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Prof. Dr. Arnaud Azevêdo Alves PROCESSO DE DOMESTICAÇÃO E CARACTERÍSTICAS DOS ANIMAIS DOMÉSTICOS Animal doméstico Do latim domus = casa Todo animal que criado e reproduzido pelo homem, perpetua tais condições através de gerações por hereditariedade, oferecendo utilidades e prestando serviços em mansidão Torres (1990) DOMESTICAÇÃO DOS ANIMAIS Domesticação dos animais x Sobrevivência do homem ALIMENTAÇÃO: Necessidade de manter "reservas" alimentares para os períodos de escassez SOBREVIVÊNCIA AMBIENTAL: Necessidade de agasalhos para proteção, principalmente na época das glaciações APROVEITAMENTO DA FORÇA MOTRIZ: Inicialmente os animais foram utilizados para transporte de cargas ou para remover objetos pesados e, posteriormente, para tração e como montaria INSPIRAÇÃO RELIGIOSA: A companhia de animais junto ao homem pode ter decorrido de fatores religiosos ou até mesmo por lazer DOMESTICAÇÃO DOS ANIMAIS DOMESTICAÇÃO DOS ANIMAIS Hipóteses para ao surgimento dos primeiros animais domésticos Processo PACÍFICO: O instinto de sociabilidade propiciou a convivência com o homem, encontrando alimento e proteção. Ex: cão e suíno Processo VIOLENTO: Aprisionamento, amansamento e domesticação dos animais domésticos atuais, através da violência, força, fome, aprisionamento e castigos corporais. Ex: cavalo, na Idade dos Metais Processos INTERMEDIÁRIOS: Quando animais que mais facilmente teriam permitido a aproximação do homem eram aprisionados. Ex: bovinos, caprinos, ovinos, zebuínos, bubalinos e aves DOMESTICAÇÃO DOS ANIMAIS Larson e Fuller (2014) https://doi.org/10.1146/annurev-ecolsys-110512-135813 DOMESTICAÇÃO DOS ANIMAIS Larson e Fuller (2014) V IA C O M E N S A L IS M O V IA D IR E C IO N A D A DOMESTICAÇÃO DOS ANIMAIS Larson e Fuller (2014) V IA P R E D A T IS M O https://doi.org/10.1146/annurev-ecolsys-110512-135813 Fases históricas da domesticação REMOTA: Fim do Paleolítico Superior (15.000 anos aC). O homem deve ter começado a domesticar o lobo PRIMÁRIA: Neolítico. A domesticação do cão prosseguiu e há 10.000 anos aC foram domesticados ovinos, caprinos, zebuínos, asininos, equinos e gato SECUNDÁRIA: Final dos tempos históricos. Foram domesticados vários animais, como o suíno, os galináceos, o coelho, o dromedário, o camelo, a abelha, a lhama e a alpaca ATUAL: Animais recentemente domesticados, como o avestruz, o capote, a cobaia, o peru, assim como grande número de animais criados para fins científicos, para produção de peles, ou mesmo de alimentos, que se encontram em processo de domesticação Torres (1990) DOMESTICAÇÃO DOS ANIMAIS Fases do processo de domesticação CATIVEIRO - Fase inferior. O homem mantém o animal aprisionado sem obter lucro ou serviço, eventualmente utilizando-o para o abate. Ex: Animais de parques ou zoológicos MANSIDÃO, DOMAÇÃO OU AMANSAMENTO - Ocorre convivência pacífica entre o animal e o homem. Fase em que o animal está muito próximo à domesticidade, podendo prestar serviços. Ex: O elefante quando aprisionado novo apresenta-se manso a idade adulta DOMESTICIDADE - Estado de simbiose entre o animal doméstico e o homem. Ex: Cães, Caprinos, Ovinos, Bovinos, Suínos etc. DOMESTICAÇÃO DOS ANIMAIS DOMESTICAÇÃO DOS ANIMAIS Espécies semi-domésticas Espécies que atingem a DOMESTICIDADE, no entanto apresentam facilidade de voltarem à vida selvagem Ex: Coelho, Búfalo, Capote, Faisão DOMESTICAÇÃO DOS ANIMAIS