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Processo civil _ Execução e cumprimento de Sentença (1)

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Processo civil : Execução e cumprimento de Sentença 
O processo judicial pode ser dividido, de forma clássica, em duas fases 
distintas: a fase de conhecimento e a fase de execução. Cada uma possui 
objetivos e características próprias dentro da dinâmica processual. 
A fase de conhecimento, também chamada de fase cognitiva, é aquela em 
que o juiz ainda não sabe quem tem razão na controvérsia. Nessa etapa, há o 
desenvolvimento de uma atividade de apuração dos fatos e do direito envolvido. As 
partes apresentam suas alegações, juntam documentos, produzem provas e, se 
necessário, participam de audiências para oitiva de testemunhas e esclarecimento 
dos pontos controvertidos. Ao final, o juiz profere uma sentença, reconhecendo ou 
negando o direito pleiteado por uma das partes. 
Já a fase de execução ocorre quando existe um título executivo, isto é, um 
documento que comprova um direito certo, líquido e exigível. Esse título pode ser 
judicial (como a própria sentença proferida na fase de conhecimento) ou 
extrajudicial (como um cheque, uma nota promissória ou um contrato com 
força executiva). Nessa fase, o objetivo principal é fazer cumprir aquilo que foi 
decidido ou formalizado no título, ou seja, efetivar o direito reconhecido, por 
meio de medidas que podem ir desde a intimação para pagamento até atos mais 
coercitivos, como a penhora de bens ou bloqueio de valores. 
É importante destacar que não é obrigatório que um processo passe pelas 
duas fases. Em alguns casos, é possível iniciar diretamente pela fase de execução, 
sem que haja uma sentença anterior, desde que o credor possua um título 
extrajudicial válido. Nesses casos, não se discute mais a existência do direito, mas 
sim a sua concretização. 
Por fim, é essencial compreender a diferença entre cognição e atividade 
executiva. A cognição envolve a análise e o reconhecimento do direito pelo juiz. 
Já a atividade executiva se refere à prática de atos destinados a tornar efetivo 
um direito já reconhecido, seja por meio de sentença ou por documento 
legalmente aceito como título executivo. 
 
⚠ ATENÇÃO: este material não substitui o uso de doutrina e o código de processo civil. Conteúdo 
baseado na doutrina “Manual de direito processual” - Daniel Amorim Assumpção Neves e “Processo 
Civil” - Marcelo Ribeiro 
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Processo civil : Execução e cumprimento de Sentença 
PRINCÍPIOS 
Assim como ocorre em outras áreas do Direito, o processo de execução é regido por 
princípios fundamentais que orientam sua estrutura, funcionamento e interpretação. 
Esses princípios são essenciais para a compreensão da disciplina e para a correta 
aplicação das normas processuais executivas. 
1. “Nulla executio sine titulo” (Não há execução sem título): Este princípio 
estabelece que a execução somente pode ser iniciada com base em um título 
executivo. A razão é simples: como a execução permite a adoção de medidas 
coercitivas e invasivas contra o patrimônio do executado, como penhora, 
busca e apreensão ou imissão na posse, é necessário que haja um título que 
comprove, ao menos em juízo de probabilidade, a existência do crédito. O 
executado encontra-se em posição processualmente desfavorável em relação 
ao exequente, e por isso, somente títulos que a lei expressamente reconhece 
como executivos podem embasar o processo de execução. O rol dos títulos 
executivos é taxativo, ou seja, não se admite a criação de novos títulos por 
interpretação extensiva ou analogia, o que reforça a legalidade e a 
segurança jurídica do processo. 
2. Patrimonialidade: a execução recai sobre os bens do devedor, e não sobre 
sua pessoa. Isso significa que a satisfação do crédito será buscada no 
patrimônio do executado, vedando-se qualquer forma de coerção pessoal 
(prisão, por exemplo) para fins de cumprimento de obrigação patrimonial, 
salvo exceções legais específicas. Esse princípio é reflexo da evolução 
histórica do processo executivo, que se afastou da lógica da vingança 
privada do credor, adotando uma postura mais humanizada, que respeita a 
dignidade da pessoa humana. Assim, o patrimônio é o único instrumento 
legítimo de satisfação da dívida, representando um avanço civilizatório no 
âmbito processual. 
