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OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
> Listar os principais dispositivos legais relacionados à produção e à avaliação
de materiais didáticos.
> Explicar as implicações práticas do descumprimento de dispositivos legais
na qualificação das obras.
> Exemplificar situações de produção e avaliação de materiais didáticos fun-
damentadas nos dispositivos legais.
Introdução
Neste capítulo, você vai compreender que a produção de materiais didáticos de
qualidade deve estar voltada para a interação dos aprendizes em um processo
ativo de aquisição de conhecimento e de competências necessárias à formação de
cidadãos engajados em sua comunidade, conhecedores e críticos dos problemas
mundiais.
Legislação
educacional
relacionada à
avaliação de
materiais didáticos
Cleusa Maria Pasetto Stochero
Desse modo, para garantir a produção de materiais didáticos de qualidade,
é necessário acompanhar as orientações da legislação educacional, uma vez que
é fundamental que o material didático-pedagógico esteja adequado, conforme
as necessidades específicas dos alunos.
Principais dispositivos legais relacionados
à produção e à avaliação de materiais
didáticos
A produção de materiais didáticos é uma sequência de atividades que tem
por finalidade criar mecanismos de aprendizagem. Trata-se de um processo
inicial de análise das necessidades do aluno para em seguida definir os
objetivos e desenvolver os materiais que serão implementados e avaliados.
A produção desses materiais didático-pedagógicos deve buscar a inte-
gração entre materiais impressos, digitais e audiovisuais, de modo que se
complementem. Para isso, é necessário observar as potencialidades e as
limitações das linguagens de cada um dos recursos a serem utilizados, pois
estes devem objetivar a troca de saberes, a socialização e a interação de
acordo com as diferentes abordagens.
Considerando-se que a educação se destina a múltiplos sujeitos com
distintas condições físicas, intelectuais e emocionais, de diferentes classes
sociais, crenças, etnias, gêneros e contextos socioculturais, a escola precisa
ser acolhedora e inclusiva, bem como oferecer livros e outros materiais
didáticos adequados aos alunos e que contemplem as diversas áreas do
conhecimento.
Para atender às necessidades, é oportuno desenvolver materiais que
englobem as várias demandas e, desse modo, ampliem a oferta de materiais
didático-pedagógicos. Para isso, é preciso utilizar e combinar diferentes
meios de tecnologias de informação e comunicação (TICs). No entanto, para o
desenvolvimento de processos educacionais, sua produção deve acompanhar
as orientações da legislação educacional.
O Ministério da Educação (MEC), preocupado com a melhoria da qualidade
do livro didático, realizou, em 1994, uma avaliação da qualidade dos conteúdos
programáticos e dos aspectos pedagógicos e metodológicos dos dez títulos
de cada área mais utilizados no ensino fundamental pelos professores. Esses
critérios foram publicados no livro Definição de critérios para avaliação dos
livros didáticos.
Legislação educacional relacionada à avaliação de materiais didáticos2
A resolução nº. 38 do Conselho Deliberativo do Fundo Nacional de Desen-
volvimento da Educação (CD/FNDE nº. 38) instituiu, em 15 de outubro de 2003,
o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) para o Ensino Médio (BRASIL,
2003c). Em 2009 e 2012, foram publicados o primeiro e o segundo guias dos
livros didáticos para o ensino médio. Esses documentos continham critérios
para avaliar livros didáticos de física para o ensino médio.
A definição de critérios para análise dos materiais didáticos impressos
inicialmente era estabelecida pelo Programa Nacional do Livro Didático
(PNLD), passando depois para a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Na-
cional (LDBEN), a Legislação em Educação a Distância (EAD), o parecer e a
resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE/CP), que institui diretrizes
curriculares nacionais (DCNs) para a formação de professores da educação
básica, e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) (RODRIGUES JUNIOR;
LUNA; LINHARES, 2014).
A Constituição Federal de 1988 é a principal fonte de onde resultam nor-
mas gerais para a estruturação do sistema educacional em seus três níveis:
União, Estados e Municípios, sendo que é competência de cada um destes
organizar seu sistema de ensino; já a coordenação da política nacional de
educação compete à União.
