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RESPONSABILIDADE CÍVIL – CRIMES E INFRAÇÕES 
AMBIENTAIS 
 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
2 
Sumário 
NOSSA HISTÓRIA ......................................................................................... 3 
 ................................................................................................................... 4 
1 – INTRODUÇÃO ...................................................................................... 4 
2- DA EVOLUÇÃO DA RESPONSABILIDADE CIVIL ................................. 5 
3- CONCEITO DE RESPONSABILIDADE CIVIL ........................................ 7 
4- ESPÉCIES DE RESPONSABILIDADE CIVIL ......................................... 9 
No que concerne às espécies de responsabilidade civil, mostrou-se mais 
consistente a elencada por Diniz (2008), que classifica a responsabilidade em três: 9 
 quanto ao fato gerador, ......................................................................... 9 
 quanto ao fundamento ........................................................................... 9 
 quanto ao agente. ................................................................................. 9 
5 - PRINCÍPIOS BÁSICOS DA RESPONSABILIDADE CIVIL AMBIENTAL 9 
5.1- Prevenção ........................................................................................... 9 
5.2 - Poluidor Pagador ............................................................................. 11 
5.3 – Princípio da Reparação Integral ....................................................... 12 
6 - PRESSUPOSTOS DA RESPONSABILIDADE CIVIL POR DANO 
AMBIENTAL ........................................................................................................ 13 
6.1- Dano e Nexo Causal .......................................................................... 13 
 ................................................................................................................. 17 
7 - RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA OU TEORIA DO RISCO ...... 17 
8- PRESCINDIBILIDADE DE INVESTIGAÇÃO DE CULPA ...................... 18 
9- IRRELEVÂNCIA DA LICITUDE DA ATIVIDADE ................................... 19 
10 - INAPLICABILIDADE DE EXCLUDENTES E DE CLÁUSULAS DE NÃO-
INDENIZAR ......................................................................................................... 20 
BIBLIOGRAFIA ......................................................................................... 23 
 
 
 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
3 
NOSSA HISTÓRIA 
 
 
A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, 
em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-
Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo 
serviços educacionais em nível superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação 
no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. 
Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que 
constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de 
publicação ou outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma 
confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base 
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições 
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, 
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1 – INTRODUÇÃO 
Tem-se como uma das grandes linhas de estudo da ciência jurídica a 
responsabilidade civil e as suas consequências jurídicas. O estudo deste instituto é 
originado da máxima romana neminem laedere (Ulpiano), que possui como 
concepção básica a defesa da moralidade e dignidade humana (LANFREDI, 1997). 
Em face de uma evolução rápida frente aos inquestionáveis e emergentes avanços 
tecnológicos, industriais, econômicos, associados ao processo evolutivo da 
sociedade (GUIMARÃES, 1999), garantindo o fim de restabelecer o equilíbrio 
comprometido em função do dano, considerado a seu tempo, em função das 
condições sociais ocorrentes em seu tempo (DIAS, 1979). 
Pretende-se analisar o instituto da responsabilidade civil em face do dano ambiental, 
buscando identificar as suas consequências para o direito interno, a partir de uma 
abordagem descritiva e qualitativa, se utilizando de pesquisa bibliográfica doutrinária 
e da legislação pertinente, para tentar compreender a formação do instituto, objeto do 
presente estudo. 
https://jus.com.br/tudo/processo
 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
5 
Assim, para que o assunto seja devidamente analisado e compreendido, será de 
utilidade inquestionável uma abordagem de conceitos básicos do instituto em análise, 
bem como apreender a sua evolução histórica, que tem início nos mais remotos 
tempos e se desenvolve até a responsabilidade objetiva. Analisa-se ainda, o modo 
como tal instituto é entendido no contexto jurídico, inclusive à luz do direito 
comparado. 
2- DA EVOLUÇÃO DA RESPONSABILIDADE CIVIL 
 
