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lançamentos - impressões - históriaautomóveis e motocicletas automóvelcultura do No 68 – fevereiro 2025 Os carros do leilão Mecum Volkswagen 1600 2 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel Carros de show EDITORIAL Nós gostamos de carros. De carros antigos, mas, essencialmente, de carros. Mesmo que, em sua época, um modelo qualquer não tivesse recebido o reconhecimento que merecia. Hoje tem. Estamos falando do Volkswagen 1600, que, de tão nobre, nunca ligou para a apelido que lhe puseram. n n n Mais nobres são as estrelas dos grande leilões, como o Mecum, que nosso amigo João Siciliano nos mostra. Não é um salão, mas é como se fosse. E dos bons. Vimos lá carros que dificilmente veremos novamente em encontros. n n n E os melhores automóveis premiados nos melhores encontros pelo mundo também têm uma premiação especial. São os Melhores dos Melhores. O nível lá e alto, bem alto. 2 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 3 04 Pelo Mundo O que acontece no mundo dos carros antigos 18 O berço do Ford Modelo T Conheça a fábrica onde começou o Ford T 26 A história do Volkswagen 1600 “Zé do Caixão”, apelido maldoso, com carinho 34 Leilão Mecum Onde as cifras impressionam mais que carros 42 Carros no Cinema As perseguições com motocicletas NESTA EDIÇÃO No 68 - Fevereiro 2025 68 Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 3 4 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel pelo mundo The Best of the Best Arede The Peninsula de hotéis está divulgando a lista dos automóveis que disputarão sua homenagem anual a carros clássicos, o Peninsula Classics Best of the Best Award 2024. O evento celebra este ano seu 10º aniversário e ocorrerá no hotel The Peninsula Paris no dia 3 de fevereiro de 2025. Todos os veículos finalistas foram premiados nos principais eventos de automóveis clássicos no ano de 2024, mas apenas um deles será agraciado com o prêmio Peninsula Classics Best of the Best Award 2024. Após a cerimônia de premiação, o vencedor será exibido no Salão Rétromobile, uma das mais importantes mostras de carros clássicos do mundo, de 5 a 9 de fevereiro, em Paris. Rede de hotéis escolhe o melhor entre os melhores 1932 Alfa Romeo 8C 2300 Spider 1964 Ferrari 250 lm Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 5 pelo mundo 1928 Bugatti Type 35 C Grand prix 1937 Bugatti Type 57 S Roadster 6 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel pelo mundo 1957 Ferrari 335 S 1937 delahaye 145 1937 Rolls Royce phantom III best of the best Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 7 pelo mundo Os indicados ao Peninsula Classics Best of the Best Award 2024 são: •1932 Alfa Romeo 8C 2300 Spider, carroceria por Figoni. Best of Show, 2024 Concorso d’Eleganza Villa d’Este. •1957 Ferrari 335 S, carroceria por Scaglietti. Best of Show, 2024 Salon Privé Blenheim Palace Concours. •1964 Ferrari 250 LM, carroceria por Scaglietti, Pininfarina. Best in Show, 2024 Palm Beach Cavallino Classic. •1937 Delahaye 145 Cabriolet, carroceria por Franay. Best in Show, 2024 The Quail, A Motorsports Gathering. •1947 Delahaye 135 MS Narval Cabriolet, carroceria por Figoni et Falaschi. Best of Show, 2024 Amelia Island Concours d’Elegance. •1934 Bugatti Type 59 Sports, carroceria Bugatti. Best in Show, 2024 Pebble Beach Concours d’Elegance. •1937 Bugatti Type 57S Roadster, carroceria por Corsica. Best in Show, 2024 Cartier Style et Luxe. •1928 Bugatti Type 35C Grand Prix, carroceria por Bugatti. Best of Show, 2024 Chantilly Arts et Elegance Richard Mille. •1937 Rolls-Royce Phantom III Convertible, carroceria J.S. Inskip. Best of Show, 2024 Concours of Elegance at Hampton Court Palace. para celebrar o que há de melhor no mundo automobilístico, o presidente da Hongkong and Shanghai Hotels, Sr. michael Kadoorie, criou o peninsula Classics Best of the Best Award em 2015, em parceria com os cofundadores William Connor, Bruce meyer e Christian philippsen. eles compartilham a paixão por automóveis especiais e pela preservação de seu legado. patrocinado pelos Hotéis peninsula, o prêmio reúne os vencedores dos concursos mais prestigiados do mundo, os chamados Best of Show. O time de jurados do Peninsula Classics Best of the Best Award 2024 é constituído de estilistas e executivos renomados da indústria automobilística, como Henry Ford III, Ed Welburn, ex-vice-presidente de estilo da General Motors, Peter Brock e Fabio Filippini. Outros jurados são membros da realeza, celebridades e colecionadores, como HRH Príncipe Michael de Kent, HH Rana Manvendra Singh de Barwani, Peter Marino, Ralph Lauren e Jay Leno. l 1947 delahaye 135 mS narval1934 Bugatti Type 59 Sports best of the best 8 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel pelo mundo Osujeito aí em cima todos conhecem. Ele falava na televisão o bordão “um Gordini, zerinho, zerinho!”, quando entregava o grande prêmio para seus seguidores. Mas a cena acima é anterior à do famoso Silvio Santos, é quando ele ainda entregava prêmios sorteados pelas também famosas Cestas