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PROCESSO ADMINISTRATIVO 
AMBIENTAL 
 
2 
 
 
 
SUMÁRIO 
INTRODUÇÃO ...................................................................................................................... 4 
INFRAÇÃO AMBIENTAL ...................................................................................................... 6 
Poder de Polícia ................................................................................................................. 6 
O auto de infração ambiental ............................................................................................ 7 
Auto de infração e termo de embargo ............................................................. 9 
Requisitos do auto de infração ambiental ....................................................................... 9 
Competência para lavrar o auto de infração ................................................................. 10 
Competência para julgar o auto de infração ................................................................. 11 
Infração ambiental nos Estados e Municípios ............................................................... 12 
RESPONSABILIDADE AMBIENTAL .................................................................................. 13 
Tríplice responsabilidade ............................................................................................... 13 
Responsabilidade administrativa subjetiva ................................................................... 15 
Nexo causal ..................................................................................................................... 15 
FASES DO PROCESSO ADMINISTRATIVO ...................................................................... 17 
Atos preparatórios na fiscalização ambiental ............................................................... 18 
Lavratura do auto de infração ambiental ....................................................................... 19 
Indicação do valor da multa aberta ................................................................ 21 
Circunstâncias majorante e atenuantes ........................................................ 22 
Notificação do autuado ................................................................................... 23 
Audiência de conciliação ambiental .............................................................................. 25 
Opções do autuado após a audiência de conciliação .................................. 29 
Defesa administrativa...................................................................................................... 30 
Fase instrutória................................................................................................................ 31 
Julgamento em 1ª instância ............................................................................................ 33 
Agravamento da multa por reincidência ........................................................ 35 
Recurso administrativo ................................................................................................... 35 
Pedido revisional e extinção da punibilidade ................................................ 37 
REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 39 
 
3 
 
 
 
 
NOSSA HISTÓRIA 
 
A NOSSA HISTÓRIA, inicia com a realização do sonho de um grupo de 
empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação 
e Pós-Graduação. Com isso foi criada a INSTITUIÇÃO, como entidade oferecendo 
serviços educacionais em nível superior. 
A INSTITUIÇÃO tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação 
no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. 
Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que 
constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de 
publicação ou outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma 
confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base 
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições 
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, 
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
Maria Garcia (2005) parte da afirmação que “o processo não pode significar o 
mero conjunto de atos, passo a passo realizados, como finalidades em si – o processo 
se constitui no veículo dos direitos de réus e de vítimas e da realização da Justiça 
[...]”, ressaltando que nessa realização da Justiça o Estado substituiu o ofendido, o 
que justifica a atuação do Poder Judiciário. A assertiva da autora ao considerar o 
processo como “veículo da afirmação do Direito”, é, o ponto de partida para a análise 
do processo na perspectiva constitucional. 
Também nesse sentido é a lição de Elio Fazzalari (2006), para quem o processo 
é “o procedimento do qual participam (são habilitados a participar) aqueles em cuja 
esfera jurídica o ato final é destinado a desenvolver efeitos: em contraditório, e de 
modo que o autor do ato não possa obliterar as suas atividades”. 
Processo, segundo o Dicionário Aurélio (1999), significa “[Do lat. processu] [...] 
Ato de proceder, de ir por diante; seguimento, curso marcha. [...] Pleito judicial; litígio.” 
O processo da mesma forma que o direito material ganha novos contornos quando 
suas normas elevam-se ao status de normas constitucionais. 
Cândido Rangel Dinamarco (2003, p. 26) expõe acerca do processo e a ordem 
constitucional que 
Generoso aporte ao aprimoramento do processo em face dos seus objetivos 
tem sido trazido, nestas últimas décadas, pela colocação metodológica a que 
se denominou direito processual constitucional e que consiste na 
“condensação metodológica e sistemática dos princípios constitucionais do 
processo”. A ideia-síntese que está à base dessa moderna visão 
metodológica consiste na preocupação pelos valores consagrados 
constitucionalmente, especialmente a liberdade e a igualdade, que afinal são 
manifestações de algo dotado de maior espectro e significado transcendente: 
o valor justiça. 
Assim, se a ideia de processo e ordem constitucional resguarda valores 
constitucionais como os referenciados pelo autor, como liberdade e igualdade, 
destaca-se, o pensamento de Friedrich Schiller citado por Roberto Del Claro (2009, p. 
29), que ao traduzir a ideia de liberdade como algo transcendente, considera que “o 
5 
 
 
 
que as mãos constroem, podem as mãos derrubar. Mas a casa da liberdade, esta nos 
foi erigida por Deus”. 
Reforça esse entendimento a conclusão de Elaine Harzhein Macedo (2005, p. 
142) que “o paralelismo entre o Estado e o homem na perquirição da Justiça está 
assentado no entendimento que a Justiça está no coração do homem, e o Estado que 
se afastar desse fim nega a sua própria razão de ser [...]”. 
A lição que se extrai do ensinado pela autora liga-se ao mencionado por 
Roberto Del Claro (2009), segundo o qual, “tão importante quanto o resultado do 
processo decisório é o modo como tal decisão é tomada”, referindo-se o autor com 
base na afirmação de Fritz Baur, que “o leigo se importa mais com um tratamento justo 
do que com um resultado justo”. 
Nesse sentido, as reflexões acerca do processo e suas garantias, ganham 
espaço na afirmação de Ângela Araújo da Silveira Espíndola (1998), para quem é 
impossível “cindir interpretação e aplicação ou direito material e processo” e ainda, 
“assumida a perspectiva hermenêutica, faz-se indispensável superar os dualismos 
próprios da metafísica, como essência-aparência, teoria-prática, palavra-coisa, 
questão de fato-questão de direito [...]”. 
Como afirma Willisacolhimento total ou parcial, rejeição ou 
complementação da referida proposta, que será parte integrante do ato decisório. 
Assim como na primeira instância, se o acolhimento não for total, a autoridade 
julgadora deve detalhar os fundamentados da sua decisão. 
Julgado o recurso, o autuado será notificado, por via postal com aviso de 
recebimento ou outro meio válido que assegure a certeza de sua ciência, para pagar 
37 
 
 
 
a multa no prazo de 5 dias, advertido de que o valor da multa será definitivamente 
constituído e incluído no Cadastro Informativo de créditos não quitados do setor 
público federal - Cadin, caso não haja pagamento, e em seguida remetido à 
Procuradoria-Geral Federal para inscrição em dívida ativa e cobrança judicial. 
Importante destacar que, apesar de o Decreto 6.514/08 prever que da decisão 
proferida pela autoridade superior caberá recurso ao CONAMA, no prazo de 20 dias, 
há somente duas instâncias no processo administrativo ambiental federal após a 
revogação do inciso III do artigo 8º da Lei 6.938/81, de modo que, o CONAMA não 
detém mais competência para decidir, como terceira e última instância administrativa 
em grau de recurso. 
Pedido revisional e extinção da punibilidade 
Como visto anteriormente, do julgamento em segunda instância não cabe mais 
nenhum recurso. No entanto, pode o autuado pleitear a revisão administrativa, desde 
que seja fundada em fatos novos ou circunstâncias relevantes suscetíveis de justificar 
a inadequação das sanções aplicadas. 
Neste caso, o pedido revisional é autuado em processo administrativo 
apartado, vinculado ao processo do auto de infração, competindo à autoridade 
julgadora que proferiu o último julgamento a apreciação da revisão, vedado o 
agravamento da pena. 
Na prática, se a decisão que impôs a sanção foi da autoridade de primeira 
instância e o autuado não interpôs recurso, acarretando no trânsito em julgado do 
processo, caberá a esta a revisão. Já se houve recurso, o pedido revisional deve ser 
dirigido à autoridade que decidiu em segunda instância. 
O pedido de revisão pode ser realizado a qualquer tempo. No entanto, se 
ultrapassados mais de 120 dias da ciência do julgamento definitivo pelo autuado, o 
pedido só será avaliado após manifestação do órgão de execução da Procuradoria-
Geral Federal. 
É claro que o autuado pode, ao invés de pedir a revisão, ou no caso desta ser 
negada ou indeferida, socorrer-se às vias judiciais com objetivo de derruir o auto de 
38 
 
