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lançamentos - impressões - históriaautomóveis e motocicletas
automóvelcultura do
No 68 – fevereiro 2025
Os carros do leilão Mecum
Volkswagen
1600
2 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel
Carros de show
EDITORIAL
Nós gostamos de carros. 
De carros antigos, 
mas, essencialmente, 
de carros. Mesmo que, em 
sua época, um modelo 
qualquer não tivesse 
recebido o reconhecimento 
que merecia. Hoje tem. 
Estamos falando do 
Volkswagen 1600, que, de 
tão nobre, nunca ligou para 
a apelido que lhe puseram.
n n n
Mais nobres são as estrelas 
dos grande leilões, como o 
Mecum, que nosso amigo 
João Siciliano nos mostra. 
Não é um salão, mas é como 
se fosse. E dos bons. Vimos 
lá carros que dificilmente 
veremos novamente em 
encontros.
n n n
E os melhores automóveis 
premiados nos melhores 
encontros pelo mundo 
também têm uma premiação 
especial. São os Melhores 
dos Melhores. O nível lá e 
alto, bem alto.
2 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel
Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 3
04 Pelo Mundo
O que acontece no mundo dos carros antigos
18 O berço do Ford Modelo T
Conheça a fábrica onde começou o Ford T 
26 A história do Volkswagen 1600
“Zé do Caixão”, apelido maldoso, com carinho
34 Leilão Mecum
Onde as cifras impressionam mais que carros
42 Carros no Cinema
As perseguições com motocicletas
NESTA EDIÇÃO
No 68 - Fevereiro 2025 68
Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 3
4 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel
pelo mundo
The Best of the Best
Arede The Peninsula de hotéis 
está divulgando a lista dos 
automóveis que disputarão sua 
homenagem anual a carros clássicos, 
o Peninsula Classics Best of the Best 
Award 2024. O evento celebra este 
ano seu 10º aniversário e ocorrerá no 
hotel The Peninsula Paris no dia 3 
de fevereiro de 2025.
 Todos os veículos finalistas foram 
premiados nos principais eventos de 
automóveis clássicos no ano de 2024, 
mas apenas um deles será agraciado 
com o prêmio Peninsula Classics 
Best of the Best Award 2024. Após a 
cerimônia de premiação, o vencedor 
será exibido no Salão Rétromobile, 
uma das mais importantes mostras 
de carros clássicos do mundo, de 5 a 
9 de fevereiro, em Paris. 
Rede de hotéis escolhe o melhor entre os melhores
1932 Alfa Romeo 8C 2300 Spider
1964 Ferrari 250 lm
Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 5
pelo mundo
1928 Bugatti Type 35 C Grand prix
1937 Bugatti Type 57 S Roadster
6 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel
pelo mundo
1957 Ferrari 335 S
1937 delahaye 145 
1937 Rolls Royce phantom III
best of the best
Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 7
pelo mundo
Os indicados ao Peninsula Classics 
Best of the Best Award 2024 são:
•1932 Alfa Romeo 8C 2300 Spider, 
carroceria por Figoni. Best of Show, 
2024 Concorso d’Eleganza Villa 
d’Este.
•1957 Ferrari 335 S, carroceria por 
Scaglietti. Best of Show, 2024 Salon 
Privé Blenheim Palace Concours.
•1964 Ferrari 250 LM, carroceria 
por Scaglietti, Pininfarina. Best in 
Show, 2024 Palm Beach Cavallino 
Classic.
•1937 Delahaye 145 Cabriolet, 
carroceria por Franay. Best in Show, 
2024 The Quail, A Motorsports 
Gathering.
•1947 Delahaye 135 MS Narval 
Cabriolet, carroceria por Figoni et 
Falaschi. Best of Show, 2024 Amelia 
Island Concours d’Elegance.
•1934 Bugatti Type 59 Sports, 
carroceria Bugatti. Best in Show, 
2024 Pebble Beach Concours 
d’Elegance.
•1937 Bugatti Type 57S Roadster, 
carroceria por Corsica. Best in 
Show, 2024 Cartier Style et Luxe.
•1928 Bugatti Type 35C Grand 
Prix, carroceria por Bugatti. Best of 
Show, 2024 Chantilly Arts et 
Elegance Richard Mille.
•1937 Rolls-Royce Phantom III 
Convertible, carroceria J.S. Inskip. 
Best of Show, 2024 Concours of 
Elegance at Hampton Court Palace.
para celebrar o que há de melhor no mundo automobilístico, o presidente da Hongkong 
and Shanghai Hotels, Sr. michael Kadoorie, criou o peninsula Classics Best of the 
Best Award em 2015, em parceria com os cofundadores William Connor, Bruce meyer 
e Christian philippsen. eles compartilham a paixão por automóveis especiais e pela 
preservação de seu legado. patrocinado pelos Hotéis peninsula, o prêmio reúne os 
vencedores dos concursos mais prestigiados do mundo, os chamados Best of Show.
O time de jurados do Peninsula 
Classics Best of the Best Award 
2024 é constituído de estilistas e 
executivos renomados da indústria 
automobilística, como Henry Ford 
III, Ed Welburn, ex-vice-presidente 
de estilo da General Motors, Peter 
Brock e Fabio Filippini. Outros 
jurados são membros da realeza, 
celebridades e colecionadores, como 
HRH Príncipe Michael de Kent, 
HH Rana Manvendra Singh de 
Barwani, Peter Marino, Ralph 
Lauren e Jay Leno.                         l
1947 delahaye 135 mS narval1934 Bugatti Type 59 Sports
best of the best
8 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel
pelo mundo
Osujeito aí em cima todos 
conhecem. Ele falava na 
televisão o bordão “um 
Gordini, zerinho, zerinho!”, quando 
entregava o grande prêmio para seus 
seguidores. Mas a cena acima é 
anterior à do famoso Silvio Santos, é 
quando ele ainda entregava prêmios 
sorteados pelas também famosas 
Cestas Amaral. Lembraram?
