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ALUNO(A): ALESSANDRA NEGRÃO DOMINATO BARROS 
 
A DIFERENÇA ENTRE ABORTO LEGAL E ABORTO CRIMINOSO NO 
BRASIL: UMA ANÁLISE À LUZ DA MEDICINA FORENSE 
 
O debate sobre o aborto, embora envolto em fortes convicções morais, deve ser 
analisado com base em critérios técnicos e legais quando observado sob a ótica da 
Medicina Forense e do Direito Penal brasileiro. Diante disso, é fundamental compreender 
a diferença entre o aborto legal e o aborto criminoso, especialmente considerando a 
atuação da Medicina Forense como ciência auxiliar da Justiça. 
No Brasil, o aborto é, em regra, considerado crime, conforme previsto nos artigos 
124 a 126 do Código Penal. No entanto, o próprio ordenamento jurídico abre exceções 
específicas, nas quais a prática do aborto é considerada legal e isenta de punição. Esse é 
o ponto de partida para distinguir o aborto criminoso do aborto legal. 
O aborto legal, portanto, é aquele que se enquadra nas hipóteses permitidas pelo 
ordenamento jurídico. São três as situações reconhecidas: 
Quando não há outro meio de salvar a vida da gestante, configurando o chamado 
aborto necessário (art. 128, I do Código Penal); 
Quando a gravidez é resultante de estupro, desde que haja consentimento da 
gestante ou, se incapaz, de seu representante legal (art. 128, II); 
Quando há diagnóstico de anencefalia fetal, conforme decisão do Supremo 
Tribunal Federal em 2012 (ADPF 54). 
Nessas situações, o procedimento é realizado em ambiente hospitalar, com 
acompanhamento médico e psicológico, e não constitui crime. A Medicina Forense, nesse 
contexto, tem o papel de fornecer laudos técnicos que atestem, por exemplo, o risco à 
vida da gestante ou a condição de inviabilidade fetal, auxiliando o Judiciário na tomada 
de decisão, quando necessário. 
Por outro lado, o aborto criminoso é aquele praticado fora das hipóteses legais, e 
pode ocorrer tanto com o consentimento da gestante quanto sem ele. O Código Penal 
tipifica como crime: 
• A mulher que provoca o próprio aborto (art. 124); 
• Quem provoca o aborto com o consentimento da gestante (art. 126); 
 
• Quem provoca o aborto sem o consentimento da gestante (art. 125), sendo essa a 
forma mais gravemente punida. 
Nesses casos, a prática ocorre geralmente em condições precárias, clandestinas, e 
oferece sérios riscos à saúde e à vida da mulher. É justamente aí que a Medicina Forense 
desempenha papel crucial, ao investigar os indícios da prática abortiva, identificar o 
método utilizado, avaliar os danos ao organismo da mulher e auxiliar na responsabilização 
penal dos envolvidos. 
A reportagem “Armadilha para mulheres”, da Agência Pública, ilustra como 
entidades com discurso religioso podem agir de forma desleal, manipulando e coagindo 
mulheres vulneráveis, mesmo quando elas buscam informações sobre seus direitos legais. 
Essa abordagem, travestida de acolhimento, mascara práticas de tortura psicológica, 
ignorando os direitos reprodutivos garantidos pela Constituição e pela legislação 
infraconstitucional. 
Portanto, do ponto de vista técnico e jurídico, a diferença entre aborto legal e 
aborto criminoso é objetiva e deve ser respeitada. Enquanto o aborto legal é uma prática 
regulada, com respaldo médico e jurídico, o aborto criminoso configura violação da 
norma penal e representa risco à vida da mulher. A Medicina Forense, ao aplicar 
conhecimentos científicos de forma isenta, contribui para a proteção da saúde da mulher 
e para a correta aplicação da justiça. 
Em conclusão, é preciso separar o julgamento moral da análise jurídica e forense. 
Com base na legislação vigente e nos critérios técnicos da Medicina Forense, é possível 
afirmar que o aborto legal é uma garantia de direitos, enquanto o aborto criminoso é uma 
infração penal, cujas consequências podem ser fatais. A informação clara e o acesso à 
saúde são, portanto, medidas essenciais para que as mulheres possam exercer sua 
autonomia sem serem vítimas de armadilhas e violências travestidas de aconselhamento.

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