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Estatuto científico da psicologia
A Psicologia como campo de conhecimento científico, sua evolução e suas mudanças epistemológicas, as
principais teorias psicológicas, seus respectivos objetos de estudo e seus principais marcos de construção
teórica.
Profa. Talitha Vieira Gonçalves Batista
1. Itens iniciais
Propósito
Conhecer a Psicologia como campo da ciência, desvinculada das outras formas de conhecimento, com base
nos contextos de sua concepção e consolidação científica, bem como as bases em que foram construídos
seus pilares epistemológicos, é fundamental para uma adequada formação profissional como psicólogo.
Preparação
Antes de iniciar, tenha em mãos um bom dicionário de Psicologia para buscar conceitos mais específicos.
Sugerimos que pesquise e acesse os seguintes dicionários:
 
APA Dictionary of Psychology – em inglês, da American Psychological Association (um dos mais
reconhecidos e consultados dicionários virtuais).
Diccionario de Psicología – em espanhol, de Umberto Galimberti, disponível on-line.
Objetivos
Distinguir os tipos de conhecimento: empírico, religioso, filosófico e científico.
Reconhecer os pontos comuns e divergentes das diferentes abordagens iniciais do processo de
construção da Psicologia como ciência independente.
Identificar as principais abordagens teóricas e seus respectivos objetos de estudo.
Introdução
O homem tem se colocado ao longo da história como sujeito do conhecimento. Assim como há diferentes
formas de percepção da realidade, há também diferentes formas de conhecimento, dependendo do lugar que
falamos. Por isso, é importante estudá-los no âmbito cotidiano, acadêmico ou profissional para que possamos
nos situar no espaço.
 
Afinal, o conhecimento que adquirimos ao longo de nossa vida passa, necessariamente, pela nossa
experiência corporal, subjetiva, cognitiva, cultural e social. Assim, conhecer refere-se à relação intrínseca
entre o sujeito que conhece e o objeto que é conhecido.
 
Mas qual o conhecimento necessário para se tornar um psicólogo?
 
Em uma sociedade competitiva, acumular informações isoladamente é insuficiente. É necessário que essas
informações sejam situadas em um contexto sociocultural para que façam e tenham sentido.
 
A complexidade do conhecimento para além do acúmulo de informações diz respeito à apropriação e à
reflexão sobre a origem do conhecimento, seus limites e suas possibilidades no contexto em que é produzido.
Portanto, conhecer não é apenas se informar, mas, sobretudo, é internalizar as informações, atrelando-as a
um significado subjetivo para que seja possível uma ação transformadora.
 
No âmbito da Psicologia, como ciência independente, é necessário refletir sobre o contexto histórico de sua
formação, suas práticas e os conhecimentos produzidos a partir da busca pela compreensão do homem e de
suas intrínsecas relações com o meio.
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1. Distinguindo conhecimentos
Tipos de conhecimento
Vamos nos aprofundar em quatro diferentes tipos de conhecimento que tiveram destaque ao longo da história.
São eles:
 
Empírico ou senso comum
Religioso
Filosófico
Científico
 
Tais conhecimentos não são hierarquizados, apenas se distinguem por suas características específicas e
peculiares, conforme veremos a seguir.
Conhecimento empírico ou senso comum
Você já pensou em quantas vezes escutou
terminologias advindas da Psicologia no seu
cotidiano? Palavras como neurótico, 
complexado, baixa estima (ainda que o correto
seja baixa autoestima), histeria, entre tantas
outras recorrentes em nossa sociedade.
Mas essa é a Psicologia dos psicólogos?
Quando as pessoas dizem complexado no
cotidiano, estão se referindo à teoria do
complexo?
A teoria do complexo
É a teoria científica postulada pelo psiquiatra e psicoterapeuta suíço Carl Gustav Jung (1875-1961).
“Os complexos, em si mesmos, não são nem negativos nem positivos. São, na verdade, constituintes
da psique humana e fonte das emoções. Indicam, dessa forma, que a estrutura psíquica é dotada de
uma carga afetiva muito forte, ligando entre si representações, pensamentos e lembranças. Jung
estima que os complexos podem ser agrupados em categorias distintas: complexo mãe, complexo
pai, complexo de poder, complexo de inferioridade. Por trás de suas características pessoais, os
complexos possuem conexões com os arquétipos, criando uma ponte entre as vivências individuais e
as grandes experiências da humanidade.” (NASSER, 2010, p. 327)
Certamente, não. A “Psicologia”, usada no cotidiano pelas pessoas em geral, é denominada psicologia
empírica ou do senso comum — mas nem por isso deixa de ser um conhecimento válido.
 
O conhecimento empírico ou senso comum é um conhecimento popular e superficial, um resquício advindo do
conhecimento científico, que permite às pessoas compreenderem e explicarem seus conflitos e suas
situações cotidianas. Refere-se àquelas ideias elaboradas no cotidiano, aceitas e, muitas vezes, naturalizadas.
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Atenção
Conhecimento empírico ou senso comum é um conhecimento corrente e espontâneo, advindo do
cotidiano, baseado em hábitos, preconceitos e tradições cristalizadas culturalmente. 
O conhecimento empírico é essencial para que haja convivência cotidiana em sociedade. Afinal, se ele não
existisse ou se fosse questionado de forma radical, seria impossível que tivéssemos, por exemplo, um diálogo
simples em um bar. Imagine a seguinte conversa:
 
 
– Garçom, duas cervejas, por favor.
 
– Senhora, na verdade, isso não é cerveja,
porque a quantidade de lúpulo necessária para
que ela assim fosse denominada...
 
 
– Obrigado pela informação. Mas não estrague
essa bela noite ao luar.
 
– Senhora, não existe “luar” ou “luz da lua”.
Sabemos que a luminosidade que vemos
provém da estrela mais próxima da terra, o Sol,
que a ilumina. Temos a ilusão...
Saiba mais
Lúpulo é uma espécie de trepadeira usada, desde o século IX, na fabricação de cerveja, conferindo-lhe o
gosto amargo característico. 
Essa conversa informativa não teria fim ou um dos interlocutores desistiria! Embora o conhecimento empírico
possa levar a preconceitos, de menor ou maior grau, por conta do que definimos como tradições cristalizadas
culturalmente, ele ainda permanece necessário. Disso resulta a necessidade do chamado bom senso.
Conhecimento religioso
Tão antigo quanto o senso comum, o conhecimento religioso é baseado na fé — ou na interpretação que ela
dá a outras formas de conhecimento —, pois muitos acreditam que a fé detém a verdade absoluta. Durante
milênios, foi a única fonte de conhecimento sistematizado de inúmeras civilizações. Na busca dos porquês de
fenômenos que não podiam ser explicados por causas naturais, surgiam as explicações por meio da fé, dos
mitos e das entidades divinas.
O conhecimento religioso pode ser definido como produto da fé humana na existência de uma ou
mais entidades divinas.
Para entender o conhecimento religioso, nada melhor do que recorrer à Grécia Antiga, com sua multiplicidade
de mitos e deuses. Lá, existia Deméter, uma deusa da agricultura, filha de Cronos e irmã de Zeus. Naquele
tempo, acreditavam que havia fartura de alimentos graças a essa deusa (CAMPBELL, 1990).
Estátua de Perséfone.
Deméter tinha uma linda filha, Perséfone, que
despertou a paixão de seu tio, o deus Hades,
senhor do mundo avernal (submundo).
Encantado com a beleza de Perséfone, Hades a
rapta e oferece a ela um fruto de romã.
Perséfone não sabia que quem comesse um
fruto do submundo seria obrigado a viver nele.
Assim, Perséfone se tornou esposa de Hades,
senhora do mundo subterrâneo.
 
Inconformada, Deméter secou a Terra e a
transformou em um inverno constante.
Preocupado com o destino dos seres humanos,
Zeus procurou seu irmão Hades e com ele fez
um acordo: Perséfone passaria metade de cada
ano ao lado de sua mãe, Deméter, e a outra metade, ao lado do marido, Hades.
 
Assim, quando Perséfone subia das profundezas para se encontrar com a mãe, caracterizava as estações
primavera e verão; quando Perséfone retornavaao marido Hades, iniciava as estações outono e inverno. Esta
seria a explicação das estações do ano para os gregos antigos.
Embora todas as religiões tenham os mitos como origem — mito e religião são distintos. As religiões estão
baseadas em homens idealizados, que, de alguma forma, possuem ligações com o inexplicável e com o
sobrenatural. As religiões vêm dos mitos, mas passam pelo crivo da luz do pensamento racional, pois estão
fundamentadas na crença de que a mente humana, quando livre de suas limitações, pode alcançar a ideia de
divindade.
A mente humana, aliviada de preocupações secundárias e meramente temporais, reproduz, com a
radiância de um espelho imaculado, o reflexo da mente racional de Deus. A razão coloca você em
contato com Deus. Consequentemente, para aqueles homens, não havia uma revelação especial em
lugar algum, e nem era necessário, porque a mente do homem, livre das suas falibilidades, é
suficientemente capaz de compreender Deus. Todas as pessoas do mundo, portanto, são capazes,
porque são dotadas de razão.
(CAMPBELL, 1990, p. 39)
Conhecimento filosófico
O conhecimento filosófico procura dar sentido aos fenômenos gerais da existência humana. Vários conceitos
científicos se originaram de reflexões filosóficas. Portanto, esse tipo de como característica a busca da razão
pura no questionamento dos problemas humanos.
Seus objetos de análise são ideias, relações
conceituais e exigências lógicas não materiais,
isto é, não passíveis de observação. Utiliza-se
como método a razão, em que prevalece o
processo dedutivo, o qual antecede a
experiência. Não exige confirmação
experimental, apenas lógica (LAKATOS;
MARCONI, 1991).
 
