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Conteudista: Prof.ª Dra. Adriana Beatriz Botto Alves Vianna | Prof. Me. Bruno Pinheiro Ribeiro Revisão Textual: Esp. Lara Pio de Almeida Objetivos da Unidade: Refletir sobre a complexidade de lidar com as diferenças e com as pessoas com deficiência; Reconhecer os indivíduos como tais, a partir de suas potências, e não a partir das diferenças e das deficiências que eles apresentam, como se isso fosse um limite; Discutir os estigmas internalizados pelo corpo social que geram discriminação e preconceito para com as pessoas com diferenças e deficiências em relação à norma de conduta social; Estabelecer parâmetros para a definição de deficiência, as modalidades e os níveis de prevenção (primária, secundária e terciária), bem como a atuação do profissional da área de educação. ˨ Material Teórico Identificando as Deficiências e suas Necessidades Educacionais ˨ Material Complementar ˨ Referências Como Enxergamos a Deficiência? Estar diante da deficiência nos coloca diante das nossas próprias limitações. Geralmente, mantemos uma postura defensiva e acionamos os mecanismos de defesa, como forma de nos protegermos diante do desconhecido ou da ameaça da imperfeição ou da deficiência, que tememos que possa nos atingir. Os conceitos, em geral, são produzidos em contato com o conhecimento científico de sua época e com as condições de vida social e cultural das sociedades em questão. Esse processo leva em consideração fatores econômicos, sociais, culturais e históricos. Não é incomum, por exemplo, que as pessoas enxerguem a deficiência intelectual por meio da ótica da limitação, entendendo essa questão a partir do que supostamente as pessoas com deficiência não são capazes de fazer, dando ênfase, portanto, às dificuldades. Essa conceituação tem vínculo histórico com um sistema de crenças antigo, que era sustentando, dentre outras causas, por compêndios médicos que descreviam a deficiência intelectual como limitadora dos sujeitos, que enfatizavam um déficit cognitivo apresentado e que projetavam como consequência a incapacidade de adaptação desse indivíduo nos círculos sociais de aprendizado. Esse conceito é marcado por uma expectativa de normatização da sociedade e de seus indivíduos. Há, nessa perspectiva, uma forte homogeneização social, que cria tipos e modelos a serem seguidos, e que condiciona o comportamento, os hábitos e a cultura, de modo geral. 1 / 3 ˨ Material Teórico Esse processo normativo tende, portanto, a criar cisões sociais e processos discriminatórios, na medida em que classifica e qualifica indivíduos como normais e outros como fora dos padrões dessa normalidade. Figura 1 – Desenho de Mulher se olhando no espelho Fonte: Getty Images Ter uma deficiência não é o fator preponderante que torna difícil a existência do indivíduo, permeada invariavelmente por situações nas quais estão presentes o preconceito e o estigma. Nesse sentido, voltamos a questionar como lidar com as atitudes sociais que adotam formas de classificação para distinguir e separar as pessoas, categorizando-as entre duas posições opostas – capazes e incapazes, rápidos e lentos ou competentes e incompetentes? Perfeitos e imperfeitos? Nesse sentido, o desconhecimento é a matéria-prima do preconceito, que contribui de forma considerável para a manutenção das atitudes preconceituosas e das leituras estereotipadas, tanto acerca das diferenças quanto das deficiências, gerando distorções em relação à deficiência Glossário Estigma (Sociologia): no discurso sociológico, o conceito de estigma assume quase sempre o significado que Erving Go�man (1922-82) lhe atribuiu na obra Stigma – Notes on the Management of Spoiled Identity, de 1963. O termo estigma, entre os antigos gregos, designava "sinais corporais com os quais se procurava evidenciar alguma coisa de extraordinário ou de mau acerca do estatuto moral de quem os apresentava"; tratava-se de marcas corporais, feitas com cortes ou com fogo, que identificavam de imediato um escravo ou um criminoso, por exemplo. O conceito atual é mais amplo; considera-se estigmatizante qualquer característica, não necessariamente física ou visível, que não se coaduna com o quadro de expectativas sociais acerca de determinado indivíduo. Todas as sociedades definem categorias acerca dos atributos considerados naturais, normais e comuns do ser humano – o que Go�man designa por identidade social virtual. O indivíduo estigmatizado é aquele cuja identidade social real inclui