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egislação educacional relacionada à avaliação de materiais didáticos

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OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
 > Listar os principais dispositivos legais relacionados à produção e à avaliação 
de materiais didáticos.
 > Explicar as implicações práticas do descumprimento de dispositivos legais 
na qualificação das obras.
 > Exemplificar situações de produção e avaliação de materiais didáticos fun-
damentadas nos dispositivos legais.
Introdução
Neste capítulo, você vai compreender que a produção de materiais didáticos de 
qualidade deve estar voltada para a interação dos aprendizes em um processo 
ativo de aquisição de conhecimento e de competências necessárias à formação de 
cidadãos engajados em sua comunidade, conhecedores e críticos dos problemas 
mundiais.
Legislação 
educacional 
relacionada à 
avaliação de 
materiais didáticos
Cleusa Maria Pasetto Stochero
Desse modo, para garantir a produção de materiais didáticos de qualidade, 
é necessário acompanhar as orientações da legislação educacional, uma vez que 
é fundamental que o material didático-pedagógico esteja adequado, conforme 
as necessidades específicas dos alunos.
Principais dispositivos legais relacionados 
à produção e à avaliação de materiais 
didáticos
A produção de materiais didáticos é uma sequência de atividades que tem 
por finalidade criar mecanismos de aprendizagem. Trata-se de um processo 
inicial de análise das necessidades do aluno para em seguida definir os 
objetivos e desenvolver os materiais que serão implementados e avaliados.
A produção desses materiais didático-pedagógicos deve buscar a inte-
gração entre materiais impressos, digitais e audiovisuais, de modo que se 
complementem. Para isso, é necessário observar as potencialidades e as 
limitações das linguagens de cada um dos recursos a serem utilizados, pois 
estes devem objetivar a troca de saberes, a socialização e a interação de 
acordo com as diferentes abordagens.
Considerando-se que a educação se destina a múltiplos sujeitos com 
distintas condições físicas, intelectuais e emocionais, de diferentes classes 
sociais, crenças, etnias, gêneros e contextos socioculturais, a escola precisa 
ser acolhedora e inclusiva, bem como oferecer livros e outros materiais 
didáticos adequados aos alunos e que contemplem as diversas áreas do 
conhecimento.
Para atender às necessidades, é oportuno desenvolver materiais que 
englobem as várias demandas e, desse modo, ampliem a oferta de materiais 
didático-pedagógicos. Para isso, é preciso utilizar e combinar diferentes 
meios de tecnologias de informação e comunicação (TICs). No entanto, para o 
desenvolvimento de processos educacionais, sua produção deve acompanhar 
as orientações da legislação educacional.
O Ministério da Educação (MEC), preocupado com a melhoria da qualidade 
do livro didático, realizou, em 1994, uma avaliação da qualidade dos conteúdos 
programáticos e dos aspectos pedagógicos e metodológicos dos dez títulos 
de cada área mais utilizados no ensino fundamental pelos professores. Esses 
critérios foram publicados no livro Definição de critérios para avaliação dos 
livros didáticos.
Legislação educacional relacionada à avaliação de materiais didáticos2
A resolução nº. 38 do Conselho Deliberativo do Fundo Nacional de Desen-
volvimento da Educação (CD/FNDE nº. 38) instituiu, em 15 de outubro de 2003, 
o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) para o Ensino Médio (BRASIL, 
2003c). Em 2009 e 2012, foram publicados o primeiro e o segundo guias dos 
livros didáticos para o ensino médio. Esses documentos continham critérios 
para avaliar livros didáticos de física para o ensino médio.
A definição de critérios para análise dos materiais didáticos impressos 
inicialmente era estabelecida pelo Programa Nacional do Livro Didático 
(PNLD), passando depois para a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Na-
cional (LDBEN), a Legislação em Educação a Distância (EAD), o parecer e a 
resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE/CP), que institui diretrizes 
curriculares nacionais (DCNs) para a formação de professores da educação 
básica, e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) (RODRIGUES JUNIOR; 
LUNA; LINHARES, 2014).
A Constituição Federal de 1988 é a principal fonte de onde resultam nor-
mas gerais para a estruturação do sistema educacional em seus três níveis: 
União, Estados e Municípios, sendo que é competência de cada um destes 
organizar seu sistema de ensino; já a coordenação da política nacional de 
educação compete à União.