 
 
infração contra si lavrado, inclusive com pedidos liminares para suspender as 
penalidades eventualmente impostas, até porque, às autoridades ambientais cabe o 
cumprimento das suas decisões e justamente por isso, têm advertido os autuados que 
o não cumprimento das obrigações que impuser pode acarretar multa de R$ 1.000,00 
a R$ 1.000.000,00, nos termos do artigo 80 do Decreto 6.514/08. 
Uma vez suspensas por ordem judicial, as obrigações somente terão eficácia 
após o trânsito em julgado do processo judicial, ou seja, após o esgotamento de todos 
os recursos, ou se revogadas durante o curso dele. 
Por fim, insta salientar que há causas que extinguem a punibilidade na esfera 
administrativa, tal como a prescrição da pretensão punitiva; a morte do autuado antes 
do trânsito em julgado administrativo, comprovada por certidão de óbito; a retratação 
do autuado, nos casos admitidos; e, a anistia. Nestes casos, não cabe recurso de 
ofício, pedido de revisão, nem gera reincidência. 
Contudo, ainda que seja extinta a punibilidade do infrator, remanesce à 
obrigação de reparar o dano na esfera cível. Em casos de desmatamento por exemplo, 
essa obrigação, lembre-se, imprescritível, será tanto do antigo como do atual 
proprietário, por força de sua natureza propter rem. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
39 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
ALEXY, Robert. Teoria dos direitos fundamentais. Tradução: Virgílio Afonso da 
Silva. São Paulo: Malheiros, 2008. 
BENATTI, José Heder. O meio ambiente e os bens ambientais. In: O Direito e o 
desenvolvimento sustentável: curso de direito ambiental. Organizador: Aurélio 
Virgílio Veiga Rios. São Paulo: Peirópolis; Brasília-DF: IEB – Instituto Internacional de 
Educação do Brasil, 2005, p. 206 
DEL CLARO, Roberto Benghi. Direção material do processo. São Paulo: Faculdade 
de Direito. 271 f. Tese (Doutorado em Direito) – Faculdade de Direito, Universidade 
de São Paulo, 2009. 
ESPÍNDOLA, Ângela Araújo da Silveira. Superação do racionalismo no processo 
civil enquanto condição de possibilidade para a construção das tutelas 
preventivas: um problema de estrutura ou função? (Ou: por que é preciso 
navegar em direção à ilha desconhecida e construir o direito processual civil do 
Estado Democrático de Direito?). São Leopoldo-RS: Universidade do Rio do Vale 
dos Sinos. 305 f. Tese (Doutorado em Direito) - Universidade do Rio do Vale dos 
Sinos, 2008. 
FARENZENA, Cláudio. Processo Administrativo Ambiental na Prática. E-book 3ª 
ed., 2021. 
FAZZALARI, Elio. Instituições de direito processual. 1ª ed. Tradução da 8ª ed. 
italiana: Elaine Nassif. Campinas-SP: Bookseller, 2006, p. 118-119. 
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Aurélio Século XXI: o dicionário da 
língua portuguesa. 3ª ed. rev. e amp. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 
GARCIA, Maria. A interpretação da lei como a interpretação da lei do cidadão comum. 
In: Revista de Direito Constitucional e Internacional. Coordenação: Maria Garcia. 
Publicação Oficial do Instituto Brasileiro de Direito Constitucional. Ano 13. Julho a 
setembro de 2005. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2005, nº 52, p. 48-49. 
GRINOVER, Ada Pellegrini. O processo em evolução. 2ª ed. Rio de Janeiro: Forense 
Universitária, 1998. 
GUERRA FILHO, Willis Santiago. Processo constitucional e direitos 
fundamentais. 4ª ed. rev. e ampl. São Paulo: RCS, 2005. 
MACEDO, Elaine Harzhein. Jurisdição e processo: crítica histórica e perspectivas 
para o terceiro milênio. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2005. 
MARINONI, Luiz Guilherme. Técnica processual e tutela dos direitos. São Paulo: 
Revista dos Tribunais, 2004. 
OST, François (a). A natureza à margem da lei: a ecologia à prova do direito. 
Tradução: Joana Chaves. Lisboa: Instituto Piaget. 1995. 
40 
 
 
 
SÉGUIN, Elida; CARRERA, Francisco. Planeta Terra: uma abordagem de direito 
ambiental. 2ª ed. revista. Rio de Janeiro: Lúmen Júris, 2001. 
SOARES, Guido Fernando da Silva. A proteção internacional do meio ambiente. 
Barueri-SP: Manole, 2003. 
TUCCI, Rogério Lauria. Constituição de 1988 e processo: regramentos e 
garantias constitucionais do processo. São Paulo: Saraiva, 1989. 
VASCONCELOS, Arnaldo. Direito, humanismo e democracia. 2ª ed. São Paulo: 
Malheiros, 2006 
YOSHIDA, Consuelo Yatsuda Moromizato. A efetividade da proteção do meio 
ambiente e a participação do judiciário. In: Desafios do Direito ambiental no Século 
XXI: estudos em homenagem a Paulo Affonso Leme Machado. Organizadoras: 
Sandra Akemi Shimada Kishi; solange Teles da Silva; e Inês Virgínia Prado Soares. 
São Paulo: Malheiros, 2005.Santiago Guerra Filho (2005) “[...] não há processo sem 
respeito ao efetivo contraditório”, reconhecendo o autor que o referido princípio, “mais 
do que um princípio (objetivo) de organização do processo, judicial ou administrativo”, 
afigura-se como “um princípio de organização do Estado, um direito”. Em outras 
palavras, “trata-se de um verdadeiro direito fundamental processual”. 
Ou, como diz Robert Alexy (2008) em comando aplicável tanto ao processo 
judicial como ao administrativo, os “direitos a procedimentos judiciais e administrativos 
são direitos a uma “proteção jurídica efetiva”. A efetiva proteção jurídica para o autor 
compreende, tanto o aspecto procedimental como o material, posto que devem 
produzir mais que decisões corretas, decisões justas, assim como veremos ao longo 
da disciplina. 
 
 
6 
 
 
 
INFRAÇÃO AMBIENTAL 
 A Lei Federal 9.605 de 12 de fevereiro de 1998, embora conhecida popular e 
imprecisamente por Lei dos Crimes contra o Meio Ambiente, trata de maneira 
simultânea e em partes diferentes do seu texto, de infrações penais e infrações 
administrativas, ou seja, não é exclusivamente penal, aplicando-se, sobretudo, os 
Capítulos I, II e III à responsabilização administrativa, no que for compatível. 
No campo das infrações administrativas, o legislador apenas estabeleceu 
condutas genéricas consideradas ilegais, bem como o rol e limites das sanções 
previstas, de modo que, a especificação de cada infração administrativa foi 
regulamentada pelo Decreto 6.514 de 22 de julho de 2008. 
De forma legalmente adequada, embora genérica, o artigo 70 da Lei 9.605/98 
prevê, como infração administrativa ambiental, “toda ação ou omissão que viole as 
regras jurídicas de uso, gozo, promoção, proteção e recuperação do meio ambiente”. 
É o que basta para, com a complementação do Decreto 6.514/08 cumprir o 
princípio da legalidade, que, no Direito Administrativo, não pode ser interpretado mais 
rigorosamente que no Direito Penal, campo em que se admitem tipos abertos e até 
em branco. 
As infrações ambientais podem resultar em sanções administrativas ─ que 
como a própria expressão já indica, devem ser impostas pela Administração Pública 
─, as quais são autônomas e distintas das sanções criminais cominadas à mesma 
conduta, estando respaldada no poder de polícia ambiental. 
 Poder de Polícia 
A Constituição Federal de 1988 prevê que as condutas e as atividades lesivas 
ao meio ambiente sujeitarão os infratores a sanções penais e administrativas, 
independentemente da obrigação de reparar os danos causados, impondo ao Poder 
Público a obrigação de defender e preservar o meio ambiente, por meio de ações 
preventivas ou por ações repressivas (multa administrativa, embargos, apreensão, 
etc.). 
7 
 
 
 
Assim, o poder de polícia ambiental pode e deve ser exercido por todos os 
entes da Federação, pois se trata de competência comum, prevista na Constituição 
Federal. É dizer que, a fiscalização das atividades nocivas ao meio ambiente concede 
aos agentes ambientais federal, estadual ou municipal designados para essa 
atividade, interesse jurídico suficiente para exercer seu poder de polícia 
administrativa, ainda que o bem esteja situado em área cuja competência seja de um 
município ou de um estado. 
Cumpre mencionar, que a Lei Complementar 140/2011 ─ onde definidas 
legalmente a atuação supletiva e subsidiária dos entes federativos ─, legitimou o 
exercício do poder de polícia ambiental por qualquer dos entes federativos com 
atribuição comum de fiscalização, fornecendo solução para eventual sobreposição de 
autuações, ou seja, a prevalência do auto de infração ambiental lavrado por órgão que 
detenha a atribuição de licenciamento ou autorização. 
É preciso lembrar que os autos de infração lavrados por fiscais competentes 
para o exercício da função gozam da presunção de veracidade e legitimidade, de 
modo que a sua desconstituição exige, do suposto infrator, a apresentação de 
substanciosos elementos de prova capazes de afastar a presunção gerada pelo 
documento público. 
 No entanto, o poder de polícia não subtrai ao agente autuante, a atribuição, o 
dever correlato de cumprimento, em sua plenitude, da legislação de regência, 
sobretudo, no preenchimento dos requisitos para lavrar o auto de infração, como 
veremos detalhadamente mais adiante. 
O auto de infração ambiental 
O auto de infração ambiental está previsto nos artigos 70 a 76 da Lei Federal 
9.605/98, e pode ser lavrado por agentes ambientais designados para atividades de 
fiscalização, contra pessoas físicas ou jurídicas, que, por meio de uma ação ou 
omissão, violem as regras jurídicas de uso, gozo, promoção, proteção e recuperação 
do meio ambiente. 
Trata-se de um documento público formal, atualmente lavrado por meio 
eletrônico, com a identificação do autuado; a descrição da infração administrativa 
8 
 
