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SISTEMA DE INFORMAÇÕES 
CONTÁBEIS E GERENCIAIS 
AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Edenise Aparecida dos Anjos 
Highlight
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Conceitos iniciais 
Olá! Seja bem-vindo(a)! O objetivo desta etapa consiste em apresentar 
conhecimentos básicos sobre os componentes básicos de um sistema de 
informação. 
Para cumprir este objetivo, vamos tratar dos seguintes temas: 
• Diferenças entre dados e informação; 
• Convertendo dados em informações; 
• Informações quantitativas e qualitativas; 
• O valor e a qualidade das informações; 
• A pirâmide do conhecimento. 
CONTEXTUALIZANDO 
Os sistemas de informação tornaram-se parte integrante das atividades 
organizacionais, como contabilidade, finanças, gerenciamento de operações, 
marketing e administração de recursos humanos, entre outras importantes 
funções administrativas (O’brien; Marakas, 2012). São indispensáveis para o 
sucesso organizacional em uma era cada vez mais digital, pois ajudam a coletar, 
processar e armazenar dados de maneira eficiente. 
Além disso, os sistemas de informação podem fornecer informações 
valiosas para o processo de tomada de decisões em todas as hierarquias da 
estrutura de governança de uma organização. Os dados coletados podem ser 
usados para identificar padrões e tendências, auxiliando os gerentes nas tomadas 
de decisão mais informadas e estratégicas. 
Esse estudo tem como objetivo apresentar a importância dos sistemas de 
informação contábeis e gerenciais como uma ferramenta de apoio aos processos 
organizacionais e tomada de decisão. Para começar, vamos dar início aos 
conceitos básicos de sistemas e a construção de informação. 
TEMA 1 – DADOS E INFORMAÇÃO, QUAL A DIFERENÇA? 
Na literatura, a distinção entre dados e informação é parte de um debate 
de longa data. Isso se deve ao fato de o termo “Informação” ser considerado como 
 
 
3 
guarda-chuva, aplicado indiscriminadamente para se referir a “quase tudo”. E, 
com o advento da era digital e do uso intensivo da internet, passou a se referir, 
também, a medidas objetivas de comunicação (McKinney; Yoss, 2019). Dessa 
forma, o uso generalizado do termo Informação contribui para discussões sobre o 
seu real significado. 
As divergências entre dados e informação residem na narrativa do discurso 
humano, no ato de comunicar. No cotidiano, é comum a notificação de que tanto 
as pessoas quanto as organizações estão sobrecarregadas de informação, no 
entanto, sem uma definição clara de contexto, por vezes podem estar se referindo 
a dados ou informação. Para evitar equívocos no entendimento, é importante 
definir um contexto, para aplicar as terminologias de forma correta. 
Nesta etapa, não temos a pretensão de explorar as diversas aplicações 
terminológicas e significados dos termos “dados e informação”, mas esclarecer 
questões pontuais relativas a definições usuais, enquanto medida de 
comunicação posicionando-os no contexto do sistema de informação 
organizacional. 
1.1 Definindo dados e informação 
Antes de apresentar as diferenças conceituais entre dados e informações, 
é preciso situá-los como componentes integrantes de um sistema de informação 
organizacional. Um sistema de Informação pode ser definido tecnicamente como 
um conjunto de componentes inter-relacionados que coletam (ou recuperam), 
processam, armazenam e distribuem informações para apoiar a tomada de 
decisão e o controle em uma organização (Laudon; Laudon, 2023). 
No contexto organizacional, um sistema de informação é vital para a 
manutenção dos negócios, coletando e armazenando dados sobre pessoas, 
processos, produtos, fatos e eventos, gerando informações úteis para apoiar os 
processos de tomada de decisão, coordenação e controle das atividades. A Figura 
1 exemplifica como dados e informação estão relacionados em sistema de 
informação, tomando como exemplo, um supermercado. 
 
