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FACULDADE TEOLÓGICA SUL BRASILEIRA
ANA PAULA TAN BARBOSA 
A PRÁTICA DA CURA NAS IGREJAS NEOPENTECOSTAIS À LUZ DE TIAGO 5.13-18
Marília
2018
ANA PAULA TAN BARBOSA
A PRÁTICA DA CURA NAS IGREJAS NEOPENTECOSTAIS À LUZ DE TIAGO 5.13-18
Trabalho de conclusão de curso apresentado ao curso de Teologia da FATESB - Faculdade Teológica Sul Brasileira, como parte das exigências do curso para obtenção do título de Bacharel em Teologia. 
Orientador: Prof. Helton Fernando Rodrigues
Marília
2018
Barbosa, Ana Paula Tan
A Prática da cura nas Igrejas Neopentecostais à luz de Tiago 5.13-18 / Barbosa, Ana Paula Tan; Orientador: Prof. Heitor Fernando Rodrigues. Marília, SP.
	58 p.
Trabalho de curso apresentado ao curso de Teologia da FATESB - Faculdade Teológica Sul Brasileira, Marília, 2018.
1. Neopentecostalismo 2. Oração 3. Cura
CDD:
A PRÁTICA DA CURA NAS IGREJAS NEOPENTECOSTAIS À LUZ DE TIAGO 5.13-18
ANA PAULA TAN BARBOSA
Monografia defendida e aprovada, em ....../......./........, pela banca examinadora:
Prof. Dr. Helton Fernando Rodrigues
Orientador
Professor Mestre 
Professor do curso de...
Professor Especialista
Professor do curso de...
Dedico ao todo-poderoso Deus por abençoar a minha vida todos os dias, me dando força, sabedoria e paciência para concluir este trabalho. Dedico ao meu esposo Junior, ao meu filho Alexandre e minha filha Alana, vocês são a razão de eu querer ser melhor a cada dia. Aos meus pais que sempre me ensinaram a ter caráter. Família vocês são minha base, firmada no alicerce que é Jesus. Dedico também a minha tia Teresa (in memoriam) para firmar o quanto você é importante e o quanto faz falta, sei que se orgulharia de mim. Amo cada um de vocês.
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente a Deus, por ser essencial em minha vida, autor do meu destino, meu guia, socorro presente na hora da angustia; 
Agradeço ao meu pai Sakae, que me escolheu, a minha mãe Marlene que por seu imenso amor sempre orou por mim, me mantendo em pé por estar de joelhos;
Agradeço a minha irmã Karen e sua família, por entenderem minha ausência em alguns momentos; ao meu sogro Rubens e a minha sogra Shirley que sempre me apoiaram;
Agradeço ao meu esposo Júnior, que de forma especial me deu força e coragem, acreditando em mim, quando nem mesmo eu acreditava. Aos meus filhos Alexandre e Alana, que abriram mão do jantar em família, e entenderam minha ausência, sem nunca questionar, só me dando orgulho, enquanto eu buscava a realização deste sonho. Família, vocês são minha base;
Agradeço a todos os meus professores e mestres por me ensinarem não só através dos livros, mas através de exemplos o amor de Deus; Em especial ao professor Marcos Henrique Araújo que nunca mediu esforços em nos ensinar, carregando caixas e caixas de livros, se doando inteiramente a nos transmitir a Palavra de Deus com muito amor;
Agradeço ao meu orientador Fernando, que não pensou duas vezes em aceitar a difícil missão de me ensinar;
Agradeço à Primeira Igreja Batista de Marília, na pessoa do Pastor Domingos Jardim, que em todo momento acreditou em meu chamado, em minha capacidade e sempre me deu forças para continuar a caminhada.
 Agradeço a cada amigo (a) que direta ou indiretamente não me permitiram desistir e contribuíram para a minha formação, este TCC também é de vocês.
“Talvez não tenha conseguido fazer o melhor, mas lutei para que o melhor fosse feito. Não sou o que deveria ser, mas Graças a Deus, não sou o que era antes”. (Marthin Luther King)
		 “Alegrais-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração”. (Romanos 12.12)
“Jesus respondeu: ‘Eu asseguro que, se vocês tiverem fé e não duvidarem, poderão (...) dizer a este monte: “Levanta-se e atire-se no mar”, e assim será feito. E tudo o que pedirem em oração, se crerem, vocês receberão’.” (Mateus 21.21-22) 
BARBOSA, Ana Paula Tan. A Prática da cura nas Igrejas Neopentecostais à luz de Tiago 5.13-18. 2018. 58 f. Trabalho de curso. (Bacharelado em Teologia) – FATESB – Faculdade Teológica Sul Brasileira, Marília, 2018.
RESUMO
O escopo desta obra é apresentar a origem, as diferenças, os estilos de pregação, as doutrinas das igrejas pentecostais e neopentecostais. Visa-se demonstrar às diferenças entre duas igrejas neopentecostais, ou seja, a Universal do Reino de Deus e a Mundial do Poder de Deus, com base em depoimentos, entrevistas e mensagens pregadas dentro de seus próprios domínios, cujas fontes são públicas e disponíveis. Assim, o estilo de suas orações, os objetos empregados e os tipos de curas que operam são abordados neste trabalho, nas quais são lhes caracterizados um meio em que os líderes dessas instituições afirmam ter o poder de cura. Nesse viés, primeiramente, apresenta-se o histórico das igrejas neopentecostais, o seu surgimento a partir da terceira onda, as diferenças que separam dos fiéis pentecostais clássicos e da segunda onda e a prática da oração, os objetos utilizados, como pontos de contatos da fé daquele que ora. Ademais, será realizada uma breve análise dessas duas igrejas, destacando suas origens, fundação, breve biografia de seus líderes, depoimentos de cura, libertação demonstrando que há depoimentos de frequentadores que corroboram com a possível cura. Comparando ainda os ensinamentos de Tiago e de outros ensinamentos bíblicos com os ensinamentos das igrejas neopentecostais, no que se refere à prática da cura, oração, unção com óleo, o propósito dos milagres na Bíblia e das igrejas neopentecostais, exorcismo, prosperidade financeira. Milagres são fenômenos extraordinários que não aconteciam todos os dias. Nas igrejas neopentecostais tornaram-se ordinários. No exorcismo exagerado realizado na IURD os líderes conversam com demônios, ao contrário do que a Bíblia ensina. A ênfase das pregações nas igrejas neopentecostais é a prosperidade financeira, mas de modo distorcido daquela prosperidade ensinada nas Escrituras.
Palavras-chave: Neopentecostalismo. Oração. Cura. Fé. Unção.
BARBOSA, Ana Paula Tan. A Prática da cura nas Igrejas Neopentecostais à luz de Tiago 5.13-18. 2018. 50 f. Trabalho de curso. (Bacharelado em Teologia) – FATESB – Faculdade Teológica Sul Brasileira, Marília, 2018.
ABSTRACT
The scope of this work is to present the origin, the differences, the styles of preaching, the doctrines of the Pentecostal and Neo-Pentecostal churches. It aims at demonstrating the differences between two Neo-Pentecostal churches, namely the Universal of the Kingdom of God and the World of God Power, based on testimonies, interviews and messages preached within their own domains, whose sources are public and available. Thus, the style of their prayers, the objects employed and the types of cures that they operate are addressed in this work, in which they are characterized as a means in which the leaders of these institutions claim to have the power of healing. In this bias, first, we present the history of the neo-Pentecostal churches, their emergence from the third wave, the differences that separate from the classical Pentecostal faithful and the second wave and the practice of prayer, the objects used, as points of contact of the faith of the one who prays. In addition, a brief analysis of these two churches will be carried out, highlighting their origins, foundation, brief biography of their leaders, testimonies of healing, liberation demonstrating that there are testimonies of attendants that corroborate with the possible cure. Comparing the teachings of James and other biblical teachings with the teachings of the Neo-Pentecostal churches regarding the practice of healing, prayer, anointing with oil, the purpose of miracles in the Bible and neo-Pentecostal churches, exorcism, financial prosperity. Miracles are extraordinary phenomena that did not happen every day. In the neo-Pentecostal churches, theydestaca três verdades fundamentais no versículo 13:
Em primeiro lugar, nos problemas não devemos murmurar, mas orar. O sofrimento aqui é provado por circunstâncias adversas: saúde, finanças, família, relacionamentos, decepções. Em vez de murmurar contra Deus ou falar mal dos irmãos (5.9), devemos apresentar essa causa a Deus em oração, pedindo sabedoria para usar essa situação para a glória de Deus (1.5)
Muitos crentes, por mais fiéis que sejam, podem ficar doentes, passar por provações, dificuldades financeiras, perdas de entes queridos, passar por depressão dentre outros transtornos inerentes à nossa condição física. Nas aflições, Tiago recomenda oração, nas alegrias, louvor. Não há nada mais oportuno que a oração quando estamos passando por situações negativas em nossas vidas. Nesses momentos, nosso espírito está mais humilhado e nosso coração mais quebrantado e amolecido. Nessas horas de provações nossa fé é despertada, a esperança é renovada e a oração é o meio pelo qual o cristão alcança a graça de Deus.
A segunda verdade destacada por Tiago, de acordo com Lopes (2006, p. 118), é a mudança que a oração promove na vida de quem ora:
Em segundo lugar. Deus muda as circunstâncias pela oração. A oração remove o sofrimento. Mas também a oração nos dá poder para enfrentar os problemas e usá-los para cumprir os propósitos de Deus. Paulo orou para Deus mudar as circunstâncias da sua vida, mas Deus lhe deu poder para suportar as circunstâncias (2Co 12.7-10). Jesus clamou ao Pai, com abundantes lágrimas, no Getsêmani, para passar dEle o cálice, mas o Pai lhe deu forças para suportar a cruz e morrer pelos nossos pecados.
Paulo recebeu um espinho na carne, segundo ele, um mensageiro de satanás (2 Coríntios 2:7). Este espinho serviu para que o Apóstolo não se exaltasse desmesuradamente em seu espírito, por causa das visões e revelações que ele constantemente recebia de Deus. A Bíblia não revela qual era a natureza daquele espinho, alguns estudiosos associam-no a um grande problema físico outros a uma grande tentação. Quando um crente está propenso a sentir orgulho espiritual por alguma bênção recebida, Deus o repreende através de algum problema de saúde, uma perda material ou outra coisa que faça o cristão se lembrar de que ele não é nada sem Deus.
A terceira verdade destacada por Tiago, ainda segundo Lopes (2006, p. 118,119), trata-se de pessoas lamentando e se alegrando ao mesmo tempo na igreja:
Em terceiro lugar, ao mesmo tempo temos pessoas chorando e outras celebrando na igreja. Ao mesmo tempo há pessoas sofrendo e há pessoas alegres (5.13). Deus equilibra a nossa vida, dando-nos horas de sofrimento e horas de regozijo. O cristão maduro, entretanto, canta mesmo no sofrimento (Jó 35.10). Paulo e Silas cantaram na prisão (At 16.25). Josafá cantou no fragor da batalha (2Cr 20.21). Muitas vezes trafegamos dos caminhos floridos da alegria para os vales do choro num mesmo dia. Mas, mesmo que os nossos pés estejam no vale, nosso coração pode estar no plano (SI 84.5-7). Pelo poder de Deus, podemos transformar os vales secos em mananciais, o pranto, em alegres cantos de vitória. Quando o diamante é lapidado é que ele reflete sua beleza mais fulgurante. Quando a flor é esmagada é que ela exala o seu mais doce perfume. A alegria mais poderosa é aquela que, muitas vezes, explode banhada pelas lágrimas mais quentes.
Deus nos ama demais a ponto de evitar que os seus amados se exaltem sem medida; alguns pesos espirituais são enviados por Deus para que o orgulho espiritual seja derrotado. A oração é o melhor remédio para curar toda doença provocada pelo pecado, um unguento para toda chaga. Quando sentirmos orgulho espiritual, devemos nos entregar à oração; caso não obtenhamos a resposta na primeira vez, continuemos a orar. Deus nos envia os problemas para nos ensinar a orar. Ele insiste em nos enviar problemas para que continuemos insistindo em aprender a orar.
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3.1 Oração da fé pelos enfermos
Apesar de orarmos com fé, nem sempre Deus nos concede o que lhe pedimos. Muitas vezes Deus nos concede os pedidos em ira, mas também nega com amor. Mesmo não sendo eliminados todos os problemas e tentações, sua graça é o que nos basta (2 Coríntios 12:9). Por graça, entendemos a boa-vontade de Deus para com os seus servos e ela é suficiente para nos dar força para enfrentar as tentações e dificuldades, vivificando-nos o suficiente, consolando-nos em todas as aflições e angústias. “Seu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (v. 9).
Allan Pieratt dá uma detalhada análise sobre a oração pelos enfermos:
"Está alguém entre vós doente?" O cristão tem alguns privilégios, e um deles é um convite franco a que peça a cura quando doente. Neste aspecto estão certos os pregadores da prosperidade: Deus se dispõe a ouvir as orações de seu povo. Todavia, os cristãos encontram-se sujeitos a adoecer. como parte natural do fato de serem humanos. Tiago não imputa culpa alguma a alguém por estar doente. A pessoa está simplesmente doente (PIERATT, 1999, p. 137,138).
Tiago pergunta se há alguém doente e em seguida ordena que se chame os presbíteros para que orem pelo enfermo ungindo-o com azeite ou óleo, que era um símbolo de medicamento (Lucas 10:30-37) e símbolo do Espírito Santo de Deus, como se ungia reis (1 Samuel 16:1-13). O óleo, ou azeite, representava o aspecto medicinal e espiritual na vida do cristão. O Senhor Jesus é tanto Senhor do corpo e do espírito na vida do cristão.
François Turretini (2011, p. 667) esclarece que “Tiago ordena que quem estiver doente seja ungido (...), que muitos presbíteros sejam envolvidos”. O cristão enfermo não está sozinho. Todos os membros da igreja contam com o apoio dos presbíteros e de outros irmãos em oração, sustentando-os em seus sofrimentos. Os anciãos da igreja devem estar disponíveis para atender às dificuldades de cada membro e a igreja pronta para orar pelas necessidades dos irmãos.
Ainda segundo Turretini (2011, p. 667), “A unção de Tiago tinha por seu fim único a cura de enfermidade, mas para seu fim condicionado, a saber, a remissão de pecados (que não se atribui propriamente a unção, mas “a oração da fé)”. Essa oração da fé não está se referindo à fé do doente, mas sim, à fé das pessoas que por ele oram. A cura vem de Deus, não da fé, portanto, todas as orações estão sujeitas à vontade de Deus. Nossas orações pelos doentes são parte do processo do poder curador de Deus, por isso, Deus espera pelas nossas orações de fé antes de intervir na cura do doente.
