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Augusto Nishimura PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO Sumário QUAIS FORAM AS PRIMEIRAS IDEIAS NA ÁREA DA ADMINISTRAÇÃO? ������������������� 3 ANÁLISE CRÍTICA À ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA ���������������������������������������������������� 8 O FORTALECIMENTO DE OUTRAS IDEIAS PARA A MELHORIA DA EFICIÊNCIA ��������������������������������������������� 10 A ADMINISTRAÇÃO PODE SER ENSINADA? ������������������������������������������� 17 AFINAL, A BUROCRACIA É BOA OU RUIM? � 21 O LADO BOM DA BUROCRACIA ������������������� 22 AS PESSOAS IMPORTAM! ��������������������������� 31 E A MOTIVAÇÃO NO AMBIENTE DE TRABALHO? ������������������������������������������������� 36 O AVANÇO DOS ESTUDOS COM ÊNFASE NAS PESSOAS: A TEORIA COMPORTAMENTAL ������������������������������������ 40 QUAIS SÃO AS VISÕES DOS GESTORES SOBRE OS SERES HUMANOS? �������������������� 42 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS & CONSULTADAS �������������������������������������������� 43 2 QUAIS FORAM AS PRIMEIRAS IDEIAS NA ÁREA DA ADMINISTRAÇÃO? Uma das primeiras ideias estruturadas na área surgiu a partir da inquietação de um engenheiro mecânico chamado Frederick Winslow Taylor (1856-1915). Natural dos Estados Unidos, é con- siderado o “pai” da Administração Científica. Suas ideias aplicadas na fábrica onde trabalhava deram grandes resultados e, por isso, Taylor ficou muito conhecido pelas inovações implementadas na época que serviram como base para o surgimento de outras ideias. Você sabe quem foi Frederick Taylor? Para conhecê-lo, acesse este vídeo, que trata de sua biografia e ideias. Você pode estar se perguntando: O que Taylor fez de relevante, a ponto de ficar tão famoso assim? Taylor inovou ao aplicar métodos científicos para aumentar a eficiência produtiva no âmbito das tarefas dos operários. Ele havia identificado que as fábricas, em decorrência da Revolução Indus- SAIBA MAIS 3 https://www.youtube.com/watch?v=MGi0JFn7GlU trial, se expandiram fortemente, mas operavam de maneira ineficiente. Antes da Revolução Industrial, as atividades produtivas eram artesanais e manuais, em que todo o processo produtivo era praticamente realizado por um único trabalhador. Com o advento da Revolução Industrial, por volta de 1760, na Inglaterra, houve a incorporação de máquinas e a utilização de energia a vapor na pro- dução, substituindo esse modelo de produção por um sistema mecanizado – modelo que se espalhou para outros continentes. O trabalhador deixou de controlar a produção e passou a atuar no controle das máquinas. Houve aumento da produtividade, redução dos custos e crescimento dos lucros por parte dos proprietários das fábricas. Para mais detalhes sobre a Revolução Industrial, assista a esse vídeo. Mesmo com o aumento da produtividade em fun- ção da utilização das máquinas, as fábricas fun- cionavam de maneira caótica, pois trabalhadores, ferramentas, máquinas e estoques de materiais ficavam amontoados, dificultando a movimen- tação das pessoas. O trabalho era caracterizado pelo empirismo – ou seja, baseado na experiência de cada trabalhador – e improvisação, gerando desperdícios e elevação dos preços dos produtos. SAIBA MAIS 4 https://www.youtube.com/watch?v=TtDgBoky3fo Diante disso, o objetivo de Taylor foi melhorar a eficiência produtiva. Você se lembra daquilo que já estudamos sobre eficiência? Pois bem, esse era o aspecto que Taylor buscou melhorar. Para tanto, aplicou o método científico, fazendo estudos e realizando testes nas tarefas executadas pelos operários. Por meio da análise minuciosa dos movimentos executados, bem como o tempo para execução desses movimentos pelos operários, pôde compreender, com mais propriedade, as ca- racterísticas de cada tarefa, buscando, com isso, fazer adaptações dos movimentos e ferramentas utilizadas para elevação da produtividade e dimi- nuição dos custos. Com o estudo dos tempos e movimentos, Taylor conse- guiu que o trabalho executado por 500 trabalhadores, para movimentação de carvão e minério de ferro, fosse executado por 140 indivíduos, diminuindo os custos em 50% (ABRANTES, 2012). Em outras palavras, Taylor fez um trabalho minucioso e detalhado, buscando compreender os problemas, realizar testes e aplicar soluções plausíveis para desenhar um padrão de execução das tarefas que fosse mais eficiente. Buscou levantar, registrar e FIQUE ATENTO 5 analisar os dados obtidos, enfatizando sua atuação analítica e racional no processo produtivo. Portanto, as ideias de Taylor podem ser sintetizadas conforme os seguintes aspectos (ABRANTES, 2012): y Aplicou métodos científicos para estudar as tarefas executadas pelos operários, substituindo os métodos empíricos que prevaleciam na época; y Os operários deveriam se ajustar à máquina e serem alocados em postos de trabalho específicos, com materiais e ferramentas alocados de maneira que aperfeiçoasse a produtividade; y Os operários deveriam ser treinados para a execução