3. Desfecho único: O processo de execução possui um único objetivo: satisfazer 
o direito do exequente, ou seja, fazer com que o crédito seja efetivamente 
pago ou cumprido. Por isso, fala-se em desfecho único. Esse desfecho pode 
ser: 
⚠ ATENÇÃO: este material não substitui o uso de doutrina e o código de processo civil. Conteúdo 
baseado na doutrina “Manual de direito processual” - Daniel Amorim Assumpção Neves e “Processo 
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a) Normal: ocorre quando o crédito é satisfeito e o processo é extinto por 
decisão judicial nos termos do art. 924 do CPC, que apenas declara o 
fim da execução. 
b) Anômalo: ocorre quando a execução é extinta sem que o crédito seja 
satisfeito, como nos casos do art. 485 do CPC (extinção sem resolução 
do mérito) ou quando há acolhimento integral dos embargos à 
execução, reconhecendo-se que não há direito material exequível. 
4. Disponibilidade da Execução (art. 775) Tendo em vista que o processo de 
execução não serve para proteger direitos do executado, mas sim para 
realizar o direito do exequente, este possui plena disponibilidade sobre a 
execução. Isso significa que o exequente pode desistir do processo a 
qualquer tempo, mesmo que ainda estejam pendentes os embargos à 
execução, conforme prevê o art. 775 do CPC. Essa desistência não depende 
da concordância do executado, uma vez que, se a execução não prossegue, 
ele já obteve tudo que poderia obter com o processo: o encerramento das 
medidas contra seu patrimônio. Assim, a lei presume sua aceitação, tornando 
desnecessária qualquer manifestação nesse sentido. 
5. Utilidade (art. 836) : O processo de execução não se justifica apenas para 
prejudicar o devedor, sem trazer qualquer proveito prático ao credor, 
devendo o processo ter alguma utilidade prática que beneficie o exequente. 
Em razão desse princípio, a penhora não será realizada quando restar 
evidente que o produto da execução dos bens encontra os será totalmente 
absorvido pelo pagamento das custas da execução (art. 836, caput, do CPC). 
6. Menor onerosidade (art 805): Quando houver vários meios de satisfazer o 
direito do credor, o juiz mandará que a execução se faça pelo modo menos 
gravoso ao executado (art. 805 do CPC). O que se pretende é evitar o exagero 
desnecessário de condutas que prejudiquem o executado. 
7. Contraditório: O contraditório, no processo de execução, é o direito que o 
executado (devedor) tem de ser informado sobre os atos processuais que 
podem afetar seu patrimônio e de poder se manifestar, responder e 
influenciar nas decisões do juiz. Mesmo que o juiz parta da presunção de que 
⚠ ATENÇÃO: este material não substitui o uso de doutrina e o código de processo civil. Conteúdo 
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o direito do credor já está comprovado (porque há um título executivo), isso 
não elimina a necessidade de contraditório em várias etapas da execução. 
8. Atipicidade dos meios executivos (art 139, IV) : é pelos meios executivos que 
o juiz tenta, no caso concreto, a satisfação do débito do exequente. Esse 
princípio, basicamente, permite ao juiz adotar quaisquer medidas, inclusive 
não previstas expressamente em lei, que sejam eficazes para garantir a 
satisfação do crédito, desde que proporcionais e razoáveis. 
PARTES 
Base legal : art 778 -780 
Assim como no procedimento comum, a relação jurídica executiva, precisa ser 
pelo menos formada por três principais sujeitos processuais: juiz (sujeitoimparcial), 
autor/exequente (sujeito ativo) e Réu/executado (sujeito passivo). 
Da legitimidade Ativa : No polo ativo do processo de execução, encontraremos, 
como regra geral, a chamada legitimação originária, conferida ao credor que figura 
como titular do direito representado em um título executivo, seja ele judicial ou 
extrajudicial. Esse credor atua em nome próprio e em benefício de direito próprio, 
como determina o caput do art. 778 do CPC: 
Art. 778. Pode promover a execução forçada o credor a quem a lei confere título 
executivo. 