A evolução da responsabilidade civil está ligada diretamente à evolução da 
responsabilidade penal. De início, ambos se confundiam no chamado direito de 
vingança, que concedia à vítima, simultaneamente, a reparação do dano e a punição 
de quem o causou. 
Contudo, este direito de vingança foi substituído pela possibilidade de que, tanto a 
reparação do dano quanto a sua punição, fossem substituídas por uma entrega de 
valores à vítima, traduzindo-se numa indenização pecuniária. 
E tão logo quanto houve esta substituição, pode-se perceber a intervenção da 
autoridade estatal com o fim de evitar as consequências trazidas pela vingança 
privada e prejudiciais à sociedade. Tal intervenção operou-se pela fixação das 
indenizações pecuniárias e também pelo início de punição pelo Estado de certos fatos 
praticados por particulares. É com este passo que se inicia a separação que culmina 
na diferença entre as reparações às vítimas, de âmbito cível, e as punições impostas 
pelo Poder Central, de âmbito penal. 
De acordo com Paiva (1999), a análise psicológica da culpa começou a ser feita sob 
a Lei das XII Tábuas por juristas bizantinos da época pós-clássica, que demonstraram 
as primeiras preocupações e esforços doutrinais nesse sentido. O autor ainda 
descreve que civilistas foram os responsáveis por continuarem estes estudos e 
promover, mesmo que de maneira letárgica, a evolução da concepção de uma 
 
 
 
 
 
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responsabilidade objetiva e coletiva para uma responsabilidade subjetiva e individual 
sobre o dano causado a vítima, mas que ao mesmo tempo possibilitaram sistemas de 
reparação coletiva. Na verdade, esta chega a ser a característica mais nítida nos 
estudos de responsabilidade civil: o interesse coletivo na responsabilização dos 
danos. 
Segundo Cavaliere Filho (1995), parte-se da responsabilidade subjetiva com culpa 
provada tal como prevista no artigo 159 do Código Civil de 1916, e chega-se à 
responsabilidade objetiva, em alguns casos, até, fundada no risco integral, em que o 
próprio nexo causal se queda diluído. 
Para este autor, a grande revolução ocorreu na Constituição pátria de 1988, na 
medida em que ela estendeu, no seu artigo 37, § 6º (BRASIL. Constituição, 1988), 
aos prestadores de serviços públicos responsabilidade objetiva tal qual do Estado, 
pois todos estes prestadores de serviços públicos, até a Carta Magna de 1988, 
detinham responsabilidade subjetiva, fundada na culpa, prescrita pelo artigo 159, do 
Código Civil de 1916. 
Lanfredi (1997) assevera que a Constituição de 1988, coerente com o princípio da 
dignidade humana, desenvolve a ideia da objetivação da responsabilidade, que seorienta na defesa da vítima e se conforma com a diretriz da dignidade da pessoa, 
posta como base da sociedade brasileira. 
Conforme este autor, com a nova ordem constitucional o social passa a predominar 
sobre o individual. E, a partir da conscientização da problemática social, cresce o 
sentido da coletivização, bem como se evolui para a afirmação da dignidade da 
pessoa humana, da importância da segurança e da justiça social. 
Repercutindo sobre o Direito das Obrigações, a nova ordem promove o alargamento 
da responsabilidade civil e a objetivação de sua base, por tratar-se de um dos mais 
importantes princípios ordenados do direito privado, por meio do qual se realiza a 
justiça no relacionamento entre particulares. 
 
 
 
 
 
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7 
Entretanto, o golpe fatal na responsabilidade subjetiva, no pensar de Cavaliere Filho 
(1995), veio com o advento do Código de Defesa do Consumidor, que estabeleceu a 
responsabilidade objetiva a todos os fornecedores de produtos e serviços, retirando 
dos ombros do consumidor os riscos e os transferiu ao fornecedor, atribuindo a este, 
responsabilidade objetiva. 
O Código Civil de 2002 trouxe em seu texto, um título especialmente dedicado à 
responsabilidade civil, à semelhança dos códigos mais modernos, como o português, 
italiano etc, Trata-se do título IX do primeiro livro, da parte especial, que começa no 
artigo 927 e vai até o artigo 954, embora não se encontre ali, uma disciplina 
concentrada e exaustiva da responsabilidade civil, pois seria impossível que assim 
fosse, pois não se reúne em um só título todas as normas relacionadas com a 
responsabilidade civil. Porém, tenha-se em mente que a responsabilidade subjetiva 
foi bastante relativizada, entretanto, continua presente no ordenamento jurídico 
interno (CAVALIERE FILHO, 1995). 
3- CONCEITO DE RESPONSABILIDADE CIVIL 
 
