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DIAGNÓSTICO EM ENDODONTIA 
 
Diagnóstico 
• diagnosticar é a etapa das atividades clínicas de um 
profissional da área de saúde em que se busca obter 
informações sobre os sinais e sintomas das doenças, que 
assemelha a uma verdadeira arte. 
• A técnica de diagnóstico exige uma abordagem sistemática 
do paciente, incluindo a anamnese (exame subjetivo), o 
exame físico (exame objetivo) e os exames complementares 
• A interpretação e o cruzamento das informações colhidas em 
cada uma das três etapas possibilitarão o fechamento do 
diagnóstico com a consequente elaboração do plano de 
tratamento 
• Diagnóstico é, portanto, produto do conhecimento, aliado à 
lógica e ao raciocínio. 
Exame subjetivo | anamnese 
• A anamnese, ou exame subjetivo, constitui o passo inicial e 
essencial para o estabelecimento do diagnóstico 
• Nessa fase, é fundamental questionar e ouvir o paciente, 
colhendo importantes subsídios e dando cuidadosa atenção 
às informações prestadas. 
• As informações julgadas relevantes precisam ser bem 
entendidas, às vezes sendo elucidadas com novas perguntas 
e registradas por escrito. 
• Destaque-se ser fundamental obter a confiança do paciente, 
estabelecendo a chamada relação de empatia ou rapport. 
Queixa principal 
• O registro do que o paciente refere como queixa principal é 
muito importante para definição do elemento dentário 
causador de desconforto de origem endodôntica 
• Ela se refere ao motivo que levou o paciente a procurar pelo 
profissional e deve ser anotada com as próprias palavras do 
paciente 
• Vale ressaltar que a queixa principal nem sempre existe para 
determinado dente com comprometimento endodôntico, pois, 
muitas vezes,o paciente possui um elemento dentário 
portador de doença de etiologia endodôntica, mas de curso 
silencioso e assintomático, portanto, sem possuir queixa 
alguma. 
História médica e odontológica 
• O diagnóstico começa a ser estabelecido assim que o 
profissional visualiza o paciente. Sua fisionomia, a aparência 
do rosto, sua expressão facial 
• O paciente poderá demonstrar fácies sofrida, denotando dor 
ou cansaço, ou transparecer com seu semblante sua saúde 
ou tranquilidade. 
• Deve-se obter a história da doença atual, verificando o seu 
início, duração, características, evolução, remissões, se há 
fatores que a modificam e se houve tratamentos prévios. 
• A história da doença atual se amplia para a história médica, 
realizando a revisão das condições gerais de saúde do 
paciente ou uso de algum tipo de medicação. 
• Além disso, sintomas como cansaço, prostração e 
inapetência também serão úteis, sobretudo, se associados 
aos sinais de edema ou febre, para o diagnóstico de 
processos infecciosos que estejam provocando toxemia. 
• Particularmente para o estabelecimento do diagnóstico em 
Endodontia, as perguntas constantes da anamnese buscarão 
esclarecer sobretudo aspectos relativos à dor, seu surgimento, 
duração, se houve uso ou não de analgésicos ou 
anti-inflamatórios, se a dor é localizada ou irradiada (dor 
referida) e ainda se há alteração na intensidade da dor com 
algum tipo de postura ou atitude (p. ex., dor em decúbito ou 
mudanças com alimentos frio ou quentes etc.) 
Exame objetivo | exame clínico do paciente endodôntico 
Inspeção 
• A inspeção do paciente deve começar no momento em que 
ele entra no consultório, pois a simples observação do gestos 
e da expressão facial pode apresentar informações muito 
relevantes, denunciando, por exemplo, se o paciente está 
acometido ou não de uma dor de grande intensidade. 
• Além disso, outros aspectos importantes para o seu estado 
de saúde geral, seu diagnóstico e até mesmo para o 
tratamento podem ser observados nessa fase. 
• Por outro lado, em relação às entidades patológicas de 
origem endodôntica, assimetrias faciais que acometam os 
ângulos mandibulares e a região geniana costumam ser 
notadas, mesmo em uma observação a distância. 
