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Sistemas Nacionais de Proteção Análise dos Espaços Territoriais Especialmente Protegidos e os principais aspectos do Sistema Nacional de Gestão dos Recursos Hídricos, como componentes do Sistema Nacional de Proteção Ambiental. Prof.ª Gisele Bonatti 1. Itens iniciais Propósito Diante da crise ambiental do século XXI, a proteção do meio ambiente ganha cada vez mais importância, especialmente com o avanço dos debates sobre o desenvolvimento sustentável. Assim, o estudo sobre os Espaços Territoriais Especialmente Protegidos e o Sistema de Gestão de Recursos Hídricos é fundamental para a formação pessoal e profissional do aluno. Preparação Para o melhor aproveitamento do seu estudo, acesse as leis: 9.985/00 (Sistema Nacional de Unidades de Conservação – SNUC); 12.651/12 (Código Florestal); 9.433/97 (Política Nacional de Recursos Hídricos – PNRH), disponíveis no site do Planalto (planalto.gov.br). Objetivos Identificar a importância, os gêneros e as espécies de unidades de conservação e suas formas de criação e extinção. Reconhecer as áreas especialmente protegidas previstas no Código Florestal e seus aspectos mais relevantes. Analisar os principais aspectos da gestão dos recursos hídricos previstos na Lei 9.433/1997. Introdução Com o intuito de garantir o desenvolvimento ecologicamente sustentável, o legislador constituinte estabeleceu no artigo 225, parágrafo 3º, da Constituição Federal, o dever do Poder Público em criar Espaços Territoriais Especialmente Protegidos (ETEP), ou seja, áreas que, por sua localização, características e atributos, merecem proteção ambiental mais intensa. Podemos pensar em áreas com cobertura florestal nativa; áreas que abrigam espécies de flora e fauna raras ou ameaçadas de extinção; espaços para a reprodução da fauna local ou migratória; sítios naturais raros de grande beleza cênica etc. O legislador constituinte não estabeleceu na Constituição quais são as espécies de ETEP, deixando a cargo do legislador infraconstitucional definir. Assim, foram instituídas leis como: 9.985/2000 ̶ Sistema Nacional de Unidade de Conservação da Natureza, e 12.651/2012 ̶ Código Florestal, que disciplinam ETEP. É importante esclarecer que muitas pessoas, equivocadamente, consideram ETEP sinônimo de Unidades de Conservação (UC). As UC são apenas uma espécie do gênero de ETEP. Existem outros espaços que estão previstos no Código Florestal. Não há consenso sobre a listagem de quantos e quais são os ETEP na legislação brasileira. Portanto, analisaremos os espaços mais conhecidos e definidos pela doutrina, como ETEP, estes são: Unidades de Conservação; Área de Preservação Permanente; Reserva Legal; Apicuns e Salgados; Áreas de Uso Restrito; Áreas Ambientais Municipais. O conteúdo deste estudo não trata exclusivamente de ETEP, mas também do recurso que está interligado a todo o espaço natural: a água. A água é um recurso natural finito, e por ser essencial a sadia qualidade de vida humana e dos demais seres vivos, é fundamental à sua gestão de forma eficiente. Por essa razão, o legislador criou a Lei 9.433/1997, instituindo a Política Nacional de Recursos Hídricos e o Sistema Nacional de Gestão dos Recursos Hídricos, sobre o qual estudaremos seus aspectos mais relevantes. • • • • • • • • • 1. Sistema Nacional de Unidades de Conservação Unidades de Conservação e a Constituição Federal de 1988 Neste vídeo, discorremos sobre o Sistema Nacional de Unidades de Conservação, bem como os tipos e espécies existentes destas unidades. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Para o melhor entendimento sobre o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), previsto na Lei 9.985 de 2000, é importante analisarmos a finalidade da proteção destas espécies de Espaços Territoriais Especialmente Protegidos (ETEP) e o dispositivo constitucional que determina a competência do Poder Público para instituir tais espaços. Observamos que, na leitura deste texto, as siglas ETEP, SNUC e UC significam: ETEP Espaços Territoriais Especialmente Protegidos. SNUC Sistema Nacional de Unidades de Conservação. UC Unidade de Conservação. Antes de adentrarmos nos aspectos técnico-jurídicos, fazemos a seguinte pergunta: será que você já visitou, conhece ou ouviu falar sobre alguma UC? Provavelmente sim. Se você já passeou por Fernando de Noronha ou tem em seus planos de viagem o destino deste incrível arquipélago, você conhece um exemplo de UC. O arquipélago de Fernando de Noronha é composto por duas UC Federais: Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha Área de Proteção Ambiental de Fernando de Noronha Por que alguns territórios, como o arquipélago de Fernando de Noronha, merecem proteção especial? Existem diversos motivos, entre os quais a existência de fauna e/ou flora exótica, ou por qualquer razão, comprovada por estudos científicos, que demonstre que aquela área precisa ser especialmente protegida, ou seja, espaços que precisam de cuidados extras, cautela maior, visando a preservação e proteção do equilíbrio ecológico, sendo proibida qualquer ação que comprometa os atributos que justificaram a sua criação. Neste sentindo, o legislador constituinte estabeleceu, na Constituição Federal de 1988, no artigo 225, parágrafo 1º, inciso III, a competência de o Poder Público instituir estes espaços. Desta forma, dispõe: III. definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidos somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção. O legislador regulamentando, detalhando o disposto no artigo supracitado, criou o Sistema Nacional de Unidades de Conservação, Lei 9985 de 2000, conhecido como SNUC. De acordo com o artigo 4º da Lei 9985, o SNUC tem como objetivos: I. contribuir para a manutenção da diversidade biológica e dos recursos genéticos no território nacional e nas águas jurisdicionais; II. proteger as espécies ameaçadas de extinção no âmbito regional e nacional; III. contribuir para a preservação e a restauração da diversidade de ecossistemas naturais; IV. promover o desenvolvimento sustentável a partir dos recursos naturais; V. promover a utilização dos princípios e práticas de conservação da natureza no processo de desenvolvimento; VI. proteger paisagens naturais e pouco alteradas de notável beleza cênica; VII. proteger as características relevantes de natureza geológica, geomorfológica, espeleológica, arqueológica, paleontológica e cultural; VIII. proteger e recuperar recursos hídricos e edáficos; IX. recuperar ou restaurar ecossistemas degradados; X. proporcionar meios e incentivos para atividades de pesquisa científica, estudos e monitoramento ambiental; XI. valorizar econômica e socialmente a diversidade biológica; XII. favorecer condições e promover a educação e interpretação ambiental, a recreação em contato com a natureza e o turismo ecológico; XIII. proteger os recursos naturais necessários à subsistência de populações tradicionais, respeitando e valorizando seu conhecimento e sua cultura e promovendo-as social e economicamente. Atenção Nem todas as UC têm como preocupação direta o equilíbrio ecológico, mas a preocupação antropocêntrica, já que visa proteger a estética, como é o caso das UC Monumentos Naturais. É uma função cultural. Assim, dispõe, dentre os objetivos previstos no artigo 4º, inciso VI, da Lei 9985, “proteger paisagens naturais e pouco alteradas de notável beleza cênica”. Com a expressa incumbência do Poder Público em proteger a fauna, flora, patrimônio genético, equilíbrio ambiental e criar espaços espacialmente protegidos, conforme disposto no artigo 225 da Constituição Federal, o legislador instituiu o Sistema Nacional de Unidade de Conservação da Natureza, Lei 9985/2000, para regulamentar e detalhar a criação e o funcionamento de tais espaços, que precisam de proteção extra. Lembrando que as UC sãoos seus conhecimentos sobre a gestão dos recursos hídricos, consulte o site da Agência Nacional de Águas (ANA). Referências ANTUNES, P. de B. Direito Ambiental. 22. ed. São Paulo: Atlas, 2021. FERREIRA, R. M.; FIORILLO, C. A. P. Comentários ao “Código” Florestal. 2. ed. São Paulo: Saraiva Jur, 2018. MILARÉ, E. Direito do Ambiente. 12. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2020. Sistemas Nacionais de Proteção 1. Itens iniciais Propósito Preparação Objetivos Introdução 1. Sistema Nacional de Unidades de Conservação Unidades de Conservação e a Constituição Federal de 1988 Conteúdo interativo ETEP SNUC UC Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha Área de Proteção Ambiental de Fernando de Noronha Atenção Unidades de proteção integral Unidades de uso sustentável Características das Unidades de Conservação Conteúdo interativo Estação Ecológica Reserva Biológica Parque Nacional Monumento Natural Refúgio da Vida Silvestre Área de Proteção Ambiental (APA) Área de Relevante Interesse Ecológico Floresta Nacional Reserva Extrativista Reserva da Fauna Reserva de Desenvolvimento Sustentável Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Instituição, alteração e supressão de UC Conteúdo interativo Instituição da UC Será que a criação de uma UC pode ser feita apenas pela lei, ou seja, pelo Poder Legislativo? Recomendação Supressão e alteração de tamanho da UC Para ampliar o tamanho da UC, será possível apenas por lei formal? Instituição de Unidade de Conservação O Poder Público decide criar uma UC nesta região. Será que, pelo fato de o sítio ser de propriedade particular, isso impediria a criação da UC? UC de domínio público UC de domínio público ou privado Zona de amortecimento, corredores ecológicos e plano de manejo Conteúdo interativo Zona de amortecimento e corredores ecológicos Atenção Plano de Manejo (artigo 2º, XVII, Lei 9985/2000) Populações tradicionais Constitucionalidade do instituto da compensação ambiental Licenciamento prévio Pagemento Comprovação Verificando o aprendizado 2. Espaços Territoriais Especialmente Protegidos (ETEP) Os ETEP na legislação brasileira Conteúdo interativo Áreas protegidas por força de lei ETEP criados por ato do Poder Público Área de Preservação Permanente (APP) Conteúdo interativo Recomendação Reserva Legal (RL) Conteúdo interativo Qual é o percentual mínimo em relação à área do imóvel, que deve ser mantido a título de RL? Em outras palavras, qual é o tamanho mínimo de uma RL? Recomendação 1º 2º 3º Comentário Apicuns, Áreas de Uso Restrito e Áreas Ambientais Municipais Conteúdo interativo Apicuns e Salgados Salgados Apicuns Que tipo de atividade pode existir nos Apicuns e Salgados? Áreas de Uso Restrito Áreas Ambientais Municipais Cadastro Ambiental Rural (CAR) e controle florestal Conteúdo interativo Cadastro Ambiental Rural (CAR) Cadastro Inscrição Controle da origem dos produtos florestais Plantio e reflorestamento Extração de lenha Corte ou exploração de espécies nativas Transporte e armazenamento Produtos florestais Proibição do uso de fogo e controle de incêndios Recomendação Verificando o aprendizado 3. Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos Gestão de recursos hídricos no Brasil Conteúdo interativo Atenção Fundamentos, objetivos e diretrizes da PNRH Fundamentos da PNRH Você deve estar se perguntando: eu não sou dono (a) da água da minha casa? Objetivos da PNRH Diretrizes da PNRH Comentário Características e estrutura do SNGRH Conteúdo interativo Objetivos do SNGRH Órgãos integrantes do SNGRH Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) Secretarias Estaduais do Meio Ambiente. Comitês de Bacia Hidrográfica (CBH) Agências de Água Instrumentos de gestão dos recursos hídricos Conteúdo interativo A outorga pode ser suspensa? Verificando o aprendizado 4. Conclusão Considerações finais Podcast Conteúdo interativo Explore + Referênciasapenas uma espécie de espaços especialmente protegidos. Existem outros, como a Reserva Legal e Área de Preservação Permanentes, que são regulamentados no Código Florestal. Partindo da compreensão da finalidade da criação da UC, analisada anteriormente, perguntamos: qual seria a definição/conceito de UC? De acordo com o artigo 2º da lei do SNUC, inciso I, entende-se por Unidade de Conservação o espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com relevantes características naturais, instituído legalmente pelo Poder Público, com objetivos de conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção. Agora que já sabemos o que significa UC, vamos analisar as categorias e características de cada espécie de UC. Contudo, antes disso, é importante destacar que alguns termos serão citados ao longo da lei, e qualquer dúvida a respeito dos conceitos das expressões “conservação da natureza”, “diversidade biológica”, “recurso ambiental”, “preservação”, “proteção integral”, “manejo”, “uso indireto”, “uso sustentável”, “extrativismo”, “recuperação”, “restauração”, “zoneamento”, “plano de manejo”, “zona de amortecimento” e “corredores ecológicos” pode ser esclarecida por meio de consulta ao artigo 2º da Lei do SNUC. Dito isso, passamos à análise da classificação das UC. A classificação está relacionada à intensidade da proteção. Existem dois grandes grupos: unidades de proteção integral e unidades de uso sustentável. É até intuitivo que as unidades de proteção integral possuem maior proteção que as de uso sustentável. Unidades de proteção integral Nessas unidades, há uma série de limitações que, muitas vezes, permitem apenas atuação humana para pesquisa científica e visitação com fins educacionais, como no exemplo da Estação Ecológica. Unidades de uso sustentável Nessas unidades, como, por exemplo, as Reservas Extrativistas, como o próprio nome indica, permitem a utilização artesanal dos recursos naturais. No total, são 12 espécies de UC. Existem cinco espécies de proteção integral e sete de uso sustentável. Unidades de Proteção Integral: Estação ecológica; Reserva Biológica; Parque Nacional; Monumento Natural; Refúgio da vida silvestre. Unidades de Uso Sustentável: Área de Proteção Ambiental; Área de Relevante Interesse Ecológico; Floresta Nacional; Reserva Extrativista; Reserva de Fauna; Reserva de Desenvolvimento Sustentável; Reserva Particular do Patrimônio Natural. A seguir, veremos as características de cada UC. Características das Unidades de Conservação Neste vídeo, tratamos das principais características das Unidades de Conservação, trazendo exemplos para um melhor entendimento. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Para facilitar o seu estudo, destacamos os aspectos mais relevantes de cada UC. Contudo, é imprescindível a leitura dos artigos 9 ao 13 (UC de proteção integral) e os artigos 15 ao 21 (UC de uso sustentável), da Lei 9985/2000. Sobre as unidades de proteção integral: Estação Ecológica Tem como característica a preservação da natureza e pesquisa. A visitação pública é proibida, exceto com finalidade educacional. Reserva Biológica Tem como objetivo a preservação integral da biota (fauna e flora). A atuação humana é apenas permitida para a recuperação do ambiente, diversidade biológica e equilíbrio ecológico. A visitação pública é proibida, exceto com finalidade educacional. Parque Nacional É instituído para preservação de ecossistemas naturais de relevância ecológica e beleza cênica. São permitidas atividades de lazer, estudo, pesquisa e turismo ecológico. A visitação é sujeita ao plano de manejo e regras da administração da Unidade. No Estado, chamamos de Parque Estadual; no município, Parque Natural Municipal. • • Monumento Natural Se destina à preservação de sítios naturais raros, singulares ou de grande beleza cênica. A visitação pública é sujeita ao plano de manejo e às regras da administração. Quando criada em propriedade particular, e não compatível com o uso da propriedade, poderá ocorrer desapropriação. Refúgio da Vida Silvestre Protege ambientes naturais para a existência e reprodução da flora e fauna local ou migratória. A visitação pública e pesquisas estão sujeitas ao plano de manejo e às regras da administração. Sobre as unidades de uso sustentável: Área de Proteção Ambiental (APA) É, geralmente, extensa e com ocupação humana. Possui atributos bióticos e abióticos, estéticos e culturais, importantes para a qualidade de vida e bem-estar da população humana. A visitação é permitida para fins de pesquisa e educação, sujeitas as regras da administração da unidade e nas áreas particulares pelo proprietário. Área de Relevante Interesse Ecológico É, geralmente, de pequena extensão, com pouca ou nenhuma ocupação humana. Possui características naturais extraordinárias ou abriga raros exemplares da biota regional. A visitação é permitida para fins de pesquisa e educação, sujeitas às regras da administração da unidade e, nas áreas particulares, do proprietário. Floresta Nacional É uma área com cobertura florestal de espécies nativas. Nos estados, é Floresta Estadual; nos municípios, Floresta Municipal. Sua finalidade é de uso múltiplo e sustentado dos recursos florestais, como a pesquisa científica voltada a métodos de exploração sustentada de florestas nativas. É permitida a mantença de população tradicional à época já existente, segundo o que dispuser o plano de manejo. A visitação pública e as pesquisas estão sujeitas ao plano de manejo e às regras da administração da unidade. Reserva Extrativista É utilizada por população extrativista tradicional (subsistência extrativista, agricultura de subsistência e criação de animais de pequeno porte). Entretanto, as populações extrativistas tradicionais não poderão usar espécies e seus habitats ameaçados de extinção e, tampouco, impedir a regeneração de espécies. O plano de manejo deve ser sempre respeitado. A visitação é permitida segundo as regras da administração da unidade. Reserva da Fauna É área natural com animais nativos (terrestres ou aquáticos), residentes ou migratórios. Sua finalidade é o estudo sobre o manejo econômico sustentável de recursos faunísticos. É admitido o comércio dos subprodutos derivados das pesquisas, segundo a lei de proteção à fauna. A visitação é permitida de acordo com o plano de manejo e administração da unidade. A caça é proibida. Reserva de Desenvolvimento Sustentável É área natural que abriga populações tradicionais, cuja existência baseia- se em sistemas sustentáveis de exploração de recursos naturais, desempenhando papel fundamental na proteção da natureza e manutenção da diversidade ecológica. É proibido o uso de espécies ameaçadas de extinção e impedimento da regeneração das espécies, sendo obrigatório o respeito ao plano de manejo. Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) É área privada, gravada de perpetuidade e averbada às limitações na matrícula do imóvel. O objetivo é conservar a diversidade biológica. São permitidas pesquisa e visitação com objetivos turísticos, recreativos e educacionais. O plano de manejo é elaborado pelo proprietário com orientação dos órgãos integrantes do SNUC. O proprietário que criar em sua propriedade uma RPPN terá incentivos econômicos, como a isenção do Imposto Territorial Rural. Instituição, alteração e supressão de UC Neste vídeo, discorremos sobre as etapas pelas quais uma unidade de conservação pode passar, desde a sua criação até uma possível extinção. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Instituição da UC Já sabemos sobre a importância das UC, suas categorias e espécies, mas, agora, nos perguntamos: como é criada uma UC? Sobre a criação, instituição, da UC, a Constituição Federal, no artigo 225, parágrafo 1º, inciso III, é silente. O dispositivo constitucional apenas obriga que, nos casos de alteração ou supressão de ETEP, seja somente por meio de lei. Seráque a criação de uma UC pode ser feita apenas pela lei, ou seja, pelo Poder Legislativo? Chave de resposta Não! As UC também podem ser criadas por decreto. A interpretação feita pela doutrina majoritária, consolidada pelos Tribunais Superiores, é de que as UC podem ser criadas por lei (Poder Legislativo) ou por decreto (Poder Executivo). Em consonância com o anterior, o artigo 22, caput, da Lei 9985/2000, diz que uma UC deve ser instituída por ato do Poder Público, ou seja, de acordo com a interpretação feita, podendo ser criada tanto por lei como decreto. Ambos são atos do Poder Público. Recomendação É importante ler os artigos 2º ao 5º do Decreto 4.340/2002, que estabelece o procedimento técnico do ato de criação da UC. Supressão e alteração de tamanho da UC Depois de criada a UC, será que ela pode ter o seu tamanho alterado ou ser extinta? De acordo com o dispositivo anteriormente citado, artigo 225, parágrafo 1º, inciso III, da CF/88, é possível SIM alterar ou suprimir UC, desde que seja por meio de lei formal, pelo Poder Legislativo. Não é possível reduzir o tamanho ou extinguir uma UC por meio de decreto ou de medida provisória, afinal, espaços especialmente protegidos são de interesse da coletividade. No mesmo sentido, a Lei 9985/2000 dispõe, em seu artigo 22, parágrafo 7º, a mesma regra da CF/88, contudo, utiliza outras palavras: “É possível desafetar ou reduzir os limites de uma Unidade de Conservação, porém isso só pode ser feito por lei”. Entendemos que somente por meio de lei formal será possível reduzir o tamanho. Para ampliar o tamanho da UC, será possível apenas por lei formal? Chave de resposta Não. Seguindo o mesmo critério para a criação, a ampliação poderá ser feita por lei formal (Poder Legislativo) ou por decreto (Poder Executivo). Instituição de Unidade de Conservação Vamos imaginar que uma pessoa possua um sítio com alta riqueza ambiental, como cachoeiras e biodiversidade em sua propriedade particular. O Poder Público decide criar uma UC nesta região. Será que, pelo fato de o sítio ser de propriedade particular, isso impediria a criação da UC? Chave de resposta A resposta é não. A UC sempre poderá ser criada, prevalecendo o interesse coletivo. O SNUC determina que algumas UC podem ser criadas em áreas particulares, embora em outros casos deva-se desapropriar o proprietário do imóvel. E como saber se há ou não necessidade de desapropriar o proprietário do imóvel? É necessário ler os artigos correspondentes aos 12 tipos de UC e verificar se a unidade é de posse e domínio público e/ou particular. Se for UC de posse e domínio público, o Poder Público deve desapropriar a área de seu proprietário e criar a Unidade de Conservação. Se a UC for de domínio particular, não há desapropriação, desde que seja possível compatibilizar os objetivos da unidade com a utilização da terra e dos recursos naturais do local pelos proprietários. As UC podem ser apenas de domínio público ou de domínio público ou privado: UC de domínio público Estação Ecológica Reserva Biológica Parque Nacional Floresta Nacional Reserva Extrativista Reserva de Fauna Reserva de Desenvolvimento Sustentável. UC de domínio público ou privado Monumento Natural Refúgio da Vida Silvestre Área de Proteção Ambiental Área de Relevante Interesse Ecológico. A Reserva Particular do Patrimônio Nacional é área de domínio privado. Posto isso, imaginamos que, se for estabelecida uma Estação Ecológica em uma área particular, por ser UC de domínio público, o Poder Público irá desapropriar a área de seu proprietário para criar a UC. Caso não o faça, o proprietário poderá ajuizar ação de desapropriação indireta e ser indenizado. Se um Monumento Natural for instituído em uma fazenda (área particular), não haverá desapropriação, desde que o proprietário respeite as características desta UC. Zona de amortecimento, corredores ecológicos e plano de manejo Neste vídeo, para um melhor entendimento do funcionamento das UC, explicamos alguns conceitos apresentados pela lei do SNUC: zona de amortecimento, corredor ecológico e plano de manejo. • • • • • • • • • • • Zona de amortecimento no entorno do Parque do Cocó, Ceará. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Antes de finalizar o nosso estudo sobre os aspectos mais relevantes do SNUC, abordaremos pontos importantes que merecem ser observados, tais como: zona de amortecimento, corredores ecológicos, plano de manejo, populações tradicionais e a discussão sobre a constitucionalidade da compensação ambiental prevista no artigo 36 da Lei 9985/2000. Zona de amortecimento e corredores ecológicos Zona de amortecimento é a área que fica em torno da UC e serve para amortecer os impactos diretos do meio externo sobre a UC. Quando o Poder Público institui a UC, ele deve instituir também a zona de amortecimento. Esta área está sujeita a normas e restrições específicas, com o propósito de cumprir sua finalidade, que é minimizar os impactos negativos sobre a UC. Por sua vez, corredores ecológicos são espaços que ligam UC, possibilitando, entre elas, o fluxo de genes e o movimento da biota. Seu objetivo principal é facilitar a dispersão das espécies e a recolonização de áreas degradadas. Atenção Todas as UC possuem zona de amortecimento, e quando conveniente, corredores ecológicos, exceto as Áreas de Proteção Ambiental (APA) e Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). Veja o artigo 25 da Lei 9985/2000. Plano de Manejo (artigo 2º, XVII, Lei 9985/2000) O Plano de Manejo é o documento que dispõe sobre as regras de gestão da UC. Dessa forma, todas as UC possuem seu respectivo plano de manejo, especificando quais ações são permitidas, proibidas ou necessárias na UC. O Plano abrange a área da UC, assim como sua zona de amortecimento e os corredores ecológicos. Veja o artigo 27 da Lei 9985/2000. Convite aberto à comunidade para participar da elaboração do plano de manejo do Parque Ecológico das Sucupiras, Brasília, 2022. Populações tradicionais Caso seja instituída UC que não permita que populações tradicionais residam, estas serão indenizadas ou compensadas pelas benfeitorias existentes e devidamente realocadas pelo Poder Público. Veja o artigo 42 da Lei 9985/2000. Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, Amazonas. UC cujo território foi concedido às populações tradicionais. Constitucionalidade do instituto da compensação ambiental De acordo com o artigo 36 da Lei 9985/2000, nos casos de licenciamento ambiental de significativo impacto ambiental (considerado pelo órgão ambiental licenciador com o fundamento no Estudo Prévio de Impacto Ambiental), o empreendedor é obrigado a compensar este impacto, apoiando a implantação e manutenção de UC do grupo de proteção integral. Este “apoio” se dá por intermédio de um dever de pagamento, cujo valor será calculado pelo órgão licenciador, segundo o grau de impacto ecológico não mitigável constante do Estudo Prévio de Impacto Ambiental. Percebe-se que, embora a lei não mencione a obrigação de pagar quantia em espécie, mas de “apoiar”, a doutrina majoritária entende que o pagamento deve ser in pecúnia. Qual seria o valor a ser pago pelo empreendedor a título de compensação? Em consonância com o artigo 36, parágrafo 1º, da Lei 9985, o montante não pode ser inferior a 0,5% (meio por cento) dos custos totais previstos para a implantação do empreendimento, sendo o percentual fixado pelo órgão ambiental licenciador, de acordo com o grau de impacto causado pelo empreendimento. Diante dessa obrigatoriedade, os empreendedores questionaram a constitucionalidade deste dispositivo, com os seguintes argumentos: Licenciamento prévio Se na fase inicial (licenciamento prévio) ainda não há impacto ambiental, por que pagar por algo que ainda não foi consumado? Pagemento Por que o pagamento é calculado a partir de 0,5%, se o próprio artigo 36 estabelece que o valor deve ser de acordo com o impacto do empreendimento? Comprovação Se o empreendedor comprova que estáinvestindo em tecnologia limpa, como, por exemplo, filtros de alta qualidade, deveria haver uma compensação de valores, caso contrário, o empreendedor estaria pagando em dobro pela compensação ambiental. Esses questionamentos resultaram na Ação de Inconstitucionalidade, ADI 3378/DF. O Supremo Tribunal Federal entendeu que a compensação ambiental é constitucional e pode ser cobrada na fase inicial, uma vez que os órgãos ambientais já têm noção de que a atividade tem potencial significativo impacto ambiental. Contudo, a respeito do valor mínimo, de 0,5% (meio por cento), o STF entendeu ser inconstitucional, deixando