A Filosofia encontra-se sempre à procura do
que é mais geral, interessando-se pela
formulação de uma concepção unificada do
universo. Por isso, procura responder às grandes indagações do espírito humano e até busca as leis mais
universais que englobem as conclusões da ciência.
O conhecimento filosófico é fruto do raciocínio e da reflexão humana. É o conhecimento
especulativo sobre fenômenos da vida.
Os gregos foram os primeiros a criar condições para uma sistematização do conhecimento, com base em
perguntas como:
O que terá levado o homem, a partir de determinado momento de sua história, a fazer ciência teórica e
filosofia? Por que surge no Ocidente, mais precisamente na Grécia do século VI a.C., uma nova
mentalidade, que passa a substituir as antigas construções mitológicas pela aventura intelectual,
expressa através de investigações científicas e especulações filosóficas?
(PRÉ-SOCRÁTICOS, 1996, p. 4)
Ao se estudar a história do nascimento da Filosofia (séculos VI a.C.-V d.C., Filosofia Antiga), é comum dividi-la
em: antes de Sócrates (os pensadores pré-socráticos) e após Sócrates (Sócrates, Platão e Aristóteles).
 
O conhecimento filosófico grego se confunde com a própria cultura ocidental. Influenciado pelo conhecimento
latino (romano) e pelo conhecimento religioso (cristão) – ou somando-se a eles –, constitui a base para grande
parte das estruturas que sustentam a sociedade contemporânea: legislação, sistema político, arte etc.
 
A partir disso, é possível encontrar o correlato da história da Filosofia numa cronologia geralmente aceita:
Filosofia Medieval
(séculos V-XV)
Filosofia Moderna
(séculos XV-XVIII)
Filosofia Contemporânea
(século XVIII até os dias atuais)
Dessa forma, a Filosofia também foi a base para o conhecimento científico, seja no âmbito das Ciências da
Natureza (a partir do século XVI), seja no âmbito das Ciências Humanas (a partir do século XIX).
Conhecimento científico
O conhecimento científico sempre esteve inserido no conhecimento filosófico, pois ambos nasceram com o
mesmo objetivo: a busca da compreensão da realidade com base em elementos lógicos. Tanto o
conhecimento científico quanto o lógico buscaram a sistematização do conhecimento.
 
Durante a Filosofia Moderna, tivemos, pela primeira vez, um conhecimento que ganhou autonomia, deixando o
pensamento lógico-argumentativo para a Filosofia e desenvolvendo uma teoria experimental.
 
Assim, as perguntas que a Filosofia tenta responder são diferentes daquelas respondidas pela ciência.
Enquanto o conhecimento científico é baseado em fatos, estabelecendo leis e padrões, a Filosofia é
especulativa, baseada, principalmente, na argumentação.
São objetos de estudo da ciência perguntas como:
Por que um corpo cai?
Por que alguém morre?
São objetos da Filosofia perguntas como:
Existe alma?
O que é liberdade?
De acordo com Bock, Furtado e Teixeira (2001), a ciência
compõe-se de um conjunto de conhecimentos sobre os
fatos ou aspectos da realidade expressos por meio de uma
linguagem rigorosa. Esses conhecimentos devem ser
obtidos de maneira programada, sistemática e controlada
para que se permita a verificação de sua validade.
Dessa forma, a ciência resulta de um trabalho racional, baseado em pesquisas, investigações metódicas,
controladas, programadas e sistemáticas. Suas características básicas são:
 
Objeto específico
Linguagem rigorosa
Objetividade
Métodos e técnicas específicas
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Processo cumulativo de conhecimento
O conhecimento científico refere-se a um conjunto de atitudes e atividades racionais dirigido ao
conhecimento sistemático, com objetivo limitado e capaz de ser submetido à verificação.
A ciência emerge de contextos socioculturais específicos e com características determinadas. O processo de
criação de uma nova ciência é muito complexo. Afinal, “[...] é preciso mostrar que ela tem um objeto próprio e
métodos adequados ao estudo desse objeto; que ela é, enfim, capaz de firmar-se como uma ciência
independente das outras áreas de saber”. (FIGUEIREDO; SANTI, 2000, p. 14)
Comparação entre os tipos de conhecimento
O quadro a seguir compara os tipos de conhecimento vistos até aqui.
Conhecimento empírico
ou senso comum
Conhecimento
religioso
Conhecimento
filosófico
Conhecimento
científico
Valorativo Valorativo Valorativo Real (factual)
Reflexivo Inspiracional Racional Contingente
Assistemático Sistemático Sistemático Sistemático
Verificável Não verificável Não verificável Verificável
Falível Infalível Infalível Falível
Inexato Exato Exato
Aproximadamente
exato
Quadro: Comparativo entre os tipos de conhecimento.
Extraído de LAKATOS; MARCONI, 1991, p. 74.
Comentaremos um pouco mais sobre cada tipo de conhecimento para fixarmos os conceitos:
• 
Conhecimento empírico ou senso comum
Valorativo – pois é influenciado pelos estados de ânimo e pelas emoções do observador.
Reflexivo – porque a familiaridade com o objeto estudado não instiga a formulação de padrões
e não permite uma formulação geral.
Assistemático – baseia-se em uma organização particular (subjetiva) que depende do sujeito.
Verificável – mas apenas em relação ao que pode ser observado, no cotidiano, no âmbito do
observador, isto é, sua verificabilidade é subjetiva.
Falível – porque se conforma apenas com o que se vê ou se ouviu falar, não se preocupa com a
busca da verdade.
Inexato – pois a falibilidade não permite a formulação de hipóteses verificáveis sob o ponto de
vista filosófico ou científico.
Conhecimento religioso
Valorativo – porque se baseia em doutrinas que possuem proposições sagradas (dogmas), com
juízo de valor.
Inspiracional – pois é revelado pelo sobrenatural.
Sistemático – os dogmas revelam um conhecimento organizado do mundo (de onde viemos,
para qual finalidade e para que destino).
Não verificável – pois depende da fé em um criador divino.
Infalível e exato – porque os dogmas (revelações divinas) não podem ser discutidos.
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Conhecimento filosófico
Valorativo – porque se baseia na experiência e na argumentação.
Racional – por consistir em um conjunto de enunciados logicamente relacionados.
Sistemático – pois os enunciados buscam uma representação coerente e geral da realidade
estudada.
Não verificável – pois as hipóteses filosóficas não podem ser confirmadas.
Infalívele exato – porque as hipóteses exigem apenas coerência e lógica, que dispensam a
experimentação.
Conhecimento científico
Real (factual) – porque lida com ocorrências e fatos.
Contingente – pois as hipóteses podem ser validadas ou descartadas pela experimentação.
Sistemático – busca a formulação de ideias correlacionadas ao objeto de estudo.
Verificável – isto é, as hipóteses não comprovadas são descartadas.
Falível – porque nenhuma verdade é definitiva e absoluta.
Aproximadamente exato – porque novas proposições e novas tecnologias podem reformular o
conhecimento existente.
Atividade
Imagine a seguinte situação: um homem morreu. Em seu velório, estavam presentes um padre, um professor
de Filosofia, um amigo de infância e um médico. Uma pessoa pergunta aos quatro: Por que o homem morreu?
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Você conseguiria identificar a que tipo de conhecimento corresponde cada uma dessas respostas? Observe
as respostas a seguir.
 
1. Ele morreu, porque era um homem bom. Se fosse ruim, não morreria. Vaso ruim não quebra!
2. Do pó viestes, ao pó regressarás! Essa é uma verdade à qual ninguém pode escapar…
3. Para Nietzsche, a morte é a suprema possibilidade da liberdade humana. Na morte, o homem se demonstra
vivo no mais alto grau!
4. Ele trabalhava demais. A ansiedade é um transtorno frequente e associada a doenças cardíacas.
 