• Além disso, edemas e alterações da textura da pele e de sua 
cor, como eritema, equimose ou hematoma, também poderão 
ser visualizados no momento da inspeção e devem ser 
levados em conta 
Inspeção bucal 
• Nesse exame, é importante observar alteração de cor da 
coroa, estado das restaurações, exposição pulpar, presença 
ou ausência de cáries. 
• Nesse momento, o endodontista deverá observar também as 
demais estruturas bucais, sua cor e morfologia, presença de 
tumefação (edema), existência de fístula e sua parúlide 
(furúnculo gengival) bem como demais aspectos dos tecidos 
moles. 
• Se a história clínica e os aspectos semiológicos da dor forem 
compatíveis com elemento dentário portador de polpa viva, a 
busca deve ser direcionada a cavidades de cárie, 
restaurações infiltradas e restaurações recentes, de modo a 
identificar o elemento dentário causador do processo 
patológico. 
• A utilização generalizada de técnicas adesivas – em que 
ataques ácidos, resinas e outras substâncias químicas em 
cavidades profundas são realizadas rotineiramente – tem sido 
motivo de estudos e controvérsias sobre o papel dessas 
manobras como agressor pulpar de modo irreversível. 
• Pacientes apresentando edemas faciais de interesse 
odontológico, porém por motivos distintos; 
 
 
Palpação 
• É uma manobra que pode ser intra e extrabucal para se 
aferir o grau de sensibilidade dolorosa do paciente em 
determinada região. 
•Utilizam-se a ponta do dedo indicador, os dedos indicador e 
médio, ou também o polegar para palpar a região da face que 
será examinada, buscando fazê-lo também bilateralmente, 
estabelecendo, assim, as semelhanças e as diferenças entre 
os lados direito e esquerdo do paciente, investigando 
alterações 
Palpação apical 
• Consiste em se tatear a região apical do elemento dentário 
examinado, fazendo-o delicadamente com a ponta do dedo 
indicador, verificando se há resposta dolorosa ou, pelo tato, a 
presença de alterações patológicas de sua forma 
Percussão horizontal e vertical 
• A percussão deve ser iniciada com delicadeza, 
empregando-se, de preferência, também o dedo indicador, 
percutindo a coroa do dente, investigando-se a resposta à 
percussão com leves toques com as costas do dedo, 
horizontal e verticalmente. 
• Se essa manobra resultar negativa, fica, então, indicado 
lançar mão do cabo do espelho, percutindo a coroa do 
paciente, perpendicularmente à mesma ou no sentido do seu 
eixo, sempre de forma delicada, evitando o sofrimento 
desnecessário do paciente 
• A percussão vertical positiva tem sido associada à 
inflamação de origem endodôntica, enquanto a dor 
relacionada com a percussão horizontal diz respeito a 
alterações periodontais. 
Mobilidade dentária 
• O método de avaliação da mobilidade dentária envolve um 
procedimento clínico simples, empregando-se dois 
instrumentos metálicos apoiados com firmeza na superfície 
dentária ou utilizando um instrumento metálico e um dedo 
• Aplica-se força na tentativa de movimentar o elemento 
dentário em todas as direções (a mobilidade patológica 
ocorre, com mais frequência, no sentido vestibulolingual) 
• A presença de mobilidade patológica pode ser causada por 
diversos fatores: perda de suporte ósseo do dente, 
sobrecarga dentária, trauma, hipofunção do dente, extensão 
de um processo inflamatório no tecido gengival ou na região 
perirradicular, após cirurgia periodontal e nos processos 
patológicos dos maxilares que resultam em destruição do 
osso alveolar ou das raízes dentárias. 
• Tem sido verificado, também, aumento da mobilidade 
dentária durante a gravidez, associada a ciclo menstrual ou 
uso de anticoncepcionais. 
Sondagem periodontal 
• Na obtenção de um diagnóstico endodôntico é necessário 
avaliar a condição da estrutura dos tecidos periodontais. 
• Verifica-se o elemento dentário nas suas proximais, pelo 
menos em três regiões por vestibular e por lingual, não se 
esquecendo da região de furca. 
• Nos casos em que haja comprometimento endododôntico e 
se confirme a presença de bolsa, o tratamento deve serconcomitantemente endodôntico e periodontal. 
