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DIAGNÓSTICO EM ENDODONTIA Diagnóstico • diagnosticar é a etapa das atividades clínicas de um profissional da área de saúde em que se busca obter informações sobre os sinais e sintomas das doenças, que assemelha a uma verdadeira arte. • A técnica de diagnóstico exige uma abordagem sistemática do paciente, incluindo a anamnese (exame subjetivo), o exame físico (exame objetivo) e os exames complementares • A interpretação e o cruzamento das informações colhidas em cada uma das três etapas possibilitarão o fechamento do diagnóstico com a consequente elaboração do plano de tratamento • Diagnóstico é, portanto, produto do conhecimento, aliado à lógica e ao raciocínio. Exame subjetivo | anamnese • A anamnese, ou exame subjetivo, constitui o passo inicial e essencial para o estabelecimento do diagnóstico • Nessa fase, é fundamental questionar e ouvir o paciente, colhendo importantes subsídios e dando cuidadosa atenção às informações prestadas. • As informações julgadas relevantes precisam ser bem entendidas, às vezes sendo elucidadas com novas perguntas e registradas por escrito. • Destaque-se ser fundamental obter a confiança do paciente, estabelecendo a chamada relação de empatia ou rapport. Queixa principal • O registro do que o paciente refere como queixa principal é muito importante para definição do elemento dentário causador de desconforto de origem endodôntica • Ela se refere ao motivo que levou o paciente a procurar pelo profissional e deve ser anotada com as próprias palavras do paciente • Vale ressaltar que a queixa principal nem sempre existe para determinado dente com comprometimento endodôntico, pois, muitas vezes,o paciente possui um elemento dentário portador de doença de etiologia endodôntica, mas de curso silencioso e assintomático, portanto, sem possuir queixa alguma. História médica e odontológica • O diagnóstico começa a ser estabelecido assim que o profissional visualiza o paciente. Sua fisionomia, a aparência do rosto, sua expressão facial • O paciente poderá demonstrar fácies sofrida, denotando dor ou cansaço, ou transparecer com seu semblante sua saúde ou tranquilidade. • Deve-se obter a história da doença atual, verificando o seu início, duração, características, evolução, remissões, se há fatores que a modificam e se houve tratamentos prévios. • A história da doença atual se amplia para a história médica, realizando a revisão das condições gerais de saúde do paciente ou uso de algum tipo de medicação. • Além disso, sintomas como cansaço, prostração e inapetência também serão úteis, sobretudo, se associados aos sinais de edema ou febre, para o diagnóstico de processos infecciosos que estejam provocando toxemia. • Particularmente para o estabelecimento do diagnóstico em Endodontia, as perguntas constantes da anamnese buscarão esclarecer sobretudo aspectos relativos à dor, seu surgimento, duração, se houve uso ou não de analgésicos ou anti-inflamatórios, se a dor é localizada ou irradiada (dor referida) e ainda se há alteração na intensidade da dor com algum tipo de postura ou atitude (p. ex., dor em decúbito ou mudanças com alimentos frio ou quentes etc.) Exame objetivo | exame clínico do paciente endodôntico Inspeção • A inspeção do paciente deve começar no momento em que ele entra no consultório, pois a simples observação do gestos e da expressão facial pode apresentar informações muito relevantes, denunciando, por exemplo, se o paciente está acometido ou não de uma dor de grande intensidade. • Além disso, outros aspectos importantes para o seu estado de saúde geral, seu diagnóstico e até mesmo para o tratamento podem ser observados nessa fase. • Por outro lado, em relação às entidades patológicas de origem endodôntica, assimetrias faciais que acometam os ângulos mandibulares e a região geniana costumam ser notadas, mesmo em uma observação a distância. • Além disso, edemas e alterações da textura da pele e de sua cor, como eritema, equimose ou hematoma, também poderão ser visualizados no momento da inspeção e devem ser levados em conta Inspeção bucal • Nesse exame, é importante observar alteração de cor da coroa, estado das restaurações, exposição pulpar, presença ou ausência de cáries. • Nesse momento, o endodontista deverá observar também as demais estruturas bucais, sua cor e morfologia, presença de tumefação (edema), existência de