Amaral. Lembraram? A história quem nos conta é Rui Amaral Jr., herdeiro da fama Amaral, criada por seu pai Rui Amaral. Se os adultos da época sonhavam em ganhar um automóvel no sorteio, imaginem as crianças, que poderiam ganhar um carrinho a motor, na compra de um carnê para receber as cestas de vime cheias de alimentos. Com a palavra, Rui Amaral Jr.: Silvio Santos entregando um Renault Gordini “zerinho, zerinho” a um cliente das Cestas Amaral O automóvel vinha na cesta As cestas de vime e os automóveis sorteados para quem comprasse o carnê que dava direito a uma dessas cestas Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 9 pelo mundo “Ao final dos anos 30, meus pais Arinda e Rui Amaral Lemos criaram a Alimentos Selecionados Amaral, uma empresa de alimentos cuja ideia era embalar alimentos e especiarias para vender nos mercados. Naquela época, esses produtos eram vendidos a granel e pesados na frente dos clientes, outros tempos! Em poucos anos foram agregados à marca centenas de especiarias, como canela, pimenta do reino, colorau, feijão, lentilha, ervilha e por aí vai. No começo dos anos 40 a empresa já tinha uma boa equipe de vendas e era procurada por várias marcas do ramo para representa-lás na venda e distribuição de seus produtos. Uma delas era a Mandiopã, salgadinho que se tornou um sucesso de vendas. Foi quando a Industria Alimentícia Mandiopã Ltda. foi adquirida pela Alimentos Selecionados Amaral S.A. As cestas de alimentos começaram em 1953, os fregueses compravam o carnê e iam pagando mensalmente para receber a cesta de Natal no fim do ano. Mas havia muitos prêmios, como automóveis para adultos e os carrinhos a motor para as crianças, entre outros presentes.” l Dezenas desses carrinhos com motor a combustão foram sorteados aos clientes no Concurso Mandiopã Esse aí é o Rui, o autor da história, uns 120 anos atrás... 10 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel pelo mundo Um palácio para as corridas orédio que abrigava uma fábrica de automóveis e que, no teto, mantinha uma pista de testes, é bem conhecido pelos entusiastas do assunto. É o edifício Lingotto, em Turim, construído em 1916 e inaugurado em 1923, usado até 1970 pela Fiat para a produção e avaliação de seus automóveis. Não tão famoso quanto o edifício da Fiat é o Palácio Chrysler, em Buenos Aires, que, da mesma forma, era utilizado pela operação comercial da Chrysler na Argentina e mantinha pista de testes de veículos no teto. Inaugurado em 1926, o Palácio Chrysler foi planejado para abrigar a concessionária de automóveis Resta O Palácio Chrysler tinha em suas dependências lojas e oficinas para veículos da marca, e também uma pista no teto edifício com concessionário Chrysler em Buenos Aires tinha até pista no teto O Palácio Chrysler, atual Palácio Alcorta, fica situado nasavenidas Figueiroa Alcorta e Ortiz de Ocampo, em Palermo Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 11 pelo mundo Para a época, um majestoso prédio que ocupava todo o quarteirão Atualmente o edifício é um luxuoso condomínio residencial, o Palácio Alcorta Hermanos, que vendia veículos da marca Chrysler na Argentina. A pista tinha capacidade para promover corridas de automóveis e havia também uma arquibancada para 3.000 espectadores acompanharem as provas. A operação durou pouco, pois a empresa faliu em 1931 e o prédio caiu em desuso, foi utilizado por um tempo pelo exército argentino até que, em 1994, foi comprado por uma empresa imobiliária que o transformou em um edifício residencial de alto padrão, o Palácio Alcorta. l 12 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel pelo mundo Ricardo Pupo, na foto no alto à esquerda, e a turma que ele vem reunindo há vinte anos aos domingos, no Pacaembu Vinte anos de clássicas Em janeiro de 2005, no primeiro Encontro Mensal de Clássicas de São Paulo, ninguém imaginou que aquele grupo ainda estaria firme e forte 20 anos depois Foi no último domingo, em uma manhã quente (antes da chuva), que a turma das motocicletas clássicas se reuniu pela ducentésima e trá-lá-lá vez, em frente ao estádio do Pacaembu, para aquele encontro mensal que estava completando 20 anos de existência. Com a palavra, o seu criador, Ricardo Pupo: “Naquele longínquo ano de 2004, quando idealizei o Encontro Mensal de Motos Clássicas de São Paulo – a primeira edição foi em janeiro de 2005 –, jamais imaginaria que, vinte anos depois, ainda estaríamos nos reunindo! É uma satisfação enorme poder comemorar duas décadas de amizades. Fizemos centenas de amigos, muitos ainda crianças, que iam na garupa de seus pais, e hoje vêm com suas próprias clássicas. Estas, a cada ano mais antigas e mais valorizadas, muitas restauradas que voltaram a rodar, outras ainda originais. Espero muitos mais encontros como esse, e que façamos muito mais amigos. Valeu turma, pelo apoio de sempre!” l Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 13 pelo mundo Há gosto para tudo. o que seria do amarelo?... A beleza em pauta um dia desses estava papeando com um amigo, de profundo conhecimento de automóveis, histórico e técnico, e eu