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Latossolo São solos de intemperização intensa chamados popularmente de solos velhos, sendo definidos pelo SiBCS (Embrapa, 2006) pela presença de horizonte diagnóstico latossólico e características gerais como: argilas com predominância de óxidos de ferro, alumínio, silício e titânio, argilas de baixa atividade (baixa CTC), fortemente ácidos e baixa saturação de bases. Apresenta normalmente baixa fertilidade, exceto quando originados de rochas mais ricas em minerais essenciais às plantas, acidez e teor de alumínio elevados. Possuem boas condições físicas para o uso agrícola, associadas a uma boa permeabilidade por serem solos bem estruturados e muito porosos. Porém, devido aos mesmos aspectos físicos, possuem baixa retenção de umidade, principalmente os de textura mais grosseira em climas mais secos. Formação e Composição Os latossolos são formados pelo processo denominado latolização que consiste basicamente na remoção da sílica e das bases do perfil (Ca2+, Mg2+, K+ etc), após transformação dos minerais primários constituintes. São definidas sete diferentes classes de latossolo, diferenciadas com base na combinação de características com teor de Fe2O3, cor do solo e relação Ki (SiO2/Al2O3). São solos minerais , não-hidromórficos, profundos (normalmente superiores a 2 m), horizontes B muito espesso (> 50 cm) com seqüência de horizontes A, B e C pouco diferenciados; as cores variam de vermelhas muito escuras a amareladas, geralmente escuras no A, vivas no B e mais claras no C. A sílica (SiO2) e as bases trocáveis (em particular Ca, Mg e K) são removidas do sistema, levando ao enriquecimento com óxidos de ferro e de alumínio que são agentes agregantes, dando à massa do solo aspecto maciço poroso; apresentam estrutura granular muito pequena; são macios quando secos e altamente friáveis quando úmidos. Apresentam teor de silte inferior a 20% e argila variando entre 15% e 80%. São solos com alta permeabilidade à água, podendo ser trabalhados em grande amplitude de umidade. Os latossolos apresentam tendência a formar crostas superficiais, possivelmente, devido à floculação das argilas que passam a comportar-se funcionalmente como silte e areia fina. A fração silte desempenha papel importante no encrostamento, o que pode ser evitado, mantendo-se o terreno com cobertura vegetal a maior parte do tempo, em especial, em áreas com pastagens. Essas pastagens, quando manejadas de maneira inadequada, como: uso de fogo, pisoteio excessivo de animais, deixam o solo exposto e sujeito ao ressecamento. A fração argila dos latossolos é composta principalmente por caulinita, óxidos de ferro (goethita e hematita) e óxidos de alumínio (gibbsita). Alguns latossolos, formados de rochas ricas em ferro, apresentam, na fração argila, a maghemita e na fração areia, a magnetita e a ilmenita. A esses últimos, estão associados os elementos-traço (micronutrientes) como o cobre e o zinco, importantes para o desenvolvimento das plantas. Processos Pedogenéticos A interação dos fatores ambientais, desencadeia processos formadores do solo, chamados de processos pedogenéticos cujo as ações estão registradas nas feições morfológicas e na composição do solo. A condição inicial para a formação do solo é estabelecida pelas características do material de origem, enquanto os fatores clima e organismos, ambos representando a adição de energia que impulsiona o desenvolvimento do solo, tem sua ação alterada pelo relevo local. Assim, diferentes combinações dos fatores ambientais direcionam processos que atuam no substrato geológico ou no solo pré-existente acontecendo modificações pedogenéticas que abrangem desde escalas microscópicas até bacias hidrográficas. Como resultado, os processos pedogenéticos formam um solo com conjunto de horizontes e composição característicos. Em determinadas situações, o desenvolvimento continuado das propriedades de um horizonte pode modificar os processos em andamento e promover a destruição de outros horizontes. Na concepção dos processos pedogenéticos, são usados principalmente dois modelos: o “ modelo dos processos específicos” ( Fanning& Fanning, 1989; van Breenen & Buurmam, 1998) e o “ modelo dos processos múltiplos” ( Simonson, 1959) que agrupa os vários processos específicos em quatro categorias gerais: adições, remoções, translocações e transformações. Ambos consideram as propriedades do solo resultante representam o efeito a longo prazo desses processos atuando em um material que está aberto para troca de matéria e energia com ambiente ( = sistema aberto). Os processos pedogenéticos específicos (PPEs) derivam da