fístula e sua parúlide (furúnculo gengival) bem como demais aspectos dos tecidos moles. • Se a história clínica e os aspectos semiológicos da dor forem compatíveis com elemento dentário portador de polpa viva, a busca deve ser direcionada a cavidades de cárie, restaurações infiltradas e restaurações recentes, de modo a identificar o elemento dentário causador do processo patológico. • A utilização generalizada de técnicas adesivas – em que ataques ácidos, resinas e outras substâncias químicas em cavidades profundas são realizadas rotineiramente – tem sido motivo de estudos e controvérsias sobre o papel dessas manobras como agressor pulpar de modo irreversível. • Pacientes apresentando edemas faciais de interesse odontológico, porém por motivos distintos; Palpação • É uma manobra que pode ser intra e extrabucal para se aferir o grau de sensibilidade dolorosa do paciente em determinada região. •Utilizam-se a ponta do dedo indicador, os dedos indicador e médio, ou também o polegar para palpar a região da face que será examinada, buscando fazê-lo também bilateralmente, estabelecendo, assim, as semelhanças e as diferenças entre os lados direito e esquerdo do paciente, investigando alterações Palpação apical • Consiste em se tatear a região apical do elemento dentário examinado, fazendo-o delicadamente com a ponta do dedo indicador, verificando se há resposta dolorosa ou, pelo tato, a presença de alterações patológicas de sua forma Percussão horizontal e vertical • A percussão deve ser iniciada com delicadeza, empregando-se, de preferência, também o dedo indicador, percutindo a coroa do dente, investigando-se a resposta à percussão com leves toques com as costas do dedo, horizontal e verticalmente. • Se essa manobra resultar negativa, fica, então, indicado lançar mão do cabo do espelho, percutindo a coroa do paciente, perpendicularmente à mesma ou no sentido do seu eixo, sempre de forma delicada, evitando o sofrimento desnecessário do paciente • A percussão vertical positiva tem sido associada à inflamação de origem endodôntica, enquanto a dor relacionada com a percussão horizontal diz respeito a alterações periodontais. Mobilidade dentária • O método de avaliação da mobilidade dentária envolve um procedimento clínico simples, empregando-se dois instrumentos metálicos apoiados com firmeza na superfície dentária ou utilizando um instrumento metálico e um dedo • Aplica-se força na tentativa de movimentar o elemento dentário em todas as direções (a mobilidade patológica ocorre, com mais frequência, no sentido vestibulolingual) • A presença de mobilidade patológica pode ser causada por diversos fatores: perda de suporte ósseo do dente, sobrecarga dentária, trauma, hipofunção do dente, extensão de um processo inflamatório no tecido gengival ou na região perirradicular, após cirurgia periodontal e nos processos patológicos dos maxilares que resultam em destruição do osso alveolar ou das raízes dentárias. • Tem sido verificado, também, aumento da mobilidade dentária durante a gravidez, associada a ciclo menstrual ou uso de anticoncepcionais. Sondagem periodontal • Na obtenção de um diagnóstico endodôntico é necessário avaliar a condição da estrutura dos tecidos periodontais. • Verifica-se o elemento dentário nas suas proximais, pelo menos em três regiões por vestibular e por lingual, não se esquecendo da região de furca. • Nos casos em que haja comprometimento endododôntico e se confirme a presença de bolsa, o tratamento deve serconcomitantemente endodôntico e periodontal. Exames complementares • São considerados exames complementares: exames radiográfico e hematológico; provas bioquímicas do sangue e biopsia. Exame radiográfico • O exame radiográfico pode ser inserido em qualquer momento do processo de diagnóstico. • As incidências de maior interesse para o diagnóstico endodôntico são a periapical, a interproximal (bite-wing) e a panorâmica. • Por vezes, também a radiografia oclusal é utilizada. São limitadas pela bidimensionalidade de suas imagens e apenas sugestivas das alterações nelas observadas. • A incidência radiográfica periapical torna possível, além de uma visão panorâmica do dente, observar a largura, o comprimento e o raio da curvatura radicular (dentro de suas limitações), elementos determinantes no planejamento do tratamento endodôntico. • Mostra também alterações ósseas perirradiculares resultantes do comprometimento