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Ministério da Educação e Cultura – MEC Colégio Pedro II - Campus Realengo II Licenciaturas Integradas em Humanidades Produção Textual em Língua Portuguesa Prof. Dra. Fabiana dos Anjos Professor Dr. Marcelo Pereira 2021 Seção I Resenha: aspectos fundamentais, conceitos e tipologia. ❑estrutura retórica do texto. APRESENTAR---DESCREVER---AVALIAR----(NÃO) RECOMENDAR A resenha acadêmica... “A resenha é, portanto, uma atividade mais complexa, porém torna-se mais fácil quando o hábito de fazer fichamentos e resumos são familiares ao pesquisador”. FRANCELIN, Marivalde Moacir. Fichamento como método de documentação e estudo. In: SILVA, José Fernando Modesto da ; PALETTA, Francisco Carlos. (Orgs.).Tópicos para o ensino de biblioteconomia: volume I. São Paulo: ECA-USP, 2016. Segundo MARIVALDE FRANCELIN Assim, para a autora... ✔ “O fichamento é o primeiro passo na realização de uma pesquisa, portanto, quase sempre fazemos fichamentos, independentemente do tipo da pesquisa”. ✔ “O resumo é uma atividade, um exercício de raciocínio que visa entendimento e síntese de uma obra a partir de regras pré-estabelecidas ou não”. ✔ “Já a resenha é uma atividade de análise e síntese que permite maior elasticidade na abordagem, porém, exige, além das características já mencionadas, um certo domínio sobre assunto tratado na obra que está sendo resenhada”. Entre os três gêneros fundamentais do meio acadêmico: A resenha acadêmica... “resumo crítico redigido por especialistas com análise crítica de um documento” (NBR 6028:2003, capítulo 6). “relato minucioso das propriedades constitutivas de uma publicação em que aparecem, juntamente a essa parte descritiva, juízos valorativos sobre ela” (2019, p.162). Segundo a ABNT Segundo João Bosco Medeiros “gênero usado na academia para avaliar – elogiar ou criticar - o resultado da produção intelectual em uma área do conhecimento. (...) Por meio de novas publicações, o conhecimento na disciplina (as teorias e os autores em voga, o saber partilhado entre os pares, as abordagens adotadas, os valores consagrados) se reorganiza e as relações de poder, de status acadêmico se reacomodam” (2010, p.27-28). MOTTA-ROTH & HENDGES: A estrutura retórica de uma resenha acadêmica é o conjunto das suas etapas de elaboração ou movimentos retóricos. Seção II A estrutura retórica da resenha acadêmica Resenha do livro Geografia em Quadrinhos | Lima | Giramundo: Revista de Geografia do Colégio Pedro II (cp2.g12.br) Livro resenhado: David Harvey, geógrafo inglês e professor emérito de antropologia social na City University of New York (Cuny), é um dos grandes teóricos marxistas que tem buscado contribuir com novas formas de pensar a sociabilidade nas cidades. Seu trabalho mais recente – “Cidades rebeldes: do direito à cidade à revolução urbana” – consiste em uma crítica ao modelo capitalista de produção e possui um caráter quase de manifesto: uma reivindicação pela retomada do direito à cidade, um clamor por cidades que sejam rebeldes. As cidades são expressões das relações sociais que os homens criam, são reflexos de tantas vidas urbanas que se misturam cada uma a sua cultura e a sua história. Em pleno século XXI, seria difícil negar que é nas cidades que se concentram as energias do capital; no entanto, é nelas também que se travam as arenas de disputas sobre novas formas de sociabilidade. Os movimentos sociais urbanos que eclodiram a partir do avanço do neoliberalismo mundial são exemplos emblemáticos da indignação das pessoas diante do que a vida urbana representa nesse estágio do sistema capitalista. HARVEY, David. Cidades rebeldes: do direito à cidade à revolução urbana. São Paulo: Martins Fontes, 2014. Incluir a referência bibliográfica. Apresentar o tema (contextu-ali zar). Apresentar o/a autor(a). (Minibiogra-fia ) Julia Giles Wünsch Bacharela em ciências sociais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), e mestranda no Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas da UFRGS. Incluir dados d@ resenhista. Harvey organiza sua linha argumentativa em duas seções. Na primeira seção, apresenta uma reflexão acerca da acumulação capitalista e sua relação com os processos de urbanização. Realizando uma crítica ao marxismo tradicional, Harvey afirma que os processos de urbanização devem ser compreendidos dentro da teoria geral das leis que regem a circulação do capital. Desta forma, o autor elucida o papel ativo dos processos de urbanização na absorção dos excedentes inerentes à acumulação capitalista, demonstrando, através de três exemplos históricos, como a urbanização foi utilizada como forma de solucionar o problema econômico – absorção de excedentes –, e o problema social – desemprego – engendrados pelos processos de