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LEITURA E 
PRODUÇÃO DE TEXTO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A escrita impressa possibilitou aos seres humanos o aumento na 
produção de documentos escritos, como livros e periódicos; a criação e a 
ampliação de bibliotecas; a invenção de outros meios de comunicação, como 
os cartazes, os anúncios oficiais e os panfletos; a alfabetização; e o acesso a 
informações e entretenimento literário, como a publicação de romances nos 
jornais. Todos esses textos que encontramos no nosso cotidiano têm uma 
categorização, que facilita a compreensão de suas finalidades e seus gêneros 
textuais. 
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai ver o que é a comunicação 
escrita, conhecer quais são os gêneros textuais e suas tipologias, além de ver 
como diferenciá-los. 
Bons estudos. 
 
AULA 3 – 
GÊNEROS E 
TIPOS TEXTUAIS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nesta aula, você vai conferir os contextos conceituais da psicologia entenderá 
como ela alcançou o seu estatuto de cientificidade. Além disso, terá a oportunidade 
de conhecer as três grandes doutrinas da psicologia, behaviorismo, psicanálise e 
Gestalt, e as áreas de atuação do psicólogo. 
▪ Compreender o conceito de psicologia 
▪ Identificar as diferentes áreas de atuação da psicologia 
▪ Conhecer as áreas de atuação do psicólogo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes 
aprendizados: 
• Compreender o que é a comunicação escrita. 
• Conhecer os gêneros e tipos textuais. 
• Identificar as tipologias textuais nos gêneros textuais. 
• Classificar os tipos textuais com base em suas características. 
• Enumerar os gêneros textuais, relacionando suas funções no 
processo comunicativo. 
 
 
 
1 GÊNEROS E TIPOS TEXTUAIS 
Todos os textos se apresentam com uma forma e com uma finalidade, a 
comunicação. A forma do texto é representada pelo conceito de tipologia ou tipo 
textual. Segundo Marcuschi (2005, p. 154), “Tipo textual designa uma espécie de 
construção teórica definida pela natureza linguística de sua composição (aspectos 
lexicais, sintáticos, tempos verbais, relações lógicas, estilo) [...]”. 
Em relação à manifestação dos tipos, é importante salientar que eles não são 
textos, mas são as formas que os textos assumem em diferentes contextos. Os 
principais tipos textuais são os seguintes: narração, argumentação, exposição, 
descrição e injunção. Além de se manifestarem em determinadas formas, o texto 
também assume a sua finalidade, ou seja, o seu uso. Quando você analisa as 
manifestações contextuais dos textos, você trabalha com o conceito de gênero textual. 
Os gêneros textuais são os textos que você encontra no cotidiano e que 
apresentam padrões característicos, definidos pela funcionalidade, pelo estilo e pelo 
objetivo em diferentes esferas comunicativas. Dessa forma, na visão de Marcuschi 
(2005), o gênero textual materializa e adapta os textos em diferentes situações 
comunicativas. Você pode considerar como exemplos de gêneros: receita, crônica, 
diálogo, aula de português, reportagem, bilhete, e-mail, notícia, carta pessoal, carta 
comercial, resenha, romance, poema, etc. 
Segundo KOCH e Elias (2017), para viver em sociedade, todo indivíduo 
constrói, ao longo de sua existência, uma competência metagenérica, que diz respeito 
à utilização dos textos no seu meio de uso. É por isso que as pessoas se adequam a 
diferentes situações comunicativas. Sabendo que a comunicação é heterogênea e 
que os gêneros textuais são organizados de acordo com a finalidade da comunicação, 
pode-se incluir nesse grupo desde um diálogo cotidiano até uma tese de doutorado. 
Ou seja, os gêneros se transformam com o contexto. Alguns podem desaparecer e 
outros, surgir. 
1.1 Gênero textual 
Agora que aprendemos sobre as diferentes tipologias textuais, podemos 
estudar os diferentes gêneros textuais. Gêneros textuais são textos que apresentam 
 
