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GESTÃO DE FINANÇAS 
PÚBLICAS 
AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Fabrício Ramos Neves 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Caro aluno, nesta disciplina vamos apresentar assuntos interessantes que 
impactam a nossa vida. Você é nosso convidado para refletir sobre temas que 
dizem respeito à gestão das finanças públicas. Vamos lá? 
Começamos com uma pergunta: quando começa a nossa relação com o 
setor público? Bem, o setor público está associado à prestação de serviços pelo 
Estado, aos cidadãos de um país. Desde o momento em que acordamos, nos 
relacionamos com diversos serviços prestados pelo Estado, de forma direta ou 
indireta: ao acordar, ligamos o interruptor para iluminar a casa, vamos tomar 
banho, escovar os dentes, fazer e tomar café da manhã e nos preparamos para 
sair (para o trabalho ou para os estudos). Depois, pegamos o transporte público 
ou nosso veículo próprio e chegamos ao nosso destino matinal. Consegue 
perceber quando começa a nossa relação com o setor público? 
CONTEXTUALIZANDO 
Em todas essas atividades, o Estado está envolvido: na produção própria 
ou na concessão de energia elétrica; no fornecimento de água encanada e no 
saneamento básico; no transporte público ou mesmo na construção e 
manutenção das vias públicas. Com o entendimento de como funciona o Estado, 
de como as decisões públicas são definidas e de como as finanças públicas 
afetam a situação econômica e social das empresas e pessoas, esperamos que 
você possa também entender e participar das decisões políticas do País de 
forma mais consciente. 
Nas aulas seguintes, vamos discutir os aspectos gerais da Administração 
Pública e seus princípios, apresentar algumas teorias, entender de que forma os 
governos podem alocar seus recursos, como podem ser organizados os 
orçamentos e suas fontes normativas. 
A intenção é que, ao final das nossas aulas, você veja as questões de 
finanças públicas com outros olhos. 
 
 
3 
TEMA 1 – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO 
PÚBLICA 
Definir conceitualmente a Administração Pública não é uma tarefa das 
mais fáceis, dada a sua complexidade e amplitude de atividades em que ela se 
faz presente em nosso cotidiano. Procuro ser o mais sucinto possível, mas sem 
deixar de apresentar as ideias básicas para a evolução do pensamento em 
relação ao assunto. 
Bobbio, Mattteucci e Pasquino (1986, p. 10), afirmam que “a expressão 
Administração Pública designa o conjunto das atividades diretamente destinadas 
à execução concreta das tarefas ou incumbências consideradas de interesse 
público ou comum, numa coletividade ou organização estatal”. 
No nosso bate-papo inicial, começamos mostrando que a nossa relação 
com o Estado está em praticamente todos os níveis. Temos, de forma direta ou 
indireta, a participação do Estado na nossa vida. Dessa maneira, é possível 
pensar que o sentido da Administração Pública está relacionado à totalidade de 
serviços e entidades ligadas ao Estado que buscam satisfazer o bem de uma 
coletividade (Meirelles, 2004). 
Assim, a Administração Pública não pode se confundir apenas como uma 
função administrativa, pois é mais ampla e se refere ao Estado de maneira geral. 
Por exemplo, o juiz (representante do poder judiciário) emite, além do julgamento 
legal, uma série de atos administrativos relacionados aos servidores que estão 
no seu órgão — o que nos parece ser bem simples. Se pensamos na realização 
de obras públicas como estradas, hidrelétricas, ferrovias, portos ou aquelas 
relacionadas ao provimento de serviços de educação, da saúde da população 
ou o apoio à ciência e tecnologia, a Administração Pública se torna bem mais 
complexa. Para Meirelles (1993, p. 56-61), “a Administração é o instrumental de 
que dispõe o Estado para pôr em prática as opções políticas de governo”. 
Para realizar suas atividades, o Estado pode agir sendo: 
• unitário ou centralizado; 
• federativo ou descentralizado. 
No formato unitário, prevalece uma gestão centralizada tanto política 
quanto administrativa; no segundo formato, o Estado Federativo — como no 
 
 
4 
caso do Brasil de hoje — possui autonomias que lhes são próprias, dividindo 
responsabilidades de atuação, não sendo suas competências (administrativas, 
legislativas e políticas) diminuídas ou mesmo unilateralmente retiradas pelo 
poder central, como em um Estado Centralizado. 
No Brasil, a Administração Pública pode ser organizada tanto por uma 
administração direta quanto indireta. No nível da União, a administração direta 
inclui os serviços desempenhados pelos seus Ministérios. A administração 
indireta (ou administração descentralizada) inclui as diversas autarquias (como 
as Universidades Federais), fundações públicas (como a Funai), sociedades de 
economia mista (como o Banco do Brasil) e empresas públicas (como a Caixa 
Econômica Federal) que desempenham diversos serviços públicos. O Decreto-
Lei n. 200/1967, que trata sobre a organização da Administração Federal, define 
que as entidades da Administração Direta possuem personalidade jurídica e 
patrimônio próprios. Mas para realizar suas atividades, tanto a administração 
direta quanto a indireta devem seguir os normativos legais e seus princípios para 
a realização de suas atividades públicas. Esse ordenamento está bem definido 
no art. 37 da Constituição Federal de 1988. 
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos 
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios 
obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, 
publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (Redação dada pela 
Emenda Constitucional n. 19, de 1998) (Brasil 1988) 
1.1 Princípios da Administração Pública 
Existe uma formação de palavras muito antiga, verdadeiro clássico do 
Direito Administrativo e usada muito por quem estuda para concursos, para não 
esquecer os princípios expressos na CF. Lembre-se: LIMPE (Legalidade, 
Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência). 
Um aspecto que deve ficar bem claro é que o disposto no art. 37 da CF/88 
apresenta apenas uma pequena lista dos princípios que estão explícitos na 
Constituição. Existem outros princípios que não estão expressamente indicados 
na Constituição, mas que podem ser extraídos da leitura de outros artigos 
contidos ao longo da sua leitura, como, por exemplo, os princípios da motivação, 
proporcionalidade, razoabilidade, segurança jurídica, supremacia do interesse 
público, continuidade dos serviços públicos, entre outros. 
 
