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DIREITO AMBIENTAL
Aula 02
Prof. Oséas Jardeson Ribeiro
Da proteção
O tratamento jurídico do meio ambiente se faz em diferentes áreas do Direito e
por diferentes instrumentos que, nem sempre, são de “Direito Ambiental”. Talvez
este fato seja um dos mais relevantes no contexto, pois nem toda norma que,
direta ou indiretamente, se relaciona a uma questão ambiental pode ser
compreendida no universo do Direito Ambiental. Ao mesmo tempo, a amplitude –
crescente – do chamado ambiente faz com que muitas províncias jurídicas se
especializem e se torne cada vez mais difícil tratá-las dentro de um enorme
“guarda-chuva” designado Direito Ambiental.
Da Proteção
Existe um direito da proteção da diversidade biológica, um direito da proteção
dos mares, um direito referente aos produtos tóxicos, outro sobre espécies
ameaçadas de extinção e daí por diante, e isso ocorre tanto no direito
internacional como no direito interno.
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1998/anexos/and2519-98.pdf
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1990-1994/anexo/and99165-
90.pdf
Natureza
A palavra natureza é originada do latim Natura, de nato, nascido. Os seus
principais significados são:
(a) conjunto de todos os seres que formam o universo;
(b) essência e condição própria de um ser. Whitehead (1994, p. 7), em conhecida
obra dedicada ao estudo da natureza, afirma que:
“a natureza é aquilo que observamos pela percepção obtida através dos sentidos.
Nessa percepção sensível, estamos cônscios de que algo que não é pensamento e
que é contido em si mesmo com relação ao pensamento. Essa propriedade de ser
autocontido em si mesmo em relação ao pensamento está na base da ciência
natural. Significa que a natureza pode ser concebida como um sistema fechado
cujas relações mútuas prescindem da expressão do fato de que se pensa acerca das
mesmas”.
Conceito Politico
Não devemos esquecer também que Natureza é um conceito político que tem
servido de inspiração para filósofos e reformadores políticos. O Estado da
Natureza é um marco teórico que tem sustentado diferentes Teorias de Filosofia
Política e Social. Para Rousseau, o estado de natureza não caracteriza um período
da história humana marcado por inconveniências a serem superadas pela
constituição da sociedade civil.
Meio ambiente
Meio Ambiente
O meio ambiente diz respeito ao conjunto de elementos e processos biológicos,
químicos e físicos responsáveis pela vida no planeta Terra.
Compreende os seres humanos e as transformações que eles impõem aos
espaços naturais.
É composto pela biosfera, hidrosfera, atmosfera e litosfera.
É importante porque é dele que retiramos os recursos necessários para nossa
subsistência.
"Os temas relacionados ao meio ambiente no Brasil são tratados pelo Ministério
do Meio Ambiente (MMA), criado em 1992.
Meio Ambiente 
Meio ambiente compreende o humano como parte de um conjunto de relações
econômicas, sociais e políticas que se constroem a partir da apropriação dos bens
naturais que, por serem submetidos à influência humana, transformam-se em
recursos essenciais para a vida em quaisquer de seus aspectos.
Assim, o Direito que se estrutura com vistas a regular as atividades humanas sobre
o meio ambiente somente pode ser designado como Direito Ambiental. Nos
primórdios do Direito Ambiental como disciplina universitária, outras designações
foram ensaiadas, contudo não lograram se firmar em função das fragilidades
teóricas sobre as quais se apoiavam.
Território interno
Nos primórdios de nossa disciplina no Brasil, ela era conhecida como Direito
Ecológico, como consta dos trabalhos de Sérgio Ferraz (1972) e Diogo de
Figueiredo Moreira Neto (1997). O desenvolvimento dos estudos sobre a disciplina
conduziu a maioria dos autores à utilização da expressão Direito Ambiental, por
ser mais abrangente e mais capaz de assimilar as nuances da matéria em questão.
A experiência prática tem demonstrado que muitos e diferentes problemas
acabam sendo absorvidos pelo Direito Ambiental, ainda que não se refiram direta
e unicamente às questões estritamente ecológicas. Aliás, uma das grandes
dificuldades em nossa disciplina é, efetivamente, estabelecer-lhe limites de
abrangência que evitem os desvios da tentativa de ela se transformar em
Pandireito.
