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<p>APOSTILA</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>À</p><p>ZOOTECNIA</p><p>Curso: TÉCNICO EM AGROPECUÁRIA</p><p>Autora: Cláudia Damo Bértoli, Enga Agra, MSc.</p><p>INSTITUTO FEDERAL CATARINENSE</p><p>CAMPUS CAMBORIÚ</p><p>Fevereiro / 2008</p><p>1. Declaração Universal dos Direitos dos Animais</p><p>2. Lei 9605/98 - CAPÍTULO V - Dos Crimes Contra O Meio Ambiente</p><p>3. Introdução à Zootecnia</p><p>4. Origem e Evolução</p><p>4.1 - TEORIA DE LAMARCK</p><p>4.2 - TEORIA DE DARWIN</p><p>4.3 – TEORIA SINTÉTICA DA EVOLUÇÃO</p><p>5. Domesticação das Espécies</p><p>6. Classificação Zoológica das Espécies Domésticas</p><p>7. Utilização dos Animais Domésticos</p><p>7.1 - CLASSIFICAÇÃO DAS FUNÇÕES PRODUTIVAS OU ZOOTÉCNICAS</p><p>7.2 - ESPECIALIZAÇÃO DAS FUNÇÕES PRODUTIVAS OU ZOOTÉCNICAS</p><p>7.3 - FUNÇÕES ZOOTÉCNICAS E A ESCOLHA DE REPRODUTORES</p><p>7.4 - APTIDÃO E ESPECIALIZAÇÃO</p><p>8. Climatologia Zootécnica</p><p>9. O Sistema Digestório dos Animais Domésticos</p><p>9.1 - ANATOMIA DO SISTEMA DIGESTÓRIO</p><p>9.2 - FISIOLOGIA DO SISTEMA DIGESTÓRIO</p><p>9.3 – SISTEMA DIGESTÓRIO DAS AVES</p><p>10. O Sistema Reprodutor dos Animais Domésticos</p><p>10.1 - ANATOMIA DO SISTEMA REPRODUTOR FEMININO</p><p>10.2 - FISIOLOGIA DO SISTEMA REPRODUTOR FEMININO</p><p>10.3 – CICLO REPRODUTIVO DAS FÊMEAS MAMÍFERAS</p><p>10.4 - ANATOMIA DO SISTEMA REPRODUTOR MASCULINO</p><p>10.5 - FISIOLOGIA DO SISTEMA REPRODUTOR MASCULINO</p><p>10.6 – SISTEMA REPRODUTOR DAS AVES</p><p>11. Os Sexos e a Neutralização Sexual</p><p>11.1 – DIMORFISMO SEXUAL</p><p>11.2 - OS CARACTERES SEXUAIS (SECUNDÁRIOS)</p><p>11.3 - ORIGEM DOS CARACTERES SEXUAIS</p><p>11.4 - MODIFICAÇÕES PROVOCADAS PELA CASTRAÇÃO</p><p>12. Raça e Suas Variações</p><p>12.1 - CONCEITO DE RAÇA</p><p>12.2 - SUB-RAÇA</p><p>12.3 - VARIEDADE</p><p>12.4 - FAMÍLIA E LINHAGEM</p><p>12.5 – REBANHO</p><p>13. Melhoramento Genético Animal</p><p>13.1 - MÉTODOS DE REPRODUÇÃO</p><p>13.2 – METODOS DE MELHORAMENTO GENÉTICO</p><p>13.3 - SISTEMAS DE ACASALAMENTO</p><p>14. Etologia</p><p>15. Bibliografia</p><p>03</p><p>04</p><p>06</p><p>08</p><p>09</p><p>10</p><p>11</p><p>12</p><p>16</p><p>17</p><p>18</p><p>20</p><p>21</p><p>21</p><p>22</p><p>24</p><p>25</p><p>26</p><p>27</p><p>28</p><p>28</p><p>30</p><p>31</p><p>31</p><p>33</p><p>33</p><p>35</p><p>35</p><p>35</p><p>37</p><p>39</p><p>41</p><p>41</p><p>43</p><p>44</p><p>44</p><p>44</p><p>45</p><p>46</p><p>46</p><p>47</p><p>51</p><p>55</p><p>3</p><p>1. Declaração Universal dos Direitos dos Animais</p><p>Aprovada pela UNESCO em sessão de janeiro de 1979, em Bruxelas.</p><p>“Considerando que cada animal tem direitos; considerando que o</p><p>desconhecimento e o desprezo destes direitos levaram e continuam a levar o homem a</p><p>cometer crimes contra a natureza e contra os animais; considerando que o</p><p>reconhecimento, por parte da espécie humana, do direito à existência das outras espécies</p><p>animais constitui o fundamento da coexistência das espécies no mundo; considerando que</p><p>genocídios são perpetrados pelo homem e que outros ainda podem ocorrer; considerando</p><p>que o respeito pelos animais, por parte do homem, está ligado ao respeito dos homens</p><p>entre si; considerando que a educação deve ensinar desde a infância a observar,</p><p>compreender e respeitar os animais;</p><p>Proclama-se</p><p>Art. 1 - Todos os animais nascem iguais diante da vida e têm o mesmo direito à</p><p>existência.</p><p>Art. 2 - a) Cada animal tem o direito ao respeito. b) O homem, enquanto espécie</p><p>animal, não pode atribuir-se o direito de exterminar os outros animais ou explorá-los,</p><p>violando este direito. Ele tem o dever de colocar a sua consciência a serviço de outros</p><p>animais. c) Cada animal tem o direito à consideração, à cura e à proteção do homem.</p><p>Art. 3 - a) Nenhum animal deverá ser submetido a maus tratos e a atos cruéis. b) Se a</p><p>morte de um animal é necessária, deve ser instantânea, sem dor nem angústia.</p><p>Art. 4 - a) Cada animal, que pertence a uma espécie selvagem, tem o direito de viver</p><p>livre no seu ambiente natural terrestre, aéreo ou aquático e tem o direito de reproduzir-se.</p><p>b) A privação da liberdade, ainda que para fins educativos, é contrária a este direito.</p><p>Art. 5 - Cada animal pertencente a uma espécie que vive habitualmente no ambiente</p><p>do homem tem o direito de viver e crescer segundo o ritmo e as condições de vida e de</p><p>liberdade que são próprios da sua espécie. b) Toda modificação desse ritmo e destas</p><p>condições, impostas pelo homem para fins mercantis, é contrária a este direito.</p><p>Art. 6 - a) Cada animal que o homem escolher para companheiro tem o direito a uma</p><p>duração de vida conforme a sua natural longevidade. b) O abandono de um animal é um</p><p>ato cruel e degradante.</p><p>Art. 7 - Cada animal que trabalha, tem o direito a uma razoável limitação do tempo e</p><p>intensidade do trabalho, a uma alimentação adequada e ao repouso.</p><p>Art. 8 - a) A experimentação animal, que implica em sofrimento físico e psíquico é</p><p>incompatível com os direitos do animal, quer seja uma experiência médica, científica,</p><p>comercial ou qualquer outra. b) As técnicas substitutivas devem ser utilizadas e</p><p>desenvolvidas.</p><p>Art. 9 - No caso de o animal ser criado para servir de alimentação, deve ser nutrido,</p><p>alojado, transportado e morto sem que para ele resulte ansiedade ou dor.</p><p>Art. 10 - a) Nenhum animal deve ser usado para o divertimento do homem. b) A</p><p>exibição dos animais e os espetáculos que utilizam animais são incompatíveis com a</p><p>dignidade do animal.</p><p>Art. 11 - O ato que leva à morte de um animal, sem necessidade, é um biocídio, ou</p><p>seja, um delito contra a vida.</p><p>4</p><p>Art. 12 - a) Cada ato, que leva à morte de um grande número de animais selvagens, é</p><p>um genocídio, ou seja, um delito contra a espécie. b) O aniquilamento e a destruição do</p><p>ambiente natural levam a genocídio.</p><p>Art. 13 - a) O animal morto deve ser tratado com respeito. b) As cenas de violência de</p><p>que os animais são vítimas devem ser proibidas no cinema e na televisão, a menos que</p><p>tenham como fim mostrar um atentado ao direito do animal.</p><p>Art. 14 - a) As associações de proteção e de salvaguarda dos animais devem ser</p><p>representadas a nível de governo. b) Os direitos do animal devem ser defendidos por leis,</p><p>como os direitos do homem.”</p><p>2. Lei 9605/98 - CAPÍTULO V - Dos Crimes Contra O Meio Ambiente</p><p>Seção I - Dos Crimes contra a Fauna</p><p>Art. 29. Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos</p><p>ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade</p><p>competente, ou em desacordo com a obtida:</p><p>Pena - detenção de seis meses a um ano, e multa.</p><p>§ 1º Incorre nas mesmas penas:</p><p>I - quem impede a procriação da fauna, sem licença, autorização ou em desacordo</p><p>com a obtida;</p><p>II - quem modifica, danifica ou destrói ninho, abrigo ou criadouro natural;</p><p>III - quem vende, expõe à venda, exporta ou adquire, guarda, tem em cativeiro ou</p><p>depósito, utiliza ou transporta ovos, larvas ou espécimes da fauna silvestre, nativa ou em</p><p>rota migratória, bem como produtos e objetos dela oriundos, provenientes de criadouros</p><p>não autorizados ou sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade</p><p>competente.</p><p>§ 2º No caso de guarda doméstica de espécie silvestre não considerada ameaçada</p><p>de extinção, pode o juiz, considerando as circunstâncias, deixar de aplicar a pena.</p><p>§ 3° São espécimes da fauna silvestre todos aqueles pertencentes às espécies nativas,</p><p>migratórias e quaisquer outras, aquáticas ou terrestres, que tenham todo ou parte de seu</p><p>ciclo de vida ocorrendo dentro dos limites do território brasileiro, ou águas jurisdicionais</p><p>brasileiras.</p><p>§ 4º A pena é aumentada de metade, se o crime é praticado:</p><p>I - contra espécie rara ou considerada ameaçada de extinção, ainda que somente</p><p>no local da infração;</p><p>II - em período proibido à caça;</p><p>III - durante a noite;</p><p>IV - com abuso de licença;</p><p>V - em unidade de conservação;</p><p>VI - com emprego de métodos ou instrumentos capazes de provocar destruição em</p><p>massa.</p><p>5</p><p>§ 5º A pena é aumentada até o triplo, se o crime decorre do exercício de caça</p><p>profissional.</p><p>§ 6º As disposições deste artigo não se aplicam aos atos de pesca.</p><p>Art. 30. Exportar para o exterior peles e couros de anfíbios e répteis em bruto, sem a</p><p>autorização da autoridade ambiental competente:</p><p>Pena - reclusão, de um a três anos, e</p><p>nutrientes (Cálcio, Cobre, Ferro, Magnésio e Cobalto) perturba a criação em certas regiões</p><p>tropicais ou subtropicais. Para melhorar uma raça é preciso melhorar as suas condições de</p><p>adaptabilidade, principalmente a alimentação.</p><p>9. O Sistema Digestório Dos Animais Domésticos</p><p>Antes de iniciar qualquer estudo sobre alimentação e nutrição animal, é</p><p>indispensável dispor de um conhecimento mínimo sobre como se dá o processo de</p><p>digestão, segundo o qual o animal se beneficiará dos alimentos e nutrientes recebidos.</p><p>O Sistema disgestório, consiste em um tubo músculo-membranoso que se</p><p>estende da boca ao ânus. Apresenta as seguintes funções: ingestão, mastigação, digestão</p><p>e absorção dos alimentos e a eliminação do material sólido inútil ou supérfluo. O sistema</p><p>digestório reduz os nutrientes dos alimentos a compostos simples o bastante para serem</p><p>absorvidos pelo organismo e usados na obtenção de energia e na síntese de outros</p><p>compostos para uso metabólico.</p><p>25</p><p>9.1 - ANATOMIA DO SISTEMA DIGESTÓRIO</p><p>FIG. 1 – Representação gráfica do Sistema Digestório de um ruminante.</p><p>As partes do aparelho digestório são: a boca, a faringe, o esôfago, (os</p><p>compartimentos anteriores do estômago dos ruminantes), o estômago glandular, o intestino</p><p>delgado, o intestino grosso e as glândulas acessórias – glândulas salivares, pâncreas e</p><p>fígado.</p><p>Boca: Tem a função de preensão, mastigação, insalivação e formação do bolo</p><p>alimentar. Exerce estas atividades em combinação com os dentes, língua, lábios,</p><p>bochechas e glândulas salivares. Há variações entre as espécies, os bovinos, por exemplo,</p><p>utilizam a língua como órgão preênsil, uma vez que não possuem incisivos superiores, já os</p><p>eqüinos se valem principalmente dos lábios e dentes.</p><p>Faringe: É uma passagem comum ao alimento e ao ar. O alimento alcança a</p><p>faringe pela boca, sendo empurrado para o esôfago por contrações musculares.</p><p>Esôfago: É um tubo muscular que é uma continuação direta da faringe.</p><p>Estômago: Monogástricos - Dividido em cárdia, corpo e piloro. A cárdia e o piloro</p><p>são esfíncteres que controlam a passagem dos alimentos (entrada e saída do estômago,</p><p>respectivamente).</p><p>Ruminantes – Nos ruminantes, o estômago é formado por quatro cavidades. Nas</p><p>três primeiras cavidades ou divertículos, o alimento é umidificado e sujeito à digestão por</p><p>microorganismos antes de passar através do trato digestório. São eles o rúmen, o retículo e</p><p>o omaso. A Quarta cavidade é o abomaso, também chamado de estômago verdadeiro e</p><p>é a primeira porção glandular do sistema digestório dos ruminantes. É a cárdia que liga o</p><p>esôfago ao rúmen. O piloro encontra-se na junção do abomaso com o intestino delgado.</p><p>Intestino Delgado: É dividido em três partes: duodeno, jejuno e íleo. O duodeno é</p><p>a primeira parte, iniciando no piloro. O jejuno e o íleo são contínuos e a porção terminal do</p><p>íleo alcança o ceco nos eqüinos e o ceco e o cólon nos outros animais.</p><p>Intestino Grosso: É constituído por ceco, cólon e reto, terminando no Ânus.</p><p>26</p><p>Glândulas Salivares: São três pares de glândulas (parótidas, submaxilares e</p><p>sublinguais), localizadas na região da boca dos animais, com a função de secretar líquidos</p><p>serosos e mucosos que auxiliarão na umidificação e formação do bolo alimentar.</p><p>Pâncreas: É uma glândula que produz enzimas digestivas que são lançadas no</p><p>duodeno. Produz também a insulina e o glucagon, que são hormônios e são lançados</p><p>diretamente na corrente sangüínea.</p><p>Fígado: Além de detoxicar o sangue arterial, o fígado produz a bile, que é</p><p>lançada na primeira parte do duodeno.</p><p>9.2 - FISIOLOGIA DO SISTEMA DIGESTÓRIO</p><p>Preensão e Mastigação: Preensão é o ato de levar o alimento à boca.</p><p>Mastigação é a redução mecânica do alimento a partículas pequenas. O tipo de dentes,</p><p>a posição da mandíbula e o hábito mastigatório variam de acordo com a espécie e o tipo</p><p>de alimento ingerido. Os carnívoros rasgam os alimentos, mas fazem pouca trituração,</p><p>enquanto os herbívoros promovem uma mastigação completa do alimento. A mastigação</p><p>pode ser controlada voluntariamente, mas a presença de alimento na boca provoca o</p><p>reflexo mastigatório. Pode também se dar em duas etapas, como é o caso dos ruminantes.</p><p>Glândulas Salivares: A secreção de saliva é um ato reflexo, normalmente</p><p>estimulado pela presença de alimento na boca. A função básica da saliva é facilitar a</p><p>mastigação, deglutição e ruminação dos alimentos. Quando o alimento é seco, a saliva é</p><p>aquosa e abundante e quando é úmido, só ocorre secreção de saliva mucosa, para</p><p>lubrificação do alimento durante a deglutição. Outros estímulos podem provocar a</p><p>salivação como cheiro, visão ou mesmo o pensamento. No ruminante as funções salivares</p><p>são: manter a consistência líquida dos conteúdos ruminais, auxiliar a neutralização dos</p><p>ácidos formados por organismos do rúmen e também ajudar a impedir a formação de</p><p>espuma.</p><p>Deglutição: É dividida em três estágios: passagem do alimento pela boca,</p><p>passagem do alimento pela faringe e passagem do alimento para o estômago, através do</p><p>esôfago. Apenas o primeiro estágio é voluntário.</p><p>O Estômago Simples: O alimento deglutido tende a estratificar-se no estômago e</p><p>movimentos peristálticos promovem a mistura do alimento e o jogam para o duodeno em</p><p>pequenas quantidades por vez, controlados pelo esfíncter pilórico. Este material, uma</p><p>mistura polposa e semi-sólida de alimento, água e suco gástrico chama-se de quimo. O</p><p>período de tempo que o alimento permanece no estômago depende do tipo e</p><p>consistência do alimento e da espécie animal em questão. Os carnívoros esvaziam</p><p>rapidamente o estômago, geralmente antes da refeição seguinte, enquanto os herbívoros</p><p>levam mais tempo. Tanto o cavalo quanto o porco necessitam todo um dia de jejum para</p><p>esvaziar um estômago cheio.</p><p>O Estômago Dos Ruminantes: O rúmen e o retículo do bovino adulto sofrem uma</p><p>seqüência complicada de contrações, que se repetem em freqüências variáveis, descritas</p><p>como 1,8 por minuto em vacas em repouso e 2,3 por minuto em vacas ruminando e 2,8 em</p><p>vacas comendo. A ruminação é um processo que permite ao animal ingerir o alimento</p><p>rapidamente, completando a mastigação mais tarde. Este mecanismo envolve a</p><p>regurgitação do alimento (retorno do alimento à boca), remastigação, reinsalivação e,</p><p>finalmente, a re-deglutição. A regurgitação é a única etapa que difere significativamente</p><p>das outras e é precedida pela contração do retículo; a remastigação ocorre de maneira</p><p>mais lenta do que a inicial. O bolo formado após a regurgitação é deglutido de maneira</p><p>normal, penetrando diretamente no rúmen em sua maior parte. O fechamento da goteira</p><p>esofágica parece ser reflexo e é responsável pela passagem direta do leite para o</p><p>27</p><p>abomaso, sem passar pelo rúmen. Isto é muito importante para animais jovens. O omaso</p><p>retira a parte líquida da ingesta, moi razoavelmente os sólidos e movimenta a ingesta em</p><p>direção ao abomaso. O abomaso assemelha-se ao estômago simples dos monogástricos.</p><p>Intestino Delgado: Os movimentos intestinais são semelhantes para ruminantes e</p><p>não ruminantes. Além de movimentarem a ingesta através do intestino, tais movimentos</p><p>promovem a mistura com sucos digestivos (suco pancreático entérico e biliar), fazendo a</p><p>ingesta entrar em contato com as paredes do órgão, promovendo maior absorção dos</p><p>nutrientes e auxiliando a circulação sangüínea e linfática.</p><p>Intestino Grosso: Os movimentos do cólon são lentos, mas misturadores e</p><p>propulsores, promovendo também maior contato com as paredes e aumentando a</p><p>absorção. As ondas peristálticas lentas, como as do intestino delgado, estão quase</p><p>ausentes e movimentos maciços propelem o conteúdo fecal em direção ao ânus,</p><p>ocorrendo poucas vezes por dia.</p><p>Degradação dos Alimentos e Absorção dos Nutrientes: Nenhum alimento é</p><p>absorvido antes de alcançar o estômago e poucos aí são absorvidos, mesmo após a</p><p>digestão gástrica. As proteínas e os carboidratos são digeridos apenas parcialmente no</p><p>estômago, as gorduras sendo apenas ligeiramente hidrolisadas</p><p>antes que os alimentos</p><p>penetrem no intestino. A maior parte da absorção ocorre no intestino delgado de todos os</p><p>animais, particularmente nos carnívoros e onívoros.</p><p>A absorção no intestino grosso é mais importante nos herbívoros de estômago</p><p>simples (por exemplo, coelhos e eqüinos) já que a maior parte da digestão se faz no cólon</p><p>e obviamente as substâncias não podem ser absorvidas antes de ser digeridas. Pequenas</p><p>quantidades de água são absorvidas no intestino grosso de todos os animais.</p><p>Os compartimentos anteriores do estômago dos ruminantes (rúmen, retículo e</p><p>omaso) demonstram absorver substâncias variadas, sais de sódio e potássio, carbonatos e</p><p>cloretos de várias substâncias e produtos finais da digestão, incluindo a glicose e os ácidos</p><p>graxos de cadeia curta (acético, propiônico e butírico).</p><p>A mucosa intestinal não pode absorver em nenhuma extensão grandes</p><p>moléculas de carboidratos, proteínas ou gorduras. No entanto, os produtos finais da</p><p>digestão (açúcares simples, aminoácidos, ácidos graxos e glicerol) de tais substâncias</p><p>atravessam bastante rapidamente a mucosa, indo para a corrente sangüínea ou linfática.</p><p>9.3 - SISTEMA DIGESTÓRIO DAS AVES</p><p>Nas aves o tubo digestivo é completo, apresentando algumas diferenças</p><p>básicas em relação aos mamíferos. Seu tubo digestivo está divido em:</p><p>Boca – destituída de dentes e lábios, porém provida de bico. A função da boca</p><p>das aves é a preensão dos alimentos. A umidificação do alimento se dará no papo.</p><p>Esôfago – tal como nos mamíferos, é um tubo comum ao alimento e ao ar.</p><p>Inglúvio (Papo) – dilatação ao nível do esôfago, onde os alimentos são</p><p>armazenados e umedecidos;</p><p>Proventrículo – primeira divisão do estômago, onde é secretado o suco gástrico</p><p>com enzimas;</p><p>Moela – segunda divisão do estômago, muito musculosa e que mói</p><p>completamente os alimentos, com a ajuda de pedras e areia que o animal ingere;</p><p>28</p><p>Intestino – Local onde ocorre a absorção dos nutrientes e onde são lançados os</p><p>sucos produzidos pelo pâncreas e pelo fígado;</p><p>Anus – Localizado na cloaca, não abrindo diretamente para o exterior.</p><p>As aves não possuem bexiga urinária, eliminando sólidos e líquidos</p><p>conjuntamente. A eliminação constante das fezes facilita amplamente o vôo para aquelas</p><p>que dependem dele.</p><p>FIG. 2 – Representação gráfica do Sistema Digestório de uma ave.</p><p>10. O Sistema Reprodutor Dos Animais Domésticos</p><p>10.1 - ANATOMIA DO SISTEMA REPRODUTOR FEMININO</p><p>A reprodução na fêmea é um processo complexo, que envolve todo o corpo do</p><p>animal. O sistema reprodutor feminino é formado de dois ovários, duas trompas, útero,</p><p>vagina e vulva. O óvulo é produzido (ovogênese)no ovário e expelido (ovulação), sendo</p><p>então recolhido pelo infundíbulo e carreado para as trompas, onde normalmente ocorre a</p><p>fertilização, durante a passagem do óvulo desde o ovário até o útero. Dentro do útero, o</p><p>óvulo fertilizado desenvolve-se em embrião, depois em feto e finalmente passa para o</p><p>exterior uterino através da vagina e da vulva, como recém nascido.</p><p>Os Ovários: São órgãos primários (fundamentais) para reprodução na fêmea,</p><p>exatamente como os testículos no macho. Produzem hormônios que são absorvidos</p><p>diretamente pela corrente sangüínea e também óvulos. Os ovários são duas glândulas</p><p>localizadas atrás dos rins, um do lado direito e outro do lado esquerdo. Apresentam forma</p><p>de amêndoa, embora possam variar de formato e tamanho conforme a espécie. A</p><p>superfície externa dos ovários é composta de epitélio germinativo, ou células sexuais</p><p>primárias, que vão originar os folículos que, ao amadurecerem, darão origem aos óvulos.</p><p>Em cada período de cio um ou mais folículos se desenvolvem com maior rapidez do que os</p><p>29</p><p>outros, de modo a liberar os óvulos, um ou mais conforme a espécie seja unípara (espécies</p><p>cujas fêmeas produzem apenas um filhote por parto, ex: vaca, égua) ou plurípara.</p><p>(espécies cujas fêmeas produzem mais de um filhote por parto, ex: porca, coelha). Os</p><p>folículos que não liberaram óvulos involuem depois de um tempo. Após a liberação do</p><p>óvulo, no local forma-se o corpo lúteo, ou corpo amarelo.</p><p>FIG 3 – Vista Lateral do Sistema Reprodutor de uma vaca. 1 – ovário, 2 – infundíbulo, 3 –</p><p>Trompa (oviduto), 4 – útero, 5 – Cérvix, 6 – vagina, 7 – vulva, 8 – ureter, 9 – bexiga, 10 –</p><p>meato urinário, 11 – reto.</p><p>As Trompas: Também chamados de ovidutos ou trompas de falópio, são dois</p><p>tubos pares, que conduzem os óvulos de cada ovário para o respectivo corno uterino e</p><p>também servem de local para a fertilização (normalmente no primeiro terço do tubo). A</p><p>parte mais próxima do ovário é alargada e forma uma espécie de funil, chamado</p><p>infundíbulo.