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AULA 1 
INOVAÇÃO E SUSTENTABILIDADE
ECONÔMICA E SOCIAL 
Profª Ana Lizete Farias 
 
 
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INTRODUÇÃO 
Inovação é uma palavra que está em todos os campos de atuação. Se 
buscamos no Google uma definição, é possível que tenhamos milhões de 
resultados e milhares de definições, mas sua própria definição é praticamente inútil: 
“a ação ou processo de inovar”. 
Para o momento em que estamos vivendo, sob a pandemia do coronavírus, 
pensar em inovação quase que se torna uma exigência. 
Novas práticas e soluções inovadoras tiveram que ser desenvolvidas por 
indivíduos, grupos de indivíduos, empresas e governos para lidar com as questões 
sociais, econômicas e ambientais que emergiram nesse cenário global. 
Esse é um processo que não terminará no fim da pandemia, pois o nosso 
mundo mudou de maneiras fundamentais e estamos apenas começando essa 
jornada. 
Sob esse contexto, absolutamente disruptor, vamos olhar o que é inovação 
e qual é a sua relação com a sustentabilidade. 
Vamos começar. 
TEMA 1 – INOVAÇÃO 
Figura 1 – Inovação: inspiração, criatividade, análise, tecnologia, 
desenvolvimento, equipe, sucesso 
 
Fonte: Buffaloboy/Shutterstock. 
Como dissemos na introdução, ao buscar a definição de inovação na 
internet, vamos nos deparar com uma quantidade enorme de resultados, 
associados aos mais diferentes campos do conhecimento. Verificar isso é 
importante porque já nos mostra que o conceito de inovação deve estar inserido 
em contextos mais amplos e também a diferentes perspectivas de observação, 
 
 
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como a sua evolução histórica, ou mesmo conectado com a tecnologia e as 
tendências atuais. 
Antes de prosseguirmos, vamos distinguir inovação e invenção, uma vez 
que os dois conceitos se aproximam, principalmente pelo fato de que nem sempre 
boas invenções estiveram atreladas a uma inserção mercadológica, aspecto 
crucial para a inovação, como ainda veremos em nossas aulas. 
Inventar é ter uma primeira ideia acerca de alguma coisa e, por outro lado, 
inovar é quando se torna novo e renovado algo que já existe e que tenha como 
base o projeto de melhorar alguma coisa, seja um processo ou produto. 
Avançando para a relação com a sustentabilidade, podemos adiantar que também 
deve ter como objetivo melhorar, em algum aspecto, a vida dos seres vivos. 
Se inovar é uma busca constante do mercado, de certa maneira, podemos 
dizer que agrega um valor comercial às invenções. 
Historicamente foi o economista Joseph Schumpeter que popularizou o 
conceito de inovação a partir do lançamento do seu livro Teoria do 
desenvolvimento econômico, publicado em 1912. Para Schumpeter (1997), ainda, 
a inovação não se reduziria simplesmente àquilo que é novo ou de certa forma 
vendável, mas seria o principal mecanismo pelo qual o capitalismo se desenvolve. 
De acordo com o economista, os empresários inovam quando realizam um 
caminho estruturado na criação de novos produtos; criação de novos métodos de 
produção; entrada em novos mercados; introdução de novos materiais e fontes; e 
no desenvolvimento de novas formas de organização empresarial (Schumpeter, 
1997). 
Sua teoria, ainda bastante atual, propõe que o desenvolvimento econômico 
ocorre em um processo de criação de novos oportunidades por meio da 
“destruição criativa, um conceito presente até hoje em nossa sociedade, que 
necessita se inventar e reinventar a cada instante” (Nelson, 2012). 
Schumpeter (1997) também demonstrou que as “inovações ‘radicais’ 
provocam grandes mudanças no mundo, enquanto inovações ‘incrementais’ 
preenchem continuamente o processo de mudança”, o que vem sendo confirmado 
por outros autores ao longo da história. 
 Sob esse aspecto, o Manual de Oslo (OCDE, 2006) ressalta que a 
inovação está no cerne da mudança econômica como um processo contínuo, em 
que as empresas realizam constantemente mudanças em produtos e processos, 
buscando novos conhecimentos. 
 