 
Assinale a alternativa que apresenta a ordem correta das respostas:
A
Médico, padre, amigo de infância, professor de filosofia
B
Padre, amigo de infância, professor de filosofia, médico
C
Amigo de infância, médico, padre, professor de filosofia
D
Amigo de infância, padre, professor de filosofia, médico.
A alternativa D está correta.
A sequência correta é:
1. Ele morreu, porque era um homem bom. Se fosse ruim, não morreria. Vaso ruim não quebra! Amigo de
infância (conhecimento empírico ou senso comum).
2. Do pó viestes, ao pó regressarás! Essa é uma verdade à qual ninguém pode escapar... Padre 
(conhecimento religioso).
3. Para Nietzsche, a morte é a suprema possibilidade da liberdade humana. Na morte, o homem se
demonstra vivo no mais alto grau! Professor de Filosofia (conhecimento filosófico).
4. Ele trabalhava demais. A ansiedade é um transtorno frequente e associada a doenças cardíacas. Médico 
(conhecimento científico).
Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844-1900)
...) Suas reflexões se caracterizaram por uma violenta crítica
aos valores da cultura ocidental, que abrangia os
fundamentos da razão. Nietzsche considerava que o erro e
o devaneio estão na base dos processos cognitivos, e que a
fé na ciência, como qualquer fé em verdades absolutas, não
passa de um contrassenso. (Infopédia – Dicionários Porto
Editora)
Vamos agora aprofundar um pouco mais sobre esses tipos
de conhecimento.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
1. Sobre a distinção entre senso comum e conhecimento científico, assinale a alternativa
correta:
A
Ao contrário do senso comum, a ciência é um conhecimento objetivo, exato e sistemático, que se opõe ao
caráter dogmático e subjetivo do conhecimento empírico.
B
A ciência domina o imaginário contemporâneo. Isso significa que, cada vez mais, confiamos no testemunho de
nossos sentidos, que promovem uma adesão acrítica à realidade dada.
C
A ciência existe para confirmar nossas certezas cotidianas, utilizando um pensamento assistemático que
despreza o trabalho da razão.
D
A rigor, a ciência complementa o senso comum, mas banindo os obstáculos e problemas observados por
nossa percepção imediata dos fatos.
E
A ciência e o senso comum não se diferenciam, pois ambos se constituem em conhecimentos fundamentados
na experimentação com rigor metodológico.
A alternativa A está correta.
Presente em nossas vidas, o senso comum é baseado na percepção cotidiana dos fatos ou nos costumes e
nas tradições. Portanto, não exige nenhuma análise mais aprofundada ou algum tipo de testagem,
assumindo-se como forma dogmática. O contrário acontece com o conhecimento científico que, para ser
reconhecido, necessita de confirmação por meio de experimentos. Além disso, constantemente, precisa ser
revisto e reavaliado.
2. Sobre o conhecimento filosófico, assinale a alternativa correta:
A
É um tipo de conhecimento que não diz tudo o que sabe e uma norma que não enuncia tudo aquilo que
postula.
B
Não pode ser reaberto ou discutido, pois os filósofos já morreram.
C
É baseado em fatos, estabelecendo leis e padrões.
D
É uma forma de conhecimento que questiona os fenômenos da realidade.
E
Seu percurso é caracterizado pela exigência de clareza e da prova de sua validade.
A alternativa D está correta.
O conhecimento filosófico difere-se dos demais tipos de conhecimento especialmente pelo valor lógico-
argumentativo que busca. Se, por um lado, não admite o dogmatismo proveniente do senso comum, por
outro, não está baseado na experimentação científica. Além disso, costuma ser considerado o
“conhecimento da dúvida”, pois tem por objetivo não se conformar com a realidade apresentada.
Sócrates.
2. Origem da Psicologia: Convergências e Diferenças
Psicologia: desenvolvimento e ascensão
Depois de compreender os diferentes tipos de conhecimento, vamos conhecer as perspectivas filosóficas e
fisiológicas que impulsionaram o desenvolvimento da Psicologia como ciência.
 
Pensar na relação entre Psicologia e ciência não é tarefa fácil, pois há muitas relações e interpretações do que
a ciência significa para a Psicologia (FIGUEIREDO; SANTI, 2000). Ainda hoje, aApós mais de 100 anos de
esforços para se criar uma Psicologia Científica, os estudos psicológicos ainda mantêm relações estreitas com
muitas ciências naturais e sociais.
 
O processo para a Psicologia ser considerada como ciência foi lento. O principal empecilho para que isso
acontecesse foi seu objeto de estudo: a psique, entendida como a mente, não se apresenta como objeto
observável, não se enquadrando, portanto, nas exigências da cientificidade vigente na época de seu
surgimento, conforme veremos a seguir.
Saiba mais
Psique é uma “palavra grega que, etimologicamente, significa o ‘sopro’ que anima e dá vida a um corpo.
Nesse sentido, Aristóteles fala de psique como idêntico a biós, a vida. Os latinos traduziram psique como
anima (alma), mantendo o dualismo platônico: alma x corpo. Com o nascimento da Psicologia Científica,
no século XIX, o termo ‘alma’ foi abandonado, porque estava fortemente carregado de implicações
filosóficas, metafísicas e morais, para adotar o termo ‘psique’, mais neutro e mais técnico. Seu significado
depende dos diferentes sistemas de pensamento [...].” (GALIMBERTI, 2002, p. 928) 
Certos autores, como Bock, Furtado e Teixeira (2001), defendem a importância de se destacar o panorama do
pensamento de alguns filósofos que contribuíram para o desenvolvimento e a ascensão da Psicologia. É o que
faremos agora a partir desse ponto de vista.
Filosofia Clássica
Desde o século VI a.C., os filósofos já se preocupavam em entender a natureza humana. Filósofos gregos
como Sócrates, Platão e Aristóteles foram os primeiros a tentar uma sistematização dos estudos da psique.
Sócrates (469 a.C.-399 a.C.) — Foi um dos
mais conhecidos filósofos gregos. Dedicava-se
à educação da juventude. Ensinava que o
conhecimento é imperfeito, porque nos chega
por meio dos sentidos e, dessa forma, está
sujeito às ilusões. Acreditava que um único tipo
de conhecimento podia ser obtido: o do próprio
eu. Para ele, esse era o único conhecimento
necessário, o qual possibilitava ao homem levar
vida virtuosa. Esse princípio está em sua frase:
“Conheça a ti mesmo”.
 
Seu procedimento didático partia do princípio
“Sei que nada sei”, isto é, sua sabedoria
Platão.
Aristóteles.
consistia em ter consciência da própria ignorância. Ter consciência de que não se sabe é o ponto de partida
da ciência e do conhecimento.
 
Sócrates foi um crítico das tradições, dos usos e costumes da época, do próprio regimedemocrático, da
religião, da antiga ciência física, provocando uma verdadeira revolução que influenciou não só a filosofia grega
como todo o pensamento filosófico ocidental.
Platão (428 a.C.-347 a.C.) — Discípulo de Sócrates,
acreditava que o conhecimento que vem dos sentidos é
imperfeito. Acrescentou a esse conceito, a existência de um
reino das ideias que é permanente e perfeito – um reino que
existe fora do homem e é independente dele.
Para Platão, o homem é dualista, formado de mente e
corpo. Essa visão é considerada a raiz mestra da história da
Psicologia. Depois de estabelecer a distinção entre mente e
corpo, Platão associou a essas duas terminologias um
conjunto de valores opostos: a mente era identificada com o
belo e o bem, enquanto a matéria representava a parte
inferior do homem e do universo.
 
Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.) — Discípulo de
Platão, mas também seu opositor. Não
acreditava na existência de ideias inatas nem
no mundo das ideias. Para Aristóteles, a
criança, ao nascer, não traz nenhuma bagagem
de conhecimento. É por meio da experiência
que o homem adquire conhecimento, pois, em
sua visão, nada há na inteligência que não
tenha passado pelos sentidos.
 
Aristóteles identificou os primeiros degraus na
escala da aquisição do conhecimento:
 
Órgãos dos sentidos: quando estimulados, provocam reações, isto é, sensações.
Sensações: elementos mais simples e primitivo do conhecimento.
Aristóteles foi o primeiro a escrever tratados sistemáticos de Psicologia, que, na época, eram essencialmente
filosóficos. No entanto, muitas das tendências que a levariam à conquista do status de ciência começavam a
ser delineadas.
Filosofia da Idade Média
Apesar de todas as bases filosóficas que subsidiaram o desenvolvimento da Psicologia, novos paradigmas se
impuseram na Idade Média (séculos V-XV) em razão da hegemonia do cristianismo.
 
Neste contexto, os filósofos Santo Agostinho e São Tomás de Aquino tiveram destaque em suas teorias, que
serviram de suporte à Igreja Católica. A partir deles, a racionalidade ganhou o status de manifestação divina
no homem.
• 
• 
Santo Agostinho.
Escultura de São Tomás de Aquino.
 