de uma tarefa específica, conforme o padrão que se julgava ser mais eficiente; y Ênfase na cooperação e divisão do trabalho entre o administrativo e o operacional, ou seja, entre os gestores que planejariam a produção e os operários que executariam a tarefa; y Pagamento de melhores salários para compen- sar os operários pela sua produtividade. O objetivo do seu trabalho na Administração Cien- tífica era, portanto, alcançar a maior eficiência das fábricas, ou seja, elevar a quantidade produzida com diminuição dos custos da produção. Para isso, Taylor se concentrou na análise mecânica e temporal das tarefas, decompondo-as em movi- mentos menores, buscando aperfeiçoar constan- 6 temente as atividades, por meio da racionalização dos movimentos e da realização de experimentos. Por intermédio de seus estudos, Taylor identificou que o operário produzia abaixo de seu potencial e que, pelo fato de a remuneração ser igual entre todos, não havia estímulo adequado para que o operário pudesse produzir conforme seu potencial. Concluiu que a baixa produtividade era decorrente do sistema empírico e amador de administração, além da falta de padronização das técnicas. 7 ANÁLISE CRÍTICA À ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA Sabemos que os estudos de Taylor foram decisi- vos para uma mudança radical na forma de gerir as organizações, passando da ênfase empírica e amadora para uma visão analítica, organização dos postos de trabalho e racionalização das tare- fas, pautada no aumento da eficiência produtiva, por meio da aplicação de métodos científicos e remuneração conforme a produtividade. Aqui vale uma explicação muito importante. Não existe conceito ou teoria perfeita. O conhecimento é incremental, ou seja, a partir do que foi desenvolvido, são sugeridas novas ideias, novas perspectivas, novos aprimoramentos. Mas o fato de haver críticas não in- valida, necessariamente, as ideias propostas. Esse é um cuidado que sempre devemos ter, pois precisamos compreender tanto os seus pontos fortes, quanto as suas limitações. Por outro lado, as ideias de Taylor possuíam algu- mas limitações: FIQUE ATENTO 8 y Foco no ambiente interno: as ideias de Taylor focavam na questão interna da fábrica, não levando em consideração as interfaces com o ambiente externo; y Foco na produção: Taylor se preocupou, essen- cialmente, com os problemas da produção, restritos às tarefas dos operários, sem estabelecer relações com outros setores da organização; y Especialização: fragmentação das tarefas, levando à superespecialização do trabalho em atividades repetitivas, relegando para segundo plano o potencial humano para o trabalho. y Homem a serviço da máquina: o operário obe- dece ao ritmo de produção das máquinas, devendo o operário se adaptar a elas. Conheça aqui quais são as virtudes e defeitos do Taylo- rismo na atualidade. SAIBA MAIS 9 https://www.youtube.com/watch?v=N3FAPQOPW2A O FORTALECIMENTO DE OUTRAS IDEIAS PARA A MELHORIA DA EFICIÊNCIA Você sabia que outra grande contribuiçãoque nos influencia até os dias atuais vem das ideias de um empreendedor? Pois é, o empresário norte-ameri- cano Henry Ford (1863-1947) também inovou em sua área, por meio da aplicação de ideias sobre padronização, simplificação das tarefas e implemen- tação da linha de montagem. Ele buscou, portanto, aumentar a eficiência da produção de sua fábrica, destinada à montagem de carros. Acesse aqui a biografia de Henry Ford. Afinal, por que as ideias de Henry Ford foram tão revolucionárias para a época? Em primeiro lugar, pelo fato de estabelecer um novo patamar de produção na área automobilística. Em segundo lugar, por suas ideias se estenderem para outros setores econômicos, por exemplo, na produção da indústria de eletrodomésticos. Se, por um lado, Taylor é conhecido pela administração científica, Ford está associado à linha de montagem móvel e SAIBA MAIS 10 https://autolivraria.com.br/bc/informe-se/passado/homens-maquinas/henry-ford-um-homem-que-mudou-o-mundo/ popularizou os princípios da produção em massa, a padronização das peças e a especialização do trabalhador na função. Na produção em massa, Ford passou a produzir apenas um modelo, de uma única cor: preta. O famoso Ford T passou a ser produzido em gran- de escala, diminuindo drasticamente o tempo de produção e barateando os custos, tornando-o acessível para boa parte da população. Figura 1: Fonte: Longhair/Wikipedia. Como isso foi possível? Conforme Maximiano (2018), ao estabelecer a linha de montagem móvel, o tempo para a montagem do chassi passou de 11 12 horas e 28 minutos para 1 hora e 33 minutos. Ou seja, houve forte aumento de eficiência, pois passou a utilizar menos recursos (tempo) para produzir mais. Com a explosão do número de car- ros produzidos, eles ficavam muito mais baratos. Além disso, vale ressaltar, também, que Ford inovou na forma de remuneração do trabalhador e, além adotar o padrão de 8 horas por dia de trabalho, duplicou o salário dos trabalhadores para que pudessem comprar os produtos que eles próprios