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VII - SOBERANIA 
 
1 O supremo, ou o poder que se sobrepõe ou está acima de qualquer outro, 
não admitindo limitações, exceto quando dispostas voluntariamente por ele, em 
firmando tratados internacionais ou em dispondo regras e princípios de ordem 
constitucional. A soberania é o supremo poder ou o poder político de um 
Estado, e que nele reside como um atributo de sua personalidade soberana. 
 
SOBERANIA NACIONAL: Segundo os princípios de Direito Constitucional, 
vem firmar o conceito democrática, em virtude do qual a soberania, atribuída 
ao Estado, pertence ao próprio povo, constituído em Nação. 
 
SOBERANIA = É uma autoridade superior que não pode ser limitada por 
nenhum outro poder, ela é uma só, una, integral e universal. No conceito do 
Professor Miguel Reale, a soberania é “uma espécie de fenômeno genérico do 
poder. Uma forma histórica do poder que apresenta configurações 
especialíssimas que se não encontram senão em esboços nos corpos políticos 
antigos e medievos”. 
 
A soberania (poder que não se subordina a nenhuma outra) no conceito 
da escola clássica, ela é: 
 
UNA = Porque não pode existir mais de uma autoridade soberana em um 
mesmo território; 
 
INDIVISÍVEL = O poder soberano delega atribuições, reparte competências, 
mas não divide a soberania; 
 
INALIENÁVEL = É a soberania, por sua própria natureza. A vontade é 
personalíssima: não se aliena não se transfere a outrem; 
 
IMPRESCRITÍVEL = É ainda a soberania, no sentido de que não pode sofrer 
limitações no tempo. 
 
 
2 OBSERVAÇÕES: 
 
(1ª) Para o professor Darcy Azambuja, a soberania do Estado pode ser 
considerada sob aspectos: interno e externo. Quanto ao aspecto interno, o poder 
do Estado impera sobre qualquer outro no âmbito de seu território. Pessoas e 
sociedades formadas por estes submetem-se ao poder do Estado, autolimitado 
pela própria lei. Quanto ao aspecto externo, observa-se que, nas relações 
recíprocas entre os Estados, não há subordinação nem dependência, mas 
igualdade. 
 
(2ª) Duas importantes doutrinas sobre a soberania, surgem logo após a 
Revolução Francesa (1789), são elas: a soberania popular e a soberania nacional, 
respectivamente sustentada por Jean-Jacques Rousseau (1712–1778) e 
Emmanuel Joseph Siéyès (1748–1836). Para Jean-Jacques Rousseau, o homem 
nasce livre e em toda parte se acha aprisionado. Portanto, se a sociedade é 
corruptora, a sociedade política ideal é aquela que garante a mais ampla 
autonomia individual. Diz ainda, a soberania não pode ser representada, pois 
não admite alienação. Ela se expressa pela vontade geral, e esta não admite 
representante. Para Emmanuel Joseph Siéyès, a soberania pertence somente à 
nação. Esta não é o conjunto de homens existentes em determinada época, mas 
sem o conjunto daqueles que viveram, que vivem e que viverão. É preciso haver 
representantes da nação, sem vínculos jurídicos com seus eleitores, pois sendo 
uma entidade abstrata, como poderia receber mandato juridicamente vinculante 
por parte do corpo eleitoral. 
 
(3ª) Para o grande teorizador da monarquia absoluta Jean Bodin (1530–1596), a 
soberania é o poder absoluto e perpétuo de uma República (rés-pública), sendo 
que a República, para ele, significa o reto governo de várias famílias e do que 
lhe é comum, como poder soberano. No seu clássico “Os seis livros da 
República”, onde define o Estado de Direito, sustenta uma soberania absoluta e 
indivisível. 
 
(4ª) Finalizando, a lição do professor Pedro Salvetti Netto: “Assim como todas 
as sociedades possuem normas, mas as leis, que se originam do Estado, se 
sobrepõem àquelas emanadas de outros organismos sociais, estes também, não 
dispensando o poder, sujeitam-se ao mando que caracteriza a sociedade 
política. E isso porque o Estado é soberano, não reconhecendo nenhum outro 
poder que se lhe iguale, no limite de seu território”. 
 
 
3 FONTES DO PODER SOBERANO: 
 
Três são as fontes (nascimento-surgimento) do Poder Soberano; a saber: 
Fontes Carismáticas; Fonte do Fundo Democrático; e As fontes das Escolas 
Alemã e Vienense. Vejamos a cada uma delas: 
 
(1ª) FONTE = CARISMÁTICAS ⇒ Do direito divino, dos reis, o poder vem de 
Deus e se concentra na pessoa sagrada do soberano. 
 
(2ª) FONTE = FUNDO DEMOCRÁTICO ⇒ A soberania provém da vontade do 
povo (soberania popular) ou da Nação propriamente dita (soberania nacional). 
 
(3ª) FONTE = ESCOLAS ALEMÃ E VIENENSE ⇒ A soberania provém do 
Estado, como entidade jurídica dotada de vontade própria (soberania estatal). 
 
