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PROF. ÍCARO EMANOEL
@icarofreitas.adv
iemanoel.ita@ftc.edu.br 
TEORIA GERAL DO DIREITO CIVIL
• Definição de Teoria Geral do Direito Privado
• Objetivo da Teoria Geral do Direito Privado
• Origem da Teoria Geral do Direito Privado
DIREITO CIVIL como ramo do direito que disciplina todas as 
relações jurídicas da pessoa, seja uma com as outras 
(físicas e jurídicas) envolvendo relações familiares e 
obrigacionais ou com as coisas (propriedade e posse).
Uma das grandes questões do Direito é o problema da
distinção entre o direito público e o direito privado. O direito
romano a fez, como expressão das ideias então dominantes de
Ulpiano, “ius publicum est quod ad statum rei romanae
spectat; privatum, quod ad singulorum utilitatem”. Nesse
sentido, é possível dizer que:
a. O direito público era o direito do Estado romano; o direito privado, a disciplina dos
cidadãos.
b. O direito público era o direito do Estado romano e a disciplina dos cidadãos;
enquanto que o direito privado era a disciplina das coisas.
c. O direito privado era o direito do Estado romano; o direito público, a disciplina dos
cidadãos.
d. O direito privado era o direito do Estado romano e a disciplina dos cidadãos;
enquanto que o direito público era a disciplina das coisas.
e. O direito público é o direito do rei e o direito privado o direito entre o rei e os
nobres.
No direito romano os conceitos de interesse público e de interesse
privado eram bastante delimitados, visto que o Estado estava sempre em
posição superior aos indivíduos, sempre como um ente soberano. As
relações jurídicas do Estado eram sempre pautadas pelas normas
públicas. Entretanto, no direito moderno, o Estado não assume igual
posição. Nesse sentido, é possível dizer que:
a. No direito privado predomina o interesse geral; no direito público predomina o
interesse das pessoas.
b. No direito público predomina o interesse geral; no direito privado predomina o
interesse das pessoas.
c. No direito privado predomina o interesse apenas nas coisas e heranças; no direito
público predomina o interesse das pessoas.
d. No direito privado não serão aplicadas normas de interesse geral.
e. O direito público nunca irá tratar de questões de interesse das pessoas.
1.1. LOCALIZAÇÃO DO DIREITO CIVIL (DICOTOMIA DIREITO PÚBLICO X DIREITO 
PRIVADO); 
1.2. O CÓDIGO CIVIL E A CONSTITUIÇÃO FEDERAL;
1.3. O CÓDIGO CIVIL DE 1916, INSPIRAÇÃO NO CÓDIGO NAPOLEÔNICO (1804) E 
INFLUÊNCIA DO CÓDIGO ALEMÃO (1896);
1.4. O CÓDIGO CIVIL DE 2002;
1.5. CONCEITO DE DIREITO CIVIL: . 
1. APRESENTAÇÃO DA 
DISCIPLINA
O Direito Civil, também chamado de direito comum, pois 
rege as relações entre particulares, é o conjunto de 
regras que disciplina a vida das pessoas desde a 
concepção até a morte, e ainda depois dela
2. OBJETO E CONTEÚDO DO DIREITO CIVIL
DIREITO 
CIVIL 
PESSOAS;
BENS;
FATOS. 
● TEM POR ÂMBITO AS 
RELAÇÕES COMUNS;
● ESSES TRÊS PONTOS 
DELIMITADORES ENFEIXAM 
TODO DESENVOLVIMENTO DO 
DIREITO CIVIL. 
ESTRUTURA DO CÓDIGO CIVIL 
PARTE GERAL PARTE ESPECIAL 
L - I. DAS PESSOAS L – I. DO DIREITO DAS OBRIGAÇÕES; 
L- II. DO DIREITO DE EMPRESA; 
L - II. DOS BENS L – III. DO DIREITO DAS COISAS;
L – IV. DO DIREITO DE FAMÍLIA;
L - III. DOS FATOS JURÍDICOS L – V. DO DIREITO DAS SUCESSÕES. 