 
 
constatada; a indicação dos dispositivos legais e regulamentares infringidos; a 
imposição de sanções e a aplicação de medidas administrativas cautelares, tais como: 
i. advertência; 
ii. multa simples; 
iii. multa diária; 
iv. apreensão dos animais produtos e subprodutos da fauna e flora e 
demais produtos e subprodutos objeto da infração, instrumentos, petrechos, 
equipamentos, veículos e embarcações de qualquer natureza utilizados na infração; 
v. destruição ou inutilização do produto; 
vi. suspensão de venda e fabricação do produto; 
 vii. embargo de obra ou atividade e suas respectivas áreas; 
viii. demolição de obra; 
ix. suspensão parcial ou total das atividades, e, 
x. restritiva de direitos. 
É o auto de infração que inaugura o processo administrativo destinado à 
apuração da infração ambiental, assegurado o direito ao contraditório e ampla defesa, 
oportunidade na qual o autuado pode pagar a multa, oferecer defesa ou, requerer a 
conversão da multa em serviços de preservação, melhoria e recuperação da 
qualidade do meio ambiente, esta, quando cabível, pois nem todas as infrações 
administrativas são passíveis de conversão. 
Dois pontos merecem destaque: 
• O primeiro, é que a ocorrência de dano ambiental não é exigida para a 
lavratura do auto de infração ambiental, bastando que o infrator, por ação ou omissão 
infrinja a legislação ambiental. 
9 
 
 
 
• E o segundo, é que cópia do auto de infração, acompanhado de toda 
documentação pertinente, inclusive com o histórico de infrações do autuado é 
encaminhada para o Ministério Público apurar eventual crime ambiental e/ou ilícito 
civil. 
Auto de infração e termo de embargo 
 O auto de infração ambiental em âmbito federal é um documento formal 
lavrado por meio eletrônico pelo IBAMA e por algumas unidades do ICMBio. Outras 
unidades ainda utilizam o formulário impresso, até a implementação total do sistema. 
O auto de infração, quando eletrônico, é lavrado a partir de um aplicativo 
instalado no celular do próprio agente ambiental, conhecido como AI-e (ou Auto de 
Infração Eletrônico), assim como os termos de aplicação de medidas administrativas 
cautelares, tais como, termo de embargo e interdição, termo de suspensão, termo de 
apreensão, termo de depósito, termo de destruição, termo de demolição, termo de 
doação, termo de soltura de animais, termo de entrega de animais silvestres e termo 
de entrega voluntária. 
Através do aplicativo AI-e, é possível que o agente ambiental realize a coleta 
de evidências, faça a emissão de advertências, notificações, multas e termos. 
Ele também é capaz de gerar as ações de fiscalização baseadas nas ordens 
de fiscalização para cumprimento das operações realizadas em campo, e pode 
funcionar online e off-line, mas quando conectado à internet, realiza a sincronização 
entre o aparelho e as bases corporativas. 
Após lavrado, o agente ambiental pode imprimir o auto de infração ambiental e 
outros termos (se houver) in loco, a partir de uma impressora portátil, e os entregar ao 
autuado, ou,se não for possível, os envia por carta com aviso de recebimento ou outro 
meio válido que assegure a sua ciência. 
Requisitos do auto de infração ambiental 
O auto de infração ambiental deve conter os requisitos mínimos de validade, 
tais como, ser lavrado em formulário próprio, com a identificação do autuado, a 
descrição clara e objetiva das infrações administrativas constatadas e a indicação dos 
10 
 
 
 
dispositivos legais e regulamentares infringidos, não devendo conter emendas ou 
rasuras que comprometam sua validade. 
Também deve conter a descrição das circunstâncias que levaram à 
constatação da infração ambiental e à identificação da autoria, que se baseia na 
demonstração da relação da infração administrativa com a conduta do autuado, 
comissiva ou omissiva, e o seu elemento subjetivo, além do registro da situação por 
fotografias, vídeos, mapas, termos de declaração ou outros meios de prova, os 
critérios utilizados para fixação da multa, a identificação do dano ambiental e dos 
responsáveis pela reparação e quaisquer outras informações consideradas relevantes 
para a caracterização da responsabilidade administrativa, a qual veremos adiante, é 
subjetiva. 
Especificamente no caso de áreas irregularmente desmatadas ou queimadas, 
o agente ambiental autuante deve colher todas as provas possíveis de autoria e 
materialidade no ato da fiscalização, bem como da extensão do dano, podendo se 
apoiar em documentos, fotos e dados de localização, incluindo as coordenadas 
geográficas da área para posterior georreferenciamento. 
Mas nem sempre é possível ao agente ambiental colher todos os dados 
necessários à lavratura do auto de infração em campo. Desse modo, o auto pode ser 
complementado a posteriori, desde que não implique modificação do fato descrito no 
documento de autuação. 
O preenchimento dos requisitos para lavrar o auto de infração é fundamental, 
porquanto deve ser assegurado ao infrator ambiental o devido processo legal, com 
direito ao contraditório e à ampla defesa, com meios e recursos a ela inerentes, 
conforme expressamente previsto na Constituição Federal, na Lei 9.605/98 (artigo 70, 
parágrafo 4º) e Lei 9.784/99 (artigo 2º), de modo que, a descrição que omite 
informações importantes para o pleno exercício do direito de defesa é considerada 
vício formal e insanável que conduz à nulidade do auto. 
Competência para lavrar o auto de infração 
As autoridades competentes para lavrar auto de infração ambiental e instaurar 
processo administrativo são os funcionários de órgãos ambientais integrantes do 
11 
 
 
 
Sistema Nacional de Meio Ambiente - SISNAMA, designados para as atividades de 
fiscalização por ato normativo ou portaria. 
É o caso dos analistas e técnicos ambientais de que trata a Lei 10.410/02 ─ 
norma especial que cria e disciplina a carreira de especialista em meio ambiente, dos 
quadros do Ministério do Meio Ambiente, do IBAMA e do ICMBio ─, que atribuiu 
especialmente ao cargo de analista ambiental a prática da fiscalização, no exercício 
do poder de polícia ambiental, bem como, aos técnicos ambientais, estes últimos, 
porém, sob a condição de ser precedida por ato de designação próprio da autoridade 
ambiental à qual esteja vinculado, o que normalmente é feito através de portaria. 
Importante frisar que o IBAMA pode celebrar convênios com os Estados, 
Municípios e o Distrito Federal, para que estes possam exercer atividade de 
fiscalização ambiental, através de suas policias e demais servidores, desde que 
designados para esse fim. 
Em suma, qualquer funcionário de órgãos ambientais integrantes do SISNAMA, 
desde que designados para as atividades de fiscalização, mesmo que por portaria, 
são competentes para lavrar auto de infração e instaurar processo administrativo. 
Competência para julgar o auto de infração 
Em âmbito federal, uma equipe de instrução, composta por servidores do órgão 
ambiental autuante é a responsável por instruir, preparar e relatar processos de 
apuração de infrações ambientais, inclusive pedidos de revisão de sanções, para 
serem submetidos a julgamento pelas autoridades de primeira e segunda instâncias 
administrativas. 
À equipe de instrução não é competente para emitir a decisão final, mas tão 
somente elabora um relatório indicando o pedido inicial, o conteúdo das fases do 
procedimento e formula uma proposta de decisão, objetivamente justificada, 
encaminhando o processo à autoridade julgadora competente de primeira instância. 
Essa autoridade julgadora é o Coordenador Regional, no âmbito do Instituto 
Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - Instituto Chico Mendes, e, o 
12 
 
 
 
Superintendente Estadual, no âmbito do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos 
Recursos Naturais Renováveis - IBAMA. 
Já o julgamento do recurso hierárquico compete ao Presidente do órgão 
ambiental federal autuante, ou seja, Presidente do IBAMA ou do ICMBIo. 
Importante destacar que há somente duas instâncias no processo 
administrativo ambiental federal após a revogação do inciso III do artigo 8º da Lei 
6.938/81, de modo que, o CONAMA não detém mais competência para decidir, como 
terceira e última instância administrativa em grau de recurso, ou seja, o artigo 130 do 
Decreto 6.514/08 foi tacitamente revogado. 
Infração ambiental nos Estados e Municípios 
Na repartição constitucional de competências referentes à defesa e proteção 
do meio ambiente, o constituinte de 1988 atribuiu a todos os entes federados 
competência comum para proteger os documentos, as obras e outros bens de valor 
histórico, artístico e cultural, os monumentos, as paisagens naturais notáveis e os 
sítios arqueológicos; proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de 
suas formas e preservar as florestas, a fauna e a flora. 
Conferiu-se à União, aos Estados e ao Distrito Federal competência 
concorrente para legislar sobre florestas, caça, pesca, fauna, conservação da 
natureza, defesa do solo e dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e 
controle da poluição; proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e 
paisagístico e responsabilidade por dano ao meio ambiente, a bens e direitos de valor 
artístico, histórico, turístico e paisagístico. 
Embora não expresso pela Constituição Federal, os Municípios também são 
competentes para legislar sobre o meio ambiente em concorrência com a União, 
Estados e Distrito Federal, no limite do seu interesse local e desde que tal regramento 
seja harmônico com a disciplina estabelecida pelos demais entes federados. 
Sendo assim, os Estados e Municípios, para adequação aos procedimentos de 
fiscalização ambiental, podem estabelecer normas próprias para apuração de 
infrações administrativas ambientais por condutas e atividades lesivas ao meio 
13 
 
 
 
ambiente, além de instrumentalizar o devido processo legal para apuração das 
responsabilidades por infrações ambientais, com imposição das sanções, a defesa, o 
sistema recursal e a execução administrativa de multas ambientais. 
Todavia, a aplicação de sanções administrativas decorrente do exercício do 
poder de polícia, somente se torna legítima quando o ato praticado pelo administrado 
estiver previamente definido pela lei como infração administrativa. 
É dizer, somente a lei pode estabelecer conduta típica ensejadora de sanção. 
Contudo, admite-se que as infrações ambientais estejam previstas em atos infralegais, 
tais como, decretos, portarias e resoluções, desde que a lei faça a indicação. 
Se não houver tal indicação, haverá violação ao princípio da legalidade quando 
a conduta considerada como infração ambiental e a respectiva sanção se encontrarem 
fundadas de forma exclusiva em atos infralegais, quando deveriam constar na lei em 
sentido formal e material. 
Logo, ao receber um auto de infração ambiental lavrado por autoridades 
ambientais estaduais ou municipais, necessário analisar a validade da norma paraefeito de fundamentar a aplicação de penalidade administrativa, estando condenadas 
todas as penalidades oriundas de atos normativos que não se constituam em lei em 
sentido formal ou que contenham em seu bojo a indicação de que a tipicidade engloba 
diplomas infralegais. 
 