Para Gonçalves (2003), o termo responsabilidade tem origem no latim res-pondere, 
que encerra a ideia de segurança ou garantia de restituição ou recompensação do 
bem sacrificado. Teria o significado de recomposição de obrigação de restituir ou 
ressarcir. 
Em pensamento semelhante, Diniz (1984), afirma que: "Poder-se-á definir a 
responsabilidade civil como a aplicação de medidas que obriguem alguém a reparar 
o dano moral ou patrimonial causado a terceiros em razão de ato de próprio imputado, 
de pessoa por quem ele responde, ou de fato de coisa ou animal sob sua guarda 
(responsabilidade subjetiva) ou, ainda, de simples imposição legal (responsabilidade 
objetiva)". 
Rodrigues (2001) observa: 
https://jus.com.br/tudo/dano-moral
 
 
 
 
 
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 "A responsabilidade civil vem definida por Savatier como a obrigação que 
pode incumbir uma pessoa a reparar o prejuízo causado a outra, por fato 
próprio, ou por fato de pessoas ou coisas que dela dependam. Realmente o 
problema em foco é o de se saber se o prejuízo experimentado pela vítima 
deve ou não ser reparado por quem o causou. Se a resposta for afirmativa, 
cumpre indagar em que condições e de que maneira será tal prejuízo 
reparado. “Esse é o campo que a teoria da responsabilidade civil procura 
cobrir”. 
Cretella Júnior (1994) concebe a responsabilidade civil como a "(...) situação especial 
de toda pessoa física ou jurídica, que infringe norma ou preceito de direito objetivo e 
que, em decorrência da infração, que gerou danos, fica sujeita a determinada 
sanção". 
Para Milaré (2005), a responsabilidade civil pressupõe prejuízo a terceiro, ensejando 
pedido de reparação do dano, consistente na recomposição do status quo 
ante (repristinação = obrigação de fazer) ou numa importância em dinheiro 
(indenização = obrigação de dar). 
Assim, depreende-se de tais conceitos que a consequência precípua da execução de 
um ato ilícito se constitui na obrigação de reparar o dano imposto à vítima, de forma 
a restabelecer a situação anteriormente existente ou, sendo isso impossível, 
compensando-a pelo infortúnio em decorrência do fato, donde se conclui que a 
responsabilidade civil é, pois, parte integrante do Direito das Obrigações. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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4- ESPÉCIES DE RESPONSABILIDADE CIVIL 
No que concerne às espécies de responsabilidade civil, mostrou-se mais consistente 
a elencada por Diniz (2008), que classifica a responsabilidade em três: 
 quanto ao fato gerador, 
 quanto ao fundamento 
 quanto ao agente. 
Na primeira classificação, a responsabilidade civil pode ser contratual, ou seja, 
quando o dever de conduta é determinado por acordo de vontades das partes 
mediante um contrato, cuja violação implica na obrigação de indenização, ou 
extracontratual, que consiste no dever de condução sem gerar danos a outrem. A 
transgressão deste dever de conduta representa ato ilícito, nos moldes do art. 186 do 
Código Civil brasileiro, bem como impõe a reparação de danos, de acordo com o art. 
927 do código civilista brasileiro (BRASIL, 2002). 
 
