Prévia do material em texto
1 Planos, Programas e Gerenciamento Ambiental 2 3 Sumário Planos e Programas de Emergência Ambiental Planos e Programas Ambientais Programa de Gestão Ambiental Programa de Supervisão Ambiental Programas de Controle da Qualidade Ambiental Programa Compensatório Programas de Desenvolvimento Social Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) Gestão de Resíduos Sólidos Fundamentos da Gestão dos Resíduos Sólidos Caracterização dos Resíduos Sólidos Tratamento e Condução Final dos Resíduos Gestão dos Recursos Hídricos Estrutura da Gestão dos Recursos Hídricos no Brasil Planos de Recursos Hídricos Controles Ambientais Abordagem Geral dos Controles Ambientais Requisitos de Controle Ambiental Controle Operacional Monitoramento e Medição Referências CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO 5 7 8 9 9 10 10 11 13 14 15 18 21 25 26 28 29 29 32 33 36 4 Objetivos Definição Explicando Melhor Você Sabia? Acesse Resumindo Nota Importante Saiba Mais Reflita Atividades Testando Para o início do desenvolvimento de uma nova competência; Se houver necessidade de se apresentar um novo conceito; Algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; Curiosidades indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forma necessárias; Se for preciso acessar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; Quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens; Quando forem necessárias observações ou complementações para o seu conhecimento; As observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; Textos, referências bibliográficas e links para aprofundamento do seu conhecimento; Se houver a necessidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido sobre; Quando alguma atividade de autoaprendizagem for aplicada; Quando o desenvolvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas. 5 @faculdadelibano_ 1 Planos e Programas de Emergência Ambiental 6 Planos, Programas e Gerenciamento Ambiental Capitulo 1 Planos e Programas de Emergência Ambiental O Plano de Emergência Ambiental consiste em um identificador de situações emergenciais de cenários, que podem causar incidentes perigosos ou prejudiciais, e a proposição de medidas para atenuar o incidente. Nos dias atuais, muitos são os problemas ambientais advindos do uso desacerbado dos recursos, muitos deles provocados pelas atividades humanas. Além disso, tais questões afetam diretamente a qualidade e sobrevivência da fauna, flora, solo, águas, ar, etc. Nesse contexto, surgem os planos de emergência ambiental que apresentam inúmeras vantagens para manutenção e preservação do ambiente, dentre elas: • Prevenção de danos ambientais, materiais e pessoais; • Manutenção de procedimentos formais que atenuem cenários perigosos ou prejudiciais à organização; • Conscientização dos colaboradores sobre os danos que suas atividades podem causar. Objetivos Ao término deste capítulo, você será capaz de verificar os conceitos de planos e programas ambientais e suas principais diretrizes. Além disso, serão abordados alguns exemplos de programas utilizados e aplicados pelalegislação vigente frente aos impactos e degradação causados por um empreendimento. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! 7 Planos, Programas e Gerenciamento Ambiental Planos e Programas de Emergência Ambiental Capitulo 1 Além disso, esses instrumentos têm como premissa dar suporte a todos os empreendimentos que necessitam estar preparados para emergências ambientais e redução de danos. Assim, as recomendações em relação aos programas, sob uma ótica empresarial, se justificam por: • Fixar procedimentos formais a serem adotados em situações emergenciais; • Fornecer aos colaboradores conhecimento dos danos ambientais que suas atividades possam desencadear; • Prevenir danos de cunho ambiental, material, etc. Planos e Programas Ambientais Considerando a complexidade das problemáticas ambientais, os planos e programas ambientais surgem com o propósito de explanar metodologias eficientes para com medidas: • Compensatórias; • Preventivas; • Corretivas; • Potencializadoras. FIGURA 1 