Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Sinalização química 
 
 Mecanismo de comunicação celular 
utilizado pelas células para alterarem o seu 
comportamento em benefício do 
organismo como um todo. 
 É feito tanto por organismos unicelulares 
quanto pluricelulares. 
 É importante em todas as etapas da vida do 
organismo. 
 
 A célula está exposta a vários sinais o tempo 
todo e, por meio da integração de sinais, ela 
consegue assimilar as informações e 
sobreviver. 
 
 
 A princípio, a célula necessita de um 
mínimo de sinais para sobreviver. A partir 
dele, ocorre a interação entre outros 
diferentes sinais que irão interagir e 
desencadear a resposta necessária para 
aquela célula. Por exemplo, existem sinais 
que estimulam o crescimento, a divisão ou 
diferenciação celular. 
 É importante destacar que a ausência de 
sinais resulta no apoptose celular, ou seja, 
a morte celular. Isso ocorre quando a célula 
não se comunica seja pela ausência de 
sinais seja porque perdeu a capacidade de 
responder os sinais. 
 Mecanismos de sinalização 
 
 
 
✓ Sinalização por moléculas secretadas: a 
célula sinalizadora libera a molécula 
sinalizadora que irá atingir o receptor da 
célula alvo e, com isso, ocorre a sinalização. 
Não necessita do contato físico entre célula 
sinalizadora e alvo. 
 
Existem sinalizações: Autócrina, parácrina, 
endócrina e sináptica. 
 
Autócrina: nesse tipo, a célula sinalizadora é a 
própria célula alvo, ou seja, ela libera sinais que irão 
atuar na própria célula. É importante durante o 
desenvolvimento, no qual um grupo de células 
necessita ter a mesma tomada de decisão, que 
pode ser sobrevivência, proliferação, diferenciação 
ou migração. Também é importante nas células 
tumorais, pois produzem a sua sobrevivência, 
proliferação e metástase. 
 
Parácrina: a célula sinalizadora libera o sinal que irá 
interagir em células alvo próximas a célula 
sinalizadora, por isso, o sinal é chamado de 
mediador local. Isso ocorre pois o sinal tem meia 
vida curta ou é retirado rapidamente do meio 
extracelular pelas células vizinhas. Um exemplo é a 
mediada pelo óxido nítrico, que promove a 
vasodilatação. O óxido nítrico é produzido a partir 
de determinado estímulo nas células endoteliais da 
parede dos vasos sanguíneos, ele é liberado para as 
células musculares lisa da parede dos vasos, onde 
ativa uma via de sinalização química e promove o 
relaxamento muscular e, consequentemente, a 
vasodilatação 
 
Endócrina: a célula sinalizadora libera o sinal no 
sangue, o hormônio, que pode atuar em células 
alvo distantes da célula sinalizadora. Exemplo: Eixo 
hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA), em situações 
de estresse, o hipotálamo libera o hormônio GRH 
que estimula a hipófise a liberar o ACTH, que atua 
sobre a adrenal e estimula a liberação do cortisol. 
O cortisol está envolvido na resposta de luta e fuga. 
 
Sináptica: a célula sinalizadora é um neurônio que 
libera o sinal, o neurotransmissor, para a célula 
alvo, a qual pode ser outro neurônio, músculo ou 
glândula. Exemplo: neurotransmissor acetilcolina, 
que é responsável pela indução da contração 
muscular esquelética. Ela é liberada por um 
neurônio-motor na fenda sináptica, a qual irá se 
difundir até a célula muscular esquelética e 
produzir sua resposta 
 
✓ Sinalização dependente de contato: o sinal 
não é liberado no meio extracelular, a 
célula sinalizadora necessita interagir com a 
célula alvo para desencadear a resposta. A 
molécula sinalizadora pode ser inserida na 
membrana plasmática da célula 
sinalizadora ou passar direto do citoplasma 
da molécula sinalizadora para o citoplasma 
da molécula alvo. 
 
 
 
Junção comunicante: formada por um par de heme 
canais. Cada par é formado por 2 conexons. O canal 
está sempre aberto para a passagem de moléculas 
sinalizadoras, como os íons e segundos 
mensageiros. No entanto, em alguns momentos 
como a alteração de PH ou aumento de cálcio no 
meio intracelular, esses canais se fecham, pois 
representam um indício de apoptose celular. Além 
disso, os conexons podem ser formadas por 
diferentes conexinas, resultando na seletividade 
das junções. Ex.: conexons formados apenas por 
conexinas do tipo C32 permitem a passagem de 
AMPcíclico e GMPcíclico e as formadas por 
C32+C26 permitem a passagem apenas de 
GMPcíclico. 
Obs: a apoptose é desencadeada pelo aumento do 
cálcio no meio intracelular. O cálcio ativa as 
caspases, proteínas que realizam a apoptose. 
Por ex.: quando o glutamato desregulado 
superativa os canais de cálcio, entra muito cálcio 
dentro da célula e resulta na morte neurocelular. 
 
 
 
Adesão celular: proteínas presentes nas 
membranas das células adjacentes interagem para 
formar a adesão entre si, o que é importante para 
a formação dos tecidos. A adesão celular também 
é importante para a diapedese dos leucócitos. 
Proteínas nas membranas dos leucócitos 
interagem com proteínas na superfície das células 
epiteliais da parede dos vasos sanguíneos próximos 
ao local da inflamação. Através dessa interação, os 
leucócitos conseguem frear seu movimento ao 
longo dos vasos sanguíneos e atravessar as paredes 
dos vasos para chegar até o local da inflamação do 
tecido. 
 
 
 
 
Sinal hidrofílico: liberado por exocitose e interagem 
com proteínas da membrana da célula alvo. Os 
receptores de membrana ativam uma via de 
sinalização química intracelular para produzir a 
resposta. A resposta é rápida quando envolve a 
interação de proteínas já sintetizadas pela célula 
ou pode ser lenta quando a via de sinalização 
intracelular leva a síntese de novas proteínas. Logo, 
os receptores de membrana podem ou não ativar 
a transcrição gênica. 
Sinal hidrofóbico: liberado por difusão simples 
através da membrana e interage com proteínas 
intracelulares da célula alvo. Todo receptor 
intracelular ativa a transcrição gênica, ou seja, leva 
a síntese de novas proteínas para produzir a 
resposta. 
Obs.: A via de transdução de sinal sintetiza 
proteínas, bloqueia a síntese de proteínas, ativa 
proteínas. Essa via é uma modificação na atividade 
das proteínas e moléculas que acontecem 
sucessivamente e desencadeiam uma reposta 
celular. 
 
