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Parque da Juventude Atelie Projeto e Estrutura - Arquitetura e Urbanismo Dicente: Laura Raquel Paranaguá Martins 1/- Esse estudo de caso pretende meditar sobre como a paisagem urbana é mutável e adaptável ao contexto das necessidades físicas e sociais da sociedade. Analisando o projeto sobre uma narrativa histórica, percebe-se como as transformações do espaço interferiu não apenas nas paisagens urbanas, mas também como remarcou a memoria coletiva pertinente ao território. O espaço hoje é um lugar de lazer e cultura onde está implantado o Parque da Juventude e a Biblioteca de São Paulo. O local abrigava o maior complexo carcerário da América latina e já foi protagonista de acontecimentos marcado pela violência e tragédias, como no ano de 1992 como maior massacre da história dos presídios brasileiros. Além de toda significância histórica e social, o estudo tem como objetivo analisar as condições físicas e técnicas paisagística que contribuíram na construção de uma nova espacialidade e no atendimento a acessibilidade de toda região metropolitana. 5 3 2 6 4 1 7 8 Brasil Estado de São Paulo Cidade de São Paulo Bairro Santana O Parque da Juventude, em Santana, São Paulo, ocupa 240.000 m² e está localizado em uma área que era uma fazenda Jesuíta. Inicialmente rural, a região se desenvolveu com a chegada da linha férrea em 1908, conectando-a ao centro urbano e impulsionando o crescimento e urbanização da área. LOCALIZAÇÃO Nas proximidades do rio Tietê, a ocupação foi desordenada, com diferentes tipos de loteamentos e presença de equipamentos metropolitanos como centros de exposições e shoppings, atraindo grande público. Há também importantes acessos à região, como o Campo de Marte, Terminal Rodoviário do Tietê e a estação Carandiru. HISTÓRIA DO LOCAL O projeto do presídio, inspirado no Centre pénitentiaire de Fresnes, na França, foi adaptado por Ramos de Azevedo e inaugurado em 1920, sendo um padrão de excelência nas Américas. Foi construída a Casa de Detenção em 1956 para resolver problemas de superlotação, elevando a capacidade para 3.250 detentos, mas sua arquitetura não se adequava totalmente ao projeto original. A penitenciária excedeu sua lotação máxima de 1200 detentos, por isso ela começa a passar por sucessivas crises e brigas. A penitenciária do Carandiru era aberta à visitação pública e chegou a ser considerada um dos cartões postais da cidade de São Paulo. A NOVA PENITENCIARIA DÉCADA DE 1920 DÉCADA DE 1930 DÉCADA DE 1940 DÉCADA DE 1950 Em 1992, 111 detentos foram mortos pela Polícia Militar de São Paulo durante uma rebelião no presídio, gerando repercussão nacional e internacional. Em 1999 houve o lançamento do concurso para transformação do complexo do Carandiru, onde o ganhador foi o escritório Aflalo & Gasperini com o projeto do parque da juventude. Em 2002, iniciou-se o encerramento do presídio Carandiru com a transferência de presos e a demolição de parte das instalações. No mesmo ano, teve início o projeto do Parque da Juventude, idealizado por Aflalo & Gasperini, Rosa Grena Kliass e José Luiz Brenna. Em 2003 foi inaugurada a primeira das três etapas do projeto, concluindo as obras em 2007.. DÉCADA DE 1990 DÉCADA DE 2000 PARQUE ESPORTIVO foram instaladas 10 quadras poliesportivas e uma pista de Skate. Ainda encontram-se trilhas, rotas alternativas, espaços de estar e playground. PARQUE INSTITUCIONAL Espaço de contemplação, o local é dotado de alguns monumentos. Nele, também está a linha do metrô, a biblioteca e a escola. Também há espaço para eventos ao ar livre, com palco e plateia externos. PARQUE CENTRAL espaço de contemplação, é nele que se concentra a maior parte da vegetação, com amplas áreas arborizadas e extensos gramados. SETORIZAÇÃO DO PARQUE A v. C ru ze iro d o S uf Av. G en. A ta lib a Le onel SETORSETOR CENTRALCENTRAL SETOR ESPORTIVO SETOR INSTITUCIONAL PARQUE DA JUVENTUDE Av. Zaki Narchi Acesso pela Av. Gen. Ataliba Leonel, Av. Zaki Narchi e Av. Cruzeiro do Sul. 1- Córrego Carandiru; 2- Biblioteca de São Paulo; 3- Escola Técnica das Artes; 4- Estação de Metrô Carandiru. Acessos Circulação 1- Alameda principal: conecta os 3 setores. 2- Circulação linear: bem marcada nas passarelas elevadas e através dos caminhos, com trechos sinuosos e percursos de diferentes escalas para pedestres. 