fabricavam! Ademais, concorrentes e industriais de outros setores passaram a replicar aquilo que Ford havia idealizado. Agora, você poderia perguntar: quais foram as estratégias adotadas por Ford para alcançar tanto sucesso assim? Então, vamos apontar algumas delas: y Oferta de modelos populares: o automóvel era um item extremante caro para a realidade da época e, por isso, desejava-se que o produto pu- desse estar acessível para um público maior, por meio da diminuição dos custos com diminuição do preço de venda; y Oferta de financiamentos: para facilitar a compra dos automóveis, estabeleceu-se planos de financiamentos e condições vantajosas que possibilitassem o acesso a um público menos favorecido; 12 y Oferta de assistência técnica: tratava-se de uma iniciativa revolucionária, um diferencial nas questões comerciais da época, sendo oferecido aos potenciais clientes como forma de atração, em um mercado que estava em desenvolvimento. Como o objetivo era aumentar a eficiência produ- tiva, adotou-se um sistema de produção, em que os carros passariam a ser montados por partes, em uma esteira rolante, por funcionários especia- lizados em uma atividade. Esses trabalhadores desempenhavam suas funções em posições fixas na linha de montagem, evitando desperdício de tempo com movimentações desnecessárias. Como desempenhava uma tarefa específica, não era necessário investir muito tempo na capacitação para a realização de suas funções. Conheça a linha de montagem da Ford. Parte 1 Parte 2 Além da linha de montagem e da produção em grande escala, que outros aspectos são importan- tes para compreender sobre as ideias aplicadas por Ford? O Fordismo – nome pelo qual as ideias SAIBA MAIS 13 https://www.youtube.com/watch?v=CWgHNo-hUpY https://www.youtube.com/watch?v=QCPXslJlG3U de Henry Ford ficaram conhecidas – possui as seguintes características: y Padronização das peças: as especificações das peças deveriam ser as mesmas, para facilitar e agilizar a produção, além de possibilitar trocas (peças intercambiáveis); y Máquinas especializadas: as máquinas deve- riam estar desenhadas para um fim específico na linha de montagem; y Sistema universal de fabricação: o fluxo de produção deveria ser o mesmo em qualquer fá- brica, independentemente do local ou país onde a fábrica estivesse instalada; y Peças simples e processo produtivo simplificado: essa simplificação era necessária para agilizar o processo de montagem dos automóveis, facilitando o trabalho dos funcionários; y Trabalhador especializado: o operário deveria se especializar em uma função específica, para que pudesse ter um alto desempenho; y Tarefa única: as tarefas eram segregadas em partes específicas, cabendo aos operários executar somente aquela tarefa; y Posição fixa na linha de montagem: os tra- balhadores realizavam deslocamentos mínimos, ficando na mesma posição, para que seus esforços estivessem concentrados na execução de sua 14 tarefa – em que as peças e o maquinário ficavam no posto de trabalho. A partir do que vimos até aqui, você conseguiria estabelecer relação das ideias de Ford com o atual cenário em que vivemos? Observe a reflexão abaixo: A linha de montagem continua a funcionar precisa- mente como Ford a inventou: os produtos andam, o trabalho fica parado. O trabalho, agora, é feito por robôs, no lugar de operários. Sem problemas de greve, produtividade, fadiga, conflitos com a administração. Sem chefes. Muito mais eficiente; muito menos dispendioso. Desperdício virtualmente inexistente. Cada vez que vai a uma lanchonete de fast-food, você entra em um sistema de linha de montagem. Na verdade, em dois. Um está atrás do balcão. É o processo de fazer sanduíches. Os operadores – não são cozinheiros – movimentam-se muito pouco para preparar a comida e colocá-la no balcão. O outro sistema é a fila de clientes, da qual você faz parte. Você é o produto: você anda, o processo produtivo fica parado. Taylor e Ford iriam sentir-se muito à vontade vendo suas ideias triunfantes no terceiro milênio. (MAXIMIANO, 2018). 15 Conheça mais a respeito de Henry Ford neste link. De fato, Ford foi capaz de influenciar o mundo. Mas, quais são as críticas ao Fordismo? A primeira delas é a opção de escolha pelo cliente. Henry Ford optou por produzir carros somente na cor preta. Um único modelo. Os trabalhadores não participavam na criação do modelo, e atuavam de maneira rotineira, como se fosse mais uma peça na engrenagem da produção. Suas funções estavam restritas à realização de movimentos mecânicos e repetitivos, alienando-os do processo produtivo como um todo. Vamos imaginar a seguinte situa- ção: se perguntássemos ao trabalhador da época sobre o que ele fazia, o que ele responderia? Pro- vavelmente, algo parecido com isso: “eu aperto porcas”; “eu coloco as peças na esteira”; “eu peso a matéria prima”. Ou seja, sua alienação quanto ao processo produtivo como um todo era uma das principais críticas em relação ao trabalho. Em outras palavras, as necessidades e expectativas desses trabalhadores não eram levadas em consideração. SAIBA MAIS 16 https://autolivraria.com.br/bc/informe-se/passado/homens-maquinas/henry-ford-um-homem-que-mudou-o-mundo/ A ADMINISTRAÇÃO PODE SER ENSINADA? Se alguém fizer essa pergunta, nos dias de hoje, a resposta é muito fácil: SIM! Mas, você sabia que essa ideia foi amplamente difundida por Jules Henri Fayol1 (1841-1925) e que muitos de seus princípios influenciam até hoje a forma como se ensina Administração nas Universidades? Além disso, a partir de suas ideias, a Administração passou a ser vista como uma profissão. 