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Técnico em Contabilidade
Introdução
Você já ouviu, alguma vez, alguém dizer que o balanço da empresa está indo bem ou,
ao contrário, que o fluxo de caixa está baixo?
Ao longo do curso, você, futuro técnico em contabilidade, conhecerá um pouco
mais os demonstrativos financeiros.
Neste conteúdo em específico, você poderá rever os principais demonstrativos
financeiros utilizados pelas empresas na tomada de decisões, como a demonstração
do resultado do exercício (DRE), o balanço patrimonial (BP), o fluxo de caixa e os
relatórios gerenciais. O objetivo é que você consiga auxiliar nos processos de
elaboração e análise das demonstrações contábeis nas organizações.
Primeiramente, serão apresentados os principais relatórios contábeis e a forma
como eles são compostos. Após, para finalizar, também serão abordados os relatórios
gerenciais, os quais são importantes para a tomada de decisão das empresas.
Próxima página: Relatórios contábeis  (#conteudo-2)
Relatórios contábeis
Os dados coletados pela contabilidade são apresentados periodicamente aos
interessados, de maneira resumida e ordenada, formando assim as demonstrações
financeiras ou os relatórios contábeis. Confira a seguir os principais demonstrativos:
BP
O balanço patrimonial (BP) é o principal demonstrativo da contabilidade. Nele,
constam os bens, os direitos e as obrigações, bem como o reflexo da posição
financeira da empresa em cada exercício (ano).
DRE
A demonstração do resultado do exercício (DRE) é o segundo principal
demonstrativo e tem como objetivo principal apresentar o resultado do período (lucro
ou prejuízo).
DLPA
A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados (DLPA) evidencia a mutação
do patrimônio líquido (novas integralizações de capital, resultado do exercício, ajustes
de exercícios anteriores, entre outros) em termos de mutações internas (incorporações
ou transferências de reservas ao capital etc.).
DFC
A demonstração dos fluxos de caixa (DFC) fornece uma base para avaliar a
capacidade de gerar e utilizar esses fluxos de forma estruturada por natureza de
atividades. Os usuários da empresa estão interessados em saber como esta gera caixa
e equivalentes de caixa, e tal interesse independe da natureza da empresa.
DVA
A demonstração do valor adicionado (DVA) apresenta a contribuição da empresa
para gerar riqueza na economia na qual está inserida, sendo resultado do esforço de
todos os seus fatores de produção em uma visão global de desempenho.
A DVA, que pode integrar o BP, representa uma importante fonte de informações,
pois mostra um conjunto de elementos que permite analisar o desempenho econômico
da empresa, evidenciando a geração de riqueza, e os efeitos sociais produzidos pela
distribuição dessa riqueza.
Notas explicativas
As notas explicativas complementam as demonstrações contábeis, para uma
melhor visualização da situação ou da evolução patrimonial da empresa. Uma nota
explicativa bem detalhada esclarece ainda mais as demonstrações contábeis.
Observe um exemplo de nota explicativa sobre o capital social de uma empresa:
Nota 13 – Capital social
O capital social da empresa foi totalmente integralizado no valor de R$ 120.000,00
dividido em 120.000 cotas no valor nominal de R$ 1,00 cada uma. No ano 202x, o
capital social aumentou R$ 20.000,00 devido à incorporação de bens feita pelo sócio
administrador.
Porto Alegre, 31 de dezembro de 202x.
Sócios
Contador
Parecer dos auditores independentes
O parecer dos auditores independentes é obrigatório para certos tipos de
empresa. Basicamente, ele relata as demonstrações contábeis que foram auditadas e
a adequada interpretação dos princípios contábeis em vigor.
De acordo com a Lei das Sociedades por Ações e com resoluções escritas pelo
Conselho Federal de Contabilidade, todas as empresas, exceto as que não são
obrigadas por lei, como os microempreendedores individuais (MEI), devem apresentar,
obrigatoriamente, no mínimo o BP, o DRE, a DLPA e as notas explicativas, sendo os
demais documentos exigidos nas companhias abertas, que são as que negociam
ações na bolsa de valores.
A sociedade anônima (S.A.), também chamada de “companhia”, é a pessoa jurídica de
direito privado, de natureza eminentemente mercantil. O capital social da S.A. é
dividido em ações de igual valor nominal, que são de livre-negociabilidade, limitando-se
a responsabilidade do sócio ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas.