 
5 
Não existe hierarquia na aplicação dos princípios. Todos têm de ser 
respeitados durante a atividade do agente público, sejam princípios expressos 
ou implícitos. O ato deve ser ao mesmo tempo praticado de acordo com a lei, 
com impessoalidade e moralidade; corretamente divulgado, eficiente, dentro dos 
seus limites (razoável e proporcional); e sempre justificado. 
Assim, todo agente público deve obedecer aos princípios expressos e 
implícitos na Constituição. Qualquer violação a um desses princípios pode 
significar a nulidade do ato do agente público, por isso é importante conhecer 
esses princípios. 
1.2 Princípios expressos 
1.2.1 Legalidade 
Esse é um dos principais princípios que regem que o agente público 
somente pode fazer aquilo que a lei determina ou autoriza. Exige que o 
administrador e o agente público pautem-se sempre pela Lei. Esse princípio, 
para o agente público, é a legalidade expressa do art. 37 da CF/88, que exige 
que os seus atos estejam estritos à lei. Ao contrário, de maneira geral, para o 
cidadão comum, o princípio da legalidade está relacionado ao definido no art. 5º, 
inciso II da CF/88, que informa que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de 
fazer algo, senão em virtude de lei. Enquanto para o particular é legal fazer o 
que não está proibido expressamente em lei, para a Administração Pública só é 
legal fazer aquilo que a lei determina. 
1.2.2Impessoalidade 
A atuação da Administração Pública não pode ter cunho pessoal. O 
agente público não pode, em nenhuma situação, oferecer tratamento 
diferenciado, visando privilegiar quaisquer pessoas. Esse princípio também tem 
por objetivo evitar que o agente público (sendo o gestor ou o servidor) pratique 
ato com finalidade diferente daquela determinada em lei. O interesse público 
deve ser sempre buscado com a realização dos seus atos. Por exemplo, um 
agente público pode querer evitar a divulgação de notícias que possam lhe 
prejudicar, seja um governante, que busca a manutenção no cargo eletivo, ou 
 
 
6 
um agente público, para evitar um processo administrativo. Mas esse é um 
interesse individual, que não pode ser confundido com o interesse público, que 
rege a publicidade dos atos de toda administração e de todos que nela estão. 
Existem vários dispositivos que decorrem do princípio da impessoalidade, 
como a obrigatoriedade de realização de concursos, o pagamento por meio de 
precatórios, a exigência de procedimento licitatório antes da realização de 
contratos etc. 
O parágrafo 1º do art. 37 da Constituição Federal apresenta proibições de 
preferência de nome, símbolos ou imagens que possam caracterizar promoção 
pessoal de autoridades ou servidores públicos na publicação de atos, 
programas, serviços, obras ou campanhas promovidas pelos órgãos públicos. 
Esse dispositivo também decorre da impessoalidade, que deve nortear a 
administração. As ações ou atos governamentais não são do agente, e sim da 
Administração; o agente público pratica o ato em nome do Estado naquele 
momento da realização. Assim, se o administrador pretende utilizar sua função 
para a promoção individual, violará o princípio da impessoalidade e, portanto, 
estará sujeito à ação de improbidade administrativa, fora outros crimes. 
O texto da Súmula Vinculante n. 13 do STF vedou 
a nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, 
colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive da autoridade 
nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo 
de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em 
comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na 
Administração Pública direta e indireta em qualquer dos poderes da 
união, dos estados, do distrito federal e dos municípios, compreendido 
o ajuste mediante designações recíprocas, viola a constituição federal. 
(Brasil, 2008) 
1.2.3 Moralidade 
Hoje, esse princípio tem autonomia própria, mas no passado um ato 
imoral somente era considerado como ilegal quando violava a legalidade. Houve 
uma evolução e o ganho de autonomia. A moralidade hoje exige que a conduta 
praticada por qualquer agente público seja pautada de acordo com a ética, o 
bom senso, os bons costumes e, principalmente, a honestidade. 
O ato administrativo não deve ser apenas legal, mas também deve 
atender às questões morais e éticas da própria instituição em que o agente 
público trabalha. Atualmente, não basta o agente público atuar de acordo com a 
 
 
7 
lei, mas também que seja honesto. Como exemplo de atos imorais, temos o uso 
de máquinas em benefício próprio ou qualquer outro tipo de vantagem. 
A moralidade administrativa constitui importante peso na atuação de 
qualquer agente público, pois é pilar de validade de todo ato administrativo. 
Moralidade administrativa significa observar os padrões de comportamento da 
Administração Pública. 
1.2.4 Publicidade 
Publicidade é o dever que todo agente público tem em relação à 
transparência da Administração Pública, pois a sua atuação deve ser 
transparente. Essa é a regra. O atendimento ao princípio da publicidade é 
condição básica que o ato tenha eficácia, pois este só terá condição de produzir 
os seus efeitos se houver a divulgação pelo órgão oficial, quando exigido por lei. 
Por exemplo, a Lei n. 8.112/1990 (que trata do Regime Jurídico dos 
Servidores Públicos Civis da União) dispõe que o início do exercício de cargo em 
função de confiança e a aposentadoria voluntária serão coincidentes com a data 
de publicação do ato que dispõe sobre o assunto. Nesses casos, exige-se a 
publicação no órgão oficial, para que o ato inicie a sua produção legal de efeitos. 
O mesmo acontece com os contratos administrativos. A Lei n. 8.666/1993 (Lei 
de Licitações) rege a publicação resumida do instrumento contratual na imprensa 
oficial como condição para sua eficácia. 
Saiba mais 
Publicidade é diferente de publicação. Publicação significa a divulgação 
de atos na imprensa oficial. A publicação é uma forma de publicidade, mas 
princípio da publicidade é muito mais que publicação de atos. A publicidade pode 
ser restringida quando houve motivo de segurança da sociedade ou do Estado; 
ou em casos de proteção à intimidade ou privacidade. 
1.2.5 Eficiência 
Esse princípio possui como base a observância de que a atividade da 
administração pública seja exercida com presteza, qualidade e de forma 
econômica. Esse princípio foi acrescido de forma expressa na CF, com a 
Emenda Constitucional n. 19/1998 (antes era apenas implícito). A Emenda 
 