LIVRO COMPLEMENTAR 
CAMPO DE 
ABRANGÊNCIA 
RESIDUAL E DE 
APLICAÇÃO 
SUBSIDIÁRIA
RELAÇÃO JURÍDICA
3.1. SISTEMA ABERTO; 
3.2. CLÁUSULAS GERAIS;
3.3. CONCEITOS LEGAIS INDETERMINADOS;
3.4. MITIGAÇÃO DA CONCEPÇÃO PRIVATISTA DE DIREITO 
CIVIL;
3. NOVOS PARADIGMAS DO 
CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO
4. A CONSTITUCIONALIZAÇÃO 
DO DIREITO CIVIL.
• CONSTITUIÇÃO FEDERAL – NORMA SUPREMA DO ESTADO, NORMA 
NORMARUM; 
• CÓDIGO CIVIL: VERDADEIRA CONSTITUIÇÃO DO DIREITO PRIVADO;
• DESCODIFICAÇÃO – MICROSSISTEMAS; 
• DIREITO CIVIL CONSTITUCIONAL; 
• EFICÁCIA HORIZONTAL DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS. 
4. A CONSTITUCIONALIZAÇÃO 
DO DIREITO CIVIL.
• “Designa-se por constitucionalização a incorporação de direitos
subjetivos do homem em normas formalmente básicas [...] A
constitucionalização tem como consequência mais notória a
proteção dos direitos fundamentais mediante o controle
jurisdicional da constitucionalidade dos atos normativos
reguladores destes direitos. Por isso e para isso, os direitos
fundamentais devem ser compreendidos, interpretados e
aplicados como normas jurídicas vinculativas e não como
trechos ostentatórios ao jeito das grandes declarações de
direitos.” (J.J. Gomes Canotilho)
4. A CONSTITUCIONALIZAÇÃO 
DO DIREITO CIVIL.
• “Ocorre, portanto, a resistematização do Direito Civil, ou seja,
uma nova interpretação dos Códigos à luz da axiologia da
Constituição, de modo a restaurar a unidade do sistema
jurídico. A eficácia horizontal dos direitos fundamentais é o
signo dessa mudança, ao apontar pelo “reconhecimento da
existência e aplicação dos direitos que protegem a pessoa nas
relações entre particulares”, de forma que “as normas
constitucionais que protegem tais direitos têm aplicação
imediata.” (TARTUCE, Flávio. Direito Civil. 2ª ed. São Paulo: Editora
Método, 2006. p.57)
4. A CONSTITUCIONALIZAÇÃO 
DO DIREITO CIVIL.
• “[...] evoluindo da concentração das relações privadas na
codificação civil para o surgimento de vários microssistemas,
como o Código de Defesa do Consumidor, a Lei de Locações,
a Lei de Direitos Autoral, o Estatuto da Criança e do
Adolescente, o Estatuto do Idoso, a Lei de Alimentos, a Lei de
Separação e do Divórcio etc. Todos esses microssistemas
encontram o seu fundamento na Constituição Federal, norma
de validade de todo o sistema, passando o Direito Civil por
um processo de despatrimonialização.” (LENZA, Pedro. Direito
Constitucional Esquematizado. 14ª Ed. São Paulo: Editora Saraiva,
2010, p.49)
4. A CONSTITUCIONALIZAÇÃO 
DO DIREITO CIVIL.
• Agravo de instrumento. Plano de Saúde. Paciente com necessidades especiais, com
quadro de AVC isquêmico de ponte e sepse urinária. Ação de obrigação de fazer
para fornecimento de atendimento home care. Decisão que indeferiu a antecipação
dos efeitos da tutela, entendendo ausentes seus pressupostos autorizadores.
Contexto probatório evidenciador de que a paciente, hoje em estado vegetativo,
corre sérios riscos com a internação convencional. Existência de prova inequívoca e
verossimilhança do direito invocado, a respaldar a tutela de urgência.
Constitucionalização do direito civil. Preservação do maior bem jurídico que é a vida,
enquanto discutidas questões puramente contratuais. Proteção da dignidade da
pessoa humana. O artigo 273, § 2º, do CPC, não deve ser interpretado em sua
literalidade, e sim tendo em foco qual das partes melhor suportaria tal
irreversibilidade. Pedido antecipatório dos efeitos da tutela que merece ser acolhido.