da polpa dental. • A incidência interproximal mostra a coroa dental e o segmento cervical da raiz. Pode-se observar melhor a relação de proximidade entre a polpa dental e as restaurações ou cavidades cariosas, a deposição irregular de dentina ou calcificações que possam modificar a arquitetura da câmara pulpar, e observar o arco de curvatura do segmento cervical do canal radicular, que define o seu perfil de emergência na câmara pulpar. • A radiografia panorâmica é útil para avaliar estruturas anexas a dentes endodonticamente comprometidos, melhor observação da intimidade entre acidentes anatômicos, como o seio maxilar e o canal mandibular. • Particularmente em casos de lesões extensas, em que a radiografia periapical não consiga mostrar toda a extensão do processo patológico circundado por tecido sadio, é obrigatório que se realize outra tomada imaginológica que possibilite delimitar a real extensão, podendo ser indicadas a radiografia oclusal ou tomadas extrabucais, a exemplo da radiografia panorâmica, ou preferencialmente a tomografia computadorizada. Exploração cirúrgica • A investigação cirúrgica é o último recurso para a elucidação de situações obscuras, lançando-se mão de um exame invasivo, o qual é informado ao paciente tratar-se de um procedimento em que se tenta obter esclarecimento sobre a entidade patológica que acomete o dente ou a região. • A presença de fraturas verticais não visualizadas radiograficamente é um exemplo típico de casos em que a cirurgia exploratória pode ser indicada pois até mesmo exames de maior possibilidade de detecção, como a tomografia computadorizada, podem ter dificuldade em sua evidenciação. Testes clínicos pulpares • O diagnóstico endodôntico tem uma série de manobras, os testes pulpares, conhecidos como testes de vitalidade pulpar • Esses testes apenas apontam a sensibilidade positiva ou negativa da polpa dental, sem, na verdade, apontar o real estágio da higidez pulpar • Para os testes que envolvem a aplicação de estímulo e resposta dolorosa, deve-se estabelecer um código de resposta ao estímulo aplicado, podendo-se, por exemplo, pedir que o paciente erga a mão esquerda assim que ele sentir qualquer desconforto, solicitando também que ele baixe a mão assim que a dor desaparecer. Emprego dos testes térmicos • Teste pelo frio - Técnica do uso do gás refrigerante Isolamento do dente (relativo ou absoluto) Aplicação da substância refrigerante sobre cotonete ou pelota de algodão apreendida com pinça durante 5 segundos, no máximo Em caso de necessidade de repetição, aguardar, pelo menos, 5 minutos. • Teste pelo calor - Técnica da aplicação da guta-percha Para o teste pulpar com o bastão de guta-percha se realiza o isolamento (relativo ou absoluto) do dente e, em seguida, aplica-se um gel isolante na superfície do dente (p. ex., vaselina), para que a guta-percha não fique aderida ao dente. A seguir procede-se ao aquecimento e à plastificação da ponta do bastão de guta-percha em chama e faz-se a aplicação da guta-percha sobre a superfície dentária, enquanto esta ainda estiver brilhosa • Teste da anestesia seletiva - Emprega-se quando o paciente refere uma dor difusa ou reflexa (dor referida), sem definir o dente responsável. - Deve-se anestesiar apenas o elemento dentário suspeito de ser o causador da dor, sem anestesiar o dente suspeito de ser aquele que está refletindo a dor. - Se a dor cessar após a anestesia, sua hipótese diagnóstica será confirmada, identificando-se o elemento causador (dente algógeno) e o elemento que somente está refletindo a dor (dente sinálgico). • Teste de cavidade - É um teste invasivo no qual se estimula o dente suspeito de ser portador de necrose pulpar sem anestesiá-lo previamente, utilizando-se, para isso, uma broca de alta rotação. - Muitas vezes apenas o jato de ar ou a água da seringa tríplice, ou mesmo o ar da turbina de alta rotação, são suficientes para que o paciente acuse a resposta dolorosa, mesmo antes da abertura da cavidade. - Se a resposta negativa persistir, deve-se avançar com a cirurgia de acesso, até que a trepanação seja obtida. - Em minoria de casos o paciente com necrose pulpar ainda acusará desconforto de origem pulpar, o que é atribuído às células nervosas do tipo C (amielínicas) remanescentes. • Teste pulpar elétrico - Para o teste pulpar elétrico, utiliza-se um aparelho conhecido como pulp tester. • Testes para