 
8 
Constitucional n. 45/2004 inseriu, no art. 5º, o inciso LXXVII, que “assegura a 
todos, no âmbito judicial e administrativo, a razoável duração do processo e os 
meios que garantam a celeridade de sua tramitação”. O princípio da eficiência 
então passou a ter um peso constitucional. 
1.3 Princípios implícitos 
Veremos agora alguns princípios que estão espalhados de forma implícita 
pela Constituição. Lembro que não se restringem a esses, há outros que são 
discutidos no ambiente jurídico. 
1.3.1 Razoabilidade e proporcionalidade 
A Administração Pública pode praticar atos com certo grau de liberdade, 
e o princípio da razoabilidade e proporcionalidade visa conter os excessos da 
Administração Pública. São os chamados atos discricionários, nos quais há uma 
análise de conveniência e oportunidade para escolher a conduta mais adequada 
para determinada situação. 
Nesse sentido, o princípio da razoabilidade procura balizar se os meios e 
os fins são compatíveis, de modo a evitar problemas desnecessários ou abusivos 
praticados pela Administração Pública, especialmente nos atos discricionários. 
Trata-se de importante princípio para controlar os atos discricionários (aqueles 
atos em que o agente público possui certa liberdade de decisão, tendo em vista 
que o legislador não consegue antever todas as situações, e confere ao agente 
público uma margem de possibilidade de escolha dentro do que estabelece a 
lei). 
1.3.2 Motivação 
O princípio da motivação não quer dizer que o servidor deva estar sempre 
motivado para trabalhar. É bom que esteja, mas motivação aqui tem outra 
definição. Motivação é a justificação com base nos fundamentos jurídicos que 
antecedem a prática do ato administrativo. 
 
 
 
9 
Saiba mais 
Motivo do ato e sua motivação não se confundem. Significa que, quando 
a administração indica os motivos que a levaram a praticar o ato, este só será 
válido se os motivos forem verdadeiros. Assim, a validade de um ato depende 
de sua motivação. Se for apresentada uma motivação inexistente, falsa ou 
incompatível com o ato praticado, tratar-se-á de um ato ilegal. 
1.3.3 Supremacia do interesse público sobre o interesse particular 
O nome do princípio já é o seu conceito. Quando surgir um conflito entre 
o interesse de um particular e o interesse da sociedade, deve prevalecer sempre 
o interesse público. O interesse público que se sobrepõe ao interesse do 
particular é o interesse público primário, sendo o interesse da coletividade. 
Saiba mais 
Os princípios podem estar relacionados entre si ou acabarem se 
confundindo. Um cuidado necessário que se deve ter é a análise do caso 
concreto para a aplicação de um princípio. Por exemplo, o caso do uso da 
máquina administrativa por agentes públicos para fins pessoais ou políticos éconsiderado ilegal. Nesse caso, podemos acabar usando o conceito da 
supremacia do interesse público com o objetivo de invalidar a conduta que, na 
realidade, está mais relacionada aos princípios da moralidade e impessoalidade. 
TEMA 2 – FINANÇAS PÚBLICAS: DEFINIÇÃO E TEORIA 
Durante as aulas, falaremos constantemente que as finanças públicas 
estão relacionadas à capacidade de arrecadação de recursos pelo Estado e a 
utilização dos recursos arrecadados para procurar atender às necessidades da 
sociedade. Em outras palavras, quando estamos nos relacionando às finanças 
públicas, estamos falando da forma como o Estado trata o gasto (despesas) e o 
seu financiamento (receitas). As finanças públicas de um país estão orientadas 
para a arrecadação dos tributos, que impõe obrigações à sociedade, retirando 
dela parte da riqueza produzida pela nação, para que o Estado possa realizar 
gastos que se transformem em serviços à essa mesma sociedade (Matias-
Pereira, 2010). 
 
 
10 
Musgrave (1976, grifo nosso), um dos teóricos mais conhecidos no 
assunto, complementa ao mencionar que “finanças públicas é a terminologia que 
tem sido tradicionalmente aplicada ao conjunto de problemas da política 
econômica que envolvem o uso de medidas de tributação e de dispêndios 
públicos”. 
Como discutimos no início de nossa aula, nos damos conta de que os 
problemas econômicos do Setor Público são uma parte do dia a dia da nossa 
sociedade. A ideia inicial da teoria econômica defendia que a própria atividade 
do mercado seria responsável por atender todas as necessidades dos 
indivíduos. Essa teoria foi inaugurada por Adam Smith na sua obra A Riqueza 
das Nações (1776), que ficou conhecida como teoria clássica da economia. 
Outras ideias derivam da obra de Smith, mas a ideia principal, segundo a 
teoria, indicava que o próprio mercado teria capacidade de definir e alinhar os 
preços, alcançar níveis ótimos de emprego e produzir o máximo de bem-estar a 
todos. Assim, nasceu a ideia de que haveria uma “mão invisível” que regularia o 
mercado e que conduziria a economia ao melhor patamar possível para a 
coletividade, sem a necessidade de intervenção do Estado. 
Assim, havia um predomínio da ideia de Estado mínimo em relação ao 
tamanho do Estado e sua intervenção na economia. Isto é, o governo somente 
interferiria caso a iniciativa privada não tivesse interesse em atuar. Por exemplo, 
se a inciativa privada tivesse interesse em construir estradas, hospitais e 
escolas, o Estado não deveria intervir. De forma contrária, se a inciativa privada 
não atuasse, aí alguma ação do Estado seria necessária para disponibilizar tais 
serviços. 
Essa teoria clássica parecia se aplicar bem em países que adotavam essa 
ideia. No entanto, essa visão acabou mudando na década de 1930, com a 
chamada Grande Depressão, como ficou conhecida a forte recessão econômica 
que atingiu o capitalismo internacional no início da década de 1930. Os 
fundamentos da teoria clássica, à época, foram insuficientes para afastar o 
grande desemprego e o crescente desequilíbrio que assolou o período de 1930. 
John Maynard Keynes, em seu livro The general theory of employment, 
interest and money (1936), criou uma teoria para compreender os mecanismos 
que poderiam determinar os níveis de produção que pudessem gerar um nível 
de emprego ótimo com a ajuda do Estado. Dessa forma, demonstrava a 
 
