), conhecida como a forma de prestígio, e pelas suas diferentes manifestações ou variedades. Estas não são decorrentes do uso individual da língua, mas são marcadas pela identidade de diferentes comunidades falantes. Os principais fatores responsáveis pela variação linguística são: geográficos, sociais, históricos, culturais e situacionais. A linguagem e os seus diferentes contextos O contexto é o conjunto de circunstâncias a que um texto se refere. Textos literários apresentam uma linguagem própria e fl exível, pois têm como objetivo causar algum tipo de emoção no leitor. O uso de uma linguagem específi ca é fundamental para que o objetivo seja alcançado. Portanto, é necessário que você, como professor, compreenda o universo linguístico presente na literatura infanto-juvenil juntamente com as características específi cas da linguagem utilizada em diferentes obras. Leitura, oralidade e escrita12 Tipos de linguagem A linguagem é o uso da língua, e a língua não é um código imutável. Não há sociedade sem um processo de comunicação, e as línguas não existem sem as pessoas que as falam. Se a sociedade muda, a língua também muda, pois, como afi rma Calvet (2002, p. 5), “[...] a história de uma língua é a história de seus falantes [...]”. Ou seja, as variantes contextuais não decorrem diretamente do usuário da língua, mas de diferentes situações e contextos comunicativos que o cercam em um ato de fala. Assim como a sociedade não é uniforme, a língua tampouco o será. Ela varia e as suas variações estão diretamente relacionadas a diferentes contextos linguísticos do falante. Ou seja, assim como o indivíduo tem consciência de que existe uma adequação social em relação às roupas que usa — por exemplo, ninguém vai a uma entrevista de emprego com uma roupa de praia, assim como as pessoas não vão a uma festa de gala com um biquíni —, espera-se que o falante tenha uma consciência linguística. Essa consciência significa que o mesmo falante pode utilizar o nível de fala coloquial ou culto, visto que esse nível dependerá da necessidade e do contexto situacional. Há uma norma padrão (ou culta), considerada de prestígio, e há também as variantes dessa norma. A língua pode variar em relação ao tempo (variante diacrônica ou histórica), em relação ao espaço (variante diatópica, regional ou geográfica), em relação a aspectossocioculturais (variante diastrática, social ou sociocultural), em relação ao meio de uso (variante diamésica) e em relação a contextos situacionais (variante diafásica, situacional ou estilística). Os estudos sobre variação linguística em diferentes contextos sociais, segundo Mollica e Braga (2013), indicam que os falantes têm um repertório linguístico que pode variar em diferentes situações de comunicação. Ou seja, o uso consciente da língua se reflete não apenas na oralidade, mas também na escrita. Os níveis de linguagem são, principalmente, os seguintes: nível formal ou culto, nível informal ou coloquial, nível popular e nível estilístico. O nível coloquial é utilizado, normalmente, em situações de informalidade, familiaridade e entre iguais. O culto insere-se em contextos de formalidade, como em uma palestra ou em uma entrevista de emprego. O popular representa, de modo geral, as variantes desprestigiadas, consideradas erradas e desva- lorizadas em relação à norma culta. No entanto, o nível estilístico, também conhecido como literário, é usado em situações específicas, em que há predo- minância de liberdade poética e em que o erro não é considerado, mas apagado por uma necessidade estética. Ou seja, as formas desprestigiadas podem ser manifestações artísticas. A linguagem no nível estilístico, que caracteriza o 13Leitura, oralidade e escrita texto literário, além de possibilitar únicas e diferentes estruturas na fonética, na morfologia e na sintaxe, apresenta, para Fiorin (2000), os seguintes traços: relevância do plano da expressão, intangibilidade da organização linguística, criação de conotações, desautomatização e plurissignificação. Ou seja, ela dá identidade e significado aos textos literários. A linguagem estilística, com suas características próprias, personaliza os textos literários. Com ela, é possível descrever desde narrativas em situações extremamente cultas até outras que se caracterizem pelo uso da linguagem popular. Tudo depende da intencionalidade do autor com o seu texto. Ou seja, há uma tendência de aproximação entre o emissor e o receptor que ele quer atingir. A interlocução e o contexto Qualquer texto, seja oral ou escrito, é produzido por um autor que tem em mente um receptor. O termo “interlocutor” designa cada um dos participantes do diálogo. Em um texto escrito, o autor deve saber qual é o perfi l de seu interlocutor para que o processo de comunicação ocorra com êxito e para que haja uma relação entre o escritor e o seu leitor. A fi m de que a interação comunicativa ocorra, o destinatário deve ter em mente o seu receptor. Segundo Aburre e Aburre (2007), existem dois principais interlocutores: o universal e o específi co. Na literatura infanto-juvenil, obviamente, estão