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Conteudista: Prof.ª Dra. Adriana Beatriz Botto Alves Vianna | Prof. Me. Bruno
Pinheiro Ribeiro 
Revisão Textual: Esp. Lara Pio de Almeida
 
Objetivos da Unidade:
Refletir sobre a complexidade de lidar com as diferenças e com as pessoas com
deficiência;
Reconhecer os indivíduos como tais, a partir de suas potências, e não a partir das
diferenças e das deficiências que eles apresentam, como se isso fosse um limite;
Discutir os estigmas internalizados pelo corpo social que geram discriminação e
preconceito para com as pessoas com diferenças e deficiências em relação à
norma de conduta social;
Estabelecer parâmetros para a definição de deficiência, as modalidades e os
níveis de prevenção (primária, secundária e terciária), bem como a atuação do
profissional da área de educação.
˨ Material Teórico
Identificando as Deficiências e suas
Necessidades Educacionais
˨ Material Complementar
˨ Referências
Como Enxergamos a Deficiência? 
Estar diante da deficiência nos coloca diante das nossas próprias limitações. Geralmente,
mantemos uma postura defensiva e acionamos os mecanismos de defesa, como forma de nos
protegermos diante do desconhecido ou da ameaça da imperfeição ou da deficiência, que
tememos que possa nos atingir. 
 
Os conceitos, em geral, são produzidos em contato com o conhecimento científico de sua época
e com as condições de vida social e cultural das sociedades em questão. Esse processo leva em
consideração fatores econômicos, sociais, culturais e históricos.
Não é incomum, por exemplo, que as pessoas enxerguem a deficiência intelectual por meio da
ótica da limitação, entendendo essa questão a partir do que supostamente as pessoas com
deficiência não são capazes de fazer, dando ênfase, portanto, às dificuldades. 
Essa conceituação tem vínculo histórico com um sistema de crenças antigo, que era
sustentando, dentre outras causas, por compêndios médicos que descreviam a deficiência
intelectual como limitadora dos sujeitos, que enfatizavam um déficit cognitivo apresentado e
que projetavam como consequência a incapacidade de adaptação desse indivíduo nos círculos
sociais de aprendizado.
Esse conceito é marcado por uma expectativa de normatização da sociedade e de seus
indivíduos. 
Há, nessa perspectiva, uma forte homogeneização social, que cria tipos e modelos a serem
seguidos, e que condiciona o comportamento, os hábitos e a cultura, de modo geral. 
1 / 3
˨ Material Teórico
Esse processo normativo tende, portanto, a criar cisões sociais e processos discriminatórios, na
medida em que classifica e qualifica indivíduos como normais e outros como fora dos padrões
dessa normalidade.
Figura 1 – Desenho de Mulher se olhando no espelho
Fonte: Getty Images
Ter uma deficiência não é o fator preponderante que torna difícil a existência do indivíduo,
permeada invariavelmente por situações nas quais estão presentes o preconceito e o estigma.
Nesse sentido, voltamos a questionar como lidar com as atitudes sociais que adotam formas de
classificação para distinguir e separar as pessoas, categorizando-as entre duas posições
opostas – capazes e incapazes, rápidos e lentos ou competentes e incompetentes? Perfeitos e
imperfeitos?