A seguir, veja com detalhes os principais demonstrativos que ajudaram a
compreender a situação patrimonial das empresas, além do fluxo de caixa.
 Página anterior: Introdução (#intro)
Próxima página: BP  (#conteudo-3)
BP
Você já sabe que o BP é um demonstrativo constituído de duas formas: passivo e
ativo.
BP simplificado
Ativo
Bens + direitos
Passivo
Obrigações para com terceiros e para com os sócios
Você sabe por que o BP é estruturado assim?
Cabe então identificar de outra forma o ativo, o passivo e o patrimônio líquido.
O passivo e o patrimônio líquido significam origem (fonte) de capital (recursos
materiais e financeiros). A origem de capital pode ser externa (passivo ou capital de
terceiros) ou interna (patrimônio líquido ou capital próprio). Por outro lado, o ativo
significa aplicações de recurso originado no passivo e no patrimônio líquido. Assim, as
pessoas aplicam dinheiro no caixa, em estoques, em bens de vida longa etc.
Em consequência desses conceitos e do método das partidas dobradas, é
possível explicar o porquê de o ativo ser sempre igual ao “passivo + patrimônio
líquido”: é que uma empresa não pode aplicar aquilo que não tem origem. Em outras
palavras, se houver uma origem de 160, a empresa só pode aplicar 160, e não 100 ou
200.
Assim, se o patrimônio líquido, por exemplo, é acrescido de lucro do exercício, o
ativo será incrementado do mesmo montante do lucro (aplicação do resultado).
Com os tópicos discutidos até então, é possível entender melhor a definição do
termo “balanço”, que se origina de “balanço” ou de “equilíbrio” nos dois lados (deve-se
pensar, evidentemente, em ba¬lança de dois pratos).
O termo “balanço” decorre do equilíbrio ATIVO = PASSIVO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO, ou
da igualdade APLICAÇÕES = ORIGENS. Dessa forma, algebricamente, é muito simples
encontrar o patrimônio líquido: basta subtrair do ativo (bens + direitos) as dívidas da
empresa, ou seja, o passivo, com a seguinte fórmula:
PATRIMÔNIO LÍQUIDO = ATIVO - PASSIVO
Quanto à estrutura, o BP é formado pelas contas patrimoniais do ativo, do
passivo e do patrimônio líquido, porém a sua organização apresenta algumas
particularidades, a saber:
No ativo, as contas serão dispostas em ordem decrescente de grau de
liquidez (primeiramente, as contas que mais se convertem em dinheiro e,
por último, as que dificilmente serão convertidas em dinheiro).
No passivo, as contas serão dispostas em ordem decrescente de grau de
exigibilidade (primeiramente, as contas que devem ser pagas com prazo
mais próximo).
Em ambos (ativo e passivo), as contas serão dispostas de cima para
baixo, partindo das contas de curto prazo (no geral, finalizam-se em até
um ano) para as de longo prazo (finalizam-se em um período superior a
um ano).
Confira a seguir a estrutura e a organização do BP das contas do ativo e do
passivo:
Ativo circulante
Trata-se do grupo de contas que gera dinheiro para a empresa e que serve para
pagar suas obrigações a curto prazo. É composto ainda dos seguintes subgrupos:
Disponível: caixa, bancos e equivalentes de caixa.
Contas a receber: valores ainda não recebidos, devido a vendas de
mercadorias ou à prestação de serviços a prazo.
Estoques: mercadorias a serem vendidas ou, no caso de indústrias,
produtos acabados, bem como matéria-prima e outros materiais
secundários que compõem o produto de fabricação.
Investimentos temporários: aplicações realizadas normalmente no
mercado financeiro com excedente de caixa.
Deduções do circulante: parcela estimada pela empresa que não serárecebida em decorrência de maus pagadores (provisão para devedores
duvidosos – PDD ou provisão para créditos de liquidação duvidosa –
PCLD).
Ativo não circulante
Compreende itens que serão convertidos em dinheiro a longo prazo (período
superior a um ano) ou de acordo com o ciclo operacional da atividade predominante. O
ativo não circulante é formado pelos seguintes subgrupos:
Realizável a longo prazo: Refere-se aos empréstimos que a instituição faz
a diretores e a empresas coligadas (aquelas que têm participação nas
ações), compreendendo adiantamentos concedidos às sociedades
coligadas ou controladas ou a diretores e a acionistas.