 
 A resposta celular depende do receptor e 
das proteínas intracelulares. 
Comparando uma célula muscular cardíaca e uma 
esquelética, exposta ao mesmo sinal, que é a 
acetilcolina, observamos que a célula muscular 
cardíaca responde com a diminuição da taxa e da 
força de contração e a célula esquelética responde 
com uma contração muscular. A diferença nas 
respostas se dá porque o receptor de membrana 
expressa na célula cardíaca é diferente do receptor 
de membrana expresso pela célula esquelética. 
Comparando uma célula cardíaca e uma célula da 
glândula salivar exposta ao mesmo sinal, 
acetilcolina, observamos que a resposta é 
diferente, mesmo possuindo o mesmo receptor de 
membrana. A célula da glândula salivar responde 
liberando saliva e, isso ocorre, pois, o conjunto de 
proteínas intracelulares são diferentes entre as 
células. 
 
 Propriedades da sinalização: 
 
Especificidade: um receptor é específico para 
determinado sinal 
Integração: célula produz uma única resposta 
frente a um conjunto de sinais diferentes. 
 
✓ Adaptação: é a diminuição da resposta da 
célula alvo frente a uma estimulação 
prolongada do sinal. Pode ser do tipo: 
Sequestro: o receptor é internalizado e 
armazenado dentro da célula. Após um tempo, 
esse receptor pode ser reinserido na membrana 
Down-regulation: o receptor é internalizado e 
degradado, a célula necessita sintetizar novos 
receptores para reinserir na membrana 
Inativação: o receptor sofre uma alteração 
conformacional que impede sua resposta ao sinal, 
essa modificação pode ser produzida, por exemplo, 
por fosforização 
Inativação de uma proteína sinalizadora: Uma 
proteína da via de sinalização intracelularsofre 
uma alteração conformacional, levando a 
interrupção da via de sinalização 
Produção de uma proteína inibitória: a via de 
sinalização ativada promove a síntese de uma 
proteína intracelular que irá inibir a via de 
sinalização. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Questionário: 
1. O que é sinalização química? 
2. Como ocorre a sinalização química? 
3. Quais os exemplos de moléculas 
sinalizadoras? (Cite 3) 
4. Quais os mecanismos de sinalização? 
Explique 
5. Explique detalhadamente a interação da 
junção comunicante 
6. Explique detalhadamente a adesão celular 
7. Explique detalhadamente a sinalização: 
a) Autócrina 
b) Parácrina 
c) Endócrina 
d) Sináptica 
8. Qual a diferença entre a sinalização de 
moléculas hidrofílicas e hidrofóbicas? 
9. Quais as propriedades da sinalização? 
Explique cada uma delas. 
10. Cite e explique um exemplo de uma 
resposta que depende do receptor e uma 
da proteína intracelular. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Receptores de 
membrana 
 
A sinalização química é dada através da ativação de 
receptores 
 Os receptores de membrana podem ser de 
3 tipos: 
Ionotrópicos: são canais iônicos dependentes de 
ligante. Quando o sinal se liga ao receptor, ele é 
ativado, levando a abertura do canal e a passagem 
de íons através da membrana. 
Metabotrópicos: são receptores acoplados a 
proteína G. Quando ativado, esses receptores se 
acoplam e ativam proteína G. 
Catalíticos: possuem atividade enzimática, quando 
o sinal se liga ao receptor a sua atividade 
enzimática é ativada. 
 
 
Sinalização química através de receptores 
ionotrópicos 
São receptores formados por subunidade, 4 ou 5 
subunidades se combinam para formar um 
receptor ionotrópicos. A combinação das 
subunidades determina as características dos 
receptores ionotrópicos, como a frequência de 
abertura do canal, o tempo que o canal permanece 
aberto e os íons que atravessam o canal. 
Os receptores nicotínicos da junção neuromuscular 
são compostos por duas subunidades alfas, duas 
betas e uma sigma, que permite o influxo ou 
entrada de sódio e efluxo ou saída de potássio, 
resultando na contração muscular. No SNC, os 
receptores nicotínicos são compostos por outra 
combinação de subunidades, por ex., um tipo de 
receptor nicotínico é composto apenas por 
subunidades alfa e permitem o influxo de íons 
cálcio. 
Tipos de receptores ionotrópicos: AMPA, NMDA, 
Cainato – são receptores que possuem como 
ligante o neurotransmissor glutamato, o principal 
neurotransmissor excitatório do sistema nervoso 
central (SNC). Receptores GABAa e GABAc 
possuem como ligante o neurotransmissor GABA, 
o principal neurotransmissor inibitório do SNC. Os 
receptores nicotínicos possuem como ligante o 
neurotransmissor acetilcolina. 
 
Uma exceção entre os receptores ionotrópicos é o 
receptor NMDA para glutamato, pois é um canal 
iônico dependente de ligante e voltagem. Quando 
glutamato se liga ao receptor, ele abre o canal, no 
entanto, não há passagem de íons, pois os íons 
magnésio está ligado no interior do poro do canal. 
Para que ocorra a passagem de íons pelo receptor, 
é necessário que ocorra também uma alteração 
das cargas das membranas, que expulsam o íon 
magnésio, permitindo a entrada de sódio e cálcio e 
a saída do potássio. 
 
Os receptores GABAa e GABAc quando recebem o 
GABA, abrem seus canais e permitem a entrada de 
cloreto na célula. 
 
Os receptores GABAa apresentam sítios para 
outros ligantes, eles são diferentes do sítio de 
ligação do GABA e, portanto, essas substâncias não 
são capazes de ativar o receptor GABA e sim 
modular sua atividade. Apenas o neurotransmissor 
GABA tem a capacidade de ativar o receptor 
GABAa. 
 Por exemplo, os receptores GABAa possuem um 
sítio de ligação para os benzodiazepínicos e 
barbitúricos, esses fármacos não ativam o receptor 
GABAa, mas potencializam as ações inibitórias do 
GABA, por aumentar o fluxo de cloreto. 
 
Os receptores catalíticos possuem atividades 
catalíticas que quando ativados existe a ação desse 
domínio catalítico. Eles podem apresentar o 
domínio catalítico na sua estrutura ou se associar a 
uma enzima. 
 