identificação de fraturas - Técnica da mordida: manobra na qual se pede ao paciente para morder sobre alguma superfície dotada de flexibilidade, como rolo de algodão, cotonete, palito de madeira ou sugador de plástico, empregando também superfícies mais rígidas, a exemplo de instrumentos metálicos, buscando-se reproduzir a posição em que a trinca existente fosse estimulada a se abrir, deflagrando a dor de origem pulpar ou periodontal decorrente da mesma. - recomendação de se usar o dispositivo denominado Tooth Slooth®, FracfinderTM • Técnica de identificação de fraturas com o uso de corantes - Consiste em se impregnar a região suspeita da localização da fratura com uma, substância que possa evidenciá-la, como a solução aquosa de azul de metileno de 1 a 2%, removendo-se seu excesso com ácido fosfórico gel a 37% Diagnóstico pulpar Polpa normal • A polpa dentro desta categoria de diagnóstico está livre de sinais e sintomas e responderá positivamente aos testes pulpares térmicos e elétrico, reagindo aos estímulos com resposta dolorosa de intensidade compatível com a excitação provocada. • É importante ter em mente que não se chega a um diagnóstico provável, sem antes haver comparado o dente analisado com seus vizinhos e dente homólogo, sendo preferível testá-los primeiro, no intuito de familiarizar o paciente com uma resposta normal ao frio. • As manobras depalpação apical e percussão de um dente com polpa normal resultam em resposta negativa. Pulpite reversível • A pulpite reversível apresenta uma sintomatologia provocada de resposta um pouco mais intensa que na polpa normal • O desconforto pulpar é experimentado quando um estímulo, como frio ou doce, é aplicado, havendo o aparecimento de uma dor brusca, que tenderá a desaparecer poucos segundos após a sua remoção. • Assim, a dor nesses casos é sempre provocada e nunca espontânea. • Situações frequentes em que a pulpite reversível ocorre são a dentina exposta (sensibilidade dentinária), a cárie ou as restaurações profundas. • A radiografia periapical assemelha-se à de um dente com polpa normal. • A remoção de tecido cariado e restauração apropriada leva à completa remissão dos sintomas evidenciados. Pulpite irreversível sintomática • A polpa inflamada vital é incapaz de se recuperar e retornar à sua higidez após a remoção dos fatores que levaram a essa condição inflamatória, sendo indicado o tratamento endodôntico não conservador: pulpectomia ou, quando indicada, a pulpotomia. • As característicaspodem incluir dor aguda após estímulo térmico (demorando a cessar após a remoção do estímulo, geralmente 30 segundos ou mais), dor espontânea (dor não provocada) e dor irradiada (também chamada dor referida ou dor reflexa). • Em algumas situações, o paciente pode relatar aumento da dor com aplicação de frio e seu alívio quando entra em contato com uma substância quente. • Outras vezes, é exatamente o contrário que ocorre (alívio com frio e dor com o quente), o que já foi atribuído ao fato de a fase de pulpite irreversível ser inicial ou tardia, mas o que se pode concluir, clinicamente, é que ambas caracterizam a necessidade de uma intervenção com remoção total ou parcial da polpa envolvida (pulpectomia ou pulpotomia). • O paciente pode relatar dor em determinadas mudanças posturais, como dor em decúbito (quando se deita) ou ao curvar-se • O uso de analgésicos ou anti-inflamatórios costuma não surtir o efeito desejado • As causas mais frequentemente observadas estão relacionadas com cáries profundas, restaurações extensas ou, ainda, fraturas com exposição pulpar. Pulpite irreversível assintomática • A polpa está inflamada e incapaz de retornar à sua condição de normalidade • Contudo, muitas vezes não há, nesse caso, uma queixa clínica dolorosa importante descrita pelo paciente • Ao contrário, elementos portadores de pulpite irreversível assintomática costumam responder normalmente ou de forma bastante moderada aos testes térmicos, podendo ter sofrido agressão ou cárie profunda, cuja remoção frequentemente leva à exposição da polpa. • Quando existente, a dor costuma ser intermitente (não contínua), sobretudo por compressão. Pólipo pulpar • Um exemplo bastante rotineiro de pulpite irreversível assintomática é o do quadro clínico do surgimento do pólipo pulpar • Embora estas duas entidades patológicas estejam fortemente correlacionadas, é necessário enfatizar ser mais adequado