Nesse sentido, o desconhecimento é a matéria-prima do preconceito, que contribui de forma
considerável para a manutenção das atitudes preconceituosas e das leituras estereotipadas,
tanto acerca das diferenças quanto das deficiências, gerando distorções em relação à deficiência
Glossário 
Estigma (Sociologia): no discurso sociológico, o conceito de estigma
assume quase sempre o significado que Erving Go�man (1922-82) lhe
atribuiu na obra Stigma – Notes on the Management of Spoiled Identity, de
1963. O termo estigma, entre os antigos gregos, designava "sinais
corporais com os quais se procurava evidenciar alguma coisa de
extraordinário ou de mau acerca do estatuto moral de quem os
apresentava"; tratava-se de marcas corporais, feitas com cortes ou
com fogo, que identificavam de imediato um escravo ou um criminoso,
por exemplo. O conceito atual é mais amplo; considera-se
estigmatizante qualquer característica, não necessariamente física ou
visível, que não se coaduna com o quadro de expectativas sociais acerca
de determinado indivíduo. Todas as sociedades definem categorias
acerca dos atributos considerados naturais, normais e comuns do ser
humano – o que Go�man designa por identidade social virtual. O
indivíduo estigmatizado é aquele cuja identidade social real inclui um
qualquer atributo que frustra as expectativas de normalidade
(ESTIGMA, s. d.). 
em si e à própria pessoa com deficiência: o estereótipo refere-se à concretização de um
julgamento qualitativo, baseado no preconceito, podendo ser, também, anterior à experiência
pessoal (AMARAL, 1995, p. 120).
Nesse contexto, de produção de estereótipos e de sedimentação de estigmas, a deficiência e a
diferença são caracterizadas por sua disjunção aos padrões sociais construídos historicamente
para a normalidade. 
Essa teia de sentidos que configura hábitos empurra a deficiência para a marginalidade,
tratando-a como um elemento anormal, como uma doença, e, por isso, é preciso que se
encontrem as causas desse desvio e se efetive o tratamento de reparação e recondicionamento à
norma.
Esse modo de proceder se consolidou ao longo da História, criando estruturas institucionais,
simbólicas, psicológicas, etc. que agem reproduzindo as suas formas em diversas instâncias da
vida social, incluindo até mesmo a nossa percepção sobre a deficiência e a diferença. 
Não é incomum que, diante de pessoas com deficiência, nós reproduzamos, mesmo sem ter a
consciência do fato, estigmas e estereótipos, por exemplo:
É importante, portanto, um exame de autocrítica sobre a maneira como enxergamos as pessoas
com deficiência, que tipo de critérios essa relação tem e como podemos superá-los. 
Tratar as pessoas com deficiência como se fossem culpadas
por suas características que destoam dos padrões atribuídos à
normalidade;
Sentir pena das pessoas com deficiência, superprotegendo-as, como se elas
estivessem sempre aquém das possibilidades de produzir a sua própria vida;
Ignorar as dificuldades sociais impostas às pessoas com deficiência, classificando
seus questionamentos sobre o ordenamento social como “vitimismo”.
Em uma construção inclusiva, a dinâmica social é entendida como múltipla e democrática,
devendo-se fazer valer pela valorização da diferença. 
O tecido social é formado pela possibilidade de convivência igualitária entre os diferentes, e não
pela segregação ou normatização homogeneizante, isto é, as singularidades são entendidas
como fundamentais, necessárias. A sociedade é fruto da convivência da multiplicidade dessas
singularidades, e para que os indivíduos possam ser respeitados, é preciso que sua identidade
seja garantida e valorizada tanto nos aspectos estritamente particulares quanto nos aspectos
públicos, na sua esfera como cidadão e cidadã.
Assim, é fundamental que essa superação se dê, também, a partir de práticas públicas, como
planejamento urbano, escolar e social no sentido mais amplo, para que as pessoas com
deficiência possam usufruir e produzir a vida social em igualdade de oportunidades. 
No âmbito escolar, a perspectiva inclusiva segue a pauta democrática e igualitária de garantia dos
direitos de todos e garantia do acesso e do suporte – com práticas e tratamentos diferenciados
– para que esses direitos sejam efetivados e, além disso, ela também se coloca como
responsável por fomentar o debate e a reflexão sobre a diferença e a construção social pautada
nesses termos. 
 
É importante entendermos o conceito de deficiência e, conforme temos descrito, como ele teve
suas modificações no decorrer do tempo. Vamos utilizar a definição de deficiência descrita na
Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015., que institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com
Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência).