 
 
4 
Figura 1 – Dados e informação 
 
Fonte: Laudo; Laudon, 2023, p. 15. 
Na representação da Figura 1, os dados dos produtos são armazenados 
no banco de dados do sistema de informação; na sequência, são processados 
para o formato desejado pela empresa e apresentados em forma de relatórios. A 
empresa pode emitir um relatório filtrando, por produto, por preço, por filial etc. No 
exemplo, o relatório gera informações de vendas anuais por produto (detergente 
brite – R$ 9.231,24), informa a quantidade vendida (7.156 unidades), preço de 
venda unitário (R$ 1,29), e evidencia, ainda, a filial (Mercado n. 122) objeto de 
análise. Essas informações permitem que a gestão estabeleça metas de vendas, 
promoções, marketing, descontinuar a venda de um produto ou até mesmo a 
unidade geradora de lucro (filial). 
Feito esse entendimento contextual sobre a relação entre dados e 
informações no ambiente de um sistema de informação organizacional, vamos 
aos aspectos conceituais, as definições de cada termo, iniciando com dados. 
A Associação de gerenciamento de dados (Data Management Association 
– Dama) define dados como a “representação de fatos, como texto, números, 
gráficos, imagens, som ou vídeo” (Mosley et al., 2009). Definidos, ainda, como 
objetos do mundo real em um formato que pode ser armazenado, recuperado e 
processado por um procedimento de software e comunicado por meio de uma 
rede (Batini; Scannapieco, 2016). 
Do ponto de vista sistêmico, Stair e Reynolds (2016) definem dados como 
invariâncias codificadas, definidos como “uma coleção de fatos na forma bruta 
ou desorganizada, como números ou caracteres, áudio, imagens, vídeos ou 
qualquer outra forma que possa ser registrado ou armazenado”, conforme 
apresentado no Quadro 1. 
 
 
5 
Quadro 1 – Tipos de dados 
DADOS REPRESENTADOS POR: 
Dados alfanuméricos Números, letras e outros caracteres 
Dados em áudio Sons, ruídos ou tons 
Dados em imagem Imagens gráficas e figuras 
Dados em vídeo Imagens ou figuras em movimento 
Fonte: Stair; Reynolds, 2016, p. 5. 
Os dados na sua forma bruta, desordenados e isolados sem um “contexto” 
não fornecem uma compreensão de um fato ou situação. Para que os dados 
adicionem valor, precisam ser processados e organizados de maneira lógica e 
significativa. O contexto inclui elementos dos dados, como períodos, formato, 
relevância uso (Mosley et al., 2009). 
A Informação é definida como o significado que resulta do processamento 
de dados. Stair e Reynolds (2016, p. 174) definem a informação como “uma 
coleção de dados, processados de modo a gerar valor adicional, que se estende 
além do valor dos fatos individuais”. Para Mosley et al. (2009), quando os dados 
são interpretados ou processados continuamente criam informações em 
diferentes formas que orientam na tomada de decisão. 
Saiba mais 
Em 14 de agosto de 2018 foi promulgado a Lei Geral de Proteção de Dados 
Pessoais (LGPD), com o objetivo de proteger os direitos fundamentais de 
liberdade e de privacidade e a livre formação da personalidade de cada indivíduo. 
A LGPD fala sobre o tratamento de dados pessoais, dispostos em meio físico ou 
digital, feito por pessoa física ou jurídica de direito público ou privado e engloba 
um amplo conjunto de operações efetuadas em meios manuais ou digitais. 
Para saber mais, acesse o link sobre a LGPD: . 
TEMA 2 – CONVERTENDO DADOS EM INFORMAÇÕES 
A coleta de dados geralmente é realizada em grandes volumes e em 
formatos que nem sempre são adequados para uso imediato (Pohl, 2001). Sendo 
assim, é necessário convertê-los por meio de um processo de reformatação digital 
para torná-los úteis e facilitar a interpretação. 
https://www.gov.br/esporte/pt-br/acesso-a-informacao/lgpd
https://www.gov.br/esporte/pt-br/acesso-a-informacao/lgpd
Highlight
 