Conjuntamente, a Lei nº 9.394/96, chamada de Lei de Diretrizes e Bases
(LDB), e suas alterações posteriores se originaram da Constituição Federal
(art. 205 a 214). Sua principal função é regulamentar e organizar a estrutura
da educação brasileira, pois ela apresenta um conjunto de referências que
propõe concepções, valores e finalidades para a educação. Ela define o
referencial de qualidade para educação e os referenciais para elaboração de
material didático para EAD no ensino profissional e tecnológico (BRASIL, 1996).
A LDB também define a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) (Figura 1),
que deve nortear os currículos dos sistemas e redes de ensino das Unidades
Federativas, como também as propostas pedagógicas de todas as escolas
públicas e privadas de educação infantil, ensino fundamental e ensino médio,
em todo o Brasil. No seu artigo 26, a LDB define que os currículos do ensino
fundamental e médio devem ter uma base nacional comum, a ser complemen-
tada, em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar, por uma parte
diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade,
da cultura e da economia dos educandos (BRASIL, 1996).
Legislação educacional relacionada à avaliação de materiais didáticos 3
Figura 1. Elementos formadores interligados com a BNCC.
Fonte: Lima (2018, p. 7).
A LDB prevê, ainda, a existência de órgãos com funções normativas nos
diferentes sistemas de ensino. No contexto da União, há o CNE, criado pela Lei
Federal nº 9.131/1995, vinculado ao Ministério da Educação (MEC) (BRASIL, 1995).
Nos estados, existem os conselhos estaduais de educação, e nos Municípios
há a possibilidade de organização dos conselhos municipais de educação.
Cabe ao CNE a produção de pareceres e resoluções dos atos normativos que
serão apreciados pelo MEC e posteriormente homologados ou não.
As DCNs são normas obrigatórias para a educação básica. São elas que
orientam o planejamento curricular das escolas e dos sistemas de ensino;
mesmo depois que o Brasil adotou a BNCC, as diretrizes continuam valendo,
porque os documentos se complementam, uma vez que as DCNs fornecem a
estrutura e a BNCC o detalhamento de conteúdos e competências.
Desse modo, enquanto as DCNs definem metas e objetivos para a educação
básica, os PCNs funcionam como referência para elaboração e renovação da
proposta curricular da escola. Por ser anterior à criação das DCNs, não são
obrigatórios por lei, uma vez que as DCNs e a BNCC são complementares e
contemplam todos os níveis da educação básica.
No Brasil, a BNCC é o documento que regulamenta, seja em escolas pú-
blicas ou particulares, quais as aprendizagens fundamentais que todo aluno
deve desenvolver, garantindo os mesmos direitos a toda criança e jovem.
É ela que orienta os currículos no País, promovendo qualidade e equidade,
independentemente de ser uma escola pública ou particular.
Legislação educacional relacionada à avaliação de materiais didáticos4
Além dessas leis e regulamentos, o Decreto nº 9.099, de 18 de julho de 2017,
que dispõe sobre o PNLD, no seu art. 10, considera que a avaliação pedagógica
dos materiais didáticos no âmbito do programa será coordenada pelo MEC
com base nos seguintes critérios, quando aplicáveis, sem prejuízo de outros
que venham a ser previstos em edital (BRASIL, 2017, documento on-line):
I — o respeito à legislação, às diretrizes e às normas gerais da educação;
II — a observância aos princípios éticos necessários à construção da cidadania e
ao convívio social republicano;
III — a coerência e a adequação da abordagem teórico-metodológica;IV — a correção e a atualização de conceitos, informações e procedimentos;
V — a adequação e a pertinência das orientações prestadas ao professor;
VI — a observância às regras ortográficas e gramaticais da língua na qual a obra
tenha sido escrita;
VII — a adequação da estrutura editorial e do projeto gráfico;
VIII — a qualidade do texto e a adequação temática.
