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Leitura, oralidade e escrita
Apresentação
A linguagem é a responsável por estabelecer toda atividade comunicativa. Todo e qualquer texto 
representa um ato de comunicação que prevê a sua existência dentro de um processo interacional, 
o qual pode ser tanto escrito quanto falado. Sabendo que a linguagem representa o uso da língua 
em uma esfera social, para que a vida em sociedade exista, é fundamental que as manifestações 
linguísticas sejam compreendidas. A interpretação dos fatos representa a leitura de cada usuário de 
determinada língua. Ou seja, um bom leitor não somente decodifica uma sequência de signos, mas 
desenvolve sua capacidade de leitura em relação ao universo em que está inserido. Entretanto, o 
hábito da leitura não é tão fácil de ser adquirido, pois esse processo começa ainda na infância. 
Dessa forma, uma maneira de introduzir as crianças ao universo literário é apresentando-lhes a 
literatura infantojuvenil.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você conhecerá as formas de linguagem, escrita e oral, bem como 
o significado do conceito de textualidade. Verá também como ocorre a análise da oralidade em 
textos literários infantojuvenis e a relação da linguagem com seu contexto de produção.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Diferenciar as formas de linguagem: escrita e oralidade.•
Analisar a oralidade em textos literários.•
Identificar a relação da linguagem com seu contexto de produção.•
Desafio
A forma como a linguagem é compreendida se manifesta no estudo sobre o texto. Segundo 
Barbisan (2001), o texto é uma linguagem funcional, a qual desempenha um papel em determinado 
contexto. 
As manifestações da linguagem perpassam a fala e a escrita, pois elas representam qualquer 
manifestação de comunicação. O texto pode ser verbal, como um poema escrito; não verbal, como 
uma fotografia; ou misto, como a fala, que é composta por gestos e tom de voz. Portanto, ao 
interpretar um texto, seja ele de qualquer tipo, o receptor manifesta a sua leitura de mundo, a qual 
é composta pelo seu conhecimento de mundo repleto de intertextualidade.
Entenda melhor:
Aponte a câmera para o 
código e acesse o link do 
conteúdo ou clique no 
código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/ad44a5d3-645d-44fd-9040-450ae50ce7af/795e959d-5d56-4b96-a4c1-5e4ed0d9edad.png
Sabendo que todo texto tem um contexto e uma intencionalidade, você resolve citar uma hipótese 
sobre a releitura dessa obra clássica que se baseou no mito de Narciso com a utilização de material 
reciclável. Além disso, explique também por que o artista escolheu o quadro de Caravaggio, entre 
tantas outras pinturas relevantes, com o objetivo de refazê-la com lixo.
Infográfico
Os textos, além de literários e não literários, também podem ser verbais, não verbais e multimodais, 
conhecidos também como mistos. Conhecer essas manifestações textuais da linguagem é 
fundamental para o seu trabalho como professor.
No Infográfico a seguir, conheça de forma detalhada essas manifestações da linguagem.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/de616991-4822-403d-aabe-e45370b5b93c/0b2f9e68-5783-41b5-ae85-d1fa2722630a.png
Conteúdo do livro
A linguagem representa o uso da língua para a comunicação e a interação social. Pode-se dizer que 
o texto é a materialização da linguagem. Alguns textos são constituídos apenas de imagens, 
conhecidos como textos não verbais, enquanto outros são constituídos de palavras, conhecidos 
como textos verbais. Há também textos mistos, isto é, compostos por textos tanto verbais como 
não verbais; nesse caso, trata-se de um texto multimodal.
Nesse contexto, é importante compreender que um bom leitor não apenas decodifica uma 
sequência de signos, mas desenvolve sua capacidade de leitura em relação ao universo no qual está 
inserido. É por meio da leitura que os indivíduos se tornam capazes de analisar diferentes contextos 
e de refletir sobre eles. No entanto, o hábito da leitura não é tão fácil de ser adquirido, pois esse 
processo começa ainda na infância. Ao introduzir as crianças e os adolescentes ao universo 
literário, a leitura crítica é inicializada.
Na obra Literatura infantojuvenil, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, leia o capítulo 
Leitura, oralidade e escrita e conheça um pouco mais as diferentes manifestações da linguagem e o 
conceito de textualidade, a oralidade em textos literários infantojuvenis e o uso da língua em seu 
contexto de produção.
Boa leitura.
Literatura 
Infantojuvenil
Roberta Spessato
Leitura, oralidade e escrita
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Diferenciar as formas de linguagem: escrita e oralidade.
  Analisar a oralidade em textos literários.
  Identificar a relação da linguagem com seu contexto de produção.
Introdução
É por meio da leitura que os indivíduos se tornam capazes de analisar e 
de refletir sobre os diferentes contextos em que estão inseridos. Como 
você sabe, o hábito da leitura não é tão fácil de ser adquirido. Entretanto, 
ele tem mais chances de ser desenvolvido se for incentivado ainda na 
infância. Quando as crianças e os adolescentes adentram o universo 
literário, a leitura crítica é inicializada.
Neste capítulo, você vai estudar as diferentes manifestações de lin-
guagem verbal, escrita e oral. Após, vai ver como a oralidade aparece 
em textos literários. Por fim, vai verificar a relação da linguagem com seu 
contexto de produção.
As diferentes manifestações da linguagem
A linguagem consiste no uso da língua para a comunicação e a interação 
social. Da mesma maneira que a linguagem pode ser oral ou escrita, a leitura 
ultrapassa o universo da escrita. É possível fazer a leitura tanto de um artigo de 
opinião quanto de um debate político. Ou seja, ler não signifi ca, restritamente, 
decodifi car uma sequência de palavras escritas.
A linguagem e o conceito de língua em uso
A linguagem é a responsável por estabelecer toda atividade comunicativa. Ou seja, 
ela representa a manifestação da língua, que é composta por um sistema de signos 
convencionais usados pelos membros de uma mesma comunidade linguística. 