 
6 
Um ponto que deve ser considerado no processo de reformatação é a 
origem dos dados organizacionais. Laudon e Laudon (2023) pontuam que até 
meados do século XX as organizaçõesproduziam, controlavam e usavam seus 
próprios dados, denominados como dados internos. No entanto, com o 
desenvolvimento dos canais de comunicação em razão da consolidação da rede 
da internet e principalmente das redes sociais, os dados passaram a ser 
produzidos fora dos domínios das organizações, denominados como dados 
externos (Laudon; Laudon, 2023). É importante pontuar que as organizações 
continuam produzindo dados diariamente, no entanto, já não são as únicas 
geradoras. 
Como exemplo de dados externos, pode-se considerar a comunicação 
entre as organizações e seus clientes/consumidores: antes da consolidação das 
redes sociais as organizações mantinham “controle” dos canais de comunicação 
institucionais, disponibilizados diretamente no site institucional, ou seja, em caso 
de dúvida, reclamação, sugestão, o reporte era tratado pela organização, 
internamente. Contudo, com a popularização das redes sociais, os 
clientes/consumidores deixaram de utilizar os canais de comunicação oficiais das 
organizações, compartilhando suas experiências de uso dos produtos ou serviços 
de forma aberta, com a comunidade em geral, impactando positiva ou 
negativamente a reputação tanto dos produtos/serviços quanto das organizações. 
Assim, a integração dos dados internos e externos em formatos adequados 
se apresentam como um desafio para as organizações, demandando 
investimentos em estratégias, sistemas e profissionais especialistas em gestão, 
tratamento e análise de dados. Os dados internos são classificados como dados 
estruturados, pois, à medida que vão sendo criados por meio das operações 
organizacionais, são armazenados nos bancos de dados do sistema de 
informação utilizado pela organização, já alinhados com os parâmetros (relações, 
contexto) pré-estabelecidos. 
Por sua vez, os dados externos são classificados como desestruturados, 
se apresentam dos mais diferentes formatos, como imagens, sons, texto, entre 
outros, assim, precisam ser reformatados, para que possam ser integrados e 
utilizados para gerar informação. O Quadro 2 apresenta as características de 
dados internos e externos. 
 
 
 
7 
Quadro 2 – Dados internos e externos 
Dados internos Dados externos 
Fontes de dados única Múltiplas e heterogêneas fontes de dados 
Formato conhecido Sem formato específico 
Banco de dados Redes sociais, blogs, sites 
Fácil processamento Demanda análise avançada 
Evolução lenta Evolução rápida e dinâmica 
Representa os processos da 
organização 
Representa os processos e produtos que impactaram 
os clientes 
Produzidos pela própria organização Produzidos por qualquer pessoa 
Qualidade definida pela empresa Qualidade dos dados a ser validada por fontes 
externas 
Fonte: Laudon; Laudon, 2023. 
A conversão de dados em informação requer a definição de processo para 
estabelecer relações entre os dados para gerar informações úteis, além de 
conhecimentos especializados (Stair; Reynolds, 2016). Dessa forma, a seleção ou 
rejeição de dados de acordo com sua relevância para tarefas específicas depende 
do conhecimento utilizado no processo de converter os dados em informação 
(Stair; Reynolds, 2016). 
A conversão de dados em informação se dá em diversas etapas e 
processos, dependendo da forma como a organização investe em softwares e 
gestão de banco de dados. Eleutério (2015) apresenta um processo elementar 
para conversão de dados em informação, constituindo-se em três etapas. 
Figura 2 – Etapas da conversão de dados em informação 
 
Primeira etapa – Filtragem dos dados: os dados são selecionados, 
estruturados e formatados no formato adequado para análise. Por exemplo: se o 
 