Nesse contexto, nota-se que há regulamentação e critérios a serem obser-
vados na elaboração de materiais didáticos, como também as suas funções
na relação pedagógica que se estabelece em cada modalidade. Além dessas
normas já vistas, ainda há a Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, denominada
Lei de Direito Autoral (LDA), que protege os direitos do autor, reconhecendo
o criador de obras literárias, artísticas e científicas que possuem alguma
originalidade (BRASIL, 1998).
Conforme afirmam Pereira, Pimentel e Mehlan (2003, p. 2):
Direito autoral é o direito que o criador de uma obra intelectual (pessoa física)
tem de gozar dos benefícios morais e econômicos (patrimoniais) resultantes da
reprodução de sua criação. Os direitos morais asseguram ao criador reivindicar
a autoria da obra, bem como a menção do seu nome para divulgação da mesma,
assim como garantem a integridade da obra, em sua reputação ou honra, além dos
direitos de modificá-la ou retirá-la de circulação. Esses direitos são inalienáveis e
irrenunciáveis, ou seja, não se separa a obra do autor e este não pode renunciar a
sua criação. Os direitos patrimoniais, por sua vez, asseguram ao criador o retorno
financeiro de todas as relações econômicas que tenham por objeto a sua obra
intelectual.
Há, ainda, as normas técnicas regulamentas pela Associação Brasileira de
Normas Técnicas (ABNT). De acordo com a ABNT, toda mídia impressa deve
estar de acordo com normas e padrões por ela estabelecidos. As normas da
ABNT são orientadas por padrões internacionais, dando uniformidade às obras.
Essas normas estabelecem fatores estruturais, norteando a composição dos
elementos, formatação, citações, o uso de tabelas, gráficos e imagens, etc.
Legislação educacional relacionada à avaliação de materiais didáticos 5
A BNCC é um documento que contém (LIMA, 2018):
� conteúdos, conhecimentos e habilidades que os alunos têm o
direito de aprender;
� competências gerais que os alunos devem desenvolver em todas as áreas;
� competências específicas de cada área e respectivos componentes
curriculares;
� a progressão das habilidades a cada ano.
Implicações práticas do descumprimento de
dispositivos legais na qualificação das obras
Todo material didático deve atender aos objetivos e às necessidades da
escola, devendo ser estimulada a elaboração de materiais cada vez mais
adequados às exigências da educação brasileira, em conformidade com o
seu planejamento pedagógico e com os dispositivos legais da educação.
De acordo com o PNLD, os materiais didáticos não podem propagar precon-
ceitos, estar desatualizados em relação aos avanços da teoria e das práticas
pedagógicas, repetir padrões estereotipados ou abarcar informações erradas
ou ultrapassadas pelo desenvolvimento de cada área do conhecimento.
Os livros que apresentam erros conceituais, indução a erros, desatualização,
preconceito ou discriminação de qualquer tipo são excluídos do Guia do
Livro Didático.
A avaliação pedagógica aplicada a obras de qualquer um dos níveis de
ensino deve observar a qualidade do texto verbal e do texto visual, a adequa-
ção de categoria, de tema e de gênero literário, o projeto gráfico-editorial e a
qualidade do material de apoio. As obras que não estiverem em conformidade
com esses critérios não serão consideradas.
O objetivo da observância desses critérios é assegurar que os materiais
favoreçam a aprendizagem e o desenvolvimento da educação, além de de-
senvolverem no educando competências e habilidades fundamentais nos
processos de aprendizagem durante a educação básica.
Segundo o PNLD 2019, para alcançar os objetivos de qualidade e confor-
midade com a legislação, a obra didática deve (BRASIL, 2018, p. 22):
[...] — veicular informação correta, precisa, adequada e atualizada;
— proporcionar, como mediador pedagógico e ao lado de outros materiais educa-
tivos, condições propícias à busca pela formação cidadã, favorecendo que os estu-
Legislação educacional relacionada à avaliação de materiais didáticos6
dantes possam estabelecer julgamentos, tomar decisões e atuar criticamente frente
às questões colocadas pela sociedade, ciência, tecnologia, cultura e economia.