5 - PRINCÍPIOS BÁSICOS DA RESPONSABILIDADE CIVIL 
AMBIENTAL 
5.1- Prevenção 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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De acordo com Antunes (2005), o princípio da prevenção aplica-se a impactos 
ambientais já conhecidos e que tenham uma história de informações sobre eles. É 
este princípio que informa tanto o licenciamento ambiental como os próprios estudos 
de impacto ambiental. Tanto um como o outro são realizados sobre a base de 
conhecimentos adquiridos sobre uma determinada intervenção no ambiente, age de 
forma a prevenir, caso não tivesse sido submetida ao licenciamento ambiental. 
As consequências danosas ao meio ambiente que as ações humanas pode provocar, 
impõe uma atitude preventiva para que se possa efetivamente protegê-lo. Esta 
prevenção exige certo grau de exigência ao ponto de, na dúvida ou incerteza, não se 
deve praticar ato ou permitir o uso ou a produção de determinadas substâncias, a fim 
de se evitar danos irreparáveis ao meio ambiente (FERNANDES, 2012). 
Corroborando ainda, Fernandes (2012), observa que “o princípio da prevenção foi 
reconhecido no principio 15 da declaração do Rio de janeiro sobre meio ambiente, 
que dispõe: para que o ambiente seja protegido, será aplicada pelos estados, de 
acordo com as suas capacidades, medidas preventivas, e onde existam ameaças de 
riscos sérios ou irreversíveis, não será utilizada a falta de certeza científica total como 
razão para adiamento de medidas eficazes em termos de custo para evitar a 
degradação ambiental.” Este princípio foi adotado expressamente pela constituição 
brasileira de 1988, em seu artigo 225 (BRASIL. Constituição, 1988). 
 
 
 
 
 
 
 
 
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5.2 - Poluidor Pagador 
 
A definição desse princípio, originalmente, foi estabelecida pela comunidade 
econômica europeia, que preceitua: “As pessoas naturais ou jurídicas, sejam regidas 
pelo direito público ou pelo direito privado, devem pagar os custos das medidas que 
sejam necessárias para eliminar a contaminação ou para reduzi-la ao limite fixado 
pelos padrões ou medidas equivalentes que assegurem a qualidade de vida, inclusive 
ao fixado pelo poder público competente.” 
Fiorillo (2002) alerta que em primeiro lugar, impõe-se ao poluidor o dever de suportar 
o ônus da prevenção dos danos ao meio ambiente que a sua atividade possa 
ocasionar. Em segundo lugar, esclarece este princípio que, ocorrendo danos ao meio 
ambiente em função da atividade desenvolvida, o poluidor será responsável pela sua 
reparação. 
Na Constituição Federal, tal princípio está expresso no artigo 225, § 3º (BRASIL. 
Constituição, 1988), dispondo que as condutas e atividades consideradas lesivas ao 
meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais 
e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados. 
A lei da PNMA, em seu artigo 4º, acolheu o princípio do poluidor pagador,estabelecendo, como um de seus fins, a imposição, ao poluidor e ao predador, da 
obrigação de recuperar e/ou indenizar os danos causados. 
 
 
 
 
 
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Conforme Antunes (2005), o elemento que diferencia o princípio do poluidor pagador 
da responsabilidade tradicional é que ele busca afastar o custo econômico das costas 
da coletividade e dirigi-lo diretamente ao utilizar dos recursos ambientais. Logo, ele 
não está fundado no princípio da responsabilidade, mas, isto sim, na solidariedade 
social e na prevenção mediante a imposição da carga pelos custos ambientais nos 
produtores e consumidores. 
Pode-se dizer que o princípio do poluidor pagador, inicialmente de origem econômica, 
transformou em um dos princípios ambientais de maior importância para a proteção 
ambiental e já se encontra consagrado, nas mais importantes legislações, tanto 
internas como externas. 
5.3 – Princípio da Reparação Integral 
 
O Brasil adotou a teoria da reparação integral, excluindo qualquer possibilidade de 
uma reparação tarifária. É o que estabelece o artigo 14, § 1º, da lei nº 6.938/81, ao 
prescrever que o poluidor é obrigado, independentemente da existência de culpa, a 
indenizar ou reparar os danos causados ao meio ambiente e a terceiros, afetados por 
suas atividades, sem obstar a aplicação das penalidades previstas neste artigo. 
A CF/88, em seu artigo 225, § 3º, da CF/88, determina que as condutas e atividades 
lesivas ao meio ambiente sujeitarão aos infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a 
sanções, penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os 
danos causados. 
Porquanto, a CF/88, recepcionou a Lei nº 6.938/81, deixando intacta a 
responsabilidade objetiva do causador do dano ambiental. Observa-se, que o 
legislador constituinte não limitou a obrigação de reparar o dano, o que condiz ao 
entendimento pela reparação integral. 
 