comentei que um dos carros mais “populares” da minha lista Top Ten de desejos é o Chevrolet 1959. Um Impala, de preferência, mas serve qualquer um da famíla, justamente por causa daquela exagerada traseira e também pelas lanternas, que nesse ano saíram fora do padrão que se estabeleceria para esse modelo. Esse meu amigo discordou do meu gosto, declarando a preferência, sob o aspecto da beleza, pelos Chevrolet do ano de 1963, também muito belos e de extrema harmonia de linhas e detalhes, talvez o mais belo de todos dessa época (com exceção, é claro, do 1959). Por causa disso, achei que caberia darmos uma olhada nas versões de carroceria dos Chevrolet de 1959, provavelmente as mais ousadas de que se teve notícia até então. Um Chevrolet Bel Air 1959 para o mercado australiano. Notem o volante do lado direito e a lanterna adicional traseira 14 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel pelo mundo A ousadia a que me refiro não é absoluta, pois, naqueles anos 50, os automóveis especiais adotavam as mais elaboradas ideias de estilo, vindas das mais geniais mentes dos responsáveis pela aparência dos veículos. E a Chevrolet era, naquele período, a mais popular marca de automóveis da General Motors. Toda a família 1959 da Chevrolet, então, adotou as linhas mais polêmicas de sua história, com a lanterna do tipo “olhos de gato” e as barbatanas do tipo “asa de gaivota”, bem diferentes dos “rabos de peixe” de outros modelo, pois estes eram horizontais e os outros verticais. Esse estilo ganhou alguns outros apelidos, como, por exemplo, “convés de porta aviões”, mas não importa o nome, o fato é que ele marcou a história da Chevrolet. Imponente, o Chevrolet Biscayne de duas portas era a versão mais simples e mais barata da marca em 1959 Para o ano seguinte, 1960, a traseira “convés” foi um pouco reduzida e os carros voltaram à configuração de lanternas traseiras duplas para o Bel Air e o Biscayne, e triplas para o Impala. Esse padrão se manteve até 1965. Tanta ousadia também se refletiu Em 1960 voltaram as lanternas traseiras circulares nas carrocerias. Em 1959, o mais simples dos acabamentos vinha no Biscayne, que estava disponível nas versões sedã de duas e de quatro portas. Fora a traseira sui generis e a grade dianteira cheia de detalhes cromados (item comum para todas as versões), esses dois carros eram destinados a frotas e a quem quisesse um automóvel mais acessível. Por isso, a quase totalidade dos Biscayne saía com motor de seis cilindros, apesar de que já havia boa procura dessa carroceria com os potentes V8 big-block, para alto desempenho. Era o início dos muscle-cars, sedãs baratos com motores grandes e com câmbio manual de quatro marchas. chevrolet 1959 Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 15 pelo mundo A versão intermediária de acabamento do Chevrolet 1959 era o Bel Air, que até o ano anterior era a versão topo de linha (o Impala em 1958 ainda era um pacote de luxo sobre o Bel Air). Assim, o Bel Air já estava disponível em mais versões de carrocerias, como as peruas Parkwood, para seis passageiros, a Kingswood, para nove passageiros, mediante uma terceira fileira de bancos no porta-malas, virada para trás, ambas de quatro portas, e ainda a perua Brookwood, de duas e de quatro portas. Com essa carroceria station wagon, a linha Biscayne tinha ainda uma versão profissional de entregas, o furgão Sedan Delivery. Furgão Chevrolet Sedan Delivery 1959 A perua Chevrolet Brookwood 1959 tinha o mesmo nivel de acabamento do Bel Air chevrolet 1959 16 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel pelo mundo A carroceria mais bacana da linha Chevrolet 1959 era, então, a Sport Sedan, que já estava disponível no Bel Air. Além dos ousados detalhes de toda a família, como o para-brisa panorâmico, o Sport Sedan, apenas com quatro portas, não tinha a coluna B e possuía um vidro traseiro parecido com uma nave espacial. Certamente a carroceria mais bela daquele ano de 1959. O Chevrolet 1959 mais equipado e de melhor acabamento era o Impala, que a partir desse ano se tornava um modelo independente do Bel Air. Além das carrocerias sedã de duas e de quatro portas, como no Biscayne e no Bel Air, o Impala tinha o Sport Sedan e o Sport Coupe, ambos sem a coluna central, e ainda o Impala conversível e a perua Nomad, que tinha o acabamento do Impala. Chevrolet Impala Sport Sedan 1959 Chevrolet Impala Sport Coupe 1959 chevrolet 1959 Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 17 pelo mundo Chevrolet El Camino 1959 Foi em 1959 que a Chevrolet estreou a picape El Camino, que, assim como no Sport Sedan, tinha também um ousado vidro traseiro panorâmico. Era o máximo de estilo aplicado em um veículo utilitário. l A perua Chevrolet Nomad 1959 tinha o mesmo nivel de acabamento do Impala chevrolet 1959 18 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel história O berço do Ford T Foi nesta fábrica, na avenida Piquette, que o Modelo t foi idealizado e de onde saíram as primeiras unidades Localizada na esquina da avenida Piquette com a rua Beaubien, ela desempenhou um papel central