1 Enquanto Taylor preocupava-se mais com o chão de fábrica, ou seja, com atividades operacionais, Fayol entendia que a parte mais importante estava sob res- ponsabilidade daquele que estava no topo da hierarquia, cuja administração cabia ao executivo. Para Fayol,a atividade administrativa deveria estar separada da atividade operacional. Ele passou a olhar a organização de cima para baixo, ou seja, a partir do topo da hierarquia em que os executivos exerceriam atividades administrativas, considera- das as mais importantes, enquanto as atividades operacionais ficariam na base dessa hierarquia. Conheça aqui a biografia de Henry Fayol. SAIBA MAIS 17 https://www.ebiografia.com/jules_henri_fayol/ Outro aspecto defendido por Fayol estava na de- fesa da ideia de que a administração deveria ser considerada como uma das funções da empresa. Para ele, existiam as seguintes funções: 1) Funções técnicas: relacionadas à produção de bens e serviços. 2) Funções comerciais: relacionadas aos proces- sos de compra e venda de materiais. 3) Funções financeiras: relacionadas com a pro- cura/uso de capitais da empresa. 4) Funções de segurança: relacionadas à prote- ção de pessoas e preservação das propriedades da empresa. 5) Funções contábeis: relacionadas com a realiza- ção e a análise da situação econômica e controle de estoque, custos, registros, etc. 6) Funções administrativas: relacionadas aos elementos do ato de administrar: prever, organizar, comandar, coordenar e controlar. As funções administrativas são as que comanda- riam as demais funções. Vamos detalhar um pouco mais cada elemento das funções administrativas. y Prever: é o olhar para o futuro e programar-se para ele, por meio do estabelecimento de planos de ação; 18 y Organizar: é o olhar para a estrutura física e também para a estrutura social, composta pelas pessoas que fazem parte dela; y Comandar: é o olhar para que a estrutura social funcione, tendo a equipe sob a responsabilidade dos dirigentes; y Coordenar: é a busca da harmonização, sincro- nização e integração operacionais e de esforços coletivos, para o alcance das metas da organização; y Controlar: é o olhar para as atividades, buscando verificar sua realização e identificar desvios para realização de correções. Conheça as ideias clássicas de Fayol aqui. É importante observar que Fayol não negava, necessariamente, que os níveis operacionais não importavam. Na realidade, ele passou a dar ênfase na organização da empresa como um todo, diferen- temente de Taylor, que se preocupou, basicamente, nas tarefas executadas em nível operacional, ou seja, no chão de fábrica. Para Fayol, a melhora da eficiência poderia vir do aperfeiçoamento da es- trutura da organização. A administração, portanto, referia-se à organização como um todo e as fun- SAIBA MAIS 19 https://www.youtube.com/watch?v=JTII1lI6puY ções administrativas eram valiosas por coordenar as demais funções. Mas um ponto em comum é que ambos buscavam a eficiência, mas partiam de diferentes pontos de vista! Afinal, você poderia se perguntar: quem está certo (ou errado)? Não há certo ou errado, são simplesmente perspectivas diferentes. Ambos possuem suas contribuições importantes para a construção do conhecimento na área. 20 AFINAL, A BUROCRACIA É BOA OU RUIM? Você já ouviu, alguma vez, que burocracia é sinônimo de ineficiência? Essa conotação negativa estaria associada à proliferação de normas, regulamen- tos e procedimentos que criariam obstáculos e tornariam as atividades mais difíceis e levariam mais tempo para serem concluídas (quando são concluídas!). O excesso dessa burocracia é que tornariam ineficientes as repartições públicas e também as atividades empresariais. Pois bem, do ponto de vista informal e popular, esse é o enten- dimento sobre a burocracia. Mas, você sabia que esse termo foi estabelecido por um importante pensador e que seu significado era justamente o oposto? Que tal analisar as suas ideias e como a Teoria da Burocracia contribuiu para a construção do conhecimento em Administração? 