- BRASIL, 2015
“Art. 2º. Considera-se
pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de
longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em
interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e
efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.”
A seguir, trataremos da conceituação de algumas deficiências presentes no ambiente escolar,
bem como a possibilidade de práticas pedagógicas que visem à integração e ao desenvolvimento
dos estudantes em uma perspectiva inclusiva.
Importante! 
Durante muito tempo, foram utilizadas as expressões “pessoa com
necessidade especial” ou “portador de deficiência”. Vamos combinar
que essas expressões são pejorativas, não é? Todos nós podemos ter
uma necessidade especial em algum momento de nossas vidas! E o
termo “portador” mostrou-se mais complicado, pois, “portar” quer
dizer que “carregamos” algo. Por exemplo: portador de um documento
é a pessoa que está carregando um documento. Ser deficiente não deve
ser encarado como um fardo nem como doença. A deficiência faz parte
da identidade das pessoas que a tem. A Organização das Nações Unidas
(ONU), na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência,
que aconteceu em 2006, utilizou o termo “Pessoas com Deficiência
(PcD)”, sendo, portanto, a forma correta de designarmos essas
pessoas.
Deficiência Auditiva
Apresenta-se como uma privação sensorial auditiva que interfere de modo decisivo nos
processos de comunicação dessas pessoas. Essas interferências podem gerar problemas graves
para o desenvolvimento de uma criança, a depender do nível de sua escassez auditiva. As causas
podem ser hereditárias ou adquiridas.
Figura 2 – Rapaz surdo conversando em língua de sinais 
Fonte: Getty Images
 
#ParaTodosVerem: Rapaz branco, cabelos e barba loiros, vestindo camiseta
marrom e calça jeans, sentado no sofá com um notebook sobre o colo,
conversando, em língua de sinais, por videochamada. Fim da descrição.
Apresenta-se como uma privação sensorial auditiva que interfere de modo decisivo nos
processos de comunicação dessas pessoas. Essas interferências podem gerar problemas graves
para o desenvolvimento de uma criança, a depender do nível de sua escassez auditiva. As causas
podem ser hereditárias ou adquiridas.
Em 2006, o Ministério da Educação, por meio do projeto Desenvolvendo Competências para o
Atendimento às Necessidades Educacionais Especiais de Alunos Surdos (BRASIL, 2006, p. 17),
classificou os níveis de perda auditiva em leve, moderada, severa e profunda. 
 
Durante muito tempo, entendia-se que a surdez era uma doença e que poderia ser curada. Com
essa ideia, nasceu o oralismo, que se caracteriza pela
A perspectiva mais atual é a do bilinguismo, que se opõe totalmente ao oralismo. De acordo com
Lacerda (1998 apud VIANNA, 2019), é uma abordagem que se contrapõe ao oralismo, quando se
refere ao canal visogestual como o principal canal para a aquisição da língua pelo surdo, e se
contrapõe à comunicação total, pois defende a língua de sinais como principal meio da
efetivação do trabalho pedagógico. A proposta é a de se ensinar duas línguas: em primeiro lugar,
a língua de sinais (L1); em segundo, a língua do grupo ouvinte de maior representação (L2), que,
no caso do Brasil, é a Língua Portuguesa. 
 
O bilinguismo traz, em si, o respeito à identidade surda. Cabe à escola proporcionar ao estudante
surdo condições para que ele aprenda e a aprendizagem só será possível se ela se der por meio da
língua de sinais.
- POKER, 2016, p. 5
“Integração da criança com surdez na comunidade de ouvintes, dando-lhe
condições de desenvolver a língua oral (no caso do Brasil, o português). Para
alguns defensores desta filosofia, a linguagem restringe-se à língua oral sendo por
isso mesmo esta, a única forma de comunicação dos surdos. Acreditam assim que
para a criança surda se comunicar é necessário que ela saiba oralizar.”