no início da história da empresa, como o local do nascimento do Modelo T e a primeira fábrica que a Ford Motor Company construiu e possuiu. É o local de fábrica mais antigo da empresa. Em 1903, Henry Ford fundou a empresa e alugou uma velha fábrica de carroças na avenida Mack para construir seus primeiros carros. A Ford comprou o prédio da avenida Piquette em 1904 e mudou-se para a nova fábrica no final daquele ano. Foi nesta fábrica que começou o crescimentoda Ford e, em apenas 18 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel história Seis edições atrás, mostrei um material que encontrei em meus arquivos, celebrando o centenário da Ford, que aconteceu em janeiro de 2003. Lembrei que, lá estando para a grande festa da Ford, em Detroit, visitei o primeiro prédio da empresa, a fábrica de Piquette, e estranhei não haver imagens dessa fábrica. Enfim, achei outra pasta com texto e fotografias daquela época (o texto é de 2003, mas as fotos são mesmo de 1903). Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 19 história cinco anos, ela ficou pequena. Antes do Modelo T, de lá saíram o Modelo N, o Modelo R e o Modelo S. E foi em Piquette, em 1907, que Henry Ford e uma equipe unida de “skunk works” isolaram um canto secreto do salão de montagem do terceiro andar, para fazer os primeiros esboços do Modelo T. ç Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 19 história 20 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel história centenário da ford O interior da fábrica da avenida Piquette. de lá saíram os Ford Modelo N, Modelo R, Modelo S e Modelo T Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 21 históriacentenário da ford Os primeiros Modelo T saíram da fábrica de Piquette em 1908, com a força de trabalho de quinhentos funcionários, que produziam manualmente cerca de cem carros por dia. Ao final do primeiro ano de produção, 10.660 Modelos T foram fabricados, quebrando todos os recordes na incipiente indústria automobilística daquela época. A crescente popularidade do Ford Modelo T significou que a fábrica de Piquette logo se tornou pequena demais para lidar com a demanda dos clientes. A Ford precisava, então, de uma fábrica maior rapidamente, iniciando a construção de uma nova fábrica em Highland Park, em 1909. Lá, a produção do Ford Modelo T começou em janeiro de 1910. A Ford retirou todo o seu maquinário do prédio de Piquette, que foi vendido a um concorrente, Everitt, Metzger e Flanders, empresa mais tarde adquirida pela Studebaker Brothers Manufacturing Company. Assim, a fábrica da avenida Piquette continuou a ser usada para fabricação de automóveis durante a década de 1920. Esse era o escritório de Henry Ford na fábrica da avenida Piquette Como um dos primeiros locais industriais, a fábrica de Piquette é reconhecida por seu excelente estado de preservação, incluindo a pintura original e os detalhes arquitetônicos, as colunas de madeira densamente talhadas e o piso de tábuas. Tem uma aura genuína de história. Atualmente a fábrica de Piquette está listada no Registro Nacional de Lugares Históricos, sob os cuidados do Model T Automotive Heritage Complex, Inc. (T-Plex), corporação sem fins lucrativos dedicada à preservação da antiga fábrica. Nem a fábrica da Ford Piquette Avenue nem a T-Plex são afiliadas à Ford Motor Company. ç 22 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel história centenário da ford Clara Ford passeia com um Ford Modelo N por Detroit 22 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel história centenário da ford Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 23 históriacentenário da ford Ford Modelo N Runabout 1906 Ford Modelo R Runabout 1907 Ford Modelo S Roadster 1908 Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 23 históriacentenário da ford 24 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel história centenário da ford Foi nessa sala que Henry Ford e uma equipe de “skunk works” se isolaram secretamente para os esboços do Ford T À esquerda, o cartão de ponto dos funcionários da fábrica de Piquette na semana de 27 de junho de 1903. Note que Henry Ford também assina essa ficha. À direita, a montagem manual do Ford Modelo T na fábrica de Piquette Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 25 históriacentenário da ford O Modelo T não foi apenas revolucionário como produto, a sua arquitetura inspirou a linha de montagem móvel, uma inovação da Ford que tornou o automóvel verdadeiramente acessível às massas pela primeira vez. A invenção do Modelo T em Piquette foi o primeiro passo para a produção em linha de montagem em larga escala. A linha de montagem móvel foi concretizada em 1913 em Highland Park e com ela em muito pouco tempo a Ford já estava produzindo 1.000 veículos por dia. Só em 1915 a Ford vendeu mais de 1 milhão de automóveis. Quando foi lançado, em 1908, o Ford Modelo T era produzido em Piquette e custava US$ 850. Em seu último ano de produção, 1927, ele custava apenas US$ 290. Quando a produção do Modelo T cessou em 1927, mais de 15 milhões de “Tin Lizzies” haviam sido construídos, mudando