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O prefeito de Serra dos Sonhos, após diversos estudos técnicos e realização de audiência pública, decidiu criar uma Unidade de Conservação, espécie Parque Municipal, para preservar exemplares exuberantes de Mata Atlântica. O decreto foi editado delimitando os limites do novo parque municipal. Após três anos, o prefeito recebeu pedidos para que o parque fosse transformado em uma Área de Relevante Interesse Ecológico, com redução de seus limites. De acordo com o que analisamos neste módulo, assinale a alternativa correta.
Qual é a alternativa correta?
A - Como o Parque Municipal foi criado por decreto, sua transformação e redução de limites podem ser feitos por decreto, respeitando o princípio da simetria das formas.
B - O Parque Municipal e Área de Relevante Interesse Ecológico possuem o mesmo grau de intensidade de proteção, isto é, ambos pertencem as unidades de uso sustentável. Sendo assim, sua transformação e alteração de tamanho poderão ser feitas, tanto por decreto como por lei formal.
C - A transformação deverá ser feita por lei formal, contudo, a redução poderá ser feita por decreto, uma vez que ambas as unidades pertencem ao grupo de proteção integral.
D - Não existe Parque Municipal, apenas Parque Nacional.
E - Parque Municipal é uma espécie de unidade de conservação de proteção integral, sua alteração para Área de Relevante Interesse Ecológico, que é Unidade de Conservação de Uso Sustentável, pode ser feita por meio de lei formal, assim como a redução de seus limites.

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Questões resolvidas

O prefeito de Serra dos Sonhos, após diversos estudos técnicos e realização de audiência pública, decidiu criar uma Unidade de Conservação, espécie Parque Municipal, para preservar exemplares exuberantes de Mata Atlântica. O decreto foi editado delimitando os limites do novo parque municipal. Após três anos, o prefeito recebeu pedidos para que o parque fosse transformado em uma Área de Relevante Interesse Ecológico, com redução de seus limites. De acordo com o que analisamos neste módulo, assinale a alternativa correta.
Qual é a alternativa correta?
A - Como o Parque Municipal foi criado por decreto, sua transformação e redução de limites podem ser feitos por decreto, respeitando o princípio da simetria das formas.
B - O Parque Municipal e Área de Relevante Interesse Ecológico possuem o mesmo grau de intensidade de proteção, isto é, ambos pertencem as unidades de uso sustentável. Sendo assim, sua transformação e alteração de tamanho poderão ser feitas, tanto por decreto como por lei formal.
C - A transformação deverá ser feita por lei formal, contudo, a redução poderá ser feita por decreto, uma vez que ambas as unidades pertencem ao grupo de proteção integral.
D - Não existe Parque Municipal, apenas Parque Nacional.
E - Parque Municipal é uma espécie de unidade de conservação de proteção integral, sua alteração para Área de Relevante Interesse Ecológico, que é Unidade de Conservação de Uso Sustentável, pode ser feita por meio de lei formal, assim como a redução de seus limites.

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Sistemas Nacionais de Proteção
Análise dos Espaços Territoriais Especialmente Protegidos e os principais aspectos do Sistema Nacional de
Gestão dos Recursos Hídricos, como componentes do Sistema Nacional de Proteção Ambiental.
Prof.ª Gisele Bonatti
1. Itens iniciais
Propósito
Diante da crise ambiental do século XXI, a proteção do meio ambiente ganha cada vez mais importância,
especialmente com o avanço dos debates sobre o desenvolvimento sustentável. Assim, o estudo sobre os
Espaços Territoriais Especialmente Protegidos e o Sistema de Gestão de Recursos Hídricos é fundamental
para a formação pessoal e profissional do aluno.
Preparação
Para o melhor aproveitamento do seu estudo, acesse as leis: 9.985/00 (Sistema Nacional de Unidades de
Conservação – SNUC); 12.651/12 (Código Florestal); 9.433/97 (Política Nacional de Recursos Hídricos –
PNRH), disponíveis no site do Planalto (planalto.gov.br).
Objetivos
Identificar a importância, os gêneros e as espécies de unidades de conservação e suas formas de
criação e extinção.
Reconhecer as áreas especialmente protegidas previstas no Código Florestal e seus aspectos mais
relevantes.
Analisar os principais aspectos da gestão dos recursos hídricos previstos na Lei 9.433/1997.
Introdução
Com o intuito de garantir o desenvolvimento ecologicamente sustentável, o legislador constituinte
estabeleceu no artigo 225, parágrafo 3º, da Constituição Federal, o dever do Poder Público em criar Espaços
Territoriais Especialmente Protegidos (ETEP), ou seja, áreas que, por sua localização, características e
atributos, merecem proteção ambiental mais intensa. Podemos pensar em áreas com cobertura florestal
nativa; áreas que abrigam espécies de flora e fauna raras ou ameaçadas de extinção; espaços para a
reprodução da fauna local ou migratória; sítios naturais raros de grande beleza cênica etc.
O legislador constituinte não estabeleceu na Constituição quais são as espécies de ETEP, deixando a cargo do
legislador infraconstitucional definir. Assim, foram instituídas leis como: 9.985/2000 ̶ Sistema Nacional de
Unidade de Conservação da Natureza, e 12.651/2012 ̶ Código Florestal, que disciplinam ETEP. É importante
esclarecer que muitas pessoas, equivocadamente, consideram ETEP sinônimo de Unidades de Conservação
(UC). As UC são apenas uma espécie do gênero de ETEP. Existem outros espaços que estão previstos no
Código Florestal.