Apresentação do direito ambiental
A produção nacional, bem representada pelo Professor Paulo Affonso Leme
Machado (MACHADO, 2005, p. 148-149), nas primeiras edições de seu Direito
Ambiental Brasileiro, não chegou a apresentar uma definição de Direito
Ambiental, preferindo, em sua obra, fornecer ao leitor uma metodologia para que
este compreenda o conteúdo e o significado do Direito Ambiental. Para o
consagrado autor, o Direito Ambiental é um direito de proteção à natureza e à vida,
dotado de instrumentos peculiares que se projetam em diversas áreas do Direito,
sobretudo no Direito Administrativo.
Doutrina
Posteriormente, o consagrado mestre evoluiu em sua concepção e nos fornece a
seguinte definição:
“O Direito Ambiental é um Direito sistematizador, que faz a articulação da
legislação, da doutrina e da jurisprudência concernentes aos elementos que
integram o meio ambiente. Procura evitar o isolamento dos temas ambientais e
sua abordagem antagônica. Não se trata mais de construir um Direito das águas,
um Direito da atmosfera, um Direito do solo, um Direito florestal, um Direito da
fauna ou um Direito da biodiversidade. O Direito Ambiental não ignora o que cada
matéria tem de específico, mas busca interligar estes temas com a argamassa da
identidade de instrumentos jurídicos de prevenção e de reparação, de informação,
de monitoramento e de participação”.
Vertentes
Ele se desdobra em três vertentes fundamentais, que são constituídas pelo: (i)
direito ao meio ambiente, (ii) direito sobre o meio ambiente e (iii) direito do meio
ambiente.
Tais vertentes existem, na medida em que o direito ao meio ambiente é um direito
humano fundamental que cumpre a função de integrar os direitos à saudável
qualidade de vida, ao desenvolvimento econômico e à proteção dos recursos
naturais.
O Direito Ambiental tem uma dimensão humana, uma dimensão ecológica e uma
dimensão econômica que devem ser compreendidas harmonicamente.
A doutrina nacional se divide em duas correntes básicas:
(i) uma que privilegia o chamado ambientalismo social ou socioambientalismo
(SANTILLI, 2005);
(ii) outra mais voltada para o preservacionismo.
O socioambientalismo busca conciliar a convivência humana – sobretudo
populações menos favorecidas – com a proteção de ambientes naturais; já a
vertente preservacionista tem uma visão de santuário das áreas protegidas e se
encontra reunida em torno do grupo Planeta Verde com forte base de sustentação
no Ministério Público.
Visão da tutela ambiental
Não se pode pensar o Direito Ambiental de forma rígida e dogmática, pois isto é
uma contradição em seus próprios termos. É da própria natureza do Direito
Ambiental que ele seja examinado de forma flexível e maleável.
Obs.: Equivoca-se o socioambientalismo ao pretender que, necessariamente, as
populações tradicionais protejam o meio ambiente, pois a prática tem
demonstrado que populações tradicionais também podem ser promotoras de
degradação ambiental quando as pressões econômicas se tornam irresistíveis.
• Direito Internacional do Meio Ambiente [DIMA]
• Outra característica marcante do Direito Ambiental é a sua forte
internacionalização e a influência recíproca entre o Direito
interno e o internacional.
• A proteção do meio ambiente é, atualmente, parte da agenda global e, em
tal condição, um dos principais temas discutidos nos diferentes fora
internacionais; isso permitiu que, no âmbito do DIP, um setor específico
começasse a se especializar (REI, 2018).
• Com efeito, desde 1992, a Organização das Nações Unidas [ONU] realizou
diversas conferências internacionais que tiveram como tema central a
discussão e a deliberação sobre questões ambientais.
• O DIMA é uma das respostas dadas pela comunidade internacional à
deterioração dos recursosambientais em escala planetária. É
resposta jurídica, originada na compreensão comum dos sujeitos de
Direito Internacional no sentido de que somente uma ação uniforme e
articulada entre os diversos atores internacionais é capaz de
solucionar problemas que ultrapassam a fronteira de um único
Estado.