— contribuir, como parte integrante de suas propostas pedagógicas, efetivamente
para a construção de conceitos, posturas frente ao mundo e à realidade, favo-
recendo, em todos os sentidos, a compreensão de processos sociais, científicos,
culturais e ambientais.
Todos os critérios de avaliação das obras didáticas, especialmente as de
língua portuguesa, estão estabelecidos no Edital de Convocação, no Decreto
nº 9.099/2017 e em conformidade com a BNCC. Desse modo, esse conjunto de
especificações e critérios específicos para obras da educação básica deve
ser respeitado, ocasionando a eliminação das obras que não atenderem a
essas exigências.
No que concerne à avaliação pedagógica das obras voltadas para o ensino
de língua portuguesa, os critérios são ainda mais abrangentes, pois esses
materiais devem obedecer a critérios específicos relacionados à área espe-
cífica do conhecimento, assegurando que os conceitos, as informações e os
procedimentos estejam atualizados, corretos e adequados a especificidades
didáticas e metodológicas próprias do ensino de língua portuguesa.
Além destes, são avaliados critérios peculiares ligados à área e em acordo
com cada estrutura de ensino que compõe o BNCC. Desse modo, o ensino
de língua portuguesa está configurado em eixos organizadores — oralidade,
leitura, escrita, conhecimentos linguísticos e gramaticais e educação literá-
ria. Portanto, os critérios de avaliação das obras disciplinares destinadas à
educação básica devem observar:
a) adequação, de um modo geral, aos critérios comuns e específicos
apresentados nos editais do PNLD;
b) consistência e coerência entre os conteúdos e as atividades propostas
e os objetos de conhecimento e habilidades constantes na BNCC;
c) contemplação de todos os objetos de conhecimento e habilidades
constantes na BNCC.
Portanto, é necessário que em escolas públicas sejam observadas a correta
abordagem dos objetos de conhecimento em concordância com as habilidades
de cada componente curricular, considerando clareza, coerência e desenvol-
vimento dos conteúdos alinhados aos objetivos propostos de acordo com a
progressão das aprendizagens. Além disso, há também o projeto gráfico a
ser respeitado, como a utilização das imagens e a organização de capítulos,
seções, tópicos, entre outros.
Legislação educacional relacionada à avaliação de materiais didáticos 7
Quanto aos materiais utilizados pelas escolas particulares e aos materiais
não escolares, não há uma legislação específica para a sua produção, podendo
ser considerados, ou não, os critérios para escolas públicas. No entanto,
é importante observar as orientações do MEC por meio da BNCC. Desse modo,
cada escola pode adequar o material didático à sua filosofia de ensino e ao
seu projeto pedagógico.
No contexto das escolas públicas, quando observado o descumprimento
de qualquer critério, as obras são eliminadas de qualquer seleção; no en-
tanto, quando as não conformidades forem verificadas ao final do processo,
a editora sofre sanções. A multa é calculada e devem ser a disponibilizados
para consulta os relatórios, as amostras e as obras analisadas. A multa
corresponde a um percentual determinado por valor de página (FNDE/MEC).
Irregularidades, fraudes e participação irregular de pessoas que não
pertencem à comunidade escolar no processo de seleção das obras ou no
registro da escolha no sistema infringem as normas de conduta do PNDL e
prejudicam, principalmente,a autonomia dos professores e das escolas.
Quando há irregularidades e fraude, é aberta sindicância para investigar a
veracidade dos fatos, uma vez que, de modo geral, essas informações chegam
até o MEC por meio de denúncia.
O PNLD possui a Comissão Especial de Apuração de Conduta (CEAC), que
apura as denúncias referentes ao PNLD, e a secretaria executiva do MEC deve
apoiar as atividades, prestar informações no prazo solicitado, encaminhar
denúncias à CEAC e acompanhar o andamento do processo. Essa comissão
tem como objetivos analisar, decidir e apurar a respeito de denúncias de
descumprimento de normas de execução do PNLD, podendo impor sansões
administrativas aos envolvidos nas irregularidades de todo o Brasil.
