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SISTEMA DE INFORMAÇÕES CONTÁBEIS E GERENCIAIS AULA 1 Profª Edenise Aparecida dos Anjos Highlight 2 CONVERSA INICIAL Conceitos iniciais Olá! Seja bem-vindo(a)! O objetivo desta etapa consiste em apresentar conhecimentos básicos sobre os componentes básicos de um sistema de informação. Para cumprir este objetivo, vamos tratar dos seguintes temas: • Diferenças entre dados e informação; • Convertendo dados em informações; • Informações quantitativas e qualitativas; • O valor e a qualidade das informações; • A pirâmide do conhecimento. CONTEXTUALIZANDO Os sistemas de informação tornaram-se parte integrante das atividades organizacionais, como contabilidade, finanças, gerenciamento de operações, marketing e administração de recursos humanos, entre outras importantes funções administrativas (O’brien; Marakas, 2012). São indispensáveis para o sucesso organizacional em uma era cada vez mais digital, pois ajudam a coletar, processar e armazenar dados de maneira eficiente. Além disso, os sistemas de informação podem fornecer informações valiosas para o processo de tomada de decisões em todas as hierarquias da estrutura de governança de uma organização. Os dados coletados podem ser usados para identificar padrões e tendências, auxiliando os gerentes nas tomadas de decisão mais informadas e estratégicas. Esse estudo tem como objetivo apresentar a importância dos sistemas de informação contábeis e gerenciais como uma ferramenta de apoio aos processos organizacionais e tomada de decisão. Para começar, vamos dar início aos conceitos básicos de sistemas e a construção de informação. TEMA 1 – DADOS E INFORMAÇÃO, QUAL A DIFERENÇA? Na literatura, a distinção entre dados e informação é parte de um debate de longa data. Isso se deve ao fato de o termo “Informação” ser considerado como 3 guarda-chuva, aplicado indiscriminadamente para se referir a “quase tudo”. E, com o advento da era digital e do uso intensivo da internet, passou a se referir, também, a medidas objetivas de comunicação (McKinney; Yoss, 2019). Dessa forma, o uso generalizado do termo Informação contribui para discussões sobre o seu real significado. As divergências entre dados e informação residem na narrativa do discurso humano, no ato de comunicar. No cotidiano, é comum a notificação de que tanto as pessoas quanto as organizações estão sobrecarregadas de informação, no entanto, sem uma definição clara de contexto, por vezes podem estar se referindo a dados ou informação. Para evitar equívocos no entendimento, é importante definir um contexto, para aplicar as terminologias de forma correta. Nesta etapa, não temos a pretensão de explorar as diversas aplicações terminológicas e significados dos termos “dados e informação”, mas esclarecer questões pontuais relativas a definições usuais, enquanto medida de comunicação posicionando-os no contexto do sistema de informação organizacional. 1.1 Definindo dados e informação Antes de apresentar as diferenças conceituais entre dados e informações, é preciso situá-los como componentes integrantes de um sistema de informação organizacional. Um sistema de Informação pode ser definido tecnicamente como um conjunto de componentes inter-relacionados que coletam (ou recuperam), processam, armazenam e distribuem informações para apoiar a tomada de decisão e o controle em uma organização (Laudon; Laudon, 2023). No contexto organizacional, um sistema de informação é vital para a manutenção dos negócios, coletando e armazenando dados sobre pessoas, processos, produtos, fatos e eventos, gerando informações úteis para apoiar os processos de tomada de decisão, coordenação e controle das atividades. A Figura 1 exemplifica como dados e informação estão relacionados em sistema de informação, tomando como exemplo, um supermercado. 