A Pedagogia Visual, ou seja, o ensino por imagens, tem sido utilizada para proporcionar ao
estudante surdo o desenvolvimento da aprendizagem. O uso de imagens é recurso importante na
aprendizagem do estudante surdo e, dada a característica visual da língua de sinais, é
fundamental que a imagem seja utilizada no processo de escolarização dos estudantes surdos.
Deficiência Neuromotora ou Física
O Ministério da Cultura define deficiência física como:
Alguns exemplos de deficiências neuromotoras ou físicas são:
- MEC, 2004, p. 9
Paraplegia: paralisia total ou parcial dos membros inferiores, comprometendo a
função de pernas, tronco e outras funções fisiológicas;
Tetraparesia: paralisia total ou parcial do corpo, comprometendo a função de braços
e pernas; o grau de comprometimento depende da altura da lesão;
Hemiparesia: paralisia total ou parcial das funções de um lado do corpo (direito ou
esquerdo);
“[...] diferentes condições motoras que acometem as pessoas comprometendo a
mobilidade, a coordenação motora geral e a fala, em consequência de lesões
neurológicas, neuromusculares, ortopédicas, ou más formações congênitas ou
adquiridas.”
Na perspectiva inclusiva, fazem-se necessárias diversas reformas e adequações nas estruturas
físicas das escolas para que elas possam receber qualificadamente os alunos com deficiências
neuromotoras ou físicas, por exemplo: implementação de rampas, corrimões, portas largas,
tapetes antiderrapantes, recursos técnicos especiais para os materiais de salas de aula,
ampliação do espaço de circulação e convivência, modificação do mobiliário, etc.  
Além das reformas estruturais, é importante e necessário que professores e professoras levem
em consideração a dinâmica de aprendizado. 
Nesse sentido, é preciso levar em consideração que determinadas lesões cerebrais determinam
dificuldades perceptivas e, portanto, demandam ações pedagógicas de estimulação
psicomotora. 
Para crianças que apresentam dificuldades de apreensão conceitual, dado algum distúrbio
motor, é necessário que se trabalhe começando com experiências mais concretas para depois
passar para possíveis abstrações. É fundamental, também, o convite à participação no debate em
sala de aula e na construção das ideias produzidas no processo de aprendizagem.
Deficiência Visual
A deficiência visual se classifica de duas formas: cegueira e baixa visão. O Ministério da
Educação as classifica da seguinte maneira:
Paralisia cerebral: termo amplo que designa o grupo de limitações motoras
resultantes de uma lesão no Sistema Nervoso Central;
Amputação: perda total ou parcial de um membro do corpo; pode ser congênita ou
adquirida.
- BRASIL, 2006, p. 16
“Baixa Visão é a alteração da capacidade funcional da visão, decorrente de
inúmeros fatores isolados ou associados, tais como: baixa acuidade visual
significativa, redução importante do campo visual, alterações corticais e/ou
sensibilidade aos contrastes, que interferem ou que limitam o desempenho visual
do indivíduo. A perda da função visual pode se dar em nível severo, moderado ou
leve, podendo ser influenciada também por fatores ambientais inadequados.
Cegueira é a perda total da visão, até a ausência de projeção de luz. Do ponto de
vista educacional, deve-se evitar o conceito de cegueira legal (acuidade visual igual
ou menor que 20/200 ou campo visual inferior a 20º no menor olho), utilizada
apenas para fins sociais, pois não revelam o potencial visual útil para a execução de
tarefas.”
Figura 3 – Homem cego 
Fonte: Getty Images
 
#ParaTodosVerem: Homem cego, branco, de barba e cabelos castanhos, com
óculos escuros, camisa rosa e calça jeans, sentado em um sofá cinza com
almofadas amarelas, ouvindo mensagem ao celular com sua bengala ao lado.
Fim da descrição.
Para a inclusão dos alunos com baixa visão, é necessário o acompanhamento médico de um
oftalmologista para que o diagnóstico seja realizado e aí sim as medidas cabíveis possam ser
tomadas. 