RESPONSABILIDADE AMBIENTAL 
Tríplice responsabilidade 
 O sistema constitucional brasileiro optou expressamente pela tríplice 
responsabilidade ambiental, nas esferas administrativa, civil e criminal, efetivada com 
a promulgação da Lei 9.605/98 que, repetindo o comando constitucional (artigo 3°), 
disciplinou e instituiu não apenas os crimes ambientais, mas também as infrações 
administrativas ambientais. 
14 
 
 
 
Na prática, significa que os causadores de danos ambientais, pessoas físicas 
e jurídicas, poderão ser punidos de forma independente nas esferas administrativa, 
cível e penal, sem que isso configure violação ao princípio do non bis idem, ou seja, o 
autuado pode ser punido mais de uma vez pela mesma conduta, desde que em outra 
esfera. Vamos explicar melhor. 
Na esfera administrativa, o infrator está sujeito as sanções de advertência, 
multa simples, multa diária, apreensão dos animais, produtos e subprodutos da fauna 
e flora, instrumentos, petrechos, equipamentos ou veículos de qualquer natureza 
utilizados na infração, destruição ou inutilização do produto, suspensão de venda e 
fabricação do produto, embargo de obra ou atividade, demolição de obra, suspensão 
parcial ou total de atividades e restritiva de direitos. 
Já na esfera cível, o infrator pode ser demandado, independentemente da 
existência de culpa, a indenizar e/ou reparar os danos causados ao meio ambiente e 
a terceiros, afetados por sua atividade ou conduta, o que geralmente acontece através 
de ação civil pública proposta pelos legitimados. Aqui, um ponto que merece destaque 
é que o degradador pode ser condenado tanto a reparação ou restauração do dano 
ambiental, como ao pagamento de indenização, ou ainda, nas duas ao mesmo tempo. 
 E por fim, o infrator que, de qualquer forma, concorrer para a prática da 
infração, prevista em lei como crime ambiental, inclusive o diretor, o administrador, o 
membro de conselho e de órgão técnico, o auditor, o gerente, o preposto ou 
mandatário de pessoa jurídica, que, sabendo da conduta criminosa de outrem, não 
impeçam a sua prática, quando poderiam agir para evitá-la, poderão ser réus em 
processo na esfera penal, cujo órgão acusador será o Ministério Público (Federal ou 
Estadual). 
Do que foi dito, conclui-se que, as infrações ao meio ambiente podem ter 
repercussão nas três esferas; que a sua apuração não é realizada pelo mesmo órgão; 
possuem consequências jurídicas diversas; e, estão submetidas a regime jurídico 
específico, embora se verifiquem alguns pontos em comum. 
15 
 
 
 
Responsabilidade administrativa subjetiva 
Como visto, a Constituição Federal prevê a tríplice responsabilidade ambiental, 
pela qual o causador de danos ambientais está sujeito à responsabilização 
administrativa, cível e penal, de modo independente e simultâneo. Na esfera cível, a 
responsabilidade por danos ambientais é objetiva, ou seja, se o Ministério Público 
propuser uma ação contra determinado transgressor, ele não precisará provar a culpa 
ou dolo do réu. 
Já para a aplicação de penalidades administrativas que resulta do poder de 
polícia dos órgãos ambientais, exige-se a comprovação do dolo ou culpa, por força da 
teoria da culpabilidade, ou seja, deverá ser comprovado o elemento subjetivo do 
transgressor, além da demonstração do nexo causal entre a conduta e o dano. 
 Desse modo, se não ficar demonstrado que o autuado tenha efetivamente 
praticado o ato ilícito descrito no auto de infração, além do nexo entre a conduta e o 
dano, não há que se falar em responsabilidade administrativa. 
Nexo causal 
Como visto, a responsabilidade administrativa por dano ambiental é subjetiva, 
de modo que, a autoridade competente pela fiscalização e lavratura do auto de 
infração deve comprovar a relação entre a conduta do alegado transgressor e o dano 
efetivamente causado. 
Essa comprovação é realizada através de uma operação denominada “nexo”, 
que nada mais é do que a união entre dois ou mais elementos que geraram um 
acontecimento, aqui compreendido como um dano, ou seja, como e de que forma a 
conduta do alegado transgressor contribuiu para o dano ambiental. 
Há infrações administrativas, que para sua configuração, a própria lei ─ neste 
caso o Código Florestal de 2012 ─ exige expressamente o estabelecimento de nexo 
causal para apuração da responsabilidade pela infração, a exemplo da infração de 
fazer uso de fogo sem autorização. 
É bem verdade que muitas vezes não se consegue comprovar o nexo de 
causalidade a fim de estabelecer a ligação da conduta do agente com o dano. Tal fato, 
16 
 
 
 
pois, não autoriza a lavratura de auto de infração ambiental, seja por “achismo”, 
“convicção pessoal”, ou porque o transgressor é o proprietário ou possuidor do local, 
bens ou animais objetos da infração. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
17 
 
 
 
FASES DO PROCESSO ADMINISTRATIVO 
As infrações ambientais são apuradas em processo administrativo próprio, 
instaurado de ofício a partir da lavratura do auto de infração ambiental, assegurado 
ao autuado o direito ao contraditório e à ampla defesa, além da observância aos 
princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, 
moralidade, publicidade, segurança jurídica, interesse público, impessoalidade, boa-
fé e eficiência. 
No processo administrativo também devem ser observados, dentre outros, os 
critérios de atuação conforme a Lei e o Direito; atendimento a fins de interesse geral; 
objetividade no atendimento do interesse público; atuação segundo padrões éticos de 
probidade; decoro e boa-fé; adequação entre meios e fins, vedada a imposição de 
obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente 
necessárias ao atendimento do interesse público; indicação dos pressupostos de fato 
e de direito que determinarem a decisão; observância das formalidades essenciais à 
garantia dos direitos do autuado; garantia à apresentação de alegações finais; à 
produção de provas e à interposição de recursos; e, interpretação da norma 
administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se 
dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. 
O autuado ainda tem o direito, sem prejuízo de outros que lhe sejam 
assegurados, de ser tratado com respeito pelas autoridades e servidores, que deverão 
facilitar o exercício de seus direitos e o cumprimento de suas obrigações; ter ciência 
da tramitação dos processos administrativos em que tenha a condição de interessado; 
ter vista dos autos, obter cópias de documentos neles contidos e conhecer as decisões 
proferidas; formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais 
serão objeto de consideração pelo órgão competente; e, fazer-se assistir, 
facultativamente, por advogado. 
E também possui deveres, como expor os fatos conforme a verdade, proceder 
com lealdade, urbanidade e boa-fé, não agir de modo temerário, e prestar as 
informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. 
18 
 
 
 
Os prazos do processo administrativo, como regra geral, são contados a partir 
da notificação pessoal do autuado ou de seu representante legal, por via postal com 
aviso de recebimento, por edital ou qualquer outro meio disponível que assegure a 
certeza da ciência do autuado. Os prazos são os seguintes: 
 
Vale destacar que no processo administrativo ambiental federal há somente 
duas esferas. A primeira é composta pelo Núcleo de Conciliação Ambiental da 
unidade administrativa onde se originou o auto de infração, responsável pela 
condução do processo administrativo na fase de conciliaçãoambiental. Também 
compõe a primeira esfera, a Equipe de Instrução a qual é responsável pela instrução 
do processo e elaboração de proposta de julgamento do auto de infração que é 
encaminhada para decisão da autoridade julgadora de primeira instância. 
 Já a segunda esfera ─ para a qual são encaminhados os recursos 
administrativos interpostos contra decisão da autoridade de primeira instância ─, 
também é composta por integrantes da Equipe de Instrução, os quais elaboram 
proposta de julgamento do recurso, cabendo a autoridade superior a decisão final 
(segunda instância). 
Nos tópicos seguintes, explicaremos detalhadamente cada fase do processo 
administrativo federal, desde a autuação até a execução das sanções ou extinção do 
processo. 
Atos preparatórios na fiscalização ambiental 
A fiscalização ambiental tem objetivo de prevenir ou imputar responsabilidades 
ou obrigações administrativas na ocorrência de danos ambientais ou no 
19 
 