A história quem nos conta é Rui 
Amaral Jr., herdeiro da fama Amaral, 
criada por seu pai Rui Amaral. Se os 
adultos da época sonhavam em 
ganhar um automóvel no sorteio, 
imaginem as crianças, que poderiam 
ganhar um carrinho a motor, na 
compra de um carnê para receber as 
cestas de vime cheias de alimentos.
Com a palavra, Rui Amaral Jr.:
Silvio Santos entregando um Renault Gordini “zerinho, zerinho” a um cliente das Cestas Amaral
O automóvel 
vinha na cesta
As cestas de vime e os automóveis sorteados para quem comprasse o carnê que dava direito a uma dessas cestas
Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 9
pelo mundo
“Ao final dos anos 30, meus pais 
Arinda e Rui Amaral Lemos criaram 
a Alimentos Selecionados Amaral, 
uma empresa de alimentos cuja ideia 
era embalar alimentos e especiarias 
para vender nos mercados. Naquela 
época, esses produtos eram vendidos 
a granel e pesados na frente dos 
clientes, outros tempos!
Em poucos anos foram agregados à 
marca centenas de especiarias, como 
canela, pimenta do reino, colorau, 
feijão, lentilha, ervilha e por aí vai.
No começo dos anos 40 a empresa 
já tinha uma boa equipe de vendas e 
era procurada por várias marcas do 
ramo para representa-lás na venda e 
distribuição de seus produtos. Uma 
delas era a Mandiopã, salgadinho 
que se tornou um sucesso de vendas.
Foi quando a Industria Alimentícia 
Mandiopã Ltda. foi adquirida pela 
Alimentos Selecionados Amaral S.A.
As cestas de alimentos começaram 
em 1953, os fregueses compravam o 
carnê e iam pagando mensalmente 
para receber a cesta de Natal no fim 
do ano. Mas havia muitos prêmios, 
como automóveis para adultos e os 
carrinhos a motor para as crianças, 
entre outros presentes.” l
Dezenas desses carrinhos com motor a combustão foram sorteados aos clientes no Concurso Mandiopã
Esse aí é o Rui, o autor da história, uns 120 anos atrás...
10 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel
pelo mundo
Um palácio para as corridas
orédio que abrigava uma 
fábrica de automóveis e que, 
no teto, mantinha uma pista 
de testes, é bem conhecido pelos 
entusiastas do assunto. É o edifício 
Lingotto, em Turim, construído em 
1916 e inaugurado em 1923, usado 
até 1970 pela Fiat para a produção e 
avaliação de seus automóveis.
Não tão famoso quanto o edifício 
da Fiat é o Palácio Chrysler, em 
Buenos Aires, que, da mesma forma, 
era utilizado pela operação comercial 
da Chrysler na Argentina e mantinha 
pista de testes de veículos no teto.
Inaugurado em 1926, o Palácio 
Chrysler foi planejado para abrigar a 
concessionária de automóveis Resta 
O Palácio Chrysler tinha em suas dependências lojas e oficinas para veículos da marca, e também uma pista no teto
edifício com concessionário Chrysler em Buenos Aires tinha até pista no teto
O Palácio Chrysler, atual Palácio Alcorta, fica situado nasavenidas Figueiroa Alcorta e Ortiz de Ocampo, em Palermo
Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 11
pelo mundo
Para a época, um majestoso prédio que ocupava todo o quarteirão
Atualmente o edifício é um luxuoso condomínio residencial, o Palácio Alcorta
Hermanos, que vendia veículos da 
marca Chrysler na Argentina. 
A pista tinha capacidade para 
promover corridas de automóveis e 
havia também uma arquibancada 
para 3.000 espectadores 
acompanharem as provas.
A operação durou pouco, pois a 
empresa faliu em 1931 e o prédio 
caiu em desuso, foi utilizado por um 
tempo pelo exército argentino até 
que, em 1994, foi comprado por 
uma empresa imobiliária que o 
transformou em um edifício 
residencial de alto padrão, o Palácio 
Alcorta. l
12 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel
pelo mundo
Ricardo Pupo, na foto no alto à esquerda, e a turma que ele vem reunindo há vinte anos aos domingos, no Pacaembu
Vinte anos de clássicas
Em janeiro de 2005, no primeiro Encontro Mensal de Clássicas de São Paulo, 
ninguém imaginou que aquele grupo ainda estaria firme e forte 20 anos depois
Foi no último domingo, em uma 
manhã quente (antes da chuva), 
que a turma das motocicletas 
clássicas se reuniu pela ducentésima 
e trá-lá-lá vez, em frente ao estádio 
do Pacaembu, para aquele encontro 
mensal que estava completando 20 
anos de existência. Com a palavra, o 
seu criador, Ricardo Pupo:
“Naquele longínquo ano de 2004, 
quando idealizei o Encontro Mensal 
de Motos Clássicas de São Paulo – a 
primeira edição foi em janeiro de 
2005 –, jamais imaginaria que, vinte 
anos depois, ainda estaríamos nos 
reunindo! É uma satisfação enorme 
poder comemorar duas décadas de 
amizades. Fizemos centenas de 
amigos, muitos ainda crianças, que 
iam na garupa de seus pais, e hoje 
vêm com suas próprias clássicas. 
Estas, a cada ano mais antigas e mais 
valorizadas, muitas restauradas que 
voltaram a rodar, outras ainda 
originais. Espero muitos mais 
encontros como esse, e que façamos 
muito mais amigos. Valeu turma, 
pelo apoio de sempre!” l
Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 13
pelo mundo
Há gosto para tudo. o que seria do amarelo?...