a face do transporte pessoal na América e do mundo. l O fenômeno Modelo T Um Ford Modelo T em frente à fábrica de Piquette, após exaustivos testes 26 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel história ahistória do Volkswagen 1600 é tão curta quanto a sua vida. Lançado em 1968 no Salão do Automóvel, ele começou a ser vendido em janeiro de 1969 e foi fabricado até janeiro de 1971, ou seja, apenas dois anos de mercado, com 24.475 unidades produzidas. Não precisamos entrar em detalhes mínimos a respeito do carro, já que é um VW e muito já se falou sobre ele, mas o Volkswagen 1600 foi idealizado para repetir todas as qualidades do Sedan 1300. Para isso utilizava o mesmo chassis do Fusca, apenas com pontos diferentes de fixação da carroceria, e com um motor maior e mais forte, com 60 cv de potência. Até a ventoinha do motor a ar era a mesma, “de pé”, diferentemente dos motores da Variant e do TL que vieram depois, que adotaram o famoso motor “deitado”, com a caixa de ar e a horizontais. Talvez pelo carisma que o nome Volkswagen sempre teve em relação ao consumidor brasileiro, e também pelo ineditismo da novidade – quem é que imaginaria um “fusca” diferente do Fusca? –, o Volkswagen 1600 fez mais sucesso naquele salão de 1968 do que os outros dois importantes lançamentos, o Ford Corcel e o Chevrolet Opala. O carro era realmente bonitinho. Para melhor entendimento, o título é “a história do Zé do Caixão” A história do VW 1600 O Volkswagen 1600 foi apresentado no Salão do Automóvel de 1968 e começou a ser vendido em janeiro de 1969 Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 27 história Bonitinho? Nem todos acharam. Ou talvez o senso de gozação e de esculhambação dos brasileiros em relação a qualquer coisa falou mais alto e imediatamente o carro ganhou o apelido de Zé do Caixão, apelido esse que pegou firme e forte até porque o carro não tinha um nome próprio, era oficialmente chamado de Volkswagen 1600, ou até mesmo de Volkswagen de quatro portas. Não teve jeito: ficou Zé do Caixão mesmo. A melhor explicação para esse nome são as quatro maçanetas cromadas em forma de alças, como se fosse em um caixão (um caixão tem, na verdade, seis alças). Para uma geração de automóveis simples e robustos, com motor traseiro refrigerado a ar, o VW 1600 era uma grande evolução. Motor bem mais torcudo do que o do Fusca, compacto, confortável (mas não espaçoso) e com quatro portas, talvez tivesse mais sucesso comercial se não fossem alguns percalços industriais – e também se não tivesse ganhado aquele apelido. ç O interior era simples mas bem resolvido, com acabamento imitando jacarandá. O rádio era instalado à parte 28 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel história volkswagen 1600 Os faróis retangulares eram o apelo visual mais forte do Volkswagen 1600 O lançamento oficial do VW 1600 foi em janeiro de 1969 Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 29 históriavolkswagen 1600 O VW 1600 trazia algumas pequenas atualizações técnicas, como o freio dianteiro a disco (não era uma novidade) e as luzes de ré. O painel de instrumentos era simples mas muito bem resolvido, bonito até, com seu acabamento imitando jacarandá. Muitos reclamaram da falta de um local específico para o rádio, mas a solução do suporte inferiorornando com o painel era até mais inteligente e harmoniosa. Na metade do ano de 1969 foi introduzida a versão de luxo do modelo, o Volkswagen 1600L, que tinha como diferenciais os pneus de faixas brancas, revestimento interno de couro, bancos dianteiros reclináveis, tapetes especiais, rádio, relógio, buzina dupla e tampa de combustível com chave. Essa versão, que podia ter duas cores, com o teto destacado, custava cerca de 10% a mais e ficou apenas nove meses em produção. Em dois anos de produção, foram fabricados 24.475 unidades do Volkswagen 1600 No seu segundo ano, exatamente em agosto de 1970, o Volkswagen 1600 teve a frente modificada, trocando o par de faróis retangulares por um par de faróis duplos, ao mesmo tempo em que o capô dianteiro trocava o duplo vinco por um único, central. O símbolo circular da VW, então, passou da parte superior do capô para a parte frontal. Nesse aspecto, há uma lenda urbana sobre alguns VW 1600 bem anteriores a agosto de 1970 que já saíram da fábrica com a frente nova, com faróis duplos e capô de vinco único, mas oficialmente isso nunca foi confirmado. ç 30 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel história O Volkswagen 1600 tinha mais potência do que o VW Sedan 1300 e a mesma robustez, além das quatro portas Uma das opções do Volkswagen 1600L, versão mais luxuosa do VW 1600, era o teto de cor diferenciada volkswagen 1600 Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 31 história O Volkswagen 1600L tinha pneus de faixa branca, interior de couro, rádio, relógio no painel e buzina dupla Com apenas dois anos em produção, os revendedores não tiveram tempo de alavancar as vendas do modelo volkswagen 1600 O sedã tinha a praticidade das quatro portas, mas mantinha o mesmo problema do Fusca, o porta-malas