Santo Agostinho (354-430) — Aurelius
Augustinus, mais conhecido como Santo
Agostinho, nasceu em Tagaste de Numídia –
província romana ao norte da África – em 354.
Jovem, de temperamento impulsivo, entregou-
se ao estudo e aprendeu toda a ciência de seu
tempo. Chegou a ser brilhante professor de
retórica em Cartago, Roma e Milão. No ano 391,
foi proclamado sacerdote pelo povo. Cinco
anos mais tarde, consagrado Bispo de Hipona –
título de serviço e não de honra –, converteu
sua residência em casa de oração e tribunal de
causas. Pastor de almas, administrador de
justiça, defensor da fé e da verdade, pregou e
escreveu condensando o pensamento de seu
tempo. (PROVÍNCIA AGOSTINIANA DO BRASIL).
São Tomás de Aquino (1225-1274) — Tomás de Aquino
nasceu em 1225, em Aquino, uma comuna italiana. Nascido
em uma família de nobres, teve uma influente e apropriada
educação. Em Nápoles, para onde foi em 1239, estudou
artes liberais. Com apenas 19 anos, em 1244, abandonou o
curso e decidiu seguir sua vocação religiosa, ingressando,
em seguida, na Ordem dos Dominicanos, em Paris. No ano
seguinte, (...) escreveu suas primeiras obras. Foi discípulo
do bispo, filósofo e teólogo alemão Santo Alberto Magno
(...).. Mais tarde, em 1252, Tomás de Aquino retornou à
Paris, onde se graduou em Teologia e seguiu a carreira de
professor. Em 1274, convocado pelo Papa Gregório 10º,
viajou para participar do Concílio de Lyon. Contudo,
adoeceu durante a viagem e faleceu no mosteiro
cisterciense de Fossanova aos 49 anos de idade. (ROSATELI et al., 2017, p. 2)
Filosofia Renascentista ou Moderna
Entre os séculos XV e XVIII – período que compreende a chamada Idade Moderna –, o mercantilismo
estimulava a descoberta de novas terras e o surgimento do acúmulo de riquezas por nações em formação,
como França e Itália. Ao mesmo tempo, ocorreu um processo de valorização do homem (BOCK; FURTADO;
TEIXEIRA, 2001).
 
A nova conclusão de Copérnico (1473-1543), em 1543, de que a Terra não era o centro do universo derivou
uma revolução no conhecimento humano. Neste cenário, regras e métodos para o estabelecimento do
conhecimento científico começaram a surgir, levando à sua sistematização. O capitalismo moveu o mundo em
busca de matéria-prima para abastecer os mercados e aumentar cada vez mais a produção.
 
O mundo foi posto em movimento. Disso resultou o surgimento da racionalidade do homem e a busca pelo
conhecimento científico em prol do desenvolvimento. O homem deixou de ser o centro do universo
(antropocentrismo) e deu esse lugar ao Sol. O homem estava livre para traçar seu futuro e buscar novas
conquistas.
Conhecimento e fé se tornaram independentes, e o homem passou a buscar pelo conhecimento por
meio da racionalidade. Neste momento, surgiram estudiosos como Friedrich Hegel (1770-1831), que
apontou a importância da história para o avanço do conhecimento, e Charles Darwin (1809-1882),
com a teoria da evolução das espécies, que descartou definitivamente o antropocentrismo.
Ernst Heinrich.
Gustav Theodor Fechner.
O filósofo francês René Descartes (1596-1650) também deixou contribuições fundamentais às ciências
naturais e à Psicologia. Ficou conhecido pela dualidade instituída na compreensão do homem: corpo x mente.
Para Descartes, o corpo poderia ser relacionado ao funcionamento de uma máquina. Seus movimentos seriam
previsíveis a partir do conhecimento de suas peças e das relações entre elas. À mente cabia o conhecer, o
raciocinar, o querer. Tais elementos estariam no campo da Filosofia e, por ser a mente uma entidade sem
localização, seriam imensuráveis e não observáveis (SCHULTZ, D. P.; SCHULTZ, S. E., 2009).
Saiba mais
René Descartes foi um dos filósofos que mais contribuiu para o avanço da ciência, sobretudo, para o
desenvolvimento da Psicologia, tentando resolver o problema mente e corpo – uma questão controversa
durante anos. 
Perspectivas fisiológicas da Psicologia
As questões da Psicologia até então estudadas pelos filósofos também passaram a ser estudadas pela
Fisiologia e pela Neurofisiologia. Pesquisas iniciais sobre o cérebro e o comportamento tiveram um impacto
crucial no desenvolvimento da Psicologia como ciência. Nesste cenário, quatro cientistas foram apontados
como responsáveis pelas primeiras aplicações do método experimental ao objeto de estudo da Psicologia
(SCHULTZ, D. P.; SCHULTZ. S. E., 2009). Vamos conhecê-los.
 
 
 
Ernst Weber (1795-1878) — Nascido em
Wittenberg, na Alemanha, realizou seu
Doutorado na Universidade de Leipzig, em
1815, onde também lecionou Anatomia e
Fisiologia. Seu principal interesse de pesquisa
foi a fisiologia dos órgãos sensoriais – área em
que forneceu duradouras contribuições à
Psicologia.
 
Gustav Theodor Fechner (1801-1887) — Embora sua
formação original tenha sido na Matemática e Física,
Fechner enveredou na Psicologia, partindo da convicção de
que as realidades psíquicas não se opunham às físicas.
Assim, acreditava que havia um tipo de paralelo entre elas,
constituindo a essência de cada ser humano. Sua Psicologia
Experimental tem como base, portanto, as ciências exatas.
Hermann von Helmholtz.
Wilhelm Wundt.
 
 
 
Hermann von Helmholtz (1821-1894) —
Pesquisador no campo da Física e Fisiologia,
Helmholtz, foi um dos maiores cientistas do
século XIX. A Psicologia estava em terceiro
lugar entre as suas áreas de contribuição
científica, contudo, ao lado das pesquisas de
Gustav Theodor Fechner e Wilhelm Wundt, seu
trabalho foi decisivo para a fundação da nova
Psicologia.
Wilhelm Wundt (1832-1920) — Fundador da
Psicologia como disciplina acadêmica formal,
foi a primeira pessoa na história a ser
designada como psicólogo. Seu livro publicado
em 1874, Princípios da Psicologia Fisiológica,
delineou muitas das principais conexões entre a
ciência da Fisiologia e o estudo do pensamento
e do comportamento humano. Wundt criou o
primeiro laboratóriode Psicologia Experimental
do mundo em Leipzig, na Alemanha, em 1879.
 
Ao definir a Psicologia como ciência da
experiência imediata, ele pretendia atacar uma
concepção de Psicologia muito comum em sua
época, que tratava a mente como uma
substância ou entidade, seja espiritual
(espiritualismo) ou material (materialismo). Para
ele, essa forma de estudar a Psicologia era equivocada, porque se baseava em hipóteses metafísicas que
extrapolavam toda a possibilidade de experiência.
Como Wundt tinha a intenção de fundar uma nova Psicologia, autônoma e independente de teorias
metafísicas, recusou o objeto como concepção metafísica e deteve-se à experiência psicológica propriamente
dita. Ele descreve a Psicologia como a “ciência da experiência consciente”. Assim, o método da Psicologia
Científica deveria abranger as observações da experiência consciente. Somente o sujeito que passa pela
experiência é capaz de observá-la (SCHULTZ, D. P.; SCHULTZ, S. E., 2009). A seguir, confira mais sobre
Wilhelm Wundt:
Wilhelm Wundt
Wundt estabeleceu que o método de observação devia necessariamente utilizar a introspecção, à
qual se referia como percepção interna. Dessa forma, deu-se o início oficial da Psicologia como
disciplina científica separada e distinta. A introspecção era entendida como:
“Observação dos próprios conteúdos psíquicos. Distinguem-se a introspecção simultânea, em que a
observação acontece simultaneamente à realização do evento psíquico, e uma introspecção
retroativa, na qual fatos psíquicos são examinados após seu desenvolvimento. No início, usou-se a
Psicologia Experimental como método de pesquisa dos processos psíquicos superiores. Então, esta
foi abandonada e passou a ser usada como um instrumento cognitivo em todas as correntes
psicológicas não comportamentais e, especialmente, na Psicologia Clínica, em que o relato da
experiência subjetiva é de notável importância, e na Psicoterapia, onde é a premissa natural da
interação entre terapeuta e paciente.” (Galimberti, 2002, p. 632)
O nascimento da Psicologia como ciência independente é um momento significativo. E é isso que vamos
aprofundar um pouco mais agora!
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Primeiras escolas teóricas da Psicologia
Embora a Psicologia tenha surgido na Alemanha, foi nos Estados Unidos que ocorreu o crescimento dessa
nova ciência. Entre os anos 1883 e 1893, surgiram 23 novos laboratórios de pesquisa psicológica. A partir de
então, foram criadas as primeiras escolas teóricas da Psicologia, com suas divergências internas. Vamos
conhecê-las agora.
Estruturalismo
Embora não haja unanimidade entre os pesquisadores, boa parte define as raízes do estruturalismo nos
estudos de Wilhelm Wundt (1832-1920), foi sendo levado aos Estados Unidos e difundido por seu discípulo
britânico Edward Bradford Titchener (1867-1927).
 