 Existem 6 tipos: 
Receptores tirosina kinase – fosforiza proteínas em 
seus aminoácidos tirosina 
Receptores associados a tirosina kinase – são 
receptores que fosforizam proteínas e seus 
aminoácidos tirosina 
Receptores serina/treonina kinase – fosforizam as 
proteínas e seus AA serina e treonina 
Receptores histidina kinase – fosforizam proteínas 
e seus AA histidina 
Receptores guanilil ciclase – aumentam os níveis 
intracelulares de GMPcíclico 
Receptores tirosina fosfatase – desfosforizam 
proteínas e seus AA tirosina 
 
Receptores tirosina kinase – estão envolvidos em 
fatores como a sobrevivência, proliferação, 
diferenciação, síntese de proteínas, angiogênese, 
entre outros efeitos. 
Após a interação do ligante, os receptores se 
dimerizam e, em seguida, a fosforilação cruzada 
dos domínios tirosina kinase (esse processo 
aumenta a atividade do domínio catalítico), 
seguido da fosforilação dos Aminoácidos (AA) 
tirosina ao longo do receptor. Esses AA tirosina 
fosforilados permitem a ligação de proteínas 
intracelulares no receptor tirosina kinase. 
Como o domínio tirosina kinase se auto fosforila 
antes de fosforilar outras proteínas, sua inativação 
só ocorre pela atividade de uma fosfatase, a qual 
irá desfosforilar o domínio. 
 
Ele pode ativar 3 vias de sinalização: 
• Via PI3 kinase – envolvida na sobrevivência 
celular 
• Via das MAP kinase – envolvida na 
sobrevivência, proliferação e diferenciação 
• Via da fosfolipase PKC que está envolvida 
no crescimento e diferenciação celular 
Na via da fosfolipase PKC está relacionada com os 
receptores metabotrópicos. Nessa via, a 
fosfolipase C se liga diretamente ao receptor 
tirosina kinase para ser ativada, em seguida a via de 
sinalização segue o mesmo mecanismo dos 
receptores metabotrópicos. 
 
 
Na via das MAP kinase, após a ativação do receptor 
tirosina kinase, a proteína GRB2 se liga ao receptor, 
permitindo a ligação da proteína RAS. A proteína 
RAS é uma proteína G monomérica. Quando ela se 
liga ao receptor tirosina kinase, através da proteína 
GRB2, ocorre a troca de GDP para GTP, o que ativa 
a proteína. Em seguida, a RAS ativa a proteína Raf, 
uma kinase que fosforiza e ativa a proteína MEK, 
uma kinase que fosforiza e ativa a MAP Kinase, a 
qual ativa, através da fosforilação, outras proteínas 
intracelulares, inclusive fatores de transcrição, 
levando a síntese de novas proteínas. 
Na via da PI3 kinase, após a ativação do receptor 
tirosina kinase, a enzima PI3 kinase se liga ao 
receptor, em seguida, fosforiza o fosfolipídio de 
membrana PIP2 em PIP3. O PIP3 permite o 
ancoramento das proteínas PDK1 e AKT. A PDK1 
fosforila e ativa a AKT, a qual se desliga da 
membrana e fosforila alvos intracelulares. Um 
desses alvos é a proteína Bad, sua fosforilação pela 
AKT promove seu desligamento de uma proteína 
inibidora da apoptose. Essa proteína livre atua 
inibindo a apoptose, promovendo, então, a 
sobrevivência celular. 
 Sinalização química por receptores 
metabotrópicos 
 
Os receptores metabotrópicos são acoplados a 
proteína G, eles contêm um sítio extracelular de 
ligação ao sinal e sítios intracelulares de ligação a 
proteína G. Quando o sinal se liga ao receptor, ele 
é ativado e muda sua conformação expondo seu 
sítio de ligação para a proteína G, que se liga ao 
receptor. A proteína G é uma proteína trimérica 
composta pelas subunidades alfa, beta e gama. Em 
sua conformação inativa, a subunidade alfa está 
ligada a GDP e todas as subunidades estão unidas. 
Quando a proteína G é ativada pelo receptor, ela 
perde afinidade pelo GDP e o GTP se liga a proteína 
G. Então, nesse caso, existe uma troca de GDP por 
GTPna proteína G. Ela ativada se dissocia, em 
subunidade alfa ligada a GTP e complexo beta-
gama. Qualquer um dos dois pode ativar vias de 
sinalização intracelular 
A subunidade alfa é uma GTPase, sendo então, 
capaz de hidrolisar GTP em GDP. Logo, depois de 
ativar vias de sinalização, a subunidade alfa ativa a 
sua atividade enzimática e hidrolisa o GTP, 
voltando a estar associada ao GDP. Em seguida, as 
3 subunidades se unem novamente para formar a 
proteína G inativa. Se o ligante ainda estiver ligado 
ao receptor, a proteína pode ser novamente 
reativada, reiniciando o ciclo. 
 
A proteína G ativada, pode ativar ou inibir enzimas 
que produzem segundos mensageiros ou se ligar a 
canais iônicos, regulando o fluxo de íons através da 
membrana. 
 Um exemplo de regulação de canal iônicos por 
proteína G ocorre nas células musculares 
cardíacas. Nessas células, a acetilcolina ativa seu 
receptor metabotrópico chamado de receptor 
muscarínico, o qual ativa uma proteína G. Ela se liga 
diretamente a canais de potássio, induzindo a sua 
abertura e efluxo de potássio, levando a uma 
diminuição da taxa e força de contração cardíaca. 
 
A proteína G pode modular a atividade de enzimas 
que produzem segundos mensageiros. Por 
exemplo, o AMPcíclico. Nessa via de sinalização, 
um sinal se liga e ativa o receptor metabotrópico 
acoplado a proteína G, que nesse caso, é uma 
proteína Gs ou G estimulatória. Essa proteína Gs 
estimula a enzima adenililciclase que sintetiza 
AMPc a partir de ATP. Esse AMPcíclico ativa a 
proteína PKA dependente de AMPc. 
A PKA é composta por 2 subunidades regulatórias 
e 2 subunidades catalíticas. Cada subunidade 
regulatória possui dois sítios de ligação para o 
AMPc, então são necessárias 4 moléculas de AMPc 
para ativar a PKA. Após a ligação das subunidades 
das moléculas de AMPc as subunidades 
regulatórias, elas se dissociam das subunidades 
catalíticas que podem, então, fosforilar as 
proteínas alvos. As proteínas alvos podem ser 
enzimas, canais iônicos e fatores de transcrição. 
 