</p><p>O Útero: É formado por um corpo, um cérvix(colo) e dois cornos. O cérvix é um</p><p>esfíncter que liga o útero à vagina. Durante o estro a cérvix se relaxa, permitindo que os</p><p>espermatozóides entrem no útero. É no útero que se desenvolve a gestação e, durante a</p><p>prenhez a cérvix se fecha, produzindo um tampão mucoso que protege o feto do meio</p><p>externo.</p><p>A Vagina: É a porção do canal de parto que está localizada no interior da pélvis,</p><p>entre o útero e a vulva. Também serve como revestimento para o acolhimento do pênis</p><p>durante a cópula, e é o local onde ocorre a ejaculação.</p><p>30</p><p>A Vulva: É a porção externa da genitália feminina, que se estende da vagina</p><p>para o exterior. A parte inferior da vulva esconde o clitóris, que tem a mesma origem</p><p>embrionária do pênis, no macho.</p><p>10.2 - FISIOLOGIA DO SISTEMA REPRODUTOR FEMININO</p><p>Puberdade: É o período durante o qual os órgãos reprodutores tornam-se</p><p>funcionais e caracteriza-se pelo surgimento dos primeiros folículos e, consequentemente, o</p><p>primeiro cio. A idade em que as fêmeas atingem a maturidade sexual varia de uma</p><p>espécie para a outra. É influenciada pela raça, pelas condições climáticas, pelo estado</p><p>nutricional da fêmea, hereditariedade e por muitos outros fatores.</p><p>Ovogênese, Ovulação e Formação do Corpo Lúteo: A célula sexual primária</p><p>resulta em um único óvulo maduro. À medida que os folículos ovarianos se desenvolvem,</p><p>formam uma protuberância e finalmente se rompem. O líquido folicular e o óvulo são</p><p>expelidos para próximo do infundíbulo do oviduto, completando o processo de ovulação.</p><p>Cada folículo que se rompe é substituído por um corpo lúteo, formado sob influência do</p><p>hormônio LH (hormônio Luteinizante) e se projeta da superfície do ovário. Se o óvulo não é</p><p>fertilizado o corpo lúteo regride e desaparece, deixando apenas uma cicatriz, caso</p><p>contrário, o corpo lúteo pode permanecer durante todo o período de gestação, com a</p><p>função inicial de produzir o hormônio chamado progesterona, essencial à manutenção da</p><p>prenhez. Caso não ocorra a involução do corpo lúteo em caso de não fertilização, pode</p><p>gerar uma falsa aparência de prenhez e infertilidade temporária.</p><p>O Ciclo Estral: As fêmeas entram em cio a intervalos claramente regulares. Este</p><p>intervalo entre o início de um período de cio até o início do próximo é denominado de</p><p>ciclo estral e varia de espécie para espécie. O ciclo estral é controlado diretamente pelos</p><p>hormônios ovarianos e pelos hormônios do lobo anterior da hipófise (FSH – hormônio Folículo</p><p>Estimulante e LH – Hormônio Luteinizante). Este Ciclo é dividido em quatro fases bem</p><p>distintas: pró-estro, estro, metaestro e diestro.</p><p>Pró-Estro: Considerada a fase de “crescimento”, onde o folículo ovariano,</p><p>juntamente com seu óvulo, aumenta de tamanho. Neste momento o aparelho reprodutor</p><p>está sob ação dos hormônios FSH (folículo estimulante) e estrogênio, e ocorre o início da</p><p>produção do LH. Há um aumento na vascularização e crescimento das células da genitália</p><p>tubular, em preparação para o estro e subseqüente prenhez.</p><p>Estro: É o período de receptividade sexual da fêmea. Durante este período</p><p>ocorre a ovulação, induzida pela redução dos níveis de FSH e aumento dos níveis de LH no</p><p>sangue. O estro termina, aproximadamente, quando ocorre a ruptura do folículo ovariano,</p><p>ou ovulação. Durante este período o(s) óvulo(s) é(são)</p><p>expelido(s) e passa(m) para a parte</p><p>superior da trompa uterina. Os principais sintomas de cio que a fêmea apresenta são:</p><p>presença de muco cristalino, imobilidade ao ser montada, vulva edematosa, inquietação,</p><p>afasta-se do rebanho, monta sobre as outras vacas, reduz a ingestão de água e de</p><p>alimentos, urina com mais freqüência, vocaliza mais do que o normal, entre outros...</p><p>Metaestro: É a fase pós ovulatória, durante a qual o corpo lúteo funciona. Nesta</p><p>fase há redução do nível de estrogênio e aumento da progesterona, que inibe o</p><p>desenvolvimento de novos folículos. Se houver prenhez, o corpo lúteo será importante na</p><p>implantação do óvulo fecundado no útero e para o desenvolvimento dos alvéolos da</p><p>glândula mamária.</p><p>Diestro E Anestro: O diestro é um período curto de inatividade entre um ciclo</p><p>estral e outro. É a fase do corpo lúteo funcional, com alta produção de progesterona. O</p><p>anestro é um período longo entre dois períodos de reprodução. Se houver prenhez, o</p><p>anestro dura todo o período de gestação (anestro gestacional) e o corpo lúteo</p><p>31</p><p>permanece intacto por todo ou durante a maior parte do período. Se o óvulo não for</p><p>fecundado, o corpo lúteo involui, deixando uma pequena cicatriz. Uma fêmea pode entrar</p><p>em anestro sem apresentar prenhez e, neste caso, o anestro pode ser patológico</p><p>(decorrente de alguma doença) ou nutricional (decorrente de nutrição inadequada ou</p><p>insuficiente).</p><p>Prenhez: Caracteriza-se pela fase de desenvolvimento do óvulo fecundado até</p><p>o nascimento do bezerro. O período de gestação varia conforme a espécie e a raça. O</p><p>intervalo entre partos, que é o período que vai de um parto ao seguinte, é uma medida</p><p>importante na manutenção da fertilidade de um rebanho.</p><p>10.3 – CICLO REPRODUTIVO DAS FÊMEAS MAMÍFERAS</p><p>ESPÉCIE Idade à</p><p>puberdad</p><p>e</p><p>Duração do</p><p>Ciclo</p><p>Estral(intervalo</p><p>entre cios)</p><p>Duração</p><p>do Estro</p><p>(Cio)</p><p>Gestação</p><p>(média)</p><p>Momento</p><p>ideal</p><p>cobertura/IA</p><p>1ª cobertura</p><p>após o parto</p><p>Eqüinos</p><p>(Égua)</p><p>18 meses 21 dias 5 dias 336 dias 2o ou 3o dia</p><p>do cio</p><p>25 – 35 dias</p><p>(2o cio)</p><p>Bovinos</p><p>(Vaca)</p><p>8 – 18</p><p>meses</p><p>21 dias 18 horas 283 – 295</p><p>dias</p><p>12 horas</p><p>após início</p><p>do cio.</p><p>60 – 90 dias</p><p>Ovinos</p><p>(ovelha)</p><p>4 – 12</p><p>meses</p><p>16,5 dias</p><p>(sazonal)</p><p>24 – 48</p><p>horas</p><p>150 dias 18 – 24 horas</p><p>após início</p><p>do cio</p><p>Próximo cio</p><p>Caprinos</p><p>(cabra)</p><p>4 – 7</p><p>meses</p><p>21 dias</p><p>(sazonal)</p><p>36 horas 150 dias 18 – 24 horas</p><p>após início</p><p>do cio</p><p>Próximo cio</p><p>Suínos</p><p>(porca)</p><p>4 – 7</p><p>meses</p><p>21 dias 2 dias 114 dias 12 – 30 horas</p><p>após início</p><p>do cio</p><p>Primeiro cio</p><p>(3 – 9 dias</p><p>pós-</p><p>desmame)</p><p>Coelhos</p><p>(coelha)</p><p>5 – 6</p><p>meses</p><p>16 dias 12 dias 30 dias Entre 5o e 10o</p><p>dia do cio</p><p>A partir de 10</p><p>dias</p><p>Cães</p><p>(cadela)</p><p>6 – 24</p><p>meses</p><p>6 – 12 meses 9 – 15 dias 58 – 64 dias Após 8o dia</p><p>do cio</p><p>Primeiro cio</p><p>10.4 - ANATOMIA DO SISTEMA REPRODUTOR MASCULINO</p><p>O aparelho genital masculino está em íntima relação com o sistema urinário.</p><p>Consiste em dois testículos contidos na bolsa escrotal, órgãos acessórios, ductos e glândulas</p><p>e o pênis. Os testículos produzem os espermatozóides (células sexuais masculinas) e a</p><p>testosterona (hormônio sexual masculino). O escroto propicia o ambiente favorável de uma</p><p>temperatura mais baixa para a produção de espermatozóides. As estruturas restantes</p><p>auxiliam os espermatozóides a alcançarem seu objetivo final - o óvulo da fêmea - em uma</p><p>condição tal que permita a sua fecundação. Estas estruturas incluem o epidídimo e ducto</p><p>deferente de cada testículo, glândulas sexuais acessórias (vesículas seminais, próstata e</p><p>glândulas bulbo uretrais), a uretra e o pênis.</p><p>32</p><p>FIG 4 – Vista lateral do Sistema Reprodutor de um touro. 1 – testículo, 2 – bolsa escrotal, 3 –</p><p>epidídimo, 4 – canal deferente, 5 – ampola, 6 – vesículas seminais, 7 – próstata, 8 –</p><p>glândulas bulbo-uretrais, 9 – músculo ísquio-cavernoso, 10 – flexura sigmóide, 11 – músculo</p><p>retrator do pênis, 12 – glande, 13 – prepúcio, 14 – bexiga, 15 – reto.</p><p>Os Testículos: São em número de dois e apresentam forma ovóide, variando a</p><p>forma o tamanho e a localização conforme a espécie considerada. São formados na</p><p>cavidade abdominal descendo para bolsa escrotal durante a fase fetal ou logo após o</p><p>nascimento. Um animal cujo testículo que apresente deficiência em descer chama-se</p><p>criptorquida. Se ambos os testículos permanecem na cavidade abdominal, é muito</p><p>provável o animal ser estéril e é chamado de anorquida. Cada testículo consiste em uma</p><p>massa de túbulos seminíferos, circundada por uma espessa cápsula fibrosa - a túnica</p><p>albugínea. São responsáveis pela produção de espermatozóides e de hormônio masculino</p><p>“testosterona”.</p><p>O Epidídimo: Os espermatozóides passam dos túbulos seminíferos através do</p><p>ducto aferente para a cabeça do epidídimo, que é um tubo tortuoso, bastante extenso,</p><p>que conecta o ducto aferente do testículo com o ducto deferente. O epidídimo atua</p><p>como um local para o amadurecimento dos espermatozóides antes de serem expelidos</p><p>pela ejaculação. Ao abandonarem os testículos, os espermatozóides ainda estão imaturos,</p><p>devendo sofrer um período de maturação no interior do epidídimo para se tornarem</p><p>capazes de fecundar o óvulo.</p><p>O Ducto Deferente: É um tubo muscular que, no momento da ejaculação,</p><p>propele os espermatozóides do epidídimo para o ducto ejaculatório, na uretra prostática.</p><p>A Bolsa Escrotal: É um saco cutâneo que se ajusta em tamanho, formato e</p><p>localização aos testículos que contém. A pele escrotal é delgada, flexível e relativamente</p><p>desprovida de pêlos. O septo escrotal divide o escroto em dois compartimentos, um para</p><p>cada testículo.</p><p>33</p><p>Glândulas Sexuais Acessórias: Estas glândulas são responsáveis pela produção de</p><p>maior parte do material ejaculado, ou sêmen, que atua como transportador de esperma,</p><p>como meio favorável para a nutrição e como um tampão contra o excesso de acidez do</p><p>trato genital feminino.</p><p>� Vesículas Seminais: São glândulas em par, que desembocam no interior da</p><p>uretra, responsáveis pela produção do líquido seminal.</p><p>� Próstata: Glândula ímpar, que circunda a uretra de modo quase completo.</p><p>Produz uma secreção alcalina que ajuda a propiciar o odor característico do sêmen.</p><p>� Glândulas Bulbo-uretrais (De Cowper): Pequenas glândulas pares, localizadas</p><p>ao lado da uretra, também produtoras de secreções componentes do líquido seminal.</p><p>O Pênis: É o órgão masculino da cópula e pode ser dividido em três regiões</p><p>principais: a glande, ou extremidade livre; o corpo, ou porção principal; e as duas cruras,</p><p>ou raízes, que se fixam à pélvis. A estrutura interna do pênis é o corpo cavernoso (tecido</p><p>erétil). O corpo esponjoso do pênis é uma continuação do tecido erétil do bulbo peniano.</p><p>O Prepúcio: É uma dobra de pele invaginada, que circunda a extremidade livre</p><p>do pênis (glande).</p><p>10.5 - FISIOLOGIA DO SISTEMA REPRODUTOR MASCULINO</p><p>Ereção: A ereção do pênis antes da cópula ocorre quando entra mais sangue</p><p>no pênis, pela artéria local, do que sai pelas veias. É necessária para permitir a penetração</p><p>do pênis na vagina da fêmea.</p><p>Ejaculação: É um reflexo que possibilita o esvaziamento do epidídimo, uretra e</p><p>glândulas sexuais acessórias do macho. É comumente causada pela estimulação da</p><p>glande, seja natural ou artificialmente, podendo também ser causada por estimulação</p><p>retal.</p><p>Espermatogênese: As células sexuais masculinas primárias estão em constante</p><p>divisão e, à medida que novas células são formadas elas migram em direção à luz (interior</p><p>dos túbulos) desenvolvem cauda e tornam-se espermatozóides. Ocorre no interior dos</p><p>testículos.</p><p>Os Espermatozóides: Os espermatozóides são células germinativas que, após sua</p><p>maturação, ocorrida durante sua passagem pelo epidídimo, tem a capacidade de</p><p>fecundar um óvulo. Eles consistem de uma cabeça, peça intermediária e cauda. O</p><p>material genético necessário à fecundação está contido na cabeça, a peça intermediária</p><p>é fonte de energia para a movimentação do espermatozóide e a cauda produz oscilações</p><p>que movimentarão o espermatozóide em sua trajetória.</p><p>O movimento no interior do</p><p>organismo masculino é totalmente passivo.</p><p>10.6 - O SISTEMA REPRODUTOR DAS AVES</p><p>Até o 7º dia do desenvolvimento embrionário não existe diferenciação entre</p><p>macho e fêmea. A sexagem de pintos de um dia é um trabalho delicado, uma vez que</p><p>apenas os caracteres sexuais secundários são facilmente visíveis e estes só se desenvolvem</p><p>amplamente próximo à maturidade sexual. Quando feita pelo exame da cloaca, é</p><p>dispendiosa, lenta e difícil. Desta forma, os melhoristas genéticos, através do gene do</p><p>empenamento diferenciado simplificaram esta tarefa e hoje as linhagens industriais podem</p><p>ser sexadas logo após a eclosão, de acordo com as diferenças do empenamento. Nas</p><p>Fêmeas as penas primárias da asa são mais longas do que as de cobertura. Nos machos as</p><p>primárias são mais curtas ou do mesmo tamanho.</p><p>34</p><p>Fêmeas</p><p>As fêmeas das aves domésticas possuem apenas um ovário e um oviduto,</p><p>situados do lado esquerdo. O oviduto só começa a se desenvolver a partir do 4º dia de</p><p>incubação e o ovário direito cessa o crescimento a partir do 8º dia, regredindo. Até o 13º</p><p>dia o oviduto não apresenta ligação com a cloaca. Uma galinha já nasce com</p><p>aproximadamente 2.000 (dois mil) óvulos.</p><p>Oviduto – tubo estreito que vai do ovário até a cloaca. Mede aproximadamente</p><p>70cm e pesa 40g. É sustentado por uma prega peritonial dividida em dois ligamentos de</p><p>músculos lisos.</p><p>� Infundíbulo – é uma parte do oviduto em forma de funil sem dobras na</p><p>mucosa. Na base existem invaginações que contém nichos espermáticos cuja função é</p><p>captar os folículos maduros. Ele recebe a gema (óvulo) e adiciona uma camada fluída</p><p>interna e chalazas (trançadas) devido ao movimento de rotação da gema. O tempo de</p><p>permanência do ovo no infundíbulo é de aproximadamente 15 min.</p><p>� Magno – é a parte mais longa do oviduto, cheia de pregas, rica em</p><p>células secretoras. Na imaturidade mede por volta de 12 cm e em atividade de produção</p><p>chega a medir 70 cm. Sua função é a formação do albúmen – produz as camadas densa e</p><p>fluída do albúmen – e o tempo de permanência do ovo neste local é de</p><p>aproximadamente 3h 45 min.</p><p>� Istmo – menor porção do oviduto (10-15 cm) e tem como função a</p><p>formação das camadas interna e externa do ovo, completar a parte final da camada</p><p>externa do albúmen. Tempo de permanência 1h 30 min às 1h 45 min.</p><p>Útero – também chamado de Câmera calcígera ou glândula da Casca. Sua</p><p>função é a formação da casca do ovo. Tempo de permanência 18-22h. Neste órgão o ovo</p><p>recebe cobertura de carbonato de cálcio, proteínas, pigmentos, cutícula e outros</p><p>componentes da casca. O ovo é então expelido pelas contrações da musculatura lisa.</p><p>Vagina – região curta, local de passagem do ovo até a cloaca. Sua principal</p><p>função é a deposição da camada protetora de muco sobre a casca.</p><p>Formação da gema do ovo – há 3 hormônios hipofisários agindo nas aves: o FSH</p><p>que regula o crescimento dos folículos do ovário e sua atividade secretora; o LH que atua</p><p>no desenvolvimento do ovário, na secreção de hormônios esteroidianos e na ovulação e a</p><p>PROLACTINA que intervém nos fenômenos do choco.</p><p>Hormônios secretados pelo ovário –</p><p>� Estrógenos – secretados 2 semanas antes da maturidade sexual. Função:</p><p>crescimento do oviduto, síntese de proteínas e lipídeos da gema, transporte de</p><p>lipoproteínas da clara no magno, formação do osso medular e aumento da retenção fosfo-</p><p>cálcico, postura, desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários e afastamento dos</p><p>ossos pélvicos.</p><p>� Progesterona – função: controlar o ritmo da ovulação e da postura agindo</p><p>na liberação de LH pelo hipotálamo e atuar nas contrações do útero.</p><p>� Andrógenos – papel limitado na fêmea. Função: crescimento de crista e</p><p>caracteres sexuais secundários (desenvolvimento do osso medular e oviduto)</p><p>35</p><p>Machos</p><p>Testículos – localizam-se na região abdominal, em frente aos rins, na altura da</p><p>área lombo-sacral da coluna vertebral. São pares, sendo o esquerdo maior do que o</p><p>direito. Peso de 1% do peso corporal. Apresentam coloração cinza quando imaturos e</p><p>brancos quando em atividade. Função: produzir espermatozóides e armazenar sêmen.</p><p>Epidídimo – é a maior porção do testículo. Difere do equivalente nos mamíferos</p><p>por ser curto e não dividido em cabeça corpo e cauda. É formado por milhares de tubos</p><p>convolutos, denominados túbulos seminíferos.</p><p>Ducto ou canal deferente – extenso tubo enovelado que percorre toda a</p><p>extensão do abdômen.</p><p>Aparelho copulatório – localizado na porção ventral da cloaca, não sendo</p><p>visível nos estados de repouso. É constituído por um par de papilas ou ductos deferentes,</p><p>um par de corpos vasculares, um falo e um par de pregas linfáticas. Não possui pênis,</p><p>possui um falo erétil composto por corpo fálico mediano que é um órgão copulatório</p><p>rudimentar; corpo fálico lateral constituído de pregas redondas e pregas linfáticas que</p><p>ficam eretas durante a excitação. Não existem glândulas genitais acessórias nas aves.</p><p>Cloaca – é composta por 3 segmentos separados entre si por pregas: Coprodeo,</p><p>urodeo e proctodeo.</p><p>Sêmen – 3,5 milhões de células espermáticas mm3. O volume varia de 0,5 a 1,1 ml</p><p>/ ejaculação e a vida útil do sêmen no oviduto é de aproximadamente 30dias. A</p><p>fertilização do ovo se dá 24h antes do ovo ser posto.</p><p>11. Os Sexos e a Neutralização Sexual</p><p>11.1 – DIMORFISMO SEXUAL</p><p>Dimorfismo sexual corresponde às diferenças de caracterização dos indivíduos</p><p>determinadas pelo sexo. Cada sexo apresenta características próprias que o distingue do</p><p>outro sexo.</p><p>Esses caracteres, chamados sexuais, se dividem em dois grupos:</p><p>a)Caracteres sexuais primários (ou caracteres genitais), que são os órgãos</p><p>genitais correspondentes a cada sexo, e</p><p>b)Caracteres sexuais secundários (ou caracteres sexuais), que são aqueles que,</p><p>sem propriamente determinarem o sexo, têm uma relação fisiológica com os primeiros e</p><p>dão a cada sexo uma caracterização própria.</p><p>Os caracteres genitais (primários) são constituídos pelos órgãos genitais mesmos</p><p>da geração: glândulas germinais ou gônadas e órgãos anexos. Os caracteres sexuais</p><p>(secundários) são, de certo modo, uma conseqüência da atividade dos caracteres genitais</p><p>e, por isso, sua plenitude, se verifica quando o animal atinge a idade adulta. São de</p><p>natureza morfológica e fisiológica se desenvolvendo em correspondência com as</p><p>glândulas sexuais.</p><p>11.2 - OS CARACTERES SEXUAIS (SECUNDÁRIOS)</p><p>A diversificação dos indivíduos consoante aos sexos, ou dimorfismo sexual, varia</p><p>muito com as espécies consideradas, sendo mais acentuada em umas do que em outras.</p><p>36</p><p>As espécies domésticas mais importantes podem ser seriadas quanto ao seu dimorfismo</p><p>sexual, desde aquelas nas quais a diferenciação entre machos e fêmeas é maior, até as de</p><p>menor diferenciação, assim: Galinha, Carneiro e Bovino, Cabra, Suíno, Peru, Cão, Cavalo,</p><p>Jumento, Gato, Pato e Marreco, Coelho e Cobaia. Nas aves, certas raças apresentam</p><p>maior dimorfismo sexual do que outras, dentro da mesma espécie, pela forma da</p><p>plumagem e até certo ponto pela sua coloração. Sem entrar na pormenorização de cada</p><p>espécie em particular, as modificações verificadas nos animais domésticos, e reguladas</p><p>pelo sexo, são as seguintes:</p><p>Morfologia - No que diz respeito ao formato e peso, a regra geral é ser o macho</p><p>maior e mais pesado do que a fêmea. Esta diferença é tanto menos pronunciada quanto</p><p>mais aperfeiçoada a raça. A seleção natural ocorre nos rebanhos criados extensivamente,</p><p>de tal maneira que persistem, preferencialmente, aqueles machos mais fortes, mais</p><p>valentes, ou seja, os maiores e mais pesados. Já na criação controlada pelo homem, a</p><p>seleção que ocorre é a artificial, promovendo a uniformização dos sexos, trazendo a</p><p>diminuição dessa diferença no porte e formato entre machos e fêmeas.</p><p>Em números, essa diferença é de 25 a 40% a favor dos machos, no caso das</p><p>Galinhas. No boi, essa diferença pode ir de 70 a 600 kg. Nos eqüinos a diferença é mínima,</p><p>assim como nos suínos, ovinos e caprinos. Nestas três há uma agravação</p><p>com a idade.</p><p>Quanto à ossatura, o esqueleto do macho se mostra mais forte, os ossos são</p><p>maiores e mais grossos, enquanto que a fêmea apresenta armação óssea mais delicada, o</p><p>que lhe dá feição mais esbelta. As fêmeas, embora não se mostrem com a bacia mais</p><p>larga, em absoluto, interiormente têm-na mais ampla, com maior capacidade. Com a</p><p>idade estabelece-se desequilíbrio entre quartos anteriores e posteriores: nos machos, os</p><p>anteriores se mostram com aparência mais desenvolvida do que os posteriores; nas fêmeas,</p><p>é o inverso que se verifica.</p><p>O crânio do macho é mais reduzido relativamente em comprimento, contudo se</p><p>apresenta mais largo. Na fêmea, mostra-se mais estreito e alongado. Os chifres são mais</p><p>fortes e mais grossos no macho e, em certas espécies, são atributos deste sexo: Carneiros e</p><p>Cabras são exemplos, com exceção de algumas raças de ovinos que são totalmente</p><p>mochas.</p><p>As defesas, geralmente, são mais pronunciadas nos machos: esporão, caninos,</p><p>etc., inclusive os chifres já referidos.</p><p>Formato, esqueleto, e músculos dão, no macho, feição de masculinidade ou</p><p>virilidade, como se diz. Enquanto que a fêmea, pelo seu formato menor, pela sua</p><p>conformação às vezes angulosa, pelo esqueleto mais fino e reduzido, pela menor</p><p>musculatura, mostra feição feminina ou feminil. O macho tem a parte anterior do corpo</p><p>mais desenvolvida, enquanto que a fêmea já possui mais desenvolvidos os quartos traseiros</p><p>denotando maior abertura de bacia (necessária para facilidade no parto).