A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
21 pág.
Direito Civil - Obrigações

Pré-visualização | Página 1 de 5

Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais 
Campus Poços de Caldas 
Curso de Direito 
DIREITO CIVIL I – Cristiano Medeiros/2013 
 
 
NOÇÕES INTRODUTÓRIAS/ CONCEITO E IMPORTÂNCIA DO DIREITO 
DAS OBRIGAÇÕES 
1) CONCEITO: O estudo do direito civil envolve uma gama extremamente extensa 
de conhecimentos especializados, abrangendo todas as relações e situações jurídicas 
realizadas antes mesmo do surgimento da pessoa (natural ou jurídica), até depois de seu 
perecimento (morte ou falência/ dissolução). 
Por isso, as codificações modernas têm apresentado uma divisão didática das matérias, 
estabelecendo uma parte geral e outra parte especial, que agrupam regras particulares, 
sistematizadas em função da natureza peculiar das relações jurídicas a que se destinam 
abranger. 
O direito das obrigações, portanto, consta da parte especial do Código Civil e constitui o 
mais lógico e refratário a mudanças, de todos os ramos do direito. Embora não seja 
imutável, as alterações de valores, hábitos e costumes sociais não são capazes de influir em 
sua substância, tal como no direito de família por exemplo. 
Pode ser conceituado como conjunto de normas e princípios jurídicos reguladores das relações 
patrimoniais entre um credor (sujeito ativo) e um devedor (sujeito passivo) a quem incumbem o dever de 
cumprir espontânea ou coativamente, uma prestações de dar, fazer ou não fazer. 
Etimologicamente, a palavra obrigação vem do vocábulo latino obrigare – ob + ligatio – que 
significa “ligar”, “atar”, “unir”, impor um determinado compromisso. 
O Código Civil não definiu obrigação (diferentemente do Código Português que o fez em 
seu art. 397), deixando a tarefa conceitual a cargo da doutrina. 
Embora a expressão comporte diferentes significados, em sentido técnico-jurídico pode-se 
afirmar ser a relação jurídica transitória, que estabelece vinculo jurídico entre duas 
diferentes partes, denominadas credor e devedor, cujo objeto é uma prestação 
pessoal, positiva ou negativa, de cumprimento garantido, sob pena de coerção 
judicial. 
 
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais 
Campus Poços de Caldas 
Curso de Direito 
DIREITO CIVIL I – Cristiano Medeiros/2013 
 
 
HISTORICIDADE 
Na Grécia antiga o mais próximo que se chegou da noção de obrigação(ões) foi reflexão de 
Aristóteles, que dividiu as relações obrigatórias em dois tipos, a saber, as voluntárias 
(decorrentes de um acordo entre duas pessoas) e as involuntárias (resultantes da prática de 
um ato ilícito) – às involuntárias subdividiu em atos ilícitos cometidos “às escondidas” e 
atos ilícitos decorrentes de violência. 
Já no Direito Romano, também não se conhecia a expressão obrigação, mas seu equivalente 
histórico teria sido a figura do nexum – espécie de contrato – que conferia ao credor o 
poder de exigir do devedor o cumprimento da obrigação entabulada, sob pena de 
responder com seu próprio corpo, podendo ser reduzido, inclusive, à condição de 
escravo, o que se realizava por meio da actio per manus iniectionem (ação pela qual o credor 
poderia vender o devedor como escravo). 
Como se nota, o vínculo obrigacional incidia sobre a pessoa do devedor e a substituição 
para se fazer recair a execução da prestação sobre o seu patrimônio parece ter sido lenta e 
ditada pelas necessidades de evolução da própria sociedade romana. 
Silvio de Salvo Venosa afirma que a lei romana suprimiu a manus iniectio no século IV a.C, 
porque, ao que tudo indica, o instituto já estava em desuso na época. 
Dentre o povo hebreu, também há registros da actio iniectio no século VIII a.C, relatada no 
livro de II Reis, cap. 3, versículo 4. 
Daí pode-se concluir que o traço diferencial marcante entre as reminiscências históricas do 
conceito de obrigação e sua concepção moderna está no seu CONTEÚDO 
ECONÔMICO, visto que hodiernamente a garantia das obrigações contraídas não mais 
repousa sobre a pessoa do devedor, mas sobre seu patrimônio – art. 391 CC brasileiro – 
Princípio da Responsabilidade Patrimonial. 
 
