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FUNDAÇÃO MUNICIPAL DE SAÚDE LEGISLAÇÃO DO SUS Professor João Henrique CONTEÚDO PROGRAMÁTICO Evolução histórica da organização do sistema de saúde no Brasil e a construção do Sistema Único de Saúde (SUS) – princípios, diretrizes e arcabouço legal. Constituição Federal 1988, Título VIII - artigos de 194 a 200. Lei Orgânica da Saúde - Lei n º 8.080/1990. Lei nº 8.142/1990 Decreto Presidencial nº 7.508, de 28/06/2011. Portaria nº 2.436, de 21/09/2017 - Aprova a Política Nacional de Atenção Básica. Portaria GM/MS nº 1.604, de 18/10/2023 Institui a Política Nacional de Atenção Especializada em Saúde (PNAES), no âmbito do Sistema Único de Saúde. Resolução CNS nº 553, de 09/08/2017, que dispõe sobre a carta dos direitos e deveres da pessoa usuária da saúde. LINHA DO TEMPO – SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL Slide - 01 Professor João Henrique Descoberta do Brasil Chegada da família real (1808) Brasil Império Proclamação da República Polícia Sanitária Modelo Campanhista/Higienista 1923 – Lei Eloy Chaves (CAPs) 1930 – IAPs 1953 – Criação Ministério da Saúde 1966 – Unificação dos IAPs. Criação do INPS. 1977 – Criação do INAMPS 1978 - Conferência Internacional sobre Cuidados Primários de Saúde, realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em Alma-Ata 1980 – Realização da VII Conferência Nacional de Saúde (1980), que apresentou como propostas a reformulação da política de saúde e a formulação do Programa Nacional de Serviços Básicos de Saúde 1986 - VIII Conferência Nacional de Saúde. DESCOBRIMENTO DO BRASIL Slide - 01 Professor João Henrique • O conhecimento acerca da transmissão e do controle ou tratamento de novas doenças era muito frágil. • Rezas, feitiços, plantas e ervas nativas, eram utilizados rotineiramente por pajés, na população indígena, e por curandeiros, na população negra, únicas forma de acesso à saúde para a maioria da população. • Para quem poderia custear, havia a figura do prático ou barbeiro, que utilizava procedimentos avançados para a época, como sangria ou aplicação de sanguessugas, técnicas utilizadas por médicos europeus. DESCOBRIMENTO DO BRASIL Slide - 01 Professor João Henrique • Os portugueses implantaram o modelo das Santas Casas de Misericórdia. • Com o avanço da colonização foram criadas outras unidades semelhantes pelos Senhores chamados “homens bons”, associados às Irmandades da Misericórdia, sociedades civis constituídas por pessoas de posses, geralmente católicas, que se propunham a realizar determinadas obras sociais. • O cenário era de descaso para com a saúde e cada indivíduo era responsável por sua saúde. CHEGADA DA FAMÍLIA REAL Slide - 01 Professor João Henrique • No século XVII uma profunda crise demográfica ocorreu no Brasil devido a uma epidemia de sarampo, abalando a economia colonial. Após esse fato, as epidemias passaram a receber a atenção governamental. • Razão: dos prejuízos causados à política econômica, pois os navios estrangeiros passaram a evitar os nossos portos com medo do contágio. • Foram dados os primeiros passos da medicina tropical com a criação de Faculdades de Medicina em Salvador (Colégio Médico Cirúrgico no Real Hospital) e no Rio de Janeiro (Escola de Cirurgia), cidades portuárias que recebiam o maior número de navios e de escravos. BRASIL IMPERIO Slide - 01 Professor João Henrique • Era Bacteriológica (teoria unicausal) • Ocorreu nesse período, pela primeira vez, uma preocupação com a prevenção. • Criação do Instituto Vacínico do Império, que tinha por atribuição o estudo, a prática, o melhoramento e propagação da vacina. • Junta Central de Higiene com atribuições de saúde pública, como a vacinação, o exercício da medicina, a fiscalização das boticas, a polícia sanitária, a inspeção das bebidas e gêneros alimentícios e de saúde nos portos. BRASIL IMPÉRIO Slide - 01 Professor João Henrique •No tocante à saúde, surge, em 1850 (sec XIX), o Movimento Higienista, que tinha como proposta atender à população indigente, de modo a evitar a transmissão de doenças e adotar meios de manter o ambiente em condições salubres. Contavam com o auxílio das Santas Casas de Misericórdia. BRASIL REPÚBLICA Slide - 01 Professor João Henrique • A proclamação da República em 1889 marca o início de um novo ciclo na política de Estado. • Surge uma nova organização social: • primeiros sinais de industrialização • chegada de imigrantes europeus • princípio da migração de pessoas do campo para as cidades • Isso fez com que o Governo fosse obrigado a melhorar o atendimento da