Animais domésticos quanto ao grau de domesticidade GRUPO 1 - Cão, Caprino, Ovino, Taurino, Suíno, Bicho-da-seda, Gato, Galinha, Equino, Asinino, Camelo e Dromedário GRUPO 2 - Zebuíno, Marreco, Ganso, Peru, Pombo, Cisne, Pavão, Cobaia e Lhama GRUPO 3 - Búfalo, Rena, Capote, Avestruz, Pato, Faisão, Alpaca e Coelho GRUPO 4 - Abelha e Carpa DOMESTICAÇÃO DOS ANIMAIS Atributos dos animais domésticos SOCIABILIDADE: É a conduta associativa que leva os animais à vida em grupos. Exceção a esta peculiaridade, pode ser citado o gato MANSIDÃO HEREDITÁRIA: Animais individualmente mansos são semi-domésticos. Os animais domésticos devem transmitir a característica de domesticidade. A mansidão é o regulador do grau de domesticidade das espécies e principal característica que distingue animais selvagens de domésticos FECUNDIDADE EM CATIVEIRO: A fecundidade nem sempre se consegue nos animais amansados, quando mantidos em cativeiro FUNÇÕES ESPECIALIZADAS: A domesticação é um processo que implica no aproveitamento dos produtos e trabalhos dos animais em função do homem. FACILIDADE DE ADAPTAÇÃO AMBIENTAL: Animais de origem polifilética geralmente apresentam melhor adaptação que os de origem monofilética O processo de domesticação predispõe os animais a modificações nos caracteres morfológicos e fisiológicos Princípio da diferenciação dos caracteres “Quanto mais o animal se afasta do ambiente de origem e quanto mais aperfeiçoados os métodos zootécnicos de exploração maior a diferenciação dos caracteres morfológicos e fisiológicos" DOMESTICAÇÃO DOS ANIMAIS Modificações sofridas pelos animais domesticados De natureza INDIRETA (clima, ambiente artificial e seleção artificial) De natureza DIRETA (variações espontâneas e misturas de espécies e raças) DOMESTICAÇÃO DOS ANIMAIS Os animais selvagens sofrem seleção natural, enquanto os domésticos são submetidos à seleção artificial Os animais selvagens estão sujeitos à variação espontânea, com modificação de atributos; enquanto, a seleção artificial é responsável pela conservação dos atributos modificados durante a variação espontânea DOMESTICAÇÃO DOS ANIMAIS Modificações decorrentes do processo de domesticação MORFOLÓGICAS: Atingem a estrutura do organismo dos animais, com consequências sobre suas funções fisiológicas. QUALIDADE DOS PELOS: Geralmente são grosseiros nos animais selvagens, mal distribuídos e, às vezes, mais concentrados em torno da cintura escapular. Nos animais domésticos são, em geral, mais finos e sedosos, distribuídos uniformemente sobre o corpo, às vezes com características próprias, como nos ovinos e em algumas raças de caprinos e coelhos, formando lã COLORAÇÃO DA PELAGEM: Os animais selvagens apresentam pelagem uniforme, discreta, parda, curta, podendo mudar com a estação do ano, ou mesmo apresentar fenômenos de mimetismo, enquanto os animais domésticos a apresentam variada DOMESTICAÇÃO DOS ANIMAIS Modificações decorrentes do processo de domesticação PORTE E DIMENSÕES CORPORAIS: Os selvagens apresentam porte uniforme, ocorrendo muitas vezes maior desenvolvimento da cintura escapular. Os animais domésticos apresentam porte variado com a raça e inclusive dentro das raças ORELHAS: Nos selvagens geralmente pequenas e móveis (função auditiva aguçada. Nos domésticos apresentam forma, dimensão e posição variadas ÓRGÃOS DE DEFESA: Os cornos, garras e dentes dos animais domésticos sofreram redução ou desapareceram, em decorrência da