 
11 
importância que o Estado tinha para compensar eventuais decréscimos no 
consumo das famílias e no nível de investimentos das empresas. 
Saiba mais 
Há alguns pequenos vídeos no YouTube sobre o evento da crise de 1929. 
Uma sugestão é “A Crise de 1929 e o Crash da bolsa de valores”. Disponível 
em: . 
Segundo Keynes, sem a intervenção do Estado, a economia acabaria 
caindo em crises que não poderiam ser solucionadas sem o auxílio dos 
governos. Para Keynes, o Estado deveria tomar decisões sobre o controle da 
moeda (Política Monetária), do crédito (controle da inflação e juros) e do nível de 
investimento. As ideias de Keynes foram os primeiros passos para a entrada do 
Estado na economia. Concomitante a essas ideias, outros importantes avanços 
aconteceram, como as ideias de Richard Musgrave, a partir da publicação de 
sua obra A Teoria das Finanças Públicas, em 1959. 
Musgrave dizia que as teorias econômicas seriam abordadas de duas 
maneiras. A primeira delas era denomina de teoria normativa do setor público, 
que “procura estabelecer as regras e princípios que proporcionem uma gestão 
eficiente da economia pública […], que possuía como base as condições 
inicialmente definidas”. A segunda era considerada “uma sociologia da política 
fiscal”, que poderia “explicar por que estão sendo seguidas as políticas 
existentes e prever as que serão seguidas no futuro”. Isso significava identificar 
as forças econômicas, políticas, sociais, que influenciam as decisões do Estado, 
assim como entender as estruturas das receitas e despesas dos governos. 
Para tanto, o Estado financiaria seus gastos por meio de três formas 
básicas: 
i. recursos provenientes de tributos, produção ou mesmo a receita vinda da 
prestação de serviços; 
ii. endividamento (por meio de empréstimos externos ou internos); 
iii. inflação (emitindo papel moeda para cobrir seus gastos ou retardando 
pagamento de fornecedores ou pessoal em contexto inflacionário). 
A teoria das finanças públicas é fundamentada nas falhas de mercado, 
que acabam representando as necessidades de intervenção do governo para 
 
 
12 
ajustar o mercado, por meio do estudo de suas funções, tributação e dos gastos 
públicos. 
2.1 Falha de mercado 
As falhas existentes no mercado nos mostram que o mercado sozinho não 
consegue resolver todos os problemas de alocação de recursos. A partir do 
momento em que o mercado não se consegue mais alocar os recursos para 
gerar bem-estar a um indivíduo, sem prejudicar outro indivíduo, ocorre o “ótimo 
de Pareto”. Ocorre falha de mercado quando alguma dessas três condições 
deixa de valer: 
• preços e/ou concorrência deixam de ser bons reguladores; 
• mercado pode simplesmente não funcionar ou não ser a forma mais 
eficiente de alocação de recursos; 
• em alguns casos, quando geram sérios riscos para o consumidor. 
Para um mercado funcionar bem, precisamos de: 
1. Direitos de propriedade bem definidos, em que todos os recursos dos 
processos produtivos são de propriedade de alguém, que pode cobrar por 
seu uso; 
2. Informação suficiente e simétrica para ambos os lados da transação de 
mercado (consumidor e produtor) que possam comparar alternativas e 
realizarem trocas; 
3. Concorrência com a existência de vários produtores independentes, com 
produtos homogêneos e sem barreira à entrada de novos produtores. 
2.2 Desemprego e inflação 
O livre mercado nem sempre soluciona problemas de altos níveis de 
desemprego e da geração da inflação. Sem a intervenção do Estado, o mercado 
pode apresentar grandes níveis de desemprego e inflação. Nesse caso, o 
governo implanta uma política de manutenção econômica para a estabilização 
dos preços e dos empregos. Uma redução do desemprego, quase que de forma 
automática, pode aumentar o consumo, o preço se estabiliza, o que garante a 
produção e desenvolvimento do sistema econômico. 
 
 
13 
Saiba mais 
“Acordo permitirá suspensão e redução de jornada e salário em Porto 
Alegre”. Confira a matéria completa no Jornal do Comércio. Disponível em: 
. 
2.3 Bens públicos 
Para entender sobre bens públicos, precisamos distingui-los dos bens 
privados. Quando eu estou consumindo um bem que é meu, eu acabo privando 
o uso de outra pessoa. O mesmo não ocorre com os bens públicos. O consumo 
ou o uso de um bem é indivisível. Bens públicossão os bens consumidos por 
um indivíduo que não prejudica o potencial de uso ou consumo dos demais 
indivíduos, pois todos são beneficiados. Por exemplo, a iluminação pública, a 
justiça e a segurança pública. Quando há a ampliação da iluminação pública em 
uma via, várias pessoas serão beneficiadas. Assim o Estado intervém, 
produzindo bens públicos. 
2.4 Monopólios naturais 
A existência de monopólios tende a surgir devido ao ganho de escala que 
o setor oferece – por exemplo, petróleo, água, energia. Existem duas formas 
principais de intervenção do Estado. Em uma delas, o próprio Estado assume a 
produção do bem ou serviço; na outra situação, o Estado atua regulando (através 
das agências reguladoras) determinadas atividades a fim de impedir cobrança 
de preços abusivos aos consumidores. 
2.5 Externalidades 
As externalidades significam entender que a ação de um indivíduo ou de 
uma empresa pode afetar de forma direta ou indiretamente outras pessoas no 
mercado. As externalidades podem ser tanto positivas quanto negativas. Por 
exemplo, a construção de uma fábrica possui o potencial de poluir um rio, ao 
mesmo tempo que gera novos empregos. Dessa forma, a poluição é uma 
 