 
4 
Para outros autores como Simantob e Lippi (2003), a inovação é uma 
iniciativa, seja pequena ou transformadora, que surge como uma novidade para a 
organização assim como para o mercado. Quando aplicada na prática, possibilita 
resultados econômicos para a empresa, nos mais diferentes campos, sejam 
ligados à tecnologia, gestão, processos ou modelo de negócios. 
Na mesma linha de pensamento, encontramos Paiva, Carvalho e 
Fensterseifer (2004, p. 69), que irão situar a inovação como “um processo de 
mudança que, tal como qualquer outra atividade organizacional, pode ser 
gerenciada com o objetivo de trazer futuras vantagens competitivas à empresa 
que assim o fizer”. 
Esses elementos são imprescindíveis no contexto das empresas, como 
compreende Hitt, Ireland e Hoskisson et al. (2002, p. 523), ao afirmarem que “as 
inovações são cruciais, pois elas diferenciam seus produtos e serviços dos 
concorrentes, criando um valor adicional ou novo para os clientes” bem como fonte 
de vantagens competitivas para essas organizações. 
O que há em comum no que esses autores expressam é que inovar, 
indiscutivelmente, está associado à geração de vantagens competitivas para a 
empresa. 
Govindarajan e Kopalle (2006) alertam, no entanto, que é preciso 
diferenciar a cultura da eficiência de privilégio da inovação, ou seja, deve-se 
buscar apenas realizar as tarefas com maior agilidade sem comprometer a 
qualidade, situações completamente diversas. Esses autores concluem 
enfatizando que as organizações hoje estão menos preparadas para os desafios 
da inovação do que há cinquenta anos. 
Portanto, mesmo que a história possa nos comprovar que foi (e tem sido) 
pela inovação que as organizações empresariais conseguiram transformar o 
mundo e poderiam ir além, não é isso o que tem acontecido. Se o que os gestores 
buscam, de maneira fundamental, é a sobrevivência da organização num primeiro 
momento. Os passos consequentes deveriam ser a ampliação de suas atividades, 
utilizando a inovação para se tornarem preferencialmente diferenciados de seus 
concorrentes. 
Ao final, podemos dizer que inovar exige que se tenha um olhar crítico, 
analítico e corajoso frente ao que já existe, alterando fluxos e reinventando 
caminhos que não deram certo. Além disso, saber reconhecer o que deu certo e 
 
 
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agora necessita ser atualizado, mas reaproveitando as experiências, tanto 
aquelas que foram boas quanto aquelas ruins. 
Frente aos desafios socioambientais da atualidade, inovar será sempre 
criar novos maneiras de lidar com esses desafios assim como uma possibilidade 
de nos recriarmos para viver neste planeta. 
TEMA 2 – UM POUCO DE HISTÓRIA 
Figura 2 – Um pouco de história 
 
Fonte: Hurca/Shutterstock. 
Como vimos anteriormente, a inovação pode ser analisada sob diferentes 
pontos de vista, a depender do cenário que estiver em questão, além do fato de 
estar associada à perspectiva de inserção no mercado. 
As inovações geralmente surgem, como nos lembra Johnson (2015), como 
uma tentativa de resolver um problema específico, mas, uma vez que entram em 
circulação, acabam provocando outras mudanças que teriam sido difíceis de 
prever. 
É interessante para o nosso estudo, então, que possamos visualizar o 
caminho percorrido, de tantas mudanças, que nos levaram a alcançar esse grau 
de progresso, principalmente tecnológico, no qual estamos literalmente imersos 
em pleno século XXI. A maioria de nós não reflete sobre a maravilha que é beber 
água sem nos preocuparmos em morrer de disenteria, viver confortavelmente em 
climas que seriam intoleráveis até cinquenta anos atrás, graças à evolução da 
arquitetura e também da tecnologia do ar-condicionado. 
Temos tido o apoio de uma classe de objetos que foram desenvolvidos com 
as ideias e a criatividade de pessoas que vieram antes de nós como inventores, 
progressistas que tiveram a paciência de se dedicaram a resolver situações, que 
hoje nem de longe pensaríamos em ser um problema, como a luz artificial, a água 
limpaque bebemos. Dessa forma, hoje podemos apreciar esses luxos sem pensar 
a respeito, sem sequer imaginá-los como um luxo (Johnson, 2015). 
 