A salvação ou a cura de uma pessoa doente não é atribuída ao óleo, mas à oração. Não é uma oração fria e padronizada que possui eficácia no processo de cura, mas sim, a oração da fé. Outra coisa de maior importância que precisamos rogar a Deus nas nossas dificuldades e doenças é o perdão dos pecados. Precisamos atentar, ainda que, nem nos tempos de Jesus todos os doentes, enfermos e aleijados foram curados, pois existem ocasiões em que a cura não aparece, uma vez que, como foi dito acima, as orações estão sujeitas à vontade de Deus.
3.2 A cura nas igrejas neopentecostais
Nos dias de hoje, igrejas neopentecostais são lideradas por aqueles que se autodenominam possuidores do poder de cura. Muitos deles fazem grandes campanhas, com o intuito de lotar estádios, convidando multidões para serem curadas de suas enfermidades, alcançar bênçãos, conquistar riquezas e tantas outras promessas.
Cabe salientar que no passado os verdadeiros crentes que eram muito mais espirituais do que os de hoje, experimentaram o favor de Deus, inclusive, foram curados de suas moléstias e enfermidades. De acordo com Lewis Sperry Chafer (2008, p. 89), “as alegações daqueles que se julgam com poder divino de curar, contudo, presumem e implicam que, para assegurar tal cura, é necessário ir até eles”.
Os ensinos dos proponentes da cura divina são eivados de erros, muitos desses erros são decorrentes da má interpretação das Escrituras Sagradas. Segundo Chafer (2008, p. 89), “os proponentes da cura somente controlam a cura divina do corpo. Mas qualquer grupo de crentes espirituais,quando solicitados a fazer isso, vai testificar da cura divina muito além das alegações dos proponentes profissionais da cura”.
Os proponentes da cura alegam que a cura foi proporcionada a todos pela expiação de Cristo na cruz, então, se Cristo levou sobre si todas as nossas enfermidades, claro está que a cura pode ser reivindicada pela fé que cada cristão possui dentro de si. Chafer corrige este erro ao afirmar que “a questão deveria ser plenamente amparada pela Escritura, sem dúvida, mas não o é” (CHAFER, 2008, p. 89). Nosso corpo, de acordo com Romanos 8:23, ainda não está redimido: “E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo” (ARA, 2015).
Todos os cristãos de todo mundo e de todos os tempos tiveram seus corpos golpeados por toda série de enfermidades. São aflições passageiras, que duram pelo tempo determinado por Deus. nosso corpo, por ser templo do Espírito de Deus, sofre por causa das consequências do pecado. Este estado deplorável pelo qual os filhos de Deus estão passando, terá um fim. Deus libertará seus filhos dessa escravidão causada pela depravação do homem. Seremos ressuscitados à semelhança do corpo de Cristo, esta será a redenção do nosso corpo, não estamos ainda redimidos, como alegam os proponentes da cura divina.
Segundo Chafer (2008, p. 89), “o corpo físico será redimido no retorno de Cristo, como prediz a Escritura”. Os próprios proponentes da cura têm suas limitações físicas e nem por isso reivindicam para eles mesmos, a redenção de seus próprios corpos. A passagem que os proponentes da cura divina se apegam para reivindicar a redenção dos corpos é Isaías 53:4,5:
​Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. ​Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados (ARA, 2015).
De acordo com Chafer (2008, p. 89), “se Cristo levou sobre si toda doença, a cura em resposta à verdadeira fé na verdade nunca deveria falhar, mas falha”. Isso porque o contexto da passagem mostra que Cristo padeceu pelos nossos pecados e pelas nossas iniquidades. Deus permitiu ao povo da época de Isaías olhar por uma brecha do tempo para o sofrimento do futuro Messias, e contemplar o perdão que estaria disponível para toda a humanidade. Logo, Isaías 53:5 pode se referir à cura espiritual.
Outro erro cometido pelos proponentes da cura divina é a interpretação errônea de Mateus 10:8, que diz: ​“Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expeli demônios; de graça recebestes, de graça dai” O versículo não diz apenas da cura dos enfermos, mas também da ressurreição dos mortos, da purificação dos leprosos e expulsão dos demônios. Dificilmente, os proponentes da cura divina tentarão por em prática esses dons. Chafer comenta: “O Evangelho do reino deve ser acompanhado de maravilhas e milagres iguais a este, mas tal ordem para o sobrenatural jamais acompanha o Evangelho da graça” (CHAFER, 2008, p. 89).
A unção do proponente da cura é tão essencial quanto a fé. Em todas as suas curas, entretanto, Cristo ungiu apenas uma vez conforme o registro de Marcos 6.13, e a unção não é mencionada novamente para propósitos de cura no Novo Testamento, exceto em Tiago 5.14. O rito judaico de impor as mãos parecia ser observado às vezes. Por intermédio da sombra de Pedro alguns foram curados, mas ele nunca entrou no negócio de lançar sombras. Multidões são curadas hoje porque isto está diretamente na vontade de Deus para Seus filhos à parte de unção, imposição de mãos ou a sombra semelhante à de Pedro.
3.3 Milagres na Bíblia e nas Igrejas Neopentecostais
O propósito de acontecer milagres na Bíblia era para que os homens pudessem conhecer o poder de Deus e para testificar da promessa da vinda de Cristo ao mundo, como o Messias. Os milagres são fenômenos extraordinários, não acontecem todos os dias. Ao longo de todo o Velho Testamento, vemos milagres extraordinários acontecendo. O Espírito Santo de Deus é o autor de todos os sinais e maravilhas.
Um exemplo de milagre extraordinário narrado pela Bíblia é a divisão e a passagem do povo israelita pelo Mar Vermelho, em Êxodo 14:21,22:
​Então, Moisés estendeu a mão sobre o mar, e o SENHOR, por um forte vento oriental que soprou toda aquela noite, fez retirar-se o mar, que se tornou terra seca, e as águas foram divididas. ​Os filhos de Israel entraram pelo meio do mar em seco; e as águas lhes foram qual muro à sua direita e à sua esquerda” (ARA, 2015).
Para realizar esse milagre, Deus usou o vento oriental. Embora críticos supunham que se tratava de uma maré baixa, o fato é que Deus realizou o milagre na hora exata, fazendo com que a passagem ficasse livre para que seu povo passasse. Também, na hora exata, ele fez com que as águas voltassem ao seu curso natural, destruindo os inimigos do seu povo.
De acordo com Lopes (2008a, p. 189):
A Bíblia faz referência a três gerações que viram abundantes milagres. A primeira geração que viu estupendos milagres foi exatamente a geração de Moisés. A segunda geração foi a de Elias e Eliseu. A terceira geração que viu extraordinários e portentosos milagres foi a geração da época de Jesus e dos apóstolos. É perturbador saber que nunca houve tanta dureza de coração e incredulidade como nessas três gerações.
Na geração de Elias e Eliseu, os milagres que a Bíblia relata são, nessa ordem, de Elias: a grande seca (1 Reis 17:1; Tiago 5:17); a multiplicação da farinha e do azeite da viúva de Sarepta (1 Reis 17:14); a ressurreição de um menino (1 Reis 17:22); invocação de fogo que consumiu o holocausto e a água do rego (1 Reis 18:38); invocação de fogo sobre os homens enviados pelo rei Acabe (2 Reis 1:10); interrupção da grande seca (1 Reis 18:41); divisão das águas do Rio Jordão (2 Reis 2:8); de Eliseu: a divisão do rio Jordão (2 Reis 2:14); a cura das águas amargas (2 Reis 2:21); o ataque de ursos sobre rapazes que zombavam de Eliseu (2 Reis 2:24); a inundação no deserto (2 Reis 3:16); a multiplicação do azeite (2 Reis 4:5); torna a comida livre de veneno (2 Reis 4:41); a multiplicação dos pães (2 Reis 4:43); a ressurreição de um menino (2 Reis 4:35); a cura de Naamã (2 Reis 5:10); a lepra de Naamã passa para o cobiçoso Geazi (2 Reis 5:27); flutuação do ferro do machado (2 Reis 6:6); a cegueira dos soldados sírios (2 Reis 6:18) e a ressurreição de um homem ao tocar nos ossos do já falecido Eliseu (2 Reis 13:21).
A terceira geração que presenciou milagres extraordinários viviam na época de Jesus, são vários milagres, que estão relatados por todos os quatro evangelhos. O maior milagre que aconteceu no Novo Testamento foi, de fato a ressurreição (Lucas 24:6; João 10:18). Todos esses milagres narrados pela Bíblia tinham o propósito único e exclusivo de tornar o poder de Deus conhecido por todos os homens e demonstrar que Jesus Cristo era o Deus encarnado que desceu ao mundo para resgatar a humanidade, tendo em vista haver nessas três gerações uma grande incredulidade e dureza de coração.
Nos últimos tempos, nas igrejas neopentecostais, onde os milagres são o carro-chefe das pregações, as pessoas não têm o costume de discernir se é verdadeiro ou encenação aquilo que está presenciando nos púlpitos. De acordo com 2 Tessalonicenses 2:9, “​Ora, o aparecimento do iníquo é segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais, e prodígios da mentira” (ARA, 2015), a corrupção da doutrina eclesiástica e a adoração pelo poder por parte de líderes carismáticos entraram no meio da igreja, usurpando o poder, de forma gradual, do Espírito Santo.
A idolatria e a superstição por objetos ungidos são promovidas por esses líderes, fomentando grandemente o fanatismo religioso. Muitos sinais e prodígios são falsificados, surgem profetas com visões falsas, realizam-se milagres todos os dias em qualquer pessoa. São sinais e milagres falsospraticados com o objetivo de sustentar as falsas doutrinas. Na grande maioria das vezes, os milagres e prodígios são simulados para enganar os presentes. Lopes (2008b, p. 187) concorda quando disse: 
O propósito dos milagres de Deus é conduzir as pessoas à verdade, o propósito dos milagres do anticristo será levar as pessoas a crer em mentiras. Paulo os chama de “prodígios da mentira” (2.9), não porque os milagres não sejam reais, mas porque convencem as pessoas a crer nas mentiras de Satanás.
Nas igrejas neopentecostais, a verdade não é dita em seus púlpitos. A salvação dos pecadores não é pregada. A Bíblia afirma que a salvação é alcançada mediante a fé no nosso Senhor Jesus Cristo e não por milagres. O pecado que se comete ao substituir a busca pela salvação por busca pelos milagres sobrenaturais e extraordinários é não amar a verdade. Não amar a verdade significa não acreditar nela. Os crentes cegados pelo fanatismo religioso das igrejas neopentecostais são agraciados por noções falsas, ficam entregues a si mesmos, seguindo o pecado de não aceitar a verdade, trazendo sobre si os juízos e o castigo futuro.
Grande é o risco de a maior parte dos cristãos, que não se dão ao trabalho de uma leitura acurada das Escrituras e que não se propõem a estudá-la, de serem enganada pelo Anticristo, que fará sinais e prodígios, todos realizados pelo poder e energia de Satanás que, segundo Lopes (2008b, p. 186), “ele não será um homem comum nem terá poder comum”.
Nossa sociedade é ávida por milagres sobrenaturais de tal maneira que as pessoas correm atrás de sinais sendo facilmente enganadas. “​É por este motivo, pois, que Deus lhes manda a operação do erro, para darem crédito à mentira” (2 Tessalonicenses 2:11, ARA, 2015). Atualmente, nem a sã doutrina é respeitada por pregadores da prosperidade, confissão positiva e proponentes da cura divina. Segundo esses pregadores, “a letra mata, mas o espírito vivifica” (2 Coríntios 3:6), num claro exemplo de má interpretação dos textos Bíblicos, tirado do seu contexto original.
O fato de uma pessoa ter o dom de realizar milagres extraordinários, não faz dele um verdadeiro cristão. Está escrito em Mateus 7:22-23:
​Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? ​Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade (ARA, 2015).
As pessoas podem ter a aparência religiosa sem ter nenhum relacionamento com o Senhor. A nossa relação com Cristo, nossa aceitação dele como Senhor e Salvador de nossas vidas, nossa obediência a ele serão levadas em conta. O fazer milagres para impressionar espectadores e para ganhar a aprovação do Senhor fará com que Jesus os desmascare, lançando-os à vergonha.
De acordo com Lopes (2004, p. 31), “milagres provocam impacto, não mudanças interiores. Os milagres chamam a atenção das pessoas, mas não produzem transformação. Eles podem abrir as portas para o evangelho, mas não são o evangelho”. O que muda o interior e transforma vidas é a pregação expositiva da Palavra de Deus. Exemplo de transformação produzida pela pregação da Palavra está em Atos 2:41: “​Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas.” (ARA, 2015).
A simples pregação do Apóstolo Pedro na manhã do Pentecostes foi suficiente para transformar a vida de quase três mil almas, sem a necessidade de grandes demonstrações de poder, operações de milagres e sinais sobrenaturais.
3.4 Exorcismo
Com o surgimento das igrejas neopentecostais, ressurgiu também a prática do exorcismo, inicialmente, na igreja Universal do Reino de Deus, se espalhando pelas demais no decorrer dos anos. Por exorcismo, entende-se a prática de libertar uma pessoa sob possessão demoníaca, ou sob o domínio de Satanás. Segundo o Centro Apologético Cristão de Pesquisas (CACP), o exorcismo “é uma prática muito antiga não somente vista no cristianismo, mas também em outras religiões.” (CACP, 2013).
Segundo Hank Hanegraaff (2005, p. 13), “a fascinação pelos demônios na cultura livre tem levado a um forte movimento de libertação entre os evangélicos.” Problemas pessoais como ansiedade, dependência química e apetite descontrolado, são considerados como possessões demoníacas e a pessoa precisa ser libertada. “Os demônios são para serem repreendidos, e livrar-se deles é a chave para a redenção moral e psicológica” (Michael Cuneo, apud HANEGRAAF, 2005, p. 13).
O primeiro relato de possessão demoníaca descrito na Bíblia está em Marcos 1:21-26:
​Depois, entraram em Cafarnaum, e, logo no sábado, foi ele ensinar na sinagoga. ​Maravilhavam-se da sua doutrina, porque os ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas. ​Não tardou que aparecesse na sinagoga um homem possesso de espírito imundo, o qual bradou: Que temos nós contigo, Jesus Nazareno? Vieste para destruir-nos? Bem sei quem és: o Santo de Deus! ​Mas Jesus o repreendeu, dizendo: Cala-te e sai desse homem. ​Então, o espírito imundo, agitando-o violentamente e bradando em alta voz, saiu dele (ARA, 2015).