A beleza em pauta
um dia desses estava papeando 
com um amigo, de profundo 
conhecimento de automóveis, 
histórico e técnico, e eu comentei 
que um dos carros mais “populares” 
da minha lista Top Ten de desejos é 
o Chevrolet 1959. Um Impala, de 
preferência, mas serve qualquer um 
da famíla, justamente por causa 
daquela exagerada traseira e também 
pelas lanternas, que nesse ano saíram 
fora do padrão que se estabeleceria 
para esse modelo.
Esse meu amigo discordou do meu 
gosto, declarando a preferência, sob 
o aspecto da beleza, pelos Chevrolet 
do ano de 1963, também muito 
belos e de extrema harmonia de 
linhas e detalhes, talvez o mais belo 
de todos dessa época (com exceção, é 
claro, do 1959). Por causa disso, 
achei que caberia darmos uma 
olhada nas versões de carroceria dos 
Chevrolet de 1959, provavelmente 
as mais ousadas de que se teve 
notícia até então. 
Um Chevrolet Bel Air 1959 para o mercado australiano. Notem o volante do lado direito e a lanterna adicional traseira
14 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel
pelo mundo
A ousadia a que me refiro não é 
absoluta, pois, naqueles anos 50, os 
automóveis especiais adotavam as 
mais elaboradas ideias de estilo, 
vindas das mais geniais mentes dos 
responsáveis pela aparência dos 
veículos. E a Chevrolet era, naquele 
período, a mais popular marca de 
automóveis da General Motors.
Toda a família 1959 da Chevrolet, 
então, adotou as linhas mais 
polêmicas de sua história, com a 
lanterna do tipo “olhos de gato” e as 
barbatanas do tipo “asa de gaivota”, 
bem diferentes dos “rabos de peixe” 
de outros modelo, pois estes eram 
horizontais e os outros verticais. 
Esse estilo ganhou alguns outros 
apelidos, como, por exemplo, 
“convés de porta aviões”, mas não 
importa o nome, o fato é que ele 
marcou a história da Chevrolet.
Imponente, o Chevrolet Biscayne de duas portas era a versão mais simples e mais barata da marca em 1959
Para o ano seguinte, 1960, a 
traseira “convés” foi um pouco 
reduzida e os carros voltaram à 
configuração de lanternas traseiras 
duplas para o Bel Air e o Biscayne, e 
triplas para o Impala. Esse padrão se 
manteve até 1965.
Tanta ousadia também se refletiu 
Em 1960 voltaram as lanternas traseiras circulares
nas carrocerias. Em 1959, o mais 
simples dos acabamentos vinha no 
Biscayne, que estava disponível nas 
versões sedã de duas e de quatro 
portas. Fora a traseira sui generis e a 
grade dianteira cheia de detalhes 
cromados (item comum para todas 
as versões), esses dois carros eram 
destinados a frotas e a quem quisesse 
um automóvel mais acessível. Por 
isso, a quase totalidade dos Biscayne 
saía com motor de seis cilindros, 
apesar de que já havia boa procura 
dessa carroceria com os potentes V8 
big-block, para alto desempenho. 
Era o início dos muscle-cars, sedãs 
baratos com motores grandes e com 
câmbio manual de quatro marchas.
chevrolet 1959
Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 15
pelo mundo
A versão intermediária de 
acabamento do Chevrolet 1959 era o 
Bel Air, que até o ano anterior era a 
versão topo de linha (o Impala em 
1958 ainda era um pacote de luxo 
sobre o Bel Air). Assim, o Bel Air já 
estava disponível em mais versões de 
carrocerias, como as peruas 
Parkwood, para seis passageiros, a 
Kingswood, para nove passageiros, 
mediante uma terceira fileira de 
bancos no porta-malas, virada para 
trás, ambas de quatro portas, e ainda 
a perua Brookwood, de duas e de 
quatro portas. Com essa carroceria 
station wagon, a linha Biscayne tinha 
ainda uma versão profissional de 
entregas, o furgão Sedan Delivery. 
Furgão Chevrolet Sedan Delivery 1959
A perua Chevrolet Brookwood 1959 tinha o mesmo nivel de acabamento do Bel Air
chevrolet 1959
16 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel
pelo mundo
A carroceria mais bacana da linha 
Chevrolet 1959 era, então, a Sport 
Sedan, que já estava disponível no 
Bel Air. Além dos ousados detalhes 
de toda a família, como o para-brisa 
panorâmico, o Sport Sedan, apenas 
com quatro portas, não tinha a 
coluna B e possuía um vidro traseiro 
parecido com uma nave espacial. 
Certamente a carroceria mais bela 
daquele ano de 1959.
O Chevrolet 1959 mais equipado e 
de melhor acabamento era o Impala, 
que a partir desse ano se tornava um 
modelo independente do Bel Air. 
Além das carrocerias sedã de duas e 
de quatro portas, como no Biscayne 
e no Bel Air, o Impala tinha o Sport 
Sedan e o Sport Coupe, ambos sem 
a coluna central, e ainda o Impala 
conversível e a perua Nomad, que 
tinha o acabamento do Impala.