Contudo, excepcionalmente, é possível a atuação de sujeitos que, ainda que 
atuem em nome próprio e por direito próprio, somente adquirem a legitimação para 
executar em razão de fato posterior ao surgimento do título executivo. É a chamada 
legitimação secundária. Essa hipótese está prevista no § 1º do art. 778 do CPC, e 
abarca os seguintes legitimados: 
§ 1º Podem promover a execução forçada ou nela prosseguir, em sucessão ao 
exequente originário: 
I - o Ministério Público, nos casos previstos em lei; (como na defesa de incapazes 
ou interesses difusos); 
II - o espólio, os herdeiros ou os sucessores do credor, sempre que, por morte 
deste, lhes for transmitido o direito resultante do título executivo; (Quando o 
credor (exequente originário) falece, o direito de crédito constante no título 
executivo é transmitido aos seus herdeiros ou sucessores) 
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III - o cessionário, quando o direito resultante do título executivo lhe for 
transferido por ato entre vivos; 
IV - o sub-rogado, nos casos de sub-rogação legal ou convencional. 
O § 2º do mesmo artigo traz uma regra procedimental importante: a sucessão 
no polo ativo independe de consentimento do executado. Ou seja, não é necessária 
a anuência da parte contrária para que haja a substituição processual do exequente 
originário pelo novo legitimado: 
§ 2º A sucessão prevista no § 1º independe de consentimento do executado. 
Legitimidade passiva: a legitimidade passiva no processo de execução está prevista 
no caput do artigo 779 do Código de Processo Civil, o qual estabelece contra 
quem a execução pode ser promovida: 
 Art. 779. A execução pode ser promovida contra: 
 I – o devedor, reconhecido como tal no título executivo; 
 II – o espólio, os herdeiros ou os sucessores do devedor; 
 III – o novo devedor que assumiu, com o consentimento do credor, a obrigação 
resultante do título executivo; 
 IV – o fiador do débito constante em título extrajudicial; 
 V – o responsável titular do bem vinculado por garantia real ao pagamento do 
débito; 
 VI – o responsável tributário, assim definido em lei.” 
O inciso I do referido dispositivo legal trata da legitimação originária, 
reconhecendo como legitimado passivo “o devedor, reconhecido como tal no título 
executivo”. Essa é a forma clássica e direta de legitimidade, uma vez que o 
executado consta expressamente no documento que fundamenta a execução. 
Já os incisos II e III disciplinam hipóteses de legitimação secundária ou 
superveniente, em que o sujeito passivo assume essa posição em decorrência de um 
fato posterior à constituição do título. São eles: “o espólio, os herdeiros ou os 
sucessores do devedor” (inciso II), nos casos de falecimento deste, bem como “o 
novo devedor que assumiu, com o consentimento do credor, a obrigação resultante 
do título executivo” (inciso III). 
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Além dessas, o artigo 779 também contempla as chamadas hipóteses de 
legitimação extraordinária, previstas nos incisos IV, V e VI. Nesses casos, a 
legitimidade decorre de disposição legal expressa, sendo conferida: ao “fiador do 
débito constante em título extrajudicial” (inciso IV), ao “responsável titular do bem 
vinculado por garantia real ao pagamento do débito” (inciso V), e ao “responsável 
tributário, assim definido em lei” (inciso VI). 
É importante destacar que, embora a legitimidade passiva nem sempre 
conste expressamente no título executivo, ela sempre deverá guardar vínculo com 
ele. Assim, a legitimidade poderá decorrer diretamente do título (como ocorre na 
legitimação originária), de fato superveniente à sua formação (legitimação 
secundária) ou de previsão legal específica (legitimação extraordinária). Trata-se, 
portanto, de uma construção sistemática que visa assegurar a coerência entre o 
sujeito passivo e a obrigação exequenda. 
TÍTULOS EXECUTIVOS 
Um título executivo é um documento que comprova uma dívida ou obrigação, 
permitindo ao credor exigir o seu cumprimento. Pode ser judicial ou extrajudicial. 