Investimentos: Não estão relacionados à atividade-fim da empresa e
compreendem ações de outras companhias, terrenos, entre outros.
Imobilizado: Está totalmente relacionado à atividade-fim da empresa e
compreende prédios, veículos, máquinas etc.
Intangível: Compreende direitos que tenham por objeto bens incorpóreos,
isto é, não palpáveis, destinados à manutenção da empresa (por exemplo:
ponto comercial, marcas e patentes).
Passivo circulante
É o capital de terceiros a ser pago a curto prazo. As principais contas envolvem
obrigações relacionadas a fornecedores (de mercadorias), funcionários (salários),
governo (impostos), bancos (empréstimos) etc.
Passivo não circulante
É o capital de terceiros a ser pago a longo prazo. As principais contas envolvem,
por exemplo, financiamentos com bancos.
Patrimônio líquido
É o total de recursos investido pelos proprietários. Normalmente, é composto de
capital e lucros retidos (parte do lucro não é distribuída aos donos, mas sim
reinvestida na empresa).
 Página anterior: Relatórios contábeis (#conteudo-2)
Próxima página: DRE  (#conteudo-4)
DRE
Como já foi mencionado, a DRE é a apresentação resumida das operações
realizadas pela empresa durante o exercício social, as quais são demonstradas para
destacar o resultado líquido do período. A DRE deve ser apresentada de forma
dedutiva, com os detalhes necessários das receitas, das despesas, dos ganhos e das
perdas, e definir claramente o resultado líquido do exercício.
Observe o quadro resumo da DRE:
Receita bruta de venda de produtos e serviços
(-) Deduções
Abatimentos e devoluções
Impostos sobre vendas
(=) Receita líquida de venda de produtos e serviços
(-) Custo dos produtos vendidos e dos serviços prestados
(=) Resultado bruto com mercadorias e serviços
(-) Despesas operacionais
Despesas comerciais
Salários e outros encargos
Propaganda e publicidade
Despesas administrativas
Despesa com pessoal
Despesa com aluguéis
Despesas gerais
Impostos e taxas
Provisões em geral
(+/-) Outras receitas e despesas
(=) Resultado antes dos efeitos financeiros
(+) Receitas financeiras
(-) Despesas financeiras
(=) Resultado antes de impostos, participações e contribuições
(-) Imposto de Renda
(-) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido
(-) Participações e contribuições
(=) Resultado líquido do exercício
Quadro 1 – Resumo da DRE
Fonte: Senac EAD (2022)
 Página anterior: BP (#conteudo-3)
Próxima página: Fluxo de caixa  (#conteudo-5)
Fluxo de caixa
É comum ouvir de empresários de sucesso a seguinte frase: “Uma empresa
saudável não se mede pelos seus lucros, mas sim pelo seu caixa”. Uma empresa
consegue sobreviver, a longo prazo, se não tiver lucro, mas, sem fluxo de caixa, ela
morre.
O fluxo de caixa é o “sangue” da empresa; sem ele, todas as áreas paralisam e, em
muito pouco tempo, a organização morre. Assim, é de suma importância que o gestor
financeiro controle as movimentações do caixa da empresa.
Em resumo, a DFC indica a origem de todo o dinheiro que entrou no caixa, bem
como a aplicação de todo o dinheiro que saiu, em determinado período, além de
apresentar o resultado do fluxo financeiro da empresa.
A DFC esclarece ainda situações controversas na empresa. Por exemplo,
mediante a comparação com a DRE, pode-se descobrir o porquê de a empresa ter um
lucro considerável e estar com o caixa baixo, não conseguindo liquidar todos os seus
compromissos. Por isso, o planejamento do fluxo de caixa é um fator crítico. Sem
caixa adequado, independentemente de lucros, a empresa pode se tornar inadimplente
e até falir.
Basicamente, o fluxo de caixa é composto de entradas e saídas:
Entradas ou variações positivas
São os fatos administrativos que aumentam o caixa da empresa. As entradas ou
variações positivas podem ser compostas de integralizações (aporte de capital),
empréstimos bancários e financiamentos, vendas à vista, recebimento de duplicatas,
entre outras entradas.