Chevrolet Impala Sport Sedan 1959
Chevrolet Impala Sport Coupe 1959
chevrolet 1959
Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 17
pelo mundo
Chevrolet El Camino 1959
Foi em 1959 que a Chevrolet 
estreou a picape El Camino, que, 
assim como no Sport Sedan, tinha 
também um ousado vidro traseiro 
panorâmico. Era o máximo de estilo 
aplicado em um veículo utilitário. l
A perua Chevrolet Nomad 1959 tinha o mesmo nivel de acabamento do Impala
chevrolet 1959
18 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel
história
O berço do Ford T
Foi nesta fábrica, na avenida Piquette, que o Modelo t 
foi idealizado e de onde saíram as primeiras unidades
Localizada na esquina da avenida 
Piquette com a rua Beaubien, ela 
desempenhou um papel central no 
início da história da empresa, como 
o local do nascimento do Modelo T 
e a primeira fábrica que a Ford 
Motor Company construiu e 
possuiu. É o local de fábrica mais 
antigo da empresa. 
Em 1903, Henry Ford fundou a 
empresa e alugou uma velha fábrica 
de carroças na avenida Mack para 
construir seus primeiros carros. A 
Ford comprou o prédio da avenida 
Piquette em 1904 e mudou-se para a 
nova fábrica no final daquele ano.
Foi nesta fábrica que começou o 
crescimentoda Ford e, em apenas 
18 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel
história
Seis edições atrás, mostrei um 
material que encontrei em 
meus arquivos, celebrando o 
centenário da Ford, que aconteceu 
em janeiro de 2003. Lembrei que, lá 
estando para a grande festa da Ford, 
em Detroit, visitei o primeiro 
prédio da empresa, a fábrica de 
Piquette, e estranhei não haver 
imagens dessa fábrica. Enfim, achei 
outra pasta com texto e fotografias 
daquela época (o texto 
é de 2003, mas as fotos 
são mesmo de 1903).
Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 19
história
cinco anos, ela ficou pequena. Antes 
do Modelo T, de lá saíram o Modelo 
N, o Modelo R e o Modelo S.
E foi em Piquette, em 1907, que 
Henry Ford e uma equipe unida de 
“skunk works” isolaram um canto 
secreto do salão de montagem do 
terceiro andar, para fazer os 
primeiros esboços do Modelo T. ç
Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 19
história
20 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel
história centenário da ford
O interior da fábrica da avenida Piquette. de lá saíram os Ford Modelo N, Modelo R, Modelo S e Modelo T
Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 21
históriacentenário da ford
Os primeiros Modelo T saíram da 
fábrica de Piquette em 1908, com a 
força de trabalho de quinhentos 
funcionários, que produziam 
manualmente cerca de cem carros 
por dia. Ao final do primeiro ano de 
produção, 10.660 Modelos T foram 
fabricados, quebrando todos os 
recordes na incipiente indústria 
automobilística daquela época.
A crescente popularidade do Ford 
Modelo T significou que a fábrica de 
Piquette logo se tornou pequena 
demais para lidar com a demanda 
dos clientes. A Ford precisava, então, 
de uma fábrica maior rapidamente, 
iniciando a construção de uma nova 
fábrica em Highland Park, em 1909. 
Lá, a produção do Ford Modelo T 
começou em janeiro de 1910.
A Ford retirou todo o seu 
maquinário do prédio de Piquette, 
que foi vendido a um concorrente, 
Everitt, Metzger e Flanders, 
empresa mais tarde adquirida pela 
Studebaker Brothers Manufacturing 
Company. Assim, a fábrica da 
avenida Piquette continuou a ser 
usada para fabricação de automóveis 
durante a década de 1920.
Esse era o escritório de Henry Ford na fábrica da avenida Piquette
Como um dos primeiros locais 
industriais, a fábrica de Piquette é 
reconhecida por seu excelente estado 
de preservação, incluindo a pintura 
original e os detalhes arquitetônicos, 
as colunas de madeira densamente 
talhadas e o piso de tábuas. Tem uma 
aura genuína de história.
Atualmente a fábrica de Piquette 
está listada no Registro Nacional de 
Lugares Históricos, sob os cuidados 
do Model T Automotive Heritage 
Complex, Inc. (T-Plex), corporação 
sem fins lucrativos dedicada à 
preservação da antiga fábrica.
Nem a fábrica da Ford Piquette 
Avenue nem a T-Plex são afiliadas à 
Ford Motor Company. ç
22 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel
história centenário da ford
Clara Ford passeia com um Ford Modelo N por Detroit
22 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel
história centenário da ford
Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 23
históriacentenário da ford
Ford Modelo N Runabout 1906
Ford Modelo R Runabout 1907 Ford Modelo S Roadster 1908
Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 23
históriacentenário da ford
24 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel
história centenário da ford
Foi nessa sala que Henry Ford e uma equipe de “skunk works” se isolaram secretamente para os esboços do Ford T
À esquerda, o cartão de 
ponto dos funcionários 
da fábrica de Piquette na 
semana de 27 de junho 
de 1903. Note que Henry 
Ford também assina 
essa ficha.
À direita, a montagem 
manual do Ford Modelo T 
na fábrica de Piquette
Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 25
históriacentenário da ford
O Modelo T não foi apenas 
revolucionário como produto, a sua 
arquitetura inspirou a linha de 
montagem móvel, uma inovação da 
Ford que tornou o automóvel 
verdadeiramente acessível às massas 
pela primeira vez. A invenção do 
Modelo T em Piquette foi o 
primeiro passo para a produção em 
linha de montagem em larga escala.
A linha de montagem móvel foi 
concretizada em 1913 em Highland 
Park e com ela em muito pouco 
tempo a Ford já estava produzindo 
1.000 veículos por dia. Só em 1915 a 
Ford vendeu mais de 1 milhão de 
automóveis.
Quando foi lançado, em 1908, o 
Ford Modelo T era produzido em 
Piquette e custava US$ 850. Em seu 
último ano de produção, 1927, ele 
custava apenas US$ 290.