Prevenção de danos ambientais FONTE Freepik 8 Planos, Programas e Gerenciamento Ambiental Planos e Programas de Emergência Ambiental Capitulo 1 Ademais, cabe ressaltar que, em virtude das diferentes realidades dos empreendimentos e operações que as empresas desenvolvem, é fundamental que sejam formulados planos específicos que se adequem aos cenários de cada empresa. Programa de Gestão Ambiental Este programa visa estabelecer fatores eficientes que colaborem com a implantação das atividades planejadas de prevenção, monitoramento, controle e prevenção dos impactos ambientais inerentes às atividades. Assim, o (PGA) busca sistematizar os objetivos e metas ambientais, estabelecendo atribuições e indicadores para o atendimento. Ademais, formaliza as ações que a organização deve inserir e desenvolver junto ao seu planejamento. Diante do exposto, para o atendimento do planejamento, é fundamental seguir determinado cronograma com as seguintes iniciativas: • Capacitação técnica dos colaboradores; • Cuidar os riscos à saúde e segurança do colaborador; • Implantação das atividades; • Avaliação de Aspectos e Impactos Ambientais da atividade; • Definir objetivos e metas nos setores envolvidos; • Medidas compensatórias; • Sequenciamento de revisões. Nota Cabe a este instrumento manter o padrão de qualidade ambiental em equilíbrio com as questões legais. 9 Planos, Programas e Gerenciamento Ambiental Planos e Programas de Emergência Ambiental Capitulo 1 Programa de Supervisão Ambiental Nestas situações, definem-se regras e limites legalmente, apontando-se as metodologias de tratamento e procedimento de atenuação de geração, segregação e descarte de resíduos e efluentes. Em suma, o programa tem como principal objetivo a garantia de que os grupos de atividades apontadas se apliquem conforme a legislação vigente, agregando inclusive questões de garantias dos prazos e condições estabelecidos aos organismos de fiscalização e controle ambientais. Além disso, define o processo de gestão a ser adotado para a execução de ações destinadas a evitar ou a mitigar as consequências dos impactos. Programas de Controle da Qualidade Ambiental Nestes programas, são apontadas as rotinas para monitorar a manutenção da qualidade ambiental nas áreas referentes aos empreendimentos. Exemplo: Programa de monitoramento da qualidade do solo. FIGURA 2 Resíduos sólidos FONTE Freepik 10 Planos, Programas e Gerenciamento Ambiental Planos e Programas de Emergência Ambiental Capitulo 1 Programas de Desenvolvimento Social Nos programas com enfoque de desenvolvimento social, abordamse as diretrizes que visam orientar as respostas às necessidades individuais e coletivas. Nesses programas, são promovidas a disseminação de conhecimento, conscientização e a prática de ações voltadas à preservação ambiental, objetivando servir de suporte a todas as intervenções para a promoção do desenvolvimento social. Além disso, prezam pelo estabelecimento de canais para a explanação de opiniões e esclarecimentos em relação ao empreendimento. Programa Compensatório A compensação ambiental é uma ferramenta criada para que as organizações consigam contrabalançar os impactos de seus empreendimentos diante dos ecossistemas. Exemplo: Determinações do SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Conservação) aplicados aos empreendedores na implantação e manutenção de unidades de conservação. FIGURA 3 Desenvolvimento social FONTE Freepik 11 Planos, Programas e Gerenciamento Ambiental Planos e Programas de Emergência Ambiental Capitulo 1 Atualmente, muitas são as medidas compensatórias voltadas para unidades de conservação, no entanto, podem serbem mais abrangentes, como ações voltadas à educação ambiental, criação de uma praça, entre outras. Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) O PRAD objetiva o planejamento das atividades que têm em vista o retorno da área degradada a uma forma de utilização, conforme um plano pré-determinado para a utilização do uso do solo. Cabe ressaltar que o plano é solicitado pelos órgãos ambientais responsáveis, no processo de licenciamento de atividades degradadoras ou alteradoras do ambiente, após o empreendimento ser punido administrativamente em virtude da degradação ambiental. Desse modo, destaca-se que muitos são os planos e programas aplicados atualmente visando possibilitar a qualidade ambiental. Alguns apresentam retorno de maneira mais imediata, e outros, a longo prazo. FIGURA 4 Área degradada FONTE Freepik 12 Planos, Programas e Gerenciamento Ambiental Planos e Programas de Emergência Ambiental Capitulo 1 Resumindo Neste capítulo explanou-se alguns dos planos e programas mais utilizados para manutenção da qualidade ambiental frente aos empreendimentos que possam causar impactos ou degradação ambiental. 13 @faculdadelibano_ 2 Gestão de Resíduos Sólidos 14 Planos, Programas e Gerenciamento Ambiental Capitulo 2 Gestão de Resíduos Sólidos Fundamentos da Gestão dos Resíduos Sólidos Nos últimos anos, as questões relacionadas à gestão dos resíduos sólidos têm sido bastante discutidas por diversos atores da sociedade e em todas as partes do mundo, fato explicado pela complexidade social moderna frente à utilização dos recursos naturais. Em vista disso, os resíduos sólidos compõem no mundo moderno uma das grandes questões ambientais, pois o aumento contínuo de consumo, em virtude do aumento populacional e criação de novas demandas, avança no sentido de escassez dos recursos naturais. Agregado a esse crescente consumo está a produção de resíduos sólidos, cuja gestão é fundamental para a saúde e qualidade de vida humana. Assim, no Brasil, destaca-se a Lei Federal 12.305/2010, que aborda exclusivamente a gestão dos resíduos sólidos. Tal lei foi estabelecida como ferramenta norteadora dos seguintes critérios: • Desenvolvimento sustentável; Objetivos Nesta segunda unidade, você terá uma abordagem geral sobre a gestão dos resíduos sólidos frente ao crescente aumento da produção e a capacidade do planeta em gerenciar os resíduos produzidos por este cenário. Em seguida, verá os principais tratamentos e destinações utilizados atualmente para os resíduos. Preparado? Vamos começar! 15 Planos, Programas e Gerenciamento Ambiental Gestão de Resíduos Sólidos Capitulo 2 • Ótica sistêmica; • Responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos; • Prevenção e a precaução; • Colaboração entre os diferentes níveis do poder público; • Direito social quanto à informação e ao controle social; • Razoabilidade e a proporcionalidade; • Entre outros. Nesse contexto, os resíduos são produtos inevitáveis resultantes dos processos de quem a sociedade depende. Assim, é extremamente necessário o desenvolvimento de mecanismos que transformem poluentes em produtos menos agressivos aos ecossistemas. Dentre eles, racionar a utilização das matérias primas, separação correta e adequada, são alternativas para atenuar o impacto danoso ao meio ambiente, equilibrando os elementos sociais, econômicos e ambientais. Caracterização dos Resíduos Sólidos Conforme a NBR 10004:2004, os resíduos sólidos no Brasil são classificados é a norma que classifica os resíduos no Brasil. FIGURA 5 Desenvolvimento sustentável sob os critérios da lei FONTE Freepik 16 Planos, Programas e Gerenciamento Ambiental Gestão de Resíduos Sólidos Capitulo 2 Ainda, considera os resíduos quanto aos seus riscos potenciais ao ambiente e à saúde pública, apontando que necessitam ser manuseados e rigidamente controlados. Essa separação é realizada quanto à origem e quanto à periculosidade. Sob o ponto de vista da origem podem ser divididos em: • Domiciliares; • Limpeza urbana; • Resíduos sólidos urbanos; • Estabelecimentos comerciais • Prestadores de serviços; • Serviços públicos de saneamento básico; • Industriais; • Serviços de saúde; • Construção civil; • Agrossilvopastoris; • Serviços de transportes; • Mineração. Já em relação à periculosidade, seguindo a Legislação vigente, juntamente à NBR 10004:2004, são representados como perigosos e não perigosos (ABNT, 2004). Resíduos classe I (Perigosos): resíduos que apresentam periculosidade ou toxicidade, corrosividade, inflamabilidade, reatividade ou patogenicidade. Podem inclusive, representar risco para a saúde pública, resultando