 
14 
externalidade negativa, pois gera danos ao meio ambiente e a criação de 
empregos é uma externalidade positiva, alavancando a economia local. 
A intervenção do Estado pode se dar através da concessão de subsídios 
para instalação de novas empresas; para desestimular externalidades negativas, 
leis podem implementar multas ou impostos mais pesados para algumas 
atividades (a exemplo do tabaco); e através da regulamentação (quando se 
estipula um máximo de emissão de gases emitidos pelas empresas etc.). 
TEMA 3 – ESPÉCIES DE ORÇAMENTO 
Em nosso dia a dia, temos que administrar nossos próprios recursos. Para 
aqueles que trabalham, administrar o salário (receitas) e as despesas de modo 
a suprir todas as necessidades corriqueiras e quem sabe ainda investir é um 
verdadeiro desafio. Quando se pensa no orçamento familiar, qual é a primeira 
coisa que vem à sua mente? Uma planilha com uma relação de ingressos e 
gastos para saber o quanto tem de ganhos e quanto gasta em um período 
determinado? Entretanto, a maioria das pessoas faz isso de maneira intuitiva — 
e na maioria das vezes, sem planejamento prévio. Imagine como deve ser 
administrar um Município, um Estado ou país. Arrecadar seus tributos (receitas), 
pagar as despesas corriqueiras (salários e manutenção), definir outras despesas 
(o quanto aplicar em outras áreas ou políticas públicas) e ainda realizar novos 
investimentos (aqui definidos como investimentos em infraestrutura). Ou seja, 
administrar um orçamento relacionado à própria atividade de planejar. 
A origem do orçamento público se deu em oposição ao Estado 
patrimonialista, quando as obrigações tributárias impostas pela monarquia se 
tornaram extremamente pesadas e foi necessário instituir um controle dos 
gastos, até surgir a ideia atual de um orçamento da res publica (da coisa pública). 
A Inglaterra, a França e os Estados Unidos são considerados os precursores do 
modelo de orçamento público que acabou difundido no mundo, sendo 
aprimorado ao longo do tempo em relação à sua elaboração, execução e 
avaliação, com a finalidade de reduzir ou até mesmo eliminar o desperdício dos 
recursos públicos, uma das questões mais sensíveis da relação entre os 
governantes e os cidadãos. 
Assim, vários tipos ou técnicas de orçamentos, com suas características, 
finalidades e classificações próprias têm sido utilizadas e adaptadas até os dias 
 
 
15 
de hoje, e vamos tratar dessas tipologias agora. Para se ter uma noção quanto 
à evolução do orçamento, o Quadro 1 traz a evolução orçamentária nos Estados 
Unidos, que serviu de indutor para os modelos orçamentários de outros países, 
inclusive para os modelos adotados no Brasil. 
Quadro 1 – Tipos de orçamento adotados nos Estados Unidos 
Período Conceito Ênfase 
Final do século XIX 
Orçamento por Objeto 
(chamado de tradicional) 
Controlar 
Década de 1950 Orçamento de Desempenho Visão de eficiência 
Década de 1960 
PPBS - Planning 
Programning Budgeting 
System (Orçamento-
Programa) 
Planejamento; Avaliação e 
Eficácia 
Décadas de 1970 e 
1980 
Orçamento Base-zero 
Redução e Priorização do 
Orçamento 
Década de 1990 Orçamento Desempenho Accountability e Economia 
Século XXI Orçamento Participativo 
Accountability e 
Racionalidade 
Fonte: Giacomoni, 2012. 
3.1 Orçamento clássico ou tradicional 
3.1.1 Ideia geral 
Este tipo de orçamento tinha como característica ser um documento onde 
constava apenas a simples previsão da receita e da despesa. Sua classificação 
era baseada no objeto do gasto e distribuída para os diversos órgãos, para ser 
realizado no período de um ano. A peça orçamentária era constituída de uma 
listagem do que o governo precisaria receber e gastar para manter as suas 
atividades existentes, não se preocupando com a execução de novas ações, 
programas ou políticas públicas, muito menos com planejamento de médio ou 
longo prazo. 
 
 
 
16 
3.1.2 Principais características 
No orçamento tradicional, as projeções de gastos eram baseadas nos 
orçamentos dos anos anteriores, em dados históricos, e isso poderia levar a uma 
repetição dos erros do passado, sem ajustes posteriores. Esse tipo de orçamento 
tinha como foco o que o governo gastava (objeto de gasto), e não no que 
realizava. 
Outra característica desse tipo de elaboração orçamentária era a 
elaboração com um certo viés incremental (ou inercial), realizando apenas 
pequenos ajustes nos itens de receitas e despesas a cada exercício, sendo 
atualizado monetariamente em relação ao que se gastava no exercício anterior, 
sem a preocupação de exercer as funções clássicas do orçamento mais 
moderno. 
Saiba mais 
Antes da Lei n. 4.320/1964, o tipo de orçamento utilizado pelos governos 
brasileiros era o orçamento tradicional. 
Segundo (Paludo, 2017), o “orçamento incremental é aquele que, a partir 
dos gastos atuais, propõe um aumento percentual para o ano seguinte, 
considerando apenas o aumento ou diminuição dos gastos, ajustados por algum 
índice oficial, sem análise de alternativas possíveis”. 
3.2 Orçamento de desempenho (funcional ou de realizações) 
3.2.1 Ideia geral 
O orçamento tradicional acabou sendo substituído pelo orçamento de 
realizações, também conhecido como orçamento de desempenho. É 
considerado por muitos autores como uma evolução do orçamento clássico, 
surgindo nas primeiras décadas do século XX, marcando uma transição entre o 
orçamento tradicional e o orçamento mais moderno. O orçamento de 
desempenho possui com o objetivo controlar o que o governo faz e não faz, e 
em que o governo gasta. 
 
 
 
17 
3.2.2 Principais características 
Esse tipo de orçamento baseado em desempenho trouxe uma 
característica interessante apresentando duas principais dimensões do 
orçamento: um programa de trabalho e o objeto de gasto (importante nos 
orçamentos mais atuais), contendo as ações que foram desenvolvidas. Dessa 
forma, esse modelo de orçamento, além de apresentar o objeto de gasto 
(relacionado ao que se gastava), como no orçamento tradicional, também 
apresentava uma outra dimensão com a finalidade de avaliar o que era 
desenvolvido, buscando eficácia no gasto público. 
A importância do orçamento de desempenho estava em permitir conhecer 
“as coisas (objetos) que o governo faz, e não as coisas que o governo gasta”. 
Era dada uma ênfase ao resultado, entretanto, ainda não se podia falar em um 
orçamento-programa, pois não estava vinculado a um planejamento geral das 
ações do governo, que interligasse os objetos de gastos aos objetivos 
governamentais. 
3.3 Orçamento-programa 
3.3.1 Ideia geral 
Considerado a evolução do orçamento de desempenho, o orçamento-
programa é definido como a construção de um plano de trabalho definido porobjetivos, ações e metas a serem alcançadas, vinculadas a um processo de 
planejamento público de curto, médio ou longo prazo e pelo acompanhamento e 
identificação dos recursos que são necessários à sua execução. Esse modelo 
orçamentário foi utilizado no final da década de 1950 nos Estados Unidos, com 
o nome de Planning Programning Budgeting System (PPBS). 
O orçamento-programa foi introduzido no Brasil com a Lei n. 4.320/1964 
e o Decreto-Lei n. 200/1967. No entanto, na prática, o orçamento-programa só 
ganhou efetividade em 1998, com a edição de várias normativas do Ministério 
do Planejamento que tratavam do assunto. 
 