Além disso, só existe título criado pela lei, conforme o princípio do nullus titulus sine 
lege. O art. 786 do CPC determina que a obrigação contida no título executivo deve 
ser certa líquida e exigível: 
Art. 786. A execução pode ser instaurada caso o devedor não satisfaça a 
obrigação certa, líquida e exigível consubstanciada em título executivo. 
a) Certeza: a obrigação deve estar definida quanto à sua existência, não 
podendo ser meramente eventual ou hipotética. Contudo, isso não implica em 
incontestabilidade absoluta. O executado ainda pode apresentar defesa, por 
meio de embargos à execução. A "certeza" não é sinônimo de 
indiscutibilidade. 
b) Liquidez: Refere-se à possibilidade de quantificar o valor da obrigação. Não é 
necessário que o título executivo traga expressamente o valor exato devido, 
mas é indispensável que contenha elementos objetivos que possibilitem a 
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apuração desse valor de forma precisa e segura. A liquidez, portanto, diz 
respeito à determinabilidade do quanto ou do que se deve. 
c) Exigibilidade: Representa a possibilidade de exigir judicialmente o 
cumprimento da obrigação. A obrigação é exigível quando está vencida e 
não há termo, condição suspensiva ou contraprestação pendente. Em regra, a 
exigibilidade se configura com o simples decurso do prazo de vencimento 
previsto no título ou pela ausência de qualquer obstáculo legal ao imediato 
cumprimento da obrigação. 
Títulos executivos Judiciais: O título executivo judicial é formado pelo juiz por meio 
de atuação jurisdicional. Previstos no art. 515 são títulos executivos Judiciais: 
Inciso Título Executivo Judicial Explicação 
I Decisões no processo civil que 
reconheçam obrigação de pagar, 
fazer, não fazer ou entregar coisa 
Abrange as sentenças e decisões que reconhecem 
expressamente o dever do réu em cumprir 
determinada obrigação. Pode ser obrigação de dar 
(coisa ou valor), de fazer ou de não fazer. 
II Decisão homologatória de 
autocomposição judicial 
Refere-se aos acordos realizados entre as partes 
durante o processo e que foram homologados por 
decisão judicial. Ganha força de título executivo. 
III Decisão homologatória de 
autocomposição extrajudicial 
Inclui acordos feitos fora do processo (como 
mediação ou conciliação extrajudicial), que foram 
levados ao Judiciário para homologação. 
IV Formal e certidão de partilha Aplica-se em inventários e partilhas de bens. Serve 
como título executivo apenas entre inventariante, 
herdeiros e sucessores, quanto aos bens e obrigações 
partilhados.V Crédito de auxiliar da justiça Engloba valores devidos a peritos, tradutores, 
intérpretes, advogados dativos, etc., desde que 
aprovados por decisão judicial. 
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VI Sentença penal condenatória 
transitada em julgado 
Mesmo sendo proferida na esfera penal, essa 
sentença pode reconhecer obrigações de natureza 
civil (ex: indenização), que podem ser executadas no 
juízo cível. 
VII Sentença arbitral Decisão proferida por árbitro (juiz privado), desde 
que respeitados os critérios legais. Produz os mesmos 
efeitos da sentença judicial. 
VIII Sentença estrangeira homologada 
pelo STJ 
Sentença de outro país que, após homologação pelo 
Superior Tribunal de Justiça, pode ser executada no 
Brasil. 
IX Decisão interlocutória estrangeira 
com exequatur do STJ 
Medida cautelar ou decisão não definitiva 
(interlocutória) estrangeira, que tenha recebido 
autorização do STJ para produzir efeitos no Brasil. 
§1º: Nos casos dos incisos VI a IX (decisões oriundas da esfera penal, arbitral ou 
estrangeira), o cumprimento da sentença será promovido no juízo cível, com prazo 
de 15 dias para que o devedor cumpra a obrigação ou apresente defesa. 
§2º: A autocomposição judicial pode envolver terceiros (pessoas não participantes 
da ação) e tratar de relações jurídicas que não foram discutidas no processo, desde 
que haja homologação judicial. 