em mortalidade ou incidência de doenças. Quando dispostos de maneira errônea, podem causar impactos adversos ao ambiente, quando conduzidos ou dispostos de forma inadequada; 17 Planos, Programas e Gerenciamento Ambiental Gestão de Resíduos Sólidos Capitulo 2 • Resíduos classe II (Não perigosos): constituem resíduos não perigosos e que não estão em nenhuma das premissas dos classificados como classe I. Tal classificação ainda pode serdividida em: • Resíduos classe II A (Não inertes): podem ter propriedades como biodegradabilidade, combustibilidade ou solubilidade em água; Exemplo: Materiais orgânicos da indústria alimentícia. • Resíduos classe II B (Inertes): Esse segundo grupo engloba os resíduos, quando amostrados de uma maneira significativa e postos em contato dinâmico e estático com água destilada, em temperatura ambiente não apresentam elementos constituintes solubilizados a concentrações superiores aos padrões de potabilidade de água, excetuando-se aspecto, cor, turbidez,dureza e sabor. FIGURA 6 Produtos com resíduos perigosos FONTE Freepik FIGURA 7 Produtos de classe II B (inertes) FONTE Freepik 18 Planos, Programas e Gerenciamento Ambiental Gestão de Resíduos Sólidos Capitulo 2 Diante da classificação, os gestores responsáveis realizam a quantificação dos resíduos, por meio de taxas que consideram o número de indivíduos ou empreendimentos comerciais ou industriais. Para isso, é fundamental projetar a população, conciliando as técnicas de previsão dos dados de populações ao longo do tempo à modelos matemáticos. Tratamento e Condução Final dos Resíduos O tratamento e condução dos resíduos são extremamente importantes frente ao modelo atual de produção. Atualmente, um dos principais problemas encontrados diz respeito aos lixões, que se apresentam como uma grande e grave ameaça aos ecossistemas. Aponta-se que esses resíduos causam degradação ao ambiente, visto que a lixiviação desses materiais infiltram no lençol freático e em mananciais. Deste modo, as partes interessadas buscam soluções tecnológicas, dentre elas: • Aterros sanitários: nos dias de hoje, é um tratamento bastante utilizado. Os resíduos são dispostos e intercalados por camadas da terra; FIGURA 8 Aterro sanitário FONTE Freepik 19 Planos, Programas e Gerenciamento Ambiental Gestão de Resíduos Sólidos Capitulo 2 • Compostagem: coloca-se disposição de matéria orgânica em área controlada para que ocorra a inertização dos resíduos. • Incineração: ocorre pela combustão dos resíduos, reduzindo-os a cinzas a serem dispostas em aterro apropriado em muito menor volume. Tal processo é bastante utilizado na destinação final de resíduos perigosos, especialmente resíduos hospitalares e contaminantes químicos; Nota Desse modo, o processo no aterro ocorre por decomposição da matéria orgânica de maneira anaeróbio, produzindo gás natural, como por exemplo, metano. Nota O material gerado tem grande capacidade de fertilização de áreas agrícolas. Ademais, cabe destacar que a correta condução desse tipo de solução depende de uma boa ‘utilização da matéria orgânica e boa triagem. FIGURA 9’ Queima do lixo em um barril FONTE Freepik 20 Planos, Programas e Gerenciamento Ambiental Gestão de Resíduos Sólidos Capitulo 2 • Biodigestores: pode ser feito com um reator anaeróbio produzindogás natural, para posterior utilização na geração de calor e energia; • Sistemas de transbordo: consiste em um modelo mais econômico em que é adotado um sistema de transporte de maior escala entre o local que gera o resíduo e o local que de tratamento. Dessa maneira, destaca-se que independentemente do sistema de tratamento e destinação final do resíduo utilizado, ele deve ser eficiente e conduzir de maneira correta a gestão dos resíduos sólidos. Nota Nesses procedimentos existe a alternativa de recuperação energética por meio de uma caldeira e a geração em uma termoelétrica. No entanto, apresentam altos custos inerentes à implantação e manutenção. Resumindo Nesta unidade, foi apresentada a gestão dos resíduos sólidos e sua importância para a qualidade ambiental. Além disso, foi realizada a abordagem referente aos tipos de tratamento e condução final do resíduo mais utilizado, cada qual com suas características e finalidades. 