 
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Sem dúvida, estamos em plena Era de ouro da inovação, com a tecnologia 
digital transformando as bases da existência humana. Mas, por outro lado, 
vivemos numa carência de material de bens e serviços para mais de três bilhões 
de seres humanos, que estão vivendo sem os atendimentos básicos em termos 
de saúde, educação, moradia digna, ausência de saneamento. 
E como chegamos até aqui? 
Vamos começar olhando um passado recente, como o século XVIII, por 
exemplo, em que as pessoas ainda iluminavam suas casas com velas e óleo de 
retirados de animais, aqueciam-se com fogões à lenha ou a carvão, vivendo em 
sua maioria em áreas rurais, com famílias numerosas. 
Naquela época vegetais frescos eram escassos, pois os agricultores 
priorizavam safras que poderiam ser armazenadas; a maioria dos adultos rurais 
tinha dois conjuntos de roupas de trabalho, ambos feitos em casa, e somente as 
famílias mais abastadas tinham um conjunto melhor de roupas para a igreja ou 
passeios sociais. 
Em vez de um banheiro, usava-se penico ou uma casinha com uma fossa 
aberta em seu interior, dado que os banheiros modernos começaram a surgir 
durante a década de 1870. Nas grandes cidades, já existiam esgotos tanto para a 
água da chuva quanto para os dejetos humanos, mas todos eles fluíam para os 
rios sem filtragem. 
Pelos padrões de hoje, as opções de entretenimento eram limitadas, sem 
telefone, toca-discos, filmes ou rádios. 
Partos geralmente aconteciam em casa, e as mortes eram comuns tanto 
no nascimento quanto nos primeiros anos de vida por doenças como febre 
amarela, cólera e muitas outras. 
É a partir dos anos 20, após a I Grande Guerra, um evento de grande 
impacto social, com efeitos em todas as áreas da vida em comum, que começa 
uma transformação do cenário anteriormente descrito. A vida urbana passa a 
atrair mais as pessoas, com casas começando a ser conectadas às redes 
elétricas, a construção de redes urbanas de água e sistemas de esgoto e telefones 
possibilitando conversas à longa distância. 
Nessa mesma época, o transporte estava passando por sua própria 
transformação, e as pessoas estavam se tornando muito mais conectadas umas 
às outras fisicamente com o advento dos automóveis. 
 