De maneira genérica, pode-se afi rmar que a língua não passa de um contrato 
estabelecido entre os seus usuários. Caso esse contrato seja de conhecimento 
pleno dos usuários, a comunicação está garantida.
Cada indivíduo utiliza a língua de sua comunidade de maneira individual 
e personalizada, desenvolvendo assim a fala. Ou seja, as manifestações de 
qualquer falante em relação ao uso da língua são representadas pela fala. No 
entanto, deve-se ter cuidado para que não ocorra a confusão da fala com o ato 
de falar, pois tanto o ato de falar como o de escrever são manifestados pela 
fala individual de cada indivíduo, que está contida no conjunto mais amplo 
conhecido como língua. Por exemplo, os falantes da língua portuguesa podem 
falar ao telefone ou escrever um texto em alguma rede social. Em ambas as 
circunstâncias, estarão usando a sua fala individual para manifestar a língua 
portuguesa em diferentes meios sociais.
O caráter social de uma língua e a sua representatividade para o processo 
de comunicação são inegáveis em qualquer estudo linguístico. Sabendo que a 
linguagem representa o uso da língua em uma esfera social, Preti (1974) afirma 
que, para que a vida em sociedade exista, é fundamental que as manifestações 
linguísticas sejam compreendidas. Sons, gestos e imagens compõem diferentes 
tipos de mensagens que podem se manifestar por diversos canais, como a 
televisão, o cinema ou um livro. Ou seja, estudar as manifestações linguísticas 
significa compreender que a língua é o suporte para toda e qualquer dinâmica 
social. No entanto, segundo Preti (1974), o seu uso não compreende apenas 
relações corriqueiras orais, mas também expressõesmais específicas, como 
uma notícia escrita em um jornal.
Dessa maneira, a fala e a escrita são duas manifestações da linguagem 
estabelecidas por um objetivo específico dentro de um contexto linguístico. 
Para Calsamaglia e Tuson (2008), o discurso representa, principalmente, 
uma prática social interativa que pode se manifestar em contextos tanto 
orais quanto escritos. Inclusive, a forma como se compreende a linguagem 
implica uma análise textual. Segundo Barbisan (1995), o texto é uma unidade 
funcional, a qual desempenha um papel dentro de um contexto. Com uma 
visão bastante similar, Adam (2008) afirma que o texto não representa uma 
sequência de palavras, e sim de atos. Essas manifestações da língua em uso, 
em seus contextos e necessidades específicas, são conhecidas como gêneros 
textuais. Ou seja, as diferentes finalidades que expressam o uso linguístico 
são estabelecidas por circunstâncias contextuais que caracterizam e deter-
minam o gênero textual.
Leitura, oralidade e escrita2
Todo e qualquer texto deve ser entendido como um evento comunicativo — que 
ocorre em determinado contexto situacional. Inclusive, para Koch e Elias (2017), todo 
texto é resultado de uma coprodução entre interlocutores: o que distingue o texto 
escrito do falado é a forma como tal produção se realiza. Ou seja, tudo o que você fala 
ou escreve em situações comunicativas é representado por textos.
Fala e escrita: conjunto de partes unidas entre si
Todo e qualquer texto representa um ato de comunicação dentro de um processo 
interacional, que pode ser tanto escrito quanto falado (KOCH; ELIAS, 2017). 
Os principais aspectos paradoxais entre essas duas esferas (a oralidade e a 
escrita) é que os contextos de produção e de recepção, de maneira geral, não 
coincidem no tempo e no espaço.
No texto escrito, a produção da mensagem é estabelecida de acordo com 
a intencionalidade do emissor em relação ao seu receptor. Além disso, não há 
necessariamente a participação direta daquele que recebe a mensagem. Nesse 
quesito, para Koch e Elias (2017), o diálogo se baseia e se constitui numa 
relação em que o emissor (nesse caso, escritor) dialoga com a perspectiva de 
que o receptor (nesse caso, leitor) possa compreender a sua intencionalidade.
Em contraponto, o texto falado ocorre no momento da interação comuni-
cativa, ou seja, a situação é imediata e simultânea para aqueles que participam 
dela. O tom de voz, por exemplo, é uma das características capazes de mani-
festar mais do que as palavras individualmente, pois o contexto interacional 
carrega identidade, e as manifestações linguísticas dos atos de fala perpassam 
o nível sintático de análise. De acordo com Infante (1998), a língua falada se 
vincula às situações comunicativas em que ela é usada diretamente entre os 
interlocutores.
Embora haja questionamentos em relação às mídias sociais, como o What-
sApp, você não deve se esquecer de que o produtor do texto escrito (mesmo que 
esteja on-line) tem mais tempo para o planejamento e para a execução da sua fala. 
Afinal, meios de comunicação como o WhatsApp frequentemente apresentam 
duas manifestações linguísticas: o uso da escrita e da fala, com a possibilidade 
de enviar áudios. Nesse caso, a conversa, por mais que pareça simultânea e 
imediata, não acontece na mesma esfera de uma conversa presencial.
3Leitura, oralidade e escrita
Em relação ao uso e às manifestações da fala nas diferentes esferas 
comunicativas, orais e escritas, o vocabulário utilizado é preponderante 
para analisá-las. Na oralidade, o vocabulário é bastante alusivo, pois o uso 
de pronomes como “eu”, “tu”, “você”, “nosso”, “isto” ou “aquilo” ou de 
advérbios como “aqui”, “lá”, “hoje” ou “agora” possibilita que o processo 
comunicativo ocorra de maneira fluida e eficaz. Afinal, existe a possiblidade 
de indicar tudo o que está envolvido na mensagem sem uma nomeação espe-
cífica e sem comprometer o entendimento dos interlocutores. Na escrita, é 
necessário que a linguagem seja menos alusiva. Para que a comunicação se 
estabeleça com êxito, devem-se utilizar formas de referência mais precisas 
e específicas, como citar datas, descrever lugares e objetos. Logo, é possível 
perceber que, enquanto a fala se adapta ao contexto interacional, a escrita 
procura ser suficiente em si mesma.
