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UNINOVE Ética e pesquisa em psicologia APRESENTAR AO ALUNO A IMPORTÂNCIA DA ÉTICA PARA AS PESQUISAS CIENTÍFICAS QUE ENVOLVAM SERES HUMANOS. AUTOR(A): PROF. ROSALICE LOPES AUTOR(A): PROF. JOSE ROGERIO MACHADO DE PAULA Ética e pesquisa. As pesquisas na área de saúde e, mais especificamente, aquelas que envolvem seres humanos, podem envolver dilemas de natureza ética. Isto ocorre porque, nem sempre, é possível harmonizar os interesses dos pesquisadores, dos sujeitos pesquisados e da sociedade como um todo (Fortes, 1998). De forma geral, as pesquisas em saúde têm por finalidade a produção de um conhecimento que visa o bem- estar e a qualidade de vida das pessoas. É neste sentido, portanto, que devem ser pautadas pelo princípio da beneficência.LEMBRE-SE: o princípio da beneficência, estudado pela bioética, estabelece que qualquer conduta ou procedimento de pesquisa que envolva seres humanos deve buscar, em primeiro lugar, o benefício dos sujeitos pesquisados. Este princípio é importante para a discussão da condição ética das pesquisas que envolvem seres humanos, pois envolvem uma série de questões, muitas delas, aliás, polêmicas. Um destes exemplos diz respeito à liberdade e autonomia que podem ter as pessoas para, de forma consentida, tomarem parte em pesquisas científicas. A história do desenvolvimento da ética aplicada à pesquisa. Fortes (1998), em seu trabalho sobre ética e saúde, nos apresenta um histórico do desenvolvimento dos requisitos éticos para a aceitação e realização de pesquisas com seres humanos. Um aspecto que nos chama a atenção é que esta discussão é relativamente recente, pois se dá somente após o término da Segunda Guerra Mundial (1945). A derrota da Alemanha trouxe à tona as experiências realizadas pelos médicos nazistas. Estes utilizavam como sujeitos os prisioneiros que se encontravam nos campos de concentração. Foi realizado todo tipo de experimento, sem qualquer consideração pelo sofrimento das pessoas ou pelas consequências que pudessem acarretar para as mesmas. De forma cruel e triste, neste caso, seres humanos foram utilizados como cobaias de laboratório. Como resultado disto, o Tribunal Militar de Nuremberg (na Alemanha), elaborou um documento que considerava ser essencial o respeito pela autonomia dos sujeitos em decidir participar de uma pesquisa. Esta autonomia somente poderia se caracterizar com a certeza de que o participante estava esclarecido e informado sobre os procedimentos e possíveis riscos da pesquisa. A regulamentação de Nuremberg, por sua vez, serviu de base para que, já na década de 1960, a Associação Médica Mundial propusesse a Declaração de Helsinque (1964) que, ao longo dos anos sofreu várias mudanças e revisões, tendo a última ocorrido em Somerset do Sul (1996). Estas alterações todas, quando analisadas em conjunto, ressaltam a centralidade da avaliação da condição ética das pesquisas em sua fase de planejamento e projeto. Esta análise, para ser válida, deverá ser realizada por comitês ou comissões independentes. Ainda em âmbito internacional, na década de 1990, a Organização Mundial da Saúde (OMS http://www.who.int/en/ em conjunto com as Organizações Internacionais das Ciências Médicas http://www.cioms.ch/ (http://www.cioms.ch/)), elaboram as Normas Éticas Internacionais para Pesquisas Biomédicas Envolvendo Seres Humanos (Fortes, 1998). Esta regulamentação destaca a proteção a grupos de pessoas em condição de vulnerabilidade (crianças, idosos, gestantes, etc.) e a consideração pelas condições socioeconômicas dos países não desenvolvidos.No psicologiaATENçãO: o link que se segue lhe permitirá acessar as resoluções do Conselho Nacional de Sáude relativas às diretrizes éticas que devem ser respeitadas ao se realizar uma pesquisa com seres humanos: (http://conselho.saude.gov.br/comissao/conep/resolucao.html Sua primeira resolução data de 1988. Esta resolução recomendava a criação de um Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) nos centros de pesquisa do país. Porém, este foi um primeiro passo, muito importante, mas ainda insuficiente. Neste sentido, então, em 1996, o CNS publica