</p><p>O órgão de lactação é bem desenvolvido nas fêmeas enquanto que nos</p><p>machos existe em forma muito rudimentar.</p><p>A coloração do macho é mais escura, mais carregada e, a pele, se apresenta</p><p>mais grossa, mais dura, mais pilosa, mais rica em glândulas sudoríparas, mais untuosa</p><p>quando comparado com a fêmea: os machos têm cheiro ativo, característico.</p><p>A barbela se mostra mais desenvolvida no touro do que na vaca, faltando nesta,</p><p>algumas vezes. No caso dos zebuínos, além da barbela ser bem maior, há que considerar</p><p>ainda o umbigo e principalmente a giba, bem mais desenvolvidos nos machos.</p><p>37</p><p>Fisiologia - Com respeito à fisiologia da pele, o macho apresenta secreções mais</p><p>abundantes, como já foi colocado, donde o seu cheiro particular, ativo. No macho há</p><p>maior consumo de alimentos: ele queima mais combustível do que a fêmea, durante o</p><p>mesmo espaço de tempo, originando, por isso, mais resíduos.</p><p>A circulação do sangue é mais ativa no macho, e seu sangue é mais rico em</p><p>hemoglobina, o quer concorda com um consumo maior de alimentos. Por isso tudo a</p><p>fêmea apresenta um organismo mais resistente à fome, à deficiência ou irregularidade na</p><p>alimentação, mostrando-se quase sempre mais manteúda, salvo quando em aleitamento.</p><p>A voz também pode apresentar variação entre os sexos como ocorre com o</p><p>galo (cantar), o pato (grasnar), o cavalo (relinchar), o touro (mugir). Já no carneiro, suíno e</p><p>no cão a distinção entre sexos não é tão evidente.</p><p>O “temperamento”, no macho, é mais vivo e excitável. A fêmea é mais dócil,</p><p>mais mansa, mais sociável. Pelo seu temperamento os reprodutores tornam-se perigosos,</p><p>agressivos e bravios.</p><p>Quanto ao rendimento zootécnico, o macho apresenta vantagem em algumas</p><p>funções zootécnicas, principalmente naquelas em que a força ou massa muscular são</p><p>consideradas. A fêmea é um pouco mais precoce do que o macho. A função velocidade</p><p>que, à primeira vista pareceria ser característica mais favorável aos machos, normalmente</p><p>é comparável nos dois sexos e, às vezes, pode ser favorável à fêmea.</p><p>11.3 - ORIGEM DOS CARACTERES SEXUAIS</p><p>A maioria dos caracteres sexuais, pelo menos aqueles mais evidentes, tem sua</p><p>origem numa correlação fisiológica entre eles e os órgãos genitais, ou melhor, entre eles e</p><p>certas secreções de tais órgãos. Começam a se manifestar já nos animais novos, de modo</p><p>mais ou menos discreto ou velado, de tal maneira que dificulta, senão impede (em</p><p>algumas espécies) a separação dos indivíduos, de tenra idade, baseada neles. Na</p><p>puberdade pronunciam-se e somente na plena maturidade, quando o indivíduo</p><p>completou seu desenvolvimento, é que T6em concluída sua manifestação, com o</p><p>funcionamento ativo das glândulas sexuais.</p><p>A manifestação dos caracteres sexuais pode tornar-se imperfeita se o macho ou</p><p>a fêmea forem retardados em sua reprodução. É com as funções genésicas normalizadas</p><p>que se processa o pleno desenvolvimento do corpo do animal e, portanto, nessa condição</p><p>é que macho e fêmea adquirem todos seus atributos sexuais. Impedir a manifestação das</p><p>funções genésicas pode acarretar embaraço na plena formação de tais caracteres. Uma</p><p>fêmea, que nunca procriou, conserva de alguma maneira, certos caracteres neutros da</p><p>puberdade. O macho, em grau mais atenuado, pode também não apresentar uma</p><p>manifestação completa de seus atributos sexuais, se nunca fecundou, se seu aparelho</p><p>genital não entrou em regular e normal funcionamento. Fecundar e ser fecundado, isto é,</p><p>fazer funcionar seus órgãos genitais, é a garantia mais completa para o aparecimento dos</p><p>caracteres sexuais secundários, pelos quais a diferenciação entre macho e fêmea se torna</p><p>fácil, mesmo naquelas espécies de mais difícil distinção.</p><p>Do funcionamento das glândulas sexuais - testículos e ovários - é que depende o</p><p>aparecimento dos caracteres secundários da sexualidade. Fisiologicamente se explica o</p><p>fenômeno dizendo que essas glândulas, quando em funcionamento, produzem secreções</p><p>que provocam esse dimorfismo. São os “hormônios”, que têm uma ação decisiva sobre a</p><p>conformação do animal.</p><p>As influências hormônicas (ou hormonais) variam em intensidade e em qualidade</p><p>no processo de caracterização do indivíduo. Por isso, os sexos embora opostos possam</p><p>apresentar-se ora mais afastados, ora mais aproximados em sua morfologia e fisiologia. Isto</p><p>38</p><p>é, há na realidade, transições entre macho e fêmea, podendo acontecer que os órgãos</p><p>do macho e da fêmea não se achem excluídos mutuamente no mesmo indivíduo. Em</p><p>outras palavras, a aproximação do indivíduo para este ou aquele sexo depende da</p><p>atividade harmônica. Podem coexistir, no mesmo indivíduo, os órgãos do macho e da</p><p>fêmea, como é o caso da galinha.</p><p>Estudando o efeito da castração, chegou-se aos que se sabe: os hormônios</p><p>determinantes dos caracteres sexuais secundários se originam nos testículos e ovários</p><p>caracterizando uma estreita ligação entre essas glândulas e caracteres sexuais. A</p><p>supressão do testículo, por exemplo, acarreta a regressão de certos caracteres dessa</p><p>natureza ou uma paralisação no seu desenvolvimento, dependendo da época e do modo</p><p>de operar essa supressão.</p><p>Por outro lado, a injeção de extratos dessas glândulas, em animais castrados,</p><p>demonstra a influência de tais substâncias na formação de certos caracteres próprios do</p><p>sexo. A partir de certo peso da glândula, o aparecimento e desenvolvimento desses</p><p>caracteres é completo, mas, abaixo de certa quantidade mínima não há nenhuma</p><p>manifestação. Por exemplo, num galo, quatro decigramas de testículo são suficientes para</p><p>se formarem todos seus atributos de macho. Este é o limiar hormônico (no caso do galo)</p><p>abaixo do qual continuarão ausentes aqueles caracteres de macho. Porém, se for</p><p>ultrapassada a massa limite de hormônios, não haverá exageração da masculinidade. Ou</p><p>é “tudo ou nada”.</p><p>O desenvolvimento e funcionamento das glândulas sexuais são comandados</p><p>pelos hormônios gonadotrópicos da hipófise anterior. Se por alguma razão a hipófise não</p><p>for funcional, não haverá definição sexual do indivíduo, suas glândulas sexuais não entrarão</p><p>em atividade e, consequentemente, não haverá a manifestação dos caracteres sexuais</p><p>secundários.</p><p>HIPÓFISE GÔNADAS CARACTERES SEXUAIS SECUNDÁRIOS</p><p>Fala-se numa predominância do hormônio testicular sobre o do ovário. No caso</p><p>dos gêmeos bissexuados da vaca, sabe-se que a fêmea (chamada freemartin) é estéril, e</p><p>apresenta uma conformação mais ou menos neutra. Isto resulta da mistura do sangue que</p><p>circula em ambos os fetos, devido à anastomose</p><p>dos vasos sangüíneos: daí uma influência</p><p>do hormônio masculino (produzido pelo feto masculino) sobre o feto feminino. Tal influência</p><p>não decorre do predomínio propriamente desse hormônio sobre o outro, mas devido à sua</p><p>formação antecipada. Formando-se primeiramente o hormônio masculino, este fica com a</p><p>vantagem de agir mais cedo sobre ambos os fetos. O feto masculino terá sua</p><p>caracterização de macho e, o feminino, uma aproximação do sexo oposto, indo até a</p><p>uma inibição do normal desenvolvimento da glândula correspondente, que se achava</p><p>ainda em fase atrasada de crescimento. Possivelmente trata-se de uma antecipação de</p><p>um hormônio sobre o outro.</p><p>A inter-sexualidade pode ser interpretada também como a falta de</p><p>predominância absoluta de um hormônio sexual sobre o outro. E ainda, que ela é causada,</p><p>não pela presença simultânea de células germinais masculinas e femininas, mas sim pela</p><p>presença de células de atividade hormônica, de ambos os sexos.</p><p>A origem dos hormônios sexuais está esclarecida. Nos machos, sabemos que o</p><p>tecido intersticial do testículo (células de Leydig) é o responsável pela formação do</p><p>hormônio masculino (testosterona). Estas células de Leydig, por essa razão, são chamadas</p><p>de “glândula da puberdade”. Dessa maneira, no testículo, está distinta a atividade dos</p><p>39</p><p>tecidos que o constituem: a função seminal ou externa é exercida pelos canais seminíferos:</p><p>a função endócrina pelo tecido intersticial.</p><p>Quanto aos hormônios femininos, os estrógenos, são produzidos pelo folículo de</p><p>Graaf. No ovário, o tecido folicular, de natureza epitelial, é formado pelos folículos de</p><p>Graaf, portadores de uma célula caracteristicamente diferenciada: o óvulo ou gameta</p><p>feminino. Já o tecido intersticial é constituído de células epitelióides, em grupos esparsos</p><p>entre as vesículas de Graaf. Quando o folículo termina seu desenvolvimento ou</p><p>amadurece, rompe-se libertando o óvulo e, no lugar da ruptura forma-se uma cicatriz, de</p><p>células especiais, que recebeu o nome de “corpo amarelo”, cuja função é produzir o</p><p>hormônio feminino.</p><p>Em resumo, formam-se no testículo e no ovário os hormônios, com marcada</p><p>influência sobre a caracterização dos indivíduos, de acordo com seu sexo. Tanto é assim</p><p>que se pode feminizar um macho castrado, com a implantação de um ovário ou com</p><p>injeções de hormônios femininos; assim como masculinizar uma fêmea castrada,</p><p>enxertando nela um testículo ou injetando-lhe hormônio masculino.</p><p>11.4 - MODIFICAÇÕES PROVOCADAS PELA CASTRAÇÃO</p><p>No sexo masculino, a castração também é chamada de emasculação e</p><p>provoca modificações morfológicas e fisiológicas.</p><p>Modificações morfológicas - O macho castrado apresenta os órgãos de</p><p>geração, tais como pênis, próstata e outras glândulas, menos desenvolvidos; as tetas se</p><p>mostram maiores e engrossadas.</p><p>O crescimento corporal prolonga-se até os 5 a 6 anos, no caso dos bovinos,</p><p>enquanto que os animais não emasculados o crescimento ocorre até os quatro anos e</p><p>meio, nos tardios. A altura é maior, os quartos traseiros são mais desenvolvidos. A bacia fica</p><p>mais ampla, quase tanto quanto a da fêmea. De modo geral, o corpo se apresenta mais</p><p>engrossado.</p><p>O crânio torna-se alongado e fino, os chifres maiores, razão por que não é</p><p>possível estudar a craniologia nos castrados. O efeito mais comum da castração é uma</p><p>tendência ao alongamento da cabeça, sobretudo ao nível da face. Os chifres dos bois se</p><p>alongam, mas não engrossam. A marrafa do boi é menos alta do que a do touro. Entre os</p><p>ovinos, quando os chifres são atributos do macho, apenas a castração impede seu</p><p>aparecimento ou faz paralisar seu desenvolvimento; mas, se são comuns aos dois sexos,</p><p>então os chifres dos castrados toma a conformação dos da fêmea.</p><p>Embora o esqueleto dos animais castrados possa ser maior, pesa menos e seus</p><p>ossos são menos densos.</p><p>As formações epidérmicas (inclusive as crinas) tornam-se mais finas, mais</p><p>abundantes e algo mais brilhante. A lã do carneiro castrado cedo é de peso intermediário</p><p>entre a do macho (tosão mais pesado) e a da fêmea (tosão mais leve). Qualitativamente</p><p>ela se aproxima da lã da ovelha. A pele afina-se, o couro consequentemente pesará</p><p>menos.</p><p>Nas aves, as modificações morfológicas refletem-se do seguinte modo. No galo,</p><p>verifica-se, com a castração, um decréscimo da crista e da barbela, que se mostram</p><p>também mais anêmicas e delgadas. Esses dois apêndices da cabeça não alcançam nem</p><p>o desenvolvimento do galo, nem o da galinha, parando na forma infantil.</p><p>A plumagem do capão não se altera, propriamente. Há apenas intensificação</p><p>de seu desenvolvimento, dentro das linhas masculinas; por exemplo, as penas caudais são</p><p>40</p><p>mais longas e de coloração mais viva, o que, de maneira geral, se dá com as demais</p><p>penas. Os esporões não são influenciados pela castração.</p><p>Quanto ao formato, o capão é maior, com maior largura corporal, talvez uns 25%</p><p>de peso a mais, o que é resultado de um acúmulo de gordura.</p><p>No sexo feminino, em geral as modificações morfológicas são menos</p><p>pronunciados do que aquelas verificadas nos machos. Quando jovem ainda, seus órgãos</p><p>genitais e anexos pouco se desenvolveram e, neste caso, até as glândulas mamárias.</p><p>Nos bovinos, a conformação da fêmea, precocemente ovariotomizada (ou</p><p>histerectomizada), assemelha-se a de um castrado, a de um boi, embora não atinja as</p><p>dimensões deste, ficando, todavia maior do que uma novilha de sua idade. As novilhas</p><p>estéreis, chamadas “maninhas”, apresentam-se com a forma de boi pequeno, todavia</p><p>mais cheias de carne, mais gordas e pesadas do que as novilhas normais de sua idade. A</p><p>cabeça da fêmea castrada alonga-se e afina-se semelhantemente ao que se dá com o</p><p>macho emasculado. Os chifres tornam-se mais grossos e maiores.</p><p>Nas aves, as fêmeas castradas apresentam modificações mais acentuadas do</p><p>que nas outras espécies. Ocorre uma influência especial sobre a plumagem que se torna</p><p>mais brilhante, e, além disso, aparecem rudimentos de esporões. O volume corporal da</p><p>galinha ovariotomizada aumenta, e esta se aproxima sensivelmente, em tudo, ao macho</p><p>neutralizado, chegando-se a estabelecer certa confusão entre ela e o capão. A marreca,</p><p>castrada cedo, adquire a plumagem do macho, inclusive as penas caudais eriçadas,</p><p>características do sexo masculino.</p><p>Modificações fisiológicas - As transformações fisiológicas do macho castrado são</p><p>apreciáveis, a começar pela nutrição geral; quase toda a fisiologia do animal é</p><p>influenciada, principalmente se a emasculação for completa. Os ovários e testículos são</p><p>órgãos que ajudam a regular o consumo da gordura pelo organismo e, sem eles, a gordura</p><p>tende a se acumular.</p><p>Além da influência direta dos hormônios sexuais sobre o metabolismo energético,</p><p>outras duas modificações, acarretadas pela castração, afetam a formação e a deposição</p><p>da gordura corporal: o temperamento calmo, linfático, do castrado e um aproveitamento</p><p>diferenciado da energia consumida pelo animal. As funções genésicas possuem uma</p><p>exigência própria de energia para sua realização, razão pela qual os animais inteiros</p><p>apresentar menores teores de gordura na carcaça. Por sua vez, o temperamento calmo é</p><p>uma fiança para a economia de energia corporal e, energia economizada é gordura que</p><p>se acumulará. Em alguns casos, a maior deposição de gordura corporal pode favorecer a</p><p>qualidade da carne, tornando-a mais macia e saborosa.</p><p>A voz também sofre modificações, por isso que no boi o mugido nada lembra o</p><p>gaitear do touro, vibrante e energético e, no cavalo castrado, quase desaparece o</p><p>relincho, tão próprio e denunciador do vigor genésico do garanhão. O capão também</p><p>perde o canto de galo e as demais atitudes psico-sexuais para com as galinhas. Nas outras</p><p>espécies, inclusive no marreco, não se dá nenhuma modificação quanto à voz, apenas</p><p>quanto ao comportamento psico-sexual, pois desaparece a corte às fêmeas.</p><p>As modificações fisiológicas nas fêmeas são reduzidas aos impulsos sexuais e às</p><p>suas conseqüências. O cio desaparece, o temperamento torna-se</p><p>mais calmo, ocorrendo</p><p>certo acúmulo de gordura, em vista da ausência do órgão regulador do consumo das</p><p>matérias graxas orgânicas, no caso os órgãos genitais.</p><p>A lactação, nos mamíferos, se prolonga com a ovariotomia (ou histerectomia).</p><p>Mas, quando esta é feita fora da época da produção, ou antes, da idade da produção,</p><p>acarreta a falência completa da aptidão produtiva correspondente. Ainda mais, o leite da</p><p>41</p><p>fêmea castrada é de composição mais uniforme e, quantitativamente, não sofre também</p><p>a influência modificadora do cio, que deixa de ocorrer.</p><p>Em geral, os efeitos da castração serão tanto maiores quanto mais novo for o</p><p>animal; consequentemente, no adulto, menores serão as modificações, menos sensíveis.</p><p>A castração unilateral, da fêmea ou do macho, conduz ao desenvolvimento</p><p>exagerado do órgão que não se eliminou, e o animal não perde nem a potência nem a</p><p>faculdade de procriar. A galinha faz exceção porque normalmente só tem um ovário</p><p>funcional, do lado esquerdo. A retirada do ovário funcional induz o crescimento do ovário</p><p>direito, atrofiado, que passa a apresentar aparência de testículo. Neste caso, a galinha</p><p>desenvolve plumagem de galo, formando-se até esporões. Somente quando se removem</p><p>os dois ovários é que se verifica aspecto de capão.</p><p>A castração pode ser indicada para: preparar animais para o açougue (mais</p><p>gordos); eliminar o odor desagradável do macho (bode e cachaço); eliminar o cio de</p><p>fêmeas destinadas ao abate; impedir a reprodução de indivíduos indesejáveis; produzir</p><p>animais mais dóceis para o trabalho e montaria; produção de peles (coelho) e pluma</p><p>(avestruz) de melhor qualidade; etc.</p><p>12. Raça e Suas Variações</p><p>12.1 - CONCEITO DE RAÇA</p><p>A raça é o grupo fundamental da Zootecnia, bem como da pecuária. As</p><p>espécies domésticas estão, acima de tudo, divididas em raças.</p><p>Muitos conceitos de raça já foram feitos e diversos autores tiveram essa</p><p>preocupação. Da análise dessa diversidade pode-se concluir que, uma boa definição de</p><p>raça, deve conter vários elementos, a saber:</p><p>•Semelhança dos indivíduos que a constituem, por possuírem caracteres</p><p>particulares, chamados raciais (ou caracteres étnicos), entre os quais as suas qualidades</p><p>econômicas ou zootécnicas.</p><p>•Hereditariedade desses caracteres e dessas qualidades.</p><p>•Meio ambiente, considerado o mesmo ou semelhante, para a expressão desses</p><p>caracteres ou qualidades.</p><p>•Origem comum.</p><p>•Ter algo de convencional.</p><p>"Raça é um conjunto de animais, da mesma espécie, com origem comum,</p><p>possuindo caracteres particulares, inclusive qualidades econômicas, que os tornam</p><p>semelhantes entre si, tanto quanto diferentes de outros grupos da mesma espécie, e</p><p>que são capazes de gerar, sob as mesmas condições ambientais ou semelhantes,</p><p>uma descendência com os mesmos caracteres morfológicos, fisiológicos e</p><p>econômicos ou zootécnicos".</p><p>É importante lembrar que o conceito de raça é convencional. Para o criador ou</p><p>para o Zootecnista a raça passa a existir desde que os criadores de uma população</p><p>animal, proveniente de uma mesma origem, e com caracteres comuns, estabelecem as</p><p>bases de seu padrão e se comprometem a mantê-lo, por seleção de seus reprodutores ou</p><p>42</p><p>por consangüinidade, instituindo para isto um assentamento (Livro Genealógico) para</p><p>aqueles, de seus animais, que correspondem a esse padrão.</p><p>O padrão ou modelo racial, que deve guiar a seleção, é estabelecido entre os</p><p>criadores, convencidos de que tais e tais características é que constituem os meios de</p><p>distinção e pureza da raça, e não outros. Nisto são levados pelo conhecimento que têm da</p><p>raça que criam e pelas necessidades de seu melhoramento econômico.</p><p>A preocupação com o melhoramento econômico dos animais e, nesse sentido,</p><p>a sua produtividade, tem levado a um questionamento profundo sobre a importância que</p><p>é dada à raça pura. Tanto é assim que se tem pretendido eliminar as barreiras</p><p>estabelecidas entre certas raças, visto que, as raças da mesma categoria econômica</p><p>(corte, lã, leite, etc.), são muitas vezes economicamente confundíveis. Quartos traseiros de</p><p>Shorthorn ou de Hereford só muito dificilmente serão distinguíveis quando suspensos em</p><p>uma câmara frigorífica. No entanto, quão fácil seria diferenciar essas duas raças pelos seus</p><p>respectivos caracteres exteriores, não econômicos.</p><p>A separação das raças é feita, na maioria das vezes, por caracteres de fantasia,</p><p>caracteres exteriores, sem valor econômico. Outras vezes seu valor econômico é</p><p>meramente convencionado pelos próprios criadores. Passam assim, esses caracteres, a</p><p>constituir uma “marca de fábrica” ou marca comercial, que ajuda a julgar a pureza ou a</p><p>origem dos animais. Quanto mais acentuados ou mais rico for o animal nesses caracteres</p><p>de fantasia, tanto mais segurança se terá de sua pureza. A idéia de raça pura (puro de</p><p>pedigree ou puro de origem), na verdade, foi uma forma que os produtores ingleses</p><p>encontraram para deter o domínio e valorizar as raças que criavam evitando, assim, que</p><p>animais com origem duvidosa, fossem vendidos como puros. E em conseqüência disso,</p><p>animais com excelentes dados de produção, mas que não tivessem origem em animais</p><p>pré-registrados na respectiva associação de criadores, não recebiam registro, e, portanto,</p><p>não eram merecedores o aval da associação. Por outro lado, o critério de considerar como</p><p>de raça simplesmente os indivíduos cujos ascendentes tivessem sido aceitos nos registros</p><p>genealógicos, sem maiores exigências quanto aos valores mínimos de seus rendimentos</p><p>econômicos, facilitou a propagação de animais de produtividade deficiente e, muitas</p><p>vezes, com defeitos graves para a reprodução.</p><p>É importante lembrar que nenhuma raça tem constância absoluta. A cuidadosa</p><p>escolha dos reprodutores é o fator principal para que ela não fuja de seu “padrão” ou</p><p>modelo, quando a preocupação é manter a raça pura.</p><p>Porém, alguns criadores, em contato com seus animais, perceberam que alguns</p><p>reprodutores tinham maior capacidade de variação e também maior potencialidade de</p><p>transmitirem suas qualidades aos descendentes. Tais reprodutores, naturalmente, passaram</p><p>a ser usados mais intensamente, revelando nos filhos, a herança dos seus atributos. Este</p><p>fato, comprovado em diferentes espécies, deu nascimento à teoria da prepotência</p><p>individual que contrariava frontalmente a idéia dominante da imutabilidade das raças, em</p><p>seus padrões raciais.