interpretação das características expressas pelos diferentes tipos de solos, considerando serem elas o resultado de um ou mais processos ou reações específicas condicionadas pelos fatores ambientais (...). Como a interpretação dos mecanismos de formação dos diferentes tipos de solos é baseada no conhecimento atual, ela é reavaliada com a evolução desse conhecimento. Os PPEs são designadas por termos que expressam feições atuais, mecanismos ou ambiente do solo, e, dentre os principais, destacam-se: melanização, leucinização, pedalização, silificação, ferralitização, plintitização, laterização, lessivagem, podzolização, gleização, salinização, sodificação, ferrólise, carbonatação, sulfurização, paludização e pedoturbação. Segundo o modelo de Simonson (Chadwick & Graham, 2000), um solo é alterado no local por meio de quatro processos múltiplos na forma de adições, perdas, transformações e translocações de materiais. Esses processos interagem diferentemente, dependendo da profundidade em relação a superfície do solo e da combinação dos fatores ambientais de determinado local. Assim, localmente o perfil do solo expressam o balanço entre adições, perdas, redistribuição interna e de alterações químicas e físicas. Abrangendo estes fatores é possível determinar fatores pedogenéticos específicos para as classes de solo. Segundo Buol et al. (1997) e Bockheim & Gennadiyev (2000), os latossolos sofrem os processos pedogenéticos descritos na sequência. Dessilicação: Remoção de Silício O processo de remoção do silício inicia com a intemperização dos minerais primários do material de origem, tendo continuidade como processo pedogenético na evolução do solo atuando sobre minerais primários e secundários. O processo consiste na remoção de Si liberado na alteração e, ou, transformação dos minerais, ocorrendo associado a dessilicação pode apresentar vários estádios ou graus de remoção do Si, o que se reflete na composição mineralógica do solo. Assim, em solos bem drenados e ácidos, sujeitos á dessilicação parcial (fersialitização), os argilominerais, 2:1 ( esmectitas e vermiculitas) tendem a ser intercalados com AI, originando esmectitas com hidróxi-entrecamadas (EHEs) e vermiculitas com hidróxi-entrecamadas (VHEs), ou tendem a desaparecer completamente. Sob desssilicação mais avançada (ferratilização), os aluminossilicatos primários e os argilominerais 2:1 são transformados em argilominerais 1:1, tais como a caulinita (Al2Si2O5 9OH)3]. Em todos os estádios de dessilicação também são formados óxidos de Fe. No solo submetido á ferrólise, parte do Si liberado durante o intemperismo de argilominerais permanece no local na forma de agregados amorfos de sílica, nas dimensões silte e areia (van Breemem & Buurman, 1998). Brunificação, Rubeificação e Ferruginização: Colorimento do solo por óxidos de ferro Os três processos consistem na liberação do Fe(Fe2+) dos minerais primários e sua oxidação e dispersão na forma de óxidos de Fe em quantidades crescentes, conferindo colorações brunadas e vermelhas a matriz do solo ( Buolç et al.,1997). A coloração está relacionada com a razão goethita/hematita, a qual é dependente das condições de umidade e teores de MO no solo ( Kampf & Curi, 2000). Esses processos estão normalmente associados a outros PPEs compatíveis. Ferratilização No ambiente de intensa intemperização química das regiões tropicais úmidas (temperaturas elevadas e precipitação pluviométrica > evapotranspiração),em virtude da rápida decomposição dos ácidos orgânicos predomina o ácido carbônico (H2CO3), que é um ácido fraco não complexante, mantendo o pH do solo acima de 5. Como em pH > 5 a solubilidade da sílica é maior que a dos óxidos de Fe e de Al, o Si é preferencialmente removido do sistema, resultando no acúmulo residual de Al e Fe. Assim, em razão da abundância das chuvas (intenso fluxo de água) as condições de drenagem livre, é favorecida a lixiviação de cátions básicos (Ca, Mg, K, Na) e um remoção parcial a total do Si do material mineral (processo de dessilicação). O Fe2+ liberado dos silicatos primários é oxidado e precipta com óxidos de Fe ( goethita α-FeOOH, hematita α- Fe2O3), cuja a cristalinidade é indicada pela baixa razão Fe0/Fed =óxidos de Fe com baixa cristalinidade, extraídos com oxalato de amônia ácido; Fed= óxidos de Fe com desde de baixa até alta cristalinidade, extraídos com ditionito-citrato-bicabornato de Na). O Al liberado dos silicatos combina-se com o Si remanescente (processo de monossiatilização: formação de argilominerais 1:1) originando a caulinita ( Al2Si2O5(OH)4) ou, em caso de dessilicação muito intensa, o Al precipta com gibbsita (Al(OH)3). Esse