saúde. BRASIL REPÚBLICA Slide - 01 Professor João Henrique • No Governo de Rodrigues Alves, com Oswaldo Cruz a frente, houve iniciativas de saneamento e urbanização seguidas de ações de combate a doenças endêmicas. • Criação do Código Sanitário: • Desinfecção domiciliar • Destruição de edificações consideradas nocivas à saúde pública • Notificação permanente dos casos de febre amarela, varíola e peste bubônica • Atuação da polícia sanitária BRASIL REPÚBLICA Slide - 01 Professor João Henrique • O combate as endemias possuía teor extremamente autoritário das práticas de saúde, pois as instituições de saúde se organizavam a partir do modelo campanhista, de inspiração bélica. • Ações: • Percorriam ruas e visitavam casas, inclusive promovendo a queima de roupas e colchões. • Exigiam limpeza, reformas, interditavam prédios, removiam doentes. • Alvos preferidos das visitas: áreas mais pobres e de maior densidade demográfica. • Campanha de Vacinação obrigatória para Varíola (Revolta da vacina) ANO FATO 1923 Lei Eloy Chaves (Decreto Legislativo nº 4.682/1923) 24/01/1923 – Aniversário da Preivdência Instituiu a CAPs para os Ferroviários. Assegurava: Aposentadoria por invalidez Aposentadoria Ordinária Pensão por morte Assistência Médica Características (modelo Alemão): Proteção não universal (limitado aos trabalhadores) Financiamento com contribuição dos trabalhadores, empresa. Regulamentação e supervisão a cargo do Estado. Limitada a determinadas necessidades sociais 1926 Estendido os benefícios para os portuários e marítimos 1928 Estendido os benefícios para empresas de serviços telegráficos e radiotelegráficos 1930 Estendido os benefícios para empregados nos serviços de força, luz e bondes BRASIL REPÚBLICA Slide - 01 Professor João Henrique BRASIL REPÚBLICA Slide - 01 Professor João Henrique • Durante o regime militar ocorreu a migração de pacientes de alguns institutos, acrescida da superlotação nos hospitais, que gerou insatisfação geral. • Doenças antes erradicadas voltaram. Houve por uma reforma da política de saúde. • Em 1977, criou-se o Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS), órgão que passou a coordenar todas as ações de saúde no nível médico- assistencial da Previdência Social BRASIL REPÚBLICA Slide - 01 Professor João Henrique • O INAMPS (Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social) • Centralizada; • Verticalizada • Privativista; • Foco na doença; • Única fonte da seguridade social. BRASIL REPÚBLICA Slide - 01 Professor João Henrique • Em 1978, houve a Conferência Internacional de Assistência Primária à Saúde que demonstrou uma forte oposição à privatização e mercantilização da medicina sob o comando da Previdência Social. • A Conferência Internacional sobre Cuidados Primários de Saúde, realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em Alma-Ata, na República do Cazaquistão, expressava a “necessidade de ação urgente de todos os governos, de todos os que trabalham nos campos da saúde e do desenvolvimento e da comunidade mundial para promover a saúde de todos os povos do mundo”. BRASIL REPÚBLICA Slide - 01 Professor João Henrique • Em 1980, foi realizada a VII Conferência Nacional de Saúde (1980), que apresentou como propostas a reformulação da política de saúde e a formulação do Programa Nacional de Serviços Básicosde Saúde (Prev-Saúde). • Em 1981, houve a nomeação do Conselho Consultivo de Administração da Saúde Previdenciária (Conasp). • O CONASP apontou que o Brasil possuía uma rede de saúde ineficiente, desintegrada e complexa, indutora de fraude e de desvio de recursos. BRASIL REPÚBLICA Slide - 01 Professor João Henrique • Em 1986, o Ministério da Saúde convocou gestores de saúde e, pela primeira vez, técnicos e usuários para a VIII Conferência Nacional de Saúde. • Considerado um marco histórico da política de saúde brasileira, esta conferência aprovou, por unanimidade de seus 4.000 participantes, as diretrizes da universalização da saúde e do controle social efetivo com relação às práticas estabelecidas, e assim ficaram delineados os princípios norteadores do que viria a ser o Sistema Único de Saúde – SUS. BRASIL REPÚBLICA Slide - 01 Professor João Henrique •As proposições mais importantes do relatório da VIII Conferência foram assumidas pela “Constituição cidadã”, de 1988, dando origem ao SUS. •O SUS é um sistema instituído a partir da CF/88, sendo organizado e estruturado com a Lei Orgânica da Saúde (Lei nº 8.080/1990) A SAÚDE NA CF/88 Slide - 02 Professor João Henrique • A Saúde está inserida na Seção II do Capítulo da Seguridade Social