As manifestações orais e escritas são, portanto, duas modalidades da 
língua. Dessa forma, de acordo com Koch e Elias (2017), a oralidade difere-
-se da escrita principalmente devido aos seguintes aspectos: (a) pelo próprio 
fato de ser falada; e (b) devido às contingências de sua formulação. Ou seja, 
os dois códigos, oral e escrito, têm suas manifestações e suas regras próprias 
de organização e funcionamento.
A linguagem oral (fala) se manifesta por meio de emissões dos sons da 
língua, os fonemas. Em contraponto, a linguagem escrita utiliza as letras, que 
nem sempre mantêm uma correspondência exata com os fonemas. Enquanto 
o código oral conta com o tom de voz, com os gestos e com o olhar, o escritor 
precisa se expressar por meio da pontuação e de marcas de formação do texto. 
Além disso, as estruturas sintáticas das manifestações escritas necessitam de 
certa linearidade. Já as estruturas das manifestações orais conseguem fazer 
inúmeros hiperlinks, ou seja, está em jogo uma leitura sem linearidade, não 
comprometendo o entendimento entre os interlocutores. Contudo, embora exista 
uma descontinuidade na oralidade, a sintaxe geral da língua está presente na 
sua constituição.
Ainda que exista uma dicotomia entre textos orais e escritos, perceba 
que nem todas as características são essencialmente de uma ou de outra 
categoria. No entanto, as manifestações escritas podem ser pensadas, re-
pensadas ou até mesmo ignoradas por uma questão de planejamento; já as 
manifestações orais, não. Isso ocorre porque, de acordo com Koch e Elias 
(2017), é como se a fala oral estivesse no mesmo patamar do rascunho de 
uma manifestação escrita. O texto falado, embora em muitos casos seja 
previamente planejado e estruturado, se apresenta em sua própria criação, 
visto que o contexto nunca é o mesmo.
Leitura, oralidade e escrita4
No Quadro 1, a seguir, veja as características da linguagem falada e da 
linguagem escrita. Embora essas características não sejam exclusivas de uma 
ou de outra instância, oral ou escrita, o quadro apresenta uma organização mais 
geral e superficial em relação às manifestações linguísticas da língua em uso.
Fonte: Adaptado de Koch e Elias (2017).
Fala Escrita
Contextualizada Descontextualizada
Implícita Explícita
Redundante Condensada
Não planejada Planejada
Com predominância de modus 
pragmático
Com predominância de modus sintático
Fragmentada Não fragmentada
Incompleta Completa
Pouco elaborada Elaborada
Com pouca densidade informacional Com densidade informacional
Com predominância de frases curtas, 
simples ou coordenadas
Com predominância de frases complexas, 
com subordinação abundante
Com menor densidade lexical Com maior densidade lexical
Quadro 1. Linguagem falada e linguagem escrita
Gêneros e tipos textuais
Todo texto se manifesta com uma forma e com uma fi nalidade. A forma do 
texto é representada pelo conceito de tipologia ou tipo textual. Segundo 
Marcuschi (2005, p. 154), “Tipo textual designa uma espécie de construção 
teórica defi nida pela natureza linguística de sua composição (aspectos lexicais, 
sintáticos, tempos verbais, relações lógicas, estilo) [...]”.
Em relação à manifestação dos tipos, é importante salientar que eles não são 
textos, mas são as formas que os textos assumem em diferentes contextos. Os 
5Leitura, oralidade e escrita
principais tipos textuais são os seguintes: narração, argumentação, exposição, des-
crição e injunção. Além de se manifestar em determinada forma, o texto também 
assume a sua finalidade, ou seja, o seu uso. Quando você analisa as manifestações 
contextuais dos textos, você trabalha com o conceito de gênero textual.
Os gêneros textuais são os textos que vocêencontra no cotidiano e que 
apresentam padrões característicos, definidos pela funcionalidade, pelo estilo 
e pelo objetivo em diferentes esferas comunicativas. Dessa forma, na visão de 
Marcuschi (2005), o gênero textual materializa e adapta os textos em diferentes 
situações comunicativas. Você pode considerar como exemplos de gêneros: 
telefonema, crônica, diálogo, aula de português, reportagem, bilhete, e-mail, 
notícia, carta pessoal, carta comercial, resenha, romance, poema, etc.
Segundo Koch e Elias (2017), para viver em sociedade, todo indivíduo 
constrói, ao longo de sua existência, uma competência metagenérica, que 
diz respeito à utilização dos textos na sua esfera de uso. É por esse motivo 
que as pessoas se adequam a diferentes situações comunicativas. Sabendo 
que a comunicação é heterogênea e que os gêneros textuais são organizados 
de acordo com a finalidade da comunicação, pode-se incluir nesse grupo 
desde um diálogo cotidiano até uma tese de doutorado. Ou seja, os gêneros 
se transformam com o contexto. Alguns podem desaparecer e outros, surgir, 
como o da conversa no WhatsApp.
Embora haja um número específico de tipologias textuais, não há um número exato de 
gêneros. Um gênero é composto por, no mínimo, uma tipologia, mas cada tipologia 
pode estar presente em inúmeros gêneros textuais.
O texto literário e as suas manifestações 
linguísticas
A literatura infanto-juvenil, por ser uma porta de entrada para o universo da 
leitura, carrega consigo marcas da oralidade. Isso é importante para promover 
a proximidade entre os interlocutores (emissor e receptor). Todavia, para com-
preender como o universo linguístico interage no campo da literatura, você 
deve: saber identifi car o que é um texto literário e o que o diferencia de um não 
literário; e encontrar as marcas da oralidade nos textos literários infanto-juvenis.