um qualquer atributo que frustra as expectativas de normalidade (ESTIGMA, s. d.). em si e à própria pessoa com deficiência: o estereótipo refere-se à concretização de um julgamento qualitativo, baseado no preconceito, podendo ser, também, anterior à experiência pessoal (AMARAL, 1995, p. 120). Nesse contexto, de produção de estereótipos e de sedimentação de estigmas, a deficiência e a diferença são caracterizadas por sua disjunção aos padrões sociais construídos historicamente para a normalidade. Essa teia de sentidos que configura hábitos empurra a deficiência para a marginalidade, tratando-a como um elemento anormal, como uma doença, e, por isso, é preciso que se encontrem as causas desse desvio e se efetive o tratamento de reparação e recondicionamento à norma. Esse modo de proceder se consolidou ao longo da História, criando estruturas institucionais, simbólicas, psicológicas, etc. que agem reproduzindo as suas formas em diversas instâncias da vida social, incluindo até mesmo a nossa percepção sobre a deficiência e a diferença. Não é incomum que, diante de pessoas com deficiência, nós reproduzamos, mesmo sem ter a consciência do fato, estigmas e estereótipos, por exemplo: É importante, portanto, um exame de autocrítica sobre a maneira como enxergamos as pessoas com deficiência, que tipo de critérios essa relação tem e como podemos superá-los. Tratar as pessoas com deficiência como se fossem culpadas por suas características que destoam dos padrões atribuídos à normalidade; Sentir pena das pessoas com deficiência, superprotegendo-as, como se elas estivessem sempre aquém das possibilidades de produzir a sua própria vida; Ignorar as dificuldades sociais impostas às pessoas com deficiência, classificando seus questionamentos sobre o ordenamento social como “vitimismo”. Em uma construção inclusiva, a dinâmica social é entendida como múltipla e democrática, devendo-se fazer valer pela valorização da diferença. O tecido social é formado pela possibilidade de convivência igualitária entre os diferentes, e não pela segregação ou normatização homogeneizante, isto é, as singularidades são entendidas como fundamentais, necessárias. A sociedade é fruto da convivência da multiplicidade dessas singularidades, e para que os indivíduos possam ser respeitados, é preciso que sua identidade seja garantida e valorizada tanto nos aspectos estritamente particulares quanto nos aspectos públicos, na sua esfera como cidadão e cidadã. Assim, é fundamental que essa superação se dê, também, a partir de práticas públicas, como planejamento urbano, escolar e social no sentido mais amplo, para que as pessoas com deficiência possam usufruir e produzir a vida social em igualdade de oportunidades. No âmbito escolar, a perspectiva inclusiva segue a pauta democrática e igualitária de garantia dos direitos de todos e garantia do acesso e do suporte – com práticas e tratamentos diferenciados – para que esses direitos sejam efetivados e, além disso, ela também se coloca como responsável por fomentar o debate e a reflexão sobre a diferença e a construção social pautada nesses termos. É importante entendermos o conceito de deficiência e, conforme temos descrito, como ele teve suas modificações no decorrer do tempo. Vamos utilizar a definição de deficiência descrita na Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015., que institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). - BRASIL, 2015 “Art. 2º. Considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.” A seguir, trataremos da conceituação de algumas deficiências presentes no ambiente escolar, bem como a possibilidade de práticas pedagógicas que visem à integração e ao desenvolvimento dos estudantes em uma perspectiva inclusiva. Importante! Durante muito tempo, foram utilizadas as expressões “pessoa com necessidade especial” ou “portador de deficiência”. Vamos combinar que essas expressões são pejorativas, não é? Todos nós podemos ter uma necessidade especial em algum momento de nossas vidas! E o termo “portador” mostrou-se mais complicado, pois, “portar” quer dizer que “carregamos” algo. Por exemplo: portador de um documento é a pessoa que está carregando um documento. Ser deficiente não deve ser encarado como um fardo nem como doença. A deficiência faz parte da identidade das pessoas que a tem. A Organização das Nações Unidas (ONU), na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que aconteceu em 2006, utilizou o termo “Pessoas com Deficiência (PcD)”, sendo, portanto, a