 
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A Era dos alimentos processados havia começado com o lançamento de 
marcas de alimentos até hoje conhecidos como molhos Heinz, aveia Quaker, e 
Coca-Cola, por exemplo. Também foi nessa época que foram desenvolvidos os 
processos de congelamento rápido, facilitando congelar frutas, carnes, legumes 
(Johnson, 2015, p. 45). 
Todas essas transformações, sejam da ordem da invenção ou inovação, 
tornaram-se partes fundamentais da vida cotidiana meio século depois. 
Como nos diz Harari (2015), os humanos em 1500 estavam confinados à 
superfície da Terra, podendo construir torres e escalar montanhas, o céu era 
reservado para pássaros, anjos e deidades, mas em 20 de julho de 1969, 
aterrissamos na Lua, uma conquista histórica como também um feito evolutivo e 
até mesmo cósmico. 
Nessa retrospectiva histórica, um fenômeno merece ser ressaltado, cuja 
dimensão de seus impactos ainda não sabemos exatamente qual é, pois está em 
crescente mutação: a velocidade com que circula a informação. 
No entanto, quando pensamos em sustentabilidade da vida neste planeta 
que vivemos, há muito por fazer. É urgente que inovemos para reduzir 
desigualdades sociais, para mudanças de padrões de produção e consumo, de 
reciclagem, de reúso, de reaproveitamento e de outras formas de diminuir a 
pressão sobre matérias-primas e ao mesmo tempo reduzir os impactos causados 
pelos descartes de substâncias e objetos no meio ambiente. Há muito por fazer. 
TEMA 3 – DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E INOVAÇÃO 
Figura 3 – Desenvolvimento sustentável 
 
Fonte: Outflow Designs/Shutterstock. 
 
 
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Anteriormente vimos que, apesar de nosso progresso, ainda há muito a ser 
feito para a inovação em sustentabilidade. Essa uma preocupação que data dos 
anos sessenta, quando o movimento ambientalista trouxe à tona questões acerca 
dos excessivos impactos ambientais, entre os quais a questão nuclear, a extração 
e o uso exagerado dos recursos naturais, a poluição, a destruição de 
ecossistemas naturais, a extinção de animais, dentre tantos outros 
acontecimentos. 
O conceito de sustentabilidade foi apresentado em 1987 no conhecido 
Relatório Brundtland, pela Comissão Mundial da ONU sobre Meio Ambiente e 
Desenvolvimento, estabelecendo como Desenvolvimento Sustentável: “o 
desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a 
capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades” (ONU, 
1988, p. 46). 
Essa definição, desde então, tem-se transformado para se adaptar à 
realidade dos governos e das empresas, incorporando-se no vocabulário das 
companhias, imprensa e de ONGs – Organizações da Sociedade Civil. 
Hoje, as organizações sabem que o sucesso não se reflete apenas em suas 
declarações de lucros e perdas. Em vez disso, para obter uma perspectiva precisa 
e completa de suas operações e relacionamentos com o meio ambiente, a 
comunidade e a economia, as organizações devem contabilizar totalmente todos 
os custos associados à realização de negócios, indo além da conformidade. 
Esses aspectos correspondem exatamente ao triple botton line (tripé da 
sustentabilidade), definido por John Elkington no final da década de 1980 
(Elkingnton, 2001), e que se compõe dos seguintes elementos: 
• Vértice econômico: um empreendimento sustentável deve ser 
financeiramente eficiente, ou mais propriamente dito, ecoeficiente; 
• Vértice ambiental: deve ter modelos de produção e consumo que 
assegurem que os ecossistemas tenham condições de se autorregenerar; 
• Vértice social: deve contemplar as condições para que todas as pessoas 
tenham acesso aos recursos necessários para uma vida saudável e bem-
estar, estando implícita a erradicação da pobreza. 
Sua teoria, portanto, expande as métricas de sucesso empresarial para 
incluir contribuições para a saúde ambiental, o bem-estar social e uma economia 
justa. Na atualidade, essas categorias agora são chamadas de três “Ps”: pessoas, 
planeta e prosperidade. 
 