 
8 
objetivo é a avaliação do desempenho de vendas de um determinado produto em 
uma determinada região, serão descartados todos os dados que não satisfazem 
estes critérios (Eleutério, 2015). Após esse tratamento, os dados estarão prontos 
para serem processados. 
Segunda etapa – Processamento: os dados já tratados serão 
processados de acordo com os critérios pré-estabelecidos, envolvendo operações 
aritméticas e estatísticas, como o cálculo de médias, frequências, percentuais, 
totalizações e sumarizações (Eleutério, 2015). O processamento dos dados em 
informações, não é visível aos usuários, está inserido na rotina dos softwares 
especializados. Como exemplo de processamento, Eleutério (2015) apresenta o 
relatório de resultados, que agrupa receitas e despesas, além de calcular a 
margem de lucro a cada período. 
Terceira etapa – Apresentação das informações: após o 
processamento, a informação será apresentada em um formato compreensível, 
como relatórios, dashboards, gráficos etc., é útil para que os gestores e usuários 
possam tomar decisões informadas (Eleutério, 2015). Como exemplo, tem-se a 
Demonstração de resultado gerencial; com base neste relatório, os tomadores de 
decisão poderão analisar se obtiveram lucros, quais foram as despesas e custos 
mais significativos e inferir se a empresa teve ou não um bom desempenho no 
período analisado. 
Para ampliar o nível de conhecimentos sobre informações, posteriormente 
trabalharemos os tipos e o valor da informação. 
TEMA 3 – INFORMAÇÕES QUANTITATIVAS E QUALITATIVAS 
As organizações produzem, a partir dos sistemas de informações – 
softwares de gestão e/ou softwares especialistas (estatísticos, Business 
Intelligence etc.), pelo menos dois tipos de informações, as quantitativas e as 
qualitativas. 
As informações quantitativas são definidas como contáveis ou 
mensuráveis, obtidas por meio de dados numéricos estruturados (quantidades, 
valores) que permitem tratamento matemático ou estatístico. A análise de 
informação quantitativa é baseada na interpretação de dados numéricos, 
expressando “quanto”, “quantos” ou “com que frequência” um fato ou evento se 
repete. Permite analisar, por exemplo, com que frequência os clientes compram 
determinados produtos/serviços, a receita de vendas de um período, a 
 
 
9 
lucratividade de determinados produtos, eficiência produtiva, cumprimento de 
metas orçamentárias etc. 
Segue como exemplo de informações quantitativas as informações geradas 
por entidades especializadas em negócios como a Forbes, que acompanha o 
desempenho das organizações em termos de receitas, lucros e participação do 
mercado e, as comparam com outras do mesmo segmento de atuação: 
A Petrobras foi responsável por seis dos dez maiores lucros, após 
renovar o seu recorde com os valores de 2022. No ano passado, a 
empresa lucrou R$ 188,3 bilhões e retomou o primeiro lugar que era da 
Vale. A mineradora teve um lucro líquido de R$ 121,2 bilhões em 2021 
e detinha o primeiro lugar do ranking até então. (Forbes, 2023) 
A informação quantitativa pode, ainda, ser gerada por meio de tratamentos 
estatísticos, bem como ser apresentada em termos percentuais, indicadores ou 
séries temporais. O gráfico publicado pelo Instituto Brasileiro de Estatística e 
Geografia (IBGE) evidencia em forma de série temporal a variação mensal de 
preços publicado ao consumidor (IPCA). Estas informações são obtidas por meio 
de tratamento estatísticos para o cálculo da inflação na Figura 3. 
Figura 3 - Índice Geral de Preços ao Consumidor (IPCA) 
 
O IPCA - Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - aponta a variação do custo de vida 
médio de famílias com renda mensal de 1 e 40 salários-mínimos. 
Fonte: IBGE, 2023. 
As informações quantitativas podem ainda ser apresentadas em termos 
percentuais, como na Figura 4, o gráfico da Evolução do Produto Interno Bruto 
(PIB) em termos percentuais de 2010 a 2022. 
 