conjunto de processos que produzem a desilicação e a acumulação residual de óxidos de Fe e de Al, além de caulinita,é referido com ferratilização. A ferratilização pode alcançar grande profundidade, originando perfis de solo muito homogêneos, sem gradiente textural, de coloração uniforme e transições graduais a difusas entre sub-horizontes. Estas feições indicam uma ação intensa e uniforme da intemperização química no regolito, atuando por longo tempo (milhões de anos). A ferratilização é, portanto, um processo extremamente lento. Além disso, presumivelmente, uma intensa atividade da mesofauna do solo (térmitas, formigas, dentre outros) nas regiões tropicais e subtropicais também deve ter contribuído para a homogeneidade do perfil de intemperização, impedindo ou obliterando a formação de gradiente textural. Muitos desses solos são, provavelmente, formados em material alóctone pré-intemperizado e redepositado; outros são originados pelo desmantelamento de couraças lateríticas. A presença de goethitas, com baixa e alta distribuição de Fe por Al nos Latossolos, também é evidência de mudanças no pedoambiente. Esses fatores indicam que os solos resultantes dos processos de ferralitização são, geralmente, poligenéticos (Motta &Kämpf, 1992; Muggler & Buurman, 2000; Fristsch et al., 2005). Isso é de esperar considerando a idade absoluta (milhões de anos) desses solos e a alta probabilidade de mudanças (comprovadas) nas condições climáticas durante esse longo período. As idades aparentes (10 a 6 m.a) de caulinitas de Latossolos amazônicos indicam que suas propriedades não são representativas das atuais condições de intemperização (Balan et al., 2005). A máxima expressão dos processos de dessilicação e de ferralitização está representada pela classe dos Latossolos (em parte equivalentes aos Oxisols e Ferralsols, que apresentam propriedades tais como baixa razão SiO2/(Al2O3+Fe03), baixa CTC, argila de atividade baixa e baixo teor de minerais primários intemperizáveis; estas feições são requisitos do horizonte diagnóstico B latossólico (Bw; Embrapa, 2006). Os processos de dessilicação e ferratilização também estão expressos em outras classes de solos, como os Nitossolos e em grau menor em Argissolos. Nos Latossolos, a presença siginificativa de óxidos de Fe e Al tem efeito estabilizador sobre os argilominerais (calunita), impedindo sua dispersão e eluviação. Além disso, em lugar de macroestrutura, originam microagregados fortes, tomando a consistência do solo muito friável (quando úmido). A forte agregação implica baixos valores nas análises de argila dispersa em água, bem como uma frequente subestimativa do teor de argila na análise granulométrica diante da dificuldade na dispersão do solo em laboratório. Pela mesma razão, na determinação da textura do tato, a resistência dos microagregados ao esboroamento resulta na falsa sensação de uma textura mais grosseira do que a real, alcunhada de “pseudo-areia”. A ferralitização e, em consequência, os Latossolos ocorrem nos mais diversos materiais de origem, dos quais frequentemente herdam características tais como a textura, e o teor de Fe. Portanto o processo de ferralitização não se restringe a solos com elevado conteúdo em óxidos de Fe, os quais podem constituir desde poucos até 730g/Kg no horizonte B de Latossolos (Carvalho Filho, 2008). Pedortubação: Mistura e Segregação de Materiais A pedoturbação é sinônimo de mistura do solo por meio de vários processos (Hole,1961), abrangendo desde de escalas microscópicas até grandes volumes no desenraizamento de árvores, termiteiros e fluxos de massa na paisagem. Apesar de ser um fenômeno ubíquo, a importância da pedoturbação tradicionalmente não tem recebido a devida atenção pela maioria dos pedólogos e pesquisadores em solos. A pedoturbação é tanto um processo regressivo, como promotor da gênese do solo, atuando na formação de horizontes. A pedoturbação altera a gênese do solo e sua evolução quase que continuamentwe, mas frequentemente é pouco percebida. A pedortubação é responsável pela manutenção da macroporosidade e mistura física da MO no solo. A pedoturbação pode ser classificada em proisotrópica e proanisotrópica (Hole, 1961; Johnson et al., 1987). As pedoturbações proisotrópicas rompem, fundem ou destroem horizontes e, ou, impedem sua formação, causando o desenvolvimento de perfis simplificados a partir de perfis mais ordenados (ou mais complexos). Pedoturbações proanisotrópicas são processos que formam ou participam na formação ou preservação de horizontes e, ou, causam incremento da ordem geral do perfil. A pedoturbação proisotrópica é sinônimo de homogeneização, podendo