Quando a produção do Modelo T 
cessou em 1927, mais de 15 milhões 
de “Tin Lizzies” haviam sido 
construídos, mudando a face do 
transporte pessoal na América e do 
mundo. l
O fenômeno Modelo T
Um Ford Modelo T em frente à fábrica de Piquette, após exaustivos testes
26 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel
história
ahistória do Volkswagen 1600 é 
tão curta quanto a sua vida. 
Lançado em 1968 no Salão do 
Automóvel, ele começou a ser 
vendido em janeiro de 1969 e foi 
fabricado até janeiro de 1971, ou 
seja, apenas dois anos de mercado, 
com 24.475 unidades produzidas.
Não precisamos entrar em detalhes 
mínimos a respeito do carro, já que é 
um VW e muito já se falou sobre 
ele, mas o Volkswagen 1600 foi 
idealizado para repetir todas as 
qualidades do Sedan 1300. Para isso 
utilizava o mesmo chassis do Fusca, 
apenas com pontos diferentes de 
fixação da carroceria, e com um 
motor maior e mais forte, com 60 cv 
de potência. Até a ventoinha do 
motor a ar era a mesma, “de pé”, 
diferentemente dos motores da 
Variant e do TL que vieram depois, 
que adotaram o famoso motor 
“deitado”, com a caixa de ar e a 
horizontais.
Talvez pelo carisma que o nome 
Volkswagen sempre teve em relação 
ao consumidor brasileiro, e também 
pelo ineditismo da novidade – quem 
é que imaginaria um “fusca” 
diferente do Fusca? –, o Volkswagen 
1600 fez mais sucesso naquele salão 
de 1968 do que os outros dois 
importantes lançamentos, o Ford 
Corcel e o Chevrolet Opala. O carro 
era realmente bonitinho.
Para melhor entendimento, o título é “a história do Zé do Caixão”
A história do VW 1600
O Volkswagen 1600 foi apresentado no Salão do Automóvel de 1968 e começou a ser vendido em janeiro de 1969
Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 27
história
Bonitinho? Nem todos acharam. 
Ou talvez o senso de gozação e de 
esculhambação dos brasileiros em 
relação a qualquer coisa falou mais 
alto e imediatamente o carro ganhou 
o apelido de Zé do Caixão, apelido 
esse que pegou firme e forte até 
porque o carro não tinha um nome 
próprio, era oficialmente chamado 
de Volkswagen 1600, ou até mesmo 
de Volkswagen de quatro portas.
Não teve jeito: ficou Zé do Caixão 
mesmo. A melhor explicação para 
esse nome são as quatro maçanetas 
cromadas em forma de alças, como 
se fosse em um caixão (um caixão 
tem, na verdade, seis alças).
Para uma geração de automóveis 
simples e robustos, com motor 
traseiro refrigerado a ar, o VW 1600 
era uma grande evolução. Motor 
bem mais torcudo do que o do 
Fusca, compacto, confortável (mas 
não espaçoso) e com quatro portas, 
talvez tivesse mais sucesso comercial 
se não fossem alguns percalços 
industriais – e também se não tivesse 
ganhado aquele apelido. ç
O interior era simples mas bem resolvido, com acabamento imitando jacarandá. O rádio era instalado à parte
28 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel
história volkswagen 1600
Os faróis retangulares eram o apelo visual mais forte do Volkswagen 1600
O lançamento oficial do VW 1600 foi em janeiro de 1969
Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 29
históriavolkswagen 1600
O VW 1600 trazia algumas 
pequenas atualizações técnicas, 
como o freio dianteiro a disco (não 
era uma novidade) e as luzes de ré. 
O painel de instrumentos era 
simples mas muito bem resolvido, 
bonito até, com seu acabamento 
imitando jacarandá. Muitos 
reclamaram da falta de um local 
específico para o rádio, mas a 
solução do suporte inferiorornando 
com o painel era até mais inteligente 
e harmoniosa.
Na metade do ano de 1969 foi 
introduzida a versão de luxo do 
modelo, o Volkswagen 1600L, que 
tinha como diferenciais os pneus de 
faixas brancas, revestimento interno 
de couro, bancos dianteiros 
reclináveis, tapetes especiais, rádio, 
relógio, buzina dupla e tampa de 
combustível com chave. Essa versão, 
que podia ter duas cores, com o teto 
destacado, custava cerca de 10% a 
mais e ficou apenas nove meses em 
produção.
Em dois anos de produção, foram fabricados 24.475 unidades do Volkswagen 1600
No seu segundo ano, exatamente 
em agosto de 1970, o Volkswagen 
1600 teve a frente modificada, 
trocando o par de faróis retangulares 
por um par de faróis duplos, ao 
mesmo tempo em que o capô 
dianteiro trocava o duplo vinco por 
um único, central. O símbolo 
circular da VW, então, passou da 
parte superior do capô para a parte 
frontal.