Não há consenso sobre a listagem de quantos e quais são os ETEP na legislação brasileira. Portanto,
analisaremos os espaços mais conhecidos e definidos pela doutrina, como ETEP, estes são: 
Unidades de Conservação;
Área de Preservação Permanente;
Reserva Legal;
Apicuns e Salgados;
Áreas de Uso Restrito;
Áreas Ambientais Municipais.
O conteúdo deste estudo não trata exclusivamente de ETEP, mas também do recurso que está interligado a
todo o espaço natural: a água. A água é um recurso natural finito, e por ser essencial a sadia qualidade de vida
humana e dos demais seres vivos, é fundamental à sua gestão de forma eficiente. Por essa razão, o legislador
criou a Lei 9.433/1997, instituindo a Política Nacional de Recursos Hídricos e o Sistema Nacional de Gestão
dos Recursos Hídricos, sobre o qual estudaremos seus aspectos mais relevantes.
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1. Sistema Nacional de Unidades de Conservação
Unidades de Conservação e a Constituição Federal de 1988
Neste vídeo, discorremos sobre o Sistema Nacional de Unidades de Conservação, bem como os tipos e
espécies existentes destas unidades. 
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Para o melhor entendimento sobre o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC),
previsto na Lei 9.985 de 2000, é importante analisarmos a finalidade da proteção destas espécies de Espaços
Territoriais Especialmente Protegidos (ETEP) e o dispositivo constitucional que determina a competência do
Poder Público para instituir tais espaços.
Observamos que, na leitura deste texto, as siglas ETEP, SNUC e UC significam:
ETEP
Espaços Territoriais Especialmente Protegidos.
SNUC
Sistema Nacional de Unidades de Conservação.
UC
Unidade de Conservação.
Antes de adentrarmos nos aspectos técnico-jurídicos, fazemos a seguinte pergunta: será que você já visitou,
conhece ou ouviu falar sobre alguma UC?
Provavelmente sim. Se você já passeou por Fernando de Noronha ou tem em seus planos de viagem o destino
deste incrível arquipélago, você conhece um exemplo de UC. O arquipélago de Fernando de Noronha é
composto por duas UC Federais:
Parque Nacional Marinho de Fernando de
Noronha
Área de Proteção Ambiental de Fernando
de Noronha
Por que alguns territórios, como o arquipélago de Fernando de Noronha, merecem proteção especial?
Existem diversos motivos, entre os quais a existência de fauna e/ou flora exótica, ou por qualquer razão,
comprovada por estudos científicos, que demonstre que aquela área precisa ser especialmente protegida, ou
seja, espaços que precisam de cuidados extras, cautela maior, visando a preservação e proteção do equilíbrio
ecológico, sendo proibida qualquer ação que comprometa os atributos que justificaram a sua criação.
Neste sentindo, o legislador constituinte estabeleceu, na Constituição Federal de 1988, no artigo 225,
parágrafo 1º, inciso III, a competência de o Poder Público instituir estes espaços. Desta forma, dispõe:
III. definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem
especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidos somente através de lei, vedada
qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção.
O legislador regulamentando, detalhando o disposto no artigo supracitado, criou o Sistema Nacional de
Unidades de Conservação, Lei 9985 de 2000, conhecido como SNUC. De acordo com o artigo 4º da Lei 9985,
o SNUC tem como objetivos:
I. contribuir para a manutenção da diversidade biológica e dos recursos genéticos no território nacional e nas
águas jurisdicionais;
II. proteger as espécies ameaçadas de extinção no âmbito regional e nacional;
III. contribuir para a preservação e a restauração da diversidade de ecossistemas naturais;
IV. promover o desenvolvimento sustentável a partir dos recursos naturais;
V. promover a utilização dos princípios e práticas de conservação da natureza no processo de
desenvolvimento;
VI. proteger paisagens naturais e pouco alteradas de notável beleza cênica;
VII. proteger as características relevantes de natureza geológica, geomorfológica, espeleológica,
arqueológica, paleontológica e cultural;
VIII. proteger e recuperar recursos hídricos e edáficos;
IX. recuperar ou restaurar ecossistemas degradados;
X. proporcionar meios e incentivos para atividades de pesquisa científica, estudos e monitoramento ambiental;
XI. valorizar econômica e socialmente a diversidade biológica;
XII. favorecer condições e promover a educação e interpretação ambiental, a recreação em contato com a
natureza e o turismo ecológico;
XIII. proteger os recursos naturais necessários à subsistência de populações tradicionais, respeitando e
valorizando seu conhecimento e sua cultura e promovendo-as social e economicamente.
Atenção
Nem todas as UC têm como preocupação direta o equilíbrio ecológico, mas a preocupação
antropocêntrica, já que visa proteger a estética, como é o caso das UC Monumentos Naturais. É uma
função cultural. Assim, dispõe, dentre os objetivos previstos no artigo 4º, inciso VI, da Lei 9985,
“proteger paisagens naturais e pouco alteradas de notável beleza cênica”. 
Com a expressa incumbência do Poder Público em proteger a fauna, flora, patrimônio genético, equilíbrio
ambiental e criar espaços espacialmente protegidos, conforme disposto no artigo 225 da Constituição
Federal, o legislador instituiu o Sistema Nacional de Unidade de Conservação da Natureza, Lei 9985/2000,
para regulamentar e detalhar a criação e o funcionamento de tais espaços, que precisam de proteção extra.
Lembrando que as UC sãoos seus conhecimentos sobre a gestão dos recursos hídricos, consulte o site da Agência
Nacional de Águas (ANA).