21 O LADO BOM DA BUROCRACIA Max Weber (1864-1920) foi o idealizador da Teoria da Burocracia. Ele entendia que uma organização moderna e formalmente estruturada deveria estar baseada em leis. Por que as leis seriam tão im- portantes? Pois, por meio delas, o foco estaria no interesse coletivo da organização, não havendo espaço para imposição de interesses individuais sobre os objetivos coletivos. As pessoas, portanto, seriam regidas a partir de regras e elas aceitariam serem conduzidas por uma figura de autoridade. “Qualquer sociedade, organização ou grupo que se baseie em leis racionais é uma burocracia, de acordo com Weber. Assim, a palavra burocracia não tem ne- nhuma conotação negativa, na concepção de Weber. A burocracia é uma base para organizar as coletividades”. Fonte: Maximiano (2018) Conheça a biografia de Max Weber� SAIBA MAIS 22 https://www.ebiografia.com/max_weber/ A Burocracia seria, na visão de Max Weber, a base que sustenta a organização da sociedade e está fundamentada em três pilares: formalidade, pro- fissionalismo e impessoalidade. Figura 2: FORMALIDADE Burocracias são sistemas de nomas, às quais todos se subordinam. PROFISSIONALISMO Burocracias são operadas por funcionários selecionados e gerenciados com base em méritos. IMPESSOALIDADE Burocracia são estruturas formadas por cargos. Fonte: Adaptado de Maximiano (2018). As organizações burocráticas são, portanto, ba- seadas em normas, operadas por funcionários e gerenciadas com base em méritos, e possuem estruturas formadas por cargos. Com base nessa explicação, você consegue estabelecer relações com as organizações da atualidade? 23 Pois bem, para ajudá-lo(a) nessa reflexão, analise as imagens a seguir: Figura 3: Normas ISO 9000. Fonte: Wikipedia. Figura 4: Meritocracia. Fonte: www.endeavor.org (2018). 24 http://www.endeavor.org Figura 5: Exemplo de estrutura de carreiras, cargos e traje- tória nas organizações. Gerencial G5 G4 G3 G2 G1 A5 A6 A4 A3 A2 A1 T5 T6 04 03 02 01 T4 T3 T2 T1 Administrativo Técnico Operacional Fonte: Adaptado de Dutra (2017). Conforme analisamos nas figuras, as normas, a ideia de meritocracia, a estrutura de cargos, dentre outros aspectos, são objetos de debate e estudo, na atualidade. Então, você consegue perceber que a ideia de burocracia defendida por Max Weber ainda está presente nas organizações contemporâneas? Portanto, aqui vemos o “lado bom” da Burocracia! Agora, que tal aprofundarmos um pouco mais a nossa discussão? A Teoria da Burocracia emergiu na década de 1940. Defendia-se, naquela época, que os pro- cessos administrativos deveriam ser pautados na racionalidade para que a organização pudesse 25 alcançar maiores níveis de eficiência. Quais eram as características das organizações formais? Os planejamentos deveriam ser detalhados; a estrutura hierárquica, bem definida; as normas, seguidas; a autoridade formal, respeitada; a divisão do trabalho, estabelecida; a seleção formal dos trabalhadores, realizada; e a impessoalidade na condução das questões, valorizada. Mas, por que essa teoria foi desenvolvida? As organizações, até então, eram vistas de maneira mais restrita. Enfatizava-se a eficiência no nível das tarefas executadas pelos operários (ideias de Taylor) e na produtividade da produção em massa (ideias de Ford). Surgiu, portanto, a necessidade de se analisar as organizações de uma maneira mais ampla, que as considerassem em sua tota- lidade. Além disso, essas organizações estavam tornando-se mais complexas, assumindo novas estruturas, elevando a capacidade produtiva e integrando maior número de trabalhadores. As ideias de Taylor e Ford, que focavam a produção industrial, mostravam as suas limitações, e não conseguiam dar conta de outros problemas que foram emergindo ao longo do tempo. 26 As teorias não são perfeitas! O que são lacunas do conhecimento? Agora, vamos detalhar alguns aspectos que evi- denciam ainda mais as organizações burocráticas da atualidade. As normas são essenciais para as organizações burocráticas. Conforme as organizações crescem e se tornam cada vez mais complexas, as listasde procedimentos se estendem e se aprofundam em níveis de detalhe. Isso vale também para a comunicação interna, que passa a ser realizada conforme procedimentos formais e documentados. Quanto à divisão do trabalho, os funcionários co- nhecem claramente quem são os comandantes, os limites, autoridades de cada um, estabelecendo as atribuições de cada funcionário. Os cargos são os elementos que definem as estruturas dentro das organizações, e não as pessoas que os ocupam. Em outras palavras, a autoridade está relacionada ao cargo, é impessoal e tem mais importância que as próprias pessoas que ocupam. Isso dá a noção também de previsibilidade nas atividades a serem exercidas pelas pessoas. Os regulamentos estabelecem os limites de atuação de cada car- go, evitando sobreposições que impedem que os REFLITA 27 funcionários exerçam atividades que não fazem parte de seu escopo. Além disso, os controles são exercidos pelos profis- sionais que ocupam cargos superiores, facilitando a hierarquização dos cargos, estabelecendo autori- dade entre os cargos, com normas bem definidas; a seleção de profissionais leva em consideração os critérios objetivos e técnicos dos profissionais e relacionados às eficiências, e as regras de desen- volvimento profissional são universais e incluem processo de avaliação dos funcionários. Diante do que vimos até aqui, podemos sintetizar como vantagens da Burocracia: y As decisões podem ser tomadas de maneira ágil, em função das regras preestabelecidas. y Há um ganho de eficiência com a padronização dos processos, pois há diminuição de perdas, as rotinas formais possibilitam ganhos em função da especialização e geram maior segurança e esta- bilidade nas atividades, possibilitando realização de previsões. y Maior clareza nas comunicações, com o esta- belecimento de relações formais entre cargos. Com os cargos bem definidos, o estímulo está associado ao que o cargo designa e os funcionários sabem exatamente o que fazer. 