Um importante fator de transcrição ativado pela 
PKA é o fator de transcrição CREB. Ele está 
envolvido em diversos eventos como sobrevivência 
celular, formação de sinapses e mecanismos de 
formação de memória. A CREB é um fator de 
transcrição que está localizado no núcleo. Então, as 
subunidades catalíticas da PKA, quando ativadas, 
migram para o núcleo e fosforilam a CREB, que se 
liga ao DNA e induz a síntese de proteínas. 
 
Outro tipo de proteína G é a proteína Gi ou 
proteína G inibitória. Após o receptor 
metabotrópico ser ativado por um sinal e ativar a 
proteína Gi, esta inibe a enzima adenililciclase, 
diminuindo os níveis intracelulares de AMPc e 
inibindo a PKA. 
 
Enquanto a proteína Gs estimula a adenililciclase, a 
proteína Gi inibe a enzima. Dessa forma, essas 
proteínas G regulam os níveis intracelulares de 
AMPc. 
 
O GMPc é um segundo mensageiro que não é 
produzido a partir de receptor metabotrópicos e 
proteína G. O GMPc é produzido a partir da 
ativação da enzima guanililciclase, que produz 
GMPc a partir do GTP. O GMPcíclico pode se ligar 
diretamente a canais iônicos regulando a atividade 
desse canal ou ativar a proteína PKG ou proteína 
kinase dependente de GMPc. Tanto o AMPc 
quanto GMPc são regulados por enzimas 
intracelulares chamadas de fosfodiesterases, essas 
enzimas degradam o AMPc e o GMPc, reduzindo 
seus níveis intracelulares. 
 
O GMPc pode regular a atividade de canais iônicos 
nos fotorreceptores que são células presentes na 
retina e são especializadas em captar estímulos 
luminosos. Quando os fotorreceptores estão na 
ausência da luz, os níveis intracelulares de GMPc 
estão altos, então o GMPc se liga e ativa canais de 
cálcio dependentes de GMPc, induzindo a sua 
abertura. Com isso, ocorre o influxo de cálcio e 
sódio, o que leva o fotorreceptor a liberar o 
neurotransmissor glutamato. Na presença de luz, 
há uma diminuição dos níveis intracelulares de 
GMPc e os canais de cátions dependentes de GMPc 
se fecham, não existindo mais influxo de sódio e 
cálcio. E os fotorreceptores diminuem, então, a 
liberação do neurotransmissor glutamato. 
 
O óxido nítrico é um exemplo de molécula sinal que 
ativa diretamente a guanililciclase, ele é sintetizado 
a partir do aminoácido (AA) arginina, pela ação da 
enzima NOsintase, produzindo óxido nítrico e 
citrolina. O NO então se liga a guanililciclase e 
estimula a síntese de GMPc, a partir de GTP. Esse 
mecanismo é utilizado para promover 
vasodilatação. O óxido nítrico produzido pelas 
células endoteliais dos vasos migra para as células 
musculares lisas, onde aumenta os níveis 
intracelulares de GMPc, a partir da ativação da 
guanililciclase. O GMPc, então, induz o 
relaxamento das células musculares lisas e, 
consequentemente, a vasodilatação. 
 
 
 
Outros segundos mensageiros são a DAG e IP3, 
nessa via de sinalização, o sinal ativa um receptor 
metabotrópico que ativa uma proteína Gq. Essa 
proteína ativa a enzima fosfolipase C, a qual 
hidrolisa fosfolipídios de membrana, o PIP2 em 
DAG, que permanece na membrana. E IP3 que fica 
livre no citosol e migra para o RE, ligando-se e 
ativando canais de cálcio. O cálcio, então, sofre 
efluxo do RE e aumenta seu nível no citosol. Com 
isso, o cálcio se liga a uma proteína chamada de 
PKC (ou proteína kinase dependente de cálcio). A 
PKC ligada ao cálcio migra para a membrana, liga-
se a DAG e se ativa completamente. Em seguida, a 
PKC se desliga da membrana, volta para o citosol e 
fosforila proteínas alvo. Quando o cálcio se desliga 
da PKC, ela fica inibida. 
 
O cálcio também é considerado um segundo 
mensageiro. Além de ativar a PKC, ele também 
pode ativar uma outra kinase, a CAMK 
(Camkinase). Após o aumento dos níveis 
intracelulares de cálcio, esse íon se liga a uma 
proteína chamada calmodulina, formando o 
complexo cálcio-calmodulina. Esse complexo se 
liga na CAMK, ativando a enzima, que irá fosforilar 
outras proteínas alvo. Existem 4 tipos de CAMK, 
mas a CAMK2 é uma das mais estudadas, pois ela 
permanece ativada mesmo na ausência de Cálcio. 
Quando os níveis de cálcio intracelulares 
diminuem, o complexo cálcio-calmodulina se 
desfaz e as CAMK, exceto a 2, ficam inativadas. Isso 
ocorre, pois, a CAMK2 após ser ativada, se auto 
fosforila, antes de fosforilar outras proteínas. 
Então, mesmo na ausência de cálcio, essa proteína 
permanece ativada. Ela se torna inativa apenas 
quando uma fosfatase desfosforila a proteína. 
 
Uma propriedade de sinalização química que é 
observada nas vias sinalizadas por receptores 
metabotrópicos é a amplificação. Podemos notar 
que a cada etapa da via de ativação sinalizada por 
esses receptores, existe um aumento no número 
de moléculas envolvidas. Então, a cada etapa da 
sinalização, ocorre uma amplificação do sinal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
BIOELETROGÊNESE: 
Potencial de 
membrana 
 
 
 
 
 
 
 
Os neurônios transmitem diferentes informações. 
Por exemplo, alguns são neurônios sensoriais 
envolvidos na transmissão das informações 
relacionadas a tato, visão, audição e etc. Outros 
são neurônios motores que estão envolvidos na 
indução da contração muscular esquelética que 
permite os movimentos do corpo. 
 
 
Ao astrócitos, oligodendrócitos e microglia estão 
presentes no SNC e as células de Shwann no SNP. 
 
No SNC, os astrócitos estão presentes na sinapse. 
Ele regula a resposta da transmissão pós-sináptica, 
podendo diminuir ou aumentar. Os astrócitos 
podem retirar alguns neurotransmissores no SNC, 
para interromper a presença do sinal, isso serve 
para evitar o mecanismo de adaptação celular, no 
qual a célula fica demasiadamente exposta ao sinal. 
 
 
Após uma lesão a quantidade de micróglia no local 
aumenta para regular a inflamação e promover a 
regeneração. 
A desregulação damicróglia gera intenso processo 
inflamatório que, em vez de estimular a 
sobrevivência celular, causa a morte neural. 
 