 
 
descumprimento de legislação ambiental, mediante ações de fiscalização; solicitação 
de documentos, inclusive ao administrado, e certidões expedidas por órgãos da 
administração pública; elaboração de relatório de ações e laudos técnicos; ou, 
elaboração de relatório de fiscalização. 
O órgão ambiental também pode notificar o administrado se houver incerteza 
quanto à autoria, à materialidade ou ao nexo causal acerca de dano ambiental ou ao 
descumprimento de legislação ambiental, requerendo a apresentação de informações 
e documentos que contribuam para sua identificação e comprovação; quando da 
impossibilidade ou recusa de nomeação de depositário, para comunicação da 
proibição de remoção ou alteração dos bens apreendidos até que sejam colocados 
sob a guarda do órgão ambiental competente, confiados em depósito ou destinados; 
e ainda, se houver necessidade de adoção de providências especificadas pelo agente 
ambiental no momento da ação fiscalizatória ou posteriormente, para seu 
atendimento. 
Na hipótese de o administrado ser notificado e posteriormente ficar comprovado 
que não foram constatadas irregularidades, infrações ou danos ambientais, os atos 
preparatórios realizados são arquivados imediatamente após a elaboração do 
respectivo relatório de ações lavrado pelo agente ambiental. Situação diversa ocorre 
na hipótese de constatação de infração administrativa, como veremos a seguir. 
Lavratura do auto de infração ambiental 
Realizada a fiscalização ambiental e constatada a ocorrência de infração 
administrativa ambiental, o agente ambiental de fiscalização que elaborou o relatório 
de fiscalização lavra o auto de infração, em termo próprio e por meio eletrônico, com 
a identificação do autuado, a descrição clara e objetiva da infração administrativa 
constatada e a indicação dos respectivos dispositivos legais e regulamentares 
infringidos e a sanção cabível. 
Por ocasião da lavratura do auto de infração ambiental, o agente de fiscalização 
impõe as sanções necessárias e formalizando a aplicação de medidas administrativas 
cautelares, tais como, advertência; multa simples; multa diária; apreensão dos 
animais, produtos e subprodutos da fauna e flora e demais produtos e subprodutos 
20 
 
 
 
objeto da infração, instrumentos, petrechos, equipamentos, veículos e embarcações 
de qualquer natureza utilizados na infração; destruição ou inutilização do produto ou 
bem; suspensão de venda e fabricação do produto; embargo de obra ou atividade e 
suas respectivas áreas; demolição de obra; suspensão parcial ou total das atividades; 
e, restritiva de direitos. 
 Como se vê, o relatório de fiscalização pode ser um ato preparatório para a 
lavratura do auto de infração na esfera federal, e deve conter a descrição das 
circunstâncias que levaram à constatação da infração ambiental e à identificação da 
autoria; o nexo de causalidade entre a situação infracional apurada e a conduta do 
infrator identificado, comissiva ou omissiva; o registro dos meios de prova, evidências 
materiais, documentais ou testemunhais coletadas, aptos à demonstração das 
elementares do tipo infracional cometido e à dosimetria da sanção; os critérios e a 
dosimetria utilizados para a fixação da multa; a identificação clara e objetiva do dano 
ambiental; as circunstâncias agravantes e atenuantes; e todos e quaisquer outros 
elementos considerados relevantes para a caracterização da responsabilidade 
administrativa. 
Em ato subsequente a lavratura do auto de infração ambiental, o agente o 
encaminhará à autoridade hierarquicamente superior para, sucessivamente, sanear e 
instaurar o processo administrativo de apuração de infração ambiental, ocasião em 
que poderá apontar pendências, erros, vícios ou a necessidade de produção de 
informações ou documentos complementares, solicitando ao agente autuante, caso 
necessário, que faça as correções e complementações necessárias. 
Atendidas ou não as correções e complementações requeridas, a autoridade 
superior, se entender que é caso de continuidade do processo administrativo, o 
encaminha para o chefe da unidade da unidade administrativa ambiental federal do 
local da infração que será o responsável pela realização da notificação do autuado, e 
em seguida, envia o processo ao Nucam para o início da fase de conciliação 
ambiental. 
Vale observar, que após a abertura do processo administrativo, o chefe da 
unidade administrativa envia cópia dos autos para comunicação do Ministério Público 
e demais órgãos acerca da infração constatada. Assim, se o Ministério Público 
21 
 
 
 
entender que a infração configura crime ambiental, oferece a denúncia contra o 
infrator, e, ainda, pode ajuizar uma ação civil pública para reparação e indenização 
pelos danos ambientais. Essa tríplice responsabilidade decorre da Constituição 
Federal e não configura violação ao princípio do non bis in idem, ou seja, que ninguém 
pode ser julgado mais do que uma vez pela prática. 
Por fim, importante destacar que a análise do relatório de fiscalização é de 
suma importância para elaboração da defesa prévia, pois é nele que constam (ou 
devem constar) todas as informações necessárias para contrapor os argumentos que 
levaram o agente de fiscalização ambiental a lavrar a atuação. Por isso, é importante 
que o autuado tenha conhecimento de todas essas informações e possa contrapô-las 
no seu pleno exercício de defesa. 
Indicação do valor da multa aberta 
Como vimos, ao lavrar o auto de infração cabe ao agente autuante indicar as 
sanções aplicáveis, tal como o valor da multa aberta, deve obedecer ao mínimo 
previsto na Lei 9.605/98, o que na prática não acontece –, o qual deve observar a 
gravidade dos fatos, considerando os motivos da infração e suas consequências para 
a saúde pública e o meio ambiente e a capacidade econômica do infrator. 
A gravidade dos fatos considera os motivos da infração, se intencional (quando 
evidenciada a intenção do autuado em praticar a conduta, por ação ou omissão) ou 
não intencional (quando não evidenciada a intenção do autuado), bem como, as 
consequências para a saúde pública e para o meio ambiente. 
 Quanto à capacidade econômica do infrator, a indicação do valor da multa 
considera, na hipótese de infrator pessoa jurídica de direito privado, a sua receita bruta 
anual, segundo os critérios para fixação e cobrança da Taxa de Controle e 
Fiscalização Ambiental – TCFA, previstos no art. 17-D da Lei 6.938/81 (Lei da Política 
Nacional do Meio Ambiente). Já se o infrator for pessoa física, considera-se para fins 
de indicação de multa, o seu patrimônio bruto ou os rendimentos anuais constantes 
da Declaração de Imposto de Renda, considerando esta de baixa capacidade 
econômica quando a renda mensal seja inferior ou igual a dois salários mínimos. 
22 
 
 
 
Caso o agente autuante não disponha de informações para realizar a 
classificação da capacidade econômica do autuado, pode fazê-lo com base na 
capacidade aparenteverificada no momento da autuação, sendo permitido ao autuado 
requerer a reclassificação da sua capacidade econômica mediante comprovação 
documental, por ocasião da defesa. 
Circunstâncias majorante e atenuantes 
As circunstâncias majorantes e atenuantes relacionadas à infração são 
indicadas pelo agente de fiscalização no ato da lavratura do auto de infração e da 
elaboração do relatório de fiscalização, as quais serão apreciadas pela Equipe de 
Instrução e a autoridade julgadora, ainda que não indicadas pelo agente autuante, e 
podem ser afastadas quando incabíveis ou desacompanhadas de justificativa 
detalhada para sua aplicação. 
São consideradas como circunstâncias atenuantes, o baixo grau de instrução 
ou escolaridade do autuado; o arrependimento eficaz do autuado, manifestado pela 
espontânea reparação do dano, limitação significativa da degradação ambiental 
causada ou apresentação de denúncia espontânea; a comunicação prévia pelo 
autuado do perigo iminente de degradação ambiental; e, a colaboração com a 
fiscalização, está caracterizada pelo não oferecimento de resistência e o livre acesso 
às dependências, instalações ou locais de ocorrência da infração, bem como, a 
apresentação de documentos ou informações no prazo estabelecido. 
Assim, quando indicada a existência de circunstâncias atenuantes, a 
autoridade julgadora reduz o valor da multa, em percentuais que podem variar em até 
50%, e quando indicada a existência de mais de uma circunstância atenuante, será 
aplicada aquela de maior percentual de redução, e não poderá ser inferior ao valor 
mínimo cominado para a infração, quando a multa for aberta; e ao valor mínimo 
unitário cominado para a infração, quando a multa for determinada com base em 
unidade de medida. 
Por outro lado, há as circunstâncias majorantes, como, praticar a infração para 
obter vantagem pecuniária; ter coagindo outrem para a execução material da infração; 
concorrer para danos à propriedade alheia; atingir áreas sujeitas, por ato do Poder 
23 
 
 
 