21 @faculdadelibano_ 3 Gestão dos Recursos Hídricos 22 Planos, Programas e Gerenciamento Ambiental Capitulo 3 Gestão dos Recursos Hídricos A gestão deste recurso consiste em um processo sistemáticovisando ao desenvolvimento sustentável, alocando e mantendo a sua utilização sob as metas e objetivos ambientais, sociais e econômicos. Teoricamente falando, a água é um elemento fundamental para a vida e é um dos elementos do empasse entre o modelo de produção atual e a escassez dos recursos. Além disso, a água consiste em um bem de valor econômico, representando um importante insumo produtivo. Ainda cabe destacar que é função do estado ser ator responsável por manter a qualidade e a correta utilização desse recurso natural. No entanto, em virtude da grande degradação e poluição do ambiente, o grande desafio é garantir a sociedade acesso à água potável e saneamento básico. Diante dessas questões, deve-se buscar uma gestão que garanta os investimentos necessários para a preservação da água para a atual e futuras gerações. Assim, define-se gestão de recursos hídricos como agregado de medidas visando controlar e regular a utilização desses recursos vitais. Objetivos Neste capítulo serão abordadas questões frente à indispensabilidade de uma correta gestão deste recurso. Ademais, o foco da abordagem será em relação à legislação brasileira vigente, compartilhando as competências de cada órgão e instituição frente ao gerenciamento. Para ‘finalizar, serão apontados os planos utilizados. Vamos começar! 23 Planos, Programas e Gerenciamento Ambiental Gestão dos Recursos Hídricos Capitulo 3 Para isso, as atividades de gestão são realizadas conforme a legislação vigente e de maneira a preservar a qualidade e a quantidade das águas. No Brasil, conforme o estabelecimento da Constituição Federal de 1988 em seu artigo 225, descreve que: • “Todos possuem direito e ao Poder Público e à coletividade incumbe a defesa do meio ambiente, sendo que a água, ou os recursos hídricos integram o meio ambiente como elemento vital”; • “O domínio dos recursos hídricos pela União e pelos Estados não tem a conotação de propriedade inscritível no registro imobiliário, mas decorre a responsabilidade pela preservação do bem, guarda e gerenciamento, objetivando a sua perenidade e uso múltiplo, bem como do poder de editar as regras aplicáveis”. Ressalta-se que o Brasil se apresenta como um dos países com maior abundância em recursos hídricos, possuindo domínio de três grandes bacias hidrográficas e boa parcela do aquífero guarani. No entanto, apresenta irregularidade quanto à distribuição de água potável entre as populações. Dentre as atividades que mais demandam desse recurso, destacam-se: • Irrigação; FIGURA 9 Recursos hídricos FONTE Freepik 24 Planos, Programas e Gerenciamento Ambiental Gestão dos Recursos Hídricos Capitulo 3 • Usos domésticos; • Usos urbanos; • Uso industrial. Em virtude desses muitos usos, crescimento demográfico e a crescente urbanização, torna-se muito difícil para o órgão responsável fazer a gestão da disponibilidade hídrica. Com base nesses preceitos é importante conhecer a estrutura do código da água promulgado em 10 de julho de 1934 na forma do Decreto nº 10.643. Tal decreto serviu de base para várias legislações, considerando a cobrança do uso dos recursos hídricos públicos e o princípio poluidorpagador. Nesse sentido, o ator responsável pelos danos ou perdas às águas responde criminalmente, conforme legislações vigentes. Tecnologicamente a gestão deve englobar todas as variáveis conectadas aos recursos hídricos, dentre elas: • Controle e a conservação dos recursos hídricos; FIGURA 11 Pivô de irrigação a campo FONTE Freepik Importante Um dos mais importantes pontos desse decreto diz respeito a garantir a preservação e a qualidade das águas do Brasil. 