 
 
 
 
Na maioria dos neurônios, o potencial de repouso 
é em torno de -65Mv. No entanto, os neurônios 
estão em contato com diferentes sinais 
extracelulares que promovem alteração no 
potencial de membrana. Ou seja, retiram os 
neurônios do potencial de repouso. Essa variação é 
gerada pelo movimento de íons através da 
membrana. Um exemplo da variação do potencial 
de membrana é a geração do potencial receptor. 
Esse potencial é gerado a partir de estímulos que 
são convertidos em sensações como tato e 
audição, por exemplo. 
Na figura acima, temos: 
A) Nesse exemplo, podemos observar no 
neurônio sensorial, envolvido na captação 
dos estímulos sensoriais de tato. A ponta do 
dedo está sofrendo uma pressão mecânica 
que ativa os neurônios sensoriais que 
inervam a pele. Eles são ricos em canais de 
cátions sensíveis a estiramento, então o 
estímulo mecânico gera uma pressão no 
dedo que abre os canais de cátions 
sensíveis a estiramento. Com isso, ocorre o 
influxo de cálcio e sódio, levando a 
alteração do potencial de membrana e 
geração do potencial receptor. 
Logo, o potencial do receptor está relacionado ao 
estímulo físico que leva a uma modificação no 
neurônio, pela alteração do potencial de 
membrana do neurônio. O potencial aumenta para 
valores menos negativos. Quando o estímulo cessa, 
a célula volta ao repouso. 
B) Outro tipo de variação do potencial de 
membrana é o disparo do potencial pós-
sináptico que ocorre durante a transmissão 
sináptica. Um neurônio pré-sináptico libera 
neurotransmissores que interagem com 
receptores no neurônio pós-sináptico. Isso 
leva a abertura de canais iônicos e 
passagem de íons através da membrana, 
alterando o potencial de membrana e 
gerando o potencial pós-sináptico. No final, 
os neurotransmissores são retirados 
gradativamente. 
C) Último exemplo de potencial de membrana 
é o disparo do potencial de ação. Ele é uma 
grande e rápida variação no potencial de 
membrana e é necessário para que o 
neurônio libere neurotransmissores. 
Obs.: Quanto maior a quantidade de 
neurotransmissores, maior a mudança no 
potencial de ação 
 
 
Logo, para que ocorra a variação no potencial de 
membrana, é necessário a passagem de íons 
através da membrana. Isso ocorre através da ação 
de transportadores e canais iônicos. 
 
Existem diferentes tipos de canais iônicos, como os 
canais iônicos dependentes de ligante. O ligante se 
liga no canal, promovendo sua abertura e 
passagem de íons através da membrana. Esse 
ligante pode ser externo, como no caso dos 
receptores ionotrópicos, ou internos. Alguns canais 
podem ser ativados por cálcio enquanto outros por 
segundos mensageiros como GMPc e AMPc. Então, 
cálcio, GMPc e AMPc são exemplos de ligantes 
internos para canais iônicos dependentes de 
ligante. 
 
Canais iônicos dependentes de voltagem são 
sensíveis a variação do potencial de membrana. 
Quando isso ocorre, ocorre a abertura do canal e 
passagem de íons através da membrana. Existem 
diferentes tipos de canais iônicos dependentes de 
voltagem como o de sódio, cálcio, potássio e 
cloreto. 
 
Canais iônicos dependentes de fosforilação 
precisam ser fosforilados para que ocorra a sua 
abertura. Canais iônicos dependentes de 
estiramento dependem do estiramento da 
membrana para que ocorra a passagem de íons, ele 
está muito presente nos neurônios sensoriais 
envolvidos na captação dos estímulos de tato. E, 
por último, canais vazantes ou de repouso estão 
sempre abertos permitindo a passagem de íons 
através da membrana. 
 
A permeabilidade é determinada pela presença de 
canais na membrana. Se a membrana possui canais 
para um determinado íon, ela é permeável a esses 
íons. 
 
O fluxo iônico é o número de íons que consegue 
atravessar em determinado tempo. 
O gradiente de concentração é a diferença de 
concentração de íons entre dois ambientes. 
Quanto maior for o gradiente de concentração, 
maior é fluxo iônico. Por isso, são diretamente 
proporcionais. 
 
A mobilidade iônica é a capacidade dos íons se 
movimentarem através de um meio. Quanto 
menor for os íons, menor é a mobilidade iônica. Por 
exemplo, íons sódio são pequenos e possuem 
mobilidade iônica baixa. Já os íons de potássio e 
cloreto são maiores que o íon sódio e, por isso, 
possuem mobilidade iônica maior. Isso é 
promovido pela camada de hidratação ou 
saturação, pois os íons – por serem moléculas 
carregadas- apresentam essa camada em solução 
aquosa. Quanto menor o íon, maior a sua camada 
de hidratação e menor é a sua mobilidade iônica. 
Por outro lado, quanto maior o íon, menor é a sua 
camada de hidratação, e maior é a sua mobilidade 
iônica. 
 
Canais iônicos podem ser seletivos a um único íon 
ou a diferentes íons. A seletividade é determinada 
pelo tamanho do poro do canal. Os íons maiores 
que o poro do canal não são capazes de atravessar 
o poro iônico. A seletividade também é 
determinada pelo filtro de seletividade, que é uma 
determinada sequência de aminoácido no interior 
do poro do canal, que interage diretamente com os 
íons. Apenas íons que são capazes de interagir com 
o filtro de seletividade são capazes de atravessar o 
canal. Ao entrar no canal, o íon permanece com a 
sua camada de hidratação, no entanto, ao se 
aproximar do filtro seletividade, o íon perde a sua 
camada de hidratação e interage com o filtro de 
seletividade. Após isso, ele volta a apresentar a 
camada de hidratação e termina de atravessar o 
canal. Se o íon não é capaz de interagir com o filtro 
de seletividade, ele nem chega a perder a sua 
camada de hidratação, sendo repelido pelo canal. 
 
Para que ocorra o fluxo iônico através dos canais 
iônicos é necessário que haja gradiente de 
concentração. Na maioria das células, tanto de 
vertebrados quanto de invertebrados, os íons 
sódio, cloreto e cálcio são mais concentrados no 
meio extracelular e o potássio é mais concentrado 
no meio intracelular. Esse gradiente de 
concentração é criado e mantido pela ação de 
transportadores através do transporte ativo tanto 
primário quanto secundário. 
 