 
 
18 
3.3.2 Principais características 
Com o orçamento-programa, temos uma técnica mais elaborada em 
relação ao orçamento de desempenho. As características principais do 
orçamento-programa são: planejamento, fixação de metas e quantificação de 
objetivos; instituição de programas; relações entre o insumo e produto; 
acompanhamento físico-financeiro das ações e atividades e avaliação de 
resultados. 
A Constituição Federal de 1988 consolidou esse pensamento e possui em 
seu texto a ideia do orçamento-programa no Brasil, estabelecendo e 
disciplinando a sua implementação através da inter-relação do Plano Plurianual 
(PPA), da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e da Lei Orçamentária Anual 
(LOA), que trataremos mais adiante. 
Vamos conferir o art. 2º da Lei n. 4.320/1964: 
Art. 2º. A Lei do Orçamento conterá a discriminação da receita e 
despesa de forma a evidenciar a política econômico-financeira e o 
programa de trabalho do governo, obedecidos aos princípios de 
unidade, universalidade e anualidade. (Brasil, 1964) 
Três anos depois, o Decreto-Lei n. 200/1967 reforçou a ideia de 
orçamento programa em seu art.16: 
Art. 16. Em cada ano, será elaborado um orçamento-programa, que 
pormenorizará a etapa do programa plurianual a ser realizada no 
exercício seguinte e que servirá de roteiro à execução coordenada do 
programa anual. 
3.4 Orçamento Base Zero (OBZ) 
3.4.1 Ideia geral 
O orçamento por estratégia, ou Orçamento Base Zero, exigia uma 
avaliação de toda a programação de gastos a cada novo exercício, por isso a 
denominação base zero. Esse tipo orçamentário foi desenvolvido nos Estados 
Unidos, por um contador da Texas Instruments Inc., em 1969, e foi adotado 
durante o governo de Jimmy Carter pelo estado de Geórgia, no ano fiscal de 
1973. O grande problema desse tipo de orçamento é que a cada ano era 
necessário justificar a realização dos gastos, para evitar a relação com base nos 
gastos feitos anteriormente, começando do zero (daí o seu nome), mas que 
 
 
19 
deveria ser corrigido por indicador inflacionário (aí estaria mais relacionado a um 
orçamento do tipo incremental). 
3.4.2 Principais características 
O Orçamento Base Zero exige do gestor público o conhecimento de todas 
as prioridades do órgão, para que sejam classificadas em ordem de importância. 
Tendo como característica um modelo do tipo mais racional, em que as decisões 
eram voltadas para maximizar a alocação dos recursos públicos. Não havia uma 
preferência pelos programas que já estevam em execução; e para que fossem 
mantidos, os programas tinham que demostrar o seu sucesso, senão eram 
retirados. 
Cabe observar que, apesar de sua denominação, o Orçamento Base Zero 
não se trata de uma evolução do orçamento. O Orçamento Base Zero era uma 
ferramenta com base em uma estratégia no momento de elaboração 
orçamentária. Partia-se da ideia de se estabelecer todos os custos e as 
despesas a partir de uma base zerada, sem levar em consideração os períodos 
anteriores. Isso levava a um trabalho muito grande para a montagem desse tipo 
de orçamento. 
Saiba mais 
“Orçamento federal é extremamente amarrado devido a vinculações 
constitucionais, partilhas de receitas e orçamentos autônomos de outros 
poderes”. Disponível em: . 
“Orçamento de 2020 será base zero, diz futuro chefe da Casa Civil”. 
Disponível em: . 
3.5 Orçamento participativo 
3.5.1 Ideia geral 
O orçamento participativo é tido como um mecanismo de democracia 
participativa, não sendo considerado por alguns autores como um tipo de 
orçamento como os demais, mas de uma técnica de elaboração orçamentária 
 
 
20 
que permite a participação dos cidadãos para decidir sobre a alocação de alguns 
gastos públicos, sobretudo nos orçamentos relacionados aos investimentos das 
prefeituras e governos estaduais. 
O principal objetivo é assegurar a participação direta da população na 
avaliação e definição para determinados investimentos públicos. No país, 
existem algumas experiências de implementação do orçamento participativo, 
sendo o primeiro caso que se tem conhecimento realizado em Porto Alegre, no 
ano de 1989, sendo estendido posteriormente para o Estado do Rio Grande do 
Sul. Hoje, vários governos municipais e estaduais convocam os cidadãos para 
participar dos processos orçamentários a se envolverem na seleção de 
determinadas políticas públicas (Streck, 2003). 
Saiba mais 
Na página da prefeitura municipal de Salvador das Missões/RS, é possível 
ver uma iniciativa de orçamento participativo que aconteceu no ano de 2017. 
Disponível em: 
. 
3.5.2 Principais características 
O orçamento participativo, por suas próprias características, tem maior 
aplicabilidade em governos locais, pela maior aproximação aos cidadãos. Esta 
participação se dá por intermédio de conselhos, associações, ONGs etc., em 
que a sociedade civil deve ser ouvida, quando da definição de prioridades. 
Está na lei. A Lei de Responsabilidade Fiscal (LC n. 101/2000), que 
dispõe, em seu art. 48, que “a transparência será assegurada também mediante: 
I – incentivo à participação popular e realização de audiências públicas, durante 
os processos de elaboração e discussão dos planos, lei de diretrizes 
orçamentárias orçamentos” (Brasil, 2000). 
 