 
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Mas não foi somente esse conceito que influenciou as questões ambientais. 
Outros acontecimentos aconteceram e até hoje fazem marcas na construção 
desse difícil caminho. Por isso, vamos relembrar alguns marcos na história da 
sustentabilidade: 
• 1962 – Primavera Silenciosa: Rachel Carson, bióloga lançou, nos Estados 
Unidos, o livro Silent Spring (Primavera silenciosa), relatando sobre os 
perigos causados pelos inseticidas e pesticidas na planície do rio Mississipi. 
O nome é justamente uma alusão aos ambientes em silêncio do rio 
causados pela morte da fauna; 
• 1972 – Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano: 
Essa Conferência chamou a atenção das nações para o fato de que a ação 
humana estava causando séria degradação da natureza e criando severos 
riscos para o bem-estar e para a própria sobrevivência da humanidade; 
• 1981 – Instituição da Política Nacional do Meio Ambiente no Brasil; 
• 1987 – Relatório Brundtland: Relatório Brundtland é o documento intitulado 
Nosso Futuro Comum (Our Common Future), publicado em 1987; 
• 1988 – Criação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas 
(IPCC): mais conhecido pelo acrônimo IPCC (da sua denominação em 
inglês Intergovernmental Panel on Climate Change), é uma organização 
científico-política criada em 1988 no âmbito das Nações Unidas (ONU) pela 
iniciativa do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) 
e da Organização Meteorológica Mundial (OMM). Tem como objetivo 
principal sintetizar e divulgar o conhecimento mais avançado sobre as 
mudanças climáticas quehoje afetam o mundo, especificamente o 
aqueciment global, apontando suas causas, efeitos e riscos para a 
humanidade e o meio ambiente, e sugerindo maneiras de combater os 
problemas; 
• 1992 – Eco 92: a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente 
e o Desenvolvimento, também conhecida como Eco-92, Cúpula da Terra, 
Cimeira do Verão, Conferência do Rio de Janeiro e Rio 92, foi uma 
conferência de chefes de Estado organizada pelas Nações Unidas e 
realizada de 3 a 14 de junho de 1992 na cidade do Rio de Janeiro, no Brasil. 
Seu objetivo foi debater os problemas ambientais mundiais. A Agenda 21 
foi o principal documento da Rio-92 (Conferência das Nações Unidas sobre 
 
 
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Meio Ambiente e Desenvolvimento Humano). Teve esse nome porque se 
refere às preocupações com o nosso futuro, agora, a partir do século XXI; 
• 1997 – Protocolo de Kioto (o único tratado internacional que estipula 
reduções obrigatórias de emissões causadoras do efeito estufa) 
• 1998 – Lei de Crimes Ambientais (o meio ambiente é um bem fundamental 
à existência humana e, como tal, deve ser assegurado e protegido para uso 
de todos. Esse é princípio expresso no texto da Constituição Federal, que 
no seu art. 225, caput, dispõe sobre o reconhecimento do direito a um meio 
ambiente sadio como uma extensão ao direito à vida, seja pelo aspecto da 
própria existência física e saúde dos seres humanos, seja quanto à 
dignidade desta existência, medida pela qualidade de vida (Brasil, 1988). 
Esse reconhecimento impõe ao poder público e à coletividade a 
responsabilidade pela proteção ambiental; 
• 1999 – Pacto Global da ONU: iniciativa planejada para empresas 
comprometidas em alinhar suas operações e estratégias com dez 
princípios universalmente aceitos nas áreas de direitos humanos, trabalho, 
meio ambiente e combate à corrupção; 
• 2000 – Cúpula do Milênio: em setembro de 2000, os presidentes de 189 
países, incluindo o Brasil, se reuniram no evento chamado Cúpula do 
Milênio, promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU) para 
debaterem sobre os principais problemas que afetam o mundo. No Brasil, 
já foi chamado de os oito jeitos de mudar o mundo; 
• 2002 – Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável: a Cúpula do 
Milênio, como também é conhecida a Cúpula Mundial sobre 
Desenvolvimento Sustentável, foi realizada em 2002, em Johannesburgo, 
África do Sul. O objetivo foi a implementação efetiva da Agenda 21 Global, 
avaliação dos obstáculos encontrados para atingir as metas propostas na 
Eco 92 e dos resultados alcançados em dez anos; 
• 2006 – 8ª Conferências das Partes da Convenção da Biodiversidade 
(Curitiba): A COP8 foi a oitava Conferência das Partes da Convenção sobre 
Diversidade Biológica (CBD) foi realizada de 20 a 30 de março, em Curitiba, 
Paraná; 
• 2012 – Rio +20: a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento 
Sustentável, a Rio+20, foi realizada de 13 a 22 de junho de 2012, na cidade 
do Rio de Janeiro. A Rio+20 foi assim conhecida porque marcou os vinte 
http://www.cdb.gov.br/
http://www.ecoturismoaventura.com.br/brasil/curitiba.htm
 