Referências
ANTUNES, P. de B. Direito Ambiental. 22. ed. São Paulo: Atlas, 2021.
FERREIRA, R. M.; FIORILLO, C. A. P. Comentários ao “Código” Florestal. 2. ed. São Paulo: Saraiva Jur, 2018.
MILARÉ, E. Direito do Ambiente. 12. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2020.
	Sistemas Nacionais de Proteção
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Preparação
	Objetivos
	Introdução
	1. Sistema Nacional de Unidades de Conservação
	Unidades de Conservação e a Constituição Federal de 1988
	Conteúdo interativo
	ETEP
	SNUC
	UC
	Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha
	Área de Proteção Ambiental de Fernando de Noronha
	Atenção
	Unidades de proteção integral
	Unidades de uso sustentável
	Características das Unidades de Conservação
	Conteúdo interativo
	Estação Ecológica
	Reserva Biológica
	Parque Nacional
	Monumento Natural
	Refúgio da Vida Silvestre
	Área de Proteção Ambiental (APA)
	Área de Relevante Interesse Ecológico
	Floresta Nacional
	Reserva Extrativista
	Reserva da Fauna
	Reserva de Desenvolvimento Sustentável
	Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN)
	Instituição, alteração e supressão de UC
	Conteúdo interativo
	Instituição da UC
	Será que a criação de uma UC pode ser feita apenas pela lei, ou seja, pelo Poder Legislativo?
	Recomendação
	Supressão e alteração de tamanho da UC
	Para ampliar o tamanho da UC, será possível apenas por lei formal?
	Instituição de Unidade de Conservação
	O Poder Público decide criar uma UC nesta região. Será que, pelo fato de o sítio ser de propriedade particular, isso impediria a criação da UC?
	UC de domínio público
	UC de domínio público ou privado
	Zona de amortecimento, corredores ecológicos e plano de manejo
	Conteúdo interativo
	Zona de amortecimento e corredores ecológicos
	Atenção
	Plano de Manejo (artigo 2º, XVII, Lei 9985/2000)
	Populações tradicionais
	Constitucionalidade do instituto da compensação ambiental
	Licenciamento prévio
	Pagemento
	Comprovação
	Verificando o aprendizado
	2. Espaços Territoriais Especialmente Protegidos (ETEP)
	Os ETEP na legislação brasileira
	Conteúdo interativo
	Áreas protegidas por força de lei
	ETEP criados por ato do Poder Público
	Área de Preservação Permanente (APP)
	Conteúdo interativo
	Recomendação
	Reserva Legal (RL)
	Conteúdo interativo
	Qual é o percentual mínimo em relação à área do imóvel, que deve ser mantido a título de RL? Em outras palavras, qual é o tamanho mínimo de uma RL?
	Recomendação
	1º
	2º
	3º
	Comentário
	Apicuns, Áreas de Uso Restrito e Áreas Ambientais Municipais
	Conteúdo interativo
	Apicuns e Salgados
	Salgados
	Apicuns
	Que tipo de atividade pode existir nos Apicuns e Salgados?
	Áreas de Uso Restrito
	Áreas Ambientais Municipais
	Cadastro Ambiental Rural (CAR) e controle florestal
	Conteúdo interativo
	Cadastro Ambiental Rural (CAR)
	Cadastro
	Inscrição
	Controle da origem dos produtos florestais
	Plantio e reflorestamento
	Extração de lenha
	Corte ou exploração de espécies nativas
	Transporte e armazenamento
	Produtos florestais
	Proibição do uso de fogo e controle de incêndios
	Recomendação
	Verificando o aprendizado
	3. Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos
	Gestão de recursos hídricos no Brasil
	Conteúdo interativo
	Atenção
	Fundamentos, objetivos e diretrizes da PNRH
	Fundamentos da PNRH
	Você deve estar se perguntando: eu não sou dono (a) da água da minha casa?
	Objetivos da PNRH
	Diretrizes da PNRH
	Comentário
	Características e estrutura do SNGRH
	Conteúdo interativo
	Objetivos do SNGRH
	Órgãos integrantes do SNGRH
	Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH)
	Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA)
	Secretarias Estaduais do Meio Ambiente.
	Comitês de Bacia Hidrográfica (CBH)
	Agências de Água
	Instrumentos de gestão dos recursos hídricos
	Conteúdo interativo
	A outorga pode ser suspensa?
	Verificando o aprendizado
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore +
	Referênciasapenas uma espécie de espaços especialmente protegidos. Existem outros, como a
Reserva Legal e Área de Preservação Permanentes, que são regulamentados no Código Florestal.
Partindo da compreensão da finalidade da criação da UC, analisada anteriormente, perguntamos: qual seria a
definição/conceito de UC?
De acordo com o artigo 2º da lei do SNUC, inciso I, entende-se por Unidade de Conservação o
espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com relevantes
características naturais, instituído legalmente pelo Poder Público, com objetivos de conservação e
limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de
proteção. 
Agora que já sabemos o que significa UC, vamos analisar as categorias e características de cada espécie de
UC. 
Contudo, antes disso, é importante destacar
que alguns termos serão citados ao longo da
lei, e qualquer dúvida a respeito dos conceitos
das expressões “conservação da natureza”,
“diversidade biológica”, “recurso ambiental”,
“preservação”, “proteção integral”, “manejo”,
“uso indireto”, “uso sustentável”, “extrativismo”,
“recuperação”, “restauração”, “zoneamento”,
“plano de manejo”, “zona de amortecimento” e
“corredores ecológicos” pode ser esclarecida
por meio de consulta ao artigo 2º da Lei do
SNUC.