pequeno 32 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel história A poucos meses de ser descontinuado, o Volkswagen 1600 trocou os faróis retangulares pelos faróis redondos volkswagen 1600 Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 33 história A melhor “clientela” do Volkswagen 1600 foi mesmo a dos motoristas de táxi volkswagen 1600 A produção do Volkswagen 1600 foi encerrada em fevereiro de 1971, em parte pelo pouco interesse do público por automóveis de quatro portas, mas a essa altura os motoristas de táxi já haviam “descoberto” o carro, um Fusca tão robusto quanto o original e bem mais confortável, com a enorme vantagem, para essa categoria profissional, das quatro portas. Isso fez com que, nos anos seguintes, praticamente todas as unidades produzidas migrassem para o trabalho nas ruas. Atualmente, o Volkswagen 1600 faz parte de uma lista de modelos nacionais bastante desejados por colecionadores. l 34 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel leilãofeira Já estamos nos acostumando a ver, nestas páginas, as dicas e os esclarecimentos do colecionador e comerciante de carros clássicos João Siciliano, cuja expertise herdou de seu pai, Romeu Siciliano, e está passando para seu filho, com quem trabalha no eixo São Paulo - Flórida intermediando compras e vendas de automóveis clássicos. O texto a seguir ele nos enviou de Kissimmee, na Flórida, onde ele acompanhou mais uma edição do leilão Mecum, um dos maiores eventos do mundo voltados à venda de veículos clássicos e itens de coleção. Criado em 1988 por Dena Mecum, o leilão Mecum ganhou notoriedade por reunir não apenas automóveis raros, mas também motocicletas antigas, memorabilia e artigos de decoração vintage. 34 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel leilão o Porsche de Seinfeld não foi arrematado, então o leilão continua E o lance continua... Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 35 leilãofeira Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 35 O Porsche 917 que foi de Steve McQueen teve um lance de 25 milhões de dólares, mas o dono do carro não aceitou leilão “O Mecum Auction oferece três modalidades principais de venda, o Leilão com Reserva, quando o vendedor define valor mínimo, Leilão Sem Reserva, quando os lotes são vendidos sem valor mínimo, e o “The Bid Goes On”, quando o valor de reserva não é alcançado e o lote pode ser negociado diretamente entre comprador e vendedor, com prazo de até 21 dias. Realizado pela primeira vez em 1999, o Mecum Kissimmee cresceu muito ao longo dos anos. A edição de janeiro inaugura o calendário anual de eventos e já de tornou referência mundial para entusiastas e colecionadores de carros clássicos. Nesta edição, o leilão alcançou a impressionante marca de 4.400 lotes inscritos, consolidando-se como o maior leilão do gênero. ç 36 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel leilão mecum 2025 O fundador, Dena Mecum, almeja um recorde ainda maior: 5.000 lotes para o próximo ano, um número inimaginável em 1988, quando ele iniciou suas atividades. Ele participa de todos os leilões ao longo do ano e acompanha de perto desde o primeiro até o último lote. O grande destaque desta primeira edição de 2025 do Leilão Mecum foi o Porsche 917K da coleção de Jerry Seinfeld, famoso comediante norte- americano e entusiasta de Porsche. Este modelo não é apenas um carro raro, ele carrega uma rica história no automobilismo e no cinema, pois foi de Steve McQueen, que o pilotou no clássico filme Le Mans, de 1971, e venceu as 24 Horas de Le Mans de 1970, com Richard Attwood. O Ford GT 40 Mk I de 1966 foi arrematado por US$ 7.040.000 Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 37 leilãomecum 2025 O momento da apresentação do Porsche 917 de Seinfeld no leilão foi cuidadosamente planejado para causar impacto. As luzes do evento se apagaram e foi exibido um vídeo sobre a história do carro, destacando sua restauração e a conexão com figuras importantes. Em seguida, o ronco do motor do 917K eletrizou o público, enquanto o carro era escoltado até o Auction Block por seguranças e policiais. Com lances feitos só por telefone, o Porsche 917K teve ofertas de até 25 milhões de dólares, mas como não atingiram a reserva estipulada por Seinfeld – os rumores diziam que ele esperava cerca de 30 milhões de dólares – o carro não foi vendido. Aí ele entrou na lista dos “The Bid Goes On”, aguardando uma possível negociação entre as partes. A recusa do lance surpreendeu o público e o 917K deixou o evento sob escolta, reafirmando seu status como uma verdadeira joia e um dos carros mais valiosos já apresentados pela Mecum Auctions. ç O Jaguar E-Type SL de 1967, o mesmo Shaguar utilizado nos filmes de Austin Powers, foi vendido por US$ 880.000 38 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel leilão É difícil mencionar sobre tudo que havia no leilão Mecum, por isso selecionei alguns dos veículos mais importantes vendidos no leilão: – Ford GT40 1966 MK I vendido por US$ 7.040.000. Este exemplar leiloado é um dos 31 carros de estrada lançado na