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DIREITO Me. Adriana Straub GUIA DA DISCIPLINA 1 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 1. DIREITO MORAL ÉTICA Objetivo O objetivo principal deste texto é conceituar direito, moral e ética e esclarecer o que são fontes do direito e como se classificam e interpretam as normas jurídicas. Introdução Você já conceituou os termos direito, moral e ética? Já pensou o que representa cada uma dessas palavras? Parece fácil? Difícil? Será que tem alguma importância saber o que significam direito, moral e ética? No dicionário Michaelis online1, entre os vários significados, encontramos: Direito - Di.rei.to sm 1 O que é justo e conforme com a lei e a justiça. 2 Faculdade legal de praticar ou não praticar um ato. 3 Dir Ciência das normas obrigatórias que disciplinam as relações dos homens numa sociedade; jurisprudência. Possui inúmeras ramificações. 4 Prerrogativa, privilégio. Moral - Mo.ral adj (lat morale) 1 Relativo à moralidade, aos bons costumes. 2 Que procede conforme à honestidade e à justiça, que tem bons costumes. 3 Favorável aos bons costumes. 4 Que se refere ao procedimento. 5 Que pertence ao domínio do espírito, da inteligência (por oposição a físico ou material). 6 Diz-se da teologia que se ocupa dos casos de consciência. 7 Diz-se da certeza que se baseia em grandes probabilidades, e não em provas absolutas. 8 Diz-se da atitude ou comportamento de quem está perturbado, confuso ou embaraçado por qualquer circunstância. 9 Diz-se de tudo que é decente, educativo e instrutivo. Ética - É.ti.ca sf (gr ethiké) 1 Parte da Filosofia que estuda os valores morais e os princípios ideais da conduta humana. É ciência normativa que serve de base à filosofia prática. 2 Conjunto de princípios morais que se devem observar no exercício de uma profissão; deontologia. Vamos agora verificar o que os doutrinadores esclarecem sobre esses vocábulos? 1 h t tp : / /m ichae l is .uo l . com.br /moderno/por tugues / index.php?l ingua=por tugues -por tugues&pa lav ra=di re i to , http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=direito 2 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 1.1. Direito – Moral – Ética Rizzatto Nunes (2015, p. 73) diz que o termo ‘direito’ comporta pelo menos as seguintes concepções: “a de ciência, correspondente ao conjunto de regras próprias utilizadas pela Ciência do Direito; a de norma jurídica, como a Constituição e as demais leis e decretos, portarias etc.; a de poder ou prerrogativa, quando se diz que alguém tem a faculdade, o poder de exercer um direito; a de fato social, quando se verifica a existência de regras vivas existentes no meio social; e a de justiça que surge quando se percebe que certa situação é direito porque é justa”. Para Roberto Senise Lisboa (2008, p. 2) “utiliza-se o vocábulo Direito como a ciência ética que estabelece condutas a serem observadas pelas pessoas na sociedade”. Sergio Pinto Martins (2015, p. 3), na mesma linha, elucida que “são encontrados vários significados para a palavra Direito, como norma, lei, regra, faculdade, o que é devido à pessoa, fenômeno social etc” e, no que diz respeito à moral e ética, ressalta que: A moral tem um conceito que varia com o tempo, em razão de questões políticas, sociais, econômicas. A moral de ontem pode não ser a moral de hoje. Ela varia historicamente e em cada sociedade. (p. 6) Ética vem do grego ethos, com o significado de modo ser ou caráter. Diz respeito a um comportamento que deve ser seguido pelo hábito (p.465). Consulte a Unidade 1, págs. 1 a 11, do Livro Introdução ao Direito, organizado por Ricardo Glasenapp. Basta acessar: https://plataforma.bvirtual.com.br/Acervo/Publicacao/22137. 1.2. Fontes Do Direito Você sabe o que é fonte? O dicionário Michalis online, disponível em http://michaelis.uol.com.br, acesso em 23/10/2017, registra que: https://plataforma.bvirtual.com.br/Acervo/Publicacao/22137 http://michaelis.uol.com.br/ 3 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Fonte - fon.te sf (lat fonte) 1 Manancial de água que brota do solo; nascente. 2 Chafariz. 3 Bica por onde corre água ou outro líquido. 4 Chaga aberta com cautério; exutório. 5 Causa, origem, princípio. 6 Texto original de uma obra. 7 Qualquer substância que emite radiação. Assim sendo, no que diz respeito ao direito, fonte é a origem, o princípio do direito. Como bem destaca Rizzatto Nunes (2015, p. 114), observando-se a doutrina que trata do assunto, os conceitos e classificações variam de autor para autor. A classificação dada por Ricardo Glassenapp (2014, ps. 19-20) é a seguinte2: “As fontes do Direito podem ser classificadas como: imediatas e mediatas (ou diretas e indiretas); voluntárias e involuntárias; estatais e não estatais”. Fontes imediatas e mediatas “Fontes imediatas (ou diretas) são aquelas que compõem diretamente o sistema jurídico, como as leis em geral (Constituição, decretos, medidas provisórias, portarias etc.), especialmente no caso brasileiro. As fontes mediatas (ou indiretas) são os costumes, os princípios gerais de direito, a jurisprudência e a doutrina. Alguns autores utilizam outros termos, como fontes próprias ou puras (fontes diretas) e impróprias e impuras (fontes indiretas). Há também autores que falam de fontes principais (imediatas) e fontes acessórias (mediatas)”. Fontes voluntárias e involuntárias “Nesse caso, a classificação refere-se à forma e ao processo de criação das fontes do Direito. As fontes voluntárias são resultantes do processo legislativo formal, como é o caso das leis. As fontes involuntárias são aquelas que ajudam, indiretamente, na formação do Direito, como os costumes”. Fontes estatais e não estatais “Fontes estatais, como o próprio nome indica, são aquelas produzidas pelo sistema jurídico do Estado – a legislação, a jurisprudência e os princípios gerais de direito. As fontes não estatais, como os costumes e a doutrina, têm sua origem na sociedade civil”. 2 h t tp : / /un isanta .bv3.d ig i ta l pages .com.br /users /pub l i c a t ions /9788543005102/pages /19 , http://unisanta.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788543005102/pages/19 4 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Define-se jurisprudência como o conjunto das decisões dos tribunais a respeito do mesmo assunto. Alguns especificam ‘conjunto das decisões uniformes dos tribunais’ e outros falam apenas em ‘conjuntos de decisões’, sem referência à uniformidade. (Rizzatto Nunes, 2015, p. 138) Leia a decisão abaixo que trata do nascimento de um direito por meio de um costume local. “... A ré comercializava bens de consumo pessoal, através da microempresa Bazar e Mercearia Monte Santo (Adélia Trevizani ME.) e fornecia refeições pelo Restaurante Dona Adélia (Alberto Benevuto de Paula Braga ME.), estabelecidos no município de Mococa. A autora e seu namorado, R. de C. D., adquiriam produtos e tomavam refeições nos aludidos estabelecimentos, mediante pagamento mensal e anotação diária no sistema conhecido como "caderneta". A Ré denunciou ao Serviço de Proteção ao Crédito, a Autora como devedora da quantia de R$ 252,40. A contestação veio instruída com as anotações de fls. 38/43, das refeições tomadas de janeiro a junho de 2003, assim como, dos produtos adquiridos no bazar (chocolate, coxinhas, salgadinhos, coca-cola, leite, aparelho de barbear e assemelhados). Foi tomado o depoimento pessoal das partes, confirmando a Ré, dona de ambos os estabelecimentos as anotações e o débito existentes, que foram roborados por três testemunhas ouvidas. Como bem acentuou a r. sentença recorrida, cabia à autora a prova de suas alegações, consistentes na inexistência do débito denunciado.967, do Código Civil Art. 967. É obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade. A inscrição do empresário far-se-á mediante requerimento que contenha (art. 968): I - o seu nome, nacionalidade, domicílio, estado civil e, se casado, o regime de bens; II - a firma, com a respectiva assinatura autografa; III - o capital; IV - o objeto e a sede da empresa. Veja o modelo do formulário denominado “Requerimento de Empresário”, extraído do Manual de Registro do Empresário Individual disponível em: http://www.institucional.jucesp.sp.gov.br/empresas_manuais.php http://www.institucional.jucesp.sp.gov.br/empresas_manuais.php 37 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 38 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Os artigos 968 a 971, do Código Civil, ainda, asseguram que: Caso venha a admitir sócios, o empresário individual poderá solicitar ao Registro Público de Empresas Mercantis a transformação de seu registro de empresário para registro de sociedade empresária, observado, no que couber, o disposto nos artigos. 1.113 a 1.115 do Código. O processo de abertura, registro, alteração e baixa do microempreendedor individual, bem como qualquer exigência para o início de seu funcionamento deverão ter trâmite especial e simplificado, preferentemente eletrônico. O empresário que instituir sucursal, filial ou agência, em lugar sujeito à jurisdição de outro Registro Público de Empresas Mercantis, neste deverá também inscrevê-la, com a prova da inscrição originária. Em qualquer caso, a constituição do estabelecimento secundário deverá ser averbada no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede. A lei assegurará tratamento favorecido, diferenciado e simplificado ao empresário rural e ao pequeno empresário, quanto à inscrição e aos efeitos daí decorrentes. Da Capacidade – Quem pode exercer a atividade de empresário? Podem exercer a atividade de empresário os que estiverem em pleno gozo da capacidade civil e não forem legalmente impedidos. A pessoa legalmente impedida de exercer atividade própria de empresário, se a exercer, responderá pelas obrigações contraídas. Faculta-se aos cônjuges contratar sociedade, entre si ou com terceiros, desde que não tenham casado no regime da comunhão universal de bens, ou no da separação obrigatória. O empresário casado pode, sem necessidade de outorga conjugal, qualquer que seja o regime de bens, alienar os imóveis que integrem o patrimônio da empresa ou gravá- los de ônus real. 39 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Síntese: Nas civilizações antigas não existiam moedas, cartões de crédito ou bancos; Praticavam o escambo; Com o tempo surge o metal como moeda de troca; “o código comercial francês, de 1808, influenciou a muitas legislações a partir do estabelecimento da teoria do ato de comércio. Essa teoria está na raiz da distinção entre o ato civil e o ato de comércio. Assim, qualquer pessoa que praticasse um ato de comércio estaria submetida ao direito comercial e não ao direito civil. Essa teoria foi repetida no brasil, com a edição do código comercial, em 1850, quando era imperador d. Pedro ii”; Os atos jurídicos civis e comerciais têm a mesma natureza jurídica, estando submetidos à parte geral do código civil, bem como às regras ali dispostas sobre as obrigações e os contratos – unificação; A ideia de unificação não é pacífica; O código civil, em 2002, trata do direito de empresa e revogou, expressamente, a parte primeira do código comercial, lei no 556, de 25 de junho de 1850 (artigo 2045); Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços; É obrigatória a inscrição do empresário no registro público de empresas mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade; Podem exercer a atividade de empresário os que estiverem em pleno gozo da capacidade civil e não forem legalmente impedidos; A pessoa legalmente impedida de exercer atividade própria de empresário, se a exercer, responderá pelas obrigações contraídas. 40 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 6. DIREITO DO CONSUMIDOR Objetivo O Objetivo deste texto é traçar alguns conceitos relacionados ao direito do consumidor adotando, principalmente, a Lei 8.078, de 11 de setembro de 1990, que dispõe sobre a proteção do consumidor. Muito bem! Você sabe quem é considerado consumidor? E fornecedor? O que é produto e serviço? O Código de Defesa do Consumidor13 estabelece esses conceitos. Vamos ler? Dispõe o artigo 2º que: Art. 2° Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final. Parágrafo único. Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo. Art. 3° Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços. § 1° Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial. § 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista. Agora que você já sabe quem é o consumidor. Vamos verificar quais são os direitos básicos do consumidor? Os artigos 6º e 7º, do Código de Defesa do Consumidor, asseguram que: Art. 6º São direitos básicos do consumidor: I - a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos; II - a educação e divulgação sobre o consumo adequado dos produtos e serviços, asseguradas a liberdade de escolha e a igualdade nas contratações; III - a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade, tributos incidentes e preço, bem como sobre os riscos que apresentem; 13 D ispon íve l em ht tp : / /www.p lana l to .gov.br /cc iv i l_03/ le is /L8078compi lado.h tm , http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8078compilado.htm 41 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância IV - a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, métodos comerciais coercitivos ou desleais, bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de produtos e serviços; V - a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas; VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos; VII - o acesso aos órgãos judiciários e administrativos com vistas à prevenção ou reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos ou difusos, assegurada a proteção Jurídica, administrativa e técnica aos necessitados; VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências; IX - (Vetado); X - a adequada e eficaz prestação dos serviços públicos em geral. XI - a garantia de práticas de crédito responsável, de educação financeira e de prevenção e tratamento de situações de superendividamento, preservado o mínimoexistencial, nos termos da regulamentação, por meio da revisão e da repactuação da dívida, entre outras medidas; (Incluído pela Lei nº 14.181, de 2021) XII - a preservação do mínimo existencial, nos termos da regulamentação, na repactuação de dívidas e na concessão de crédito; (Incluído pela Lei nº 14.181, de 2021) XIII - a informação acerca dos preços dos produtos por unidade de medida, tal como por quilo, por litro, por metro ou por outra unidade, conforme o caso. (Incluído pela Lei nº 14.181, de 2021) Parágrafo único. A informação de que trata o inciso III do caput deste artigo deve ser acessível à pessoa com deficiência, observado o disposto em regulamento. (Incluído pela Lei nº 13.146, de 2015) Art. 7° Os direitos previstos neste código não excluem outros decorrentes de tratados ou convenções internacionais de que o Brasil seja signatário, da legislação interna ordinária, de regulamentos expedidos pelas autoridades administrativas competentes, bem como dos que derivem dos princípios gerais do direito, analogia, costumes e eqüidade. Parágrafo único. Tendo mais de um autor a ofensa, todos responderão solidariamente pela reparação dos danos previstos nas normas de consumo. Todos os direitos contidos no artigo 6º, supracitado, devem ser garantidos ao Consumidor, sob pena de serem reparados, inclusive, judicialmente os danos patrimoniais e morais eventualmente sofridos. A Nestlé, por exemplo, não observou o inciso III. Por isso, foi condenada a pagar uma indenização a uma consumidora, no valor de R$ 90.000,00, porque não informou a presença de ingrediente alergênico na embalagem de seus produtos. Leia o trecho da decisão proferida em 24/02/2016, na Apelação nº 0168248- 42.2008.8.26.0100: As informações extraídas do próprio site da ré também confirmam a ausência de informação completa quanto aos componentes do produto vendido. Em nenhum momento há referência, seja na embalagem do produto (fls. 144/168) que a bolacha e o biscoito em questão possuem leite ou traços de leite, como veio posteriormente a ser confessado pela própria NESTLE, embora afirmando que, na época dos fatos, https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14181.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14181.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14181.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14181.