As diferenças na distribuição iônica geram um 
movimento de íons através da membrana. Por 
exemplo, podemos utilizar um recipiente aquoso 
separado por uma membrana onde ocorre uma 
diferença de concentração de potássio e sódio 
entre os dois compartimentos. Se adicionarmos na 
membrana canais, que são permeáveis apenas a 
potássio, podemos observar um movimento do íon 
do compartimento onde ele é mais concentrado 
para o compartimento onde ele é menos 
concentrado. 
 
Agora, se adicionarmos canais que são permeáveis 
apenas ao sódio, veremos o movimento desses 
íons do compartimento onde está mais 
concentrado para o compartimento onde está 
menos concentrado. 
Logo, os íons só atravessam a célula por meio de 
canais iônicos. Os íons só são permeáveis se houver 
um canal para eles na membrana. A membrana 
impermeável é aquela que não possui canal e o 
potencial elétrico é 0, pois não possui fluxo de íons. 
Membrana permeável é aquela que possui canal 
iônico e o potencial elétrico da membrana é 
variável se houver a diferença de íons no meio intra 
e extracelular. 
 
Se não existe diferença de concentração entre os 
dois compartimentos, o fluxo resultante é 0. 
Existem o movimento iônico, mas o fluxo 
resultante é 0. Obs.: Isso não ocorre na célula, pois 
sempre existe diferença de concentração de íons. 
No entanto, se existe uma diferença de 
concentração, existe fluxo iônico. 
No exemplo acima, o potássio está mais 
concentrado no compartimento I e se desloca em 
direção ao compartimento II. Como o potássio é 
uma molécula carregada positivamente, o seu 
movimento gera uma separação de cargas através 
da membrana.Então, a saída de potássio do 
compartimento I promove um acúmulo de cargas 
negativas na face da membrana em contato com o 
compartimento I e cria um acúmulo de cargas 
positivas na face da membrana em contato com o 
compartimento II. Logo, o movimento de potássio 
gera uma separação de cargas através da 
membrana que é chamada de diferença de 
potencial elétrico. E essa diferença de potencial 
elétrico cria um outro gradiente que é chamado de 
gradiente elétrico. Dessa forma, o potássio que foi 
em direção ao compartimento II, a favor do seu 
gradiente de concentração, volta para o 
compartimento I a favor do seu gradiente elétrico. 
 
Em determinado momento, essas forças entram 
em equilíbrio, onde o gradiente de concentração se 
iguala ao gradiente elétrico. Nesse momento, o 
fluxo resultante é 0. O potencial de membrana 
onde isso ocorre é chamado de potencial de 
equilíbrio do íon. 
 
Os valores dos potenciais de equilíbrio dos íons 
foram determinados experimentalmente 
utilizando a lula como modelo de estudo. A lula, 
por ser um animal invertebrado, possui neurônios 
com axônios de grande diâmetro, o que facilita a 
inserção de eletrodos e os registros 
eletrofisiológicos. Por isso, esses neurônios são 
chamados de neurônios gigantes de lula. 
 
O potencial de equilíbrio de um íon também pode 
ser calculado matematicamente através da 
equação de Nerst. Só é possível calcular se os 
valores das concentrações dos íons no meio extra 
e intracelular forem conhecidos, visto que todos os 
outros valores são constantes. 
 
 
 
 
Como já citado, todas as membranas possuem uma 
separação de cargas, o que gera uma diferença de 
potencial elétrico, a qual é chamada de potencial 
de membrana. Quando a célula está no repouso, o 
potencial de membrana é chamado de potencial de 
repouso. Nos neurônios, possui o valor de -65mV. 
 
As células da glia, no repouso, possuem apenas 
fluxo iônico através dos canais vazantes de 
potássio. O potássio é mais concentrado no meio 
intracelular, então ele sai da glia a favor do seu 
gradiente de concentração. Entretanto, isso cria 
uma separação de cargas na membrana, onde a 
monocamada interna tem um acúmulo de cargas 
negativas e a monocamada externa tem acúmulo 
de cargas positivas. Logo, o potássio entra na glia a 
favor do seu gradiente elétrico. O equilíbrio é 
atingido quando o gradiente de concentração se 
iguala ao gradiente elétrico, ou seja, o efluxo de 
potássio se iguala ao influxo de potássio. Esse 
equilíbrio é atingido no valor de -75mV que é o 
valor de potencial de repouso da glia. Esse valor 
também é exatamente igual ao valor de potencial 
de equilíbrio do potássio, pois no repouso, a célula 
da glia tem apenas os canais vazantes de potássio 
abertos. 
 
Os neurônios no repouso têm basicamente canais 
vazantes de sódio e de potássio abertos. O fluxo de 
potássio nos neurônios ocorre de maneira similar 
ao descrito na glia, sendo também afetado pelo 
gradiente de concentração e gradiente elétrico. 
No caso do sódio, ele entra no neurônio pelo seu 
gradiente de concentração e pelo seu gradiente 
elétrico. Essa entrada de cargas positivas, pelo 
influxo de sódio, torna a monocamada interna 
menos negativa, reduzindo a força do gradiente 
elétrico, tanto do sódio quanto do potássio. O 
equilíbrio será atingido quando o efluxo do 
potássio for igual ao influxo de sódio, e esse 
equilíbrio é atingido no valor de -65mV, que é 
potencial de repouso do neurônio. Esse valor está 
próximo do valor de potencial de equilíbrio do 
potássio, mas distante do valor de potencial do 
equilíbrio do sódio. Isso ocorre, pois no repouso, o 
neurônio é mais permeável ao potássio do que ao 
sódio. 
 