 
 
10 
Figura 4 – Gráfico da Evolução do PIB 2010 a 2022 
 
Fonte: FGV, IBGE, G1, 2023. 
Nas organizações, as informações quantitativas são analisadas e 
apresentadas em forma de relatórios contábeis e financeiros, dashboards, 
planilhas e gráficos destacando informações sobre receitas, despesas, variação 
patrimonial, desempenho e demais informações necessáriaspara o 
processamento das atividades e tomada de decisão. 
A análise das informações quantitativas é importante para evidenciar e 
nortear o processo de tomada de decisão, no entanto, devido a importância dos 
fatores qualitativos (subjetivos), basear a tomada decisão somente em números 
pode não ser suficiente para capturar elementos importantes sobre os motivos 
que geraram tais informações (Render et al., 2010). Assim, destaca-se a 
importância de conciliar informações quantitativas e qualitativas para subsidiar o 
processo decisório. 
As informações qualitativas são definidas como categóricas, não 
numéricas, de valor subjetivo, implicam a busca de significado das relações 
causais dos atributos do objeto de análise, constituídas, por exemplo, a partir da 
percepção de qualidade, grau de satisfação, preferência do consumidor etc. A 
análise da informação qualitativa está fortemente relacionada com a interpretação 
dos dados coletados e tratados, bem como com os ajustes dos fatores qualitativos 
 
 
11 
observáveis (tendências de mercado, produtos, clientes, concorrência, entre 
outros). Segue como exemplo a notícia veiculada no site Valor Investe sobre as 
empresas que obtiveram maior valorização de suas ações em 2023. 
Com a segunda maior valorização no ano, de 118,84%, a CSN 
Mineração teve um excelente ano, basicamente a empresa foi 
beneficiada pela alta do preço do minério de ferro que atingiu o nível 
mais alto desde 2022, avalia Alves. “A China teve um primeiro semestre 
difícil, mas reverteu essa performance ao longo da segunda metade do 
ano, onde voltou apresentar dados melhores de atividade econômica. 
Além disso, a CSN Mineração conseguiu converter bastante caixa para 
o seu acionista que distribuiu em dividendos.” 
Frederico Nobre, da Warren Investimentos, acrescenta que a CSN 
Mineração é bem menor que outra companhias do setor, como a Vale, 
“mas é uma empresa que está com uma produção consistente, custos 
relativamente controlados e favorecida pela alta do minério”. “É uma 
empresa redondinha.” (Longo, Valor investe, 2023) 
Neste exemplo, observa-se que a análise do crescimento de empresas em 
um segmento ou setor tem como base inicial as informações e dados quantitativos 
das demonstrações contábeis financeiras. No entanto, esses dados por si só são 
insuficientes para justificar o desempenho em um determinado período. Portanto, 
torna-se necessário obter informações qualitativas, tanto internas quanto externas 
à empresa, para a elaboração de um relatório de análise técnica especializada. 
No exemplo, o crescimento da empresa CSN Mineração frente às demais 
empresas do setor foi atribuído à retração do mercado chinês no exercício de 2023 
e a avaliação do desempenho operacional da empresa. 
Levando em consideração o exposto, ao modelar um sistema de 
informação organizacional, deve-se considerar que os altos escalões – gestão de 
nível estratégico, demandam não apenas informações quantitativas (numéricas), 
mas também informações qualitativas que contenham um alto valor agregado, 
para que se possa obter uma visão global da situação (Laudon; Laudon, 2023; 
Moresi, 2000). Por outro lado, nos escalões inferiores – gestão de níveis táticos e 
operacionais, a ênfase recai sobre informações quantitativas de baixo valor 
agregado, que possibilite a execução eficiente das tarefas rotineiras. 
Assim, a combinação de informações quantitativas e qualitativas permite 
uma visão mais abrangente e fundamentada para a tomada de decisões 
informadas. 
 
