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Prof. Thiago Leite 5 Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental Direito Ambiental BNDES Documento última vez atualizado em 21/11/2024 às 09:18. 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 1/90 3 3 11 16 29 31 32 33 50 89 Índice 5.1) Introdução - Poder de Polícia Ambiental 5.2) Características do Poder de Polícia Ambiental 5.3) Aspectos Iniciais Sobre Licenciamento Ambiental. 5.4) Etapas do Licenciamento Ambiental e Licenças Expedidas no Processo de Licenciamento 5.5) Prazos no Processos de Licenciamento 5.6) Procedimentos Simpli�cados de Emissão Das Licenças 5.7) Cancelamento e Suspensão da Licença Ambiental 5.8) Lei Complementar 140/2011 e o Licenciamento Ambiental 5.9) Responsabilidade Administrativa e Infrações Administrativas Ambientais 5.10) Lista de questões 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 2/90 Introdução - Poder de Polícia Ambiental Características do Poder de Polícia Ambiental Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI. A Administração Pública existe para satisfação do interesse público através do exercício da função administrativa. Para isso é imperioso que detenha meios/instrumentos capazes de dar concretude a essa missão institucional. A ela é atribuída uma série de deveres e prerrogativas. Nesse sentido, reconhece doutrina majoritária que a Administração Pública detém poderes administrativos consistente em um conjunto de prerrogativas atribuídas ao ente público para que possa atingir os fins colimados pelo Estado. Dentre esses poderes administrativos, destacam-se o poder de polícia, o poder normativo, o poder hierárquico entre outros. O poder de polícia é o único que tem definição legal. Foi previsto no art. 78, do Código Tributário Nacional, sendo definido como a atividade da administração pública que, limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público, à tranquilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos. Depreendesse do normativo que a função essencial do poder de polícia é regular o exercício dos direitos individuais atribuídos aos indivíduos pela Constituição Federal e pelas Leis buscando resguardar o interesse da coletividade. Nesse sentido, Gustavo Scatolino e João Trindade entendem que o poder de polícia é a prerrogativa de que dispõe o Estado para condicionar e restringir o uso e gozo de bens, atividades e direitos, em benefício do interesse público. Assim, o exercício do poder de polícia visa impor condições ou restrições a direitos sem impor limitação total. No âmbito ambiental, Paulo Leme Machado conceitua o poder de polícia ambiental como sendo a atividade da administração pública que limita ou disciplina direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou a abstenção de fato em razão de interesse público concernente à saúde da população, à conservação dos ecossistemas, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas ou de outras atividades dependentes de concessão, autorização, permissão ou licença do Poder Público de cujas atividades possam decorrer poluição ou agressão à natureza. O poder de polícia ambiental, portanto, tem por objeto limitar ou disciplinar direitos ou atividades que possam causar alguma consequência lesiva ao meio ambiente. Poder de Polícia Ambiental= busca limitar ou disciplinar direitos/interesses/atividades em defesa do meio ambiente. 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 3/90 Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI. Titularidade do Poder de Polícia Ambiental A titularidade do poder de polícia repousa no Poder Público, isto é, do ente federativo ao qual a Constituição Federal conferiu a competência de regular a matéria. Somente ele poderá limitar direitos/interesses e impor sanções por atos lesivos ao interesse público. Não seria razoável ou mesmo proporcional atribuir a um particular o exercício desse poder tendo em vista o interesse público que justifica a existência dessa prerrogativa. A lei 9.605/98, em seu art. 70, §1º, prevê que a autoridade competente, no âmbito ambiental, para lavrar auto de infração ambiental e instaurar processo administrativo os funcionários de órgãos ambientais integrantes do Sisnama, designados para as atividades de fiscalização, bem como os agentes das Capitanias dos Portos, do Ministério da Marinha. Nesse sentido, qualquer agente administrativo, integrante dos quadros de órgão/entidade, federal, estadual ou municipal, que tenha sido expressamente designado para atividades de fiscalização, estará revestido do poder de polícia podendo deflagrar o processo sancionador ambiental pela lavratura do auto de infração. Cumpre destacar que esse poder de polícia ambiental pode ser originário ou outorgado (delegado). O poder de polícia originário é exercido pelas pessoas políticas que formam a federação União, Estados/DF e Municípios diretamente por intermédio de seus órgãos. O poder de polícia será originário quando seu exercício ficar atribuído a Administração Direta. A título de exemplo, o poder de polícia ambiental exercido pela secretaria municipal de meio ambiente do município de Santarém/PA, órgão integrante da estrutura da Administração Direta daquela municipalidade, é originário. Por outro lado, o poder de polícia ambiental será outorgado (delegado) quando atribuído por lei a Administração Indireta, isto é, seu exercício será atribuído a uma entidade (pessoa jurídica) que goza de determinadas características como autonomia funcional, financeira e patrimonial. A título de exemplo temos, o poder de polícia exercido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama, autarquia federal, integrante da Administração Indireta, é outorgado. A doutrina majoritária entende que o poder de polícia ambiental não pode ser outorgado a pessoas da iniciativa privada, considerando que é essencialmente manifestação do poder extroverso do Estado. Isso não implica dizer que não possam ser praticados por particulares determinados atos materiais que antecedem aos atos do poder de polícia. Exemplo disso ocorre quando um órgão ambiental contrata empresa privada para o exercício de determinadas atividades para gerir um sistema eletrônico de monitoramento de uma reserva ambiental. Não vislumbramos qualquer óbice quanto ao fato, considerando que quem, efetivamente, com os dados apresentados das supostas infrações cometidas, desencadeia o processo administrativo sancionador é um agente integrante dos quadrados da fiscalização de um determinado órgão ambiental. Nesse Sentido, a Suprema Corte já se manifestou no julgamento da ADI 1.717/DF, de relatoria do Min. Sydney Sanches que o poder de polícia não pode ser delegado a particular por 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 4/90 constituir uma atividade típica de Estado: EMENTA: DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 58 E SEUS PARÁGRAFOS DA LEI FEDERAL Nº 9.649, DE 27.05.1998, QUE TRATAM DOS SERVIÇOS DE FISCALIZAÇÃO DE PROFISSÕES REGULAMENTADAS. 2. Isso porque a interpretação conjugada dos artigos 5°, XIII, 22, XVI, 21, XXIV,aquiescência de ambos. O órgão ambiental competente poderá estabelecer prazos de análise diferenciados para cada modalidade de licença, em função das peculiaridades da atividade ou empreendimento, bem como para a formulação de exigências complementares. Mas há limites para esses prazos. Terá o órgão ambiental o prazo máximo de 06 meses a contar do ato de protocolar o requerimento até seu deferimento ou indeferimento. Esse máximo será de no máximo 12 meses nos casos em que houver EIA/RIMA e/ou audiência pública. 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 29/90 Esses prazos de 06 meses ou 12 meses também podem ser alterado livremente por acordo entre as partes, desde que com a devida justificação. O fato é que cada empreendimento a ser licenciado, em face das peculiaridades, pode exigir prazos diferenciados além daqueles fixados na Resolução. O descumprimento dos prazos gera efeitos distintos para cada uma das partes envolvidas no processo de licenciamento. Se o órgão ambiental não atender aos prazos fixados, instaurará a competência supletiva para que o órgão ambiental supletivo assuma o licenciamento. Por outro lado, quanto ao empreendedor, caso não atenda aos esclarecimentos no prazo, terá seu processo arquivado. Esse arquivamento não impede a apresentação de novo requerimento de licença. Cumpre lembrar que a atuação supletiva não se confunde com a atuação subsidiária. A atuação supletiva ocorre quando um ente federativo substituiu o ente originariamente competente para o desenvolvimento da ação administrativa que pode ocorrer no caso do ente federativo deixa de cumprir os prazos do licenciamento, bem como nos casos de inexistência de órgão capacitado ou de concelho de meio ambiente, conforme previsto no art. 15, da LC 140/2011. Vejamos: Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI. Art. 15. Os entes federativos devem atuar em caráter supletivo nas ações administrativas de licenciamento e na autorização ambiental, nas seguintes hipóteses: I - inexistindo órgão ambiental capacitado ou conselho de meio ambiente no Estado ou no Distrito Federal, a União deve desempenhar as ações administrativas estaduais ou distritais até a sua criação; II - inexistindo órgão ambiental capacitado ou conselho de meio ambiente no Município, o Estado deve desempenhar as ações administrativas municipais até a sua criação; e III - inexistindo órgão ambiental capacitado ou conselho de meio ambiente no Estado e no Município, a União deve desempenhar as ações administrativas até a sua criação em um daqueles entes federativos. Ao seu turno, a atuação subsidiária tem caráter meramente colaborativo em que o ente da federação visa auxiliar no desempenho das atribuições decorrente das competências comuns. Mas há necessidade de que o ente a ser auxiliado formalize o pedido de colaboração do outro ente. Essa colaboração além de exigir pedido específico consubstancia-se em apoio técnico, científico e financeiro, não se confundindo com a atuação supletiva. 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 30/90 Procedimentos Simpli�cados de Emissão Das Licenças Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI. A Resolução do Conama 237/97 prevê, em seu art. 12, § 1º, a possibilidade de o órgão ambiental competente estabelecer procedimentos simplificados para atividades e empreendimentos de pequeno impacto ambiental: Art. 12 - O órgão ambiental competente definirá, se necessário, procedimentos específicos para as licenças ambientais, observadas a natureza, características e peculiaridades da atividade ou empreendimento e, ainda, a compatibilização do processo de licenciamento com as etapas de planejamento, implantação e operação. § 1º - Poderão ser estabelecidos procedimentos simplificados para as atividades e empreendimentos de pequeno potencial de impacto ambiental, que deverão ser aprovados pelos respectivos Conselhos de Meio Ambiente. O Conama já editou diversas normas disciplinadoras de alguns tipos de licenciamentos que, pelo baixo impacto que os projetos causam ao meio ambiente, submeter-se-iam a um rito simplificado. Nesse sentido, a título de exemplo, a resolução Conama 377/2006 que disciplinou o sistema de esgotamento sanitário. O objetivo desse dispositivo é permitir que o órgão ambiental possa, de forma mais célere e simplificada, emitir, por exemplo, em uma única licença autorização para instalação e operação 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 31/90 Cancelamento e Suspensão da Licença Ambiental de uma atividade, bem como exigir estudo ambientais mais simplificados de impactos para obtenção da licença. Esses pequenos empreendimentos e atividades, se forem similares e vizinhos ou mesmo para aqueles integrantes de planos de desenvolvimento aprovados, previamente, pelo órgão governamental competente, poderão ser processados em um único processo de licenciamento ambiental. Por fim, deverão ser estabelecidos critérios para agilizar e simplificar os procedimentos de licenciamento ambiental das atividades e empreendimentos que implementem planos e programas voluntários de gestão ambiental, visando a melhoria contínua e o aprimoramento do desempenho ambiental. Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI. A licença ambiental é um ato administrativo discricionário sui generis que, a depender do caso concreto, pode ser efetivamente vinculado ou discricionário. Nesse sentido, corroborando o entendimento de que a licença ambiental não tem caráter plenamente vinculado, o art. 19 da Resolução Conama 237/97 prevê as hipóteses de modificação, suspensão ou mesmo de cancelamento da licença ambiental expedida: Art. 19 – O órgão ambiental competente, mediante decisão motivada, poderá modificar os condicionantes e as medidas de controle e adequação, suspender ou cancelar uma licença expedida, quando ocorrer: I - Violação ou inadequação de quaisquer condicionantes ou normas legais. II - Omissão ou falsa descrição de informações relevantes que subsidiaram a expedição da licença. III - superveniência de graves riscos ambientais e de saúde. São diversos os fatores que podem acarretar a modificação, suspensão ou cancelamento da licença, seja pelo surgimento de situação fática relevante não mensurada anteriormente quando da expedição da licença, seja pela violação das condicionantes impostas, seja por omissão de informações relevantes que originaram a expedição da licença. A depender da gravidade do fato ensejador da reanálise da licença poderá ocorrer sua (exemplos): (1) modificação devendo se adequar aos novos fatos não mensurados; (2) suspensão até que o empreendedor regularize a situação das condicionantes impostas; (3) 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 32/90 Lei Complementar 140/2011 e o Licenciamento Ambiental cancelamento por ter o empreendedor prestado informações falsas relevantes que ensejaram a expedição da licença, bem como em casos de a atividade ter gerado graves riscos ambientais e de saúde. Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI. A Lei Complementar 140/2011 disciplina os incisos III, VI e VII do caput e do parágrafo único do art. 23 da Constituição Federal, fixou normas de cooperação entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios nas ações administrativas decorrentes do exercício da competência comum relativas à proteção das paisagens naturais notáveis, à proteção do meio ambiente, ao combate à poluição em qualquer de suasformas e à preservação das florestas, da fauna e da flora. A norma edificou as bases para a cooperação entre os entes federativos no exercício da competência material comum objetivando principalmente a proteção do meio ambiente. Nesse sentido, a LC 140/2011 definiu como objetivos fundamentais que devem ser perseguidos pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios (art. 3º, da LC 140/2011): proteger, defender e conservar o meio ambiente ecologicamente equilibrado, promovendo gestão descentralizada, democrática e eficiente; garantir o equilíbrio do desenvolvimento socioeconômico com a proteção do meio ambiente, observando a dignidade da pessoa humana, a erradicação da pobreza e a redução das desigualdades sociais e regionais; harmonizar as políticas e ações administrativas para evitar a sobreposição de atuação entre os entes federativos, de forma a evitar conflitos de atribuições e garantir uma atuação administrativa eficiente; garantir a uniformidade da política ambiental para todo o País, respeitadas as peculiaridades regionais e locais. Para consecução desses objetivos, instituiu instrumentos de cooperação institucional como a possibilidade de realização de avenças entre os entes (consórcios públicos, convênios, acordos de cooperação técnica), utilização de instrumentos econômicos (fundos públicos ou privados), bem como a delegação de atribuições, ou mesmo da execução de determinadas ações administrativas, de um ente para o outro (art. 4º, da LC 140/11). Cumpre destacar que o instrumento de cooperação por delegação só pode ser efetivado se o ente delegado dispuser de órgão ambiental capacitado para executar as ações administrativas a serem delegadas, bem como a existência de conselho do meio ambiente. Destaque-se também como instrumento de cooperação a criação das Comissões em âmbito Nacional e Estadual que tem por objetivo fomentar a gestão ambiental compartilhada e descentralizada 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 33/90 entre os entes federativos. São as Comissões Tripartite Nacional, Comissão Tripartite Estadual e a Comissão Bipartite do Distrito Federal, todas de formação paritária. Ações de Cooperação previstas na Lei Complementar 140/2011 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 34/90 A Lei Complementar 140/2011 previu um conjunto de ações de cooperação entre a União, Estados, Distrito Federal e Municípios tendo como norte atingir os objetivos principais de desenvolvimento sustentável e proteção ambiental, bem como harmonizar e integrar todas as políticas governamentais do País. Para isso, atribuiu uma série de ações administrativas para cada ente federativo, incluindo a capacidade para processar os licenciamentos ambientais de empreendimentos potencialmente ou efetivamente causadores de degradação do meio ambiente. Como as ações administrativas distribuídas tem muita similitude, diferenciando apenas quanto à alguns aspectos de ordem lógica, técnica ou formal, fizemos uma tabela comparativo em que destacamos as particularidades para cada ente. Outro ponto importante é que as ações administrativas do Distrito Federal serão as mesmas dos Estados e dos Municípios, em face da competência cumulativa prevista no art. 10, da LC 140/2011. No tópico seguinte, analisaremos apenas as ações administrativas reativas ao licenciamento ambiental, para melhor entendimento sobre o tema. Ações Administrativas da União (art. 7º, da LC/140) Ações Administrativas dos Estados/DF (art. 8º, da LC/140) Ações Administrativas dos Municípios/DF (art. 7º, da LC/140) Formular, Executar e Fazer Cumprir, em âmbito nacional, a Política Nacional do Meio Ambiente. Executar e Fazer Cumprir, em âmbito estadual, a Política Nacional do Meio Ambiente e demais políticas nacionais relacionadas à proteção ambiental. Executar e Fazer Cumprir, em âmbito municipal, as Políticas Nacional e Estadual de Meio Ambiente e demais políticas nacionais e estaduais relacionadas à proteção do meio ambiente. Exercer a gestão dos recursos ambientais no âmbito de suas atribuições. Exercer a gestão dos recursos ambientais no âmbito de suas atribuições. Exercer a gestão dos recursos ambientais no âmbito de suas atribuições. Promover ações relacionadas à Política Nacional do Meio Ambiente nos âmbitos nacional e internacional. formular, executar e fazer cumprir, em âmbito estadual, a Política Estadual de Meio Ambiente. formular, executar e fazer cumprir a Política Municipal de Meio Ambiente. Promover a integração de programas e ações de órgãos e entidades da administração pública da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Promover, no âmbito estadual, a integração de programas e ações de órgãos e entidades da administração pública da União, dos Estados, do Distrito Federal e Promover, no Município, a integração de programas e ações de órgãos e entidades da administração pública federal, estadual e municipal, relacionados à 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 35/90 Municípios, relacionados à proteção e à gestão ambiental. dos Municípios, relacionados à proteção e à gestão ambiental. proteção e à gestão ambiental. Articular a cooperação técnica, científica e financeira, em apoio à Política Nacional do Meio Ambiente. Articular a cooperação técnica, científica e financeira, em apoio às Políticas Nacional e Estadual de Meio Ambiente. Articular a cooperação técnica, científica e financeira, em apoio às Políticas Nacional, Estadual e Municipal de Meio Ambiente. Promover o desenvolvimento de estudos e pesquisas direcionados à proteção e à gestão ambiental, divulgando os resultados obtidos Promover o desenvolvimento de estudos e pesquisas direcionados à proteção e à gestão ambiental, divulgando os resultados obtidos Promover o desenvolvimento de estudos e pesquisas direcionados à proteção e à gestão ambiental, divulgando os resultados obtidos Promover a articulação da Política Nacional do Meio Ambiente com as de Recursos Hídricos, Desenvolvimento Regional, Ordenamento Territorial e outras. Não há norma correlata Não há norma correlata Organizar e Manter, com a colaboração dos órgãos e entidades da administração pública dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, o Sistema Nacional de Informação sobre Meio Ambiente (Sinima). Organizar e Manter, com a colaboração dos órgãos municipais competentes, o Sistema Estadual de Informações sobre Meio Ambiente Organizar e Manter o Sistema Municipal de Informações sobre Meio Ambiente Prestar informações à União para a formação e atualização do Sinima. Prestar informações aos Estados e à União para a formação e atualização dos Sistemas Estadual e Nacional de Informações sobre Meio Ambiente. Elaborar o zoneamento ambiental de âmbito nacional e regional. Elaborar o zoneamento ambiental de âmbito estadual, em conformidade com os zoneamentos de âmbito nacional e regional. Elaborar o Plano Diretor, observando os zoneamentos ambientais. 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 36/90 Definir espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos. Definir espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos. Definir espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos. Promover e Orientar a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a proteção domeio ambiente Promover e Orientar a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a proteção do meio ambiente. Promover e Orientar a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a proteção do meio ambiente. Controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente, na forma da lei. Controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente, na forma da lei. Controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente, na forma da lei. Exercer o controle e Fiscalizar as atividades e empreendimentos cuja atribuição para licenciar ou autorizar, ambientalmente, for cometida à União. Exercer o controle e Fiscalizar as atividades e empreendimentos cuja atribuição para licenciar ou autorizar, ambientalmente, for cometida aos Estados. Exercer o controle e Fiscalizar as atividades e empreendimentos cuja atribuição para licenciar ou autorizar, ambientalmente, for cometida ao Município. Promover o licenciamento ambiental de empreendimentos e atividades: a) localizados ou desenvolvidos conjunta- mente no Brasil e em país limítrofe; b) localizados ou desenvolvidos no mar territorial, na plataforma continental ou na zona econômica exclusiva; c) localizados ou desenvolvidos em terras indígenas; Promover o licenciamento ambiental de atividades ou empreendimentos utilizadores de recursos ambientais, efetiva ou potencialmente poluidores ou capazes, sob qualquer forma, de causar degradação ambiental, as atribuições dos demais entes federativos previstas na LC 140/2011. Promover o licenciamento ambiental das atividades ou empreendimentos, observadas as atribuições dos demais entes federativos previstas na LC 140/2011: a) que causem ou possam causar impacto ambiental de âmbito local, conforme tipologia definida pelos respectivos Conselhos Estaduais de Meio Ambiente, considerados os 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 37/90 d) localizados ou desenvolvidos em unidades de conservação instituídas pela União, exceto em Áreas de Proteção Ambiental e) localizados ou desenvolvidos em 2 (dois) ou mais Estados; f) de caráter militar, excetuando-se do licenciamento ambiental, nos termos de ato do Poder Executivo, aqueles previstos no preparo e emprego das Forças Armadas, conforme disposto na Lei Complementar no 97, de 9 de junho de 1999 [1]; g) destinados a pesquisar, lavrar, produzir, beneficiar, transportar, armazenar e dispor material radioativo, em qualquer estágio, ou que utilizem energia nuclear em qualquer de suas formas e aplicações, mediante parecer da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen); ou h) que atendam tipologia estabelecida por ato do Poder Executivo, a partir de proposição da Comissão Tripartite Nacional, assegurada a participação de um membro do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), e considerados os critérios de porte, potencial poluidor e natureza da atividade ou empreendimento. Promover o licenciamento ambiental de atividades ou empreendimentos localizados ou desenvolvidos em unidades de conservação instituídas pelo Estado, exceto em Áreas de Proteção Ambiental (APAs); critérios de porte, potencial poluidor e natureza da atividade; ou b) localizados em unidades de conservação instituídas pelo Município, exceto em Áreas de Proteção Ambiental (APAs); Aprovar o manejo e a supressão de vegetação, de Aprovar o manejo e a supressão de vegetação, de Aprovar, observadas as atribuições dos demais 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 38/90 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp97.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp97.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp97.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp97.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp97.