Exames complementares 
• São considerados exames complementares: exames 
radiográfico e hematológico; provas bioquímicas do sangue e 
biopsia. 
Exame radiográfico 
• O exame radiográfico pode ser inserido em qualquer 
momento do processo de diagnóstico. 
• As incidências de maior interesse para o diagnóstico 
endodôntico são a periapical, a interproximal (bite-wing) e a 
panorâmica. 
• Por vezes, também a radiografia oclusal é utilizada. São 
limitadas pela bidimensionalidade de suas imagens e apenas 
sugestivas das alterações nelas observadas. 
• A incidência radiográfica periapical torna possível, além de 
uma visão panorâmica do dente, observar a largura, o 
comprimento e o raio da curvatura radicular (dentro de suas 
limitações), elementos determinantes no planejamento do 
tratamento endodôntico. 
• Mostra também alterações ósseas perirradiculares 
resultantes do comprometimento da polpa dental. 
• A incidência interproximal mostra a coroa dental e o 
segmento cervical da raiz. Pode-se observar melhor a relação 
de proximidade entre a polpa dental e as restaurações ou 
cavidades cariosas, a deposição irregular de dentina ou 
calcificações que possam modificar a arquitetura da câmara 
pulpar, e observar o arco de curvatura do segmento cervical 
do canal radicular, que define o seu perfil de emergência na 
câmara pulpar. 
• A radiografia panorâmica é útil para avaliar estruturas 
anexas a dentes endodonticamente comprometidos, melhor 
observação da intimidade entre acidentes anatômicos, como o 
seio maxilar e o canal mandibular. 
• Particularmente em casos de lesões extensas, em que a 
radiografia periapical não consiga mostrar toda a extensão do 
processo patológico circundado por tecido sadio, é obrigatório 
que se realize outra tomada imaginológica que possibilite 
delimitar a real extensão, podendo ser indicadas a radiografia 
oclusal ou tomadas extrabucais, a exemplo da radiografia 
panorâmica, ou preferencialmente a tomografia 
computadorizada. 
Exploração cirúrgica 
• A investigação cirúrgica é o último recurso para a elucidação 
de situações obscuras, lançando-se mão de um exame 
invasivo, o qual é informado ao paciente tratar-se de um 
procedimento em que se tenta obter esclarecimento sobre a 
entidade patológica que acomete o dente ou a região. 
• A presença de fraturas verticais não visualizadas 
radiograficamente é um exemplo típico de casos em que a 
 
 
cirurgia exploratória pode ser indicada pois até mesmo 
exames de maior possibilidade de detecção, como a 
tomografia computadorizada, podem ter dificuldade em sua 
evidenciação. 
Testes clínicos pulpares 
• O diagnóstico endodôntico tem uma série de manobras, os 
testes pulpares, conhecidos como testes de vitalidade pulpar 
• Esses testes apenas apontam a sensibilidade positiva ou 
negativa da polpa dental, sem, na verdade, apontar o real 
estágio da higidez pulpar 
• Para os testes que envolvem a aplicação de estímulo e 
resposta dolorosa, deve-se estabelecer um código de 
resposta ao estímulo aplicado, podendo-se, por exemplo, 
pedir que o paciente erga a mão esquerda assim que ele 
sentir qualquer desconforto, solicitando também que ele baixe 
a mão assim que a dor desaparecer. 
Emprego dos testes térmicos 
• Teste pelo frio 
- Técnica do uso do gás refrigerante 
Isolamento do dente (relativo ou absoluto) 
Aplicação da substância refrigerante sobre cotonete ou pelota 
de algodão apreendida com pinça durante 5 segundos, no 
máximo 
Em caso de necessidade de repetição, aguardar, pelo menos, 
5 minutos. 
• Teste pelo calor 
- Técnica da aplicação da guta-percha 
Para o teste pulpar com o bastão de guta-percha se realiza o 
isolamento (relativo ou absoluto) do dente e, em seguida, 
aplica-se um gel isolante na superfície do dente (p. ex., 
vaselina), para que a guta-percha não fique aderida ao dente. 
