Prévia do material em texto
Técnico em Contabilidade Introdução Você já ouviu, alguma vez, alguém dizer que o balanço da empresa está indo bem ou, ao contrário, que o fluxo de caixa está baixo? Ao longo do curso, você, futuro técnico em contabilidade, conhecerá um pouco mais os demonstrativos financeiros. Neste conteúdo em específico, você poderá rever os principais demonstrativos financeiros utilizados pelas empresas na tomada de decisões, como a demonstração do resultado do exercício (DRE), o balanço patrimonial (BP), o fluxo de caixa e os relatórios gerenciais. O objetivo é que você consiga auxiliar nos processos de elaboração e análise das demonstrações contábeis nas organizações. Primeiramente, serão apresentados os principais relatórios contábeis e a forma como eles são compostos. Após, para finalizar, também serão abordados os relatórios gerenciais, os quais são importantes para a tomada de decisão das empresas. Próxima página: Relatórios contábeis (#conteudo-2) Relatórios contábeis Os dados coletados pela contabilidade são apresentados periodicamente aos interessados, de maneira resumida e ordenada, formando assim as demonstrações financeiras ou os relatórios contábeis. Confira a seguir os principais demonstrativos: BP O balanço patrimonial (BP) é o principal demonstrativo da contabilidade. Nele, constam os bens, os direitos e as obrigações, bem como o reflexo da posição financeira da empresa em cada exercício (ano). DRE A demonstração do resultado do exercício (DRE) é o segundo principal demonstrativo e tem como objetivo principal apresentar o resultado do período (lucro ou prejuízo). DLPA A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados (DLPA) evidencia a mutação do patrimônio líquido (novas integralizações de capital, resultado do exercício, ajustes de exercícios anteriores, entre outros) em termos de mutações internas (incorporações ou transferências de reservas ao capital etc.). DFC A demonstração dos fluxos de caixa (DFC) fornece uma base para avaliar a capacidade de gerar e utilizar esses fluxos de forma estruturada por natureza de atividades. Os usuários da empresa estão interessados em saber como esta gera caixa e equivalentes de caixa, e tal interesse independe da natureza da empresa. DVA A demonstração do valor adicionado (DVA) apresenta a contribuição da empresa para gerar riqueza na economia na qual está inserida, sendo resultado do esforço de todos os seus fatores de produção em uma visão global de desempenho. A DVA, que pode integrar o BP, representa uma importante fonte de informações, pois mostra um conjunto de elementos que permite analisar o desempenho econômico da empresa, evidenciando a geração de riqueza, e os efeitos sociais produzidos pela distribuição dessa riqueza. Notas explicativas As notas explicativas complementam as demonstrações contábeis, para uma melhor visualização da situação ou da evolução patrimonial da empresa. Uma nota explicativa bem detalhada esclarece ainda mais as demonstrações contábeis. Observe um exemplo de nota explicativa sobre o capital social de uma empresa: Nota 13 – Capital social O capital social da empresa foi totalmente integralizado no valor de R$ 120.000,00 dividido em 120.000 cotas no valor nominal de R$ 1,00 cada uma. No ano 202x, o capital social aumentou R$ 20.000,00 devido à incorporação de bens feita pelo sócio administrador. Porto Alegre, 31 de dezembro de 202x. Sócios Contador Parecer dos auditores independentes O parecer dos auditores independentes é obrigatório para certos tipos de empresa. Basicamente, ele relata as demonstrações contábeis que foram auditadas e a adequada interpretação dos princípios contábeis em vigor. De acordo com a Lei das Sociedades por Ações e com resoluções escritas pelo Conselho Federal de Contabilidade, todas as empresas, exceto as que não são obrigadas por lei, como os microempreendedores individuais (MEI), devem apresentar, obrigatoriamente, no mínimo o BP, o DRE, a DLPA e as notas explicativas, sendo os demais documentos exigidos nas companhias abertas, que são as que negociam