</p><p>Essa variabilidade observada nas raças é bem conhecida, no Brasil, na</p><p>introdução de animais importados, que, nem sempre deve ser confundida com</p><p>degeneração racial. Ela tem originado uma série de desapontamentos. Em certos casos</p><p>pode-se considerar até um erro restringir ou conter essa tendência a variar, desde que a</p><p>variação seja uma condição para a aclimatação vitoriosa da raça, no novo ambiente.</p><p>Insistir em manter as características do padrão racial, estabelecidas nos países de origem</p><p>dos animais, é inviabilizar ou dificultar a sua adaptação ao novo meio, muitas vezes, por</p><p>impedir a reprodução de animais que conseguiram se adaptar e que possam fugir um</p><p>pouco ao padrão racial.</p><p>43</p><p>No entanto, se a preocupação for a produtividade, no caso de uma</p><p>exploração comercial de animais, os caracteres exteriores ou de fantasia, não devem ser,</p><p>necessariamente, aqueles que selecionarão ou eliminarão os animais da reprodução.</p><p>Neste caso, o mais importante é a produção dos animais e, portanto, a identificação dos</p><p>animais mais produtivos passa a ser mais importante dos que seus caracteres exteriores.</p><p>Na época atual, em que se pode descobrir grande parte das causas das</p><p>variações individuais dos reprodutores, não se admite que ainda continue a prevalecer o</p><p>critério de considerar bom, todo o animal de raça pura tão somente porque ele possui</p><p>ascendentes registrados como tal nos livros de registro genealógico.</p><p>Em alguns países já se está adotando a prática de exigir o exame do animal</p><p>antes da sua inscrição no registro genealógico. A instituição dos registros de mérito para os</p><p>animais que provarem</p><p>sua elevada aptidão zootécnica e a capacidade de transmitir seus</p><p>caracteres de produtividade quando muito acima da média geral da sua raça já é uma</p><p>realidade.</p><p>Nesses países já está sendo dada maior importância zootécnica aos indivíduos</p><p>isoladamente do que à pureza da raça a que eles pertencem. Quer isto dizer que a pureza</p><p>zootécnica deve existir não somente nos caracteres fenotípicos (exteriores) que distinguem</p><p>as raças entre si, mas, principalmente, na produtividade revelada pelos animais através do</p><p>exame de sua descendência.</p><p>No meio pecuário é muito utilizada a expressão “raça pura” para designar um</p><p>conjunto de animais homogêneos, e nos quais não há sangue estranho ao da raça a que</p><p>pertencem; são todos de “puro sangue” (p. s.) que, portanto, só têm sangue de uma única</p><p>raça. Para provar a veracidade de sua pureza, o animal deve ter um certificado de</p><p>inscrição no livro genealógico da raça, contendo sua ascendência formada toda de</p><p>animais p. s. A expressão “puro de pedigree” também é usada para se referir a animais de</p><p>raça pura, registrados. Também é comum a denominação de “puro de origem” (p. o.) aos</p><p>animais puro sangue.</p><p>Animal “sem sangue” (s. s.) ou sem raça definida (SRD), é uma mistura indistinguível</p><p>de raças. Assim acontece com animais domésticos comuns, criados extensivamente, sem</p><p>seleção de reprodutores e sem preocupação com raça. Quando se diz que o animal “tem</p><p>sangue” de uma raça, quer dizer que ele apresenta alguns caracteres que lembram os da</p><p>raça referida, sua conformação se aproxima mais ou menos do padrão racial e pode ter</p><p>uma porção desconhecida na sua composição genética.</p><p>Considerando a origem as raças podem ser subdivididas em primitivas ou derivadas.</p><p>•Como raça primitiva entende-se aquela raça natural de certa região, que se formou</p><p>primeiramente por seleção natural ou quase, e depois por seleção artificial. São exemplos</p><p>de raça primitivas ou natural: Árabe, Pardo Suíço, Jersey, Landrace, Yorkshire, etc. •Como</p><p>raça derivada ou raça de cultura entende-se aquela que provém de outra ou outras, ditas</p><p>primitivas ou naturais, por variabilidade ou cruzamento, como por exemplo, o Canchin, o</p><p>Santa Gertrudis, o Mocha Nacional e o Duroc.</p><p>Em relação à distribuição geográfica das raças chamam-se cosmopolitas aquelas</p><p>que se encontram distribuídas em extensas, demonstrando grande facilidade de</p><p>adaptação a diferentes condições climáticas. Aquelas que se encontram restritas às</p><p>pequenas áreas geográficas são chamadas de topopolitas que, em geral, apresentam</p><p>pouca capacidade adaptativa e menor expressão econômica.</p><p>12.2 - SUB-RAÇA</p><p>É o conjunto de indivíduos originários de uma raça, que dela se diferenciam por</p><p>certos atributos (caracteres), de ordem fisiológica, que se acham em estado de maior</p><p>44</p><p>homozigose, isto é, em estado de maior pureza. Pode ainda ser definida como um grupo</p><p>zootécnico que apresenta algum atributo fisiológico, ou seja, algum rendimento, em estado</p><p>de maior especialização que o da raça que lhe deu origem. Como exemplos podem ser</p><p>citados: •Nos bovinos, a raça Holandês possui três sub-raças: a Frisia, malhada de preto, de</p><p>aptidão acentuadamente leiteira; a M.R.Y. (Mosa, Reno, Yssel), vermelha e branco, menos</p><p>leiteira, de aptidão mista e; a Cronigem, preta com a cabeça branca, com maior</p><p>especialização para carne. •Nos suínos, a raça Yorkshire apresenta três sub-raças: a Large</p><p>White, a Middle White e a Small White.</p><p>12.3 - VARIEDADE</p><p>É o conjunto de indivíduos, da mesma raça, que desta se diferenciam por um ou</p><p>mais caracteres de ordem morfológica, decorrentes das condições ambientais ou de</p><p>certas mutações, que foram fixados pela seleção artificial. Como exemplos podem ser</p><p>citados: •Nos bovinos, o Nelore aspado e o Nelore Mocho; •Nas aves, a Plymouth Rock</p><p>Barrada e a Plymouth Rock Branca.</p><p>12.4 - FAMÍLIA E LINHAGEM</p><p>Em zoologia, a família é o grupo intermediário entre a ordem e a espécie. Em</p><p>zootecnia equivale a indivíduos que tem parentesco entre si. Considera-se família em</p><p>zootecnia o conjunto de descendentes a partir de um casal. Alguns autores consideram</p><p>apenas os descendentes do macho e outros os da fêmea. As famílias geralmente Têm o</p><p>nome do ancestral de maior valor. Alguns admitem que a família termina na 5a. geração e</p><p>outros, que se prolonga até a 7a.</p><p>A linhagem, termo menos usado corresponde ao conjunto de indivíduos</p><p>descendentes do mesmo antepassado, em linha direta. O mais comum é considerar da</p><p>mesma linhagem os descendentes do reprodutor macho.</p><p>Os criadores, de maneira geral, têm bem presente a noção de família, pois no</p><p>melhoramento de seu rebanho eles se preocupam, sobretudo com a “família”, ou seja, o</p><p>conjunto de animais com algum grau de parentesco, ou com o mesmo “sangue”. Por isso,</p><p>família e sangue (blood line dos americanos) podem ser consideradas expressões sinônimas</p><p>em zootecnia.</p><p>Dentro da raça existe uma preocupação com a família, com o sangue a que</p><p>pertencem os animais que são criados e que devem ser melhorados. A raça, por si</p><p>somente, importa menos; e isso quanto mais melhorada ela for É que dentro da mesma</p><p>raça existem inúmeras famílias, uma ótimas, outras medíocres, outras ruins. Não basta que</p><p>os animais sejam de raça pura. Torna-se necessário que pertençam a uma família (ou</p><p>sangue, ou linhagem) de elevada aptidão zootécnica, de alta produção, na qual</p><p>repontem recordistas. Na discussão das raças de qualquer espécie de gado, escreve</p><p>Shannon; “...é bom ter em mente que a família ou a linhagem é de igual, senão de maior</p><p>importância do que a raça, pois que a diferença entre várias linhagens, da mesma raça,</p><p>pode ser maior do que entre raças diferentes”...Além disso, as diferenças entre as linhagens</p><p>são sempre quanto ao rendimento zootécnico, ao vigor ou à rusticidade. E entre raças, a</p><p>diferenciação está, na maioria dos casos, no que diz respeito a caracteres exteriores, sem</p><p>significação econômica, considerando-se raças com as mesmas finalidades produtivas.</p><p>12.5 – REBANHO</p><p>Pode-se considerar como rebanho a uma reunião de animais de uma mesma família</p><p>ou reunião de famílias geralmente ligadas por laços de parentesco e sujeitas às mesmas</p><p>condições ambientais e, por isso, os animais integrantes desse grupo apresentam grande</p><p>uniformidade e mesmo particularidades próprias de forma a se poder identificá-las como</p><p>pertencentes a um mesmo criador.</p><p>45</p><p>13. Melhoramento Genético Animal</p><p>Como pré-requisito para a compreensão do melhoramento genético alguns</p><p>conceitos precisam estar muito claros.</p><p>Mutação - é uma modificação casual ou induzida na informação genética. É o</p><p>processo pelo qual um gene sofre uma mudança estrutural. Distinguem-se das aberrações</p><p>por serem alterações a nível de ponto, envolvendo a eliminação ou substituição de um ou</p><p>poucos nucleotídeos da fita de DNA. A mutação só é passada para os descendentes de</p><p>organismos complexos se ocorrer em gametas. Mutações podem ter diversas origens:</p><p>podem ser ocasionais, tomando parte na pequena probabilidade de erro espontâneo no</p><p>momento da duplicação do material genético; podem ser provocados por por agentes</p><p>mutagênicos de origem eletromagnética, química ou biológica; podem ser ainda induzidas</p><p>em laboratório com o uso intencional destes mesmos agentes sobre organismos vivos.</p><p>As mutações gênicas espontâneas acontecem numa taxa média estimada de</p><p>1/100.000. Embora pareça tratar-se de uma taxa muito baixa, é preciso considerar que ela</p><p>se aplica a cada gene e que um gameta (célula germinativa) pode abrigar milhares de</p><p>genes. Analisadas por este ângulo, as mutações constituem uma respeitável fonte de</p><p>variabilidade genética. É importante lembrar, porém, que nem todas as mutações são</p><p>adaptativas, ou seja, nem todas as mutações provocam mudanças interessantes do ponto</p><p>de vista da adaptação ao meio.</p><p>A mutação cromossômica é o processo de mudança que resulta em partes</p><p>rearranjadas do cromossomo, números anormais de cromossomos individuais, ou números</p><p>anormais de conjuntos cromossômicos. Como</p><p>na mutação gênica, o termo mutação</p><p>cromossômica é aplicado tanto ao processo quanto ao produto, de modo que os novos</p><p>arranjos genômicos podem ser chamados de mutações cromossômicas.</p><p>Migração – é o movimento que as espécies ou alguns representantes das</p><p>espécies fazem sobre a superfície terrestre. A mudança de um biótopo para outro</p><p>normalmente se dá em busca de melhores condições de vida, em termos de alimentação,</p><p>temperatura reprodução ou para fugirem de inimigos que tenham se estabelecido no seu</p><p>antigo biótopo. A migração permite que indivíduos adaptados em um determinado meio</p><p>levem suas características para outros ambientes e ali depositem seus genes, alterando a</p><p>variabilidade e freqüência gênica ali existente.</p><p>Hibridação – é o acasalamento entre indivíduos de espécies ou raças diferentes,</p><p>biologicamente compatíveis entre si. Guardam entre si relações genéticas. A hibridação</p><p>pode ser INTRA-ESPECÍFICA, quando ocorre entre dois indivíduos de mesma espécie, porém</p><p>de raças diferentes promovendo grande variabilidade. É muito comum hoje na zootecnia.</p><p>Pode ser INTER-ESPECÍFICA, quando ocorre entre indivíduos de espécies diferentes.</p><p>Normalmente o acasalamento entre indivíduos de espécies diferentes não é possível e,</p><p>quando possível nem sempre é viável, ou seja, não chega a gerar descendentes. É possível,</p><p>porém o surgimento de híbridos inter-específicos como a mula, por exemplo, descendente</p><p>da égua (Equus caballus) com o jumento (Equus asinus). Estes híbridos são indivíduos</p><p>inférteis, isto é, que não produzem descendentes. Raríssimos são os casos de híbridos inter-</p><p>específicos férteis, porém, em biologia isto é possível.</p><p>Consangüinidade – é a denominação dada ao acasalamento entre animais</p><p>com algum grau de parentesco entre si. Nos animais domésticos verifica-se a</p><p>consangüinidade em maior grau do que entre os selvagens. Na natureza os animais vivem</p><p>soltos enquanto que os domésticos vivem congregados, limitados a determinadas áreas, e,</p><p>portanto, mais sujeitos a esse processo de acasalamento. A intensidade da</p><p>46</p><p>consangüinidade depende em grande parte das barreiras que podem facilitar ou dificultar</p><p>sua ocorrência. O local, as barreiras geográficas, o sedentarismo dos povos, etc., são</p><p>fatores que podem impedir a dispersão dos animais facilitando a ocorrência da</p><p>consangüinidade.</p><p>13.1 - MÉTODOS DE REPRODUÇÃO</p><p>Monta Natural: Forma pela qual a obtenção dos produtos não depende do</p><p>homem. Quando macho e fêmea fertilizam-se pela maneira natural, através da cópula,</p><p>gerando um novo indivíduo, chamamos de monta natural. Esta monta pode ser controlada</p><p>pelo homem, promovendo diversos sistemas de acasalamento, conforme descrito abaixo,</p><p>dependendo Ada escolha dos indivíduos envolvidos nesta monta. Pode ser múltipla, ou</p><p>controlada.</p><p>Quando a monta é considerada múltipla, não é possível a determinação da</p><p>paternidade, uma vez que se têm lotes de fêmeas com um número proporcional de</p><p>machos, por exemplo, 3% � serão lotes onde para cada 100 fêmeas serão colocados 3</p><p>machos e este grupo permanece junto pelo período da estação de monta.</p><p>A monta controlada pode ocorrer a campo ou em estábulo. Quando a campo,</p><p>temos lotes de fêmeas com um único macho reprodutor, em proporção adequada. E a</p><p>monta controlada em curral é quando a fêmea em cio é levada ao curral do macho</p><p>reprodutor e a cobertura é assistida, levando-se a fêmea de volta ao seu local após o</p><p>coito.</p><p>Inseminação Artificial: É a deposição mecânica do sêmen do macho no</p><p>aparelho reprodutor da fêmea. Apenas a coleta do sêmen do macho e a deposição do</p><p>sêmen é feita pelo homem, o restante do processo ocorre normalmente, naturalmente, sem</p><p>a interferência humana.</p><p>Este método de reprodução tem várias vantagens, entre elas: Melhoramento</p><p>Genético mais rápido e mais fácil, permitindo a utilização de “Grandes Touros” em</p><p>pequenos rebanhos, utilização de touros de outros países, com problemas de aprumos,</p><p>mortos, velhos e outros entraves. Controle de doenças venéreas, cruzamento entre raças</p><p>mais facilmente, prevenção de acidentes com as vacas e com as pessoas, além de</p><p>permitir ao homem um maior controle sobre o rebanho. As taxas de fertilidade do rebanho</p><p>não aumentam com a inseminação artificial, o que aumenta é o ganho genético. É</p><p>possível combinar, em uma propriedade, mais de um método de reprodução.</p><p>Transferência de Embriões: Consiste na indução de super-ovulação de uma</p><p>vaca superior geneticamente (DOADORA), sua inseminação, retirada dos embriões do</p><p>útero e re-implante destes embriões em vacas com alta habilidade materna, mas com</p><p>valores genéticos medianos ou baixos (RECEPTORAS). É feita apenas por veterinário, tem um</p><p>custo elevado, porém pode ser uma excelente alternativa para aumentar a freqüência de</p><p>genes de determinadas vacas em uma população, já que permitem a produção de um</p><p>número de filhos muito superior ao que seria esperado num processo normal.</p><p>13.2 – MÉTODOS DE MELHORAMENTO GENÉTICO</p><p>Chamamos de Melhoramento Genético ao conjunto de procedimentos que visa</p><p>aumentar a freqüência de genes desejáveis numa população, reduzindo a freqüência de</p><p>genes indesejáveis.</p><p>•aumentar a quantidade de produto</p><p>Objetivos •manter ou aumentar a qualidade do produto</p><p>47</p><p>•reduzir custos de produção melhorando a eficiência</p><p>Na natureza o animal selvagem sofre a seleção natural. Seleção natural é o</p><p>processo pelo qual os organismos mais adaptados a determinados ambientes e situações</p><p>sobrevivem em maior quantidade do que os indivíduos não adaptados àquelas condições.</p><p>Dos indivíduos que chegam à idade adulta, os que reproduzem perpetuam suas</p><p>características através das novas gerações. Desta forma os animais mais adaptados</p><p>contribuem com maior quantidade de descendentes, alterando a freqüência gênica em</p><p>favor de suas características, ao passo que os menos adaptados tendem a deixar menor</p><p>número de descendentes e reduzindo a freqüência de suas características na população.</p><p>No animal doméstico, porém, a seleção artificial veio sobrepujar a natural.</p><p>Seleção Artificial é quando a seleção (escolha) do indivíduo que sobrevive e reproduz e em</p><p>qual intensidade se dá esta reprodução é feita de maneira artificial, ou através do homem.</p><p>Este assunto será tratado em capítulo à parte. Desde os tempos remotos se pratica a</p><p>seleção artificial e ela foi praticada de modo diverso por cada pessoa, dadas as</p><p>preferências individuais, e daí decorreu a grande diversidade de tipos. Assim, a seleção</p><p>artificial foi à força que fez a separação, o isolamento de certos tipos, cujas características</p><p>hereditárias, aquelas de interesse para o homem, se transmitiram determinando a grande</p><p>diferenciação em relação aos tipos primitivos.</p><p>Seleção (artificial): método de melhoramento artificial que consiste na</p><p>reprodução (acasalamento) diferenciada. Os melhores indivíduos são mais utilizados para</p><p>a multiplicação dentro da própria raça. Portanto, neste método há a conservação do</p><p>estado de pureza racial. Os ganhos genéticos obtidos por esse método de melhoramento</p><p>são incorporados à nova geração.</p><p>Selecionar o melhor é uma tarefa um pouco difícil considerando que existem</p><p>muitas variáveis interferindo no desempenho de um animal. Por exemplo, um animal pode</p><p>ser descendente de excelentes pais e ter encontrado condições ambientais difíceis, que</p><p>lhe impedem de demonstrar seu real potencial genético. Por outro lado, excelentes animais</p><p>podem não ter a capacidade de imprimirem suas características com muita força nos seus</p><p>descendentes (pequena prepotência individual). Assim, a seleção pode considerar os</p><p>seguintes aspectos:</p><p>⇒Seleção massal: também chamada fenotípica. Considera as características do</p><p>indivíduo, o seu desempenho (ou performance), comparando-o com os demais. Pode</p><p>trazer certa parcela de efeito ambiental.</p><p>⇒Seleção genealógica: considera nas características ou desempenho dos</p><p>antepassados. Oferece maior segurança do que a seleção fenotípica individual.</p><p>⇒Seleção genotípica: é aquela seleção baseada</p><p>na capacidade do indivíduo</p><p>transmitir à descendência algumas características ou aptidões desejadas.</p><p>Cruzamento – método de melhoramento genético animal. É resultado do</p><p>acasalamento entre animais de raças diferentes de uma mesma espécie (inter-específica),</p><p>em composições muito variadas. Atualmente o termo hibridação tem sido usado em suínos</p><p>e aves na obtenção dos chamados “híbridos comerciais”, que, na verdade não são</p><p>híbridos verdadeiros, mas sim, animais resultantes do cruzamento de várias raças da mesma</p><p>espécie (sintéticos). Os animais obtidos por cruza são chamados de mestiços.</p><p>13.3 - SISTEMAS DE ACASALAMENTO</p><p>Consangüinidade: também chamado de endogamia, consiste no</p><p>acasalamento de animais com grau de parentesco maior do que a média de parentesco</p><p>existente entre os indivíduos da população. Um touro com excelentes qualidades pode ser</p><p>48</p><p>utilizado por duas ou três gerações aumentando a freqüência de seus genes no rebanho,</p><p>porém, os resultados fenotípicos podem não ser os mais desejáveis pela possibilidade de</p><p>manifestar genes recessivos indesejáveis. Por outro lado, o método permite identificar</p><p>animais portadores de defeitos genéticos e ajudar na formação de rebanhos sadios. É</p><p>usado na formação de certas linhagens de suínos e aves. A ocorrência de</p><p>consangüinidade ou endogamia por muitas gerações leva ao que se chama de</p><p>“depressão endogâmica” que influencia negativamente sobre as prolificidade e</p><p>performance produtiva dos animais.</p><p>Cruzamento: Ocorre também na natureza, porém, entre os animais domésticos é</p><p>muito forte. Depois que os meios de transporte se tornaram mais fáceis e intensos as uniões</p><p>entre raças antes dispersas se avolumaram. Assim, nos períodos modernos, o homem</p><p>deslocou espécies para quase todas as regiões do mundo. As célebres cruzadas levaram o</p><p>cavalo árabe para a Europa. O carneiro Merino passou da Espanha para vários</p><p>continentes. Da Turquia a cabra Angorá foi para os Estados Unidos. Da Índia veio o Zebú</p><p>para o Brasil e os Estados Unidos. O peru da América se distribuiu para o resto do globo. Tal</p><p>facilidade permitiu as espécies se acasalarem dando origem a um intenso cruzamento.</p><p>Raças novas se formaram através desses cruzamentos. A maior parte das raças de animais</p><p>atualmente exploradas tiveram na sua origem a participação de animais de locais</p><p>diferentes e até de raças diferentes. Recentemente algumas raças foram formadas a partir</p><p>do cruzamento de raças bem conhecidas, como por exemplo, o Canchim, raça bovina de</p><p>corte, que é fruto do cruzamento de Charolês com Nelore, aqui no Brasil. Veja capitulo 13</p><p>para maiores detalhes.</p><p>Através de cruzamentos buscam-se dois objetivos principais: a heterose e/ou a</p><p>complementariedade.</p><p>A heterose pode ser definida como a diferença de comportamento, para uma</p><p>característica que está sendo avaliada, entre a média da população de filhos cruzados(F1)</p><p>e a média das raças parentais.