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LABORATÓRIO DE MOVIMENTO FUNCIONAL HUMANO FASES DA MARCHA HUMANA ALGETEC – SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS EM EDUCAÇÃO CEP: 40260-215 Fone: 71 3272-3504 E-mail: contato@algetec.com.br | Site: www.algetec.com.br FASES DA MARCHA HUMANA O estudo da marcha humana aconteceu por meio das evoluções científicas proporcionadas por Galileu Galilei, Isaac Newton, Wilhelm e, especialmente, o anatomista e fisiologista Eduard, que usou instrumentos (cronômetro, fita métrica e telescópio) para descrever elementos importantes da marcha, como as fases de balanço e apoio e o período de duplo apoio do membro (NEUMANN, 2011). Desde então, vários outros estudos foram necessários para a compreensão das fases da marcha, uma necessidade básica do ser humano que proporciona a independência e possibilita seu deslocamento de um local para outro. Esse processo de locomoção do ser humano é chamado de marcha ou deambulação. Nesta prática, será abordado o ciclo da marcha, com detalhes sobre todas as suas fases. O caminhar de um indivíduo é um processo composto por uma série de movimentos cíclicos e, para compreendê-lo, deve-se conhecer as fases da marcha, que se inicia a partir do contato do pé com o chão, também chamado de contato inicial. No início da vida, uma criança leva de 11 a 15 meses para aprender a ficar de pé, dar seus primeiros passos e começar a andar, e ao longo dos anos isso é aperfeiçoado, até que se desenvolva com segurança. Para isso, o sistema nervoso central (SNC) gera impulsos que propiciam ações motoras por meio dos sistemas osteoarticular e muscular (NEUMANN, 2011). O contato inicial, que marca o início do ciclo da marcha, é feito com o calcanhar. Esse momento, que é o ponto zero da marcha, também é chamado de contato do calcanhar ou batida de calcanhar, sendo conhecido como fase de apoio – que corresponde a 60% do ciclo da marcha (pois apresenta o contato inicial, a resposta a carga, o apoio médio, o apoio terminal e o pré-balanço). Em seguida, vem a retirada mailto:contato@algetec.com.br LABORATÓRIO DE MOVIMENTO FUNCIONAL HUMANO FASES DA MARCHA HUMANA ALGETEC – SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS EM EDUCAÇÃO CEP: 40260-215 Fone: 71 3272-3504 E-mail: contato@algetec.com.br | Site: www.algetec.com.br desse calcanhar do solo, conhecida como fase de balanço – que corresponde a 40% do ciclo da marcha (pois apresenta o balanço inicial, o balanço médio e o balanço terminal) (LIPPERT, 2013; NEUMANN, 2011). De acordo com Neumann (2011) e Lippert (2013), as fases da marcha consistem em cinco eventos (Figura 1): 1. Contato inicial: É o momento em que o calcanhar entra em contato com o solo; corresponde a 0% do ciclo da marcha; 2. Resposta a carga: É o momento em que toda a superfície plantar do pé toca o solo, correspondendo a 8% do ciclo da marcha; 3. Apoio médio: Tem três definições. Na primeira, o peso do corpo passa diretamente sobre a extremidade inferior de apoio. Na segunda, é o momento em que o pé do membro na fase de balanço passa o membro inferior na fase de apoio no plano sagital. Na terceira, é o momento em que o trocanter maior do fêmur está verticalmente acima do ponto médio do pé de apoio no plano sagital; 4. Apoio terminal: Variável entre indivíduos, é o momento em que o calcanhar sai do solo; 5. Pré-balanço: Ocorre em 60% do ciclo da marcha; é o instante em que os dedos saem do solo. A fase de balanço é subdividida em três seções, conforme Neumann (2011): 1. Balanço inicial: Período desde o momento da retirada dos dedos até o balanço médio (60% a 75% do ciclo da marcha); 2. Balanço médio: Período pouco antes e ligeiramente após o médio apoio do membro inferior oposto, quando o pé do membro em balanço passa ao lado do pé do membro de apoio (75% a 85% do ciclo da marcha); 3. Balanço terminal: Período compreendido entre o final do balanço médio até o pé entrar em contato com o solo (85% a 100% do ciclo da marcha). mailto:contato@algetec.com.br LABORATÓRIO DE MOVIMENTO FUNCIONAL HUMANO FASES DA MARCHA HUMANA ALGETEC – SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS EM EDUCAÇÃO CEP: 40260-215 Fone: 71 3272-3504 E-mail: contato@algetec.com.br | Site: www.algetec.com.br Figura 1 – Fases da marcha. É importante, ainda, o conhecimento sobre termos como passada, que se caracteriza pela sequência de eventos que se realizam entre contatos sucessivos do calcanhar do mesmo pé. O comprimento de uma passada é a distância entre dois contatos do calcanhar dos dois pés. O passo é a sequência de eventos que ocorre nos contatos sucessivos do calcanhar do pé