Dito isso, passamos à análise da classificação
das UC. A classificação está relacionada à
intensidade da proteção. Existem dois grandes grupos: unidades de proteção integral e unidades de uso
sustentável. É até intuitivo que as unidades de proteção integral possuem maior proteção que as de uso
sustentável.
Unidades de proteção integral
Nessas unidades, há uma série de limitações
que, muitas vezes, permitem apenas atuação
humana para pesquisa científica e visitação
com fins educacionais, como no exemplo da
Estação Ecológica.
Unidades de uso sustentável
Nessas unidades, como, por exemplo, as
Reservas Extrativistas, como o próprio nome
indica, permitem a utilização artesanal dos
recursos naturais.
No total, são 12 espécies de UC. Existem cinco espécies de proteção integral e sete de uso sustentável.
Unidades de Proteção Integral: Estação ecológica; Reserva Biológica; Parque Nacional; Monumento
Natural; Refúgio da vida silvestre.
Unidades de Uso Sustentável: Área de Proteção Ambiental; Área de Relevante Interesse Ecológico;
Floresta Nacional; Reserva Extrativista; Reserva de Fauna; Reserva de Desenvolvimento Sustentável;
Reserva Particular do Patrimônio Natural.
A seguir, veremos as características de cada UC. 
Características das Unidades de Conservação
Neste vídeo, tratamos das principais características das Unidades de Conservação, trazendo exemplos para
um melhor entendimento.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Para facilitar o seu estudo, destacamos os aspectos mais relevantes de cada UC. Contudo, é imprescindível a
leitura dos artigos 9 ao 13 (UC de proteção integral) e os artigos 15 ao 21 (UC de uso sustentável), da Lei
9985/2000. Sobre as unidades de proteção integral:
Estação Ecológica
Tem como característica a preservação da natureza e pesquisa. A
visitação pública é proibida, exceto com finalidade educacional.
Reserva Biológica
Tem como objetivo a preservação integral da biota (fauna e flora). A
atuação humana é apenas permitida para a recuperação do ambiente,
diversidade biológica e equilíbrio ecológico. A visitação pública é
proibida, exceto com finalidade educacional.
Parque Nacional
É instituído para preservação de ecossistemas naturais de relevância
ecológica e beleza cênica. São permitidas atividades de lazer, estudo,
pesquisa e turismo ecológico. A visitação é sujeita ao plano de manejo e
regras da administração da Unidade. No Estado, chamamos de Parque
Estadual; no município, Parque Natural Municipal.
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Monumento Natural
Se destina à preservação de sítios naturais raros, singulares ou de
grande beleza cênica. A visitação pública é sujeita ao plano de manejo e
às regras da administração. Quando criada em propriedade particular, e
não compatível com o uso da propriedade, poderá ocorrer
desapropriação.
Refúgio da Vida Silvestre
Protege ambientes naturais para a existência e reprodução da flora e
fauna local ou migratória. A visitação pública e pesquisas estão sujeitas
ao plano de manejo e às regras da administração.
Sobre as unidades de uso sustentável:
Área de Proteção Ambiental (APA)
É, geralmente, extensa e com ocupação humana. Possui atributos
bióticos e abióticos, estéticos e culturais, importantes para a qualidade
de vida e bem-estar da população humana. A visitação é permitida para
fins de pesquisa e educação, sujeitas as regras da administração da
unidade e nas áreas particulares pelo proprietário.
Área de Relevante Interesse Ecológico
É, geralmente, de pequena extensão, com pouca ou nenhuma ocupação
humana. Possui características naturais extraordinárias ou abriga raros
exemplares da biota regional. A visitação é permitida para fins de
pesquisa e educação, sujeitas às regras da administração da unidade e,
nas áreas particulares, do proprietário.
Floresta Nacional
É uma área com cobertura florestal de espécies nativas. Nos estados, é
Floresta Estadual; nos municípios, Floresta Municipal. Sua finalidade é de
uso múltiplo e sustentado dos recursos florestais, como a pesquisa
científica voltada a métodos de exploração sustentada de florestas
nativas. É permitida a mantença de população tradicional à época já
existente, segundo o que dispuser o plano de manejo. A visitação pública
e as pesquisas estão sujeitas ao plano de manejo e às regras da
administração da unidade.
Reserva Extrativista
É utilizada por população extrativista tradicional (subsistência
extrativista, agricultura de subsistência e criação de animais de pequeno
porte). Entretanto, as populações extrativistas tradicionais não poderão
usar espécies e seus habitats ameaçados de extinção e, tampouco,
impedir a regeneração de espécies. O plano de manejo deve ser sempre
respeitado. A visitação é permitida segundo as regras da administração
da unidade.
Reserva da Fauna
É área natural com animais nativos (terrestres ou aquáticos), residentes
ou migratórios. Sua finalidade é o estudo sobre o manejo econômico
sustentável de recursos faunísticos. É admitido o comércio dos
subprodutos derivados das pesquisas, segundo a lei de proteção à fauna.
A visitação é permitida de acordo com o plano de manejo e administração
da unidade. A caça é proibida.
Reserva de Desenvolvimento Sustentável
É área natural que abriga populações tradicionais, cuja existência baseia-
se em sistemas sustentáveis de exploração de recursos naturais,
desempenhando papel fundamental na proteção da natureza e
manutenção da diversidade ecológica. É proibido o uso de espécies
ameaçadas de extinção e impedimento da regeneração das espécies,
sendo obrigatório o respeito ao plano de manejo.
Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN)
É área privada, gravada de perpetuidade e averbada às limitações na
matrícula do imóvel. O objetivo é conservar a diversidade biológica. São
permitidas pesquisa e visitação com objetivos turísticos, recreativos e
educacionais. O plano de manejo é elaborado pelo proprietário com
orientação dos órgãos integrantes do SNUC. O proprietário que criar em
sua propriedade uma RPPN terá incentivos econômicos, como a isenção
do Imposto Territorial Rural.
Instituição, alteração e supressão de UC
Neste vídeo, discorremos sobre as etapas pelas quais uma unidade de conservação pode passar, desde a sua
criação até uma possível extinção.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Instituição da UC
Já sabemos sobre a importância das UC, suas categorias e espécies, mas, agora, nos perguntamos: como é
criada uma UC?
Sobre a criação, instituição, da UC, a Constituição Federal, no artigo 225, parágrafo 1º, inciso III, é silente. O
dispositivo constitucional apenas obriga que, nos casos de alteração ou supressão de ETEP, seja somente por
meio de lei.
Seráque a criação de uma UC pode ser feita apenas pela lei, ou seja, pelo Poder Legislativo?
Chave de resposta
Não! As UC também podem ser criadas por decreto. A interpretação feita pela doutrina majoritária,
consolidada pelos Tribunais Superiores, é de que as UC podem ser criadas por lei (Poder Legislativo) ou
por decreto (Poder Executivo).
Em consonância com o anterior, o artigo 22, caput, da Lei 9985/2000, diz que uma UC deve ser instituída por
ato do Poder Público, ou seja, de acordo com a interpretação feita, podendo ser criada tanto por lei como
decreto. Ambos são atos do Poder Público.
Recomendação
É importante ler os artigos 2º ao 5º do Decreto 4.340/2002, que estabelece o procedimento técnico do
ato de criação da UC. 
Supressão e alteração de tamanho da UC
Depois de criada a UC, será que ela pode ter o seu tamanho alterado ou ser extinta?
De acordo com o dispositivo anteriormente citado, artigo 225, parágrafo 1º, inciso III, da CF/88, é possível SIM
alterar ou suprimir UC, desde que seja por meio de lei formal, pelo Poder Legislativo.
Não é possível reduzir o tamanho ou extinguir uma UC por meio de decreto ou de medida provisória,
afinal, espaços especialmente protegidos são de interesse da coletividade.
No mesmo sentido, a Lei 9985/2000 dispõe, em seu artigo 22, parágrafo 7º, a mesma regra da CF/88,
contudo, utiliza outras palavras: “É possível desafetar ou reduzir os limites de uma Unidade de Conservação,
porém isso só pode ser feito por lei”.
Entendemos que somente por meio de lei formal será possível reduzir o tamanho.
Para ampliar o tamanho da UC, será possível apenas por lei formal?
Chave de resposta
Não. Seguindo o mesmo critério para a criação, a ampliação poderá ser feita por lei formal (Poder
Legislativo) ou por decreto (Poder Executivo).
Instituição de Unidade de Conservação
Vamos imaginar que uma pessoa possua um sítio com alta riqueza ambiental, como cachoeiras e
biodiversidade em sua propriedade particular.
O Poder Público decide criar uma UC nesta região. Será que, pelo fato de o sítio ser de propriedade
particular, isso impediria a criação da UC?
Chave de resposta
A resposta é não. A UC sempre poderá ser criada, prevalecendo o interesse coletivo. O SNUC determina
que algumas UC podem ser criadas em áreas particulares, embora em outros casos deva-se desapropriar
o proprietário do imóvel.
E como saber se há ou não necessidade de desapropriar o proprietário do imóvel? É necessário ler os artigos
correspondentes aos 12 tipos de UC e verificar se a unidade é de posse e domínio público e/ou particular. Se
for UC de posse e domínio público, o Poder Público deve desapropriar a área de seu proprietário e criar a
Unidade de Conservação. Se a UC for de domínio particular, não há desapropriação, desde que seja possível
compatibilizar os objetivos da unidade com a utilização da terra e dos recursos naturais do local pelos
proprietários.
As UC podem ser apenas de domínio público ou de domínio público ou privado:
UC de domínio público
Estação Ecológica
Reserva Biológica
Parque Nacional
Floresta Nacional
Reserva Extrativista
Reserva de Fauna
Reserva de Desenvolvimento
Sustentável.
UC de domínio público ou privado
Monumento Natural
Refúgio da Vida Silvestre
Área de Proteção Ambiental
Área de Relevante Interesse Ecológico.
A Reserva Particular do Patrimônio Nacional é área de domínio privado.
Posto isso, imaginamos que, se for estabelecida uma Estação Ecológica em uma área particular, por ser UC de
domínio público, o Poder Público irá desapropriar a área de seu proprietário para criar a UC. Caso não o faça,
o proprietário poderá ajuizar ação de desapropriação indireta e ser indenizado. Se um Monumento Natural for
instituído em uma fazenda (área particular), não haverá desapropriação, desde que o proprietário respeite as
características desta UC.
Zona de amortecimento, corredores ecológicos e plano de
manejo
Neste vídeo, para um melhor entendimento do funcionamento das UC, explicamos alguns conceitos
apresentados pela lei do SNUC: zona de amortecimento, corredor ecológico e plano de manejo.
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Zona de amortecimento no entorno do Parque do Cocó,
Ceará.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Antes de finalizar o nosso estudo sobre os aspectos mais relevantes do SNUC, abordaremos pontos
importantes que merecem ser observados, tais como: zona de amortecimento, corredores ecológicos, plano
de manejo, populações tradicionais e a discussão sobre a constitucionalidade da compensação ambiental
prevista no artigo 36 da Lei 9985/2000.