forma correta de designarmos essas pessoas. Deficiência Auditiva Apresenta-se como uma privação sensorial auditiva que interfere de modo decisivo nos processos de comunicação dessas pessoas. Essas interferências podem gerar problemas graves para o desenvolvimento de uma criança, a depender do nível de sua escassez auditiva. As causas podem ser hereditárias ou adquiridas. Figura 2 – Rapaz surdo conversando em língua de sinais Fonte: Getty Images #ParaTodosVerem: Rapaz branco, cabelos e barba loiros, vestindo camiseta marrom e calça jeans, sentado no sofá com um notebook sobre o colo, conversando, em língua de sinais, por videochamada. Fim da descrição. Apresenta-se como uma privação sensorial auditiva que interfere de modo decisivo nos processos de comunicação dessas pessoas. Essas interferências podem gerar problemas graves para o desenvolvimento de uma criança, a depender do nível de sua escassez auditiva. As causas podem ser hereditárias ou adquiridas. Em 2006, o Ministério da Educação, por meio do projeto Desenvolvendo Competências para o Atendimento às Necessidades Educacionais Especiais de Alunos Surdos (BRASIL, 2006, p. 17), classificou os níveis de perda auditiva em leve, moderada, severa e profunda. Durante muito tempo, entendia-se que a surdez era uma doença e que poderia ser curada. Com essa ideia, nasceu o oralismo, que se caracteriza pela A perspectiva mais atual é a do bilinguismo, que se opõe totalmente ao oralismo. De acordo com Lacerda (1998 apud VIANNA, 2019), é uma abordagem que se contrapõe ao oralismo, quando se refere ao canal visogestual como o principal canal para a aquisição da língua pelo surdo, e se contrapõe à comunicação total, pois defende a língua de sinais como principal meio da efetivação do trabalho pedagógico. A proposta é a de se ensinar duas línguas: em primeiro lugar, a língua de sinais (L1); em segundo, a língua do grupo ouvinte de maior representação (L2), que, no caso do Brasil, é a Língua Portuguesa. O bilinguismo traz, em si, o respeito à identidade surda. Cabe à escola proporcionar ao estudante surdo condições para que ele aprenda e a aprendizagem só será possível se ela se der por meio da língua de sinais. - POKER, 2016, p. 5 “Integração da criança com surdez na comunidade de ouvintes, dando-lhe condições de desenvolver a língua oral (no caso do Brasil, o português). Para alguns defensores desta filosofia, a linguagem restringe-se à língua oral sendo por isso mesmo esta, a única forma de comunicação dos surdos. Acreditam assim que para a criança surda se comunicar é necessário que ela saiba oralizar.” A Pedagogia Visual, ou seja, o ensino por imagens, tem sido utilizada para proporcionar ao estudante surdo o desenvolvimento da aprendizagem. O uso de imagens é recurso importante na aprendizagem do estudante surdo e, dada a característica visual da língua de sinais, é fundamental que a imagem seja utilizada no processo de escolarização dos estudantes surdos. Deficiência Neuromotora ou Física O Ministério da Cultura define deficiência física como: Alguns exemplos de deficiências neuromotoras ou físicas são: - MEC, 2004, p. 9 Paraplegia: paralisia total ou parcial dos membros inferiores, comprometendo a função de pernas, tronco e outras funções fisiológicas; Tetraparesia: paralisia total ou parcial do corpo, comprometendo a função de braços e pernas; o grau de comprometimento depende da altura da lesão; Hemiparesia: paralisia total ou parcial das funções de um lado do corpo (direito ou esquerdo); “[...] diferentes condições motoras que acometem as pessoas comprometendo a mobilidade, a coordenação motora geral e a fala, em consequência de lesões neurológicas, neuromusculares, ortopédicas, ou más formações congênitas ou adquiridas.” Na perspectiva inclusiva, fazem-se necessárias diversas reformas e adequações nas estruturas físicas das escolas para que elas possam receber qualificadamente os alunos com deficiências neuromotoras ou físicas, por exemplo: implementação de rampas, corrimões, portas largas, tapetes antiderrapantes, recursos técnicos especiais para os materiais de salas de aula, ampliação do espaço de circulação e convivência, modificação do mobiliário, etc. Além das reformas estruturais, é importante e necessário que professores e professoras levem em consideração a dinâmica de aprendizado. Nesse sentido, é preciso levar em consideração que determinadas lesões cerebrais determinam dificuldades perceptivas e, portanto, demandam ações pedagógicas de estimulação