 
 
 
12 
TEMA 4 – O VALOR E A QUALIDADE DAS INFORMAÇÕES 
A informação é um dos recursos mais valiosos e críticos de uma 
organização, aplicada para a definição de produtos e serviços, estabelecimento 
de objetivos de desempenho, definição de processos operacionais, além do 
monitoramento do desempenho organizacional, entre outros (Calazans, 2008). 
Neste contexto, Moore (2019) destaca que as organizações acreditam que uma 
média de $15 milhões por ano são perdidos devido a decisões ruins tomadas 
usando dados e informações de baixa qualidade. 
Assim, a qualidade da informação está diretamente relacionada com a 
integração e qualidade dos dados utilizados. Isso posto, para determinar a 
qualidade de uma informação, destaca-se algumas características a serem 
observadas, conforme a Figura 5. 
Figura 5 – Características de qualidade 
 
Fonte: Jayawardene, 2021. 
A qualidade da informação é entendida como aptidão para uso ou 
adequação ao uso (Guedes et al., 2021). No entanto, há algumas considerações 
quanto à aplicação do termo qualidade devido à subjetividade da aplicação, pois 
uma informação pode ser adequada para um indivíduo (gestor) em um dado 
momento, porém, inadequada e dispensável em outras tarefas. Um segundo 
indivíduo pode ter um entendimento diferente do primeiro, ou seja, considerar a 
informação totalmente inapta ao uso (Guedes et al., 2021). Como a qualidade 
depende do ponto da percepção do usurário, a organização deve desenvolver 
ferramentas gerenciais, com o objetivo de estabelecer métricas e indicadores, que 
permitam validar a qualidade da informação, tornando-a adequada ao uso. 
 
 
13 
Já a definição de valor da informação está relacionada com a capacidade 
de uma informação em reduzir a incerteza na tomada de decisão, ao mesmo 
tempo que procura aumentar a qualidade da decisão (Padoveze, 2019, p. 21). 
Assim, no intuito de determinar o valor de informação, Stair e Reynolds (2016) e 
Guedes et al. (2021) listam algumas características que devem ser observadas 
tanto para modelar um sistema de informação, quanto para o desenvolvimento de 
métricas ou indicadores de qualidade da informação. 
Quadro 3 – Características de qualidade que agregam valor à informação 
 
INFORMAÇÃO DESCRIÇÃO 
• Acessível 
Relaciona-se a disponibilidade das informações ou, se, estas podem ser 
recuperadas de forma fácil e rápida. 
• Precisas Livre de erros. Até que ponto os dados são corretos, confiáveis e 
certificados. 
• Completas 
Conter todos os fatos importantes. Por exemplo, um relatório de 
investimento que não inclua todos os custos relevantes não é completo. 
• Econômicas 
Deve ser relativamente econômica para produzir. Os tomadores de 
decisão devem sempre balancear o valor da informação com o custo 
para produzi‐la. 
• Flexíveis Podem ser usadas para diversos propósitos e finalidades. 
• Relevantes 
Utilidade da informação para a organização e suas partes interessadas 
como meio de construção de conhecimento e formação de opiniões, 
assim como para suporte à tomada de decisões. 
• Atualizada 
Está associado à disponibilização das informações em relação a sua 
data de publicação – tempestividade. 
• Confiabilidade 
Uma informação confiável é aquela que pode ser considerada 
verdadeira, precisa, atual e livre de distorções ou viés significativa, 
obtida por meio de dados consistentes. 
• Segura 
A informação deve estar segura para não ser acessada por usuários não 
autorizados. 
• Simples 
Deve ser simples, não complexa. Uma informação sofisticada e 
detalhada pode não ser necessária. 
• Verificável 
A informação deve ser verificável. Isso significa que se deve checar para 
certificar‐se de que ela é correta, talvez checando a mesma informação 
de várias outras fontes. 
Fonte: Stair; Reynolds, 2016; Padoveze, 2019; Guedes et al., 2021. 
Para ser valiosa, a informação deve ser precisa, completa e acessível 
(Padoveze, 2019). Uma decisão baseada em informações imprecisas ou 
incompletas podem custar milhares ou até mesmo milhões para uma organização. 
Por exemplo: se uma previsão imprecisa de demanda futura indicar que haverá 
muitas vendas, quando o oposto é verdadeiro, uma organização pode investir 
milhões de dólares em uma nova instalação desnecessária (Stair; Reynolds, 
2016). 
 