São exemplos de variações positivas (que aumentam o caixa):
Integralizações (aportes de capital)
Empréstimos bancários e financiamentos
Venda de itens do ativo permanente
Vendas à vista e recebimento de duplicatas a receber
Outras entradas
Saídas ou variações negativas
São os fatos administrativos que diminuem o caixa da empresa. As saídas ou
variações negativas podem ser formadas por pagamentos a fornecedores, de
dividendos, de empréstimos, de despesas e contas a pagar, bem como pela aquisição
à vista de bens para o ativo permanente (como um carro ou máquinas para produção),
entre outras saídas.
Existem ainda transações que não afetam o caixa, como depreciação,
amortização e provisões (13.º salário, por exemplo).
Para fins de apresentação, como demonstrativo contábil, a estruturação completa
da DFC normalmente é dividida em três grupos distintos:
Pagamento de dividendos
Amortização de principal e pagamento de juros de empréstimos
Aquisição à vista de itens para o ativo permanente
Compra à vista e pagamento a fornecedores
Pagamento de despesas, de contas a pagar etc.
Fluxo de financiamentos
Compreende os financiamentos, os empréstimos obtidos, os pagamentos de
financiamentos (amortizações), de dividendos, o aumento de capital, entre outros.
Fluxo de operações
Corresponde às atividades normais da empresa (vendas, compras, despesas,
compras de estoque, seguros, juros etc.).
Fluxo de investimentos
Corresponde às aquisições de imobilizados (investimentos, imobilizado,
intangível), à venda de imobilizado, às ações etc.
Há algumas técnicas de montagem da DFC, como a apresentação pelo método
direto ou pelo método indireto. Veja agora um exemplo de montagem de uma DFC pelo
método direto:
Método direto para montagem da DFC
A tabela a seguir apresenta uma DFC da empresa fictícia Cia. Transportadora, no
período de 20x1, com as seguintes movimentações de caixa:
Receitas recebidas: R$ 5.500,00
Custos pagos: R$ 2.500,00
Despesas pagas: R$ 900,00
Pagamento ou amortização de financiamentos: R$ 300,00
Pagamento de dividendos: R$ 500,00
Compra de novos imobilizados: R$ 600,00
Demonstração dos fluxos de caixa
R$
Atividades operacionais
Recebimento de clientes 5.500,00
(-) Pagamento de custos (2.500,00)
(-) Pagamento de despesas (900,00)
Caixa gerado pelas atividades operacionais 2.100,00
Atividades de investimento
(-) Compra de imobilizados (600,00)
Caixa gerado pelas atividades de investimento
Atividades de financiamento
(-) Pagamento de financiamentos (300,00)
(-) Pagamento de dividendos (500,00)
Caixa gerado pelas atividades de financiamento
Resultado final de caixa 700,00
Tabela 3 – Fluxo de caixa
Fonte: Senac EAD (2022)
No método direto, começa-se pelos recebimentos, e a preocupação está mais
voltada ao raciocínio do que às técnicas de montagem. Observe a seguir os balanços
dos anos x2 e x3, a DLPA do ano x3 e a DRE também do ano x3.
Balanço patrimonial
Ativo Passivo
31.12.x2 31.12.x3 31.12.x2 31.12.x3
R$ R$ R$ R$
Circulante Circulante
Disponível 3.000,00 2.000,00 Fornecedores 11.000,00 22.000,00
Clientes 16.000,00 18.000,00
Não
circulante
Mercadorias 14.000,00 21.000,00
Empréstimos
a longo prazo
12.000,00 5.000,00
Despesas
antecipadas
2.000,00 1.000,00
Patrimônio
líquido
Não
circulante
Capital 20.000,00 20.000,00
Hipotecas a
receber
5.000,00 5.000,00 Reservas 6.000,00 6.000,00
Terrenos10.000,00 13.000,00
Lucros
acumulados
1.000,00 7.000,00
Total 50.000,00 60.000,00 50.000,00 60.000,00
Tabela 4 – Demonstração do BP
Fonte: Senac EAD (2022)
Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados
Exercício x3
R$
Saldo em 31.12.x2 1.000,00
Lucro líquido de x3 10.000,00
(-) Dividendos distribuídos (4.000,00)
Saldo em 31.12.x3 7.000,00
Tabela 5 – Lucros ou prejuízos
Fonte: Senac EAD (2022)
Demonstração do resultado
Exercício x3
R$
Vendas líquidas 130.000,00
(-) CMV (85.000,00)
(=) Lucro bruto 45.000,00
(-) Despesa operacional 0,00
(-) Despesas administrativas (25.000,00)
(-) Despesas com vendas (10.000,00)
(=) Lucro líquido 10.000,00
Tabela 6 – Demonstração do resultado
Fonte: Senac EAD (2022)
Passo 1: cálculo do recebimento das vendas
O saldo inicial de clientes no ano x2 foi de R$ 16 mil e, no ano x3, de R$ 18 mil. As
vendas em x3 foram de R$ 130 mil:
R$
Saldo inicial de clientes 16.000,00
(+) Vendas de x3 130.000,00
(-) Saldo final de clientes - 18.000,00
(=) Recebimento de clientes em x3 128.000,00
Tabela 7 – Cálculo das vendas
Fonte: Senac EAD (2022)
Passo 2: cálculo do pagamento aos fornecedores
Neste passo, você precisa utilizar o saldo da conta de mercadorias do ano x2 e
subtraí-lo do saldo das mercadorias do ano x3.