4 Figura 1 – Dados e informação Fonte: Laudo; Laudon, 2023, p. 15. Na representação da Figura 1, os dados dos produtos são armazenados no banco de dados do sistema de informação; na sequência, são processados para o formato desejado pela empresa e apresentados em forma de relatórios. A empresa pode emitir um relatório filtrando, por produto, por preço, por filial etc. No exemplo, o relatório gera informações de vendas anuais por produto (detergente brite – R$ 9.231,24), informa a quantidade vendida (7.156 unidades), preço de venda unitário (R$ 1,29), e evidencia, ainda, a filial (Mercado n. 122) objeto de análise. Essas informações permitem que a gestão estabeleça metas de vendas, promoções, marketing, descontinuar a venda de um produto ou até mesmo a unidade geradora de lucro (filial). Feito esse entendimento contextual sobre a relação entre dados e informações no ambiente de um sistema de informação organizacional, vamos aos aspectos conceituais, as definições de cada termo, iniciando com dados. A Associação de gerenciamento de dados (Data Management Association – Dama) define dados como a “representação de fatos, como texto, números, gráficos, imagens, som ou vídeo” (Mosley et al., 2009). Definidos, ainda, como objetos do mundo real em um formato que pode ser armazenado, recuperado e processado por um procedimento de software e comunicado por meio de uma rede (Batini; Scannapieco, 2016). Do ponto de vista sistêmico, Stair e Reynolds (2016) definem dados como invariâncias codificadas, definidos como “uma coleção de fatos na forma bruta ou desorganizada, como números ou caracteres, áudio, imagens, vídeos ou qualquer outra forma que possa ser registrado ou armazenado”, conforme apresentado no Quadro 1. 5 Quadro 1 – Tipos de dados DADOS REPRESENTADOS POR: Dados alfanuméricos Números, letras e outros caracteres Dados em áudio Sons, ruídos ou tons Dados em imagem Imagens gráficas e figuras Dados em vídeo Imagens ou figuras em movimento Fonte: Stair; Reynolds, 2016, p. 5. Os dados na sua forma bruta, desordenados e isolados sem um “contexto” não fornecem uma compreensão de um fato ou situação. Para que os dados adicionem valor, precisam ser processados e organizados de maneira lógica e significativa. O contexto inclui elementos dos dados, como períodos, formato, relevância uso (Mosley et al., 2009). A Informação é definida como o significado que resulta do processamento de dados. Stair e Reynolds (2016, p. 174) definem a informação como “uma coleção de dados, processados de modo a gerar valor adicional, que se estende além do valor dos fatos individuais”. Para Mosley et al. (2009), quando os dados são interpretados ou processados continuamente criam informações em diferentes formas que orientam na tomada de decisão. Saiba mais Em 14 de agosto de 2018 foi promulgado a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), com o objetivo de proteger os direitos fundamentais de liberdade e de privacidade e a livre formação da personalidade de cada indivíduo. A LGPD fala sobre o tratamento de dados pessoais, dispostos em meio físico ou digital, feito por pessoa física ou jurídica de direito público ou privado e engloba um amplo conjunto de operações efetuadas em meios manuais ou digitais. Para saber mais, acesse o link sobre a LGPD: . TEMA 2 – CONVERTENDO DADOS EM INFORMAÇÕES A coleta de dados geralmente é realizada em grandes volumes e em formatos que nem sempre são adequados para uso imediato (Pohl, 2001). Sendo assim, é necessário convertê-los por meio de um processo de reformatação digital para torná-los úteis e facilitar a interpretação. https://www.gov.br/esporte/pt-br/acesso-a-informacao/lgpd https://www.gov.br/esporte/pt-br/acesso-a-informacao/lgpd Highlight 6 Um ponto que deve ser considerado no processo de reformatação é a origem dos dados organizacionais. Laudon e Laudon (2023) pontuam que até meados do século XX as organizaçõesproduziam, controlavam e usavam seus próprios dados, denominados como dados internos. No entanto, com o desenvolvimento dos canais de comunicação em razão da consolidação da rede da internet e principalmente das redes sociais, os dados passaram a ser produzidos fora dos domínios das organizações, denominados como dados externos (Laudon; Laudon, 2023). É importante pontuar que as organizações continuam produzindo dados diariamente, no entanto, já não são as únicas geradoras. Como exemplo de dados externos, pode-se considerar a comunicação entre as organizações e seus clientes/consumidores: antes da consolidação das redes sociais as organizações mantinham “controle” dos canais de comunicação institucionais, disponibilizados diretamente no site institucional, ou seja, em caso de dúvida, reclamação, sugestão, o reporte era tratado pela organização, internamente. Contudo, com a popularização das redes sociais, os clientes/consumidores deixaram de utilizar os canais de comunicação oficiais das organizações, compartilhando suas experiências de uso dos produtos ou serviços de forma aberta, com a