ocorrer apenas em parte do perfil ou somente por um breve período de tempo como, por exemplo, a destruição de horizontes por animais escavadores ou pelo desenraizamento de árvores. Os processos proanisotrópicos atuam no sentido oposto: criam ordem nos solos e, ou, fortalecem a organização existente. Entretanto os processos de pedoturbação geralmente contém ambos os mecanismos proisotrópicos e proanisotrópicos, com predomínio de um deles. Na realidade, as pedoturbações não são perturbações de uma ordem já estabelecida, mas integram a formação do solo. Esta concepção é exemplificada em latossolos, onde provavelmente houve a transformação do horizonte C anisotrópico em B isotrópico, por processos físicos de expansão e contração, ação de raízes e fauna, que promoveram a mistura dos materiais (Flach et al., 1968). Dentre os agentes da pedoturbação mais comumente observados estão a fauna do solo vegetação, produzindo bioturbação. A fauna do solo (mamíferos, minhocas formigas, térmitas e outros) escala o solo na busca de alimento e barigo. As principais atividades pedogenéticas da fauna do solo incluem o amontoamento, mistura, formação de vazios, formação e destruição de agregados (peds), erosão, influindo nos resíduos vegetais e animais, facilitando o movimento da água e do ar do solo e controlando o ciclo de nutrientes (Hole, 1981; Lobry de Bruyn & Conacher, 1990; Lavelle et al.,1992). Canais preenchidos com detrios de animais, conhecidos como krotovinas, que, com frequência mostram cores contrastantes com a matriz vizinha, são evidências facilmente reconhecíveis de bioturbação. Minhocas são importantes na formação de agregados estáveis no solo, na macroporosidade e no consumo e mistura de materiais orgânicos no solo mineral (Lavelle et al., 1992; Zhang & Schrader, 1993). As atividades de formigas, térmitas e alguns mamíferos do solo frequentemente constroem amontoamentos superficiais: Traze materiais do subsolo para a superfície onde é depositado formando montículos geralmente de textura mais fina e mais ricos em MO e certos elementos químicos. A translocação de partículas finas para a superfície também pode ser responsável pela textura isotrópica em perfis de solo, desfazendoo gradiente textural previamente existente (Buol et al., 1997). Montículos termiteiros são ocasionalmente explorados como suplemento alimentar ( geofagia) por humanos ( Abrahams & Parsons, 1996). Os montículos eventualmente colapsam, formando uma camada conhecida pela sua origem como biomanto. A maioria dos biomantos sem pedras nos trópicos é geralmente atribuída á ação das térmitas, formigas e outros componentes da fauna do solo ( Nye, 1955; Johnson, 1990). Térmitas são muito eficientes em trazer material de textura fina, livre de pedras, para a superfície, formando biomantos com espessura variável de 10 m, além de linhas de pedra em profundidade no perfi do solo ( Pomeroy, 1976; Holt et al., 1980; Thomas 1994; Lavelle et al., 1992). A bioturbação pelas plantas consiste na mistura do solo via: expansão das raízes; decomposição e preenchimento dos canais das raízes; e desenraizamento e tombamento, principalmente de plantas arbóreas. O crescimento das raízes pode produzir uma expansão do solo para a superfície. Com a morte e decomposição das raízes pode produzir uma expansão do solo para a superfície. Com a a penetração de materiais nos horizontes superiores do subsolo. O desenraizamento e tombamento de árvores pela ação dos ventos, que é mais comum em áreas florestadas, pode desarranjar volumes consideráveis de solo, contorcendo, misturando e invertendo horizontes do solo; desta maneira, também materiais grosseiros podem ser trazidos a superfície, originando uma camada superficial pedregosa após a eventual erosão do material mais fino associado. Assim, forma-se um microrelevo com montículos e minidepressões e, ou, um mosaico de solos com horizontes misturados e descontínuos no térreo, o que pode dificultar um mapeamento detalhado de solos (Meyers & McSweeney, 1995; Phillips & Mario, 2005). Erosão: Remoção de Material do Solo A remoção de material do solo por ação eólica ou hídrica, com ou sem interferência humana, promove a perda de horizontes do perfil de solo e expõe novo material à superfície do horizonte B exposto à superfície é gradualmente transformada em novo horizonte A do solo pela simplificação do perfil por meio de pedogênese regressiva integrante da evolução do solo ou como promotor da degradação do solo na ótica tradicional de uso e manejo. Relação entre Processos Pedogenéticos e Propriedades do Solo: Taxas e Interpretações A enorme diversidade de solos na superfície terrestre