25 Planos, Programas e Gerenciamento Ambiental Gestão dos Recursos Hídricos Capitulo 3 • Vazão ou quantidade de águas disponíveis; • Desníveis e velocidade de escoamento; • Oxigênio disponível; • Demanda bioquímica de oxigênio; • Teor em coliformes; • Toxidez; • Eutrofização potencial; • Estratificação térmica; • Entre outros. Estrutura da Gestão dos Recursos Hídricos no Brasil Juntamente à aplicação eficiente e correta de toda a legislação, estão os atores responsáveis por tais aplicação. Assim, atualmente, no Brasil, a estrutura de gestão ocorre da seguinte maneira: FIGURA 12 Esboço simplificado da estrutura de gestão dos recursos hídricos no Brasil FONTE Adaptado pelo autor, 2019. 26 Planos, Programas e Gerenciamento Ambiental Gestão dos Recursos Hídricos Capitulo 3 Conforme abordado na figura o Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH), configura-se como a instância de nível mais acima. Esse conselho tem por intuito analisar propostas, deliberar projetos, atenuar,conflitos e administrar a promoção dos recursos hídricos em todos os âmbitos federais. Juntamente, existe a Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano (SRHU) e o órgão do Ministério do Meio Ambiente (MMA) no qual é feita a gestão dos recursos de acordo com a estrutura regimental definida. Em seguida, tem a Agência Nacional das Águas (ANA), seguindo os comitês e agências de bacia, do mesmo modo, de cunho estadual, na qual existe o Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CERH), órgão deliberativo, secretarias e entidades Estaduais, com a responsabilidade de gestão das bacias e recursos dos estados. Planos de Recursos Hídricos Conforme determinações do comitê de bacia hidrográfica, tendoa responsabilidade de aprovar e executar o plano de recursos hídricos, assim como expor alternativas para o cumprimento de metas. Deste modo, de acordo com a Lei 9.433, fica estabelecido que os Planos de Recursos Hídricos são de longo prazo, compostos por horizontes de planejamento adequado com o tempo de implantação de seus programas e projetos que devem apresentar: • Análise da atual situação dos recursos em questão; • Identificação dos conflitos potenciais; • Metas de racionalização de uso; • Diagnósticos de medidas de crescimento demográfico; Nota O comitê é composto por representantes do governo, municípios, usuários da água e sociedade civil. 27 Planos, Programas e Gerenciamento Ambiental Gestão dos Recursos Hídricos Capitulo 3 • Evolução de atividades produtivas e de alterações na padronização de uso do solo; • Equilíbrio entre demandas dos recursos hídricos, em quantidade e qualidade; • Aumento da quantidade e melhoria da qualidade dos recursos hídricos disponíveis; • Prioridades para outorga de direitos de uso de recursos hídricos; • Critérios para a cobrança pelo uso dos recursos hídricos; • Propostas de locais sujeitos à restrição de uso; • Alternativas de programas a serem desenvolvidos; • Projetos a serem aplicados para atender às metas. Diante dessa abordagem, aborda-se que a definição dos planos de recursos hídricos é extremamente importante para a qualidade e quantidade disponível desse recurso natural. Pois é a partir desses planos quepodem ser apontadas as tomadas de decisões frente a quaisquer problemas relacionados à má qualidade ou extinção. FIGURA 13 Recursos hídricos disponíveis FONTE Freepik Resumindo Neste capítulo, foram abordadas algumas questões básicas em relação à gestão dos recursos hídricos e sua importância em relação à vida no planeta. Em seguida, foi explanada uma estrutura básica em relação às competências degestão para esse recurso, com a abordagem final referente aos planos de gestão. 28 @faculdadelibano_ 4 Controles Ambientais 29 Planos, Programas e Gerenciamento Ambiental Capitulo 4 Controles Ambientais Abordagem Geral dos Controles Ambientais Diante da atual situação dos cenários ambientais frente ao elevado consumo e a disponibilidade de recurso, muitas devem ser as medidas mitigadoras e preventivas quanto à degradação e poluição ambiental. Desse modo, sob uma ótica empresarial, muitas são as exigências em relação às responsabilidades ambientais, em virtude da dimensão que uma má gestão pode causar. Em muitos casos, os empreendedores e gestores têm buscado o estabelecer o gerenciamento de suas atividades com objetivos