Zona de amortecimento e corredores ecológicos
Zona de amortecimento é a área que fica em
torno da UC e serve para amortecer os
impactos diretos do meio externo sobre a UC.
Quando o Poder Público institui a UC, ele deve
instituir também a zona de amortecimento. Esta
área está sujeita a normas e restrições
específicas, com o propósito de cumprir sua
finalidade, que é minimizar os impactos
negativos sobre a UC.
Por sua vez, corredores ecológicos são
espaços que ligam UC, possibilitando, entre
elas, o fluxo de genes e o movimento da biota.
Seu objetivo principal é facilitar a dispersão das
espécies e a recolonização de áreas
degradadas.
Atenção
Todas as UC possuem zona de amortecimento, e quando conveniente, corredores ecológicos, exceto as
Áreas de Proteção Ambiental (APA) e Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). Veja o artigo 25
da Lei 9985/2000. 
Plano de Manejo (artigo 2º, XVII, Lei 9985/2000)
O Plano de Manejo é o documento que dispõe sobre as regras de gestão da UC. Dessa forma, todas as UC
possuem seu respectivo plano de manejo, especificando quais ações são permitidas, proibidas ou necessárias
na UC. O Plano abrange a área da UC, assim como sua zona de amortecimento e os corredores ecológicos.
Veja o artigo 27 da Lei 9985/2000.
Convite aberto à comunidade para participar da elaboração do plano de manejo do
Parque Ecológico das Sucupiras, Brasília, 2022.
Populações tradicionais
Caso seja instituída UC que não permita que populações tradicionais residam, estas serão indenizadas ou
compensadas pelas benfeitorias existentes e devidamente realocadas pelo Poder Público. Veja o artigo 42 da
Lei 9985/2000.
Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, Amazonas. UC cujo território
foi concedido às populações tradicionais.
Constitucionalidade do instituto da compensação ambiental
De acordo com o artigo 36 da Lei 9985/2000, nos casos de licenciamento ambiental de significativo impacto
ambiental (considerado pelo órgão ambiental licenciador com o fundamento no Estudo Prévio de Impacto
Ambiental), o empreendedor é obrigado a compensar este impacto, apoiando a implantação e manutenção de
UC do grupo de proteção integral. Este “apoio” se dá por intermédio de um dever de pagamento, cujo valor
será calculado pelo órgão licenciador, segundo o grau de impacto ecológico não mitigável constante do
Estudo Prévio de Impacto Ambiental. Percebe-se que, embora a lei não mencione a obrigação de pagar
quantia em espécie, mas de “apoiar”, a doutrina majoritária entende que o pagamento deve ser in pecúnia.
Qual seria o valor a ser pago pelo empreendedor a título de compensação?
Em consonância com o artigo 36, parágrafo 1º, da Lei 9985, o montante não pode ser inferior a 0,5% (meio por
cento) dos custos totais previstos para a implantação do empreendimento, sendo o percentual fixado pelo
órgão ambiental licenciador, de acordo com o grau de impacto causado pelo empreendimento.
Diante dessa obrigatoriedade, os empreendedores questionaram a constitucionalidade deste dispositivo, com
os seguintes argumentos:
Licenciamento prévio
Se na fase inicial (licenciamento prévio) ainda
não há impacto ambiental, por que pagar por
algo que ainda não foi consumado?
Pagemento
Por que o pagamento é calculado a partir de
0,5%, se o próprio artigo 36 estabelece que o
valor deve ser de acordo com o impacto do
empreendimento?
Comprovação 
Se o empreendedor comprova que estáinvestindo em tecnologia limpa, como, por
exemplo, filtros de alta qualidade, deveria haver
uma compensação de valores, caso contrário, o
empreendedor estaria pagando em dobro pela
compensação ambiental.
Esses questionamentos resultaram na Ação de Inconstitucionalidade, ADI 3378/DF.
O Supremo Tribunal Federal entendeu que a compensação ambiental é constitucional e pode ser cobrada na
fase inicial, uma vez que os órgãos ambientais já têm noção de que a atividade tem potencial significativo
impacto ambiental.
Contudo, a respeito do valor mínimo, de 0,5% (meio por cento), o STF entendeu ser inconstitucional, deixando
a cargo do órgão licenciador definir o percentual.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Sobre o Sistema Nacional de Unidades de Conservação, assinale a alternativa correta.
A
As Unidades de Conservação são criadas pelo Poder Público, exceto a Reserva Biológica, que também poderá
ser também criada por particular.
B
O artigo 225, parágrafo 1º, inciso III, da Constituição Federal, ao dizer “espaços territoriais e seus
componentes a serem especialmente protegidos”, está se referindo, unicamente, às Unidades de
Conservação.
C
As Unidades de Conservação do grupo de proteção integral não admitem visitação.
D
A classificação das Unidades de Conservação está relacionada à intensidade de proteção, visto que as
unidades de proteção integral possuem maior proteção que unidades de uso sustentável.
E
Todas as unidades de conservação possuem o mesmo grau de proteção, o que difere são os recursos naturais
que existem em cada uma delas.
A alternativa D está correta.
O legislador constituinte, no artigo 225, parágrafo 1º, inciso III da CF/88, ao incumbir o Poder Público de
criar espaços especialmente protegidos, não se refere exclusivamente às unidades de conservação.
Existem outros espaços que merecem proteção especial, como a Reserva Legal e a Área de Proteção
Permanente (APP), disciplinadas no Código Florestal. As Unidades de Conservação são criadas pelo Poder
Público, exceto a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), criada por um particular que tenha
interesse na conservação ambiental. A classificação das Unidades de Conservação está de acordo com a
intensidade da proteção, e assim, se divide em dois grandes grupos: proteção integral e uso sustentável.