Ademais, o PNLD, em atendimento à Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa
com Deficiência – Lei nº 13.146/2015, estabelece que deverão ser adquiridas
obras em formato acessível. O não atendimento, o atraso no fornecimento
e a não conformidade com os critérios definidos no contrato de aquisição
dessas obras digitais acessíveis resultará na aplicação de multa (BRASIL, 2015).
Assim como o PNLD, a LDA estabelece que toda produção intelectual deve
ter seus direitos assegurados, e, caso seja descumprida, estabelece punições
amparadas pelo artigo 184 do Código Penal, que determina pena de detenção
de três meses a um ano ou multa para quem violar direitos de autor e os que
lhe são conexos (BRASIL, 2003a). No caso de a violação consentir em repro-
dução total ou parcial, com a intenção de lucro, a pena passa a reclusão de
dois a quatro anos e multa.
Legislação educacional relacionada à avaliação de materiais didáticos8
Nos dias atuais, a tecnologia tem sido usada para reprodução de cópias
sem autorização. Devido a isso, o plágio tornou-se um problema para auto-
res. Copiar textos sem a permissão do autor é um ato de origem criminosa.
Apropriar-se do texto de outros e usufruir como conteúdo original incorre
no crime de plágio.
Situações de produção e avaliação
de materiais didáticos fundamentadas
nos dispositivos legais
São inúmeras as situações na produção de materiais didáticos que implicam a
desaprovação das obras por não estarem em conformidade com a legislação.
Os problemas e erros variados estão relacionados à ortografia e às questões
gramaticais normativas, como pontuação, morfossintaxe, léxico, entre outros,
e às questões referentes às normas de padronização editoriais como citações,
referência, siglas e abreviaturas.
Além destas, e não menos importantes, estão os erros referente aos
elementos gráficos como espaçamento, formatação dos elementos, margens,
quebra de páginas, respeito à hierarquia de títulos e subtítulos, gráficos e
tabelas com títulos, fonte e datas, etc.
Veja, a seguir, alguns exemplos de erros encontrados em materiais
didáticos (CARTOLA – AGÊNCIA DE CONTÚDO, 2015).
� Erro de grafia: "Acre", "Espírito Santo" e "Minas Gerais" ("Ácre", "Espíritu
Santo" e "Minas Gertais") grafados incorretamente. Neste caso, a editora foi
multada e teve que substituir a página com erro.
� Com propaganda eleitoral: Em 2007, um livro didático foi distribuído com
um texto sobre o programa Fome Zero, fazendo propaganda favorável a um
determinado partido político.
� Homofobia: Em 2013, um livro didático distribuído continha conteúdo homo-
fóbico. Em um exemplo sobre prótons e elétrons, o texto sugeria que dois
meninos não se atraem.
� Diagramação, editoração e revisão: Em 2011, foram constatados erros de
diagramação, editoração e revisão em materiais didáticos usados no curso
de Educação no Campo.
Legislação educacional relacionada à avaliação de materiais didáticos 9
� Em 2014, os estudantes receberam um livro didático que continha a letra
do Hino Nacional com erros gráficos: “Fulguras, ó Brasil, forão (florão) da
América, (...) Teus risonhos, lindos campos têm mais fores (flores)”. A página
foi substituída.
Nesse contexto, são adotados diversos critérios e princípios a serem
observados na avaliação dos materiais didáticas, visando garantir sua qua-
lidade e incentivando a produção de materiais cada vez mais adequados às
necessidades da educação brasileira e alinhados às DCNs. Assim, para atender
a esses critérios, é necessário que as informações contidas nas obras sejam
corretas, adequadas, precisas e atualizadas.
No PNLD, entre os critérios avaliados está o de promover a educação e a
cultura em direitos humanos, afirmando os direitos de crianças e adolescentes,
conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei nº 8.069/1990, bem como
o conhecimento e a vivência dos princípios afirmados no Estatuto do Idoso,
Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003 (BRASIL, 1990, 2003b).