Para a psicologia, a possessão demoníaca é a forma primitiva para descrever os diversos tipos de doenças e transtornos mentais. Porém, no caso acima, está claro que se tratava de uma manifestação demoníaca. Aqui, Marcos enfatiza a luta contra o poder das trevas para demonstrar a grande superioridade de Jesus sobre os demônios. Em todas as vezes que Jesus lançava fora os demônios, ele não precisou realizar nenhum ritual bem elaborado de exorcismo. Sua palavra era uma ordem.
Outro relato de possessão demoníaca, está em Mateus 8:28-34, onde apareceram dois endemoninhados: 
​Tendo ele chegado à outra margem, à terra dos gadarenos, vieram-lhe ao encontro dois endemoninhados, saindo dentre os sepulcros, e a tal ponto furiosos, que ninguém podia passar por aquele caminho. ​E eis que gritaram: Que temos nós contigo, ó Filho de Deus! Vieste aqui atormentar-nos antes de tempo? ​Ora, andava pastando, não longe deles, uma grande manada de porcos. ​Então, os demônios lhe rogavam: Se nos expeles, manda-nos para a manada de porcos. ​Pois ide, ordenou-lhes Jesus. E eles, saindo, passaram para os porcos; e eis que toda a manada se precipitou, despenhadeiro abaixo, para dentro do mar, e nas águas pereceram. ​Fugiram os porqueiros e, chegando à cidade, contaram todas estas coisas e o que acontecera aos endemoninhados. ​Então, a cidade toda saiu para encontrar-se com Jesus; e, vendo-o, lhe rogaram que se retirasse da terra deles.
Mateus diz que eram dois endemoninhados, ao passo que Marcos 5:1-20 e Lucas 8:26-39 eram apenas um. Essa contradição se esclarece porque, para Marcos e Lucas, apenas um deles tomou a palavra. Este foi o único evento em toda a Bíblia em que Jesus conversa com demônios. De acordo com o CACP, esta conversa de Jesus com os demônios “não é um ensinamento nem sequer uma base para se conversar ou entrevistá-los no momento do exorcismo, como vemos nos cultos de libertação nas igrejas/seitas neopentecostais.” (CACP, 2013). Este é um caso singular na história. O fato de Jesus ter perguntado sobre o nome dos demônios, não significava que ele não soubesse que eram demônios, “o diálogo e a pergunta de Jesus revela-nos o seu poder superior sobre o poder dos demônios” (CACP, 2013).
Não somos tão seguros para reconhecer a possessão demoníaca nas pessoas. Muitas pessoas possuem distúrbios mentais que podem ser destrutivos tanto para elas quanto para outras pessoas à volta. Elas precisam de tratamento psiquiátrico e psicológico e não de exorcismos. Sabemos, no entanto, que os demônios usam os corpos das pessoas de forma destrutiva com a finalidade de distorcer a imagem e semelhança da criatura com o Criador. Hoje em dia eles são perigosos, poderosos e destrutivos. São tão malignos que precisamos nos manter afastados deles, evitando nos relacionarmos com o ocultismo, mesmo por mera curiosidade. Vejamos o caso de Atos 19:13-17:
​E algunsjudeus, exorcistas ambulantes, tentaram invocar o nome do Senhor Jesus sobre possessos de espíritos malignos, dizendo: Esconjuro-vos por Jesus, a quem Paulo prega. ​Os que faziam isto eram sete filhos de um judeu chamado Ceva, sumo sacerdote. ​Mas o espírito maligno lhes respondeu: Conheço a Jesus e sei quem é Paulo; mas vós, quem sois? ​E o possesso do espírito maligno saltou sobre eles, subjugando a todos, e, de tal modo prevaleceu contra eles, que, desnudos e feridos, fugiram daquela casa. Chegou este fato ao conhecimento de todos, assim judeus como gregos habitantes de Éfeso; veio temor sobre todos eles, e o nome do Senhor Jesus era engrandecido (ARA, 2015).
Este é o ensinamento que se dá para aqueles que não conhecem o poder dos demônios e tentam, de qualquer modo, fazer exorcismo sobre os possessos de espíritos imundos. O poder para expulsar demônios vem do Espírito Santo, não de meras palavras ou da imitação. Na época em que se deu o caso acima, muitas pessoas participavam de exorcismo e práticas ocultistas. Eles ganhavam dinheiro com isso e descobriram, pela pior maneira possível, de que não se pode controlar nem imitar o poder de Deus.
Vejamos o que diz a Bíblia Apologética de Estudo, do Instituto Cristão de Pesquisas:
Em relação ao exorcismo, este texto não dá base para expulsar demônios por meio de quaisquer fetiches. A virtude estava no poder do nome de Jesus e não em objetos inanimados (Mc 16.17). Tanto é que, no versículo seguinte do texto em estudo, constatamos que muitas pessoas tentaram imitar Paulo, mas não conseguiram. O apóstolo expulsava os demônios somente pelo nome de Jesus (16.18). O nome de Jesus é o único capaz de aliviar e libertar o endemoninhado (Jo 8.36) (ICP, 2005, p. 1112).
A prática de ordenar que demônios se manifestem e de conversar com eles é antibíblica e não possui respaldo nas Escrituras. Esta é uma prática pagã que, segundo o CACP, “se acreditava que o conhecimento de uma entidade espiritual que estava possuindo uma pessoa conferia poderes mágicos ao exorcista que era capaz de expulsá-la do corpo da pessoa possessa e até destruí-la.” (CACP, 2013).
Como cristãos, não podemos ter contato com o ocultismo, magia negra ou feitiçaria. No momento em que a pessoa começa a se interessar por estas coisas, será difícil demais se afastar delas porque Satanás é muito poderoso. Devemos aprender com os jovens efésios que tentaram exorcizar um endemoninhado sem conhecer o poder de Deus e o nome de Jesus.
3.5 Ênfase na prosperidade financeira
Igrejas como a IURD, IMPD, Renascer em Cristo dentre outras, dão muita ênfase na prosperidade financeira em seus cultos, de modo que a parte principal da pregação é sobre dízimos e ofertas. Para alcançar seus objetivos, os pregadores dessas igrejas utilizam versículos fora do seu contexto original, trazendo engano aos ouvidos dos crentes, que não são encorajados a abrir suas bíblias, bastando somente ouvir da boca de seus líderes ou leem no telão.
Um exemplo de má utilização de versículos isolados da Bíblia para corroborar seus ensinos é a deturpação das palavras de Jesus em João 10:10 que diz: “O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (ARA, 2015). Este versículo, ao contrário do que afirmam os teólogos da prosperidade, não se refere à abundância financeira do crente aqui e agora. Nem se refere ao ladrão como pessoa que entra sorrateiramente nas casas para roubar nossos bens. Refere-se a satanás, que roubou a identidade do homem, seu relacionamento com Deus e a sua inocência no Jardim do Éden, destruindo tudo o que era bom aos olhos de Deus. Ao contrário do ladrão, que vem para arrebatar a vida do homem, Jesus nos dá a vida. Uma vida rica espiritualmente e plena, eterna que começa imediatamente após nossa conversão a Ele. A vida em Cristo é desfrutada em um plano muito mais elevado em virtude de nela abundar o perdão, o amor e direção.
Nas igrejas neopentecostais, especialmente na IURD, o homem foi colocado no trono, no lugar que deveria ser ocupado por Deus. De acordo com Lopes (2004, p. 98):
Segundo essas teologias, a vontade e os desejos do homem devem ser satisfeitos. O homem tem direitos que Deus precisa compreender. O homem não pede a Deus, ele ordena. O homem não é servo de Deus, mas Deus deve servir o homem.
João Flávio Martinez diz que
o Bispo Macedo e a IURD não pedem oferta de maneira equilibrada. Sua ideologia é a do “Ou dá ou desce”. As reuniões da IURD, na maioria das vezes, se resumem na mensagem da doutrina da prosperidade – “Dê um para ganhar cem” – parece ser atraente, mas é factual (MARTINEZ, 2012).
O púlpito da IURD transformou-se num balcão de negócios. Um local onde se pode barganhar com Deus, onde se compra bênçãos e milagres. Segundo Lopes (2004, p. 159), “exigem de seus fiéis uma obediência subserviente e cega. O resultado é que o povo de Deus perece por falta de conhecimento e de padrões”.
Seguindo Martinez (2012), a Teologia da Prosperidade “trata-se de uma substituição do Evangelho da Graça, pelo ‘evangelho’ da ganância”. Ainda segundo Martinez:
É comum ouvirmos da boca dos pregadores da prosperidade coisas do tipo: “Você é filho do Rei, não tem por que levar uma vida derrotada. Deus quer você seja rico, que tenha muito dinheiro… quem é pobre está fazendo a vontade do diabo… está vivendo em pecado… Um homem de Deus é rico!” A teologia da prosperidade une o fútil ao desagradável, ou seja, é uma mistura de ganância e comodismo. Os adeptos da teologia da prosperidade acham que nós temos direito de reivindicarmos o que quisermos de Deus, esquecendo da soberania divina (MARTINEZ, 2012).
Para refutar esses falsos ensinos, os versículos a seguir são úteis, pois a teologia da prosperidade promete ao cristão uma vida de prosperidade materialista, que pode leva-lo à ganância, esquecendo-se de viver uma vida equilibrada espiritualmente e moralmente.
​Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; ​mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam (Mateus 6:19-20, ARA, 2015).
Cristo ensina que devemos juntar nossos tesouros no céu, o que consiste em atos de obediência a Deus; não trata só de dar ofertas ou dízimos, é certo que, quando fazemos isso, estamos investindo no céu. Mas a nossa intenção ao praticar essas coisas, deve ser a de procurar cumprir a vontade e os propósitos de Deus em tudo que fizermos na terra, não só no que fizermos com o nosso dinheiro.
​De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento. ​Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. ​Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores. ​Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão (1 Timóteo 6:6-11, ARA, 2015).
Esta é a verdadeira chave para o crescimento espiritual e satisfação pessoal de todo o cristão: o contentamento. Honramos a Deus e concentramos nossos desejos nele, contentando-nos com aquilo que Deus está fazendo em nossas vidas. A maioria das pessoas ainda acreditam que o dinheiro traz felicidade. Pelo contrário, quanto mais rica a pessoa é, mais rica deseja ficar vivendo suas vidas num círculo vicioso até que, uma hora, pode terminar em ruína e destruição. O ensino de Paulo a Timóteo é que todas as riquezas uma hora irão desaparecer; que o homem deve contentar com o que tem; tomar cuidado com seus pensamentos acerca de adquirir mais dinheiro; amar as pessoas mais do que amar o dinheiro; amar as obras de Deus mais do que ao dinheiro; compartilhar o que se tem com os que nada tem.
É preciso saber a diferença entrenecessidade e desejo. Podemos ter tudo o que necessitamos para viver, mas temos desejos de querer mais e mais, ficamos ansiosos e descontentes. Portanto, podemos decidir estar contentes sem ter tudo o que queremos ou ser escravos de nossos desejos. A avareza é destrutiva, ela leva a toda sorte de maldades. A avareza causa problemas matrimoniais, roubos, disputas nas empresas. Precisamos saber controlar a avareza, cortando-a pela raiz. Para conseguir isso, devemos despojar-nos de qualquer desejo de nos tornarmos ricos.
​Então, lhes recomendou: Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui. ​E lhes proferiu ainda uma parábola, dizendo: O campo de um homem rico produziu com abundância. ​E arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei, pois não tenho onde recolher os meus frutos? ​E disse: Farei isto: destruirei os meus celeiros, reconstrui-los-ei maiores e aí recolherei todo o meu produto e todos os meus bens. ​Então, direi à minha alma: tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te. Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? ​Assim é o que entesoura para si mesmo e não é rico para com Deus (Lucas 12:15-21, ARA, 2015).
Uma vida boa não tem nada a ver com ser rico. Ao contrário do que diz a sociedade moderna, e dos milhões que os publicitários gastam para nos fazer acreditar que se adquirirmos mais bens, seremos felizes. O cristão deve aprender a desprezar a sedução das riquezas e se concentrar naquilo que é melhor para ele: a comunhão com Deus e com a igreja. 
O homem da parábola acima morreu antes de desfrutar de toda a sua riqueza. É correto planejarmos nossa aposentadoria, preparando-nos para viver uma vida tranquila antes de morrer. Mas atropelar a vida depois da morte é um desastre. O fato de acumular dinheiro somente para ficar rico, sem nenhuma preocupação em ajudar ao próximo levará a pessoa à eternidade de mãos vazias. De acordo com Martinez (2012), “foi comprovado, no último censo de 2006, que os evangélicos são os que mais contribuem com a sua religião, apesar disso, são os religiosos mais pobres do País.” 
Os ensinos da teologia da prosperidade não funcionam na prática. Se assim fora, seríamos o país mais próspero do mundo. Mas não é o que acontece. O ensino de Jesus é que nossa prosperidade não consiste na abundância dos bens que possuímos, mas em usar nossos bens para o Reino de Deus. a fé, o serviço e a obediência são as ferramentas que nos fazem ser ricos em Deus.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Por toda a Bíblia, há casos de milagres e curas realizadas pelo poder de Deus sobre a natureza, sobre pessoas e sobre doentes de diversas enfermidades. O primeiro sinal miraculoso descrito na Bíblia foi a trasladação de Enoque (Gênesis 5:24). De todos os patriarcas relatados neste capítulo, Enoque foi o único que não morreu. Foi trasladado, devido à sua fidelidade a Deus. Foi tirado por uma ação especial de Deus, por isso, esse é o primeiro milagre extraordinário relatado na Bíblia.
Pessoas eram curadas, ressuscitadas, a natureza mostrava sua ira através do poder de Deus; nações que se levantavam contra o povo de Deus eram derrotados, o Mar Vermelho se abriu para que o seu povo pudesse atravessar a pé enxuto; o Rio Jordão foi cortado para que a nova geração liderada por Josué pudesse entrar na Terra Prometida. Todos esses sinais miraculosos aconteceram de forma extraordinária pelo poder de Deus, para que sua glória pudesse ser admirada e o seu nome fosse exaltado acima de todos os deuses.
A finalidade desses sinais e maravilhas relatados na Bíblia era para que o povo exaltasse e glorificasse ao Deus Santo. Todas as provas que o cristão passa tem como único objetivo louvar e glorificar a Deus. Em vez de o crente murmurar, protestar e em outras ocasiões, jogar a culpa em Deus, ele deve aproveitar essa oportunidade de honrá-lo, através da oração. Deus produz o bem através das enfermidades e dificuldades que todo cristão passa. As experiências que todo cristão passa ensinam que devemos confiar unicamente em Deus, aumentando a nossa fé nele. 