e metas bem definidos, dentre eles: • Controle da poluição; • Atenuação das taxas de efluentes; • Controle e atenuação dos impactos ambientais; • Aperfeiçoamento do uso de recursos naturais. Diante desses apontamentos, o principal objetivo do controle operacional diz respeito à identificação das ações e atividades adotadas por uma empresa, para atenuar os efeitos dos seus impactos ambientais representativos. Objetivos Ao término deste capítulo você será capaz de entender sobre os controles ambientais e sua importância frente ao equilíbrio entre os empreendimentos e a qualidade ambiental. Ainda serão abordados os dois tipos de controle, conforme a norma vigente, que são divididos em dois grandes grupos: controle operacional e monitoramento e medição. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então, vamos lá. Avante 30 Planos, Programas e Gerenciamento Ambiental Controles Ambientais Capitulo 4 Além disso, busca identificar as situações que vão contra o cumprimento dos objetivos ambientais da organização e a legislação vigente. Conforme definida a política ambiental, o controle operacional colabora para que sejam avaliadas as operações poluidoras para que então, a gestão possa buscar alternativas para garantir o desempenho frente ao compromisso ambiental. Desse modo, esse posicionamento deve ser expandido para novos projetos e ampliados nos outros já existentes. Juntamente às diretrizes de controle ambiental, a norma ISO14001:2015 aborda que a empresa tem que estabelecer meios e procedimentos para: FIGURA 14 Gestor realizando controle ambiental FONTE Freepik Nota Na prática, o controle operacional na organização deve ser encaminhado abordando noções em relação a atividades que agreguem controle ambiental, dentre elas: resíduos, efluentes líquidos, emissões atmosféricas, consumo de energia e água. 31 Planos, Programas e Gerenciamento Ambiental Controles Ambientais Capitulo 4 • Identificar potenciais acidentes; • Situações de emergência; • Prevenir e mitigar os impactos ambientais. No Brasil, as certificações aparecem como um poderoso instrumento por parte das empresas para se diferenciar e se adaptar às normativas ambientais. Conforme as concordâncias com as normativas de controle ambiental, os gestores devem atenuar os impactos e o risco de ocorrência de desvios, incidentes e acidentes ambientais. O controle está, de maneira direta, relacionado às atividades sob o gerenciamento da empresa e compreendem ações que vão desde instruções de trabalho e procedimentos que estabelecem as medidas a serem tomadas para reduzir os distintos impactos de suas operações. FIGURA 15 Adaptação as normativas de controle ambiental FONTE Freepik Importante Aplicar o controle operacional nas empresas é ter o domínio sobre os aspectos ambientais. 32 Planos, Programas e Gerenciamento Ambiental Controles Ambientais Capitulo 4 Requisitos de Controle Ambiental O controle ambiental ocorre conforme a norma IS014001, em que a empresa deve identificar aquelas atividades inerentes aos aspectos ambientais representativos conforme a política, objetivos e metas. Ademais, é preciso atentar-se para o planejamento de ações de manutenção visando assegurar que sejam executadas sob condições específicas. Desse modo, de acordo com a norma, o controle ambiental se divide em dois modos: Controle Operacional Agrega procedimentos para manter as atividades da organização conforme os aspectos ambientais significativos, para que eles não excedam situações especificadas ou padrões de desempenho. Exemplo: Procedimento para operação de estação de tratamento de efluentes. Juntamente ao controle das empresas, necessita-se rever constantemente os tipos de materiais, insumos, e serviços identificados. Cabe destacar que, em algumas situações, deve-se atentar para questões como: toxicidade, reuso, reciclagem e embalagem do insumo. FIGURA 16 Situações em que os insumos ou ma teriais podem causar perigo FONTE Freepik 33 Planos, Programas e Gerenciamento Ambiental Controles Ambientais Capitulo 4 Além dessas questões, em relação aos serviços também se deve ter total atenção, pois podem incluir