Wundt era um típico professor alemão do século XIX, cuja vasta erudição é uma de suas características
essenciais. Não só escrevia de forma bastante rebuscada – com longos períodos intercalados por várias
orações subordinadas – como construíia seu pensamento a partir de conceitos e expressões da própria
tradição filosófica alemã que lhe precedeu (Leibniz, Wolff, Kant, Hegel, Herbart, Schopenhauer etc.), que
estão bem distantes do vocabulário psicológico da tradição norte-americana predominante no cenário
contemporâneo (ARAUJO, 2009, p. 219-2010).
Ao fundar a Psicologia Estrutural, Titchener marcou a clara e decisiva divisão entre a Psicologia
estruturalista, de Wundt, e a funcionalista, de William James (1842-1910).
Titchener, preocupado com o pragmatismo que a compreensão funcionalista passara a enfatizar, quando
desenvolvida em solo americano, defendeu a prioridade do estruturalismo por meio de um projeto que
considerava tarefa fundamental da Psicologia, isto é, a análise da consciência em seus elementos, na direção
de determinar sua estrutura” (BARRETO, 2008, p. 149).
 
Titchener priorizou o papel da percepção sensorial, das funções cerebrais e da aprendizagem no decorrer do
desenvolvimento, analisando as relações entre a mente e os estímulos do mundo físico. Para realizar suas
investigações, também utilizou o método da introspecção.
Saiba mais
O estruturalismo foi considerado a primeira escola americana de pensamento no campo da Psicologia.
Embora sejam notáveis por sua ênfase na pesquisa científica, seus métodos eram limitantes e subjetivos
e, portanto, não confiáveis. Quando Titchener morreu, em 1927, o estruturalismo praticamente morreu
com ele (SCHULTZ, D. P.;; SCHULTZ, S. E., 2009). 
Para o estruturalismo, os objetos de estudo da Psicologia eram os aspectos estruturais do Sistema Nervoso
Central – considerados aspectos elementares da consciência.
Funcionalismo
O funcionalismo nasceu nos Estados Unidos e seu principal pesquisador foi Wiliam James (1842-1910).
 
Os psicólogos funcionalistas definiam a Psicologia como uma ciência biológica, interessada em estudar os
processos, as operações e os atos psíquicos (mentais) como formas de interação adaptativa, para descobrir a
função desses mesmos processos e os atos psíquicos.
Para o funcionalismo, o objeto de estudo da Psicologia era a consciência, sobretudo o
funcionamento da consciência, como o homem a utiliza para se adaptar ao meio.
Associacionismo
O principal representante do associacionismo é Edward Lee Thorndike (1874-1949). Discípulo de William
James, Thorndike foi considerado um dos mais importantes pesquisadores no desenvolvimento da Psicologia
Animal (SCHULTZ; , D. P.; SCHULTZ. S. E., 2009). Elaborou uma teoria objetiva e mecanicista da
aprendizagem, que se concentrou no comportamento manifesto. Acreditava que a Psicologia deveria estudar
o comportamento e não elementos mentais ou experiências conscientes.
Saiba mais
Segundo Thorndike, a aprendizagem decorre de um processo de associação de ideias, das mais simples
às mais complexas. O ponto central dessa teoria está em analisar como as ideias se unem e se guiam até
se tornarem estáveis. Assim, formulou a primeira teoria da aprendizagem na área da Psicologia,
entendendo-a não em termos subjetivos, mas pelas conexões concretas entre estímulos e respostas. 
Thorndike fez diversos experimentos com animais e percebeu que, ao oferecer algum tipo de recompensa, os
animais faziam o que ele queria. Assim, relacionou o comportamento humano ao comportamento animal.
Para o associacionismo, o objeto de estudo da Psicologia era o comportamento.
Essas três escolas que constituíram a Psicologia Científica deram origem, no século XX, a novas teorias, as
quais serão abordadas no próximo módulo.
Verificando o aprendizado
1. A Psicologia recebeu seu estatuto de ciência apenas no século XIX. Entretanto, as
demandas psicológicas estão presentes na história desde que se constituiu a própria
humanidade. Por isso, alguns autores defendem que se deva buscar na origem do
pensamento (ocidental, pelo menos) a bases para a compreensão da Psicologia. Essa
perspectiva é chamada de:
A
Perspectiva filosófica
B
Perspectiva fisiológica
C
Perspectiva psicológica original
D
Perspectiva funcionalista
E
Perspectiva associacionista
A alternativa A está correta.
A perspectiva filosófica é aquela que busca na história da Filosofia – desde a Filosofia Clássica (grega),
passando pela Filosofia Medieval até chegar à Filosofia Moderna – as bases teóricas que fundamentam o
nascimento da Psicologia como ciência no século XIX.
2. No âmbito da perspectiva fisiológica da Psicologia, fundamentada nas teorias de Weber,
Fechner, Helmholtz e Wundt, merece destaque o pensamento deste último filósofo,
especialmente por ter sido designado, especificamente, como o primeiro a ser reconhecido
como psicólogo. Analise as afirmações a seguir sobre seu pensamento:
I. Wundt foi o primeiro fisiologista a criticar os laboratórios de Psicologia Experimental que
começavam a aparecer, na Alemanha, em fins do século XIX.
II. Wundt criticava a Psicologia de sua época, pois esta tratava a mente humanacomo uma
substância metafísica.
III. Para Wundt, a Psicologia deveria ser entendida como a ciência do inconsciente, e todo
método psicológico deveria ser baseado na observação do inconsciente do indivíduo.
Está(ão) correta(s) a(s) afirmação(ões):
A
I apenas
B
II apenas
C
III apenas
D
I e II
E
I e III
A alternativa B está correta.
Wundt considerava a Psicologia como ciência da experiência e foi o primeiro a fundar laboratórios de
Psicologia Experimental. Por esse mesmo motivo, combatia o pensamento de sua época, que via na
Psicologia uma experiência metafísica, desconectada da experiência real dos indivíduos. Da mesma forma,
ele entendia a Psicologia como uma ciência da experiência consciente, e não do inconsciente.
3. Principais abordagens teóricas
Objetos de estudo da Psicologia
Como vimos no módulo anterior, as pesquisas em Psicologia, inicialmente vinculadas à Filosofia, tinham a alma
como objeto de estudo. Aliás, a palavra Psicologia tem sua origem no grego:
 
psique = alma, espírito
 
logos = estudo
 
Ao se desvincular da Filosofia, a Psicologia passou a se ligar à Medicina, mais especificamente à Fisiologia e à
Neurofisiologia, ascendendo de acordo com os padrões da ciência da época (século XIX). A partir de então, os
estudos em Psicologia passaram a ser laboratoriais e o comportamento se instituiu como objeto de estudo.
 
Contudo, no século XX, a Psicologia assumiu um papel para além dos laboratórios. Nesse cenário,
destacaram-se três teorias: Behaviorismo, Gestalt e Psicanálise. Cada uma tem relevância única na forma de
compreender o ser humano, conforme veremos a seguir.
Behaviorismo
O termo Behaviorismo foi inaugurado por John Broadus Watson (1878-1958) em seu artigo intitulado 
Psicologia: como os behavioristas a veem. Embora essa terminologia seja a mais utilizada no Brasil, outras
denominações também são conhecidas (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2001):
 
Comportamentalismo
TeoriaComportamental
Análise Experimental do Comportamento
Análise doComportamento
PsicologiaExperimental
 
Nesta abordagem, dois pensadores se destacaram: John Broadus Watson e Burrhus Frederic Skinner
(1904-1990). Watson é considerado o porta-voz da abordagem behaviorista; já Skinner, o principal autor
dessa abordagem. Ao primeiro, deve-se o behaviorismo metodológico, enquanto ao segundo, o behaviorismo
radical. Vejamos mais detalhadamente cada um deles.
Behaviorismo metodológico
John Broadus Watson destacou-se como behaviorista. Como vimos, tornou o comportamento como objeto de
estudo da Psicologia em contraposição à abordagem mentalista que vigorava na época.
Um dos muitos cães usados por Pavlov nas suas
experiências, Museu Pavlov, Rússia.
A teoria behaviorista surgiu numa época em que as investigações na área da Psicologia eram realizadas por
meio da introspecção. Contudo, os behavioristas metodológicos acreditavam que o autoexame não era
suficiente para conferir à Psicologia o caráter de ciência. Então, propuseram um enfoque no mundo objetivo,
ou seja, no comportamento observável.
Atenção
Assim como os behavioristas da época, Watson não ignorava os sentimentos, a emoção e a
subjetividade, mas acreditava que esses aspectos não podiam ser concebidos como objetos de estudo
da Psicologia, pois não eram mensuráveis. 
O Behaviorismo metodológico ficou conhecido como Teoria S-R (estímulo-resposta) e fundamentou-se nos
experimentos do fisiologista russo Ivan Petrovich Pavlov (1849-1936).
 
Em seus estudos, Pavlov percebeu que os cães, que estavam no laboratório havia algum tempo, começavam a
salivar antes de serem alimentados. Para tentar explicar essa salivação antecipada, ele desenvolveu uma série
de experimentos.
Para Pavlov, no condicionamento clássico ou 
respondente, a aprendizagem sempre começa
com uma resposta não aprendida, evocada por
um estímulo específico. Essa relação entre
estímulo (comida) e resposta (salivação)
incondicionados foi chamada de reflexo ou 
resposta incondicionada.
 