Apesar de ser considerada algo negativo, tanto para os cristãos como para os gentios, as provações e dificuldades que os homens têm que passar podem ser transformadas por Deus em coisas boas, podendo ainda cooperar para o bem do cristão (Romanos 8:28). O mal faz parte deste mundo, e prevalece, mas é Deus quem pode mudar essas circunstâncias desfavoráveis em nosso favor. A oração é a força que o cristão usa para mover o poder de Deus em seu favor. Sem a oração, Deus nada fará, mesmo sendo ele poderoso para mudar as circunstâncias. Ele deseja provar a nossa fé. Por isso, necessitamos exercer o poder da oração da fé.
Porém, o poder da oração não pode ter como objetivo a satisfação de nosso ego. Nossa oração tem por finalidade testemunhar o poder de Deus e não o poder do homem. Por mais que homens que se dizem detentores do poder de curar arroguem para si o poder da cura, Deus é sempre o autor da cura. Ele não divide sua glória com ninguém. O objetivo final da cura não era o bem da humanidade; na época dos pais da igreja haviam muitos doentes e enfermos, e mesmo com a ação do Espírito Santo operando, nem todos foram curados, a exemplo do apóstolo Paulo. Então, o objetivo do dom de curar era unicamente promover o poder de Deus. Paulo tinha o dom de curar, e mesmo assim ele não se curou a si mesmo, nem curou seus cooperadores que tinham doenças (2 Timóteo 4:20), e recomendou a Timóteo que tomasse um pouco de vinho por causa do seu estômago (1 Timóteo 5:23).
Em Tiago 5:13-18 a oração tem outro propósito. Aqui a igreja é envolvida; pode ser que, pelo envolvimento da igreja na oração pela cura da enfermidade, essa enfermidade pode ter afetado a própria igreja. É a única passagem onde se recomenda a unção com óleo ou azeite. A oração com a unção do óleo ou azeite é também associada aos pecados. O pecado também é uma doença que afeta total ou parcialmente a igreja, por isso, além da oração da cura, recomenda-se também a confissão dos pecados.
Nos dias de hoje, a oração por cura perdeu totalmente o seu propósito, principalmente nas igrejas neopentecostais. Apregoa-se, por meio da TV, rádio, outdoors, sites da internet e redes sociais grandes campanhas de curas e milagres, como se isso fosse algo corriqueiro. Se é corriqueiro, tornou-se ordinário. O objetivo deixou de ser a glorificação, exaltação e louvor a Deus. A cura é o carro-chefe de muitas pregações na maioria das igrejas neopentecostais, em especial, na IURD e IMPD.
Pelo fato de a cura não ser filmada e de não haver testemunhas oculares no momento em que a cura foi realizada, fica uma dúvida na mente das pessoas mais esclarecidas e estudiosas da Bíblia. É comum surgirem do nada pessoas com relatos de curas de doenças sem nenhuma comprovação médica de que anteriormente a pessoa estivesse doente. É comum também haver pessoas de dentro dessas igrejas ao lado de pessoas supostamente doente, a fim de alardear que a pessoa foi realmente curada. O propósito desses milagres é, na verdade, para aumentar o marketing dessas igrejas e tornar conhecido o líder dessa igreja como aquele que opera sinais e maravilhas.
A comparação dos milagres operados na Bíblia, que são extraordinários, mesmo nos tempos de Jesus e dos apóstolos e os milagres e maravilhas operados pelas igrejas neopentecostais, que são ordinários, isto é, acontecem a todo instante, é que existe um enorme abismo entre eles. Não se questionam a veracidade desses milagres, nem se procuram conhecer a vida dos que foram curados. Os líderes dessas igrejas incutem medo em seus fiéis, de modo que creem e acreditam cegamente em tudo o que eles propagam de seus púlpitos.
Apesar dessas distorções, a igreja neopentecostal presta também apoio social a diversas classes de pessoas em situações calamitosas. Alguns membros mais abastados dessas igrejas, profissionais liberais e empresários, oferecem serviçosgratuitos aos membros de baixo poder aquisitivo. Por isso, a ênfase na prosperidade financeira de seus cultos também extrapola a esfera religiosa. Muitos dos líderes avançam no campo político, com a ajuda dos votos desses membros.
 
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WIKIPEDIA. Valdemiro Santiago. Wikipedia - A Enciclopédia Livre, s/d. Disponivel em: . Acesso em:14 Outubro 2018.became ordinary. In the exorcism held at the IURD leaders talk to demons, contrary to what the Bible teaches. The emphasis of preaching in the Neo-Pentecostal churches is financial prosperity but distorted from that prosperity taught in Scripture.
Keywords: Neopentecostalism. Prayer. Cure. Faith. Anointing.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO	11
CAPÍTULO 1 – O NEOPENTECOSTALISMO	16
1.1 Origem do Neopentecostalismo	16
1.2 Diferenças entre Pentecostalismo e Neopentecostalismo	17
1.3 Crenças, curas, pregações e práticas	18
1.4 A prática da oração neopentecostal e o uso de objetos ungidos	21
1.5 Breve Análise da Igreja Universal do Reino de Deus e da Igreja Mundial Poder de Deus.......................	22
1.5.1 Igreja Universal do Reino de Deus	23
1.5.2 Igreja Mundial do Poder de Deus	25
CAPÍTULO 2 - A PRÁTICA DA CURA EM TIAGO SEGUNDO A BÍBLIA	28
2.1 Exegese........	28
2.2 Particularidades da Pericope	28
2.3 Propósito.....	30
2.4 Peculiaridade	31
2.5 Análise Semântica	31
2.5.1 Texto Original	32
CAPÍTULO 3 - COMPARAÇÃO DOS ENSINAMENTOS DE TIAGO COM A CURA PRATICADA NAS IGREJAS NEOPENTECOSTAIS	37
3.1 Oração da fé pelos enfermos	38
3.2 A cura nas igrejas neopentecostais	39
3.3 Milagres na Bíblia e nas Igrejas Neopentecostais	41
3.4 Exorcismo...	44
3.5 Ênfase na prosperidade financeira	47
CONSIDERAÇÕES FINAIS	50
REFERÊNCIAS	53
INTRODUÇÃO
O presente trabalho tem como objeto de estudo a comparação entre os ensinos de Tiago e outros ensinamentos contidos na Bíblia com os ensinamentos da Teologia da Prosperidade, a prática da cura, os milagres lá realizados, a prática do exorcismo e a pregação sobre prosperidade, cujos fatos são comuns em algumas igrejas. Uma pessoa com reputação exageradamente mentirosa não pode conseguir aquilo que deseja em oração e muitos crentes, por mais fiéis que sejam, podem ficar doentes, passar por provações, dificuldades financeiras, perdas de entes queridos, passar por depressão dentre outros transtornos inerentes à nossa condição física.
Deus nos ama demais a ponto de evitar que os seus amados se exaltem sem medida; alguns pesos espirituais são enviados por Deus para que o orgulho espiritual seja derrotado. Deus nos envia os problemas para nos ensinar a orar. Ele insiste em nos enviar problemas para que continuemos insistindo em aprender a orar. Apesar de orarmos com fé, nem sempre Deus nos concede o que lhe pedimos. Muitas vezes Deus nos concede os pedidos em ira, mas também nega com amor.
Inicialmente, a presente obra destaca no Primeiro Capítulo o Neopentecostalismo, cuja origem se deu nas igrejas pentecostais e ocorreu no final dos anos 1970, fortalecendo-se na década seguinte. O despertar religioso do cristianismo se deu logo após a Segunda Guerra Mundial, nos Estados Unidos (SHELLEY, 2018). As igrejas neopentecostais são consideradas como a terceira onda do despertar do cristianismo nos dois últimos séculos.
Essa designação, “terceira onda”, foi cunhada por Peter Wagner em 1983, que disse que o Espírito santo estava vindo numa terceira onda com sinais e maravilhas (PORTELA, 2012). A maior característica de diferenciação entre as duas correntes é a compreensão da doutrina das Escrituras. Apesar de terem surgido do mesmo tronco histórico, o pentecostalismo clássico e o Neopentecostalismo possuem ênfases teológicas diferentes além de utilizar estratégias distintas na sua atuação no mundo e junto a seus fiéis (FERREIRA, 2013). 
Nas igrejas neopentecostais são comuns as práticas e conceitos duvidosos e antibíblicos, tais como guerra espiritual, mapeamento espiritual, regressão e quebra de maldições, mentorias opressivas e lideranças piramidais, retiros intensos onde ocorrem lavagem cerebral e coisas do gênero (MCALISTER; MCALISTER, 2018). 
Nos dias de hoje, igrejas neopentecostais são lideradas por aqueles que se autodenominam possuidores do poder de cura. Os proponentes da cura alegam que a cura foi proporcionada a todos pela expiação de Cristo na cruz, então, se Cristo levou sobre si todas as nossas enfermidades, claro está que a cura pode ser reivindicada pela fé que cada cristão possui dentro de si. A idolatria e a superstição por objetos ungidos são promovidas por esses líderes, fomentando grandemente o fanatismo religioso. Muitos sinais e prodígios são falsificados, surgem profetas com visões falsas, realizam-se milagres todos os dias em qualquer pessoa.
O Segundo Capítulo destaca a prática da cura em Tiago, segundo a Bíblia. Nossa sociedade é ávida por milagres sobrenaturais de tal maneira que as pessoas correm atrás de sinais sendo facilmente enganadas. Grande é o risco de a maior parte dos cristãos, que não se dão ao trabalho de uma leitura acurada das Escrituras e que não se propõem a estudá-la, de serem enganada pelo Anticristo, que fará sinais e prodígios, todos realizados pelo poder e energia de Satanás.
O Terceiro Capítulo faz uma comparação entre os ensinamentos de Tiago com a cura praticada nas igrejas neopentecostais, pois, com o surgimento dessas igrejas, ressurgiu também a prática do exorcismo, inicialmente, na igreja Universal do Reino de Deus, se espalhando pelas demais no decorrer dos anos. Para a Psicologia, a possessão demoníaca é a forma primitiva para descrever os diversos tipos de doenças e transtornos mentais. Não somos tão seguros para reconhecer a possessão demoníaca nas pessoas. Muitas pessoas possuem distúrbios mentais que podem ser destrutivos tanto para elas quanto para outras pessoas à volta.
Igrejas como a IURD, IMPD, Renascer em Cristo dentre outras, dão muita ênfase na prosperidade financeira em seus cultos, de modo que a parte principal da pregação é sobre dízimos e ofertas. Nas igrejas neopentecostais, especialmente na IURD, o homem foi colocado no trono, no lugar que deveria ser ocupado por Deus. O ensino de Jesus é que nossa prosperidade não consiste na abundância dos bens que possuímos, mas em usar nossos bens para o Reino de Deus. A fé, o serviço e a obediência são as ferramentas que nos fazem ser ricos em Deus.
Assim sendo, com a presente pesquisa, objetivam-se, para tanto, investigar as práticas, as orações, os objetos empregados, as curas, testemunhos e pregações nas igrejas neopentecostais, em especial a Igreja Universal do Reino de Deus e a Mundial do Poder de Deus. Além disso, o material utilizado para embasar os testemunhos e as pregações foi extraído do próprio site das referidas igrejas. Visa-se comparar os milagres e sinais extraordinários relatados na Bíblia, especialmente os ensinamentos de Tiago, com os milagres ordinários realizados nas igrejas neopentecostais dos dias de hoje, especialmente nas Igrejas Universal do Reino de Deus e Mundial do Poder de Deus.
Ademais, visa-se aumentar a compreensão acerca da oração praticada nas igrejas neopentecostais. Como objetivos específicos, argumentar, através da revisão de literatura, os problemas advindos dessa prática de oração; explicar, de forma sucinta as diferenças entre as diferentes igrejas; transcrever os depoimentos dos fiéis e curas realizadas nas igrejas Universal do Reino de Deus e Mundial do Poder de Deus. Serão analisados os milagres e sinais realizados no velho e novo testamento; assinalar a origem do pentecostalismo e neopentecostalismo; citadas as diferenças entre esses dois segmentos religiosos; sistematizadas as crenças, curas e milagres com o uso de objetos ungidos pelas igrejas pentecostais e neopentecostais; analisar exegeticamente e semanticamente o texto original de Tiago 5:13-18 e comparar exegeticamente os ensinamentos de Tiago com as curas praticadas nas igrejas neopentecostais mencionadas.
Nesse sentido, justifica-se demonstrar a prática de oração nas igrejas neopentecostais que se tornou importante como tema pelo fato de o modelo de oração ser diferente nas igrejas neopentecostais que em outras igrejas pentecostais clássicas e nas tradicionais. Teologicamente é prejudicial à fé cristã o fato de usarem elementos místicos como sal grosso, rosas ungidas, lenços umedecidos pelo suor do pastor, dentre outros. 
Na intenção de abordar o tema, “A Eficácia da Oraçãonas Escrituras”, o texto de Tiago 5.13-18 se revela promissor para dar início à argumentação acerca da visão Neotestamentária a respeito do assunto. Tiago menciona sete vezes a importância da oração. Ele diz: Se está sofrendo, ore, se tiver alguém doente, chamem os presbíteros da Igreja para que orem, se tiverem pecado que confessem uns aos outros e orem uns pelos outros para serem curados. Tiago afirma que a oração de um justo, ela é poderosa e eficaz. Com isso podemos ver o quanto a oração é importante na vida do cristão.
Doutrinariamente, as orações nas igrejas neopentecostais são contrárias aos ensinos bíblicos, por usar termos como “eu determino...”, “eu decreto...” e pela excessiva motivação egoísta, sem levar em conta a vontade de Deus. Busca-se trazer à tona as falácias doutrinárias que a prática da oração nas igrejas neopentecostais pode causar na fé dos cristãos, bem como mostrar as diferenças em relação às outras igrejas-irmãs pentecostais e tradicionais históricas.
Outrossim, serão destacadas explicações de fenômenos nas quais se pode constatar que não eram aceitos por outros pesquisadores, apesar de evidências, descobrindo, assim, novas ideias e hipóteses, pois por meio da pesquisa dessas duas instituições religiosas, em relação às suas curas, serão abordados alguns depoimentos e uma breve bibliografia de seus líderes, realizando uma comparação entra ambas.
Este trabalho foi elaborado através da pesquisa exploratória, que permite a realização de um estudo cujo objetivo é familiarizar e aproximar o autor ao tema da prática da oração nas igrejas neopentecostais. Esse tipo de pesquisa permite que se escolha técnicas adequadas para que o autor decida sobre questões que necessitem de maior atenção. Através dessa pesquisa foi possível obter explicações de fenômenos que não eram aceitos por outros pesquisadores, apesar de evidências, descobrindo assim, novas ideias e hipóteses. Foram escolhidas duas denominações, a Universal do Reino de Deus e a Mundial do Poder de Deus, com as suas curas, depoimentos e uma breve bibliografia de seus líderes, cuja abordagem utilizada foi a comparativa.