Leitura, oralidade e escrita6
O que é um texto literário?
Como você já sabe, um conjunto de palavras ou frases não constitui necessa-
riamente um texto. Falar de texto implica falar de comunicação, ou seja, de 
uso da linguagem. Ademais, na visão de Antunes (2010), o texto se caracteriza 
como uma atividade funcional, visto que é utilizado sempre com a fi nalidade 
de manter o processo comunicativo.
Você também já viu que o texto pode ser oral ou escrito. Quando estão em 
jogo os textos escritos, inicialmente, é possível subdividi-los em dois grupos: 
textos literários e textos não literários (ou utilitários). Os textos utilitários 
procuram informar, ordenar, argumentar, explicar, etc. Normalmente, a sua 
linguagem é clara e objetiva. Em contraponto, os textos literários, de acordo 
com Fiorin (2000), caracterizam-se por uma unidade de significado composta 
por uma linguagem plurissignificativa determinada pela sua função estética. 
Em convergência, Gonzaga (2007) afirma que o texto literário não é apenas 
uma criação ficcional, mas também é um trabalho de criação de linguagem, 
cumprindo assim a sua função estética. Além disso, para Fiorin (2000), en-
quanto o texto não literário aspira à denotação, o texto literário, ao cumprir 
a sua função estética, busca a conotação.
Na visão de Fleck (2008), a literatura é arte; e arte, por sua vez, é recriação, 
expressão da realidade. Por meio da leitura, o homem consegue redimensionar 
a interpretação do mundo em que está inserido. Ou seja, mergulhar em textos 
literários e entrar no universo da literatura faz com que a visão de mundo do 
sujeito se amplie, conjugando novos significados. Com a literatura e a estética, 
é possível desenvolver a criatividade e a sensibilidade. No entanto, saber ler 
não significa apenas decodificar os signos linguísticos. Segundo Orlandi 
(1988), a leitura de um texto representa o momento em que os interlocutores 
se identificam como tal, desencadeando o processo de significação do texto.
É com a leitura e pela leitura que os indivíduos se tornam capazes de 
analisar e refletir sobre os contextos vivenciados. Contudo, o hábito da leitura 
não é tão fácil de ser adquirido. De acordo com Fleck (2008, p. 15), esse 
processo se inicia ainda na infância, quando a criança tem acesso ao “[...] 
mundo mágico, fantástico e aberto da literatura infantil, cujo acesso garante 
um aprimoramento do processo de aprendizagem da linguagem como meio de 
construção e representação da realidade [...]”. Com a introdução das crianças 
e dos adolescentes no universo literário, inicia-se o processo de leitura crítica.
Bamberger (1991) afirma que os pais e os professores são peças funda-
mentais para a introdução da leitura na vida das crianças. No entanto, há 
situações em que os professores adquirem papel de destaque. Por esse motivo, é 
7Leitura, oralidade e escrita
importante que eles conheçam o universo da literatura infanto-juvenil. Assim, 
podem incentivar as crianças e os adolescentes a desenvolverem o hábito da 
leitura de maneira não traumática. Inclusive, para Zilbermann (1998), realizar 
atividades com a literatura infantil resulta imediatamente em um exercício 
de interpretação e compreensão, pois não enaltece somente a captação de um 
sentido, mas as relações que existem entre a significação e a situação atual e 
histórica do leitor, mesmo que ele seja uma criança.
Os textos literários são representados, principalmente, por novelas, histórias 
em quadrinhos, romances, crônicas, contos, fábulas, poemas, etc. Na literatura 
infanto-juvenil, há alguns autores bastante significativos, como: Beatriz Potter, 
Lewis Carroll, Hans Christian Andersen, J. K. Rowling, L. Frank Baum, C. S. 
Lewis, Paula Pimenta, Thalita Rebouças, Monteiro Lobato, Ziraldo, Maurício 
de Sousa e Tatiana Belink. Cabe ao professor conhecer o universo literário das 
crianças e dos adolescentes para que possa apresentá-lo aos seus alunos e fazê-los 
desenvolver o hábito da leitura de maneira saudável e natural, sem uma imposição.
Alguns escritores e suas obras
É importante que os professores conheçam, pelo menos, os principais escritores 
da literatura infanto-juvenil — não somente para indicá-los aos alunos, mas 
também para compreender as leituras de mundo que caracterizam a infância. 
A seguir, veja alguns dos principais autores nacionais e internacionais (EBIO-
GRAFIA, 2019; SANTANA, 2019).
Escritores internacionais
  Lewis Carroll (1832–1898): além de um dos precursores da poesia de 
vanguarda, foi um poeta, romancista e matemático inglês. É autor do 
clássico Alice no País das Maravilhas. Suas obras incluem: Alice no 
País do Espelho, Algumas Aventuras de Silvia e Bruno, Rimas do País 
das Maravilhas e A Caça ao Turpente.
  Hans Christian Andersen (1805–1875): foi um escritor dinamarquês 
autor de contos infantis. Sua obra inclui: Soldadinho de Chumbo, Patinho 
Feio, A Pequena Sereia e A Roupa Nova do Rei.
  J. K. Rowling (1965): é uma escritora britânica, autora da série que 
conta a história do bruxo Harry Potter. Sua obra é uma das mais mar-
cantes da atualidade a nível mundial. Foi sucesso absoluto entre os 
jovens. Seus principais livros incluem: Harry Potter e a Pedra Filosofal, 
Os Contos de Beedle, o Bardo e Animais fantásticos e onde habitam.
Leitura, oralidade e escrita8
Escritores nacionais
  Thalita Rebouças (1974): é uma escritora e jornalista brasileira, autora 
de livros direcionados ao público juvenil. Tornou-se ídolo do público 
jovem e já publicou 20 livros, vendendo mais de 1,5 milhão de exem-
plares. Suas obras viraram jogo de tabuleiro, peças de teatro, filmes 
e até mangás. Alguns de seus livros já chegaram a Portugal e foram 
traduzidos para diversos países da América Latina. Suas obras incluem: 
Ela Disse, Ele Disse, Era Uma Vez Minha Primeira Vez, Fala Sério, 
Mãe!, Traição entre Amigas e Tudo por um Namorado.