seleção artificial PANÍCULO ADIPOSO: Nos selvagens para suprir necessidades nos períodos críticos, enquanto nos domésticos é desenvolvido e muitas vezes exagerado, como nas nádegas e na cauda de algumas raças de ovinos ESQUELETO ÓSSEO: Os animais domésticos apresentam ossos mais curtos, espessos, finos e com saliências articulares mal distintas DOMESTICAÇÃO DOS ANIMAIS Modificações decorrentes do processo de domesticação FISIOLÓGICAS: Modificações mais notáveis. A produção animal depende de maior intensidade fisiológica. VELOCIDADE DE LOCOMOÇÃO: Desenvolvida nos selvagens para defesa. Nos domésticos, exceto o dromedário e algumas raças equinas e de cães, é reduzida VOO: As aves domésticas perderam parcial ou totalmente esta capacidade FERTILIDADE: Nos animais selvagens ocorre cio estacional, inclusive anestro, enquanto os domésticos são mais férteis e geralmente com ciclo estral contínuo PROLIFICIDADE: Os animais domésticos são mais prolíficos. A galinhapoedeira produz 200 a 300 ovos/ano, enquanto a galinha selvagem duas posturas de 15 ovos/ano DOMESTICAÇÃO DOS ANIMAIS Modificações decorrentes do processo de domesticação LACTAÇÃO: Nos mamíferos selvagens restringe-se às necessidades das crias, tendo sido aumentada nos domésticos, tanto em quantidade diária quanto em período de lactação CHOCO: Característica própria das aves para incubar os ovos, utilizando o calor e a umidade corporal. Vem desaparecendo em algumas espécies domésticas, notadamente nas galinhas de alta produtividade VELOCIDADE DE CRESCIMENTO: É muito lenta nos animais selvagens, e rápida nos animais domésticos, sobretudo nos para corte, que chegam a apresentar altos índices de conversão alimentar CONSTITUIÇÃO ORGÂNICA: Os animais selvagens apresentam constituição rústica, enquanto os animais domésticos, em geral, apresentam constituição débil DOMESTICAÇÃO DOS ANIMAIS Modificações decorrentes do processo de domesticação ETOLÓGICAS: Referem-se ao comportamento individual e social dos animais. INSTINTO DE DEFESA: Nos animais selvagens é bastante aguçado. A visão e o olfato são muito evoluídos e adaptados, por necessidade de proteção. Dentre os domésticos, há algumas espécies ou raças incapazes de sobreviver em ambiente natural COMPORTAMENTO SEXUAL: Os animais selvagens são na maioria monógamos. Nos animais domésticos, nem sempre ocorre hierarquia social, o que deve decorrer da ausência de predadores. O marreco é monógamo quando selvagem e quando doméstico é polígamo (1 macho/3 a 4 fêmeas) RELACIONAMENTO COM O HOMEM: Nos animais domésticos, em virtude da intensa observação, tratos e direcionamento da criação, a interação homem/animal é constante, podendo ser admitida dependência de espécies altamente produtivas ARTIGO RECOMENDADO: PRICE, E .O. Behavioral aspects of animal domestication. The Quarterly Review of Biology, v. 59, n. 1, p. 1-32, 1984. https://doi.org/10.1086/413673 https://doi.org/10.1086/413673 VISITE AS ITACOATIARAS DO INGÁ - PB Na cidade de Ingá, vizinha a Campina Grande, um conjunto de pedras desafia o tempo e os pesquisadores. São as Itacoatiaras do Ingá, grandes rochas que serviam como painéis, nos quais foram desenhados em baixo-relevo animais, homens e formas geométricas, precisamente definidas. A Pedra do Ingá, tem 24 metros de comprimento por 3 de altura. Cercados de mistérios, os ideogramas de Ingá têm idade avaliada em 10 mil anos. 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