 
 
21 
Saiba mais 
A iniciativa formal das leis orçamentárias (PPA, LDO e LOA) é privativa 
do Chefe do Poder Executivo (prefeito, governador e presidente), de forma que 
não estará obrigado a seguir as sugestões da sociedade. Acompanhe um 
exemplo do Orçamento Participativo de Porto Alegre. Disponível em: 
. 
TEMA 4 – FUNÇÕES DO GOVERNO 
Um dos assuntos bastante discutidos em termos macroeconômicos e 
políticos é a necessidade de intervenção do Estado no mercado. Alguns motivos 
que apontam essas necessidades estão relacionados às questões de mercado, 
como os contratos, que precisam ser protegidos pelo Estado, além de 
necessitarem de proteção legal para a garantia das suas cláusulas. 
As falhas do sistema mercadológico (ou falhas de mercado) podem trazer 
problemas para as atividades econômicas, devendo ser protegidas pelo Estado. 
Quando imaginamos um país desenvolvido, não significa que o mercado ou a 
economia daquele país sejam equilibrados, que ele possua baixas taxas de 
desemprego, baixas taxas de inflação, entre outras coisas. Em relação às 
finanças públicas, a classificação tradicional de Musgrave (1976) distribui as 
ações governamentais de forma garantir o ajuste na alocação de recursos, 
proporcionar alinhamento na distribuição da riqueza e renda, e assegurar a 
estabilidade econômica. 
4.1 Funções econômicas do Estado 
Para os nossos estudos, um aspecto importante é conhecer e reconhecer 
quando as necessidades de intervenção do Estado são necessárias. A forma 
que o Estado intervém possui algumas funções. São elas: a função alocativa de 
recursos, a função distributiva de riquezas e de renda e a função de dar 
estabilidadeà economia. 
• Função alocativa: essa função está relacionada à oferta de certos bens 
e serviços que não são oferecidos de forma equitativa pelo mercado 
(vimos isso quando falamos de bens públicos), e que por vezes a sua 
oferta se torna inviável economicamente à iniciativa privada. Para suprir 
 
 
22 
essa falta (ou falha de mercado), o Estado busca alocar os recursos de 
forma a garantir a produção de bens públicos de forma direta. Um exemplo 
da função alocativa ocorre quando o governo executa obras que 
beneficiarão uma grande parcela da população, como no caso da 
transposição do Rio São Francisco, que implica na garantia do 
fornecimento de água para grande parta da população que vive na região 
Nordeste do país. 
• Função distributiva: essa função está associada aos fatores que levam 
à desigualdade existente na distribuição da renda nacional. Para reduzir 
essas desigualdades, o Estado intervém na economia utilizando como 
ferramentas principais o sistema tributário (com impostos regressivos) e a 
política de gastos governamentais como forma a promover ajustes na 
distribuição da riqueza na sociedade. Exemplos dessa intervenção é a 
adoção de políticas de transferência de renda em favor de populações 
mais carentes (como o Bolsa Família) e a cobrança do imposto de renda, 
em que quem ganha mais paga mais proporcionalmente a seu padrão de 
renda e aqueles que ganham menos podem ser isentos da tributação. 
Saiba mais 
“Programas de renda serão desafio para o orçamento federal em 2021”. 
Disponível em: 
. 
• Função estabilizadora: todos os governos se utilizam de instrumentos 
macroeconômicos como controle do nível de atividade econômica através 
do equilíbrio dos gastos e das contas externas; da busca pela estabilidade 
da moeda e dos preços (relacionada ao nível de inflação e juros). Para 
isso, os governos podem utilizar políticas fiscais e econômicas para 
manter o nível de atividade da economia. Por meio da função 
estabilizadora, o Estado intervém sempre que necessário para proteger e 
fortalecer a economia e os mercados para que não sofram muito com 
crises internas ou externas. Dessa forma, o impacto econômico e social 
da inflação (altas dos preços) e deflação (que pode causar uma recessão 
 
 
23 
quando os consumidores compram menos e forçam as empresas a 
reduzir preços) são amortecidos. 
As três funções apresentadas iniciam um conceito importante que está 
presente no Orçamento Público. Você perceberá que a principal forma de 
presença do Estado na economia é feita por meio do Orçamento Público, que é 
uma peça legal que representa as diversas ações do governo nos segmentos da 
economia, tais como educação, saúde, segurança, entre outros. 
4.2 Natureza jurídica do orçamento brasileiro 
No conceito clássico de orçamento, visto no início desta aula, de forma 
geral, o orçamento é definido como uma peça contábil com a autorização para 
realização das despesas e previsão de receitas. Essa definição simplória não faz 
relação a nenhuma regra de direito. No conceito atual, a partir da sua inserção 
na Constituição, o orçamento ganha uma característica legal como um conjunto 
de normas jurídicas relacionadas às finalidades que são dispostas no seu 
conteúdo. Dessa forma, numa visão mais completa, o orçamento possui aspecto 
político, econômico e técnico. 
Ainda assim, para entendermos a natureza da lei orçamentária e a 
diferença ente o seu conceito clássico e o atual, é necessário fazer uma 
diferenciação entre a lei no sentido formal do sentido material. O orçamento é 
uma lei em sentido formal (constituída na forma da lei), no entanto, uma 
discussão recorrente em finanças públicas é que a simples previsão de gastos e 
investimentos na lei orçamentária anual (LOA) não cria obrigação para a sua 
realização, não sendo possível exigir, por via judicial, que determinado gasto 
previsto no orçamento seja realizado. 
Esse pensamento está alinhado às ideias do jurista Paul Laband (1979). 
A sua teoria consiste em defender que o orçamento não possui significado 
jurídico, que embora apresente o formato de uma lei, possui conteúdo de um ato 
administrativo. Para Laband, com efeito, somente é lei a disposição que 
contenha um preceito ou uma regra jurídica, ou a lei no sentido material (que são 
responsáveis por estabelecer as regras de convívio social, regulando a grande 
variedade de relações jurídicas entre as pessoas). Os orçamentos que, embora 
 
 
24 
revestidos da forma de lei, não tenham por conteúdo uma regra de direito, não 
possuem a força material da lei. 
Podemos então definir as principais características da lei orçamentária: 
• É uma lei formal: o orçamento é uma lei. Pode parecer meio óbvio, mas 
em vários casos, ela não obriga o Poder Executivo a realizar uma despesa 
que foi autorizada pelo Legislativo. Então, diz-se que o orçamento é uma 
norma que possui forma de lei, mas não possui uma característica 
essencial das leis: a força coercitiva. Lembra que a Administração Pública 
só faz o que está definido em lei? Para a lei orçamentária, é diferente, 
ficando com cara de um acordo entre as intenções do Poder Executivo 
para o Poder Legislativo (que representa a sociedade). 
• É uma lei temporária: todas as leis orçamentárias (PPA, LDO e LOA) 
possuem vigência limitada. 
• É uma lei ordinária: porque as leis orçamentárias (PPA, LDO e LOA) são 
leis ordinárias (são lei comuns). 
• É uma lei especial: o seu processo é diferenciado, pois se inicia a partir 
do executivo e trata de uma matéria específica (veremos mais adiante 
quando tratarmos dos princípios orçamentários). 
Saiba mais 
“PEC do orçamento impositivo: o que são, as vantagens e desvantagens”. 
Disponível em: . 
TEMA 5 – FONTE NORMATIVA DO DIREITO FINANCEIRO BRASILEIRO 
O direito financeiro é um dos ramos do direito que estuda as finanças de 
Estados em relação às suas atividades financeiras. De outra maneira, o direito 
financeiro reúne o conjunto de princípios e regras que procura estudar a 
atividade financeira do Estado, que envolve suas receitas, despesas, a 
elaboração do orçamento e os créditos públicos. 
O direito financeiro está relacionado com às ciências das finanças 
públicas, que oferecem uma característica própria de trabalhar e entender a 
gestão da coisa pública, e se complementam. Assim, enquanto as ciências das 
 