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais 
Campus Poços de Caldas 
Curso de Direito 
DIREITO CIVIL I – Cristiano Medeiros/2013 
 
 
Tal modificação enfatiza a dignidade humana e ao mesmo tempo retira da pessoa do 
devedor a importância central da obrigação, permitindo, desse modo, a sua 
transmissibilidade (art. 286 CC), para que outra pessoa, diversa do sujeito passivo, passe a 
figurar como devedor em seu lugar. 
O Código de Napoleão de 1.804 – Código Civil Francês – consagrou em seu art. 2.093 que 
“os bens do devedor são a garantia comum de seus credores”. 
CAMPO DO DIREITO DAS OBRIGAÇÕES 
Não é qualquer espécie de direito que integra as relações jurídicas obrigacionais, mas 
exclusivamente os direitos passíveis de circulação jurídica; de conteúdo econômico (direitos 
de crédito). 
Portanto, ficam de pronto descartados os direitos da personalidade: vida/ nome/ estado 
da pessoa. 
Os mencionados direitos de crédito são de natureza essencialmente PESSOAL e não se 
confundem com os direitos reais em geral. 
Desse modo, se dois sujeitos celebram contrato, passando a ser credor e devedor, um do 
outro, diz-se que o credor possui um direito pessoal de crédito exercitável contra o devedor, a 
quem o negócio jurídico celebrado impõe o dever de prestar uma obrigação de dar, fazer 
ou não fazer. 
Isso significa que não existe uma pretensão de natureza REAL no crédito formado, que 
outorgue ao credor poderes de proprietário em relação à coisa à atividade objeto da relação 
ou mesmo, à pessoa do devedor. (exemplo do restaurante) 
Há que se enfatizar que o credor não possui direito real de propriedade sobre a prestação 
devida, mas tão somente direito pessoal de crédito, que se traduz numa pretensão, 
juridicamente tutelada, de se exigir pela via judicial o cumprimento da prestação devida 
pelo devedor. (exemplo do $ no bolso) 
 
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais 
Campus Poços de Caldas 
Curso de Direito 
DIREITO CIVIL I – Cristiano Medeiros/2013 
 
 
Em apertada síntese, quer-se dizer que o cumprimento da prestação, e não a coisa em si, 
constitui o objeto imediato da obrigação e por conseguinte, do próprio direito de crédito – 
O QUE EQUIVALE A DIZER QUE OS DIREITOS REAIS SÃO TRATADOS PELO 
DIREITO DAS COISAS, ENQUANTO OS DIREITOS DE CRÉDITO (PESSOAIS) 
SÃO O ESTRITO OBJETO DE ESTUDO DO DIREITO DAS OBRIGAÇÕES. 
DISTINÇÃO ENTRE DIREITOS REAIS E DIREITOS PESSOAIS 
Em linhas iniciais, o direito real é aquele que afeta a coisa direta e imediatamente, sob 
todos ou certos aspectos e a segue em poder de quem quer que a detenha. Em 
contrapartida, o direito pessoal é o direito contra determinada pessoa. 
Real é o direito que traduz o poder jurídico direto de uma pessoa sobre uma coisa, 
submetendo-a em todos ou em certos aspectos. 
Para o seu exercício a figura de outro sujeito (pessoa) é absolutamente PRESCINDÍVEL – 
ou seja, a figura do sujeito passivo é despicienda. p. ex. O dono de um bem móvel ou 
bem imóvel exerce seu direito de propriedade independente da interferência de outrem, 
pois a sua existência é independente de qualquer obrigação. 
Para os direitos reais, tanto o sujeito passivo, quanto suas correspondentes obrigações 
somente surgem diante da efetiva violação ou ameaça concreta de lesão, momento a 
partir do qual o infrator do direito terá o dever de reparar o status quo ante ou, não 
havendo efetiva lesão, abster-se da prática de qualquer ato danoso, sob pena de ser 
civilmente responsabilizado. 
Daí se dizer que o sujeito passivo de uma obrigação de natureza real é a coletividade em 
geral, a quem é oposta um dever geral de abstenção, dada a sua oponibilidade erga omnes, 
sendo efetivamente determinado o sujeito somente após a violação do direito. 
Características distintivas dos direitos reais: 
 
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais 
Campus Poços de Caldas 
Curso de Direito 
DIREITO CIVIL