comunidade em geral, impactando positiva ou negativamente a reputação tanto dos produtos/serviços quanto das organizações. Assim, a integração dos dados internos e externos em formatos adequados se apresentam como um desafio para as organizações, demandando investimentos em estratégias, sistemas e profissionais especialistas em gestão, tratamento e análise de dados. Os dados internos são classificados como dados estruturados, pois, à medida que vão sendo criados por meio das operações organizacionais, são armazenados nos bancos de dados do sistema de informação utilizado pela organização, já alinhados com os parâmetros (relações, contexto) pré-estabelecidos. Por sua vez, os dados externos são classificados como desestruturados, se apresentam dos mais diferentes formatos, como imagens, sons, texto, entre outros, assim, precisam ser reformatados, para que possam ser integrados e utilizados para gerar informação. O Quadro 2 apresenta as características de dados internos e externos. 7 Quadro 2 – Dados internos e externos Dados internos Dados externos Fontes de dados única Múltiplas e heterogêneas fontes de dados Formato conhecido Sem formato específico Banco de dados Redes sociais, blogs, sites Fácil processamento Demanda análise avançada Evolução lenta Evolução rápida e dinâmica Representa os processos da organização Representa os processos e produtos que impactaram os clientes Produzidos pela própria organização Produzidos por qualquer pessoa Qualidade definida pela empresa Qualidade dos dados a ser validada por fontes externas Fonte: Laudon; Laudon, 2023. A conversão de dados em informação requer a definição de processo para estabelecer relações entre os dados para gerar informações úteis, além de conhecimentos especializados (Stair; Reynolds, 2016). Dessa forma, a seleção ou rejeição de dados de acordo com sua relevância para tarefas específicas depende do conhecimento utilizado no processo de converter os dados em informação (Stair; Reynolds, 2016). A conversão de dados em informação se dá em diversas etapas e processos, dependendo da forma como a organização investe em softwares e gestão de banco de dados. Eleutério (2015) apresenta um processo elementar para conversão de dados em informação, constituindo-se em três etapas. Figura 2 – Etapas da conversão de dados em informação Primeira etapa – Filtragem dos dados: os dados são selecionados, estruturados e formatados no formato adequado para análise. Por exemplo: se o 8 objetivo é a avaliação do desempenho de vendas de um determinado produto em uma determinada região, serão descartados todos os dados que não satisfazem estes critérios (Eleutério, 2015). Após esse tratamento, os dados estarão prontos para serem processados. Segunda etapa – Processamento: os dados já tratados serão processados de acordo com os critérios pré-estabelecidos, envolvendo operações aritméticas e estatísticas, como o cálculo de médias, frequências, percentuais, totalizações e sumarizações (Eleutério, 2015). O processamento dos dados em informações, não é visível aos usuários, está inserido na rotina dos softwares especializados. Como exemplo de processamento, Eleutério (2015) apresenta o relatório de resultados, que agrupa receitas e despesas, além de calcular a margem de lucro a cada período. Terceira etapa – Apresentação das informações: após o processamento, a informação será apresentada em um formato compreensível, como relatórios, dashboards, gráficos etc., é útil para que os gestores e usuários possam tomar decisões informadas (Eleutério, 2015). Como exemplo, tem-se a Demonstração de resultado gerencial; com base neste relatório, os tomadores de decisão poderão analisar se obtiveram lucros, quais foram as despesas e custos mais significativos e inferir se a empresa teve ou não um bom desempenho no período analisado. Para ampliar o nível de conhecimentos sobre informações, posteriormente trabalharemos os tipos e o valor da informação. TEMA 3 – INFORMAÇÕES QUANTITATIVAS E QUALITATIVAS As organizações produzem, a partir dos sistemas de informações – softwares de gestão e/ou softwares especialistas (estatísticos, Business Intelligence etc.), pelo menos dois tipos de informações, as quantitativas e as qualitativas. As informações quantitativas são definidas como contáveis ou mensuráveis, obtidas por meio de dados numéricos estruturados (quantidades, valores) que permitem tratamento matemático ou estatístico. A