Depois, o fisiologista associou aos seus
estudos um estímulo neutro (som de um sino) e
o estímulo incondicionado (comida). O som do
sino, por si só, começou a evocar a salivação
como resposta. Esse som ficou conhecido
como o estímulo condicionado, e a salivação
em resposta ao sino foi denominada resposta
condicionada.
Os behavioristas metodológicos, especialmente Watson, adaptaram esses conceitos voltados aos animais
para o estudo do comportamento humano, reproduzindo experimentos principalmente com crianças.
 
Para Watson, nascemos praticamente iguais, com um pequeno repertório de respostas (como medo, raiva e
amor) dirigidas a alguns estímulos específicos. Ao longo da vida, aprendemos a associar esses
comportamentos a outros estímulos, muitas vezes sem significado emocional.
 
Para ilustrar seu experimento, Watson desenvolveu uma demonstração bastante conhecida (e polêmica), em
que tentou condicionar um corajoso bebê de 11 meses a sentir medo de um rato branco – e, por transferência,
medo de outros elementos com os quais já havia brincado anteriormente.
Quando Watson condicionou um bebê de 11 meses
Um bebê saudável de 11 meses, chamado de Albert B., participou desse estudo. Albert foi escolhido
devido a sua estabilidade emocional, já que, antes do experimento, não demonstrava nenhuma reação
de medo diante de uma série de animais e objetos, como, por exemplo, rato branco, coelho, cachorro,
algodão, máscara com e sem cabelo e jornais em chamas. Nos testes iniciais, o bebê só mostrava
medo diante de ruídos intensos e repentinos. Dessa forma, para que o medo fosse condicionado, os
experimentadores apresentavam a Albert um rato branco (estímulo que, inicialmente, era neutro,
porque não eliciava nenhuma reação desse tipo), e, assim que o bebê tocava o animal, era produzido
um som alto (de um martelo batendo em uma barra) atrás de sua cabeça (supostamente um estímulo
aversivo incondicional). Inicialmente, foram feitos dois pareamentos entre o rato e o som. Depois do
primeiro pareamento, o bebê saltou violentamente, tombou para frente, escondeu o rosto, mas não
chorou. Na segunda apresentação dos estímulos, Albert saltou, tombou novamente para frente e
começou a choramingar (BISACCIONI; CARVALHO NETO, 2010, p. 493).
Mais do que contribuir para avanços nessa linha teórica, Watson foi um grande divulgador do behaviorismo
nos Estados Unidos. Embora seus resultados não tenham passado por testes de validação, muitas de suas
ideias tiveram grande influência nas práticas educacionais.
Saiba mais
A noção de que as condições ambientais são elementos poderosos para moldar padrões
comportamentais, em detrimento da genética, perdurou por muito tempo. Além disso, o controle das
emoções e o condicionamento emocional ainda são utilizados por pais e professores em vários países
ocidentais. 
Behaviorismo radical
Burrhus Frederic Skinner aceitava o condicionamento clássico de Pavlov, mas acreditava que a ideia era válida
apenas para uma variedade limitada de comportamentos humanos: apenas os que poderiam ter uma resposta
inicial provocada por um estímulo conhecido.
 
Defensor do Behaviorismo radical, Skinner propôs que o objeto de estudo da Psicologia deveria ser o
comportamento dos seres vivos, especialmente o do homem. Todavia, ao usar o termo comportamento,
Skinner não se referia apenas aos comportamentos observáveis, mas também a eventos considerados
“encobertos”, tais como o pensamento e a emoção — sentimentos acessíveis apenas ao próprio sujeito.
Para Skinner, o organismo age voluntariamente no ambiente. Disso resulta sua proposta de 
condicionamento operante. Enquanto para Pavlov, as respostas eram provocadas por um estímulo
(comportamento respondente), para Skinner, as repostas eram emitidas pelo indivíduo
(comportamento operante). Os resultados da resposta seriam centrais para a aprendizagem, ou seja,
as consequências do comportamento determinariam a probabilidade de ele ocorrer de novo.
Para mensurar os comportamentos em suas pesquisas, Skinner utilizava sua invenção: a câmarade
condicionamento operante (caixa de Skinner).
Câmara de condicionamento operante (caixa de Skinner).
A partir dessa caixa, Skinner fez observações sistemáticas sobre reforçamento e punição, detalhando
objetivamente elementos como aquisição, extinção, esquecimento, generalização e discriminação, sempre
baseado nas respostas observáveis. Segundo ele, os conhecimentos advindos dessas experiências e desses
estudos poderiam ser transferidos para as diferentes situações cotidianas das pessoas.
Saiba mais
O Behaviorismo tornou-se uma importante escola da Psicologia que permite a análise, o reforço e a
modificação dos comportamentos. 
Gestalt
A Gestalt surgiu na Alemanha, em 1912, e foi introduzida nos Estados Unidos oito anos depois. Seus principais
seguidores foram Max Wertheimer (1880-1943), Wolfgang Köhler (1887-1967) e Kurt Koffka (1886-1941), os
quais se basearam em estudos psicofísicos que relacionavam a forma e sua percepção. Talvez o nome mais
conhecido, por conta da criação da Gestalt Terapia, seja Friederich Salomon Perls.
 
Uma das principais contribuições da Gestalt para a Psicologia refere-se à concepção do homem de forma
integrada. A teoria afirma que só é possível compreender o homem e a situação a ele relacionada por meio do
conhecimento de todas as partes envolvidas no todo. O lema da Gestalt é: “O todo é mais que a soma de suas
partes”.
Friederich Salomon Perls.
Frederick Salomon Perls (1893-1970), também conhecido como Fritz Perls, insatisfeito com as
proposições adotadas no método clínico psicanalítico, iniciou o desenvolvimento de um projeto
terapêutico que, em 1951, passaria a chamar Gestalt Terapia: uma teoria e prática clínica sustentada em
aportes advindos da Psicologia da Gestalt, Teoria de Campo, Teoria Organísmica, filosofias de base
fenomenológica, entre outros. A Gestalt tomou uma forma peculiar de sustentação teórica e ação
terapêutica. (COMUNIDADE GESTÁLTICA, 2021). 
Percepção figura-fundo.
O objetivo dessa teoria é estudar como os seres vivos percebem as coisas, entre elas, os objetos, as imagens
e as sensações. O conceito central da Gestalt é a percepção. A disposição em que os elementos são
apresentados à percepção é muito importante. A percepção do homem não ocorre por meio de pontos
isolados, de forma fragmentada, mas sim por uma visão do todo.
percepção
Conjunto de funções psicológicas que permitem ao corpo adquirir informações sobre o estado e as
mudanças de seu ambiente, graças à ação de órgãos especializados, como visão, audição, olfato,
paladar e toque (GALIMBERTI, 2002, p. 801).
Segundo a Gestalt, existe uma dependência entre as partes, pois não as percebemos de forma isolada, mas
pelo estabelecimento das relações entre elas. Desse modo, para o homem é considerado sempre a soma das
partes que constituem sua totalidade. Por isso, essa teoria analisa a vida psíquica sob a ótica da combinação
dos elementos, que seriam as sensações e as imagens que a constituem (SCHULTZ; SCHULTZ, 2009).
 
De acordo com os estudiosos da Gestalt, diferentemente do que propõem os behavioristas, entre o estímulo
que o meio fornece e a resposta do indivíduo existe o processo de percepção, que interfere diretamente na
compreensão do comportamento humano. Ambas as teorias definem a Psicologia como a ciência que estuda
o comportamento, mas o Behaviorismo o faz a partir da relação estímulo-resposta, isolando o estímulo
relacionado à resposta esperada e desconsiderando os aspectos da consciência. Já a Gestalt entende que o
comportamento não pode ser estudado sem levar em consideração as condições que alteram a percepção do
estímulo.
 
A indissociabilidade da parte em relação ao todo permite que, quando o indivíduo observa o fragmento de um
objeto, ocorra uma tendência natural à restauração do equilíbrio da forma, proporcionando, assim, o
entendimento do que foi percebido. Esse fenômeno perceptivo é norteado pela busca de fechamento, simetria
e regularidade dos pontos que compõem uma figura (objeto).
 
Outro tópico importante diz respeito à boa forma. Por meio da percepção, é possível compreender aquilo que
foi observado. Quanto mais clara estiver a forma (boa forma), mais clara será a separação entre figura e
fundo.
Em contrapartida, se os elementos percebidos
não apresentam equilíbrio, simetria,
estabilidade, simplicidade e regularidade, não é
possível alcançar a boa forma. Portanto, o
elemento que objetivamos compreender deve
ser apresentado em seus aspectos básicos, de
tal maneira que a tendência à boa forma
conduza ao entendimento.
 
A tendência da percepção em buscar a boa
forma permite a relação figura-fundo.
Buscamos organizar as percepções do objeto
observado (figura) e o plano contra o qual ele
se destaca (fundo). Na figura a seguir, a
imagem se destaca de forma mais substancial e se sobressai do fundo. Além disso, quanto mais clara a forma
(boa forma), mais perceptível a distinção entre a figura e o fundo.
Outro conceito importante é o de campo psicológico, entendido como um campo de força que atua na
percepção, que leva à procura da boa forma. Figurativamente, podemos relacioná-lo a um campo magnético
criado por um imã (a força de atração e repulsão). Esse campo de força psicológico tem uma tendência que
garante a busca da melhor forma possível em situações que não estão muito estruturadas.
 