ações na bolsa de valores. A sociedade anônima (S.A.), também chamada de “companhia”, é a pessoa jurídica de direito privado, de natureza eminentemente mercantil. O capital social da S.A. é dividido em ações de igual valor nominal, que são de livre-negociabilidade, limitando-se a responsabilidade do sócio ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas. A seguir, veja com detalhes os principais demonstrativos que ajudaram a compreender a situação patrimonial das empresas, além do fluxo de caixa. Página anterior: Introdução (#intro) Próxima página: BP (#conteudo-3) BP Você já sabe que o BP é um demonstrativo constituído de duas formas: passivo e ativo. BP simplificado Ativo Bens + direitos Passivo Obrigações para com terceiros e para com os sócios Você sabe por que o BP é estruturado assim? Cabe então identificar de outra forma o ativo, o passivo e o patrimônio líquido. O passivo e o patrimônio líquido significam origem (fonte) de capital (recursos materiais e financeiros). A origem de capital pode ser externa (passivo ou capital de terceiros) ou interna (patrimônio líquido ou capital próprio). Por outro lado, o ativo significa aplicações de recurso originado no passivo e no patrimônio líquido. Assim, as pessoas aplicam dinheiro no caixa, em estoques, em bens de vida longa etc. Em consequência desses conceitos e do método das partidas dobradas, é possível explicar o porquê de o ativo ser sempre igual ao “passivo + patrimônio líquido”: é que uma empresa não pode aplicar aquilo que não tem origem. Em outras palavras, se houver uma origem de 160, a empresa só pode aplicar 160, e não 100 ou 200. Assim, se o patrimônio líquido, por exemplo, é acrescido de lucro do exercício, o ativo será incrementado do mesmo montante do lucro (aplicação do resultado). Com os tópicos discutidos até então, é possível entender melhor a definição do termo “balanço”, que se origina de “balanço” ou de “equilíbrio” nos dois lados (deve-se pensar, evidentemente, em ba¬lança de dois pratos). O termo “balanço” decorre do equilíbrio ATIVO = PASSIVO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO, ou da igualdade APLICAÇÕES = ORIGENS. Dessa forma, algebricamente, é muito simples encontrar o patrimônio líquido: basta subtrair do ativo (bens + direitos) as dívidas da empresa, ou seja, o passivo, com a seguinte fórmula: PATRIMÔNIO LÍQUIDO = ATIVO - PASSIVO Quanto à estrutura, o BP é formado pelas contas patrimoniais do ativo, do passivo e do patrimônio líquido, porém a sua organização apresenta algumas particularidades, a saber: No ativo, as contas serão dispostas em ordem decrescente de grau de liquidez (primeiramente, as contas que mais se convertem em dinheiro e, por último, as que dificilmente serão convertidas em dinheiro). No passivo, as contas serão dispostas em ordem decrescente de grau de exigibilidade (primeiramente, as contas que devem ser pagas com prazo mais próximo). Em ambos (ativo e passivo), as contas serão dispostas de cima para baixo, partindo das contas de curto prazo (no geral, finalizam-se em até um ano) para as de longo prazo (finalizam-se em um período superior a um ano). Confira a seguir a estrutura e a organização do BP das contas do ativo e do passivo: Ativo circulante Trata-se do grupo de contas que gera dinheiro para a empresa e que serve para pagar suas obrigações a curto prazo. É composto ainda dos seguintes subgrupos: Disponível: caixa, bancos e equivalentes de caixa. Contas a receber: valores ainda não recebidos, devido a vendas de mercadorias ou à prestação de serviços a prazo. Estoques: mercadorias a serem vendidas ou, no caso de indústrias, produtos acabados, bem como matéria-prima e outros materiais secundários que compõem o produto de fabricação. Investimentos temporários: aplicações realizadas normalmente no mercado financeiro com excedente de caixa. Deduções do circulante: parcela estimada pela empresa que não serárecebida em decorrência de maus pagadores (provisão para devedores duvidosos – PDD ou provisão para créditos de liquidação duvidosa – PCLD). Ativo não circulante