 
14 
Para agregar valor, uma informação, além de relevante, deve ser 
atualizada, pois uma informação defasada será de pouco valor para aorganização, sem poder para influenciar a tomada de decisão. Deve, ainda, ser 
simples, pois uma informação sofisticada de difícil entendimento pode dificultar a 
realização das atividades (Stair; Reynolds, 2016; Guedes et al., 2021). 
Entre as caraterísticas que podem conferir valor à informação está a 
confiabilidade, ou seja, deve ser obtida por meio de fontes e dados confiáveis, 
livre de erros, e passíveis de verificação. Por fim, e não menos importante, a 
economia, ou seja, o custo-benefício gerado pela informação versus o custo de 
produzi-la (Padoveze, 2019). 
Em síntese, os atributos de qualidade e valor de uma informação é subjetivo 
e intangível, está associado ao contexto, varia de acordo com o tempo, a 
perspectiva e a capacidade de satisfazer as necessidades dos usuários em uma 
situação específica (Guedes et al., 2021). 
TEMA 5 – A HIERARQUIA DO CONHECIMENTO 
No decurso desta etapa, foram estudadas diversas definições que foram se 
consolidando intencionalmente até este momento, com o objetivo de apresentar e 
responder à questão: em que momento um dado se transforma em informação 
e a informação em conhecimento? 
5.1 Pirâmide do Conhecimento – DIKW 
No domínio dos sistemas de informações, a hierarquia do conhecimento, 
também conhecida como pirâmide do conhecimento, é um modelo estruturado 
com o objetivo de esclarecer a definição entre dados, informação e conhecimento 
e sabedoria em inglês denominado como DIKW (data, information, knowledge and 
wisdom) e suas transformações (Ardito et al., 2022). 
A hierarquia DIKW é usada para 
[...] identificar e descrever os processos envolvidos na transformação de 
categoria de nível inferior na hierarquia (dados) para uma categoria de 
nível superior na hierarquia (informações). A suposição implícita é que 
os dados podem ser usados para criar informações; a informação pode 
ser usada para criar conhecimento, e o conhecimento pode ser usado 
para criar sabedoria. (Rowley, 2007). 
 
 
 
15 
Figura 6 – Pirâmide do conhecimento 
 
A DIKW pressupõe que o conhecimento se constitui como uma estrutura 
importante para representar os “principais níveis de conhecimento” assim como a 
complexidade da construção de conhecimento da base da pirâmide ao topo, 
baseada em um conjunto de quatro axiomas conforme exposto na Figura 7. 
Figura 7 – Axiomas da pirâmide do conhecimento 
 
Fonte: Bratianu; Bejinaru, 2023. 
Na pirâmide DIKW a informação é gerada quando os dados são 
adicionados a um contexto, formatados e processados para criar sentido e 
significância com um propósito específico. No contexto organizacional, as 
informações fluem seja por meio dos sistemas de informações (softwares) ou da 
interação entre as pessoas. 
 