 
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anos de realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio 
Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92) e contribuiu para definir a agenda do 
desenvolvimento sustentável para as próximas décadas; 
• 2015 – Agenda 2030: plano abrangente que descreve como podemos 
abolir a pobreza e transformar o mundo em um ambiente pacífico e 
sustentável para todos. 
A história nos mostra, então, que já percorremos um longo caminho mas 
também que ainda precisamos avançar muito. Acima de tudo também é possível 
dizer que a mudança deve começar pelo indivíduo, que transforma a empresa, 
que influencia o mercado, que estimula a mudança da sociedade. 
TEMA 4 – PANDEMIA OU SINDEMIA DO CORONAVÍRUS 
O surgimento do coronavírus Covid-19, pela primeira vez, foi em Wuhan, 
capital da província chinesa de Hubei, no final de 2019 e rapidamente se alastrou 
para além da Ásia, atingindo todo o planeta. 
Figura 4 – Vírus corona SARS-CoV-2, responsável pelo surto de Covid, em visão 
microscópica 
 
Fonte: Creative Neko/Shutterstock. 
As respostas a esse acontecimento foram as mais variadas, desde negar 
os seus efeitos até a instituição de bloqueios e toques de recolher na maioria das 
cidades do mundo. 
A ciência avaliou esse acontecimento disruptor na saúde planetária como 
mais uma entre as grandes pestes que já assolaram a humanidade. Mas os fatos, 
até agora, nos mostram que o Covid-19 não é tão simples, pois, na compreensão 
 
 
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de Horton (2020), duas categorias de doenças estão interagindo entre si: a 
infecção aguda grave síndrome respiratória coronavírus 2 (SARS-CoV-2) e uma 
série de doenças não transmissíveis (Horton, 2020). 
O que os cientistas entendem é que essas interações têm ressaltado os 
padrões de desigualdade profundamente enraizados em nossas sociedades, ou 
seja, a agregação dessas doenças, em um contexto de disparidade social e 
econômica, exacerba as adversidades efeitos de cada doença separada. 
Sob essa perspectiva, Horton afirma que a Covid-19 não é um pandemia, 
mas sim uma sindemia (Horton, 2020). 
Esse conceito não é novo. A noção de sindemia foi utilizada pela primeira 
vez por Merrill Singer, um antropólogo médico americano na década de 1990, 
acerca do alastramento do vírus da aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida 
– Acquired Immunodeficiency Syndrome). 
Singer (1994) argumentou que a abordagem sindêmica nos permite 
mostrar as interrelações entre os aspectos biológicos e sociais interações, 
importantes para o prognóstico, tratamento e elaboração de políticas de saúde. 
Ou seja, as epidemias revelam uma complexa rede de determinações que 
tornam difícil, se não impossível, a identificação e mensuração do papel de cada 
um dos fatores envolvidos. 
O dano causado pelo coronavírus (SARS-CoV-2), portanto, exigirá uma 
atenção muito maior para doenças não transmissíveis, num contexto de 
desigualdade socioeconômica maior do que até agora foi admitido. 
O que dizem os especialistas, sob essa ótica, é que tratar o Covid-19 
significa também tratar a hipertensão, obesidade, diabetes, problemas 
respiratórios crônicos cardiovasculares e doenças como o câncer. 
A consequência mais importante de entendermos a crise do Covid-19 como 
uma sindemia é que ele acentua as questões sociais, ou seja, não importa quão 
eficaz é um tratamento ou proteção de uma vacina; é necessário também que 
existam programas para reverter as profundas disparidades. 
Sob essa perspectiva, compreender o Covid-19 como uma sindemia exigirá 
uma atuação muito mais ampla para inovadores em todos as áreas, 
principalmente em sustentabilidade. 
 
