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Filosofia - Aula 3: FilosofiaMedieval A filosofia medieval foi desenvolvida na Europa durante o período da Idade Média (séculos V-XV). Trata-se de um período de expansão e consolidação do Cristianismo na Europa Ocidental. A filosofia medieval tentou conciliar a religião com a filosofia, ou seja, a consciência cristã com a razão filosófica e científica.Muitos filósofos dessa época também faziam parte do clero ou eram religiosos. Nesse momento, os grandes pontos de reflexão para os estudiosos eram: ● a existência de Deus; ● a fé e a razão; ● a imortalidade da alma humana; ● a salvação; ● o pecado; ● a encarnação divina ● o livre-arbítrio, dentre outras questões PATRÍSTICA A filosofia patrística foi desenvolvida a partir do século IV e permaneceu até o século VIII. Recebe esse nome porque os textos desenvolvidos no período foram escritos pelos chamados "Padres da Igreja" (Pater, "pai", em latim). A patrística se preocupava em adaptar os ensinamentos da filosofia grega aos princípios cristãos. Baseava-se nas obras de Platão e identificava a Palavra de Deus com o mundo das ideias platônicas. Partiam do princípio de que o homem seria capaz de entender a Deus através da sua revelação. Esta é uma fase inicial de desenvolvimento da filosofia medieval, quando o Cristianismo está concentrado no Oriente e vai se expandindo pela Europa. Por isso, a maioria dos filósofos era também teólogos e o tema principal era a relação da razão e da fé. Os Padres da Igreja precisavam explicar conceitos como a imortalidade da alma, existência de um só Deus, e dogmas como a Santíssima Trindade, a partir da filosofia grega. ESCOLÁSTICA Baseada na filosofia de Aristóteles, a Escolástica foi um movimento filosófico medieval que se desenvolveu durante os séculos IX e XVI. Ela surge com o intuito de refletir sobre a existência de Deus, da alma humana, da imortalidade. Em suma, desejam justificar a fé a partir da razão. Por isso, os escolásticos defendiam ser possível conhecer a Deus através do empirismo, da lógica e da razão. Igualmente, a Escolástica pretende defender a doutrina cristã das heresias que apareciam e que ameaçavam romper com a unidade da cristandade. Grandes filósofos da escolástica foram são Bernardo de Claraval, Pedro Abelardo, Guilherme de Ockham, o beato João Duns Escoto, entre outros. Nesse período, o filósofo mais importante foi Tomás de Aquino e sua obra "Summa Teológica", onde estabelece os cinco princípios para provar a existência de Deus. A Escolástica permaneceu em vigor até a época do Renascimento, quando começa a Idade Moderna. FILOSOFIA DE SANTO AGOSTINHO É difícil traduzir a filosofia de Agostinho em poucas palavras, pois ele tratou sobre os mais variados temas ao defender as primeiras bases teológicas do cristianismo. Agostinho escreveu, por exemplo, sobre o tempo. Algo que intriga religiosos, cientistas e filósofos, o tempo é, segundo o filósofo patrístico, algo que ele sabe o que é, mas não sabe responder caso seja perguntado. Isso leva o interlocutor a pensar algo que seria muito importante na contemporaneidade: o conhecimento intuitivo. Além do tempo e de outros assuntos importantes para a filosofia e para a Igreja Católica, Agostinho escreveu sobre o bem e o mal. Na visão do filósofo, ao tentar-se resolver o antigo paradoxo da onipotência e da suprema benevolência de Deus sobre o mal, afirma-se que Deus é o supremo bem e o único caminho possível para o bem. No entanto, há a possibilidade deixada pelo livre arbítrio de que o homem afaste-se do bem e vá em direção ao mal. Deus seria o bem e a distância de Deus seria o mal, o caminho oposto à iluminação divina. As principais obras escritas por Santo Agostinho são Confissões e Cidade de Deus. Confissões tem um tom altamente autobiográfico. Nesse livro, o filósofo fala do período de sua vida em que não era convertido, fala com propriedade do pecado, do maniqueísmo e do hedonismo. Também conta como foi convertido tardiamente na fé cristã. Em Cidade