 
características distintas e que exercem funções comunicativas específicas; ou seja, 
esses textos se caracterizam por compartilhar os mesmos traços entre textos do 
mesmo gênero, diferem de outros gêneros por terem características peculiares e 
cumprem objetivos variados. 
Os gêneros textuais, além de conteúdos que sejam propícios aos seus fins 
comunicativos, também são caracterizados pela forma de apresentação dos textos, 
que estão altamente relacionados ao papel que cada texto deve cumprir. Um leitor 
que recebesse um texto “lista de compras” certamente perderia tempo no mercado 
lendo frases que não são necessárias para as compras e, ainda por cima, correria o 
risco de esquecer algum item por não estar facilmente indicado no corpo do texto. 
Os gêneros textuais devem levar em consideração todos os aspectos que 
proporcionem uma comunicação eficiente, como emissor, receptor, objetivo, canal, 
mensagem, etc. Diferente das tipologias textuais, os gêneros textuais são de inúmeros 
tipos e surgem de acordo com as necessidades sociais distintas para cada ação 
comunicativa. 
Entre os exemplos de gêneros textuais estão: carta (pessoal e empresarial), 
telefonema, notícia de jornal, artigo de revista, artigo de jornal, artigo acadêmico, 
piada, receita, bula de remédio, biografia, entrevista, romance, poesia, conto, 
monografia, aviso, lenda, fábula, lista de compras, ensaio, editorial, e-mail, abaixo-
assinado, diário, currículo, entrada de dicionário, texto enciclopédico, etc. Os 
exemplos mencionados acima servem apenas para ilustrar a grande variedade de 
gêneros textuais existentes. Como já foi dito, cada necessidade comunicativa pode 
abrir espaço para o surgimento de um gênero textual diferente. 
1.2 Tipologia textual 
Tipologia textual (tipos de texto) se refere às diferentes formas que um texto 
pode se apresentar. Elas se caracterizam e diferenciam não só pelo conteúdo, mas 
também – e principalmente ─ por suas formas e objetivos. Cada tipo textual se 
apresenta de uma determinada maneira, seguindo regras de estruturas e 
apresentações que diferem um tipo do outro. Em outras palavras, a tipologia textual é 
responsável por apresentar modelos que delimitam tanto a estrutura quanto os 
aspectos linguísticos de um texto. 
 
 
Existem diferentes tipos de texto que divergem de acordo com a finalidade e 
propósito de cada um, sendo que cada tipo apresenta distinções no que diz respeito 
à estrutura, linguagem, vocabulário, organização sintática, relações lógicas, 
interações com o leitor, etc. As principais tipologias textuais são quatro, e cada uma 
delas possui características próprias. 
Texto narrativo: O texto narrativo tem por objetivo contar um fato, 
acontecimento ou história por meio de um desencadeamento sequencial. Essa 
narrativa pode ser real ou fictícia. 
Texto descritivo: O principal objetivo de um texto descritivo, como o nome já 
diz, é apresentar uma descrição de algo (seja uma pessoa, um objeto, um conceito 
etc.) de forma que o leitor possa formar uma imagem mental do que está sendo 
descrito e relacioná-la à realidade ou criar uma figura imaginária. 
A descrição pode ser feita em diferentes níveis e por meio de diferentes 
recortes, podendo ser mais objetiva ou mais subjetiva de acordo com os objetivos do 
texto e do escritor. Embora a estrutura do texto descritivo seja similar à do texto 
narrativo (introdução, desenvolvimento e conclusão), os componentes dessa estrutura 
podem ser entendidos de forma um pouco distinta, de modo que a introdução sirva 
como uma identificação (ou apresentação) daquilo que será descrito e o 
desenvolvimento, a descrição em si. 
A conclusão, por sua vez, pode ser entendida não como um componente, mas 
como um processo. A conclusão ocorre quando o autor do texto está satisfeito com a 
descrição pretendida. Diferente do texto narrativo, o texto descritivo está isento de 
limitação temporal ou espacial.Ele se estrutura como uma descrição estática, 
independente de uma cronologia ou de um espaço temporal específico. Geralmente, 
textos descritivos são cheios de substantivos, adjetivos e advérbios. Os verbos 
utilizados para esses textos geralmente são mais restritos do que os utilizados em 
narrativas, sendo, em sua maioria, verbos de estado (ser, estar, parecer, etc.). 
A linguagem utilizada em textos descritivos se caracteriza por ser bastante rica, 
a fim de fornecer uma descrição detalhada, fazendo uso, portanto, de figuras de 
linguagem, comparações, enumerações, etc. de forma que a linguagem se torne 
dinâmica e interessante para o leitor. 
Texto dissertativo (expositivo e argumentativo): Um texto dissertativo se 
caracteriza por ter como objetivo informar o leitor a respeito de um determinado 
 