resíduos, transportabilidade de cargas perigosas, entre outros. Ainda sob os preceitos da norma, ela aponta que empresas de prestação de serviços, seja por compra e venda de insumos, devem ter responsabilidades ambientais em conjunto, pois estão comercialmente vinculadas. Monitoramento e Medição Dessa maneira, a norma ISO 14001 aponta que a organização deve estabelecer e manter documentados os procedimentos inerentes às atividades de monitoramento e medir, com uma certa periodicidade, os atributos das operações que apresentem impacto sobre o meio ambiente. Exemplo: Carga orgânica de efluente. Importante Cabe à organização gerenciar o estabelecimento de ações sistematizadas para qualificar e avaliar prestadores de serviços, agregando as questões ambientais. Definição Monitoramento e medição configuram-se como as atividades que avaliam se a empresa está em concordância com os critérios de sua política ambiental, objetivos, metas, entre outros. 34 Planos, Programas e Gerenciamento Ambiental Controles Ambientais Capitulo 4 Outro ponto abordado pela norma é que a organização estabeleça indicadores de desempenho frente aos seus objetivos e metas e ao histórico de desempenho ambiental. Juntamente a essas premissas de indicadores, ressalta-se que, hoje em dia, esses procedimentos estão totalmente computadorizados, facilitando para que as empresas consigam avaliar, com maior praticidade, os fatores impostos pela legislação. Além disso, muitos modelos permitem que sejam realizadas simulações de cenários, visando o melhor atendimento dos objetivos frente ao controle ambiental. Diante do exposto, destaca-se que esses procedimentos de monitoramento e medição só ocorrem de maneira eficiente se os instrumentos estiverem aferidos e bem organizados. Algumas empresas atualmente utilizam laboratórios eventualmente contratados, institutos externos, para garantir a qualidade das análises, visando potencializar a confiabilidade do monitoramento de suas atividades. FIGURA 17 Monitoramento e medição FONTE Freepik 35 Planos, Programas e Gerenciamento Ambiental Controles Ambientais Capitulo 4 Resumindo Neste último capítulo, foram abordados os controles ambientais necessários para quaisquer que sejam as atividades e empreendimentos que utilizem o meio ambiente para produzir suas atividades. Além disso, foram abordados os dois métodos de controle ambiental, de acordo com a norma vigente em que são divididos em controles operacionais e monitoramento e medição. 36 Planos, Programas e Gerenciamento Ambiental Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT) – NBR 1004: Resíduos Sólidos: Classificação. Riode Janeiro: 2004. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT) – NBR ISSO 14001: Sistemas de gestão ambiental: especificação e diretrizes para uso . Rio de Janeiro: 1996. BRASIL, Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ Constituicao/Constituicao.htm. Acesso em: 28 set. 2020. BRASIL. Lei Federal n. 9.433, de 08 de janeiro de 1997. Institui a Política e Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos. QA – Qualidade da água. BRASIL. Resolução Conama n° 357, de 17 de março de 2005. Brasília, DF. FLORES, R. K.; MISOCZKY, M. C. Dos antagonismos na apropriação capitalista da água à sua concepção como bem comum. Organizações & Sociedade, v. 22, p. 237-250, 2015. MÉSZÁROS, I. Para além do capital: rumo a uma teoria da transição. São Paulo: Boitempo, 2002. 37 Planos e Programas de Emergência Ambiental Planos e Programas Ambientais Programa de Gestão Ambiental Programa de Supervisão Ambiental Programas de Controle da Qualidade Ambiental Programa Compensatório Programas de Desenvolvimento Social Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) Gestão de Resíduos Sólidos Fundamentos da Gestão dos Resíduos Sólidos Caracterização dos Resíduos Sólidos Tratamento e Condução Final dos Resíduos Gestão dos Recursos Hídricos Estrutura da Gestão dos Recursos Hídricos no Brasil Planos de Recursos Hídricos Controles Ambientais Abordagem Geral dos Controles Ambientais Requisitos de Controle Ambiental Controle Operacional Monitoramento e Medição Referências