</p><p>A heterose pode ser estimada pela seguinte fórmula:</p><p>Mf – Mp h2 (%) = percentagem de heterose</p><p>h2 (%) = ----------------- x 100 Onde Mf = média dos filhos (F1)</p><p>Mp Mp = média dos pais puros</p><p>Exemplo:</p><p>Vacas em Produção h2 (%) = ((2.900 – 2.750) / 2.750) x 100</p><p>Holandês � 4.000 kg h2 (%) = 150 / 2.750 x 100</p><p>Gir � 1.500 kg h2 (%) = 0,0545 x 100</p><p>Cruzas � 2.900 kg h2 (%) = 5,45 %</p><p>Os valores de heterose (h2) sempre são medidos apenas para animais ½ sangue</p><p>filhos de pais puros (F1), onde a heterozigose é 100%. À medida que os sistemas de</p><p>cruzamento avançam, estes valores apresentam diminuições proporcionais às quedas dos</p><p>valores de Heterozigose (H). A heterose ou vigor híbrido depende da distância genética</p><p>entre as raças cruzadas. Quanto mais afastada a origem das raças maior é essa distância.</p><p>Nos bovinos, têm-se três grupos distintos, em função da sua origem:</p><p>Aplicando</p><p>a fórmula</p><p>49</p><p>Grupo Indiano ⇒ formado por raças originárias da Índia e região: Nelore,</p><p>Brahma, Guzerá, Gir, Tabapuã, Sindi, Indubrasil etc.;</p><p>Grupo Continental ⇒ formado por raças originárias da Europa: Charolês,</p><p>Limousine, Blonde d’Aquitaine, Chianina, Marquigiana, Romagnola, Pardo</p><p>Suíço, Simental, Pinzgauer, Gelbvieh, Holandês, Belgian Blue Blanc, Caracú,</p><p>Normanda, Piemontesa, Salers, etc.;</p><p>Grupo Britânico ⇒ formado por raças originárias na Grã-Bretanha: Aberdeen</p><p>Angus, Ayrshire, Devon, Guernsey, Hereford, Jersey, Red Angus, Shorthorn,</p><p>South Devon, etc.</p><p>A heterose se manifesta com maior intensidade quando são cruzados animais</p><p>cuja distância genética é maior, no caso dos bovinos, ela é maior entre os grupos indiano</p><p>e continental do que entre os grupos continental e britânico.</p><p>A complementariedade é um benefício que se obtém ao acasalar raças em</p><p>seqüências específicas combinando (maximizando) características desejáveis e</p><p>minimizando o impacto daquelas indesejáveis. Assim, pode-se reunir nos ventres (vacas do</p><p>plantel reprodutivo) características como maior habilidade reprodutiva e maternal,</p><p>combinando-se duas raças, como por exemplo, Hereford x Angus, para serem usadas em</p><p>cruzamentos com raças de grande crescimento e tipo magro (Charolês, Limousine ou</p><p>outra). Também pode-se aproveitar qualidades adaptativas de raças nativas. Em Santa</p><p>Catarina é muito comum aproveitar animais como o Franqueiro e o Caracú, muito bem</p><p>adaptados às condições de campo nativo, cruzados com outras raças mais produtivas,</p><p>para a formação do plantel de ventres.</p><p>Os ganhos obtidos nos cruzamentos, devidos ao vigor híbrido (heterose), devem</p><p>ser provocados em cada geração. Quando se cruzam indivíduos da raça “A” com</p><p>indivíduos da raça “B”, os mestiços “AB” apresentam 100% da heterose possível, para uma</p><p>determinada característica. No entanto, se esses mestiços forem acasalados com “A”</p><p>novamente, haverá uma queda para 50% da heterose possível.</p><p>Considerando várias possibilidades de cruzas e resultados desejáveis, pode-se</p><p>resumir os sistemas de cruzamento em:</p><p>� Cruzamento Simples (ou Industrial) - Consiste no cruzamento de duas raças,</p><p>uma materna (A) e outra terminal (B), com o objetivo de produzir mestiços (AB), os quais se</p><p>destinam todos para o abate. Neste caso, a raça “A” deve ser abundante e bem</p><p>adaptada no meio. Parte dela, aproximadamente 50% dos ventres, se entoura com touros</p><p>da mesma raça para produzir fêmeas de reposição. Já a raça “B” deve apresentar grande</p><p>crescimento e ser melhoradora em características de carne.</p><p>� Three-cross – Também chamado estático-terminal, consiste na utilização de</p><p>três raças A, B e C. Consiste no cruzamento de duas raças para a obtenção de ventres (por</p><p>exemplo, A x B) que serão cruzadas com uma terceira raça terminal (C). No caso, tem-se o</p><p>efeito da complementariedade no plantel de ventres, o que não acontece nos</p><p>cruzamentos simples. O efeito da heterose pode ser conseguido na escolha da raça</p><p>terminal. Neste sistema de cruzamento são vendidos, além dos ventres de descarte, os</p><p>machos B, AB e ABC, enquanto que são vendidas somente fêmeas ABC.</p><p>� Cruzamento rotativo (ou alternado) - Neste caso se usam dois rebanhos, onde</p><p>um se entoura com touros da raça “A” e outro rebanho com touros da raça “B”. A</p><p>reposição (novilhas) que se origina de cada touro se destina ao outro, ou seja, as filhas de</p><p>“A” se entouram com “B” e vice-versa. Este sistema é um pouco mais complexo no manejo</p><p>dos rebanhos, porém, exige apenas a aquisição de touros puros das duas raças usadas no</p><p>cruzamento. A heterose estabiliza em torno de 67% daquela obtida nas F1. No entanto, se</p><p>50</p><p>forem utilizadas três raças a heterose sobe para 86%. É importante que as raças usadas</p><p>tenham características semelhantes em relação ao peso dos terneiros ao nascer, tamanho</p><p>dos animais, produção de leite e outras, para evitar problemas como partos difíceis.</p><p>� Sistemas Circulares - São uma forma simplificada ao manejo dos sistemas</p><p>rotativos acima descritos. Neste caso, o rebanho de</p><p>multa.</p><p>Art. 31. Introduzir espécime animal no País, sem parecer técnico oficial favorável e</p><p>licença expedida por autoridade competente:</p><p>Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.</p><p>Art. 32. Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos</p><p>ou domesticados, nativos ou exóticos:</p><p>Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.</p><p>§ 1º Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal</p><p>vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos.</p><p>§ 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte do animal.</p><p>Art. 33. Provocar, pela emissão de efluentes ou carreamento de materiais, o</p><p>perecimento de espécimes da fauna aquática existentes em rios, lagos, açudes, lagoas,</p><p>baías ou águas jurisdicionais brasileiras:</p><p>Pena - detenção, de um a três anos, ou multa, ou ambas cumulativamente.</p><p>Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas:</p><p>I - quem causa degradação em viveiros, açudes ou estações de aqüicultura de</p><p>domínio público;</p><p>II - quem explora campos naturais de invertebrados aquáticos e algas, sem licença,</p><p>permissão ou autorização da autoridade competente;</p><p>III - quem fundeia embarcações ou lança detritos de qualquer natureza sobre</p><p>bancos de moluscos ou corais, devidamente demarcados em carta náutica.</p><p>Art. 34. Pescar em período no qual a pesca seja proibida ou em lugares interditados</p><p>por órgão competente:</p><p>Pena - detenção de um ano a três anos ou multa, ou ambas as penas</p><p>cumulativamente.</p><p>Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas quem:</p><p>I - pesca espécies que devam ser preservadas ou espécimes com tamanhos</p><p>inferiores aos permitidos;</p><p>II - pesca quantidades superiores às permitidas, ou mediante a utilização de</p><p>aparelhos, petrechos, técnicas e métodos não permitidos;</p><p>III - transporta, comercializa, beneficia ou industrializa espécimes provenientes da</p><p>coleta, apanha e pesca proibidas.</p><p>Art. 35. Pescar mediante a utilização de:</p><p>6</p><p>I - explosivos ou substâncias que, em contato com a água, produzam efeito</p><p>semelhante;</p><p>II - substâncias tóxicas, ou outro meio proibido pela autoridade competente:</p><p>Pena - reclusão de um ano a cinco anos.</p><p>Art. 36. Para os efeitos desta Lei, considera-se pesca todo ato tendente a retirar, extrair,</p><p>coletar, apanhar, apreender ou capturar espécimes dos grupos dos peixes, crustáceos,</p><p>moluscos e vegetais hidróbios, suscetíveis ou não de aproveitamento econômico,</p><p>ressalvadas as espécies ameaçadas de extinção, constantes nas listas oficiais da fauna e</p><p>da flora.</p><p>Art. 37. Não é crime o abate de animal, quando realizado:</p><p>I - em estado de necessidade, para saciar a fome do agente ou de sua família;</p><p>II - para proteger lavouras, pomares e rebanhos da ação predatória ou destruidora</p><p>de animais, desde que legal e expressamente autorizado pela autoridade competente;</p><p>III – (VETADO)</p><p>IV - por ser nocivo o animal, desde que assim caracterizado pelo órgão competente.</p><p>3. Introdução à Zootecnia</p><p>A palavra zootecnia surge pela primeira vez em 1843, na língua francesa,</p><p>"zootechnie", formada a partir dos radicais gregos "zoon" e "tecnê", para designar o</p><p>conjunto de conhecimentos já existentes relativos à criação dos animais domésticos. A</p><p>exploração dos animais domésticos já existia antes da criação da palavra, inicialmente</p><p>tratada como a forma de criar a partir da domesticação dos primeiros animais pelo</p><p>homem primitivo.</p><p>Zootecnia é uma ciência e, como tal, está em constante descoberta e</p><p>modificação. À medida que novos estudos e pesquisas vão sendo realizados, as conclusões</p><p>vão modificando a prática da produção animal. Cada vez mais a produção pecuária se</p><p>torna ao mesmo tempo economicamente viável, ecologicamente correta e produz</p><p>alimentos de alta qualidade, em quantidade suficiente, além de outros bens e serviços</p><p>para utilização humana. Podemos então dizer que: “ZOOTECNIA é a ciência aplicada que</p><p>estuda e aperfeiçoa os meios de promover a adaptação econômica do animal ao</p><p>ambiente criatório e deste ambiente ao animal”.</p><p>A zootecnia estuda especificamente os animais domésticos e/ou aqueles</p><p>selvagens em processo de domesticação, que visem exploração econômica. Entendemos</p><p>por animais domésticos aqueles animais sobre os quais o homem tem profundo</p><p>conhecimento, seja em relação à sua biologia, genética, comportamento e reprodução, e</p><p>sobre os quais exerce domínio. Trataremos sobre domesticação e seus processos em</p><p>capítulo à parte.</p><p>Os objetivos da Zootecnia se resumem a produção de alimentos, de trabalho, de</p><p>vestuário, de matéria prima para a indústria ou agricultura, de companhia, de segurança,</p><p>etc. Estes objetivos, ou produtos gerados pela produção pecuária, frutos da zootecnia</p><p>justificam sua existência na promoção da qualidade de vida dos seres humanos, embora o</p><p>acesso a estes produtos nem sempre se dê de forma equilibrada e justa.</p><p>7</p><p>O suporte da “ciência Zootecnia” é fornecido pelo produtor, que conhece sua</p><p>criação e o que acontece na prática e o embasamento da produção animal é dado</p><p>pelos resultados obtidos nos experimentos. É importante o produtor e o técnico de campo</p><p>repassarem suas informações, observações e idéias para o pesquisador e este devolver os</p><p>resultados de sua pesquisa para serem aplicados no campo, em condições não</p><p>controladas para se afirmarem como técnicas adequadas.</p><p>Como ciência, a Zootecnia passou por duas fases. A primeira delas é a Fase</p><p>Empírica - onde a zootecnia era tratada como arte, onde não havia princípios científicos</p><p>embasando a criação e cada um fazia o que "achava" ou "imaginava" ser a melhor forma</p><p>de criar seus animais e produzir bens de consumo. Era fruto da observação, mas não tinha</p><p>cunho científico, estatisticamente comprovado.</p><p>A segunda é a Fase Técnica - onde a ciência passa a embasar a atividade</p><p>pecuária, fornecendo ao homem do campo informações bem precisas sobre como</p><p>produzir. Visando maior produtividade e também melhor qualidade do produto gerado,</p><p>bem como o seu beneficiamento e incremento de valor, passando também pelo bem</p><p>estar dos animais envolvidos no processo.</p><p>Esta ciência, a Zootecnia, se divide em dois grandes grupos:</p><p>Zootecnia Geral, que é a parte teórica. Ela estuda os animais domésticos do</p><p>ponto de vista geral, desenvolve leis e métodos. Os aspectos sob os quais a Zootecnia geral</p><p>encara, ou visualiza os animais são a Domesticação, que se preocupa com a origem das</p><p>espécies, sua entrada em domesticidade, quando e como se deu este processo, etc.; a</p><p>Individualidade, que se preocupa com o conhecimento das características étnicas, raciais,</p><p>sexuais e produtivas de cada espécie ou indivíduo; os Efeitos ambientais que agem sobre a</p><p>produção animal, sejam através do meio ambiente natural (clima relevo, condições</p><p>naturais, etc.) ou do meio ambiente artificial (alimentação, sanidade, manejo, etc.) e os</p><p>Efeitos Genéticos que provocam as grandes diferenças entre espécies e indivíduos através</p><p>da variabilidade, métodos de reprodução, sistemas de acasalamentos, seleção, etc.</p><p>Também os fatores inatos de cada indivíduo ou espécie e os processos de seleção natural</p><p>(promovida pela natureza) e de seleção artificial (promovida pelo homem,</p><p>conscientemente através dos programas de Melhoramento Genético, ou</p><p>inconscientemente, através de tomadas de decisões empíricas).</p><p>Zootecnia Especial é a parte que estuda cada espécie em particular. Seus</p><p>processos “específicos” de produção, reprodução, comportamento, alimentação, etc. A</p><p>criação de cada espécie em particular tem um nome específico. Por exemplo, a zootecnia</p><p>especial voltada para o estudo e produção de bovinos chama-se Bovinocultura e esta</p><p>pode ser de corte ou de leite, dependendo do objetivo, do produto final. Em relação aos</p><p>suínos temos a Suinocultura, para as galinhas de postura temos a Avicultura de postura e</p><p>para os frangos de corte a Avicultura de corte. Temos</p><p>cria se cruza com touros da raça “A”</p><p>por três, quatro ou cinco anos, ao fim dos quais se substituem por touros das raça “B”. Estes</p><p>também são usados por igual período e novamente serão substituídos por touros da raça</p><p>“A”. Pode ser utilizado outra raça procedendo da mesma forma: inicialmente touros da</p><p>raça “A”, depois da raça “B”, depois da raça “C” e recomeçando com os da raça “A”</p><p>novamente. O manejo é simplificado e, o problema poderia ser a troca de todos os touros</p><p>de uma só vez. Aqui também deve haver certa semelhança entre as raças para se evitar</p><p>possíveis problemas de manejo, como partos difíceis. A heterose fica entre 55 e 73%</p><p>daquela possível na F1.</p><p>� Sistema Rotativo-Terminal - É a combinação de um sistema rotativo de duas</p><p>raças com uma terceira raça terminal. Aqui são necessários três rebanhos: um que se</p><p>entoura com a raça “A”, outro rebanho que se entoura com a raça “B” e outro que se</p><p>entoura com a raça “C”. Este último rebanho é formado por novilhas oriundas dos outros</p><p>dois rebanhos. Assim metade das filhas de “A” será acasalada com “B” e a outra metade</p><p>com “C“ e, metade das filhas de “B” será acasalada com “A” e a outra metade com “C”.</p><p>Neste sistema aproveita-se mais os efeitos de heterose e complementaridade, embora seja</p><p>um pouco mais complexo de ser executado.</p><p>� Sistemas Sintéticos - São adotados para a formação de raças na intenção de</p><p>resolver os problemas de manejo resultantes dos sistemas de cruzamentos acima descritos.</p><p>Raças como Santa Gertrudis, Canchim, Brangus, Braford, Simbrasil foram formadas a partir</p><p>desses sistemas. Aqui se busca formar raças com 5/8 de sangue de uma raça mais</p><p>produtiva com 3/8 de sangue de uma raça mais rústica. No caso, o Canchim possui 5/8 de</p><p>sangue Charolês e 3/8 de sangue Nelore. Abaixo são apresentadas duas formas de obter</p><p>essa composição racial:</p><p>Nesse sistema de cruzamento ainda não se conhece bem quanto da heterose e</p><p>aproveitado. No entanto, as populações sintéticas têm se comportado bem em diversos</p><p>experimentos.</p><p>� Cruzamento Absorvente - Esse sistema é utilizado para introduzir uma característica</p><p>desejável e que está em outra raça. O resultado desse sistema é o PC (Puro por Cruza) e</p><p>que é obtido na quinta geração, especialmente no caso da fêmea. A heterose fica</p><p>totalmente comprometida nesse sistema. Segue um exemplo:</p><p>C x N</p><p>1</p><p>/2C</p><p>1</p><p>/2N x N</p><p>1</p><p>/4 C</p><p>3</p><p>/4 N x C</p><p>5</p><p>/8C</p><p>3</p><p>/8N</p><p>C x N</p><p>1</p><p>/2C</p><p>1</p><p>/2N x C</p><p>3</p><p>/4C</p><p>1</p><p>/4N x</p><p>2</p><p>/4C</p><p>2</p><p>/4N</p><p>C x N</p><p>1</p><p>/2C</p><p>1</p><p>/2N</p><p>5</p><p>/8C</p><p>3</p><p>/8N</p><p>Onde</p><p>C = Charolês</p><p>N = Nelore</p><p>51</p><p>PC ����</p><p>(Puro por cruza)�</p><p>14. Etologia</p><p>O termo ETOLOGIA vem da palavra grega ETHOS, que significa costume, hábitos,</p><p>comportamento e LOGOS que significa estudo, ciência.</p><p>Etologia é a ciência que estuda o comportamento e os costumes dos animais e</p><p>tem por finalidade analisar o conjunto de leis que regem a manifestação externa da vida</p><p>dos animais em condições naturais ou modificadas.</p><p>O comportamento animal está determinado, principalmente pelas</p><p>particularidades da estrutura do organismo que estão em estreita vinculação com o</p><p>sistema endócrino, sistema nervoso, órgãos dos sentidos, aparelho locomotor e aparelhos</p><p>digestório e reprodutor.</p><p>O comportamento é o método pelo qual o animal interage com o meio,</p><p>animado ou inanimado. Esta interação é dinâmica: o animal modifica o meio onde vive e</p><p>é por ele modificado.</p><p>È importante estudar o comportamento dos animais, pois este é um indicador</p><p>imediato do estado psicológico dos animais, através de sinais comportamentais de</p><p>curiosidade, monotonia, nervosismo, frustração, etc. Além disso, através do estudo do</p><p>comportamento é possível verificar a qualidade do ambiente físico (como a qualidade do</p><p>ar) e social (como a superpopulação, tamanho do grupo, competição entre os indivíduos).</p><p>O comportamento dos animais é diretamente relacionado à produtividade</p><p>animal, podendo ser demonstrado através de nervosismo ou hiper-atividade, hipo-</p><p>atividade, competição e agressão ou comportamento reprodutivo.</p><p>A partir do estudo do comportamento dos animais é possível obter subsídios</p><p>suficientes para o aperfeiçoamento dos sistemas de criação, como por exemplo, a</p><p>adequação do espaço por animal e tamanho do grupo, cercas elétricas e portas</p><p>automáticas, etc.</p><p>A base da pesquisa comportamental moderna é constituída pela teoria da</p><p>evolução de Charles Darwin. Para ele os instintos são tão importantes para a sobrevivência</p><p>de uma espécie quanto às estruturas morfológicas e por isso sujeitas à seleção. Em 1973,</p><p>três etólogos receberam o prêmio Nobel de Medicina “pelas suas descobertas sobre a</p><p>organização e origem de padrões de comportamento individuais e sociais”. São eles:</p><p>Konrad Lorenz, Nikolaas Tinbergen e Karl Von Frisch.</p><p>A x B</p><p>1</p><p>/2A</p><p>1</p><p>/2B x A</p><p>3</p><p>/4A</p><p>1</p><p>/4B x A</p><p>7</p><p>/8A</p><p>1</p><p>/8B x A</p><p>15</p><p>/16A</p><p>1</p><p>/16B x A</p><p>31</p><p>/32A</p><p>1</p><p>/32B</p><p>1</p><p>a</p><p>geração</p><p>2</p><p>a</p><p>geração</p><p>3</p><p>a</p><p>geração</p><p>4</p><p>a</p><p>geração</p><p>5</p><p>a</p><p>geração</p><p>52</p><p>O estudo do comportamento dos animais pode ser classificado em:</p><p>Observacional: busca informações sobre repertório comportamental dos animais (O que?</p><p>Como?); Explanatório: busca informações sobre causas e funções de um comportamento</p><p>(Como? Por quê? Para quê?); Manipulativo: introduz mudanças qualitativas ou</p><p>quantitativas no repertório comportamental dos animais para estudar a produtividade ou</p><p>bem-estar.</p><p>Os comportamentos dos animais podem ser observados de duas formas: Estados:</p><p>indica a condição comportamental de um organismo num determinado momento. Para</p><p>efeito de registro, os estados são organizados em classes descritivas e anotados como</p><p>instantâneos. Ex.: descansando, ruminando. Eventos: refere à ocorrência de um estado</p><p>comportamental definido pelo início e fim de tal estado. Para efeito de registro, o início e</p><p>fim de cada ocorrência precisam ser conhecidos.</p><p>A transmissão do comportamento entre os animais se dá geneticamente ou pelo</p><p>aprendizado. Por transmissão genética entendemos aquela informação contida nos genes</p><p>que são transmitidas aos filhos através dos gametas. Por aprendizagem entendemos tanto</p><p>o processo de tentativa e erro, onde a tentativa bem sucedida é seguida de premiação e,</p><p>portanto gravada como “ adquirida” quanto o processo de facilitação social, que é o</p><p>fenômeno pelo qual um animal mais experiente “ensina” a outro determinadas ações.</p><p>Formas de comunicação: a transferência de informações de um animal para</p><p>outro por meio de sinais pode ser através do olfato, visão, tato, audição ou vocalização.</p><p>Comportamento Alelomimético: dois animais fazendo a mesma coisa, ao mesmo</p><p>tempo, com algum grau de estímulo recíproco. Ex.: comportamento sexual.</p><p>Facilitação social: é o comportamento iniciado ou incrementado pela ação ou</p><p>presença de outro animal. Ex.: comportamento de pastoreio, deslocamento do grupo,</p><p>mamada em leitões.</p><p>Interação agonística: é o comportamento relacionado à luta ou disputa, intra ou</p><p>inter específica. Além de utilizados para defesa de território, os dentes, as unhas, as patas e</p><p>os chifre também são importantes nas interações agonísticas dentro de um grupo de</p><p>animais, principalmente quando estão por definir a hierarquia social.</p><p>Território: parcela ocupada por um grupo de animais de mesma espécie para se</p><p>defenderem de seus congêneres, facilitar as uniões sexuais e garantir alimentação. No</p><p>território é que os animais gastam seu tempo e energia para sua defesa defesa de filhotes;</p><p>sucesso na reprodução e o acesso a abrigo e alimento.</p><p>O território pode ser classificado em:</p><p>� Território primário: é uma pequena área para deitar, dormir e ter os</p><p>cuidados corporais;</p><p>� Território secundário: é o espaço que o animal utiliza para evitar o contato</p><p>com outros animais, pular e mover-se;</p><p>� Distância de fuga: a mínima distância que um animal permite a</p><p>aproximação de outro animal. Quando há intromissão neste espaço há atitudes defensivas,</p><p>alarme, ataque e vocalizações. No manejo,</p><p>a distância de fuga diminui se os animais são</p><p>bem tratados. Ex.: fuga de predadores ou dominantes.</p><p>� Área de moradia (home range): área que o grupo ou indivíduo controla;</p><p>53</p><p>� Áreas nucleares (core areas): áreas mais ocupadas. Ex.: sal, sombra,</p><p>aguadas.