  Paula Pimenta (1975): é uma escritora brasileira conhecida princi-
palmente por suas séries de livros Fazendo Meu Filme e Minha Vida 
Fora de Série. Suas obras incluem: A Estreia de Fani, Fani na Terra 
da Rainha e O Livro das Princesas.
  Monteiro Lobato (1882–1948):além de ter sido um dos primeiros 
autores de literatura infantil do Brasil e de toda a América Latina, foi 
um escritor e editor brasileiro. O Sítio do Pica-Pau Amarelo é sua obra 
de maior destaque na literatura infantil. Suas obras incluem: Reinações 
de Narizinho, Caçadas de Pedrinho, Emília no País da Gramática e 
O Minotauro.
  Ziraldo (1932): é um cartunista, desenhista, jornalista, cronista, char-
gista, pintor e dramaturgo brasileiro. É o criador do personagem Menino 
Maluquinho, sucesso até hoje entre as crianças. Suas obras incluem: 
Turma do Pererê, O Menino Maluquinho, O Planeta Lilás, Uma Pro-
fessora Muito Maluquinha e Lili no Mundo da Lua.
  Mauricio de Sousa (1935): membro da Academia Paulista de Letras, é 
o mais famoso e premiado autor brasileiro de histórias em quadrinhos. 
Sua obra mais famosa é a que gira em torno da Turma da Mônica.
Marcas da oralidade na escrita
Como você já viu, há contrastes entre a língua falada e a língua escrita. 
Embora conhecer tal antítese seja importante para compreender as diferentes 
manifestações textuais, você deve notar que, na literatura, não há uma visão 
dicotômica entre a oralidade e a escrita. Há manifestações da língua dentro da 
literatura que carregam consigo características individuais cheias de estética 
e de signifi cados vinculados à língua falada.
A literatura infanto-juvenil é, geralmente, o primeiro contato da criança 
ou do adolescente com o universo dos livros. Um dos objetivos de todos os 
9Leitura, oralidade e escrita
professores, não somente dos das séries iniciais, consiste em apresentar aos 
seus alunos o universo mágico da literatura, fazendo com que eles o apreciem 
e desenvolvam o hábito da leitura. Para que isso aconteça, desde os primeiros 
contatos do aluno com a escola, os professores devem apresentar livros 
pertinentes à sua faixa etária. Normalmente, os livros que mais agradam 
os jovens leitores são os que se aproximam do seu universo linguístico. Ou 
seja, é importante que você saiba identificar livros que agradem os alunos 
não apenas pelo seu conteúdo, mas também pela sua forma e pela sua ma-
nifestação linguística.
Quanto mais próximo da linguagem do aluno, mais o texto terá afinidade 
com ele. As marcas da oralidade, por exemplo, fazem com que o abstrato da 
arte se torne concreto. Segundo Koch e Elias (2017), há diferentes marcas 
de oralidade na escrita, como a questão da referência, as repetições, o uso 
de organizadores textuais continuadores típicos da fala (“e”, “aí”, “então”, 
etc.) e o discurso direto. Quando a criança consegue materializar a leitura 
não apenas com imagens, mas também com a identificação da sua lingua-
gem e do seu vocabulário, o resultado interacional com o texto alcança 
mais êxito.
Como você sabe, Mauricio de Sousa, criador da Turma da Mônica, é 
um dos mais renomados autores nacionais. Ele foi responsável por intro-
duzir muitas crianças no universo da literatura. Seu vocabulário simples, 
coloquial e objetivo é familiar ao seu leitor, como é possível perceber na 
Figura 1.
Figura 1. Tirinha da Turma da Mônica, de Mauricio de Sousa.
Fonte: Sousa (2015, documento on-line).
Leitura, oralidade e escrita10
A obra de Mauricio de Sousa também apresenta as diferentes manifestações 
da linguagem, como você pode ver na Figura 2.
Figura 2. Tirinha de Chico Bento, de Mauricio de Sousa.
Fonte: Sousa (2017, documento on-line).
Thalita Rebouças, autora de diversos livros do universo pré-adolescente 
e adolescente, assim como Mauricio de Sousa, procura utilizar a linguagem 
do universo dos seus leitores. As marcas de oralidade se fazem presentes não 
somente nos discursos diretos, mas também no uso das gírias e dos organi-
zadores textuais continuadores típicos da fala, como se percebe no trecho a 
seguir, retirado do livro Fala sério, professor! (REBOUÇAS, 2006). Nesse 
trecho, Malu (a mesma protagonista do livro Fala sério, mãe!) conta como 
se relacionou com os professores — desde o professor da academia até os do 
colégio — que mais marcaram a sua vida.
— Quanto farelo, gente! Quem foi que comeu biscoito sem pratinho 
embaixo? Cadê o aspiradorzinho que a minha mãe deu pra gente?
As duas começaram a rir.
Permaneci séria, eu estava muito brava, muito brava.
— Malu! Desestressa! — disse Helô.
— Comemos sem pratinho, sim, depois a gente limpa — completou Bené.
— Depois quando?
— Depois...
— Que biscoito foi? De polvilho? — eu quis saber.
— Arrã — fizeram as duas, sapecas.
— Tem ainda? — rendi-me à gula e à bagunça.
11Leitura, oralidade e escrita
Comi o último do pacote e acabei rindo com elas. Eu até gosto de ba-
gunça. Sempre gostei.
Mas o apê estava tão bagunçado que tinha ultrapassado até o meu nível 
permitido de bagunça.
— Pô, gente, assim não dá! A gente precisa tomar vergonha na cara! 
Nossa casa está uma zona!