A seguir procede-se ao aquecimento e à plastificação da 
ponta do bastão de guta-percha em chama e faz-se a 
aplicação da guta-percha sobre a superfície dentária, 
enquanto esta ainda estiver brilhosa 
• Teste da anestesia seletiva 
- Emprega-se quando o paciente refere uma dor difusa ou 
reflexa (dor referida), sem definir o dente responsável. 
- Deve-se anestesiar apenas o elemento dentário suspeito de 
ser o causador da dor, sem anestesiar o dente suspeito de ser 
aquele que está refletindo a dor. 
- Se a dor cessar após a anestesia, sua hipótese diagnóstica 
será confirmada, identificando-se o elemento causador (dente 
algógeno) e o elemento que somente está refletindo a dor 
(dente sinálgico). 
 
 
• Teste de cavidade 
- É um teste invasivo no qual se estimula o dente suspeito de 
ser portador de necrose pulpar sem anestesiá-lo previamente, 
utilizando-se, para isso, uma broca de alta rotação. 
- Muitas vezes apenas o jato de ar ou a água da seringa 
tríplice, ou mesmo o ar da turbina de alta rotação, são 
suficientes para que o paciente acuse a resposta dolorosa, 
mesmo antes da abertura da cavidade. 
- Se a resposta negativa persistir, deve-se avançar com a 
cirurgia de acesso, até que a trepanação seja obtida. 
- Em minoria de casos o paciente com necrose pulpar ainda 
acusará desconforto de origem pulpar, o que é atribuído às 
células nervosas do tipo C (amielínicas) remanescentes. 
• Teste pulpar elétrico 
- Para o teste pulpar elétrico, utiliza-se um aparelho conhecido 
como pulp tester. 
• Testes para identificação de fraturas 
- Técnica da mordida: manobra na qual se pede ao paciente 
para morder sobre alguma superfície dotada de flexibilidade, 
como rolo de algodão, cotonete, palito de madeira ou sugador 
de plástico, empregando também superfícies mais rígidas, a 
exemplo de instrumentos metálicos, buscando-se reproduzir a 
posição em que a trinca existente fosse estimulada a se abrir, 
deflagrando a dor de origem pulpar ou periodontal decorrente 
da mesma. 
 - recomendação de se usar o dispositivo denominado Tooth 
Slooth®, FracfinderTM 
• Técnica de identificação de fraturas com o uso de corantes 
- Consiste em se impregnar a região suspeita da localização 
da fratura com uma, substância que possa evidenciá-la, como 
a solução aquosa de azul de metileno de 1 a 2%, 
removendo-se seu excesso com ácido fosfórico gel a 37% 
Diagnóstico pulpar 
Polpa normal 
• A polpa dentro desta categoria de diagnóstico está livre de 
sinais e sintomas e responderá positivamente aos testes 
pulpares térmicos e elétrico, reagindo aos estímulos com 
resposta dolorosa de intensidade compatível com a excitação 
provocada. 
• É importante ter em mente que não se chega a um 
diagnóstico provável, sem antes haver comparado o dente 
analisado com seus vizinhos e dente homólogo, sendo 
preferível testá-los primeiro, no intuito de familiarizar o 
paciente com uma resposta normal ao frio. 
• As manobras depalpação apical e percussão de um dente 
com polpa normal resultam em resposta negativa. 
Pulpite reversível 
• A pulpite reversível apresenta uma sintomatologia provocada 
de resposta um pouco mais intensa que na polpa normal 
 
 
• O desconforto pulpar é experimentado quando um estímulo, 
como frio ou doce, é aplicado, havendo o aparecimento de 
uma dor brusca, que tenderá a desaparecer poucos segundos 
após a sua remoção. 
• Assim, a dor nesses casos é sempre provocada e nunca 
espontânea. 
• Situações frequentes em que a pulpite reversível ocorre são 
a dentina exposta (sensibilidade dentinária), a cárie ou as 
restaurações profundas. 
• A radiografia periapical assemelha-se à de um dente com 
polpa normal. 
• A remoção de tecido cariado e restauração apropriada leva à 
completa remissão dos sintomas evidenciados. 