análise de informação quantitativa é baseada na interpretação de dados numéricos, expressando “quanto”, “quantos” ou “com que frequência” um fato ou evento se repete. Permite analisar, por exemplo, com que frequência os clientes compram determinados produtos/serviços, a receita de vendas de um período, a 9 lucratividade de determinados produtos, eficiência produtiva, cumprimento de metas orçamentárias etc. Segue como exemplo de informações quantitativas as informações geradas por entidades especializadas em negócios como a Forbes, que acompanha o desempenho das organizações em termos de receitas, lucros e participação do mercado e, as comparam com outras do mesmo segmento de atuação: A Petrobras foi responsável por seis dos dez maiores lucros, após renovar o seu recorde com os valores de 2022. No ano passado, a empresa lucrou R$ 188,3 bilhões e retomou o primeiro lugar que era da Vale. A mineradora teve um lucro líquido de R$ 121,2 bilhões em 2021 e detinha o primeiro lugar do ranking até então. (Forbes, 2023) A informação quantitativa pode, ainda, ser gerada por meio de tratamentos estatísticos, bem como ser apresentada em termos percentuais, indicadores ou séries temporais. O gráfico publicado pelo Instituto Brasileiro de Estatística e Geografia (IBGE) evidencia em forma de série temporal a variação mensal de preços publicado ao consumidor (IPCA). Estas informações são obtidas por meio de tratamento estatísticos para o cálculo da inflação na Figura 3. Figura 3 - Índice Geral de Preços ao Consumidor (IPCA) O IPCA - Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - aponta a variação do custo de vida médio de famílias com renda mensal de 1 e 40 salários-mínimos. Fonte: IBGE, 2023. As informações quantitativas podem ainda ser apresentadas em termos percentuais, como na Figura 4, o gráfico da Evolução do Produto Interno Bruto (PIB) em termos percentuais de 2010 a 2022. 10 Figura 4 – Gráfico da Evolução do PIB 2010 a 2022 Fonte: FGV, IBGE, G1, 2023. Nas organizações, as informações quantitativas são analisadas e apresentadas em forma de relatórios contábeis e financeiros, dashboards, planilhas e gráficos destacando informações sobre receitas, despesas, variação patrimonial, desempenho e demais informações necessáriaspara o processamento das atividades e tomada de decisão. A análise das informações quantitativas é importante para evidenciar e nortear o processo de tomada de decisão, no entanto, devido a importância dos fatores qualitativos (subjetivos), basear a tomada decisão somente em números pode não ser suficiente para capturar elementos importantes sobre os motivos que geraram tais informações (Render et al., 2010). Assim, destaca-se a importância de conciliar informações quantitativas e qualitativas para subsidiar o processo decisório. As informações qualitativas são definidas como categóricas, não numéricas, de valor subjetivo, implicam a busca de significado das relações causais dos atributos do objeto de análise, constituídas, por exemplo, a partir da percepção de qualidade, grau de satisfação, preferência do consumidor etc. A análise da informação qualitativa está fortemente relacionada com a interpretação dos dados coletados e tratados, bem como com os ajustes dos fatores qualitativos 11 observáveis (tendências de mercado, produtos, clientes, concorrência, entre outros). Segue como exemplo a notícia veiculada no site Valor Investe sobre as empresas que obtiveram maior valorização de suas ações em 2023. Com a segunda maior valorização no ano, de 118,84%, a CSN Mineração teve um excelente ano, basicamente a empresa foi beneficiada pela alta do preço do minério de ferro que atingiu o nível mais alto desde 2022, avalia Alves. “A China teve um primeiro semestre difícil, mas reverteu essa performance ao longo da segunda metade do ano, onde voltou apresentar dados melhores de atividade econômica. Além disso, a CSN Mineração conseguiu converter bastante caixa para o seu acionista que distribuiu em dividendos.” Frederico Nobre, da Warren Investimentos, acrescenta que a CSN Mineração é bem menor que outra companhias do setor, como a Vale, “mas é uma empresa que está com uma produção consistente, custos relativamente controlados e favorecida pela alta do minério”. “É uma empresa redondinha.” (Longo, Valor investe, 2023) Neste exemplo, observa-se que a análise do crescimento de empresas em um segmento ou setor tem como base inicial