ao cirurgião-dentista empregar o termo pólipo pulpar em seu diagnóstico clínico, uma vez que a hiperplasia (aumento do número de células) é manifestação somente observável ao exame microscópico desse achado histopatológico. • O paciente pode apresentar como queixa principal “uma gengiva crescendo dentro do dente”. • Pólipos pulpares são também encontrados em dentes com cáries crônicas oclusais de dentes posteriores cujo antagonista já não existe há um longo período. • Quando empregados, analgésicos e anti-inflamatórios têm eficácia no alívio de algum possível desconforto nos quadros de pulpites irreversíveis assintomáticas. Necrose pulpar • Indica a necrose da polpa dental, quadro em que será necessário o tratamento endodôntico radical. • A necrose do tecido pulpar está associada à presença de microrganismos, mesmo nos casos em que a causa da necrose teve origem em fatores não microbianos, como o traumatismo • Em resposta à agressão e à necrose da polpa dental, o organismo desencadeia processos inflamatórios agudos ou crônicos de defesa na região perirradicular, podendo resultar na formação de cistos e granulomas perirradiculares e, eventualmente, no surgimento de coleções purulentas (abscessos). • É possível diagnosticar clinicamente a necrose pulpar, os quadros de periodontite apical e de abscessos agudos ou crônicos, mas o diagnóstico diferencial entre cistos e granulomas perirradiculares só acontecerá mediante análise histopatológica. • Deve-se destacar que alguns dentes podem não responder aos testes pulpares, em decorrência de o canal estar calcificado, haver sofrido lesão traumática recente, ou simplesmente não ter uma resposta positiva. • Os testes devem ser aplicados de forma comparativa, fazendo-o também nos dentes vizinhos e homólogos, estabelecendo um parâmetro para determinado paciente. Previamente tratado • Um dente previamente tratado é o diagnóstico clínico que indica que ele recebeu tratamento endodôntico e os canais foram obturados com algum material definitivo, e não somente preenchidos com medicação intracanal. • Elementos dentários nessa categoria não respondem aos testes térmicos ou elétricos. • O exame radiográfico ajudará a elucidar esse diagnóstico, pela presença do material radiopaco preenchendo os canais radiculares, mas deve-se assegurar de que não seja medicação intracanal à qual se tenha agregado material dotado de radiopacidade. Terapia previamente iniciada • É um diagnóstico clínico no qual a polpa dental recebeu somente uma terapêutica endodôntica parcial, como uma pulpotomia ou uma pulpectomia. • Dependendo do estágio em que encontra o tratamento instituído, os dentes que se enquadram nessa classificação podem ou não responder aos testes pulpares. Diagnóstico apical (ou perirradicular) Tecidos apicais (perirradiculares) normais • Tecidos apicais normais não apresentam resposta dolorosa ao teste da percussão e palpação e radiograficamente a lâmina encontra-se intacta, bem como o espaço periodontal está uniforme. • Assim como no caso dos testes pulpares, o exame de palpação e percussão deve ser comparativo, iniciando-se por dentes cuja resposta esperada seja a normal. Periodontites apicais (lesões perirradiculares) • As periodontites apicais (ou lesões perirradiculares) são processos inflamatórios reversíveis, que podem ocorrer tanto em dentes portadores de polpa viva inflamada quanto em elementos dentários com polpa necrosada, tendo várias e distintas causas. Periodontite apical (lesão perirradicular) sintomática • Esta classificação refere-se à inflamação do periodonto apical, em que ocorrem sintomas clínicos de dor à mordida e/ou percussão e palpação apical. • Poderá estar ou não acompanhada de alteração radiográfica, pois, dependendo do estágio da doença, haverá ou não espessamento do espaço periodontal ou radiolucidez perirradicular apical. • Uma resposta gravemente dolorosa à percussão/ palpação é altamente indicativa de processo degenerativo pulpar e o tratamento de canal é necessário. • Quando acompanhada de necrose pulpar, as respostas aos testes pelo frio, quente e elétrico são negativas; a dor à percussão vertical, à palpação apical e à percussão resulta em um dente muito sensível. • A radiografia pode apresentar um discreto espessamento do espaço periodontal e a tentativa de aliviar o problema doloroso com medicação sistêmica pode não ter efeito. • Entretanto, há