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp97.htm florestas e formações sucessoras em: a) florestas públicas federais, terras devolutas federais ou unidades de conservação instituídas pela União, exceto em APAs; e b) atividades ou empreendimentos licen- ciados ou autorizados, ambientalmente, pela União; florestas e formações sucessoras em: a) florestas públicas estaduais ou unidades de conservação do Estado, exceto em Áreas de Proteção Ambiental (APAs); b) imóveis rurais, observadas as atribuições previstas no inciso XV do art. 7o; e c) atividades ou empreendimentos licenciados ou autorizados, ambientalmente, pelo Estado; entes federativos previstas na LC 140/2011: a) a supressão e o manejo de vegetação, de florestas e formações sucessoras em florestas públicas municipais e unidades de conservação instituídas pelo Município, exceto em Áreas de Proteção Ambiental (APAs); e b) a supressão e o manejo de vegetação, de florestas e formações sucessoras em empreendimentos licenciados ou autorizados, ambientalmente, pelo Município. Elaborar a relação de espécies da fauna e da flora ameaçadas de extinção e de espécies sobre-explotadas no território nacional, mediante laudos e estudos técnico-científicos, fomentando as atividades que conservem essas espécies in situ; Elaborar a relação de espécies da fauna e da flora ameaçadas de extinção no respectivo território, mediante laudos e estudos técnico-científicos, fomentando as atividades que conservem essas espécies in situ; Não há norma correlata Controlar a introdução no País de espécies exóticas potencialmente invasoras que possam ameaçar os ecossistemas, habitats e espécies nativas. Não há norma correlata Não há norma correlata Aprovar a liberação de exemplares de espécie exótica da fauna e da flora em ecossistemas naturais frágeis ou protegidos Não há norma correlata Não há norma correlata Controlar a exportação de componentes da Não há norma correlata Não há norma correlata 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 39/90 biodiversidade brasileira na forma de espécimes silvestres da flora, micro-organismos e da fauna, partes ou produtos deles derivados Controlar a apanha de espécimes da fauna silvestre, ovos e larvas. Controlar a apanha de espécimes da fauna silvestre, ovos e larvas destinadas à implantação de criadouros e à pesquisa científica. Não há norma correlata Não há norma correlata Aprovar o funcionamento de criadouros da fauna silvestre. Não há norma correlata Proteger a fauna migratória e as espécies inseridas na relação prevista no inciso XVI Não há norma correlata Não há norma correlata Exercer o controle ambiental da pesca em âmbito nacional ou regional Exercer o controle ambiental da pesca em âmbito estadual Não há norma correlata Gerir o patrimônio genético e o acesso ao conhecimento tradicional associado, respeitadas as atribuições setoriais Não há norma correlata Não há norma correlata Exercer o controle ambiental sobre o transporte marítimo de produtos perigosos Exercer o controle ambiental do transporte fluvial e terrestre de produtos perigosos. Não há norma correlata Exercer o controle ambiental sobre o transporte interestadual, fluvial ou terrestre, de produtos perigosos. Não há norma correlata A ideia dessa tabelaé relacionar as ações administrativas de incumbência de cada ente federativo para que o candidato posso melhor visualizá-las, encontrando o jeito mais fácil de fixá-las com o tempo. Vejamos, no próximo tópico, as ações governamentais referentes ao licenciamento. 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 40/90 Licenciamento na Lei Complementar 140/2011 A União, os Estados, O Distrito Federal e os Municípios possuem competência para realizarem licenciamento de obras potencialmente ou efetivamente causadores de impactos ao meio ambiente, considerado que se trata de uma competência material comum assegurada no art. 23, da CF/88. A LC 140/2011, assim como a Resolução Conama 237/97, previram que o processo de licenciamento deve tramitar por um único ente federativo. É a unicidade do ente licenciador. Isso não impede que os demais entes federativos participem do licenciamento, mas suas manifestações são meramente opinativas, não vinculando o órgão ambiental originariamente licenciador. Destaca-se também, dentro da ideia de centralização do processo de licenciamento em um único ente que a supressão de vegetação decorrente de licenciamentos ambientais é autorizada pelo ente federativo licenciador. Consoante alude Romeu Thomé, a definição do ente federativo para o licenciamento deve ser fixada no caso concreto com a utilização de critérios definidores de competência, tendo a LC 140/2011 definido de forma mais elucidativa esses parâmetros. Três normas básicas instituíram critérios definidores de competência: (1) a Lei 6.938/81; (2) a Resolução Conama 237/97; e (3) a LC 140/2011. Esses critérios foram fixados nos referidos normativos sendo os principais: (1) dominialidade do bem; (2) ente instituidor da unidade de conservação; (3) critério geográfico; (4) monopólio; (5) segurança nacional e (6) tipologia (porte, potencial poluidor e natureza da atividade). A LC 140/2011 trouxe inovações quanto aos critérios notadamente ao ente instituidor da unidade de conservação em que ressalva as Áreas de Proteção Ambiental, bem como no uso da tipologia da atividade para definir quem será competente administrativamente para o licenciamento. Dominialidade do Bem Quanto à dominialidade do bem, o ente político que for o proprietário do bem ou do interesse deve ser o único responsável pelo licenciamento ambiental, independentemente de outro critério existente. Nessa regra a LC 140/2011 lista as atribuições mais detalhadas para a União. Critério: DOMINIALIDADE DO BEM União Estados/DF Municípios/DF Promover o Licenciamento de Atividades ou Empreendimentos: Promover o Licenciamento de Atividades ou Empreendimentos: Promover o Licenciamento de Atividades ou Empreendimentos: 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 41/90 - Localizados ou desenvolvidos no mar territorial, na plataforma continental ou na zona econômica exclusiva; - Localizados ou desenvolvidos em terras indígenas; - Outros bens da União. - Bens dos Estados - Bens do Municípios Ente Instituidor da unidade de conservação Quanto ao critério do ente instituidor da unidade de conservação, a LC 140/2011 previu expressamente esse critério como fixador de competência administrativa para o licenciamento ambiental para todos os entes federativos, ressalvando de sua incidência às Áreas de Proteção Ambiental -APAs. Critério: ENTE INSTITUIDOR DA UNIDADE DE CONSERVAÇÃO União Estados/DF Municípios/DF Promover o Licenciamento de Atividades ou Empreendimentos: Promover o Licenciamento de Atividades ou Empreendimentos: Promover o Licenciamento de Atividades ou Empreendimentos: -Localizados ou desenvolvidos em unidades de conservação instituídas pela União, exceto em Áreas de Proteção Ambiental. -Localizados ou desenvolvidos em unidades de conservação instituídas pelos Estados, exceto em Áreas de Proteção Ambiental. -Localizados ou desenvolvidos em unidades de conservação instituídas pelos Municípios, exceto em Áreas de Proteção Ambiental. Para as APAs, conforme leciona Frederico Amado, não se sabe o motivo que levou o legislador à exclusão dessa categoria de unidade de conservação, acreditando que esse exclusão possa ter ocorrido pelas características desse tipo de unidade de conservação da natureza, bem como pela grande quantidade de APAs criadas no Brasil, que hoje perfazem mais de dez milhões de hectares, totalizando 32 unidades de conservação. A LC 140/2011, em seu art. 12, prevê que o critério diferenciador do ente instituidor da unidade de conservação não incidirá, devendo obedecer aos critérios fixados no parágrafo único do mesmo normativo. Vejamos: 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 42/90 Art. 12. Para fins de licenciamento ambiental de atividades ou empreendimentos utilizadores de recursos ambientais, efetiva ou potencialmente poluidores ou capazes, sob qualquer forma, de causar degradação ambiental, e para autorização de supressão e manejo de vegetação, o critério do ente federativo instituidor da unidade de conservação não será aplicado às Áreas de Proteção Ambiental (APAs). Parágrafo único. A definição do ente federativo responsável pelo licenciamento e autorização a que se refere o caput, no caso das APAs, seguirá os critérios previstos nas alíneas “a”, “b”, “e”, “f” e “h” do inciso XIV do art. 7o, no inciso XIV do art. 8o e na alínea “a”do inciso XIV do art. 9o. Assim, caberá a União em relação às APAs licenciar atividades potencialmente poluidoras: (1) localizadas ou desenvolvidas conjuntamente no Brasil e em país limítrofe; (2) localizados ou desenvolvidas no mar territorial, na plataforma continental ou na zona econômica exclusiva; (3) localizados ou desenvolvidos em dois ou mais Estados; (4) de caráter militar e que (5) atendam a tipologia estabelecida pela Comissão Tripartite Nacional. Caberá aos Municípios/DF em relação às APAs licenciar atividades potencialmente poluidoras: atendam a tipologia estabelecida pelos Conselhos Estaduais de Meio Ambiente. Aos Estados/DF, caberá, de forma residual, em não sendo nenhuma das atribuições de licenciamento definidas para União ou Municípios, o licenciamento das atividades ou empreendimentos utilizadores de recursos ambientais, efetiva ou potencialmente poluidores ou capazes de qualquer forma de causarem degradação ambiental. Cumpre destacar que o licenciamento dos empreendimentos cuja localização compreenda concomitantemente áreas das faixas terrestre e marítima da zona costeira será de atribuição da União exclusivamente nos casos previstos em tipologia estabelecida por ato do Poder Executivo, a partir de proposição da Comissão Tripartite Nacional, assegurada a participação de um membro do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e considerados os critérios de porte, potencial poluidor e natureza da atividade ou empreendimento. A União já estabeleceu as tipologias de empreendimentos e atividades cujo licenciamento ambiental será de sua atribuição por meio do Decreto 8.437/2015. A título de exemplo, serão licenciados pela União as rodovias federais (instalação, pavimentação, manutenção), ferrovias federais, hidrovias federais, portos organizados, exploração e produção de petróleo e gás natural, bem como sistemas de geração e transmissão de energia elétrica. Critério Geográfico Quanto ao critério geográfico é aplicado em regra à União para as atividades ou empreendimentos localizados ou desenvolvidos conjuntamente no Brasil e em país limítrofe ou mesmo se localizados ou desenvolvidos em 2 (dois) ou mais Estados. Critério do monopólio 5. Poder de Polícia Ambiental,Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 43/90 Questão 2020 | 553605973 O Conselho Estadual do Meio Ambiente (CONSEMA) deliberou que os licenciamentos ambientais conduzidos por Estudo de Impacto Ambiental e Respectivo Relatório (EIA- RIMA) serão estaduais e os demais, salvo aqueles de competência da União (Lei Complementar Federal nº 140, de 08 de dezembro de 2011), serão municipais. A presente deliberação A) é nula, pois o Conselho Estadual do Meio Ambiente não possui atribuição legal para �xar regras de competência para o licenciamento ambiental. B) é válida, pois compete ao Conselho Estadual do Meio Ambiente de�nir quais licenciamentos ambientais serão conduzidos pelo Município. C) depende de regulamentação dos Conselhos Municipais de Meio Ambiente para entrar em vigor. Quanto ao critério do monopólio sobre determinados bens ou serviços, temos aplicação desse critério como definidor da competência licenciadora da União nos casos destinados a pesquisar, lavrar, produzir, beneficiar, transportar, armazenar e dispor material radioativo, em qualquer estágio, ou que utilizem energia nuclear em qualquer de suas formas e aplicações, mediante parecer da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen). Critério da Segurança Nacional O critério da segurança nacional defere a competência à União para licenciar atividades de caráter militar potencialmente causadores de impacto ambiental independentemente dos demais critérios utilizados. Cumpre destacar que não caberá licenciamento ambiental, mesmo causando impactos significativos ao meio ambiente, para as atividades militares no preparo e emprego das Forças Armadas (notadamente para Garantia da Lei e da Ordem – GLO), previstas na Lei Complementar 97/99. Critério da Tipologia O critério da Tipologia é utilizado para atribuir competências de licenciamento de atividades potencialmente poluidoras à União e aos Municípios/DF. Conforme já ventilado aqui, a União já editou o Decreto 8.437/2015, disciplinado as atividades que se sujeitaram ao licenciamento ambiental perante o IBAMA com base nos critérios de porte, potencial poluidor e natureza da do empreendimento. Ao seu turno, só será atribuição de licenciamento pelos Municípios/DF os empreendimentos que apresentam impactos ambientais locais e estejam previstos em norma do Conselho Estadual de Meio Ambiente que regulamentará as tipologias de empreendimentos potencialmente poluidores com base em critérios de porte, potencial poluidor e natureza da do empreendimento. Nesse sentido, caberá ao Conselho Estadual, e não o Municipal, definir as tipologias para autorizar o licenciamento das referidas atividades pelos Municípios. 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 44/90 D) é nula, pois o critério selecionado está em desacordo com a normativa que rege o tema. E) depende de rati�cação do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) para entrar em vigor. Solução Gabarito: D) é nula, pois o critério selecionado está em desacordo com a normativa que rege o tema. A questão exigiu conhecimento sobre a distribuição de competência em matéria de Licenciamento Ambiental realizada pela Lei Complementar n 140/2011. O licenciamento ambiental cuida-se de "procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental competente licencia a localização, instalação, ampliação e a operação de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou daquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental, considerando as disposições legais e regulamentares e as normas técnicas aplicáveis ao caso" (art. 1º, I, da Resolução CONAMA 237/97). A LC 140/2011 apresenta critérios para a de�nição de competência para o licenciamento ambiental pela União (art. 7º), Estados e DF (art. 8º) e Municípios e DF (art. 9º). LC 140/2011. Art. 9. São ações administrativas dos Municípios: (...) XIV - observadas as atribuições dos demais entes federativos previstas nesta Lei Complementar, promover o licenciamento ambiental das atividades ou empreendimentos: a) que causem ou possam causar impacto ambiental de âmbito local, conforme tipologia de�nida pelos respectivos Conselhos Estaduais de Meio Ambiente, considerados os critérios de porte, potencial poluidor e natureza da atividade; ou b) localizados em unidades de conservação instituídas pelo Município, exceto em Áreas de Proteção Ambiental (APAs); São três critérios trazidos pela Lei = PORTE POTENCIAL POLUIDOR NATUREZA DA ATIVIDADE Importante destacar também que, em regra, apenas será exigível o EIA/RIMA se for signi�cativa, efetiva ou potencialmente, a degradação ambiental esperada. sob pena de nulidade da licença ambiental, nos termos do art. 225, inciso IV, da Constituição Federal. Atuação SUPLETIVA (substituição) X atuação SUBSIDIÁRIA (colaboração) – art. 2º, da LC: 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 45/90 - Supletiva: é a ação do ente da federação que se SUBSTITUI ao ente federativo originariamente detentor das atribuições. Suprir a FALTA do ente originariamente competente. - Subsidiária: é a ação do ente da federação que visa a AUXILIAR no desempenho das atribuições decorrentes das competências comuns, quando solicitado pelo ente federativo originariamente detentor das atribuições. A letra A está incorreta. ERRADA Os Conselhos estaduais, assim como os municípios, tem sim atribuição para para formular normas referentes ao Licenciamento Ambiental. Tal é o que se afere do art.6º , §1º da Lei 6.938). § 1º - Os Estados, na esfera de suas competências e nas áreas de sua jurisdição, elaborarão normas supletivas e complementares e padrões relacionados com o meio ambiente, observados os que forem estabelecidos pelo CONAMA. A letra B está incorreta. ERRADA A de�nição de quais os licenciamentos ambientais seriam conduzidos pelos municípios foi determinada pelo art. 9] da LC 140/11, não cabendo aos Conselhos Estaduais interferir nestas disposições com natureza de normas gerais. De acordo com referido art. 9º, cabe aos Conselhos Estaduais apenas de�nir a tipologia de impacto ambiental local, que será de competência municipal, mas não qual o tipo de licenciamento. A letra C está incorreta. ERRADA O art.9º da LC 140/11 prevê que cabe aos Conselhos Estaduais a regulamentação quanto as tipologias do impacto ambiental. Enquanto não for estabelecida a referida tipologia pelos Conselhos Estaduais de MA, essa disposição não será aplicada, devendo o licenciamento nos Municípios a ser regido pela legislação anterior (art. 18, da LC) – art. 6º, da Res. CONAMA 237/97. A letra D está correta. CERTA 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 46/90 Por só ter considerado o potencial poluidor, é nula a deliberação estadual, já que deveria ter considerado o porte dos empreendimentos e a natureza da atividade. Os Conselhos Estaduais de Meio Ambiente, para de�nir a tipologia de impacto ambiental local que será de competência ambiental, têm que considerar os critérios de: porte, potencial poluidor natureza da atividade LC 140/2011. Art. 9. (...) XIV - a) que causem ou possam causar impacto ambiental de âmbito local, conforme tipologia de�nida pelos respectivos Conselhos Estaduais de Meio Ambiente, considerados os critérios de porte, potencial poluidor e natureza da atividade; ou b) localizados em unidades de conservação instituídas pelo Município, exceto em Áreas de Proteção Ambiental (APAs); A letra E está incorreta. ERRADA Não há previsão no art. 9º da LC 140/11 sobre a dependênciade rati�cação do CONAMA. O art.9º da LC 140/11 prevê que cabe aos Conselhos Estaduais a regulamentação quanto as tipologias do impacto ambiental. Questão 2020 | 553605973 O Conselho Estadual do Meio Ambiente (CONSEMA) deliberou que os licenciamentos ambientais conduzidos por Estudo de Impacto Ambiental e Respectivo Relatório (EIA- RIMA) serão estaduais e os demais, salvo aqueles de competência da União (Lei Complementar Federal nº 140, de 08 de dezembro de 2011), serão municipais. A presente deliberação A) é nula, pois o Conselho Estadual do Meio Ambiente não possui atribuição legal para �xar regras de competência para o licenciamento ambiental. B) é válida, pois compete ao Conselho Estadual do Meio Ambiente de�nir quais licenciamentos ambientais serão conduzidos pelo Município. C) depende de regulamentação dos Conselhos Municipais de Meio Ambiente para entrar em vigor. D) é nula, pois o critério selecionado está em desacordo com a normativa que rege o tema. 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 47/90 E) depende de rati�cação do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) para entrar em vigor. Solução Gabarito: D) é nula, pois o critério selecionado está em desacordo com a normativa que rege o tema. A questão exigiu conhecimento sobre a distribuição de competência em matéria de Licenciamento Ambiental realizada pela Lei Complementar n 140/2011. O licenciamento ambiental cuida-se de "procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental competente licencia a localização, instalação, ampliação e a operação de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou daquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental, considerando as disposições legais e regulamentares e as normas técnicas aplicáveis ao caso" (art. 1º, I, da Resolução CONAMA 237/97). A LC 140/2011 apresenta critérios para a de�nição de competência para o licenciamento ambiental pela União (art. 7º), Estados e DF (art. 8º) e Municípios e DF (art. 9º). LC 140/2011. Art. 9. São ações administrativas dos Municípios: (...) XIV - observadas as atribuições dos demais entes federativos previstas nesta Lei Complementar, promover o licenciamento ambiental das atividades ou empreendimentos: a) que causem ou possam causar impacto ambiental de âmbito local, conforme tipologia de�nida pelos respectivos Conselhos Estaduais de Meio Ambiente, considerados os critérios de porte, potencial poluidor e natureza da atividade; ou b) localizados em unidades de conservação instituídas pelo Município, exceto em Áreas de Proteção Ambiental (APAs); São três critérios trazidos pela Lei = PORTE POTENCIAL POLUIDOR NATUREZA DA ATIVIDADE Importante destacar também que, em regra, apenas será exigível o EIA/RIMA se for signi�cativa, efetiva ou potencialmente, a degradação ambiental esperada. sob pena de nulidade da licença ambiental, nos termos do art. 225, inciso IV, da Constituição Federal. Atuação SUPLETIVA (substituição) X atuação SUBSIDIÁRIA (colaboração) – art. 2º, da LC: - Supletiva: é a ação do ente da federação que se SUBSTITUI ao ente federativo originariamente detentor das atribuições. Suprir a FALTA do ente originariamente 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 48/90 competente. - Subsidiária: é a ação do ente da federação que visa a AUXILIAR no desempenho das atribuições decorrentes das competências comuns, quando solicitado pelo ente federativo originariamente detentor das atribuições. A letra A está incorreta. ERRADA Os Conselhos estaduais, assim como os municípios, tem sim atribuição para para formular normas referentes ao Licenciamento Ambiental. Tal é o que se afere do art.6º , §1º da Lei 6.938). § 1º - Os Estados, na esfera de suas competências e nas áreas de sua jurisdição, elaborarão normas supletivas e complementares e padrões relacionados com o meio ambiente, observados os que forem estabelecidos pelo CONAMA. A letra B está incorreta. ERRADA A de�nição de quais os licenciamentos ambientais seriam conduzidos pelos municípios foi determinada pelo art. 9] da LC 140/11, não cabendo aos Conselhos Estaduais interferir nestas disposições com natureza de normas gerais. De acordo com referido art. 9º, cabe aos Conselhos Estaduais apenas de�nir a tipologia de impacto ambiental local, que será de competência municipal, mas não qual o tipo de licenciamento. A letra C está incorreta. ERRADA O art.9º da LC 140/11 prevê que cabe aos Conselhos Estaduais a regulamentação quanto as tipologias do impacto ambiental. Enquanto não for estabelecida a referida tipologia pelos Conselhos Estaduais de MA, essa disposição não será aplicada, devendo o licenciamento nos Municípios a ser regido pela legislação anterior (art. 18, da LC) – art. 6º, da Res. CONAMA 237/97. A letra D está correta. CERTA Por só ter considerado o potencial poluidor, é nula a deliberação estadual, já que deveria ter considerado o porte dos empreendimentos e a natureza da atividade. 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 49/90 Os Conselhos Estaduais de Meio Ambiente, para de�nir a tipologia de impacto ambiental local que será de competência ambiental, têm que considerar os critérios de: porte, potencial poluidor natureza da atividade LC 140/2011. Art. 9. (...) XIV - a) que causem ou possam causar impacto ambiental de âmbito local, conforme tipologia de�nida pelos respectivos Conselhos Estaduais de Meio Ambiente, considerados os critérios de porte, potencial poluidor e natureza da atividade; ou b) localizados em unidades de conservação instituídas pelo Município, exceto em Áreas de Proteção Ambiental (APAs); A letra E está incorreta. ERRADA Não há previsão no art. 9º da LC 140/11 sobre a dependência de rati�cação do CONAMA. O art.9º da LC 140/11 prevê que cabe aos Conselhos Estaduais a regulamentação quanto as tipologias do impacto ambiental. Responsabilidade Administrativa e Infrações Administrativas Ambientais A Constituição Federal de 1988 impõe ao Poder Público o dever de defender e preservar o meio ambiente para as presentes e futuras gerações. Uma das formas de tutela dos bens ambientais é por meio do exercício do poder de polícia cabendo aos agentes estatais fiscalizar e apurar as infrações cometidas em face do meio ambiente. Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI. Toda conduta que provoque degradação ao meio autoriza o Poder Público a instaurar processo administrativo ambiental sancionador objetivando a apuração do ilícito administrativo e a responsabilização daquele que deu causa aos danos ambientais. Cumpre destacar que pela teoria da independência das instâncias as responsabilidades administrativa, civil e criminal em matéria ambiental serão apuradas de forma independente pelo Poder Público 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 50/90 Responsabilizar administrativamente o infrator implica aplicar-lhe sanções de natureza administrativa como multa, advertência, embargo de área/atividade e restrições de direitos que, em face dos atributos do poder de polícia (autoexecutoriedade e coercibilidade), podem ser diretamente aplicadas pela administração ambiental, como regra, sem a necessidade de um mandamento judicial para lhe atribuir executoriedade. A natureza jurídica da responsabilidade administrativa é controvertida na doutrina, parte ventilando a tese da teoria objetiva, outra a subjetiva. O Superior Tribunal de Justiça -STJ já sedimentou o entendimento de que a responsabilidadeadministrativa ambiental tem natureza subjetiva. Vejamos o julgado de relatoria da Ministra Regina Helena Costa: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. AMBIENTAL. DANO AMBIENTAL.RESPONSABILIDADE ADMINISTRATIVA. CARÁTER SUBJETIVO. DEMONSTRAÇÃO DE DOLO OU CULPA E DO NEXO CAUSAL. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. II - A responsabilidade administrativa ambiental tem caráter subjetivo, exigindo-se, por isso, a demonstração de dolo ou culpa e do nexo causal entre conduta e o dano. Precedentes. (AgInt no REsp 1828167/PR, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 30/09/2019, DJe 03/10/2019) Essa natureza subjetiva implica afirmar que ao Poder Público deve comprovar o elemento subjetivo do tipo administrativo, qual seja, a culpabilidade do agente que praticou a conduta danosa (análise do dolo ou culpa). Assim, são necessários os seguintes elementos para configuração da responsabilidade administrativa ambiental: conduta; dano, nexo causal e a análise da existência de dolo ou culpa para a sua configuração. Para o STJ, o art. 14, caput, da Lei 6.938/81, previu a responsabilidade administrativa, ao determinar que os danos causados ao meio ambiente sujeitarão os infratores a determinadas sanções, como multa e suspensão de atividade. Quando o fez para a responsabilidade civil, expressamente excluiu o elemento subjetivo (independentemente de culpa) não dispensando, portanto, a existência de culpa ou dolo na conduta praticada pelo infrator. Vejamos os normativos Art. 14. Sem prejuízo das penalidades definidas pela legislação federal, estadual e municipal, o não cumprimento das medidas necessárias à preservação ou correção dos inconvenientes e danos causados pela degradação da qualidade ambiental sujeitará os transgressores: 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 51/90 I - à multa simples ou diária, nos valores correspondentes, no mínimo, a 10 (dez) e, no máximo, a 1.000 (mil) Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional - ORTNs, agravada em casos de reincidência específica, conforme dispuser o regulamento, vedada a sua cobrança pela União se já tiver sido aplicada pelo Estado, Distrito Federal, Territórios ou pelos Municípios; II - à perda ou restrição de incentivos e benefícios fiscais concedidos pelo Poder Público; III - à perda ou suspensão de participação em linhas de financiamento em estabelecimentos oficiais de crédito; IV - à suspensão de sua atividade. § 1º Sem obstar a aplicação das penalidades previstas neste artigo, é o poluidor obrigado, independentemente da existência de culpa, a indenizar ou reparar os danos causados ao meio ambiente e a terceiros, afetados por sua atividade. O Ministério Público da União e dos Estados terá legitimidade para propor ação de responsabilidade civil e criminal, por danos causados ao meio ambiente. A aplicação e a execução das penas (responsabilidade administrativa) limitam-se aos transgressores (somente podem ser aplicadas a quem efetivamente praticou a infração). Por outro lado, a reparação ambiental, de cunho civil, pode atingir todos os poluidores, a quem a própria legislação define como a pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, responsável, direta ou indiretamente, por atividade causadora de degradação ambiental. Nessa linha, destaca Márcio Cavalcante que o uso do vocábulo “transgressores” no caput do art. 14, comparado à utilização da palavra “poluidor” no § 1º, deixa a entender aquilo que já se podia inferir da vigência do princípio da Intranscendência das penas, isto é, a responsabilidade civil por dano ambiental é subjetivamente mais abrangente do que as responsabilidades administrativa e penal, não admitindo estas últimas que terceiros respondam a título objetivo por ofensas ambientais praticadas por outrem. Nessa linha, já trouxemos que a responsabilidade civil é objetiva e a responsabilidade penal é subjetiva. Assim, esquematizando, temos: 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 52/90 Base Normativa A Lei 9.605/98 dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. Essa norma previu, do art. 70 ao art. 76, sanções para os indivíduos que praticarem condutas caracterizadoras de infrações administrativas ao meio ambiente. Tendo presente a competência concorrente dos entes federativos quanto à proteção do meio ambiente, bem como à responsabilidade por danos a ele causados, poderão eles editar normas específicas para regulamentar as regras presentes na lei de crimes ambientais. A União já exerceu seu poder regulamentar editando o Decreto 6.514/2008 que dispõe sobre as infrações e sanções administrativas ao meio ambiente, estabelecendo o processo administrativo federal para apuração destas infrações. As bases normativas que utilizaremos para a escorreito entendimento dos institutos da responsabilidade administrativa serão a Lei 9.605/98 e o Decreto 6.514/2008. Alertamos ao candidato que fique atento ao edital do concurso, considerando a probabilidade de ser exigida norma específica que disciplina as sanções administrativas ao meio ambiente. Normas gerais sobre infrações administrativas. A lei 9.605/98 A lei 9.605/98 é a base normativa das regras fundamentais que devem nortear a atuação da Administração Pública no âmbito federal, estadual, distrital e municipal. Nesse sentido, o conhecimento de suas disposições é fundamental para a escorreita compreensão das normas regulamentares editadas por cada um dos entes federativos. A infração administrativa ambiental é toda ação ou omissão que viole as regras jurídicas de uso, gozo, promoção, proteção e recuperação do meio ambiente (art. 70, da Lei 9.605/98). Nesse sentido, qualquer ato atentatório por uma conduta comissiva ou omissiva, à flora, à fauna, ao ordenamento urbano e ao patrimônio cultural, artístico ou paisagístico é considerada infração administrativa devendo a autoridade ambiental competente, lavrar auto de infração para posterior responsabilização do infrator (autuado). Praticada a conduta atentatória ao meio ambiente é dever do Estado coibir o ilícito diminuindo seus efeitos deletérios e proceder à responsabilização do infrator na esfera administrativa pela aplicação de sanções de natureza cautelar ou/e punitiva. Não há discricionariedade no exercício do poder de polícia neste caso. Se o agente de fiscalização de um órgão ambiental tem notícia ou presencia uma conduta lesiva ao meio ambiente, é seu dever funcional, sob pena de responsabilidade, agir para inibir o ato e qualificar a autoria e a materialidade do ilícito. Nesse sentido, o § 3º, do art. 70, da Lei 9.605/98, prescreve que a autoridade ambiental que tiver conhecimento de infração ambiental é obrigada a promover a sua apuração imediata, mediante processo administrativo próprio, assegurando-se ao autuado o direito ao contraditório e a ampla defesa, sob pena de corresponsabilidade. Por outro lado, qualquer pessoa do povo poderá agir informando a autoridade ambiental das infrações ao meio ambiente que presenciou 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 53/90 para que a autoridade administrativa proceda à apuração da notícia infracional narrada e, em sendo o caso, responsabilize quem deu causa ao dano ambiental identificado. A regra de ouro para o exercício do poder de polícia ambiental é: somente pode lavrar auto de infração e instaurar o processo administrativo ambientalsancionador os funcionários do órgão/entidade ambiental que tenham a designação específica para atuarem na fiscalização, e que sejam integrantes do Sisnama, sob pena de macular o auto de infração lavrado ao ponto de ser reconhecida sua nulidade absoluta por vício insanável. Por outro lado, destacamos que a Lei 9.605 reconheceu como autoridade ambiental competente para lavratura de auto de infração e instauração de processo administrativo ambiental, os agentes da Capitania dos Portos do Ministério da Marinha. Assim, embora não integrantes do Sisnama, podem, por expressa determinação legal, exercer o poder de polícia ambiental preventivo e repressivo. Eis as normas fundamentais estatuídas no art. 70, da Lei 9.605/98. Art. 70. Considera-se infração administrativa ambiental toda ação ou omissão que viole as regras jurídicas de uso, gozo, promoção, proteção e recuperação do meio ambiente. § 1º São autoridades competentes para lavrar auto de infração ambiental e instaurar processo administrativo os funcionários de órgãos ambientais integrantes do Sistema Nacional de Meio Ambiente - SISNAMA, designados para as atividades de fiscalização, bem como os agentes das Capitanias dos Portos, do Ministério da Marinha. § 2º Qualquer pessoa, constatando infração ambiental, poderá dirigir representação às autoridades relacionadas no parágrafo anterior, para efeito do exercício do seu poder de polícia. § 3º A autoridade ambiental que tiver conhecimento de infração ambiental é obrigada a promover a sua apuração imediata, mediante processo administrativo próprio, sob pena de corresponsabilidade. § 4º As infrações ambientais são apuradas em processo administrativo próprio, assegurado o direito de ampla defesa e o contraditório, observadas as disposições desta Lei. Prazos Máximos no Processo Administrativo Ambiental Sancionador O art. 71, da Lei 9.605/98, fixa para todos os entes federativos prazos máximos para a prática dos principais atos processuais de um processo administrativo sancionador. Nesse 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 54/90 sentido, União, Estados, Distrito Federal e Municípios não poderão eleger prazos que ultrapassem os limites fixados pela lei. Os atos processuais escolhidos pelo legislador foram: (1) a apresentação da defesa do autuado, devendo se efetivar em até 20 dias; (2) a decisão administrativa de primeira instância, não podendo ultrapassar 30 dias da lavratura do auto de infração; (3) o recurso do autuado que deve ser apresentado em até 20 dias da ciência da decisão que julgou o auto de infração; e (4) o pagamento da multa fixada em até 5 dias do recebimento da notificação. Hodiernamente, é quase impossível a Administração ambiental cumprir o prazo de ter que decidir em 30 dias a regularidade do auto de infração. Até porque, não só pelas deficiências técnicas e operacionais da maioria dos órgãos ambientais pelo país, os trinta dias para julgamento contados da lavratura do auto de infração é inexequível. De fato, é possível que a intimação do autuado ocorra em momento posterior a lavratura do auto de infração (autuado não estava no momento da autuação) sendo notificado por carta com aviso de recebimento para, em 20 dias, apresentar defesa administrativa. Ocorre que, tendo transcorrido mais de 30 dias desde a lavratura do auto de infração e estando aberto o prazo da defesa, não é razoável ou mesmo proporcional que a autoridade julgadora profira decisão em primeira instância sem aguardar a defesa do infrator, sob pena de macula ao princípio do devido processo legal, e de seus consectários lógicos da ampla defesa e do contraditório. Nesse sentido, é impróprio o prazo fixado para a Administração Ambiental, podendo ultrapassar o limite estabelecido na norma, sem que isso traga algum vício que torne o processo insubsistente. Isso não implica dizer que a Administração Ambiental poderá decidir no momento que achar conveniente ou oportuno. A decisão deve ocorrer em tempo razoável não podendo sair do padrão médio de tramitação dos processos administrativos em geral, sob pena de incidência da sindicabilidade do judiciário (obrigando a autoridade julgadora decidir o processo) ou mesmo pela ocorrência de institutos que reconhecem a inércia estatal como a prescrição da pretensão punitiva propriamente dita e a prescrição da pretensão punitiva intercorrente. Eis a norma do art. Art. 71. O processo administrativo para apuração de infração ambiental deve observar os seguintes prazos máximos: I - vinte dias para o infrator oferecer defesa ou impugnação contra o auto de infração, contados da data da ciência da autuação; II - trinta dias para a autoridade competente julgar o auto de infração, contados da data da sua lavratura, apresentada ou não a defesa ou impugnação; III - vinte dias para o infrator recorrer da decisão condenatória à instância superior do Sistema Nacional do Meio Ambiente - SISNAMA, ou à Diretoria de Portos e Costas, do Ministério da Marinha, de acordo com o tipo de autuação; IV – cinco dias para o pagamento de multa, contados da data do recebimento da notificação. 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 55/90 Sanções no Processo Administrativo Ambiental A lei 9.605/98 não previu as infrações administrativas, limitando-se a estabelecer regras gerais quanto à obrigação do Poder Público em proteger o meio ambiente fixando-se parâmetros mínimos para a apuração da infração ambiental. Nesse sentido, não há tipificação dos atos infracionais ao meio ambiente na referida norma. Essa missão foi delegada a cada ente federativo quando da regulamentação das diretrizes fixada na lei de crimes ambientais. No âmbito federal, os tipos administrativos infracionais estão previstos no Decreto 6.514/2008, norma que, em linhas gerais, será objeto de estudo no próximo tópico desta aula. A Lei também previu, em seu art. 72, as sanções administrativas que devem ser aplicadas ao infrator das normas ambientais, descrevendo de forma objetiva suas características essenciais. São sanções de natureza cautelar, pecuniária e restritivas de direitos. Podemos citar como exemplo a advertência, a multa simples, a demolição de obras, a apreensão de instrumentos do ilícito, o embargo de obra ou atividade, bem como as sanções restritivas de direito. Eis o normativo. Art. 72. As infrações administrativas são punidas com as seguintes sanções, observado o disposto no art. 6º: I - advertência; II - multa simples; III - multa diária; IV - apreensão dos animais, produtos e subprodutos da fauna e flora, instrumentos, petrechos, equipamentos ou veículos de qualquer natureza utilizados na infração; V - destruição ou inutilização do produto; VI - suspensão de venda e fabricação do produto; VII - embargo de obra ou atividade; VIII - demolição de obra; IX - suspensão parcial ou total de atividades; XI - restritiva de direitos. Cumpre destacar que a aplicação dessas sanções segue algumas regras básicas prevista na Lei 9.605/98. Primeiramente, elas podem ser aplicadas sem qualquer ordem hierárquica, sendo considerado regular ato da autoridade ambiental competente que lavre auto de infração 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 56/90 aplicando multa diária sem ter que, necessariamente, aplicar de forma prévia a sanção de advertência. Isso porque, configurada a infração administrativa grave, deve a autoridade ambiental competente aplicar sanção proporcional a conduta infracional. Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, já pacificou a tese de que é despicienda a advertência prévia à imposição de multa. PROCESSUALCIVIL. ADMINISTRATIVO. AMBIENTAL. ACÓRDÃO PROFERIDO PELA CORTE DE ORIGEM EM CONFRONTO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. DESNECESSIDADE DE APLICAÇÃO DE PENALIDADE DE ADVERTÊNCIA ANTES DA APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 72 DA LEI N. 9.605/98. III - O entendimento firmado pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, para aplicação da multa prevista no art. 72 da Lei n. 9.605/98, não há necessidade de que seja antes aplicada a penalidade de advertência. Nesse sentido: REsp 1426132/MG, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/05/2015, DJe 18/11/2015; AgInt no AREsp 938.032/MG, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/12/2016, DJe 15/12/2016) IV - Correta, portanto, a decisão que conheceu do agravo em recurso especial e deu provimento ao recurso especial. (AgInt no AREsp 1301435/SP, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, DJe 24/10/2018) Outra regra essencial que deve ser observada quando da aplicação das sanções, está prevista no §1º, do art. 72, da Lei 9.605/98. Cometendo o infrator, simultaneamente, duas ou mais infrações, serão aplicadas cumulativamente as sanções correspondentes a cada uma delas. Na prática da fiscalização ambiental, em regra, para cada conduta infracional observada durante uma fiscalização, lavram-se autos de infração distintos, que darão origem a processos administrativos específicos, visando não só uma melhor apuração dos fatos em cada processo, como também possibilitar uma ampla defesa ao autuado. Eis o normativo: Art. 72 (...) § 1º Se o infrator cometer, simultaneamente, duas ou mais infrações, ser-lhe-ão aplicadas, cumulativamente, as sanções a elas cominadas. A autoridade ambiental competente também deve observar na dosimetria da sanção a ser aplicada as regras previstas no art. 6º, da Lei 9.605/98 que estabelece a necessidade de se observar a gravidade do fato perpetrado, a reincidência e a situação econômica do infrator para imposição e gradação da sanção. Vejamos a norma: 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 57/90 Art. 6º Para imposição e gradação da penalidade, a autoridade competente observará: I - a gravidade do fato, tendo em vista os motivos da infração e suas consequências para a saúde pública e para o meio ambiente; II - os antecedentes do infrator quanto ao cumprimento da legislação de interesse ambiental; III - a situação econômica do infrator, no caso de multa. Assim, não poderá o agente autuante, no momento da lavratura do auto de infração, ou a autoridade julgadora, no momento da homologação do auto (decisão de primeira instância), por exemplo, fixar uma pena de multa aberta em R$ 1.000.000,00 (variando de R$ 1.000,00 a 1.000.000,00) se o os antecedentes do infrator lhe são favoráveis, ou mesmo comprovadamente trata-se de pessoa de baixa situação econômica. Há uma certa discricionariedade dada pela norma ao agente ambiental objetivando uma melhor adequação do valor, não só para dar concretude ao princípio da igualdade, como também para torna mais exequível o pagamento da multa. A norma apresenta regras básicas para sanção de advertência estabelecendo que deverá ser aplicada em caso de inobservância das disposições fixadas na Lei 9.605/98 e de outras legislações em vigor, bem como de normas regulamentares editadas pelos entes federativos, sem prejuízo das demais sanções nela previstas. Eis o normativo: § 2º A advertência será aplicada pela inobservância das disposições desta Lei e da legislação em vigor, ou de preceitos regulamentares, sem prejuízo das demais sanções previstas neste artigo. A multa é sanção administrativa ambiental de caráter pecuniário prevista na Lei 9.605/98. A norma fixa o valor mínimo e máximo, não podendo o agente autuante ir além ou ficar aquém desses limites, quais sejam, R$ 50,00 e R$ 50.000.000,00, respectivamente. Ademais disso, estabeleceu duas modalidades dessa sanção, a multa simples e a multa diária. Esta deve ser aplicada sempre que houver prolongamento temporal da infração ambiental, melhor dizendo, o fato praticado continua a produzir efeitos seja por configurar uma conduta permanente ou mesmo continuada, objetivando induzir o infrator a sanar o ilícito cessando os efeitos deletérios ao patrimônio ambiental. A multa simples será aplicada sempre que o agente, por negligência ou dolo, não sanar as irregularidades apontadas pelo órgão ambiental ou mesmo opuser embargo à fiscalização. 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 58/90 Esta é a modalidade de multa mais aplicada pelos órgãos/entidades ambientais integrantes do Sisnama. Vejamos as regras comentadas acima: Art. 72(...) § 3º A multa simples será aplicada sempre que o agente, por negligência ou dolo: I - advertido por irregularidades que tenham sido praticadas, deixar de saná-las, no prazo assinalado por órgão competente do SISNAMA ou pela Capitania dos Portos, do Ministério da Marinha; II - opuser embaraço à fiscalização dos órgãos do SISNAMA ou da Capitania dos Portos, do Ministério da Marinha. § 4° A multa simples pode ser convertida em serviços de preservação, melhoria e recuperação da qualidade do meio ambiente. § 5º A multa diária será aplicada sempre que o cometimento da infração se prolongar no tempo. Art. 75. O valor da multa de que trata este Capítulo será fixadono regulamento desta Lei e corrigido periodicamente, com base nos índices estabelecidos na legislação pertinente, sendo o mínimo de R$ 50,00 (cinquenta reais) e o máximo de R$ 50.000.000,00 (cinquenta milhões de reais). Estabelece o §4º do art. 72, que a multa simples pode ser convertida em serviços de preservação, melhoria e recuperação da qualidade do meio ambiente, cabendo a cada ente federativo regulamentar o referido dispositivo fixando os percentuais das multas que podem ser convertidas nesses “serviços ambientais”. O Decreto 6.514/2008, como veremos nesta aula, regulamentou, na esfera federal, a conversão de multa do art. 139 ao art. 148, fixando percentuais de conversão de 60%, 50% e 40% a depender do momento em que o autuado requerer o pedido ao órgão ambiental competente. Destacamos que os valores arrecadados em pagamento de multas por infração ambiental serão revertidos ao Fundo Nacional do Meio Ambiente, criado pela Lei nº 7.797, de 10 de julho de 1989, Fundo Naval, criado pelo Decreto nº 20.923, de 8 de janeiro de 1932, fundos estaduais ou municipais de meio ambiente, ou correlatos, conforme dispuser o órgão arrecadador. Para a fixação da multa, deve ser utilizado como valor base a unidade, hectare, metro cúbico, quilograma ou outra medida pertinente, de acordo com o objeto jurídico lesado. Como exemplo de aplicação dessa regra imagine que um infrator tenha desmatado 50 hectares de floresta e o tipo infracional administrativo preveja a conduta de desmatar floresta nativa sem autorização da autoridade ambiental competente, fixando multa base de R$ 1000,00 por hectare. Nesse sentido, a unidade de medida adotada pelo regulamento foi o “hectare” sendo 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 59/90 usado como base a ser multiplicada pela quantidade desmatada (50 hectares) totalizando R$ 50.000,00. Por fim, lembramos que o pagamento de multa imposta pelos Estados, Municípios, Distrito Federal ou Territórios substitui a multa federal na mesma hipótese de incidência, sob pena de configurar bis in idem. A sanção de apreensão dos animais, produtos e subprodutos da fauna e flora, instrumentos, petrechos, equipamentos ou veículos de qualquer natureza utilizados na infração, bem como a destruição ou inutilizaçãodo produto devem seguir o regramento do art. 25, da Lei 9.605/98. Vejamos: Art. 25. Verificada a infração, serão apreendidos seus produtos e instrumentos, lavrando-se os respectivos autos. § 1o Os animais serão prioritariamente libertados em seu habitat ou, sendo tal medida inviável ou não recomendável por questões sanitárias, entregues a jardins zoológicos, fundações ou entidades assemelhadas, para guarda e cuidados sob a responsabilidade de técnicos habilitados. § 2o Até que os animais sejam entregues às instituições mencionadas no § 1o deste artigo, o órgão autuante zelará para que eles sejam mantidos em condições adequadas de acondicionamento e transporte que garantam o seu bem-estar físico. § 3º Tratando-se de produtos perecíveis ou madeiras, serão estes avaliados e doados a instituições científicas, hospitalares, penais e outras com fins beneficentes. § 4° Os produtos e subprodutos da fauna não perecíveis serão destruídos ou doados a instituições científicas, culturais ou educacionais. § 5º Os instrumentos utilizados na prática da infração serão vendidos, garantida a sua descaracterização por meio da reciclagem. As sanções de suspensão de venda e fabricação do produto, embargo de obra ou atividade, demolição de obra, bem como suspensão parcial ou total de atividades serão aplicadas quando o produto, a obra, a atividade ou o estabelecimento não estiverem obedecendo às prescrições legais ou regulamentares. As sanções restritivas de direitos são: suspensão de registro, licença ou autorização; cancelamento de registro, licença ou autorização; perda ou restrição de incentivos e benefícios fiscais; perda ou suspensão da participação em linhas de financiamento em estabelecimentos oficiais de crédito; proibição de contratar com a Administração Pública, pelo período de até três anos. 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 60/90 Questão 2019 | 657538805 Para atender ao princípio da responsabilização integral na seara ambiental, a imposição de responsabilidade pelo dano ao meio ambiente abrange, de forma concomitante, tanto a área civil quanto a administrativa e a penal. Acerca do tema, é correto a�rmar que A) o empreendedor que licenciou a obra e observa os padrões de qualidade ambiental não poderá ser responsabilizado civilmente por dano ambiental. B) as pessoas jurídicas serão responsabilizadas penalmente, nos casos em que a infração seja cometida por ato exclusivo de seu representante contratual ou comum, em benefício próprio e da entidade. C) a natureza da responsabilidade administrativa ambiental é subjetiva, segundo atual entendimento consolidado no STJ. D) atualmente, tanto o STF como o STJ consideram a necessidade de dupla imputação, tanto da pessoa física, que praticou o ato, como da pessoa jurídica, em crimes ambientais praticados por pessoas jurídicas. E) a responsabilidade civil ambiental é subjetiva, integral e solidária, pois todos aqueles que concorrem para o dano, de forma direta ou indireta, são responsáveis pela reparação. Solução Gabarito: C) a natureza da responsabilidade administrativa ambiental é subjetiva, segundo atual entendimento consolidado no STJ. Estabelece o §3º, do art. 225, da Constituição Federal que as condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados. Esse regramento constitucional estabelece uma tríplice tutela do meio ambiente responsabilizando o infrator cumulativamente na esfera penal, administrativa e civil. O objetivo dessas imputações, no que tange à tutela ambiental, é reeducar o infrator para que tenha uma consciência da importância do bem ambiental para manutenção da sadia qualidade de vida, mas principalmente, recuperar o meio ambiente degradado. A responsabilização administrativa resulta na aplicação de advertência, multa, embargo de atividade/área, suspensão de atividade, dentre outras sanções previstas nos arts. 70 a 76 da Lei 9.605/98, regulamentadas no Decreto 6.514/2008, que dispõe sobre as infrações e sanções administrativas ao meio ambiente, estabelecendo o processo administrativo federal para apuração dessas infrações. A responsabilidade administrativa é sempre subjetiva, exigindo a comprovação do dolo ou da culpa na conduta lesiva ao meio ambiente. Cumpre assinalar que essa posição tem sido ventilada no Superior Tribunal de Justiça – STJ, embora haja divergência na doutrina quanto ao tema. 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 61/90 A responsabilização penal consiste na aplicação de uma sanção penal consubstanciada em pena de reclusão, detenção, multa ou restritiva de direitos, inclusive, neste último caso, aplicável também a pessoa jurídica. Busca a norma penal a tutela mais severa do bem jurídico tutelado. Assim, nem todas as infrações administrativas ao meio ambiente receberão a tutela penal, mais somente aquelas consideradas mais relevantes pelo legislador, tendo em vista que o direito penal é sempre a última ratio na tutela dos bens jurídicos. Assim, nem toda conduta administrativa infracional encontrará um equivalente na esfera penal. Nesse sentido, a responsabilidade é sempre cumulativa (responderá o infrator nas três esferas), mas deve-se perquirir, no caso concreto, se a conduta praticada é típica no âmbito criminal. Os crimes ambientais estão previstos essencialmente na Lei 9.605/98, podendo ser encontrados tipos penais em outras normas. Outro ponto importante é a análise da decisão proferida na esfera penal, que pode ter in�uência nas demais instâncias de responsabilização. A responsabilidade penal é sempre subjetiva, exigindo a comprovação do dolo ou da culpa na conduta lesiva ao meio ambiente. Não há responsabilidade objetiva no Direito Penal. A responsabilidade civil na esfera ambiental, ao seu turno, consiste na reparação dos danos causados ao meio ambiente tendo o infrator a necessidade de recuperar o meio ambiente em face da conduta por ele perpetrada. Essa responsabilização pode ser efetivada principalmente por meio da Ação Civil Pública (Lei 7.347/85) ou mesmo da Ação Popular (Lei 4.717/65). A responsabilidade civil é sempre objetiva, independente da análise do elemento subjetivo na conduta do infrator (análise de dolo ou culpa). Basta comprovar a conduta o resultado e o nexo causal entre eles. A letra A está incorreta. ERRADA. A responsabilidade civil na esfera ambiental consiste na reparação dos danos causados ao meio ambiente tendo o infrator a necessidade de recuperar o meio ambiente em face da conduta por ele perpetrada. Essa responsabilização pode ser efetivada principalmente por meio da Ação Civil Pública (Lei 7.347/85) ou mesmo da Ação Popular (Lei 4.717/65). A responsabilidade civil é sempre objetiva, independente da análise do elemento subjetivo na conduta do infrator (análise de dolo ou culpa). Basta comprovar a conduta o resultado e o nexo causal entre eles. Nesse sentido, mesmo que tenha o empreendedor adotado todas as regras �xadas na licença ambiental, em caso de ocorrência de dano, responderá civilmente. A letra B está incorreta. ERRADA. Não se exige a imputação de penalidade ao agente da empresa para responsabilidade penal da pessoa jurídica. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ era �rme no sentido de que a responsabilização da pessoa jurídica só poderia ocorrer se fosse imputada simultaneamente 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 62/90 a pessoa física o ato infracional, conforme ventilado na 4ª corrente. Assim, o STJ adotava a teoria da dupla imputação70, parágrafo único, 149 e 175 da Constituição Federal, leva à conclusão, no sentido da indelegabilidade, a uma entidade privada, de atividade típica de Estado, que abrange até poder de polícia, de tributar e de punir, no que concerne ao exercício de atividades profissionais regulamentadas, como ocorre com os dispositivos impugnados. Cumpre assinar que as atividades que envolvem o exercício do poder de polícia podem ser divididas em quatro etapas, destacando-se a fase de elaboração das normas (legislação), a de anuência ao exercício de uma atividade (consentimento), a de verificação do cumprimento das normas (fiscalização) e, por fim a fase de aplicação das penalidades por infração à legislação (sanção). Segundo o Superior Tribunal de Justiça – STJ, somente os atos relativos ao consentimento e à fiscalização poderia ser delegáveis a particulares, tendo em vista estarem atrelados ao poder de gestão do Estado, pois aqueles referentes ao sancionamento e à normatização derivam do poder de coerção do Poder Público insuscetíveis de delegação. ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. INMETRO. PEDIDO DE NULIDADE. ATO ADMINISTRATIVO. DELEGAÇÃO DE PODER FISCALIZATÓRIO. ENTIDADE DE DIREITO PRIVADO. POSSIBILIDADE. 2. O Tribunal de origem consignou que "partindo-se do fato de que a delegação, promovida por meio da Portaria 213/2007, a Organismo de Certificação de Produto - OCP, para efetuar a Certificação Compulsória de Conformidade, é de se entender que esta autuação envolve o exercício do poder de polícia administrativa de verificação e avaliação da conformidade, que poderá ser delegada apenas a entidades de direito público, seja com base no texto legal vigente à época da prolação da sentença (art. 4º, parágrafo único da Lei n° 9.933/99), seja após a alteração legislativa (art. 4º § 2º da Lei n° 9.933/99, alterado pela Lei n° Lei n° 12.545/2011)." 3. Dessume-se que, nos termos do art. 4º, §§ 1º e 2º, da Lei 9.933/1999, somente os atos relativos ao consentimento e à fiscalização são delegáveis, pois aqueles referentes ao sancionamento e à normatização derivam do poder de coerção do Poder Público. 4. Na hipótese, em momento algum o Tribunal de origem constatou que o ato de verificação e avaliação de conformidade do produto cuidava de atividade inerente à imposição de sanção administrativa, tampouco se houve ou não violação de norma de regulamentação. 5. Recurso Especial provido. 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5/90 (REsp 1658399/CE, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/08/2017, DJe 12/09/2017) Por outro lado, a Suprema Corte no Julgamento do RE 633782/MG, decidiu pela constitucionalidade da delegação do poder de polícia, por meio de lei, a pessoas jurídicas de direito privado integrantes da Administração Pública indireta de capital social majoritariamente público que prestem exclusivamente serviço público de atuação própria do Estado e em regime não concorrencial. Como ventilado no julgado, essa delegação dos ciclos de polícia só poderá ser feita mediante lei com destinatários certos: empresas públicas e sociedades de economia mista que tenham por objeto exclusivo a prestação de serviços públicos de atuação típica do Estado e em regime não concorrencial, tendo em vista que para execução de seu mister institucional necessita dos meios necessários à realização do serviço público delegado. Ademais disso, há necessidade de que o capital social seja majoritariamente público prestando serviço próprio do Estado. Nesse cenário, é perfeitamente possível a delegação do poder de polícia ambiental para uma pessoa jurídica de direito privado integrante da administração indireta que, autorizada por lei, detenha atribuições de poder de polícia ambiental, podendo fiscalizar e impor sanções aos infratores das normas ambientais, tendo em vista que o exercício do poder de polícia ambiental é uma atividade típica de Estado em regime não concorrencial. Vejamos parte do julgado: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 532. DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. PRELIMINARES DE VIOLAÇÃO DO DIREITO À PRESTAÇÃO JURISDICIONAL ADEQUADA E DE USURPAÇÃO DA COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL AFASTADAS. PODER DE POLÍCIA. TEORIA DO CICLO DE POLÍCIA. DELEGAÇÃO A PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PRIVADO INTEGRANTE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA INDIRETA. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. PRESTADORA DE SERVIÇO PÚBLICO DE ATUAÇÃO PRÓPRIA DO ESTADO. CAPITAL MAJORITARIAMENTE PÚBLICO. REGIME NÃO CONCORRENCIAL. CONSTITUCIONALIDADE. NECESSIDADE DE LEI FORMAL ESPECÍFICA PARA DELEGAÇÃO. CONTROLE DE ABUSOS E DESVIOS POR MEIO DO DEVIDO PROCESSO. CONTROLE JUDICIAL DO EXERCÍCIO IRREGULAR. INDELEGABILIDADE DE COMPETÊNCIA LEGISLATIVA. 1. O Plenário deste Supremo Tribunal reconheceu repercussão geral ao thema decidendum, veiculado nos autos destes recursos extraordinários, referente à definição da compatibilidade constitucional da delegação do poder de polícia administrativa a pessoas jurídicas de direito privado integrantes da Administração Pública indireta prestadoras de serviço público. 2. O poder de polícia significa toda e qualquer ação restritiva do Estado em relação aos direitos individuais. Em sentido estrito, poder de polícia caracteriza uma atividade administrativa, que consubstancia verdadeira prerrogativa conferida aos agentes da Administração, consistente no poder de delimitar a liberdade e a propriedade. 3. A teoria do ciclo de polícia demonstra que o poder de polícia se desenvolve em quatro fases, cada uma correspondendo a um modo de atuação estatal: (i) a ordem de polícia, (ii) o consentimento de 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 6/90 polícia, (iii) a fiscalização de polícia e (iv) a sanção de polícia. 4. A extensão de regras do regime de direito público a pessoas jurídicas de direito privado integrantes da Administração Pública indireta, desde que prestem serviços públicos de atuação própria do Estado e em regime não concorrencial é admissível pela jurisprudência da Corte. (Precedentes: RE 225.011, Rel. Min. Marco Aurélio, Red. p/ o acórdão Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, julgado em 16/11/2000, DJ 19/12/2002; RE 393.032-AgR, Rel. Min. Cármen Lúcia, Primeira Turma, DJe 18/12/2009; RE 852.527-AgR, Rel. Min. Cármen Lúcia, Segunda Turma, DJe 13/2/2015). 5. A constituição de uma pessoa jurídica integrante da Administração Pública indireta sob o regime de direito privado não a impede de ocasionalmente ter o seu regime aproximado daquele da Fazenda Pública, desde que não atue em regime concorrencial. (...)7. As estatais prestadoras de serviço público de atuação própria do Estado e em regime não concorrencial podem atuar na companhia do atributo da coercibilidade inerente ao exercício do poder de polícia, mormente diante da atração do regime fazendário. (...) 13. Repercussão geral constitucional que assenta a seguinte tese objetiva: “É constitucional a delegação do poder de polícia, por meio de lei, a pessoas jurídicas de direito privado integrantes da Administração Pública indireta de capital social majoritariamente público que prestem exclusivamente serviço público de atuação própria do Estado e em regime não concorrencial.” (RE 633782, Relator(a): LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 26/10/2020, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-279 DIVULG 24-11-2020 PUBLIC 25-11-2020) Titular do poder de polícia ambiental = todo integrante da Administração Pública direta e indireta que a lei autorize. Incidência do Poder de Polícia Ambiental O poder de polícia ambiental pode ser aplicado pelo ente integrante do Sisnama contra qualquer pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, mesmo que seja integrante daem crimes ambientais. A mudança de entendimento ocorreu em 2015, no julgamento do RMS 39.173-BA de relatoria do Ministro Reynaldo Soares Fonseca, que seguiu o entendimento da decisão proferida na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 548.181/PR, de relatoria da Ministra Rosa Weber, que ventilou a tese de que o art. 225, § 3º, da Constituição Federal não condiciona a responsabilização penal da pessoa jurídica por crimes ambientais à simultânea persecução penal da pessoa física em tese responsável no âmbito da empresa. A letra C está correta. CERTA. A responsabilização administrativa resulta na aplicação de advertência, multa, embargo de atividade/área, suspensão de atividade, dentre outras sanções previstas nos arts. 70 a 76 da Lei 9.605/98, regulamentadas no Decreto 6.514/2008, que dispõe sobre as infrações e sanções administrativas ao meio ambiente, estabelecendo o processo administrativo federal para apuração dessas infrações. A responsabilidade administrativa é sempre subjetiva, exigindo a comprovação do dolo ou da culpa na conduta lesiva ao meio ambiente. Cumpre assinalar que essa posição tem sido ventilada no Superior Tribunal de Justiça – STJ, embora haja divergência na doutrina quanto ao tema . A letra D está incorreta. ERRADA. Não se exige a imputação de penalidade ao agente da empresa para responsabilidade penal da pessoa jurídica. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ era �rme no sentido de que a responsabilização da pessoa jurídica só poderia ocorrer se fosse imputada simultaneamente a pessoa física o ato infracional, conforme ventilado na 4ª corrente. Assim, o STJ adotava a teoria da dupla imputação em crimes ambientais. A mudança de entendimento ocorreu em 2015, no julgamento do RMS 39.173-BA de relatoria do Ministro Reynaldo Soares Fonseca, que seguiu o entendimento da decisão proferida na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 548.181/PR, de relatoria da Ministra Rosa Weber, que ventilou a tese de que o art. 225, § 3º, da Constituição Federal não condiciona a responsabilização penal da pessoa jurídica por crimes ambientais à simultânea persecução penal da pessoa física em tese responsável no âmbito da empresa. 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 63/90 A letra E está incorreta. ERRADA. A responsabilidade civil na esfera ambiental consiste na reparação dos danos causados ao meio ambiente tendo o infrator a necessidade de recuperar o meio ambiente em face da conduta por ele perpetrada. Essa responsabilização pode ser efetivada principalmente por meio da Ação Civil Pública (Lei 7.347/85) ou mesmo da Ação Popular (Lei 4.717/65). A responsabilidade civil é sempre objetiva, independente da análise do elemento subjetivo na conduta do infrator (análise de dolo ou culpa). Basta comprovar a conduta o resultado e o nexo causal entre eles. Regulamento Federal para o Processamento das Infrações e Sanções Administrativas ao Meio Ambiente O Decreto 6.514/2008 regulamenta a Lei 9.605/98 no âmbito federal estabelecendo as infrações e sanções administrativas ao meio ambiente, estabelece o processo administrativo federal para apuração destas infrações. Pela competência legislativa concorrente, bem como pela competência material comum em matéria de proteção ao meio ambiente cada ente federativo deve editar sua norma ambiental referente às infrações administrativas. Em muitas das expedidas pelos Estados membros, é comum se utilizarem do Decreto 6.514/2008 como norma subsidiária. O nosso objetivo neste tópico é explorar os temais mais cobrados em concurso sobre o Decreto 6.514/2008, sem perder o necessário aprofundamento nos temas relevantes. Nesse sentido, abordaremos as normas gerais sobre infrações e sanções administrativas ao meio ambiente tecendo alguns comentários sobre o processo administrativo ambiental sancionador no âmbito federal. Normas Gerais sobre Infrações e Sanções Administrativas ao Meio Ambiente O Decreto 6.514/2008 tipifica as condutas infracionais ao meio ambiente e suas respectivas sanções administrativas. A norma repete as regras básicas já ventiladas na Lei 9.605/98, especificando o conceito de infração ambiental (art. 2º), bem como as sanções já previstas na referida norma legal, sem qualquer alteração quanto ao ponto (art. 3º). rememorou também a regra de que o agente autuante, ao lavrar o auto de infração, indicará as sanções previstas, devendo observar a gravidade do fato, antecedentes do infrator e a situação econômica deste. Acrescenta, no ponto, que o órgão ou entidade ambiental estabelecerá de forma objetiva critérios complementares para o agravamento e atenuação das sanções administrativas. 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 64/90 Essas entidades ambientais no âmbito federal são o Instituto Brasileiro dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio, ambos com poder de polícia ambiental para tutelar o meio ambiente, cabendo ao ICMBio zelar pela escorreita gestão das unidades de conservação federal. O IBAMA disciplinou o Decreto 6.514/2008 por meio da Instrução Normativa n. 10/2012 regulamentando os procedimentos para apuração de infrações administrativas por condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, bem como a imposição das sanções, a defesa, o sistema recursal e a cobrança de multas. O ICMBio, da mesma forma, editou a Instrução Normativa n. 06/2009 estabelecendo as normas sobre o processo e os procedimentos para apuração de infrações administrativas por condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. No ponto, alertamos que tramita no Ministério do Meio Ambiente – MMA a edição de uma instrução normativa conjunta (IBAMA, ICMBio e MMA) com o objetivo de unificar a atuação dessas autarquias federais no trato do processamento das infrações administrativas ao meio ambiente, bem como informatizar todo o processo administrativo sancionador. O Decreto disciplina as sanções administrativas que devem ser aplicadas ao infrator, estabelecendo as regras básicas de cada uma delas. Passaremos a análise de suas principais características. Advertência A sanção administrativa de advertência foi disciplinada pelos arts. 5º, 6º e 7º, do Decreto 6.514/2008. A aplicação dessa sanção se limita aos casos em que as infrações administrativas de menor lesividade (menor potencial ofensivo ao meio ambiente), garantindo o contraditório e a ampla defesa. Essa lesividade mínima é fixada pelo valor da multa consolidada que não pode extrapolar o patamar de R$ 1.000,00 (mil reais). Há dispensa apenas da obrigação pecuniária, mas há ainda a necessidade de cumprimento de outras obrigações, como exemplo, a necessidade de reparação do dano causado ao meio ambiente. Cumpre assinalar que a advertência, por ser uma medida que tem em tese caráter educativo, não poderá ser concedida novamente num período de 03 anos. Assim, lavrado auto de infração com imposição de advertência (ou outra sanção), não poderá o autuado, após cometer nova infração, ser beneficiado pela advertência, se ainda não transcorrido mais de 03 anos desde o julgamento da defesa da última advertência ou de outra penalidade aplicada. Multa A multa é sanção de natureza pecuniária sendo a pena principal prevista em todas as infrações tipificadas no Decreto 6.514/2008. A multa tem por base a unidade, hectare, metro cúbico, quilograma, metro de carvão-mdc, estéreo, metro quadrado, dúzia, estipe, cento, milheiros ou outra medida pertinente, de acordo com o objeto jurídico lesado, cabendo ao IBAMA ou ICMBio especificar a unidade de medida aplicável para cada espécie de recurso ambiental objeto da infração. 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e ResponsabilidadeAdministrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 65/90 O valor da multa segue o padrão estabelecido na Lei 9.605/98, sendo o mínimo de R$ 50,00 e no máximo de R$ 50.000.000,00, podendo ser corrigidos, periodicamente, com base nos índices estabelecidos na legislação pertinente. Como já sedimentado, a multa apresenta-se em duas modalidades: a multa simples e a multa diária. O Decreto 6.514/2008, estabeleceu regras específicas para a multa diária detalhando ainda mais a aplicação dessa sanção no caso concreto. Nesse sentido, estatuiu que o agente autuante deve fixar o multa-dia no auto de infração tendo valor mínimo de R$ 50,00 e no máximo de 10% da multa simples fixada para o tipo infracional administrativo previsto no Decreto. Vejamos um exemplo para melhor entendimento. Suponha que foi lavrado auto de infração com fundamento no art. 33, do Decreto 6.514/2008 que penaliza quem faz uso comercial de imagem de animal silvestre mantido irregularmente em cativeiro, prevendo uma multa aberta de no mínimo R$ 5.000,00 (cinco mil reais) e o máximo de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais). Se o agente autuante objetivando a retirada das imagens dos animais em cativeiro que se encontram na rede mundial de computadores (fins de venda), poderá fixar multa diária para o cumprimento da medida (além da aplicação de outras sanções) entre o valor mínimo de R$ 50,00 e o máximo de R$ 50.000,00 (10% de 500.000,00). A multa diária deixará de ser aplicada a partir da data em que o autuado apresentar ao órgão ambiental documentos que comprovem a regularização da situação que deu causa à lavratura do auto de infração. No julgamento do auto de infração, a autoridade competente deverá, em caso de procedência da autuação, confirmar ou modificar o valor da multa-dia, decidir o período de sua aplicação e consolidar o montante devido pelo autuado para posterior execução. Cumpre assinalar que a celebração de termo de compromisso de reparação ou cessação dos danos encerrará a contagem da multa diária. O Decreto 6.514/2008 previu as normas para a reincidência, criando os institutos da reincidência genérica e a específica. A reincidência ocorre quando há o cometimento de nova infração ambiental pelo mesmo infrator, no período de cinco anos, contado da data em que a decisão administrativa que o tenha condenado por infração anterior tenha se tornado definitiva. Assim, cometida nova infração dentro do período de 05 anos da data em que a decisão administrativa que o tenha condenado por infração anterior tenha se tornado definitiva, caracteriza-se a reincidência. Será específica se a infração foi da mesma natureza da anterior devendo haver lesão ao mesmo bem ambiental tutelado, sendo a multa fixada em triplo. Caso seja outra infração, incidirá a reincidência genérica, devendo ser a multa aplicada em dobro. A mensuração dessa reincidência não ocorre no momento da lavratura do auto de infração, mas no procedimento da nova infração. Nesse sentido, o agravamento será apurado no procedimento da nova infração, do qual se fará constar certidão com as informações sobre o auto de infração anterior e o julgamento definitivo que o confirmou, seja no mesmo órgão federal ou em órgão ambiental de outro ente federativo. Isso porque a norma não exige que o reconhecimento da reincidência seja somente para infrações lavradas pela mesma autoridade ambiental. 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 66/90 Constatada a existência de decisão condenatória irrecorrível por infração anterior, o autuado será notificado para se manifestar, no prazo de dez dias, sobre a possibilidade de agravamento da penalidade; caracterizada a reincidência, a autoridade competente agravará a penalidade. O agravamento da penalidade por reincidência não poderá ser aplicado após o julgamento. Importa salientar que a adesão a uma das soluções legais previstas no inciso II do § 5º do art. 96 deve ser estimulada pela administração pública federal ambiental, com vistas a encerrar os processos administrativos federais relativos à apuração de infrações administrativas por condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. Conforme previsto no art. 76, da Lei 9.605/98 o pagamento de multa imposta pelos Estados, Municípios, Distrito Federal ou Territórios substitui a multa federal na mesma hipótese de incidência. Regulamentando esse dispositivo, o art. 12 do Decreto 6.514/2008 previu, para os órgãos ambientais federais, que somente o efetivo pagamento da multa será considerado para efeito da substituição, não sendo admitida para esta finalidade a celebração de termo de compromisso de ajustamento de conduta ou outra forma de compromisso de regularização da infração ou composição de dano, salvo se deste também participar o órgão ambiental federal. Por fim, determina a norma federal que 20% do valor arrecadado em pagamentos de multas aplicadas pela União, reverterão ao Fundo Nacional do Meio Ambiente – FNMA, podendo esse percentual ser alterado pelos órgãos ambientais federais; ressalta-se que a destinação dos valores excedentes ao percentual indicado a fundos administrados por outros entes federativos dependerá da celebração de instrumento específico entre o órgão arrecadador e o gestor do fundo. As demais sanções administrativas estão previstas nos arts. 14 a 20, do Decreto 6.514/2008 os quais recomendamos a leitura a depender do edital de concurso que o candidato pretende fazer. Passamos a análise do instituto da prescrição no âmbito das infrações administrativas, tema relevante para fins de concurso. Informamos que foi publicada a Instrução Normativa Conjunta Nº 1, de 12 de abril de 2021 (Ministério do Meio Ambiente, IBAMA e ICMBIO) que regulamenta o processo administrativo federal para apuração de infrações administrativas por condutas e atividades lesivas ao meio ambiente para as duas autarquias federais. Essa Instrução Normativa Conjunta é orientada pelos princípios que regem a Administração Pública e o direito administrativo sancionador, bem como preza pela qualidade técnica da instrução processual e pelo respeito aos direitos dos administrados. Acreditamos ser o aspecto mais relevante da norma a possibilidade de uso de meios eletrônicos na tramitação do processo administrativo federal para apuração de infrações ambientais desde a lavratura do auto de infração, cabe também destaque à importância dada à conciliação ambiental. Acreditamos ser desnecessária a leitura pormenorizada do normativo para fins de concurso, mas o conhecimento de sua existência é basilar, até porque, bem hodierno. Programa de conversão de multa no Decreto 6.514/2008 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 67/90 A multa simples pode ser convertida em serviços ambientais. Esses serviços consistem em proporcionar a preservação, a melhoria e a recuperação da qualidade do meio ambiente. A Lei 9.605/98, no art. 72, §4º, bem como no parágrafo único do art. 139, do Decreto 6.514/2008 autorizam que a autoridade ambiental converta a multa simples em serviços de preservação, de melhoria e de recuperação da qualidade do meio ambiente, exceto as multas decorrentes de infrações ambientais que tenham provocado morte humana e outras hipóteses previstas em regulamento do órgão ou da entidade ambiental responsável pela apuração da infração ambiental. O instituto de conversão de multa sofreu importantes alterações com o Decreto 9.179/2017 que instituiu o programa de conversão de multa ambiental e pelo Decreto 9.760/2019 que aperfeiçoou o processo de conversão. Assim, recomendamos uma atenção especial ao assunto, pois teremos em breve questões específicas sobre esse tema. As bases normativassão a Lei 9.605/98 que originariamente previu a possibilidade de conversão da multa simples em serviços ambientais, o Decreto 6.514/2008 que estabeleceu as regras básicas para efetivação da conversão, o Decreto 9.179/2017 que alterou o Decreto 6.514/2008 estatuindo o programa de conversão de multa, bem como o Decreto 9.760/2019 que aperfeiçoou o sistema e introduziu a conciliação ambiental no âmbito federal. O sistema de conversão de multa traz uma série de benefícios para as entidades ambientais como o efetivo cumprimento do mister institucional garantindo a preservação ambiental com uma maior otimização do tempo e economia de recursos, bem como para o próprio autuado que em face do efeito dissuasivo, terá uma mudança de seu comportamento e uma maior segurança jurídica quanto as obrigações de cunho material. A conversão de multa não pode ser aplicada, deve ser indeferido pela autoridade competente, se o ato atentatório ao meio ambiente resultar em mortes humanas, regra introduzida em 2019, pelo decreto 9.760. Outra regra importante no processo de conversão de multa está prevista no art. 141, do Decreto 6.514/2008, com redação dada pelo Decreto 9.179/2017 consubstanciada na proibição de conversão de multa para reparação de danos decorrentes das próprias infrações. Nesse sentido, não poderá o autuado, ao converter a multa incluir no valor total a ser convertido o custo com os serviços que serão efetivados para recuperação dos danos causados ao meio ambiente. Isso porque a multa é uma responsabilidade administrativa, e a recuperação do dano é uma responsabilidade civil, todas autônomas entre si. Nos termos do art. 140, do Decreto 6.514/2008, são considerados serviços de preservação, melhoria e recuperação da qualidade do meio ambiente, as ações, as atividades e as obras incluídas em projetos com, no mínimo, um dos seguintes objetivos: I - recuperação: a) de áreas degradadas para conservação da biodiversidade e conservação e melhoria da qualidade do meio ambiente; b) de processos ecológicos essenciais; (Incluída pelo Decreto nº 9.179, de 2017) 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 68/90 c) de vegetação nativa para proteção; e (Incluída pelo Decreto nº 9.179, de 2017) d) de áreas de recarga de aquíferos; e (Redação dada pelo Decreto nº 11.080, de 2022) e) de solos degradados ou em processo de desertificação; (Incluído pelo Decreto nº 11.080, de 2022) II - proteção e manejo de espécies da flora nativa e da fauna silvestre; III - monitoramento da qualidade do meio ambiente e desenvolvimento de indicadores ambientais; IV - mitigação ou adaptação às mudanças do clima; V - manutenção de espaços públicos que tenham como objetivo a conservação, a proteção e a recuperação de espécies da flora nativa ou da fauna silvestre e de áreas verdes urbanas destinadas à proteção dos recursos hídricos; (Incluída pelo Decreto nº 9.179, de 2017) VI - educação ambiental; (Redação dada pelo Decreto nº 9.760, de 2019) VII - promoção da regularização fundiária de unidades de conservação; VIII - saneamento básico; (Incluído pelo Decreto nº 9.760, de 2019) IX - garantia da sobrevivência e ações de recuperação e de reabilitação de espécies da flora nativa e da fauna silvestre por instituições públicas de qualquer ente federativo ou privadas sem fins lucrativos; ou (Redação dada pelo Decreto nº 11.080, de 2022) X - implantação, gestão, monitoramento e proteção de unidades de conservação. (Incluído pelo Decreto nº 9.760, de 2019 Importante inovação trazida pelo Decreto 9.760/2019 foi o momento para o requerimento pelo autuado para a realização da conversão de multa em serviços ambientais. O art. 142 previu que o autuado poderá requerer a conversão de multa ao Núcleo de Conciliação Ambiental, por ocasião da audiência de conciliação ambiental, à autoridade julgadora, até a decisão de primeira instância; bem como à autoridade superior, até a decisão de segunda instância, implicando diferentes percentuais da multa submetido à conversão. Na regra anterior, esse pedido poderia ser feito até o momento da apresentação das alegações finais. Hoje, pode ser feito até a decisão de segunda instância. A conversão de multa pode ocorrer na forma direta ou indireta. Na forma direta, há implementação, sob a responsabilidade do autuado, de projeto de serviço de preservação, de melhoria e de recuperação da qualidade do meio ambiente que contemple, no mínimo, um dos objetivos de que trata o caput do art. 140. 