Nesse aspecto, há uma lenda 
urbana sobre alguns VW 1600 bem 
anteriores a agosto de 1970 que já 
saíram da fábrica com a frente nova, 
com faróis duplos e capô de vinco 
único, mas oficialmente isso nunca 
foi confirmado. ç
30 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel
história
O Volkswagen 1600 tinha mais potência do que o VW Sedan 1300 e a mesma robustez, além das quatro portas
Uma das opções do Volkswagen 1600L, versão mais luxuosa do VW 1600, era o teto de cor diferenciada
volkswagen 1600
Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 31
história
O Volkswagen 1600L tinha pneus de faixa branca, interior de couro, rádio, relógio no painel e buzina dupla
Com apenas dois anos em produção, os revendedores não tiveram tempo de alavancar as vendas do modelo
volkswagen 1600
O sedã tinha a praticidade das quatro portas, mas mantinha o mesmo problema do Fusca, o porta-malas pequeno
32 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel
história
A poucos meses de ser descontinuado, o Volkswagen 1600 trocou os faróis retangulares pelos faróis redondos
volkswagen 1600
Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 33
história
A melhor “clientela” do Volkswagen 1600 foi mesmo a dos motoristas de táxi
volkswagen 1600
A produção do Volkswagen 1600 
foi encerrada em fevereiro de 1971, 
em parte pelo pouco interesse do 
público por automóveis de quatro 
portas, mas a essa altura os 
motoristas de táxi já haviam 
“descoberto” o carro, um Fusca tão 
robusto quanto o original e bem 
mais confortável, com a enorme 
vantagem, para essa categoria 
profissional, das quatro portas. Isso 
fez com que, nos anos seguintes, 
praticamente todas as unidades 
produzidas migrassem para o 
trabalho nas ruas. Atualmente, o 
Volkswagen 1600 faz parte de uma 
lista de modelos nacionais bastante 
desejados por colecionadores. l
34 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel
leilãofeira
Já estamos nos acostumando a ver, 
nestas páginas, as dicas e os 
esclarecimentos do colecionador 
e comerciante de carros clássicos 
João Siciliano, cuja expertise herdou 
de seu pai, Romeu Siciliano, e está 
passando para seu filho, com quem 
trabalha no eixo São Paulo - Flórida 
intermediando compras e vendas de 
automóveis clássicos.
O texto a seguir ele nos enviou de 
Kissimmee, na Flórida, onde ele 
acompanhou mais uma edição do 
leilão Mecum, um dos maiores 
eventos do mundo voltados à venda 
de veículos clássicos e itens de 
coleção. Criado em 1988 por Dena 
Mecum, o leilão Mecum ganhou 
notoriedade por reunir não apenas 
automóveis raros, mas também 
motocicletas antigas, memorabilia e 
artigos de decoração vintage.
34 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel
leilão
o Porsche de Seinfeld não foi arrematado, então o leilão continua
E o lance 
continua...
Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 35
leilãofeira
Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 35
O Porsche 917 que foi de Steve McQueen teve um lance de 25 milhões de dólares, mas o dono do carro não aceitou
leilão
“O Mecum Auction oferece três 
modalidades principais de venda, o 
Leilão com Reserva, quando o 
vendedor define valor mínimo, 
Leilão Sem Reserva, quando os lotes 
são vendidos sem valor mínimo, e o 
“The Bid Goes On”, quando o valor 
de reserva não é alcançado e o lote 
pode ser negociado diretamente 
entre comprador e vendedor, com 
prazo de até 21 dias.
Realizado pela primeira vez em 
1999, o Mecum Kissimmee cresceu 
muito ao longo dos anos. A edição 
de janeiro inaugura o calendário 
anual de eventos e já de tornou 
referência mundial para entusiastas e 
colecionadores de carros clássicos. 
Nesta edição, o leilão alcançou a 
impressionante marca de 4.400 lotes 
inscritos, consolidando-se como o 
maior leilão do gênero. ç
36 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel
leilão mecum 2025
O fundador, Dena Mecum, almeja 
um recorde ainda maior: 5.000 lotes 
para o próximo ano, um número 
inimaginável em 1988, quando ele 
iniciou suas atividades. Ele participa 
de todos os leilões ao longo do ano e 
acompanha de perto desde o 
primeiro até o último lote.
O grande destaque desta primeira 
edição de 2025 do Leilão Mecum foi 
o Porsche 917K da coleção de Jerry 
Seinfeld, famoso comediante norte-
americano e entusiasta de Porsche. 
Este modelo não é apenas um carro 
raro, ele carrega uma rica história no 
automobilismo e no cinema, pois foi 
de Steve McQueen, que o pilotou no 
clássico filme Le Mans, de 1971, e 
venceu as 24 Horas de Le Mans de 
1970, com Richard Attwood.
O Ford GT 40 Mk I de 1966 foi arrematado por US$ 7.040.000
Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 37
leilãomecum 2025
O momento da apresentação do 
Porsche 917 de Seinfeld no leilão foi 
cuidadosamente planejado para 
causar impacto. As luzes do evento 
se apagaram e foi exibido um vídeo 
sobre a história do carro, destacando 
sua restauração e a conexão com 
figuras importantes. Em seguida, o 
ronco do motor do 917K eletrizou o 
público, enquanto o carro era 
escoltado até o Auction Block por 
seguranças e policiais.
Com lances feitos só por telefone, 
o Porsche 917K teve ofertas de até 
25 milhões de dólares, mas como 
não atingiram a reserva estipulada 
por Seinfeld – os rumores diziam 
que ele esperava cerca de 30 milhões 
de dólares – o carro não foi vendido. 
Aí ele entrou na lista dos “The Bid 
Goes On”, aguardando uma possível 
negociação entre as partes.
A recusa do lance surpreendeu o 
público e o 917K deixou o evento 
sob escolta, reafirmando seu status 
como uma verdadeira joia e um dos 
carros mais valiosos já apresentados 
pela Mecum Auctions. ç
O Jaguar E-Type SL de 1967, o mesmo Shaguar utilizado nos filmes de Austin Powers, foi vendido por US$ 880.000
38 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel
leilão
É difícil mencionar sobre tudo que 
havia no leilão Mecum, por isso 
selecionei alguns dos veículos mais 
importantes vendidos no leilão:
– Ford GT40 1966 MK I vendido 
por US$ 7.040.000. Este exemplar 
leiloado é um dos 31 carros de 
estrada lançado na época. 
- Jaguar E-Type SL 1967 vendido 
por US$ 880.000. É o verdadeiro 
carro usado nas gravações dos filmes 
de Austin Powers, o famoso Shaguar.
- Chevrolet Corvette ZR1 1970 
conversível, vendido por US$ 
451.000. Este foi o carro piloto de 
uma pré-produção de apenas 25 
unidades, com restauração 
impecável, um carro premiado em 
diversos concursos. 