as informações e dados quantitativos das demonstrações contábeis financeiras. No entanto, esses dados por si só são insuficientes para justificar o desempenho em um determinado período. Portanto, torna-se necessário obter informações qualitativas, tanto internas quanto externas à empresa, para a elaboração de um relatório de análise técnica especializada. No exemplo, o crescimento da empresa CSN Mineração frente às demais empresas do setor foi atribuído à retração do mercado chinês no exercício de 2023 e a avaliação do desempenho operacional da empresa. Levando em consideração o exposto, ao modelar um sistema de informação organizacional, deve-se considerar que os altos escalões – gestão de nível estratégico, demandam não apenas informações quantitativas (numéricas), mas também informações qualitativas que contenham um alto valor agregado, para que se possa obter uma visão global da situação (Laudon; Laudon, 2023; Moresi, 2000). Por outro lado, nos escalões inferiores – gestão de níveis táticos e operacionais, a ênfase recai sobre informações quantitativas de baixo valor agregado, que possibilite a execução eficiente das tarefas rotineiras. Assim, a combinação de informações quantitativas e qualitativas permite uma visão mais abrangente e fundamentada para a tomada de decisões informadas. 12 TEMA 4 – O VALOR E A QUALIDADE DAS INFORMAÇÕES A informação é um dos recursos mais valiosos e críticos de uma organização, aplicada para a definição de produtos e serviços, estabelecimento de objetivos de desempenho, definição de processos operacionais, além do monitoramento do desempenho organizacional, entre outros (Calazans, 2008). Neste contexto, Moore (2019) destaca que as organizações acreditam que uma média de $15 milhões por ano são perdidos devido a decisões ruins tomadas usando dados e informações de baixa qualidade. Assim, a qualidade da informação está diretamente relacionada com a integração e qualidade dos dados utilizados. Isso posto, para determinar a qualidade de uma informação, destaca-se algumas características a serem observadas, conforme a Figura 5. Figura 5 – Características de qualidade Fonte: Jayawardene, 2021. A qualidade da informação é entendida como aptidão para uso ou adequação ao uso (Guedes et al., 2021). No entanto, há algumas considerações quanto à aplicação do termo qualidade devido à subjetividade da aplicação, pois uma informação pode ser adequada para um indivíduo (gestor) em um dado momento, porém, inadequada e dispensável em outras tarefas. Um segundo indivíduo pode ter um entendimento diferente do primeiro, ou seja, considerar a informação totalmente inapta ao uso (Guedes et al., 2021). Como a qualidade depende do ponto da percepção do usurário, a organização deve desenvolver ferramentas gerenciais, com o objetivo de estabelecer métricas e indicadores, que permitam validar a qualidade da informação, tornando-a adequada ao uso. 13 Já a definição de valor da informação está relacionada com a capacidade de uma informação em reduzir a incerteza na tomada de decisão, ao mesmo tempo que procura aumentar a qualidade da decisão (Padoveze, 2019, p. 21). Assim, no intuito de determinar o valor de informação, Stair e Reynolds (2016) e Guedes et al. (2021) listam algumas características que devem ser observadas tanto para modelar um sistema de informação, quanto para o desenvolvimento de métricas ou indicadores de qualidade da informação. Quadro 3 – Características de qualidade que agregam valor à informação INFORMAÇÃO DESCRIÇÃO • Acessível Relaciona-se a disponibilidade das informações ou, se, estas podem ser recuperadas de forma fácil e rápida. • Precisas Livre de erros. Até que ponto os dados são corretos, confiáveis e certificados. • Completas Conter todos os fatos importantes. Por exemplo, um relatório de investimento que não inclua todos os custos relevantes não é completo. • Econômicas Deve ser relativamente econômica para produzir. Os tomadores de decisão devem sempre balancear o valor da informação com o custo para produzi‐la. • Flexíveis Podem ser usadas para diversos propósitos e finalidades. • Relevantes Utilidade da informação para a organização e suas partes interessadas como meio de construção de conhecimento e formação de opiniões, assim como para suporte à tomada de decisões. • Atualizada Está associado à disponibilização das informações em relação a sua data de publicação – tempestividade. • Confiabilidade