 
assunto de forma rica, rigorosa e detalhada. Essa tipologia textual se divide em dois 
tipos: expositivo e argumentativo. 
Dissertativo-expositivo: expõe conhecimentos, detalhes e ideias. Esse tipo 
de texto não tem por objetivo convencer o leitor, apenas relatar fatos sobre um 
determinado tema, servindo como transmissor de conhecimento e escrito de forma 
que tente evitar qualquer tipo de erro ou informação não verídica, ou não confirmada. 
Textos dissertativos-expositivos devem ser elaborados de forma clara e 
organizada, de modo que possam ser entendidos por diversos leitores. Geralmente, 
textos expositivos trazem um grande número de informações relacionadas ao assunto 
sobre o qual dissertam, a menos que o autor tenha por objetivo fazer apenas um 
recorte específico. Nesse tipo de texto, encontramos definições, clarificações, 
características, comparações, enumerações e exemplos que abordam de maneira 
correta e eficaz o assunto a ser exposto. 
Dissertativo-argumentativo: tem por objetivo convencer e persuadir o leitor 
por meio de sua dissertação. Nesse tipo de texto, o autor utiliza não somente fatos, 
mas também suas crenças, opiniões, valores e ideias para tentar convencer o leitor 
de algo ou fazê-lo concordar com seus pressupostos e teses, sempre em terceira 
pessoa. 
Texto explicativo (injuntivo e prescritivo): O texto explicativo é aquele que 
tem como principal objetivo instruir o leitor a respeito de algum processo ou 
procedimento. Esses textos se caracterizam por linguagens que instruam e incentivem 
a ação, direcionando o comportamento do leitor. O tipo de linguagem empregada por 
esse tipo de texto é, geralmente, objetivo e claro, com um grande número de verbos 
no imperativo, no infinitivo ou no presente do indicativo. 
1.3 O texto literário e as suas manifestações linguísticas 
Como porta para o mundo da leitura, a literatura infantil traz consigo a marca 
da oralidade. Isso é importante para facilitar a proximidade entre os interlocutores 
(emissor e destinatário). No entanto, para entender como os mundos da linguagem 
interagem na esfera literária, é preciso saber reconhecer o que é um texto literário e 
como ele se diferencia dos textos não literários e procurar marcas coloquiais em textos 
de literatura infantil e juvenil. 
 