Intuitivamente, o primeiro grupo recebe uma proteção maior que o segundo. Cada unidade possui
características próprias, que estão expressas a partir do artigo 9º ao 21º, da lei 9985/2000. Como pode ser
verificado, mesmo sendo de proteção integral, o Parque Nacional, Monumento Natural, admite visitação,
desde que sejam atendidos os requisitos do plano de manejo e regras da administração da unidade.
Questão 2
O prefeito de Serra dos Sonhos, após diversos estudos técnicos e realização de audiência pública, decidiu
criar uma Unidade de Conservação, espécie Parque Municipal, para preservar exemplares exuberantes de
Mata Atlântica. O decreto foi editado delimitando os limites do novo parque municipal. Após três anos, o
prefeito recebeu pedidos para que o parque fosse transformado em uma Área de Relevante Interesse
Ecológico, com redução de seus limites. De acordo com o que analisamos neste módulo, assinale a alternativa
correta.
A
Como o Parque Municipal foi criado por decreto, sua transformação e redução de limites podem ser feitos por
decreto, respeitando o princípio da simetria das formas.
B
O Parque Municipal e Área de Relevante Interesse Ecológico possuem o mesmo grau de intensidade de
proteção, isto é, ambos pertencem as unidades de uso sustentável. Sendo assim, sua transformação e
alteração de tamanho poderão ser feitas, tanto por decreto como por lei formal.
C
A transformação deverá ser feita por lei formal, contudo, a redução poderá ser feita por decreto, uma vez que
ambas as unidades pertencem ao grupo de proteção integral.
D
Não existe Parque Municipal, apenas Parque Nacional.
E
Parque Municipal é uma espécie de unidade de conservação de proteção integral, sua alteração para Área de
Relevante Interesse Ecológico, que é Unidade de Conservação de Uso Sustentável, pode ser feita por meio de
lei formal, assim como a redução de seus limites.
A alternativa E está correta.
A criação de qualquer tipo de Unidade de Conservação pode ser feita por ato do Poder Público, seja a
União, Estado ou Município (artigo 22, Lei 9985/2000), por meio de lei formal (Poder Legislativo) ou decreto
(Poder Executivo). Afinal, deve ser facilitada a criação das unidades, pois trata-se de interesse coletivo
preservar o meio ambiente. Contudo, somente por lei formal é possível desafetar ou reduzir os seus limites.
2. Espaços Territoriais Especialmente Protegidos (ETEP)
Os ETEP na legislação brasileira
Neste vídeo, definimos o que são os Espaços Territoriais Especialmente Protegidos (ETEP) e suas principais
características.
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Anteriormente, tratamos de um tipo de ETEP, que são as UC. Contudo, como explicamos, além das UC,
existem outros tipos de áreas que merecem ser especialmente protegidas, por possuírem algumas
peculiaridades ambientais e, por essa razão, devemos proteger para preservar e conservar a forma como se
encontram hoje.
De acordo com Paulo de Bessa Antunes (2021), existem dois tipos de áreas protegidas: 
Áreas protegidas por força de lei
Também chamadas de áreas genericamente protegidas, essas áreas estão no Código Florestal, como,
por exemplo: Área de Preservação Permanente (APP); Reserva Legal (RL). Isso quer dizer que, para a
criação destas áreas, não precisa de ato do Poder Público, como, por exemplo, decreto. Desde que
determinados requisitos legais estejam presentes, ela se aplica genericamente a todo o país. No
entanto, existem modalidades de APP que são criadas por ato do Poder Público, como, por exemplo:
áreas cobertas com florestas ou outras formas de vegetação destinadas a proteger as restingas ou
veredas. Ver parágrafo 1º do artigo 6 do Código Florestal.
ETEP criados por ato do Poder Público
Como regra, são as UC, previstas na Lei 9985/2000. As UC se dividem em dois grandes grupos:
unidades de proteção integral e unidades de uso sustentável. A ideia principal das unidades de
proteção integral é que sejam utilizadas de forma indireta, ou seja, não é permitida a utilização
econômica destas unidades, como, por exemplo: não é possível extração de madeira em um Parque
Nacional. Por outro lado, nas unidades de uso sustentável, é permitido algum grau de atividade
econômica, desde que não gere problemas ambientais significantes dentro da unidade, por exemplo:
é possível que em uma Floresta Nacional resida uma população tradicional.
É muito comum as pessoas confundirem os termos “Área de Proteção Ambiental (APA)” e “Área de
Preservação Permanente (APP)”. Para não fazer confusão, vamos deixar claro que:
Afinal, quais são os ETEP na legislação brasileira? São todas as áreas que recebem proteção especial. Os
ETEP mais destacados pela doutrina são: 
Unidades de Conservação (UC);
APA 
É uma espécie de UC de uso sustentável,
que precisa de lei formal ou decreto para ser
criada.
APP 
Está disciplinada no Código Florestal, e,
para ser instituída, basta a verificação
das características listadas nesta lei,
aplicando-se em todo o país.
• 
Devastação das matas ciliares às margens do Rio Pará,
MG.
Área de Preservação Permanente (APP);
Reserva Legal (RL);
Apicuns e Salgados;
Áreas de Uso Restrito;
Áreas Ambientais Municipais.