• O DIMA surgiu no século XX, assim como a questão ambiental. É fato que,
no passado, existiram alguns acordos internacionais sobre problemas
comuns que afetavam os seus recursos naturais. Entretanto, foi somente
no século passado que a preocupação se tornou mais eloquente e visível
no cenário internacional.
• O DIMA pode ser definido como o conjunto de regras (cogentes ou
não), princípios e práticas internacionais que criam obrigações e
direitos relativos à proteção do meio ambiente, da natureza e dos recursos
naturais no âmbito da comunidade internacional.
• Nele, estão incluídas as matérias que, simultaneamente, são de interesse
de múltiplos Estados, tais como as poluições transfronteiras, os
recursos do mar, as mudanças climáticas globais e a proteção da
diversidade biológica, bem como matérias de interesse regional,
e.g., a proteção de um determinado rio internacional ou de florestas
que se espalham por mais de um país.
• Características principais do DIMA
• Dentre as características mais marcantes do DIMA, podem ser apontadas 
(1) a sua juventude (MALJEAN-DUBOIS, 2008);
• (2) a sua setorização;
• (3) o seu caráter prospectivo;
• (4) a modificação do conceito de soberania nacional;
• (5) transformação de elementos constitutivos, tais como sistema de fontes 
e os seus sujeitos. 
• O DIMA é composto pelos tratados, convenções e declarações
internacionais relativos à proteção da natureza, sendo muito difícil
identificar coerência entre as suas diferentes normas. A harmonização
entre todo o conjunto é tarefa dificílima, senão impossível.
• O DIMA é abrangente e não pode ser entendido fora dos contextos
econômicos e sociais. A Declaração de Estocolmo, proclamada em 1972, é
uma demonstração eloquente do que se argumenta. Na proclamação, a
Conferência afirma que o meio ambiente humano possui dois aspectos, a
saber: (1) o natural e o (2) artificial.
• Meio ambiente natural é aquele constituído por solo, água, ar
atmosférico, fauna, homem e flora.
• O Meio Ambiente Artificial é compreendido pelo espaço urbano
construído pelo Homem.
• Importância do ambientalismo para a formação do DIMA
• O DIMA é fruto do ambientalismo, que é movimento social e político,
composto por diferentes e, até mesmo, antagônicos pensamentos sobre a
natureza, a sua proteção e o seu papel no mundo moderno. Conforme a
arguta visão de David PEPPER (2000, p. 25), ele nos traz a sensação de
que provém de todos os lados, da esquerda, da direita, do centro,
misturando-se com alguns conceitos retirados da ecologia.
• É formado por um conjunto de afirmações, muitas delas com base em
argumentos científicos, sobre como a natureza deveria ser, caso
fossem evitadas determinadas práticas que a estão colocando em risco,
tudo como consequência da urbanização e crescimento industrial
acelerados no pós-guerra da Europa e dos Estados Unidos, chegando a se
falar em “revolução ambientalista” (McCORMICK, 1992).
• Em geral, o discurso ambientalista tende ao alarmismo e ao espetacular,
dramatizando os problemas reais.
• O discurso ambientalista moderno parte de duas obras seminais:
Silent Spring [Primavera silenciosa], de Rachel CARSON (2013), e o
relatório do Clube de Roma, Limits to Growth [Os limites do crescimento]
(MEADOWS et al., 1977).
• O capítulo inaugural de Silent Spring tem o sintomático título de “Uma
fábula para amanhã”, no qual, à semelhança dos contos infantis,
afirma-se que “era uma vez” uma cidade no coração dos Estados Unidos
que se assemelhava ao jardim do éden, demonstrando desconforto com o
mundo moderno e as suas mazelas.
• Silent Spring é, certamente, a obra mais influente no pensamento
ecológico até os dias presentes.
• O manifesto trata de questões que vão desde a ameaça de guerra nuclear
até a contaminação do leite materno por produtos químicos.Ela fala das
pequenas comunidades e da participação popular e dos riscos da ciência
moderna.
• Alarmista, em uma época na qual a preocupação com a guerra fria e as
explosões termonucleares eram ameaças concretas; radical no banimento
dos organoclorados, podemos dizer que a Convenção de Estocolmo sobre
Poluentes Orgânicos Persistentes é um subproduto de Silent Spring.

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