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14181.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art100 42 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância não existia nenhuma regulamentação específica acerca da necessidade de alertar da existência de produtos alergênicos. (..) Evidente, pois, que a NESTLE ao deixar de informar, precisamente, na embalagem do produto as substâncias nele contidas, afrontou direito básico do consumidor, expondo a sua saúde, considerando-se, portanto, o produto defeituoso já que não oferece a segurança que dele se espera. No que diz respeito à informação, o Código de Defesa do Consumidor trata da oferta, nos artigos 30 a 35, e da publicidade, nos artigos 36 a 38. Você sabia que a oferta e a apresentação de produtos devem assegurar informações corretas, claras, precisas, ostensivas e em língua portuguesa sobre suas características, qualidades, quantidade, composição, preço, garantia, entre outros dados?! Isso mesmo! Leia os artigos abaixo: Da Oferta Art. 30. Toda informação ou publicidade, suficientemente precisa, veiculada por qualquer forma ou meio de comunicação com relação a produtos e serviços oferecidos ou apresentados, obriga o fornecedor que a fizer veicular ou dela se utilizar e integra o contrato que vier a ser celebrado. Art. 31. A oferta e apresentação de produtos ou serviços devem assegurar informações corretas, claras, precisas, ostensivas e em língua portuguesa sobre suas características, qualidades, quantidade, composição, preço, garantia, prazos de validade e origem, entre outros dados, bem como sobre os riscos que apresentam à saúde e segurança dos consumidores. Parágrafo único. As informações de que trata este artigo, nos produtos refrigerados oferecidos ao consumidor, serão gravadas de forma indelével. (Incluído pela Lei nº 11.989, de 2009) Art. 32. Os fabricantes e importadores deverão assegurar a oferta de componentes e peças de reposição enquanto não cessar a fabricação ou importação do produto. Parágrafo único. Cessadas a produção ou importação, a oferta deverá ser mantida por período razoável de tempo, na forma da lei. E não é só! É proibida oferta ou venda por telefone, quando a chamada for onerosa ao consumidor que a origina. Art. 33. Em caso de oferta ou venda por telefone ou reembolso postal, deve constar o nome do fabricante e endereço na embalagem, publicidade e em todos os impressos utilizados na transação comercial. Parágrafo único. É proibida a publicidade de bens e serviços por telefone, quando a chamada for onerosa ao consumidor que a origina. (Incluído pela Lei nº 11.800, de 2008). Art. 34. O fornecedor do produto ou serviço é solidariamente responsável pelos atos de seus prepostos ou representantes autônomos. Se o fornecedor de produtos ou serviços recusar cumprimento à oferta, apresentação ou publicidade, o consumidor poderá, alternativamente e à sua livre escolha (artigo 35): http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11989.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11989.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11800.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11800.htm#art1 43 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância I - exigir o cumprimento forçado da obrigação, nos termos da oferta, apresentação ou publicidade; II - aceitar outro produto ou prestação de serviço equivalente; III - rescindir o contrato, com direito à restituição de quantia eventualmente antecipada, monetariamente atualizada, e a perdas e danos. Quanto à publicidade, o Código de Defesa do Consumidor, diz no artigo 36 que: Art. 36. A publicidade deve ser veiculada de tal forma que o consumidor, fácil e imediatamente, a identifique como tal. Parágrafo único. O fornecedor, na publicidade de seus produtos ou serviços, manterá, em seu poder, para informação dos legítimos interessados, os dados fáticos, técnicos e científicos que dão sustentação à mensagem. E, no artigo 37, proíbe, expressamente, a publicidade enganos ou abusiva. Você sabe a diferença? Leia os parágrafos 1º e 2º: Art. 37. É proibida toda publicidade enganosa ou abusiva. § 1° É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação de caráter publicitário, inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por omissão, capaz de induzir em erro o consumidor a respeito da natureza, características, qualidade, quantidade, propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos e serviços. § 2° É abusiva, dentre outras a publicidade discriminatória de qualquer natureza, a que incite à violência, explore o medo ou a superstição, se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança, desrespeita valores ambientais, ou que seja capaz de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde ou segurança. § 3° Para os efeitos deste código, a publicidade é enganosa por omissão quando deixar de informar sobre dado essencial do produto ou serviço. Art. 38. O ônus da prova da veracidade e correção da informação ou comunicação publicitária cabe a quem as patrocina. Compreendeu? Para facilitar, visualize o quadro abaixo: PUBLICIDADE ENGANOSA PUBLICIDADE ABUSIVA É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação de caráter publicitário, inteiraou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por omissão, capaz de induzir em erro o consumidor a respeito da natureza, É abusiva, dentre outras a publicidade discriminatória de qualquer natureza, a que incite à violência, explore o medo ou a superstição, se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança, desrespeita valores ambientais, ou que seja 44 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância características, qualidade, quantidade, propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos e serviços. capaz de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde ou segurança 6.1. Exemplificando 1: “O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL propôs ação coletiva de consumo em face da ora recorrente, por propaganda enganosa, tendo por objeto a venda de veículo Pálio Fire modelo 2007, em maio de 2006, tendo em seguida lançado no mês de julho de 2006, o mesmo automóvel com inúmeras modificações estruturais e tecnológicas com a mesma denominação de ano 2006 e modelo 2007”. O Superior Tribunal de Justiça decidiu que: “Evidente que quem adquire em um ano veículo comercializado como sendo modelo do ano seguinte adquire produto mais valioso do que o produto do ano da compra, isto é, com um “plus” pelo fato de ser modelo que se conservará como modelo do ano no ano seguinte. Por isso, quem adquire esse produto, como sendo o produto do ano seguinte, diante do fato de, ainda no ano da aquisição, vê lançado veículo de idêntico tipo, também denominado de produto do ano seguinte (e com itens de valorização que o tornam distinto para fácil identificação de adquirentes), pagou pelo acréscimo do ano seguinte quando, na verdade, não viu agregado esse acréscimo ao produto, de modo que quando o vai alienar, terá preço menor do que o do segundo lançamento como modelo do ano seguinte. Nesses parâmetros fáticos é que deve ser visto o caso presente. Nada mais que isso. Não se imagina que a fabricante fosse impedida de modificar o modelo, anunciado em 2006 como sendo Modelo 2007. Mas evidentemente lesou o consumidor adquirente quando neste criou a confiança de que adquiria um modelo do ano seguinte, que em verdade não o foi, porque substituído por outro melhor, com a mesma indicação de ano. Assim, configura publicidade enganosa toda aquela capaz de induzir o consumidor em erro, fazendo com que tenha uma falsa percepção da realidade, dissociada daquilo que legitimamente poderia esperar do fornecedor, quadro que também se liga inexoravelmente ao conteúdo da boa-fé objetiva. 45 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Ora, tendo em vista as premissas ora expostas, facilmente se pode enquadrar a conduta da ré Fiat Automóveis S⁄A como abusiva e violadora dos deveres anexos à boa-fé objetiva. Constitui prática notória no mercado de veículos que as empresas antecipam o lançamento do novo modelo meses antes da virada do ano, com isso atraindo muitos clientes que pretendem adquirir um veículo “0 Km”, mais valorizado pelo fato de ser o modelo já do ano seguinte. Quem, contudo, possuía esta expectativa ao adquirir o automóvel Pálio Fire ano 2006 modelo 2007, lançado em maio de 2006, foi brutalmente lesado justamente em face da publicidade falsa – já que este veículo nunca foi produzido em 2007”. (RECURSO ESPECIAL Nº 1.342.899 - RS (2011⁄0155718-5) 6.2. Exemplificando 2: JURISPRUDÊNCIA - STJ proíbe publicidade dirigida às crianças 14/03/2016 Em verdadeiro leading case, a 2ª turma do STJ decidiu na tarde desta quinta-feira, 10, proibir a publicidade dirigida às crianças. Em foco estava a campanha da Bauducco "É Hora de Shrek". Com ela, os relógios de pulso com a imagem do ogro Shrek e de outros personagens do desenho poderiam ser adquiridos. No entanto, para comprá-los, era preciso apresentar cinco embalagens dos produtos "Gulosos", além de pagar R$ 5. A ação civil pública do MP/SP teve origem em atuação do Instituto Alana, que alegou a abusividade da campanha e o fato de se tratar de nítida venda casada. Em sustentação oral, a advogada Daniela Teixeira (Podval, Teixeira, Ferreira, Serrano, Cavalcante Advogados), representando o Alana como amicus curiae, argumentou: "A propaganda que se dirige a uma criança de cinco anos, que condiciona a venda do relógio à compra de biscoitos, não é abusiva? O mundo caminha para frente. (...) O Tribunal da Cidadania deve mandar um recado em alto e bom som, que as crianças serão, sim, protegidas." Proteção à criança O ministro Humberto Martins, relator do recurso, deixou claro no voto que "o consumidor não pode ser obrigado a adquirir um produto que não deseja". Segundo S. Exa., trata-se no caso de uma "simulação de um presente, quando na realidade se está condicionando uma coisa à outra". Concluindo como perfeitamente configurada a venda casada, afirmou ser "irretocável" o acórdão do TJ/SP que julgou procedente a ACP. http://www.crianca.mppr.mp.br/arquivos/File/juris/consumidor/acordao_tjsp_apelacao_pandurata_alimentos_08_05_2013.pdf 46 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância O ministro Herman Benjamin, considerado uma grande autoridade no tribunal em Direito do Consumidor, foi o próximo a votar, e seguiu com veemência o relator: "O julgamento de hoje é histórico e serve para toda a indústria alimentícia. O STJ está dizendo: acabou e ponto final. Temos publicidade abusiva duas vezes: por ser dirigida à criança e de produtos alimentícios. Não se trata de paternalismo sufocante nem moralismo demais, é o contrário: significa reconhecer que a autoridade para decidir sobre a dieta dos filhos é dos pais. E nenhuma empresa comercial e nem mesmo outras que não tenham interesse comercial direto, têm o direito constitucional ou legal assegurado de tolher a autoridade e bom senso dos pais. Este acórdão recoloca a autoridade nos pais." Herman afirmou ter ficado impressionado com o nome da campanha (Gulosos), que incentiva o consumo dos produtos em tempos de altos índices de obesidade. Por sua vez, o ministro Mauro Campbell fez questão de ressaltar que o acórdão irá consignar a proteção da criança como prioridade, e não o aspecto econômico do caso. Campbell lembrou, como sustentado da tribuna pela advogada Daniela Teixeira, que o Brasil é o único país que tem em sua Carta Magna dispositivo que garante prioridade absoluta às necessidades das crianças, em todas as suas formas. A decisão do colegiado foi unânime, tendo a presidente, ministra Assusete Magalhães, consignado que o caso é típico de publicidade abusiva e venda casada, mas a situação se agrava por ter como público-alvo a criança. A desembargadora convocada Diva Malerbi destacou que era um orgulho participar de tão importante julgamento. A turma concluiu pela abusividade de propaganda que condicionava a compra de um relógio de um personagem infantil à aquisição de cinco biscoitos. E não ficou por aí a decisão. Com efeito, os ministros assentaram que a publicidade dirigida às crianças ofende a Constituição e o CDC. Processo relacionado REsp 1.558.086 Disponível em:http://www.crianca.mppr.mp.br/modules/noticias/article.php?storyid=1352, Síntese: Neste texto você verificou, principalmente, os conceitos de consumidor e fornecedor; Aprendeu quais são os direitos do consumidor e que a informação deve ser sempre clara e verdadeira; Verificou a diferença entre publicidade enganosa e abusiva. http://www.crianca.mppr.mp.br/modules/noticias/article.php?storyid=1352 47 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 7. DIREITO PENAL Objetivo O objetivo deste texto é conceituar e abordar aspectos relevantes e introdutórios do direito penal. Você sabe qual é o objeto do direito penal? Para Gisele Mendes Pereira(2012, p. 16) “a específica função do direito penal é a proteção dos bens jurídicos eleitos pelo legislador como indispensáveis à vida em sociedade”. Sergio Pinto Martins (2015, p. 192) diz que “o direito penal vai tipificar os crimes e estabelecer as penas pela transgressão da legislação”. O direito penal, na lição de Paulo Bueno (2012, p. 1), “representa o ramo da ciência jurídica cuja nota característica é disciplinar a conduta humana por meio da ameaça de imposição da pena”. Assim sendo, adotando os conceitos supracitados, cabe ao direito penal tipificar os crimes e disciplinar a conduta humana por meio da ameaça ou da imposição da pena. A Constituição Federal e o Código Penal estabelecem regras a respeito dessa matéria. Alguns exemplos estão no artigo 5º, da Carta Magna: Vamos verificar? O Art. 5º, da Constituição Federal, dispõe que: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; 48 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal; XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu; XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais; XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei; XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem; XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático; XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido; XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes: a) privação ou restrição da liberdade; b) perda de bens; c) multa; d) prestação social alternativa; e) suspensão ou interdição de direitos; XLVII - não haverá penas: a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX; b) de caráter perpétuo; c) de trabalhos forçados; d) de banimento; e) cruéis; XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado; XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral; L - às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período de amamentação; O Código Penal também garante, no artigo 1º, que: Art. 1º - Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal. 49 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 7.1. Exemplificando 1: E.G.de S. foi denunciado como incurso nas penas do artigo 1º, inciso I, alínea “a”, cumulado com parágrafo 4º, inciso I, da Lei 9.455/97 (Lei de Tortura), acusado de ter, no dia 24 de maio de 1996, na qualidade de policial civil lotado na Delegacia Policial de Repressão ao Narcotráfico, praticado o crime de tortura contra C. dos S., constrangendo-a com emprego de violência física e causando-lhe grave sofrimento físico e mental, com a finalidade de que a referida senhora confessasse prática de delito de tráfico de entorpecente. Concluída a instrução criminal, E. G. de S. foi condenado, nos termos da denúncia, à pena definitiva de 05 (cinco) anos e 04 (quatro) meses de reclusão. Inconformado, o acusado apelou da decisão alegando que não foi observado o artigo 1º, do Código Penal. Sustentou que foi condenado por crime ocorrido no dia 24 de maio de 1996, antes, portanto, da existência da Lei 9.455, de 7 de abril de 1997. O Tribunal acolheu os argumentos do Apelante, nos seguintes termos: “em que pese a gravidade da conduta atribuída ao Apelante E. G. de S., a Lei 9.455 que definiu o crime de tortura somente entrou em vigor no dia 08 de abril de 1997, ou seja, quase um ano após o fato descrito na denúncia, que teria sido praticado em 24 de maio de 1996. A condenação por fato atribuído ao Apelante antes da vigência da Lei de Tortura desrespeita cláusula pétrea constitucional, prevista no artigo 5º, inciso XXXIX, que determina que ‘não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal’. Do Princípio da Anterioridade decorre que a lei penal só pode retroagir em benefício do réu, nunca para lhe imputar conduta ou pena mais gravosa que a praticada”. No que diz respeito à Lei Penal no Tempo, o Código Penal reza que: Lei penal no tempo Art. 2º - Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória. Parágrafo único - A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica- se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado. 7.2. Exemplificando 2: “No dia 17 de março de 2007, sábado, por volta das 13h30min, na via pública da M-3 Norte, Ceilândia/DF, o denunciado, agindo de forma livre e consciente, conduzia veículo automotor sob a influência de álcool, expondo a dano potencial a incolumidade de outrem. Devido ao seu estado de embriaguez e de absoluta falta de condições para condução do veículo, por inobservância das regras e condições de tráfego, veio a abalroar a traseira do veículo, que na ocasião seguia a sua frente. 