casos em que ocorrem periodontites apicais sintomáticas em dentes portadores de polpa viva. • Restaurações com sobrecontornos oclusais, pontos de contato oclusais prematuros, maloclusões e forças ortodônticas excessivas podem desencadear o seu aparecimento, mesmo com a vitalidade e higidez pulpar. • A remoção dos fatores desencadeadores nesses casos levará à remissão total do quadro. • Por outro lado, a sobreinstrumentação de canais além da região foraminal, a extrusão de debris, restos necróticos e microrganismos, além da injeção incidental, via forame, de substâncias químicas irritantes, são fatores que podem levar ao aparecimento do quadro de periodontite apical sintomática. • A dor em pacientes portadores de periodontite apical sintomática tem sido referida como latejante e martelante. • Um sinal característico e patognomônico desse quadro é a sensação de “dente crescido” informada pelo paciente. • De fato, o ligamento periodontal inflamado leva a uma discreta extrusão do elemento, produzindo tal desconforto, no qual o paciente mal consegue tocar o dente com seu antagônico. Periodontite apical (lesão perirradicular) assintomática • A periodontite apical assintomática consiste na inflamação e na destruição do periodonto apical de origem pulpar, e, nesses casos, não há dor ou ela é muito discreta. • Como esse quadro está relacionado com dentes portadores de necrose pulpar, os testes pulpares apresentam resposta negativa, bem como não há desconforto importante como resposta à palpação e à percussão.• No exame radiográfico, manifesta-se a radiolucidez apical. Abscessos apicais (perirradiculares) • O aspecto radiográfico dos abscessos apicais dependerá do tempo de evolução do caso, podendo apresentar um espessamento do espaço periodontal e/ou uma imagem perirradicular difusa, mal definida, nesse caso com perda da continuidade da lâmina dura. • Poderá também ocorrer o aspecto radiográfico da lesão crônica original, com ou sem radiolucidez difusa associada. Abscesso apical (perirradicular) crônico • Caracteriza-se por processo inflamatório em que a formação de pus se dá lentamente, sem desconforto importante para o paciente • A presença de fístula é típica dessa entidade patológica, o trajeto da fístula pode ser rastreado radiograficamente (fistulografia). Fistulografia (rastreamento radiográfico de fístulas) • Pode introduzir um cone de guta-percha delicadamente através do trajeto fistuloso, desde sua saída (parúlide) até o ponto em que encontre resistência • Uma radiografia será então realizada, e o dente responsável, detectado, identificando-se também a sua causa. Abscesso apical (perirradicular) agudo • São bastante sensíveis às manobras de percussão, palpação e pressão e estão associados à presença de polpa necrótica e infectada, na qual o dente não responde mais a quaisquer testes térmicos pulpares. • O quadro costuma ser doloroso, pela pressão do pus e tumefação dos tecidos moles, frequentemente acompanhadas de manifestações sistêmicas, como prostração, febre, enfartamento ganglionar, podendo haver trismo. • O inchaço existente pode ser intra e/ou extrabucal e a infecção poderá progredir para a cortical ou espaços medulares do osso – o que caracteriza a osteomielite – ou se difundir pelos tecidos moles como uma celulite sendo notadamente grave a angina de Ludwig, um tipo de celulite de tecidos moles com risco de morte envolvendo três compartimentos no assoalho da boca, incluindo os espaços submentuais, sublinguais e submandibulares bilateralmente. Osteíte condensante • A osteíte condensante, também chamada osteomielite esclerosante focal, osteomielite crônica esclerosante focal ou osteíte esclerosante, é o crescimento patológico dos ossos maxilomandibulares acompanhado de sintomas clínicos discretos. • A osteíte condensante é uma resposta dos tecidos ósseos perirradiculares a uma agressão de baixo estímulo inflamatório ou microbiano, ambos com origem na polpa dental, caracterizada por crescimento ósseo periódico. • Clinicamente, as áreas de esclerose óssea aparecem associadas a ápices de dentes com pulpite e grandes lesões cariosas, restaurações coronárias profundas, em dentes portadores de necrose pulpar e em casos de tratamento endodôntico inapropriado. • O aspecto radiográfico da osteíte condensante tem sido descrito como massa densa e uniforme e vaga transição para o osso circunjacente, combinada com