Este trabalho é fundamentado através de ideias e pressupostos de autores que conhecem a igreja neopentecostal, sua história e suas práticas, para tal abordagem, foi utilizada a pesquisa bibliográfica, cujos objetos de estudos foram livros, artigos acadêmicos, artigos de revistas e publicados na Internet. Dessa forma, o trabalho transcorreu a partir do método conceitual/analítico, uma vez que foram utilizadas as ideias de autores diversos, com pontos de vista diferentes entre si, mas que abordaram o tema da Igreja Neopentecostal de forma semelhante. 
Assim, a hipótese desta pesquisa pode ser formulada nos seguintes termos: “Quanto as igrejas tem distorcido o verdadeiro sentido da cura por meio da oração”. Por fim, o método de pesquisa escolhido é favorável para uma liberdade de análise para percorrer diversos caminhos do conhecimento, de forma que possibilite que se assumam vários posicionamentos na elaboração desse trabalho, assim não existindo uma única resposta para o objetivo deste trabalho.
CAPÍTULO 1 – O NEOPENTECOSTALISMO
O Neopentecostalismo teve sua origem nas igrejas pentecostais, e ocorreu no final dos anos 1970, fortalecendo-se na década seguinte. A principal igreja surgida nessa época foi a Universal do Reino de Deus, que foi fundada em 1977, com uma forte ênfase no exorcismo e na mensagem de prosperidade. Outros grupos carismáticos surgiram a partir do pentecostalismo e do Neopentecostalismo, bem como também do catolicismo. Deste último grupo, os carismáticos que davam ênfase ao falar em línguas como sinal do batismo no Espírito Santo. Já os renovados são oriundos das igrejas tradicionais e históricas, as quais geraram denominações derivadas tais como a Igreja Batista Nacional, a Igreja Metodista Wesleyana e a Igreja Presbiteriana Renovada (SOUZA, s/d.).
O prefixo “neo” indica que o movimento seja novo, recente. Segundo Araújo (2016, p. 47) “a absorção de experiências espirituais, colocadas acima dos parâmetros da doutrina bíblica, que é a base do pentecostalismo, produziu conceitos e ideias doutrinárias que não coadunam com a doutrina pentecostal autêntica”.
A ênfase desse trabalho será dada ao Neopentecostalismo, um movimento crescente nas últimas décadas. Segundo Nunes (2007), “o Neopentecostalismo é um fenômeno que tem chamado os pesquisadores à atenção”. Os dois maiores nomes do Neopentecostalismo são o bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e Apóstolo Valdemiro Santiago, dissidente da Universal e fundador da Igreja Mundial do Poder de Deus.
O despertar religioso do cristianismo logo após a Segunda Guerra Mundial, nos Estados Unidos. Segundo ele, a voz mais proeminente foi Billy Graham, que se tornou muito conhecido por pregar a milhares de pessoas em todo o País, nos estádios, nas transmissões de rádio e em programa de televisão (SHELLEY, 2018).
As igrejas que surgiram dessa terceira onda, classificadas como neopentecostais são a Igreja de Nova Vida, Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Internacional da Graça de Deus, Igreja Cristo Vive, Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra, Igreja Mundial do Poder de Deus e Renascer em Cristo, além de outras igrejas independente de pequeno porte (FERREIRA, 2017).
1.1 Origem do Neopentecostalismo
Para chegarmos à origem do Neopentecostalismo, será necessário voltar ao tempo, à história da igreja cristã. Segundo Mariano (1999a, p. 28) “houve três ondas do pentecostalismo brasileiro” A primeira onda abrangia as mais antigas denominações pentecostais, também chamadas de clássicas, criadas ainda na primeira década do século XX. 
A segunda onda foi considerada como o início do movimento da renovação carismática, denominada de neopentecostal, que teve início na década de 1950 e início dos anos 1960. Fazem parte dessa onda “as igrejas carismáticas independentes e cristãos que aceitaram os dons do Espírito Santo como válidos para os dias atuais, mas que permanecem como grupos renovados dentro de suas denominações não pentecostais” (MARIANO, 1999a, p. 28). 
 Quanto à terceira onda, que teve início na década de 1980, que, segundo Mariano (1999a), é a “mainstream church renewal”, nas quais inclui os evangelicais. Nas igrejas dessa terceira onda, pouca ênfase é dada no falar em línguas, porém, muito mais ênfase é dada aos “sinais, milagres, encontros de poder, mas permanecem em suas igrejas não pentecostais. Não se identificam como pentecostais ou carismáticos, nem se organizam como grupos renovados nas suas denominações” (MARIANO, 1999a).
Segundo Portela (2012), “a designação ‘terceira onda’ foi cunhada por Peter Wagner, em 1983, um dos proponentes do movimento de crescimento de igrejas”. Ainda segundo Portela, Wagner “escreveu que o Espírito Santo estaria vindo numa terceira onda com sinais e maravilhas”.
1.2 Diferenças entre Pentecostalismo e Neopentecostalismo
A diferença entre o Pentecostalismo e o Neopentecostalismo está na ênfase e na experiência, nas doutrinas que abraçam e nas peculiaridades mais intensas com as quais elas penetram em outras denominações. Segundo Portela (2012):
O neopentecostalismo tem em comum com o pentecostalismo, a ênfase na experiência, e muitas das doutrinas relacionadas com os dons extraordinários (operação de milagres, falar em línguas, novas revelações). O neopentecostalismo, entretanto, é caracterizado por cruzar os limites das denominações pentecostais, formando novas denominações com peculiaridades mais intensas e penetrando nas demais denominações (PORTELA, 2012).
A maior característica de diferenciação entre as duas correntes é a compreensão da doutrina das Escrituras. Portela (2012) afirma que “o pentecostalismo nunca chegou a soterrar totalmente a importância da Palavra e pontos de tensão foram resolvidos, em muitas ocasiões, com a primazia da própria Palavra”. Quanto ao neopentecostalismo, Portela (2012) esclarece que esta corrente abraçou vários ensinamentos próprios, muitos delessem respaldo bíblico e no neopentecostalismo, “é básica a adesão ao espetacular e extraordinário, como sendo características inerentes ao próprio exercício da fé cristã”.
Ferreira (2013, p. 23) acrescenta outras peculiaridades relacionadas ao neopentecostalismo em sua diferenciação com o pentecostalismo:
Suas principais ênfases são sinais e maravilhas, com fortes elementos mágicos; confrontos com poderes demoníacos (exorcismos) e manifestações emocionais fortes; ensino da prosperidade, que enfatiza que o estar bem com Deus é prosperar financeiramente; e a noção de “guerra espiritual” (FERREIRA, 2013, p. 23).
De acordo com Araújo (2016, p. 147), “a ênfase do neopentecostalismo são: a Confissão Positiva; a teologia da prosperidade, a Cura Interior; a Maldição Hereditária; o Cair no Espírito; a visão celular do G12; a visão de restauração apostólica”.
1.3 Crenças, curas, pregações e práticas
Apesar de terem surgido do mesmo tronco histórico, o pentecostalismo clássico e o Neopentecostalismo possuem ênfases teológicas diferentes além de utilizar estratégias distintas na sua atuação no mundo e junto a seus fiéis. Os “pentecostais clássicos e igrejas renovadas ensinam que o batismo no Espírito Santo é um evento que acontece depois da conversão e que é acompanhado do ‘dom de línguas’, o sinal de sua evidência” (FERREIRA, 2013, p. 762). 
Já as Igrejas neopentecostais dão ênfase aos dons espirituais, porém, de forma desordenada, pregam de forma enfática sobre bens materiais, prosperidade e riquezas, os cultos são centrados em milagres e curas sobrenaturais, shows de músicas denominadas gospel, influenciadas pelas variantes mais descontraídas da música popular (FERREIRA, 2017).
Segundo Graham (2009, p. 186), “as igrejas pentecostais mais antigas estão preocupadas porque nem sempre é possível ver uma mudança no estilo de vida entre os neopentecostais, o que eles têm por intrínseco a uma vida dirigida pelo Espírito”. Oto, apud Mariano, afirma que:
As igrejas neopentecostais são autóctones, têm líderes fortes e pouca inclinação à tolerância e ao ecumenismo, opõem-se aos cultos afro-brasileiros, estimulam a expressividade emocional, utilizam muito os meios de comunicação de massa, enfatizam rituais de cura e exorcismo, estruturam-se empresarialmente, adotam técnicas de marketing e retiram dinheiro dos fiéis ao colocar “no mercado religioso serviços e bens simbólicos que são adquiridos mediante pagamento” (MARIANO, 1999a, p. 35).
Nesse sentido, cabe destacar que, segundo Bledsoe (2011, p. 4), o Neopentecostalismo é “caracterizado por alguns elementos: a proeminência da teologia da prosperidade, uma ênfase extremada na guerra espiritual, a liberação dos usos e costumes e a redução dos laços fraternais entre os membros da congregação”.
Outra característica marcante das igrejas neopentecostais são os “desmaios pelo poder do Espírito Santo”, “sopro do Espírito Santo”, arrebatamentos, nos quais os fiéis relatam que fizeram viagens ao céu e ao inferno, aparecimentos de dentes de ouro e dons de riso, também chamada de unção de Isaque. De acordo com Ferreira (FERREIRA, 2013, p. 762):
O batismo no Espírito Santo, então, funciona primariamente para dar unção e poder ao crente, para que ele seja capaz de viver em vitória sobre o pecado, o diabo e as tentações. Os pentecostais acreditam que esse batismo proporciona outros dons sobrenaturais, como profecia, curas e capacidade de fazer outros milagres.
Segundo Lopes (2004, p. 221), “embora as igrejas neopentecostais tenham experimentado crescimento numérico explosivo, o liberalismo matou muitas igrejas no mundo, dispersando o rebanho de Deus”. O autor completa afirmando que “o liberalismo produz apostasia, enquanto o misticismo produz superficialidade”. De acordo com Pommerening (2017, p. 146), “o neopentecostalismo já criou seus anticristos, que proclamam que o reino já chegou materialmente”. Segundo o autor:
Trata-se de um reino que está esplendidamente cheio de promessas de riqueza e que já está na concretude da espoliação religiosa, da exploração de mentes e corações idólatras. Houve uma aliança perfeita entre a ganância do mundo capitalista expressa nos desejos do povo e na ganância por poder de líderes religiosos inescrupulosos que constroem grandes impérios de um reino idolátrico (POMMERENING, 2017, p. 146).
Em igrejas pentecostais e neopentecostais, o Espírito Santo é muito mencionado. No entanto, o Espírito Santo, nessas igrejas é tratado como a totalidade de Deus. Ferreira (2015, p. 67,68), dá uma dimensão dessa crença no Espírito Santo, quando relata,
O Espírito Santo é tratado como se fosse a totalidade de Deus. Mas, curiosamente, visto que o Espírito Santo é considerado separadamente do Pai e do Filho, o Espírito Santo é reduzido a uma mera energia impessoal nessas comunidades. Em algumas delas, influenciadas pela pregação da prosperidade, uma linguagem mágica orienta a devoção: o fiel “declara”, “toma posse”, “determina”, diz quais dons quer, diz como o Espírito tem de agir. Então, o Espírito é tratado simplesmente como um princípio abstrato, uma mera energia no culto dessas comunidades. Nós não temos o direito de fazer essas cessões, essas divisões. O nome do nosso Deus é o Pai, o Filho e o Espírito Santo, e é este que a Igreja confessa no Credo.
Em muitas igrejas neopentecostais, pastores iniciam seus cultos com frases do tipo “Eu determino...”, “Eu não aceito...”, “Eu ordeno...”; esta é uma forma por demais arrogante de se relacionar com o Senhor. Nessas igrejas a soberania de Deus é desafiada, pois os fiéis dessa igreja parecem querer informar a Deus como e quando ele deve fazer as coisas, o que Deus precisa fazer e o que ele deve fazer, como se Deus fosse um servo. Porte Jr. destaca que:
Não acredito que aqueles que se autodenominam evangélicos (embora esse termo esteja desgastado) e têm essa louca mania de querer mandar em Deus o façam com a noção do erro que estão cometendo. Essa maneira errada de tratar com o Deus soberano, para eles, é uma tentativa de buscar maior intimidade e comunhão com o Senhor. Eles creem, de fato, que Deus está obrigado aos homens, o que nada mais é do que um absurdo (e diabólico) desejo de querer mandar no soberano Deus do universo (PORTE JR, 2016, p. 12).
Nas igrejas neopentecostais, se entende que o possuidor de dons espirituais de curas tenha poder ilimitado. Mas, não é bem assim, pois “se uma pessoa está doente, pode buscar a cura, através da oração da fé. No entanto, Deus não está obrigado a atender todos os pedidos ou súplicas pela cura de nenhuma pessoa” (LIMA, 2014, p. 97). Lima, em outra obra, relata que nas igrejas neopentecostais:
Há verdadeiros “cultos aos anjos” em que pregadores, manipulando o auditório, dizem estar vendo anjos, que “o anjo chegou”, que “o anjo já se sentou na cadeira do meio” e outras invencionices, visando atrair as atenções e o emocionalismo dos que não conhecem as Sagradas Escrituras (LIMA, 2015, p. 24).
Além disso, são criadas, a cada ano, novas “unções”, nas quais os pastores alegam serem possuidores de poderes miraculosos e sobrenaturais. Lima continua:
Sem falar na apostasia de caráter moral e litúrgico em que crentes, mesmo em igrejas pentecostais históricas, fazem do culto um momento de exibicionismo e emocionalismo escandalosos, com demonstrações dos chamados “re-te-té” que depõe contra a ordem no culto e o bom nome do evangelho (LIMA, 2015, p. 24).
Segundo Mariano (1999b), “o neopentecostalismo transformou as tradicionais concepções pentecostais acerca da conduta e do modo de ser do cristão no mundo”. Assim, para os neopentecostais, ter um encontro com Deus significa gozar uma vida abastada, cheia de riqueza, bens e felicidade, além de contar sempre com a providência divina em qualquer circunstância, mesmo que seja para satisfação material. Mariano destaca:
De sorte que o crente neopentecostal, às expensas da tradicional postura sectária, ascética e contra cultural do pentecostalismo, pode estabelecer sólidos compromissos com o mundo, com seus valores hedonistas, com seus interessesmaterialistas e com seus prazeres (MARIANO, 1999b, p. 05).