 
 
 
 
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Como adverte Milaré (2005), nesta perspectiva, o esforço reparatório pode ser 
superior à capacidade financeira do degradador, persistindo a necessidade de se 
aprofundar estudos sobre a conveniência da instituição, no Brasil, de seguros de 
responsabilidade civil ou fundos de compensação para assegurar o pagamento do 
“quantum” necessário à reparação, como é a tendência apontada pelo Direito 
Ambiental Internacional. 
 
 
 
6 - PRESSUPOSTOS DA RESPONSABILIDADE CIVIL POR DANO 
AMBIENTAL 
 
De acordo com Milaré (2005), no regime da responsabilidade objetiva, fundada na 
teoria do risco da atividade, para que se possa pleitear a reparação do dano, basta a 
demonstração do evento danoso e do nexo de causalidade. A ação, da qual a teoria 
da culpa faz depender a responsabilidade pelo resultado, é substituída, aqui, pela 
assunção do risco em provocá-lo. 
6.1- Dano e Nexo Causal 
 
Antunes (2005) conceitua dano como o prejuízo (uma alteração negativa da situação 
jurídica, material ou moral) causado a alguém por um terceiro que se vê obrigado ao 
ressarcimento. 
Milaré (2005) conceitua "dano ambiental como a lesão aos recursos ambientais, com 
consequente degradação – alteração adversa ou in pejus – do equilíbrio ecológico e 
da qualidade de vida". 
https://jus.com.br/tudo/direito-ambiental
https://jus.com.br/tudo/direito-ambiental
 
 
 
 
 
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Assim, dano significa uma lesão ou diminuição do patrimônio de determinada pessoa, 
ou a diferença entre o estado atual do patrimônio que o sofre e o que teria se o fato 
danoso não se tivesse produzido. 
O legislador brasileiro estabeleceu, como um dos objetivos da PNMA, a imposição ao 
poluidor e ao predador da obrigação de recuperar e/ou indenizar os danos causados. 
E, ainda possibilitou o reconhecimento da responsabilidade do poluidor em indenizar 
e/ou reparar os danos causados ao meio ambiente e aos terceiros afetados por sua 
atividade, independentemente da existência de culpa. 
A ação reparatória da danosidade ambiental, coletiva ou individual, funda-se pelo 
regime da responsabilidade objetiva, com base no risco inerente à atividade, que 
prescinde da culpabilidade do agente. Exige-se apenas a ocorrência do dano e a 
prova de causalidade com desenvolvimento ou a mera existência da atividade, para 
efetivar-se a responsabilidade. 
O responsável poderá ser compelido a promover a reparação do dano ambiental, na 
condição de poluidor direto, por meio de sentença condenatória em ação civil pública. 
Contudo, havendo mais de um envolvido, a reparação poderá ser exigida de todos e 
de qualquer um dos responsáveis, nos termos das regras de solidariedade contidas 
no artigo 942, caput, segunda parte, do código civil vigente (BRASIL, 2002). 
O código civil estabelece a obrigação de reparar o dano, independentemente de 
culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente 
desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de 
outrem. Na primeira parte, em matéria ambiental, aplica-se a lei especial. Já, na 
segunda parte, quando o julgador estiver diante de um caso concreto, cuja atividade 
de risco não tenha previsão legal, deve analisar o caso ou o poder público fará a 
classificação de tais atividades, conquanto, trata-se de responsabilidade pelo risco da 
atividade, conceituando-se o risco nos termos dos princípios da precaução, 
prevenção e reparação. (NERY JÚNIOR, 2002). 
 