decorrente das variações nos tipos e nas interações dos PPEs. Considerando a evolução do solo um processo continuo muitos PPEs mudam de acordo com as alterações ambientais. A taxa característica de um processo pedogenético é definida como o tempo médio necessário para produzir características pedogenéticas no solo que sejam estáveis no tempo (Targulian & Krasilnikov, 2007). Com base no conhecimento geral os PPEs podem ser agrupados em três classes principais de taxas características: rápida, moderada e lenta. A taxa característica de um PPE não é constante, pois ela depende do potencial pedogenético do ambiente. Por exemplo, solos formados em regiões onde o potencial climático da pedogênese é baixo (áridas e quentes ou em alagadiços) mostram apenas evidências de processos rápidos. O material de origem também altera a taxa de PPEs, pois diferentes materiais têm “susceptibilidades” diferentes frente aos fatores bioclimáticos de formação de solo. Com base nas taxas dos PPEs pode ser estimado o tempo de formação das propriedades dos solos para algumas propriedades e horizontes diagnósticos usados no SiBCS. Na descrição de cada processo pedogenético específico foram mencionadas as respectivas propriedades e características dos solos resultantes, conforme paradigma “processos pedogenéticos específicos → propriedades e características do solo”. Essa relação indica que, inversamente, a partir das propriedades dos solos, é possível inferir quais processos pedogenéticos que ocorrem (Chadwick & Graham, 2000; Bockheim & Gennadiyev, 2000). Todavia, essa explicação requer alguma cautela. Primeiro, muitos processos podem ocorrer simultaneamente no mesmo solo, resultando em um conjunto indefinido de propriedades do solo. Segundo, dependendo da posição que o solo ocupa na paisagem, as diferenças locais entre os processos podem ser muito significativas. Por exemplo, no fundo do vale, geralmente, predominam condições redutoras (gleizaçao, redoximorfismo) enquanto, nas elevações vizinhas, podem ocorrer redistribuições de argila (lessivagem), ou concentração de óxidos de Fe e de Al (ferratilização). Terceiro, os solos são com frequência poligenéticos, com propriedades originadas sob diferentes condições climáticas ou de drenagem, ou situadas em novas posições da paisagem, nas quais agem processos pedogenéticos distintos (Motta & Kämpf, 1992; Muggler & Buurmam, 2000; Fritsch et al., 2007). Desta maneira os processos pedogenéticos do presente podem ser muito diferentes daqueles que atuaram no passado. Eckmeier et al, (2007) relataram que, na Europa Central, a classe taxonômica Chernozem (classificação FAO, WRB) reúne solos pretos com a mesma aparência, mas apresentam diferentes histórias de formação. As idades (estimadas por radiocarbono) distribuem-se no Holoceno com uma amplitude de 3700 anos. Os Chernozéns podem ser formados sob vegetação de estepe, floresta ou floresta-estepe, não sendo evidência paleoclimática de vegetação de estepe; a formação do horizonte mólico não se deve à vegetação, mas aos processos que favorecem a presença de bicarbonato ou que reduzem a decomposição da MO resultando na sua acumulação. Isoladamente, clima e relevo, não explicam a distribuição geográfica dos Chernozéns , mas influenciam na sua preservação. A ação humana por meio da agricultura e do manejo do fogo influenciam nas propriedades dos Chernozéns e podem explicar a sua distribuição espacial. Isto mostra que uma mesma classe taxonômica pode reunir solos com as mesmas propriedades diagnósticas, mas que apresentam uma polipedogênese diversa. Neste contexto, convém lembrar que o atual conjunto de propriedades do solo é um produto composto resultante de uma serie natural de processos. Em consequência, a interpretação dos processos requer um conhecimento o mais completo possível do histórico pedogenético dos solos. CONCLUSÃO Em amplos os sentidos os fatores pedogenéticos são responsáveis principalmente pela formação do solo, entretanto atuam também no solo definindo sua composição e características. Os processos específicos atuam diretamente no latossolo, de acordo com fatores ambientais, físicos e químicos, sendo estes determinantes para a classe de solo e suas determinadas especificações. Em um sentido geral todos as etapas descritas são atuantes no solo, e neste caso especifico são ligadas ao latossolo e suas características. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KER,João Carlos et al. Pedologia- Fundamentos.1ªEdição. Editora Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2012. SOUZA, Djalma M. G.; LOBATO, Edson. Latossolos. Disponível em: Acesso em: 02 de Janeiro de 2016.