Finalizando o tópico, nas igrejas neopentecostais é comum as práticas e conceitos duvidosos e antibíblicos, tais como guerra espiritual, mapeamento espiritual, regressão e quebra de maldições, mentorias, opressivas e lideranças piramidais, retiros intensos onde ocorrem lavagem cerebral e coisas do gênero (MCALISTER e MCALISTER, 2018). Assim, o neopentecostalismo é diferente do pentecostalismo pelo fato de aquele ter se distanciado do verdadeiro evangelho, que é o referencial primário da fé cristã.
1.4 A prática da oração neopentecostal e o uso de objetos ungidos
Na maioria das vezes, as orações pentecostais e neopentecostais são dirigidas ao Espírito Santo. Segundo James:
Há mais de cem anos que muitos cristãos oram diretamente ao Espírito Santo e O invocam pelo nome. As sementes dessa grande mudança na adoração cristã tradicional foram lançadas na Inglaterra, durante o século 19, e fincaram raízes nos EUA com o Reavivamento da Rua Azusa, em 1906. Isto inaugurou aquilo que veio a ser conhecido como Igreja Pentecostal, que por sua vez gerou diversas derivações, como o Movimento Carismático, o Movimento da Chuva Serôdia, o Movimento Videira, e assim por diante (JAMES, 2012, s/p).
As orações nas igrejas pentecostais e neopentecostais são perseverantes e específicas, de acordo com Batterson, (2012, p. 17), “quanto mais fé você tiver, mais específicas serão suas orações. E quanto mais específicas forem suas orações mais glória Deus receberá”. Em várias igrejas o orar em línguas é muito enfatizado. Assim, “há quem pense que o dom de variedade de línguas é sinal de verdadeira espiritualidade” (LOPES, 2008a, p. 225). Dessa forma, nas igrejas neopentecostais, um crente que não ora ou não fala em línguas não é um crente espiritual, passando a pertencer a uma segunda categoria.
Segundo o Apóstolo Valdemiro Santiago, “a oração forte é aquela que traz resposta, que toca o coração de Deus e traz resultado” (SANTIAGO, 2016). As orações feitas na Igreja Mundial Poder de Deus são fortes e, assim como na maioria das igrejas neopentecostais, as orações são firmes e fortes, emotivas e cheias de determinação.
Os neopentecostais oram muito alto, muitas vezes gritando. Suas orações giram em torno de libertação, cura, sucesso financeiro ou pessoal. Na maioria das vezes, com motivos egoístas. Não há nada de errado em orar por sucesso, saúde ou riquezas, o erro que se comete é o fato de orar por motivos errados, sem dar a devida glória a Deus, buscando primeiro saber se é da vontade dele ou não aquilo que se deseja. 
Por essa razão, muitas pessoas sofrem de depressão porque Deus não lhe atendeu seus pedidos. A pessoa que assim sofre sente que não tem fé suficiente para que Deus atenda seus pedidos. Isso lhes foi ensinado por seus líderes e pastores, algo contrário à Bíblia, que nos diz que Deus ouve as orações e atende conforme a sua vontade, independentemente do tamanho da sua fé. De acordo com Marinho:
Misticismo é o conjunto de normas e práticas que tem por objetivo alcançar uma comunhão direta com Deus. O problema é que quase sempre, os místicos são induzidos a prescindir da Bíblia e a se basear apenas em suas experiências. Este é um dos grandes problemas dos neopentecostais, pois eles colocam suas experiências acima da Bíblia e dão a ela uma interpretação particular fora dos recursos hermenêuticos (MARINHO, s/d). 
O uso de figuras, objetos e símbolos representativos das coisas espirituais é chamada de misticismo neopentecostal. Segundo Marinho (s/d), “essas coisas se estabelecem como pontos de contato e não passam de artifícios que roubam o lugar da fé e da eficácia da obra de Cristo”. O uso de objetos ungidos tornou se uma prática corriqueira nas igrejas neopentecostais. De acordo com Aquino (2015, p. s/p):
O Deus bíblico está sendo, literalmente, trocado por “coisas”: os objetos ungidos. Os objetos ungidos estão sendo apontados por muitos líderes evangélicos, de uma forma bastante sutil, como a solução de toda e qualquer adversidade. Atualmente, não há mais necessidade do Deus bíblico dentro de várias igrejas neopentecostais.
Aquino (2015, p. s/p) lista uma série de objetos e recomendações dadas por líderes carismáticos ou neopentecostais, dentre elas,
Está com alguma tribulação? Basta comprar a água ungida, cujo pingo é capaz de mudar a história da sua vida. O detalhe que vale a pena salientar é o seguinte: Para você adquirir um galão desta água ungida, você terá de desembolsar uma “ofertinha” que vai de cem a mil reais. Você precisa de uma benção de Deus? Então, deixe um líder de uma igreja neopentecostal enxugar o próprio suor com uma toalha sua e pronto: a toalha com sudorese (suor) trará a presença do homem de Deus para sua vida. Detalhe: a presença que muda a vida de alguém não é a de Deus? Vá explicar isto aos idólatras evangélicos que estão em peso nas igrejas neopentecostais.
Segundo Aquino (2015), há uma lista interminável de objetos e símbolos que os neopentecostais utilizam em suas orações e cultos. Nessas igrejas, “as pessoas são condicionadas a buscarem uma suposta solução de seus problemas através desses objetos ungidos, que não exigem nenhuma forma de mudança de vida”.
Assim como fez Gideão (Juízes 8:27), as pessoas acabam baseando sua fé em objetos. Nós não sabemos se Jesus ou os apóstolos usaram objetos em suas orações ou reuniões, isso não é relevante. O que é relevante é que “o ponto de contato dos verdadeiros cristãos é a fé em Jesus, pois ele é o único mediador entre Deus e o homem” (MARINHO, s/d, p. s/p).
1.5 Breve Análise da Igreja Universal do Reino de Deus e da Igreja Mundial Poder de Deus
Foram escolhidas as Igrejas Universais do Reino de Deus e a Mundial do Poder de Deus, para que se conheçam suas doutrinas, com a finalidade de se conhecer suas práticas, os métodos de oração, como se realizam as curas nas dependências dessas igrejas, suas crenças, sua abordagem na propagação da mensagem, objetos e amuletos utilizados na arrecadação de fundos. Para garantir a fidelidade das informações, serão utilizados estudos feitos por autores renomados e isentos, material produzido pelas próprias igrejas escolhidas, além de depoimentos de seus membros publicados nos mais diversos meios de comunicação.
A escolha dessas denominações se deu devido ao fato de se ter verificado um grande crescimento em suas fileiras, sendo elas concorrentes entre si e por travar uma batalha em cada cidade e em cada bairro por cada fiel e pela riqueza amealhada de seus líderes.
1.5.1 Igreja Universal do Reino de Deus
Esta igreja foi fundada em 1977, por Edir Macedo Bezerra, funcionário de uma loteria do Estado do Rio de Janeiro, onde trabalhou por 16 anos. Edir Macedo inicialmente frequentava a Igreja de Vida Nova, deixando-a para fundar a sua própria, cujo nome era Igreja da Bênção. Deixou o emprego público na Loteria Estadual, para se dedicar integralmente ao serviço religioso; neste mesmo ano, surgiu o nome Igreja Universal do Reino de Deus e seu primeiro programa de rádio, que serviu para difundir a doutrina da Igreja. Após uma passagem pelos Estados Unidos, retornou ao Brasil e transferiu a sede da igreja para São Paulo, onde comprou a Rede Record de Televisão (FERREIRA, 2017).
O início desta igreja se deu num antigo cinema, o Bruni Méier. Edir Macedo e Romildo R. soares foram consagrados pastores na Casa da Bênção, na cidade do Rio de Janeiro, pelo missionário Cecílio Carvalho Fernandes, posteriormente, saindo dali por causa de desentendimento. No dia 9 de julho de 1977, fundaram a IURD (ARAÚJO, 2016).
Edir Macedo Bezerra, convertido ao Cristianismo Evangélico aos 19 anos, é casado com Ester Bezerra, tem três filhos, Cristiane Cardoso, Viviane Freitas e Moysés Macedo. É autor de vários livros, os quais já venderam mais de 10 milhões de exemplares, tornando-o o autor com o maior volume de livros vendidos no Brasil. Em 1992, foi preso sob a acusação de charlatanismo, estelionato e curandeirismo, cujas acusações foram arquivadas por falta de provas, sendo postoem liberdade onze dias depois (WIKIPEDIA, s/d).
A revista Forbes o apontou como o pastor mais rico do Brasil, com um patrimônio de cerca de 1,1 bilhão de dólares, dos quais a maior parte provém da propriedade da Record, no entanto, Edir Macedo afirma não possuir participação nos lucros da empresa, e que seus proventos são oriundos dos direitos autorais da venda de seus livros e das ajudas de custo pagas pela igreja a seus pastores e bispos (WIKIPEDIA, s/d).
Os relatos a seguir foram extraídos do Portal Universal, página institucional da Igreja Universal do Reino de Deus, devidamente referenciados.
Cada mês que se passava acontecia alguma coisa: já tomei facada no peito, quebrei braço. Eu tenho que citar, porque são maldições. Nós estamos falando de maldições. Era isso o que acontecia.” As palavras acima são de Eduardo, que, ao lado de sua esposa Carla, enfrentou muitos problemas por causa da distância que estavam de Deus (CRUZ, 2018a).
Destaca-se a história de um cidadão de nome Renato que chegou a se viciar em Crack, tem seu depoimento cujo relato é que:
Renato, de 31 anos, teve uma infância envolvida em brigas familiares. Aos 13 anos, ele começou a se envolver com más companhias. Esse caminho o levou para o mundo do crime. O seu fundo do poço foi quando ele se tornou viciado em crack. A história de Renato é um exemplo de que apenas o Altíssimo pode promover uma transformação total e verdadeira na vida de uma pessoa (CRUZ, 2018b).
Algumas práticas realizadas nessa instituição religiosa são semelhantes às praticadas na Igreja Católica. De acordo com Rinaldi, a oração que é praticada nessa igreja, apesar de ser uma prática bíblica, é acompanhada de práticas pagãs, semelhantes às ligadas à Igreja Católica. “Novena é definida como ‘rezas feitas durante nove dias’, A Igreja Universal não emprega a palavra novena, emprega a palavra corrente” (RINALDI, 2015).
As crendices também fazem parte do cotidiano dos cultos da IURD. De acordo com Rinaldi (RINALDI, 2015), “no meio pagão, usa-se muitas superstições ou crenças mentirosas, para se alcançar resultados satisfatórios de problemas por que passam as pessoas que se veem enredadas por Satanás”. Os objetos usados pela Igreja Universal, em suas campanhas ou correntes, de acordo com Rinaldi são:
[...] a rosa ungida; óleo ungido; aliança ungida; sal ungido; lenço ungido; pó do amor; shampoo; sete grãos de milho colocados dentro de uma garrafa com água, guardá-la na geladeira, e tomar um pouco cada dia até 7 dias (para conversão da pessoa); alecrim; semente ungida, colocada no portão de casa, para prosperidade da família. Se a semente produzir, a família vai ser abençoada, se morrer, a família vai ser arruinada; túnel do amor (para casais serem mais estreitados no amor; galho de oliveira do monte Sinai; água do rio Jordão; areia da praia do mar da Galileia; folha da árvore da vida; óleo do monte das Oliveiras de Israel; vara de Jacó (RINALDI, 2015).
A Bíblia recomenda orar pelos enfermos conforme Tiago 5:14-16 e ungi-los em nome de Jesus, mas não recomenda ungir o local da enfermidade. “Como o obreiro ousaria colocar a mão numa parte íntima do corpo de uma irmã? (RINALDI, 2015). A Igreja Universal do Reino de Deus pratica a simonia, ou seja, o tráfico das coisas sagradas e espirituais. O fiel precisa contribuir para experimentar a abundante bênção de Deus para se libertar dos problemas e alcançar a prosperidade financeira.
1.5.2 Igreja Mundial do Poder de Deus
A Igreja Mundial do Poder de Deus foi fundada pelo apóstolo Valdemiro Santiago, na cidade de Sorocaba, interior de São Paulo. Inicialmente, reuniam-se no templo ele, sua esposa Franciléia e um pequeno grupo de membros. Atualmente, conta com mais de 6000 templos espalhados pelo Brasil e em algumas regiões do mundo, bem como de uma grande audiência de seus programas de TV. No início de sua operação, a igreja recebeu o nome de “Grande Templo de Milagres” (SILVA, s/d).
Atualmente, a sede da Igreja Mundial do Poder de Deus está estabelecida no Bairro do Brás, alternando as principais reuniões com o maior templo em atividade, conhecido como Cidade Mundial dos Sonhos de Deus, inaugurado em 2011, com capacidade para cento e cinquenta mil pessoas, num espaço de duzentos e quarenta mil metros quadrado, considerado como um dos cinco maiores templos do mundo (IMPD, s/d).
Valdemiro Santiago de Oliveira, nascido em 2 de novembro de 1963, atuou como Bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, até ser desligado do quadro de pastores, em 1998, por problemas com a liderança. Casado com Franciléia de Oliveira tem uma filha, Juliana Santiago. Sua fortuna é avaliada, pela Revista Forbes, em 220 milhões de dólares (WIKIPEDIA, s/d).
Os relatos a seguir foram extraídos do site da Igreja Mundial do Poder de Deus, devidamente referenciados. O próprio apóstolo Valdemiro Santiago, no site institucional da Igreja relata um livramento de Deus em sua vida, conforme relatado na página institucional da igreja:
Em 1996, após um acidente em um navio em Moçambique, na África, onde recebeu um grande livramento da parte de Deus que o permitiu sobreviver horas dentro de alto mar, o Apóstolo Valdemiro Santiago retornou ao Brasil disposto a iniciar o seu trabalho ministerial segundo a chamada de Jesus Cristo para com ele (IPMD, s/d).
Este relato, de Daniela Rodrigues de Jesus, mostra a cura de Marlene, uma senhora de Itatiba, no Estado do Espírito Santo, que havia sido diagnosticada com erisipela nas duas pernas. Segundo Marlene, “Eu vivi quinze anos nesta situação” conta a senhora Marlene, moradora de Itatiba do estado do Espírito Santo. Há quinze anos foi diagnosticada com erisipela nas duas pernas” (IMPD, s/d).