 
 
 
 
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15 
Entretanto, um dos problemas encontrados para a reparação do dano ambiental é a 
pluralidade de agentes causadores da lesão, considerando que o dano ambiental é 
de difícil individualização, se torna árduo constatar a participação de cada, em 
consequência lesão provocada em concurso de agentes. 
Nesta hipótese, Silva (1994) enfatiza: 
Aplicam-se as regras da solidariedade passiva entre os responsáveis, 
podendo a reparação ser exigida de todos os envolvidos e de qualquer um 
dos responsáveis, pois de acordo com Leite (2007) apud Leitão (1995), se 
trata de responsabilidade por risco. 
Assim, o explorador de atividade econômica coloca-se na posição de garantidor da 
preservação ambiental e os danos que lhe digam respeito à atividade estarão sempre 
vinculados a ela, pois o ordenamento é que todo aquele que se entrega às atividades 
gravadas. Com responsabilidade objetiva deve, fazer um juízo de previsão pelo 
simples fato de dedicar-se a elas, aceitando com isso as consequências danosas que 
lhe são inerentes. (STEIGLEDER 2003). 
Para este autor, a teoria do risco integral originalmente legitimou a responsabilidade 
objetiva e proclama a reparação do dano mesmo involuntário, responsabilizando-se 
o agente por todo ato do qual fosse a causa material, excetuando-se apenas os fatos 
exteriores ao homem. É suficiente apurar se houve o dano, vinculado a um fato 
qualquer, para assegurar a vítima uma indenização. 
Lucarelli (1994), comentando esta teoria descreve: 
 “que a indenização é devida somente pelo fato de existir a atividade da qual 
adveio o prejuízo, independentemente da análise da subjetividade do agente, 
sendo possível responsabilizar todos aqueles dos quais possa, de alguma 
maneira, ser imputado o prejuízo. Este posicionamento não admite 
excludentes de responsabilidade, tais como o caso fortuito, a força maior, a 
ação de terceiro ou da própria vítima, posto que tais acontecimentos sejam 
considerados condições do evento.” 
 
 
 
 
 
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De acordo com Milaré (2005), em matéria de dano ambiental, ao adotar o regime de 
responsabilidade objetiva, a Lei nº 6.938/81, afasta a investigação e a discussão da 
culpa, mas não prescinde do nexo causal, isto é, da relação de causa e efeito entre a 
atividade e o dano dela advindo. Analisa-se a atividade, indagando se o dano foi 
causado em razão dela, para se concluir que o risco que lhe é inerente é suficiente 
para estabelecer o dever de reparar o prejuízo. 
Este autoralerta que não é tarefa fácil, em matéria de dano ambiental, a determinação 
segura do nexo causal, já que os fatos da poluição, por sua complexidade, 
permanecem muitas vezes camuflados não só pelo anonimato, como também pela 
multiplicidade de causas, das fontes e de comportamentos, seja por sua tardia 
consumação, seja pelas dificuldades técnicas e financeiras de sua aferição, seja, 
enfim, pela longa distância entre a fonte emissora e o resultado lesivo, além de tantos 
outros fatores. 
Entretanto, Benjamin (1993) assevera que tal complexidade não torna menor para o 
poluidor o dever de reparar os danos causados. Assim, “A exclusividade, a 
linearidade, a proximidade temporal ou física, o concerto prévio, a unicidade de 
condutas e de resultados, nada disso é pressuposto para o reconhecimento do nexo 
causal no sistema especial da danosidade contra o meio ambiente”. Nessa mesma 
linha, afirma Nery Junior e Nery (1984) buscando a eficácia possível nas ações 
reparatórias, tem nossa jurisprudência reconhecido o dever de indenizar, mesmo 
quando haja concausa não atribuível, em tese, ao agente que deva arcar com a 
responsabilidade de indenizar. 
Enquanto que na responsabilidade civil subjetiva a imputação do dano irá ligar-se à 
ideia de previsibilidade, na responsabilidade objetiva o requisito da previsibilidade não 
se aperfeiçoa, sendo que o critério de imputação do dano ao agente se amplia, quase 
se aproximando de um enfoque puramente material, de tal modo que, com a prova 
de que a ação ou a omissão foi a causa do dano, a imputação é quase automática. 
(PERICLES, 1997). 
 