na Constituição Federal. • Art. 193 da CF/88: A ordem social tem como base o primado do trabalho, e como objetivo o bem-estar e a justiça sociais. • Art. 194. A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social. • Seguridade Social = Saúde + Previdência + Assistência BRASIL REPÚBLICA Slide - 02 Professor João Henrique SEGURIDADE SOCIAL PREVIDÊNCIA SOCIAL ASSISTÊNCIAL SOCIAL SAÚDE Caráter Contributivo, Filiação Compulsória Para quem precisa, independente de contribuição Direito de todos e dever do Estado, independente de contribuição A SAÚDE NA CF/88 Slide - 02 Professor João Henrique • Compete ao Poder Público, nos termos da lei, organizar a SEGURIDADE SOCIAL, com base nos seguintes OBJETIVOS: I - universalidade da cobertura e do atendimento; • Universalidade da cobertura – a seguridade deve cobrir todos os problemas sociais que precisem de uma atenção especial do Estado: doenças, acidentes, reclusão, morte, velhice ... • Universidade de atendimento – Todas as pessoas poderão ser acolhidas pela Seguridade Social, desde que se enquadrem nos requisitos constitucionais. Previdência= Contribuição. Assistência = Hipossuficiente. Saúde = Universal. • II - uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais; • A cobertura e os benefícios devem se dar de forma igualitária, ou seja, a mesma coisa que se tem e se paga para quem está na cidade, deve- se ter também para população da zona rural. A SAÚDE NA CF/88 Slide - 02 Professor João Henrique • III - seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços; • Seletividade significa que irá selecionar as prioridades. • Distributividade significa atender prioritariamente as pessoas que precisam mais. • Tais princípios existem devido à limitada capacidade econômica, devendo haver prioridades. • Tal princípio condiciona e estabelece limites ao o princípio da universalidade da cobertura e do atendimento. • IV - irredutibilidade do valor dos benefícios; • Trata-se de uma proibição de que se reduza o valor nominal dos benefícios. A SAÚDE NA CF/88 Slide - 02 Professor João Henrique • V - equidade na forma de participação no custeio; • Ter equidade é ser justo. Deve-se levar em consideração a capacidade contributiva no momento de participar do custeio da seguridade. Quem tem mais, paga mais. Quem tem menos, paga menos. A SAÚDE NA CF/88 Slide - 02 Professor João Henrique • VI - diversidade da base de financiamento, identificando-se, em rubricas contábeis específicas para cada área, as receitas e as despesas vinculadas a ações de saúde, previdência e assistência social, preservado o caráter contributivo da previdência social; • VII - caráter democrático e descentralizado da administração, mediante gestão quadripartite, com participação dos trabalhadores, dos empregadores, dos aposentados e do Governo nos órgãos colegiados. A SAÚDE NA CF/88 Slide - 02 Professor João Henrique • A Constituição Federal de 1988, deu nova forma à saúde no Brasil, estabelecendo-a como direito universal. • A saúde passou a ser dever constitucional de todas as esferas de governo, sendo que antes era apenas da União e relativo ao trabalhador segurado. • A saúde era excludente e contributiva, ou seja, apenas aqueles que podiam pagar a medicina privada e quem contribua com a previdência social / INPS Instituto Nacional da Previdência Social, tinham acesso. • O SUS é responsável pelas ações na área de saúde, destinadas a oferecer uma política social com a finalidade de reduzir riscos de doenças e outros agravos, de caráter descentralizado. A SAÚDE NA CF/88 Slide - 02 • UNIVERSALIDADE E CONCEITO AMPLIADO DE SAÚDE Art. 197 • SAÚDE DESEMPENHADA PELO ESTADO E INICIATIVA PRIVADA Art. 198 • DIRETRIZES DO SUS, APLICAÇÃO MÍNIMA DE RECURSOS EM SAÚDE E AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE Art. 196 Art. 199 • PARTICIPAÇÃO DA INICIATIVA PRIVADA E COMERCIALIZAÇÃO DE SANGUE E DERIVADOS Art. 200 • COMPETÊNCIA DO SUS Professor João Henrique A SAÚDE NA CF/88 Slide - 02 Professor João Henrique • Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. A SAÚDE NA CF/88 Slide - 02 Professor João Henrique • A RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO ESTADO • [...] o tratamento médico adequado aos necessitados se insere no rol dos deveres do Estado, porquanto responsabilidade solidária dos entes federados. O polo passivo pode ser composto por qualquer um deles, isoladamente, ou conjuntamente. • [RE 855.178-ED, rel. p/ o ac. min. Edson Fachin, j. 23-5-2019, P, DJE de 16-4-2020, Tema 793.] http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=752469853 A