 
 
 
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Figura 5 – Impacto global causado pelo vírus 
 
Fonte: Hurca/Shutterstock. 
TEMA 5 – IMPACTO GLOBAL PRODUZIDO PELO VÍRUS 
A pandemia do coronavírus atingiu praticamente todos os países do mundo 
e, além de seus efeitos letais sobre a vida de milhões de pessoas, seu impacto 
também se estendeu à economia e ao meio ambiente. 
As empresas tiveram de gerenciar mais ainda seus custos, demitindo 
pessoas e até mesmo tendo que optar pelo encerramento de seus negócios. 
Figura 6 – Impacto das medidas de bloqueio 
 
Fonte: Paopano/Shutterstock. 
Os governos lutaram, e ainda estão lutando, com o impacto de medidas de 
bloqueio para combater a disseminação do vírus assim como as questões do 
colapso dos sistemas de saúde. Apesar do desenvolvimento de novas vacinas, 
muitos ainda se perguntam como será a recuperação. 
Sem dúvida, é uma experiência única, desde a pandemia da gripe 
espanhola, em 1918, que matou mais de 25 milhões de pessoas em todo o mundo, 
 
 
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e seus impactos se constituirão, por muito tempo, uma agenda de pesquisa em 
todos os campos, incluindo o ambiental. 
Figura 7 – Imagem de uma enfermaria durante a epidemia de gripe espanhola de 
1918-19, em Washington DCFonte: Everett Collection/Shutterstock. 
Será preciso compreender as reduções significativas das atividades 
econômicas, do transporte aéreo, rodoviário e ferroviário, e as consequências na 
sob a poluição do ar e emissões de gases de efeito estufa, ou seja, os efeitos de 
diminuição da pressão na natureza. 
Há, portanto, uma oportunidade de observar o que acontece quando essa 
abrupta mudança em situações cotidianas de geração de alto impacto poluidor, 
ocorre em escala global e local, cessando por um período. 
Mesmo que isso tenha sido um evento temporário, as consequências foram 
perceptíveis, senão para a grande maioria, mas significativamente para a 
comunidade científica empenhada em monitorar a qualidade ambiental do mundo. 
Dessa feita, algumas questões importantes se colocam como um horizonte 
a ser alcançado: 
• Quais os impactos efetivos sobre o meio ambiente? 
• Qual é a correlação com a crise ambiental que já vivíamos, antes da 
chegada do vírus? 
• Até que ponto os custos econômicos da pandemia de coronavírus irão se 
derramar nas próximas gerações em relação aos bens naturais? 
• Conseguiremos efetivar mudanças nas atitudes em relação ao meio 
ambiente? 
 
 
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• Será que a experiência do isolamento irá encorajar essas mudanças? 
Não temos respostas ainda para essas perguntas, mas o que podemos 
afirmar, por ora, é que as consequências do coronavírus ainda serão discutidos 
nas próximas décadas. 
Pode ser que seja apenas esquecido, assim como nos esquecemos da 
gripe espanhola, de Fukushima, Chernobyl, ou seja, dos efeitos da letalidade 
dessas tragédias. 
Aprendemos, com a história, que as tragédias trazem ganhos ambientais 
de curto prazo ou temporários, mas que, infelizmente, quando a normalidade 
retorna e o PIB se recupera, nos esquecemos do que passamos. 
Dessa vez será assim? Essa é uma boa reflexão para inovadores, como 
disse Bill Gates (2020), na dedicatória de seu livro Como evitar um desastre 
climático: as soluções que temos e as inovações necessárias. 
 
 
 
 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
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