Títulos executivos Extrajudiciais: O Título Executivo Extrajudicial é formado por ato 
de vontade das partes envolvidas na relação jurídica de direito material (ou somente 
de uma delas). Previsto no art 784 são títulos executivos extrajudiciais: 
Inciso Título Executivo Extrajudicial Explicação 
I Letra de câmbio, nota promissória, 
duplicata, debênture e cheque 
Documentos típicos de crédito. São títulos 
cambiais que comprovam a obrigação de 
pagar valor certo. 
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II Escritura pública ou outro documento 
público assinado pelo devedor 
Feitos em cartório. Representam obrigações 
assumidas formalmente. 
III Documento particular assinado pelo 
devedor e por 2 testemunhas 
Garante força executiva ao contrato ou 
documento particular, desde que tenha as 
assinaturas exigidas. 
IV Instrumento de transação referendado por 
MP, Defensoria, Advocacia Pública, 
advogados ou mediadores 
Autocomposição extrajudicial validada por 
autoridade ou profissional habilitado. 
V Contrato com garantia real ou caução Obrigações garantidas por direitos reais 
como hipoteca, penhor, anticrese ou caução. 
VI Contrato de seguro de vida em caso de 
morte 
Gera obrigação de pagamento à parte 
beneficiária, podendo ser cobrado por 
execução. 
VII Crédito decorrente de foro e laudêmio Valores devidos em razão da ocupação de 
terrenos da União ou imóveis foreiros. 
VIII Crédito por aluguel de imóvel e encargos 
acessórios (condomínio, taxas) 
Aluguéis e despesas comprovadas 
documentalmente podem ser executados 
diretamente. 
IX Certidão de Dívida Ativa (CDA) Título emitido pela Fazenda Pública 
referente a tributos e outros débitos 
inscritos. 
X Contribuições de condomínio edilício Débitos aprovados em assembleia e 
previstos na convenção, comprovados por 
documentos. 
XI Certidão de emolumentos de serventia 
notarial/registral 
Cobrança dos valores fixados em lei por 
cartórios, quando não pagos. 
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XI-A Contrato de contragarantia ou outro 
documento de ressarcimento da seguradora 
Permite à seguradora buscar ressarcimento 
contra tomadores de seguro-garantia. 
XII Outros títulos com força executiva por lei Abrange qualquer documento que a lei, 
expressamente, confere força executiva. 
Responsabilidade patrimonial 
A responsabilidade patrimonial é a possibilidade de sujeitar o patrimônio 
de alguém à execução para satisfazer um crédito. Ela existe mesmo sem a prática 
imediata de atos executivos e, em regra, recai sobre os bens do devedor. Contudo, o 
sistema admite que terceiros, como o fiador, também possam responder pela dívida, 
ainda que seus bens não sejam atingidos, desde que o devedor possua patrimônio 
suficiente. 
A obrigação é instituto do direito civil e surge com a constituição do débito, 
normalmente por ato jurídico ou ilícito. Já a responsabilidade patrimonial, de 
natureza processual, decorre do inadimplemento e se estabelece entre o indivíduo e 
o Estado, permitindo a afetação do patrimônio para a satisfação do crédito apenas 
com a formação do processo. 
Assim, obrigação e responsabilidade são distintas: pode haver dívida sem 
responsabilidade (como nas obrigações naturais) e responsabilidade sem dívida 
(como no caso do fiador). Conforme o art. 789 do CPC, o devedor responde com 
todos os seus bens presentes e futuros, salvo exceções legais. 
Bens sujeitos à responsabilidade patrimonial: O devedor responde com todos os seus 
bens presentes e futuros para satisfazer o crédito (art. 789 do CPC), mas existem 
limitações legais a essa regra. São absolutamente impenhoráveis os bens 
inalienáveis, os móveis e utensílios domésticos essenciais, vestuários e pertences 
pessoais (exceto se de elevado valor), salários, aposentadorias, pensões e afins 
(com ressalvas), instrumentos de trabalho, seguro de vida, pequena propriedade 
rural trabalhada pela família, poupança até o limite de 40 salários mínimos e valores 
destinados à educação, saúde e assistência social. Também são impenhoráveis os 
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Processo civil : Execução e cumprimento de Sentença 
frutos e rendimentos de bens inalienáveis, salvo se não houver outros bens 
penhoráveis. 