SAÚDE NA CF/88 Slide - 02 Professor João Henrique • MEDICAMENTOS EXPERIMENTAIS NO SUS O Estado não pode ser obrigado a fornecer medicamentos experimentais. A ausência de registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) impede, como regra geral, o fornecimento de medicamento por decisão judicial. É possível, excepcionalmente, a concessão judicial de medicamento sem registro sanitário, em caso de mora irrazoável da Anvisa em apreciar o pedido (prazo superior ao previsto na Lei 13.411/2016), quando preenchidos três requisitos: (i) a existência de pedido de registro do medicamento no Brasil (salvo no caso de medicamentos órfãos para doenças raras e ultrarraras);(ii) a existência de registro do medicamento em renomadas agências de regulação no exterior; e (iii) a inexistência de substituto terapêutico com registro no Brasil. As ações que demandem fornecimento de medicamentos sem registro na Anvisa deverão necessariamente ser propostas em face da União. [RE 657.718, rel. p/ o ac. min. Roberto Barroso, j. 22-5-2019, P, Informativo 941, Tema 500.] http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=4143144 http://www.stf.jus.br/arquivo/informativo/documento/informativo941.htm A SAÚDE NA CF/88 Slide - 02 Professor João Henrique • MEDICAMENTOS EXPERIMENTAIS NO SUS O Estado não pode ser obrigado a fornecer medicamentos experimentais. A ausência de registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) impede, como regra geral, o fornecimento de medicamento por decisão judicial. É possível, excepcionalmente, a concessão judicial de medicamento sem registro sanitário, em caso de mora irrazoável da Anvisa em apreciar o pedido(prazo superior ao previsto na Lei 13.411/2016), quando preenchidos três requisitos: (i) a existência de pedido de registro do medicamento no Brasil (salvo no caso de medicamentos órfãos para doenças raras e ultrarraras);(ii) a existência de registro do medicamento em renomadas agências de regulação no exterior; e (iii) a inexistência de substituto terapêutico com registro no Brasil. As ações que demandem fornecimento de medicamentos sem registro na Anvisa deverão necessariamente ser propostas em face da União. [RE 657.718, rel. p/ o ac. min. Roberto Barroso, j. 22-5-2019, P, Informativo 941, Tema 500.] http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=4143144 http://www.stf.jus.br/arquivo/informativo/documento/informativo941.htm A SAÚDE NA CF/88 Slide - 02 Professor João Henrique • INDISPONIBILIDADE DO DIREITO À SAÚDE O direito à saúde é prerrogativa constitucional indisponível, garantido mediante a implementação de políticas públicas, impondo ao Estado a obrigação de criar condições objetivas que possibilitem o efetivo acesso a tal serviço. [AI 734.487 AgR, rel. min. Ellen Gracie, j. 3-8-2010, 2ª T, DJE de 20-8-2010.] http://redir.stf.jus.br/paginador/paginador.jsp?docTP=AC&docID=613652 A SAÚDE NA CF/88 Slide - 02 Professor João Henrique Art. 197. São de relevância pública as ações e serviços de saúde, cabendo ao Poder Público dispor, nos termos da lei, sobre sua regulamentação, fiscalização e controle, devendo sua execução ser feita diretamente ou através de terceiros e, também, por pessoa física ou jurídica de direito privado. A SAÚDE NA CF/88 Slide - 02 Professor João Henrique A SAÚDE COMO UMA AÇÃO/SERVIÇO DE RELEVÂNCIA PÚBLICA Cumpre assinalar que a essencialidade do direito à saúde fez com que o legislador constituinte qualificasse, como prestações de relevância pública, as ações e serviços de saúde (CF, art. 197), em ordem a legitimar a atuação do Ministério Público e do Poder Judiciário naquelas hipóteses em que os órgãos estatais, anomalamente, deixassem de respeitar o mandamento constitucional, frustrando-lhe, arbitrariamente, a eficácia jurídico-social, seja por intolerável omissão, seja por qualquer outra inaceitável modalidade de comportamento governamental desviante. [STA 175 AgR, rel. min. Gilmar Mendes, voto do min. Celso de Mello, j. 17-3-2010, P, DJE de 30-4-2010.] http://redir.stf.jus.br/paginador/paginador.jsp?docTP=AC&docID=610255 A SAÚDE NA CF/88 Slide - 02 Professor João Henrique Art. 198. As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada e constituem um sistema único, organizado de acordo com as seguintes DIRETRIZES: I - descentralização, com direção única em cada esfera de governo; II - atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços assistenciais; III - participação da comunidade. A SAÚDE NA CF/88 Slide - 02 Professor João Henrique § 1º O sistema único de saúde será financiado, nos termos do art. 