 
Como sabemos, um conjunto de palavras ou frases não necessariamente 
formam um texto. Falar de textos é falar de comunicação, de uso da linguagem. Além 
disso, na visão de Antunes (2010), o texto é descrito como uma atividade funcional 
porque é sempre utilizado com a finalidade de sustentar a comunicação. 
Como se vê, os textos podem ser orais ou escritos. Quando aos textos escritos, 
eles podem inicialmente ser subdivididos em dois grupos: textos literários e textos não 
literários. Os textos não literários tentam informar, ordenar, argumentar, explicar, etc. 
Normalmente, sua linguagem é clara e objetiva. Em contrapartida, segundo Fiorin 
(2000), um texto literário é caracterizado por uma unidade de sentido constituída por 
uma linguagem determinada por sua função estética. Gonzaga (2007) apontou em 
Convergência que os textos literários não são apenas criações ficcionais, mas 
também obras de criação linguística, cumprindo assim sua função estética. Além 
disso, segundo Fiorin (2000), os textos não literários buscam o sentido real, a 
denotação, enquanto os textos literários buscam a conotação ao desempenhar suas 
funções estéticas. Na visão de Fleck (2008), a literatura é arte; a arte, por sua vez, é 
entretenimento, a expressão da realidade. 
É através da leitura que o homem consegue reajustar sua interpretação do 
mundo em que vive. Ou seja, mergulhar nos textos literários e entrar em um universo 
fantástico que amplia a visão de mundo do sujeito e cria novos significados, é través 
da literatura e da estética que a criatividade e a sensibilidade podem ser cultivadas. 
Porém, saber ler não significa apenas decodificar os símbolos da linguagem. Segundo 
Orlandi (1988), a leitura de um texto representa o momento em que o interlocutor se 
identifica consigo mesmo, desencadeando o processo de dar sentido ao texto. 
É por intermédio da leitura e com a leitura que as pessoas são capazes de 
analisar e refletir sobre as situações vivenciadas. No entanto, o hábito da leitura não 
é tão fácil de formar. Segundo Fleck (2008, p. 15), esse processo se inicia na infância, 
quando a criança é exposta ao mundo mágico, fantasioso e aberto da literatura infantil, 
e essa exposição garante que o processo de aprendizagem de uma língua seja 
aprimorado, como Um meio de construir e representar a realidade. 
Segundo Bamberger (1991), pais e professores são essenciais para introduzir 
a leitura na vida das crianças. No entanto, existem situações em que os 
professores desempenham um papel de destaque. Por isso, é importante que 
conheçam o mundo da literatura infantil. Dessa forma, podem estimular crianças 
 
 
e jovens a ler de uma forma muito mais prazerosa. Ainda para Zilbermann (1998), 
realizar atividades com literatura infantil é diretamente um exercício de 
interpretação e compreensão, pois melhora não só a apreensão de 
um significado, mas também as relações que existem entre o significado e sua 
presença e história, mesmo que ele ainda é uma criança. 
Os textos literários são constituídos sobretudo por romances, histórias em 
quadrinhos, novelas, crônicas, contos, fábulas e poemas. Os professores devem 
entender o mundo literário das crianças e adolescentes e apresentá-lo aos alunos 
para que eles desenvolvam hábitos de leitura saudáveis e naturais, em vez de impô-
los aos outros. 
2 A LINGUAGEM E O CONCEITO DE LÍNGUA EM USO 
A linguagem consiste no uso da língua para a comunicação e a interação social. 
Da mesma maneira que a linguagem pode ser oral ou escrita, a leitura ultrapassa o 
universo da escrita. Pode-se ler tanto um artigo de opinião quanto um debate político. 
Ou seja, ler não significa, restritamente, decodificar uma sequência de palavras 
escritas. 
A linguagem é a responsável por estabelecer toda atividade comunicativa. 
Assim, ela representa a manifestação da língua, composta por um sistema de signos 
convencionais usados pelos membros de uma mesma comunidade linguística. De 
maneira genérica, pode-se afirmar que a língua não passa de um contrato 
estabelecido entre os seus usuários. Caso esse contrato seja de conhecimento pleno 
dos usuários, a comunicação está garantida. 
Cada indivíduo utiliza a língua de sua comunidade de maneira individual e 
personalizada, desenvolvendo assim a fala. Ou seja, as manifestações de qualquer 
falante em relação ao uso da língua são representadas pela fala. No entanto, deve-se 
ter cuidado para que não ocorra a confusão da fala com o ato de falar,pois tanto a fala 
quanto a escrita são expressões individuais de cada pessoa, que estão inseridas no 
conjunto maior que é a língua). Por exemplo, os falantes da língua portuguesa podem 
falar ao telefone ou escrever um texto em alguma rede social. Em ambas as 
circunstâncias, estarão usando a sua fala individual para manifestar a língua 
portuguesaem diferentes meios sociais. 
 