Conjuntamente, a Lei nº 9.394/96, chamada de Lei de Diretrizes e Bases 
(LDB), e suas alterações posteriores se originaram da Constituição Federal 
(art. 205 a 214). Sua principal função é regulamentar e organizar a estrutura 
da educação brasileira, pois ela apresenta um conjunto de referências que 
propõe concepções, valores e finalidades para a educação. Ela define o 
referencial de qualidade para educação e os referenciais para elaboração de 
material didático para EAD no ensino profissional e tecnológico (BRASIL, 1996).
A LDB também define a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) (Figura 1), 
que deve nortear os currículos dos sistemas e redes de ensino das Unidades 
Federativas, como também as propostas pedagógicas de todas as escolas 
públicas e privadas de educação infantil, ensino fundamental e ensino médio, 
em todo o Brasil. No seu artigo 26, a LDB define que os currículos do ensino 
fundamental e médio devem ter uma base nacional comum, a ser complemen-
tada, em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar, por uma parte 
diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, 
da cultura e da economia dos educandos (BRASIL, 1996).
Legislação educacional relacionada à avaliação de materiais didáticos 3
Figura 1. Elementos formadores interligados com a BNCC.
Fonte: Lima (2018, p. 7).
A LDB prevê, ainda, a existência de órgãos com funções normativas nos 
diferentes sistemas de ensino. No contexto da União, há o CNE, criado pela Lei 
Federal nº 9.131/1995, vinculado ao Ministério da Educação (MEC) (BRASIL, 1995). 
Nos estados, existem os conselhos estaduais de educação, e nos Municípios 
há a possibilidade de organização dos conselhos municipais de educação. 
Cabe ao CNE a produção de pareceres e resoluções dos atos normativos que 
serão apreciados pelo MEC e posteriormente homologados ou não.
As DCNs são normas obrigatórias para a educação básica. São elas que 
orientam o planejamento curricular das escolas e dos sistemas de ensino; 
mesmo depois que o Brasil adotou a BNCC, as diretrizes continuam valendo, 
porque os documentos se complementam, uma vez que as DCNs fornecem a 
estrutura e a BNCC o detalhamento de conteúdos e competências.
Desse modo, enquanto as DCNs definem metas e objetivos para a educação 
básica, os PCNs funcionam como referência para elaboração e renovação da 
proposta curricular da escola. Por ser anterior à criação das DCNs, não são 
obrigatórios por lei, uma vez que as DCNs e a BNCC são complementares e 
contemplam todos os níveis da educação básica.
No Brasil, a BNCC é o documento que regulamenta, seja em escolas pú-
blicas ou particulares, quais as aprendizagens fundamentais que todo aluno 
deve desenvolver, garantindo os mesmos direitos a toda criança e jovem. 
É ela que orienta os currículos no País, promovendo qualidade e equidade, 
independentemente de ser uma escola pública ou particular.
Legislação educacional relacionada à avaliação de materiais didáticos4
Além dessas leis e regulamentos, o Decreto nº 9.099, de 18 de julho de 2017, 
que dispõe sobre o PNLD, no seu art. 10, considera que a avaliação pedagógica 
dos materiais didáticos no âmbito do programa será coordenada pelo MEC 
com base nos seguintes critérios, quando aplicáveis, sem prejuízo de outros 
que venham a ser previstos em edital (BRASIL, 2017, documento on-line):
I — o respeito à legislação, às diretrizes e às normas gerais da educação;
II — a observância aos princípios éticos necessários à construção da cidadania e 
ao convívio social republicano;
III — a coerência e a adequação da abordagem teórico-metodológica;IV — a correção e a atualização de conceitos, informações e procedimentos;
V — a adequação e a pertinência das orientações prestadas ao professor;
VI — a observância às regras ortográficas e gramaticais da língua na qual a obra 
tenha sido escrita;
VII — a adequação da estrutura editorial e do projeto gráfico;
VIII — a qualidade do texto e a adequação temática. 