Para tanto, basta utilizar a fórmula: CMV = EI + CO - EF
R$
Saldo inicial de mercadorias 14.000,00
(+) Compras ?
(-) Estoque final - 21.000,00
(=) CMV 85.000,00
Tabela 8 – Valores de mercadorias
Fonte: Senac EAD (2022)
O valor das compras não está nos demonstrativos, então é preciso calculá-lo.
Sabendo que o CMV fechou em R$ 85 mil, qual é o valor das compras que, somado a
R$ 14 mil e diminuído de R$ 21 mil, resulta em R$ 85 mil de CMV?
R$
Saldo inicial de mercadorias 14.000,00
(+) Compras 92.000,00
(-) Estoque final - 21.000,00
(=) CMV 85.000,00
Tabela 9 – Valores de compras
Fonte: Senac EAD (2022)
Quanto aos fornecedores:
R$
Saldo inicial de fornecedores 11.000,00
(+) Compras x3 92.000,00
(-) Saldo final de fornecedores - 22.000,00
(=) Pagamentos a fornecedores em x3 81.000,00
Tabela 10 – Pagamento a fornecedores
Fonte: Senac EAD (2022)
Passo 3: cálculo das Despesas
R$
Despesas totais em x3 35.000,00
(-) Despesas antecipadas em 31.12.x2 - 2.000,00
Subtotal 33.000,00
(+) Despesas antecipadas em 31.12.x3 1.000,00
(=) Pagamentos de despesas em x3 34.000,00
Tabela 11 – Pagamento das despesas
Fonte: Senac EAD (2022)
Agora você já pode realizar a DFC do exercício x3 utilizando mais algumas
informações:
Compra de terrenos: R$ 3 mil
Pagamentos de empréstimos a longo prazo: R$ 7 mil
Dividendos distribuídos: R$ 4 mil
Demonstração dos fluxos de caixa
Exercício x3
R$
Atividades operacionais
Recebimento de clientes 128.000,00
(-) Pagamento a fornecedores (81.000,00)
(-) Pagamento de despesas (34.000,00)
Caixa gerado pelas operações 13.000,00
Atividades de investimento
(-) Compra de terrenos (3.000,00)
Atividades de financiamento
(-) Pagamento de empréstimos a longo prazo (7.000,00)
(-) Pagamento de dividendos (4.000,00)
Resultado final de caixa (1.000,00)
Tabela 12 – Saldo final do caixa
Fonte: Senac EAD (2022)
A NBC TG 03 (R3) trata da apresentação da DFC. Para saber mais, acesse, no site
do Conselho Federal de Contabilidade, o PDF com a norma completa.
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Próxima página: Relatórios gerenciais  (#conteudo-6)
Relatórios gerenciais
Apresentar balanço, balancete, DRE, livro-diário e livro-razão não é o suficiente.
Grande parte das pessoas nem sequer sabe o motivo de tais livros e relatórios
existirem. Além do mais, normalmente essas informações somente são apresentadas
no fim do ano. Portanto, para resolver a questão, os relatórios gerenciais de boa
qualidade são de extrema importância para uma boa gestão.
De maneira geral, os relatórios gerenciais são documentos escritos, baseados em
fatos, contendo informações relevantes para avaliação e possíveis tomadas de
decisão, assim como os relatórios contábeis citados anteriormente.