50 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Ato contínuo, evadindo-se do local, no que foi seguido pelo outro condutor, o denunciado, poucos minutos após se envolver no primeiro acidente e de igual modo, veio a abalroar a traseira do veículo VW/Kombi, que também seguia à sua frente. Após esta segunda colisão, o denunciado parou seu FIAT/Uno e, saindo do carro cambaleando, procurou se evadir a pé e tentou se refugiar em residências próximas, munido de uma faca e um pedaço de madeira e ameaçando a todos que tentavam se aproximar dele. Acionada uma viatura da Polícia Militar, foi possível sua contenção e condução à Autoridade Policial para a lavratura do auto de prisão em flagrante. Nas duas colisões somente houve danos materiais nos veículos, não resultando qualquer tipo de lesão corporal nos envolvidos. O MM. Juízo da Primeira Vara Criminal da Circunscrição Judiciária de Ceilândia-DF julgou procedente a pretensão punitiva estatal para condenar o réu nas sanções do artigo 306 da Lei 9.503/1997, aplicando-lhe as penas de 02 (dois) anos e 06 (seis) meses de detenção, no regime inicial semiaberto, e 290 (duzentos e noventa) dias-multa, no valor mínimo legal, além de decretar a suspensão ou proibição de obtenção da permissão ou habilitação para dirigir veículo automotor pelo prazo de 03 (três) anos e 10 (dez) meses. Ao condenado foi negada a substituição da pena privativa de liberdade por pena restritiva de direitos, sob o fundamento de ser o agente reincidente e por não ser a medida socialmente recomendável, em razão dos antecedentes e da personalidade. Além disso, foi decretada a prisão preventiva do condenado. Inconformada, a Defesa, tempestivamente, interpôs apelação criminal. O Tribunal acolheu as razões do denunciado, nos seguintes termos: Conforme consta dadenúncia, o fato em exame foi cometido no dia 17 de março de 2007. Nessa data, o art. 306 do Código de Trânsito Brasileiro apresentava a seguinte redação: “Art. 306. Conduzir veículo automotor, na via pública, sob a influência de álcool ou substância de efeitos análogos, expondo a dano potencial a incolumidade de outrem: Pena - detenção, de seis meses a três anos, multa e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.” Com a entrada em vigor da Lei nº 11.705/2008, no dia 16 de junho de 2008, o art. 306 do Código de Trânsito Brasileiro passou a dispor: “Art. 306. Conduzir veículo automotor, na via pública, estando com concentração de álcool por litro de sangue igual ou superior a 6 (seis) decigramas, ou sob a influência de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência: Pena - detenção, de seis meses a três anos, multa e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.” Observa-se que a lei vigente à época em que ocorreram os fatos descritos na denúncia não estipulava uma concentração específica de álcool por litro de sangue para que se configurasse o crime de condução de veículo sob a influência de álcool. A sentença foi proferida sob a égide da redação anterior. http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10588486/artigo-306-da-lei-n-9503-de-23-de-setembro-de-1997 http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91797/código-de-trânsito-brasileiro-lei-9503-97 http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10588486/artigo-306-da-lei-n-9503-de-23-de-setembro-de-1997 http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91797/código-de-trânsito-brasileiro-lei-9503-97 http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/93536/lei-do-álcool-lei-11705-08 http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10588486/artigo-306-da-lei-n-9503-de-23-de-setembro-de-1997 http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91797/código-de-trânsito-brasileiro-lei-9503-97 http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91797/código-de-trânsito-brasileiro-lei-9503-97 51 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância No entanto, com o advento da Lei nº 11.705/2008, passou o Código de Trânsito Brasileiro a exigir uma quantidade mínima de álcool por litro de sangue para a configuração do referido crime, qual seja, 06 (seis) decigramas. Após o advento da referida lei, portanto, somente comente o crime previsto no artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro quem conduz veículo estando com concentração de álcool por litro de sangue igual ou superior a 06 (seis) decigramas ou, ainda, sob influência de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência. A lei nova, em que pese o objetivo de dar um efeito mais abrangente ao tipo penal, acabou por limitar a incidência da norma aos casos em que efetivamente houve a aferição do teor alcoólico no sangue do condutor, o que somente é possível mediante utilização de “bafômetro” ou de exame de dosagem etílica no sangue. Trata-se, no caso, de lei mais benéfica que, nos termos do art. 5º, inciso XL, da Constituição Federal, deve retroagir para alcançar as condutas praticadas ainda sob a vigência da redação anterior do artigo 306 do Código Brasileiro, tornando atípicas as condutas quando não aferida a concentração de álcool no sangue do condutor por meio técnico, prova que não pode ser suprida pela comprovação indireta. Disponível em http://tj-df.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/5764478/apr-apr-66937820078070003-df- 0006693-7820078070003/inteiro-teor-101953243, Entendeu? Vamos fazer um teste? Leia a questão abaixo e responda: Questão de concurso: (FCC – 2008 – MPE-RS – Secretário de Diligências Simulado TJPA) Tício praticou um delito, foi processado e condenado. Um dia após o trânsito em julgado da sentença condenatória, uma lei nova, mantendo a mesma descrição do fato delituoso, modificou a pena cominada para esse delito. Nesse caso, (a) Aplica-se sempre a lei nova, se o agente ainda não tiver cumprido a pena imposta. (b) Não se aplica a lei nova, por já ter ocorrido o trânsito em julgado da sentença. (c) Aplica-se a lei nova, ainda que imponha sanção mais severa. (d) Aplica-se a lei nova, se for mais benéfica ao autor do delito. (e) Não se aplica a lei nova em razão do princípio constitucional da anterioridade da lei penal. Resposta: “d” http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10641516/artigo-5-da-constituição-federal-de-1988 http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10729247/inciso-xl-do-artigo-5-da-constituição-federal-de-1988 http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/155571402/constituição-federal-constituição-da-republica-federativa-do-brasil-1988 http://tj-df.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/5764478/apr-apr-66937820078070003-df-0006693-7820078070003/inteiro-teor-101953243 http://tj-df.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/5764478/apr-apr-66937820078070003-df-0006693-7820078070003/inteiro-teor-101953243 52 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Acertou? Aplica-se a lei nova, se for mais benéfica ao autor do delito. A lei pode retroagir para beneficiar o réu. O Código Penal estabelece, ainda, que: Lei excepcional ou temporária Art. 3º - A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua vigência. Tempo do crime Art. 4º - Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do resultado. Gisele Mendes Pereira (2012, p. 49) justifica que “é preciso saber qual é o tempo do crime, ou seja, a data em que se considera praticado para a aplicação da lei penal a seu autor”. E por que é tão importante esse tempo? Gisele Pereira (2012, p. 49) continua explicando que: A necessidade de se estabelecer o tempo do crime decorre dos problemas que podem surgir para a aplicação da lei penal, como nas hipóteses de se saber qual lei deve ser aplicada (se foi cometido durante a vigência da lei anterior ou posterior) e, nos casos de imputabilidade (saber se no tempo do crime o agente era imputável ou não), da anistia (concedida geralmente com relação a crimes praticados até determinada data), da prescrição (data em que se começa a contar o prazo), etc. Existem teorias a respeito: a) Teoria da atividade considera como tempo do crime o momento da conduta (ação ou omissão). Assim, por exemplo, o momento do crime é aquele no qual o agente efetua os disparos contra a vítima, mesmo que ela venha a morrer em momento posterior; O Código Penal adotou a teoria da atividade na medida em que define o tempo do crime no art. 4º: “Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do resultado”. b) teoria do resultado considera tempo do crime o momento de sua consumação, não importando a ocasião em que o agente praticou a ação. Assim, no caso do homicídio, por exemplo, seria o momento da morte da vítima; c) teoria mista ou da ubiquidade considera como tempo do crime tanto o momento da conduta quanto o do resultado. No caso do homicídio poderia ser tanto o momento em que ocorreram os disparos de arma de fogo, quanto aquele no qual ocorreu a morte da vítima. Outro tópico relevante é a territorialidade prevista no artigo 5º, do Código Penal. Se o crime foi cometido no território nacional a lei brasileira deverá ser aplicada ao caso. E o que é território? Gisele Pereira (2012, p. 52) explica: Em sentido amplo, para efeito de aplicação da lei penal, o Código Penal consigna o que se deve entender como extensão do território nacional. Resumidamente, o território nacional, para efeitos penais, deve ser entendido em seu sentido jurídico. É o espaço terrestre, fluvial, marítimo e aéreo no qual é exercida a soberania nacional. 53 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Sabendo disso, leia o artigo 5º: Territorialidade Art. 5º - Aplica-se a leibrasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito internacional, ao crime cometido no território nacional. § 1º - Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do território nacional as embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro onde quer que se encontrem, bem como as aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, que se achem, respectivamente, no espaço aéreo correspondente ou em alto-mar. § 2º - É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou embarcações estrangeiras de propriedade privada, achando-se aquelas em pouso no território nacional ou em voo no espaço aéreo correspondente, e estas em porto ou mar territorial do Brasil. No tocante ao lugar do crime, o Código Penal determina que: Lugar do crime Art. 6º - Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado. E, ainda, estabelece no artigo 7º, que ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro, os seguintes crimes: Extraterritorialidade Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro: I - os crimes: a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República; b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado, de Território, de Município, de empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público; c) contra a administração pública, por quem está a seu serviço; d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil; II - os crimes: a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir; b) praticados por brasileiro; c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, quando em território estrangeiro e aí não sejam julgados. § 1º - Nos casos do inciso I, o agente é punido segundo a lei brasileira, ainda que absolvido ou condenado no estrangeiro. § 2º - Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasileira depende do concurso das seguintes condições: a) entrar o agente no território nacional; b) ser o fato punível também no país em que foi praticado; c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição; d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena; e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não estar extinta a punibilidade, segundo a lei mais favorável. § 3º - A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, se, reunidas as condições previstas no parágrafo anterior: a) não foi pedida ou foi negada a extradição; b) houve requisição do Ministro da Justiça. 54 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo mesmo crime quando, diversas, ou nela é computada, quando idênticas. Leia o artigo 8º: Pena cumprida no estrangeiro Art. 8º - A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo mesmo crime, quando diversas, ou nela é computada, quando idênticas. Síntese: Neste texto você aprendeu qual é o objeto de estudo do direito penal; Verificou que a Constituição Federal garante aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, entre outros, nos seguintes termos: o ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; o não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal; o a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu; Compreendeu, ainda, que se considera praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado. 55 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 8. DIREITO ADMINISTRATIVO Objetivo O Objetivo deste texto é conceituar o direito administrativo e abordar alguns tópicos relevantes dessa área do direito. José Cretella Jr. (1991, p. 31)14 diz que Direito Administrativo é “o ramo do Direito Público interno que regula a atividade das pessoas jurídicas e a instituição de meios e os órgãos relativos à ação dessas pessoas”. Gustavo Scatolino e João Trindade (2016, p. 31), por sua vez, estabelecem a relevância do estudo do direito administrativo da seguinte forma: O estudo do Direito Administrativo é pressuposto para o de outras matérias ou, ao menos, para sua devida compreensão. Ao se estudar, por exemplo, finanças públicas, a Constituição, por diversas vezes, faz referência aos institutos do Direito Administrativo, mencionando Administração Direta, Indireta e demais órgãos e entidades públicas. É matéria que tem estreita relação com o Direito Constitucional, pois, na Carta de 1988, foi destinado capítulo específico à ‘Administração Pública; com o Direito Processual Civil, pois, com o advento da Lei 9.784/99, foram emprestados diversos institutos ao processo administrativo; com o Direito Penal, pois existem tipos penais previstos, como, por exemplo, ‘Crimes contra a Administração Pública’; o Direito Tributário tem sua base no Direito Administrativo e, por vezes, completa-o, como por exemplo, o conceito de poder de polícia, presente no artigo 78, do CTN. É também, a partir do Direito Administrativo, que se compreendem melhor diversos temas discutidos pelos veículos de comunicação: Privatização, fiscalização, poder de polícia, abuso de poder, irregularidades em obras públicas, moralidade administrativa, responsabilidade do Estado em razão dos danos causados, etc. Trata-se de matéria que não possui codificação. Ao contrário de muitos ramos do direito, a exemplo do Direito Penal e Direito Civil. O Direito Administrativo não contém legislação reunida em um único documento. O que há são várias leis esparsas tratando de matérias específicas. A partir desses esclarecimentos, vamos verificar os princípios que norteiam a administração pública? O artigo 37, da Constituição Federal, dispõe que: “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência...”. 14 Apud Se rg io P in to Mar t ins (2015, p . 