acumulação de capital. Descrever as partes que compõem o livro (seções, capítulos, etc.) e resumir as principais ideias nelas apresentadas O primeiro exemplo refere-se à crise de 1848 na Europa Central e Oriental, quando diversos movimentos revolucionários irromperam contra os regimes governamentais autocráticos e as desigualdades sociais e econômicas. Paris foi uma das cidades que mais sofreu os efeitos dessa crise, que resultou em uma repressão violenta dos revolucionários e no golpe de Estado de Luís Bonaparte. (...) O segundo exemplo empregado por Harvey diz respeito aos Estados Unidos no período pós Segunda Guerra Mundial. (...) Por fim, o terceiro exemplo remete à crise econômica de 2008. Na década de 1990, ocorreram diversas crises no mundo. No caso dos Estados Unidos, houve a quebra do setor de alta tecnologia, o que levou o mercado imobiliário a se tornar um importante estabilizador da economia americana. Na década seguinte, com a evolução dos sistemas de empréstimos, securitização de créditos e criação de subprimes, o mercado imobiliário passou a depender cada vez mais do sistema financeiro, o que resultou, em 2008, em uma “bolha” imobiliária que tomou proporções globais. Continuar resumindo os conteúdos, de acordo com a sequência do livro Passando a analisar a conjuntura mais atual, Harvey realça o caráter monopolista do capitalismo, afirmando que os processos de urbanização contemporâneos se realizam através da destruição criativa, no qual há um movimento homogeneizante das cidades a partir de formas secundárias de extração da mais-valia. Em outras palavras, o mercado imobiliário procura constantemente novos nichos de investimento, exercendo práticas como a expulsão e a desapropriação de áreas populares para dar lugar a shoppings, condomínios de luxo, butiques, etc. Desta forma, a expansão do processo urbano se realiza ao mesmo tempo na transformação do estilo de vida, criando cidades fragmentadas, onde aqueles com menor poder econômico e político ficam fadados a microcréditos e políticas habitacionais que se efetuam prioritariamente nas periferias. Como combater esses movimentos de espoliação urbana e econômica? Para Harvey, a saída deve ser através da reinvindicação do controle democrático sobre a produção e o uso do excedente. (...) Continuar resumindo os conteúdos, de acordo com a sequência do livro Seguindo com esta argumentação, na segunda seção do livro, Harvey passa a discutir os movimentos sociais urbanos mais recentes e a luta anticapitalista. Um ponto central, para Harvey, é identificar quem são os sujeitos revolucionários. Diferentemente do marxismo tradicional, que invoca como ‘classe trabalhadora’ exclusivamente os operários fabris, Harvey – alicerçado pelos estudos de Lefebvre – afirma a necessidade de ampliação desse conceito, incorporando todos trabalhadores que produzem e reproduzem a vida urbana. O autor vai mais além, defendendo que “as lutas dos trabalhadores contra a recuperação e a realização da mais valia nos espaços em que eles vivem devem ter o mesmo status das lutas nos diferentespontos de produção da cidade” (p. 250) Continuar resumindo os conteúdos, de acordo com a sequência do livro O livro Cidades Rebeldes nos apresenta a visão contundente e inspiradora de David Harvey acerca do futuro das cidades. Trata-se de uma leitura essencial para aqueles que participam de movimentos sociais, pois ao longo de seu texto se encontram inúmeras sugestões de formas de organização e de ações que sejam críticas ao sistema capitalista. Para aqueles com interesse estritamente acadêmico, o livro apresenta uma análise histórica rica que consegue articular de forma envolvente os conceitos marxistas. Mais do que isso, porém, o trabalho de Harvey é leitura recomendável para todo cientista social que, independentemente de seu tema de estudo, queira compreender os processos contemporâneos de acumulação capitalista. Indicar o público alvo. Destacar os pontos positivos/neg ativos. Recomendar/ Não recomendar. CONSIDERAÇÕES RELEVANTES SOBRE A ESTRUTURA RETÓRICA DAS RESENHAS ACADÊMICAS ❑ As resenhas não possuem estrutura retórica rígida, ao contrário, são muito flexíveis e sua estruturação também depende das especificidades das áreas do saber. Por exemplo, em Química há regular presença de tabelas e gráficos sobre os quais os resenhistas opinam. Em muitas resenhas, alguns dos movimentos retóricos podem ficar subentendidos (como a recomendação) ou, simplesmente não aparecer (descrição “capítulo a capítulo”, por exemplo, sendo preferida por uma descrição mais global da estrutura da obra) ❑ Em muitos casos, a descrição pode ocorrer nos mesmos parágrafos que a avaliação, dependendo do estilo e da condução do resenhista. ❑ Na apresentação do autor, caso o resenhista tenha