perda apical da lâmina dura e ampliação do espaço do ligamento periodontal, ou, ainda, como uma lesão difusa apical radiopaca. • A lesão da osteíte condensante não apresenta margem radiolúcida, como se costuma observar na displasia cemento-óssea focal, e também não se verifica uma radiopacidade separada do ápice, como no caso da esclerose óssea idiopática, ambas sem etiologia endodôntica • Podendo haver sua completa remissão após tratamento endodôntico. Considerações clínicas relevantes • A dor é o principal sintoma associado à doença pulpar e perirradicular, assim, a história da doença atual confunde-se com a própria análise das características semiológicas da dor, a saber: tempo de evolução, frequência, duração, intensidade, localização, fatores que exacerbam e fatores que amenizam. • A história da doença é o fator fundamental para definição do estado inflamatório pulpar, ou seja, se é reversível ou irreversível. • As manifestações dolorosas nas pulpites sintomáticas evoluem em relação direta com a intensidade do agente agressor, desde um quadro de hipersensibilidade por exposição dentinária até a dor espontânea, ponto de referência para a irreversibilidade da doença pulpar e marco indicativo da terapia endodôntica radical. Tempo de evolução • A dor da polpa viva pode evoluir ao longo de semanas ou mesmo meses, com episódios que vão desde a resposta fugaz às bruscas mudanças de temperatura, à dor contínua, espontânea e intensa. • A dor que se repete ao longo de semanas ou meses e manifesta-se de maneira constante, denotando um caráter estático, tem origem diversa e não se origina em polpa viva. • A dor do dente despolpado pode apresentar-se por longos períodos com baixa intensidade, quase sempre relatada pelo paciente como dor ao toque ou à mastigação. • A resposta à pergunta “há quanto tempo a dor está presente?” pode direcionar a atenção para um dente vital ou despolpado. Frequência • A dor intermitente é característica de dentes vitais. A alternância entre dor e acalmia coincide com o comprometimento progressivo da polpa dental, até que a extensão do processo determine dor intensa e contínua. • A dor da lesão perirradicular aguda, causada por traumatismo de manipulação endodôntica e/ou pela capacidade de agressão da flora bacteriana, manifesta-se de forma contínua. Duração • Nos dentes vitais, a dor pode estender-se desde apenas alguns segundos após a remoção do estímulo, até longos períodos que mereçam o uso de analgésicos. • Nas lesões perirradiculares, a dor permanecerá por algumas horas, quando a origem for o traumatismo da manipulação endodôntica ou até que o processo se cronifique, quando a origem for infecciosa. • A dor espontânea que se estende após a segunda dose de um analgésico comum quase sempre é de origem infecciosa. Intensidade • A intensidade da dor relatada pelo paciente deve, portanto, ser analisada com prudência. • Um indicador tangível de referência seria a necessidade e a frequência da ingestão de analgésicos. • Dores intensas em polpa viva ou em dentes despolpados são agentes facilitadores do diagnóstico, porque são de fácil localização. Localização • A dor da polpa viva, especialmente nos estágios iniciais do processo inflamatório, apresenta-se difusa. • Dor irradiada é característica de dente com polpa viva. • Se presente, a dor associada a um dente despolpado geralmente é provocada ou exacerbada por estímulo mecânico. Fatores que exacerbam • Os agentes térmicos, especialmente o frio, podem exacerbar o desconforto em dentes vitais • Dentes despolpados apresentam desconforto pela mastigação, pelo toque e compressão, quando terminações nervosas contidas no ligamento periodontal edemaciado são estimuladas. Fatores que amenizam • As mesmas variações térmicas responsáveis pela exacerbação da dor em polpa viva podem amenizá-la. • Dentes despolpados, nos estágios iniciais do comprometimento perirradicular poderão ter o desconforto amenizado pelo ajuste oclusal ou pela retirada de função. • Na lesão perirradicular aguda de natureza infecciosa, estas medidas serão paliativas e somente o uso de analgésicos potentes ou a cronificação do processo serão capazes de mitigar a dor. Considerações complementares • O diagnóstico pode ser complicado quando nos deparamos com um padrão pouco usual da dor, quando a sintomatologia incide de forma espaçada ou quando as informações prestadas são conflituosas.