Compreende itens que serão convertidos em dinheiro a longo prazo (período superior a um ano) ou de acordo com o ciclo operacional da atividade predominante. O ativo não circulante é formado pelos seguintes subgrupos: Realizável a longo prazo: Refere-se aos empréstimos que a instituição faz a diretores e a empresas coligadas (aquelas que têm participação nas ações), compreendendo adiantamentos concedidos às sociedades coligadas ou controladas ou a diretores e a acionistas. Investimentos: Não estão relacionados à atividade-fim da empresa e compreendem ações de outras companhias, terrenos, entre outros. Imobilizado: Está totalmente relacionado à atividade-fim da empresa e compreende prédios, veículos, máquinas etc. Intangível: Compreende direitos que tenham por objeto bens incorpóreos, isto é, não palpáveis, destinados à manutenção da empresa (por exemplo: ponto comercial, marcas e patentes). Passivo circulante É o capital de terceiros a ser pago a curto prazo. As principais contas envolvem obrigações relacionadas a fornecedores (de mercadorias), funcionários (salários), governo (impostos), bancos (empréstimos) etc. Passivo não circulante É o capital de terceiros a ser pago a longo prazo. As principais contas envolvem, por exemplo, financiamentos com bancos. Patrimônio líquido É o total de recursos investido pelos proprietários. Normalmente, é composto de capital e lucros retidos (parte do lucro não é distribuída aos donos, mas sim reinvestida na empresa). Página anterior: Relatórios contábeis (#conteudo-2) Próxima página: DRE (#conteudo-4) DRE Como já foi mencionado, a DRE é a apresentação resumida das operações realizadas pela empresa durante o exercício social, as quais são demonstradas para destacar o resultado líquido do período. A DRE deve ser apresentada de forma dedutiva, com os detalhes necessários das receitas, das despesas, dos ganhos e das perdas, e definir claramente o resultado líquido do exercício. Observe o quadro resumo da DRE: Receita bruta de venda de produtos e serviços (-) Deduções Abatimentos e devoluções Impostos sobre vendas (=) Receita líquida de venda de produtos e serviços (-) Custo dos produtos vendidos e dos serviços prestados (=) Resultado bruto com mercadorias e serviços (-) Despesas operacionais Despesas comerciais Salários e outros encargos Propaganda e publicidade Despesas administrativas Despesa com pessoal Despesa com aluguéis Despesas gerais Impostos e taxas Provisões em geral (+/-) Outras receitas e despesas (=) Resultado antes dos efeitos financeiros (+) Receitas financeiras (-) Despesas financeiras (=) Resultado antes de impostos, participações e contribuições (-) Imposto de Renda (-) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (-) Participações e contribuições (=) Resultado líquido do exercício Quadro 1 – Resumo da DRE Fonte: Senac EAD (2022) Página anterior: BP (#conteudo-3) Próxima página: Fluxo de caixa (#conteudo-5) Fluxo de caixa É comum ouvir de empresários de sucesso a seguinte frase: “Uma empresa saudável não se mede pelos seus lucros, mas sim pelo seu caixa”. Uma empresa consegue sobreviver, a longo prazo, se não tiver lucro, mas, sem fluxo de caixa, ela morre. O fluxo de caixa é o “sangue” da empresa; sem ele, todas as áreas paralisam e, em muito pouco tempo, a organização morre. Assim, é de suma importância que o gestor financeiro controle as movimentações do caixa da empresa. Em resumo, a DFC indica a origem de todo o dinheiro que entrou no caixa, bem como a aplicação de todo o dinheiro que saiu, em determinado período, além de apresentar o resultado do fluxo financeiro da empresa. A DFC esclarece ainda situações controversas na empresa. Por exemplo, mediante a comparação com a DRE, pode-se descobrir o porquê de a empresa ter um lucro considerável e estar com o caixa baixo, não conseguindo liquidar todos os seus compromissos. Por isso, o planejamento do fluxo de caixa é um fator crítico. Sem caixa adequado, independentemente de lucros, a empresa pode se tornar inadimplente e até falir. Basicamente, o fluxo de caixa é composto de entradas