época. - Jaguar E-Type SL 1967 vendido por US$ 880.000. É o verdadeiro carro usado nas gravações dos filmes de Austin Powers, o famoso Shaguar. - Chevrolet Corvette ZR1 1970 conversível, vendido por US$ 451.000. Este foi o carro piloto de uma pré-produção de apenas 25 unidades, com restauração impecável, um carro premiado em diversos concursos. - Cadillac 1996 Fleetwood Brougham Limousine, usado pelo presidente Clinton e vendido por US$ 264.000. Uma das 3 unidades construídas para o presidente Clinton, supervisionada pelo serviço secreto. Este é o único exemplar em coleção particular, marca apenas 627 milhas em seu odômetro. O Chevrolet Corvette L89 Coupe de 1967 obteve um lance de US$ 1.705.000 e foi arrematado O Cadillac Fleetwood Brougham Limousine de Bill Clinton conseguiu o lance vencedor de US$ 264.000 mecum 2025 Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 39 leilão - Chevrolet Corvette 1967 L89 Coupe vendido US$ 1.705.000. Um de 16 carros produzidos no último dia de produção de 1967, equipadocom motor V8 427 de 435 cv com câmbio manual de quatro marchas. Esse Corvette hibernou durante 29 anos no Texas, de 1994 até 2023, e agora voltou à ativa. - Plymouth Hemi SuperBird 1970, vendido por US$ 627.000. Este é um dos apenas 77 SuperBird produzidos com motor Hemi 426, com 425 cv, e câmbio automático. Estima-se um total de vendas de U$ 224.000.000 na edição que abre o calendário de leilões nos EUA. O Mecum Kissimmee alem de ser um gigantesco leilão também é verdadeiro espetáculo para colecionadores e amantes de veículos clássicos. Com sua impressionante trajetória, o evento segue como um marco no calendário internacional de eventos automotivos, consolidando-se como um ponto de encontro para os apaixonados por história, cultura e velocidade”. l O Plymouth Hemi Superbird 1970, uma das 77 unidades com câmbio automático, foi vendido por US$ 627.000 O Chevrolet Corvette ZR1 conversível de 1970 foi arrematado por US$ 451.000 mecum 2025 40 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel leilão O volante do Mustang 1968, à esquerda, e do Mustang 1974, à direita. Em 1979, o volante passou a ter quatro raios Por onde a 1000 Miglia passa, é festa. Essa praça de Siena se transformou em uma exposição de raridades Os bastidores do leilão Os Sicilianos nos mostram o que rolou no Mecum João Siciliano e seu filho João Victor nos mostram os bastidores do leilão Mecum. Além de grandes personalidades do meio dos automóveis clássicos, só a exposição dos modelos ofertados já é mais interessante do que a maioria dos encontros de carros antigos que conhecemos. Veja alguns exemplos na galeria de imagens feitas pelos Sicilianos. 40 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel leilão mecum 2025 Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 41 leilão Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 41 leilãomecum 2025 42 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel carros no cinema Sim, já usei esse título, mas era para automóveis. Nunca ouvi a expressão “siga aquela moto” no cinema, mas existem, sim, muitas boas (e muitas não tão boas) cenas de perseguição com motocicletas em filmes de ação. Também já citamos aqui algumas dessas motocicletas, mas agora elas estão bem situadas em cenas de perseguição. A impressão que se tem na maioria das cenas de perseguição com motos é que a boa Física dificilmente explica os acontecimentos. E nem a lei das probabilidades. Como o mocinho – ou o bandido – escapou de algumas delas geralmente fica no ar. Seria uma questão de pura sorte? É mesmo muita ficção, o que justifica o caso do filme Matrix. ç Bastidores de Matrix Reloaded: uma Ducati 996 “à toda” na contra-mão, sem atingir nenhum automóvel. Sorte? Siga aquela moto! Quem leva a melhor, o carro ou a moto? Depende de quem persegue quem Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 43 carros no cinema 44 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel carros no cinema perseguiçÕes com motos Acima, uma Honda CB 750 Four 1970 K1, abaixo uma Honda CB 500 Four 1972. Para o diretor do filme, a mesma moto Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 45 carros no cinemaperseguiçÕes com motos A cena de perseguição de Trinity (Carrie-Anne Moss) pilotando uma Ducati 996 em Matrix Reloaded, de 2003, é mesmo difícil de engolir, mesmo se tratando de um filme de extrema ficção. Mas vá lá, é boa diversão. Minha preferência, no entanto, é pelas cenas mais reais, mesmo que, cinematograficamente, não sejam tão valorizadas pelo cinema moderno. Como o caso do filme Jogo Sujo (The Stone Killer, 1973). Charles Bronson passa todo o filme dirigindo um Plymouth Belvedere 1969, mas a melhor sequência é a perseguição de uma Honda CB 750 Four K1 1970. Ou seria uma Honda CB 500 Four 1972? Sim, as duas! Em uma gafe memorável que faria enrubescer até o contra-regra do Chapolin Colorado, as tomadas dessa perseguição alternam uma e outra motocicleta, como se fosse a mesma. Está bem, provavelmente muito poucas pessoas se tocaram dessa falha no cinema, naquela época, mas nós, cinéfilos chatos com