Recurso provido pelo Relator. (TJRJ. AI n. 00045273920138190000. Dj. 30/01/2013)
4. A CONSTITUCIONALIZAÇÃO 
DO DIREITO CIVIL.
Agravo de instrumento. Direito do consumidor. Plano de saúde. Reajuste
superior a 70% (sentença por cento). Solução da controvérsia que demanda
a efetiva demonstração da imposição de índice abusivo, a configurar
onerosidade excessiva, além das adequações necessárias à manutenção
ou restauração do equilíbrio financeiro do contrato. Prova inequívoca e
plausibilidade irrestrita do direito invocado. Medida de caráter urgente que
visa manter a relação contratual, evitando-se a colocação da parte
postulante à margem do sistema privado de assistência à saúde.
Constitucionalização do direito civil. Aplicação do CDC e do Estatuto do
Idoso. Apelo parcialmente provido, vencido o Eminente Desembargador
Relator que negava provimento ao recurso. (TJRJ. AI.00314873220138190000
Dj.14/08/2013)
5. OS PRINCÍPIOS 
NORTEADORES DO CÓDIGO 
CIVIL.
I- SOCIABILIDADE;
• Este princípio é relativo ao Direito Civil prestigiando os 
valores coletivos em detrimento dos valores individuais, 
acabando de vez com o individualismo que marcava o 
Código Civil de 1916.
• Este princípio é mais vislumbrado da ceara obrigacional, 
mas encandeia por todos os ramos do Direito Civil. Os 
interessesindividuais e coletivos devem estar em harmonia 
para cumprimento do bem estar comum.
5. OS PRINCÍPIOS 
NORTEADORES DO CÓDIGO 
CIVIL.
II – ETICIDADE
• Maria Helena Diniz aduz que tal princípio se relaciona tanto 
com o Direito Civil quanto com o Direito Constitucional, 
sendo aquele “que se funda no respeito à dignidade 
humana, dando prioridade à boa-fé subjetiva e objetiva, à 
probidade e à equidade.”
• Importante salientar que o princípio da Eticidade e o da boa 
fé estão diretamente ligados. Por meio da boa-fé objetiva 
que encontramos outros valores como, por exemplo, os 
deveres de cooperação, de informação e de proteção.
5. OS PRINCÍPIOS 
NORTEADORES DO CÓDIGO 
CIVIL.
II – ETICIDADE
• O princípio da eticidade se consubstancia “na 
utilização constante de princípios, cláusulas gerais 
e conceitos jurídicos indeterminados que fazem 
referência a expressões cujo significado exige uma 
atividade valorativa do julgador para que a regra 
possa ser aplicada”
5. OS PRINCÍPIOS 
NORTEADORES DO CÓDIGO 
CIVIL.
III- OPERABILIDADE.
• Este princípio “confere ao julgador maior elastério, 
para que, em busca de solução mais justa, a 
norma, que, contendo cláusulas gerais ou conceitos 
indeterminados, possa, na análise de caso por 
caso, ser efetivamente aplicada, com base na 
valoração objetiva, vigente na sociedade atual 
(Miguel Reale)”
5. OS PRINCÍPIOS 
NORTEADORES DO CÓDIGO 
CIVIL.
III- OPERABILIDADE.
• Importa assim, na concessão de maiores poderes 
hermenêuticos ao juiz, pois verifica, no caso 
concreto, as efetivas necessidades de exigência da 
tutela jurisdicional.
5. OS PRINCÍPIOS 
NORTEADORES DO CÓDIGO 
CIVIL.
PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA RURAL POR IDADE. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS
NECESSÁRIOS. PROCEDÊNCIA. PRINCÍPIO DA OPERABILIDADE. I. Para a comprovação
da atividade laborativa exercida nas lides rurais, sem o devido registro em carteira, torna-se
necessária a apresentação de um início razoável de prova material corroborada pela prova
testemunhal, o que não ocorreu nos autos. II. Apesar do autor não ser merecedor
da aposentadoria-por-idade nota-se que faz jus ao benefício de aposentadoria por idade
urbana nos termos do artigo 48 da Lei n. 8213 /91, sendo permitido ao julgador amoldar o
caso concreto à lei, em face da relevância da questão social que envolve o assunto. III. Termo
inicial do benefício fixado na data do implemento do requisito etário, que ocorreu em 16-05-
2004, ou seja, no curso da presente ação. IV. Inaplicável, ao presente caso, o reajuste previsto
no artigo 41 e 145 , da Lei 8.213 /91, pois o valor do benefício é de 01 (um) salário mínimo. V.