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 69/90 Questão 2018 | 363369512 Sobre a temática da infração administrativa ambiental e as sanções cominadas na Lei n. 9.605/98, assinale a opção correta: Na forma indireta, o autuado vai aderir a um projeto previamente selecionado pela administração ambiental, nesse sentido, o órgão ou a entidade ambiental responsável pela apuração da infração ambiental poderá realizar processos de seleção para escolher projetos apresentados por órgãos e entidades públicas ou privadas, que visem à execução dos serviços de que trata o art. 140. Nessa hipótese, o autuado arcará com os custos necessários à efetiva implementação do serviço ambiental descrito no projeto selecionado. Cabe ressaltar que a adesão, integral ou parcial, a projeto aprovado será prevista em regulamento do órgão ou da entidade ambiental responsável pela apuração da infração ambiental. O valor dos custos dos serviços de preservação, conservação, melhoria e recuperação da qualidade do meio ambiente será igual ou superior ao valor da multa convertida, nunca podendo ser menor. Quanto ao valor do desconto para conversão, o Núcleo de Conciliação Ambiental, a autoridade julgadora ou a autoridade superior, ao deferirem o pedido de conversão, aplicarão sobre o valor da multa consolidada o desconto de 60%, quando o requerimento for apresentado por ocasião da audiência de conciliação ambiental, de 50%, quando o requerimento for apresentado até a decisão de primeira instância, ou de 40%, quando o requerimento for apresentado até a decisão de segunda instância. Assim, o valor do desconto será maior quanto menor for o tempo entre a ocorrência do ilícito e a efetivação do pedido. Cumpre destacar que esses descontos são aplicados a todas as modalidades de conversão (direita e indireta) indistintamente. Nesse sentido, compete ao Núcleo de Conciliação Ambiental, à autoridade julgadora ou à autoridade superior decidir sobre o pedido de conversão da multa, a depender do momento de sua apresentação, e tendo presente as peculiaridades do caso concreto, os antecedentes do infrator e o efeito dissuasório da multa ambiental, poderão, em decisão motivada, deferir ou não o pedido de conversão formulado pelo autuado. Na hipótese de deferimento do pedido de conversão, o autuado será instado a assinar o termo de compromisso de conversão de multa. Caberá recurso, no prazo de 20 dias, da decisão do Núcleo de Conciliação Ambiental que indeferir o pedido de conversão da multa aplicada. O Núcleo de Conciliação Ambiental, se não reconsiderar o recurso o encaminhará à autoridade julgadora, no prazo de cinco dias. Caberá recurso hierárquico da decisão da autoridade julgadora que indeferir o pedido de conversão da multa aplicada. Por outro lado, não caberá recurso da decisão da autoridade superior que indeferir o pedido de conversão da multa aplicada. Existem outras regras previstas no Decreto 6.514/2008 que norteiam o estudo da Conversão de multa. Porém, entendemos que essas regras aqui apresentadas são suficientes para enfrentar os concursos públicos que cobram de forma genérica o referido Decreto no edital. 5. Poder dePolícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 70/90 A) A multa administrativa é de natureza subjetiva, independentemente de culpa ou dolo. B) A multa diária será aplicada somente quando for comprovado o dolo. C) O pagamento de multa imposta pelos Estados, Municípios, Distrito Federal ou Territórios substitui a multa federal na mesma hipótese de incidência. D) A celebração do termo de compromisso de reparação ou cessação de danos não encerra a multa diária. E) A multa será �xada com base na diferença entre o maior e o menor salário mínimo vigente. Solução Gabarito: C) O pagamento de multa imposta pelos Estados, Municípios, Distrito Federal ou Territórios substitui a multa federal na mesma hipótese de incidência. Trata-se de questão que exige conhecimento sobre a responsabilidade administrativa ambiental, notadamente sobre a jurisprudência do STJ, a Lei 9.605/98 (arts. 70 a 76) e o Decreto 6.514/08. A letra A está incorreta. ERRADA A jurisprudência do STJ assentou que a responsabilidade administrativa ambiental é de natureza subjetiva, de modo que a aplicação de penalidades administrativas deve obedecer à sistemática da teoria da culpabilidade, ou seja, a conduta deve ser cometida pelo alegado transgressor, com demonstração de seu elemento subjetivo (dolo ou culpa) (STJ. 1ª Seção. EREsp 1318051/RJ, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 08/05/2019 - Info 650). Segundo o STJ, esse entendimento se extrai da leitura do art. 14, caput, da Lei 6.938/81, no sentido de que a aplicação e a execução das penas limitam-se aos transgressores. Por outro lado, o art. 14, § 1º, que versa sobre a responsabilidade civil, prevê que a reparação ambiental de cunho civil pode abranger todos os poluidores, sendo mais abrangente. Assim, enquanto a responsabilidade civil ambiental é objetiva, a responsabilidade administrativa ambiental é SUBJETIVA. A letra B está incorreta. ERRADA A multa diária será aplicada sempre que a infração se prolongar no tempo, conforme dispõe o art. 10 do Decreto nº 6.514/2008 e deverá ser �xada de acordo com os critérios estabelecidos no Decreto (art. 10, § 2º), não podendo ser inferior a R$ 50,00 (cinquenta reais), nem superior a 10% do valor da multa simples máxima cominada para a infração. 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 71/90 A multa diária cessará quando for apresentado documento que comprove a regularização da situação que deu causa à lavratura do auto de infração. A letra C está correta. CERTA Conforme dispõe o art. 76 da Lei nº 9.605/98: Art. 76. O pagamento de multa imposta pelos Estados, Municípios, Distrito Federal ou Territórios substitui a multa federal na mesma hipótese de incidência. A letra D está incorreta. ERRADA Conforme dispõe o art. 10, § 8º, do Decreto nº 6.514/2008, caso o infrator celebre termo de ajustamento de conduta (TAC), se encerrará a cobrança da multa diária: Art. 10, § 8º A celebração de termo de compromisso de reparação ou cessação dos danos encerrará a contagem da multa diária. A letra E está incorreta. ERRADA Conforme dispõe o art. 75 da Lei 9.605/98: Art. 75. O valor da multa de que trata este Capítulo será �xado no regulamento desta Lei e corrigido periodicamente, com base nos índices estabelecidos na legislação pertinente, sendo o mínimo de R$ 50,00 (cinqüenta reais) e o máximo de R$ 50.000.000,00 (cinquenta milhões de reais). No mesmo sentido dispõe o art. 9º do Decreto 6.514/08: Art. 9º O valor da multa de que trata este Decreto será corrigido, periodicamente, com base nos índices estabelecidos na legislação pertinente, sendo o mínimo de R$ 50,00 (cinqüenta reais) e o máximo de R$ 50.000.000,00 (cinqüenta milhões de reais). Portanto, as sanções pecuniárias podem variar de R$50,00 (cinquenta reais) a R$50.000.000,00 (cinquenta milhões de reais). Prescrição das Sanções Administrativas ao Meio Ambiente. Prescrição é a perda do direito de agir de um indivíduo decorrente de seu não exercício. Busca-se punir o detentor do direito em face de sua inércia, considerando que as relações jurídicas devem se estabilizar no tempo. 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 72/90 Nas infrações administrativas ambientais, a incidência da prescrição gera dois efeitos essenciais a depender do momento em que se configura, quais sejam, (1) impede que os órgãos ambientais procedam à apuração da infração ambiental, bem como (2) obsta a constituição do crédito não tributário decorrente da multa aplicada. Cumpre destacar que é imprescritível o dever do infrator de reparar os danos causados ao meio ambiente. Seja por fora do art. 225, da CF/88, seja por força do §4°, do art. 21, do Decreto 6.514/2008 prevendo que a prescrição atinge somente a sanção pecuniária, ou outras sanções impostas administrativamente, não abrangendo a obrigação de reparar o dano causado ao meio ambiente. Há duas modalidades de prescrição, quais sejam, prescrição da pretensão punitiva, relacionada diretamente à ação Estatal de apuração e punição do ilícito administrativo, e a prescrição da pretensão executória do crédito constituído com a finalização do processo administrativo de apuração da infração ambiental, que diz respeito à perda do direito do Estado de cobrar os valores decorrentes da punição efetivamente aplicada. A prescrição da pretensão punitiva ainda se subdivide em prescrição da pretensão punitiva propriamente dita e prescrição da pretensão punitiva intercorrente. A prescrição tem previsão na Lei 9.873/1999, sendo disciplinada nos arts. 21, 22 e 23, ambos do Decreto 6.514/2008. Nos termos do art. 21 do Decreto 6.514/2008, prescreve em cinco anos a ação da administração objetivando apurar a prática de infrações contra o meio ambiente, contada da data da prática do ato, ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que esta tiver cessado. A norma descreve a prescrição da pretensão punitiva propriamente dita obstando o direito do órgão ambiental de apurar eventual infração administrativa ambiental e aplicar a penalidade dela decorrente, contados da data da prática da conduta infracional e se percepcionando com o trânsito em julgado administrativo da decisão que homologou o auto de infração. Vejamos a norma regulamentar. Art. 21. Prescreve em cinco anos a ação da administração objetivando apurar a prática de infrações contra o meio ambiente, contada da data da prática do ato, ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que esta tiver cessado. § 1º Considera-se iniciada a ação de apuração de infração ambiental pela administração com a lavratura do auto de infração. § 2° Incide a prescrição no procedimento de apuração do auto de infração paralisado por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho, cujos autos serão arquivados de ofício ou mediante requerimento da parte interessada, sem prejuízo da apuração da responsabilidade funcional decorrente da paralisação. § 3° Quando o fato objeto da infração também constituir crime, a prescrição de que trata o caput reger-se-á pelo prazo previsto na lei penal. § 4º A prescrição da pretensão punitiva da administração não elide a obrigação de reparar o dano ambiental. 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 73/90 Importante destacar que em sendo permanente ou continuada a conduta delitiva a prescrição não iniciará o prazo de contagem, mas somente com a cessão da permanência ou da continuidade. Exemplo disso é a conduta infracional de impedir regeneração por meio do uso do gado para pastagem(art. 48, do Decreto 6.514/2008). O pisoteando acarretado pelo gado em uma área que se encontra previamente desmatada, obsta a regeneração natural daquela região, fato que caracteriza a permanência da infração ambiental, devendo o prazo prescricional de 05 anos iniciar somente a partir do momento em que o gado foi efetivamente retirado daquele local. Assim, a cessação da permanência ou continuidade é condição para o início do prazo prescricional da pretensão punitiva. Nessa linha, são de 05 anos, como regra, o prazo para a administração ambiental proceder à lavratura do auto de infração, promover toda a apuração necessária e decidir, de forma definitiva, pela homologação do Auto de Infração e confirmação das sanções inicialmente aplicadas. Ocorre que esse prazo pode ser ainda maior (nunca menor), caso a conduta infracional administrativa configure-se como crime na esfera penal. É a regra do §3º, do art. 21, do Decreto 6.514/2008, estabelecendo que quando o fato objeto da infração também constituir crime, a prescrição reger-se-á pelo prazo previsto na lei penal, se este for maior que cinco anos. Isso porque não se afigura razoável que o autuado seja beneficiado com um prazo mais curto quando a sua conduta, na realidade, é mais gravosa, considerando que está sendo censurada pelo Direito Penal. Nessa linha, o prazo prescricional das infrações ambientais poderá ser maior do que 05 anos quando a conduta praticada também constituir crime, caso em que deverá ser observado o artigo 109 do Código Penal. Ademais disso, cumpre destacar que o prazo prescricional não tem como característica essencial ser contínuo e inexorável. A Lei 9.873/1999 e o Decreto 6.514/2008, em seu art. 22, previu as hipóteses de interrupção do prazo prescricional. Interromper significa zera o prazo prescricional, melhor dizendo, a contagem dos cinco anos começará novamente a fluir a partir da ocorrência de um dos marcos interruptivos elencado no art. 22, vejamos: Art. 22. Interrompe-se a prescrição: I - pelo recebimento do auto de infração ou pela cientificação do infrator por qualquer outro meio, inclusive por edital; II - por qualquer ato inequívoco da administração que importe apuração do fato; e III - pela decisão condenatória recorrível. Parágrafo único. Considera-se ato inequívoco da administração, para o efeito do que dispõe o inciso II, aqueles que impliquem instrução do processo. 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 74/90 Para fins de concurso é importante que o candidato fixe os casos de interrupção da prescrição previsto no art. 22. Destacamos que o inciso II reflete efetivamente quais são os atos que podem interromper a prescrição, qual seja, qualquer ato inequívoco da administração que importe na apuração do fato o que evidencia que a administração não está inerte na apuração do ilícito ao meio ambiente. De fato, os incisos I e II demonstram casos específicos em que a administração busca a apuração do fato e o reconhecimento da autoria e materialidade com a decisão condenatória. Assim, vários atos praticados pela administração no processo administrativo ambiental sancionador, com a lavratura do auto de infração, a elaboração do relatório de fiscalização, a apresentação da contradita, bem como a tentativa de notificar o autuado para manifestação específica para a resolução do processo. Esses atos visam a instrução processual para elucidação dos fatos observados com a lavratura do auto de infração. Por fim, é necessário registrar que, via de regra, cada tipo de ato poderá ocorrer mais de uma vez. Isso quer dizer que será possível que ocorram vários atos interruptivos dentro do processo administrativo sancionador que, por enquadráveis nas categorias mencionadas, serão capazes de interromper o prazo prescricional quantas vezes ocorrerem. A prescrição intercorrente foi prevista no §2º, do art. 21, do Decreto 6.514/2008, é uma modalidade de prescrição que ocorre enquanto o processo ambiental sancionador não foi definitivamente julgado, ficando paralisado por mais de 03 anos por inércia dos órgãos ambientais. Nesse sentido, incide a prescrição no procedimento de apuração do auto de infração paralisado por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho, cujos autos serão arquivados de ofício ou mediante requerimento da parte interessada, sem prejuízo da apuração da responsabilidade funcional decorrente da paralisação Diante desse quadro, no contexto do processo administrativo de apuração de infração ambiental, a prescrição da pretensão punitiva intercorrente tem lugar a partir da lavratura do auto de infração e enquanto perdurar o procedimento instrutório. Assim, durante o processo, transcorrem, concomitantemente, os prazos da prescrição da pretensão punitiva intercorrente (de 03 anos) e da prescrição da pretensão punitiva propriamente dita (em regra, de 05 anos). Naquele caso, quando sobrestado o curso do processo administrativo por mais de três anos, e desde que, nesse período, não tenha sido praticado qualquer ato processual, operar-se-á a prescrição extintiva intercorrente. A paralisação do processo deve ser imputável à Administração, pois o instituto tem por escopo sancionar a inércia do titular do direito, ou da pretensão, ou seja, penalizar aquele que, detendo o poder/dever de punir o infrator e exigir o adimplemento de uma dada obrigação, não age quando o sistema lhe conferia legitimação. Sendo esse o propósito do instituto, forçoso concluir que não restará configurada a prescrição intercorrente em hipóteses nas quais o sobrestamento do feito decorre de ação ou omissão do autuado. A prescrição da pretensão executória está relacionada com impossibilidade de o Estado executar os créditos regularmente constituído em face de sua inércia. No âmbito ambiental, não poderá o órgão ambiental executar a multa ambiental constituída. Destacamos que as multas por infração administrativa são créditos não tributários aplicando-se o prazo 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 75/90 prescricional de 5 (cinco) anos para ajuizar a ação de execução, nos termos do art. 1º-A da Lei n. 9.873/99, in verbis: Art. 1º-A. Constituído definitivamente o crédito não tributário, após o término regular do processo administrativo, prescreve em 5 (cinco) anos a ação de execução da administração pública federal relativa a crédito decorrente da aplicação de multa por infração à legislação em vigor. Por sua vez, este prazo somente é interrompido ou suspenso nas hipóteses previstas em lei, quais sejam, art. 2º-A da Lei n. 9.873/99 (interrupção) e art. 2º, § 3º, da Lei n. 6.830/80 (suspensão), que transcrevo, por oportuno: Lei N. 9.873/99: Art. 2º-A. Interrompe-se o prazo prescricional da ação executória: I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; II – pelo protesto judicial; III – por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; IV – por qualquer ato inequívoco, ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor; V – por qualquer ato inequívoco que importe em manifestação expressa de tentativa de solução conciliatória no âmbito interno da administração pública federal. Lei N. 6.830/80: Art. 2º. (...) § 3º - A inscrição, que se constitui no ato de controle administrativo da legalidade, será feita pelo órgão competente para apurar a liquidez e certeza do crédito e suspenderá a prescrição, para todos os efeitos de direito, por 180 dias, ou até a distribuição da execução fiscal, se esta ocorrer antes de findo aquele prazo. O marco inaugural da contagem do prazo prescricional é após o trânsito em julgado administrativo que está definitivamente constituído o crédito e, a partir deste momento, a Administraçãotem cinco anos para cobrar a multa, sob pena de prescrição da pretensão executória. 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 76/90 Questão 2019 | 1432445932 Sedimentando esse tema na Jurisprudência, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula 467 estabelecendo que prescreve em cinco anos, contados do término do processo administrativo, a pretensão da Administração Pública de promover a execução da multa por infração ambiental. Por fim, no caso de créditos tributários, não se aplicam as regras delineadas acima, considerando que há norma própria delineada pelo Código Tributário Nacional e pela Lei de Execução Fiscal quanto a esses créditos. Nesse sentido, é a regra do art. 23, do Decreto 6.514/2008, que as regras de prescrição nele previstas, não se aplicam a Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental – TCFA, considerando sua natureza tributária. Por fim, não esqueça da Súmula 467 do STJ que fixou a tese de que prescreve em cinco anos, contados do término do processo administrativo, a pretensão da administração pública de promover a execução da multa por infração ambiental (pretensão executória). Dois pontos relevantes desta súmula são além do prazo quinquenal, a fixação do termo inicial de sua contagem. A jurisprudência do STJ é de que o prazo para a cobrança da multa aplicada em virtude de infração administrativa é de cinco anos, nos termos do Decreto n.º 20.910/32, que deve ser aplicado por isonomia por falta de regra específica para regular esse prazo prescricional, não podendo ser aplicada a regra geral de prescrição prevista no Código Civil, por se tratar de multa administrativa ou do Código Tributário Nacional por não se tratar de multa tributária. Para o STJ, o termo inicial da prescrição coincide com o momento da ocorrência da lesão ao direito, consagração do princípio universal da actio nata. Em se tratando de multa administrativa, a prescrição da ação de cobrança somente tem início com o vencimento do crédito sem pagamento, quando se torna inadimplente o administrado infrator. Enquanto não se encerrar o processo administrativo de imposição da penalidade, não corre prazo prescricional, porque o crédito ainda não está definitivamente constituído e simplesmente não pode ser cobrado. 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 77/90 Roberto cometeu infração ambiental ao construir sua casa em área de mangue e, por isso, foi autuado, em janeiro de 2011, por �scal ambiental estadual. Roberto deixou transcorrer todos os prazos, pois se negava a receber a noti�cação, mas, em 2015, foi surpreendido com uma ação de cobrança da infração, na qual constava a sua citação por edital em 2013. Nessa situação hipotética, de acordo com a jurisprudência do STJ, Roberto está A) desobrigado do pagamento da multa, pois o crédito está prescrito, visto que não se admite no âmbito administrativo a citação por edital. B) desobrigado do pagamento da multa, pois, em se tratando de multa administrativa, a prescrição da ação de cobrança somente tem início com a noti�cação, quando se torna inadimplente o administrado infrator. C) obrigado ao pagamento da multa, pois é de dez anos o prazo decadencial para se constituir o crédito decorrente de infração à legislação administrativa. D) obrigado ao pagamento da multa, pois o prazo decadencial para a constituição do crédito decorrente de infração à legislação administrativa foi suspenso com a citação de Roberto por meio de edital. E) obrigado ao pagamento da multa, pois o prazo decadencial para a constituição do crédito decorrente de infração à legislação administrativa foi interrompido com a citação de Roberto por meio de edital. Solução Gabarito: E) obrigado ao pagamento da multa, pois o prazo decadencial para a constituição do crédito decorrente de infração à legislação administrativa foi interrompido com a citação de Roberto por meio de edital. O enunciado traz uma situação hipotética de execução de multa por infração ambiental administrativa. As infrações administrativas ao meio ambiente estão dispostas no Decreto n. 6.514/2008, sendo que os prazos prescricionais, de uma forma genérica, estão previstos em seus arts. 21 a 23. Além disso, a questão exigiu do candidato o conhecimento, também, o entendimento jurisprudencial a respeito do prazo decadencial. A letra A está incorreta. ERRADA. Nos termos do art. 22, inciso I do Decreto n. 6.514/2008, “interrompe-se a prescrição pelo recebimento do auto de infração ou pela cienti�cação do infrator por qualquer outro meio, 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 78/90 inclusive por edital”. E, nesse ponto, o art. 21 do Decreto n. 6.514/2008 determina que o prazo prescricional é de 05 (cinco) anos. Dessa forma, não há que se falar em prescrição na situação hipotética enunciada – sendo certo que a alternativa refere-se à suspensão do prazo decadencial para a constituição do crédito, quando os arts. 21 e 22, inciso I do Decreto n. 6.514/2008 referem-se ao prazo prescricional. A alternativa está ERRADA. A letra B está incorreta. ERRADA. Nos termos do art. 22, inciso I do Decreto n. 6.514/2008, “interrompe-se a prescrição pelo recebimento do auto de infração ou pela cienti�cação do infrator por qualquer outro meio, inclusive por edital”. E, nesse ponto, o art. 21 do Decreto n. 6.514/2008 determina que o prazo prescricional é de 05 (cinco) anos. Dessa forma, não há que se falar em prescrição na situação hipotética enunciada – sendo certo que a alternativa refere-se à interrupção do prazo decadencial para a constituição do crédito, quando os arts. 21 e 22, inciso I do Decreto n. 6.514/2008 referem-se ao prazo prescricional. A alternativa está ERRADA. A letra C está incorreta. ERRADA. Nos termos do art. 22, inciso I do Decreto n. 6.514/2008, “interrompe-se a prescrição pelo recebimento do auto de infração ou pela cienti�cação do infrator por qualquer outro meio, inclusive por edital”. E, nesse ponto, o art. 21 do Decreto n. 6.514/2008 determina que o prazo prescricional é de 05 (cinco) anos. Dessa forma, não há que se falar em prescrição na situação hipotética enunciada – sendo autuado em 2011 e cienti�cado em 2013, o prazo prescricional foi interrompido antes de seu decurso e, portanto, Roberto ainda se encontra obrigado ao pagamento da multa administrativa em 2015. A alternativa está ERRADA. A letra D está incorreta. ERRADA. Nos