Nesse contexto, nota-se que há regulamentação e critérios a serem obser-
vados na elaboração de materiais didáticos, como também as suas funções 
na relação pedagógica que se estabelece em cada modalidade. Além dessas 
normas já vistas, ainda há a Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, denominada 
Lei de Direito Autoral (LDA), que protege os direitos do autor, reconhecendo 
o criador de obras literárias, artísticas e científicas que possuem alguma
originalidade (BRASIL, 1998).
Conforme afirmam Pereira, Pimentel e Mehlan (2003, p. 2):
Direito autoral é o direito que o criador de uma obra intelectual (pessoa física) 
tem de gozar dos benefícios morais e econômicos (patrimoniais) resultantes da 
reprodução de sua criação. Os direitos morais asseguram ao criador reivindicar 
a autoria da obra, bem como a menção do seu nome para divulgação da mesma, 
assim como garantem a integridade da obra, em sua reputação ou honra, além dos 
direitos de modificá-la ou retirá-la de circulação. Esses direitos são inalienáveis e 
irrenunciáveis, ou seja, não se separa a obra do autor e este não pode renunciar a 
sua criação. Os direitos patrimoniais, por sua vez, asseguram ao criador o retorno 
financeiro de todas as relações econômicas que tenham por objeto a sua obra 
intelectual.
Há, ainda, as normas técnicas regulamentas pela Associação Brasileira de 
Normas Técnicas (ABNT). De acordo com a ABNT, toda mídia impressa deve 
estar de acordo com normas e padrões por ela estabelecidos. As normas da 
ABNT são orientadas por padrões internacionais, dando uniformidade às obras. 
Essas normas estabelecem fatores estruturais, norteando a composição dos 
elementos, formatação, citações, o uso de tabelas, gráficos e imagens, etc.
Legislação educacional relacionada à avaliação de materiais didáticos 5
A BNCC é um documento que contém (LIMA, 2018):
 � conteúdos, conhecimentos e habilidades que os alunos têm o
direito de aprender;
 � competências gerais que os alunos devem desenvolver em todas as áreas;
 � competências específicas de cada área e respectivos componentes
curriculares;
 � a progressão das habilidades a cada ano.
Implicações práticas do descumprimento de 
dispositivos legais na qualificação das obras
Todo material didático deve atender aos objetivos e às necessidades da 
escola, devendo ser estimulada a elaboração de materiais cada vez mais 
adequados às exigências da educação brasileira, em conformidade com o 
seu planejamento pedagógico e com os dispositivos legais da educação. 
De acordo com o PNLD, os materiais didáticos não podem propagar precon-
ceitos, estar desatualizados em relação aos avanços da teoria e das práticas 
pedagógicas, repetir padrões estereotipados ou abarcar informações erradas 
ou ultrapassadas pelo desenvolvimento de cada área do conhecimento. 
Os livros que apresentam erros conceituais, indução a erros, desatualização, 
preconceito ou discriminação de qualquer tipo são excluídos do Guia do 
Livro Didático.
A avaliação pedagógica aplicada a obras de qualquer um dos níveis de 
ensino deve observar a qualidade do texto verbal e do texto visual, a adequa-
ção de categoria, de tema e de gênero literário, o projeto gráfico-editorial e a 
qualidade do material de apoio. As obras que não estiverem em conformidade 
com esses critérios não serão consideradas.
O objetivo da observância desses critérios é assegurar que os materiais 
favoreçam a aprendizagem e o desenvolvimento da educação, além de de-
senvolverem no educando competências e habilidades fundamentais nos 
processos de aprendizagem durante a educação básica.
Segundo o PNLD 2019, para alcançar os objetivos de qualidade e confor-
midade com a legislação, a obra didática deve (BRASIL, 2018, p. 22):
[...] — veicular informação correta, precisa, adequada e atualizada; 
— proporcionar, como mediador pedagógico e ao lado de outros materiais educa-
tivos, condições propícias à busca pela formação cidadã, favorecendo que os estu-
Legislação educacional relacionada à avaliação de materiais didáticos6
dantes possam estabelecer julgamentos, tomar decisões e atuar criticamente frente 
às questões colocadas pela sociedade, ciência, tecnologia, cultura e economia.
— contribuir, como parte integrante de suas propostas pedagógicas, efetivamente 
para a construção de conceitos, posturas frente ao mundo e à realidade, favo-
recendo, em todos os sentidos, a compreensão de processos sociais, científicos, 
culturais e ambientais.