28 y Como as regras são universais e comunicadas formalmente para todos os funcionários, diminui espaço para mal entendido e são compartilhadas com todos. y No processo de seleção de funcionários, há maior percepção de eficiência e justiça, por levar em conta os aspectos técnicos e objetivos das competências dos candidatos. Então, quais seriam as críticas a essa Teoria? A previsão dos processos nem sempre era possível a todas as organizações. Como o modelo dependia dos funcionários para que o sistema funcionasse, apesar das regras claras estabelecidas para os cargos, estava sujeito às decisões individualiza- das, podendo gerar imperfeições, desvirtuando o alcance dos objetivos. Além disso, pelo fato de a ideia estar estruturada e enfatizada no cargo, havia a despersonalização do relacionamento entre os funcionários, valori- zando mais os aspectos objetivos e não levando em consideração os aspectos subjetivos e sociais das relações. No que diz respeito às leis, quando se dava exces- siva importância às normas e aos processos, per- diam-se de vista os objetivos reais da organização, induzindo os indivíduos a trabalhar somente em 29 função desses procedimentos. Isso está vinculado ao formalismo extremo e ao excesso de “papelada”, havendo perda da eficiência, por conta da valori- zação dos procedimentos de controle, ao invés da eficácia das operações. Ao se preocupar com os controles, procedimentos, documentações, haveria pouco espaço para criação e desenvolvimento de novas ideias, deixando de lado os interesses da empresa. Acesse o Podcast 1 em Módulos 30 https://famonline.instructure.com/files/33412/download?download_frd=1 AS PESSOAS IMPORTAM! Até agora, vimos que a ênfase estava na eficiência das organizações. Você percebeu que, até aqui, pouco falamos sobre os indivíduos, suas motiva- ções, expectativas e necessidades? Pois bem, vamos agora estudar a partir do ponto de vista das pessoas. O enfoque comportamental dá ênfase às pessoas e também aos grupos sociais, ou seja, nas interações entre as pessoas. O sistema técnico que vimos até aqui é a parte visível, enquanto que o sistema social, que veremos adiante, é a parte invisível e, por isso, muito mais complexa! Figura 6: Parte visível e invisível da organização. PARTE VISÍVEL DA ORGANIZAÇÃO Sistema técnico e comportamento aberto PARTE INVISÍVEL DA ORGANIZAÇÃO Sistema social Fonte: Maximiano (2018). 31 A preocupação com os indivíduos e interações gru- pais nas organizações não é recente e vem desde a revolução industrial. Um dos acontecimentos mais marcantes da história que impulsionou o enfoque comportamental foi a chamada Escola de Relações Humanas. Para buscar respostas às questões humanas, o pesquisador Elton Mayo coordenou, em 1927, uma pesquisa que foi realizada na fábrica da Western Eletric Company, no bairro de Hawthorne, na cidade de Chicago, nos Estados Unidos. Esse estudo foi tão importante que influenciou os estudos sobre o comportamento individual e grupal. Nessa época, o mundo estava vivendo uma enorme depressão econômica, que assolava os países e levava mui- tas pessoas a questionarem o modelo vigente. E, qual era esse modelo vigente? Era justamente o modelo que recebia grande influência das ideias de Taylor, Ford e Fayol. Como era a situação da época, vivida pelos trabalhadores? Como era a situação econômica da época? Como ela influenciava as pesquisas da época? Aqui você conhece mais sobre a época. REFLITA 32 https://pt.wikipedia.org/wiki/Grande_Depress%C3%A3o Conhecida como experiência de Hawthorne, os pesquisadores buscaram identificar se havia re- lação entre a alteração da luminosidade do local de trabalho e a eficiência dos trabalhadores na fábrica. Agora, vamos fazer uma reflexão: em sua opinião, se a luminosidade diminuísse, qual seria o efeito na produtividade dos trabalhadores? Iria aumentar ou diminuir? Pois bem, apesar das hipóteses, os pesquisado- res não conseguiram identificar a existência da influência da luminosidade sobre a produtivida- de. Então, a resposta mais provável era de que a influência de fatores externos não era importante na produtividade dos trabalhadores. Em outras palavras, os fatores ambientais (extrínsecos) não eram determinantes, mas sim os psicológicos (intrínsecos) das pessoas! Aqui você conhece mais sobre os aspectos extrínsecos e aspectos intrínsecos. SAIBA MAIS 33 https://psicoativo.com/2016/09/motivacao-intrinseca-motivacao-extrinseca.html Os