psicomotora. Para crianças que apresentam dificuldades de apreensão conceitual, dado algum distúrbio motor, é necessário que se trabalhe começando com experiências mais concretas para depois passar para possíveis abstrações. É fundamental, também, o convite à participação no debate em sala de aula e na construção das ideias produzidas no processo de aprendizagem. Deficiência Visual A deficiência visual se classifica de duas formas: cegueira e baixa visão. O Ministério da Educação as classifica da seguinte maneira: Paralisia cerebral: termo amplo que designa o grupo de limitações motoras resultantes de uma lesão no Sistema Nervoso Central; Amputação: perda total ou parcial de um membro do corpo; pode ser congênita ou adquirida. - BRASIL, 2006, p. 16 “Baixa Visão é a alteração da capacidade funcional da visão, decorrente de inúmeros fatores isolados ou associados, tais como: baixa acuidade visual significativa, redução importante do campo visual, alterações corticais e/ou sensibilidade aos contrastes, que interferem ou que limitam o desempenho visual do indivíduo. A perda da função visual pode se dar em nível severo, moderado ou leve, podendo ser influenciada também por fatores ambientais inadequados. Cegueira é a perda total da visão, até a ausência de projeção de luz. Do ponto de vista educacional, deve-se evitar o conceito de cegueira legal (acuidade visual igual ou menor que 20/200 ou campo visual inferior a 20º no menor olho), utilizada apenas para fins sociais, pois não revelam o potencial visual útil para a execução de tarefas.” Figura 3 – Homem cego Fonte: Getty Images #ParaTodosVerem: Homem cego, branco, de barba e cabelos castanhos, com óculos escuros, camisa rosa e calça jeans, sentado em um sofá cinza com almofadas amarelas, ouvindo mensagem ao celular com sua bengala ao lado. Fim da descrição. Para a inclusão dos alunos com baixa visão, é necessário o acompanhamento médico de um oftalmologista para que o diagnóstico seja realizado e aí sim as medidas cabíveis possam ser tomadas. Para isso, é necessário que a escola tenha lupas, materiais de ampliação visual, telescópios, lentes, boa iluminação, sobretudo, nas salas de aula e bibliotecas, etc. E como práticas pedagógicas, são importantes as atividades lúdicas que auxiliam e ampliam a capacidade do aprendizado, a compreensão do esforço que se faz necessária para esses alunos acompanharem as leituras em sala de aula, o incentivo do uso de canetas fluorescentes, a apresentação dos conteúdos de formas variadas, etc. Para que o avanço da escola inclusiva ocorra, é necessário que as escolas regulares possam ser capazes de fornecer a alfabetização em braile e que, portanto, as atividades especializadas e regulares possam ser combinadas, e não apartadas. Surdo-cegueira É uma deficiência única que apresenta as deficiências auditiva e visual concomitantes, em diferentes graus. Para interagir com as pessoas e o ambiente, a pessoa surda-cega desenvolve diferentes formas de comunicação. Deficiência Intelectual De acordo com o DSM-V (2014, p. 33, n.p.), Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, designa-se deficiência intelectual (transtorno do desenvolvimento intelectual) como: “Deficiência intelectual (transtorno do desenvolvimento intelectual) é um transtorno com início no período do desenvolvimento que inclui déficits funcionais, tanto intelectuais quanto adaptativos, nos domínios conceitual, social e prático. Os três critérios a seguir devem ser preenchidos: A. Déficits em funções intelectuais como raciocínio, solução de problemas, planejamento, pensamento abstrato, juízo, aprendizagem acadêmica e aprendizagem pela experiência confirmados tanto pela avaliação clínica quanto por testes de inteligência padronizados e individualizados. B. Déficits em funções adaptativas que resultam em fracasso para atingir padrões de desenvolvimento e socioculturais em relação a independência pessoal e responsabilidade social. Sem apoio continuado, os déficits de adaptação limitam o funcionamento em uma ou mais atividades diárias, como comunicação, participação social e vida independente, e em múltiplos ambientes, como em casa, na escola, no local de trabalho e na comunidade. C. Início dos déficits intelectuais e adaptativos durante o período do desenvolvimento.” Figura 4 – Jovem com síndrome de Down Fonte: Getty Images #ParaTodosVerem: Jovem branco, de cabelos curtos e castanho-escuros, com traços característicos de pessoa Down – olhos pequenos e afastados, rosto