 
 
 
 
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7 - RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA OU TEORIA DO RISCO 
 
A Lei 6.938/81, consagra como um de seus objetivos a imposição ao poluidor e ao 
predador da obrigação de recuperar e/ou indenizar os danos causados. Além disso, 
possibilita o reconhecimento da responsabilidade do poluidor em indenizar e/ou 
recuperar os danos causados ao meio ambiente e a terceiros afetados por sua 
atividade, independentemente da existência de culpa, cabendo aplicação de 
penalidade, sem elidir a indenização ou reparação que o Estado-juiz passar a 
cominar (MACHADO, 2005). 
A responsabilidade civil ambiental significa que quem danificar o meio ambiente tem 
o dever jurídico de repará-lo. Presente, pois, o binômio dano/reparação, não se 
pergunta a razão da degradação para que haja o dever de indenizar e/ou reparar. A 
 
 
 
 
 
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responsabilidade sem culpa tem incidência na indenização ou na reparação dos 
danos causados ao meio ambiente e a terceiros afetados. 
O artigo 927, parágrafo único, do CC/2002, dispõe: “Haverá a obrigação de reparar o 
dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a 
atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, 
riscos para os direitos de outrem.” 
Em uma interpretação coerente, Machado (2005), aduz que na primeira parte, em 
matéria ambiental tem-se a lei nº 6.938/81, que instituiu a responsabilidade sem 
culpa. Já, na segunda, em face de atividade de risco, cujo regime de responsabilidade 
não tenha sido especificado em lei, cabe ao juiz analisar no caso concreto ou que o 
poder Público faça a classificação de tais atividades. 
Para Nery Júnior e Nery (2002) é a responsabilidade pelo risco da atividade. Assim, 
na conceituação do caso aplicam-se os princípios da precaução, da prevenção e da 
reparação. 
Que “a responsabilidade pelo risco ambiental é objetiva, conforme prevê o art. 14, da 
Lei 6.938/81, recepcionado pelo art. 225, §§ 2º e 3º da CF/88, e tem como 
pressuposto a existência de uma atividade que implique em riscos para a saúde e 
para o meio ambiente, impondo-se ao empreendedor a obrigação de prevenir tais 
riscos e de internalizá-los em seu processo produtivo. Pressupõe ainda o dano ou o 
risco de dano e o nexo de causalidade entre a atividade e o resultado, objetivo ou 
potencial” (STEIGLER, 2003). 
8- PRESCINDIBILIDADE DE INVESTIGAÇÃO DE CULPA 
 
Milaré (2005) ressalta que “no direito comum, o regime da responsabilidade 
extracontratual é o da responsabilidade subjetiva ou aquiliana, fundada na culpa ou 
no dolo do agente causador do dano.” 
 
 
 
 
 
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Na legislação especial, ao contrário, o dano ambiental é regido pelo regime da 
responsabilidade objetiva, fundado no risco inerente à atividade, que prescinde por 
completo da culpabilidade do agente; nesse campo, para tornar efetiva a 
responsabilização, exige-se apenas a ocorrência do dano e a prova do vínculo causal 
com o desenvolvimento ou mesmo a mera existência de uma determinada atividade 
humana. 
 
9- IRRELEVÂNCIA DA LICITUDE DA ATIVIDADE 
 
Como já mencionado alhures, “a responsabilidade pelo dano ambiental é objetiva, de 
sorte que não se indaga da licitude da atividade. Consequentemente, a existência de 
licenciamento ambiental e a observância dos limites de emissão de poluentes, bem 
como de outras autorizações administrativas, não terão o condão de excluir a 
responsabilidade pela reparação. Esta é, portanto, a posição majoritária da doutrina 
brasileira, ao entender que a licitude da atividade não exclui o dever de reparar os 
danos. Entretanto, Meireles (2011) defendia a posição da exclusão da 
responsabilidade civil diante de autorização administrativa.” (CAPELLI, 1996). 
Milaré (2005) observa que a posição do legislador atende com satisfação às 
aspirações da coletividade, ao considerar objetiva a responsabilidade por danos ao 
meio ambiente, conquanto, não raros os casos o poluidor apresentava defesa 
alegando ser lícita a sua conduta, porque estava atuando dentro dos padrões de 
emissão traçados pela autoridade administrativa e, ainda, tinha autorização ou licença 
para exercer aquela atividade. Muito embora isso não fosse causa excludente de sua 
responsabilidade, já colocava dúvida na consciência do julgador, o que muitas vezes 
redundava em ausência de indenização por parte do poluidor. 
Este autor argumenta que, no direito brasileiro, ao contrário do que sucede em outros 
sistemas, a responsabilidade pelo dano ambiental não é típica. Ou seja, independe 
 
