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Quilombo dos palmares e ganga zumba no livro didático de história
na rede pública do estado de São Paulo, no ensino médio entre
2010-2018 
Lima, Claudinei dos Reis1
RESUMO 
Introdução: O ministério da educação, instituiu por lei federal, que dentro das
escolas seja ensinado sobre a história negra no Brasil, com o objetivo de que com o
conhecimento da população, ao menos diminuísse a quantidade de informação
errada e racismo, advindo desde o momento da formação acadêmica do cidadão.
Objetivo: Elucidar e entender o contexto histórico da história do negro no Brasil,
utilizando-se de autores que remontam o cenário brasileiro.Metodologia: Trata-se
de uma revisão integrativa da literatura com artigos pesquisados no SciELO, e
utilizando do livro de história do ensino médio, que tem por titulo “história e
sociedade, 2” de Alfredo Boulos Junior. Resultados: A lei está sendo aplicada mas
sem pensar na qualidade de ensino dos docentes. Conclusão: Com base no estudo
realizado, conclui-se que, mesmo com a obrigatoriedade garantida por lei, os
docentes não tem boa preparação para falar sobre assuntos relacionados à história
negra.
Descritores: ensino médio; história negra;
 
ABSTRACT 
Introduction: The Ministry of Education, instituted by federal law, that within schools
is taught about black history in Brazil, with the objective that with the knowledge of
the population, at least reduce the amount of wrong information and racism, arising
from the moment of the citizen's academic formation. Objective: To elucidate and
understand the historical context of the history of black people in Brazil, using
authors that date back to the Brazilian scenario. Methodology: This is an integrative
literature review with articles researched in SciELO, and using the history book of
secondary education, entitled “History and Society, 2” by Alfredo Boulos Junior.
Results: The law is being applied but without thinking about the quality of teaching of
teachers. Conclusion: Based on the study carried out, it is concluded that, even with
the obligation guaranteed by law, teachers are not well prepared to talk about issues
related to black history.
Descriptors: high school; black history;
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¹ acadêmico graduando do curso de História da Universidade Santo Amaro – SP.
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INTRODUÇÃO 
Dentro de todo o processo de educação de crianças, observa-se a
necessidade de que cada vez mais as crianças estejam cientes de todo o processo
histórico de escravidão e o decorrer da história até os dias de hoje; boa parte por
consciência de classe, considerando que segundo o IBGE, se caracterizam 54% da
população Brasileira.
Dentro das escolas, além do apoio dos livros didáticos, os professores têm um
papel importante de base de informações para seus alunos. Sua base deveria ser
nos próprios livros fornecidos pela rede. E na prática, quando o assunto é
relacionado ao povo negro, entendendo discurso como prática ideológica que
constitui, naturaliza, sustenta e modifica significados no/sobre o mundo (Rogers,
2004).
“O passado é valorizado”. A cultura que é arrancada do passado para ser
exibida em todo o seu esplendor [...] O colonialismo que não graduou seus
esforços nunca cessou de firmar que o negro é um selvagem [...] Para o
colonialismo este vasto continente era uma toca de selvagens fadada ao
desespero atingida pela maldição de Deus (FANON, 1961, p. 167).
Fanon evidencia as funções de classes e raças, que acontece também no
Brasil, e é possível analisar os mecanismos de dominação usados nos processos
civilizatórios e como eles são interiorizados na consciência no povo colonizado. Os
valores culturais são invertidos onde o negro quanto mais ele tenta se distanciar das
práticas opressoras, mais opressores eles se tornam, no real sentido da palavra
quanto mais o negro ele quer ser mais branco ele se torna.
O Quilombo dos Palmares surgiu no final do século XVI, no território da
capitania de Pernambuco, mais precisamente em uma região em que hoje está
localizado o estado de Alagoas. O quilombo foi formado por escravos que tinham
fugido de engenhos da região de Pernambuco e que escolheram a região da Serra
da Barriga, na zona da mata de Alagoas.
Foi chamado de Quilombo dos Palmares, porque foi construído em uma
região que possuía muitas palmeiras e essas árvores possuíam inúmeras
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utilidades, pois forneciam alimento aos quilombolas e suas folhas eram usadas para
fazer o telhado dos casebres que eram construídos.
Ganga Zumba, nascido no Reino do Congo foi capturado e vendido como
escravo no Brasil. Consegue fugir da fazenda com alguns companheiros e se
dirigem para um dos mocambos, núcleos onde os negros refaziam sua vida ao
escapar do cativeiro. Cada mocambo era liderado por um parente ou chefe de
confiança. Deste modo, Ganga Zumba enfrenta vários ataques derrotando os
portugueses com o sistema de guerrilhas atacando-os pela retaguarda.
Também sofreu reveses que destruíram parte da produção agrícola dos
mocambos. Sem conseguir chegar à unanimidade, parte dos moradores decide
abandonar o quilombo, enquanto outro grupo permanece ali. A liderança da
comunidade, agora, é assumida por Zumbi.