a cargo do órgão licenciador definir o percentual. Verificando o aprendizado Questão 1 Sobre o Sistema Nacional de Unidades de Conservação, assinale a alternativa correta. A As Unidades de Conservação são criadas pelo Poder Público, exceto a Reserva Biológica, que também poderá ser também criada por particular. B O artigo 225, parágrafo 1º, inciso III, da Constituição Federal, ao dizer “espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos”, está se referindo, unicamente, às Unidades de Conservação. C As Unidades de Conservação do grupo de proteção integral não admitem visitação. D A classificação das Unidades de Conservação está relacionada à intensidade de proteção, visto que as unidades de proteção integral possuem maior proteção que unidades de uso sustentável. E Todas as unidades de conservação possuem o mesmo grau de proteção, o que difere são os recursos naturais que existem em cada uma delas. A alternativa D está correta. O legislador constituinte, no artigo 225, parágrafo 1º, inciso III da CF/88, ao incumbir o Poder Público de criar espaços especialmente protegidos, não se refere exclusivamente às unidades de conservação. Existem outros espaços que merecem proteção especial, como a Reserva Legal e a Área de Proteção Permanente (APP), disciplinadas no Código Florestal. As Unidades de Conservação são criadas pelo Poder Público, exceto a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), criada por um particular que tenha interesse na conservação ambiental. A classificação das Unidades de Conservação está de acordo com a intensidade da proteção, e assim, se divide em dois grandes grupos: proteção integral e uso sustentável. Intuitivamente, o primeiro grupo recebe uma proteção maior que o segundo. Cada unidade possui características próprias, que estão expressas a partir do artigo 9º ao 21º, da lei 9985/2000. Como pode ser verificado, mesmo sendo de proteção integral, o Parque Nacional, Monumento Natural, admite visitação, desde que sejam atendidos os requisitos do plano de manejo e regras da administração da unidade. Questão 2 O prefeito de Serra dos Sonhos, após diversos estudos técnicos e realização de audiência pública, decidiu criar uma Unidade de Conservação, espécie Parque Municipal, para preservar exemplares exuberantes de Mata Atlântica. O decreto foi editado delimitando os limites do novo parque municipal. Após três anos, o prefeito recebeu pedidos para que o parque fosse transformado em uma Área de Relevante Interesse Ecológico, com redução de seus limites. De acordo com o que analisamos neste módulo, assinale a alternativa correta. A Como o Parque Municipal foi criado por decreto, sua transformação e redução de limites podem ser feitos por decreto, respeitando o princípio da simetria das formas. B O Parque Municipal e Área de Relevante Interesse Ecológico possuem o mesmo grau de intensidade de proteção, isto é, ambos pertencem as unidades de uso sustentável. Sendo assim, sua transformação e alteração de tamanho poderão ser feitas, tanto por decreto como por lei formal. C A transformação deverá ser feita por lei formal, contudo, a redução poderá ser feita por decreto, uma vez que ambas as unidades pertencem ao grupo de proteção integral. D Não existe Parque Municipal, apenas Parque Nacional. E Parque Municipal é uma espécie de unidade de conservação de proteção integral, sua alteração para Área de Relevante Interesse Ecológico, que é Unidade de Conservação de Uso Sustentável, pode ser feita por meio de lei formal, assim como a redução de seus limites. A alternativa E está correta. A criação de qualquer tipo de Unidade de Conservação pode ser feita por ato do Poder Público, seja a União, Estado ou Município (artigo 22, Lei 9985/2000), por meio de lei formal (Poder Legislativo) ou decreto (Poder Executivo). Afinal, deve ser facilitada a criação das unidades, pois trata-se de interesse coletivo preservar o meio ambiente. Contudo, somente por lei formal é possível desafetar ou reduzir os seus limites. 2. Espaços Territoriais Especialmente Protegidos (ETEP) Os ETEP na legislação brasileira Neste vídeo, definimos o que são os Espaços Territoriais Especialmente Protegidos (ETEP) e suas principais características. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Anteriormente, tratamos de um tipo de ETEP, que são as UC. Contudo, como explicamos, além das UC, existem outros tipos de áreas que merecem ser especialmente protegidas, por possuírem algumas peculiaridades ambientais e, por essa razão, devemos proteger para preservar e conservar a forma como se encontram hoje. De acordo com Paulo de Bessa Antunes (2021), existem dois tipos de áreas protegidas: Áreas protegidas por força de lei Também chamadas de áreas genericamente protegidas, essas áreas estão no Código Florestal, como, por exemplo: Área de Preservação Permanente (APP); Reserva Legal (RL). Isso quer dizer que, para a criação destas áreas, não precisa de ato do Poder Público, como, por exemplo, decreto. Desde que determinados requisitos legais estejam presentes, ela se aplica genericamente a todo o país. No entanto, existem modalidades de APP que são criadas por ato do Poder Público, como, por exemplo: áreas cobertas com florestas ou outras formas de vegetação destinadas a proteger as restingas ou veredas. Ver parágrafo 1º do artigo 6 do Código Florestal. ETEP criados por ato do Poder Público Como regra, são as UC, previstas na Lei 9985/2000. As UC se dividem em dois grandes grupos: unidades de proteção integral e unidades de uso sustentável. A ideia principal das unidades de proteção integral é que sejam utilizadas de forma indireta, ou seja, não é permitida a utilização econômica destas unidades, como, por exemplo: não é possível extração de madeira em um Parque Nacional. Por outro lado, nas unidades de uso sustentável, é permitido algum grau de atividade econômica, desde que não gere problemas ambientais significantes dentro da unidade, por exemplo: é possível que em uma Floresta Nacional resida uma população tradicional. É muito comum as pessoas confundirem os termos “Área de Proteção Ambiental (APA)” e “Área de Preservação Permanente (APP)”. Para não fazer confusão, vamos deixar claro que: Afinal, quais são os ETEP na legislação brasileira? São todas as áreas que recebem proteção especial. Os ETEP mais destacados pela doutrina são: Unidades de Conservação (UC); APA É uma espécie de UC de uso sustentável, que precisa de lei formal ou decreto para ser criada. APP Está disciplinada no Código Florestal, e, para ser instituída, basta a verificação das características listadas nesta lei, aplicando-se em todo o país. • Devastação das matas ciliares às margens do Rio Pará, MG. Área de Preservação Permanente (APP); Reserva Legal (RL); Apicuns e Salgados; Áreas de Uso Restrito; Áreas Ambientais Municipais. A Área de Preservação Permanente, Reserva Legal, Apicuns e Salgados, e as Áreas de uso restrito, estão disciplinados na Lei 12.651/2012 ̶ Código Florestal. Áreas Ambientais Municipais estão dispostas na Lei 6.766/1979 ̶ Lei do Parcelamento do Solo Urbano; e as Unidades de Conservação, na Lei 9985/2000 – Sistema Nacional de Unidade de Conservação da Natureza – SNUC). Nos próximos tópicos, analisaremos os principais aspectos dos tipos de ETEP, citados anteriormente, com exceção das Unidades de Conservação, pois já tratamosdeste assunto de forma exclusiva. Área de Preservação Permanente (APP) Neste vídeo, discorremos sobre as Áreas de Preservação Permanente, suas principais características e regulamentação prevista no Código Florestal. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Já sabemos que a área de Preservação Permanente (APP) é uma espécie de ETEP e sua regulamentação está prevista no Código Florestal. Todavia, quais são as características de uma APP? De acordo com o artigo 3º do Código Florestal (este artigo trata da maioria das definições que constam nesta lei, por isso, recomendamos a leitura), a APP, como diz o próprio nome, é uma área que deve ser preservada permanentemente. Caso isso não seja feito, o resultado poderá ser muito negativo para o equilíbrio ambiental. Exemplificando o tópico anterior, vamos pensar na mata ciliar que se situa nas margens do rio. Caso essa mata ciliar seja destruída, é muito provável que a areia no entorno do rio entre dentro dele, resultando no seu assoreamento, diminuindo, consequentemente, o volume de água ou até mesmo acabando com o rio. Então, é necessário que essa área seja permanentemente protegida, para que o rio siga existindo. A APP pode existir em zona urbana ou em zona rural (artigo 4º do Código Florestal). O objetivo é proteger o equilíbrio do ecossistema e dos recursos hídricos, e preservar a paisagem e a estabilidade geográfica. Sobre a estabilidade geográfica, imaginemos o topo de um morro repleto de árvores. Quando chove, as árvores amortecem o impacto da chuva, escoando suavemente para o solo, e as raízes das árvores ajudam a segurar o solo. Porém, se essas árvores forem cortadas e não restar mais nada no topo do morro, a água da chuva baterá com força no solo, podendo haver deslizamento de terra, enchentes e uma série de problemas ambientais. Para evitar este problema, em áreas que apresentam estas características de topo de morro, é criada a APP, para assegurar a estabilidade geográfica e o equilíbrio ambiental. Existem diversos tipos de APP, que estão previstos