 
 
 
 
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da ofensa standard legal ou regulamentar específico, já que o Poder Público, no 
direito interno, não tem o direito de consentir na agressão à saúde da população 
através do controle exercido pelos seus órgãos. 
Arremata, que nesta linha de raciocínio, não se discute, necessariamente, a 
legalidade da atividade. É a potencialidade do dano que a atividade possa trazer aos 
bens ambientais que será objeto de consideração. As normas administrativas 
existentes nada mais significam do que um teto, “uma fronteira, além da qual não é 
lícito passar. Mas, não se exonera o produtor de verificar por si mesmo se sua 
atividade é ou não prejudicial” (Machado 2005). 
10 - INAPLICABILIDADE DE EXCLUDENTES E DE CLÁUSULAS DE 
NÃO-INDENIZAR 
 
Tradicionalmente o caso fortuito e a força maior têm sido considerados como 
circunstâncias que dá lugar a exoneração da responsabilidade civil. Isto nunca se 
discutiu nos sistemas subjetivos de responsabilidade. O nosso Código Civil é 
expresso no artigo 393 “o devedor não responde pelos prejuízos (...)”, além das 
hipóteses elencadas no artigo 188 do mesmo diploma legal. Nos sistemas de 
responsabilidades objetiva não ocorre o mesmo, pois uma das particularidades deste 
sistema é a existências de circunstâncias que impeçam a imputação do dano a quem 
materialmente o casou. Alguns textos legais preveem certas atividades de terceiros 
ou não, que podem em alguns casos ser liberatório de imputação (TADEU, 2007). 
O risco integral, segundo Santos (2008), é o grau mais elevado de responsabilidade 
objetiva, “não admitindo nenhum tipo de exclusão, mesmo na ocorrência de caso 
fortuito ou força maior”. 
Porém,Cavalieri Filho (2004) sustenta que, nesse caso, o dever de indenizar subsiste 
até a inexistência de nexo de causalidade. No Brasil, essa modalidade é reservada 
 
 
 
 
 
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para os danos decorrentes das atividades nucleares, com incidência também para os 
danos ambientais. 
De outra parte, a cláusula de não-indenizar, através da qual o devedor procura se 
liberar da reparação do dano ou indenização propriamente dita, só é admitida quando 
relacionada com obrigações passíveis de modificação convencional. Não é o que 
ocorre com o direito ambiental, de natureza pública, mas apenas com aquelas 
destinadas à tutela do mero interesse individual, estritamente privado. 
Milaré (2005), conclui que: 
 “dita cláusula, muito comum em contratos de compra e venda de empresas 
com passivos ambientais, embora inaplicáveis em matéria de 
responsabilidade ambiental, vale entre as partes, facilitando o direito de 
regresso daquele que isoladamente tiver sido responsabilizado.“ 
Portanto, resta ao agente como defesa, apenas demonstrar que: 
 a) o risco não foi criado; 
b) o dano não existiu; 
 c) não há relação de causalidade com aquele que criou o risco. 
 
A teoria do risco integral responde melhor que outras a necessidade de prevenir e 
reparar os danos ambientais pela sua potencialidade de superar o problema da 
causalidade difusa, típica da lesividade ambiental. 
A conexão entre a atividade e o dano é suficiente para estabelecer a 
responsabilização, sendo possível a substituição do juízo de certeza, pelo de 
probabilidade científica na formação do nexo causal. 
https://jus.com.br/tudo/compra-e-venda
 
 
 
 
 
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Não se admitem excludentes de responsabilidades civil, restando ao empreendedor, 
como defesa, apenas demonstrar que o risco não foi criado; o dano não existiu ou; 
não há relação de causalidade com aquele que criou o risco. 
O arcabouço legislativo brasileiro que trata da responsabilidade civil ambiental é 
pacificamente considerado um dos mais modernos da atualidade, possuindo 
satisfatórios meios materiais e excelente instrumentação processual para sua tutela. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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