Conforme a Lei 10.639/03 que visa obrigatoriedade da inserção dos
conteúdos de história e cultura afro-brasileira, nas disciplinas de todo os
seguimentos do ensino, como estão sendo usados os livros nas escolas primarias, a
grande questão é verificar a marginalização do negro frente os livros didáticos e
paradidáticos, pesar da lei vigente, é possível que ainda haja resistência contra o
estudo da etnia negra nas escolas, nem sempre se faz cumprir o estudo desta
disciplina. A realização deste estudo permitirá ampliar o conhecimento adquiridos de
Brasil colônia e como a questão do negro vem sendo tratada.
Diante do exposto, justifica-se este estudo.
OBJETIVO
Elucidar e entender o contexto histórico da história do negro no Brasil,
utilizando-se de autores que remontam o cenário brasileiro
METODOLOGIA 
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O presente estudo trata-se de uma revisão integrativa da literatura. A revisão
integrativa é um instrumento relevante na comunicação dos resultados de
pesquisas, facilitando o uso desses resultados na prática profissional, pois
proporciona uma síntese do conhecimento já produzido, fornecendo contribuições
para a melhoria da assistência à saúde. Diante disso, foi elaborada como questão
norteadora para este estudo, a seguinte indagação: Como está sendo retratada a
história de quilombo dos Palmares e Ganga Zumba dentro do livro de história do
ensino médio “História e sociedade 2” de Alfredo Boulos Júnior de 2016? 
Para busca dos artigos, foi utilizado o Scientific Electronic Library Online –
(SciELO), seguindo a combinação dos seguintes descritores: Quilombo dos
Palmares; Ganga Zumba; Cultura negra; zumbi; Livro Didático; Ensino de História;
Identidade;
Foi utilizado como base principal o livro de título "História- sociedade e cidadania 2”
de Alfredo Boulos Júnior, 2016.
Como critérios de inclusão, foram selecionados artigos que retratam o perfil
das diretrizes relacionadas à indagação norteadora. Para que houvesse maior
abrangência de artigos, houve delimitação de data de publicação entre 2010 e 2018.
Contudo vale ressaltar que a pesquisa não pretende apenas analisar as
formas pelas quais os negros estão inseridos nas relações étnico-raciais, mas sim,
poder esclarecer dúvidas e perguntas que norteiam este tema no campo da
historiografia brasileira junto aos livros didáticos. Diante dos especulativos
assumidos que trazem todo o peso de uma geração massacradapor ideologias
racistas, que eclodiram após a Revolução de 1930 e com seu radicalismo intelectual,
será enfatizado a formação da sociedade brasileira nas obras clássicas de Gilberto
Freyre, Casa grande Senzala e não tão menos importante o livro de Sergio Buarque
de Holanda, Raízes do Brasil.
Candido (1967, p. 9) aponta importantes aspectos sobre registrar o passado,
enfatiza que, não é somente falar de si; é falar dos que participaram de uma certa
ordem de interesses e de visão do mundo.
O estudo proposto tem como fonte Casa grande Senzala e Raízes do Brasil o
livro original produzido no século XIX, como os livros didáticos formaliza o material a
ser analisado durante o desenvolvimento da pesquisa, portanto, constitui a principal
fonte documental do estudo ora apresentado.
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Deste modo, o estudo selecionará os art. 26-A , 79-A , e 79-B que que foram
acrescidos na Lei 9.394/1996, tal qual vigora a Lei 10.639/03 que as, diretrizes e
bases das educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede Pública de
Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”; e dá outra
providencia. Será realizada uma análise histórica, problematizadora, pautada na
representação do negro como descrito no nos livros Didáticos. A abordagem
proposta possibilitará o reconhecimento de significados atribuídos ao negro a partir
do mito da coisificação do mesmo que carrega o termo bestial, como uma marca
profunda na historiografia brasileira. Assim, o método a ser utilizado consistirá da
análise do discurso racista em torno da Cultura negra no Brasil, feito por sociólogos
e historiadores conservadores.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Esse tópico implica considerar as bases teóricas da História, as perspectivas
conceituais que fundamentam a análise do tema/objeto de estudo, os axiomas, os
pressupostos teóricos da interpretação pretendida, os paradigmas. Nesse sentido, o
projeto de pesquisa sobre o tema das dos negros nos livros didáticos no Brasil em
proposição prevê como forma de análise as bases teóricas da História Social,
identificada como ‘nova esquerda’. Para essa perspectiva, a escrita da história se
orienta não somente por condicionantes econômicas, mas culturais.
Essa possibilidade de análise permite reconhecer uma dada sociedade,
comunidade ou grupo social. A análise historiográfica formulada vai além das
políticas públicas de governo, é possível pensar como um fator determinante para o
entendimento da sociedade num todo, o Quilombo dos Palmares, símbolo da
resistência negra no século XVII.