Para isso, é necessário que a escola tenha lupas, materiais de ampliação visual, telescópios,
lentes, boa iluminação,
sobretudo, nas salas de aula e bibliotecas, etc. E como práticas
pedagógicas, são importantes as atividades lúdicas que auxiliam e ampliam a capacidade do
aprendizado, a compreensão do esforço que se faz necessária para esses alunos acompanharem
as leituras em sala de aula, o incentivo do uso de canetas fluorescentes, a apresentação dos
conteúdos de formas variadas, etc.
Para que o avanço da escola inclusiva ocorra, é necessário que as escolas regulares possam ser
capazes de fornecer a alfabetização em braile e que, portanto, as atividades especializadas e
regulares possam ser combinadas, e não apartadas.
Surdo-cegueira
É uma deficiência única que apresenta as deficiências auditiva e visual concomitantes, em
diferentes graus. Para interagir com as pessoas e o ambiente, a pessoa surda-cega desenvolve
diferentes formas de comunicação.
Deficiência Intelectual
De acordo com o DSM-V (2014, p. 33, n.p.), Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos
Mentais, designa-se deficiência intelectual (transtorno do desenvolvimento intelectual) como:
“Deficiência intelectual (transtorno do desenvolvimento intelectual) é um
transtorno com início no período do desenvolvimento que inclui déficits
funcionais, tanto intelectuais quanto adaptativos, nos domínios conceitual, social
e prático. Os três critérios a seguir devem ser preenchidos: 
  
A. Déficits em funções intelectuais como raciocínio, solução de problemas,
planejamento, pensamento abstrato, juízo, aprendizagem acadêmica e
aprendizagem pela experiência confirmados tanto pela avaliação clínica quanto por
testes de inteligência padronizados e individualizados. 
  
B. Déficits em funções adaptativas que resultam em fracasso para atingir padrões
de desenvolvimento e socioculturais em relação a independência pessoal e
responsabilidade social. Sem apoio continuado, os déficits de adaptação limitam o
funcionamento em uma ou mais atividades diárias, como comunicação,
participação social e vida independente, e em múltiplos ambientes, como em casa,
na escola, no local de trabalho e na comunidade. 
 
 C. Início dos déficits intelectuais e adaptativos durante o período do
desenvolvimento.”
Figura 4 – Jovem com síndrome de Down 
Fonte: Getty Images
 
#ParaTodosVerem: Jovem branco, de cabelos curtos e castanho-escuros, com
traços característicos de pessoa Down – olhos pequenos e afastados, rosto
redondo, pescoço encurtado –, com camiseta azul, sorrindo. Fim da descrição.
As pessoas com deficiência intelectual têm limitações para as atividades de vida diária, tais como
vestir-se ou fazer sua higiene pessoal. A condição de desvantagem (handicap) é um contínuo,
significando que ocorre em vários graus de dificuldade, ou seja, de acordo com cada indivíduo.
Deficiência Mental
A deficiência mental não tem um conceito exclusivo e específico; ao contrário, é fruto de muitos
estudos e debates constantes em áreas como a Saúde, a Psicologia, a Psicanálise, a Antropologia,
as Ciências Sociais etc. 
Dada essa complexidade e a variação das abordagens e dos enfoques do conceito, a
implementação de práticas educacionais inclusivas torna-se um desafio.
Além das limitações intelectuais – que mesmo assim são muito questionáveis e sempre devem
ser ponderadas e analisadas em contextos específicos –, as pessoas com deficiência mental
apresentam alguns outros traços comportamentais. 
Um desses traços, que é fundamental, é a rigidez comportamental, que estabelece uma fixação
na realização das tarefas por parte dessas pessoas. Outro aspecto relevante é a relativa
dependência afetiva e emocional, ampliando a responsabilidade do ambiente escolar como um
espaço acolhedor e inclusivo.