Ainda, para que seja considerado bom, o relatório gerencial deve ser completo,
objetivo e eficaz para transmitir a informação desejada. Veja um exemplo do que você
deve considerar ao elaborá-lo:
Destinatário (usuário das informações)
O destinatário determina o tipo de informação e o tipo de linguagem que poderão
ser disponibilizados e utilizados, respectivamente, ou seja, determina, por exemplo, se
a linguagem será mais formal, atendendo às regras gramaticais, ou se as informações
serão apresentadas em forma de exemplos e gráficos que os usuários entenderão. O
destinatário deve aparecer na capa do relatório, e, dependendo do caso, o nome dele e
a palavra “confidencial” devem aparecer em destaque.
Objetivo
Quem elabora um relatório gerencial deve saber o que se espera do documento e
o que se deseja obter ao utilizá-lo. O objetivo comum é controlar determinado assunto,
tomando as decisões e as providências possíveis e necessárias perante objetivos
determinados anteriormente. Por isso, os relatórios são de diversos tipos: relatórios de
controle, relatórios financeiros, relatórios orçamentários, relatórios para decisões,
relatórios para providências, entre outros.
Conteúdo
É preciso identificar e apresentar, da melhor forma possível, as informações com
maior potencial de utilidade para os usuários envolvidos e/ou para os interessados. O
relatório não precisa estar repleto de informações, mas as que farão parte dele
deverão atender às necessidades. O importante aqui não é a quantidade, mas a
qualidade do conteúdo, apresentando informações sobre prazos, custos, entregas,
limites orçamentários, entre outros. Dependendo do tipo de relatório gerencial, pode
ser importante a apresentação de tópicos como: introdução, objetivos, sumário,
glossário, recomendações, conclusões, bibliografia ou referências, anexos etc.
Forma
A forma deve ser a mais prática e comunicativa possível, e, para tanto, o uso de
ilustrações, desenhos, fotos, tabelas, gráficos é de extrema valia. Cabe destacar o uso
de gráficos, nas suas mais variadas formas possíveis (de linhas, de barras, de pizza
etc.). A exposição do documento deve seguir o esquema de pirâmide: o mais
importante acima das explicações, das justificativas e dos detalhes. Dados para
eventuais conferências devem estar preferencialmente em anexos.
Apresentação
Após elaborado, é necessário marcar um dia com os usuários destinatários para
apresentar o relatório, caso ele não seja apenas encaminhado ao interessado. É
fundamental estar preparado para ler e apresentar apenas os tópicos importantes do
documento, cuidando o tempo de apresentação, para não tornar curta ou entediante a
mensagem a ser passada.
Existem muitos relatórios gerenciais que atendem às necessidades dos
destinatários, mas os que mais utilizam informações com base nos demonstrativos
contábeis são estes:
Relatório de previsão de vendas
É um relatório no qual o plano de vendas determina a demanda para alocação
dos recursos necessários para que estes se transformem em vendas, resultando,
consequentemente, em receitas.
Relatório orçamentário
Projeta contas de despesas e receitas, a fim de que a empresa, bem informada
sobre os eventos financeiros futuros, possa planejar com mais confiança e assim
alocar recursos necessários nos setores ou investimentos fundamentais para a
entidade.
Relatório de custos
É um dos relatórios mais utilizados para avaliação gerencial, devendo, portanto,
ser confiável, atual e útil para informar: a situação real da empresa; as atividades que
estão exigindo mais ou menos custos; os modos de obter uma gestão de custos ideal
para controle e até para redução dos custos totais.
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Encerramento
Você pôde relembrar neste conteúdo os demonstrativos financeiros mais
utilizados em uma organização, bem como os relatórios gerenciais que fazem parte
dos processosde elaboração e análise das demonstrações contábeis.
É importante que você, futuro contabilista, saiba que o conteúdo apresentado até aqui
corresponde às composições e às estruturas comuns dos demonstrativos financeiros.
Caso a empresa onde você trabalhe ou venha a trabalhar siga uma legislação
específica, como é o caso das seguradoras, procure se informar, por meio de leis e
normas, das diferenças e das semelhanças na apresentação dos demonstrativos.
Na unidade curricular Auxiliar nas operações pertinentes às atividades da
controladoria nas organizações, serão abordados mais tópicos sobre demonstrações
contábeis e respectivas análises.
 Página anterior: Relatórios gerenciais (#conteudo-6)