 
4 TEORIAS DO PODER SOBERANO: 
 
São sete as teorias (que é o conjunto de princípios fundamentais de uma 
arte ou ciência) do poder soberano: Teoria da Soberania Absoluta do Rei; Teoria 
da Soberania Popular; Teoria da Soberania Nacional; Teoria da Soberania do 
Estado; Teoria Negativista da Soberania; Teoria Realista ou Institucionalista; e 
Teoria das Escolas Alemã e Austríaca. 
 
Vejamos a cada uma delas: 
 
1ª Teoria = SOBERANIA ABSOLUTA DO REI (França – século XVI) Jean Bodin 
(1530 – 1596) ⇒ A soberania do Rei é originária, ilimitada, absoluta, perpétua e 
irresponsável em face de qualquer outro poder temporal ou espiritual. Teoria 
de fundamento histórico e lança suas raízes nas monarquias antigas fundadas 
no direito divino dos reis. 
 
2ª Teoria = SOBERANIA POPULAR (Vários teólogos e canonistas da chamada 
Escola Espanhola) ⇒ Reformulando a doutrina do direito divino sobrenatural, 
criaram o que denominaram de Teoria do direito divino providencial (o poder 
público vem de Deus...). O poder civil corresponde com a vontade de Deus, mas 
promana da vontade popular. (Suarez) sustentou a limitação da autoridade e o 
direito de resistência do povo (fundamentos do ideal democrático). (Molina) 
Embora reconhecendo o poder real como soberania constituída, ressaltou a 
existência de um poder maior, exercido pelo povo, que denominou de 
soberania constituinte. 
 
3ª Teoria = SOBERANIA NACIONAL (pertence à Escola Clássica Francesa). 
Jean-Jacques Rousseau – (1712–1778) – (o mais destacado expoente) ⇒ 
Sustentando que a Nação é a fonte única do poder de soberania. O órgão 
governamental só exerce legitimamente mediante o consentimento nacional. 
Teoria radicalmente nacionalista: a soberania é originária da nação, no sentido 
estrito de população nacional (ou povo nacional); não do povo em sentido 
amplo. Exercem os direitos de soberania apenas os nacionais ou nacionalizados, 
no gozo dos direitos de cidadania, na forma da lei (não confundir com a teoria 
de soberania popular). 
4ª Teoria = SOBERANIA DO ESTADO (pertencente às Escolas Alemã e 
Austríaca) Georg Jellinek – (1851–1911) – (expoente máximo) ⇒ Parte do 
princípio de que a soberania é a capacidade de autodeterminação do Estado por 
direito próprio e exclusivo. Desenvolve esse autor o pensamento filosófico de 
Ihering, segundo o qual a soberania é, em síntese, apenas uma qualidade do 
poder do Estado, ou seja, uma qualidade do Estado perfeito. 
 
5ª Teoria = NEGATIVISTA DA SOBERANIA Léon Duguit (desenvolveu o 
pensamento de Ludwig) ⇒ A soberania é uma idéia abstrata. Não existe 
concretamente. O que existe é apenas a crença na soberania. Estado, nação, 
direito e governo são uma só e única realidade. A teoria negativista de Léon 
Duguit, considerando a soberania “um princípio ao mesmo tempo 
indemonstrado, indemonstrável e inútil” suscitou sempre as mais acirradas 
polêmicas no mundo da ciência política. 
 
6ª Teoria = REALISTA OU INSTITUCIONALISTA (modernamente, vem 
ganhando terreno em face das novas realidades mundiais) ⇒ É forçoso admitir 
que a soberania é originária da Nação, mas só adquire expressão concreta e 
objetiva quando se institucionaliza no órgão estatal, recebendo através deste o 
seu ordenamento jurídico-formal dinâmico. 
 
7ª Teoria = ESCOLAS ALEMÃ E AUSTRÍACA (lideradas respectivamente, por 
Georg Jellinek (1851–1911)e Hans Kelsen (1881–1973)) ⇒ Sustenta a 
estabilidade integral do direito, a soberania é de natureza estritamente jurídica, 
é um Estado e é de caráter absoluto, isto é, sem limitação de qualquer espécie, 
nem mesmo do direito natural cuja existência é negada. Sustentam que só existe 
o direito estatal, elaborado e promulgado pelo Estado, eis que a vida do direito 
está na força coativa que lhe empresta o Estado, e não há de falar em direito 
sem sanção estatal. Negam e existência do direito natural e de toda e qualquer 
normatividade jurídica destituída da força de coação que só o poder público 
pode dar. Portanto, se a soberania é um poder de direito provém do Estado, o 
tecnicismo jurídico alemão e o normativismo Kelseniano levam à conclusão 
lógica de que o poder de soberania é ilimitado e absoluto. Logo, toda forma de 
coação estatal é legítima, porque tente a realizar o direito como expressão da 
vontade soberana do Estado.