3- Circulação difusa: extensas áreas de gramado. ACESSIBILIDADE ARQUITETURA PAISAGÍSTICA. PARQUE DA JUVENTUDE O Parque da Juventude em São Paulo foi criado em 1999 em uma antiga ocupação penitenciária. O projeto paisagístico de Rosa Grena Kliass adotou o conceito de "arqueologia do contemporâneo", incorporando estruturas existentes à vegetação, especialmente Tipuanas tipu. O espaço inclui passarelas e croquis que destacam a combinação entre elementos arquitetônicos e naturais. PRIMEIRA ETAPA PRIMEIRA ETAPA ETAPA DO DESENVOLVIMENTO Parque Central Setor com maior concentração de vegetação arbórea significativa. O acesso é feito pela Av. Ataliba Leonel. Algumas edificações existentes, entre as quais o edifício tombado de autoria do Escritório Ramos de Azevedo, abrigará futuramente o Museu de Memória do Carandiru. Dois edifícios foram completamente demolidos, bem como duas faces do quadrilátero murado do complexo em construção. Paisagismo: Foram construídos acessos ao topo da muralha, uma passarela conecta novamente dois trechos separados da muralha, possibilitando o passeio elevado a 6,50 m acima do nível do solo. Neste nível, além de poder passear por entre a copa das árvores, tem-se a possibilidade de observar o Parque e a cidade. Como contraponto aos densos maciços arbóreos existentes, o perfil do terreno foi remodelado, criando-se colinas suaves e extensos gramados. PRIMEIRA ETAPA Paisagismo: A preservação de um conjunto arbóreo, especialmente Paus- ferro (Caesalpinia ferrea), no lado norte da Praça, propiciará de imediato sombra aos bancos Sob um novo maciço de árvores dispostas longitudinalmente, ao sul da Praça, se dá um outro espaço de estar, acompanhando a Alameda Principal. Parque Istitucional Foram mantidos dois dentre os quatro edifícios originalmente previstos para reciclagem nesta área do parque. São elementos volumétricos marcantes deste setor, constituindo uma grande esplanada voltada para a Av. Cruzeiro do Sul, com acesso direto da estação Carandiru do Metrô. Desta esplanada nasce o eixo estruturador ligando este setor aos Parques Central e Esportivo. Os dois pavilhões reciclados são: Pavilhão-04 (Centro de Inclusão Digital e Centro Paula Souza) e Pavilhão-07 (Centro de Cultura). PRIMEIRA ETAPA SEGUNDA ETAPA CROQUI DO PARQUE Ao observar os croquis, é possível vislumbrar a visão dos arquitetos e urbanistas que trabalharam arduamente para dar vida a este novo espaço. Eles não apenas procuraram criar um parque, mas também um ambiente inclusivo, onde pessoas de todas as idades e origens pudessem se reunir para desfrutar da natureza, praticar esportes, apreciar a arte e celebrar a vida. 114 3 2 56 114 3 2 56 7 114 3 2 56 1 9 ENTORNO Foram construídos acessos ao topo da muralha, uma passarela conecta novamente dois trechos separados da muralha, possibilitando o passeio elevado a 6,50 m acima do nível do solo. Neste nível, além de poder passear por entre a copa das árvores, tem-se a possibilidade de observar o Parque e a cidade. Como contraponto aos densos maciços arbóreos existentes, o perfil do terreno foi remodelado, criando-se colinas suaves e extensos gramados. 1 Centro Hospitalar do Sistema Penitenciário 2 3 4 5 6 7 8 9 Museu Penitenciário Paulista Bilblioteca de São Paulo ETEC Parque da juventude Secretaria de Estado da Administração Penitenciária COREMETRO - Coordenadoria de Unidades Prisionais da Região Metropolitana de São Paulo Hospital IGESP Santana Centro Hospitalar do Sistema Penitenciário Estação Carandiru 14 3 2 5 8 7 6 9 Tanto a arquitetura paisagística do Parque da Juventude quanto o Largo da Igreja Nossa Senhora do Rosário em Jaraguásão exemplos de como espaços públicos podem ser projetados e adaptados para atender às necessidades e aspirações da comunidade, ao mesmo tempo em que preservam aspectos culturais e históricos importantes. No Parque da Juventude, a arquitetura paisagística foi cuidadosamente planejada para transformar um local antes associado a tragédias e violência em um ambiente acolhedor, seguro e propício ao lazer e à convivência. A presença de espaços abertos, áreas verdes, trilhas para caminhada, quadras esportivas e espaços para eventos culturais e educacionais demonstra um esforço para criar um ambiente inclusivo e diversificado, capaz de atender às necessidades de diferentes grupos da sociedade. Por sua vez, o Largo da Igreja Nossa Senhora do Rosário em Jaraguá destaca-se pela preservação de sua arquitetura histórica e pelo papel central que desempenha na vida da comunidade local. A igreja, com sua arquitetura característica e elementos decorativos tradicionais, é um ponto de referência importante e um símbolo de identidade para os moradores da região. A praça ao redor da igreja também serve como um espaço de encontro e celebração, onde eventos religiosos, festas populares e atividades culturais são realizados, promovendo o senso de pertencimento e coesão social. Ambos os espaços, embora distintos em sua concepção e propósito, demonstram como a arquitetura paisagística pode ser utilizada para revitalizar áreas urbanas, promover o bem-estar da comunidade e preservar a história e a identidade cultural de um local. Eles exemplificam a importância de se considerar não apenas a funcionalidade, mas também o contexto histórico e social ao projetar espaços públicos. RELAÇÃO