pesquisadores identificaram que o nível de pro- dução estava mais associado às questões psico- lógicas dos trabalhadores, e não necessariamente relacionado às questões físicas e fisiológicas. Tanto os aspectos individuais quanto grupais seriam os fatores que influenciavam a produtividade do indivíduo. Agora, vamos fazer uma reflexão: enquanto que, para a Administração Científica, a remuneração dos trabalhadores era um fator motivador, para a Teoria das Relações Humanas, o salário era secundário, pois o que mais importava eram as expectativas, as motivações intrínsecas, as relações grupais! O foco deixava de estar somente na estrutura da organização e na filosofia mecanicista, passando a considerar o modelo que prioriza as pessoas. Tabela 1: Principais conclusões de Elton Mayo sobre o estudo realizado. EFEITO HAWTHORNE LEALDADE AO GRUPO Qualidade do tratamento da gerência aos trabalhadores influencia seu desempenho. Bom tratamento incentiva o trabalho de grupo e o desempenho. Esse efeito ficou conhecido como “Efeito Hawthorne”. Sistema social formado pelos grupos determina o desem- penho do indivíduo, que pode ser mais leal ao grupo do que à empresa. Alguns grupos fazem por consenso menos do que a organização espera. O efeito Hawthorne não fun- ciona em todos os casos. 34 ESFORÇO COLETIVO CONCEITO DE AUTORIDADE A administração deve enten- der o comportamento coletivo e fortalecer as relações com os grupos. É responsabilidade da administraçãodesenvolver as bases para o trabalho em grupo, o autogoverno e a cooperação. O supervisor de primeira linha deve ser não um controlador, mas um intermediário entre a administração superior e os grupos de trabalho. O conceito de autoridade deve basear-se na cooperação e na coordenação. Não na coerção. Fonte: Maximiano (2018). Os indivíduos, portanto, não agem de maneira isolada e sofrem influência de sua interação com o grupo. Há a existência de grupos informais, com regras internas próprias, que normatizam o comportamento social e que podem prevalecer em relação às leis gerais estabelecidas pela organização. Aprofunde-se sobre o experimento de Elton Mayo, lendo este artigo. Acesse o Podcast 2 em Módulos SAIBA MAIS 35 https://www.infoescola.com/administracao_/experiencia-de-hawthorne/ https://famonline.instructure.com/files/33413/download?download_frd=1 E A MOTIVAÇÃO NO AMBIENTE DE TRABALHO? Esse foi o foco do estudo de Frederick Herzberg, que identificou dois fatores que determinam o com- portamento humano no trabalho: fatores externos (higiênicos) e fatores internos (motivacionais). Essa ideia de Herzberg é conhecida como Teoria dos dois Fatores. Por intermédio dessa teoria, o autor defende que o oposto de satisfação não é a insatisfação. Ou seja, a presença de um fator interno é capaz de influenciar positivamente a satisfação do indivíduo; por outro lado, a ausência desse fator mantém o indivíduo simplesmente na condição de não satisfação, uma condição neutra. Figura 7: Fatores motivacionais e fatores higiênicos. Fatores Motivacionais (internos) Fatores Higiênicos (externos) Não Satisfação Não Satisfação InsatisfaçãoSatisfação Fonte: Elaboração própria. 36 Por outro lado, a ausência de um fator higiênico é capaz de causar insatisfação ao indivíduo, en- quanto que a sua presença basicamente mantém o indivíduo na condição de não insatisfação. E você deve estar se perguntando: quais são os fatores motivacionais e quais são os fatores higiê- nicos? Os fatores motivacionais estão associados ao conteúdo do trabalho, é algo interno ou intrín- seco ao indivíduo. Já os fatores higiênicos estão ligados às condições e ao ambiente de trabalho. Para facilitar a compreensão, vamos analisar o quadro abaixo que relaciona esses dois fatores. Tabela 2: COMBINAÇÃO DE FATORES HIGIÊNICOS MOTIVACIONAIS FATORES HIGIÊNI- COS AUSENTES y Salários baixos y Não há benefícios y Condições de trabalho precárias y Equipe sem sintonia FATORES HIGIÊNI- COS PRESENTES y Salários e bene- fícios satisfatórios y Ambiente físico de trabalho agradável y Ambiente huma- no amigável 37 FATORES MO- TIVACIONAIS AUSENTES y Trabalho sem desafio y Não há oportuni- dades de avanço y Não se ofere- cem programas de capacitação y Não há re- compensas pelo desempenho. Ausência de fatores motivacio- nais e higiênicos é a pior situação, que só se aceita na absoluta falta de alternativa. O desempenho só pode ser resul- tante do senso de responsabilidade ou do receio da perda de emprego. Exemplos: ativida- des realizadas por imigrantes ilegais ou por pessoas sem qualificações profissionais. Satisfação com as condições de trabalho, mas insatisfação com o trabalho em si, devido à falta de desafio ou, em outro extremo, à tensão inerente. O desempenho pode tender à mediocridade ou levar à aposenta- doria precoce ou a problemas de conduta. FATORES MO- TIVACIONAIS PRESENTES y Trabalho que envolve desafio, responsabilidade e tomada de decisão y Possibilidades de crescimento na carreira y Reconhecimento pelo desempenho A ausência de fatores higiênicos, com presença de fatores motivacio- nais, é exemplifica- da pelos missioná- rios e socorristas voluntários que trabalham em con- dições de extrema penúria. O desem- penho é resultante da motivação inerente à tarefa. Numa empresa. Essa situação compromete o desempenho. Motivação com o trabalho e satisfação com as condições formam a me- lhor combinação possível. Em tese, pode-se esperar os melhores níveis de desempenho quando o trabalho se encontra nessa situação. Fonte: Adaptado de Maximiano (2018). 