Pulpite irreversível sintomática 
• A polpa inflamada vital é incapaz de se recuperar e retornar 
à sua higidez após a remoção dos fatores que levaram a essa 
condição inflamatória, sendo indicado o tratamento 
endodôntico não conservador: pulpectomia ou, quando 
indicada, a pulpotomia. 
• As característicaspodem incluir dor aguda após estímulo 
térmico (demorando a cessar após a remoção do estímulo, 
geralmente 30 segundos ou mais), dor espontânea (dor não 
provocada) e dor irradiada (também chamada dor referida ou 
dor reflexa). 
• Em algumas situações, o paciente pode relatar aumento da 
dor com aplicação de frio e seu alívio quando entra em 
contato com uma substância quente. 
• Outras vezes, é exatamente o contrário que ocorre (alívio 
com frio e dor com o quente), o que já foi atribuído ao fato de 
a fase de pulpite irreversível ser inicial ou tardia, mas o que se 
pode concluir, clinicamente, é que ambas caracterizam a 
necessidade de uma intervenção com remoção total ou parcial 
da polpa envolvida (pulpectomia ou pulpotomia). 
• O paciente pode relatar dor em determinadas mudanças 
posturais, como dor em decúbito (quando se deita) ou ao 
curvar-se 
• O uso de analgésicos ou anti-inflamatórios costuma não 
surtir o efeito desejado 
• As causas mais frequentemente observadas estão 
relacionadas com cáries profundas, restaurações extensas ou, 
ainda, fraturas com exposição pulpar. 
Pulpite irreversível assintomática 
• A polpa está inflamada e incapaz de retornar à sua condição 
de normalidade 
• Contudo, muitas vezes não há, nesse caso, uma queixa 
clínica dolorosa importante descrita pelo paciente 
• Ao contrário, elementos portadores de pulpite irreversível 
assintomática costumam responder normalmente ou de forma 
bastante moderada aos testes térmicos, podendo ter sofrido 
agressão ou cárie profunda, cuja remoção frequentemente 
leva à exposição da polpa. 
• Quando existente, a dor costuma ser intermitente (não 
contínua), sobretudo por compressão. 
Pólipo pulpar 
• Um exemplo bastante rotineiro de pulpite irreversível 
assintomática é o do quadro clínico do surgimento do pólipo 
pulpar 
• Embora estas duas entidades patológicas estejam 
fortemente correlacionadas, é necessário enfatizar ser mais 
adequado ao cirurgião-dentista empregar o termo pólipo 
pulpar em seu diagnóstico clínico, uma vez que a hiperplasia 
(aumento do número de células) é manifestação somente 
observável ao exame microscópico desse achado 
histopatológico. 
• O paciente pode apresentar como queixa principal “uma 
gengiva crescendo dentro do dente”. 
• Pólipos pulpares são também encontrados em dentes com 
cáries crônicas oclusais de dentes posteriores cujo 
antagonista já não existe há um longo período. 
• Quando empregados, analgésicos e anti-inflamatórios têm 
eficácia no alívio de algum possível desconforto nos quadros 
de pulpites irreversíveis assintomáticas. 
Necrose pulpar 
• Indica a necrose da polpa dental, quadro em que será 
necessário o tratamento endodôntico radical. 
• A necrose do tecido pulpar está associada à presença de 
microrganismos, mesmo nos casos em que a causa da 
necrose teve origem em fatores não microbianos, como o 
traumatismo 
• Em resposta à agressão e à necrose da polpa dental, o 
organismo desencadeia processos inflamatórios agudos ou 
crônicos de defesa na região perirradicular, podendo resultar 
na formação de cistos e granulomas perirradiculares e, 
eventualmente, no surgimento de coleções purulentas 
(abscessos). 
• É possível diagnosticar clinicamente a necrose pulpar, os 
quadros de periodontite apical e de abscessos agudos ou 
crônicos, mas o diagnóstico diferencial entre cistos e 
granulomas perirradiculares só acontecerá mediante análise 
histopatológica. 
• Deve-se destacar que alguns dentes podem não responder 
aos testes pulpares, em decorrência de o canal estar 
calcificado, haver sofrido lesão traumática recente, ou 
simplesmente não ter uma resposta positiva. 