- Cadillac 1996 Fleetwood 
Brougham Limousine, usado pelo 
presidente Clinton e vendido por 
US$ 264.000. Uma das 3 unidades 
construídas para o presidente 
Clinton, supervisionada pelo serviço 
secreto. Este é o único exemplar em 
coleção particular, marca apenas 627 
milhas em seu odômetro. 
O Chevrolet Corvette L89 Coupe de 1967 obteve um lance de US$ 1.705.000 e foi arrematado
O Cadillac Fleetwood Brougham Limousine de Bill Clinton conseguiu o lance vencedor de US$ 264.000
mecum 2025
Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 39
leilão
- Chevrolet Corvette 1967 L89 
Coupe vendido US$ 1.705.000. Um 
de 16 carros produzidos no último 
dia de produção de 1967, equipadocom motor V8 427 de 435 cv com 
câmbio manual de quatro marchas. 
Esse Corvette hibernou durante 29 
anos no Texas, de 1994 até 2023, e 
agora voltou à ativa.
- Plymouth Hemi SuperBird 1970, 
vendido por US$ 627.000. Este é 
um dos apenas 77 SuperBird 
produzidos com motor Hemi 426, 
com 425 cv, e câmbio automático.
Estima-se um total de vendas de 
U$ 224.000.000 na edição que abre 
o calendário de leilões nos EUA. 
O Mecum Kissimmee alem de ser 
um gigantesco leilão também é 
verdadeiro espetáculo para 
colecionadores e amantes de veículos 
clássicos. Com sua impressionante 
trajetória, o evento segue como um 
marco no calendário internacional 
de eventos automotivos, 
consolidando-se como um ponto de 
encontro para os apaixonados por 
história, cultura e velocidade”. l
O Plymouth Hemi Superbird 1970, uma das 77 unidades com câmbio automático, foi vendido por US$ 627.000
O Chevrolet Corvette ZR1 conversível de 1970 foi arrematado por US$ 451.000
mecum 2025
40 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel
leilão
O volante do Mustang 1968, à esquerda, e do Mustang 1974, à direita. Em 1979, o volante passou a ter quatro raios
Por onde a 1000 Miglia passa, é festa. Essa praça de Siena se transformou em uma exposição de raridades
Os bastidores do leilão
Os Sicilianos nos mostram o que rolou no Mecum
João Siciliano e seu filho João Victor nos mostram os bastidores do leilão Mecum. Além 
de grandes personalidades do meio dos automóveis clássicos, só a exposição dos modelos 
ofertados já é mais interessante do que a maioria dos encontros de carros antigos que 
conhecemos. Veja alguns exemplos na galeria de imagens feitas pelos Sicilianos.
40 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel
leilão mecum 2025
Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 41
leilão
Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 41
leilãomecum 2025
42 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel
carros no cinema
Sim, já usei esse título, mas era 
para automóveis. Nunca ouvi 
a expressão “siga aquela moto” 
no cinema, mas existem, sim, muitas 
boas (e muitas não tão boas) cenas 
de perseguição com motocicletas em 
filmes de ação. Também já citamos 
aqui algumas dessas motocicletas, 
mas agora elas estão bem situadas 
em cenas de perseguição.
A impressão que se tem na maioria 
das cenas de perseguição com motos 
é que a boa Física dificilmente 
explica os acontecimentos. E nem a 
lei das probabilidades. Como o 
mocinho – ou o bandido – escapou 
de algumas delas geralmente fica no 
ar. Seria uma questão de pura sorte? 
É mesmo muita ficção, o que 
justifica o caso do filme Matrix. ç
Bastidores de Matrix Reloaded: uma Ducati 996 “à toda” na contra-mão, sem atingir nenhum automóvel. Sorte?
Siga aquela moto!
Quem leva a melhor, 
o carro ou a moto? 
Depende de quem 
persegue quem
Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 43
carros no cinema
44 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel
carros no cinema perseguiçÕes com motos
Acima, uma Honda CB 750 Four 1970 K1, abaixo uma Honda CB 500 Four 1972. Para o diretor do filme, a mesma moto
Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 45
carros no cinemaperseguiçÕes com motos
A cena de perseguição de Trinity 
(Carrie-Anne Moss) pilotando uma 
Ducati 996 em Matrix Reloaded, de 
2003, é mesmo difícil de engolir, 
mesmo se tratando de um filme de 
extrema ficção. Mas vá lá, é boa 
diversão.
Minha preferência, no entanto, é 
pelas cenas mais reais, mesmo que, 
cinematograficamente, não sejam tão 
valorizadas pelo cinema moderno. 
Como o caso do filme Jogo Sujo 
(The Stone Killer, 1973). Charles 
Bronson passa todo o filme dirigindo 
um Plymouth Belvedere 1969, mas a 
melhor sequência é a perseguição de 
uma Honda CB 750 Four K1 1970. 
Ou seria uma Honda CB 500 Four 
1972? Sim, as duas!
Em uma gafe memorável que faria 
enrubescer até o contra-regra do 
Chapolin Colorado, as tomadas 
dessa perseguição alternam uma e 
outra motocicleta, como se fosse a 
mesma. Está bem, provavelmente 
muito poucas pessoas se tocaram 
dessa falha no cinema, naquela 
época, mas nós, cinéfilos chatos com 
avanço quadro a quadro à disposição 
e com gosto pelas motocas, jamais 
deixaríamos isso passar sem um 
comentário. Chega a ser divertido.
