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EPD - DIREITO MÉDICO E HOSPITALAR Tema escolhido: Aspectos jurídicos da saúde no Brasil Aluna: CARLA CRISTINA BARBOSA LOPES TIVERON Semestre: 2º Assinatura: Apresentação O presente estudo tem por objetivo analisar o tema que envolve a judicialização do direito à saúde, cujo direito recebe tutela constitucional, tendo o Estado a incumbência de ofertar a todos os cidadãos, como um direito coletivo, uma garantia real e efetiva, englobando um sistema integral de ações que devem ser realizadas para sua promoção. O Poder Público deve buscar sempre atender aos anseios sociais, pois se vê a importância em se harmonizar a materialização do direito à saúde, aliado a conservação das políticas públicas que já existem, ressaltando-se os parâmetros necessários para a solução de demandas judiciais que envolvem este direito. Fonte de pesquisa Para a elaboração do trabalho foram analisadas jurisprudências e feita consulta em livros que tratam sobre o assunto. Introdução O direito à saúde foi contemplado como fundamental, cuja expressão e efetivação se deram com a promulgação da Carta Magna de 1988 e, além disso, o Brasil possui acordos internacionais ratificados que visam a sua implementação. Contudo, sua execução decorre de barreiras visivelmente que impedem sua eficácia, levando-se em consideração a limitação de recursos destinados pelo governo, já que se trata de um direito que deveria ser ofertado de maneira eficaz, alcançando a toda população. Por tais razões, há uma elevada quantidade de demandas judiciais com vistas à concretização do direito à saúde, baseando-se na tutela constitucional e em sua indispensabilidade, além da determinação do Estado em prover políticas públicas nessa área. Desenvolvimento O reconhecimento do direito à saúde deve ter por escopo o provimento de prestações existenciais de forma igualitária, cuja responsabilidade em sua implementação é do Estado, que deve empregar meios hábeis a fim de garantir, progressivamente, a plena efetividade desse direito social. A função jurídica que auxilia a sociedade na defesa desses direitos baseia-se na luta de sua oferta totalitária, como a não oferta de determinado tratamento ou medicamento. Mello (2011, p. 971) destaca que se deve buscar uma “solução admissível para cumprir a finalidade normativa, em relação à qual é cabível o controle judicial”. Assim, nos pleitos em relação ao direito à saúde, o Judiciário deve buscar parâmetros para o julgamento dessas demandas com o objetivo de harmonizar as pretensões individuais, observando se há políticas públicas existentes em relação ao pedido. Dessa forma, as políticas públicas devem propor alternativas alocativas dos recursos destinados à saúde perante o grande número de usuários e as mais variadas necessidades, de acordo com a gravidade das enfermidades, as questões econômicas da população, a condição epidemiológica de cada região e local, entre outros fatores. Nesse viés, a garantia judicial à prestação individual de saúde, prima facie, estaria condicionada, caso não ocorra, o não comprometimento do funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS), o que, por certo, deve ser demonstrado judicialmente, de forma clara e concreta, caso a caso (MENDES et al., 2010). Todavia, nos casos de medicamentos ou de tratamentos específicos que não forem ofertados pelo Estado, compete ao cidadão acionar o Judiciário e pleitear prova de que estes não estão compreendidos no âmbito das políticas públicas ou que as medidas contidas são ineficazes em relação ao seu caso. Portanto, o papel do Judiciário na efetivação do direito à saúde acentua-se na necessidade de efetivação do direito no plano individual, sem perder de vista o problema atinente à escassez de recursos, diante da imprescindibilidade de manutenção das políticas públicas de saúde existentes (AMARAL, 2001). Por fim, os litígios em que se buscam a tutela judicial ao direito à saúde devem objetivar a conciliação das pretensões individuais, observando a existência ou não de políticas públicas nesse sentido, sem perder de vista o foco com a escassez de recursos orçamentários do país. Conclusão Diante do exposto, pode-se concluir que o direito à saúde recebe a proteção constitucional que a define como um direito social garantido, igualitariamente, a todos, e que deve ser implementado por meio de política pública. Contudo, há várias ações judiciais envolvendo esse direito no que tange ao não cumprimento de políticas públicas já existentes e, mesmo com a falta de recursos e as restrições econômicas, tais fatos não podem ser desconsideradas pelo Judiciário. Referências AMARAL, Gustavo. Direito, escassez e escolha. Rio de Janeiro: Renovar, 2001. MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo. 28 ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2011. MENDES, Gilmar Ferreira; COELHO, Inocêncio Mártires; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de Direito Constitucional. 5 ed., rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 2010.