O déficit cognitivo dificulta o auto-referenciamento para esses sujeitos, gerando, assim,
dificuldades de reflexão e percepção sobre si mesmos. 
A capacidade de apreensão dos conhecimentos também se mostra relativamente limitada e, em
geral, adquirida de modo mais lento. A dificuldade de abstração e generalização também se
coloca como um empecilho para a absorção e a produção de conceitos, conexões do pensamento
e processos de memorização.
Ainda assim, é preciso entender esses processos de forma contextualizada e cuidadosa, para que
rótulos não sejam empreendidos e para que as análises generalizantes não se coloquem como
um obstáculo para a inclusão e o desenvolvimento desses alunos com necessidades
educacionais especiais, sobretudo porque essas dificuldades não são intransponíveis.
De acordo com Glat (2007), os apoios às pessoas com deficiência mental são fundamentais e
divididos em duas categorias: os naturais e os de serviços, e podem ser classificados em quatro
níveis em função de suas necessidades e intensidades: intermitente, limitado, extensivo e
pervasivo ou generalizado. 
Em uma perspectiva de escola regular inclusiva, os alunos com deficiências mentais não são
separados do restante dos alunos durante os múltiplos processos de aprendizado, mas os
professores e as professoras precisam estar atentos para não criar um espaço de
homogeneização do conhecimento sem levar em conta as características individuas e,
sobretudo, as necessidades de seus alunos. 
Nesse sentido, a prática da cooperação, que, inclusive, transcende o limite dos professores e
também deve ser incorporada por todos os alunos e funcionários da escola, deve ser o norte do
trabalho pedagógico.
Além da escola regular, é necessário perceber, de acordo com as necessidades de cada aluno, o
uso do atendimento especializado, que deve ocorrer de forma concomitante à escola regular,
complementando-a, ou seja, as atividades especializadas devem ocorrer em horários distintos
aos da escola regular, criando, assim, um espaço amplo e não restrito para o desenvolvimento
desses alunos.
Deficiência Múltipla
É a associação, no mesmo indivíduo, de duas ou mais deficiências primárias
(intelectual/visual/auditiva/física), com comprometimentos que acarretam consequências no
seu desenvolvimento global e na sua capacidade adaptativa.
Transtornos do Espectro Autista
Transtornos do Espectro Autista (TEA) são uma nova categoria no DSM-V (2014), no
entendimento de que três distúrbios anteriormente listados separadamente no DSM-IV, sob a
rubrica Transtornos Invasivos do Desenvolvimento (TID), são mais bem conceituados como
diferentes níveis de gravidade de uma condição única. 
Assim, de acordo com o DSM-V, o TEA inclui o transtorno de autismo, a síndrome de Asperger e
o transtorno invasivo do desenvolvimento não especificado.
Segundo o DSM-V, o TEA é uma condição geral para um grupo de desordens complexas do
desenvolvimento do cérebro, antes, durante ou logo após o nascimento. 
Esses distúrbios se caracterizam pela dificuldade na comunicação social e pelos
comportamentos repetitivos. Embora todas as pessoas com TEA partilhem essas dificuldades, o
seu estado vai afetá-las com intensidades diferentes. Dessa forma, essas diferenças podem
existir desde o nascimento e serem óbvias para todos, ou podem ser mais sutis e se tornarem
mais visíveis ao longo do desenvolvimento.
Dentro do paradigma da inclusão, esses alunos precisam participar ativamente de todas as
atividades na escola e na comunidade, assim como terem respeitadas as suas diferenças no que
se refere ao estilo e ao ritmo da aprendizagem.
A escola inclusiva entende esses alunos como pessoas que apresentam desafios à formação dos
professores e de toda a equipe escolar (gestores e demais colaboradores) para oferecer uma
educação para todos, respeitando a necessidade e a diversidade de cada um.
Como Vencer as Barreiras do Preconceito?