termos do art. 22, inciso I do Decreto n. 6.514/2008, “interrompe-se a prescrição pelo recebimento do auto de infração ou pela cienti�cação do infrator por qualquer outro meio, 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 79/90 inclusive por edital”. E, nesse ponto, o art. 21 do Decreto n. 6.514/2008 determina que o prazo prescricional é de 05 (cinco) anos. Dessa forma, não há que se falar em prescrição na situação hipotética enunciada – sendo autuado em 2011 e cienti�cado em 2013, o prazo prescricional foi interrompido antes de seu decurso e, portanto, Roberto ainda se encontra obrigado ao pagamento da multa administrativa em 2015. A alternativa está ERRADA. A letra E está correta. CERTA. Nos termos do art. 22, inciso I do Decreto n. 6.514/2008, “interrompe-se a prescrição pelo recebimento do auto de infração ou pela cienti�cação do infrator por qualquer outro meio, inclusive por edital”. E, nesse ponto, o art. 21 do Decreto n. 6.514/2008 determina que o prazo prescricional é de 05 (cinco) anos. Por sua vez, a alternativa se refere ao prazo decadencial para constituir o crédito e não, como as demaishipóteses, ao prazo prescricional. Nesse sentido, a jurisprudência encontra- se paci�cada no sentido do prazo decadencial de 10 (dez) anos. A alternativa está CERTA. Das Infrações Administrativas ao meio ambiente O Decreto 6.514/2008 tipificou as infrações administrativas ao meio ambiente que são aplicadas no âmbito federal. O objetivo é tutelar determinados microbens ambientais como a flora e a fauna em face de ações ou omissões praticadas por pessoa física ou jurídica de direito público ou de direito privado que provoquem danos ao meio ambiente. Nesse sentido, foram previstas infrações contra a fauna (arts. 24 a 42), infrações contra a flora (arts. 43 a 60-A), infrações relativas à poluição e outras infrações ambientais (arts. 61 a 71- A), Infrações contra o ordenamento urbano e o patrimônio cultural (arts. 72 a 75); infrações administrativas contra a administração ambiental (arts. 76 a 83) e infrações cometidas exclusivamente em unidades de conservação (arts. 84 a 93). Em face do objetivo desta obra, não analisaremos os tipos administrativos em espécie, mas destacaremos algumas regras básicas aos delitos cometidos em unidades de conservação, pois podem potencialmente ser objeto de seu concurso. Como dito, os tipos administrativos previsto no decreto 6.514/2008 tipificam as infrações administrativas contra a flora e a fauna, bem como contra a administração ambiental. Essas 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 80/90 infrações tem a fixação de uma pena específica conforme cada um dos enquadramentos. Ocorre que se forem cometidas em unidades de conservação ou em sua zona de amortecimento e não havendo essa conduta específica para unidade de conservação previstas na Subseção VI (das infrações cometidas exclusivamente em unidades de conservação), devem ter o valor da multa duplicado nos termos do art. 93, do Decreto 6.514/2008. Vejamos o normativo. Art. 93. As infrações previstas neste Decreto, quando afetarem ou forem cometidas em unidade de conservação ou em sua zona de amortecimento, terão os valores de suas respectivas multas aplicados em dobro, ressalvados os casos em que a determinação de aumento do valor da multa seja superior a este ou as hipóteses em que a unidade de conservação configure elementar do tipo. Vejamos como exemplo a conduta do art. 58: Art. 58. Fazer uso de fogo em áreas agropastoris sem autorização do órgão competente ou em desacordo com a obtida: Multa de R$ 1.000,00 (mil reais), por hectare ou fração. Nesse sentido, se um indivíduo fizer uso do fogo em áreas agropastoril de 05 hectares sem autorização do órgão ambiental competente, deverá o agente de fiscalização ambiental, ao verificar o ilícito, lavrar auto de infração com fundamento no art. 58, do Decreto 6.514/2008, culminando a multa de R$ 5.000,00 reais (multiplicação do valor base de 1.000,00 com os 05 hectares). Ocorre que se a infração tivesse ocorrido em unidades de conservação federal ou em sua zona de amortecimento o valor fixado anteriormente (R$ 5.000,00) deve ser dobrado, em face da incidência do art. 93, totalizando uma multa de R$ 10.000,00. Outra situação interessante ocorre quando vem descrito no próprio tipo administrativo o termo unidade de conservação. Vejamos a infração do inciso II, do parágrafo único do art. 66, do Decreto 6.514/2008: Art. 66. Construir, reformar, ampliar, instalar ou fazer funcionar estabelecimentos, atividades, obras ou serviços utilizadores de recursos ambientais, considerados efetiva ou potencialmente poluidores, sem licença ou autorização dos órgãos ambientais competentes, em desacordo com a licença obtida ou contrariando as normas legais e regulamentos pertinentes: 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 81/90 Multa de R$ 500,00 (quinhentos reais) a R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais). Parágrafo único. Incorre nas mesmas multas quem: I - constrói, reforma, amplia, instala ou faz funcionar estabelecimento, obra ou serviço sujeito a licenciamento ambiental localizado em unidade de conservação ou em sua zona de amortecimento, ou em áreas de proteção de mananciais legalmente estabelecidas, sem anuência do respectivo órgão gestor Nesse sentido, se um indivíduo constrói, reforma, amplia, instala ou faz funcionar estabelecimento, obra ou serviço sujeito a licenciamento ambiental localizado em unidade de conservação ou em sua zona de amortecimento, será aplicada a pena do art. 66 sem a aplicação da penalidade em dobro, considerando que o agravamento por ser uma unidade de conservação já foi incorporada na penalidade prevista em abstrato no referido artigo, conforme dispõe a nova redação do art. 93, sob pena de ocorrência de bis in idem. Processo Administrativo Ambiental Sancionador O Decreto 6.514/98 estabeleceu, no âmbito federal, as regras do processo administrativo para apuração de infrações ambientais por condutas e atividades lesivas ao meio ambiente nos arts. 94 a 148. A norma fixa os princípios norteadores do processo administrativo ambiental sancionador estabelecendo que este será orientado pelos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência, bem como pelos seguintes critérios, previstos no art. 2º, da Lei 9.784/99: atuação conforme a lei e o Direito; atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial de poderes ou competências, salvo autorização em lei; objetividade no atendimento do interesse público, vedada a promoção pessoal de agentes ou autoridades; atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa-fé; divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição; adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 82/90 adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as previstas em lei; impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados; interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. Anteriormente, o Decreto n° 6.514/2008 previa a possibilidade de realização da audiência de conciliação ambiental, de responsabilidade do Núcleo de Conciliação Ambiental – NUCAM, órgão responsável pela apresentação e efetivação de soluções legais amigáveis para o encerramento do processo. Ocorre que tais possibilidades, bem como o NUCAM, foram extintos. O Decreto n° 11.373/2023 foi editado levando em conta diversas críticas ambientalistas no sentido de que os procedimentos do NUCAM inviabilizavam a cobrança de multa de infratores. Além disso, um outro problema encontrado era o fato de a conciliação dever ser conduzida por conciliador imparcial, o que não ocorria, uma vez que os conciliadores do NUCAM eram servidores do Ibama e do ICMBio, órgãos responsáveispela autuação. O processo administrativo federal é formado por várias fases que se inicia com a lavratura do auto de infração e finaliza com o definitividade da decisão administrativa que julgou o auto de infração. Podemos dividir, para fins didáticos, o processo administrativo em 04 fases. A primeira refere-se a fase preliminar em que temos a inicialização do processo administrativo pela lavratura do auto de infração com a celebração da audiência de conciliação ambiental. A segunda é a fase instrutória, em que serão apresentadas a defesa do autuado, as provas e as alegações finais, oportunizando o contraditório e a ampla defesa. A terceira é a fase decisória, em que a autoridade competente de primeira instância julga o processo administrativo homologando ou não o auto de infração. Por fim, temos a fase recursal em que o processo é submetido ao julgamento em segunda instância. Destacamos que, no âmbito federal, só existem duas instâncias de julgamento. Fase Preliminar A fase preliminar é caracterizada pela lavratura do auto de infração que concretiza o exercício do poder de polícia ambiental. Nos termos do art. 96, do Decreto 6.514/2008 constatada a ocorrência de infração administrativa ambiental o agente de fiscalização deverá lavrar auto de infração, do qual deverá ser dado ciência ao autuado, assegurando-se o contraditório e a ampla defesa. Esse auto de infração deve seguir algumas formalidades específicas como ser lavrado em impresso 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 83/90 próprio, com a identificação do autuado, a descrição clara e objetiva das infrações administrativas constatadas e a indicação dos respectivos dispositivos legais e regulamentares infringidos, não devendo conter emendas ou rasuras que comprometam sua validade. Ademais, importa atenção a algumas mudanças trazidas ao Decreto n° 6.514/2008, que passou a prever, por exemplo, que a intimação pessoal ou por via postal com aviso de recebimento deve ser substituída por intimação eletrônica ou ocorrerá por registro de acesso do autuado ou do seu procurador à íntegra do processo administrativo eletrônico correspondente. Do termo de notificação da lavratura do auto de infração deve constar que o autuado, no prazo de vinte dias, contado da data da cientificação, poderá apresentar defesa ou impugnação contra o auto de infração ou aderir a uma das seguintes soluções legais possíveis para o encerramento do processo: pagamento da multa com desconto; parcelamento da multa; ou conversão da multa em serviços de preservação, de melhoria e de recuperação da qualidade do meio ambiente. Podemos ver, assim, que mesmo com a extinção do NUCAM e o fim das audiências de conciliação, existem maneiras facilitadas de encerramento do processo, existindo até mesmo a possibilidade da conversão da multa em serviços. O Decreto passou ainda a definir que os autos de infração, os processos administrativos deles originados e os polígonos de embargo são públicos e devem ser disponibilizados à população via sítio oficial na internet, respeitada a Lei nº 13.709/2018, e que os órgãos responsáveis pela autuação devem manter base de dados pública de todos os autos de infração emitidos e disponibilizá-la à população via sítio oficial na Internet. Constatada a infração ambiental, o agente autuante, no uso do seu poder de polícia, poderá adotar as seguintes medidas administrativas, além da aplicação da multa: apreensão; embargo de obra ou atividade e suas respectivas áreas; suspensão de venda ou fabricação de produto; suspensão parcial ou total de atividades; destruição ou inutilização dos produtos, subprodutos e instrumentos da infração; e demolição. Se constatado pela autoridade julgadora ou mesmo pelo fiscal que realizou a autuação que o auto de infração que apresentar vício sanável poderá, a qualquer tempo, ser convalidado de ofício pela autoridade julgadora. Constatado o vício sanável, sob alegação do autuado, o procedimento será anulado a partir da fase processual em que o vício foi produzido, reabrindo- se novo prazo para defesa, aproveitando-se os atos regularmente produzidos. Por outro lado, o auto de infração que apresentar vício insanável deverá ser declarado nulo pela autoridade julgadora. Considera-se vício insanável aquele em que a correção da autuação implica modificação do fato descrito no auto de infração. Nos casos em que o auto de infração for declarado nulo e estiver caracterizada a conduta ou atividade lesiva ao meio ambiente, deverá ser lavrado novo auto, observadas as regras relativas à prescrição. O 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 84/90 erro no enquadramento legal da infração não implica vício insanável, podendo ser alterado pela autoridade julgadora mediante decisão fundamentada que retifique o auto de infração. Constatada a infração ambiental, o agente autuante, no uso do seu poder de polícia, poderá adotar as seguintes medidas administrativas: I - apreensão; II - embargo de obra ou atividade e suas respectivas áreas; III - suspensão de venda ou fabricação de produto; IV - suspensão parcial ou total de atividades; V - destruição ou inutilização dos produtos, subprodutos e instrumentos da infração; e VI - demolição. As medidas acima têm como objetivo prevenir a ocorrência de novas infrações, resguardar a recuperação ambiental e garantir o resultado prático do processo administrativo. A aplicação de tais medidas será lavrada em formulário próprio, sem emendas ou rasuras que comprometam sua validade, e deverá conter, além da indicação dos respectivos dispositivos legais e regulamentares infringidos, os motivos que ensejaram o agente autuante a assim proceder. Fase Instrutória A Fase Instrutória começa com a apresentação da defesa pelo autuado, fase em que ser- lhe-á assegurado o contraditório e a ampla defesa. Terá 20 dias contado da data da ciência da autuação para apresentar defesa contra o auto de infração. A defesa será formulada por escrito e deverá conter os fatos e fundamentos jurídicos que contrariem o disposto no auto de infração e termos que o acompanham, bem como a especificação das provas que o autuado pretende produzir a seu favor, devidamente justificadas, podendo ser protocolada em qualquer unidade administrativa do órgão ambiental que promoveu a autuação, que o encaminhará imediatamente à unidade responsável. Quanto ao ponto, cumpre destacar que os órgãos ambientais estão em fase de conclusão na informatização do processo administrativo sancionador, podendo o autuado acompanhar todo o andamento processual e apresentar suas manifestações, inclusive a defesa, por meio do portal do autuado. Por fim, quanto à defesa o autuado poderá ser representado por advogado ou procurador legalmente constituído, devendo, para tanto, anexar à defesa o respectivo instrumento de procuração, podendo juntar o instrumento em até quinze dias, prorrogáveis por igual período por decisão da autoridade julgadora. Essa fase é caracterizada pela produção de provas tanto pelo órgão ambiental como pelo autuado. Ao autuado caberá a prova dos fatos que tenha alegado, considerando que milita a favor da administração ambiental a presunção de legitimidade/veracidade do ato praticado, 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 85/90 sem prejuízo do dever atribuído à autoridade julgadora para instrução do processo. Poderá o autuado requer produção de prova técnica, oitiva de testemunhas ou juntada de documentos, sendo que, quando impertinentes, desnecessárias ou protelatórias, poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada daautoridade julgadora competente. Ao seu turno, o setor responsável pela instrução e a autoridade julgadora poderão requisitar a produção de provas necessárias à convicção, de parecer técnico ou de contradita do agente autuante, com a especificação do objeto a ser esclarecido. Contradita são as informações e esclarecimentos prestados pelo agente autuante necessários à elucidação dos fatos que originaram o auto de infração, ou das razões alegadas pelo autuado, facultado ao agente, nesta fase, opinar pelo acolhimento parcial ou total da defesa. As provas ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias propostas pelo autuado serão recusadas por meio de decisão fundamentada. Por fim, quando houver controvérsia jurídica, o órgão da Procuradoria-Geral Federal emitirá parecer fundamentado para a motivação da decisão da autoridade julgadora. Destacamos que o encaminhamento do processo à Procuradoria não é obrigatório, mas somente possível no caso de dúvida de cunho jurídico. Fase Decisória A Fase decisória inicia-se com a apresentação das Alegações Finais pelo autuado no prazo máximo de 10 dias, cabendo ao setor responsável pela instrução processual notificar o autuado, para fins de apresentação de alegações finais por via postal com aviso de recebimento; por notificação eletrônica, ou por outro meio válido que assegure a certeza da ciência. Cumpre assinalar que a decisão a ser proferida pela autoridade julgadora não se vincula às sanções aplicadas pelo agente autuante, ou ao valor da multa, podendo, em decisão motivada, 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 86/90 de ofício ou a requerimento do interessado, minorar, manter ou majorar o seu valor, respeitados os limites estabelecidos na legislação ambiental vigente. Se a decisão for agravar a situação do autuado, ele será notificado, para que formule, no prazo de dez dias, as suas alegações, antes do julgamento, pelos mesmos meios apresentados para a notificação anterior às alegações finais. Estando regularmente instruído o processo, com ou sem a defesa e as alegações finais, a autoridade julgadora, no prazo de 30 dias, julgará o auto de infração, decidindo sobre a aplicação das penalidades e das medidas cautelares aplicadas. Nesse sentido, deve a autoridade julgadora decidir quanto ao embrago de área ou de atividade, à destinação dos bens apreendidos, bem como quanto ao mérito da conduta descrita no auto de infração homologando ou não o auto. Cumpre assinalar que esse prazo de 30 dias para julgamento é impróprio e sua inobservância não torna nula a decisão da autoridade julgadora, bem como o processo. Conforme rege o princípio da motivação dos atos administrativos, a decisão deverá ser motivada, com a indicação dos fatos e fundamentos jurídicos em que se baseia, sob pena de nulidade absoluta. A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações ou decisões, que, neste caso, serão parte integrante do ato decisório. Como se nota, é admitida a motivação per relationem como fundamentação idônea a legitimar a decisão proferida. Da decisão que julgou o auto de infração condenando o autuado a uma pena de multa e demais sanções, devendo ser notificado por via postal com aviso de recebimento ou outro meio válido que assegure a certeza de sua ciência para pagar a multa no prazo de 05 dias, a partir do recebimento da notificação, ou para apresentar recurso, tendo direito ao desconto de 30% do valor consolidado se pago nesse intervalo de tempo. 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 87/90 Fase Recursal Irresignado com a decisão proferida, poderá o autuado interpor recurso voluntário, sem efeito suspensivo, à autoridade que proferiu o julgamento em primeira instância, no prazo de 20 dias, contada da data da ciência da decisão que homologou o auto de infração. A regra é que o recurso voluntário não terá efeito suspensivo, mas na hipótese de justo receio de prejuízo de difícil ou incerta reparação, a autoridade recorrida ou a imediatamente superior poderá, de ofício ou a pedido do recorrente, conceder efeito suspensivo ao recurso. Por outro lado, quando se tratar de penalidade de multa, o recurso terá efeito suspensivo quanto a esta penalidade. São requisitos dos recursos: I - indicação do órgão ambiental federal e da autoridade a que se dirige; II - identificação do recorrente ou de seu representante; III - indicação do número do auto de infração e do respectivo processo; IV - endereço do recorrente, inclusive eletrônico, ou indicação de endereço para recebimento de notificações; V - formulação de pedido, com exposição dos fatos e seus fundamentos; e VI - data e assinatura do recorrente ou de seu representante. O julgamento proferido em primeira instância estará sujeito ao reexame necessário nas hipóteses estabelecidas em regulamento do órgão ou da entidade ambiental competente. A autoridade responsável pelo julgamento do recurso poderá confirmar, modificar, anular ou revogar, total ou parcialmente, a decisão recorrida. Cabe também recurso de ofício, interposto mediante declaração na própria decisão, da autoridade que proferiu a decisão nos casos nas hipóteses a serem definidas pelo órgão ou entidade ambiental. Sendo julgado pela autoridade competente para o julgamento de recurso voluntário. As hipóteses de cabimento são previstas na Instrução Normativa conjunta nº 1 de 12 de abril de 2021 do MMA, IBAMA e ICMBio, que determinam caber recurso de ofício: I - de decisão de readequação ou redução em mais de 50% do valor da multa indicada; ou II - de decisão pela extinção de processo ou de readequação ou redução de sanção sobre auto de infração cujo valor indicado seja igual ou superior a 500 mil reais. Determinam ainda que não cabe recurso de ofício: 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 88/90 Lista de questões I - contra decisão de declaração de nulidade do auto de infração, quando a conduta for objeto de nova autuação; II - quando houver assinatura de termo de compromisso de conversão de multa, ainda que a decisão tenha reduzido o valor da multa indicada; e III - nas hipóteses de extinção de punibilidade previstas no art. 117 da IN: a prescrição da pretensão punitiva; a morte do autuado antes do trânsito em julgado administrativo, comprovada por certidão de óbito; a retratação do autuado, nos casos admitidos; e a anistia. 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 89/90 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/a27a9218-0f01-4794-aa65-c1308fabcfa0 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/a27a9218-0f01-4794-aa65-c1308fabcfa0 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/a27a9218-0f01-4794-aa65-c1308fabcfa0 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/a27a9218-0f01-4794-aa65-c1308fabcfa0 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/a27a9218-0f01-4794-aa65-c1308fabcfa0 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/a27a9218-0f01-4794-aa65-c1308fabcfa0 Referências e links deste capítulo 1 2 3 4 5 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/a27a9218-0f01-4794-aa65- c1308fabcfa0 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/fa238fd3-4390-4b54-9ef1- e28b2c7c2595 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/99d371dd-efb6-45f7-9320- 640ee00dd835 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/3982aacf-0810-42b6-a9a5-0ad288fe8eef https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/735679cb-ecf0-4975-b7c7- d3cef4330c17 [2] [3] [4] [5] [6] 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 90/90 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/a27a9218-0f01-4794-aa65-c1308fabcfa0 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/a27a9218-0f01-4794-aa65-c1308fabcfa0 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/a27a9218-0f01-4794-aa65-c1308fabcfa0 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/a27a9218-0f01-4794-aa65-c1308fabcfa0 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/a27a9218-0f01-4794-aa65-c1308fabcfa0 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/fa238fd3-4390-4b54-9ef1-e28b2c7c2595 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/fa238fd3-4390-4b54-9ef1-e28b2c7c2595 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/fa238fd3-4390-4b54-9ef1-e28b2c7c2595 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/fa238fd3-4390-4b54-9ef1-e28b2c7c2595 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/fa238fd3-4390-4b54-9ef1-e28b2c7c2595 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/fa238fd3-4390-4b54-9ef1-e28b2c7c2595 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/fa238fd3-4390-4b54-9ef1-e28b2c7c2595 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/fa238fd3-4390-4b54-9ef1-e28b2c7c2595 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/fa238fd3-4390-4b54-9ef1-e28b2c7c2595 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/fa238fd3-4390-4b54-9ef1-e28b2c7c2595 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/fa238fd3-4390-4b54-9ef1-e28b2c7c2595 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/99d371dd-efb6-45f7-9320-640ee00dd835 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/99d371dd-efb6-45f7-9320-640ee00dd835 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/99d371dd-efb6-45f7-9320-640ee00dd835 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/99d371dd-efb6-45f7-9320-640ee00dd835 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/99d371dd-efb6-45f7-9320-640ee00dd835 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/99d371dd-efb6-45f7-9320-640ee00dd835 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/99d371dd-efb6-45f7-9320-640ee00dd835 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/99d371dd-efb6-45f7-9320-640ee00dd835 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/99d371dd-efb6-45f7-9320-640ee00dd835 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/99d371dd-efb6-45f7-9320-640ee00dd835 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/99d371dd-efb6-45f7-9320-640ee00dd835 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/3982aacf-0810-42b6-a9a5-0ad288fe8eef https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/3982aacf-0810-42b6-a9a5-0ad288fe8eef https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/3982aacf-0810-42b6-a9a5-0ad288fe8eef https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/3982aacf-0810-42b6-a9a5-0ad288fe8eef https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/3982aacf-0810-42b6-a9a5-0ad288fe8eef https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/3982aacf-0810-42b6-a9a5-0ad288fe8eef https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/3982aacf-0810-42b6-a9a5-0ad288fe8eef https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/3982aacf-0810-42b6-a9a5-0ad288fe8eef https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/3982aacf-0810-42b6-a9a5-0ad288fe8eef https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/3982aacf-0810-42b6-a9a5-0ad288fe8eef https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/3982aacf-0810-42b6-a9a5-0ad288fe8eef https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/735679cb-ecf0-4975-b7c7-d3cef4330c17 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/735679cb-ecf0-4975-b7c7-d3cef4330c17 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/735679cb-ecf0-4975-b7c7-d3cef4330c17 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/735679cb-ecf0-4975-b7c7-d3cef4330c17 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/735679cb-ecf0-4975-b7c7-d3cef4330c17 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/735679cb-ecf0-4975-b7c7-d3cef4330c17 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/735679cb-ecf0-4975-b7c7-d3cef4330c17 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/735679cb-ecf0-4975-b7c7-d3cef4330c17 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/735679cb-ecf0-4975-b7c7-d3cef4330c17 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/735679cb-ecf0-4975-b7c7-d3cef4330c17 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/735679cb-ecf0-4975-b7c7-d3cef4330c17 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/735679cb-ecf0-4975-b7c7-d3cef4330c17própria estrutura administrativa do mesmo ente federativo. Essencialmente, o poder de polícia, por ser uma intervenção negativa do Estado no direito de cada um, visa limitar as liberdades individuais de particulares em prol da defesa do meio ambiente e da sadia qualidade de vida da coletividade. Mas é possível seu exercício em face de entes políticos ou mesmo de suas pessoas administrativas (autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista e fundações), seja por atos sancionatórios por terem praticados atos atentatórios ao bem ambiental, seja pelo pagamento de taxas ambientais decorrente do exercício do poder de polícia (não há imunidade de taxas ambientais, em regra, entre os entes federativos). Cite-se o caso de o ICMBio, autarquia federal responsável pela gestão de unidades de conservação federal, lavrar auto de infração (iniciando o processo administrativo sancionador) em face da Petrobrás (Sociedade de Economia Mista federal) por ter um de seus petroleiros derramado óleo que veio a provocar significativos impactos negativos em uma reserva biológica marinha. Outro exemplo caberia ao IBAMA, enquanto órgão licenciador da construção de uma usina hidrelétrica, aplicar sanções à União por descumprimento de condicionantes impostas durante o processo de licenciamento da obra. 