e saídas: Entradas ou variações positivas São os fatos administrativos que aumentam o caixa da empresa. As entradas ou variações positivas podem ser compostas de integralizações (aporte de capital), empréstimos bancários e financiamentos, vendas à vista, recebimento de duplicatas, entre outras entradas. São exemplos de variações positivas (que aumentam o caixa): Integralizações (aportes de capital) Empréstimos bancários e financiamentos Venda de itens do ativo permanente Vendas à vista e recebimento de duplicatas a receber Outras entradas Saídas ou variações negativas São os fatos administrativos que diminuem o caixa da empresa. As saídas ou variações negativas podem ser formadas por pagamentos a fornecedores, de dividendos, de empréstimos, de despesas e contas a pagar, bem como pela aquisição à vista de bens para o ativo permanente (como um carro ou máquinas para produção), entre outras saídas. Existem ainda transações que não afetam o caixa, como depreciação, amortização e provisões (13.º salário, por exemplo). Para fins de apresentação, como demonstrativo contábil, a estruturação completa da DFC normalmente é dividida em três grupos distintos: Pagamento de dividendos Amortização de principal e pagamento de juros de empréstimos Aquisição à vista de itens para o ativo permanente Compra à vista e pagamento a fornecedores Pagamento de despesas, de contas a pagar etc. Fluxo de financiamentos Compreende os financiamentos, os empréstimos obtidos, os pagamentos de financiamentos (amortizações), de dividendos, o aumento de capital, entre outros. Fluxo de operações Corresponde às atividades normais da empresa (vendas, compras, despesas, compras de estoque, seguros, juros etc.). Fluxo de investimentos Corresponde às aquisições de imobilizados (investimentos, imobilizado, intangível), à venda de imobilizado, às ações etc. Há algumas técnicas de montagem da DFC, como a apresentação pelo método direto ou pelo método indireto. Veja agora um exemplo de montagem de uma DFC pelo método direto: Método direto para montagem da DFC A tabela a seguir apresenta uma DFC da empresa fictícia Cia. Transportadora, no período de 20x1, com as seguintes movimentações de caixa: Receitas recebidas: R$ 5.500,00 Custos pagos: R$ 2.500,00 Despesas pagas: R$ 900,00 Pagamento ou amortização de financiamentos: R$ 300,00 Pagamento de dividendos: R$ 500,00 Compra de novos imobilizados: R$ 600,00 Demonstração dos fluxos de caixa R$ Atividades operacionais Recebimento de clientes 5.500,00 (-) Pagamento de custos (2.500,00) (-) Pagamento de despesas (900,00) Caixa gerado pelas atividades operacionais 2.100,00 Atividades de investimento (-) Compra de imobilizados (600,00) Caixa gerado pelas atividades de investimento Atividades de financiamento (-) Pagamento de financiamentos (300,00) (-) Pagamento de dividendos (500,00) Caixa gerado pelas atividades de financiamento Resultado final de caixa 700,00 Tabela 3 – Fluxo de caixa Fonte: Senac EAD (2022) No método direto, começa-se pelos recebimentos, e a preocupação está mais voltada ao raciocínio do que às técnicas de montagem. Observe a seguir os balanços dos anos x2 e x3, a DLPA do ano x3 e a DRE também do ano x3. Balanço patrimonial Ativo Passivo 31.12.x2 31.12.x3 31.12.x2 31.12.x3 R$ R$ R$ R$ Circulante Circulante Disponível 3.000,00 2.000,00 Fornecedores 11.000,00 22.000,00 Clientes 16.000,00 18.000,00 Não circulante Mercadorias 14.000,00 21.000,00 Empréstimos a longo prazo 12.000,00 5.000,00 Despesas antecipadas 2.000,00 1.000,00 Patrimônio líquido Não circulante Capital 20.000,00 20.000,00 Hipotecas a receber 5.000,00 5.000,00 Reservas 6.000,00 6.000,00 Terrenos10.000,00 13.000,00 Lucros acumulados 1.000,00 7.000,00 Total 50.000,00 60.000,00 50.000,00 60.000,00 Tabela 4 – Demonstração do BP Fonte: Senac EAD (2022) Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados Exercício x3 R$ Saldo em 31.12.x2 1.000,00 Lucro líquido de x3 10.000,00 (-) Dividendos distribuídos (4.000,00) Saldo em 31.12.x3 7.000,00 Tabela 5 – Lucros ou prejuízos Fonte: Senac EAD (2022) Demonstração do resultado