— Ih, Malu, você está parecendo o Francisco, aquele professor de português 
da quinta série que tinha mania de arrumação, lembra? — perguntou Bené.
— Ô, se lembro... (REBOUÇAS, 2006, p. 9).
A marca da coloquialidade e da oralidade nos textos literários infanto-
-juvenis, por aproximar os interlocutores, é bastante presente tanto nas obras 
literárias para crianças, como as de Mauricio de Sousa, quanto nas obras para 
adolescentes, como as da Thalita Rebouças. Assim, com o estímulo da leitura 
durante a infância e a adolescência, é possível que novas portas se abram para 
uma literatura mais crítica e complexa.
O conceito de língua é bastante amplo, visto que ele engloba diferentes manifestações 
da fala, incorporando as suas incontáveis possibilidades. Esse universo linguístico é 
constituído pela norma padrão (ou culta), conhecida como a forma de prestígio, e 
pelas suas diferentes manifestações ou variedades. Estas não são decorrentes do uso 
individual da língua, mas são marcadas pela identidade de diferentes comunidades 
falantes. Os principais fatores responsáveis pela variação linguística são: geográficos, 
sociais, históricos, culturais e situacionais.
A linguagem e os seus diferentes contextos
O contexto é o conjunto de circunstâncias a que um texto se refere. Textos 
literários apresentam uma linguagem própria e fl exível, pois têm como objetivo 
causar algum tipo de emoção no leitor. O uso de uma linguagem específi ca 
é fundamental para que o objetivo seja alcançado. Portanto, é necessário que 
você, como professor, compreenda o universo linguístico presente na literatura 
infanto-juvenil juntamente com as características específi cas da linguagem 
utilizada em diferentes obras.
Leitura, oralidade e escrita12
Tipos de linguagem
A linguagem é o uso da língua, e a língua não é um código imutável. Não há 
sociedade sem um processo de comunicação, e as línguas não existem sem 
as pessoas que as falam. Se a sociedade muda, a língua também muda, pois, 
como afi rma Calvet (2002, p. 5), “[...] a história de uma língua é a história de 
seus falantes [...]”. Ou seja, as variantes contextuais não decorrem diretamente 
do usuário da língua, mas de diferentes situações e contextos comunicativos 
que o cercam em um ato de fala.
Assim como a sociedade não é uniforme, a língua tampouco o será. Ela 
varia e as suas variações estão diretamente relacionadas a diferentes contextos 
linguísticos do falante. Ou seja, assim como o indivíduo tem consciência de 
que existe uma adequação social em relação às roupas que usa — por exemplo, 
ninguém vai a uma entrevista de emprego com uma roupa de praia, assim 
como as pessoas não vão a uma festa de gala com um biquíni —, espera-se 
que o falante tenha uma consciência linguística. Essa consciência significa 
que o mesmo falante pode utilizar o nível de fala coloquial ou culto, visto que 
esse nível dependerá da necessidade e do contexto situacional.
Há uma norma padrão (ou culta), considerada de prestígio, e há também 
as variantes dessa norma. A língua pode variar em relação ao tempo (variante 
diacrônica ou histórica), em relação ao espaço (variante diatópica, regional 
ou geográfica), em relação a aspectossocioculturais (variante diastrática, 
social ou sociocultural), em relação ao meio de uso (variante diamésica) e em 
relação a contextos situacionais (variante diafásica, situacional ou estilística).
Os estudos sobre variação linguística em diferentes contextos sociais, 
segundo Mollica e Braga (2013), indicam que os falantes têm um repertório 
linguístico que pode variar em diferentes situações de comunicação. Ou seja, 
o uso consciente da língua se reflete não apenas na oralidade, mas também
na escrita. Os níveis de linguagem são, principalmente, os seguintes: nível
formal ou culto, nível informal ou coloquial, nível popular e nível estilístico.
O nível coloquial é utilizado, normalmente, em situações de informalidade, 
familiaridade e entre iguais. O culto insere-se em contextos de formalidade, 
como em uma palestra ou em uma entrevista de emprego. O popular representa, 
de modo geral, as variantes desprestigiadas, consideradas erradas e desva-
lorizadas em relação à norma culta. No entanto, o nível estilístico, também 
conhecido como literário, é usado em situações específicas, em que há predo-
minância de liberdade poética e em que o erro não é considerado, mas apagado 
por uma necessidade estética. Ou seja, as formas desprestigiadas podem ser 
manifestações artísticas. A linguagem no nível estilístico, que caracteriza o 
13Leitura, oralidade e escrita
texto literário, além de possibilitar únicas e diferentes estruturas na fonética, 
na morfologia e na sintaxe, apresenta, para Fiorin (2000), os seguintes traços: 
relevância do plano da expressão, intangibilidade da organização linguística, 
criação de conotações, desautomatização e plurissignificação. Ou seja, ela dá 
identidade e significado aos textos literários.
A linguagem estilística, com suas características próprias, personaliza os 
textos literários. Com ela, é possível descrever desde narrativas em situações 
extremamente cultas até outras que se caracterizem pelo uso da linguagem 
popular. Tudo depende da intencionalidade do autor com o seu texto. Ou seja, há 
uma tendência de aproximação entre o emissor e o receptor que ele quer 
atingir.
A interlocução e o contexto
 Qualquer texto, seja oral ou escrito, é produzido por um autor que tem 
em mente um receptor. O termo “interlocutor” designa cada um dos 
participantes do diálogo. Em um texto escrito, o autor deve saber qual é o 
perfi l de seu interlocutor para que o processo de comunicação ocorra com 
êxito e para que haja uma relação entre o escritor e o seu leitor. A fi m de 
que a interação comunicativa ocorra, o destinatário deve ter em mente o seu 
receptor. Segundo Aburre e Aburre (2007), existem dois principais 
interlocutores: o universal e o específi co.