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 7/90 Nessa linha, qualquer pessoa utilizadora de recursos ambientais, independentemente de sua natureza jurídica, estará sujeita a incidência do poder de polícia ambiental. Atributos do Poder de Polícia Ambiental Consoante majoritário na doutrina administrativista, o poder de polícia tem certas características (atributos) que o diferenciam dos demais poderes, quais sejam, a discricionariedade, a autoexecutoriedade e a coercibilidade. A Discricionariedade no exercício do poder de polícia está relacionada com o fato de a lei autorizar ao agente público a possibilidade de aferição de um juízo de conveniência e oportunidade quanto à pratica de um determinado ato. Há uma análise de mérito pelo agente, quanto ao ato a ser praticado, momento em que deve ocorrer e de que forma deve ser executado, objetivando resguardar o interesse público. Nessa linha, em regra, o poder de polícia é discricionário. Mas existem hipóteses em que essa discricionariedade não existe. Trata-se da faceta vinculada do poder de polícia em que ao agente público não cabe qualquer juízo de mérito quanto à pratica ou não do ato administrativo. É o caso da expedição de uma licença para realização de uma atividade. Assim, preenchidos os requisitos previstos em norma específica, não cabe ao agente indeferir o pedido ao fundamento de que a atividade não é oportuna. O poder de polícia ambiental, como regra, notadamente em sua faceta fiscalizatória, é vinculado cabendo ao agente ambiental proceder à efetiva fiscalização das atividades danosas ao meio ambiente, pelo mandamento constitucional do art. 225, caput, não podendo perquirir sobre a conveniência ou oportunidade da prática do ato protetivo, sob pena de responder nas esferas administrativa, penal e civil, pela sua omissão. Isso não implica dizer que não possa o agente de fiscalização decidir sobre a forma e/ou o momento em que poderá executar o ato de polícia em face do caso concreto. Podemos então afirmar que o poder de polícia ambiental apresenta características vinculadas em sua essência, mas que conta com certo juízo de discricionariedade, não podendo se afirmar que seja sempre discricionário ou sempre vinculado. É nesse sentido que leciona Maria Sylvia Di Pietro ao afirmar que o poder de polícia tanto pode ser discricionário como vinculado. Destaca também Frederico Amado que é vasta a legislação ambiental que rege o exercício do poder de polícia densificando a tese geral de que sua natureza é vinculada normalmente inexistindo juízo de conveniência ou oportunidade na sua exteriorização, em face do dever de o Poder Público promover a proteção e a conservação do meio ambiente. A Autoexecutoriedade, enquanto atributo do poder de polícia, está relacionada com a possibilidade do ato administrativo praticado seja de imediata e direta execução pela administração pública, não se exigindo a interferência do Poder Judiciário para que o ato tenha força executória. Assim, no âmbito ambiental, é perfeitamente possível que o agente ambiental ao encontrar uma atividade danosa ao meio ambiente, proceda à apreensão dos materiais utilizados para a prática do ilícito ambiental, bem como embargue a atividade ou área para anular ou mesmo mitigar os efeitos danos ao meio ambiente. 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 8/90 Cumpre destacar que esse atributo, embora essencial para inibir o dano ao meio ambiente, notadamente pela aplicação de medidas de polícia acautelatórias, nem sempre está presente no poder de polícia ambiental. Exemplo disso é a cobrança da multa aplicada por ato lesivo ao meio ambiente. Melhor dizendo, ao fim do processo administrativo ambiental sancionador se o infrator não pagar voluntariamente a multa a administração ambiental não poderá exercer o poder de polícia ambiental para obrigá-lo ao adimplemento do valor cobrado. Nesse sentido, caberá ao órgão ambiental inscrever o valor atualizado do débito em dívida ativa e proceder à cobrança judicial por meio da execução fiscal. Assim, o poder de polícia ambiental não goza em sua plenitude da autoexecutoriedade, embora seja a regra para as outras medidas sancionadoras (apreensão, interdição, proibição, embargo). A Coercibilidade é um atributo do poder de polícia que consiste na imposição coativa das sanções aplicadas aos administrados independentemente de sua vontade, podendo ser utilizada até a força da polícia judiciária para consecução do ato de polícia. Modos de atuação do Poder de Polícia Ambiental O poder de polícia ambiental pode atuar de forma preventiva ou repressiva. O poder de polícia ambiental preventivo se manifesta quando o órgão ambiental, antecedendo ao suposto dano ambiental que possa ser causado pela atividade/empreendimento, evita que a prática de atos particulares gere consequências danosas ao meio ambiente. Esse modo de atuação do poder de polícia se vislumbra quando a administração ambiental emite ordens ou notificações, bem como no momento em que expede licenças ou autorizações. É nessa atuação preventiva, por exemplo, que encaixa o licenciamento ambiental que pode culminar em uma manifestação positiva do órgão ambiental em relação a um pedido de desenvolvimento de uma atividade (atos de consentimento). O poder de polícia em sua versão repressiva se configura quando a conduta lesiva ao meio ambiente se consumou cabendo o exercício do poder de polícia ambiental para impor medidas coercitivas visando sancionar o infrator e mitigar os efeitos danosos aos bens ambientais. Configura o exercício do poder de polícia repressivo quando o órgão ambiental aplica medidas sancionadoras como multas, embargo de atividades ou interdições, que será objeto de nosso estudo no capítulo 4 desta aula. Por fim, cumpre destacar que o poder de polícia pode se manifestar através de atos normativos concretos e específicos, como através de leis que limitam o exercício de direitos e de determinadas atividades individuais como a necessidade de limitação ao aproveitamento de área de reserva legal. Mas é inegável que é através de atos administrativos concretos de aplicação das normas ao caso concreto por meio de medidas repressivas e preventivas. Limites do Poder de Polícia Ambiental Como todo ato emanado da administração pública, o exercício do poder de polícia é regrado, isto é, deve ser exercido nos estritos limites impostos pelas normas regulamentares.Nesse sentido, o poder de polícia ambiental não pode ser exercido de forma desarrazoada ou mesmo contrária as determinações legais, sob pena de incidência de uma arbitrariedade, configurando um abuso de poder por parte do órgão ambiental. 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 9/90 Exemplo claro desse abuso de poder ocorre quando um agente de fiscalização, no exercício regular do poder de polícia, aplica sanção administrativa restritiva de direito, não prevista na norma de regência, tendo em vista que no campo do direito sancionador vige a estrita taxatividade das mediadas a serem aplicadas, não cabendo ao agente fiscalizador criar uma sanção específica não prevista em lei ou regulamento. Cumpre destacar que existem limites naturais que impedem o exercício ilimitado do poder de polícia consubstanciados nos direitos individuais de envergadura constitucional, principalmente os atinentes ao devido processo legal, não podendo determinadas sanções serem impostas sem que seja permitido ao autuado a possibilidade de um contraditório e de uma ampla defesa. Nesse sentido, o exercício do poder de polícia ambiental deve estar lastreado no princípio da proporcionalidade, que se identifica com a razoabilidade, sendo integrada por três elementos essenciais, quais sejam, a adequação, a necessidade e a proporcionalidade em sentido estrito. Uma atuação adequada pressupõe a prática de um ato administrativo que seja efetivamente capaz de tingir os objetivos previsto na norma ambiental. Será necessária quando, dentre os diversos meios disponíveis para conter o ilícito ambiental, aplica-se aquele previsto na norma que seja menos ofensivo aos direitos individuais. Por fim, uma atuação proporcional em sentido estrito é aquela de consegue um equilíbrio entre os fins colimados pela norma e os meios utilizados para consecução dessas finalidades. 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 10/90 Aspectos Iniciais Sobre Licenciamento Ambiental. O meio ambiente ecologicamente equilibrado é um direito de todos enquanto bem de natureza difusa e transindividual sendo dever do Estado e da coletividade zelar pela manutenção desse status. Essa titularidade difusa não implica concluir que os bens ambientais, em sua concepção de microbem, podem ser utilizados, notadamente para fins econômicos, por qualquer indivíduo da sociedade. Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI. Nessa trilha, há necessidade de que o Estado, enquanto gestor desses bens e titular do direito-dever de protegê-los, manifestar seu consentimento quanto à sua utilização podendo se configurar, a depender da potencialidade lesiva ao meio ambiente, pelo 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 11/90 procedimento de licenciamento ambiental, embora não seja a única forma de obtenção do consentimento estatal para uso desses recursos. O Licenciamento Ambiental é um dos instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente, previsto no art. 9º, IV, da Lei 6.938/81, bem como no art. 2º, I, da Lei Complementar 140/2011 (LC 140/11). É decorrência do poder de polícia ambiental preventivo servindo como instrumento de controle ambiental, efetivador de princípios ambientais consagrados como, a título de exemplo, o do desenvolvimento sustentável, o da precaução e, notadamente, o da prevenção. Nesse sentido a Lei 6.938/81 previu em seu art. 10, com alteração dada pela LC 140/2011 a necessidade de prévio licenciamento ambiental para a construção, instalação, ampliação e funcionamento de estabelecimentos e atividades utilizadores de recursos ambientais, efetiva ou potencialmente poluidores ou capazes, sob qualquer forma, de causar degradação ambiental. O conceito de licenciamento ambiental veio expresso no art. 2º da LC 140/2011, bem como no art. 1, I, da Resolução Conama 237/97. Vejamos cada um deles. Embora de redação mais sintética, as duas normas trazem conceitos similares sobre licenciamento considerando um procedimento administrativo destinado a licenciar empreendimentos/atividades que utilizam recursos naturais e que em seu processo produtivo/construtivo possam causar degradação/poluição ao meio ambiente. Do conceito legal se extrai a natureza jurídica do instituto, sendo considerado o licenciamento procedimento administrativo que deve tramitar no órgão ambiental competente. Cumpre assinalar que embora majoritário na doutrina esse entendimento, há corrente minoritária que entende tratar-se de um processo administrativo devendo ser assegurado ao interessado todos os consectários que são inerentes ao processo, como contraditório, ampla defesa e o devido processo legal. Outorga de direitos: autorização e licença. CONCEITO: LICENCIAMENTO AMBIENTAL Resolução Conama 237/97 Lei Complementar 140/2011 procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental competente licencia a localização, instalação, ampliação e a operação de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou daquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental, considerando as disposições legais e regulamentares e as normas técnicas aplicáveis ao caso o procedimento administrativo destinado a licenciar atividades ou empreendimentos utilizadores de recursos ambientais, efetiva ou potencialmente poluidores ou capazes, sob qualquer forma, de causar degradação ambiental. 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 12/90 A autorização e a licença são formas de manifestação do controle prévio do Estado quanto aos interesses de um indivíduo em desenvolver uma atividade ou empreendimento. São tipos de manifestações do consentimento estatal. Consoante leciona José Afonso da Silva, a outorga de uma licença só se configura em face da preexistência do direito subjetivo do requerente em desenvolver a atividade. O interessado tem o direito de exercê-la. Assim, é condição indispensável para que se configure o instituto da licença que o interessado seja titular do direito. Caso não seja, não se expedirá uma licença, mas outra forma de consentimento do Estado (autorização/permissão). Para expedição da licença exige-se que sejam preenchidos certos requisitos ou pressupostos estabelecidos em lei e/ou regulamentos, fato que torna esse ato administrativo unilateral e vinculado, não podendo ser revogado ou mesmo negado (se preenchido os requisitos) por critérios de conveniência e oportunidade da Administração. Licença = ato administrativo unilateral, vinculado e definitivo. Ao seu turno, a autorização pressupõe que o interessado não detém o direito subjetivo ao exercício da atividade. Há uma proibição geral a todos para o seu não desenvolvimento. O ato de consentimento do Estado, por meio da expedição da autorização, afasta essa vedação permitindo, por juízo de conveniência e oportunidade da Administração, que o interessado possa exercitá-la. Nessa linha, podemos concluir que a autorização é um ato administrativo unilateral precário e discricionário porque não pressupõe um direito anterior a ser exercido. A autorização pressupõe a existência de atividades vedadas, atividades que ninguém tem o direito subjetivo de exercê-las. Só se poderá fazê-lo se a vedação for removida especialmente em favor de algum interessado, a título precário, porque pode ser cancelada a critério da autoridade outorgante. Autorização = ato administrativo unilateral, precário e discricionário No âmbito do Direito Ambiental,as características da licença, notadamente quanto aos atributos da vinculação e da definitividade, encontram resistência na doutrina ambientalista, 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 13/90 que asseveram não haver similitude integral entre as características da licença do Direito Administrativo com aquelas do Direito Ambiental. Nesse sentido, entende Celso Fiorillo que a licença ambiental, por ter peculiaridades próprias, deixa de ser um ato vinculado para ser um ato com discricionariedade sui generis, pois, mesmo sendo desfavorável uma avaliação de impacto ambiental para o desenvolvimento de uma atividade, ainda assim, poderá ser expedida a licença, em face de outros valores constitucionais protegidos, notadamente na busca do desenvolvimento econômico e social. Frederico Amado chega a lecionar, baseado no art. 19, da Resolução Conama n. 237/1997 que prevê a possibilidade de suspensão ou cancelamento da licença ambiental, a possibilidade de ocorrer que a licença ambiental tenha o regime jurídico similar ou idêntico ao da autorização administrativa, em razão da possibilidade de alteração ulterior do interesse ambiental, da certa margem de discricionariedade e da presença constante de conceitos abertos na legislação ambiental. Competência para Licenciar e Fiscalizar Como já estudamos anteriormente, a competência para proteger o meio ambiente é comum a todos os entes federativos, nos termos do art. 23, da CF/88. Nesse sentido, União, Estados/DF e Municípios têm competência para fiscalizar qualquer ação antrópica tendente a produzir alterações desfavoráveis ao equilíbrio ambiental. A Lei Complementar 140/2011 disciplinou a forma como os entes federativos devem desenvolver ações de cooperação de forma a tornar mais efetivo o exercício da competência material comum em defesa do meio ambiente. Nesse sentido, o texto normativo deixou claro que a competência para licenciar não se confunde com a de fiscalizar, podendo ser exercida por diferentes esferas de governo. Analisemos primeiro o texto legal: Art. 17. Compete ao órgão responsável pelo licenciamento ou autorização, conforme o caso, de um empreendimento ou atividade, lavrar auto de infração ambiental e instaurar processo administrativo para a apuração de infrações à legislação ambiental cometidas pelo empreendimento ou atividade licenciada ou autorizada. § 1o Qualquer pessoa legalmente identificada, ao constatar infração ambiental decorrente de empreendimento ou atividade utilizadores de recursos ambientais, efetiva ou potencialmente poluidores, pode dirigir representação ao órgão a que se refere o caput, para efeito do exercício de seu poder de polícia. § 2o Nos casos de iminência ou ocorrência de degradação da qualidade ambiental, o ente federativo que tiver conhecimento do fato deverá determinar medidas para evitá-la, fazer cessá- la ou mitigá-la, comunicando imediatamente ao órgão competente para as providências cabíveis. § 3o O disposto no caput deste artigo não impede o exercício pelos entes federativos da atribuição comum de fiscalização da conformidade de empreendimentos e atividades efetiva ou potencialmente poluidores ou utilizadores de recursos naturais com a legislação ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 14/90 em vigor, prevalecendo o auto de infração ambiental lavrado por órgão que detenha a atribuição de licenciamento ou autorização a que se refere o caput. A regra disciplinada no caput, do art. 17, é: será competente para fiscalizar a atividade desenvolvida aquele órgão ambiental responsável pelo procedimento de licenciamento ou de autorização. Aparentemente, a regra legal limitaria a disposição constitucional mencionada. Ocorre que o objetivo é apenas facilitar ações administrativas para diminuir gastos e clarificar o processo de licenciamento e fiscalização de determinadas atividades. Por outo lado, não houve qualquer diminuição do campo de atribuições comuns assentado na CF/88, considerando o regramento dos parágrafos do mesmo artigo que evidenciam a necessidade de atuação dos integrantes do Sisnama, independentemente de ser o órgão licenciador, para conter o ilícito perpetrado contra o meio ambiente. Fortalece ainda essa tese a regra do § 3o ao dispor que é possível que outro ente federativo possa fiscalizar e lavrar auto de infração, ressalvando apenas o fato de ter sido lavrado outro, pelos mesmos fatos, pelo órgão ambiental licenciador, situação que faz prevalecer o auto de infração deste último. Mas, para além desse entendimento, é importante destacar que a regra estatuída no art. 17 é restrita aplicando-se exclusivamente no âmbito do licenciamento ou autorização de atividades. Em caso de atividades não licenciadas/autorizadas ou não passiveis de tais procedimentos, não há que se aplicar referida regra, cabendo a qualquer órgão/entidade integrante do Sisnama ou autorizado por legislação própria, exercer o poder de polícia por meio da fiscalização, prevalecendo seu auto de infração como já ocorria antes da edição desse regramento. Destacamos apenas que situações concretas podem tornar a aplicação do § 3o bastante árdua e de difícil elucidação, não só pela natureza da degradação, mas também pela magnitude do dano causado ao meio ambiente. Por fim, cumpre assinalar que o STJ mantém o entendimento no sentido de que todos os entes federativos são competentes para atuação no âmbito da proteção dos bens ambientais, não reconhecendo a competência exclusiva para efetivação de medidas protetivas, sob pena de proteção deficiente do meio ambiente. Eis o julgado: AMBIENTAL. PROCESSUAL CIVIL. MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. LICENCIAMENTO AMBIENTAL. ZONA DE AMORTECIMENTO DO PARQUE NACIONAL DE JERICOACOARA. LEGITIMIDADE ATIVA AD CAUSAM. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. 1. Em se tratando de proteção ao meio ambiente, não há falar em competência exclusiva de um ente da federação para promover medidas protetivas. Impõe-se amplo aparato de fiscalização a ser exercido pelos quatro entes federados, independentemente do local onde a ameaça ou o dano estejam ocorrendo, bem como da competência para o licenciamento. 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 15/90 Etapas do Licenciamento Ambiental e Licenças Expedidas no Processo de Licenciamento 2. O domínio da área em que o dano ou o risco de dano se manifesta é apenas um dos critérios definidores da legitimidade para agir do parquet federal. Ademais, o poder-dever de fiscalização dos outros entes deve ser exercido quando a atividade esteja, sem o devido acompanhamento do órgão competente, causando danos ao meio ambiente. 3. A atividade fiscalizatória das atividades nocivas ao meio ambiente concede ao IBAMA interesse jurídico suficiente para exercer seu poder de polícia administrativa, ainda que o bem esteja situado em área cuja competência para o licenciamento seja do município ou do estado. (AgRg no REsp 1373302/CE, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 11/06/2013, DJe 19/06/2013) Para fins de concurso público, entendo pertinente ao candidato fixar a literalidade do dispositivo legal e entender que sua aplicação se restringe a atividades efetivamente licenciadas ou autorizadas, devendo, nos demais casos, ser aplicada a regra do dever de fiscalizar independente de quem é o órgão efetivamente competente para proceder ao licenciamento. Destacamos ainda que o tema não é pacífico na doutrina e que os tribunais superiores ainda não enfrentaram a constitucionalidade do art. 17, da LC 140/2011. Os principais instrumentos normativos sobre licenciamentoambiental são a LC 140/2011 e a Resolução Conama 237/97. Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI. As etapas (ou fases) do licenciamento estão previstas no art. 10 da Resolução Conama 237/97, eis o normativo. Art. 10 - O procedimento de licenciamento ambiental obedecerá às seguintes etapas: I - Definição pelo órgão ambiental competente, com a participação do empreendedor, dos documentos, projetos e estudos ambientais, necessários ao início do processo de licenciamento correspondente à licença a ser requerida; II - Requerimento da licença ambiental pelo empreendedor, acompanhado dos documentos, projetos e estudos ambientais pertinentes, dando-se a devida publicidade; 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 16/90 III - Análise pelo órgão ambiental competente, integrante do SISNAMA, dos documentos, projetos e estudos ambientais apresentados e a realização de vistorias técnicas, quando necessárias; IV - Solicitação de esclarecimentos e complementações pelo órgão ambiental competente, integrante do SISNAMA, uma única vez, em decorrência da análise dos documentos, projetos e estudos ambientais apresentados, quando couber, podendo haver a reiteração da mesma solicitação caso os esclarecimentos e complementações não tenham sido satisfatórios; V - Audiência pública, quando couber, de acordo com a regulamentação pertinente; VI - Solicitação de esclarecimentos e complementações pelo órgão ambiental competente, decorrentes de audiências públicas, quando couber, podendo haver reiteração da solicitação quando os esclarecimentos e complementações não tenham sido satisfatórios; VII - Emissão de parecer técnico conclusivo e, quando couber, parecer jurídico; VIII - Deferimento ou indeferimento do pedido de licença, dando-se a devida publicidade. § 1º - No procedimento de licenciamento ambiental deverá constar, obrigatoriamente, a certidão da Prefeitura Municipal, declarando que o local e o tipo de empreendimento ou atividade estão em conformidade com a legislação aplicável ao uso e ocupação do solo e, quando for o caso, a autorização para supressão de vegetação e a outorga para o uso da água, emitidas pelos órgãos competentes. § 2º - No caso de empreendimentos e atividades sujeitos ao estudo de impacto ambiental - EIA, se verificada a necessidade de nova complementação em decorrência de esclarecimentos já prestados, conforme incisos IV e VI, o órgão ambiental competente, mediante decisão motivada e com a participação do empreendedor, poderá formular novo pedido de complementação. Alguns pontos relevantes da etapa temos que a 1ª etapa representa o momento da definição dos Estudos Ambientais que serão realizados. Nesse sentido, a depender do grau de potencialidade lesiva ao meio ambiente será definido o instrumento adequado. Lembrando que só caberá elaboração de Estudo Prévio de Impacto Ambiental – EPIA e a necessidade de elaboração do Relatório de Impacto Ambiental – RIMA se a atividade a ser licenciado for considerada pelo órgão ambiental como causadora de significativa degradação ao meio ambiente, nos termos do art. 3º, da Resolução Conama 237/97: Art. 3º- A licença ambiental para empreendimentos e atividades consideradas efetiva ou potencialmente causadoras de significativa degradação do meio dependerá de prévio estudo de impacto ambiental e respectivo relatório de impacto sobre o meio ambiente (EIA/RIMA), ao qual dar-se-á publicidade, garantida a realização de audiências públicas, quando couber, de acordo com a regulamentação. 