avanço quadro a quadro à disposição e com gosto pelas motocas, jamais deixaríamos isso passar sem um comentário. Chega a ser divertido. Em um outro filme de Charles Bronson, Assassino a Preço Fixo (The Mechanic, 1972), ele pilota uma Husqvarna 360 C Enduro de 1971, motocicleta preparada pela fábrica especialmente para as cenas finais do filme, com perseguições que chegaram a 170 km/h. ç Charles Bronson e a Husqvarna 360 C Enduro de 1971, em cenas do filme Assassino a Preço Fixo, de 1972 46 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel carros no cinema Em 007 - Operação Skyfall, mocinho e bandido se perseguem em duas Honda CRF 250R James Bond pilotando uma BMW R 1200 C 1997 algemado com a mocinha, em O Amanhã Nunca Morre No filme O Amanhã Nunca Morre (Tomorrow Never Dies, 1997), James Bond foge dos vilões algemado à mocinha em uma BMW R 1200 C, que era um lançamento daquele ano. Mais um malabarismo difícil de acreditar que pudesse acontecer de verdade. Dos filmes de James Bond nós já falamos à exaustão, mas é sempre bom lembrar algumas motocicletas que participaram de perseguições em seus filmes. Em 007 - Operação Skyfall (Skyfall, 2012), o agente 007 persegue o vilão em uma Honda CRF 250R meio descaracterizada, tanto é que não dá pra precisar o ano de fabricação. O vilão também tem uma Honda CRF 250R, roubada da polícia. perseguiçÕes com motos Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 47 carros no cinema O Rambo Sylvester Stallone rouba uma motocicleta “ a tapa”, uma Yamaha XT 250, e foge para as montanhas Uma breve porém intensa cena de perseguição acontece em Rambo, Programado para Matar (First Blood 1982), quando Sylvester Stallone rouba uma Yamaha XT 250 a tapa, literalmente, e foge para a montanha com a polícia em seu encalço. Também intensa é a perseguição do Exterminador “bonzinho”, que pilota uma Harley-Davidson Fat Boy 1991, pelo T-1000, que dirige um caminhão Freightliner 1984. ç Schwarzenegger na Fat Boy 1991, John Connor na Honda XR 100 1990 e o T-1000 no Freightliner 1984 perseguiçÕes com motos 48 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel carros no cinema Os caras maus com Honda XR 250R 1997 O mocinho do filme, fugindo de uma turba enfurecida e bem armada, com uma velha Honda XR 250R 1996 Em Era Uma Vez no México (Once Upon a Time in Mexico, 2003), Antonio Banderas despacha fácil uma enorme gangue atirando com metralhadoras e com as novas Honda XR 250R 1997, ele com uma velha Honda XR 250R 1996. E atirando para trás, e acertando, e eliminando todos os malvados. O cara é mesmo bom. perseguiçÕes com motos Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 49 carros no cinema Na hora de falar sobre a franquia Missão Impossível, com o superastro conservado em formol Tom Cruise mandando lenha sem capacete, há muito o que comentar. O primeiro (Mission: Impossible, 1996) não tem muita coisa, mas no segundo filme (Mission: Impossible II, 2000) ele dá um show em duas rodas, com uma Triumph Speed Triple 955i 2000. Nos filmes mais recentes ele entra na era BMW, com uma G 310 GS, uma S 1000 RR e uma R nineT Scrambler. ç Tom Cruise deitando o cabelo sem capacete, com uma Triumph Speed Triple 955i 2000 em Missão Impossível II A era BMW: G 310 GS 2020, S 1000 RR 2010 e R nineT Scrambler 2017 perseguiçÕes com motos 50 Fevereiro 2025 Cultura do Automóvel carros no cinema A Moto Guzzi Eldorado V7 850 Police Special, bem mais pesada do que a Triumph T 100 R Daytona O inspetor Harry Calahan, que também é conhecido como Dirty Harry, também tem seu momento de perseguição com motocicletas. Ao final do filme Magnum 44 (Magnum Force, 1973), ele, um dos mais conhecidos personagens de Clint Eastwood, é perseguido por três policiais corruptos da unidade de motocicletas mas acaba pegando uma delas para perseguir o último policial corrupto. A motocicletaé uma Triumph T100 R Daytona policial de 1967. As motocicletas dessa unidade eram, na verdade, Moto Guzzi V7 Eldorado, de 1972, mas para essa cenas final foi utilizada a Triumph que era mais leve e mais fácil de ser manuseada nas filmagens. Clint Eastwood, o Dirty Harry, e a Triumph T 100 R Daytona de 500 cm3 perseguiçÕes com motos Cultura do Automóvel Fevereiro 2025 51 carros no cinema Não poderia deixar de finalizar a lista de grandes perseguições com motocicletas no cinema sem incluir Mad Max. O filme retrata uma sociedade pos-apocalíptica em que Cenas finais de Mad Max, da perseguição ao chefe dagangue até o seu encontro mortal com o caminhão Kenworth perseguiçÕes com motos os bandidos de estrada rodam sem rumo roubando o pouco de gasolina que sobrou no planeta. Até toparem com o Max doido, que protagoniza uma perseguição antológica nas cenas finais. Antes dessa cena, ele persegue e elimina os motociclistas vilões um a um, deixando o chefe da gangue para o final. Persegue-o com seu carro em alta velocidade, um Ford Falcon GT 1973, até que ele e sua Kawasaki Z 1000 A1 1979 dê de frente com um caminhão Kenworth K124 de 1977. E fim do filme. Mas não da saga. Max vira um nômade e vai ter novas aventuras em Mad Max 2. l