Para os defensores da Gestalt, no processo de aprendizagem, a experiência e a percepção são mais
importantes que as respostas a cada estímulo. A preocupação reside na totalidade do comportamento,
deixando em segundo plano as respostas isoladas e específicas.
 
Essa valorização da totalidade do comportamento também está fundamentada nos princípios da psicologia da
Gestalt. São eles:
Proximidade
Tendemos a agrupar os objetos ou elementos perceptuais por sua
proximidade.
Similaridade
Objetos parecidos tendem a ser percebidos como relacionados entre si.
Semelhança
As partes semelhantes pretendem ser percorridas unidas, constituindo
um conjunto.
Continuidade
Os fenômenos perceptivos tendem a ser considerados contínuos. Assim,
continuamos a ver a linha curva como única, mesmo que haja uma reta
cortando-a.
Fechamento
Tendemos a completar uma figura. Quando olhamos uma imagem
incompleta, tendemos a percebê-la como um desenho completo.
Psicanálise
A Psicanálise originou-se na prática clínica do médico e fisiologista Josef Breuer (1842-1925), mas foi criada
efetivamente pelo médico Sigmund Schlomo Freud (1856-1939).
 
Foi a partir da prática médica que Freud postulou como objeto de estudo da Psicologia os processos mentais
inconscientes, além de teorizar sobre a estrutura e o funcionamento da mente humana, quebrando a tradição
da Psicologia como ciência da consciência e da razão.
 
Como metodologia de investigação, Freud inaugurou o método psicanalítico e uma prática profissional
terapêutica: a Terapia Psicanalítica ou Psicanálise. Esta terapia se caracteriza pelo método interpretativo,
busca o significado oculto das ações, dos comportamentos e das palavras, além de usar os sonhos, os
delírios, as associações livres e os atos falhos no processo psicanalítico.
Com a Psicanálise, a preocupação da Psicologia se deslocou do comportamento observado para a
busca de seu possível significado ou sentido oculto, manifestado nos sintomas por meio de palavras,
atos ou produções imaginárias (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2001).
Inconsciente e pulsão
O conceito central da teoria psicanalítica é o inconsciente. A consideração de que existem processos
psíquicos inconscientes que determinam a vida psíquica é o fator diferencial dessa teoria.
 
O inconsciente é formado por conteúdos psíquicos inacessíveis, em primeira instância, à consciência. Ele
influencia o pensamento, o comportamento, as escolhas, as opiniões, ou seja, a vida consciente. Entre os
conteúdos inconscientes podemos listar:
 
Acontecimentos do passado
Fatos imaginados
Cenas presenciadas na primeira infância
Acontecimentos presenciados não percebidos pela consciência
Lembranças recalcadas
 
SigmundFreud chegou ao inconsciente, primeiramente, por meio dos sonhos. Também afirmou que os atos
falhos – como, por exemplo, palavras ditas sem a intenção de dizê-las – e os lapsos (falhas) de memória são
caminhos para se chegar ao inconsciente.
A pulsão refere-se à força que move a psique em determinada direção. É como um impulso, uma
energia originada no próprio corpo, em um órgão ou parte do corpo (chamado de fonte), que se
dirige à psique. A pulsão não pode ser identificada diretamente, mas por meio de seus
representantes psíquicos, que podem ser ideias ou afetos.
Apesar de ter origem orgânica, o conceito de pulsão não pode ser reduzido à ideia de instinto:
• 
• 
• 
• 
• 
Instinto 
Para Freud, refere-se a um comportamento
hereditário, adaptado a seu fim.
Pulsão 
Busca a satisfação, pois seu princípio é
o prazer. Como força e impulso, a
pulsão constitui e direciona o
desenvolvimento da psique.
Há diferentes pulsões. Inicialmente, Freud identificou a pulsão de natureza sexual, denominada libido: a força
que busca o prazer. Posteriormente, outros tipos de pulsão foram nomeados, como a pulsão do ego, que é a
tendência à autopreservação.
 
Em sua segunda teorização sobre pulsão, Freud postulou dois tipos básicos. São eles:
Eros
Designa os impulsos que tendem para a vida, o
prazer, o amor, a amizade e a sexualidade,
incluindo os impulsos para a organização, a
união, a criação e a construção.
Thánatos (tânatos)
Designa as tendências para a supressão das
necessidades, das angústias e dos desejos, isto
é, as tendências para a inatividade e para a
morte, incluindo os impulsos de destruição e
desagregação. É na relação conflituosa entre
essas duas forças que se desenvolve a vida
psíquica.
Organização do psiquismo
Em 1900, Freud publicou o livro A interpretação dos sonhos – um marco na história da Psicanálise. Ele
apresentou a primeira concepção da estrutura e do funcionamento do aparelho psíquico, postulado em sua
“primeira tópica”: consciente, pré-consciente e inconsciente.
 
Por aparelho psíquico, Freud se refere à noção de que a psique pode ser compreendida como uma
organização de diferentes sistemas. Para ele, a mente seria subdividida em instâncias — cada uma com sua
função própria (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2001).
Consciente — É somente uma pequena parte
da mente, que inclui tudo que se conhece em
um dado período. É chamado de sistema do
aparelho psíquico, que recebe as informações
do mundo externo e do mundo interno ao
mesmo tempo.
 
Pré-consciente — É um componente do
inconsciente, mas um elemento que pode se
tornar consciente com facilidade. Os pedaços
da memória que são compreensíveis fazem
parte do pré-consciente.
 
Inconsciente — Nesta primeira teoria, é o lugar em que ficam os elementos naturais, que jamais foram
conscientes e que não são compreensíveis à consciência. O inconsciente é um sistema do aparelho psíquico
regido pelas próprias leis de funcionamento.
Com base em seus estudos posteriores, em 1920, Freud remodelou a teoria do aparelho psíquico e propôs
uma “segunda tópica”: id, ego e superego (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2001).
Id — É o reservatório da energia psíquica, totalmente
inconsciente, em que se encontrariam as pulsões que
movem o homem.
Ego — É regido pela realidade e, em sua maior parte, é
consciente — apesar de também apresentar uma parte
inconsciente (defesas psíquicas). Ele é o mediador da busca
por satisfação, considerando as condições objetivas da
realidade. Suas funções básicas são: percepção,
pensamento, sentimento e memória.
Superego — É o representante psíquico das exigências culturais e sociais, ou seja, ele se constitui das
proibições, dos limites, da autoridade internalizada. Portanto, assume o papel da moral, responsabilizando-se
pela construção de ideais a partir de modelos externos.
Outra importante contribuição de Freud para a compreensão do aparelho psíquico refere-se aos processos
denominados mecanismos de defesa do ego, usados para evitar o desprazer.
 
Além de Sigmund Freud, outros pesquisadores contribuíram para o desenvolvimento da Psicanálise com suas
próprias teorias, algumas das quais apresentaram discordâncias com as ideias freudianas. Entre eles,
especialmente discípulos de Freud, estão:
 
Alfred Adler (1870-1937)
Carl Gustav Jung (1875-1961)
Melanie Klein (1882-1960)
Anna Freud (1895-1982)
Donald Woods Winnicott (1896-1971)
Wilhelm Reich (1897-1957)
Jacques Lacan (1901-1981)
 