de Deus, o filósofo fala de dogmas relacionados ao cristianismo, como a vida eterna da alma e a bem-aventurança, além do paraíso e da bondade de Deus. Os escritos contidos nessa obra mostram-se como o princípio para a compreensão de uma filosofia cristã. SÃO TOMÁS DE AQUINO Havia uma disputa cabal entre os intelectuais do século XIII: de um lado, os dialéticos (professores de Filosofia) defendiam a preponderância da filosofia grega pagã para as explicações do mundo; de outro, encontravam-se os teólogos cristãos, que buscavam dar a explicação para o mundo por meio das escrituras sagradas. Aquino encontrava-se no meio dessa Disputa de Questões ou, como eles chamavam, Quaestio Disputata. Esse embate resume a produção filosófica das universidades mais antigas em seus tempos de gestação. Os acadêmicos dedicavam-se a debater sobre a primazia de um ou de outro campo. Havia aqueles que afirmavam a primazia da teologia sobre a pagã filosofia. Outros afirmavam a primazia do pensamento filosófico. Aquino foi um dos que defenderam um elo entre a filosofia pagã grega e a teologia cristã, buscando em Aristóteles elementos para firmar essa ligação, formando o “pensamento tomista” e o “tomismo aristotélico”. Uma das maiores influências de Aristóteles sobre o tomismo encontra-se na distinção entre essência e existência. Para Aristóteles, não havia procedência formal que conectasse aquilo que existe em essência a um objeto. Aquino cria um movimento de conexão, sem fazer perder o preceito filosófico, afirmando que o que existe em essência existe de alguma maneira, mesmo que ontologicamente. Para Aquino, a identidade (princípio fundamental da lógica aristotélica) era o elo fundamental que, ao conectar a existência e a essência, mostrava o toque divino. A perfeição divina era capaz de alcançar e de explicar essa relação tão obscura e intrigante. Baseado na filosofia aristotélica, Tomás de Aquino desenvolveu as Cinco Vias que Provam a Existência de Deus, uma espécie de regressão causal que, em todos os casos (nos cinco argumentos), Deus é o princípio. As cinco vias são dispostas desta maneira: ● O movimento do motor primeiro: em todo o universo, há movimento. Aristóteles propõe que para o movimento, existe um movente (motor), que dá a propulsão e o movimento ao corpo movido. Se fôssemos procurar cada movente de cada movimento, sem conjecturar a existência de um primeiro motor que não foi movido por ninguém, faríamos um movimento ad infinitum e não encontraríamos a causa primeira. Portanto, é necessário pensar que há uma causa primeira (motor imóvel) que colocou o primeiro movimento em tudo. ● A causa não causada, ou a primeira causa eficiente: partindo da mesma reflexão que foi desenvolvida na primeira via, é necessário entender que tudo foi causado no mundo, exceto uma primeira causa. Essa é a causa prima e ela não teve evento anterior. Foi um primeiro momento em que uma primeira coisa aconteceu. Essa causa não causada é Deus. ● Ser necessário e seres possíveis: os conceitos de necessidade e possibilidade estão em jogo. Existem seres possíveis, que podem ou não existir. Existem os seres necessários, que, independentemente das contingências, existem. Os seres contingentes são gerados, existem e são extintos (deixam de existir). Eles estão em transformação contínua. Porém, existe um ser que é. Do mesmo modo que é, sempre foi e sempre será. Esse é o ser necessário e Ele é Deus. ● Graus de perfeição: baseando-se na filosofia platônica, Aquino classifica diferentes graus de perfeição existente entre os seres. Existe uma espécie de hierarquia entre os graus de perfeição que pode classificar seres entre a bondade e a nobreza, por exemplo. Para Tomás de Aquino, se há essa hierarquia, deve haver um padrão de excelência que serve para a correção dos seres mais evoluídos. Esse padrão é Deus. ● Governo supremo: há uma organizaçãodas coisas e dos seres materiais. Os corpos, mesmo que inconscientemente, orientam-se para um fim. Essa ordenação é um governo supremo, ordenado por Deus.