 
16 
A transição entre informação e conhecimento ocorre quando a informação 
é transformada, interpretada, analisada e relacionada a outros conhecimentos 
existentes. Rowell (2007) descreve o conhecimento como “informação acionável” 
ou informação combinada com compreensão e capacidade. 
Na estrutura DIKW, o conhecimento ocupa uma posição dominante, é 
considerado o nível mais valioso. Apesar de subjetivo e complexo, envolve a 
compreensão das experiências e valores particulares do indivíduo tomador de 
decisão, o que lhe permite avaliar e incorporar novas experiências e informações. 
Por fim, a DIKW representa uma simplificação da complexidade do conhecimento 
e sua dinâmica nos níveis individual e organizacional. 
A transição entre conhecimento e sabedoria implica julgamento e tomada 
de decisão (Rowell, 2007). O julgamento é uma “avaliação de uma ou mais 
possibilidades com relação a um conjunto específico de evidências e objetivos. 
Na tomada de decisão, podemos julgar se devemos tomar uma opção ou não, ou 
podemos julgar sua conveniência em relação a outras opções” (Baskarada, 2013). 
Portanto, a sabedoria está na forma que os indivíduos utilizam o seu 
conhecimento. 
Resumindo: a sigla DIKW é uma maneira de entender como as coisas vão 
se tornando mais valiosas à medida que aprendemos mais sobre elas. 
 
 
17 
 
TROCANDO IDEIAS 
A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) n. 13.709/2018 é uma legislação 
brasileira que visa proteger os direitos individuais relacionados à privacidade e ao 
tratamento de dados pessoais, e entrou em vigor no Brasil em setembro de 2020. 
A LGPD estabelece uma série de regras e diretrizes para a coleta, o 
armazenamento, o processamento e a transferência de dados pessoais, com o 
objetivo de aumentar a segurança e a privacidade dos cidadãos em relação às 
suas informações pessoais. De modo geral, a LGPD tem um impacto significativo 
nas práticas de coleta e uso de dados pessoais por parte de empresas e 
instituições no Brasil. 
Com base na LGPD, aborde questões éticas relacionadas à coleta, uso e 
compartilhamento de dados: 
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1. Debata sobre privacidade (consentimento e direito dos titulares), segurança 
de dados e responsabilidade. 
2. Para debate considere como exemplo a empresa que trabalha ou que 
conheça, explanando os tipos de medidas adotados para atender aos 
requisitos da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e garantir a proteção 
dos dados pessoais que coletam, processam e armazenam. 
NA PRÁTICA 
A qualidade e o valor da informação são características subjetivas e podem 
variar de acordo com o contexto, o tempo e a perspectiva dos usuários. 
De acordo com o texto, quais características são essenciais para a qualidade da 
informação? 
a) Neutra, completa e relevante; 
b) Relevante, material e fidedigna; 
c) Acessível, completa e flexível; 
d) Barata, clara e relevante. 
FINALIZANDO 
Nesta etapa, foram abordadas a definição de dados e informações no 
contexto do sistema de informação organizacional. Na sequência deste, 
apresentou-se as medidas necessárias para o processo de conversão de dados 
e informação, assim como os diferentes tipos de informação gerados e tratados 
no ambiente organizacional. Com base nesse processo, apresentou-se, ainda, os 
atributos necessários para validar as informações como úteis e adequadas para o 
processo de tomada de decisão, sob o enfoque de valor e qualidade. 
Para consolidar os temas estudados, apresentamos a pirâmide DIKW, uma 
estrutura que evidencia o conhecimento como um processo, em que as coisas vão 
se tornando mais valiosas à medida que aprendemos e ampliamos o 
conhecimento sobre as coisas. 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
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Disponível em: . Acesso em: 5 set. 2023. 
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GABARITO 
Gabarito: as alternativas (a) e (b) estão incorretas, versam sobre as 
características qualitativas da informação contábil de acordo com o CPC 00 R2 de 
2019. A letra (d) está incorreta porque o termo “barata” não está listado no 
material. 
Assim, a letra C é a alternativa correta, pois está alinhada com as características 
genéricas que se espera de uma informação: c) Acessível, completa e flexível. 
	Conversa inicial
	Conceitos iniciais
	Olá! Seja bem-vindo(a)! O objetivo desta etapa consiste em apresentar conhecimentos básicos sobre os componentes básicos de um sistema de informação.
	Para cumprir este objetivo, vamos tratar dos seguintes temas:
	Contextualizando
	Trocando ideias
	Na prática
	FINALIZANDO
	REFERÊNCIAS

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