• Os testes devem ser aplicados de forma comparativa, 
fazendo-o também nos dentes vizinhos e homólogos, 
estabelecendo um parâmetro para determinado paciente. 
Previamente tratado 
• Um dente previamente tratado é o diagnóstico clínico que 
indica que ele recebeu tratamento endodôntico e os canais 
foram obturados com algum material definitivo, e não somente 
preenchidos com medicação intracanal. 
• Elementos dentários nessa categoria não respondem aos 
testes térmicos ou elétricos. 
 
 
• O exame radiográfico ajudará a elucidar esse diagnóstico, 
pela presença do material radiopaco preenchendo os canais 
radiculares, mas deve-se assegurar de que não seja 
medicação intracanal à qual se tenha agregado material 
dotado de radiopacidade. 
Terapia previamente iniciada 
• É um diagnóstico clínico no qual a polpa dental recebeu 
somente uma terapêutica endodôntica parcial, como uma 
pulpotomia ou uma pulpectomia. 
• Dependendo do estágio em que encontra o tratamento 
instituído, os dentes que se enquadram nessa classificação 
podem ou não responder aos testes pulpares. 
Diagnóstico apical (ou perirradicular) 
Tecidos apicais (perirradiculares) normais 
• Tecidos apicais normais não apresentam resposta dolorosa 
ao teste da percussão e palpação e radiograficamente a 
lâmina encontra-se intacta, bem como o espaço periodontal 
está uniforme. 
• Assim como no caso dos testes pulpares, o exame de 
palpação e percussão deve ser comparativo, iniciando-se por 
dentes cuja resposta esperada seja a normal. 
Periodontites apicais (lesões perirradiculares) 
• As periodontites apicais (ou lesões perirradiculares) são 
processos inflamatórios reversíveis, que podem ocorrer tanto 
em dentes portadores de polpa viva inflamada quanto em 
elementos dentários com polpa necrosada, tendo várias e 
distintas causas. 
Periodontite apical (lesão perirradicular) sintomática 
• Esta classificação refere-se à inflamação do periodonto 
apical, em que ocorrem sintomas clínicos de dor à mordida 
e/ou percussão e palpação apical. 
• Poderá estar ou não acompanhada de alteração 
radiográfica, pois, dependendo do estágio da doença, haverá 
ou não espessamento do espaço periodontal ou radiolucidez 
perirradicular apical. 
• Uma resposta gravemente dolorosa à percussão/ palpação é 
altamente indicativa de processo degenerativo pulpar e o 
tratamento de canal é necessário. 
• Quando acompanhada de necrose pulpar, as respostas aos 
testes pelo frio, quente e elétrico são negativas; a dor à 
percussão vertical, à palpação apical e à percussão resulta 
em um dente muito sensível. 
• A radiografia pode apresentar um discreto espessamento do 
espaço periodontal e a tentativa de aliviar o problema 
doloroso com medicação sistêmica pode não ter efeito. 
• Entretanto, há casos em que ocorrem periodontites apicais 
sintomáticas em dentes portadores de polpa viva. 
• Restaurações com sobrecontornos oclusais, pontos de 
contato oclusais prematuros, maloclusões e forças 
ortodônticas excessivas podem desencadear o seu 
aparecimento, mesmo com a vitalidade e higidez pulpar. 
• A remoção dos fatores desencadeadores nesses casos 
levará à remissão total do quadro. 
• Por outro lado, a sobreinstrumentação de canais além da 
região foraminal, a extrusão de debris, restos necróticos e 
microrganismos, além da injeção incidental, via forame, de 
substâncias químicas irritantes, são fatores que podem levar 
ao aparecimento do quadro de periodontite apical sintomática. 
• A dor em pacientes portadores de periodontite apical 
sintomática tem sido referida como latejante e martelante. 
• Um sinal característico e patognomônico desse quadro é a 
sensação de “dente crescido” informada pelo paciente. 
• De fato, o ligamento periodontal inflamado leva a uma 
discreta extrusão do elemento, produzindo tal desconforto, no 
qual o paciente mal consegue tocar o dente com seu 
antagônico. 