sua resolução 196/96. Até hoje, esta é a regra que serve de referência para o planejamento das pesquisas, considerando-se as preocupações de natureza ética. A Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. A seguir, serão destacados os principais pontos da Resolução 196/96, por ser esta a principal referência em termos de orientação ética para as pesquisas que envolvem seres humanos no Brasil. A eticidade da pesquisa. "III.1 A eticidade da pesquisa implica em: a) consentimento livre e esclarecido dos indivíduos-alvo e a proteção a grupos vulneráveis e aos legalmente incapazes (autonomia). Neste sentido, a pesquisa envolvendo seres humanos deverá sempre tratá-los em sua dignidade, respeitá-los em sua autonomia e defendê-los em sua vulnerabilidade; b) ponderação entre riscos e benefícios, tanto atuais como potenciais, individuais ou coletivos (beneficência), comprometendo-se com o máximo de benefícios e o mínimo de danos e riscos; c) garantia de que danos previsíveis serão evitados (não maleficência); d) relevância social da pesquisa com vantagens significativas para os sujeitos da pesquisa e minimização do ônus para os sujeitos vulneráveis, o que garante a igual consideração dos interesses envolvidos, não perdendo o sentido de sua destinação sócio-humanitária (justiça eCONSELHO NACIONAL DE COMISSãO NACIONAL DE ÉTICA EM PESQUISA 196/96 LEMBRE-SE: Um projeto de pesquisa, para ser considerado ético, deverá levar em conta os seguintes princípios: - autonomia - beneficência - não maleficência justiça e equidade Este item da Resolução nos apresenta os requisitos mínimos que devem ser considerados por um projeto de pesquisa para que seja apropriado em termos das exigências éticas. Os itens em negrito indicam os princípios éticos que subjazem os enunciados de cada um destes. princípio da autonomia do sujeito participante da pesquisa implica na necessidade de que este concorde em participar de uma pesquisa. Porém, a simples concordância não basta. Deverá o sujeito estar ciente dos riscos e consequências que a pesquisa poderá lhe trazer. Daí, então, a necessidade de que seu consentimento seja livre e esclarecido, formalizado, inclusive num documento conhecido como Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.LEMBRE-SE: Termo de Consentimento Livre e Esclarecido é o documento no qual o sujeito pesquisado declara sua concordância em participar da pesquisa, após ter sido devidamente esclarecido sobre os riscos envolvidos. o Protocolo de Pesquisa. A Resolução 196/96 prevê a apresentação de um protocolo de pesquisa que deverá ser remetido aos Comitês de Ética em Pesquisa para que os projetos possam ser analisados. Os itens que compõem este protocolo, nos termos da Resoluçao 196/96 são os seguintes: "VI PROTOCOLO DE PESQUISA o protocolo a ser submetido à revisão ética somente poderá ser apreciado se estiver instruído com os seguintes documentos, em português: VI.1 - folha de rosto: título do projeto, nome, número da carteira de identidade, CPF, telefone e endereço para correspondência do pesquisador responsável e do patrocinador, nome e assinaturas dos dirigentes da instituição e/ou organização; VI.2 - descrição da pesquisa, compreendendo os seguintes itens: a) descrição dos propósitos e das hipóteses a serem testadas; b) antecedentes científicos e dados que justifiquem a pesquisa. Se o propósito for testar um novo produto ou dispositivo para a saúde, de procedência estrangeira ou não, deverá ser indicada a situação atual de registro junto a agências regulatórias do país de origem; c) descrição detalhada e ordenada do projeto de pesquisa (material e métodos, casuística, resultados esperados e bibliografia); d) análise crítica de riscos e benefícios; e) duração total da pesquisa, a partir da aprovação; f) das responsabilidades do pesquisador, da instituição, do promotor e do patrocinador; g) explicitação de critérios para suspender ou encerrar a pesquisa; h) local da pesquisa: detalhar as instalações dos serviços, centros, comunidades e instituições nas quais se processarão as várias etapas da pesquisa;i) demonstrativo da existência de infra-estrutura necessária ao desenvolvimento da