 
Vamos entender um pouco mais a diferença entre a abordagem behaviorista, gestaltista e psicanalista?
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1. As três mais importantes tendências teóricas da Psicologia no século XX são consideradas,
por inúmeros autores, o Behaviorismo, a Gestalt e a Psicanálise. Sobre o assunto, assinale a
alternativa incorreta:
A
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• 
• 
• 
• 
• 
• 
O Behaviorismo nasceu com Watson e teve um desenvolvimento grande nos Estados Unidos em função de
suas aplicações práticas.
B
A Psicanálise reforçou a tradição da Psicologia como ciência da consciência e da razão.
C
A Gestalt surgiu como uma negação da fragmentação das ações e dos processos humanos, realizada pelas
tendências da Psicologia Científica do século XIX, postulando a necessidade de se compreender o homem
como uma totalidade.
D
O Behaviorismo tornou-se importante por ter definido o objeto da Psicologia de modo concreto, com base na
noção de comportamento (behavior) observável.
E
A Psicanálise nasceu com Freud, na Áustria, a partir da prática médica, recuperando para a Psicologia a
importância da afetividade e postulando o inconsciente como objeto de estudo.
A alternativa B está correta.
A compreensão da Psicologia como ciência da consciência e da razão está vinculada às origens da
Psicologia em seu estatuto como ciência. Por isso, seu nascimento está relacionado com os laboratórios
experimentais. Freud trouxe à tona o valor do inconsciente, e toda a teoria psicanalista é baseada, de
alguma forma, exatamente nesse componente.
2. A respeito das escolas da Psicologia Científica que, no século XX, fomentaram o
desenvolvimento de outras abordagens teóricas, assinale a alternativa correta:
A
A Psicanálise caracteriza-se por estudar as verdades existenciais por meio da ação e por adotar como método
a pesquisa e a intervenção nas relações interpessoais em grupos.
B
A Psicanálise mobiliza o reconhecimento das diferenças e dos conflitos, com o objetivo de que se vivencie a
realidade, e facilita a busca de alternativas para a resolução do que é revelado, expandindo os recursos
disponíveis.
C
O Behaviorismo de Watson defende uma filosofia de ciência do comportamento, partindo da premissa de que
o ser humano é um ser ativo, social e histórico, e que o sujeito e o mundo são âmbitos distintos, mas criados
no mesmo processo e se completam.
D
Retomando parte da compreensão da Psicologia em sua origem – basicamente uma ciência experimental e
observável –, Skinner, defensor do Behaviorismo radical, compreende que o comportamento dos animais pode
ser observado e controlado.
E
Uma das principais contribuições da Gestalt para a Psicologia refere-se à concepção do homem fragmentado.
A alternativa D está correta.
O Behaviorismo ou a Psicologia entendida como ciência do comportamento ganhou grande incentivo com
Skinner, seja porque ele deu seguimento ao estatuto original da Psicologia, seja porque seus experimentos,
fundamentados no condicionamento operante, tiveram grande impacto real na compreensão do
comportamento humano.
4. Conclusão
Considerações finais
A Psicologia é uma ciência relativamente nova, mas percorreu um longo caminho até se tornar independente.
Afinal, como podemos definir a Psicologia como ciência? A Psicologia é a investigação científica da psique.
Seu objeto de estudo pode ser analisado sob diferentes perspectivas: consciente, comportamento,
inconsciente etc. Essas podem contemplar, por sua vez, distintas teorias e concepções de homem:
comportamental, cognitiva,psicanalítica, psicodinâmica, fenomenológica, sociocultural etc.
 
Percorrer a história da Psicologia nos fez compreender que, em razão da multiplicidade das facetas de seu
objeto de estudo (psique), essa ciência apresenta uma capacidade infinita de se reinventar, podendo revelar
novos contornos tanto teóricos quanto práticos.
Podcast
Agora, para encerrar nosso estudo, a Psicóloga Leonor Santana nos apresentará alguns destaques da
Psicologia, em seu Estatuto Científico.
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Para saber mais sobre os assuntos tratados:
 
Leia estes dois artigos:
BARBIERI, F. Sou a favor da liberdade de opinião, mas... [S. l.]: Mises Brasil, 3 ago. 2020;
SIRICO, R. A parábola dos talentos: a Bíblia, os empreendedores e a moralidade do lucro. [S. l.]:
Mises Brasil, 24 dez. 2020. Para refletir, respectivamente, sobre a relação entre senso comum e
bom senso e o pensamento racional e religioso.
 
Acesse o site da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica – SBPA, para encontrar maiores
informações sobre o importante psicanalista Carl Gustav Jung.
 
Assista aos seguintes vídeos disponíveis no YouTube: O cão de Pavlov e O pequeno Albert de Watson.
Para entender melhor os experimentos desenvolvidos pelos dois cientistas.
 
Assista ao filme Laranja mecânica, de 1971, dirigido por Stanley Kubrick. Para entender como um
experimento de condicionamento respondente pode eliminar a violência de um delinquente. Apresenta,
pois, um estereótipo do comportamentalismo.
Referências
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1. 
2. 
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• 
• 
COMUNIDADE GESTÁLTICA. A Gestalt. Consultado em meio eletrônico em: 9 mar. 2021.
 
ARAUJO, S. F. Uma visão panorâmica da psicologia científica de Wilhelm Wundt. Scientiae Studia, 7, n. 2, p.
209-220, 2009.
 
BARRETO, C. L. B. T. A dispersão do pensamento psicológico. Boletim de Psicologia, São Paulo, v. 58, n. 129, p.
147-160, dez. 2008.
 
BISACCIONI, P.; CARVALHO NETO, M. Algumas considerações sobre o “pequeno Albert”. Temas em Psicologia,
Ribeirão Preto, v. 18, n. 2, p. 491-498, 2010.
 
BOCK, A. M. B.; FURTADO, O.; TEIXEIRA, M. L. T. Psicologias: uma introdução ao estudo de Psicologia. São
Paulo: Saraiva, 2001.
 
CAMPBELL, J. O poder do mito. São Paulo: Palas Atena, 1990.
 
FIGUEIREDO, l. C. M.; SANTI, P. L. R. Psicologia: uma (nova) introdução. São Paulo: EDUC, 2000.
 
GALIMBERTI, U. Diccionario de Psicología. Buenos Aires: Siglo XXI, 2002.
 
LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A. Metodologia científica. São Paulo: Atlas, 1991.
 
NASSER, Y. A identidade corpo-psique na Psicologia Analítica. Estudo e Pesquisa em Psicologia, Rio de
Janeiro, v. 10, n. 2, p. 325-338, ago. 2010.
 
PRÉ-SOCRÁTICOS. São Paulo: Nova Cultural, 1996. (Coleção Os Pensadores).
 
PROVÍNCIA AGOSTINIANA DO BRASIL. Vida de Santo Agostinho. Ordem de Santo Agostinho. Consultado em
meio eletrônico em: 8 mar. 2021.
 
ROSATELI, C. et al. São Tomás de Aquino. Piracicaba: ESALQ/USP, 2017.
 
SCHULTZ, D. P.; SCHULTZ, S. E. História da Psicologia moderna. São Paulo: Cengage Learning, 2009.
	Estatuto científico da psicologia
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Preparação
	Objetivos
	Introdução
	1. Distinguindo conhecimentos
	Tipos de conhecimento
	Conhecimento empírico ou senso comum
	A teoria do complexo
	Atenção
	Saiba mais
	Conhecimento religioso
	Conhecimento filosófico
	Filosofia Medieval
	Filosofia Moderna
	Filosofia Contemporânea
	Conhecimento científico
	Comparação entre os tipos de conhecimento
	Conhecimento empírico ou senso comum
	Conhecimento religioso
	Conhecimento filosófico
	Conhecimento científico
	Atividade
	Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844-1900)
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	1. Sobre a distinção entre senso comum e conhecimento científico, assinale a alternativa correta:
	2. Sobre o conhecimento filosófico, assinale a alternativa correta:
	2. Origem da Psicologia: Convergências e Diferenças
	Psicologia: desenvolvimento e ascensão
	Saiba mais
	Filosofia Clássica
	Filosofia da Idade Média
	Filosofia Renascentista ou Moderna
	Saiba mais
	Perspectivas fisiológicas da Psicologia
	Wilhelm Wundt
	Conteúdo interativo
	Primeiras escolas teóricas da Psicologia
	Estruturalismo
	Saiba mais
	Funcionalismo
	Associacionismo
	Saiba mais
	Verificando o aprendizado
	1. A Psicologia recebeu seu estatuto de ciência apenas no século XIX. Entretanto, as demandas psicológicas estão presentes na história desde que se constituiu a própria humanidade. Por isso, alguns autores defendem que se deva buscar na origem do pensamento (ocidental, pelo menos) a bases para a compreensão da Psicologia. Essa perspectiva é chamada de:
	2. No âmbito da perspectiva fisiológica da Psicologia, fundamentada nas teorias de Weber, Fechner, Helmholtz e Wundt, merece destaque o pensamento deste último filósofo, especialmente por ter sido designado, especificamente, como o primeiro a ser reconhecido como psicólogo. Analise as afirmações a seguir sobre seu pensamento:I. Wundt foi o primeiro fisiologista a criticar os laboratórios de Psicologia Experimental que começavam a aparecer, na Alemanha, em fins do século XIX.II. Wundt criticava a Psicologia de sua época, pois esta tratava a mente humana como uma substância metafísica.III. Para Wundt, a Psicologia deveria ser entendida como a ciência do inconsciente, e todo método psicológico deveria ser baseado na observação do inconsciente do indivíduo.Está(ão) correta(s) a(s) afirmação(ões):
	3. Principais abordagens teóricas
	Objetos de estudo da Psicologia
	psique = alma, espírito
	logos = estudo
	Behaviorismo
	Comportamentalismo
	TeoriaComportamental
	Análise Experimental do Comportamento
	Análise doComportamento
	PsicologiaExperimental
	Behaviorismo metodológico
	Atenção
	Quando Watson condicionou um bebê de 11 meses
	Saiba mais
	Behaviorismo radical
	Saiba mais
	Gestalt
	Proximidade
	Similaridade
	Semelhança
	Continuidade
	Fechamento
	Psicanálise
	Inconsciente e pulsão
	Eros
	Thánatos (tânatos)
	Organização do psiquismo
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	1. As três mais importantes tendências teóricas da Psicologia no século XX são consideradas, por inúmeros autores, o Behaviorismo, a Gestalt e a Psicanálise. Sobre o assunto, assinale a alternativa incorreta:
	2. A respeito das escolas da Psicologia Científica que, no século XX, fomentaram o desenvolvimento de outras abordagens teóricas, assinale a alternativa correta:
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
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	Referências

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