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Escherichia coli Universidade Federal do Rio de Janeiro Campus Macaé Profa Fernanda Sampaio Cavalcante Escherichia coli • Bastonete Gram negativo • Lactose positivo • Móvel com flagelos peritríquios, fimbriada • Habita o TGI de todos os mamíferos • NORMALMENTE inofensiva não causa infecções • Bactéria facilmente cultivável • Organismo mais estudado do mundo! Aplicações da E. coli • Marcador de qualidade da água – Coliforme fecal – Contagem de coliformes na água indica a taxa de contaminação da água por esgoto • Biologia molecular – Produção de vacinas e medicamentos – Melhor modelo pra estudos sobre o DNA Sorotipagem • De acordo com os antígenos – O LPS – H Flagelos Ex: O157:H7 • E. coli comensal – Sem genes de virulência não possui toxinas nem capacidade de invasão – Habita o intestino impedindo o estabelecimento de outras bactérias patogênicas – Estimula o sistema imune – Produção de vitaminas Relação com o hospedeiro humano Comensal x patogênica Infecção Perfuração intestinal sepse Uso prolongado de cateter vesical ITU hospitalar • E. coli patogênica – Aquisição de genes de virulência Diarréias agudas bacterianas Enterócitos intactos Produzem enterotoxinas Desfazem as vilosidades Penetra na mucosa EHEC Shigella Salmonella Listeria EAEC ETEC Vibrio Lesão dos enterócitos Invadem enterócitos Revestem o epitélio e impedem absorção Morte dos enterócitos por toxinas Infecção generalizada EPEC EHEC EIEC Shigella 1) E. coli enteropatogênica - EPEC • Lesão A/E (attachment/effacing) – “Adesão + apagamento” – Ligação da bactéria e apagamento das mirovilosidades “pedestal” Pilus BFP Adesão inicial E. Coli injeta a proteína Tir no epitélio Tir se liga a proteína bacteriana intimina Polimerização da actina Adesão íntima Apagamento das vilosidades e formação do pedestal ↓ absorção DIARREIA 1) Adesão inicial via BFP 2) Injeção de Tir 3) Tir liga à intimina 4) Polimerização da actina 5) “Pedestal” DIARREIA COM SANGUE • Produzem diarreia sanguinolenta • Lesão A/E + produção de toxina semelhante à de Shigella (Shiga-like) 2) E. coli enterohemorrágica - EHEC Formação do pedestal e morte dos enterócitos Produção de shiga-like Degrada o RNA ribossomal Paralisação da síntese protéica RNAr Adesão via BFP Injeção de Tir e ligação à intimina Polimerização de actina Formação do pedestal e apagamento das vilosidades Morte celular Síndrome Hemolítica- Urêmica Causada por EHEC sorotipo O157:H7 Toxina Shiga-like chega à corrente sanguínea Processo diarreico comum a EHEC Se liga ao receptor GB3 nos glomérulos renais Morte das células endoteliais do glomérulo (parada da síntese protéica) Ativa cascata de coagulação Perda da capacidade filtrante Formação de trombos Hemólise Insuficiência renal aguda Anemia hemolítica microangiopática Reservatório animal EHEC habita naturalmente o TGI dos ruminantes Contágio Alimentos de origem animal contaminados especialmente carne Principais casos: - Países desenvolvidos - Poucos casos no Brasil - Associada ao consumo de carne mal cozida, especialmente carne moída Tratamento - Evitar antibióticos - Para SHU: diálise e transfusão • Mecanismo extremamente semelhante à Shigella • Não há produção de toxina 4) E. coli enteroinvasora - EIEC 1) EIEC invade a célula M 3) Atinge a camada basal 2) Capturada pelo macrófago ↓ apoptose 4) Invasão dos enterócitos adjacentes 5) Destruição dos enterócitos DIARREIA • Produzem toxinas que causam diarreia – LT (termolábil) – ST (termoestável) 4) E. coli enterotoxigênica - ETEC Adesão inicial fímbrias CFA Produção das toxinas LT ST Fímbrias CFA ↑ AMPc ↑ GMPc Abertura dos canais de cloro Aumento nos níveis de AMPc (LT) e GMPc (ST) Abertura dos canais de cloro Saída de eletrólitos e líquido DIARREIA • Adesão agregativa Biofilme! modelo “tijolos empilhados” ou “tapete” 5) E. coli enteroagregativa - EAEC Adesão via AAF Formação do biofilme Indução de muco (East e Pet) + muco + bactéria ↑ biofilme Adesão inicial mediada por adesinas fimbriais Biofilme “tijolos empilhados” Toxinas East e Pet induzem liberação de muco Intenso biofilme e inflamação da mucosa ↓ absorção DIARREIA Manifestações Clínicas Febre (normalmente baixa) Dores abdominais Diarreia aquosa (EPEC, ETEC) Diarreia com sangue (EHEC, EIEC) Diarreia com muco (EAEC) EAEC EPEC Pode cronificar diarreia persistente e má absorção EHEC ETEC EIEC Sempre agudas Desnutrição e mortalidade infantil Aspectos Gerais • Transmissão – Água e alimentos contaminados • Principais afetados – Crianças de países em desenvolvimento – Uma das principais causas de mortalidade infantil! especialmente EPEC/EAEC diarreia crônica e desnutrição – Diarreia do viajante • Tratamento – Evitar antibióticos – Manter a hidratação • Prevenção – Saneamento básico – Cuidado no preparo dos alimentos – Água somente fervida/filtrada – Estimular o aleitamento materno especialmente em regiões pobres 6) E. coli uropatogênica Causam as infecções urinárias comunitárias 1) UPEC se liga a uroplaquina da bexiga via fímbria 1 2) Invasão do epitélio e multiplicação 3) Inflamação 4) Eliminação de bactérias na urina Bactérias oriundas do TGI acessam a uretra Adesão ao epitélio e internalização via fímbria 1 Multiplicação e processo inflamatório Infecções urinárias comunitárias • 95% causadas por UPEC – 5% Proteus e S. saprophyticus • Epidemiologia – Mais comum em mulheres • Diagnóstico – Urocultura >1000 UFC/ml = infecção! – Presença de nitrito na urina • Tratamento – Sulfametoxazol/trimetoprim – Fosfomicina – Ciprofloxacina Podem ascender para os rins levando à pielonefrite Sintomas clássicos: Piúria Disúria Poliúria