Exercício x3 R$ Vendas líquidas 130.000,00 (-) CMV (85.000,00) (=) Lucro bruto 45.000,00 (-) Despesa operacional 0,00 (-) Despesas administrativas (25.000,00) (-) Despesas com vendas (10.000,00) (=) Lucro líquido 10.000,00 Tabela 6 – Demonstração do resultado Fonte: Senac EAD (2022) Passo 1: cálculo do recebimento das vendas O saldo inicial de clientes no ano x2 foi de R$ 16 mil e, no ano x3, de R$ 18 mil. As vendas em x3 foram de R$ 130 mil: R$ Saldo inicial de clientes 16.000,00 (+) Vendas de x3 130.000,00 (-) Saldo final de clientes - 18.000,00 (=) Recebimento de clientes em x3 128.000,00 Tabela 7 – Cálculo das vendas Fonte: Senac EAD (2022) Passo 2: cálculo do pagamento aos fornecedores Neste passo, você precisa utilizar o saldo da conta de mercadorias do ano x2 e subtraí-lo do saldo das mercadorias do ano x3. Para tanto, basta utilizar a fórmula: CMV = EI + CO - EF R$ Saldo inicial de mercadorias 14.000,00 (+) Compras ? (-) Estoque final - 21.000,00 (=) CMV 85.000,00 Tabela 8 – Valores de mercadorias Fonte: Senac EAD (2022) O valor das compras não está nos demonstrativos, então é preciso calculá-lo. Sabendo que o CMV fechou em R$ 85 mil, qual é o valor das compras que, somado a R$ 14 mil e diminuído de R$ 21 mil, resulta em R$ 85 mil de CMV? R$ Saldo inicial de mercadorias 14.000,00 (+) Compras 92.000,00 (-) Estoque final - 21.000,00 (=) CMV 85.000,00 Tabela 9 – Valores de compras Fonte: Senac EAD (2022) Quanto aos fornecedores: R$ Saldo inicial de fornecedores 11.000,00 (+) Compras x3 92.000,00 (-) Saldo final de fornecedores - 22.000,00 (=) Pagamentos a fornecedores em x3 81.000,00 Tabela 10 – Pagamento a fornecedores Fonte: Senac EAD (2022) Passo 3: cálculo das Despesas R$ Despesas totais em x3 35.000,00 (-) Despesas antecipadas em 31.12.x2 - 2.000,00 Subtotal 33.000,00 (+) Despesas antecipadas em 31.12.x3 1.000,00 (=) Pagamentos de despesas em x3 34.000,00 Tabela 11 – Pagamento das despesas Fonte: Senac EAD (2022) Agora você já pode realizar a DFC do exercício x3 utilizando mais algumas informações: Compra de terrenos: R$ 3 mil Pagamentos de empréstimos a longo prazo: R$ 7 mil Dividendos distribuídos: R$ 4 mil Demonstração dos fluxos de caixa Exercício x3 R$ Atividades operacionais Recebimento de clientes 128.000,00 (-) Pagamento a fornecedores (81.000,00) (-) Pagamento de despesas (34.000,00) Caixa gerado pelas operações 13.000,00 Atividades de investimento (-) Compra de terrenos (3.000,00) Atividades de financiamento (-) Pagamento de empréstimos a longo prazo (7.000,00) (-) Pagamento de dividendos (4.000,00) Resultado final de caixa (1.000,00) Tabela 12 – Saldo final do caixa Fonte: Senac EAD (2022) A NBC TG 03 (R3) trata da apresentação da DFC. Para saber mais, acesse, no site do Conselho Federal de Contabilidade, o PDF com a norma completa. Página anterior: DRE (#conteudo-4) Próxima página: Relatórios gerenciais (#conteudo-6) Relatórios gerenciais Apresentar balanço, balancete, DRE, livro-diário e livro-razão não é o suficiente. Grande parte das pessoas nem sequer sabe o motivo de tais livros e relatórios existirem. Além do mais, normalmente essas informações somente são apresentadas no fim do ano. Portanto, para resolver a questão, os relatórios gerenciais de boa qualidade são de extrema importância para uma boa gestão. De maneira geral, os relatórios gerenciais são documentos escritos, baseados em fatos, contendo informações relevantes para avaliação e possíveis tomadas de decisão, assim como os relatórios contábeis citados anteriormente. Ainda, para que seja considerado bom, o relatório gerencial deve ser completo, objetivo e eficaz para transmitir a informação desejada. Veja um exemplo do que você deve considerar ao elaborá-lo: Destinatário (usuário das informações) O destinatário determina o tipo de informação e o tipo de linguagem que poderão ser disponibilizados e utilizados, respectivamente, ou seja, determina, por exemplo, se a linguagem será mais formal, atendendo às regras gramaticais, ou se as informações serão apresentadas em forma de exemplos e gráficos que os