O bem de família, conforme a Lei 8.009/1990, é protegido contra penhora 
quando se trata de imóvel residencial do casal ou da entidade familiar, incluindo 
benfeitorias e equipamentos de uso profissional, mesmo que o devedor não more no 
imóvel, desde que ele sirva à sua moradia ou renda. A proteção se aplica inclusive a 
pessoas solteiras, separadas ou viúvas (Súmula 364/STJ). 
Entretanto, há exceções: o bem de família pode ser penhorado para o 
pagamento de IPTU, taxas e dívidas condominiais, bem como em caso de fiança em 
contrato de locação, cuja penhorabilidade foi confirmada pelo STF (RE 1.307.334 – 
Tema 1127). Além disso, o devedor pode voluntariamente renunciar à proteção da 
impenhorabilidade. 
Alienação fraudulenta: Alienação fraudulenta é gênero que abrange duas espécies: 
fraude contra credores e fraude à execução. A fraude contra credores (fraude 
pauliana), prevista no Código Civil, exige dois requisitos: objetivo (ato que causa 
insolvência do devedor) e subjetivo (consciência da insolvência). Se a transação for 
onerosa, exige-se má-fé do devedor e do terceiro; se for gratuita, basta a má-fé do 
devedor. Seu efeito é retirar o bem do alcance da responsabilidade patrimonial, o 
que demanda ação específica para declarar a ineficácia do ato, permitindo que o 
bem seja penhorado mesmo estandocom terceiro. 
Já a fraude à execução, regulada pelo CPC, compromete a efetividade da 
jurisdição. Ocorre, por exemplo, quando o bem é alienado durante ação com direito 
real ou reipersecutório averbada no registro público (art. 792, I), durante execução 
com averbação no registro do bem (II), após averbação de hipoteca judiciária ou 
ato constritivo (III), ou quando a ação contra o devedor pode levá-lo à insolvência 
(IV). Em todos os casos, a averbação serve para afastar a boa-fé do adquirente. Se 
não houver registro, o terceiro é presumido de boa-fé e a alienação não é 
considerada fraudulenta. 
 
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Liquidação de sentença 
A liquidação de sentença é uma fase cognitiva que tem por objetivo 
atribuir liquidez à decisão condenatória, tornando possível a atividade 
executiva. A liquidez é requisito essencial para a execução, sendo que os títulos 
extrajudiciais devem sempre ser líquidos, enquanto os judiciais podem ser ilíquidos, 
necessitando, nesse caso, de liquidação prévia. Essa fase busca definir o quantum 
debeatur, ou seja, o valor da obrigação, ou, quando for o caso, a quantidade de 
bens a serem entregues. É admissível quando a sentença for baseada em pedido 
genérico, nos casos de conversão de obrigações (como obrigação de fazer em 
perdas e danos), ou quando houver necessidade de individualizar os prejuízos 
sofridos pelas vítimas, como ocorre em ações civis públicas. A liquidação pode ser 
requerida tanto pelo credor quanto pelo devedor e não pode rediscutir fatos já 
analisados na sentença. Há duas espécies de liquidação: por arbitramento, quando 
a apuração do valor exige perícia, e pelo procedimento comum, quando se discute 
fato novo relevante para definir o valor da obrigação. Em ambos os casos, trata-se 
de uma fase intermediária entre o julgamento e a execução. A decisão que encerra 
a liquidação é considerada interlocutória, sendo impugnável por agravo de 
instrumento. É possível, ainda, que a liquidação seja extinta sem apuração do valor, 
ou até que resulte em valor zero, hipótese admitida pela doutrina majoritária, 
especialmente em casos de liquidação de sentença penal condenatória na esfera 
cível. A depender do contexto, a liquidação pode configurar um processo autônomo, 
com petição inicial própria, especialmente em ações civis públicas com sentença 
genérica, onde cada vítima deverá individualizar seu prejuízo para promover a 
execução. 
 
 
 
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