Todos os critérios de avaliação das obras didáticas, especialmente as de 
língua portuguesa, estão estabelecidos no Edital de Convocação, no Decreto 
nº 9.099/2017 e em conformidade com a BNCC. Desse modo, esse conjunto de 
especificações e critérios específicos para obras da educação básica deve 
ser respeitado, ocasionando a eliminação das obras que não atenderem a 
essas exigências.
No que concerne à avaliação pedagógica das obras voltadas para o ensino 
de língua portuguesa, os critérios são ainda mais abrangentes, pois esses 
materiais devem obedecer a critérios específicos relacionados à área espe-
cífica do conhecimento, assegurando que os conceitos, as informações e os 
procedimentos estejam atualizados, corretos e adequados a especificidades 
didáticas e metodológicas próprias do ensino de língua portuguesa.
Além destes, são avaliados critérios peculiares ligados à área e em acordo 
com cada estrutura de ensino que compõe o BNCC. Desse modo, o ensino 
de língua portuguesa está configurado em eixos organizadores — oralidade, 
leitura, escrita, conhecimentos linguísticos e gramaticais e educação literá-
ria. Portanto, os critérios de avaliação das obras disciplinares destinadas à 
educação básica devem observar:
a) adequação, de um modo geral, aos critérios comuns e específicos 
apresentados nos editais do PNLD;
b) consistência e coerência entre os conteúdos e as atividades propostas 
e os objetos de conhecimento e habilidades constantes na BNCC;
c) contemplação de todos os objetos de conhecimento e habilidades 
constantes na BNCC.
Portanto, é necessário que em escolas públicas sejam observadas a correta 
abordagem dos objetos de conhecimento em concordância com as habilidades 
de cada componente curricular, considerando clareza, coerência e desenvol-
vimento dos conteúdos alinhados aos objetivos propostos de acordo com a 
progressão das aprendizagens. Além disso, há também o projeto gráfico a 
ser respeitado, como a utilização das imagens e a organização de capítulos, 
seções, tópicos, entre outros.
Legislação educacional relacionada à avaliação de materiais didáticos 7
Quanto aos materiais utilizados pelas escolas particulares e aos materiais 
não escolares, não há uma legislação específica para a sua produção, podendo 
ser considerados, ou não, os critérios para escolas públicas. No entanto, 
é importante observar as orientações do MEC por meio da BNCC. Desse modo, 
cada escola pode adequar o material didático à sua filosofia de ensino e ao 
seu projeto pedagógico.
No contexto das escolas públicas, quando observado o descumprimento 
de qualquer critério, as obras são eliminadas de qualquer seleção; no en-
tanto, quando as não conformidades forem verificadas ao final do processo, 
a editora sofre sanções. A multa é calculada e devem ser a disponibilizados 
para consulta os relatórios, as amostras e as obras analisadas. A multa 
corresponde a um percentual determinado por valor de página (FNDE/MEC).
Irregularidades, fraudes e participação irregular de pessoas que não 
pertencem à comunidade escolar no processo de seleção das obras ou no 
registro da escolha no sistema infringem as normas de conduta do PNDL e 
prejudicam, principalmente,a autonomia dos professores e das escolas. 
Quando há irregularidades e fraude, é aberta sindicância para investigar a 
veracidade dos fatos, uma vez que, de modo geral, essas informações chegam 
até o MEC por meio de denúncia.
O PNLD possui a Comissão Especial de Apuração de Conduta (CEAC), que 
apura as denúncias referentes ao PNLD, e a secretaria executiva do MEC deve 
apoiar as atividades, prestar informações no prazo solicitado, encaminhar 
denúncias à CEAC e acompanhar o andamento do processo. Essa comissão 
tem como objetivos analisar, decidir e apurar a respeito de denúncias de 
descumprimento de normas de execução do PNLD, podendo impor sansões 
administrativas aos envolvidos nas irregularidades de todo o Brasil.
Ademais, o PNLD, em atendimento à Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa 
com Deficiência – Lei nº 13.146/2015, estabelece que deverão ser adquiridas 
obras em formato acessível. O não atendimento, o atraso no fornecimento 
e a não conformidade com os critérios definidos no contrato de aquisição 
dessas obras digitais acessíveis resultará na aplicação de multa (BRASIL, 2015).