informações biográficas ou seja próximo dele, pode haver informes sobre curiosidades da vida pessoal desse autor, da relação entre o resenhista e o autor, ou ainda dados de entrevistas e documentários que ele já produziu: “Saramago conta que imaginou o livro a partir do título. Naturalíssimo, pois o título por si só é quase um gênero literário, aquele que trata do doppelgänger, do gêmeo maléfico” (apud MEDEIROS, 2019: p. 169) ❑ O resenhista pode, em sua avaliação e recomendação, citar fragmentos da obra resenhada; mencionar outras obras do autor e/ ou da área do conhecimento do qual ele é especialista para compor a sua argumentação. Isso depende da condução da análise. Nesses casos, o autor da resenha deve inserir o item “referências bibliográficas”, depois do término da resenha. LEIA MAIS! ❑Para que você observe todas essas variáveis na estrutura retórica do gênero resenha acadêmica, consulte, no material complementar, os links referentes a algumas resenhas acadêmicas para que você possa observar as variáveis que a estrutura retórica do gênero pode sofrer. (...) A conclusão do livro busca compreender uma ética da cidade a partir da rua Kantstrasse, em Berlim, lançando mão de toda discussão realizada ao longo do livro, e adicionando a experiência espacial e corporal do próprio autor. Essa rua, destaca ele, parece “condensar a ética da cidade” (p. 325). A sociabilidade, a diferença e indiferença, a coprodução entre urbanita e urbanistas reaparecem. As rupturas, causadas em parte pela Segunda Guerra Mundial, as formas urbanas produzidas, as irregularidades, incompletudes e variações temporais, deram a esta rua um sentido de abertura, não obedecendo às intenções originais de sua produção (tal qual a Paris de Haussmann, que resultou em formas de apropriação do espaço urbano distintas daquelas que estavam no planejamento original). É a evolução da própria forma urbana e sua apropriação ativa pelas pessoas, que propõe a ética de uma cidade aberta. (...) (...) “Novas Geopolíticas”, de José William Vesentini é, portanto, indicado não só a estudantes de Geografia, mas a pessoas de várias áreas de interesse uma vez que os conflitos na nova ordem mundial tenderão a ser, segundo os autores apresentados, de inúmeras vertentes: econômicas, culturais, ideológicas, políticas, religiosas. É um livro que abrange o interesse de estudiosos das Ciências Humanas em geral. É, antes de qualquer coisa, um livro de caráter filosófico, onde são apresentadas teorias a respeito do desenrolar das relações de poder no mundo durante o século XXI. (...) VESENTINI, José William. Novas Geopolíticas. São Paulo: Editora Contexto, 2013. O capítulo Outros Mundos utiliza-se de exemplos como a música, a matemática e outros para demonstrar que, a despeito de terem naturezas diferentes, todos permitem uma maneira física, ou seja, espacial de se pensar. Uma vez compatíveis a um raciocínio posicional, tais fenômenos também poderiam ser representados por um grafo (um desenho, tabela, gráfico, mapa etc.), que revelaria mais eficientemente seus atributos espaciais, favorecendo a visualização de seu jogo de relações e a conexão sistêmica que manteria com outras variáveis e fenômenos. Assim, mais do que confinada a um campo disciplinar, o autor defende que a Geografia seria uma forma de pensar e que quaisquer processos ou coisas passíveis de uma localização e posição, sujeitas a uma apresentação gráfica, constituiriam, assim, um quadro geográfico. No quarto capítulo (A ética do navio de cruzeiro, ou a tentação imunitária) os autores repensam propostas de planejamento que visam tornar territórios e sociedades imunes a eventos cada vez mais imprevisíveis, onde estratégias convencionais de adaptação com base em previsões, por mais sofisticadas que sejam, tornam-se frágeis e arriscadas. Nas palavras de Soubeyran (2000), trata-se de trabalhar no processo que permite nos imunizar contra o meio, para poder agir nele, porém sem ele (p.93). Construir, por exemplo, planos territoriais minimamente perturbados pelo clima. Haveria uma forte ressonância entre adaptação, autonomia e imunidade, num mundo cada vez mais preparado para viver apartações, separações, proteção contra o ambiente externo ameaçador. GÊNERO TEXTUAL RESENHA: TABELA DE CORREÇÃO COMPONENTE VALOR PONTOS COMENTÁRIOS Referência bibliográfica conforme ABNT 0.5 Nome e instituição do autor/ da autora 0.5 Parágrafo introdutório/Contextualização 0.5 Minibiografia do/a autor/a 0.5 Descrição da organização do texto-base 0.5 Resumo consistente das ideias principais 3.0 Comentários crítico-avaliativos (sem personalismo), utilizando conceitos da área. 2.5 Indicação do público-alvo 0.5 Recomendação ou não recomendação 0.5 Aspectos gramaticais (uso da norma padrão da L.P.) 1.0 TOTAL 10.0