 
O caráter social de uma língua e a sua representatividade para o processo de 
comunicação são inegáveis em qualquer estudo linguístico. Sabendo que a linguagem 
representa o uso da língua em uma esfera social, Preti (1974) afirma que, para que 
exista uma vida em sociedade, é fundamental que as manifestações linguísticas sejam 
compreendidas. 
Sons, gestos e imagens compõem diferentes tipos de mensagens que podem 
se manifestar por diversos canais, como a televisão, o cinema ou um livro. Ou seja, 
estudar as manifestações linguísticas significa compreender que a língua é o suporte 
para toda e qualquer dinâmica social. No entanto, segundo Preti (1974), o seu uso 
não compreende apenas relações corriqueiras orais, mas também expressões mais 
específicas, como uma notícia escrita em um jornal. 
Dessa maneira, a fala e a escrita são duas manifestações da linguagem 
estabelecidas por um objetivo específico dentro de um contexto linguístico. Para 
Calsamaglia e Tuson (2008), o discurso representa, principalmente, uma prática social 
interativa que pode se manifestar em contextos tanto orais quanto escritos. Inclusive, 
a forma como se compreende a linguagem implica uma análise textual. Segundo 
Barbisan (1995), o texto é uma unidade funcional, a qual desempenha um papel dentro 
de um contexto. Com uma visão bastante similar, Adam (2008) afirma que o texto não 
representa uma sequência de palavras, e sim de atos. Essas manifestações da língua 
em uso, em seus contextos e necessidades específicas, são conhecidas como 
gêneros textuais. Ou seja, as diferentes finalidades que expressam o uso linguístico 
são estabelecidas por circunstâncias contextuais que caracterizam e determinam o 
gênero textual. 
2.1 Fala e escrita: conjunto de partes unidas entre si 
Todo e qualquer texto representa um ato de comunicação dentro de um 
processo interacional, que pode ser tanto escrito quanto falado (KOCH; ELIAS, 2017). 
Os principais aspectos paradoxais entre a oralidade e a escrita é que os contextos de 
produção e de recepção, de maneira geral, não coincidem no tempo e no espaço. 
No texto escrito, a produção da mensagem é estabelecida de acordo com a 
intencionalidade do emissor em relação ao seu receptor. Além disso, não há 
necessariamente a participação direta daquele que recebe a mensagem. Nesse 
 
 
quesito, para Koch e Elias (2017), o diálogo se baseia e se constitui numa relação em 
que o emissor (nesse caso, escritor) dialoga com a perspectiva de que o receptor 
(nesse caso, leitor) possa compreender a sua intencionalidade. 
Em contraponto, o texto falado ocorre no momento da interação comunicativa, 
ou seja, a situação é imediata e simultânea para aqueles que participam dela. O tom 
de voz, por exemplo, é uma das características capazes de manifestar mais do que 
as palavras individualmente, pois o contexto interacional carrega identidade, e as 
manifestações linguísticas dos atos de fala perpassam o nível sintático de análise. De 
acordo com Infante (1998), a língua falada se vincula às situações comunicativas em 
que ela é usada diretamente entre os interlocutores. 
Embora haja questionamentos em relação às mídias sociais, como o 
WhatsApp, você não deve se esquecer de que o produtor do texto escrito (mesmo que 
esteja on-line) tem mais tempo para o planejamento e para a execução da sua fala. 
Afinal, meios de comunicação como o WhatsApp, frequentemente apresentam duas 
manifestações linguísticas: o uso da escrita e da fala, com a possibilidade de enviar 
áudios. Nesse caso, a conversa, por mais que pareça simultânea e imediata, não 
acontece na mesma esfera de uma conversa presencial. 
Em relação ao uso e às manifestações da fala nas diferentes esferas 
comunicativas, orais e escritas, o vocabulário utilizado é preponderante para analisá-
las. Na oralidade, o vocabulário é bastante alusivo, pois o uso de pronomes como 
“eu”, “tu”, “você”, “nosso”, “isto” ou “aquilo” ou de advérbios como “aqui”, “lá”, “hoje” 
ou “agora” possibilita que o processo comunicativo ocorra de maneira fluida e eficaz. 
Afinal, existe a possibilidade de indicar tudo o que está envolvido na mensagem sem 
uma nomeação específica e sem comprometer o entendimento dos interlocutores. Na 
escrita, é necessário que a linguagem seja menos alusiva. Para que a comunicação 
se estabeleça com êxito, devem-se utilizar formas de referência mais precisas e 
específicas, como citar datas, descrever lugares e objetos. Logo, é possível perceber 
que, enquanto a fala se adapta ao contexto interacional, a escrita procura ser 
suficiente em si mesma. 
As manifestações orais e escritas são, portanto, duas modalidades da língua. 
Dessa forma, de acordo com Koch e Elias (2017), a oralidade difere-se da escrita 
principalmente devido aos seguintes aspectos: (a) pelo próprio fato de ser falada; e 
(b) devido às contingências de sua formulação. Ou seja, os dois códigos, oral e escrito, 
 