Assim como o PNLD, a LDA estabelece que toda produção intelectual deve 
ter seus direitos assegurados, e, caso seja descumprida, estabelece punições 
amparadas pelo artigo 184 do Código Penal, que determina pena de detenção 
de três meses a um ano ou multa para quem violar direitos de autor e os que 
lhe são conexos (BRASIL, 2003a). No caso de a violação consentir em repro-
dução total ou parcial, com a intenção de lucro, a pena passa a reclusão de 
dois a quatro anos e multa.
Legislação educacional relacionada à avaliação de materiais didáticos8
Nos dias atuais, a tecnologia tem sido usada para reprodução de cópias 
sem autorização. Devido a isso, o plágio tornou-se um problema para auto-
res. Copiar textos sem a permissão do autor é um ato de origem criminosa. 
Apropriar-se do texto de outros e usufruir como conteúdo original incorre 
no crime de plágio.
Situações de produção e avaliação 
de materiais didáticos fundamentadas 
nos dispositivos legais
São inúmeras as situações na produção de materiais didáticos que implicam a 
desaprovação das obras por não estarem em conformidade com a legislação. 
Os problemas e erros variados estão relacionados à ortografia e às questões 
gramaticais normativas, como pontuação, morfossintaxe, léxico, entre outros, 
e às questões referentes às normas de padronização editoriais como citações, 
referência, siglas e abreviaturas. 
Além destas, e não menos importantes, estão os erros referente aos 
elementos gráficos como espaçamento, formatação dos elementos, margens, 
quebra de páginas, respeito à hierarquia de títulos e subtítulos, gráficos e 
tabelas com títulos, fonte e datas, etc.
Veja, a seguir, alguns exemplos de erros encontrados em materiais 
didáticos (CARTOLA – AGÊNCIA DE CONTÚDO, 2015).
 � Erro de grafia: "Acre", "Espírito Santo" e "Minas Gerais" ("Ácre", "Espíritu 
Santo" e "Minas Gertais") grafados incorretamente. Neste caso, a editora foi 
multada e teve que substituir a página com erro.
 � Com propaganda eleitoral: Em 2007, um livro didático foi distribuído com 
um texto sobre o programa Fome Zero, fazendo propaganda favorável a um 
determinado partido político.
 � Homofobia: Em 2013, um livro didático distribuído continha conteúdo homo-
fóbico. Em um exemplo sobre prótons e elétrons, o texto sugeria que dois 
meninos não se atraem.
 � Diagramação, editoração e revisão: Em 2011, foram constatados erros de 
diagramação, editoração e revisão em materiais didáticos usados no curso 
de Educação no Campo.
Legislação educacional relacionada à avaliação de materiais didáticos 9
 � Em 2014, os estudantes receberam um livro didático que continha a letra 
do Hino Nacional com erros gráficos: “Fulguras, ó Brasil, forão (florão) da 
América, (...) Teus risonhos, lindos campos têm mais fores (flores)”. A página 
foi substituída. 
Nesse contexto, são adotados diversos critérios e princípios a serem 
observados na avaliação dos materiais didáticas, visando garantir sua qua-
lidade e incentivando a produção de materiais cada vez mais adequados às 
necessidades da educação brasileira e alinhados às DCNs. Assim, para atender 
a esses critérios, é necessário que as informações contidas nas obras sejam 
corretas, adequadas, precisas e atualizadas.
No PNLD, entre os critérios avaliados está o de promover a educação e a 
cultura em direitos humanos, afirmando os direitos de crianças e adolescentes, 
conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei nº 8.069/1990, bem como 
o conhecimento e a vivência dos princípios afirmados no Estatuto do Idoso, 
Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003 (BRASIL, 1990, 2003b).
Da mesma forma, são avaliados critérios de abordagem de temas de 
promoção positiva da imagem da mulher, de afrodescendentes e do povo do 
campo, as temáticas de gênero, das relações étnico-raciais, do preconceito, da 
discriminação racial, da superação de toda forma de violência e do respeito 
e da valorização da diversidade.