pesquisa e para atender eventuais problemas dela resultantes, com a concordância documentada da instituição; j) orçamento financeiro detalhado da pesquisa: recursos, fontes e destinação, bem como a forma e o valor da remuneração do pesquisador; 1) explicitação de acordo preexistente quanto à propriedade das informações geradas, demonstrando a inexistência de qualquer cláusula restritiva quanto à divulgação pública dos resultados, a menos que se trate de caso de obtenção de patenteamento; neste caso, os resultados devem se tornar públicos, tão logo se encerre a etapa de patenteamento; m) declaração de que os resultados da pesquisa serão tornados públicos, sejam eles favoráveis ou não; e n) declaração sobre o uso e destinação do material e/ou dados coletados. VI.3 informações relativas ao sujeito da pesquisa: a) descrever as características da população a estudar: tamanho, faixa etária, sexo, (classificação do IBGE), estado geral de saúde, classes e grupos sociais, etc. Expor as razões para a utilização de grupos vulneráveis; b) descrever os métodos que afetem diretamente os sujeitos da pesquisa; c) identificar as fontes de material de pesquisa, tais como espécimens, registros e dados a serem obtidos de seres humanos. Indicar se esse material será obtido especificamente para os propósitos da pesquisa ou se será usado para outros fins; d) descrever os planos para o recrutamento de indivíduos e os procedimentos a serem seguidos. Fornecer critérios de inclusão e exclusão; e) apresentar o formulário ou termo de consentimento, específico para a pesquisa, para a apreciação do Comitê de Ética em Pesquisa, incluindo informações sobre as circunstâncias sob as quais o consentimento será obtido, quem irá tratar de obtê-lo e a natureza da informação a ser fornecida aos sujeitos da pesquisa; f) descrever qualquer risco, avaliando sua possibilidade e gravidade; g) descrever as medidas para proteção ou minimização de qualquer risco eventual. Quando apropriado, descrever as medidas para assegurar os necessários cuidados à saúde, no caso de danos aos indivíduos. Descrever também os procedimentos para monitoramento da coleta de dados para prover a segurança dos indivíduos, incluindo as medidas de proteção à confidencialidade; e h) apresentar previsão de ressarcimento de gastos aos sujeitos da pesquisa. A importância referente não poderá ser de tal monta que possa interferir na autonomia da decisão do indivíduo ou responsável de participar ou não da pesquisa. VI.4 qualificação dos pesquisadores: "Curriculum vitae" do pesquisador responsável e dos demais participantes.VI.5 termo de compromisso do pesquisador responsável e da instituição de cumprir os termos desta Resolução." CONSELHO NACIONAL DE - COMISSãO NACIONAL DE ÉTICA EM PESQUISA - 196/96 controle das pesquisas. Um avanço produzido pela Resolução 196/96 foi a exigência de que as instituições que realizam pesquisas com seres humanos, deverão constituir um ou mais Comitês de Ética em Pesquisa (CEP). Estes comitês deverão ter uma composição interdisciplinar e deverão ter por objetivo, mais do simplesmente verificar o cumprimento de regras, buscar o estabelecimento de uma cultura de investigação científica que não se descure da preocupação ética. ATIVIDADE FINAL A eticidade de uma pesquisa científica é composta por alguns princípios, segundo a Resolução 196/96 do Conselho Nacional de sáude. Dentre as alternativas abaixo, a única que NÃO contém um destes princípios. A. Não maleficência. B. Justiça e equidade. C. Autonomia. D. Empatia. REFERÊNCIA Conselho Nacional de Sáude - Comissão Nacional de Ética em Pesquisa. Resolução 196/96. Brasília: CNS, 1996. Disponível em: em: 04 Dez. 2014. Fortes, Paulo Antonio de Carvalho. Ética e saúde- questões ética, deontológicas e legais. Tomada de decisões. Autonomia e Direitos dos Pacientes. Estudo de Casos. São Paulo: EPU, 1998. Organização Mundial da Sáude Ministério da Sáude. Diretrizes Operacionais para Comitês de Ética que Avaliam Pesquisas Biomédicas - Série A. Normas e Manuais Técnicos. Brasília: Ministério da Sáude, 2008. Disponível em:Acesso em: 04 Dez. 2014.

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