38 Em outras palavras, pagar salários em dia, manter condições adequadas de trabalho, possuir estrutura física adequada, dentre outros fatores externos, são elementos que evitam a insatisfação do indivíduo, quando presentes no dia a dia. Porém, quando esses fatores estão ausentes, são capazes de gerar insatisfação. Vamos imaginar que um profissional está com grandes perspectivas de crescimento na empresa em que trabalha, porém, a organização não dispõe de estrutura adequada de trabalho e oferece salário abaixo do mercado. Sob o ponto de vista da teoria dos dois fatores, essa situação poderia afetar o desempenho desse profissional? REFLITA 39 O AVANÇO DOS ESTUDOS COM ÊNFASE NAS PESSOAS: A TEORIA COMPORTAMENTAL Como vimos até aqui, a Escola de Relações Hu- manas quebrou um paradigma existente até então. Se, anteriormente a ênfase estava na eficiência produtiva, agora as pessoas passaram a ser o centro das atenções. Você sabia que essa Escola influenciou o surgimento de outras ideias na área? Na gestão das organizações da atualidade, enten- der as necessidades dos profissionais é essencial para que as expectativas sejam atendidas. Mas, como podemos compreender essas necessidades individuais? Que fatores podem influenciar a mo- tivação individual? Você saberia dizer? Pois bem, graças a importantes estudiosos, podemos compreender melhor as necessidades individuais e como os fatores influenciam a motivação humana. Note que estamos dando um passo adiante, pois, a partir da lente teórica dos comportamentalistas (como são chamados os estudiosos desse campo), poderemos ir mais a fundo na leitura e na compre- ensão dos fenômenos comportamentais. Vamos desvendar a parte oculta do iceberg! 40 Paradigma é um termo muito utilizado no mundo das organizações. Afinal, o que significa “quebrar paradig- mas”? Descubra aqui. SAIBA MAIS 41 https://www.rhportal.com.br/artigos-rh/gesto-com-pessoas-quebrando-paradigmas/ QUAIS SÃO AS VISÕES DOS GESTORES SOBRE OS SERES HUMANOS? A partir da visão dos gestores e da forma como gerenciavam as pessoas, Douglas McGregor ma- peou dois estilos de gestão do comportamento humano nas organizações. As ideias de McGregor são conhecidas como Teoria X e Teoria Y, defen- dendo haver uma visão positiva e outra negativa das pessoas. Segundo a Teoria X, a visão é de que as pessoas são preguiçosas, não são ambiciosas, fogem da responsabilidade e não gostam de trabalhar! Para isso, os gestores devem estimulá-las, constante- mente, devendo haver um sistema de controle para que os objetivos da organização sejam alcançados. Por outro lado, a Teoria Y defende o oposto, que as pessoas gostam do trabalho, assumem res- ponsabilidades, são criativas, desejam contribuir para o alcance dos objetivos organizacionais e são autodisciplinadas. A gestão deve ser democrática, estimulando a delegação de responsabilidades, participação no processo decisório e enriqueci- mento no trabalho. 42 Referências Bibliográficas & Consultadas ABRANTES, José. Teoria Geral da Administração – TGA: A Antropologia Empresarial e a Problemática Ambiental. Rio de Janeiro: Interciência, 2012. GOMES E SILVA, Luiz Felipe. A organização do trabalho na linha de montagem e a teoria das organizações. Revista Administração de Empresas. vol. 27 no.3 São Paulo: Julho/ Setembro, 1987. FISCHMANN, Adalberto A.; ALMEIRA, Martinho Isnard Ribeiro de. Planejamento estratégico na prática. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2018. MAXIMIANO, Antonio Cesar Amaru. Teoria Geral da Administração: da revolução urbana à revolução digital. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2018. DUTRA, Joel Souza. Gestão de Carreiras: a pessoa, a organização e as oportunidades. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2017. MAXIMIANO, Antonio Cesar Amaru. Teoria Geral daAdministração: da revolução urbana à revolução digital. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2018. ROBBINS, Stephen P. Comportamento Organizacional. 14. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010. Quais foram as primeiras ideias na área da Administração? Análise Crítica à Administração Científica O fortalecimento de outras ideias para a melhoria da eficiência A Administração pode ser ensinada? Afinal, a Burocracia é boa ou ruim? O lado bom da Burocracia As pessoas importam! E a Motivação no Ambiente de Trabalho? O avanço dos estudos com ênfase nas pessoas: A Teoria Comportamental Quais são as visões dos gestores sobre os seres humanos? Referências Bibliográficas & Consultadas