redondo, pescoço encurtado –, com camiseta azul, sorrindo. Fim da descrição. As pessoas com deficiência intelectual têm limitações para as atividades de vida diária, tais como vestir-se ou fazer sua higiene pessoal. A condição de desvantagem (handicap) é um contínuo, significando que ocorre em vários graus de dificuldade, ou seja, de acordo com cada indivíduo. Deficiência Mental A deficiência mental não tem um conceito exclusivo e específico; ao contrário, é fruto de muitos estudos e debates constantes em áreas como a Saúde, a Psicologia, a Psicanálise, a Antropologia, as Ciências Sociais etc. Dada essa complexidade e a variação das abordagens e dos enfoques do conceito, a implementação de práticas educacionais inclusivas torna-se um desafio. Além das limitações intelectuais – que mesmo assim são muito questionáveis e sempre devem ser ponderadas e analisadas em contextos específicos –, as pessoas com deficiência mental apresentam alguns outros traços comportamentais. Um desses traços, que é fundamental, é a rigidez comportamental, que estabelece uma fixação na realização das tarefas por parte dessas pessoas. Outro aspecto relevante é a relativa dependência afetiva e emocional, ampliando a responsabilidade do ambiente escolar como um espaço acolhedor e inclusivo. O déficit cognitivo dificulta o auto-referenciamento para esses sujeitos, gerando, assim, dificuldades de reflexão e percepção sobre si mesmos. A capacidade de apreensão dos conhecimentos também se mostra relativamente limitada e, em geral, adquirida de modo mais lento. A dificuldade de abstração e generalização também se coloca como um empecilho para a absorção e a produção de conceitos, conexões do pensamento e processos de memorização. Ainda assim, é preciso entender esses processos de forma contextualizada e cuidadosa, para que rótulos não sejam empreendidos e para que as análises generalizantes não se coloquem como um obstáculo para a inclusão e o desenvolvimento desses alunos com necessidades educacionais especiais, sobretudo porque essas dificuldades não são intransponíveis. De acordo com Glat (2007), os apoios às pessoas com deficiência mental são fundamentais e divididos em duas categorias: os naturais e os de serviços, e podem ser classificados em quatro níveis em função de suas necessidades e intensidades: intermitente, limitado, extensivo e pervasivo ou generalizado. Em uma perspectiva de escola regular inclusiva, os alunos com deficiências mentais não são separados do restante dos alunos durante os múltiplos processos de aprendizado, mas os professores e as professoras precisam estar atentos para não criar um espaço de homogeneização do conhecimento sem levar em conta as características individuas e, sobretudo, as necessidades de seus alunos. Nesse sentido, a prática da cooperação, que, inclusive, transcende o limite dos professores e também deve ser incorporada por todos os alunos e funcionários da escola, deve ser o norte do trabalho pedagógico. Além da escola regular, é necessário perceber, de acordo com as necessidades de cada aluno, o uso do atendimento especializado, que deve ocorrer de forma concomitante à escola regular, complementando-a, ou seja, as atividades especializadas devem ocorrer em horários distintos aos da escola regular, criando, assim, um espaço amplo e não restrito para o desenvolvimento desses alunos. Deficiência Múltipla É a associação, no mesmo indivíduo, de duas ou mais deficiências primárias (intelectual/visual/auditiva/física), com comprometimentos que acarretam consequências no seu desenvolvimento global e na sua capacidade adaptativa. Transtornos do Espectro Autista Transtornos do Espectro Autista (TEA) são uma nova categoria no DSM-V (2014), no entendimento de que três distúrbios anteriormente listados separadamente no DSM-IV, sob a rubrica Transtornos Invasivos do Desenvolvimento (TID), são mais bem conceituados como diferentes níveis de gravidade de uma condição única. Assim, de acordo com o DSM-V, o TEA inclui o transtorno de autismo, a síndrome de Asperger e o transtorno invasivo do desenvolvimento não especificado. Segundo o DSM-V, o TEA é uma condição geral para um grupo de desordens complexas do desenvolvimento do cérebro, antes, durante ou logo após o nascimento. Esses distúrbios se caracterizam pela dificuldade na comunicação social e pelos comportamentos repetitivos. Embora todas as pessoas com TEA partilhem essas dificuldades, o seu estado vai afetá-las com intensidades diferentes. Dessa