oposto. Assim, um ciclo de marcha tem dois passos: um à esquerda e outro à direita. O comprimento de um passo é a distância entre sucessivos contatos do calcanhar dos dois pés. A largura do passo é a distância lateral entre os centros do calcanhar de dois contatos consecutivos do pé, sendo estimada, em média, como de 8 a 10 centímetros (NEUMANN, 2011; LIPPERT, 2013). Ainda que a marcha seja influenciada até pelo estado emocional do indivíduo, criando um padrão singular de caminhada em alguns, é essencial conhecer as musculaturas envolvidas em cada fase do ciclo da marcha (Quadro 1). Por isso, a seguir, será abordada cada fase isoladamente, levando em consideração um indivíduo com marcha normal. No contato inicial, quando o calcanhar toca o solo, no tronco, há a ativação do músculo eretor da espinha, que trabalha excentricamente para resistir à flexão anterior; no quadril, o glúteo máximo e os isquiotibiais trabalham excentricamente para resistir ao momento de flexão; no joelho, ocorre a contração excêntrica do quadríceps femoral para controlar a flexão rápida do joelho; e, no tornozelo, ocorre a contração excêntrica de dorsiflexores para desacelerar a plantiflexão. 90% 100% 80% 70% 60% 50% 10% 40% 30% 20% 0% mailto:contato@algetec.com.br LABORATÓRIO DE MOVIMENTO FUNCIONAL HUMANO FASES DA MARCHA HUMANA ALGETEC – SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS EM EDUCAÇÃO CEP: 40260-215 Fone: 71 3272-3504 E-mail: contato@algetec.com.br | Site: www.algetec.com.br Na resposta a carga, quando a planta do pé toca o solo, no tronco, o músculo eretor da espinha continua trabalhando excentricamente para resistir à flexão de tronco; no quadril, o glúteo máximo e os isquiotibiais se contraem de forma concêntrica para que o quadril fique em extensão; no joelho, a contração excêntrica do quadríceps femoral continua e, depois de o pé tocar totalmente o solo, sua atividade se torna concêntrica, a fim de levar o fêmur sobre a tíbia; no tornozelo, ocorre a redução da atividade de dorsiflexores após levar a tíbia à frente da linha de força, e também contração excêntrica de inversores, como o músculo tibial anterior, o flexor longo do hálux e o flexor longo dos dedos, para controlar a eversão. No apoio médio, no quadril, a ação do glúteo máximo e dos isquiotibiais termina quando a força de reação do solo se torna posterior ao quadril e o iliopsoas trabalha excentricamente para resistir à extensão, enquanto o glúteo médio se contrai para estabilizar a pelve no lado oposto; no joelho, há a redução da atividade concêntrica do quadríceps femoral, assim que a força de reação ao solo passa à frente do joelho, e o gastrocnêmio trabalha excentricamente para controlar a extensão excessiva de joelho; no tornozelo, há ativação excêntrica dos plantiflexores, a fim de controlar a dorsiflexão sobre o pé fixo. No apoio terminal, no quadril, a atividade excêntrica do iliopsoas continua; no joelho, o gastrocnêmio começa a trabalhar concentricamente para iniciar a flexão de joelho; e, no tornozelo, os plantiflexores se contraem concentricamente para preparar o balanço do membro. No pré-balanço, no quadril, o adutor magno trabalha excentricamente para controlar ou estabilizar a pelve, enquanto a atividade excêntrica do iliopsoas continua; no joelho, o quadríceps femoral se contrai excentricamente;e, no tornozelo, os plantiflexores se contraem concentricamente ao máximo, mas se tornam inativos quando o pé deixa o solo. No balanço inicial, no quadril, o iliopsoas trabalha concentricamente para avançar o membro, e o glúteo médio contralateral também trabalha concentricamente, para manter a posição da pelve; no joelho, há contração concêntrica de isquiotibiais mailto:contato@algetec.com.br LABORATÓRIO DE MOVIMENTO FUNCIONAL HUMANO FASES DA MARCHA HUMANA ALGETEC – SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS EM EDUCAÇÃO CEP: 40260-215 Fone: 71 3272-3504 E-mail: contato@algetec.com.br | Site: www.algetec.com.br para flexionar o joelho; e, no tornozelo, contração concêntrica de dorsiflexores para elevar o pé. No balanço médio, no quadril, a atividade muscular segue semelhante à da fase anterior e, no joelho, há contração concêntrica do quadríceps femoral; no tornozelo, segue a contração concêntrica de dorsiflexores para elevar o pé. No balanço terminal, no quadril, há contração excêntrica de glúteo máximo para desacelerar a flexão do quadril; no joelho, há contração concêntrica de quadríceps femoral; e, no tornozelo, ainda segue a contração isométrica de dorsiflexores. Fase da marcha Objetivos mecânicos Grupos musculares ativos Principais músculos envolvidos FASE