115 ) 56 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Então, para falarmos desses princípios, antes, vamos verificar o que significa “administração pública direita” e “indireta”? Sergio Pinto Martins (2015, p. 115) afirma que “Administração Pública Direta compreende serviços prestados pela própria Administração e se confunde com o Poder Executivo, seus ministérios, secretarias, etc.” A Administração Pública indireta, continua o autor: É composta pelas sociedades de economia mista, pelas empresas públicas que exploram atividade econômica, pelas fundações públicas e pelas autarquias. O Decreto-Lei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967, que dispõe sobre a organização da Administração Federal, estabelece no artigo 5º que, “para fins desta lei, considera-se”: I - Autarquia - o serviço autônomo, criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio e receita próprios, para executar atividades típicas da Administração Pública, que requeiram, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira descentralizada. II - EmpresaPública - a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, com patrimônio próprio e capital exclusivo da União, criado por lei para a exploração de atividade econômica que o Governo seja levado a exercer por força de contingência ou de conveniência administrativa podendo revestir-se de qualquer das formas admitidas em direito. III - Sociedade de Economia Mista - a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, criada por lei para a exploração de atividade econômica, sob a forma de sociedade anônima, cujas ações com direito a voto pertençam em sua maioria à União ou a entidade da Administração Indireta. IV - Fundação Pública - a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, criada em virtude de autorização legislativa, para o desenvolvimento de atividades que não exijam execução por órgãos ou entidades de direito público, com autonomia administrativa, patrimônio próprio gerido pelos respectivos órgãos de direção, e funcionamento custeado por recursos da União e de outras fontes. Exemplificando: AUTARQUIA O Banco Central do Brasil (BCB) é uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Fazenda, com sede e foro na Capital da República e atuação em todo o território nacional. Foi criado pela Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964. A Agência Nacional de Aviação Civil – ANAC é entidade integrante da Administração Pública Federal indireta, submetida a regime autárquico especial, vinculada ao Ministério da Defesa, com prazo de duração indeterminado. Foi criada pela Lei nº 11.182, de 27 de setembro de 2005. http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/DEL%20200-1967?OpenDocument http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/DEL%20200-1967?OpenDocument http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/DEL%20200-1967?OpenDocument http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/DEL%20200-1967?OpenDocument http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/DEL%20200-1967?OpenDocument http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/DEL%20200-1967?OpenDocument http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/DEL%20200-1967?OpenDocument http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/DEL%20200-1967?OpenDocument http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/DEL%20200-1967?OpenDocument http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/DEL%20200-1967?OpenDocument http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/DEL%20200-1967?OpenDocument http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/DEL%20200-1967?OpenDocument http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/DEL%20200-1967?OpenDocument http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/DEL%20200-1967?OpenDocument http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/DEL%20200-1967?OpenDocument http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/DEL%20200-1967?OpenDocument http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/DEL%20200-1967?OpenDocument http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/DEL%20200-1967?OpenDocument http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/DEL%20200-1967?OpenDocument http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/DEL%20200-1967?OpenDocument http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/DEL%20200-1967?OpenDocument http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/DEL%20200-1967?OpenDocument 57 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância EMPRESA PÚBLICA A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Santos) é uma empresa pública municipal criada em 13 de dezembro de 1994 pela Lei Nº 1.366 e reorganizada em janeiro de 1998 pela Lei Complementar Nº 299. Com a aprovação do Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9.503/97), a CET passou a ser responsável pelo gerenciamento, planejamento, educação, operação e fiscalização do trânsito, além do gerenciamento do transporte público municipal. A empresa pública Amazônia Azul Tecnologias de Defesa S.A. - Amazul, vinculada ao Ministério da Defesa por meio do Comando da Marinha, foi criada pelo Decreto nº 7.898, de 1º de fevereiro de 2013. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA O Banco do Brasil S.A., pessoa jurídica de direito privado, sociedade de economia mista, organizado sob a forma de banco múltiplo, rege-se por este Estatuto e pelas disposições legais que Ihe sejam aplicáveis. O prazo de duração da Sociedade é indeterminado. A “Progresso e Desenvolvimento de Santos – PRODESAN, sociedade de economia mista. Foi criada pela Lei Municipal nº 3133, de 2 de julho de 1965. FUNDAÇÃO PÚBLICA A Lei nº 10.071 de 10 de abril de 1968, do Estado de São Paulo, instituiu a Fundação Para o Remédio Popular - FURP -, entidade civil, com prazo de duração indeterminado. Fundação Jorge Duprat Figueiredo, de Segurança e Medicina do Trabalho - FUNDACENTRO, instituída na forma da Lei n o 5.161, de 21 de outubro de 1966, com prazo de duração indeterminado, com sede e foro na cidade de São Paulo, vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego. 58 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância A partir dessas informações, vamos voltar ao artigo 37? O artigo 37 da Constituição Federal determina que a administração pública obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. O que isso quer dizer? Fábio Bellote Gomes (2006, p. 9) explica cada um deles: Princípio da Legalidade A Administração Pública e seus agentes devem sempre atuar em conformidade com a lei aplicável. Aqui, o conceito de lei tem caráter genérico, na medida em que engloba todo e qualquer ato normativo (lei ordinária, lei complementar, decreto, resolução, portaria etc), sendo que a desconformidade do ato administrativo com a lei aplicável implica a sua invalidade, respondendo o seu autor pela infração cometida. Assim, a Administração Pública e seus agentes somente podem praticar determinado ato administrativo se autorizado por lei, diversamente do administrado, em relação ao qual tudo o que não é expressamente proibido é, em sentido negativo, permito. Nesse mesmo sentido, dispõe o art. 5º, II, da Constituição Federal, ao definir que ‘ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei’. Em resumo, para Administração Pública a legalidade é estrita; para os administrados, é ampla. Princípio da Impessoalidade De acordo com este princípio, a atuação da Administração Pública deve sempre se dar de forma impessoal, dirigida a todos os administrados em geral, sem discriminação de qualquer natureza. Por isso, é vedado à Administração Pública criar distinções ou privilégios não previstos expressamente em lei, de modo que os atos administrativos não podem ser elaborados ou praticados com a finalidade de propiciar benefício ou prejuízo a determinado administrado. Para alguns estudiosos do Direito Administrativo, inclusive, o princípio da impessoalidade é considerado como decorrente do próprio princípio da igualdade ou isonomia, previsto no art. 5º, caput, da Constituição Federal. Princípio da Moralidade Toda sociedade possui padrões morais destinados a nortear as condutas humanas, a partir de variadas concepções existenciais. Assim, em termos sociais, um padrão moral pode ser ditado, por exemplo, por uma religião ou por uma ideologia política. No âmbito da Administração Pública, entretanto, o conceito de moralidade assume um caráter mais técnico. Trata-seaqui da chamada moralidade administrativa, que é o conjunto de princípios ou padrões morais que norteiam a conduta dos agentes públicos no exercício de suas funções e a prática dos atos administrativos. (...) A moralidade administrativa encerra em si outro conceito essencial à Administração Pública: o de probidade administrativa. A palavra probidade, originária do latim probus (honesto), refere-se ao padrão de honestidade e lisura que é esperado dos agentes públicos no exercício de suas funções administrativa, notadamente aquelas relacionadas à gestão do patrimônio público. Princípio da Publicidade A publicidade é um elemento que, em princípio, deve envolver todos os atos da Administração Pública. Por isso, é obrigatória a divulgação na imprensa oficial (Diários Oficiais da União, dos estados, dos municípios e do Distrito Federal) dos atos, contratos e outros 59 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância instrumentos celebrados pela Administração Pública direta e indireta, para conhecimento, controle e início de seus efeitos. (...) A publicidade de que se trata aqui, como se percebe, resulta de uma presunção de conhecimento público, por parte dos administrados, dos atos praticados pela Administração Pública, caracterizando-se, em princípio, como essencial à validade e eficácia dos atos administrativos. Princípio da Eficiência Introduzido no ordenamento jurídico pátrio pela Emenda Constitucional n. 19, de 04.06.1998, o princípio da eficiência impõe à Administração Pública e a seus agentes o dever de desempenhar suas funções com rapidez, perfeição e rendimento compatíveis, de modo a satisfazer os anseios dos administrados. Assim, quando se fala em rapidez, significa que a Administração Pública não pode retardar indevidamente a prática de seus atos. A perfeição traduz-se pela observância dos corretos padrões técnicos fixados para a prestação de determinado serviço público. Por fim, o rendimento se verifica pelo exato equilíbrio na relação custo-benefício na prática de determinado ato administrativo. O conceito de eficiência é característico das empresas privadas, em que a busca do lucro constitui a finalidade principal, daí a importância da eficiência nesse setor. Na Administração Pública, por sua vez, a finalidade precípua (senão exclusiva) é a satisfação do interesse público. Disso resulta que o padrão de eficiência a ser exigido dela deve ser distinto daquele preconizado para a atividade empresarial, sob pena de sua inadequação ao modelo de Administração Pública existente no Brasil. Síntese: Neste texto você aprendeu o objetivo do direito administrativo; Verificou que a Administração Pública Direta compreende serviços prestados pela própria Administração e se confunde com o Poder Executivo, seus ministérios, secretarias etc”. E que a Administração Pública indireta é composta pelas sociedades de economia mista, pelas empresas públicas que exploram atividade econômica, pelas fundações públicas e pelas autarquias. Conheceu os princípios que norteiam a administração pública. 60 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 9. DIREITO AMBIENTAL Objetivo O objetivo deste texto é abordar tópicos relevantes relacionados ao direito ambiental. Você sabia que a Constituição Federal tem um capítulo destinado ao Meio Ambiente? Isso mesmo?! Dispõe o artigo 225 da Carta Magna que: CAPÍTULO VI DO MEIO AMBIENTE Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. § 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público: I - preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas; II - preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético; III - definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção; IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade; V - controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente; VI - promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente; VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade. (grifei) VIII - manter regime fiscal favorecido para os biocombustíveis e para o hidrogênio de baixa emissão de carbono, na forma de lei complementar, a fim de assegurar- lhes tributação inferior à incidente sobre os combustíveis fósseis, capaz de garantir 61 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância diferencial competitivo em relação a estes, especialmente em relação às contribuições de que tratam o art. 195, I, "b", IV e V, e o art. 239 e aos impostos a que se referem os arts. 155, II, e 156-A. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) § 2º Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei. § 3º As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados. § 4º A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-se- á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais. § 5º São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados, por ações discriminatórias, necessárias à proteção dos ecossistemas naturais. § 6º As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização definida em lei federal, sem o que não poderão ser instaladas. § 7º Para fins do disposto na parte final do inciso VII do § 1º deste artigo, não se consideram cruéis as práticas desportivas que utilizem animais, desde que sejam manifestações culturais, conforme o § 1º do art. 215 desta Constituição Federal, registradas como bem de natureza imaterial integrante do patrimônio cultural brasileiro, devendo ser regulamentadas por lei específica que assegure o bem-estar dos animais envolvidos. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 96, de 2017) (grifei) Dessa forma, a preocupação com o meio ambiente não fica restrita ao presente, mas, também, às futuras gerações, como mencionado no caput do artigo 225. Como bem destaca Carlos Alberto Lunelli, no Capítulo que trata do Direito Ambiental e Novos Direitos, na obra Direito Ambiental e Sociedade (2015, p. 11): Em tempos com este, de mudanças climáticas e acaloradas discussões sobre os seus efeitos, a atenção da humanidade sobre a questão ambiental ganha maior importância. Do Brasil, pela sua extensão e riqueza em recursos naturais, espera- se ainda mais. A legislação protetiva ambiental representou um passo importante na afirmação e no reconhecimento desse direito que é de todos. A dificuldade e o desafio, no entanto, escondem-sepor trás do problema da efetividade, ainda mais num terreno como o ambiental, em que o discurso jurídico faz pouco efeito, brocardos de nada valem e as políticas públicas parecem incapazes de evitar o desmatamento voraz, a extinção de espécies, a agregação urbana desordenada e a supremacia do valor econômico sobre o bem ambiental. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc132.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc132.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc96.htm 62 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Por isso, para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público, entre outras obrigações, promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente. A lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, que trata das sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, determina que no artigo 2º e seguintes que: Art. 2º Quem, de qualquer forma, concorre para a prática dos crimes previstos nesta Lei, incide nas penas a estes cominadas, na medida da sua culpabilidade, bem como o diretor, o administrador, o membro de conselho e de órgão técnico, o auditor, o gerente, o preposto ou mandatário de pessoa jurídica, que, sabendo da conduta criminosa de outrem, deixar de impedir a sua prática, quando podia agir para evitá- la. Art. 3º As pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa, civil e penalmente conforme o disposto nesta Lei, nos casos em que a infração seja cometida por decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse ou benefício da sua entidade. Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas físicas, autoras, coautoras ou partícipes do mesmo fato. Art. 4º Poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente. Heráclito Antônio Mossin (2015, p. 8) ressalta no tocante ao artigo 2º supracitado que: A primeira parte do artigo repete o que se encontra esculpido no art. 29 do Código Penal. Cada autor, coautor ou partícipe receberá a pena dentro do grau de censurabilidade, na medida de sua reprovabilidade. (...) Autor é quem realiza a ação criminosa que configura o fato punível, é aquele que executa o núcleo do tipo (p. ex.: caçar – art. 29, impedir – art. 48, desmatar – art. 50-A, Lei 9.605/98). Coautor é quem executa, juntamente com outros, a ação ou omissão que configura o delito (p. ex.: Tício e Caio caçam espécimes de fauna silvestre; Fernando e Joel degradam floresta). Na coautoria há uma cooperação de trabalho entre os delinquentes. Juntos, eles concentram suas ações visando ao cometimento do fato típico. Há, dessa maneira, a conjugação de forças direcionadas a um fim comum, que é a transgressão do tipo penal ambiental. A Lei n. 9.605/98, elenca, ainda, nos artigos 14 e 15, respectivamente, as circunstâncias que atenuam e agravam a pena: Art. 14. São circunstâncias que atenuam a pena: I - baixo grau de instrução ou escolaridade do agente; II - arrependimento do infrator, manifestado pela espontânea reparação do dano, ou limitação significativa da degradação ambiental causada; III - comunicação prévia pelo agente do perigo iminente de degradação ambiental; IV - colaboração com os agentes encarregados da vigilância e do controle ambiental. 63 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Art. 15. São circunstâncias que agravam a pena, quando não constituem ou qualificam o crime: I - reincidência nos crimes de natureza ambiental; II - ter o agente cometido a infração: a) para obter vantagem pecuniária; b) coagindo outrem para a execução material da infração; c) afetando ou expondo a perigo, de maneira grave, a saúde pública ou o meio ambiente; d) concorrendo para danos à propriedade alheia; e) atingindo áreas de unidades de conservação ou áreas sujeitas, por ato do Poder Público, a regime especial de uso; f) atingindo áreas urbanas ou quaisquer assentamentos humanos; g) em período de defeso à fauna; h) em domingos ou feriados; i) à noite; j) em épocas de seca ou inundações; l) no interior do espaço territorial especialmente protegido; m) com o emprego de métodos cruéis para abate ou captura de animais; n) mediante fraude ou abuso de confiança; o) mediante abuso do direito de licença, permissão ou autorização ambiental; p) no interesse de pessoa jurídica mantida, total ou parcialmente, por verbas públicas ou beneficiada por incentivos fiscais; q) atingindo espécies ameaçadas, listadas em relatórios oficiais das autoridades competentes; r) facilitada por funcionário público no exercício de suas funções. Exemplificando: Queda da Barragem da Samarco. Você lembra desse caso? Aconteceu em novembro de 2015?! Ocorreu um dano ambiental e pessoas morreram. Quem responderá? Quem indenizará? Ações foram propostas visando a reparação do meio ambiente e dos danos causados às pessoas. A Polícia Civil de Minas Gerais pediu, inclusive, a prisão preventiva dos envolvidos. Leia as reportagens abaixo: Brumadinho: acordo de US$ 55,9 milhões encerrará ação contra a Vale https://exame.com/invest/mercados/brumadinho-acordo-de-us-559-milhoes- encerrara-acao-contra- vale/?utm_source=copiaecola&utm_medium=compartilhamento, acesso em 14/03/2025. Vale e BHP divulgam nota conjunta sobre esforços de compensação de Mariana https://www.infomoney.com.br/mercados/vale-e-bhp-divulgam-nota-conjunta- sobre-esforcos-de-compensacao-de-mariana/, acesso em 13/05/2025. https://exame.com/invest/mercados/brumadinho-acordo-de-us-559-milhoes-encerrara-acao-contra-vale/?utm_source=copiaecola&utm_medium=compartilhamento https://exame.com/invest/mercados/brumadinho-acordo-de-us-559-milhoes-encerrara-acao-contra-vale/?utm_source=copiaecola&utm_medium=compartilhamento https://exame.com/invest/mercados/brumadinho-acordo-de-us-559-milhoes-encerrara-acao-contra-vale/?utm_source=copiaecola&utm_medium=compartilhamento https://www.infomoney.com.br/mercados/vale-e-bhp-divulgam-nota-conjunta-sobre-esforcos-de-compensacao-de-mariana/ https://www.infomoney.com.br/mercados/vale-e-bhp-divulgam-nota-conjunta-sobre-esforcos-de-compensacao-de-mariana/ 64 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Diante disso, é certo que cabe ao Poder Público e à coletividade o dever de defender e preservar o meio ambiente para as presentes e futuras gerações e que, quem, de qualquer forma, concorrer para a prática dos crimes previstos na Lei 9.605/98, incidirá nas penas a estes cominadas, na medida da sua culpabilidade, bem como o diretor, o administrador, o membro de conselho e de órgão técnico, o auditor, o gerente, o preposto ou mandatário de pessoa jurídica, que, sabendo da conduta criminosa de outrem, deixar de impedir a sua prática, quando podia agir para evitá-la. Síntese: Neste texto você aprendeu que a Constituição Federal destina um capítulo ao Meio Ambiente e que cabe ao Poder Público e à coletividade o dever de defender e preservar o meio ambiente para as presentes e futuras gerações; A Lei 9.605/98 dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. 65 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância BUENO, PAULO AMADOR THOMAZ ALVES DA CUNHA. DIREITO PENAL: PARTE GERAL. BARUERI, SP: MANOEL, 2012. COELHO, FÁBIO ULHOA. CURSO DE DIREITO COMERCIAL, VOLUME I: DIREITO DE EMPRESA. 18ª ED. SÃO PAULO: SARAIVA, 2014. LISBOA, ROBERTO SENISE. DIREITO CIVIL DE A A Z. BARUERI, SP: MANOLE, 2008. LUZ, VALDEMAR P. DA; SOUZA, SYLVIO CAPANEMA DE. DICIONÁRIOENCICLOPÉDICO DE DIREITO. BARUERI, SP: MANOLE, 2015. FULLER. LON L. O CASO DOS EXPLORADORES DE CAVERNAS. TRAD. E NOTAS RICARDO RODRIGUES GAMA. 1ª. ED. EBOOK. CAMPINAS/SP: RUSSELL EDITORES. 2013. GLASENAPP, RICARDO. INTRODUÇÃO AO DIREITO. BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA PEARSON. SÃO PAULO> PEARSON EDUCATION DO BRASIL, 2014. GOMES, FÁBIO BELLOTE. ELEMENTOS DE DIREITO ADMINISTRATIVO. BARUERI, SP: MANOLE, 2006. MAMEDE, GLADSTON. MANUAL DE DIREITO EMPRESARIAL. 9ª ED. SÃO PAULO: ATLAS, 2015. MARTINS, SERGIO PINTO. INSTITUIÇÕES DE DIREITO PÚBLICO E PRIVADO. 15ª ED. SÃO PAULO: ATLAS, 2015. MESSA, ANA FLÁVIA. DIREITO CONSTITUCIONAL. 4ª. ED. SÃO PAULO: RIDEEL, 2016. MEZZOMO, CLARECI. INTRODUÇÃO AO DIREITO. CAXIAS DO SUL, RS: EDUCS, 2011. MOSSIN, HERÁCLITO ANTÔNIO. CRIMES ECOLÓGICOS: ASPECTOS PENAIS E PROCESSUAIS PENAIS: LEI N. 9.605/98. BARUERI, SP: MANOLE, 2015. NUNES, RIZZATTO. MANUAL DE INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO: COM EXERCÍCIOS PARA SALA DE AULA E LIÇÕES DE CASA. 12ª ED. REV. E AMPL. SÃO PAULO: SARAIVA, 2014. PEREIRA, GISELE MENDES. DIREITO PENAL I. CAXIAS DO SUL, RS: EDUCS, 2012. RAMOS, ANDRÉ LUIZ SANTA CRUZ. DIREITO EMPRESARIAL ESQUEMATIZADO. 5ª. ED. REV. ATUAL. E AMPL. RIO DE JANEIRO: FORENSE; SÃO PAULO: MÉTODO, 2015. RECH, ADIR UBALDO; MARIN, JEFERSON; AUGUSTIN, SÉRGIO. DIREITO AMBIENTAL E SOCIEDADE (RECURSO ELETRÔNICO). CAXIAS DO SIL, RS: EDUCS, 2015. RICCITELLI, ANTONIO. DIREITO CONSTITUCIONAL: TEORIA DO ESTADO E DA CONSTITUIÇÃO. 4ª. ED. REV. BARUEIRI, SP: MANOLE, 2007. SCARTOLINO, GUSTAVO; TRINDADE, JOÃO. MANUAL DE DIREITO ADMINISTRATIVO. 4ª ED. REV. AMPL. E ATUAL. SALVADOR: ED. JUSPODIVM, 2016. 66 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância SILVA, ROBERTO BAPTISTA DIAS DA. MANUAL DE DIREITO CONSTITUCIONAL. BARUERI, SP: MANOLE, 2007. VENERAL, DEBORA; ALCANTARA, SILVANO ALVES. DIREITO APLICADO. CURITIBA: INTERSABERES, 2014. WWW.TJSP.JUS.BR HTTP://MICHAELIS.UOL.COM.BR HTTPS://YOUTU.BE/NVDGP7XZL2W HTTP://EXAME.ABRIL.COM.BR HTTP://WWW.TURMINHA.MPF.MP.BR HTTP://WWW.PLANALTO.GOV.BR HTTPS://YOUTU.BE/XYWPFKNZL4E HTTP://G1.GLOBO.COM EPISÓDIO 1 – A HISTÓRIA DO DINHEIRO, DISPONÍVEL EM HTTPS://WWW.YOUTUBE.COM/WATCH?V=QH4VN0I1R6W, ACESSADO EM 10/06/2015. MANUAL DE REGISTRO DO EMPRESÁRIO INDIVIDUAL DISPONÍVEL EM HTTP://WWW.INSTITUCIONAL.JUCESP.SP.GOV.BR/EMPRESAS_MANUAIS .PHP, ACESSADO EM 23/10/17. HTTP://GUIADOESTUDANTE.ABRIL.COM.BR/IMAGEM/MAPA-FENICIOS- AH.JPG, ACESSADO EM 23/10/17 HTTP://WWW.BCB.GOV.BR/PT-BR/#!/N/ESTRUTURA HTTP://WWW.ANAC.GOV.BR/A_ANAC/INSTITUCIONAL HTTP://WWW.BB.COM.BR/PORTALBB/PAGE3,136,3508,0,0,1,8.BB?CODI GOMENU=203&CODIGONOTICIA=669&CODIGORET=824&BREAD=5 HTTP://WWW.CETSANTOS.COM.BR/ HTTP://WWW.PRODESAN.COM.BR/?PAGE_ID=3376 HTTPS://WWW1.MAR.MIL.BR/AMAZUL/?Q=DECRETO- CRIACAOHTTP://WWW.FUNDACENTRO.GOV.BR/INSTITUCIONAL/ESTAT UTO HTTP://WWW1.FOLHA.UOL.COM.BR http://www.tjsp.jus.br/ http://michaelis.uol.com.br/ https://youtu.be/NVdgp7XZl2w http://exame.abril.com.br/ http://www.turminha.mpf.mp.br/ http://www.planalto.gov.br/ https://youtu.be/XywPfKnZL4E http://g1.globo.com/ http://www.bcb.gov.br/pt-br/#!/n/ESTRUTURA http://www.anac.gov.br/A_Anac/institucional http://www.bb.com.br/portalbb/page3,136,3508,0,0,1,8.bb?codigoMenu=203&codigoNoticia=669&codigoRet=824&bread=5 http://www.bb.com.br/portalbb/page3,136,3508,0,0,1,8.bb?codigoMenu=203&codigoNoticia=669&codigoRet=824&bread=5 http://www.cetsantos.com.br/ http://www.prodesan.com.br/?page_id=3376 https://www1.mar.mil.br/amazul/?q=decreto-criacaohttp://www.fundacentro.gov.br/institucional/estatuto https://www1.mar.mil.br/amazul/?q=decreto-criacaohttp://www.fundacentro.gov.br/institucional/estatuto https://www1.mar.mil.br/amazul/?q=decreto-criacaohttp://www.fundacentro.gov.br/institucional/estatuto http://www1.folha.uol.com.br/ 1. DIREITO MORAL ÉTICA 1.1. Direito – Moral – Ética 1.2. Fontes Do Direito 1.3. Classificação das Normas Jurídicas 1.4. Interpretação do Direito 2. DIREITO CONSTITUCIONAL 3. DIREITO CIVIL 4. DIREITO DO TRABALHO 4.1. Relação de Trabalho e Relação de Emprego 4.2. Relação de Emprego 4.3. Sujeitos do Contrato de Trabalho 5. DIREITO EMPRESARIAL 6. DIREITO DO CONSUMIDOR 6.1. Exemplificando 1: 6.2. Exemplificando 2: 7. DIREITO PENAL 7.1. Exemplificando 1: 7.2. Exemplificando 2: 8. DIREITO ADMINISTRATIVO 9. DIREITO AMBIENTALTodavia, a prova produzida pela Ré, convence plenamente de que a Autora, ao contrário do afirmado na inicial, frequentava o restaurante, tomava refeições e adquiria bens de consumo pessoal. As anotações encontram-se bem detalhadas nos documentos supramencionados, fazendo crédito em favor da Ré. Repita-se: não trouxe a Autora, como lhe incumbia, nenhum elemento que contrariasse a prova trazida aos autos pela apelada ré. No tocante ao valor cobrado, justificou a Ré a dedução da quantia de R$ 80,00, paga pela Autora, através do cheque de fls. 9. É de conhecimento público e notório, o costume interiorano, e até na periferia das grandes cidades, a abertura de crédito informal pelos estabelecimentos comerciais, para pagamento no final do mês, mediante anotação em "caderneta" ou documento que o valha. A relação costumeira se estabelece na mais estrita confiança entre fornecedor e consumidor conhecidos, que não pode deixar de ser apreciada e reconhecida nos Tribunais. 5 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Isto por força do art. 4o, do Decreto Lei n° 4.657, de 04.09.42, Lei de Introdução ao Código Civil, que estabelece que "quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes, e os princípios gerais de direito". É precisamente o caso dos autos. Trata-se, na verdade, de singela compra e venda de bens de consumo e fornecimento de refeições, que, de rigor, não exige mais do que a convergência de vontades verbal. O consumidor recebe o produto, paga por ele e consumado está o contrato. Salvo em bens de grande valor, como aparelhos eletrodomésticos e automóveis, não se tem o hábito de exigir recibo. Via de regra, o documento fiscal é o suficiente para a prova documental do negócio. O art. 113, do Código Civil vigente, estabelece: "Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos e lugar de sua celebração." O dispositivo aplica-se como luva ao caso dos autos, nada havendo a contrariar o consumo pela apelante, assim como, a regularidade do débito denunciado. Obviamente, em razão da solução dada ao feito, não que se cogitar de reparação por danos morais. De ser mantida, pelos seus bem lançados fundamentos, a r. sentença da lavra da MM. Juíza ELANI CRISTINA MENDES MARUM. Nego provimento ao recurso. NORIVAL OLIVA Relator (TJPS - Apelação n° 992.06.035466-5 – j. São Paulo, 06 de julho de 2010) https://esaj.tjsp.jus.br/cjsg/getArquivo.do?cdAcordao=4581896&cdForo=0&vlCaptcha=cknsw, 1.3. Classificação das Normas Jurídicas Rizzatto Nunes (2015, p. 249-254) classifica as normas jurídicas quanto à hierarquia, à natureza de suas disposições, à aplicabilidade, à sistematização, à obrigatoriedade, à esfera do Poder Público de que emanam. Quanto à hierarquia a) Normas constitucionais; b) Leis complementares, leis ordinárias, leis delegadas, decretos legislativos e resoluções, medidas provisórias; c) Decretos regulamentares; d) Outras normas de hierarquia inferior, tais como portarias, circulares etc. https://esaj.tjsp.jus.br/cjsg/getArquivo.do?cdAcordao=4581896&cdForo=0&vlCaptcha=cknsw 6 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Quanto à natureza de suas disposições a) Normas jurídicas substantivas ou materiais são as que criam, declaram e definem direitos, deveres e relações jurídicas. São, por exemplo, as normas do Código Civil, Código Penal, Código Comercial, Código de Defesa do Consumidor etc. b) Normas jurídicas adjetivas ou processuais são as que regulam o modo e o processo, para o acesso ao Poder Judiciário. São, por exemplo, as normas do Código de Processo Civil, do Código de Processo Penal. Quanto à aplicabilidade a) Normas jurídicas autoaplicáveis: entram em vigor independentemente de qualquer norma posterior; b) Normas jurídicas dependentes de complementação: são as que expressamente declaram sua necessidade de complementação por outra norma; e, c) Normas jurídicas dependentes de regulamentação: designam geralmente que os órgãos do Poder Executivo definirão e detalharão sua aplicação e executoriedade. Quanto à sistematização a) Constitucionais b) Codificadas c) Esparsas d) Consolidadas Quanto à obrigatoriedade a) Normas de ordem pública. b) Normas de ordem privada. Quanto à esfera do Poder Público de que emanam a) Federais. 7 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância b) Estaduais. c) Municipais. Para saber mais sobre a Classificação das Normas Jurídicas, consulte as páginas 56 a 60, do livro Introdução ao Direito, de Clareci mezzomo. Basta acessar: https://plataforma.bvirtual.com.br/Acervo/Publicacao/3081 1.4. Interpretação do Direito O Dicionário Michaelis3 registra que interpretar é: 1 Aclarar, explicar o sentido de: Interpretar leis, textos etc. Interpretamos termos obscuros pelos contextos. 2 Tirar de (alguma coisa) uma indução ou presságio: Interpretar sonhos. "E Faraó contou-lhe os seus sonhos, mas ninguém havia que os interpretasse a Faraó" (Gênesis, 41, 8 - trad. de João Ferreira de Almeida). 3 Ajuizar da intenção, do sentido de: Não sei como interpretar o seu sorriso. 4 Traduzir ou verter de língua estrangeira ou antiga: Interpretara Homero em português. 5 Reproduzir ou exprimir a intenção ou o pensamento de: Interpretar a natureza, as paixões, os costumes. Interpretava nesse dia a sátira de um poeta cômico. Nessa linha, interpretar a lei é encontrar seu sentido, significado. Martins (2015, p. 21) esclarece que a interpretação decorre da análise da norma jurídica que vai ser aplicada aos casos concretos e, para tanto, indica as formas de interpretação4: a) Gramatical ou literal (verba legis): consiste em verificar qual o sentido do texto gramatical da norma jurídica. Analisa-se o alcance das palavras encerradas no texto legal. 3ht tp : / /m ichae l is .uo l . com.br /moderno/po r tugues / index.php?l ingua=por t ugues - por t ugues&palav ra= in te rp re tar , 4 Mar t ins , Serg io P in t o . Ins t i tu ições de Di re i to Públ ico e Pr ivado. 