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TEORIA DAS LOCALIDADES CENTRAIS

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Regionalizar
A regionalização é o ato de dividir o território em regiões (ou funcionais ou semelhantes ou heterogêneas).
Centralidades
 Aglomerações humanas e núcleos urbanos que possuem:
Fornecimento de bens e serviços para si mesmos e para locais de menor centralidade (subordinados).
 Bens e serviços centrais (não estão disponíveis em todos os locais).
 Centralidade dos bens e serviços é determinada por:
 Custo de acesso em função da distância econômica (lado da demanda);
 Economias de escala internas e externas à firma (lado da oferta).
 A área de mercado é diretamente proporcional à centralidade do bem ou do serviço.
Hierarquias
 Lugares são concentrações de oferta de bens e serviços.
 A hierarquia dos lugares deve se basear na hierarquia dos bens e serviços.
 Domínio de um produto => domínio de um lugar (área atendida pela sua oferta de bens e serviços, e uma região complementar).
Regionalização por Regiões
Heterogêneas
De acordo com esta metodologia, as cidades que apresentam características de centralidade, funcionam espacialmente como pólos de atração magnéticos, trazendo para si as atividades econômicas desenraizadas (foot-loose) ou influenciando atividades que dependam das decisões de tais municípios.
 As áreas de influência, ou os campos de atração, dependerão da influência do tempo (os limites ou fronteiras tendem a se modificar), serão imprecisamente definida nas regiões mais periféricas (onde a “força de atração” for mais fraca) e seus limites mudam quando se muda de aspecto referencial (atividades econômicas delimitam certas zonas de polarização que não necessariamente coincidirão com as zonas de influência política etc.).
A articulação crescente entre cidades e lugares, tanto no período que a precedeu, como após a Revolução Industrial, é reflexo e, ao mesmo tempo, é condição para as mudanças estruturais desse momento. Essas mudanças consubstanciaram a constituição efetiva de redes urbanas hierarquizadas, amparadas numa divisão social, técnica e territorial do trabalho que se ampliava, pois tais redes organizaram-se de modo que parte dos centros urbanos encontrava-se subordinada a outros centros, quer dizer, a interdependência entre os centros urbanos passou a ocorrer por meio da crescente subordinação de uma cidade a outra, num sistemático processo de hierarquização.
De fato, os centros urbanos passaram a desempenhar papéis crescentemente diferenciados, com base nas “funções centrais” e na magnitude de suas relações econômicas e políticas, bem como na condição, maior ou menor, como centro de decisão e de comando do próprio processo em curso, como resultado da ação de capitalistas, industriais e instituições políticas. Essas ações implicaram o estabelecimento de interações espaciais assimétricas também entre as cidades, e não apenas entre estas e o campo, de modo a constituir uma divisão territorial do trabalho em escala interurbana.
No que tange à rede urbana, o capitalismo recriou as condições de sua existência.Além de pontos fixos, os centros urbanos, no território, exige-se, para a efetiva constituição de uma rede urbana, a existência de uma economia de mercado e de um mínimo de articulação entre esses referidos pontos. Dessa forma, a cidade torna-se o lugar da divisão social e territorial do trabalho.
Com o avanço do capitalismo, a atividade comercial ganhou, gradativamente, um novo significado, ampliando o território de atuação e estabelecendo, entre a dimensão da produção e do consumo, a circulação (distribuição e troca de mercadorias produzidas), cujo caráter, na obtenção do lucro, passou a desempenhar papel fundamental na sociedade e na organização espacial .
Nota-se, contudo, que a problemática tanto da localização como da circulação só aparece como uma questão crucial, aos olhos da classe dominante e do Estado, com o capitalismo. As articulações, provenientes da circulação de mercadorias, estão no cerne dos processos de diferenciação e de hierarquização entre os centros urbanos, pois, em uma economia de mercado, a oferta e o consumo de mercadorias e serviços realizam-se de forma desigual e estratificada, gerando, por conseguinte, uma hierarquia entre os pontos. Isso define uma maior diferenciação entre os núcleos urbanos, o que inclui, também, um maior aprofundamento do processo de hierarquização. Nesse contexto, a localização das atividades e da população assume uma importância crucial, tanto para os capitalistas quanto para o Estado. Dessa importância, emerge, mesmo que implicitamente, o interesse em compreender a natureza e o significado da rede urbana.
Mesmo em tempos remotos, a organização espacial da circulação, fundamentada na crescente divisão social e territorial do trabalho, tinha os centros urbanos como locais que se interligavam por meio do comércio e da prestação de serviços, implicando uma configuração espacial particular, na qual os centros ganharam novos e distintos conteúdos, diferenciando-se, tendo em vista as especializações produtivas e a consequente complementaridade entre as áreas especializadas, gerando, portanto, interações espaciais díspares.
Repensando a teoria das localidades centrais
Conceito de Teoria dos Lugares Centrais
A teoria dos lugares centrais é uma teoria desenvolvida por Walter Christäller para explicar a forma como os diferentes lugares se distribuem no espaço. Segundo esta teoria, um lugar central (um centro urbano) fornece um conjunto de bens e serviços a uma determinada área envolvente (área de influência ou região complementar). Cada um destes lugares centrais pode ser classificado hierarquicamente em função da quantidade e diversidade de bens e serviços que fornecem à sua área de influência.
Segundo a teoria dos lugares centrais e partindo do princípio de que as pessoas procuram o lugar central mais próximo para se abastecerem e que os fornecedores seguem o princípio economico de maximização do lucro, os lugares centrais e as respectivas áreas de influência tendem a dispor-se no espaço segundo uma malha hexagonal. 
A ideia central é de que grandes cidades teriam grandes áreas de influência,sobre a qual gravitariam os pequenos núcleos urbanos vizinhos. Seria uma influência tanto econômica quanto cultural. Contudo, quanto mais se afasta da cidade, diminui a sua força de influência. 
Tem-se então uma rede urbana, em que as cidades interagem conforme sua potencialidade socioeconômica. Quanto maior a centralidade de uma cidade, maior a sua hierarquia funcional na rede urbana.Dentro de seu modelo, Christaller parte de três funções urbanas atrativas irradiadas pelos centros citadinos: mercado, administração e transporte. Afinal, sempre é preciso comprar algo que não existe nas cidades menores e resolver problemas com a administração pública. Além disso, a estrutura de transporte dos centros urbanos maiores facilita os acesso a essas cidades. Portanto, a área de influência de uma cidade se dá em função de sua capacidade de fornecer bens e serviços ao seu entorno
A rede hierarquizada de localidades centrais constitui-se em uma forma de organização do espaço vinculado ao capitalismo ,sendo, portanto de natureza histórica.
É através da rede hierarquizada de localidades centrais, isto e , das numerosas cristalizações materiais diferenciadas dos processos de distribuição varejistas e de serviços , que se realiza , em um amplo território sob o domínio do capitalismo , a articulação entre produção propriamente dita e consumo final.
A rede das localidades centrais aparece também como uma estrutura territorial por meio da qual o processo de reprodução das classes sociais verifica.
A continuidade do processo de acumulação capitalista implica necessariamente a reprodução deste amplo espectro social, e esta reprodução se faz, em grande parte , através do consumo diferenciado , de bens e serviços oferecidos pelas localidades centrais.
A complexidade na hierarquia das localidades centrais aparece como resultante também na localização diferenciada das classes sociais no mesmo espaço , ou seja , aparece como fruto da segregação socio-espacial.
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