</p><p>Motivação: é o impulso de realizar uma ação comportamental. Origina-se</p><p>quando um mecanismo neurológico interpreta estímulos externos e avalia alternativas</p><p>disponíveis. A impossibilidade do animal de seguir uma motivação é comum em situações</p><p>de criação em cativeiro, o leva à frustração e comportamentos estereotipados.</p><p>Medo: é uma emoção ou um estado motivacional induzido pela percepção de</p><p>perigo. Produz reações fisiológicas e comportamentais para preparar o organismo para</p><p>fugir ou enfrentar esse perigo. A susceptibilidade a ter medo parece ser uma característica</p><p>do indivíduo e varia de acordo com fatores genéticos (raça, linhagem, sexo) e ambientais</p><p>(sociais ou não sociais).</p><p>Antropomorfismo: é a atribuição de características humanas aos animais.</p><p>Imprinting: é o hábito de um animal se apegar a outro (ou a um objeto que se</p><p>move) independente de recompensas, assegurando que os filhotes sigam seus pais e se</p><p>acasalem com membros de sua espécie. Ocorre no início da vida (período crítico), em</p><p>curto espaço de tempo e é irreversível, sendo generalizado para a espécie. O imprinting é</p><p>mais forte em espécies seguidoras, onde o tempo para reconhecimento é pequeno.</p><p>Desenvolvimento neonatal: caracteriza o comportamento dos filhotes logo após</p><p>o seu nascimento. As espécies podem ser altriciais ou precociais:</p><p>� Espécies altriciais (altrix = ama de leite): as espécies altriciais não</p><p>sobrevivem sem a presença e assistência da mãe, nascem ou eclodem cedo em termos de</p><p>desenvolvimento, de olhos fechados e tem dificuldades locomotoras e termorregulatórias,</p><p>pois os filhotes nascem sem pêlos ou penas. Normalmente são espécies politocos (muitos</p><p>filhotes). Ex.: cães, pássaros, gatos, humanos.</p><p>� Espécies precociais: os animais já nascem bem desenvolvidos, com os olhos</p><p>abertos e em condições de locomover-se, buscar e ingerir seu próprio alimento com pouca</p><p>ajuda dos pais. Normalmente são espécies oligotocos (um filhote). Ex.: maioria das espécies</p><p>zootécnicas, como os bovinos, ovinos, eqüinos e caprino.</p><p>Dentre as espécies precociais há a seguinte divisão:</p><p>� Seguidoras: seguem a mãe após o nascimento, têm alta freqüência de</p><p>amamentação. Ex.: ovelha, cavalo, camelo.</p><p>� Escondedoras: pouco tempo com a mãe, amamentação pouco</p><p>freqüente, mãe ingere placenta e fluidos para limpar o ambiente da</p><p>cria, imprinting por contato inicial. Ex.: vaca, cabra, búfalo.</p><p>� Fazedoras de ninho: imprinting leva alguns dias, facilidade em adotar</p><p>filhotes. Ex.: porca e aves.</p><p>Tipos de comportamentos:</p><p>� Comportamento inato: é o comportamento herdável, ou seja, o animal</p><p>já nasce com determinada característica de comportamento. Ex.: reflexos, acasalamento,</p><p>ninho, coçar-se.</p><p>� Comportamento aprendido: é o comportamento pelo qual um animal</p><p>ensina o outro a realizar determinadas ações, como resultado de uma influência ou</p><p>experiência anterior (tentativa de erro). Os comportamentos aprendidos estão</p><p>54</p><p>relacionados com o desenvolvimento individual e evolução cultural (geração a geração),</p><p>sendo eficiente para estímulos de sobrevivência e reprodução.</p><p>� Comportamento alelomimético: este comportamento se refere às</p><p>situações de quando dois animais estão tendo o mesmo comportamento, ao mesmo</p><p>tempo, com certo grau de estímulo recíproco. Ex.: comportamento sexual.</p><p>Habituação: processo pelo qual a apresentação contínua ou repetida de um</p><p>estímulo irrelevante resulta na diminuição da probabilidade de ocorrência das respostas</p><p>inicialmente excluídas. Relevante para domesticação/criação animal</p><p>Sensibilização: é o processo oposto à habituação, onde a apresentação de um</p><p>estímulo aumenta a probabilidade de haver resposta (negativa ou positiva). Ao contrário</p><p>da habituação, que envolve estímulos neutros, a sensibilização envolve estímulos</p><p>significativos, como alimento ou perigo. Ex.: Procura de alimentos onde encontrou</p><p>previamente.</p><p>Condicionamento: processo pelo qual um animal forma uma associação entre</p><p>um estímulo ou uma resposta comportamental previamente neutro e um estímulo</p><p>significativo. Esta associação é gravada na memória.</p><p>Organização social: a maior parte dos animais vive em grupo, os quais têm uma</p><p>determinada organização social.</p><p>� Hierarquia: é uma forma da organização social;</p><p>� Dominância: é um instrumento da hierarquia;</p><p>� Hierarquia social: é a disposição, a ordem que os indivíduos de um grupo se</p><p>dispõem em diferentes posições após lutas, ameaças, submissões passivas ou as</p><p>combinações desses;</p><p>Formação da hierarquia: os animais domésticos são animais de hábito gregário,</p><p>ou seja, vivem em grupos, dentro dos quais se estabelece uma hierarquia. Essa hierarquia é</p><p>estável e perdura por longo tempo se não houver algum fator externo que o modifique. O</p><p>estabelecimento da ordem hierárquica de um grupo é benéfico, pois traz consolidação ao</p><p>mesmo, evitando novos distúrbios. Em caso de ameaça ou perigo, o grupo atua em</p><p>conjunto. A hierarquia dos grupamentos pode apresentar-se em forma linear ou triangular.</p><p>� Dominante: é o indivíduo ou indivíduos do grupo que ocupam as posições</p><p>mais altas na hierarquia e dominam aos demais, atacam impunemente os outros e têm</p><p>prioridade na alimentação e em outras situações críticas. Geralmente o animal mais</p><p>dominante é um macho de grande porte, em idade adulta.</p><p>� Subordinados: são os indivíduos que se submetem aos dominantes na</p><p>organização hierárquica.</p><p>� Líder é o animal que conduz o grupo quando em deslocamentos. O líder não</p><p>é, necessariamente, o dominante. Geralmente o líder anda na frente do grupo, com os</p><p>animais de posição hierárquica intermediária, seguidos dos animais dominantes (alta</p><p>posição hierárquica), seguidos pelos animais dominados.</p><p>55</p><p>15. Bibliografia</p><p>COLE, H.H. Producción Animal. Zaragoza:Acríbia. 1973.</p><p>DOMÍNGUEZ, O. Elementos de Zootecnia Tropical. 6ed. São Paulo: Nobel. 1986.</p><p>___________, O. Introdução à Zootecnia. 6ed. São Paulo: Nobel. 1982.</p><p>ENSMINGER,M.E. Zootecnia General. 2ed. Buenos Aires: El Ateneo. 1976.</p><p>FRANDSON, R.D. 1979. Anatomia e Fisiologia dos Animais Domésticos. Guanabara:</p><p>Koogan,2ed. Rio de Janeiro, RJ. 429p</p><p>HAFEZ, E.S.E. Reprodução Animal. 4ed. São Paulo: Manole. 1988.</p><p>MILLEN, E. Guia do Técnico Agropecuário: Veterinária e Zootecnia. Campinas: Instituto</p><p>Campineiro de Ensino Agrícola. 1983.</p><p>______, E. Zootecnia e Veterinária: Teoria e Prática Gerais. Campinas: Instituto Campineiro</p><p>de Ensino Agrícola. V.1 1975.</p><p>______, E. Zootecnia e Veterinária: Teoria e Prática Gerais. Campinas: Instituto Campineiro</p><p>de Ensino Agrícola. V.2 1975.</p><p>Revista DBO. DBO editores Associados Ltda.</p><p>Revista Globo Rural, Editora Globo.</p><p>Revista A Granja.</p><p>Revista Cultivar Bovinos.</p><p>TORRES, A.P. & JARDIM,W.R. Manual de Zootecnia: Raças que interessam ao Brasil. São</p><p>Paulo: Ceres. 1975.</p><p>VIEIRA,M.I. Pecuária Lucrativa: Zootecnia Prática. São Paulo: Nobel. 1986</p><p>www.agrov.com.br</p><p>www.curlygirl/naturlink.pt</p><p>www.embrapa.org.br</p><p>www.epagri.rct-sc.br</p><p>www.fnp.com.br</p><p>www.gensys.com.br</p><p>www.icepa.org.br</p><p>www.informeagropecuário.com.br</p><p>www.revistadbo.com.br</p><p>www.rurallinks.com.br</p><p>ainda a Cunicultura (coelhos),</p><p>Apicultura (abelhas), Caprinocultura (caprinos), Ovinocultura(ovinos), Bufalinocultura</p><p>(búfalos), Sericicultura (bicho da seda), Piscicultura (peixes de água doce), Eqüinocultura</p><p>(eqüinos), Helicicultura (escargot), etc.</p><p>A Zootecnia apresenta uma estreita relação com outra ciência, a Fitotecnia.</p><p>Sendo assim temos uma relação de troca de produtos e informações entre estas duas</p><p>ciências intimamente relacionadas. Enquanto a Zootecnia fornece trabalho (força motriz),</p><p>fertilizantes orgânicos de alta qualidade e promove uma valorização do alimento vegetal,</p><p>a Fitotecnia responde com o fornecimento de alimentos para os animais herbívoros e</p><p>onívoros bem como com abrigo para eles.</p><p>Com outras ciências (disciplinas) também há um intercâmbio de informações e</p><p>certa interdependência. Em relação à adaptação dos animais ao meio (manejo)temos a</p><p>8</p><p>Climatologia; a Geografia; a Meteorologia; a Cartografia; a Genética, etc. Em relação à</p><p>alimentação dos animais temos a Nutrição; a Botânica; a Química (orgânica); a</p><p>Matemática (cálculos de ração) a Bromatologia (estudo dos alimentos em relação aos</p><p>seres vivos), etc. Em relação ao melhoramento Genético de nossos rebanhos não podemos</p><p>abrir mão da Genética; da Biologia e da Matemática e Estatística. Para manutenção da</p><p>sanidade vamos recorrer à biologia; à Farmacologia, à Veterinária, etc. E temos ainda a</p><p>Administração, a Economia, a Sociologia e tantas outras.</p><p>4. Origem e Evolução</p><p>A enorme variedade de espécies de seres vivos tem fascinado a humanidade</p><p>ao longo da história. Compreendê-la sempre se constituiu num desafio. Em praticamente</p><p>todas as sociedades humanas encontramos explicações religiosas para a origem dos seres</p><p>vivos. Muitos religiosos incorporaram as tradições judaico-cristãs, difundindo pelo mundo as</p><p>explicações contidas no velho testamento. Estas explicações, às vezes razoáveis e às vezes</p><p>absurdas, vêm aos poucos sendo investigadas pela ciência. Há cerca de dois séculos</p><p>começaram a surgir as explicações científicas para a origem e a diversidade da vida</p><p>existente em nosso planeta.</p><p>Desde então, as evidências dos fatos têm mostrado que a vida em nosso</p><p>planeta provavelmente surgiu sem nenhuma interferência sobrenatural. A enorme</p><p>variedade de espécies existentes deve-se à lenta transformação e diversificação dos</p><p>primeiros seres vivos, surgidos há milhões de anos, através de um processo conhecido como</p><p>EVOLUÇÃO BIOLÓGICA.</p><p>A evolução tem suas bases fortemente corroboradas pelo estudo comparativo</p><p>dos organismos, fosseis ou atuais. Estas comparações podem se dar por homologia,</p><p>analogia ou órgãos vestigiais.</p><p>Por homologia entende-se a semelhança entre estruturas de diferentes</p><p>organismos, devida unicamente a uma mesma origem embriológica. As estruturas</p><p>homológicas podem ou não exercer a mesma função. O braço do homem, a pata do</p><p>cavalo, a asa do morcego e a nadadeira da baleia são estruturas homológicas entre si,</p><p>pois todas têm a mesma origem embriológica. Nestes casos não há similaridade funcional.</p><p>Ao analisar a asa do morcego e a da ave, no entanto, verifica-se que ambas tem a mesma</p><p>origem embriológica estando também associadas à mesma função. A homologia entre</p><p>estruturas de diferentes organismos sugere que eles se originaram de um grupo ancestral</p><p>comum e, embora não indique um grau de proximidade comum, indica que deste grupo</p><p>partem várias linhas evolutivas que originaram várias espécies diferentes. Chama-se de</p><p>irradiação adaptativa.</p><p>A Analogia refere-se à semelhança morfológica entre estruturas, em funções de</p><p>adaptação à execução da mesma função. As asas dos insetos e das aves são estruturas</p><p>diferentes quanto à origem embriológica, mas ambas estão adaptadas à execução de</p><p>uma mesma função: o vôo. São, portanto, estruturas análogas. As estruturas análogas não</p><p>refletem por si só qualquer grau de parentesco. Elas fornecem indícios da adaptação de</p><p>estruturas de diferentes organismos a uma mesma variável ecológica. Quando organismos</p><p>não intimamente aparentados apresentam estruturas semelhantes exercendo a mesma</p><p>função, dizemos que eles sofreram evolução convergente. Ao contrário da irradiação</p><p>adaptativa, a evolução convergente ou convergência evolutiva é caracterizada pela</p><p>adaptação de diferentes organismos a uma condição ecológica igual, assim as formas do</p><p>corpo do golfinho, dos peixes, especialmente os tubarões, e de um réptil chamado</p><p>ictiossauro são bastante semelhantes, adaptados à natação. Neste caso a semelhança</p><p>9</p><p>não é sinal de parentesco, mas resultado da adaptação destes organismos ao ambiente</p><p>aquático.</p><p>Os órgãos vestigiais são aqueles órgãos que, em alguns organismos, encontram-</p><p>se com tamanho reduzido e geralmente sem função, mas em outros organismos são</p><p>maiores e exercem função definitiva. A importância evolutiva desses órgãos vestigiais é a</p><p>indicação de uma ancestralidade comum. Um bom exemplo conhecido de órgão vestigial</p><p>no homem é o apêndice vermiforme, estrutura pequena e sem função que parte do ceco</p><p>(estrutura localizada no ponto onde o intestino delgado liga-se ao grosso). Nos mamíferos</p><p>roedores, o ceco é uma estrutura bem desenvolvida, na qual o alimento parcialmente</p><p>digerido é armazenado e a celulose, abundante nos vegetais ingeridos, é degradada pela</p><p>ação de bactérias especializadas. Em alguns desses animais o ceco é uma bolsa contínua,</p><p>e em outros, como o coelho, apresenta extremidade final mais estreita, denominada</p><p>apêndice, que corresponde ao apêndice vermiforme humano.</p><p>As idéias mais importantes sobre a evolução dos seres vivos vieram a público nos</p><p>primeiros meses de 1859, com a publicação de um dos mais influentes e polêmicos livros na</p><p>história da humanidade. De autoria de Charles Darwin, o livro “A Origem das Espécies”</p><p>explica como, através da seleção natural e da luta pela sobrevivência surgiram e/ou se</p><p>modificaram as espécies hoje existentes. Desde a sua publicação toda a especulação</p><p>séria a respeito da vida na Terra tem tomado como base a “Teoria da Evolução”, descrita</p><p>no livro.</p><p>Até o início do século XIX a maioria das pessoas, particularmente no mundo</p><p>ocidental, aceitava a idéia de que cada espécie de ser vivo havia sido fruto da criação</p><p>divina. Esta crença é hoje conhecida como Criacionismo ou Teoria da Criação. Para o</p><p>mundo científico, no entanto, os seres vivos surgiram sem nenhuma interferência divina, há</p><p>mais de 3,5 milhões de anos e desde então vêm se modificando lenta e gradativamente,</p><p>processo este que se prolongará indefinidamente.</p><p>4.1 - TEORIA DE LAMARCK</p><p>Jean-Baptiste Lamarck(1744-1829), naturalista francês foi um cientista que</p><p>acreditava que os organismos tinham surgido por transformações sucessivas de formas mais</p><p>primitivas. Segundo ele, as criaturas mais simples tinham surgido de forma espontânea</p><p>(Teoria da GERAÇÃO ESPONTÂNEA) a partir de matéria não viva, modificando-se ao longo</p><p>de incontáveis gerações sucessivas. Assim, admitindo-se que cada espécie surgira</p><p>independentemente a partir de um ancestral primitivo, Lamarck não pressupunha nenhum</p><p>tipo de parentesco entre as diversas espécies. Lamarck baseou sua teoria sobre dois pontos</p><p>principais:</p><p>Lei do Uso e Desuso (1a Lei de Lamarck) – Lamarck propõe que o uso freqüente</p><p>de um determinado órgão ou estrutura conduz à hipertrofia (aumento de tamanho e</p><p>desenvolvimento) deste. O desuso prolongado de determinada parte do organismo</p><p>ocasionaria a atrofia (diminuição e perda da função) desta parte ou estrutura.</p><p>Esta hipótese ainda não explicava a contento a grande diversidade e</p><p>complexidade de organização dos organismos vivos, sendo então complementada.</p><p>Lei da Transmissão Hereditária dos Caracteres Adquiridos (2a Lei de Lamarck) –</p><p>Lamarck propõe que as modificações ocorridas nos órgãos e estruturas decorrentes da lei</p><p>do Uso e Desuso seriam transmitidas aos descendentes, de geração em geração. Segundo</p><p>Lamarck, o fato de as girafas terem seu pescoço tão cumprido e pernas dianteiras tão</p><p>longas devia-se ao foto de esticarem-se</p><p>freqüentemente para alcanças os brotos mais</p><p>altos das árvores, estimulando assim estas partes do corpo. Os filhos, já nasceriam com a</p><p>característica diferenciada e a ampliariam ainda mais. Lamarck explica também as pernas</p><p>10</p><p>longas das garças: elas seriam em decorrência de seu esforço para manter o corpo fora</p><p>d’água; Os coelhos teriam orelhas longas em resposta à freqüente solicitação da audição</p><p>para perceber a aproximação dos predadores, que no esforço de canalizar melhor o som</p><p>para o interior do conduto auditivo, iam esticando cada vez mais as orelhas; Também o</p><p>tamanduá teria fortes garras e focinho comprido como resultado do contínuo esforço no</p><p>processo de revolver a terra dos formigueiros e capturar as formigas.</p><p>A teoria de Lamarck não é aceita atualmente, pois suas idéias apresentam um</p><p>erro básico: as características adquiridas não são hereditárias. Verificou-se que as</p><p>alterações em células somáticas dos indivíduos não alteram as informações genéticas</p><p>contidas nas células germinativas, não sendo, desta forma, hereditárias.</p><p>4.2 - TEORIA DE DARWIN</p><p>Em 1859, trinta anos após a morte de Lamarck, o naturalista inglês Charles Darwin</p><p>(1809-1882), publicou seu livro “A Origem das Espécies”, no qual reúne diversas evidências</p><p>em favor do Evolucionismo, fruto da Seleção Natural. Os princípios básicos das idéias de</p><p>Darwin podem ser resumidos da seguinte forma:</p><p>� Os indivíduos de uma mesma espécie apresentam variações em todos os</p><p>caracteres, não sendo, portanto, idênticos entre si;</p><p>� Todo organismo tem grande capacidade de reprodução, produzindo muitos</p><p>descendentes. Entretanto, apenas alguns descendentes chegam à idade adulta;</p><p>� O número de indivíduos de uma espécie é mantido mais ou menos constante</p><p>ao longo das gerações;</p><p>� Assim há grande luta entre os descendentes, pois apesar de nascerem muitos</p><p>indivíduos, poucos atingem a maturidade, o que mantém constante o número de</p><p>indivíduos da espécie;</p><p>� Na luta pela vida organismos com variações favoráveis às condições do</p><p>ambiente onde vivem tem mais chances de sobreviver quando comparados com</p><p>organismos com variações desfavoráveis ao mesmo ambiente;</p><p>� Os organismos com estas variações favoráveis têm maiores chances de</p><p>deixarem descendentes. Como há transmissão de características de pais para filhos, os</p><p>descendentes apresentam estas variações favoráveis.</p><p>� Assim, ao longo das gerações, o processo de seleção natural mantém ou</p><p>melhora o grau de adaptação das espécies ao ambiente.</p><p>Para Darwin, o comprimento do pescoço das girafas variava entre os indivíduos</p><p>das populações originais (ancestrais), sendo esta variabilidade de origem hereditária. Nesta</p><p>época ainda não se conheciam os princípios da genética, desvendados primeiramente</p><p>por Gregor Mendel (1822-1884) monge austríaco, que endossou a teoria de Darwin depois</p><p>de sua publicação. Segundo Darwin então, os indivíduos cujos pescoços eram</p><p>geneticamente mais longos e as perdas dianteiras maiores alcançavam a melhor e mais</p><p>abundante parte do alimento, tendo então maiores chances de sobrevivência e,</p><p>conseqüentemente, reprodução. O que chamamos de Seleção Natural estaria, neste caso,</p><p>beneficiando as maiores pernas e os pescoços mais longos levando, ao longo dos séculos,</p><p>às girafas que conhecemos hoje.</p><p>A teoria de Darwin ou Seleção Natural é também conhecida como a Lei do Mais</p><p>Apto. Isto significaria que o indivíduo mais adaptado (variação favorável) a um</p><p>determinado ambiente ecológico teria melhores condições de sobrevivência e</p><p>11</p><p>reprodução, deixando descendentes. Por outro lado o indivíduo menos adaptado</p><p>(variação desfavorável) ao mesmo ambiente ecológico tenderia a não sobreviver ou não</p><p>reproduzir ou ainda, reproduzir em pequena escala, tendendo estas características a</p><p>desaparecer com o passar do tempo.</p><p>4.3 - TEORIA SINTÉTICA DA EVOLUÇÃO</p><p>A TEORIA SINTÉTICA DA EVOLUÇÃO ou Neodarwinismo foi formulada por vários</p><p>pesquisadores durante anos de estudos, tomando como essência as noções de Darwin</p><p>sobre a seleção natural e incorporando noções atuais de genética. A mais importante</p><p>contribuição individual da genética, extraída dos trabalhos de Mendel, substitui o conceito</p><p>antigo de herança através da mistura de sangue pelo conceito de herança através de</p><p>partículas chamadas genes. A teoria sintética considera, conforme Darwin já havia feito, a</p><p>população como unidade evolutiva. É importante lembrar que espécie é um</p><p>agrupamento de populações naturais, real ou potencialmente intercruzantes e</p><p>reprodutivamente isolados de outros grupos de organismos. Quando se diz potencialmente</p><p>intercruzantes significa que uma espécie pode ter populações que não cruzem</p><p>naturalmente por estarem geograficamente separadas. Entretanto, se colocadas</p><p>artificialmente em contato, haverá cruzamento entre os indivíduos, com descendentes</p><p>férteis.</p><p>Observando as diferentes populações de indivíduos com reprodução sexuada,</p><p>pode-se notar que não existe um indivíduo igual ao outro. Exceções a essa regra poderiam</p><p>ser os gêmeos univitelínicos, mas mesmo eles não são absolutamente idênticos, apesar de o</p><p>patrimônio genético ser inicialmente o mesmo. Isso porque podem ocorrer alterações</p><p>somáticas devidas à ação do meio. A enorme diversidade de fenótipos em uma</p><p>população é indicadora da variabilidade genética dessa população, podendo-se notar</p><p>que esta é geralmente muito ampla.</p><p>A compreensão da variabilidade genética e fenotípica dos indivíduos de uma</p><p>população é fundamental para o estudo dos fenômenos evolutivos, uma vez que a</p><p>evolução é, na verdade, a transformação estatística de populações ao longo do tempo,</p><p>ou ainda, alterações na freqüência dos genes dessa população. Os fatores que</p><p>determinam alterações na freqüência dos genes são denominados fatores evolutivos.