15ª ed. São Pau lo : A t las , 2015. https://plataforma.bvirtual.com.br/Acervo/Publicacao/3081 http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=interpretar http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=interpretar 8 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância b) Lógica: em que se estabelece conexão entre vários textos legais a serem interpretados; c) Teleológica ou finalística: a interpretação será dada ao dispositivo legal de acordo com o fim colimado pelo legislador; d) Sistemática: a interpretação será dada ao dispositivo legal de acordo com a análise do sistema no qual está inserido, sem se ater à interpretação isolada de um dispositivo, mas, sim, a seu conjunto; e) Extensiva ou ampliativa: em que se dá um sentido mais amplo à norma a ser interpretada do que ela normalmente teria; f) Restritiva ou limitativa: dá-se um sentido mais restrito, limitado, à interpretação da norma jurídica; g) Histórica: o Direito decorre de um processo evolutivo. Há necessidade de se analisar, na evolução histórica dos fatos, o pensamento do legislador não só à época da edição da lei, mas também de acordo com a sua exposição de motivos, mensagens, emendas, as discussões parlamentares etc. O Direito, portanto, é uma forma de adaptação do meio em que vivemos em razão da evolução natural das coisas; h) Autêntica: é a realizada pelo próprio órgão que editou a norma, que irá declarar seu sentido, alcance e conteúdo, por meio de outra norma jurídica. Também é chamada de interpretação legal ou legislativa; i) Sociológica: em que se verifica a realidade e a necessidadesocial na elaboração da lei e em sua aplicação. O juiz, ao aplicar a lei, deve ater-se aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum. Síntese: Você aprendeu, neste texto, a distinção entre direito, moral e ética; O que são e quais são as fontes do direito; Classificação das normas jurídicas; Formas de interpretação do direito. 9 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 2. DIREITO CONSTITUCIONAL Objetivo O objetivo deste texto é tecer algumas considerações importantes sobre o Direito Constitucional, abordando, para tanto, aspectos relevantes da Constituição Federal. Você sabe qual é o objeto do direito constitucional? Ana Flávia Messa (2016, p. 42) diz que o “Direito Constitucional tem por objeto a Constituição do Estado, isto é, o estudo sistematizado da organização jurídica fundamental do Estado”. Sergio Pinto Martins (2015, p. 60), esclarece, por sua vez, que o “Direito Constitucional é o ramo do Direito Público que estuda os princípios, as regras estruturadoras do Estado e garantidoras dos direitos e liberdades individuais”. Antonio Riccitelli (2007, p. 38), na mesma linha, assegura que: Direito Constitucional é o ramo do direito público que tem como foco principal limitar os poderes Estado em benefício da preservação dos direitos e garantias individuais da população, objetivando seu bem-estar coletivo, premissa básica justificadora da própria existência do Estado. Por ser guardião da limitação dos poderes do Estado, materializado em sua Constituição, o direito constitucional, entre outras coisas, regulamenta sua estrutura fundamental, controla sua organização, fiscaliza e garante a clássica divisão autônoma e harmônica dos três poderes. Percebeu?! O Direito Constitucional está ligado diretamente à Constituição. Você sabe quantas Constituições já foram promulgadas/outorgadas no Brasil? Quer saber? A atual Carta Magna é a sétima desde a Independência do País. Mas vamos esclarecer o seguinte: Em 1969, a Emenda Constitucional nº 1, de 17 de outubro, editou o novo texto da Constituição Federal de 24 de janeiro de 1967. 10 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Diante desse fato, como ressalta Flávia Messa (2016, p. 85), “há divergência a respeito da natureza jurídica desta emenda, de forma que alguns consideram como nova Constituição”. Sergio Pinto Martins (2016, p. 63) também faz essa ressalva: “não é exatamente uma Constituição, mas uma emenda constitucional. Na prática, acaba sendo uma Constituição, pois alterou toda a Constituição de 1967” e acrescenta: A Constituição da República de 1891, a de 1934, de 1946 e de 1988 foram promulgadas, tendo sido votadas pela Assembléia Nacional Constituinte. As Constituições de 1937, 1967 e a Emenda Constitucional nº 1/69 foram outorgadas, impostas às pessoas, por regimes ditatoriais. Para entender melhor, consulte a Emenda Constitucional nº 01, disponível http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc_anterior1988/emc01- 69.htm, Voto censitário era a concessão do direito do voto apenas aqueles cidadãos que possuíam certos critérios que comprovassem uma situação financeira satisfatória. Desse modo, os cidadãos eram classificados em ativos – que pagavam impostos – e passivos que tinham uma renda baixa. Apenas os ativos tinham o direito de votar. (...) Hoje, diferente daquela época, o direito de voto é universal, independente de renda, raça ou religião. Fonte: http://www.turminha.mpf.mp.br/eleicoes/turminha-nas-eleicoes- 2012/voce-sabia/voto-censitario/ http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc_anterior1988/emc01-69.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc_anterior1988/emc01-69.htm http://www.turminha.mpf.mp.br/eleicoes/turminha-nas-eleicoes-2012/voce-sabia/voto-censitario/ http://www.turminha.mpf.mp.br/eleicoes/turminha-nas-eleicoes-2012/voce-sabia/voto-censitario/ 11 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Importante destacar sobre as Constituições os seguintes aspectos: conteúdo, forma, origem, ideologia, modo de elaboração, estabilidade e extensão. Antônio Riccitelli, em sua obra Direito Constitucional: teoria do Estado e da Constituição, ensina que: “Assim, interessa predominantemente conhecer as constituições sob os seguintes aspectos: conteúdo, forma, origem, ideologia, modo de elaboração, estabilidade e extensão. Quanto ao conteúdo, as constituições podem ser materiais ou formais. Constituição material é aquela que contém normas essencialmente ou materialmente constitucionais, como dispositivos que se refiram à forma de Estado ou de governo e limites de sua ação, como os arts. 1º, 2º e 18 da Constituição Federal da República Federativa do Brasil de 1988. As constituições formais apresentam normas que não integram a estrutura básica do Estado, mas encontram-se formalmente em seus textos. Com relação à forma, as constituições podem ser escritas, codificadas e sistematizadas, ou não escritas, conhecidas como costumeiras, ou consuetudinárias, por se fundamentar nos costumes, na jurisprudência e em convenções. Por seu turno, as constituições classificadas sob a égide de sua origem podem ser populares, democráticas, promulgadas ou votadas exatamente por exprimir a vontade soberana do povo. Diferentemente das promulgadas, as constituições classificadas como outorgadas caracterizam-se pela imposição da vontade autoritária de um governante ou de um colegiado. As constituições outorgas não emergem de uma manifestação de soberania nacional, mas sim da vontade pessoal e autoritária de um possuidor transitório do poder. A fim de revestir de legitimidade a outorga de uma constituição, alguns governantes propõem que sejam submetidas a um plebiscito ou referendum, conforme fez Napoleão Bonaparte com a Carta francesa de 1799, e como prometeu fazer, e não cumpriu Getúlio Vargas no caso da Constituição de 1937. A ideologia escolhida pode ser ortodoxa, representada por pensamento único, como foi o caso da Constituição Soviética de 1977, ou eclética, formada por várias ideologias conciliatórias, como é o caso da Constituição pátria de 1988, apelidada de ‘Cidadã”. Quanto ao modo de elaboração, as constituições são classificadas em dogmáticas ou históricas. As primeiras são assim conhecidas por sistematizar os dogmas da teoria política dominante no momento de sua elaboração. As constituições históricas, por seu turno, cristalizam o lento evoluir das tradições, como ocorreu coma Constituição inglesa. A estabilidade ou mutabilidade é outro item que integra o sistema de classificação das constituições. Sob esse prisma, uma constituição a fim de ser considerada rígida exige para sua alteração um processo mais complexo e solene que o ordinário. Não pode ser alterada por um processo comum de elaboração das leis ordinárias. A reforma ou emenda de uma Constituição rígida exige a realização de amplas discussões, quórum e dois terços em dois turnos, resumindo a adoção de procedimentos solenes e especiais. O exemplo clássico de Constituição rígida é o da norte-americana, que apresenta um texto expresso para sua reforma. As constituições flexíveis ou plásticas podem ser alteradas por meio de processo legislativo ordinário. Ainda sob o aspecto da estabilidade, uma Constituição pode ser classificada como semirrígida quando reúne características dos dois tipos anteriores. A extensão de uma Constituição é outro item que lhe confere a classificação concisa ou sintética, por conter apenas princípios gerais, como a norte-americana, ou prolixa ou analítica, por apresentar matéria estranha ao direito constitucional material, como a Constituição Federal pátria de 1988”. 12 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância RobertoB. Dias da Silva (2007, p. 24), em sua obra Manual de Direito Constitucional, apresenta a seguinte Classificação da Constituição: A CONSTITUIÇÃO MATERIAL E A CONSTITUIÇÃO FORMAL A constituição material é o conjunto de regras que trata das matérias, dos assuntos, dos temas constitucionais, isto é, da estrutura do Estado, das relações de poder e dos direitos fundamentais das pessoas. Por outro lado, Constituição formal é o conjunto de regras que assume a forma de norma constitucional. Assim, os comandos jurídicos inseridos no texto constitucional escrito, por meio de um procedimento diferente daquele adotado para a criação das demais normas jurídicas, compõem o que se convencionou chamar de Constituição formal. AS CONSTITUIÇÕES OUTORGADAS E AS CONSTITUIÇÕES PROMULGADAS Quanto à origem, as Constituições podem ser classificadas em outorgadas ou promulgadas. As outorgadas são as impostas autoritariamente por quem não recebeu poderes do povo para tanto, como por exemplo, a Constituição brasileira de 1937. Já as promulgadas são as Constituições que surgem como resultado de um processo democrático de elaboração, como a Constituição brasileira de 1988. AS CONSTITUIÇÕES ESCRITAS E AS CONSTITUIÇÕES COSTUMEIRAS Quanto à forma, as Constituições podem ser escritas ou costumeiras. As Constituições costumeiras são formadas paulatinamente por meio dos costumes, decisões judiciais e documentos esparsos, sendo que suas regras não se condensam em um único texto escrito e formal, apesar de ser consideradas normas que estruturam o Estado e estabelecem os direitos e garantias fundamentais dos cidadãos. A Inglaterra é um exemplo típico de um Estado regido por uma Constituição costumeira. Por outro lado, as Constituições escritas são as que contemplam, em um único texto escrito, as normas que estruturam o Estado e fixam os direitos e as garantias fundamentais dos cidadãos. Atualmente, a grande maioria dos Estados é regida por esse tipo de Constituição, como acontece, por exemplo, no Brasil, na Espanha, em Portugal e no Chile. AS CONSTITUIÇÕES ANALÍTICAS E AS CONSTITUIÇÕES SINTÉTICAS Quanto à extensão, as Constituições podem ser classificadas como sintéticas ou analíticas. As Constituições sintéticas contém poucos artigos, sendo as matérias constitucionais reguladas por um número reduzido de disposições normativas. Em função desse motivo, a atividade interpretativa dessas Constituições permite, de maneira mais acentuada, a atualização dos entendimentos sobre os assuntos por elas tratados. Como exemplo de Constituição sintética há a Constituição dos Estados Unidos da América. As Constituições analíticas – como a Constituição brasileira de 1988 – tratam dos temas constitucionais de maneira minuciosa e detalhada, sendo compostas, portanto, de vários artigos. AS CONSTITUIÇÕES RÍGIDAS, SEMIRRÍGIDAS E FLEXÍVEIS Quanto à alterabilidade ou modificação, as Constituições podem ser rígidas, semirrígidas ou flexíveis. Constituição rígida é aquela que prevê para a sua alteração um procedimento mais difícil, mais árduo, mais rigoroso do que o previsto para a criação ou alteração das demais regras do ordenamento jurídico. É o caso da Constituição Federal de 1988. Constituição flexível é aquela que permite sua alteração pelo mesmo procedimento previsto para criar ou alterar a legislação ordinária. E Constituição semirrígida é aquela que parte de suas regras requer um procedimento de alteração mais difícil do que o exigido para modificar a legislação ordinária - como ocorre com as Constituições rígidas – e, em relação a outros dispositivos, prevê o mesmo procedimento de alteração para modificar a legislação 13 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância ordinária – como nos casos das Constituições flexíveis. A Constituição brasileira de 1824 era semirrígida. A atual Constituição foi promulgada no dia 05 de outubro de 1988. Leia o preâmbulo: PREÂMBULO Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. De acordo com a Carta Magna, a República Federativa do Brasil constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem com fundamentos a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político. Esse é o teor do artigo 1º: Dos Princípios Fundamentais “Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: I - A soberania; II - A cidadania III - A dignidade da pessoa humana; IV - Os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V - O pluralismo político. Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição. Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. 14 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I - Construir uma sociedade livre, justa e solidária; II - Garantir o desenvolvimento nacional; III - Erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV - Promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”. Entre outras garantias, estabelece no artigo 5º, os Direitos e Deveres Individuais e Coletivos. Veja alguns deles: Dos Direitos e Garantias Fundamentais CAPÍTULO I DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição; II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante; IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem; VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias; VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva; VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei; IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença; 15 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendopenetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial; XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer; XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional; XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens; XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente; XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar; XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento; XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado; XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado; XXI - as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente; XXII - é garantido o direito de propriedade; XXIII - a propriedade atenderá a sua função social; 16 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Consulte a obra Direito constitucional, de Ana Flávia Messa. Basta acessar: https://plataforma.bvirtual.com.br/Acervo/Publicacao/182492 Síntese: Este texto abordou o objeto do Direito Constitucional; Quantas Constituições já foram promulgadas/outorgadas no Brasil? Classificação das Constituições; Noções da atual Constituição Federal. https://plataforma.bvirtual.com.br/Acervo/Publicacao/182492 17 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 3. DIREITO CIVIL Objetivo O objetivo deste texto é tecer algumas considerações importantes sobre o Direito Civil, abordando, para tanto, aspectos relevantes da Código Civil. Sergio Pinto Martins (2015, p. 225) diz que Direito Civil é o conjunto de princípios, de regras e de instituições que regula as relações entre pessoas e entre estas e os bens de que se utilizam. A Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002, estabeleceu o atual Código Civil. Foi dividido em Parte Geral e Parte Especial. Vamos, agora, analisar alguns itens do Código Civil? Iniciaremos com os tópicos personalidade e capacidade. DA PERSONALIDADE E DA CAPACIDADE Você sabia que toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil? Isso mesmo! A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro. Veja, por exemplo, o caso abaixo: “F. R. L. sofreu acidente de trânsito no dia 02 de setembro de 2013. Consta do Boletim de Ocorrência nº 8305801, expedido no dia 09 de outubro de 2013, que a autora seguia como passageira do automóvel VW Parati 1.6 Surf, prata, 2008, placas DSY-9255, pela Rodovia BR 463, Dourados, MS, quando na altura do km 19,1 o condutor do caminhão Imp/Volvo FH 12 380 4X2, placas DBM-2165, que vinha no sentido contrário, ao perder o controle do veículo, invadiu a contramão obrigando o condutor do veículo Parati a sair da pista pela direita, para evitar a colisão frontal e essa manobra culminou com o capotamento do Parati. A autora sofreu ferimentos e foi levada ao Hospital Santa Rita pelos Bombeiros, sofrendo, em consequência do acidente, o abortamento de gestação que contava dois (2) meses”. Diante desse fato, promoveu ação em face de SEGURADORA LIDER DOS CONSORCIOS DO SEGURO DPVAT S/A pleiteando direito próprio de ver-se indenizada 18 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância pela morte do filho nascituro, pois conforme previsto no artigo 2º do Código Civil: “A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro”. A ação foi julgada procedente para condenar a ré a pagar para a autora R$ 13.500,00, com correção monetária a contar do evento danoso e juros de mora à taxa de um por cento (1%) ao mês a contar da citação, impondo à ré o pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios, que foram arbitrados em dez por cento (10%) do valor da condenação. A Ré recorreu. A decisão foi mantida. A 27ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo entendeu “o nascituro possui direitos da personalidade, inclusive o direito inerente à vida e, por isso mesmo, a interrupção da gestação em decorrência do acidente em causa, justifica o ajuizamento desta Ação do Seguro DPVAT por morte, nos termos do artigo 3º, inciso I, da Lei nº 6.194/74, com as alterações dadas pelas Leis nºs 11.482/07 e 11.945/09. Essa indenização é tão devida no caso dos autos quanto haveria de ser caso a autora, no mesmo acidente, houvesse perdido um filho já nascido”. (TJSP - Apelação nº 1003162- 54.2014.8.26.0047 – j. 19 de maio de 2015). Percebeu? Mesmo antes de nascer, a partir da concepção, já se tem direitos garantidos. São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil os menores de 16 (dezesseis) anos. E são considerados incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira de os exercer: I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; II - os ébrios habituais e os viciados em tóxico; III - aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade; IV - os pródigos. 