Bioeletrogênese: 
Potencial de Ação e 
Propagação 
 
 
 
No exemplo acima, dois eletrodos foram aplicados 
no neurônio, um eletrodo de estímulo, para 
simular diferentes tipos de estímulos, e um 
eletrodo de registro, para registrar o valor do 
potencial de membrana após esses diferentes 
estímulos. 
Os dois primeiros estímulos, com intensidades 
diferentes, promoveram a entrada de corrente no 
neurônio. Ele respondeu diminuindo o valor do seu 
potencial de membrana, ou seja, o neurônio sofreu 
hiperpolarização. Como o segundo estímulo foi 
mais intenso do que o primeiro, a amplitude da 
resposta foi maior, promovendo maior 
hiperpolarização. 
Os outros estímulos, também de diferentes 
intensidades, promoveram saída de corrente do 
neurônio. O primeiro deles promoveu o aumento 
do potencial de membrana, ou seja, o neurônio 
sofreu despolarização. No entanto, essa 
despolarização foi de pequena amplitude, não 
sendo suficiente para atingir o limiar de 
excitabilidade que é o valor do potencial de 
membrana necessário para ser atingido, para que 
o neurônio dispare um potencial de ação. Na 
maioria dos neurônios, esse valor é em torno de 
-55mV. 
A partir dos estímulos seguintes, eles foram 
intensos o suficiente para gerar respostas 
despolarizantes com amplitude suficiente para 
atingir o limiar de excitabilidade e disparar um 
potencial de ação. O potencial de ação sempre gera 
a mesma variação do potencial de membrana. 
Então, nos estímulos mais intensos, não existe o 
aumento do valor de potencial de membrana, mas 
existe um aumento na frequência de disparo de 
potenciais de ação. 
Os potenciais de ação são importantes para o 
neurônio liberar neurotransmissores, promovendo 
transmissão sináptica. Essas moléculas 
sinalizadoras só são liberadas quando o neurônio 
dispara um potencial de ação. Estímulos 
hiperpolarizantes nunca levam ao disparo do 
potencial de ação, pois sempre afastam o potencial 
de membrana do limiar de excitabilidade. 
Estímulos despolarizantes podem levar ao disparo 
do potencial de ação, desde que o estímulo seja 
suficiente para atingir o limiar de excitabilidade. 
O potencial de ação é chamado de resposta tudo 
ou nada, pois não tem como interromper o 
potencial depois que ele é ativado e ou ele atinge 
o limiar e dispara ou não atinge e não dispara. 
 
Respostas hiperpolarizantes e despolarizantes 
abaixo do limiar de excitabilidade são respostas 
eletrotônicas ou locais, pois ao se propagarem, há 
a perda da amplitude da resposta. Dessa forma, 
não conseguem se propagar por grandes 
distâncias. 
Por exemplo, os íons sódio entram na célula, uma 
parte sofre efluxo pela bomba de sódio e potássio 
ATPase e outra parte é difundida. Ele não atinge o 
limiar de excitabilidade, logo, a resposta é local e se 
perde. 
 
O potencial de ação é uma resposta propagável, 
pois ao se propagar, não ocorre a perda da 
amplitude da resposta. Isso ocorre, pois, o 
potencial de ação é regenerativo, ou seja, um 
potencial de ação estimula o disparo de outro 
potencial de ação, na região adjacente da 
membrana. 
 
As bases iônicas dos potenciais de ação foram 
descritas pelos pesquisadores Alan Lloyd Hodgkin e 
Andrew Fielding Huxley e, por isso, eles ganharam 
o prêmio Nobel de medicina em 1963. 
Esses dois pesquisadores utilizaram os axônios 
gigantes de lula e uma técnica chamada de fixação 
de voltagem. O potencial de membrana desses 
axônios gigantes de lula foi fixado em 0mV, bem 
acima do limiar de excitabilidade, garantindo com 
que os neurônios estejam disparando o potencial 
de ação. 
Ao registrar a corrente desses neurônios, eles 
observaram uma corrente inicial de entrada e uma 
corrente tardia de saída. Eles desconfiavam que a 
corrente inicial de entrada seria causada pelo 
influxo de íons sódio, então, eles utilizaram uma 
salina sem sódio para banhar os neurônios, 
retirando, então, o sódio do meio extracelular. 
Com isso, eles viram que, nesse caso, a corrente 
inicial de entrada era perdida, no entanto, a 
corrente tardia de saída era mantida. 
Quando o sódio era reposto na salina, a corrente 
inicial de entrada voltava a ser observada,mostrando, assim, que essa corrente inicial de 
entrada, era causada pelo influxo de íons sódio. 
Para avaliar se os canais envolvidos seriam canais 
de sódio voltagem dependentes, os pesquisadores 
aplicaram, tetrodo toxina ou TTX nesses neurônios. 
O TTX é uma toxina que bloqueia a abertura de 
canais de sódio voltagem dependente. Quando o 
TTX foi aplicado, a corrente inicial de entrada foi 
perdida e a corrente tardia de saída foi mantida. 
Com isso, conclui-se que a corrente inicial de 
entrada era causada pela abertura de canais de 
sódio voltagem dependente. 
Para avaliar se a corrente tardia de saída era 
promovida pela abertura de canais de potássio 
voltagem dependentes, os pesquisadores 
aplicaram tetraetilamônio. O tetraetilamônio 
bloqueia a abertura de canais de potássio voltagem 
dependentes. Quando o tetraetilamônio foi 
aplicado nos axônios de lula, apenas a corrente 
tardia de saída era perdida. Com isso, conclui-se 
que a corrente tardia de saída era promovida pela 
abertura de canais de potássio voltagem 
dependentes. 
 
Logo, o influxo de íon sódio promovido pela 
abertura desses canais promoveria a fase do 
potencial de ação onde ocorre o aumento do 
potencial de membrana. E o efluxo de potássio 
promovido pela abertura dos canais de potássio 
voltagem dependentes seria responsável pela fase 
do potencial de ação, onde ocorre a redução do 
valor do potencial de membrana. 
 
Para o disparo do potencial de ação, a célula 
precisa ser despolarizada acima do limiar de 
excitabilidade. Isso leva a abertura de canais de 
sódio voltagem dependentes e influxo de íons 
sódio, deslocando, assim, o potencial da 
membrana até +40mV. Nesse momento, ocorre a 
inativação dos canais de sódio VD e abertura dos 
canais de potássio VD, resultando no efluxo de íons 
potássio e deslocando o potencial de membrana 
até -75mV, que é o valor do potencial de equilíbrio 
do íon potássio. Nesse momento, ocorre o 
fechamento dos canais de potássio VD e volta 
gradativa do potencial de membrana ao potencial 
de repouso de -65mV. 
 
 
 
 
Logo, podemos dividir o potencial de ação em 
fases. 
A fase ascendente que vai de -65mV até 0mV. 
O pico de ultrapassagem que vai de 0mV, passando 
por +40mV e voltando para 0mV. Essa é a fase do 
potencial de ação, na qual ocorre a inversão de 
cargas na membrana. A monocamada interna fica 
com carga positiva e monocamada externa fica 
com carga negativa. 
A fase descendente vai de 0mV até -65mV 
A fase de pós-hiperpolarização vai de -65mV, 
passando por -75mV e voltando para o potencial de 
repouso. Essa é a fase do potencial de ação, onde 
a monocamada interna fica mais negativa do que 
no potencial de repouso. 
 