Em um outro filme de Charles 
Bronson, Assassino a Preço Fixo 
(The Mechanic, 1972), ele pilota 
uma Husqvarna 360 C Enduro de 
1971, motocicleta preparada pela 
fábrica especialmente para as cenas 
finais do filme, com perseguições 
que chegaram a 170 km/h. ç
Charles Bronson e a Husqvarna 360 C Enduro de 1971, em cenas do filme Assassino a Preço Fixo, de 1972
46 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel
carros no cinema
Em 007 - Operação Skyfall, mocinho e bandido se perseguem em duas Honda CRF 250R
James Bond pilotando uma BMW R 1200 C 1997 algemado com a mocinha, em O Amanhã Nunca Morre
No filme O Amanhã Nunca Morre 
(Tomorrow Never Dies, 1997), 
James Bond foge dos vilões 
algemado à mocinha em uma BMW 
R 1200 C, que era um lançamento 
daquele ano. Mais um malabarismo 
difícil de acreditar que pudesse 
acontecer de verdade.
Dos filmes de James Bond nós já 
falamos à exaustão, mas é sempre 
bom lembrar algumas motocicletas 
que participaram de perseguições em 
seus filmes. Em 007 - Operação 
Skyfall (Skyfall, 2012), o agente 007 
persegue o vilão em uma Honda 
CRF 250R meio descaracterizada, 
tanto é que não dá pra precisar o ano 
de fabricação. O vilão também tem 
uma Honda CRF 250R, roubada da 
polícia.
perseguiçÕes com motos
Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 47
carros no cinema
O Rambo Sylvester Stallone rouba uma motocicleta “ a tapa”, uma Yamaha XT 250, e foge para as montanhas
Uma breve porém intensa cena de 
perseguição acontece em Rambo, 
Programado para Matar (First Blood 
1982), quando Sylvester Stallone 
rouba uma Yamaha XT 250 a tapa, 
literalmente, e foge para a montanha 
com a polícia em seu encalço.
Também intensa é a perseguição 
do Exterminador “bonzinho”, que 
pilota uma Harley-Davidson Fat 
Boy 1991, pelo T-1000, que dirige 
um caminhão Freightliner 1984. ç
Schwarzenegger na Fat Boy 1991, John Connor na Honda XR 100 1990 e o T-1000 no Freightliner 1984
perseguiçÕes com motos
48 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel
carros no cinema
Os caras maus com Honda XR 250R 1997
O mocinho do filme, fugindo de uma turba enfurecida e bem armada, com uma velha Honda XR 250R 1996
Em Era Uma Vez no México 
(Once Upon a Time in Mexico, 
2003), Antonio Banderas despacha 
fácil uma enorme gangue atirando 
com metralhadoras e com as novas 
Honda XR 250R 1997, ele com uma 
velha Honda XR 250R 1996. E 
atirando para trás, e acertando, e 
eliminando todos os malvados. O 
cara é mesmo bom.
perseguiçÕes com motos
Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 49
carros no cinema
Na hora de falar sobre a franquia 
Missão Impossível, com o superastro 
conservado em formol Tom Cruise 
mandando lenha sem capacete, há 
muito o que comentar. O primeiro 
(Mission: Impossible, 1996) não tem 
muita coisa, mas no segundo filme 
(Mission: Impossible II, 2000) ele dá 
um show em duas rodas, com uma 
Triumph Speed Triple 955i 2000.
Nos filmes mais recentes ele entra 
na era BMW, com uma G 310 GS, 
uma S 1000 RR e uma R nineT 
Scrambler. ç
Tom Cruise deitando o cabelo sem capacete, com uma Triumph Speed Triple 955i 2000 em Missão Impossível II
A era BMW: G 310 GS 2020, S 1000 RR 2010 e R nineT Scrambler 2017
perseguiçÕes com motos
50 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel
carros no cinema
A Moto Guzzi Eldorado V7 850 Police Special, bem mais pesada do que a Triumph T 100 R Daytona
O inspetor Harry Calahan, que 
também é conhecido como Dirty 
Harry, também tem seu momento de 
perseguição com motocicletas. Ao 
final do filme Magnum 44 (Magnum 
Force, 1973), ele, um dos mais 
conhecidos personagens de Clint 
Eastwood, é perseguido por três 
policiais corruptos da unidade de 
motocicletas mas acaba pegando 
uma delas para perseguir o último 
policial corrupto. A motocicletaé 
uma Triumph T100 R Daytona 
policial de 1967.
As motocicletas dessa unidade 
eram, na verdade, Moto Guzzi V7 
Eldorado, de 1972, mas para essa 
cenas final foi utilizada a Triumph 
que era mais leve e mais fácil de ser 
manuseada nas filmagens.
Clint Eastwood, o Dirty Harry, e a Triumph T 100 R Daytona de 500 cm3
perseguiçÕes com motos
Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 51
carros no cinema
Não poderia deixar de finalizar a 
lista de grandes perseguições com 
motocicletas no cinema sem incluir 
Mad Max. O filme retrata uma 
sociedade pos-apocalíptica em que 
Cenas finais de Mad Max, da perseguição ao chefe dagangue até o seu encontro mortal com o caminhão Kenworth
perseguiçÕes com motos
os bandidos de estrada rodam sem 
rumo roubando o pouco de gasolina 
que sobrou no planeta. Até toparem 
com o Max doido, que protagoniza 
uma perseguição antológica nas 
cenas finais.
Antes dessa cena, ele persegue e 
elimina os motociclistas vilões um a 
um, deixando o chefe da gangue para 
o final. Persegue-o com seu carro 
em alta velocidade, um Ford Falcon 
GT 1973, até que ele e sua Kawasaki 
Z 1000 A1 1979 dê de frente com 
um caminhão Kenworth K124 de 
1977. E fim do filme. Mas não da 
saga. Max vira um nômade e vai ter 
novas aventuras em Mad Max 2. l

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