Uma informação confiável é aquela que pode ser considerada verdadeira, precisa, atual e livre de distorções ou viés significativa, obtida por meio de dados consistentes. • Segura A informação deve estar segura para não ser acessada por usuários não autorizados. • Simples Deve ser simples, não complexa. Uma informação sofisticada e detalhada pode não ser necessária. • Verificável A informação deve ser verificável. Isso significa que se deve checar para certificar‐se de que ela é correta, talvez checando a mesma informação de várias outras fontes. Fonte: Stair; Reynolds, 2016; Padoveze, 2019; Guedes et al., 2021. Para ser valiosa, a informação deve ser precisa, completa e acessível (Padoveze, 2019). Uma decisão baseada em informações imprecisas ou incompletas podem custar milhares ou até mesmo milhões para uma organização. Por exemplo: se uma previsão imprecisa de demanda futura indicar que haverá muitas vendas, quando o oposto é verdadeiro, uma organização pode investir milhões de dólares em uma nova instalação desnecessária (Stair; Reynolds, 2016). 14 Para agregar valor, uma informação, além de relevante, deve ser atualizada, pois uma informação defasada será de pouco valor para aorganização, sem poder para influenciar a tomada de decisão. Deve, ainda, ser simples, pois uma informação sofisticada de difícil entendimento pode dificultar a realização das atividades (Stair; Reynolds, 2016; Guedes et al., 2021). Entre as caraterísticas que podem conferir valor à informação está a confiabilidade, ou seja, deve ser obtida por meio de fontes e dados confiáveis, livre de erros, e passíveis de verificação. Por fim, e não menos importante, a economia, ou seja, o custo-benefício gerado pela informação versus o custo de produzi-la (Padoveze, 2019). Em síntese, os atributos de qualidade e valor de uma informação é subjetivo e intangível, está associado ao contexto, varia de acordo com o tempo, a perspectiva e a capacidade de satisfazer as necessidades dos usuários em uma situação específica (Guedes et al., 2021). TEMA 5 – A HIERARQUIA DO CONHECIMENTO No decurso desta etapa, foram estudadas diversas definições que foram se consolidando intencionalmente até este momento, com o objetivo de apresentar e responder à questão: em que momento um dado se transforma em informação e a informação em conhecimento? 5.1 Pirâmide do Conhecimento – DIKW No domínio dos sistemas de informações, a hierarquia do conhecimento, também conhecida como pirâmide do conhecimento, é um modelo estruturado com o objetivo de esclarecer a definição entre dados, informação e conhecimento e sabedoria em inglês denominado como DIKW (data, information, knowledge and wisdom) e suas transformações (Ardito et al., 2022). A hierarquia DIKW é usada para [...] identificar e descrever os processos envolvidos na transformação de categoria de nível inferior na hierarquia (dados) para uma categoria de nível superior na hierarquia (informações). A suposição implícita é que os dados podem ser usados para criar informações; a informação pode ser usada para criar conhecimento, e o conhecimento pode ser usado para criar sabedoria. (Rowley, 2007). 15 Figura 6 – Pirâmide do conhecimento A DIKW pressupõe que o conhecimento se constitui como uma estrutura importante para representar os “principais níveis de conhecimento” assim como a complexidade da construção de conhecimento da base da pirâmide ao topo, baseada em um conjunto de quatro axiomas conforme exposto na Figura 7. Figura 7 – Axiomas da pirâmide do conhecimento Fonte: Bratianu; Bejinaru, 2023. Na pirâmide DIKW a informação é gerada quando os dados são adicionados a um contexto, formatados e processados para criar sentido e significância com um propósito específico. No contexto organizacional, as informações fluem seja por meio dos sistemas de informações (softwares) ou da interação entre as pessoas. 