 Na literatura infanto-juvenil, obviamente, estão mobilizadas necessidades 
e interesses do público infantil e juvenil. Uma maneira de o autor se aproximar 
do seu público, portanto, é explorar o uso de uma linguagem coloquial e mais 
específica. Essa linguagem não necessariamente faz parte do cotidiano do 
emissor, e o seu emprego é caracterizado como linguagem literária, ou seja, 
trata-se de um tipo de variante da norma culta, a variante diafásica, estilística 
ou situacional. O seu uso valoriza a proximidade entre os interlocutores, 
Leitura, oralidade e escrita14
fazendo com que o contexto de leitura integre o universo do receptor. Dessa 
forma, a referência é direta aos interlocutores específicos.
Quando se fala em interlocutores universais, normalmente estão em jogo 
interlocutores de textos informativos, não literários e compostos por uma 
linguagem objetiva e denotativa. No entanto, quando há interlocutores espe-
cíficos, o texto tenta se aproximar ao máximo do seu destinatário, com marcas 
de subjetividade e de oralidade, por exemplo.
Além de se dirigir a interlocutores com perfis definidos, os textos se referem 
a circunstâncias de natureza cultural, social e linguística. Tais circunstâncias 
precisam ser compartilhadas por quem produz e quem recebe o texto. Ou seja, 
está em jogo o contexto, que representa a totalidade das informações contidas 
no texto. A identificação do contexto depende inteiramente do conhecimento 
de mundo dos leitores.
Portanto, estabelecer o perfil do leitor juntamente com a linguagem ade-
quada para abordá-lo é o primeiro e, talvez, o principal passo que o autor 
pode dar para que o processo comunicativo ocorra de maneira eficaz. Além 
disso, quando o estilo de linguagem é pensado e analisado para determinado 
perfil, a leitura torna-se mais fluida e a possibilidade de ela se transformar 
em um hábito aumenta.
ABURRE, M. L.; ABURRE, M. B. M. Produção de texto: interlocução e gêneros. São Paulo: 
Moderna, 2007.
ADAM, J. M. A linguística textual: introdução à análise textual dos discursos. São Paulo: 
Cortez, 2008.
ANTUNES, I. Análise de textos: fundamentos e práticas/ Irandé Antunes. São Paulo: 
Parábola Editorial, 2010.
BARBISAN, L. B. Texto e Contexto. ORGANON – Revista do Instituto de Letras da UFGRS: 
Porto Alegre, RS, v. 9, n. 23, 1995. 
BAMBERGER, R. Como incentivar o hábito de leitura. São Paulo: Ática, 1991. 
CALSAMAGLIA, B.; TUSON, A. Las cosas del decir: manual de análisis del discurso. 2. ed. 
Barcelona: Ariel, 2008.
CALVET, L. J. Sociolinguística: uma introdução crítica. São Paulo: Parábola Editorial, 2002.
EBIOGRAFIA. [Site]. 2019. Disponível em: https://www.ebiografia.com/. Acesso em: 25 
out. 2019.
15Leitura, oralidade e escrita
FIORIN, J. L. A estilística na tradição de língua portuguesa e os enfoques discursivos 
atuais. Caplletra: Revista Internacional de Filología, Barcelona, n. 29, p. 37–52, 2000.
FLECK, G. F. O papel da Literatura Infantil e Infanto-juvenil na formação do leitor. Revista 
Língua & Literatura, Frederico Westphalen, v. 10, n. 14, p. 13–27, 2008.
GONZAGA, S. Curso de literatura brasileira. 2. ed. Porto Alegre: Leitura XXI, 2007.
INFANTE, U. Do texto ao texto: curso prático de leitura e redação. São Paulo: Scipione, 
1998. 
KOCH, I. V.; ELIAS, V. M. Ler e escrever: estratégias de produção textual. 2. ed. São Paulo: 
Contexto, 2017.
MARCUSCHI, L. A. Da fala para a escrita: atividades de retextualização. 6. ed. São Paulo: 
Cortez, 2005.
MOLLICA, M. L.; BRAGA, M. L. 4. ed. São Paulo: Contexto, 2013.
ORLANDI, E. P. Discurso e leitura. São Paulo: Cortez, 1988.
PRETI, D. Sociolinguística: os níveis de fala. São Paulo: Nacional, 1974.
REBOUÇAS, T. Fala sério, professor! São Paulo: Rocco, 2006.
SANTANA, A. L. Escritores da literatura infanto-juvenil. 2019. Disponível em: https://
www.infoescola.com/literatura/escritores-da-literatura-infanto-juvenil/. Acesso em: 
25 out. 2019.
SOUSA, M. Chico Bento plantando batatas. 2017. Disponível em: https://anpetry.blogspot.
com/2017/04/chico-bento-plantando-batatas.html. Acesso em: 25 out. 2019.
SOUSA, M. Marcelinho. 2015. Disponível em: http://e.glbimg.com/og/ed/f/origi-
nal/2015/01/31/marcelinho_001_-_primeira_tira_.jpg. Acesso em: 25 out. 2019.
ZILBERMANN, R. A literatura infantil na escola. São Paulo: Global, 1998.
Leitura, oralidade e escrita16
Dica do professor
A linguagem se concretiza com as manifestações textuais. Contudo, embora o texto seja a 
realização da linguagem, entre eles há um terceiro elemento: o discurso. É no discurso que estão a 
intencionalidade e a ideologia do texto.
Na Dica do Professor, conheça um pouco mais sobre discurso e texto.
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Exercícios
1) Língua, linguagem e comunicação, apesar de, às vezes, serem usadas como sinônimos, têm 
suas diferenças e se relacionam entre si.
Em relação à linguagem, é possível afirmar que ela representa:
A) o uso da língua em uma esfera individual, embora se manifeste tanto na fala quanto na 
escrita.
B) uma prática social interativa que pode se manifestar somente em contextos orais.