195, com recursos do orçamento da seguridade social, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, além de outras fontes. § 2º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios aplicarão, anualmente, em ações e serviços públicos de saúde recursos mínimos derivados da aplicação de percentuais calculados sobre: A SAÚDE NA CF/88 Slide - 02 Professor João Henrique I - no caso da União, a receita corrente líquida do respectivo exercício financeiro, não podendo ser inferior a 15%; II – no caso dos Estados e do Distrito Federal, o produto da arrecadação dos impostos a que se refere o art. 155 e dos recursos de que tratam os arts. 157 e 159, inciso I, alínea a, e inciso II, deduzidas as parcelas que forem transferidas aos respectivos Municípios; III – no caso dos Municípios e do Distrito Federal, o produto da arrecadação dos impostos a que se refere o art. 156 e dos recursos de que tratam os arts. 158 e 159, inciso I, alínea b e § 3º A SAÚDE NA CF/88 Slide - 02 Professor João Henrique § 3º Lei complementar, que será reavaliada pelo menos a cada 5 anos, estabelecerá: I - os percentuais de que tratam os incisos II e III do § 2º; II – os critérios de rateio dos recursos da União vinculados à saúde destinados aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, e dos Estados destinados a seus respectivos Municípios, objetivando a progressiva redução das disparidades regionais; III – as normas de fiscalização, avaliação e controle das despesas com saúde nas esferas federal, estadual, distrital e municipal; A SAÚDE NA CF/88 Slide - 02 Professor João Henrique • § 4º Os gestores locais do sistema único de saúde poderão admitir agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias por meio de processo seletivo público, de acordo com a natureza e complexidade de suas atribuições e requisitos específicos para sua atuação. • § 5º Lei federal disporá sobre o regime jurídico, o piso salarial profissional nacional, as diretrizes para os Planos de Carreira e a regulamentação das atividades de agente comunitário de saúde e agente de combate às endemias, competindo à União, nos termos da lei, prestar assistência financeira complementar aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, para o cumprimento do referido piso salarial. • § 6º Além das hipóteses previstas no § 1º do art. 41 e no § 4º do art. 169 da Constituição Federal, o servidor que exerça funções equivalentes às de agente comunitário de saúde ou de agente de combate às endemias poderá perder o cargo em caso de descumprimento dos requisitos específicos, fixados em lei, para o seu exercício. A SAÚDE NA CF/88 Slide - 02 Professor João Henrique Art. 199. A assistência à saúde é livre à iniciativa privada. § 1º As instituições privadas poderão participar de forma complementar do sistema único de saúde, segundo diretrizes deste, mediante contrato de direito público ou convênio, tendo preferência as entidades filantrópicas e as sem fins lucrativos. § 2º É vedada a destinação de recursos públicos para auxílios ou subvenções às instituições privadas com fins lucrativos. § 3º - É vedada a participação direta ou indireta de empresas ou capitais estrangeiros na assistência à saúde no País, salvo nos casos previstos em lei. § 4º A lei disporá sobre as condições e os requisitos que facilitem a remoção de órgãos, tecidos e substâncias humanas para fins de transplante, pesquisa e tratamento, bem como a coleta, processamento e transfusão de sangue e seus derivados, sendo vedado todo tipo de comercialização. A SAÚDE NA CF/88 Slide - 02 Professor João Henrique Art. 200. Ao sistema único de saúde compete, além de outras atribuições, nos termos da lei: I - controlar e fiscalizar procedimentos, produtos e substâncias de interesse para a saúde e participar da produção de medicamentos, equipamentos, imunobiológicos, hemoderivados e outros insumos; II - executar as ações de vigilância sanitária e epidemiológica, bem como as de saúde do trabalhador; III - ordenar a formação de recursos humanos na área de saúde; IV - participar da formulação da política e da execução das ações de saneamento básico; V - incrementar, em sua área de atuação, o desenvolvimento científico e tecnológico e a inovação; VI - fiscalizar e inspecionar alimentos, compreendido o controle de seu teor nutricional, bem como bebidas e águas para consumo humano; VII - participar do controle e fiscalização da produção, transporte, guarda e utilização de substâncias e produtos psicoativos, tóxicos e radioativos; VIII - colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do trabalho.