A fiel continua: “Os médicos disseram que corria o risco de precisar amputar as pernas”, revela fiel. Mas no momento de aflição ela soube que o Deus vivo poderia entrar com a provisão para esta causa. Enquanto ela esteve internada, a fé de seu esposo a moveu para participar de uma das reuniões nesta igreja, onde entregou sua causa a Deus. Ela continua: “Eu estava internada, e meu esposo veio até a Igreja Mundial do Poder de Deus, e trouxe uma fotografia minha, em um determinado momento do culto, ele deu a foto para o Apóstolo Valdemiro Santiago orar e no dia seguinte que ele me ligou, eu estava em casa, com a minha cura!”, diz Marlene. Hoje, Marlene ao lado de seu esposo, conta a grande transformação de vida. “Hoje estou curada, não tenho mais nada”, a fiel finaliza o testemunho: “O nosso Deus, pode lhe curar de qualquer doença! Deus abençoe o seu dia!” (IMPD, s/d).
A repórter do portal da Igreja Mundial do Poder de Deus, Daniela de Jesus publicou o relato de um milagre ocorrido na vida de um jovem morador do Bairro da Freguesia do Ó, relato este contado por sua mãe, “Eu ouvi da boca da médica que o caso do meu filho (leucemia) não tinha mais jeito”, diz a mãe Fábia (JESUS, 2018). Ela continua, “Quando íamos passar na imposição de mãos com o senhor (Apóstolo Valdemiro Santiago) eu falava para ele: ‘Jonas, quando chegar perto do Apóstolo, você pula no braço dele, porque ele vai lhe agarrar” (JESUS, 2018).
Assim, o jovem obedeceu a sua mãe e fez conforme ela o tinha instruído, a mãe continua: “E ele fez isso, ele pulou no seu braço, o senhor parou a fila e determinou a cura na vida do meu filho, e naquele momento Jonas disse: ‘mãe, estou curado”. A mãe, agradecida, pelo milagre na vida de seu filho, era só alegria, conforme consta na reportagem: “E a partir daquele dia, ele nunca mais teve, e hoje, é só gratidão, todos os dias eu e a minha família agradecemos a Deus por esta cura, e pela vida do senhor !” (JESUS, 2018).
Assim como na Igreja Universal, a Igreja Mundial do Poder de Deus também tem um ritualismo semelhante. Segundo Pacheco (2013), “um simples martelo de madeira pode custar até R$ 214,00”, pois se trata de um “propósito que os fiéis da Igreja Mundial do Poder de Deus pagam para conseguir bênçãos e milagres”.
Ademais, “propósito” é o nome dado ao pagamento feito pelos fiéis para qualquer outro tipo de objeto que, segundo osobreiros da igreja, prometem fazer milagres. Os objetos da liturgia da IMPD, segundo seus líderes, são simbólicos, são símbolos que testarão a fé dos fiéis. “São métodos litúrgicos da igreja: uma campanha para receber vitória em alguma situação vivida” (DANTAS e SANTOS, 2012).
Os outros símbolos da fé, que a IMPD utiliza em seus cultos, são copo de água, pão abençoado, o lenço ungido do Apóstolo Valdemiro Santiago, a toalha ungida pelo suor do apóstolo (IRMÃOS.COM, 2009). Segundo Dantas e Santos (2012), existem dias específicos de cultos para cada necessidade. Também existem estratégias de comunicação da igreja, com as quais a Igreja Mundial trabalha para se destacar o máximo possível de suas concorrentes. 
De acordo com Dantas e Santos (2012), essas estratégias são, 21 dias de Jejum de Daniel, nesses dias a igreja distribui livrinhos para que os fiéis anotem suas necessidades, para que o pastor ore durante os 21 dias da campanha; 21 semanas de Daniel, são distribuídos porta-retratos para que os fiéis coloquem a foto de familiares que precisa ser libertos de algum mal, pelos quais o pastor estaria orando pelo propósito, nessas campanhas, o fiel recebe um envelope dourado para que seja ali depositada a sua intenção, há um custo a contribuir pela graça alcançada; 7 sextas-feiras do milagre urgente: livrinhos de capa vermelha são entregues aos participantes, cada livrinho com sete folhas para cada dia pregado, normalmente sobre um milagre de Jesus. Em cada folha o fiel escreve aquilo que for urgente em suas vidas.
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CAPÍTULO 2 - A PRÁTICA DA CURA EM TIAGO SEGUNDO A BÍBLIA
Tiago menciona em um único parágrafo a palavra “oração” sete vezes. Aliás, no início e no final de sua carta Tiago faz uma oração. No capítulo 5, versos 13 ao 18, ele é mais enfático e nos encoraja a orar. Ele nos ensina nesses versos que não devemos nunca murmurar, seja na alegria, seja na doença. Ele nos encoraja a orar. Tiago ainda vai além. Ele nos ensina que, pela oração, Deus pode mudar as circunstâncias. A oração é uma balança que equilibra nossas vidas, podemos estar chorando ou celebrando. A oração traz força ao cristão. 
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2.1 Exegese
Tomando como base o texto de Tiago 5:13-18, aprendemos as particularidades da oração na vida do cristão: 
Está alguém entre vós aflito? Ore. Está alguém contente? Cante louvores. Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor; e a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados. Confessai as vossas culpas uns aos outros e orai uns pelos outros, para que sareis; a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos. Elias era homem sujeito às mesmas paixões que nós e, orando, pediu que não chovesse, e, por três anos e seis meses, não choveu sobre a terra. E orou outra vez, e o céu deu chuva, e a terra produziu o seu fruto (BÍBLIA, 1997).
O tratado sobre oração propõe um método a ser seguido: nos mostra qual é a verdadeira oração, nos mostra o que é orar com o Espirito, o que é orar com o Espirito e com entendimento, e finalmente fazer uma breve conclusão do tratado (BUNYAN, s/d). Lopes ensina que somente através de uma vida de oração nos tornamos cristãos maduros. Ensina que desperdiçamos tempo e energia quando tentamos viver uma vida sem oração. Tiago começa e termina sua carta com oração, encorajando-nos a orar (LOPES, 2006, p. 117).
Sobre a importância da oração para nossa vida, deve-se fazer uma oração, tudo deve e precisa servir ao aprofundamento de nossa comunhão com o Senhor. Estas obras serão muito úteis para a confecção deste projeto (GRÜNZWEIG, 2008).
2.2 Particularidades da Pericope
Moo (2011, p. 19) mostra que existem pelo menos quatro Tiagos citados nas escrituras, destacam-se cada um deles, para só depois, conhecer o autor mais provável. Moo, cita os quatro com algumas respectivas características: “Tiago, filho de Zebedeu (Mc 1.19); Tiago filho de Alfeu (Mc 15.40); Tiago, pai de Judas (Jo 14.22); Tiago, irmão de Jesus (Gl 1.19)”.
Moo (2011) afirma ainda que é provável que o autor tenha que ser alguém que fosse um pouco conhecido nas escrituras, alguém se destacasse, tenha feito algo de produtivo e que realmente possa ser visto como o autor da epístola. Segundo Carson et al. (1997, p. 454), “A Carta declara ter sido escrita por “Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo” (1.1) A ausência de maiores detalhes indica um Tiago bem conhecido”.
Moo (2011, p. 20) mostra os que mais se destacam são Tiago filho de Zebedeu e Tiago irmão de Jesus, os outros dois, existem poucos relatos deles nas escrituras, não fizeram muito ao ponto de marcarem a história. O Tiago, filho de Zebedeu, é pouco provável que tenha sido o autor, pois foi martirizado em 44 A.D. (At. 12: 2), e os historiadores não acreditam que a epístola tenha sido escrita neste período. Portanto o comentarista apoia que a epístola de Tiago, foi escrita por Tiago irmão de Jesus. Podemos observar na vida de Tiago que ele se destaca com muita fidelidade diante de Deus, Tiago era um cristão judeu devoto e piedoso, ansioso por manter um bom relacionamento com o judaísmo (BÍBLIA SHEDD, 1997)
É interessante ressaltar que, Champlin (2014, p. 06) diz que é improvável que tenha sido os outros Tiagos, que não o irmão de Jesus, as suas aparições são raras nos evangelhos, e uma pessoa com autoridade e personalidade forte que vemos no autor da epístola, é com certeza alguém que se destaca. Um líder da igreja. A carta possui um tom autoritário, e condiz bem com esta posição. Para fortalecer este pensamento, 
Gundry (2008, p. 571) afirma que, Tiago, irmão de Jesus foi chamado Justo por todos desde o tempo do nosso Salvador até o presente dia. Tinha o habito de entrar sozinho no templo, e com frequência era encontrado de joelhos, clamando perdão para o povo; seus joelhos se tornaram duros como os de um camelo. Tiago era praticante zeloso das leis mosaica (At 21.17-26) se ele realmente era líder e tinha voz ativa perante, reforça a ideia de sua autoria. 
Como se pode ver, Carson et al. (1997), Gundry (2008) e Champlin (2014), concordam com Moo (2011), afirmando ser Tiago irmão de Jesus o autor da epístola. Ele mostra como base a linguagem da epístola e sua forte tendência. Gundry (2008, p. 572) mostra que a carta de Tiago tem tom fortemente judaico, sobretudo o destaque conferindo a lei de Deus, harmonizando com o que sabemos de Tiago irmão do Senhor nos livros de Atos e Gálatas. Assim, Champlin (2014, p. 08,09) mostra que a autoria é tão indefinida, é difícil afirmarmos qualquer coisa, de forma absolutamente certa, sobre essas questões. 
Pinto (2014, p. 511,512) diz que uma data recuada para a carta é bem mais provável, se Tiago irmão de Jesus for mesmo o autor, pois Tiago morreu em 62. A ausência de referências a outro autor do Novo Testamento sugere que Tiago foi primeira epístola a ser escrita. A ausência a qualquer referência sobre o Concílio de Jerusalém empurra a data para antes de 49, Gundry (2008, p. 573,574) compartilha de opinião igual.
Moo (2011, p. 34,35) e Champlin (2014, p. 8,9) já tem muitas outras datas para esta carta não chegando assim a uma especifica, mas deixando mais próxima o ano de 45 a 48. Champlin (2014, p. 9) diz que não há maneira de determinarmos de onde foi escrita essa epístola, diz que alguns defendem Roma, outros Jerusalém, Alexandria e até Cesareia. O mais provável, segundo ele, é que tenha sido Jerusalém, há indícios na própria epístola que o autor estava familiarizado com a vida beira mar, que vivera em uma terra onde abundava azeite, a vinha e os figos. Que vivera em uma região onde a chuva e o estio era questão de vital importância. Tudo isso parece indicar a região da Palestina.
Moo (2011, p. 35,36) também acha mais provável que tenha sido na região da palestina e da Síria. Pinto (2014, p. 511) acredita ser Jerusalém, onde Tiago viveu maior parte de sua vida adulta. Pinto (2014, p. 512) nos mostra três destinatários diferentes o primeiro seria segundo ele o menosprovável, judeus salvos e não salvos; o segundo seria para a igreja sob designação antiga de povo de Deus, os não gentios, mas seria inapropriado pois muito da carta descreve seus leitores como gentios. E o terceiro e mais provável que a carta seria endereçada aos cristãos judeus que viviam fora da Palestina.
Gundry (2008) e Pinto (2014) também acreditam que a carta tenha sido escrita para judeus cristãos que viviam fora da Palestina. Champlin (2014, p. 9) expõe que alguns estudiosos argumentaram não haver um destino próprio para esta epístola. Afirma ainda que provavelmente eles estejam corretos, pois Tiago é uma epístola católica ou universal que sai à igreja cristã inteira. A referência sobre as doze tribos (Tg 1.1) pode ser reputado como “cristãos judeus”; mas a quem pense que pode ser “igreja cristã” e não povo de Israel.
2.3 Propósito
A epístola de Tiago é a menos doutrinaria e a mais pratica de todo o Novo Testamento. É um verdadeiro manual de conduta cristã, o que não diminui em nada seu valor comparado com outros textos mais teológicos. Segundo Pinto (2014, p. 513) Tiago possui várias características singulares com caráter homilético e exortativo é um dos livros de esboço e propósitos mais difíceis de determinar em todo o Novo Testamento. Mas podemos identificar vários subpropósitos na epistola embora não sigam uma ordem lógica. A epístola tem o propósito de encorajar, advertir, exortar, ensinar. Tiago nos encoraja a aplicar o cristianismo à vida diária, apresentando respostas adequadas às provas da vida real que confrontam seus leitores.
2.4 Peculiaridade
Uma das peculiaridades de Tiago é a oração. Segundo sua carta ele, gastava muito tempo em oração, ele ensinava seus leitores a importância da oração Na parte introdutória de sua carta, ele os exorta a pedir sabedoria a Deus (1.5-7). Quando ele os repreende por seu pecado de discutir e brigar, mostra que eles não receberam nada de Deus, porque pediram bens que desejavam usar para seus prazeres pessoais (4.2,3). E se há enfermidade, ou se foi cometido algum pecado, Tiago aconselha seus leitores a fazerem orações para que o enfermo seja curado e o pecado seja perdoado (5.14-16) (BÍBLIA SHEDD, 1997).
Tiago mostra que a oração autêntica deve basear-se na confiança e na fé em Deus. Deus só responde às orações quando se pede com fé. Em resposta ao pedido do crente, Deus concederá generosamente a dádiva da sabedoria, irá ao encontro de suas necessidades materiais e dará a cura aos enfermos. A oração daquele que é justo diante de Deus "é poderosa e eficaz" (5.16). Ele ainda nos mostra Elias, cujas orações influenciaram até o curso da natureza (5.17,18). Tiago ainda fala sobre a oração em outras passagens. Oração também é louvor. Tiago escreve que "com ela bendizemos ao Senhor e Pai" (3.9). A oração é aproximar-se de Deus (4.8) e humilhar-se perante o Senhor (4.10) (BÍBLIA SHEDD, 1997).
Tiago assemelha as palavras de Jesus sobre a questão da oração em sua epistola isto é inquestionável. Jesus ensina que a oração baseada na fé é capaz de mover montanhas (Mt 17.20; 21.21; Lc 17.6). Ele diz: "E tudo quanto pedirdes em oração, crendo, recebereis" (Mt 21.22). Hebreus, também enfatiza essa verdade. E ainda Paulo se expressa de uma forma direta dizendo: "Tudo o que não provém de fé é pecado" (Rm 14.23) (BÍBLIA SHEDD, 1997). 
2.5 Análise Semântica
Por análise semântica, entende-se a terceira fase para se verificar erros de semântica em textos compilados. O propósito da análise semântica neste trabalho é tratar uma entrada sintática, e transformá-la numa entrada simples, de forma a se adaptar ao leitor. O objetivo dessa análise é estudar as significações e comparações da escrita original de Tiago e sua significação para o português.