 
têm suas manifestações e suas regras próprias de organização e funcionamento. 
A linguagem oral (fala) se manifesta por meio de emissões dos sons da língua, 
os fonemas. Em contraponto, a linguagem escrita utiliza as letras, que nem sempre 
mantêm uma correspondência exata com os fonemas. Enquanto o código oral conta 
com o tom de voz, com os gestos e com o olhar, o escritor precisa se expressar por 
meio da pontuação e de marcas de formação do texto. Além disso, as estruturas 
sintáticas das manifestações escritas necessitam de certa linearidade. Já as 
estruturas das manifestações orais conseguem fazer inúmeros hiperlinks, ou seja, 
está em jogo uma leitura sem linearidade, não comprometendo o entendimento entre 
os interlocutores. Contudo, embora exista uma descontinuidade na oralidade, a 
sintaxe geral da língua está presente na sua constituição. 
Ainda que exista uma dicotomia entre textos orais e escritos, perceba que nem 
todas as características são essencialmente de uma ou de outra categoria. No 
entanto, as manifestações escritas podem ser pensadas, repensadas ou até mesmo 
ignoradas por uma questão de planejamento; já as manifestações orais, não. Isso 
ocorre porque, de acordo com Koch e Elias (2017), é como se a fala oral estivesse no 
mesmo patamar do rascunho de uma manifestação escrita. O texto falado, embora 
em muitos casos seja previamente planejado e estruturado, se apresenta em sua 
própria criação, visto que o contexto nunca é o mesmo. 
No Quadro 1, a seguir, veja as características da linguagem falada e da 
linguagem escrita. Embora essas características não sejam exclusivas de uma ou de 
outra instância, oral ou escrita, o quadro apresenta uma organização mais geral e 
superficial em relação às manifestações linguísticas da língua em uso. 
Quadro 1. Linguagem falada e linguagem escrita 
 
 
 
Fonte: Adaptado de Koch e Elias (2017). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
ADAM, J. M. A linguística textual: introdução à análise textual dos discursos. São 
Paulo: Cortez, 2008. 
ANTUNES, I. Análise de textos: fundamentos e práticas. São Paulo: Parábola 
Editorial, 2010. 
BAMBERGER, R. Como incentivar o hábito de leitura. São Paulo: Ática, 1991. 
BARBISAN, L. B. Texto e Contexto. ORGANON – Revista do Instituto de Letras da 
UFGRS: Porto Alegre, RS, v. 9, n. 23, 1995. 
CALSAMAGLIA, B.; TUSON, A. Las cosas del decir: manual de análisis del 
discurso. 2. ed. Barcelona: Ariel, 2008. 
FIORIN, J, L. Argumentação. São Paulo: Contexto, 2015. 
FLECK, G. F. O papel da Literatura Infantil e Infanto-juvenil na formação do leitor. 
Revista Língua & Literatura, Frederico Westphalen, v. 10, n. 14, p. 13–27, 2008. 
GONZAGA, S. Curso de literatura brasileira. 2. ed. Porto Alegre: Leitura XXI, 2007. 
INFANTE, U. Do texto ao texto: curso prático de leitura e redação. São Paulo: 
Scipione, 1998. 
KOCH, I. V.; ELIAS, V. M. Ler e escrever: estratégias de produção textual.2. ed. São 
Paulo: Contexto, 2017. 
MARCUSCHI, L. A. Da fala para a escrita: atividades de retextualização. 6. ed. São 
Paulo: Cortez, 2005. 
ORLANDI, E. P. Discurso e leitura. São Paulo: Cortez, 1988. 
PRETI, D. Sociolinguística: os níveis de fala. São Paulo: Nacional, 1974. 
ZILBERMANN, R. A literatura infantil na escola. São Paulo: Global, 1998

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