Público, a regime especial de uso; em período de defeso à fauna; em domingos ou 
feriados; à noite; em épocas de seca ou inundações; com o emprego de métodos 
cruéis no manejo de animais; mediante fraude ou abuso de confiança; mediante abuso 
do direito de licença, permissão ou autorização ambiental; no interesse de pessoa 
jurídica mantida, total ou parcialmente, por verbas públicas ou beneficiada por 
incentivos fiscais; facilitada por funcionário público no exercício de suas funções; e, 
no exercício de atividades econômicas financiadas direta ou indiretamente por verbas 
públicas. 
A existência de circunstâncias majorantes causa o aumento do valor da multa, 
em percentuais que podem chegar em até 50%, e quando houver mais de uma 
majorante, será aplicada aquela de maior percentual de aumento, e não poderá ser 
superior ao valor máximo da multa cominado para a infração. 
Importante destacar que é vedado majorar ou atenua multas fechadas, bem 
como, majorar, na fase recursal, sanção decorrente de circunstância que não tenha 
sido apreciada quando do julgamento do auto de infração. 
Notificação do autuado 
Após a lavratura do auto de infração, o autuado deve ser notificado através de 
meios que assegurem sua inequívoca ciência, assim como de todas as fases do 
processo, sob pena de gerar a nulidade ou anulabilidade do auto de infração, dos atos 
subsequentes ou do próprio processo administrativo. 
Entendemos que os meios de notificação devem seguir uma obrigatória e 
necessária ordem cronológica, de modo que a notificação editalícia somente pode 
ocorrer após exauridas todas as tentativas de localizar o autuado. Inclusive, eventuais 
tentativas de notificação infrutíferas devem ser registradas e fundamentadas no 
próprio processo administrativo. 
A notificação do autuado, com exceção da notificação pessoal, cabe ao 
superior hierárquico máximo da unidade administrativa ambiental federal, e deve ser 
realizada em até 5 dias, após o recebimento do processo administrativo na unidade. 
Eventuais tentativas de notificação infrutíferas devem ser sempre registradas no 
processo. A seguir, vamos detalhar as formas de notificação. 
24 
 
 
 
A primeira notificação é pessoal, que pode ocorrer após a lavratura do auto na 
presença do infrator ou, realizada por um agente ambiental, desde que não 
comprometa as atividades da equipe de fiscalização. Importante destacar, que mesmo 
diante da recusa em assinar o auto e seus acessórios ─ fato que é certificado pelo 
agente ambiental na presença de duas testemunhas ─, o agente o entrega ao 
autuado, iniciando-se a contagem do prazo para o oferecimento de defesa, a qual 
sobrestada até a realização da audiência de conciliação. 
Já a notificação por via postal com aviso de recebimento, é realizada quando 
não for possível a notificação pessoal, e é considerada válida quando a sua devolução 
indicar a recusa do recebimento pelo autuado. Também será válida, se recebida no 
mesmo endereço do autuado; por funcionário da portaria responsável pelo 
recebimento de correspondência nos condomínios edilícios ou loteamentos com 
controle de acesso; ou, quando enviada para o endereço atualizado da pessoa 
jurídica. 
Lado outro, se constada a devolução da notificação enviada por via postal com 
aviso de recebimento porque o autuado se mudou ou seu endereço é desconhecido, 
o órgão ambiental autuante realiza consulta na base de dados em que tiver acesso e 
o notifica novamente no novo endereço encontrado. 
Se inexitosas, o órgão ambiental pode tentar notificar o sócio, no caso de o 
autuado ser a pessoa jurídica, e, inclusive, o advogado, desde que conste nos autos 
procuração com outorga de poderes específicos para recebimento de notificações. 
Mas se ainda assim não for possível notificar o autuado, à autoridade ambiental 
cabe proceder a notificação por edital como última instância, em caráter excepcional, 
desde que fique demonstrado nos autos de forma cabal o desconhecimento do local 
em que se encontra o autuado ou se este é estrangeiro não residente e sem 
representante constituído no país. 
Também há a possibilidade de substituir a intimação pessoal ou por via postal 
com aviso de recebimento por intimação eletrônica quando houver concordância 
expressa do autuado e tecnologia disponível que confirme o seu recebimento. 
25 
 
 
 
Importante destacar que o autuado pode indicar, a qualquer tempo, no curso 
do processo, o endereço eletrônico para receber notificações, desde que haja 
concordância expressa e tecnologia disponível que confirme o seu recebimento, bem 
como, endereços alternativos para recebimento de correspondências e endereço do 
seu procurador com poderes específicos para recebimento de notificações. 
Em qualquer dos casos, ao receber a notificação se iniciam os prazos para a 
práticas dos atos processuais, cuja perda acarreta na preclusão para sua prática e, 
inclusive, na revelia. Especificamente quanto à primeira defesa (prévia ou 
administrativa), o prazo fica sobrestado até a data de realização da audiência de 
conciliação ambiental. 
Uma observação muito importante, é que o acesso do autuado ou de seu 
procurador legalmente constituído aos autos do processo administrativo federal 
ambiental eletrônico é considerado comparecimento espontâneo do infrator, 
dispensando a sua notificação e iniciando o prazo para oferecimento de defesa. 
Audiência de conciliação ambiental 
A audiência de conciliação na seara administrativa ambiental foi introduzida por 
alterações no Decreto 6.514/08, precisamente em 11 de abril de 2019, e tem como 
diretrizes e princípios, a informalidade e oralidade, mediante o uso de linguagem clara, 
que facilite a compreensão do autuado; a imparcialidade da equipe de condução de 
audiência de conciliação, garantida pela presidência do ato por servidor efetivo que 
não pertence aos quadros do órgão ambiental autuante; respeito àlivre autonomia do 
autuado, que possui liberdade para manifestar sua vontade de conciliar; economia 
processual e celeridade, à vista de seu objetivo de buscar o encerramento do processo 
em seu início, sempre que possível; e decisão informada, garantida pelo conteúdo 
obrigatório do termo de conciliação ambiental. 
Em sede federal, a audiência de conciliação ambiental é conduzida pelo Núcleo 
de Conciliação Ambiental - Nucam e o seu objetivo é encerrar o processo 
administrativo relativo à apuração da infração, não cabendo nela a produção de 
provas pelo autuado, ressalvada as pré-constituídas. 
26 
 
 
 
O autuado que possui interesse em participar de audiência de conciliação 
ambiental precisa comparecer à unidade do órgão ambiental indicada na notificação, 
na data e horário agendados. O não comparecimento em até 15 minutos após a 
abertura da audiência é considerado como ausência de interesse em conciliar e 
automaticamente se inicia o prazo para oferecer defesa contra o auto de infração, 
salvo se justificar sua ausência. 
O agendamento da audiência de conciliação é automático e pode ocorrer no 
mínimo 30 dias após a autuação, para a qual o autuado é notificado pela própria 
unidade administrativa responsável pela ação de fiscalização, que como visto no 
capítulo anterior, pode ser no momento da lavratura do auto de infração se estiver 
presente, pessoalmente ou por meio de seu representante legal, e caso se recuse a 
dar ciência do auto, o agente ambiental certifica o ocorrido e subscreve na presença 
de duas testemunhas. 
Se não for esse o caso, o autuado será notificado do agendamento com 
antecedência mínima de 5 dias por via postal com aviso de recebimento, quando se 
evadir ou estiver ausente, e, em último lugar, por edital, observando- se as hipóteses 
já descritas na fase vista anteriormente (notificação do autuado). 
 Aqui um ponto de bastante atenção. Quando o autuado é notificado do 
agendamento da audiência de conciliação ambiental por via postal com aviso de 
recebimento ou por edital, deve manifestar sua concordância expressa com a 
realização do ato, por meio eletrônico, mediante petição escrita dirigida ao órgão 
ambiental, até o dia útil anterior à data agendada para a audiência. 
Neste mesmo prazo, o autuado pode manifestar a sua preferência pela 
realização da audiência de conciliação ambiental na modalidade presencial, a ocorrer 
na mesma data e horário agendados. Contudo, na hipótese de ausência da 
manifestação até o dia útil anterior à data agendada, a audiência fica dispensada, 
iniciando-se o prazo para o oferecimento da defesa, independentemente de nova 
intimação. 
A audiência de conciliação ambiental somente pode ser reagendada, se o 
autuado justificar sua ausência, mediante apresentação de prova documental, 
27 
 
 
 
previamente ou até 2 dias após a data da audiência. Também haverá reagendamentos 
se a antecedência mínima de 5 dias para notificação do autuado não for observada; 
se houver necessidade de manifestação ou instrução documental complementar do 
agente autuante, indispensável à audiência; ou ainda, no caso de necessidade de 
unificação da audiência de conciliação ambiental de autuações conexas ou 
impossibilidade de realização por problemas técnicos ou operacionais. 
Insta salientar que o Nucam, em até 2 dias após protocolo da ausência 
justificada do autuado, deve proferir decisão irrecorrível e notificará o autuado do 
deferimento da justificativa e da nova data da audiência de conciliação ambiental ou 
do indeferimento da justificativa, constando ainda, a informação de que o seu não 
comparecimento à audiência de conciliação ambiental será interpretado como 
ausência de interesse em conciliar e automaticamente dará início ao prazo para 
oferecimento de defesa, ou da devolução do prazo para oferecimento de defesa, 
contado da data em que for notificado, na hipótese de decisão posterior à data da 
audiência de conciliação ambiental. 
Contudo, o autuado pode previamente à realização da audiência, optar 
eletronicamente por uma das soluções legais possíveis para encerrar o processo, ou 
então, renunciar ao direito de participar dela até a data agendada para sua realização, 
mediante ou manifestação pessoal do infrator, certificada pelo agente de fiscalização, 
no ato da lavratura do auto de infração, ou, declaração escrita, momento em que se 
inicia a fluência do prazo para oferecimento da defesa. 
A realização da audiência de conciliação ambiental também é dispensada se o 
autuado se recusar-se a dar ciência do auto de infração, mediante certificação 
subscrita por duas testemunhas ou evadir-se para evitar o recebimento da notificação 
do auto de infração. 
Na audiência de conciliação ambiental, o autuado poderá comparecer 
pessoalmente; representado ou acompanhado por procurador, advogado ou defensor 
público constituído por meio de procuração pública ou particular com poderes 
específicos para participar do ato e optar por uma das soluções legais possíveis para 
encerrar o processo; ou acompanhado por pessoa de sua escolha. 
28 
 