Periodontite apical (lesão perirradicular) assintomática 
• A periodontite apical assintomática consiste na inflamação e 
na destruição do periodonto apical de origem pulpar, e, 
nesses casos, não há dor ou ela é muito discreta. 
• Como esse quadro está relacionado com dentes portadores 
de necrose pulpar, os testes pulpares apresentam resposta 
negativa, bem como não há desconforto importante como 
resposta à palpação e à percussão.• No exame radiográfico, manifesta-se a radiolucidez apical. 
Abscessos apicais (perirradiculares) 
• O aspecto radiográfico dos abscessos apicais dependerá do 
tempo de evolução do caso, podendo apresentar um 
espessamento do espaço periodontal e/ou uma imagem 
perirradicular difusa, mal definida, nesse caso com perda da 
continuidade da lâmina dura. 
• Poderá também ocorrer o aspecto radiográfico da lesão 
crônica original, com ou sem radiolucidez difusa associada. 
Abscesso apical (perirradicular) crônico 
• Caracteriza-se por processo inflamatório em que a formação 
de pus se dá lentamente, sem desconforto importante para o 
paciente 
• A presença de fístula é típica dessa entidade patológica, o 
trajeto da fístula pode ser rastreado radiograficamente 
(fistulografia). 
Fistulografia (rastreamento radiográfico de fístulas) 
• Pode introduzir um cone de guta-percha delicadamente 
através do trajeto fistuloso, desde sua saída (parúlide) até o 
ponto em que encontre resistência 
• Uma radiografia será então realizada, e o dente responsável, 
detectado, identificando-se também a sua causa. 
Abscesso apical (perirradicular) agudo 
• São bastante sensíveis às manobras de percussão, 
palpação e pressão e estão associados à presença de polpa 
 
 
necrótica e infectada, na qual o dente não responde mais a 
quaisquer testes térmicos pulpares. 
• O quadro costuma ser doloroso, pela pressão do pus e 
tumefação dos tecidos moles, frequentemente acompanhadas 
de manifestações sistêmicas, como prostração, febre, 
enfartamento ganglionar, podendo haver trismo. 
• O inchaço existente pode ser intra e/ou extrabucal e a 
infecção poderá progredir para a cortical ou espaços 
medulares do osso – o que caracteriza a osteomielite – ou se 
difundir pelos tecidos moles como uma celulite sendo 
notadamente grave a angina de Ludwig, um tipo de celulite de 
tecidos moles com risco de morte envolvendo três 
compartimentos no assoalho da boca, incluindo os espaços 
submentuais, sublinguais e submandibulares bilateralmente. 
Osteíte condensante 
• A osteíte condensante, também chamada osteomielite 
esclerosante focal, osteomielite crônica esclerosante focal ou 
osteíte esclerosante, é o crescimento patológico dos ossos 
maxilomandibulares acompanhado de sintomas clínicos 
discretos. 
• A osteíte condensante é uma resposta dos tecidos ósseos 
perirradiculares a uma agressão de baixo estímulo 
inflamatório ou microbiano, ambos com origem na polpa 
dental, caracterizada por crescimento ósseo periódico. 
• Clinicamente, as áreas de esclerose óssea aparecem 
associadas a ápices de dentes com pulpite e grandes lesões 
cariosas, restaurações coronárias profundas, em dentes 
portadores de necrose pulpar e em casos de tratamento 
endodôntico inapropriado. 
• O aspecto radiográfico da osteíte condensante tem sido 
descrito como massa densa e uniforme e vaga transição para 
o osso circunjacente, combinada com perda apical da lâmina 
dura e ampliação do espaço do ligamento periodontal, ou, 
ainda, como uma lesão difusa apical radiopaca. 
• A lesão da osteíte condensante não apresenta margem 
radiolúcida, como se costuma observar na displasia 
cemento-óssea focal, e também não se verifica uma 
radiopacidade separada do ápice, como no caso da esclerose 
óssea idiopática, ambas sem etiologia endodôntica 
• Podendo haver sua completa remissão após tratamento 
endodôntico. 