O local onde o primeiro potencial de ação é 
disparado é chamado de zona de disparo. Na 
maioria dos neurônios, a zona de disparo está 
localizada na região inicial do axônio do neurônio. 
Isso ocorre, pois, nessa região, o limiar de 
excitabilidade é de -55mV, sendo menor que o 
limiar de excitabilidade na região dos dendritos, 
que é de -35mV. Nos dendritos, existem poucos 
canais de sódio VD, os quais, por outro lado, são 
abundantes na região dos axônios dos neurônios, 
por isso, o limiar de excitabilidade é menor na 
região axional. 
O neurônio recebe um estimulo na região dos 
dendritos. Se a resposta a esses estímulos for 
despolarizante, dificilmente essa resposta possuíra 
a amplitude suficiente para atingir o limiar de 
excitabilidade dessa região, não disparando, então, 
um potencial de ação. No entanto, essa resposta se 
propaga em direção ao axônio do neurônio, com 
perda da amplitude da resposta. Chegando nessa 
região, se a resposta despolarizante tiver 
amplitude suficiente para atingir o limiar de 
excitabilidade, um potencial de ação é disparado. 
 
Neurônios não mielinizados e neurônios 
mielinizados propagam potencial de ação por 
mecanismos diferentes. Nos neurônios não 
mielinizados, quando ocorre o estímulo para o 
disparo de um potencial de ação, ocorre a abertura 
de canais de sódio VD e grande influxo de íons 
sódio nessa região. Parte do íon sódio que sofreu 
influxo, migra para a região vizinha, despolarizando 
a região vizinha, acima do limiar de excitabilidade, 
levando ao disparo de outro potencial de ação 
nessa região vizinha. 
Então, a abertura de canais de sódio VD nessa 
região vizinha e a parte do sódio que recebeu 
influxo dessa região migra para a próxima região 
vizinha e, então, o processo recomeça. 
Logo, a propagação do potencial de ação em 
axônios não mielinizados é chamada de 
propagação ponto-a-ponto. 
 
A mielina é formada pelo enovelamento de 
oligodendrócitos ou células de Schwann em 
axônios dos neurônios do SNC e SNP, 
respectivamente. A mielina não é uma estrutura 
contínua e as regiões não mielinizadas são 
chamadas de nodos de Hanvier. Os canais iônicos 
estão presentes apenas nos nodos de Hanvier. 
Logo, na região da mielina não existem canais e, 
portanto, não existe separação de cargas através 
da membrana. 
O potencial de ação é disparado de um nodo de 
Hanvier levando a abertura de canais de sódio VD 
e influxo de sódio nessa região. Parte dos íons 
sódio que entram nessa região migram para a 
região vizinha que é mielinizada, como não ocorre 
a separação de cargas nessa região, eles migram 
para a região vizinha, que é outro nodo de Hanvier. 
Nessa região, então, ocorre o aumento do 
potencial de membrana acima do limiar de 
excitabilidade, levando, então, a abertura de canais 
de sódio VD e influxo de íons sódio, disparando, 
então, outro potencial de ação nessa região. 
Com isso, a propagação do potencial de ação em 
neurônios mielinizados é chamada de propagação 
saltatória. 
 
Comparando a velocidade de propagação entre 
neurônios mielinizados e não mielinizados, 
podemos observar que a propagação nos 
mielinizados é mais rápida que nos não 
mielinizados. Então, a mielinização é um 
mecanismo utilizado para aumentar a velocidade 
de propagação do potencial de ação nos neurônios. 
Outro mecanismo de aumento de propagação dos 
potenciais de ação, é através de axônios de grande 
diâmetro ou grande calibre. A resistência 
longitudinal para a propagação de potenciais de 
ação que é promovida pelo conteúdo do 
citoplasma da região axional, é menor em 
neurônios de grande diâmetro do que nos de 
pequeno diâmetro. Portanto, a velocidade e 
propagação do potencial de ação em neurônios de 
grande diâmetro é maior que nos de pequeno 
diâmetro. 
 
A propagação do potencial de ação é sempre 
unidirecional, ou seja, sempre da zona de disparo, 
que é no inicio do axônio, até o terminal pré-
sináptico, onde há a liberação de 
neurotransmissores. 
 
A região onde o potencial de ação foi disparado 
entra imediatamente em um período de menor 
excitabilidade da membrana, que é chamado de 
período refratário. O período refratário é dividido 
em período refratário absoluto e relativo. 
 No absoluto, não ocorre o disparo de um segundo 
potencial de ação, mesmo que o segundo estímulo 
seja maior que o primeiro. Ele se inicia com o inicio 
do potencial de ação, durando quase todo o tempo 
do potencial de ação. Nessa fase de período 
refratário absoluto, todos os canais de sódio VD 
estão na conformação inativa. 
No período refratário relativo, pode ocorrer o 
disparo de um segundo potencial de ação, desde 
que o segundo estímulo seja mais intenso que o 
primeiro. Esse período refratário relativo se inicia 
no final do potencial de ação. Nessa fase, alguns 
canais de sódio VD estão na conformação fechada, 
logo, o período refratário é causado pelos canais de 
sódio VD. 
 A maioria dos canais possuem duas conformações, 
uma conformação fechada e uma conformação 
aberta. Existe também a conformação inativada. 
Os canais de sódio VD possuem a conformação 
fechada, quando o poro do canal está fechado e a 
comportade inativação está aberta. Nessa 
conformação, não existe influxo de íon sódio. 
 Na outra conformação desses canais, que é a 
aberta, o poro do canal está aberto e a comporta 
de inativação está aberta, permitindo, então, a 
passagem de sódio. 
A última conformação desses canais é 
conformação inativada, onde o poro do canal está 
aberto, mas a comporta de inativação está 
fechada, não havendo, então, a passagem de íons 
sódio através desse canal. 
Quando existe o estímulo para o potencial de ação, 
os canais de sódio VD que estão na conformação 
fechada se abrem, permitindo, então, o influxo de 
sódio. Em seguida, começam a passar para 
conformação inativada. Quando o potencial de 
ação chega a +40mV, todos os canais de sódio VD 
estão na conformação inativada e não são capazes 
de se abrirem novamente, mesmo com estímulos 
mais intensos. 
Apenas canais de sódio VD que estão na 
conformação fechada podem passar para a aberta. 
Se ele está na conformação inativada, ele precisa ir 
para a fechada, para então poder se abrir.

Mais conteúdos dessa disciplina