C)a manifestação da língua, a qual é composta por um sistema de signos convencionais usados 
pelos membros de uma mesma comunidade linguística. 
D) a língua em uma esfera padrão banida de interação social. 
E) as manifestações que qualquer falante tem em relação ao uso oral da língua.
2) Gêneros textuais representam o uso e a finalidade da língua; já os tipos representam a 
forma. Segundo Marcuschi (2009), o tipo textual designa uma espécie de construção teórica 
definida pela natureza linguística de sua composição, e o gênero adapta os textos em 
diferentes situações comunicativas. Enquanto há um número restrito de tipologia textual, os 
gêneros são inúmeros.
Assinale a alternativa que apresenta apenas tipologias textuais:
A) Crônica, narração e diálogo.
B) Fábula, anedota e reportagem. 
C) Propaganda, editorial jornalístico e descrição.
D) Injunção, dissertação e exposição
E) Telefonema, filme e conto.
Para que se interprete como o universo linguístico interage no campo da literatura, é 
necessário que se saiba identificar o que é um texto literário e o que o diferencia de um não 
literário ou utilitário.
3) 
Em relação a essa dicotomia, qual das alternativas apresenta o contraste entre as duas 
manifestações da linguagem?
A) Enquanto textos literários buscam causar alguma emoção ou impacto no leitor, os textos 
utilitários têm a intencionalidade apenas de ordenar.
B) O texto não literário aspira à denotação; o texto literário, ao cumprir sua função estética, 
busca a conotação.
C) Os textos não literários têm linguagem clara e objetiva. Em contraponto, os textos literários 
caracterizam-se por uma unidade de significado composta de uma linguagem 
plurissignificativa determinada pela sua função denotativa.
D) O texto literário se resume apenas a uma criação ficcional, sem necessidade de cumprir 
qualquer tipo de função estética; já o texto não literário se resume a cumprir diferentes 
papéis sociais, como informar, persuadir, argumentar, etc.
E) Ambos são compostos pela linguagem estilística.
4) Para que os jovens leitores se aproximem da leitura desde os anos iniciais da escola, é 
necessário que o professor conheça o universo literário das crianças e dos adolescentes para 
que, assim, possa apresentá-lo aos seus alunos e fazê-los desenvolver o hábito da leitura de 
maneira saudável e natural.
Analise os autores e suas respectivas obras nas alternativas a seguir e assinale a correta em 
relação à correspondência entre escritor e obra:
A) J. K. Rowling: Emília no País da Gramática.
B) Monteiro Lobato: Turma do Chico Bento.
C) Ziraldo: Harry Potter.
D) Mauricio de Sousa: O Menino Maluquinho.
E) Thalita Rebouças: Fala sério, mãe!
Quanto mais próximo o texto estiver da linguagem do leitor, mais afinidade este terá com a 
obra literária. É por esse motivo que a literatura infantojuvenil tem, como uma de suas 
principais características, as marcas da oralidade.
5) 
A seguir, há diferentes manifestações da linguagem em pequenos trechos de obras literárias. 
Em qual delas há marcas evidentes de oralidade?
A) E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada... 
 
(Raimundo Correia)
B) Arrumei um bico de vendedora num shopping perto de casa para dar uma reforçada na 
mesada. Começou como um trabalho de férias, mas a gerente gostou de mim e eu fui ficando. 
 
(Thalita Rebouças)
C) Colhe-se antes que venha o mal,
Colhe-se antes que chegue o inverno;
Que a flor morta já nada val.
 
(Machado de Assis)
D) Amor é fogo que arde sem se ver 
É ferida que dói e não se sente 
É um contentamento descontente 
É dor que desatina sem doer. 
 
(Luís Vaz de Camões) 
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
E) 
 
(Carlos Drummond de Andrade)
Na prática
Estimular a leitura é o principal papel do professor, pois com ela o aluno desenvolverá mais sua 
capacidade interpretativa de compreender o mundo em que está inserido.
Veja, a seguir, a história da professora Karina, que utilizou uma sugestão simples, porém muito 
acessível, para abordar a leitura de maneira lúdica em sala de aula.
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https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/b3d38198-e3ab-4082-b1cf-85de024ca4b9/b6d568b8-86ee-4314-a865-d76dc6ce65b2.png
Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Fala e escrita — Parte 1
Luiz Antonio Marcuschi foi um linguista, pesquisador e professor universitário brasileiro. Seu legado 
em relação à linguística é representativo e importantíssimo para os profissionais do universo letrista 
e educacional. Assista a esse vídeo, que trata das relações entre a fala e a escrita, a oralidade e o 
letramento.
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Fala e escrita — Parte 2
Este é o segundo vídeo de Marcuschi, que apresenta uma reflexão e exemplos sobre as 
manifestações da linguagem, principalmente acerca da dicotomia entre a fala e a escrita, entre a 
oralidade e o letramento.
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Fala e escrita — Parte 3
Este é o terceiro vídeo de Marcuschi, que apresenta uma reflexão e exemplos sobre as 
manifestações da linguagem, principalmente acerca da dicotomia entre a fala e a escrita, entre a 
oralidade e o letramento.
https://www.youtube.com/embed/XOzoVHyiDew
https://www.youtube.com/embed/6y9xK-9bbcw
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Introduzindo a literatura infantojuvenil
Regina Zilberman é pesquisadora, escritora, ensaísta e professora brasileira. Suas pesquisas 
literárias, além de analisarem profundamente as obras clássicas, abrangem o universo da literatura 
infantojuvenil. Questionamentos sobre como introduzir as crianças ao universo literário sempre 
estão presentes no âmbito educacional. Neste artigo, Zilberman não apenas reflete sobre a 
importância da literatura no letramento, mas também faz com que o professor se questione sobre 
as obras que serão apresentadas aos seus alunos.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://www.youtube.com/embed/UqSfGyR1ERA
https://periodicos.ufsc.br/index.php/perspectiva/article/viewFile/10106/9326

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