Considerações clínicas relevantes 
• A dor é o principal sintoma associado à doença pulpar e 
perirradicular, assim, a história da doença atual confunde-se 
com a própria análise das características semiológicas da dor, 
a saber: tempo de evolução, frequência, duração, intensidade, 
localização, fatores que exacerbam e fatores que amenizam. 
• A história da doença é o fator fundamental para definição do 
estado inflamatório pulpar, ou seja, se é reversível ou 
irreversível. 
• As manifestações dolorosas nas pulpites sintomáticas 
evoluem em relação direta com a intensidade do agente 
agressor, desde um quadro de hipersensibilidade por 
exposição dentinária até a dor espontânea, ponto de 
referência para a irreversibilidade da doença pulpar e marco 
indicativo da terapia endodôntica radical. 
Tempo de evolução 
• A dor da polpa viva pode evoluir ao longo de semanas ou 
mesmo meses, com episódios que vão desde a resposta 
fugaz às bruscas mudanças de temperatura, à dor contínua, 
espontânea e intensa. 
• A dor que se repete ao longo de semanas ou meses e 
manifesta-se de maneira constante, denotando um caráter 
estático, tem origem diversa e não se origina em polpa viva. 
• A dor do dente despolpado pode apresentar-se por longos 
períodos com baixa intensidade, quase sempre relatada pelo 
paciente como dor ao toque ou à mastigação. 
• A resposta à pergunta “há quanto tempo a dor está 
presente?” pode direcionar a atenção para um dente vital ou 
despolpado. 
Frequência 
• A dor intermitente é característica de dentes vitais. A 
alternância entre dor e acalmia coincide com o 
comprometimento progressivo da polpa dental, até que a 
extensão do processo determine dor intensa e contínua. 
• A dor da lesão perirradicular aguda, causada por 
traumatismo de manipulação endodôntica e/ou pela 
capacidade de agressão da flora bacteriana, manifesta-se de 
forma contínua. 
Duração 
• Nos dentes vitais, a dor pode estender-se desde apenas 
alguns segundos após a remoção do estímulo, até longos 
períodos que mereçam o uso de analgésicos. 
• Nas lesões perirradiculares, a dor permanecerá por algumas 
horas, quando a origem for o traumatismo da manipulação 
endodôntica ou até que o processo se cronifique, quando a 
origem for infecciosa. 
• A dor espontânea que se estende após a segunda dose de 
um analgésico comum quase sempre é de origem infecciosa. 
Intensidade 
• A intensidade da dor relatada pelo paciente deve, portanto, 
ser analisada com prudência. 
• Um indicador tangível de referência seria a necessidade e a 
frequência da ingestão de analgésicos. 
• Dores intensas em polpa viva ou em dentes despolpados 
são agentes facilitadores do diagnóstico, porque são de fácil 
localização. 
Localização 
• A dor da polpa viva, especialmente nos estágios iniciais do 
processo inflamatório, apresenta-se difusa. 
• Dor irradiada é característica de dente com polpa viva. 
• Se presente, a dor associada a um dente despolpado 
geralmente é provocada ou exacerbada por estímulo 
mecânico. 
 
 
Fatores que exacerbam 
• Os agentes térmicos, especialmente o frio, podem exacerbar 
o desconforto em dentes vitais 
• Dentes despolpados apresentam desconforto pela 
mastigação, pelo toque e compressão, quando terminações 
nervosas contidas no ligamento periodontal edemaciado são 
estimuladas. 
Fatores que amenizam 
• As mesmas variações térmicas responsáveis pela 
exacerbação da dor em polpa viva podem amenizá-la. 
• Dentes despolpados, nos estágios iniciais do 
comprometimento perirradicular poderão ter o desconforto 
amenizado pelo ajuste oclusal ou pela 
retirada de função. 
• Na lesão perirradicular aguda de natureza infecciosa, estas 
medidas serão paliativas e somente o uso de analgésicos 
potentes ou a cronificação do processo serão capazes de 
mitigar a dor. 
Considerações complementares 
• O diagnóstico pode ser complicado quando nos deparamos 
com um padrão pouco usual da dor, quando a sintomatologia 
incide de forma espaçada ou quando as informações 
prestadas são conflituosas.