forma, essas diferenças podem existir desde o nascimento e serem óbvias para todos, ou podem ser mais sutis e se tornarem mais visíveis ao longo do desenvolvimento. Dentro do paradigma da inclusão, esses alunos precisam participar ativamente de todas as atividades na escola e na comunidade, assim como terem respeitadas as suas diferenças no que se refere ao estilo e ao ritmo da aprendizagem. A escola inclusiva entende esses alunos como pessoas que apresentam desafios à formação dos professores e de toda a equipe escolar (gestores e demais colaboradores) para oferecer uma educação para todos, respeitando a necessidade e a diversidade de cada um. Como Vencer as Barreiras do Preconceito? Para ajudar a vencer a barreira do preconceito, é importante desenvolver diretrizes inclusivas norteadas pelo cuidado, pela inclusão, pelo reconhecimento e pelo relacionamento entre as pessoas com deficiência e as demais pessoas que frequentam o ambiente educacional. Esse processo da educação inclusiva é pautado por bases democráticas e comunitárias, porque seus desdobramentos incluem todas as estruturas e necessitam da participação de todos os atores sociais envolvidos no espaço em que a educação se situa. Então, a educação inclusiva visa à garantia de acesso aos direitos e ao valor às pessoas com deficiência, mas também reconfigura a atuação pedagógica de educadores e educadoras, colocando o desafio da inclusão como coletivo, bem como a própria formação de alunas e alunos que não demandam necessidades especiais. É um processo de grande transformação pedagógica que tem a cidadania e a valorização da democracia, a partir do convívio e da valorização dos diferentes, como grande fundamentos e que tem como objetivo uma educação de qualidade e para todos. O projeto da educação inclusiva necessita de cooperação e apoio de muitos setores da sociedade, e, sem dúvida, a escola é um dos espaços mais valiosos e preciosos desse projeto. Uma escola inclusiva é dimensionada para ser um espaço pedagógico justo, acolhedor, igualitário, de qualidade, em que as diferenças sejam respeitadas e valorizadas. E, acima de tudo, deve proporcionar a essas pessoas autonomia, para poderem viver segundo os mesmos preceitos de todos. Esse valor às diferenças promove a necessidade de que a escola desenvolva, tanto em sua estrutura física como no quadro de seus profissionais e alunos, um ambiente para todos, em que a diversidade e a pluralidade dos educandos não seja um entrave, e sim uma potência. Esse processo da escola inclusiva necessita da colaboração e da cooperação de pais, alunos, professores e funcionários da escola. Ele constitui um ambiente escolar mais flexível, estabelece novos métodos de avaliação, desenvolve espaços de convivência e acesso mais adequados e qualificados, faz-se valer de pesquisas e estudos de ponta para orientar suas atividades escolares. A Escola inclusiva é uma escola direcionada para a comunidade que a envolve e se torna também uma referência para essa mesma comunidade, ao respeitar a heterogeneidade e valorizar a diferença como princípio fundamental de uma sociedade justa, igualitária e democrática. Filme A Teoria de Tudo O filme de James Marsh, foi inspirado no livro Travelling to Infinity: My Life with Stephen de Jane Hawking, e narra o relacionamento de Jane com um dos mais importantes astrofísicos de todos os tempos, Stephen Hawking, que é diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica, uma doença incurável e degenerativa, que leva à perda permanente de movimento muscular. A Teoria de Tudo - Trailer O�cial Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Vídeos Ciência Sem Limite – Dança Inclusiva Companhia de Dança Pulsar – Programa Especial 2 / 3 ˨ Material Complementar Ciência Sem Limites | Dança inclusiva Leitura Deficiência Intelectual na Perspectiva Histórico-Cultural: Contribuições ao Estudo do Desenvolvimento Adulto Clique no botão ao lado para conferir o conteúdo. ACESSE Língua Brasileira de Sinais (Libras) Clique no botão ao lado para conferir o conteúdo. Companhia de dança Pulsar « Programa Especial ACESSE Transtorno do Espectro Autista (TEA) Clique no botão ao lado para conferir o conteúdo. ACESSE AMARAL, L. A. Conhecendo a deficiência em companhia de Hércules. São Paulo: Robe, 1995. (Encontros com a psicologia). AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014. BELTHER, J. M. Educação especial. São Paulo: Editora Pearson, 2017. BRASIL. 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