 
 
No caso das pessoas jurídicas autuadas, o comparecimento pessoal se dá por 
meio de representante legal ou preposto munido de carta de preposição com poderes 
específicos para participar do ato e optar por uma das soluções legais possíveis para 
encerrar o processo. 
A audiência é pública e aberta a pessoas que desejarem assisti-la, porém, sem 
direito a voz, ressalvadas as hipóteses legais de sigilo. A audiência também pode ser 
realizada por meio eletrônico para viabilizar a presença do autuado com dificuldade 
de comparecimento, por enfermidade ou outra circunstância pessoal previamente 
comprovada, além de realização de audiência complementar. Em qualquer dos casos, 
deve haver a concordância do autuado. 
Independente do meio de sua realização, a audiência de conciliação ambiental 
será reduzida a termo, certificando-se que foram explanadas ao autuado as razões de 
fato e de direito que ensejaram a lavratura do auto de infração, e de que foram 
apresentadas as soluções possíveis para encerrar o processo, bem como, a 
manifestação do autuado sobre o interesse na conciliação. 
O interesse do autuado em conciliar deve indicar a solução legal por ele 
escolhida para encerrar o processo e os compromissos assumidos para o seu 
cumprimento; a declaração de desistência de impugnar judicial e administrativamente 
a autuação e de renúncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se 
fundamentariam as referidas impugnações; além da assunção da obrigação de 
protocolar pedido de extinção do processo com resolução do mérito em eventuais 
ações judiciais propostas. Vê-se que, aceitar a conciliação não exclui a obrigação de 
reparar eventual dano ambiental. 
Se ausente o interesse em conciliar, o termo é lavrado para atestar a ciência 
do autuado quando ao início do prazo para oferecimento de defesa contra o auto de 
infração, e ainda, da decisão de homologação de eventual opção feita pelo autuado, 
decisão fundamentada acerca de eventuais questões de ordem pública, e, as 
providências a serem adotadas, conforme a manifestação do autuado. 
Em qualquer dos casos, o termo de conciliação ambiental deve ser lido para o 
autuado, que receberá uma cópia e poderá solicitar esclarecimentos finais sobre o 
29 
 
 
 
seu teor, de forma oral. O termo também é publicado no sítio eletrônico do órgão 
ambiental autuante, no prazo de 10 dias, contado da data da realização da audiência. 
 O termo firmado pelo autuado, seja de renúncia ou aceitação da conciliação, 
possui natureza de título executivo extrajudicial e o seu descumprimento pode 
acarretar em execução judicial imediata. 
Concluída a audiência, os autos são encaminhados, na hipótese de sucesso 
da conciliação ambiental, aos setores do órgão ambiental federal autuante 
responsáveis pelo acompanhamento do cumprimento da opção feita pelo autuado 
parareparação do dano ambiental e atividades a serem regularizadas. Já na hipótese 
de insucesso os autos são remetidos ao setor responsável pela instrução do processo 
administrativo. 
Concluindo, a fluência do prazo para oferecer defesa fica suspenso pelo 
agendamento da audiência de conciliação ambiental e o seu curso se inicia da data 
de sua realização, porém, tal suspensão não prejudica a eficácia das medidas 
administrativas cautelares eventualmente aplicadas, tais como embargos e 
apreensões. 
Opções do autuado após a audiência de conciliação 
Ultrapassada a conciliação ambiental sem êxito em conciliar, o autuado ainda 
pode optar por uma das soluções legais para encerrar o processo, tais como, o 
desconto para pagamento da multa, parcelamento ou conversão da multa em serviços 
de preservação, melhoria e recuperação da qualidade do meio ambiente, conforme 
programa instituído no artigo 139 do Decreto 6.514/08. 
 Neste caso, não haverá audiência de conciliação e o requerimento deve ser 
formulado eletronicamente, podendo ser substituído por escrito quando, a pedido do 
autuado, mediante protocolo de petição ou comparecimento à unidade do órgão 
ambiental federal autuante, ou a critério do órgão ambiental federal autuante, quando 
indisponível a tecnologia adequada. 
A opção do autuado, posterior a audiência, é analisada pelo setor do órgão 
ambiental federal autuante responsável pelo seu acompanhamento, podendo ser 
30 
 
 
 
concedido desconto de 50%, quando o requerimento for apresentado até a decisão 
de primeira instância, ou, 40%, quando o requerimento for apresentado até a decisão 
de segunda instância. 
Defesa administrativa 
O autuado, que pode ser representado por advogado ou procurador legalmente 
constituído, tem o direito de oferecer defesa ─ também chamada de defesa prévia ou 
administrativa ─ contra o auto de infração, no prazo de 20 dias, contados da data da 
ciência da autuação, cuja fluência do prazo fica suspensa pelo agendamento da 
audiência de conciliação ambiental e o seu curso só inicia a contar da data de sua 
realização. 
A defesa deve ser formulada por escrito e deverá conter os fatos e fundamentos 
jurídicos que contrariem o disposto no auto de infração e termos que o acompanham, 
bem como, a especificação das provas que o autuado pretende produzir a seu favor, 
devidamente justificadas, as quais somente podem ser recusadas pela autoridade 
julgadora se ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias, mediante decisão 
fundamentada. 
O autuado pode protocolizar a defesa em qualquer unidade administrativa do 
órgão ambiental que promoveu a autuação, que a encaminhará imediatamente à 
unidade responsável, podendo, inclusive, anexar documentos, requerer diligências, 
perícias e fazer alegações referentes à matéria objeto do processo, desde que não 
formulados fora do prazo, caso em que podem ser desentranhados dos autos 
conforme decisão da autoridade ambiental competente. 
Caso a defesa oferecida apresente alguma irregularidade formal, como por 
exemplo, ausência de assinatura ou de procuração outorgada a representante, o 
autuado será notificado para saná-la no prazo de 15 (quinze) dias, sob pena de não 
conhecimento. 
Por outro lado, a defesa não será conhecida nas hipóteses de oferecimento 
fora do prazo, por quem não era legitimado ou perante órgão ou entidade ambiental 
incompetente. 
31 
 
 
 
Em relação ao infrator revel, ou seja, aquele que não apresentou defesa alguma 
─ mesmo regularmente notificado para a prática do ato ─, lhe é dado o direito de 
intervir no processo em qualquer fase, recebendo-o no estado em que se encontrar, 
não havendo qualquer impedimento legal, nem mesmo para a interposição de recurso 
hierárquico, caso não precluso. 
Ressalte-se que a revelia não afasta a instrução probatória dos autos, sendo 
lícito ao infrator juntar documentos e pareceres, diligências e perícias, bem como 
aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo, desde que realizadas antes 
da tomada da decisão. 
Merece destaque, que a defesa pode ser parcial, na hipótese de conciliação 
ambiental com discordância do autuado com uma ou mais medidas administrativas 
cautelares e sanções aplicadas. 
 Vale ressaltar, que os atos administrativos gozam de presunção de veracidade 
e legitimidade, cabendo ao autuado desconstituí-los mediante a produção de prova 
inequívoca em contrário. Não basta, para sustentar a invalidade do auto de infração, 
simples argumentos ou elementos incapazes de derruir aquilo que constatado pelo 
agente ambiental no ato da fiscalização, tenha sido ela in loco ou remota. 
Fase instrutória 
Ultrapassado o prazo para a apresentação da defesa, que como visto 
anteriormente, inicia-se na data de realização da audiência de conciliação ambiental 
ou de sua renúncia, o integrante da Equipe de Instrução analisa as razões de fato e 
de direito que ensejaram a lavratura do auto de infração e elabora um relatório 
apontando os elementos que evidenciam a autoria e a materialidade da infração; a 
eventual existência de vícios sanáveis ou insanáveis; o correto enquadramento da 
conduta ao tipo infracional; as razões de acolhimento ou rejeição dos argumentos 
apresentados na defesa; e a proporcionalidade e razoabilidade do valor da multa 
indicada. 
Vale destacar, que ao autuado cabe a prova dos fatos que tenha alegado, e 
quando se tratar de perícias, diligências ou outras que tenha requerido, deverão ser 
produzidas às suas expensas, no prazo concedido pela autoridade julgadora, exceto 
32 
 