</p><p>Cada população apresenta um conjunto gênico, que sujeito a fatores evolutivos, pode ser</p><p>alterado. O conjunto gênico de uma população é o conjunto de todos os genes presentes</p><p>nessa população. Assim quanto maior o conjunto gênico, maior é a variabilidade genética.</p><p>Os fatores evolutivos que atuam sobre o conjunto gênico da população podem</p><p>ser reunidos em duas categorias:</p><p>� Fatores que tendem a aumentar a variabilidade genética de uma</p><p>população: mutação gênica, mutação cromossômica e recombinação;</p><p>� Fatores que atuam sobre a variabilidade genética já estabelecida: seleção</p><p>natural. migração e oscilação genética.</p><p>A integração desses fatores associada ao isolamento geográfico pode levar, ao</p><p>longo do tempo, ao desenvolvimento de mecanismos de isolamento reprodutivo, quando</p><p>então, surgem novas espécies.</p><p>Verifique a definição destes conceitos no capítulo referente ao Melhoramento</p><p>Genético Animal.</p><p>12</p><p>5. Domesticação das Espécies</p><p>Chama-se domesticação o ato de tornar domésticos os animais selvagens. A</p><p>expressão “doméstico” vem do latim DOMUS= CASA, sendo domésticos, então, os animais</p><p>que convivem com o homem, na sua casa ou dependência, estabelecendo com ele uma</p><p>simbiose permanente através das gerações. O homem proporciona a estes animais</p><p>cuidados e alimentação e, em troca, recebe utilidades. Podemos também dizer que uma</p><p>espécie é doméstica quando o homem conhece profundamente a sua biologia e sobre</p><p>ela tem domínio, a ponto de poder reproduzi-la e/ou manipulá-la comercial ou</p><p>cientificamente.</p><p>Nos dias de hoje é comum confundir-se animal doméstico com animal</p><p>amansado, como é o caso de papagaios, macacos, cotia, etc. Porém estes não podem</p><p>ser incluídos no grupo dos bois, cavalos, carneiros, cabras, cães, etc., que são espécies</p><p>verdadeiramente domésticas. O animal amansado é um espécime, ou seja, apenas um</p><p>indivíduo, ao passo que o doméstico é uma espécie inteira ou um grande grupo,</p><p>representativo desta. O animal amansado é um indivíduo que perdeu sua agressividade</p><p>frente ao homem, ou por domínio da força ou por reconhecimento da falta de perigo que</p><p>este passa a representar.</p><p>O amestramento também não pode ser confundido com a domesticação uma</p><p>vez que se resume a ensinar</p><p>(amestrar – obedecer ao mestre) alguma ação a um animal,</p><p>seja este doméstico ou selvagem, amansado ou bravio.</p><p>A domesticação foi uma conseqüência da própria criação dos animais,</p><p>realizada pelo homem primitivo para satisfazer uma necessidade, seja religiosa, de</p><p>companhia, de alimentação ou de agasalho. O homem primitivo, agindo mais por instinto</p><p>do que por experiência (resultado do desenvolvimento da inteligência), estava mais</p><p>próximo dos animais e lhe foi muito fácil conviver com eles, amansá-los, introduzindo-os na</p><p>domesticidade. Este processo foi longo e atravessou gerações até estar concluído.</p><p>As primeiras espécies animais foram domesticadas quando o homem deixou de</p><p>ser nômade, passando a ter vida sedentária. Segundo alguns estudiosos, esta</p><p>domesticação iniciou-se por volta do ano 7000 a.C.</p><p>O primeiro animal a ser domesticado pelo homem foi o CÃO, no período</p><p>neolítico, na idade da pedra polida, na região da Dinamarca. Ao contrário do que se</p><p>imagina, aproximou-se do homem em busca dos restos de comida e foi utilizado pelos</p><p>nossos ancestrais primeiramente como alimento. Posteriormente o homem percebeu que o</p><p>cão era um bom caçador, passando a aprender técnicas de caça com ele. Na seqüência</p><p>o cão foi utilizado como pastor e também como companhia. Hoje, além destas funções o</p><p>cão é utilizado como instrumento de defesa. Após o cão, a CABRA/BODE foi domesticada</p><p>na Ásia, devido principalmente à produção de leite que serviria como alimento. Vieram</p><p>então o CARNEIRO/OVELHA (Ásia e Europa), os BOVINOS (europeus – Europa, zebuínos –</p><p>Ásia) e o BÚFALO (Ásia). Este último ainda não é considerado doméstico, mas semi-</p><p>doméstico, já que retorna muito facilmente ao estado selvagem quando restituído ao seu</p><p>habitat original. Ainda no período neolítico (idade da pedra polida – 12 a 4 mil anos aC) o</p><p>suíno foi domesticado na Ásia e Europa em busca de carne e banha.</p><p>Mais tarde, já na idade do bronze os homens da Ásia e da Europa domesticaram</p><p>o cavalo e no Tibet e Etiópia se tem indícios da domesticação do jumento. Não se tem</p><p>muita informação sobre a domesticação americana do cavalo. O coelho foi domesticado</p><p>bem mais recentemente, na península Ibérica pouco antes do início da Idade Média.</p><p>Depois disso vieram a galinha, o marreco, o pato, o peru, a carpa...</p><p>13</p><p>Para atingir o estado de domesticação a espécie animal deve passar por três</p><p>fases. São elas:</p><p>1a - Prisão ou cativeiro - Na qual é tirada a liberdade do animal. Onde o homem</p><p>mantém o animal preso, porém dele não obtém lucro ou serviço. É o caso dos mamíferos</p><p>dos parques e jardins zoológicos, viveiros, gaiolas, etc.</p><p>2a - Mansidão - Na qual o animal se sujeita ao homem. É a fase de convivência</p><p>pacífica entre homens e animais, onde os animais já prestam serviços inestimáveis ao</p><p>homem, embora não sendo domésticos. É o caso dos elefantes na Índia e na África, em</p><p>estado bem próximo à domesticação porém sua biologia não permite a transição para o</p><p>próximo estágio.</p><p>3a - Domesticidade - Na qual a espécie (não mais o indivíduo) se submete ao</p><p>homem. É o estado de simbiose no qual se acham os animais domésticos e o homem.</p><p>Alguns estudiosos consideram duvidosa a domesticação de alguns animais como os</p><p>peixes, ostras, abelhas e até o bicho da seda. Existe ainda o estado de semi-domesticação,</p><p>em que os animais não podem ser considerados completamente domésticos porque</p><p>voltam à vida selvagem com relativa facilidade. É o caso do búfalo, rena, galinha</p><p>d’angola, etc.</p><p>A domesticidade é uma qualidade hereditária, inata a certas espécies e</p><p>resultante de três atributos, inerentes à espécie, que são:</p><p>1o - Sociabilidade - É o instinto que faz o animal procurar a vida conjunta. Todas</p><p>as espécies domésticas vivem em bandos. Em virtude desta sociabilidade estes animais</p><p>chegaram-se ao homem e deixaram-se amansar.</p><p>2o - Mansidão hereditária - É a ausência do instinto selvagem nos filhos dos</p><p>animais domésticos, que não precisam sofrer nova operação de amansamento.</p><p>3o - Fecundidade em cativeiro - É a faculdade que garante a perpetuação da</p><p>espécie no estado doméstico.</p><p>Sem satisfazer as condições acima, o animal não pode ser domesticado, como</p><p>acontece com o elefante, que é sociável, de índole mansa, mas não se reproduz</p><p>facilmente em cativeiro. O número de espécies domésticas é, portanto, muito limitado,</p><p>havendo para cada 1000 selvagens, entre mamíferos e aves, apenas uma doméstica. No</p><p>entanto, tentativas para aquisição de novas espécies domésticas continuam a ser feitas,</p><p>como com o bisão americano, antílopes, veados, raposas, roedores, aves e peixes.</p><p>Existem pelo menos duas hipóteses para explicar o modo como os animais foram</p><p>domesticados pelo homem ao longo de sua história. Uns dizem que foi à força, enquanto</p><p>outros crêem que a domesticação se deu por meios pacíficos.</p><p>A primeira hipótese se baseia em representações antigas, mostrando as várias</p><p>fases do amansamento dos animais, e nas dificuldades que se encontram ainda hoje no</p><p>adestramento de algumas espécies, como o cavalo, por exemplo.</p><p>A segunda afirma que os animais domésticos eram naturalmente mansos, pois</p><p>não tinham o homem como seu predador, sendo o homem o culpado pelo medo que hoje</p><p>eles demonstram, por terem sido perseguidos e maltratados. Os animais herbívoros e</p><p>mesmo o lobo (ancestral do cão), nas ocasiões de intempéries e escassez, teriam</p><p>procurado abrigo e restos de comida junto aos homens, que os retiveram, a princípio por</p><p>curiosidade ou diversão e, descobrindo neles certas utilidades, teriam aprisionado-os,</p><p>multiplicando-os em cativeiro.</p><p>14</p><p>O mais provável é que ambas as teorias estejam corretas, onde em certos casos</p><p>os animais se deixaram amansar facilmente e em outros tenha havido a necessidade do</p><p>emprego da força.</p><p>Ao longo do tempo algumas espécies sofreram profundas modificações</p><p>morfológicas, fisiológicas e psicológicas, ao passo que em outras essas transformações</p><p>foram pequenas. As causas das modificações foram, provavelmente, a mudança do meio</p><p>e do regime, através da seleção natural e a seleção artificial exercida pelo homem. As</p><p>principais modificações acham-se resumidas no quadro a seguir:</p><p>ESTADO SELVAGEM ESTADO DOMÉSTICO</p><p>Pelagem uniforme, predominância do fulvo; os</p><p>fenômenos de mimetismo são freqüentes.</p><p>Cor dos fâneros (pêlos) muito variável.</p><p>Altura e volume uniformes na mesma raça. Altura e formas variáveis.</p><p>Pavilhões auditivos pequenos e muito móveis;</p><p>os animais estão sempre em alerta na crença</p><p>de um inimigo.</p><p>Orelhas de volume e direção variáveis.</p><p>As defesas: chifres, dentes e garras são fortes,</p><p>simétricos e acerados.</p><p>Os órgãos de defesa tornam-se inúteis ou</p><p>prejudiciais e freqüentemente atrofiados.</p><p>A constituição é rústica. A constituição, em geral, é débil.</p><p>As funções se executam normalmente,</p><p>segundo os estímulos do meio.</p><p>Os animais são especializados nas funções de</p><p>produção: são chamados especializados,</p><p>melhorados ou aperfeiçoados.</p><p>As raças são pouco numerosas e cada uma é</p><p>adaptada a um clima determinado.</p><p>As raças são muito numerosas e artificiais; vivem</p><p>lado a lado, sob o mesmo clima, no mesmo</p><p>regime e meio.</p><p>As causas destas modificações ainda não são totalmente conhecidas. Acredita-</p><p>se que sejam de natureza endógena (mudanças na parte germinal ou hereditária dos</p><p>animais - por seleção natural, mutação gênica ou cromossômica ou ainda recombinação)</p><p>- mistura das espécies e raças as causas diretas destas transformações. O meio ambiente e</p><p>a seleção artificial realizada pelo homem seriam as causas indiretas.</p><p>De todas as modificações sofridas pelos animais domésticos, as mais importantes</p><p>são aquelas relacionadas com as funções de produção. Assim a precocidade e a</p><p>velocidade de ganho de peso nos animais para corte; a aptidão leiteira altamente</p><p>desenvolvida na vaca e na cabra; a postura elevada na galinha e na marreca; a</p><p>prolificidade na porca e na coelha; a velocidade no cavalo de corrida; a força tratora no</p><p>cavalo de tiro, no boi de canga e no burro; foram aptidões altamente</p><p>especializadas com</p><p>a domesticação, atingindo, às vezes, um ponto dificilmente ultrapassável. Estas aptidões,</p><p>das quais resultam utilidade ou serviço para o homem, são chamadas funções</p><p>econômicas.</p><p>Em relação aos bovinos domésticos, temos diferenças importantes que precisam</p><p>ser lembradas. Entre o grupo dos bovinos europeus e os indianos ou zebuínos existem</p><p>diferenças que os caracterizam como subespécies diferentes que, embora cruzem entre si,</p><p>produzido descendentes férteis, diferem a nível cromossômico. As principais destas</p><p>diferenças, percebidas fenotipicamente, são listadas abaixo:</p><p>15</p><p>Bovino Europeu (Bos taurus taurus) Bovino Indiano ou zebú (Bos taurus indicus)</p><p>Adaptado a clima temperado Adaptado a clima tropical</p><p>Não possui cupim Possui cupim</p><p>Osso frontal bem adiante dos parietais Osso frontal quase no nível dos parietais</p><p>Maior número de vértebras sacras e</p><p>coccígenas</p><p>Menor número de vértebras sacras e coccígenas</p><p>Orelhas mais curtas e firmas Orelhas desenvolvidas, pendentes.</p><p>Pouca barbela Barbela abundante</p><p>Menor número de glândulas sudoríparas e</p><p>sebáceas</p><p>Maior número de glândulas sudoríparas e</p><p>sebáceas</p><p>Gestação mais curta (± 283 dias) Gestação mais longa (± 295 dias)</p><p>Ap. digestório mais longo e com menor</p><p>capacidade de assimilação</p><p>Ap. digestório mais curto e com maior</p><p>capacidade de assimilação</p><p>Menor resistência ao calor e à insolação Maior resistência ao calor e à insolação</p><p>Menor resistência a ectoparasitos Maior resistência a ectoparasitos</p><p>Com a domesticação, algumas forças existentes nas populações selvagens</p><p>passaram a atuar mais intensamente. Tais forças ou mecanismos são: a consangüinidade, o</p><p>cruzamento e a seleção. As definições destes termos constam no capítulo referente ao</p><p>Melhoramento Genético Animal.</p><p>Além desses mecanismos, a interferência do homem sobre o ambiente criatório</p><p>e/ou o transporte dos animais domésticos para outros ambientes provocou diferenças nos</p><p>caracteres morfológicos e fisiológicos dos animais na medida em que os afastou de seu</p><p>habitat de origem.</p><p>16</p><p>6 – Classificação Zoológica das Espécies Domésticas</p><p>I. Classe: MAMÍFEROS</p><p>A. Ordem: UNGULATA</p><p>A1. Família: Perisseodáctila</p><p>01. Equus caballus ..................................................... cavalo/égua</p><p>02. Equus asinus ......................................................... jumento/jumenta</p><p>A2. Família: Artiodáctila</p><p>a. Sub-Família: Suídeos</p><p>03. Sus scrofa domesticus ........................................ porco/porca</p><p>04. Sus scrofa ............................................................... javali/javalina</p><p>b. Sub-Família: Camelídeos</p><p>05. Camelus bactrianus ............................................ camelo</p><p>06. Camellus dromedarius ........................................dromedário</p><p>07. Auchenia lhama ................................................. lhama</p><p>08. Auchenia pacus .................................................. alpaca</p><p>c. Sub-Família: Cervídeos</p><p>09. Rangifer tarandus ............................................... rena</p><p>d. Sub-Família: Ovídeos</p><p>10. Ovis aries .............................................................. carneiro/ovelha</p><p>11. Capra hircus ........................................................ bode/cabra</p><p>e. Sub-Família: Bovídeos</p><p>12. Bubalus bubalis .................................................... búfalo</p><p>13. Bos taurus taurus .................................................. bovino europeu</p><p>14. Bos taurus indicus ................................................ bovino zebú</p><p>15. Bison bonasus ....................................................... bisão europeu</p><p>16. Bison americanus ................................................ bisão americano</p><p>B. Ordem: DIGITÍGRADA</p><p>B1. Família: Roedores</p><p>a. Sub-Família:Leporídeos</p><p>17. Oryctolagus cuniculus ........................................ coelho</p><p>b. Sub-Família: Caviídeos</p><p>18. Cavia cobaya ..................................................... cobaia</p><p>B2. Família: Carnívora</p><p>a. Sub-Família: Canídeos</p><p>19. Canis familiaris ..................................................... cachorro/cadela</p><p>20. Vulpes argentatus .............................................. raposa prateada</p><p>b. Sub- Família: Felídeos</p><p>21. Felis domestica .................................................... gato</p><p>II. Classe: PEIXES</p><p>A. Ordem: Teleósteos</p><p>A1. Familia: Ciprinídeos</p><p>22. Cyprinus carpio ................................................... carpa</p><p>A2. Familia: Ciclídeos</p><p>23. Tilapia melanopleura .......................................... tilápia</p><p>A3. Familia: Salmonelídeos</p><p>24. Salmo lancustris ..................................................... truta</p><p>III. Classe: INSETOS</p><p>A. Ordem: Lepidópteros</p><p>A1. Família: Bombicídios</p><p>17</p><p>25. Bombix mori ......................................................... bicho da seda</p><p>B. Ordem: Himenópteros</p><p>B1. Família: Apídeos</p><p>26. Apis melifera melifera ........................................ abelha comum</p><p>27. Apis melifera ligustica ......................................... abelha italiana</p><p>28. Apis melifera adansoni ....................................... abelha africana</p><p>IV. Classe: AVES</p><p>A. Ordem: Anseriformes</p><p>A1. Família: Anatídeos</p><p>29. Cignus cygnus ..................................................... cisne</p><p>30. Cairina moschata ............................................... pato</p><p>31. Anas boschas .......................................................marreco</p><p>32. Anas anser domesticus .......................................ganso</p><p>B. Ordem: Galiformes</p><p>B1. Família:Faslanídeos</p><p>33. Gallus gallus domesticus .................................... galinha</p><p>34. Phasionus colchios ..............................................faisão</p><p>35. Pavo cristatus ....................................................... pavão</p><p>36. Numida galeata ................................................. galinha d`angola</p><p>37. Cotumix cotumix .................................................codorna</p><p>B2. Família:Penelopídeos</p><p>38. Meleagris galopavo ........................................... perú</p><p>C. Ordem: Columbiformes</p><p>C1. Família: Columbídeos</p><p>39. Columba doméstica .......................................... pombo</p><p>D. Ordem: Reiformes</p><p>D1. Família: Estrutionídeos</p><p>40 Struthio camelus ................................................... avestruz</p><p>D2. Família: Reídeos</p><p>41. Rhea americana ................................................. ema</p><p>V. Classe: BATRÁQUIOS</p><p>A. Ordem: Anuros</p><p>A1. Família:Ranídeos</p><p>42. Rana catesbiana ................................................. rã touro gigante</p><p>43. Rana exculenta ................................................... rã doméstica</p><p>7. Utilização dos Animais Domésticos</p><p>O animal doméstico, como todos os animais, é a sede de funções fisiológicas</p><p>(funções orgânicas), das quais depende a manutenção da sua vida. Eles respiram, nutrem-</p><p>se e se reproduzem. Essas funções do organismo que garantem a sua subsistência e a</p><p>perpetuação da espécie são chamadas funções fisiológicas ou naturais.</p><p>Os animais domésticos, além disso, permitem que algumas dessas funções</p><p>possam ser exploradas pelo homem, num certo sentido, para o seu aproveitamento</p><p>18</p><p>econômico. Assim, as funções fisiológicas ou naturais das quais resulta uma utilidade, um</p><p>bem ou um serviço para o homem, são chamadas funções produtivas, funções</p><p>econômicas ou ainda funções zootécnicas.</p><p>Por exemplo, da função fisiológica da glândula mamária resulta um produto: o</p><p>leite, que o homem utiliza na sua alimentação.</p><p>A função da lactação é uma função</p><p>fisiológica uma vez que garante sobrevivência aos filhotes de fêmeas mamíferas por outro</p><p>lado é também, uma função produtiva, econômica ou zootécnica, já que fornece o leite</p><p>para consumo e/ou processamento. Do funcionamento do úbere resulta uma utilidade - o</p><p>leite. No entanto, apenas as fêmeas produzem leite, ou seja, apenas as fêmeas possuem a</p><p>função fisiológica da produção de leite. Os machos, entretanto, têm na sua carga</p><p>genética, o potencial para esta característica, ou seja, suas filhas produzirão leite. Daí</p><p>dizermos que o macho, embora não apresente a função fisiológica da produção de leite,</p><p>apresenta a função produtiva, econômica ou zootécnica para esta característica.</p><p>O deslocamento animal, resultante da contração e distensão dos músculos em</p><p>seus membros, está no rol das funções fisiológicas. Mas o homem, explorando o serviço do</p><p>aparelho locomotor do animal doméstico, conferiu-lhe função zootécnica explorando-o,</p><p>por exemplo, para tração.</p><p>A função econômica, produtiva, ou zootécnica nada mais é, portanto, do que</p><p>uma função fisiológica ou natural que dá margem a uma utilidade ou a um serviço, em</p><p>proveito do homem. É toda função fisiológica que, em sendo útil ao próprio animal, ainda o</p><p>é também para o homem.</p><p>7.1 - CLASSIFICAÇÃO DAS FUNÇÕES PRODUTIVAS OU ZOOTÉCNICAS</p><p>Muitas são as funções produtivas ou zootécnicas dos animais domésticos, e muito</p><p>diversas e distintas umas das outras. Variam de acordo com a espécie, com a raça, com o</p><p>sexo do animal, com o gênero da exploração ou a situação desta. A espécie bovina não</p><p>será capaz de oferecer as mesmas funções zootécnicas que a espécie eqüina, por</p><p>exemplo. A raça ovina Merino, rigorosamente, não é explorada para o mesmo fim que os</p><p>carneiros deslanados (Morada Nova). Em relação ao sexo, a fêmea bovina tem a função</p><p>fisiológica da lactação, incompatível com a do macho da mesma espécie. No caso do</p><p>gênero da exploração, considerando uma fazenda destinada à produção de leite, para</p><p>abastecimento de uma cidade próxima, não tem cabimento a exploração da engorda de</p><p>bois. Considerando a situação da exploração, em uma propriedade localizada distante de</p><p>um centro consumidor ou de fábricas de laticínios, inacessível a rodovias de trânsito rápido,</p><p>andará errado o criador que se dispuser à exploração da função láctea de uma raça</p><p>bovina.</p><p>Isto justifica a distribuição dos bens e serviços dos animais domésticos em grupos</p><p>mais ou menos distintos, caracterizando-se cada um pela predominância de uma utilidade</p><p>ou função zootécnica (produtiva ou econômica).</p><p>Funções das quais resultam produtos para a alimentação humana: São exemplos</p><p>as produções de carne, vísceras, leite, gordura e toucinho, manteiga, ovos, mel. As</p><p>espécies capazes dessas funções são: os bovinos, os bufalinos, os suínos, os peixes, os</p><p>caprinos, os ovinos, os coelhos, as aves, as abelhas, os eqüinos e asininos. A cobaia</p><p>continua sendo um animal criado para a alimentação humana em alguns países sul-</p><p>americanos como o Peru e a Bolívia.