 Durante o desenvolvimento do livro utilizado como base para este trabalho,
existem dois capítulos que relatam a história negra no Brasil. O capitulo 4, que tem
como título “africanos no Brasil: dominação e resistência”, em 6 paginas tem o
objetivo de descrever a guerra da escravidão, o trabalho escravo, violência e os
quilombos, que particularmente é composto por cerca de 4 parágrafos envoltos por
imagens. O segundo capítulo que tem o mesmo objetivo é o capítulo 14, com o tema
“Abolição e República” onde é mencionado a Lei Áurea, e como esses, que agora
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libertos – somente do título de escravo – agora viviam, descritos em incríveis 5
páginas .
Em contrapartida, existem 11 capítulos que em áreas diferentes, com
quantidades variadas de páginas que relatam outros fatos históricos com base em
maioria branca. Não é possível dizer que é algo feito com o objetivo de
menosprezar, mas é nítida a diferença.
A pouca valorização da história negra dentro do país, incentiva a
desvalorização externa. Aplicando, seria como se realmente validássemos a visão
de outros países sobre o Brasil, pois grande parte não conhece a própria história.
Quem hoje tem curiosidade sobre o assunto tem que buscar fora da escola, e
talvez fora dos livros didáticos, como livros feitos por sociólogos como Jessé Souza
que em boa parte de suas obras, descreve a história negra , suas vertentes e faces
diante da sociedade. Ou seja, visões diferentes de um mesmo assunto.
Como é possível questionar a opressão se é o opressor que nos educa? - é a
frase descrita por Carter Godwin Woodson no livro, “A Deseducação do negro” de
2021, de própria autoria, que na sua realidade de educação americana, questiona a
qualidade de ensino sobre o negro para o aluno e o professor. O mesmo aplica ao
nível Brasil, onde os professores já não tem uma boa formação do assunto e diante
da lei que obriga que dentro das escolas seja ensinado sobre a história negra, como
e quais embasamentos teóricos e práticos os mesmos teriam.
A existência da Lei garante a execução da mesma, porém não garante
qualidade.
CONCLUSÃO 
A Lei 10.639/2003 foca essa inclusão no conteúdo ministrado, principalmente
ao vislumbrar o currículo escolar como instrumento de difusão da subordinação
racial, tentando inverter essa lógica para transformá-lo em instrumento da luta
antirracista. Esse conjunto de ações recebeu a alcunha de educação das relações
étnico-raciais, a qual tem por objetivos possibilitar o reconhecimento de pessoas
negras na cultura brasileira a partir de seu próprio ponto de vista, promover o
conhecimento da população brasileira sobre a história do Brasil com a visão de
mundo da população negra, formar os professores para ministrarem disciplinas que
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contemplem a perspectiva negra na história, cultura e sociabilidade do País, assim
como saibam combater e discutir sobre o racismo e seus efeitos , e finalmente
propiciar a reeducação para relações étnico-raciais plurais e diversas. 
As iniciativas governamentais de promoção dessa política são coordenadas
pela Coordenação-Geral de Educação das Relações Étnico-raciais do Ministério da
Educação.
Ainda que se observe uma legislação bem assertiva, a questão de como
transformar a obrigatoriedade da legislação em uma prática concreta é igualmente
problemática para a solução do problema da não inserção de conteúdo da história e
cultura africana e afro-brasileira no conteúdo da educação básica.
É evidente o importante papel dos professores e das escolas na efetivação
das ações, contudo, há que se pesar esse compartilhamento de responsabilidades
conforme expresso no Plano de Implementação para identificar como e quanto a
Política Nacional de Educação e de Promoção da Igualdade Racial tem contribuído
para o cenário atual, em relação às dificuldades de sua própria implementação.
Essa dupla inserção, como política de educação e de promoção da igualdade
racial não parece apresentar grandes dilemas nesse caso, porque, em que pese os
apontamentos da pesquisa, boa parte das ações está no escopo de atuação e
decisão exclusiva do MEC, a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade
Racial (SEPPIR) é uma coadjuvante, e talvez espectadora, nesse processo.
Contudo, talvez esse seja exatamente o principal dilema, uma vez que essa
ausência da SEPPIR pode em parte ajudar a explicar o processo de esvaziamento
das ações do MEC, com a descontinuidade de programas como o Uniafro, sem
grandes soluções alternativas ao problema que visava combater.
As avaliações apresentadas na pesquisa indicam a questão da baixa
implementação como premissa das pesquisas. Ambos os resultados apontam para
problemas no entendimento do que seria ministrar esse conteúdo tanto por parte dos
docentes e equipe escolar, quanto dos gestores municipais, concluindo que há a
necessidade de investimento em processos formativos.
REFERÊNCIAS
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¹ acadêmico graduando do curso de História da UniversidadeSanto Amaro – SP.
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¹ acadêmico graduando do curso de História da Universidade Santo Amaro – SP.
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