Para ajudar a vencer a barreira do preconceito, é importante desenvolver diretrizes inclusivas
norteadas pelo cuidado, pela inclusão, pelo reconhecimento e pelo relacionamento entre as
pessoas com deficiência e as demais pessoas que frequentam o ambiente educacional.
Esse processo da educação inclusiva é pautado por bases democráticas e comunitárias, porque
seus desdobramentos incluem
todas as estruturas e necessitam da participação de todos os
atores sociais envolvidos no espaço em que a educação se situa. 
Então, a educação inclusiva visa à garantia de acesso aos direitos e ao valor às pessoas com
deficiência, mas também reconfigura a atuação pedagógica de educadores e educadoras,
colocando o desafio da inclusão como coletivo, bem como a própria formação de alunas e alunos
que não demandam necessidades especiais.
É um processo de grande transformação pedagógica que tem a cidadania e a valorização da
democracia, a partir do convívio e da valorização dos diferentes, como grande fundamentos e
que tem como objetivo uma educação de qualidade e para todos.
O projeto da educação inclusiva necessita de cooperação e apoio de muitos setores da sociedade,
e, sem dúvida, a escola é um dos espaços mais valiosos e preciosos desse projeto. 
Uma escola inclusiva é dimensionada para ser um espaço pedagógico justo, acolhedor,
igualitário, de qualidade, em que as diferenças sejam respeitadas e valorizadas. E, acima de tudo,
deve proporcionar a essas pessoas autonomia, para poderem viver segundo os mesmos
preceitos de todos.
Esse valor às diferenças promove a necessidade de que a escola desenvolva, tanto em sua
estrutura física como no quadro de seus profissionais e alunos, um ambiente para todos, em que
a diversidade e a pluralidade dos educandos não seja um entrave, e sim uma potência.
Esse processo da escola inclusiva necessita da colaboração e da cooperação de pais, alunos,
professores e funcionários da escola. Ele constitui um ambiente escolar mais flexível, estabelece
novos métodos de avaliação, desenvolve espaços de convivência e acesso mais adequados e
qualificados, faz-se valer de pesquisas e estudos de ponta para orientar suas atividades
escolares.
A Escola inclusiva é uma escola direcionada para a comunidade que a envolve e se torna também
uma referência para essa mesma comunidade, ao respeitar a heterogeneidade e valorizar a
diferença como princípio fundamental de uma sociedade justa, igualitária e democrática.
Filme 
A Teoria de Tudo 
O filme de James Marsh, foi inspirado no livro Travelling to Infinity: My
Life with Stephen de Jane Hawking, e narra o relacionamento de Jane
com um dos mais importantes astrofísicos de todos os tempos,
Stephen Hawking, que é diagnosticado com esclerose lateral
amiotrófica, uma doença incurável e degenerativa, que leva à perda
permanente de movimento muscular. 
A Teoria de Tudo - Trailer O�cial
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
  Vídeos  
Ciência Sem Limite – Dança Inclusiva
Companhia de Dança Pulsar – Programa Especial
2 / 3
˨ Material Complementar
Ciência Sem Limites | Dança inclusiva
  Leitura  
Deficiência Intelectual na Perspectiva Histórico-Cultural:
Contribuições ao Estudo do Desenvolvimento Adulto
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ACESSE
Língua Brasileira de Sinais (Libras)
Clique no botão ao lado para conferir o conteúdo.
Companhia de dança Pulsar « Programa Especial
ACESSE
Transtorno do Espectro Autista (TEA)
Clique no botão ao lado para conferir o conteúdo.
ACESSE
AMARAL, L. A. Conhecendo a deficiência em companhia de Hércules. São Paulo: Robe,
1995. (Encontros com a psicologia).
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos
mentais: DSM-5. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014. 
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3 / 3
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VIANNA, A. B. B. A. A acessibilidade e a usabilidade nos ambientes virtuais de aprendizagem e o
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de São Paulo, São Paulo, 2019. Disponível em:
. Acesso em:
26/02/2022

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