Da mesma forma, são avaliados critérios de abordagem de temas de
promoção positiva da imagem da mulher, de afrodescendentes e do povo do
campo, as temáticas de gênero, das relações étnico-raciais, do preconceito, da
discriminação racial, da superação de toda forma de violência e do respeito
e da valorização da diversidade.
Com relação ao projeto gráfico-editorial, a norma NBR 15201-1, de 2018,
da ABNT, classifica os defeitos de impressão e de pós-impressão em livros
didáticos, elaborada pela Normalização Setorial de Tecnologia Gráfica (AS-
SOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2018). Essa norma é aplicável
aos livros didáticos confeccionados em papel. O objetivo é estabelecer uma
padronização geral dos textos, facilitando a leitura pelo leitor por meio de
um formato universal.
Há de se considerar, portanto, na produção de materiais didáticos,
a observância à Legislação Educacional, às normas da ABNT, à LDA e a todos os
critérios que possam contribuir para a elaboração de materiais de qualidade,
que atendam às necessidades da educação brasileira e que induzam o aluno
à aprendizagem de forma motivadora.
García Madruga e Martín Cordeiro (1987, p. 157) destacam a importância
da avaliação dos materiais didáticos e destacam que:
Legislação educacional relacionada à avaliação de materiais didáticos10
No discurso escrito a complexidade léxica (vocabulário de milhares de palavras
e os tipos de conhecimentos que são associados com cada palavra) e sintática
(refere a uma organização sequencial dos enunciados e das regras que presidem
a língua). Isso porque um alto grau de complexidade poderá prender o leitor na
microestrutura (estrutura local do discurso, formada por uma rede de ideias
simples relacionadas linearmente entre si), e este não terá acesso ao nível de
processamento requerido para se beneficiar da organização global do texto (ou
macroestrutura, formada por ideias principais conectadas globalmente).
Salienta-se, assim, que todo material didático, quando produzido em
conformidade com a Legislação Educacional, além da aprendizagem que
proporciona, molda o educando para a vida; do contrário, pode deixá-lo
despreparado e sem motivação.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), no seu Capítulo IV,
ressalta o direito da criança e do adolescente à educação, cultura,
esporte e lazer.
O ECA está disponível, na íntegra, na internet.
A LDB estabelece que as escolas devem cumprir pelo menos 200 dias
letivos, distribuídos em dois semestres, totalizando, no mínimo, 800 horas. A
escola que considerar a hora-aula de 45 minutos está descumprindo a lei.
Também descumpre aquela escola que não repuser o período suspenso, se
por algum motivo não houver aula.
Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 15201-1: tecnologia gráfica:
livro didático: parte 1: classificação de defeitos de impressão e de pós-impressão
tecnologia gráfica. Rio de Janeiro: ABNT, 2018. 17 p.
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Legislação educacional relacionada à avaliação demateriais didáticos 11
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38, de 15 de outubro de 2003. Provê as escolas do ensino médio das redes estadual,
do Distrito Federal e municipal de livros didáticos de qualidade, para uso dos alunos,
abrangendo os componentes curriculares de Português e Matemática por meio do Pro-
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Penal, alterado pelas Leis nos 6.895, de 17 de dezembro de 1980, e 8.635, de 16 de março
de 1993, revoga o art. 185 do Decreto-Lei no 2.848, de 1940, e acrescenta dispositivos
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Leituras recomendadas
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 14869: tecnologia gráfica:
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dos livros didáticos: 1ª. a 4ª. séries. Brasília: FAE, 1994. 376 p. Disponível em: http://www.
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Acesso em: 30 jan. 2021.
BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do
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nível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm. Acesso em: 30 jan. 2021.
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Material Didático, Brasília, [201-?]. Disponível em: https://pnld.nees.ufal.br/. Acesso
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LEFFA, V. J. Fatores da compreensão na leitura. Cadernos do Instituto de Letras, Porto
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Legislação educacional relacionada à avaliação de materiais didáticos 13