mobilizadas necessidades e interesses do público infantil e juvenil. Uma maneira de o autor se aproximar do seu público, portanto, é explorar o uso de uma linguagem coloquial e mais específica. Essa linguagem não necessariamente faz parte do cotidiano do emissor, e o seu emprego é caracterizado como linguagem literária, ou seja, trata-se de um tipo de variante da norma culta, a variante diafásica, estilística ou situacional. O seu uso valoriza a proximidade entre os interlocutores, Leitura, oralidade e escrita14 fazendo com que o contexto de leitura integre o universo do receptor. Dessa forma, a referência é direta aos interlocutores específicos. Quando se fala em interlocutores universais, normalmente estão em jogo interlocutores de textos informativos, não literários e compostos por uma linguagem objetiva e denotativa. No entanto, quando há interlocutores espe- cíficos, o texto tenta se aproximar ao máximo do seu destinatário, com marcas de subjetividade e de oralidade, por exemplo. Além de se dirigir a interlocutores com perfis definidos, os textos se referem a circunstâncias de natureza cultural, social e linguística. Tais circunstâncias precisam ser compartilhadas por quem produz e quem recebe o texto. Ou seja, está em jogo o contexto, que representa a totalidade das informações contidas no texto. A identificação do contexto depende inteiramente do conhecimento de mundo dos leitores. Portanto, estabelecer o perfil do leitor juntamente com a linguagem ade- quada para abordá-lo é o primeiro e, talvez, o principal passo que o autor pode dar para que o processo comunicativo ocorra de maneira eficaz. Além disso, quando o estilo de linguagem é pensado e analisado para determinado perfil, a leitura torna-se mais fluida e a possibilidade de ela se transformar em um hábito aumenta. ABURRE, M. L.; ABURRE, M. B. M. Produção de texto: interlocução e gêneros. São Paulo: Moderna, 2007. ADAM, J. M. A linguística textual: introdução à análise textual dos discursos. São Paulo: Cortez, 2008. ANTUNES, I. Análise de textos: fundamentos e práticas/ Irandé Antunes. São Paulo: Parábola Editorial, 2010. BARBISAN, L. B. Texto e Contexto. ORGANON – Revista do Instituto de Letras da UFGRS: Porto Alegre, RS, v. 9, n. 23, 1995. BAMBERGER, R. Como incentivar o hábito de leitura. São Paulo: Ática, 1991. CALSAMAGLIA, B.; TUSON, A. Las cosas del decir: manual de análisis del discurso. 2. ed. 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L.; BRAGA, M. L. 4. ed. São Paulo: Contexto, 2013. ORLANDI, E. P. Discurso e leitura. São Paulo: Cortez, 1988. PRETI, D. Sociolinguística: os níveis de fala. São Paulo: Nacional, 1974. REBOUÇAS, T. Fala sério, professor! São Paulo: Rocco, 2006. SANTANA, A. L. Escritores da literatura infanto-juvenil. 2019. Disponível em: https:// www.infoescola.com/literatura/escritores-da-literatura-infanto-juvenil/. Acesso em: 25 out. 2019. SOUSA, M. Chico Bento plantando batatas. 2017. Disponível em: https://anpetry.blogspot. com/2017/04/chico-bento-plantando-batatas.html. Acesso em: 25 out. 2019. SOUSA, M. Marcelinho. 2015. Disponível em: http://e.glbimg.com/og/ed/f/origi- nal/2015/01/31/marcelinho_001_-_primeira_tira_.jpg. Acesso em: 25 out. 2019. ZILBERMANN, R. A literatura infantil na escola. São Paulo: Global, 1998. Leitura, oralidade e escrita16 Dica do professor A linguagem se concretiza com as manifestações textuais. Contudo, embora o texto seja a realização da linguagem, entre eles há um terceiro elemento: o discurso. É no discurso que estão a intencionalidade e a ideologia do texto. Na Dica do Professor, conheça um pouco mais sobre discurso e texto. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/00a48200dc21326e38ec3bb21d92c015 Exercícios 1) Língua, linguagem e comunicação, apesar de, às vezes, serem usadas como sinônimos, têm suas diferenças e se relacionam entre si. Em relação à linguagem, é possível afirmar que ela representa: A) o uso da língua em uma esfera individual, embora se manifeste tanto na fala quanto na escrita. B) uma prática social interativa que pode se manifestar somente em contextos orais. C)a manifestação da língua, a qual é composta por um sistema de signos convencionais usados pelos membros de uma mesma comunidade linguística. D) a língua em uma esfera padrão banida de interação social. E) as manifestações que qualquer falante tem em relação ao uso oral da língua. 2) Gêneros textuais representam o uso e a finalidade da língua; já os tipos representam a forma. Segundo Marcuschi (2009), o tipo textual designa uma espécie de construção teórica definida pela natureza linguística de sua composição, e o gênero adapta os textos em diferentes situações comunicativas. Enquanto há um número restrito de tipologia textual, os gêneros são inúmeros. Assinale a alternativa que apresenta apenas tipologias textuais: A) Crônica, narração e diálogo. B) Fábula, anedota e reportagem. C) Propaganda, editorial jornalístico e descrição. D) Injunção, dissertação e exposição E) Telefonema, filme e conto. Para que se interprete como o universo linguístico interage no campo da literatura, é necessário que se saiba identificar o que é um texto literário e o que o diferencia de um não literário ou utilitário. 