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 17/90 Questão 2019 | 618307124 Considerando os aspectos constitucionais relacionados ao direito ambiental, a Lei n.º 6.938/1981, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, a Lei n.º 12.651/2012, que estabelece prescrições acerca do Código Florestal e as resoluções do CONAMA, julgue o item a seguir. O estudo de impacto ambiental e o relatório de impacto ambiental são documentos ambientais obrigatórios para a realização do procedimento administrativo de licenciamento ambiental. Solução Gabarito: ERRADA. De acordo com o §1º, inciso IV, art. 225 da Constituição Federal, o estudo de impacto ambiental e o relatório de impacto ambiental serão exigidos apenas em caso de obra ou atividade potencialmente causadora de signi�cativa degradação ambiental. Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. § 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público: (...) IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de signi�cativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade; Além disso, o licenciamento ambiental, de�nido no art. 1º, inciso I da Resolução nº 237 do CONAMA, é o procedimento administrativo que autoriza a localização, instalação, ampliação e a operação de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou daquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental. Parágrafo único. O órgão ambiental competente, verificando que a atividade ou empreendimento não é potencialmente causador de significativa degradação do meio ambiente, definirá os estudos ambientais pertinentes ao respectivo processo de licenciamento. O licenciamento ambiental não exige, necessariamente, o EPIA/RIMA, poderá ser exigido outro estudo ambiental mais simplificado, como um projeto de controle ambiental (PCA). 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 18/90 Art. 1º - Para efeito desta Resolução são adotadas as seguintes de�nições: I - Licenciamento Ambiental: procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental competente licencia a localização, instalação, ampliação e a operação de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou daquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental, considerando as disposições legais e regulamentares e as normas técnicas aplicáveis ao caso. Questão 2020 | 553635323 A audiência pública no processo de licenciamento ambiental A) é obrigatória, independentemente do grau de impacto do empreendimento ou da atividade licenciada. B) deve ser realizada no início do processo de licenciamento ambiental para colheita de críticas e sugestões e, ao �nal do processo, para a respectiva devolutiva. C) será realizada na sede do órgão ambiental responsável pelo licenciamento ambiental. D) não obriga o órgão responsável pelo licenciamento ambiental a acolher as contribuições dela decorrentes, desde que apresente justi�cativa. Quanto à audiência pública, devemos lembrar que sua realização fica sempre ao alvedrio do órgão ambiental licenciador. Será obrigatória somente se preenchido os seguintes requisitos: (1) ventilada em licenciamento que exige EPIA/RIMA; e (2) requerida pelo Ministério Público, ou por entidade civil, ou mesmo por 50 ou mais cidadãos, nos termos do art. 2º, da Resolução Conama 09/87. Art. 2º - Sempre que julgar necessário, ou quando for solicitado por entidade civil, pelo Ministério Público, ou por 50 (cinquenta) ou mais cidadãos, o Órgão de Meio Ambiente promoverá a realização de audiência pública. Obrigatoriedade da Audiência = Licenciamento com EPIA/RIMA + Pedido do MP, Entidade ou ≥50 cidadãos 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamentoe Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 19/90 E) ocorre em momento anterior à elaboração do EIA-RIMA. Solução Gabarito: D) não obriga o órgão responsável pelo licenciamento ambiental a acolher as contribuições dela decorrentes, desde que apresente justi�cativa. A audiência pública ambiental está regulamentada na Resolução CONAMA n. 009, de 03 de dezembro de 1987 – tendo em vista a sua previsão na Resolução CONAMA n. 001, de 23 de janeiro de 1986, em que se garantiu no art. 3º a realização de audiências públicas a respeito do Estudo de Impacto Ambiental e respectivo Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente (EIA/RIMA), em nome do princípio da publicidade. Essa questão exigiu do candidato um conhecimento sobre os dispositivos de mencionada regulamentação. A letra A está incorreta. ERRADA. A audiência pública será realizada, nos termos do art. 2º, caput da Resolução CONAMA n. 09/1987, “sempre que [o órgão do meio ambiente] julgar necessário ou quando for solicitado por entidade civil, pelo Ministério Público ou por 50 (cinquenta) ou mais cidadãos”. Ou seja: a sua realização não é obrigatória e tampouco está relacionada ao grau de impacto do empreendimento ou da atividade licenciada, mas às especi�cidades do caso concreto, dependendo de iniciativa do próprio órgão ambiental, de entidade civil, do Ministério Público ou de cidadãos. A letra B está incorreta. ERRADA. Nos termos do art. 1º da Resolução CONAMA n. 09/1987, “a audiência pública referida na Resolução CONAMA n. 01/1986, tem por �nalidade expor aos interessados o conteúdo do produto em análise e do seu referido RIMA, dirimindo dúvidas e recolhendo dos presentes as críticas e sugestões a respeito”. Ou seja: a audiência pública não é realizada nem no início e nem no �nal do processo, mas no momento posterior à elaboração do EIA-RIMA, a �m de discutir o seu conteúdo. O seu prazo de realização está prevista no art. 2º, §1º da Resolução CONAMA n. 09/1987, nos seguintes termos: “o órgão de meio ambiente, a partir da data do recebimento do RIMA, �xará em edital e anunciará pela imprensa local a abertura do prazo que será no mínimo de 45 (quarenta e cinco) dias para solicitação de audiência pública”. 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 20/90 A letra C está incorreta. ERRADA. Nos termos do art. 2º, §4º da Resolução CONAMA n. 09/1987, “a audiência pública deverá ocorrer em local acessível aos interessados”. Além disso, o art. 2º, §5º da Resolução CONAMA n. 09/1987 possibilita a realização de mais de uma audiência pública no mesmo processo de licenciamento ambiental, “em função da localização geográ�ca dos solicitantes e o da complexidade do tema”. Assim, a audiência pública será realizada em local a �m de facilitar o acesso e a participação dos interessados, e não obrigatoriamente no órgão ambiental responsável pelo licenciamento ambiental. A letra D está correta. CERTA. A respeito da conclusão da audiência pública, os arts. 4º e 5º da Resolução CONAMA n. 09/1987 determinam que: Art. 4º. Ao �nal de cada audiência pública será lavrada uma ata sucinta. Parágrafo único. Serão anexadas à ata, todos os documentos escritos e assinados que forem entregues ao presidente dos trabalhos durante a seção. Art. 5º. A ata da(s) audiência(s) pública(s) e seus anexos servirão de base, juntamente com o RIMA, para a análise e parecer �nal do licenciador quanto à aprovação ou não do projeto. Dessa forma, as contribuições decorrentes da audiência pública servirão de base para a decisão administrativa no tocante ao licenciamento ambiental, contudo, não obriga o órgão responsável em nenhum sentido – de forma que certa a alternativa. A letra E está incorreta. ERRADA. Nos termos do art. 1º da Resolução CONAMA n. 09/1987, “a audiência pública referida na Resolução CONAMA n. 01/1986, tem por �nalidade expor aos interessados o conteúdo do produto em análise e do seu referido RIMA, dirimindo dúvidas e recolhendo dos presentes as críticas e sugestões a respeito”. Ou seja: a audiência em pública ocorre em momento posterior à elaboração do EIA-RIMA, a �m de discutir o seu conteúdo. De fato, no mesmo sentido, é o art. 11, §2º da Resolução CONAMA n. 01/1986, ao prever que: “ao determinar a execução do estudo de impacto ambiental e apresentação do RIMA, o estadual competente ou o IBAMA ou, quando couber, o Município, determinará o prazo para 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 21/90 recebimento dos comentários a serem feitos pelos órgãos públicos e demais interessados e, sempre que julgar necessário, promover a realização de audiência pública para informação sobre o projeto e seus impactos ambientais e discussão do RIMA”. Outro ponto importante do procedimento é a necessidade de o empreendedor apresentar todas as licenças ou autorizações acessórias necessárias para o regular funcionamento da atividade perante o órgão ambiental licenciador. Assim, deve o interessado apresentar a certidão da Prefeitura Municipal, declarando que o local e o tipo de empreendimento ou atividade estão em conformidade com a legislação aplicável ao uso e ocupação do solo e, bem como a autorização para supressão de vegetação e a outorga para o uso da água, ou exploração de minérios emitidas pelos órgãos competentes. Por fim, a Resolução Conama 237/97 elenca, em seu anexo, um rol explicativo das atividades que estarão sujeitas ao processo de licenciamento ambiental, que a depender do potencial lesivo, podem ou não exigir EPIA/RIMA. São as atividades de Extração e tratamento de minerais, Indústria de produtos minerais não metálicos, Indústria metalúrgica, Indústria de madeira, Indústria de borracha, Indústria de produtos alimentares e bebidas, Transporte, terminais e depósitos, além de outras previstas na norma. Durante o processo de licenciamento são expedidas, em regra, três licenças, quais sejam, a licença Prévia, de Instalação e de Operação (PIO). A Resolução Conama 237/97, em seus arts. 8º e 9º, apresenta as características gerais dessas licenças e o momento em que ocorrerão suas expedições. Art. 8º - O Poder Público, no exercício de sua competência de controle, expedirá as seguintes licenças: I - Licença Prévia (LP) - concedida na fase preliminar do planejamento do empreendimento ou atividade aprovando sua localização e concepção, atestando a viabilidade ambiental e estabelecendo os requisitos básicos e condicionantes a serem atendidos nas próximas fases de sua implementação; II - Licença de Instalação (LI) - autoriza a instalação do empreendimento ou atividade de acordo com as especificações constantes dos planos, programas e projetos aprovados, incluindo as medidas de controle ambiental e demais condicionantes, da qual constituem motivo determinante; III - Licença de Operação (LO) - autoriza a operação da atividade ou empreendimento, após a verificação do efetivo cumprimento do que consta das licenças anteriores, com as medidas de controle ambiental e condicionantes determinados para a operação. Parágrafo único - As licenças ambientais poderão ser expedidas isolada ou sucessivamente, de acordo com a natureza, características e fase do empreendimento ou atividade. 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 22/90 Art. 9º - O CONAMA definirá, quando necessário, licenças ambientais específicas, observadas a natureza, características e peculiaridades da atividade ou empreendimento e, ainda, a compatibilização do processo de licenciamento com as etapas de planejamento, implantação e operação. A licença ambiental é ato administrativopelo qual o órgão ambiental competente, estabelece as condições, restrições e medidas de controle ambiental que deverão ser obedecidas pelo empreendedor, pessoa física ou jurídica, para localizar, instalar, ampliar e operar empreendimentos ou atividades utilizadoras dos recursos ambientais consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou aquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental. A Licença Prévia é o ateste da viabilidade ambiental do projeto apresentado pelo interessado em que o órgão ambiental competente analisou o planejamento do empreendimento aprovando sua localização e concepção. Nessa fase preliminar o interessado apresentou os estudos ambientais necessários para o empreendimento. A licença também fixa as condicionantes ambientais que devem lastrear as fases seguintes para expedição das demais licenças. Nessa fase, com a licença prévia expedida, o empreendedor elabora o Projeto Básico para ser apresentado na fase subsequente do licenciamento. Se o empreendimento for de titularidade de uma entidade pública, o Projeto Básico elaborado pelo contratado só pode ser aprovado se a licença prévia estiver sido expedida, sob pena de irregularidade grave. Cumpre destacar que o Tribunal de Contas da União – TCU já sedimentou entendimento, no Acórdão TCU 1.869/2006, que não é admita a postergação de estudos de diagnóstico próprios da fase prévia para fases posteriores sob a forma de condicionantes do licenciamento, conforme prescreve o art. 6° da Resolução Conama n.°01/86. A Licença de Instalação é o ato administrativo que autoriza a instalação do empreendimento de acordo com as especificações constantes dos planos, programas e projetos aprovados, incluindo as medidas de controle ambiental e demais condicionantes necessárias nessa fase de instalação e para a fase seguinte. Para isso o empreendedor deve apresentar, dentre outras coisas, o Projeto Executivo documento de natureza técnica que tem a função de detalhar como será feita a compatibilização da instalação do empreendimento com a proteção do meio ambiente. O órgão ambiental ao aprovar o projeto executivo emite a licença de instalação fixando as condicionantes ambientais que devem ser observadas nessa fase do licenciamento, podendo o interessado praticar todos os atos necessários à instalação do empreendimento. A Licença de Operação autoriza o funcionamento da atividade ou empreendimento, após a verificação do efetivo cumprimento do que consta das licenças anteriores, com as medidas de controle ambiental e condicionantes determinados para a operação. Antes da expedição dessa licença, cabe ao órgão ambiental licenciante realizar as vistorias necessárias no local do empreendimento e atestar o cumprimento de todas as condicionantes impostas nas fases anteriores. 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 23/90 Questão 2019 | 2019 | 657589782 A Lei de Política Nacional do Meio Ambiente previu, dentre seus instrumentos, o licenciamento ambiental, que se fundamenta na primazia do interesse público sobre o interesse particular. No transcurso do procedimento serão concedidas licenças, como: A) Licença prévia (LP) – será concedida na fase preliminar do planejamento do empreendimento ou atividade, aprovando sua localização e concepção, atestando a viabilidade ambiental; o prazo de validade não poderá ser superior a 2 (dois) anos. B) Licença de instalação (LI) – autoriza a instalação e operação de algumas atividades do empreendimento, de acordo com as especi�cações constantes dos planos, programas e projetos aprovados, incluindo medidas de controle ambiental e demais condicionantes; o prazo de validade não poderá ser superior a 5 (cinco) anos. Licença de Operação (LO) – autoriza a operação da atividade ou empreendimento, após a veri�cação do efetivo cumprimento do que consta das licenças anteriores, com as medidas de O Tribunal de Contas da União exarou decisão no sentido de que o início de obras sem a licença de operação é considerado indício de grave irregularidade administrativa ensejando a interrupção do repasse de recursos financeiros federais. 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 24/90 C) controle ambiental e condicionantes determinados para a operação; o prazo de validade será renovado a cada 4 (quatro) anos. D) Licença de Instalação (LI) – autoriza a instalação do empreendimento ou atividade de acordo com as especi�cações constantes dos planos, programas e projetos aprovados, incluindo as medidas de controle ambiental e demais condicionantes, da qual constituem motivo determinante; o prazo de validade deverá ser, no mínimo, o estabelecido pelo cronograma de instalação do empreendimento ou atividade, não podendo ser superior a 6 (seis) anos. E) Licença Prévia (LP) – concedida na fase preliminar do planejamento do empreendimento ou atividade, aprovando sua localização e concepção, atestando a viabilidade ambiental e estabelecendo os requisitos básicos e condicionantes a serem atendidos nas próximas fases de sua implementação, no prazo de validade não superior a 4 (quatro) anos. Solução Gabarito: D) Licença de Instalação (LI) – autoriza a instalação do empreendimento ou atividade de acordo com as especi�cações constantes dos planos, programas e projetos aprovados, incluindo as medidas de controle ambiental e demais condicionantes, da qual constituem motivo determinante; o prazo de validade deverá ser, no mínimo, o estabelecido pelo cronograma de instalação do empreendimento ou atividade, não podendo ser superior a 6 (seis) anos. Durante o processo de licenciamento são expedidas, em regra, três licenças, quais sejam, a licença Prévia, de Instalação e de Operação (PIO). A Resolução Conama 237/97, em seus arts. 8º e 9º, apresenta as características gerais dessas licenças e o momento em que ocorrerão suas expedições. Art. 8º - O Poder Público, no exercício de sua competência de controle, expedirá as seguintes licenças: I - Licença Prévia (LP) - concedida na fase preliminar do planejamento do empreendimento ou atividade aprovando sua localização e concepção, atestando a viabilidade ambiental e estabelecendo os requisitos básicos e condicionantes a serem atendidos nas próximas fases de sua implementação; II - Licença de Instalação (LI) - autoriza a instalação do empreendimento ou atividade de acordo com as especi�cações constantes dos planos, programas e projetos aprovados, incluindo as medidas de controle ambiental e demais condicionantes, da qual constituem motivo determinante; III - Licença de Operação (LO) - autoriza a operação da atividade ou empreendimento, após a veri�cação do efetivo cumprimento do que consta das licenças anteriores, com as medidas de controle ambiental e condicionantes determinados para a operação. Parágrafo único - As licenças ambientais poderão ser expedidas isolada ou sucessivamente, de acordo com a natureza, características e fase do empreendimento ou atividade. 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 25/90 Art. 9º - O CONAMA de�nirá, quando necessário, licenças ambientais especí�cas, observadas a natureza, características e peculiaridades da atividade ou empreendimento e, ainda, a compatibilização do processo de licenciamento com as etapas de planejamento, implantação e operação. Os prazos de validade dessas licenças foram previstos no art. 18, da Resolução CONAMA 237/97, quais sejam, 05 anos para a licença prévia; 06 anos para a licença de instalação e de 10 anos para a licença de operação. Destaque-se também que se admite prorrogação de todas as licenças desde que não ultrapassem os limites �xados para cada umadelas, correspondendo, respectivamente, a 05, 06 e 10 anos. Por �m, cumpre destacar que essas licenças tem prazos mínimos �xados pela norma, sendo a das licenças preliminares (prévia e instalação) o prazo estabelecido pelo cronograma de elaboração dos planos, programas e projetos relativos ao empreendimento e o da licença de operação de 04 anos. A letra A está incorreta. ERRADA. Nos termos do art. Art. 8º , da Resolução CONAMA 237/97, a Licença Prévia (LP) será concedida na fase preliminar do planejamento do empreendimento ou atividade aprovando sua localização e concepção, atestando a viabilidade ambiental e estabelecendo os requisitos básicos e condicionantes a serem atendidos nas próximas fases de sua implementação e, nos termos do art. 18, I, da referido Resolução, o seu prazo de validade deverá ser, no mínimo, o estabelecido pelo cronograma de elaboração dos planos, programas e projetos relativos ao empreendimento ou atividade, não podendo ser superior a 5 (cinco) anos. A letra B está incorreta. ERRADA. Nos termos do art. Art. 8º , II, da Resolução CONAMA 237/97, a Licença de Instalação (LI) autoriza a instalação do empreendimento ou atividade ( não autoriza a instalação) de acordo com as especi�cações constantes dos planos, programas e projetos aprovados, incluindo as medidas de controle ambiental e demais condicionantes, da qual constituem motivo determinante, e, nos termos do art. 18, II, da referido Resolução, o seu prazo de validade deverá deve ser, no mínimo, o estabelecido pelo cronograma de elaboração dos planos, programas e projetos relativos ao empreendimento ou atividade, não podendo ser superior a 5 (cinco) anos. A letra C está incorreta. ERRADA. Nos termos do art. Art. 8º , III, da Resolução CONAMA 237/97, a Licença de Operação (LO) autoriza a operação da atividade ou empreendimento, após a veri�cação do efetivo 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 26/90 cumprimento do que consta das licenças anteriores, com as medidas de controle ambiental e condicionantes determinados para a operação, sendo que seu prazo de validade, nos termos do art. 18, III, da referida Resolução, deverá considerar os planos de controle ambiental e será de, no mínimo, 4 (quatro) anos e, no máximo, 10 (dez) anos, não havendo a regra de renovação obrigatória a cada 4 anos. A letra D está correta. CERTA. Nos termos do art. Art. 8º , II, da Resolução CONAMA 237/97, a Licença de Instalação (LI) autoriza a instalação do empreendimento ou atividade de acordo com as especi�cações constantes dos planos, programas e projetos aprovados, incluindo as medidas de controle ambiental e demais condicionantes, da qual constituem motivo determinante. Quanto ao prazo de validade, o art. 18, III, da referida Resolução �xa a regra de que deverá ser, no mínimo, o estabelecido pelo cronograma de instalação do empreendimento ou atividade, não podendo ser superior a 6 (seis) anos. A letra E está incorreta. ERRADA. Nos termos do art. Art. 8º , da Resolução CONAMA 237/97, a Licença Prévia (LP) será concedida na fase preliminar do planejamento do empreendimento ou atividade aprovando sua localização e concepção, atestando a viabilidade ambiental e estabelecendo os requisitos básicos e condicionantes a serem atendidos nas próximas fases de sua implementação e, nos termos do art. 18, I, da referido Resolução, o seu prazo de validade deverá ser, no mínimo, o estabelecido pelo cronograma de elaboração dos planos, programas e projetos relativos ao empreendimento ou atividade, não podendo ser superior a 5 (cinco) anos. Cumpre destacar que o Conama definirá, quando necessário, licenças ambientais específicas, observadas a natureza, características e peculiaridades da atividade ou empreendimento e, ainda, a compatibilização do processo de licenciamento com as etapas de planejamento, implantação e operação. O órgão ambiental competente é responsável por fixar os prazos de validade de cada tipo de licença, essa previsão está no art. 18, da Resolução Conama 237/97: Art. 18 - O órgão ambiental competente estabelecerá os prazos de validade de cada tipo de licença, especificando-os no respectivo documento, levando em consideração os seguintes aspectos: 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 27/90 I - O prazo de validade da Licença Prévia (LP) deverá ser, no mínimo, o estabelecido pelo cronograma de elaboração dos planos, programas e projetos relativos ao empreendimento ou atividade, não podendo ser superior a 5 (cinco) anos. II - O prazo de validade da Licença de Instalação (LI) deverá ser, no mínimo, o estabelecido pelo cronograma de instalação do empreendimento ou atividade, não podendo ser superior a 6 (seis) anos. III - O prazo de validade da Licença de Operação (LO) deverá considerar os planos de controle ambiental e será de, no mínimo, 4 (quatro) anos e, no máximo, 10 (dez) anos. § 1º - A Licença Prévia (LP) e a Licença de Instalação (LI) poderão ter os prazos de validade prorrogados, desde que não ultrapassem os prazos máximos estabelecidos nos incisos I e II § 2º - O órgão ambiental competente poderá estabelecer prazos de validade específicos para a Licença de Operação (LO) de empreendimentos ou atividades que, por sua natureza e peculiaridades, estejam sujeitos a encerramento ou modificação em prazos inferiores. § 3º - Na renovação da Licença de Operação (LO) de uma atividade ou empreendimento, o órgão ambiental competente poderá, mediante decisão motivada, aumentar ou diminuir o seu prazo de validade, após avaliação do desempenho ambiental da atividade ou empreendimento no período de vigência anterior, respeitados os limites estabelecidos no inciso III. § 4º - A renovação da Licença de Operação (LO) de uma atividade ou empreendimento deverá ser requerida com antecedência mínima de 120 (cento e vinte) dias da expiração de seu prazo de validade, fixado na respectiva licença, ficando este automaticamente prorrogado até a manifestação definitiva do órgão ambiental competente. Devemos ficar atentos que os prazos fixados pelo órgão ambiental devem sempre obedecer aos limites fixados pela Resolução, quais sejam, 05 anos para a licença prévia; 06 anos para a licença de instalação e de 10 anos para a licença de operação. Destaque-se também que se admite prorrogação de todas as licenças desde que não ultrapassem os limites fixados para cada uma delas, correspondendo, respectivamente, a 05, 06 e 10 anos. Por fim, cumpres destacar que essas licenças tem prazos mínimos fixados pela norma sendo a das licenças preliminares (prévia e instalação) o prazo estabelecido pelo cronograma de elaboração dos planos, programas e projetos relativos ao empreendimento e o da licença de operação de 04 anos. Prazos aas Licenças Ambientais 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 5. Poder de Polícia Ambiental, Licenciamento e Responsabilidade Administrativa Ambiental 28/90 Prazos no Processos de Licenciamento Cumpre destacar que o pedido de renovação da licença de operação deve ser feito com antecedência mínima de 120 dias da expiração de seu prazo de validade, fixado na respectiva licença, ficando este automaticamente prorrogado até a manifestação definitiva do órgão ambiental competente. Por questões de segurança jurídica e maior transparência dos licenciamentos ambientais, a Resolução Conama 237/97 fixa prazos para que o órgão ambiental se manifeste quanto ao pedido de licença formulado, bem como ao interessado para que efetive os esclarecimentos e complementações exigidas. O prazo para manifestação do interessado quanto à necessidade de efetivar as complementações ventiladas pelo órgão licenciador será de no máximo 04 meses, podendo ser prorrogado desde que haja