Com relação ao projeto gráfico-editorial, a norma NBR 15201-1, de 2018, 
da ABNT, classifica os defeitos de impressão e de pós-impressão em livros 
didáticos, elaborada pela Normalização Setorial de Tecnologia Gráfica (AS-
SOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2018). Essa norma é aplicável 
aos livros didáticos confeccionados em papel. O objetivo é estabelecer uma 
padronização geral dos textos, facilitando a leitura pelo leitor por meio de 
um formato universal.
Há de se considerar, portanto, na produção de materiais didáticos, 
a observância à Legislação Educacional, às normas da ABNT, à LDA e a todos os 
critérios que possam contribuir para a elaboração de materiais de qualidade, 
que atendam às necessidades da educação brasileira e que induzam o aluno 
à aprendizagem de forma motivadora.
García Madruga e Martín Cordeiro (1987, p. 157) destacam a importância 
da avaliação dos materiais didáticos e destacam que:
Legislação educacional relacionada à avaliação de materiais didáticos10
No discurso escrito a complexidade léxica (vocabulário de milhares de palavras 
e os tipos de conhecimentos que são associados com cada palavra) e sintática 
(refere a uma organização sequencial dos enunciados e das regras que presidem 
a língua). Isso porque um alto grau de complexidade poderá prender o leitor na 
microestrutura (estrutura local do discurso, formada por uma rede de ideias 
simples relacionadas linearmente entre si), e este não terá acesso ao nível de 
processamento requerido para se beneficiar da organização global do texto (ou 
macroestrutura, formada por ideias principais conectadas globalmente).
Salienta-se, assim, que todo material didático, quando produzido em 
conformidade com a Legislação Educacional, além da aprendizagem que 
proporciona, molda o educando para a vida; do contrário, pode deixá-lo 
despreparado e sem motivação.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), no seu Capítulo IV, 
ressalta o direito da criança e do adolescente à educação, cultura, 
esporte e lazer. 
O ECA está disponível, na íntegra, na internet.
A LDB estabelece que as escolas devem cumprir pelo menos 200 dias 
letivos, distribuídos em dois semestres, totalizando, no mínimo, 800 horas. A 
escola que considerar a hora-aula de 45 minutos está descumprindo a lei. 
Também descumpre aquela escola que não repuser o período suspenso, se 
por algum motivo não houver aula.
Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 15201-1: tecnologia gráfica: 
livro didático: parte 1: classificação de defeitos de impressão e de pós-impressão 
tecnologia gráfica. Rio de Janeiro: ABNT, 2018. 17 p.
BRASIL. Decreto nº 9.057, de 25 de maio de 2017. Regulamenta o art. 80 da Lei nº 9.394, 
de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/decreto/
d9057.htm. Acesso em: 30 jan. 2021.
Legislação educacional relacionada à avaliação demateriais didáticos 11
BRASIL. Fundação Nacional de Desenvolvimento da Educação. Resolução/CD/FNDE nº 
38, de 15 de outubro de 2003. Provê as escolas do ensino médio das redes estadual, 
do Distrito Federal e municipal de livros didáticos de qualidade, para uso dos alunos, 
abrangendo os componentes curriculares de Português e Matemática por meio do Pro-
grama Nacional do Livro para o Ensino Médio – PNLEM. Brasília: FNDE, 2003c. Disponível 
em: https://www.fnde.gov.br/index.php/acesso-a-informacao/institucional/legislacao/
item/4256-resolu%C3%A7%C3%A3o-cd-fnde-n%C2%BA-38,-de-15-de-outubro-de-2003. 
Acesso em: 30 jan. 2021.
BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do 
Adolescente e dá outras providências. Brasília: Presidência da República, 1990. Dispo-
nível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm. Acesso em: 30 jan. 2021.
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nova redação ao art. 186 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código 
Penal, alterado pelas Leis nos 6.895, de 17 de dezembro de 1980, e 8.635, de 16 de março 
de 1993, revoga o art. 185 do Decreto-Lei no 2.848, de 1940, e acrescenta dispositivos 
ao Decreto-Lei no 3.689, de 3 de outubro de 1941 – Código de Processo Penal. Brasília: 
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Legislação educacional relacionada à avaliação de materiais didáticos 13

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