</p><p>Funções das quais resultam matéria prima para a indústria manufatureira: são</p><p>exemplos a produção de lã, pêlos, seda, peles e couros. O carneiro, a cabra, o bicho-da-</p><p>seda, o coelho, os bovinos e os bufalinos são seus principais produtores. Certas raças de</p><p>19</p><p>cabra também têm como função zootécnica principal a produção de lã; é o caso da</p><p>cabra Angorá. A utilização de crinas de eqüinos inclui-se neste grupo.</p><p>Funções das quais resulta força motriz: é o caso do aproveitamento do cavalo,</p><p>do jumento e do seu híbrido, o burro, como motor vivo para transporte, tração ou esporte e</p><p>lazer. Além desses, o boi, o búfalo, o camelo, a lhama, arena e até o cão são também</p><p>empregados, embora em menor escala, com o mesmo fim, e, em determinadas regiões,</p><p>exclusivamente ou pelo menos preferencialmente: o boi europeu em certas regiões onde</p><p>os eqüinos são mais valorizados para outros fins; o búfalo e o boi zebú na Índia, nas ilhas da</p><p>Ásia e Oceania, na África e parcialmente no Brasil em regiões de clima tropical; os</p><p>camelos, como carga animal no norte da África, principalmente no Egito, e ainda em</p><p>certas partes da Ásia; a lhama, nos Andes; a rena e o cão, na tração de trenós, nas regiões</p><p>árticas, etc.</p><p>Despojos ou adornos: sob essa função podemos indicar a utilidade de certas</p><p>aves domésticas cujas plumas e penas são utilizadas como adorno feminino ou na</p><p>confecção de objetos de uso doméstico. A avestruz é a mais importante delas, pois é</p><p>criada mesmo para a exploração de suas plumas. Outras aves domésticas fornecem penas</p><p>como despojos e que são empregadas em almofadas, travesseiros, colchões, etc.</p><p>Detritos e excreções: são incluídos aqui aqueles produtos que, pela sua origem,</p><p>seriam destinados ao abandono não fosse sua especial utilização. O estrume utilizado</p><p>como regenerador dos solos se constitui numa matéria-prima para a agricultura, tão</p><p>importante e indispensável que a antiga economia rural chegava a considerar o gado</p><p>como um mal necessário, mero fornecedor de estrume para a lavoura. O boi, o búfalo, o</p><p>cavalo, o carneiro, a cabra, o porco, a lhama e as aves domésticas são os principais</p><p>fornecedores. Além do estrume, entre outros detritos e excreções, podem ser citados o</p><p>sangue, os ossos, os chifres e as unhas que são aproveitados e valorizados pela indústria.</p><p>Também o estrume pode ter outra utilização importante, como é o caso das lhamas, cujos</p><p>dejetos são utilizados como combustível.</p><p>Função afetiva: nesta rubrica temos o serviço amorável do gato e do cão. De</p><p>fato, cães e gatos de luxo ou estimação são considerados animais afetivos, habitantes do</p><p>lar, amigos e companheiros do homem. Este, aliás, parece ter sido o primeiro serviço ou</p><p>utilidade que o animal prestou ao homem primitivo. Os animais inicialmente foram criados</p><p>por ele para serem companheiros ou serviram de tabus, objeto de veneração religiosa. E,</p><p>isso não passa, evidentemente, de uma função afetiva. Aqui também podem ser incluídas,</p><p>por extensão, as criações de todas as raças e espécies de aves de utilidade ornamental</p><p>como pavões, cisnes, galinhas e outras. No entanto, esta função tem sido deturpada e tem</p><p>gerado preocupação na sociedade, visto que, muitas pessoas transferem sua</p><p>agressividade para os animais, criando e selecionando espécies com a mesma</p><p>característica (agressividade) par animais de companhia e/ou proteção.</p><p>Faro e coragem do cão: aqui são exploradas duas qualidades do cão: o olfato</p><p>(faro - elevado ao grau de maior perfeição entre as espécies domésticas) e a sua coragem</p><p>(notável qualidade seja para caça, par auxiliar ambulâncias de guerra, a polícia civil,</p><p>defesa do próprio homem ou sua propriedade).</p><p>Função humanitária: é o serviço que a cobaia e outros animais prestam ao</p><p>homem, como animais de laboratório A cobaia foi domesticada pelos Incas como animal</p><p>de açougue. Essa função zootécnica está passando por rigoroso crivo, de associações de</p><p>proteção dos animais e da sociedade civil de maneira geral, em consideração aos abusos</p><p>cometidos com animais de laboratório, em experimentações com muitos tipos de produtos</p><p>e agentes, para posterior uso em humanos. Parece não estar longe o dia em que</p><p>experimentos laboratoriais, com animais, serão considerados práticas condenáveis e</p><p>legalmente inadmissíveis.</p><p>20</p><p>Capital vivo: essa função diz respeito ao animal que, como capital, cresce de</p><p>valor com a idade e, nisto reside uma das grandes diferenças entre a máquina viva e a</p><p>máquina bruta. Enquanto esta só pode funcionar a partir do dia em que estiver pronta e</p><p>acabada, a máquina viva (animal) pode produzir e trabalhar sem ter alcançado ainda o</p><p>termo do seu desenvolvimento. Assim, o animal, ao mesmo tempo em que vai sendo</p><p>explorado em uma função produtiva qualquer, própria à sua espécie e raça, vai</p><p>aumentando de valor. Neste caso, está “criando” capital, enquanto dá renda com a</p><p>exploração de sua função econômica, principal. Uma novilha com 24 meses de idade já</p><p>pode dar cria e, no entanto,</p><p>ainda continuará crescendo, isto é, ainda está aumentando</p><p>de valor, apesar de já estar sendo explorada como máquina viva transformadora e</p><p>valorizadora de forragens. A função de capital vivo não é incompatível com a exploração</p><p>de outras funções.</p><p>Alcançando a idade adulta, atingiu o animal o apogeu de seu valor e de suas</p><p>funções. Daí por diante, se bem que continua a produzir renda, em devido à exploração</p><p>de suas funções zootécnicas, cessa, todavia de aumentar de valor, em geral, deixando de</p><p>acumular capital. Sua valorização permanece estacionária durante algum tempo, para</p><p>depois entrar em declínio, já então se desvalorizando como qualquer máquina sujeita à</p><p>usura. Atingiu a “velhice zootécnica”. Mas é possível evitar esse desperdício, ou sustar o</p><p>agravamento da perda de capital do animal, remetendo-o ao abate onde dará sua última</p><p>renda. Um animal que alcançou seu máximo valor zootécnico e seu máximo rendimento</p><p>zootécnico deve ser conservado até o momento em que começa a decrescer sua</p><p>produção ou até atingir os índices mínimos aceitáveis de produção (em termos de</p><p>quantidade e qualidade). Neste momento deve ser substituído por outro mais novo, com</p><p>suas faculdades zootécnicas nascentes e, que em crescendo, está aumentando de valor</p><p>como capital vivo.</p><p>7.2 - ESPECIALIZAÇÃO DAS FUNÇÕES PRODUTIVAS OU ZOOTÉCNICAS</p><p>A especialização das funções produtivas ou zootécnicas tem de ser encaradas</p><p>sob dois aspectos: teórico e prático.</p><p>Do ponto de vista teórico o princípio da especialização das funções consiste em</p><p>desenvolver no animal “uma” função zootécnica e, com isso, conseguir um máximo de</p><p>rendimento. Essa visão tem sua razão de ser, desde que não seja exagerada. Uma máquina</p><p>viva é um conjunto harmonioso de órgãos que não funcionam rigorosamente</p><p>independentes uns dos outros. Há entre eles, mesmo entre os mais distantes, uma ligação</p><p>de ordem fisiológica. Daí a impossibilidade de exagerar, de elevar ao extremo a atividade</p><p>exclusiva de um órgão desse conjunto harmonioso. Dar-se-ia fatalmente um desequilíbrio</p><p>fisiológico, que viria anular as possíveis vantagens da especialização porque só o animal</p><p>sadio, com seus órgãos funcionando harmoniosamente, é capaz de produzir</p><p>eficientemente. Assim, essa visão, teoricamente aceitável, em termos, também pode ser</p><p>aceitável na prática. Por exemplo, não há impossibilidade fisiológica qualquer que deixe</p><p>de permitir a exploração lucrativa de raças especializadas para carne, ovos, leite,</p><p>velocidade, pêlos, força, etc. Tudo depende dos termos dessa especialização, de tal sorte</p><p>que não prejudique a harmonia fisiológica dos órgãos.</p><p>À medida que se seleciona uma função, num determinado sentido, pode-se</p><p>comprometer as outras funções. Pelo princípio das correlações fisiológicas, à medida que</p><p>se especializa num sentido se enfraquecem as outras funções fisiológicas dos animais.</p><p>Assim, é conhecido que as raças altamente especializadas são as que apresentam menor</p><p>resistência, isto é, são aquelas cujos meios de defesa aos fatores ambientais são mais</p><p>fracos. Apresentam-se como organismos mais delicados, débeis, adaptados a certas</p><p>condições restritas nas quais conseguem realizar esse trabalho altamente produtivo. Do</p><p>ponto de vista biológico, portanto, a alta especialização é contra-indicada no sentido</p><p>geral de adaptação ambiental. Muitas vezes, afora das condições ideais, de controle</p><p>21</p><p>absoluto, a alta especialização pode se tornar anti-econômica devido à sua deficiente</p><p>capacidade de acomodação. Um exemplo disso é apresentado por DÜMMRICH ao</p><p>analisar o tamanho do coração de suínos domésticos e selvagens:</p><p>Discriminação Landrace Selvagem</p><p>Peso vivo (kg) 160 57</p><p>Peso do coração</p><p>(kg)</p><p>0,21 0,38</p><p>Raças produtoras de leite ou carne, como a Holandês e o Shorthorn, deixam</p><p>de ser economicamente produtivas sob condições de clima muito quente e seco, de</p><p>pastagens fracas. Esses animais deixariam de corresponder à expectativa e acabariam</p><p>vencidos pelo meio ambiente hostil. Por essa razão, quando se considerar a especialização</p><p>deve também ser considerada a acomodação do animal. Quando se encaminhar a</p><p>especialização, é preciso sempre lembrar as condições gerais do meio onde o animal vai</p><p>ser criado.</p><p>Do ponto de vista prático é necessário considerar fatores como a localização da</p><p>exploração, o valor das terras, o meio social, a mão-de-obra e mercados.</p><p>Perto de um grande centro consumidor, onde a terra possui valor elevado, e</p><p>onde os lucros devem ser compensadores e imediatos, qualquer exploração animal deverá</p><p>ser necessariamente especializada, numa certa direção. Não é razoável, por exemplo, que</p><p>aí se compre terras para engordar bois, mas sim para a criação de vacas leiteiras, cujo</p><p>leite, em tal situação, terá consumo certo e garantido, dando lucros imediatos. Para essas</p><p>condições a construção de aviários, para produção de aves ou ovos, também encontra</p><p>resposta favorável à exploração em função da proximidade e das características do</p><p>mercado consumidor.</p><p>No caso das regiões mais distantes, com abundância de pastagens, seria</p><p>imprópria a exploração leiteira: o consumo local não esgotaria as possibilidades de</p><p>produção. Talvez, a produção de manteiga pudesse ter alguma viabilidade, se o</p><p>transporte não for um obstáculo ao escoamento da produção. Outra possibilidade poderia</p><p>ser a produção de queijos. A mais provável possibilidade econômica seria a exploração de</p><p>gado de corte.</p><p>7.3 - FUNÇÕES ZOOTÉCNICAS E A ESCOLHA DE REPRODUTORES</p><p>A escolha dos animais para reprodução baseia-se nas suas funções produtivas</p><p>ou zootécnicas e não apenas em detalhes de conformação exterior, pelagem ou outro. A</p><p>escolha de um reprodutor é feita quando o seu valor produtivo for conhecido. Na vaca</p><p>leiteira, a quantidade e a qualidade do leite. No cavalo de corrida, a sua velocidade. No</p><p>carneiro, a quantidade e qualidade da sua lã ou carne. Nas aves de postura, a</p><p>quantidade e a qualidade dos ovos. Nos animais de corte, a sua precocidade e facilidade</p><p>de terminação/acabamento. É o que se chama medir a capacidade produtiva do animal,</p><p>ou seja, medir sua função produtiva peculiar, para acertar na escolha dos animais</p><p>destinados à reprodução.</p><p>7.4 - APTIDÃO E ESPECIALIZAÇÃO</p><p>Quando um técnico ou criador procura medir as funções produtivas de um</p><p>animal, diz-se que está determinando o grau das aptidões zootécnicas desse animal. A</p><p>aptidão, entretanto, não deve por isso ser confundida com a função.</p><p>22</p><p>APTIDÃO ZOOTÉCNICA OU PRODUTIVA é a disposição natural que o animal</p><p>apresenta para esta ou aquela função econômica. A aptidão é a soma das virtualidades</p><p>(potencialidades) produtivas, que o animal transmite aos seus descendentes. Assim, a vaca</p><p>leiteira transmite a sua aptidão para a lactação (ótima, boa ou ruim). O touro de raça</p><p>leiteira também transmite essa aptidão (boa, ótima ou medíocre), embora seja incapaz de</p><p>exibir a função respectiva, propriamente. O mesmo acontece com o galo, com respeito à</p><p>aptidão postura.</p><p>FUNÇÃO PRODUTIVA é o ato fisiológico (ou função fisiológica) do qual resulta</p><p>utilidade ou serviço para o homem. A aptidão é esse caráter em estado potencializado. É,</p><p>portanto aquilo capaz de ser hereditariamente transmissível. É, afinal, o que mais interessa</p><p>ao melhorista.</p><p>A aptidão zootécnica nasce com o animal. Ele não a adquire por efeito de</p><p>influências exteriores, do ambiente. Sem estas, no entanto, a aptidão não pode se revelar.</p><p>Em algumas funções zootécnicas podem ocorrer situações onde a</p><p>especialização pode estar numa posição intermediária entre duas funções zootécnicas</p><p>distintas. Por exemplo: nos bovinos pode ocorrer aptidão leiteira, a aptidão para corte e</p><p>uma situação intermediária onde a aptidão não está bem definida, sendo, neste caso,</p><p>chamado de aptidão mista onde os animais podem ser usados para a produção leiteira e</p><p>para a produção de carne, simultaneamente. Assim, algumas raças bovinas apresentam</p><p>aptidão leiteira, outras a aptidão corte e outras ainda a aptidão mista. Em suínos pode</p><p>existir a aptidão</p><p>carne, banha e mista. Em aves a aptidão postura, corte e mista. Em</p><p>eqüinos a aptidão tração, montaria ou mista. Em cabras a aptidão leite, corte ou mista. Em</p><p>ovelhas a aptidão lã, carne ou mista.</p><p>Em zootecnia, a aptidão pode, de certo modo, ser equivalente ao que se</p><p>chama de TIPO ZOOTÉCNICO OU ECONÔMICO que corresponde àquela conformação</p><p>que torna o animal altamente utilizável em determinado gênero de exploração. Tipo</p><p>zootécnico é a conformação que corresponde à determinada utilização do animal. Assim,</p><p>uma vaca do tipo leiteira apresenta uma conformação angulosa e descarnada, enquanto</p><p>que, uma vaca do tipo corte, apresenta uma conformação cilíndrica e com boa cobertura</p><p>muscular.</p><p>8. Climatologia Zootécnica</p><p>O animal porta-se como um sistema termodinâmico que continuamente troca</p><p>energia com o ambiente. Neste processo os fatores externos do ambiente tendem a</p><p>produzir variações internas no animal, influenciando na quantidade de energia trocada</p><p>entre ambos, havendo então necessidade de ajustes fisiológicos para a ocorrência do</p><p>balanço de calor. A adaptabilidade pode ser medida ou avaliada pela habilidade que</p><p>tem o animal de se ajustar às condições médias ambientais de climas adversos com o</p><p>mínimo de perda de peso e conservando alta a taxa reprodutiva e a resistência às</p><p>doenças, baixa a taxa de mortalidade e mantendo a longevidade natural.</p><p>O conceito de adaptação a um dado ambiente está relacionado com</p><p>mudanças estruturais, funcionais ou comportamentais no animal. Toda situação ambiental</p><p>que provoca resposta adaptativa é considerada estressora. O estresse pode ser crônico,</p><p>quando é gradual e constante, ou agudo, quando é brusco e intenso.</p><p>Quando submetido a um ambiente estressante, várias funções internas do</p><p>animal são alteradas: há redução do crescimento, desvio dos nutrientes que seriam usados</p><p>na produção dos processos de mantença, redução da resistência às doenças, variação de</p><p>freqüência respiratória e da temperatura corporal.</p><p>23</p><p>A Climatologia zootécnica foi criada para pesquisar o comportamento dos</p><p>animais de raças melhoradas ao serem introduzidos nos países de clima quente. De</p><p>antemão já se sabia do baixo rendimento, o que não se conhecia era a causa disto.</p><p>A Climatologia envolve a pressão atmosférica, a umidade do ar, os ventos, a</p><p>temperatura ambiente, a luminosidade, a radiação solar, etc.</p><p>O Clima é o regulador fundamental da produção animal ou seu limitador. Ele</p><p>comanda a vida e o rendimento zootécnico dos animais domésticos. Como o homem não</p><p>pode modifica-lo, criou alguns recursos técnicos artificiais que são utilizados quando é</p><p>economicamente viável. Por isso o criador procura antes escolher adequadamente a raça</p><p>mais adaptada ao seu meio ambiente.</p><p>A temperatura do ar se faz sentir sobre o animal por condução. A pele mais</p><p>quente tende a perder o calor em contato com o ar mais frio. Se a temperatura do ar</p><p>aumenta, diminui essa perda de calor até acontecer a operação inversa. O animal recebe</p><p>calor do ambiente, quando a temperatura do ar é elevada e ele está sob a ação direta</p><p>da radiação solar.</p><p>No frio, verifica-se a contrição dos vasos sanguíneos superficiais, erição dos pêlos,</p><p>eliminação de água do sangue. No calor, dá-se a dilatação dos vasos sangüíneos</p><p>superficiais, o aumento do ritmo respiratório, a necessidade de água e a exaustão.</p><p>No frio a circulação tende a decrescer e o organismo não requer acréscimo de</p><p>água, eliminando-a através dos rins. No calor temos a intensificação da circulação, há</p><p>perda de água pela respiração e pela pele e então surge a necessidade de líquidos.</p><p>Quando a temperatura chega a um nível crítico o volume de urina se reduz de tal forma</p><p>que podem ocorrer cálculos urinários. Com o aumento do calor verifica-se a perda do</p><p>apetite do animal. Com a redução da temperatura dá-se um estímulo do apetite.</p><p>� O Crescimento é favorecido com o aumento da temperatura (dentro de</p><p>certos limites);</p><p>� O calor não favorece as glândulas (leite), o frio é mais favorável;</p><p>� Quanto à Reprodução: Nos climas muito frios a época de reprodução é bem</p><p>pequena (restrita), mas as altas temperaturas reduzem o apetite sexual (libido). Nos machos</p><p>o calor influi sobre as gônadas e sobre os testículos, distendendo-os e assim a qualidade do</p><p>sêmen decai. Nas aves isto se reflete na postura, que diminui nas altas temperaturas.</p><p>A espessura da camada pilosa dos mamíferos e a plumagem nas aves sofrem</p><p>uma irrigação permanente e profunda nos climas frios, formando pêlos longos, grossos e</p><p>vastos. No calor há um congestionamento das camadas superficiais da pele, reduzindo a</p><p>formação de pêlos, em quantidade e em dimensão. No nordeste do Brasil os bois, cavalos</p><p>e carneiros perdem os pêlos. A adaptação ao clima dos carneiros Morada Nova reflete-se</p><p>na ausência de lã. Ao se adaptarem aos climas quentes bovinos das raças européias</p><p>sofrem certas modificações no pêlo. Os mais peludos são os preferidos de carrapatos e</p><p>bernes (ectoparasitos).</p><p>A Luz, a Umidade, a Pressão Atmosférica, os Ventos e a Radiação Solar: A</p><p>penetração da luz solar na pele do animal pode alcançar uma profundidade tal que</p><p>provoca inflamação. Embora a luz seja necessária à fixação do Cálcio e das vitaminas em</p><p>geral, na ausência de luz o metabolismo baixa e favorece a engorda dos animais. Nas aves</p><p>o prolongamento das horas de luz provoca uma ação estimulante da hipófise sobre o</p><p>ovário, aumentando a produção de ovos. Daí a prática de manter um local pouco</p><p>iluminado para os animais destinados ã engorda e com bastante luz para aqueles</p><p>destinados a reprodução.</p><p>24</p><p>A pressão atmosférica influencia na respiração dos animais.</p><p>Em relação aos ventos sabemos que a velocidade com que o ar se move sobre</p><p>o animal favorece uma maior ou menor perda de calor.</p><p>A radiação solar atinge um animal exposto ao ar por dois meios: diretamente</p><p>com a incidência direta dos raios solares sobre a superfície corporal do animal; e</p><p>indiretamente através da radiação refletida (pelo solo, partículas de poeira suspensas no</p><p>ar, objetos próximos, etc.) A cor da pele e do pêlo e o formato deste podem absorver mais</p><p>ou menos calor.</p><p>As chuvas oferecem influência indireta sobre os animais, pois de sua falta ou</p><p>excesso dependem a qualidade e a quantidade do pasto. A variação na pastagem no</p><p>decorrer do ano é resultado do regime de chuvas da região.</p><p>Nos climas secos os animais sofrem deficiências nutricionais que marcam o seu</p><p>desenvolvimento, limitando sua capacidade produtiva. Nos climas úmidos o excesso de</p><p>chuvas ou o acúmulo delas prejudicam a formação das pastagens (campos alagados).</p><p>Nos climas tropicais, muito chuvosos, pode ocorrer o empobrecimento dos pastos em</p><p>minerais (Cálcio e fósforo) na estação das chuvas e deficiência de vitaminas na estação</p><p>das secas. Nas regiões tropicais, portanto, o clima se torna um fator limitante para a</p><p>exploração de gado: age diretamente sobre o animal, exigindo sua adaptação</p><p>(aclimação); e indiretamente favorecendo o parasitismo. As pastagens apresentam-se</p><p>grosseiras e pobres ou de curta duração de pastoreio.</p><p>Solo e pastagem: Solos pobres produzem pastagens inferiores; solos férteis</p><p>produzem pastagens ricas e abundantes, resultando e gado melhor. Quando o solo não é</p><p>rico, mas é capaz de sustentar pastos que permitam o desenvolvimento e a produção de</p><p>animais, vemos a redução do porte destes animais. Daí haver regiões com reses mais</p><p>desenvolvidas e regiões com reses menos desenvolvidas, dentro de uma mesma raça. Em</p><p>regiões de pastos pobres é bom criar animais de pequeno porte, assim o suprimento</p><p>produzido pode ficar disponível para ser convertido em leite ou carne. O aumento da</p><p>fertilidade dos solos pobres com adubos fosfatados, potássicos e cálcicos têm aumentado</p><p>a presença de espécies forrageiras espontâneas mais nutritivas, diminuindo a incidência</p><p>das espécies nativas, menos nutritivas, porém, mais resistentes a condições de solo pobre. A</p><p>pobreza do solo em macro nutrientes minerais (Nitrogênio, Fósforo e Potássio) e em micro</p>