 
 
na hipótese de se encontrarem em poder do órgão responsável pela fiscalização e 
autuação. 
O autuado pode solicitar vistoria técnica para constatação da existência de 
dano ambiental, sua abrangência e relevância, desde que o faça com base em dados 
e informações consistentes, que contrariem elementos de fato ou de direito 
relacionados à autuação; também poderá requerer a oitiva de testemunhas, com a 
indicação clara de sua contribuição para infirmar elementos de fato ou de direito 
relacionados à autuação e o compromisso de apresentá-las no local, dia e hora 
designados, e ainda, requerer perícia, cujo deferimento está condicionado ao 
oferecimento de defesa prévia de laudo técnico que contrarie elementos de fato ou de 
direito relacionados à autuação e da demonstração de que não há outro meio de prova 
capaz de dirimir a dúvida existente. 
As solicitações de produção de provas requeridas pelo autuado podem ser 
recusadas pela autoridade julgadora, mediante decisão fundamentada, quando sejam 
ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. 
À autoridade julgadora cabe, caso necessário, requisitar a produção de provas 
necessárias à sua convicção, bem como, parecer técnico a ser elaborado no prazo 
máximo de 10 dias ─ salvo as situações devidamente justificadas ─, ou contradita do 
agente autuante, no prazo de 5 dias, contados a partir do recebimento do processo. 
Para complementar, oferecida ou não a defesa administrativa, a equipe de 
instrução analisa as razões de fato e de direito que ensejaram a lavratura do auto de 
infração e elabora um relatório, apontando os elementos que evidenciam a autoria e 
a materialidade da infração; a eventual existência de vícios sanáveis ou insanáveis; o 
correto enquadramento da conduta ao tipo infracional; as razões de acolhimento ou 
rejeição dos argumentos apresentados na defesa, além da proporcionalidade e 
razoabilidade do valor da multa indicada. 
O agente que lavrou o auto de infração, se instado, elabora a contradita, assim 
compreendidas as informações e esclarecimentos prestados pelo agente autuante 
necessárias à elucidação dos fatos que originaram o auto de infração, ou das razões 
alegadas pelo autuado, facultado àquele, nesta fase, opinar pelo acolhimento parcial 
33 
 
 
 
ou total da defesa, ou no caso em que se verifique a necessidade de manifestação ou 
instruçãodocumental complementar, com especificação do ponto a ser esclarecido 
ou mais bem instruído. 
Quando houver controvérsia jurídica ou dúvida relevante, o órgão jurídico ligado 
ao órgão ambiental autuante é instado a emitir parecer fundamentado para a 
motivação da decisão da autoridade julgadora. Referida consulta não pode ser 
realizada para apreciar questões de fato, técnicas ou de caráter administrativo. 
Encerrada a instrução, os autos do processo administrativo são encaminhados 
à autoridade julgadora que notificará o autuado por via postal com aviso de 
recebimento ou por outro meio válido que assegure a certeza de sua ciência, para fins 
de apresentação de alegações finais no prazo de 10 dias, para em seguida, os autos 
serem remetidos para julgamento. 
Julgamento em 1ª instância 
Finda a instrução, a autoridade julgadora decide sobre a aplicação das 
penalidades, no prazo de 30 dias, proferindo decisão de julgamento do auto de 
infração, em primeira instância, mediante acolhimento total ou parcial, rejeição ou 
complementação da proposta elaborada pela equipe técnica, que será parte 
integrante do ato decisório. Se o acolhimento da proposta for parcial, rejeitado ou 
complementado, deve ser detalhadamente fundamentado pela própria autoridade. 
Impende destacar que a decisão não se vincula às sanções aplicadas pelo 
agente autuante, ou ao valor da multa, podendo, em decisão motivada, de ofício ou a 
requerimento do interessado, minorar, manter ou majorar o seu valor, respeitados os 
limites estabelecidos na legislação ambiental. 
 Por seguinte, julgado e homologado o auto de infração, o autuado é notificado 
por via postal com aviso de recebimento ou outro meio válido que assegure a certeza 
de sua ciência para pagar a multa no prazo de 5 dias, com redução de 30% aplicável 
sobre o montante total acrescida correção desde a lavratura do auto e juros a partir 
do inadimplemento. 
34 
 
 
 
Também constará na notificação, de que o valor da multa será definitivamente 
constituído e incluído no cadastro informativo de créditos não quitados do setor público 
federal, o famoso “Cadin”, caso não haja pagamento ou interposição de recurso 
hierárquico no prazo de 20 dias. 
O autuado também pode interpor recurso caso a decisão da autoridade 
julgadora reconheça a nulidade do auto de infração, ocasião em que também será 
notificado do prazo, e advertindo da possibilidade de restabelecimento do auto de 
infração em decisão de segunda instância, caso eventualmente sejam acolhidos os 
argumentos do agente autuante ou da unidade administrativa responsável pela ação 
de fiscalização. 
O recurso não tem efeito suspensivo, exceto na hipótese de justo receio de 
prejuízo de difícil ou incerta reparação, poderá a autoridade recorrida ou a 
imediatamente superior, de ofício ou a pedido do recorrente, conceder efeito 
suspensivo ao recurso. 
Importante mencionar que quando a autoridade julgadora decidir pela 
readequação ou redução em mais de 50% do valor da multa indicada, ou se a decisão 
extinguir o processo, readequá-lo ou reduzir a sanção sobre o auto de infração, cujo 
valor indicado tenha sido igual ou superior a 500 mil reais, deve recorrer de ofício à 
autoridade superior mediante declaração na própria decisão. 
Por outro lado, a autoridade ambiental não pode recorrer de ofício contra 
decisão de declaração de nulidade do auto de infração, quando houver assinatura de 
termo de compromisso de conversão de multa ─ ainda que a decisão tenha reduzido 
o valor da multa indicada ─, e nas hipóteses que extinguem a punibilidade, tais como, 
reconhecimento da prescrição da pretensão punitiva, morte do autuado antes do 
trânsito em julgado administrativo, retratação do autuado, nos casos admitidos e 
anistia. 
Com efeito, muitos autuados equivocadamente alegam nulidade do auto de 
infração por extrapolação do prazo de 30 dias para julgamento. No entanto, a 
inobservância do prazo para julgamento não torna nula a decisão da autoridade 
35 
 
 
 
julgadora, nem mesmo o processo administrativo, mormente nas situações em que 
não houver prejuízo ao autuado. 
Agravamento da multa por reincidência 
Alguns autores defendem que o agravamento da multa por reincidência é ilegal, 
ante a inexistência de previsão em lei. Mas na prática, órgãos ambientais utilizam o 
Decreto 6.514/08 para agravar o valor de multa ambiental quando verificada a 
reincidência. Tal fato, porém, pode ser discutido na esfera judicial. E já que é aplicado, 
importante mencionarmos aqui. 
Pois bem. O agravamento por reincidência é aplicado no momento do 
julgamento do auto de infração, considerando autos de infração já julgados com 
sanção pecuniária que foi paga; está sob parcelamento; ou, que foi convertida em 
serviços de preservação, melhoria e recuperação da qualidade do meio ambiente. 
Quando houver mais de um auto de infração julgado, o agravamento é 
realizado sobre o auto de infração que gerar uma maior elevação do valor da multa, 
se diferentes; ou, sobre apenas um auto de infração, se iguais, podendo ser utilizados 
autos de infração confirmados por outros órgãos integrantes do Sistema Nacional do 
Meio Ambiente (Sisnama). 
A reincidência pode ser específica, assim considerado o cometimento da 
mesma infração, ocasião em que a multa aplicada será elevada ao triplo; ou, genérica, 
no caso de cometimento de infração distinta, cuja multa aplicada será em dobro. 
Recurso administrativo 
O recurso administrativo ─ também conhecido como recurso à autoridade 
superior ou hierárquico ─ cabe contra decisão de primeira instância, no prazo de 20 
dias, contado da data de ciência do autuado, e deve ser dirigido à autoridade julgadora 
que proferiu a decisão, a qual poderá reconsiderá-la no prazo de 5 dias, contado da 
data de recebimento dos autos, ou encaminhá-los à autoridade superior. 
Para ser admitido, o recurso deve preencher todos os requisitos, tais como, 
indicação do órgão ambiental e da autoridade a que se dirige, identificação do 
recorrente ou de seu representante, indicação do número do auto de infração e do 
36 
 
 
 
respectivo processo, endereço do recorrente, inclusive eletrônico, ou indicação de 
endereço para recebimento de notificações; formulação de pedido, exposição dos 
fatos e seus fundamentos, e, data e assinatura do recorrente ou do Advogado 
representante. 
Se não preencher os requisitos ou for interposto fora do prazo, perante órgão 
incompetente, por quem não seja legitimado, depois de exaurida a instância 
administrativa ou com o objetivo de discutir a multa após a assinatura de termo de 
compromisso de conversão ou de parcelamento, o recurso não será conhecido. 
 Admitido o recurso, a equipe de instrução de segunda instância analisa as 
razões de fato e de direito que ensejaram a lavratura do auto de infração e elaboram 
um relatório apontando os elementos que evidenciam a autoria e a materialidade da 
infração, a eventual existência de vícios sanáveis ou insanáveis, o correto 
enquadramento da conduta ao tipo infracional, as razões de acolhimento ou rejeição 
dos argumentos apresentados no recurso, e, a proporcionalidade e razoabilidade do 
valor da multa indicada. 
Antes da elaboração do referido relatório, é possível, excepcionalmente, que a 
equipe de instrução determine a produção de provas ou a realização de diligências. 
Também é possível que o relatório da equipe de instrução de segunda instância 
aponte a necessidade de aumento do valor da multa, caso em que o autuado que 
interpôs o recurso será notificado para oferecer impugnação, no prazo de 10 dias. 
Em qualquer dos casos, a equipe de instrução formula uma proposta de 
decisão objetivamente justificada, de confirmação ou modificação da decisão 
recorrida, permitido o aumento do valor da multa, e encaminha o processo para a 
autoridade julgadora competente, a qual profere decisão de julgamento do recurso, 
em segunda instância, mediante

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