DE APOIO Toque do calcâneo (contato inicial) Tocar o solo com a parte anterior do pé Dorsiflexores do tornozelo (contração excêntrica) Músculo tibial anterior Desaceleração contínua (reverter o avanço) Extensores do quadril Músculo glúteo máximo Preservar o arco longitudinal do pé Músculos intrínsecos do pé Músculo flexor curto dos dedos Tendões longos do pé Músculo tibial anterior Resposta à carga (pé apoiado) Aceitar o peso Extensores do joelho Músculo quadríceps femoral Desacelerar a massa (retardar a dorsiflexão) Flexores plantares do tornozelo Músculo tríceps sural (sóleo e gastrocnêmio) mailto:contato@algetec.com.br LABORATÓRIO DE MOVIMENTO FUNCIONAL HUMANO FASES DA MARCHA HUMANA ALGETEC – SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS EM EDUCAÇÃO CEP: 40260-215 Fone: 71 3272-3504 E-mail: contato@algetec.com.br | Site: www.algetec.com.br Estabilizar a pelve Abdutores do quadril Músculos glúteos médio e mínimo; tensor da fáscia lata Preservar o arco longitudinal do pé Músculos intrínsecos do pé Músculo flexor curto dos dedos Tendões longos do pé Músculo tibial posterior; músculo flexor longo dos dedos Apoio médio Estabilizar o joelho Extensores do joelho Músculo quadríceps femoral Controlar a dorsiflexão (preservar o momento) Flexores plantares do tornozelo (contração excêntrica) Músculo tríceps sural (sóleo e gastrocnêmio) Estabilizar a pelve Abdutores do quadril Músculos glúteos médio e mínimo; tensor da fáscia lata Preservar o arco longitudinal do pé Músculos intrínsecos do pé Músculo flexor curto dos dedos Tendões longos do pé Músculo tibial posterior; músculo flexor longo dos dedos Apoio terminal (saída do calcâneo) Acelerar a massa Flexores plantares do tornozelo Músculo tríceps sural (sóleo e gastrocnêmio) mailto:contato@algetec.com.br LABORATÓRIO DE MOVIMENTO FUNCIONAL HUMANO FASES DA MARCHA HUMANA ALGETEC – SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS EM EDUCAÇÃO CEP: 40260-215 Fone: 71 3272-3504 E-mail: contato@algetec.com.br | Site: www.algetec.com.br (contração concêntrica) Estabilizar a pelve Abdutores do quadril Músculos glúteos médio e mínimo; tensor da fáscia lata Preservar os arcos do pé; fixar a parte anterior do pé Músculos intrínsecos do pé Músculo adutor do hálux Tendões longos do pé Músculo tibial posterior; músculo flexor longo dos dedos Pré- balanço (saída dos dedos) Acelerar a massa Flexores longos dos dedos Músculo flexor longo do hálux; músculo flexor longo dos dedos Preservar os arcos do pé; fixar a parte anterior do pé Músculos intrínsecos do pé Músculo adutor do hálux Tendões longos do pé Músculo tibial posterior; músculo flexor longo dos dedos Desacelerar a coxa; preparar para o balanço Flexor do quadril (contração excêntrica) Músculo iliopsoas; músculo reto femoral FASE DE BALANÇO Balanço inicial Acelerar a coxa; variar a cadência Flexor do quadril (contração concêntrica) Músculo iliopsoas; músculo reto femoral mailto:contato@algetec.com.br LABORATÓRIO DE MOVIMENTO FUNCIONAL HUMANO FASES DA MARCHA HUMANA ALGETEC – SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS EM EDUCAÇÃO CEP: 40260-215 Fone: 71 3272-3504 E-mail: contato@algetec.com.br | Site: www.algetec.com.br Elevar o pé Dorsiflexores do tornozelo Músculo tibial anterior Balanço médio Elevar o pé Dorsiflexores do tornozelo Músculo tibial anterior Balanço terminal Desacelerar a coxa Extensores do quadril (contração excêntrica) Músculo glúteo máximo; músculos isquiotibiais Desacelerar a perna Flexores do joelho (contração excêntrica) Músculos isquiotibiais Posicionar o pé Dorsiflexores do tornozelo Músculo tibial anterior Estender o joelho para posicionar o pé (controlar a passada); preparar para contato Extensores do joelho Músculo quadríceps femoral Quadro 1 – Ação muscular durante o ciclo da marcha dos principais músculos envolvidos. mailto:contato@algetec.com.br LABORATÓRIO DE MOVIMENTO FUNCIONAL HUMANO FASES DA MARCHA HUMANA ALGETEC – SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS EM EDUCAÇÃO CEP: 40260-215 Fone: 71 3272-3504 E-mail: contato@algetec.com.br | Site: www.algetec.com.br REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS LIPPERT, Lynn. Cinesiologia clínica e anatomia. [S. I.]: Grupo Gen/Guanabara Koogan, 2013. MANSOUR, N. R.; FAGUNDES, D. S.; ANTUNES, M. D. Cinesiologia e biomecânica. Porto Alegre: SAGAH, 2018. MOORE, Keith L.; DALLEY, Arthur F.; AGUR, Anne M. R. Anatomia orientada para a clínica. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019. NEUMANN, Donald A. Cinesiologia do aparelho musculoesquelético. [S. I.]: Elsevier Health Sciences Brazil, 2011. mailto:contato@algetec.com.br