2.5.1 Texto Original
 Κακοπαθεῖ τιςἐνὑμῖν, προσευχέσθω· εὐθυμεῖτις, ψαλλέτω·
 ἀσθενεῖ τιςἐνὑμῖν, προσκαλεσάσθω τοὺς πρεσβυτέρους τῆςἐκκλησίας καὶ προσευξάσθωσαν ἐπ’ αὐτὸνἀλείψαντες αὐτὸνἐλαίῳ ἐντῷὀνόματι τοῦκυρίου.
  καὶ ἡ εὐχὴτῆς πίστεωςσώσειτὸνκάμνοντα καὶ ἐγερεῖ αὐτὸν ὁ κύριος· κἂνἁμαρτίας ᾖ πεποιηκώς, ἀφεθήσεται αὐτῷ.
  ἐξομολογεῖσθε οὖνἀλλήλοιςτὰςἁμαρτίας καὶ εὔχεσθε ὑπὲρἀλλήλων, ὅπως ἰαθῆτε. πολὺἰσχύειδέησιςδικαίου ἐνεργουμένη.
  Ἠλίας ἄνθρωπος ἦνὁμοιοπαθὴς ἡμῖν καὶ προσευχῇ προσηύξατο τοῦμὴ βρέξαι, καὶ οὐκ ἔβρεξεν ἐπὶ τῆςγῆςἐνιαυτοὺς τρεῖς καὶ μῆνας ἕξ·
  καὶ πάλιν προσηύξατο, καὶ ὁ οὐρανὸς ὑετὸνἔδωκεν καὶ ἡ γῆ ἐβλάστησεντὸν καρπὸν αὐτῆς.
Verso 13:
Κακοπαθεῖ τιςἐνὑμῖν, προσευχέσθω· εὐθυμεῖτις, ψαλλέτω·“Está alguém entre vós aflito? Ore. Está alguém contente? Cante louvores.”
Sofrer- Aflito –– O termo grego (κακοπαθέω) - kakopatheo– Verbo derivado do substantivo (κακοπάθεια) - kakopatheia, significa enfrentar dificuldades: - estar afligido, suportar aflições (dificuldades), sofrer dificuldades. (Strong, verbete 2553).
Sofrendo, essa palavra visa descrever aqueles que sofrem por qualquer tribulação, aperto necessidade, privação ou enfermidade. O vocábulo grego (κακοπαθέω) - kakopatheo, sofrer infortúnio. Tal vocábulo se refere a calamidades de qualquer sorte, não sendo o contrário de (εὐθυία) - euthuia (bom animo) (CHAMPLIN, 2014, p. 101).
Oração – Ore – O termo grego (προσεύχομαι) - proseuchomai; orar a Deus. i.e., suplicar, adorar: - orar (fervorosamente, por), apresentar oração.
Da preposição para os (4314), para, e (εύχομαι) - euchomai (2172), desejar orar. Orar a Deus, oferecer oração: 1) no Novo Testamento, (προσεύχομαι) - proseuchomai é sempre dirigida a Deus, quer declarada ou sugerida (Mt 6.5-7; 14.23; Mc 1.35; Lc 3.21; At 6.6; 1Co 11.4; 1Ts 5.17; 1Tm 2.8; Tg 5.13,18). Segundo Strong, a maneira em que uma pessoa ora é expressada pelo dativo. (verbete 4336). ...faça oração... por quais razões? Porque a oração é um ato criativo, que pode solucionar problemas e trazer alegria; 2) porque a oração pode ajudar o indivíduo a mostrar se capaz de suportar suas tribulações; 3) porque a oração pode distrair a mente do crente de suas tribulações, tornando-o útil na intercessão pelos outros, ainda que própria condição não seja melhorada. Porque a oração é um exercício espiritual que melhora a qualidade espiritual da alma, ainda que o homem mortal continue a padecer sob circunstâncias adversas (CHAMPLIN, 2014, p. 102).
Verso14:	
ἀσθενεῖτιςἐνὑμῖν, προσκαλεσάσθω τοὺς πρεσβυτέρους τῆςἐκκλησίας καὶ προσευξάσθωσαν ἐπ’ αὐτὸνἀλείψαντες αὐτὸνἐλαίῳ ἐντῷὀνόματι τοῦκυρίου.
“... está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor;”
Doente – O termo grego (ἀσθενέω) - Astheneo, estar debilitado (de qualquer sentido): - estar adoentado, pessoa impotente, (estar) doente, (estar, ser feito) fragilizado. De modo mais especifico, estar doente, sofrer de alguma doença ou das suas consequências (STRONG, 2010, p. Verbete 770). 
Ungir com óleo – O termo grego (ἀλείφω) - aleipho de 1 (como partícula de ligação) e a base de (λείφαροϛ) - líparos; olear (com perfume): - ungir
Esfregar, cobrir, lambuzar, ungir. Os judeus não estavam acostumados somente a ungir a cabeça por ocasião das suas festas em sinal de alegria, como também a cabeça e os pés das pessoas a quem desejavam prestar uma honra especial. No caso das pessoas doentes, bem como dos mortos, eles ungiam o corpo todo (STRONG, 2010, p. verbete 218).
Óleo- os antigos consideram o azeite de oliva dotado de propriedades medicinais, contudo, nunca se pensou que o azeite é capaz de curar toda e qualquer enfermidade. Portanto sabemos que era usado meramente como sinal visível e tangível do poder de Deus; e os primitivos cristãos criam que o Senhor curaria o enfermo, quando assim fizessem, porque, com tal ação, confirmavam sua fé em Deus (CHAMPLIN, 2014, p. 103). 
Verso 15: 
καὶ ἡ εὐχὴτῆς πίστεωςσώσειτὸνκάμνοντα καὶ ἐγερεῖ αὐτὸν ὁ κύριος· κἂνἁμαρτίας ᾖ πεποιηκώς, ἀφεθήσεται αὐτῷ. “...e a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados.”
Fé – O termo grego (πίστις) - pistis significa, persuasão, crença, convicção moral, confiança em Cristo para a salvação; no sentidoabstrato, a constância em tal profissão de fé; por extensão, o sistema da verdade religiosa (Evangelho) certeza, crença, fé e fidelidade. Fé em Deus, com relação a Deus (STRONG, 2010, p. verbete 4102).
A oração da fé cura: isso é um fato porque a fé realmente encoraja o fluxo da energia curadora, de modo literal. Apesar da cura poder efetuar-se sem o concurso da fé, até mesmo quando a fé é impossível, da parte de quem está sendo curado (como no caso de cura de infantes, de pessoas inconscientes, ou do levantamento dos mortos), normalmente a fé é necessária para função real da cura. Além disso, deve haver fé da parte daqueles que curam, tal como da parte das pessoas curadas. Esse é um elemento que agrada a Deus, e ele honra de tal modo que dá a graça da cura, tornando-a eficaz em cada caso. Os anciãos dotados de tal dom, mostram fidelidade à sua missão e chamada, quando são impulsionados pela verdadeira fé (CHAMPLIN, 2014, p. 104).
Perdão – termo grego (ἀφίημι) - Aphiemi, deixar, soltar, cancelar, remir, perdoar. A soltura voluntaria de uma pessoa ou coisa sobre a qual alguém tem controle legal ou real (COENEN; BROWN, 2000, p. 1643-1648). Definição de Strong para perdão (ἀφίημι) - aphiemi, enviar adiante, chorar, perdoar, abandonar, deixar de lado, deixar, deixar sozinho, enviar para longe, remir, submeter-se a (STRONG, 2010, p. verbete 863). Segundo Champlin (CHAMPLIN, 2014, p. 104,105), tem que haver confissão dos pecados para haver o perdão, a falta de perdão ocasiona doenças tanto no físico quanto na alma. Os enfermos deveriam confessar seus pecados para serem curados.
Verso 16:
ἐξομολογεῖσθεοὖνἀλλήλοιςτὰςἁμαρτίας καὶ εὔχεσθε ὑπὲρἀλλήλων, ὅπως ἰαθῆτε. πολὺἰσχύειδέησιςδικαίου ἐνεργουμένη. “Confessai as vossas culpas uns aos outros e orai uns pelos outros, para que sareis; a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos.”
Uns aos outros o termo grego (ἀλλήλων) - allelon genitivo plural de (ἄλλοϛ) - allos (uma palavra primária; ‘outra”. Adjetivo, outro da mesma espécie, outro no sentido numérico) Forma do pronome recíproco (ἀλλήλους) - allelous, um ao outro, derivado de allos, outro. Um ao outro (STRONG, 2010, p. verbete 240).
Champlin (2014, p. 105) mostra que segundo o contexto, estão em foco os anciões, dotados do poder de cura. Tal ordem pode ter uma aplicação mais ampla, mas se deve tomar cuidado com os abusos como o confessionário onde se acredita que o sacerdote tem o direito de interceder em favor do pecador, absolvendo-lhe os pecados, e também dos protestantes que usam a confissão pública trazendo desgraça e desgosto aos cultos religiosos. A pessoa que prejudicou a outra faz bem em se aproximar da outra e confessar-lhe seu pecado. Assim receberá perdão tanto do homem quanto de Deus. 
Eficaz o temo grego (ἐνεργέω) - energeo significa, ser ativo, eficiente: fazer (ser) eficaz, fervoroso, ser poderoso, mostrar-se, trabalhar (eficazmente em), voz média: mostrar atividade, trabalhar, estar ativo, operar, a respeito apenas de coisas. No part., (ἐνεργουμένη) - energoumene como adj., em ação, eficaz “a oração feita” (STRONG, 2010, p. verbete 1754).
Champlin (2014, p. 105,106) mostra que a oração só é eficaz quando feita por um justo, sendo de extrema importância o desenvolvimento espiritual, a santificação e a transformação do crente a imagem e semelhança de Cristo. A oração só é eficaz quando o enfermo confessa e abandona o pecado, sendo eficaz somente se empregada com bom propósito e diligência. Tanto quem promove a ação quanto quem recebe a ação tem que ser retos. 
Justo (δίκαιος) - Dikaios, temo grego significando, equitativo em caráter e atos; por implicação, inocente, santo absoluto ou relativo; justo, adequado, reto Adjetivo de (δίκη) - dike reto, justo. Reto no sentido físico: semelhante, nivelado, igual, exatamente como deveria ser ajustado, apropriado, bom. Nas páginas do Novo Testamento este adjetivo acaba assumindo um sentido moral: reto, justo referindo-se a pessoas (STRONG, 2010, p. verbete 1342).
Assim, “[...] muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo...” os rabinos também pensavam assim na enciclopédia judaica eles declararam que a oração do justo se comparava a um gadanho; dizendo que assim como gadanho modifica a posição do trigo, a oração muda a disposição de Deus fazendo com que Ele passe da ira para a misericórdia. O poder de Deus é manifestado através do justo. A oração sendo um ato criador capaz de mudar circunstâncias só encontra eficácia através do justo que se torna vaso para manifestação do poder de Deus, nunca através de instrumentos defeituosos. Sendo assim a oração da cura só é eficaz se administrada por anciões verdadeiramente justo. Toda oração feita por um crente justo pode fazer muitas coisas além da cura (CHAMPLIN, 2014, p. 105).
Verso 17:
Ἠλίας ἄνθρωπος ἦνὁμοιοπαθὴς ἡμῖν καὶ προσευχῇ προσηύξατο τοῦμὴ βρέξαι, καὶ οὐκ ἔβρεξεν ἐπὶ τῆςγῆςἐνιαυτοὺς τρεῖς καὶ μῆνας ἕξ· “Elias era homem sujeito as mesmas paixões que nós e, orando pediu que não chovesse, e, por três anos e seis meses, não choveu sobre a terra.”
Fervor (orou com oração) olhando para o termo grego (προσεύχη) - Proseuche de (προσεύχομαι) - proseuchomai; encontramos o significado, oração (adoração); portanto um oratório: orar fervorosamente, orar. Substantivo de (προσεύχομαι) - proseuchomai, oferecer oração. Oração, oração a Deus. No Novo Testamento sempre dirigida a Deus quer declarada ou sugerida (STRONG, 2010, p. verbetes 4335,4336).
Champlin nos mostra que Elias era um homem comum como qualquer um de nós, foi perseguido, passou fome, e temor, caiu em desgraça, tinha todas as restrições e empecilhos da natureza humana, mas venceu espiritualmente e se tornou um homem extraordinário e poderoso em suas orações. Ele orava com fervor e suas orações eram atendidas, pois era homem justo e reto. Ele aprendeu a usar o poder da oração (CHAMPLIN, 2014, p. 205).
Verso 18:
καὶ πάλιν προσηύξατο, καὶ ὁ οὐρανὸς ὑετὸνἔδωκεν καὶ ἡ γῆ ἐβλάστησεντὸν καρπὸν αὐτῆς. “E orou outra vez, e o céu deu chuva, e a terra produziu seu fruto.”
Céus (οὐρανός) – ouranos Termo grego usado para definir “céu”, que possivelmente se relaciona com a raiz indo-europeia que significa “água”, “chuva’, significa “aquilo que molha ou frutifica”. O adj. Relacionado (οὐρανός) - ouranos significa “aquilo que está no céu”, “vem do céu”, ou “aparece no céu”.
Nos períodos de seca, considera-se que os céus foram fechados por mandamento divino (BROWN e COENEN, 2000, p. 341-346). Segundo Strong (2010, p. Verbete G03772), céus, vem do termo grego ouranos, significa o céu por extensão; o céu, como morada.
Como se vê no estudo de Tiago a prática da cura se dá através da fé no Senhor, ele usa o ungir com azeite (ou óleo em algumas versões) apenas como uma confirmação de sua fé, não crendo no poder do azeite e sim no poder de Deus, para curar e libertar da escravidão do pecado, a fé aqui está em Deus, no poder de Deus e não nos objetos usados para esta cura. O azeite apenas tinha poder medicinal, o azeite servia também para ungir uma pessoa e consagrar, mas o poder de Deus não estava no azeite e sim no próprio Deus. Por isso a fé era muito importante e ainda é até hoje. A fé em Deus. 
CAPÍTULO 3 - COMPARAÇÃO DOS ENSINAMENTOS DE TIAGO COM A CURA PRATICADA NAS IGREJAS NEOPENTECOSTAIS
Uma pessoa com reputação exageradamente mentirosa não pode conseguir aquilo que deseja em oração. Em nossas orações, o cristão deve ser sempre sincero para que os outros possam crer e aceitar um “sim” ou “não” de Deus como resposta às suas orações e não se desesperar de modo que se tornem cristãos blasfemos. Tiago nos dá um exemplo excelente em sua carta:
Está alguém entre vós sofrendo? Faça oração. Está alguém alegre? Cante louvores. ​Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor. ​E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados (Tiago 5:13-15, ARA, 2015).
De acordo com Hernandes Dias Lopes (2006, p. 118), Tiago

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