usuários entenderão. O destinatário deve aparecer na capa do relatório, e, dependendo do caso, o nome dele e a palavra “confidencial” devem aparecer em destaque. Objetivo Quem elabora um relatório gerencial deve saber o que se espera do documento e o que se deseja obter ao utilizá-lo. O objetivo comum é controlar determinado assunto, tomando as decisões e as providências possíveis e necessárias perante objetivos determinados anteriormente. Por isso, os relatórios são de diversos tipos: relatórios de controle, relatórios financeiros, relatórios orçamentários, relatórios para decisões, relatórios para providências, entre outros. Conteúdo É preciso identificar e apresentar, da melhor forma possível, as informações com maior potencial de utilidade para os usuários envolvidos e/ou para os interessados. O relatório não precisa estar repleto de informações, mas as que farão parte dele deverão atender às necessidades. O importante aqui não é a quantidade, mas a qualidade do conteúdo, apresentando informações sobre prazos, custos, entregas, limites orçamentários, entre outros. Dependendo do tipo de relatório gerencial, pode ser importante a apresentação de tópicos como: introdução, objetivos, sumário, glossário, recomendações, conclusões, bibliografia ou referências, anexos etc. Forma A forma deve ser a mais prática e comunicativa possível, e, para tanto, o uso de ilustrações, desenhos, fotos, tabelas, gráficos é de extrema valia. Cabe destacar o uso de gráficos, nas suas mais variadas formas possíveis (de linhas, de barras, de pizza etc.). A exposição do documento deve seguir o esquema de pirâmide: o mais importante acima das explicações, das justificativas e dos detalhes. Dados para eventuais conferências devem estar preferencialmente em anexos. Apresentação Após elaborado, é necessário marcar um dia com os usuários destinatários para apresentar o relatório, caso ele não seja apenas encaminhado ao interessado. É fundamental estar preparado para ler e apresentar apenas os tópicos importantes do documento, cuidando o tempo de apresentação, para não tornar curta ou entediante a mensagem a ser passada. Existem muitos relatórios gerenciais que atendem às necessidades dos destinatários, mas os que mais utilizam informações com base nos demonstrativos contábeis são estes: Relatório de previsão de vendas É um relatório no qual o plano de vendas determina a demanda para alocação dos recursos necessários para que estes se transformem em vendas, resultando, consequentemente, em receitas. Relatório orçamentário Projeta contas de despesas e receitas, a fim de que a empresa, bem informada sobre os eventos financeiros futuros, possa planejar com mais confiança e assim alocar recursos necessários nos setores ou investimentos fundamentais para a entidade. Relatório de custos É um dos relatórios mais utilizados para avaliação gerencial, devendo, portanto, ser confiável, atual e útil para informar: a situação real da empresa; as atividades que estão exigindo mais ou menos custos; os modos de obter uma gestão de custos ideal para controle e até para redução dos custos totais. Página anterior: Fluxo de caixa (#conteudo-5) Próxima página: Encerramento (#conteudo-7) Encerramento Você pôde relembrar neste conteúdo os demonstrativos financeiros mais utilizados em uma organização, bem como os relatórios gerenciais que fazem parte dos processosde elaboração e análise das demonstrações contábeis. É importante que você, futuro contabilista, saiba que o conteúdo apresentado até aqui corresponde às composições e às estruturas comuns dos demonstrativos financeiros. Caso a empresa onde você trabalhe ou venha a trabalhar siga uma legislação específica, como é o caso das seguradoras, procure se informar, por meio de leis e normas, das diferenças e das semelhanças na apresentação dos demonstrativos. Na unidade curricular Auxiliar nas operações pertinentes às atividades da controladoria nas organizações, serão abordados mais tópicos sobre demonstrações contábeis e respectivas análises. Página anterior: Relatórios gerenciais (#conteudo-6)