no artigo 4º do Código Florestal. Destacamos os seguintes incisos: I. Se refere às faixas que ficam no entorno do rio. Quanto mais largo for o rio, maior será a área de cobertura vegetal protegida. Por exemplo: um rio com menos de 10 metros de largura, terá 30 metros de margem protegida para cada um dos lados. Se o rio tem entre 50 e 200 metros de largura, a faixa marginal, a título de • • • • • APP, será de 100 metros para cada borda do rio. III. É interessante observar que, se houver reservatório d´água artificial decorrente de barramento ou represamento de águas naturais, deverá existir a APP, mas o seu tamanho será delimitado no estudo apresentado no licenciamento ambiental do empreendimento. IV. Se refere às áreas que circundam nascentes e olhos d´água, que, independentemente de sua localização topográfica, deverá ter um raio mínimo de 50 metros. A lei 14.285, de 2021, trouxe a novidade das “áreas urbanas consolidadas” (sua definição está no artigo 3º, inciso XXVI do Código Florestal). De acordo com o artigo 4º parágrafo 10, se a APP do inciso I (faixas marginais entorno do rio) estiver localizada em área urbana consolidada, os conselhos estaduais, municipais ou distritais do meio ambiente, poderão definir, por meio de lei municipal ou distrital, tamanho distinto do inciso I. Contudo, poderá ser de tamanho diferente do inciso I somente se a APP não estiver em área de risco de desastre. Deverão observar as diretrizes do plano de recursos hídricos. As atividades ou empreendimentos a serem instalados na APP devem observar os casos de utilidade pública (art. 3º, VIII, Código Florestal), interesse social (art. 3º, IX, Código Florestal) ou de baixo impacto ambiental (art. 3º, X, Código. Florestal). Recomendação É imprescindível a leitura dos demais incisos do artigo 4º. Observações finais: Caso o proprietário da área em que está localizada a APP faça supressão da vegetação, ele será obrigado a recompor a vegetação, salvo nos casos autorizados no Código Florestal (Artigo 7º, parágrafo 1º). A obrigação de recompor a vegetação, prevista no parágrafo 1º do artigo 7º, é transmitida ao sucessor, no caso de transferência de domínio ou posse do imóvel rural (Artigo 7º, parágrafo 2º). Excepcionalmente, o Código Florestal autoriza a exploração vegetal da APP, nos casos de utilidade pública, Interesse Social e Baixo Impacto Ambiental. Como exemplo de utilidade pública, podemos citar a instalação de torre para telecomunicações (Artigo 8º). Reserva Legal (RL) Neste vídeo, definimos o que é a Reserva Legal, bem como descrevemos suas principais características. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Em conformidade com o artigo 12 do Código Florestal, todo imóvel rural deve manter área com cobertura de vegetação nativa, a título de Reserva Legal (RL). Observamos que, à diferença da APP, que pode existir tanto em imóvel urbano quanto em imóvel rural, a RL existe apenas em propriedade rural. O proprietário deve incluir o imóvel no Cadastro Ambiental Rural (CAR), e o órgão estadual ambiental ou instituição por ele habilitada irá aprovar a localização da RL. • • • Qual é o percentual mínimo em relação à área do imóvel, que deve ser mantido a título de RL? Em outras palavras, qual é o tamanho mínimo de uma RL? Chave de resposta Varia de acordo com a localização. Ver artigo 12, I, Código Florestal. Se o imóvel rural estiver localizado na Amazônia Legal em área de florestas, 80% devem ser protegidos a título de RL. Se estiver na Amazônia Legal em área de cerrado, 35%. Em campos gerais, segue a regra geral de 20% (inciso II). Por exemplo: João tem uma fazenda na qual cria gado e cultiva soja. A regra geral é que João deve criar uma RL com área mínima de 20%. Caso a fazenda de João esteja localizada na floresta da Amazônia legal, a área mínima protegida a título de RL será de 80%, e se estiver em cerrado da Amazônia Legal, 35%. Entretanto, se estiver em floresta ou cerrado não localizados na Amazônia Legal, aplica-se a regra geral de 20%. Recomendação Ler conceito de Amazônia Legal, estabelecido no artigo 3, I, Código Florestal. Será possível computar a área de RL no mesmo espaço que a APP? Como sabemos, área de RL e APP são coisas distintas. A regra é que, em um imóvel rural, que possua, por exemplo, um rio ou topo de morro, devam existir as duas áreas: APP e RL. Contudo, há exceções, que permitem computar a área da RL em APP. Ver artigo 15 do Código Florestal. Por exemplo: no imóvel rural, existe um rio. Ao lado dele, temos as margens protegidas (APP). Vamos supor que a RL possua 15% de área. Será que poderíamos computar aquela área de APP (as margens do rio) para alcançar os 20% exigido de área mínima de RL? Sim, desde que: 1º A área da APP não seja convertida em área de uso alternativo do solo. O regime de proteção da APP não se altera. 2º A área da APP que será computada esteja conservada ou em processo de recuperação. 3º O proprietário ou possuidor do imóvel tenha incluído o imóvel no Cadastro Ambiental Rural (CAR). Caso o proprietário ou possuidor do imóvel tenha área de RL acima do mínimo exigido por lei (exemplo: a lei obriga mínimo de 20%, mas o proprietário tem 30%), ele poderá usar a área para fins de: servidão ambiental, cota de reserva ambiental e outros instrumentos para proteção do meio ambiente, previstos no Código Florestal. Pode haver exploração econômica na RL? De acordo com artigo 17, a RL deve ser conservada pelo proprietário ou possuidor do imóvel, seja pessoa física ou jurídica de direito público ou privado. A ideia geral é que não tenha exploração econômica nesta área. Mas o Código Florestal prevê exceções nos parágrafos do artigo 17. Admite-se exploração econômica da RL, desde que exista um plano de manejo sustentável aprovado pelo órgão ambiental. As modalidades de manejo florestal são: Sem propósito comercial paraconsumo na propriedade; Para exploração florestal com propósito comercial. Ou seja, é permitido com ou sem propósito comercial, desde que seja autorizado pelo órgão ambiental competente (artigo 20). Comentário Se a RL estiver localizada em pequena propriedade ou posse rural familiar, o órgão ambiental realizará procedimento simplificado para aprovação do plano de manejo. (Ver parágrafo 2º, artigo 17) Observações finais: É obrigatória a suspensão imediata das atividades em área de RL desmatada ilegalmente. Independentemente das sanções administrativas, cíveis e penais cabíveis, deve haver a recomposição da área desmatada ilegalmente (artigo 17, parágrafo 4º). Essa obrigação é propter rem, ou seja, se transfere ao novo proprietário. Observamos que as áreas de RL são isentas do Imposto Territorial Rural (ITR). A RL não é tributável, mas o restante da propriedade sim. • • • • • Apicuns, Áreas de Uso Restrito e Áreas Ambientais Municipais Neste vídeo, tratamos de outros espaços protegidos e suas principais características. São eles: Apicuns, Salgados, Áreas de Uso Restrito e Áreas Ambientais Municipais. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Nos tópicos anteriores, tratamos dos ETEP mais conhecidos do Código Florestal: Área de Preservação Permanente e Reserva Legal. Contudo, existem outros na Lei 12.651/2012, sobre os quais faremos breves comentários a seguir. Estes são: Apicuns e Salgados e Áreas de Uso Restrito. Também faremos observações sobre as Áreas Ambientais Municipais, previstas na Lei 6.766/1979 (Lei do Parcelamento do Solo Urbano, artigo 13). Apicuns e Salgados Para entendermos sobre estas áreas que merecem especial proteção, partiremos dos conceitos. O que significa “Apicum” e “Salgados”? Salgados De acordo com a definição do artigo 3º, incisos XIV, Salgados, também chamados de marismas tropicais hipersalinos, são áreas situadas em regiões com inundações intermediárias entre marés, com solos hipersalinos), onde pode existir a presença de vegetação herbácea específica. Marisma da Lagoa Santo Antônio dos Anjos, Santa Catarina. Apicuns Apicuns, como disposto no inciso XV, do artigo 3º, também são áreas de solos hipersalinos nas regiões entre marés, contudo, apresentam salinidade superior, sendo desprovidas de vegetação vascular. Apicum na transição para terra firme. Ilha de São Luís, Maranhão. Em suma, a salinidade destes tipos de biomas é tão alta que não abriga árvores, como no caso dos mangues. A vegetação, quando existente, é composta por herbáceas que crescem na areia. Seria uma espécie de brejo de água salgada à beira mar. Que tipo de atividade pode existir nos Apicuns e Salgados? Chave de resposta Carcinicultura (criação de crustáceos) e salinas. Entretanto, para exercer estas atividades, é necessário licença ambiental, que será concedida se os requisitos dos parágrafos do artigo 11-A, do Código Florestal forem atendidos. Ler artigo 11-A. A licença ambiental será de 5 (cinco) anos, podendo ser renovada, se o empreendedor comprovar o cumprimento das exigências da legislação ambiental (parágrafo 2º, artigo 11- A). Parque Nacional do Pantanal Matogrossense. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Caso a licença ambiental não esteja sendo respeitada pelo empreendedor, o órgão licenciador, independentemente das sanções administrativas, cíveis e penais cabíveis, poderá alterar as condicionantes e as medidas de controle e adequação, mediante decisão motivada (parágrafo 4º, artigo 11-A). Áreas de Uso Restrito Áreas de Uso Restrito têm como objetivo proteger o pantanal e as planícies pantaneiras, como, por exemplo: o bioma do Pantanal Mato- grossense. É permitida a exploração desta área, desde que seja de modo sustentável, devendo considerar as recomendações técnicas dos órgãos oficiais. Ler artigos 10 e 11 do Código Florestal. Áreas Ambientais Municipais A lei 6.766/1979 (Lei do Parcelamento do Solo Urbano, artigo 13) trata das áreas ambientais municipais. São áreas de interesse especial, que visam proteger os bens naturais, históricos, culturais, paisagísticos e arqueológicos no processo de urbanização. Para ilustrar, exemplificamos com as áreas verdes urbanas. Essas áreas podem ser espaços públicos ou privados que contenham vegetação nativa, indisponível para a construção e moradia, mas disponíveis para recreação, lazer, melhoria da qualidade ambiental urbana, proteção dos recursos hídricos e manutenção paisagística. Para a qualidade de vida humana, não basta termos edifícios e shopping centers, é necessário mantermos o contato com a natureza. Sendo assim, teremos essas áreas verdes urbanas para a manutenção da vida nas cidades, como, por exemplo: jardim botânico, jardim zoológico, praças, parques urbanos. O Poder Público contará, para o estabelecimento de áreas verdes urbanas, com os instrumentos, tais como: transformação das Reservas Legais em áreas verdes nas expansões urbanas; estabelecimento da exigência de áreas verdes nos loteamentos; empreendimentos comerciais e na implantação de infraestrutura, dentre outros disponíveis no artigo 25 do Código Florestal. Finalizamos a análise dos tipos de ETEP e passaremos às observações finais sobre o Código Florestal. Cadastro Ambiental Rural (CAR) e controle florestal Neste vídeo, discorremos sobre a realização do Cadastro Ambiental Rural e os principais aspectos que envolvem este processo. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Cadastro Ambiental Rural (CAR) O CAR é um registro eletrônico obrigatório para todos os proprietários de imóveis rurais. A ideia é que, por meio dos dados obtidos pelo CAR, o Poder Público poderá ter mais um meio de informação, para saber como está a questão do desmatamento no país e, assim, elaborar estratégias e planos de proteção ambiental. Para o particular, o CAR é interessante, pois, com esse cadastro, o proprietário ou possuidor do imóvel terá direto a empréstimos com juros mais interessantes, linhas de créditos fornecidas pelos bancos. Leia o artigo 29 do Código Florestal. A inscrição do imóvel rural no CAR, deve ser feita preferencialmente no órgão ambiental municipal ou estadual. Dito isso, veremos algumas questões. Cadastro Será que o cadastro serve como meio de prova para o reconhecimento de direito de propriedade ou de posse? Não serve. Inscrição Essa inscrição no CAR é obrigatória? Sim e por prazo indeterminado para os imóveis rurais. Se a RL já tiver sido averbada na matrícula do imóvel, ainda é necessário inscrever no CAR? Sim, mas não será obrigado a fornecer ao órgão ambiental as informações relativas à identificação do imóvel por meio de planta e memorial descritivo, contendo as informações previstas no artigo 29, parágrafo 1º, inciso III – Ler este dispositivo e artigo 30. Para esta desobrigação, deverá apresentar ao órgão ambiental a certidão do RGI que conste a averbação da RL. Controle da origem dos produtos florestais Devem ser controladas as origens dos produtos ou subprodutos de origem florestal, como madeira, sementes, carvão e subprodutos florestais, pois, caso contrário, não teríamos como saber se aquele produto tem origem de extração lícita. O Sistema Nacional de Controle da Origem dos Produtos Florestais – Sinaflor, coordenado, fiscalizado e regulamentado pelo IBAMA, irá cadastrar todas as informações relativas à origem destes produtos. Recomendação: Ver artigo 35 do Código Florestal. É importante destacar que: 1 Plantio e reflorestamento O plantio ou reflorestamento com espécies nativas ou exóticas não precisam de autorização. Contudo, devem ser informados ao órgão competente, para fins de controle de origem (art. 35, parágrafo 1º). 2 Extração de lenha É livre a extração de lenha e demais produtos de florestas plantadas nas áreas de uso alternativo do solo, ou seja, que não sejam APP, RL. Então, se eu plantei, e não é área de RL ou APP, posso extrair produtos florestais (art. 35, parágrafo 2º). 3Corte ou exploração de espécies nativas Corte ou exploração de espéciesnativas em área de uso alternativo do solo são permitidos sem necessidade de autorização prévia. Atenção: deve ser cadastrado no órgão ambiental competente o plantio ou o reflorestamento, para o controle de sua origem (art. 35, parágrafo 3º). 4 Transporte e armazenamento O transporte e o armazenamento de madeira, lenha, carvão e outros produtos ou subprodutos florestais oriundos de florestas de espécies nativas, para fins comerciais ou industriais, poderá ser feito somente mediante licença do órgão ambiental competente, a qual se formalizará por meio da emissão do Documento de Origem Florestal (DOF), no qual constará as características e volume do material, origem e destino (ler artigo 36). 5 Produtos florestais Todo aquele que recebe ou adquire produtos florestais, para fins comerciais ou industriais, é obrigado a exigir a apresentação do DOF. Proibição do uso de fogo e controle de incêndios É permitido o uso de fogo na vegetação? Não! Mas há exceções. Recomendação Leia os artigos 38, 39 e 40 do Código Florestal. Vamos ver agora quais são as exceções. Em determinados locais ou regiões que apresentem justificativa para o uso de fogo na atividade agropastoril ou florestal, e que seja aprovado pelo órgão estadual ambiental, o qual estabelecerá critérios de monitoramento e controle. O licenciamento da atividade deve conter o planejamento específico sobre o emprego do fogo. Em UC, desde que obedeça ao respectivo plano de manejo e possua aprovação prévia do órgão gestor da unidade, com o objetivo do manejo conservacionista da vegetação nativa. Na realização de atividades de pesquisa científicas aprovadas pelos órgãos competentes e feitas por instituição de pesquisa reconhecido. Por populações tradicionais e indígenas como forma de manutenção da sua agricultura de subsistência. Verificando o aprendizado Questão 1 • • • • O legislador constituinte, no artigo 225, parágrafo 1º, inciso III da CF/88, ao incumbir o Poder Público de criar Espaços Territoriais Especialmente Protegidos, não se refere exclusivamente às Unidades de Conservação, pois existem outros espaços que merecem proteção especial. Quais são eles? A Área de Preservação Permanente, CAR, Áreas Ambientais Municipais e Áreas de Uso Restrito B Área de Preservação Permanente, Reserva Legal, Apicuns e Salgados, Áreas Ambientais Municipais e Áreas de Uso Restrito C Área de Preservação Permanente, Reserva Legal, Recursos Hídricos, Áreas Ambientais Municipais, Áreas de Uso Restrito D Área de Preservação Permanente, Reserva Legal, Sinaflor, Áreas Ambientais Municipais e Áreas de Uso Restrito E Área de Preservação Permanente, Reserva Legal, Carcinicultura, Áreas Ambientais Municipais e Áreas de Uso Restrito A alternativa B está correta. Além das Unidades de Conservação, existem cinco outros tipos de Espaços Territoriais Especialmente Protegidos: Área de Preservação Permanente, Reserva Legal, Apicuns e Salgados, Áreas de Uso Restrito e Áreas Ambientais Municipais. Todos estes espaços estão disciplinados na Lei 12.651/2012, Código Florestal, exceto as Áreas Ambientais Municipais, previstas, de forma geral, na Lei 6.766/1979, Lei do Parcelamento do Solo Urbano, podendo ser encontrados exemplos deste tipo de área no Código Florestal, como as áreas verdes urbanas. CAR significa Cadastro Ambiental Rural. Recurso Hídrico é um tipo de recurso natural, água. Sinaflor é o Sistema Nacional de Controle da Origem dos Produtos Florestais. Carcinicultura é a atividade desenvolvida em Apicuns e Salgados. Questão 2 Sobre a Área de Preservação Permanente, assinale a alternativa correta. A Trata-se de Espaço Territorial Especialmente Protegido, disciplinado na Lei 9985/2000, Sistema Nacional de Unidade de Conservação da Natureza. B A Área de Preservação Permanente, assim como a Reserva Legal, existe apenas em imóvel rural. C A Área de Preservação Permanente tem como objetivo proteger o pantanal e planícies pantaneiras. D Independentemente de sua localização, em imóvel rural, sua porcentagem será sempre 20% do total do terreno, à diferença da Reserva Legal que varia de acordo com a localização. E Trata-se de Espaço Territorial Especialmente Protegido, disciplinado na Lei 12.651/2012, Código Florestal. A alternativa E está correta. A Área de Preservação Permanente (APP), encontra-se disciplinada no Código Florestal. De acordo com o artigo 3º, inciso II, trata-se de área protegida, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas. À diferença da Reserva Legal, criada somente em imóvel rural, a APP pode ser constituída tanto em imóvel urbano como em imóvel rural. Não há limites de porcentagem relacionados à proporção do tamanho do terreno onde está inserido. Deve ser cumprida a extensão prevista no artigo 4º e 5º do Código Florestal. Por fim, são as Áreas de Uso Restrito que têm objetivo de proteger o pantanal e planícies pantaneiras, logo, não se trata de APP. 3. Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos Gestão de recursos hídricos no Brasil Neste vídeo, discorremos sobre a gestão de recursos hídricos no Brasil e sobre a política nacional de recursos hídricos. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. No presente módulo, vamos tratar da gestão dos recursos hídricos no Brasil, ou seja, gestão da água. A água é essencial para a qualidade de vida, e se nós não a protegermos, comprometeremos a existência humana e dos demais seres vivos na Terra. Por ser um recurso natural finito, temos que protegê-la para garantir a existência das futuras gerações. A lei 9.433 de 1997, conhecida como Lei das Águas, institui a Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH) e cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SNGRH), regulamentando o inciso XIX do artigo 21 da Constituição Federal, o qual incumbe a União de instituir a PNHR e definir critério de outorga de direitos de seu uso. Atenção A água é de domínio público, ou seja, pertence ao Poder Público. Em outras palavras, a água não é um bem privado, o que as pessoas possuem é o direito de uso dela. A água é do Poder Público, e ele permite que um concessionário explore esse recurso hídrico que será utilizado por você, por exemplo, em sua casa. Lembrando que o uso da água deve ser ecologicamente sustentável. Para melhor entendimento do conteúdo deste módulo, organizamos a estrutura da seguinte forma: primeiro, explicaremos os principais fundamentos, objetivos e diretrizes da Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH). Posteriormente, passaremos à análise do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SNGRH), abordando os seus órgãos integrantes e os instrumentos utilizados por estes entes para cumprir os objetivos da PNRH. Fundamentos, objetivos e diretrizes da PNRH Fundamentos da PNRH Quais são os principais fundamentos, bases e princípios da PNRH? Estão estabelecidos no artigo 1º da Lei 9.433/1997. De acordo com o artigo, a água é um bem de domínio público, ou seja, não é privado. Você deve estar se perguntando: eu não sou dono (a) da água da minha casa? Chave de resposta A resposta para essa pergunta é não. O que você tem é o direito de usar essa água segundo os parâmetros definidos pelo Poder Público. A água é um recurso natural limitado e, por isso, não pode ser utilizada de Ação do projeto Reviver Machado, voltado para a preservação de rios em Rondônia. qualquer jeito. A água tem valor econômico, então, com o objetivo de racionalizar a sua utilização, o Estado cobra pelo seu uso, caso contrário, pessoas tomariam banho de duas horas sem se importar com a finitude deste recurso. Nossa legislação garante sempre o uso múltiplo das águas, isto é, a água deve ser utilizada para beber, lavar roupa, carro, atividades industriais, navegação, geração de energia, irrigação etc. Em situação deescassez, por exemplo, seca em bacia hidrográfica, a PNRH prioriza o fornecimento de água para o consumo humano e a dessedentação de animais, mesmo que seja necessário cessar o uso da água para irrigação, indústria etc. A PNRH afirma que a bacia hidrográfica é a unidade territorial para a implementação da PNRH, ou seja, a gestão dos recursos hídricos deve ser feita individualmente por bacia hidrográfica. O que seria bacia hidrográfica? De forma sucinta, seria a área composta por um rio principal e seus afluentes, que escoam para o mesmo curso d´água. Por essa razão, não podemos pensar em gestão individualizada por municípios ou Estados. Imagine um município que não tem preocupação com o rio, e toda a poluição deste contamina a bacia hidrográfica. Então, a gestão deve ser de um todo. A gestão dos recursos hídricos é descentralizada e vai contar com a participação do Poder Público, dos usuários das águas e das comunidades. A nossa legislação não centraliza a gestão apenas no Poder Público, mas permite a participação de outros interessados, por meio dos Comitês de Bacia Hidrográficas, que analisaremos a seguir. Objetivos da PNRH Em alinhamento com os fundamentos, os objetivos da PNRH, dispostos no artigo 2º, se resumem em: Assegurar disponibilidade de água, atendendo aos padrões de qualidade para as presentes e futuras gerações, afinal, não adianta ter alta quantidade de água se não for possível o seu consumo pelo ser humano, por estar contaminada; Garantir a utilização racional e integrada dos recursos hídricos; Realizar a prevenção e a defesa contra eventos hidrológicos críticos, por exemplo, chuvas fortes que destroem casas; Incentivar e promover a captação e aproveitamento de águas pluviais (água de chuva), por exemplo, é comum fábricas reutilizarem água de chuva no processo de produção de seus produtos, atendendo diretrizes do modelo de indústrias ecologicamente sustentáveis. Diretrizes da PNRH Seguindo a linha dos fundamentos e objetivos, as diretrizes gerais para a implementação da PNRH, encontram-se previstas no artigo 3º. De forma sucinta: a gestão dos recursos hídricos deve associar aspectos de qualidade e qualidade da água. Comentário Não adianta termos muita água se não for possível seu consumo, como também não é razoável ter pouca água de altíssima qualidade, pois é necessário quantidade de água para atender outros usos. • • • • Projeto Bacias Jaguariúna, São Paulo. A gestão deve se adequar a cada diversidade física, demográfica, social e cultural das regiões do país, ou seja, a região Sul possui características diferentes da região Norte, então, a gestão deve se adequar as peculiaridades de cada lugar. Também é importante a integração da gestão de recursos hídricos com a gestão ambiental, com uso do solo. Não há como pensar que a gestão da mata ciliar de uma APP não estará vinculada com a gestão do rio que esta vegetação protege. Da mesma forma, deve haver integração da gestão dos recursos hídricos com sistemas estuarinos e gestão costeira. Por último, deve haver articulação entre os planejamentos da gestão dos recursos hídricos e dos setores usuários. Características e estrutura do SNGRH Neste vídeo, tratamos do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos e de seus principais aspectos. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Feitos os esclarecimentos sobre os fundamentos, objetivos e diretrizes da PNRH, nos perguntamos: quem irá implementar a PNRH? Quem fará a gestão das águas? Será o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SNGRH). Objetivos do SNGRH De acordo com o artigo 32 da Lei 9.433/1997, o SNGRH tem como objetivos: Coordenar a gestão integrada das águas; arbitrar administrativamente os conflitos relacionados com os recursos hídricos; Implementar a PNRH; Planejar, regular e controlar o uso, preservação e recuperação dos recursos hídricos e realizar a cobrança do uso dos recursos hídricos. Para a realização desses objetivos, o SNGRH repartiu as atribuições entre os seguintes órgãos: Conselho Nacional de Recursos Hídricos; Agência Nacional de Águas; Conselhos de Recursos Hídricos dos Estados e do Distrito Federal; Comitês de Bacia Hidrográfica; Órgãos dos poderes públicos federal, estaduais, do Distrito Federal e municípios, cujas competências se relacionem com a gestão de recursos hídricos; e as Agências de Água (artigo 33 da Lei 9.433/1997). Órgãos integrantes do SNGRH Conforme apontamos, o SNGRH é composto por diversos órgãos, ou seja, sua gestão não é centralizada. Quais seriam as suas atribuições? Comentaremos, de forma breve, as funções dos principais entes. • • • Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) O Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) está disciplinado nos artigos 34, 35 e 36 da Lei 9.433/1997. É imprescindível a leitura destes dispositivos. Em suma, é o órgão de instância máxima na gestão dos recursos hídricos. Os critérios gerais serão estabelecidos por este órgão, como, por exemplo: critérios para a outorga de direitos de uso dos recursos hídricos e critérios para a sua cobrança. Os projetos de planejamento e suas respectivas implantações deverão passar por sua aprovação. Sua gestão será presidida pelo Ministro de Estado do Desenvolvimento Regional. Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) No âmbito federal, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), criada pela Lei 9.984/2000, é o órgão responsável pela execução dos instrumentos da PNRH. Suas competências estão previstas no artigo 4º da Lei 9.984 (é imprescindível sua leitura), como, por exemplo: sempre que os recursos hídricos forem de domínio da União, a ANA será competente para a outorgar o direito de uso; fiscalizar os usos; implementar a cobrança pelo uso; arrecadar, distribuir e aplicar as receitas auferidas pela cobrança na forma da lei. Secretarias Estaduais do Meio Ambiente. No âmbito estadual, com as atribuições semelhantes às da ANA, mas atuando em águas de domínio estadual, podem existir entidades autônomas, mas o mais comum é que a gestão seja feita pela administração pública direta, por meio de Secretarias Estaduais do Meio Ambiente. Comitês de Bacia Hidrográfica (CBH) Os Comitês de Bacia Hidrográfica (CBH) são os órgãos de gestão participativa dos recursos hídricos. São compostos por: representantes do Poder Público, geralmente das prefeituras, câmara de vereadores, órgãos ambientais etc.; pelos usuários de água, por exemplo, companhias de geração de energia elétrica, irrigantes, companhias de saneamento; e representantes da sociedade civil organizada, como: ONGs, associações comunitárias, universidades e povos tradicionais. Eles se reúnem para discutir decisões importantes sobre a gestão da bacia hidrográfica, como a aprovação de seu plano. Também têm competência para arbitrar em primeira instância administrativa os conflitos relacionados aos recursos hídricos. Leitura importante dos artigos 37 ao 40 da Lei 9.433. Agências de Água As Agências de Água são conhecidas como o braço executivo do CBH. Como acabamos de ver, os CBH são órgãos colegiados com atribuições normativas, deliberativas e consultivas na Bacia Hidrográfica de sua jurisdição. As Agências de Água exercem a função de secretaria executiva dos CBH, isto é, executam os anseios e as decisões deliberadas pelo CBH. Ler os artigos 41 ao 44 da Lei 9.433. Instrumentos de gestão dos recursos hídricos Neste vídeo, apresentamos as principais características e diferenciamos os instrumentos de gestão de recursos hídricos. Plano de Recursos Hídricos da Bacia do Paraguai, MS. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Já sabemos quais são os órgãos responsáveis pela gestão dos recursos hídricos, e agora nos perguntamos quais são os instrumentos de gestão que estes órgãos utilizam para o gerenciamento das águas? De acordo com o artigo 5º da Lei 9.433/2000, os instrumentos são: Planos de Recursos Hídricos; Enquadramentos dos corpos de água em classe, segundo os usos preponderantes;Outorga dos direitos de uso de recursos hídricos; Cobrança pelo uso de recursos hídricos e o Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos. Apesar da compensação a municípios estar listada no artigo 5º, este instrumento foi vetado. Vamos ver agora com mais detalhes cada um desses instrumentos. Os Planos de Recursos Hídricos são elaborados por bacia hidrográfica, por Estado e para o país. São planos diretores que fundamentam e orientam a implementação da PNRH e o gerenciamento dos recursos hídricos. Eles são planos de longo prazo, com horizonte de planejamento compatível com o período de implantação de seus programas e projetos. Nele estarão informações como: diagnóstico da situação atual dos recursos hídricos, análise de alternativas de crescimento demográfico, evolução de atividades produtivas e de modificações dos padrões de ocupação do solo; metas de racionalização de uso, aumento da quantidade e melhoria dos recursos disponíveis. Leia artigos 7 e 8 da Lei 9.433. O enquadramento dos corpos de água em classes visa assegurar a qualidade das águas com os usos destinados e implementar ações preventivas permanentes de combate à poluição. Ler artigos 9 e 10 da Lei 9.433. A outorga de direitos de uso de recursos hídricos tem como objetivos assegurar o controle quantitativo e qualitativo dos usos da água e o efetivo exercício dos direitos de acesso à água. Estarão sujeitos a outorga atividades como: Derivação ou captação de parcela de água existente de um corpo de água ou extração de água de aquífero subterrâneo para consumo final, inclusive abastecimento público, ou insumo de processo produtivo; Lançamento de esgotos e demais resíduos líquidos ou gasosos, tratados ou não, com o fim de sua diluição, transporte ou disposição final; Hidrelétricas e outras atividades que alterem a quantidade e/ou qualidade da água. Será que todos os usos de água necessitam de outorga? Não! O uso da água para satisfação de pequenos núcleos populacionais distribuídos na área rural; derivações, captações, lançamentos, acumulações de volume de água, considerados insignificantes não precisam de outorga. A outorga pode ser suspensa? Chave de resposta • • • • • • • Rio Jucu, ES. Cobrança pelo uso da água foi aprovada pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos. Sim. Poderá ser suspensa parcial ou totalmente, em definitivo ou por prazo determinado, em casos como: não cumprimento da outorga pelo outorgado; ausência de uso por três anos consecutivos; necessidade para atender situações de calamidade; necessidade de se prevenir ou reverter grave degradação ambiental; necessidade de se atender a usos prioritários, quando não se disponha de fontes alternativas. Por fim, o prazo da outorga não excederá a trinta e cinco anos, podendo ser renovado. Lembrando que a outorga não implica na venda das águas, pois são inalienáveis, mas o simples direito de uso. Leia os artigos 11 ao 18 da Lei 9.433. A cobrança do uso de recursos hídricos reconhece a água como bem econômico, incentivando o seu uso racional. Serão cobrados os usos de recursos hídricos sujeitos à outorga. Na fixação dos valores, são considerados: as derivações, captações, extrações, volumes retirados; o volume e as características dos esgotos e demais resíduos líquidos ou gasosos lançados. Os valores arrecadados serão aplicados prioritariamente na bacia hidrográfica em que foram gerados. Consulte os artigos 19 ao 22 da Lei 9.433. Por fim, o Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos é um sistema de gestão de dados fornecidos pelo SNGRH. Seus objetivos são: informar a situação qualitativa e quantitativa dos recursos hídricos no Brasil; atualizar permanentemente essas informações que servirão de subsídios para a elaboração dos Planos de Recursos Hídricos. Veja os artigos 25 ao 28 da Lei 9.433. Verificando o aprendizado Questão 1 Sobre a Política Nacional de Recursos Hídricos, Lei 9.433/1997, assinale a alternativa correta. A A água é um recurso natural ilimitado. B A gestão dos recursos hídricos é centralizada. C A água é um bem de domínio público. D Em época de seca, deve ser garantido, prioritariamente, água para o consumo humano, dessedentação dos animais e uso para atividades de irrigação. E A gestão dos recursos hídricos é feita individualmente por cada estado e município ao qual pertencer o rio. A alternativa C está correta. A água é um recurso natural limitado e de domínio público. Em situação de escassez, deve ser garantido seu acesso ao consumo humano e à dessedentação de animais. A gestão dos recursos hídricos é descentralizada, contando com a participação do Poder Público, dos usuários das águas e das comunidades. Por fim, toda gestão dos recursos hídricos deve ser feita individualmente por bacia hidrográfica, não podendo ser feita de forma individual por estados ou municípios (art.1º). Questão 2 Em relação à Política Nacional de Recursos Hídricos, assinale a alternativa correta. A Os planos de recursos hídricos são planos de curto prazo. B Compete aos Comitês de Bacia Hidrográfica arbitrar definitivamente os conflitos pelo uso da água C Os Planos de Recursos Hídricos serão elaborados por município, por estado e para o País. D Haverá cobrança pelos usos dos recursos hídricos sujeitos à outorga. E Baseia-se no fundamento de que a água é um bem de domínio público, tornando-se privado após a sua outorga. A alternativa D está correta. A água sempre será bem de domínio público, sua outorga não a torna de domínio privado (art.18). Os recursos hídricos sujeitos à outorga serão cobrados (art.20). Os Planos de Recursos Hídricos serão elaborados por bacia hidrográfica, por Estado e para o País (art.8). Estes planos são de longo prazo (art.7). Os Comitês de Bacia Hidrográfica são a primeira instância administrativa, cabendo suas decisões recurso para os Conselhos Nacional ou Estadual (art. 38, II e parágrafo único). 4. Conclusão Considerações finais Como vimos no decorrer deste conteúdo, os Espaços Territoriais Especialmente Protegidos (ETEP) e a gestão dos recursos hídricos fazem parte dos Sistemas Nacionais de Proteção ambiental. Para ser assegurado o Direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado para as presentes e futuras gerações, o legislador constituinte impôs ao Poder Público a proteção dos recursos naturais por meio de instrumentos como a criação de ETEP e gestão da água. A proteção dos ETEP tem o objetivo de proteger áreas que precisem de atenção especial em função de sua localização, características e atributos. Conforme analisado, existem dois grandes grupos de ETEP: as Unidades de Conservação (UC) (Lei 9985/2000) e os espaços disciplinados no Código Florestal, como a Área de Preservação Permanente (APP) e Reserva Legal. As UC se dividem em duas categorias: proteção integral e uso sustentável. Para serem criadas, precisam de ato do Poder Público. Podem ser instituídas por meio de lei ou decreto. Contudo, por serem de interesse coletivo, só podem ser alteradas ou suprimidas por meio da lei. Os ETEP, por sua vez, previstos no Código Florestal, não precisam da vontade do Poder Público, basta que sejam identificadas as características daquele tipo de espaço correspondentes às definições estabelecidas no Código Florestal, e ele será instituído, lembrando da exceção de algumas espécies de APP que precisam de ato do Poder Público. Por fim, a água, por ser um recurso natural finito, é administrada pelo Sistema Nacional de Gerenciamento dos Recursos Hídricos, composto por seus órgãos, que, por meio de instrumentos específicos, atuam em sua gestão com o objetivo de disponibilizar água em quantidade e qualidade para as futuras gerações. Podcast Agora, trataremos dos três diferentes sistemas nacionais de proteção ao meio ambiente abordados ao longo deste conteúdo. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ouvir o áudio. Explore + Para entender melhor o funcionamento do Conselho Nacional de Recursos Hídricos, acesse o site do Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH). Para aprofundar