16 A transição entre informação e conhecimento ocorre quando a informação é transformada, interpretada, analisada e relacionada a outros conhecimentos existentes. Rowell (2007) descreve o conhecimento como “informação acionável” ou informação combinada com compreensão e capacidade. Na estrutura DIKW, o conhecimento ocupa uma posição dominante, é considerado o nível mais valioso. Apesar de subjetivo e complexo, envolve a compreensão das experiências e valores particulares do indivíduo tomador de decisão, o que lhe permite avaliar e incorporar novas experiências e informações. Por fim, a DIKW representa uma simplificação da complexidade do conhecimento e sua dinâmica nos níveis individual e organizacional. A transição entre conhecimento e sabedoria implica julgamento e tomada de decisão (Rowell, 2007). O julgamento é uma “avaliação de uma ou mais possibilidades com relação a um conjunto específico de evidências e objetivos. Na tomada de decisão, podemos julgar se devemos tomar uma opção ou não, ou podemos julgar sua conveniência em relação a outras opções” (Baskarada, 2013). Portanto, a sabedoria está na forma que os indivíduos utilizam o seu conhecimento. Resumindo: a sigla DIKW é uma maneira de entender como as coisas vão se tornando mais valiosas à medida que aprendemos mais sobre elas. 17 TROCANDO IDEIAS A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) n. 13.709/2018 é uma legislação brasileira que visa proteger os direitos individuais relacionados à privacidade e ao tratamento de dados pessoais, e entrou em vigor no Brasil em setembro de 2020. A LGPD estabelece uma série de regras e diretrizes para a coleta, o armazenamento, o processamento e a transferência de dados pessoais, com o objetivo de aumentar a segurança e a privacidade dos cidadãos em relação às suas informações pessoais. De modo geral, a LGPD tem um impacto significativo nas práticas de coleta e uso de dados pessoais por parte de empresas e instituições no Brasil. Com base na LGPD, aborde questões éticas relacionadas à coleta, uso e compartilhamento de dados: Highlight Highlight Highlight Highlight Highlight Highlight Highlight 18 1. Debata sobre privacidade (consentimento e direito dos titulares), segurança de dados e responsabilidade. 2. Para debate considere como exemplo a empresa que trabalha ou que conheça, explanando os tipos de medidas adotados para atender aos requisitos da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e garantir a proteção dos dados pessoais que coletam, processam e armazenam. NA PRÁTICA A qualidade e o valor da informação são características subjetivas e podem variar de acordo com o contexto, o tempo e a perspectiva dos usuários. De acordo com o texto, quais características são essenciais para a qualidade da informação? a) Neutra, completa e relevante; b) Relevante, material e fidedigna; c) Acessível, completa e flexível; d) Barata, clara e relevante. FINALIZANDO Nesta etapa, foram abordadas a definição de dados e informações no contexto do sistema de informação organizacional. Na sequência deste, apresentou-se as medidas necessárias para o processo de conversão de dados e informação, assim como os diferentes tipos de informação gerados e tratados no ambiente organizacional. Com base nesse processo, apresentou-se, ainda, os atributos necessários para validar as informações como úteis e adequadas para o processo de tomada de decisão, sob o enfoque de valor e qualidade. Para consolidar os temas estudados, apresentamos a pirâmide DIKW, uma estrutura que evidencia o conhecimento como um processo, em que as coisas vão se tornando mais valiosas à medida que aprendemos e ampliamos o conhecimento sobre as coisas. 19 REFERÊNCIAS ARDITO, L. et al. Industry 4.0 transition: a systematic literature review combining the absorptive capacity theory and the data–information–knowledge hierarchy. Journal of Knowledge Management, v. 26, n. 9, p. 2222-2254, 2022. BASKARADA, S.; KORONIOS, A. Data, information, knowledge, wisdom (DIKW): A semiotic theoretical and empirical exploration of the hierarchy and its quality dimension. Australasian Journal of Information Systems, v. 18, n. 1, 2013. BRATIANU, C.; BEJINARU, R. From Knowledge to Wisdom: Looking beyond the Knowledge Hierarchy. Knowledge, v. 3, n. 2, p. 196-214, 2023. BATINI, C.; SCANNAPIECO, M. Data and information quality: concepts, methodologies and techniques. Cham: Springer International Publishing, 2016. 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Assim, a letra C é a alternativa correta, pois está alinhada com as características genéricas que se espera de uma informação: c) Acessível, completa e flexível. Conversa inicial Conceitos iniciais Olá! Seja bem-vindo(a)! O objetivo desta etapa consiste em apresentar conhecimentos básicos sobre os componentes básicos de um sistema de informação. Para cumprir este objetivo, vamos tratar dos seguintes temas: Contextualizando Trocando ideias Na prática FINALIZANDO REFERÊNCIAS