19 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Ébrio é a pessoa que se embriaga com constância. Viciado é a pessoa que usa drogas com frequência. Pródigo vem do latim prodigus, prodigere. É a pessoa que gasta desordenadamente, que dissipa ou dilapida seu patrimônio sem justificativa. Faz despesas inúteis, insensatas e excessivas, podendo ser levado à miséria. (Sergio Pinto Martins. 2015, p. 227) A capacidade dos indígenas, de acordo com o Código Civil, será regulada por legislação especial. A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil. Mas, cessará, para os menores, a incapacidade: I - pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público, independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver dezesseis anos completos; II - pelo casamento; III - pelo exercício de emprego público efetivo; IV - pela colação de grau em curso de ensino superior; V - pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego, desde que, em função deles, o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria. O artigo 1.634, do Código Civil, determina que compete a ambos os pais, qualquer que seja a sua situação conjugal, o pleno exercício do poder familiar, que consiste em, quanto aos filhos: (...) VII - representá-los judicial e extrajudicialmente até os 16 (dezesseis) anos, nos atos da vida civil, e assisti-los, após essa idade,nos atos em que forem partes, suprindo-lhes o consentimento; 20 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Isso quer dizer que, até os 16 anos, os filhos devem ser representados pelos pais. A partir dos 16 anos e até os 18 anos, quando cessará a menoridade, devem ser assistidos. A existência da pessoa natural termina com a morte; presume-se esta, quanto aos ausentes, nos casos em que a lei autoriza a abertura de sucessão definitiva. Um exemplo recente ocorreu com pedreiro Amarildo, desaparecido na Rocinha. A Justiça declarou sua morte presumida; Além disso, se dois ou mais indivíduos falecerem na mesma ocasião, não se podendo averiguar se algum dos comorientes precedeu aos outros, presumir-se-ão simultaneamente mortos. Por exemplo, quando pai e filho falecem em acidente de avião ou deslizamento de terra e não se tem como constatar que faleceu primeiro. Comoriência5 - Morte simultânea de duas ou mais pessoas. Também relevante, no que diz respeito aos direitos da personalidade, é o nome. Veja o que estabelecem os artigos 16 a 19, do Código Civil: Artigo 16. Toda pessoa tem direito ao nome, nele compreendidos o prenome e o sobrenome. Artigo 17. O nome da pessoa não pode ser empregado por outrem em publicações ou representações que a exponham ao desprezo público, ainda quando não haja intenção difamatória. Artigo 18. Sem autorização, não se pode usar o nome alheio em propaganda comercial. Artigo 19. O pseudônimo adotado para atividades lícitas goza da proteção que se dá ao nome. A Lei 6.015, de 31 de dezembro de 1973, que dispõe sobre os registros públicos, também assegura que: Art. 57. A alteração posterior de sobrenomes poderá ser requerida pessoalmente perante o oficial de registro civil, com a apresentação de certidões e de documentos necessários, e será averbada nos assentos de nascimento e casamento, 5 http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portuguesportugues&palavra=comoriência, http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portuguesportugues&palavra=comoriência 21 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância independentemente de autorização judicial, a fim de: (Redação dada pela Lei nº 14.382, de 2022) I - inclusão de sobrenomes familiares; (Incluído pela Lei nº 14.382, de 2022) II - inclusão ou exclusão de sobrenome do cônjuge, na constância do casamento; (Incluído pela Lei nº 14.382, de 2022) III - exclusão de sobrenome do ex-cônjuge, após a dissolução da sociedade conjugal, por qualquer de suas causas; (Incluído pela Lei nº 14.382, de 2022) IV - inclusão e exclusão de sobrenomes em razão de alteração das relações de filiação, inclusive para os descendentes, cônjuge ou companheiro da pessoa que teve seu estado alterado. (Incluído pela Lei nº 14.382, de 2022) § 1º Poderá, também, ser averbado, nos mesmos termos, o nome abreviado, usado como firma comercial registrada ou em qualquer atividade profissional. (Incluído pela Lei nº 6.216, de 1975). § 2º Os conviventes em união estável devidamente registrada no registro civil de pessoas naturais poderão requerer a inclusão de sobrenome de seu companheiro, a qualquer tempo, bem como alterar seus sobrenomes nas mesmas hipóteses previstas para as pessoas casadas. (Redação dada pela Lei nº 14.382, de 2022) § 3º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.382, de 2022) § 3º-A O retorno ao nome de solteiro ou de solteira do companheiro ou da companheira será realizado por meio da averbação da extinção de união estável em seu registro. (Incluído pela Lei nº 14.382, de 2022) § 4º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.382, de 2022) § 5º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.382, de 2022) § 6º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.382, de 2022) § 7o Quando a alteração de nome for concedida em razão de fundada coação ou ameaça decorrente de colaboração com a apuração de crime, o juiz competente determinará que haja a averbação no registro de origem de menção da existência de sentença concessiva da alteração, sem a averbação do nome alterado, que somente poderá ser procedida mediante determinação posterior, que levará em consideração a cessação da coação ou ameaça que deu causa à alteração. (Incluído pela Lei nº 9.807, de 1999) § 8º O enteado ou a enteada, se houver motivo justificável, poderá requerer ao oficial de registro civil que, nos registros de nascimento e de casamento, seja averbado o nome de família de seu padrasto ou de sua madrasta, desde que haja expressa concordância destes, sem prejuízo de seus sobrenomes de família. (Redação dada pela Lei nº 14.382, de 2022) Art. 58. O prenome será definitivo, admitindo-se, todavia, a sua substituição por apelidos públicos notórios. (Redação dada pela Lei nº 9.708, de 1998) (Vide ADIN Nº 4.275) Parágrafo único. A substituição do prenome será ainda admitida em razão de fundada coação ou ameaça decorrente da colaboração com a apuração de crime, por determinação, em sentença, de juiz competente, ouvido o Ministério Público. (Redação dada pela Lei nº 9.807, de 1999) Art. 59. Quando se tratar de filho ilegítimo, não será declarado o nome do pai sem que este expressamente o autorize e compareça, por si ou por procurador especial, para, reconhecendo-o, assinar, ou não sabendo ou não podendo, mandar assinar a seu rogo o respectivo assento com duas testemunhas. (Renumerado do art. 60, pela Lei nº 6.216, de 1975). Art. 60. O registro conterá o nome do pai ou da mãe, ainda que ilegítimos, quando qualquer deles for o declarante. (Renumerado do art. 61, pela Lei nº 6.216, de 1975). Aliás, a justiça autorizou que uma criança em Sergipe tenha em sua certidão de nascimento os nomes da mãe biológica e dos pais adotivos. Esse foi o primeiro caso de pluriparentalidade no Estado6: 6 h t tp : / /not ic ias .uo l . com.br /cot id iano/u l t imas -not ic ias /2014/02/17/c r i anca -adotada- t era-nome-das - duas-maes-e-do -pa i -em -cer t idao-de -nasc imento.h tm , https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14382.htm#art11 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14382.htm#art11 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14382.htm#art11 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14382.htm#art11 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14382.htm#art11 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14382.htm#art11 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6216.htm#art58 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14382.htm#art11 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14382.htm#art20 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14382.htm#art11 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14382.htm#art11 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14382.htm#art20 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14382.htm#art11 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14382.htm#art20 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14382.htm#art11 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14382.htm#art20 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14382.htm#art11 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9807.htm#art16 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14382.htm#art11 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9708.htm#art1 http://www.stf.jus.br/portal/peticaoInicial/verPeticaoInicial.asp?base=ADIN&s1=4275&processo=4275 http://www.stf.jus.br/portal/peticaoInicial/verPeticaoInicial.asp?base=ADIN&s1=4275&processo=4275 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9807.htm#art17 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6216.htm#art59 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6216.htm#art59https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6216.htm#art59 http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2014/02/17/crianca-adotada-tera-nome-das-duas-maes-e-do-pai-em-certidao-de-nascimento.htm http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2014/02/17/crianca-adotada-tera-nome-das-duas-maes-e-do-pai-em-certidao-de-nascimento.htm 22 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Até aqui tudo bem? Vamos continuar? Então, vamos falar sobre as pessoas jurídicas?! As pessoas jurídicas são de direito público, interno ou externo, e de direito privado. São pessoas jurídicas de direito público interno: I - a União; II - os Estados, o Distrito Federal e os Territórios; III - os Municípios; IV - as autarquias, inclusive as associações públicas; V - as demais entidades de caráter público criadas por lei. São Autarquias, por exemplo: São pessoas jurídicas de direito público externo os Estados estrangeiros e todas as pessoas que forem regidas pelo direito internacional público. São pessoas jurídicas de direito privado: I - as associações; II - as sociedades; III - as fundações. IV - as organizações religiosas; V - os partidos políticos. VI – (revogado) VII – os empreendimentos de economia solidária. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou 23 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. O registro declarará: I - a denominação, os fins, a sede, o tempo de duração e o fundo social, quando houver; II - o nome e a individualização dos fundadores ou instituidores, e dos diretores; III - o modo porque se administra e representa, ativa e passivamente, judicial e extrajudicialmente; IV - se o ato constitutivo é reformável no tocante à administração, e de que modo; V - se os membros respondem, ou não, subsidiariamente, pelas obrigações sociais; VI - as condições de extinção da pessoa jurídica e o destino do seu patrimônio, nesse caso. Nos casos de dissolução da pessoa jurídica ou cassada a autorização para seu funcionamento, ela subsistirá para os fins de liquidação, até que esta se conclua (artigo 51, do Código Civil). Far-se-á, no registro onde a pessoa jurídica estiver inscrita, a averbação de sua dissolução. As disposições para a liquidação das sociedades aplicam-se, no que couber, às demais pessoas jurídicas de direito privado. Encerrada a liquidação, promover-se-á o cancelamento da inscrição da pessoa jurídica. Síntese: Este texto abordou o conceito de direito civil. Direito Civil é o conjunto de princípios, de regras e de instituições que regula as relações entre pessoas e entre estas e os bens de que se utilizam. A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro. Quem são considerados absolutamente incapaz e relativamente incapaz; 24 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil. As pessoas jurídicas são de direito público, interno ou externo, e de direito privado. 25 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 4. DIREITO DO TRABALHO Objetivo O objetivo deste texto é tecer algumas considerações importantes sobre o Direito do Trabalho, principalmente no que diz respeito a diferença entre relação de trabalho e relação de emprego, requisitos da relação de emprego e sujeitos da relação de emprego: empregador e empregado. Você sabe qual é o objeto de estudo do direito do trabalho? Sergio Pinto Martins (2015, p. 397) esclarece que o “objetivo do direito do trabalho é estudar o trabalho subordinado, mas também as situações análogas, como o trabalho avulso”. Então, vamos iniciar traçando a diferença entre relação de trabalho e relação de emprego? Você já parou para pensar que nem toda relação de trabalho é uma relação de emprego? 4.1. Relação de Trabalho e Relação de Emprego Existe diferença entre relação de trabalho e relação de emprego? A relação de trabalho é gênero e a relação de emprego é espécie. Isso quer dizer que dentre as relações de trabalho está a relação de emprego. Graficamente, Resende (2014, p. 64) passa a seguinte ideia e indica as modalidades de relações de trabalho que apresentam características próprias que as diferenciam das demais. São elas7: 7 Resende, Ric ardo. D i re i t o do Traba lho Esquemat izado. 4ª . ed. São Paulo : Método, 2014. 26 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Relação de emprego; Relação de trabalho autônomo; Relação de trabalho eventual; Relação de trabalho avulso; Relação de trabalho voluntário; Relação de trabalho institucional; Relação de trabalho de estágio; Relação de trabalho cooperativado. 4.2. Relação de Emprego Neste texto, falaremos de alguns aspectos da relação de emprego. Relação de emprego é a relação de trabalho subordinado. Para Martinez (2014, p. 150), essa relação é caracterizada pela necessária cumulação de alguns elementos. São eles: Pessoalidade Onerosidade Não assunção (pelo empregado) dos riscos da atividade do tomador de serviços Duração Contínua ou não eventual Subordinação Pessoalidade quer dizer que o trabalho deve ser prestado por uma específica pessoa física. O trabalho não pode ser transferido para outra pessoa. É uma relação intuitu personae, ou seja, em razão da pessoa. O empregado não pode ser substituído. 