3) Em relação a essa dicotomia, qual das alternativas apresenta o contraste entre as duas manifestações da linguagem? A) Enquanto textos literários buscam causar alguma emoção ou impacto no leitor, os textos utilitários têm a intencionalidade apenas de ordenar. B) O texto não literário aspira à denotação; o texto literário, ao cumprir sua função estética, busca a conotação. C) Os textos não literários têm linguagem clara e objetiva. Em contraponto, os textos literários caracterizam-se por uma unidade de significado composta de uma linguagem plurissignificativa determinada pela sua função denotativa. D) O texto literário se resume apenas a uma criação ficcional, sem necessidade de cumprir qualquer tipo de função estética; já o texto não literário se resume a cumprir diferentes papéis sociais, como informar, persuadir, argumentar, etc. E) Ambos são compostos pela linguagem estilística. 4) Para que os jovens leitores se aproximem da leitura desde os anos iniciais da escola, é necessário que o professor conheça o universo literário das crianças e dos adolescentes para que, assim, possa apresentá-lo aos seus alunos e fazê-los desenvolver o hábito da leitura de maneira saudável e natural. Analise os autores e suas respectivas obras nas alternativas a seguir e assinale a correta em relação à correspondência entre escritor e obra: A) J. K. Rowling: Emília no País da Gramática. B) Monteiro Lobato: Turma do Chico Bento. C) Ziraldo: Harry Potter. D) Mauricio de Sousa: O Menino Maluquinho. E) Thalita Rebouças: Fala sério, mãe! Quanto mais próximo o texto estiver da linguagem do leitor, mais afinidade este terá com a obra literária. É por esse motivo que a literatura infantojuvenil tem, como uma de suas principais características, as marcas da oralidade. 5) A seguir, há diferentes manifestações da linguagem em pequenos trechos de obras literárias. Em qual delas há marcas evidentes de oralidade? A) E à tarde, quando a rígida nortada Sopra, aos pombais de novo elas, serenas, Ruflando as asas, sacudindo as penas, Voltam todas em bando e em revoada... (Raimundo Correia) B) Arrumei um bico de vendedora num shopping perto de casa para dar uma reforçada na mesada. Começou como um trabalho de férias, mas a gerente gostou de mim e eu fui ficando. (Thalita Rebouças) C) Colhe-se antes que venha o mal, Colhe-se antes que chegue o inverno; Que a flor morta já nada val. (Machado de Assis) D) Amor é fogo que arde sem se ver É ferida que dói e não se sente É um contentamento descontente É dor que desatina sem doer. (Luís Vaz de Camões) Nunca me esquecerei desse acontecimento na vida de minhas retinas tão fatigadas. E) (Carlos Drummond de Andrade) Na prática Estimular a leitura é o principal papel do professor, pois com ela o aluno desenvolverá mais sua capacidade interpretativa de compreender o mundo em que está inserido. Veja, a seguir, a história da professora Karina, que utilizou uma sugestão simples, porém muito acessível, para abordar a leitura de maneira lúdica em sala de aula. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/b3d38198-e3ab-4082-b1cf-85de024ca4b9/b6d568b8-86ee-4314-a865-d76dc6ce65b2.png Saiba + Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Fala e escrita — Parte 1 Luiz Antonio Marcuschi foi um linguista, pesquisador e professor universitário brasileiro. Seu legado em relação à linguística é representativo e importantíssimo para os profissionais do universo letrista e educacional. Assista a esse vídeo, que trata das relações entre a fala e a escrita, a oralidade e o letramento. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Fala e escrita — Parte 2 Este é o segundo vídeo de Marcuschi, que apresenta uma reflexão e exemplos sobre as manifestações da linguagem, principalmente acerca da dicotomia entre a fala e a escrita, entre a oralidade e o letramento. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Fala e escrita — Parte 3 Este é o terceiro vídeo de Marcuschi, que apresenta uma reflexão e exemplos sobre as manifestações da linguagem, principalmente acerca da dicotomia entre a fala e a escrita, entre a oralidade e o letramento. https://www.youtube.com/embed/XOzoVHyiDew https://www.youtube.com/embed/6y9xK-9bbcw Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Introduzindo a literatura infantojuvenil Regina Zilberman é pesquisadora, escritora, ensaísta e professora brasileira. Suas pesquisas literárias, além de analisarem profundamente as obras clássicas, abrangem o universo da literatura infantojuvenil. Questionamentos sobre como introduzir as crianças ao universo literário sempre estão presentes no âmbito educacional. Neste artigo, Zilberman não apenas reflete sobre a importância da literatura no letramento, mas também faz com que o professor se questione sobre as obras que serão apresentadas aos seus alunos. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://www.youtube.com/embed/UqSfGyR1ERA https://periodicos.ufsc.br/index.php/perspectiva/article/viewFile/10106/9326