Honorários advocatícios fixados em R$ 350,00 (trezentos e cinquenta reais), estando o
referido valor de acordo com o entendimento desta E. Turma. VI. Apelação do INSS conhecida
em parte e parcialmente provida. (TRF-3 - APELAÇÃO CÍVEL AC 2085 SP
2003.03.99.002085-9 Data de publicação: 16/10/2006)
5. OS PRINCÍPIOS 
NORTEADORES DO CÓDIGO 
CIVIL.
Este princípio visa superar a criação de normas abstratas e
genéricas e fazer com que o legislador possa imaginar
situações e fáticas e assim, criar a norma, de maneira a
auxiliar o magistrado nas situações sociais existentes. Desta
maneira, os juízes terão maior apoio e terão de onde valer-se
quando do julgamento no caso concreto, utilizando-se menos
da analogia e dos costumes.
6. CONSEQUÊNCIAS DA 
CONSTITUCIONALIZAÇÃO 
DO DIREITO CIVIL
A. EFICÁCIA HORIZONTAL DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS: 
Horizontal direita ou imediata: Os preceitos constitucionais fundamentais 
incidem diretamente em qualquer relação privada;
Horizontal indireta ou mediata: Os preceitos constitucionais fundamentais 
só se aplicam quando não houver norma jurídica privada sobre a 
matéria.
[ doutrina: não adoção, STF: adoção da 1ª}
6. CONSEQUÊNCIAS DA 
CONSTITUCIONALIZAÇÃO DO DIREITO CIVIL
6. CONSEQUÊNCIAS DA 
CONSTITUCIONALIZAÇÃO DO DIREITO CIVIL
6. CONSEQUÊNCIAS DA 
CONSTITUCIONALIZAÇÃO 
DO DIREITO CIVIL
B. DIÁLOGO DAS FONTES: 
I. Diálogo de complementariedade ou 
susbsidiariedade; 
II. Diálogo sistemático de coerência;
III. Diálogos de influências sistemáticas recíprocas.
6. CONSEQUÊNCIAS DA 
CONSTITUCIONALIZAÇÃO 
DO DIREITO CIVIL
• C. DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA (CF, Art. 1º, III):
6. CONSEQUÊNCIAS DA 
CONSTITUCIONALIZAÇÃO 
DO DIREITO CIVIL
D. LIVRE INICIATIVA E LEGALIDADE (CF, Arts. 1º, IV e 5º, II): 
I. Autonomia da vontade , liberdade de contratar e a existência de 
contratos coativos; 
II. Autonomia privada, liberdade para determinar o conteúdo da 
relação contratual, é mitigado pelo boa fé objetiva e pela função 
social do contrato.
• E. PRINCÍPIO DA ISONOMIA (CF, caput e inciso I):
• Isonomia formal: prevista na lei, destina-se a todos, sem 
distinção;
• Isonomia material: forma de proteger na lei e na distribuição da 
justiça os hipossuficientes. 
6. CONSEQUÊNCIAS DA 
CONSTITUCIONALIZAÇÃO 
DO DIREITO CIVIL
F. FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE E REDUÇÃO DAS DESIGUALDADES 
(CF, Art. 5º, XXIII E 170, III E VII);
• H. INTERVENÇÃO DO ESTADO NA ECONOMIA (CF, Art. 4º, IV X Art. 174) –
Art. 173, §4º);
• I. OUTROS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS:
• 1. GARANTIA DO DIREITO A HERANÇA (CF, Art. 5º, XXX);
• 2. DA PROTEÇÃO AO CONSUMIDOR (CF, Art.5º, XXXII) 
• 3. DA PROTEÇÃO A FAMÍLIA (CF, Art .226);
• 4. TEMAS DE FAMÍLIA (CF, Art. 227);
• 5. IDOSO (CF, Art. 230)
• G. LIVRE MANIFESTAÇÃO DO PENSAMENTO (CF, Art. 5º, IV e 220);

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