27 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Onerosidade significa que, de um lado, o empregado presta serviços e, de outro lado, o empregador tem a obrigação de remunerar os serviços prestados. Os serviços não podem ser prestados gratuitamente. O Risco do Empreendimento é do Empregador. O empregado trabalha por conta alheia. Essa característica é denominada alteridade. Duração contínua ou não eventual, isto é, os serviços não podem ser prestados de maneira eventual. Subordinação é evidenciada pela ordem, comando do empregador ao empregado. O empregado deve cumprir as determinações do empregador. E a EXCLUSIVIDADE? É requisito da relação de emprego? Não! Mas pode ser estipulada por acordo entre as partes. E, nesse caso, se ajustada entre empregado empregador, deve ser respeitada. 4.3. Sujeitos do Contrato de Trabalho Quem são considerados EMPREGADOR e EMPREGADO? Os artigos 2º e 3º da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT definem essas duas figuras: Empregador Art. 2º - Considera-se empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. § 1º - Equiparam-se ao empregador, para os efeitos exclusivos da relação de emprego, os profissionais liberais, as instituições de beneficência, as associações recreativas ou outras instituições sem fins lucrativos, que admitirem trabalhadores como empregados. § 2o Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, ou ainda quando, mesmo guardando cada uma sua autonomia, integrem grupo econômico, serão responsáveis solidariamente pelas obrigações decorrentes da relação de emprego. (Redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017) https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm#art1 28 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância§ 3o Não caracteriza grupo econômico a mera identidade de sócios, sendo necessárias, para a configuração do grupo, a demonstração do interesse integrado, a efetiva comunhão de interesses e a atuação conjunta das empresas dele integrantes. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) Empregado Art. 3º - Considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante Salário. Parágrafo único - Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. Assim, na definição de Manus (2014, p. 53) empregado é sempre pessoa física que presta serviços subordinados ao empregador, sendo tais serviços contínuos e não eventuais e tendo sempre a prestação de serviços caráter oneroso8. Martinez (2014, p. 239) diz que empregador é a pessoa física, jurídica ou ente despersonalizado (este excepcionalmente autorizado a contratar) concedente da oportunidade de trabalho, que, assumindo os riscos da atividade (econômica ou não econômica) desenvolvida, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços de outro sujeito, o empregado9. Contrato De Emprego Bom, já você já sabe quem são as partes na relação de emprego e quais são os requisitos dessa relação. Se de um lado aparece o empregador e do outro o empregado, unindo os dois, surgirá um contrato de emprego. O artigo 442 da CLT dispõe que: Art. 442 - Contrato individual de trabalho é o acordo tácito ou expresso, correspondente à relação de emprego. § 1º Qualquer que seja o ramo de atividade da sociedade cooperativa, não existe vínculo empregatício entre ela e seus associados, nem entre estes e os tomadores de serviços daquela. (Redação dada pela Lei nº 14.647, de 2023) 8 Manus , Pedro Pau lo Te i xe i ra . D i re i to do T raba lho.15ª . ed. São Pau lo : A t las , 2014. 9 Mar t inez, Luc iano. Curso de d i re i t o do t raba lho. 5 ª ed. São Paulo : Sara i va, 2014. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14647.htm#art1 29 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância § 2º Não existe vínculo empregatício entre entidades religiosas de qualquer denominação ou natureza ou instituições de ensino vocacional e ministros de confissão religiosa, membros de instituto de vida consagrada, de congregação ou de ordem religiosa, ou quaisquer outros que a eles se equiparem, ainda que se dediquem parcial ou integralmente a atividades ligadas à administração da entidade ou instituição a que estejam vinculados ou estejam em formação ou treinamento. (Incluído pela Lei nº 14.647, de 2023) § 3º O disposto no § 2º não se aplica em caso de desvirtuamento da finalidade religiosa e voluntária. (Incluído pela Lei nº 14.647, de 2023) Dessa forma, o contrato de emprego, de acordo com Martinez (2014, p. 159) pode ser classificado em10: a) Típico ou nominado porque é consolidado em lei, expressamente previsto em norma disciplinadora própria, que a pormenoriza. b) Comutativo porque produz direitos e obrigações equivalentes para ambos os contratantes. c) Sinalagmático porque dotado de direitos, deveres e obrigações contrárias, opostos e equilibradas, de modo que a obrigação de um dos sujeitos seja fundamento jurídico da existência de outro direito, dever ou obrigação. Não havendo trabalho, não há como existir contraprestação; não havendo contraprestação, não há como continuar a ser prestado o trabalho. d) Oneroso porque pressupõe dispêndios de ambos os sujeitos contratantes. e) Personalíssimo porque celebrado intuitu personae, considerando as características pessoais e atributos intrínsecos do prestador de serviços. f) Não solene, em regra, pois não vinculado a formas sacramentais, bastando a mera execução dos serviços, dentro das características próprias ao contrato de emprego, para que se entenda validamente constituído o ajuste. g) De trato sucessivo porque suas prestações são oferecidas e exigidas de forma contínua, renovando-se esse fluxo a cada instante, a cada momento em que se vivencia o ajuste. 10 Mar t inez, Luc iano. Curso de d i re i t o do t raba lho. 5ª ed. São Paulo : Sara i va, 2014. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14647.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14647.htm#art1 30 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância O mais importante: O contrato de trabalho é um contrato-realidade. Todo o Direito do Trabalho é informado pelo princípio da Primazia da Realidade, segundo o qual importa mais o que se passa no plano fático do que considerações teóricas ou conclusões baseadas na regularidade formal de documentos11. Anotações Na Carteira De Trabalho A Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) é obrigatória para o exercício de qualquer emprego, inclusive de natureza rural, ainda que em caráter temporário, e para o exercício por conta própria de atividade profissional remunerada (Artigo 13, da CLT). A CTPS terá como identificação única do empregado o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF), de acordo com o artigo 16, da CLT. O empregador terá o prazo de 5 (cinco) dias úteis para anotar na CTPS, em relação aos trabalhadores que admitir, a data de admissão, a remuneração e as condições especiais, se houver, facultada a adoção de sistema manual, mecânico ou eletrônico, conforme instruções a serem expedidas pelo Ministério da Economia. (Redação dada ao artigo 29, da CLT, pela Lei nº 13.874, de 2019) As anotações concernentes à remuneração devem especificar o salário, qualquer que seja sua forma de pagamento, seja êle em dinheiro ou em utilidades, bem como a estimativa da gorjeta. As anotações na Carteira de Trabalho e Previdência Social serão feitas: a) na data-base; b) a qualquer tempo, por solicitação do trabalhador; c) no caso de rescisão contratual; ou d) necessidade de comprovação perante a Previdência Social. 11 TRT SP – processo nº 00002031620135020069 – Des. Relator Davi Furtado Meirelles – julgado em 23/10/2014. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art15 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art15 31 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Importante: É vedado ao empregador efetuar anotações desabonadoras à conduta do empregado ou rasurar sua Carteira de Trabalho e Previdência Social, sob pena de pagar indenização. Síntese: Neste texto você aprendeu que a relação de trabalho é gênero e a relação de emprego é espécie; Os elementos da relação de emprego são: Pessoalidade, Onerosidade, Não assunção (pelo empregado) dos riscos da atividade do tomador de serviços, Duração Contínua ou não Eventual e Subordinação; Exclusividade não é requisito da relação de emprego; Os sujeitos do contrato de trabalho são empregador e empregado; O contrato de emprego pode ser classificado em: típico ou nominado, comutativo, sinalagmático, oneroso, personalíssimo, não solene e de trato sucessivo; O que anotar na CTPS e no livro de registro. 32 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 5. DIREITO EMPRESARIAL Objetivo O objetivo deste texto é abordar o histórico do direito empresarial, conceito de empresário, caracterização, inscrição e capacidade. BREVE EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO DIREITO EMPRESARIAL Antes de traçar a evolução histórica do direito empresarial, é importante saber como surgiu o comércio. Pois bem, nas civilizações antigas não existiam moedas, cartões de crédito ou bancos. Então, como os indivíduos compravame vendiam coisas? Simples, praticavam o escambo. E o que é escambo? Escambo é a troca de uma mercadoria por outra. Com o tempo surge o metal como moeda de troca. A partir daí as pessoas passam a utilizar a moeda como uma unidade de valor e decidir se querem comprar imediatamente ou se querem poupar para comprar no futuro e, dessa forma, o comércio vai acontecendo o tempo todo. André Luiz Santa Cruz Ramos explica em sua obra, Direito Empresarial Esquematizado, que o comércio existe desde a Idade Antiga. Segundo ele, “as civilizações mais antigas que temos conhecimento, como os fenícios, por exemplo, destacaram-se no exercício da atividade mercantil”12. 12 5ª . ed. rev. a t ua l . ampl . São Paulo : Método, 2015, p . 2 . 33 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Fonte: http://guiadoestudante.abril.com.br/imagem/mapa-fenicios-ah.JPG, Na Idade Média, o comércio não se concentra mais em apenas alguns povos. É nessa época que surgem as corporações de ofício que começaram a regulamentar a atividade mercantil. Para entender melhor essa trajetória, leia o texto abaixo de Gladston Mamede e responda: a) O que é usura e monopólio? b) Em linhas gerais, qual foi o Código Comercial que mais influenciou outras legislações sobre o comércio? Explique. http://guiadoestudante.abril.com.br/imagem/mapa-fenicios-ah.JPG 34 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância “As normas jurídicas de controle da propriedade, dos empreendimentos e dos negócios são tão antigas quanto o Direito, o que a Arqueologia deixa claro. Tem-se notícia, hoje, de uma reforma jurídica realizada na cidade de Lagash, na Suméria (hoje Iraque), no século XXV a.C., na qual o soberano (ensi) local, chamado Ur-Uinim-Enmgina (ou, como se disse no passado, Urukagina), limita a usura e os monopólios. A legislação ais antiga conhecida até agora, as Leis de Ur-Nammu, do século XXI a.C., vigentes também na Suméria, na cidade de Ur, já trazem normas que proíbem o cultivo em terras de propriedade alheia, limitam juros e tabelam preços. O mesmo se verá nas legislações que lhes seguem, de países da mesma região: as Leis de Lipt-Ishtar, do século XX a.C. Ainda na antiguidade, deve-se reconhecer a importância da atuação e da regulamentação comercial de minoicos, micênicos, hititas, fenícios, gregos e romanos, havendo notícia de normas e, até, de institutos jurídicos que, então inventados, aproveitam-se até os nossos dias, como a moeda, inventada pelos lídios – a Lídia ficava onde hoje é o planalto central da Turquia. Na Idade Média, a atenção social voltou-se para o campo, onde a divisão da propriedade rural em grandes estruturas políticas caracterizou o Feudalismo. As cidades, contudo, continuaram a existir e o comércio também. Para a mútua proteção, artesão e comerciantes organizaram-se em corporações de ofício e essas, por seu turno, tomaram para si a função de regulamentar a atividade mercantil, o que fizeram por meio de consolidações de costumes, também chamadas de consuetudos. Essas consolidações marcam o início do Direito Mercantil, na medida em que são as primeiras normas integralmente dedicadas ao comércio. Quando o feudalismo foi superado e o Estado Nacional ganhou renovada importância, essas normas foram utilizadas como referência para a constituição dos chamados Códigos Comerciais. O mais influente deles foi o Código Comercial francês, de 1808, que influenciou a muitas legislações a partir do estabelecimento da Teoria do Ato de Comércio. Essa teoria está na raiz da distinção entre o ato civil e o ato de comércio. Assim, qualquer pessoa que praticasse um ato de comércio estaria submetida ao Direito Comercial e não ao Direito Civil. Essa teoria foi repetida no Brasil, com a edição do Código Comercial, em 1850, quando era Imperador D. Pedro II; cuida-se de uma das normas mais duradouras da história brasileira: sua primeira parte, dedicada ao comércio em geral, esteve em vigor até 11 de janeiro de 2003, quando passou a viger o Código Civil (Lei 10.406/02). (...) Com a edição da Lei 10.406/02, em 10 de janeiro de 2002, a unificação foi enfim concretizada. Reconheceu-se que os atos jurídicos civis e comerciais têm a mesma natureza jurídica, estando submetidos à Parte Geral do Código Civil, bem como às regras ali dispostas sobre as Obrigações e os Contratos. Isso implicou a necessidade de se substituir a antiga teoria do ato de comércio por uma nova referência para as relações negociais. A opção escolhida foi a teoria da empresa. (Manual de Direito Empresarial. 9ª. ed. São Paulo: Atlas, 2015, p. 2-3) (grifamos) Essa questão da unificação, todavia, não é pacífica. Fabio Ulhoa Coelho (2014, p. 44) explica que “no Brasil, consideram alguns autores que o Código Civil teria levado à 35 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância unificação do direito das obrigações. Bem examinada a questão, no entanto, nota-se o desacerto do argumento”. Segundo esse Autor: Os contratos entre os empresários, no direito brasileiro, em nenhum momento submeteram-se exclusivamente ao Código Civil, nem mesmo depois da propalada unificação. Tome-se o exemplo da insolvência (ou, quando empresário, falência) do comprador. A lei civil estabelece que o vendedor, nesse caso, tem direito de exigir caução antes de cumprir sua obrigação de entregar a coisa vendida (CC, art. 495). Essa norma nunca regeu, não rege e nem mesmo poderia reger uma compra e venda entre empresários, já que a lei de falências (tanto a de 1945 como a de 2005) dá ao administrador judicial da massa falida do comprador os meios para exigir o cumprimento da avença por parte do vendedor independentemente de prestar a caução mencionada na lei civil. Defendendo a unificação ou não, o fato é que o Código Civil, em 2002, trata do Direito de Empresa e revogou, expressamente, a Parte Primeira do Código Comercial, Lei no 556, de 25 de junho de 1850 (artigo 2045). CONCEITO DE EMPRESÁRIO Da Caracterização O artigo 966 do Código Civil estabelece que: Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. Extrai-se desse conceito termos importantes: profissionalismo, atividade econômica organizada e produção ou circulação de bens ou serviços. O termo profissionalismo está ligado a ideia de habitualidade, pessoalidade e monopólio das informações que o empresário detém acerca do produto ou serviço objeto da empresa. Não é empresária, por exemplo, a senhora que faz ovos de chocolate para vender na Páscoa. É um ato esporádico. A atividade econômica organizada é a própria empresa. Não confunda com estabelecimento. Estabelecimento, de acordo com o artigo 1.142, do Código Civil, é todo complexo de bens organizado, para exercício da empresa, por empresário, ou por sociedade empresária. Por isso, o certo é dizer: Reformarei meu estabelecimento empresarial e não reformarei minha empresa. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L0556-1850.htm#parte primeira https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L0556-1850.htm#parte primeira 36 Direito Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Finalmente, produção ou circulação de bens ou serviços diz respeito ao comércio ou intermediação de serviços. Resumindo: Só será empresário aquele que exercer atividade econômica habitual, de forma profissional, com a finalidade de produzir ou de circular bens ou serviços. Da Inscrição A inscrição do empresário no Registro Público é obrigatória. Esse é o teor do artigo