 
25 
finanças públicas se ocupam com o estudo da atividade financeira do Estado, o 
direito financeiro estuda seu aspecto jurídico. Dessa forma, ao tratarmos da 
elaboração e execução do orçamento público, o aspecto financeiro fornece 
dados para que os gestores públicos possam realizar seus processos decisórios 
mais acertados. 
O estudo sobre as fontes do direito financeiro nos indica o local de 
extração do conjunto de normas que nos auxiliam a tratar da matéria. 
As principais fontes são: 
a) Constituição Federal: como se demonstrou ao longo desta aula, a 
Constituição Federal está repleta de temáticas relacionados ao direito 
financeiro, em especial por conta da inclusão dos aspectos de 
planejamento em seu conteúdo textual. Em diversas partes da 
Constituição Federal, temos diversas referências ao direito financeiro e às 
finanças públicas, tais como: a) aspectos de fiscalização contábil, 
financeira e orçamentária (arts. 70 a 75); b) repartição de receitas 
tributárias (arts. 157 a 162); c) dos créditos públicos (empréstimos) (art. 
163); c) do subsistema monetário (art. 164); e) da função orçamentária 
(art. 165 a 169). 
b) Leis complementares: a Constituição Federal possui em seu texto, em 
determinadas passagens que determinados assuntos do direito financeiro 
devem ser tratadospor meio de uma lei complementar específica. Essas 
leis estão definidas nos arts. 161, 163 e 165, parágrafo 9º, da 
Constituição. Do conjunto de leis complementares em matéria financeira, 
temos: a Lei Complementar n. 101/2000 (conhecida como Lei de 
Responsabilidade Fiscal) e a Lei n. 4.320/1964 (normas gerais em matéria 
de direito financeiro). Apesar da Lei n. 4.320/1964 ser originalmente uma 
lei ordinária, ela foi recepcionada como uma lei complementar pela 
Constituição Federal, por não se contrária a ela e tratar de assunto 
reservado dada pela própria Constituição. 
Saiba mais 
“Tesouro vai à Câmara defender a Nova Lei de Finanças Públicas”. 
Disponível em: . 
 
 
26 
TROCANDO IDEIAS 
Como pudemos observar durante a aula, com base no entendimento do 
funcionamento do Estado e de como as decisões públicas são definidas, 
podemos entender como as finanças públicas afetam a situação econômica e 
social das empresas e pessoas. Dessa forma, esperamos que você possa 
também entender e participar das decisões políticas do país de forma mais 
consciente. Tendo isso e vista, participe do fórum de discussões, debatendo 
sobre o impacto das decisões financeiras dos governos e sobre o papel do 
Estado na vida cotidiana. 
Para apoiar essa discussão, faça uma leitura do artigo “Democracia local 
e orçamento participativo: análise da experiência de Cambuí” (disponível em: 
). 
NA PRÁTICA 
Devido às falhas no sistema mercadológico e tendo em vista a 
necessidade de proteção para garantir o bem-estar da população, o Estado 
intervém na economia. Identifique, dentre as opções a seguir, aquela que 
represente as ações do Estado relacionadas à função alocativa. 
a) O Estado procura aumentar o nível de emprego e reduzir a taxa de 
inflação, adotando políticas monetárias e fiscais. 
b) Na adoção de políticas monetárias e fiscais, o Estado procura manter a 
estabilidade da moeda. 
c) O Estado oferece bens e serviços públicos diretamente, ou pode interferir 
na oferta do setor privado, por meio da implementação de políticas. 
d) O Estado age na redistribuição da riqueza e da renda entre as classes 
sociais. 
e) O Estado estabelece impostos progressivos, com a finalidade de gastar 
mais em regiões mais pobres que beneficiem as pessoas carentes. 
A resposta está na seção Gabarito, após as referências. 
 
 
27 
FINALIZANDO 
Esta aula mostrou a responsabilidade do Estado no controle da economia. 
A teoria faz parte do entendimento para que você consiga assimilar na prática o 
significado dos bens públicos e a atividade financeira do Estado. 
Tratamos dos princípios que regem as ações da Administração Pública e 
quão importante é conhecer sobre eles. Também tratamos das espécies 
orçamentárias ao longo da história e de como chegamos no atual modelo 
implantado no país. Conhecemos mais sobre as funções dos governos na 
atividade econômica e suas bases teóricas. 
Por fim, tratamos da natureza jurídica do orçamento, que nos dará base 
para as próximas aulas. Futuramente, trataremos da teoria dos orçamentos e 
como ele é formado. Sigamos firmes! 
 
 
 
28 
REFERÊNCIAS 
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Janeiro: Campus, 2005. 
BOBBIO, N.; MATTEUCCI, N.; PASQUINO, G. Dicionário de política. 2. ed. 
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BRASIL. Ministério da Fazenda. Secretaria do Tesouro Nacional – STN. 
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. 
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GIACOMONI, J. Orçamento público. 16. ed. rev. e atual. São Paulo: Atlas, 
2013. 
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PIRES, V. Orçamento Participativo: o que é, para que serve e como se faz. 
São Paulo: Manole, 2001. 
SILVA, F. R. et al. Finanças Públicas. São Paulo: Atlas, 2001. 
 
 
29 
STRECK, D. R. Educação para um novo contrato social. Petrópolis: Vozes, 
2003. 
 
 
 
30 
GABARITO 
Resposta: alternativa C.

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