A Área de Preservação Permanente, Reserva Legal, Apicuns e Salgados, e as Áreas de uso restrito, estão
disciplinados na Lei 12.651/2012 ̶ Código Florestal. Áreas Ambientais Municipais estão dispostas na Lei
6.766/1979 ̶ Lei do Parcelamento do Solo Urbano; e as Unidades de Conservação, na Lei 9985/2000 – Sistema
Nacional de Unidade de Conservação da Natureza – SNUC).
Nos próximos tópicos, analisaremos os principais aspectos dos tipos de ETEP, citados anteriormente, com
exceção das Unidades de Conservação, pois já tratamosdeste assunto de forma exclusiva.
Área de Preservação Permanente (APP)
Neste vídeo, discorremos sobre as Áreas de Preservação Permanente, suas principais características e
regulamentação prevista no Código Florestal.
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Já sabemos que a área de Preservação Permanente (APP) é uma espécie de ETEP e sua regulamentação está
prevista no Código Florestal. Todavia, quais são as características de uma APP?
De acordo com o artigo 3º do Código Florestal (este artigo trata da maioria das definições que constam nesta
lei, por isso, recomendamos a leitura), a APP, como diz o próprio nome, é uma área que deve ser preservada
permanentemente. Caso isso não seja feito, o resultado poderá ser muito negativo para o equilíbrio ambiental. 
Exemplificando o tópico anterior, vamos pensar
na mata ciliar que se situa nas margens do rio.
Caso essa mata ciliar seja destruída, é muito
provável que a areia no entorno do rio entre
dentro dele, resultando no seu assoreamento,
diminuindo, consequentemente, o volume de
água ou até mesmo acabando com o rio. Então,
é necessário que essa área seja
permanentemente protegida, para que o rio
siga existindo.
A APP pode existir em zona urbana ou em zona
rural (artigo 4º do Código Florestal). O objetivo
é proteger o equilíbrio do ecossistema e dos
recursos hídricos, e preservar a paisagem e a
estabilidade geográfica. Sobre a estabilidade geográfica, imaginemos o topo de um morro repleto de árvores.
Quando chove, as árvores amortecem o impacto da chuva, escoando suavemente para o solo, e as raízes das
árvores ajudam a segurar o solo. Porém, se essas árvores forem cortadas e não restar mais nada no topo do
morro, a água da chuva baterá com força no solo, podendo haver deslizamento de terra, enchentes e uma
série de problemas ambientais. Para evitar este problema, em áreas que apresentam estas características de
topo de morro, é criada a APP, para assegurar a estabilidade geográfica e o equilíbrio ambiental.
Existem diversos tipos de APP, que estão previstos no artigo 4º do Código Florestal. Destacamos os seguintes
incisos:
I. Se refere às faixas que ficam no entorno do rio. Quanto mais largo for o rio, maior será a área de cobertura
vegetal protegida. Por exemplo: um rio com menos de 10 metros de largura, terá 30 metros de margem
protegida para cada um dos lados. Se o rio tem entre 50 e 200 metros de largura, a faixa marginal, a título de
• 
• 
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• 
APP, será de 100 metros para cada borda do rio.
 
III. É interessante observar que, se houver reservatório d´água artificial decorrente de barramento ou
represamento de águas naturais, deverá existir a APP, mas o seu tamanho será delimitado no estudo
apresentado no licenciamento ambiental do empreendimento.
 
IV. Se refere às áreas que circundam nascentes e olhos d´água, que, independentemente de sua localização
topográfica, deverá ter um raio mínimo de 50 metros.
A lei 14.285, de 2021, trouxe a novidade das “áreas urbanas consolidadas” (sua definição está no artigo 3º,
inciso XXVI do Código Florestal). De acordo com o artigo 4º parágrafo 10, se a APP do inciso I (faixas
marginais entorno do rio) estiver localizada em área urbana consolidada, os conselhos estaduais, municipais
ou distritais do meio ambiente, poderão definir, por meio de lei municipal ou distrital, tamanho distinto do
inciso I. Contudo, poderá ser de tamanho diferente do inciso I somente se a APP não estiver em área de risco
de desastre. Deverão observar as diretrizes do plano de recursos hídricos. As atividades ou empreendimentos
a serem instalados na APP devem observar os casos de utilidade pública (art. 3º, VIII, Código Florestal),
interesse social (art. 3º, IX, Código Florestal) ou de baixo impacto ambiental (art. 3º, X, Código. Florestal).
Recomendação
É imprescindível a leitura dos demais incisos do artigo 4º. 
Observações finais:
Caso o proprietário da área em que está localizada a APP faça supressão da vegetação, ele será
obrigado a recompor a vegetação, salvo nos casos autorizados no Código Florestal (Artigo 7º,
parágrafo 1º).
 
A obrigação de recompor a vegetação, prevista no parágrafo 1º do artigo 7º, é transmitida ao sucessor,
no caso de transferência de domínio ou posse do imóvel rural (Artigo 7º, parágrafo 2º).
 
Excepcionalmente, o Código Florestal autoriza a exploração vegetal da APP, nos casos de utilidade
pública, Interesse Social e Baixo Impacto Ambiental. Como exemplo de utilidade pública, podemos citar
a instalação de torre para telecomunicações (Artigo 8º).
Reserva Legal (RL)
Neste vídeo, definimos o que é a Reserva Legal, bem como descrevemos suas principais características.
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Em conformidade com o artigo 12 do Código Florestal, todo imóvel rural deve manter área com cobertura de
vegetação nativa, a título de Reserva Legal (RL). Observamos que, à diferença da APP, que pode existir tanto
em imóvel urbano quanto em imóvel rural, a RL existe apenas em propriedade rural.
O proprietário deve incluir o imóvel no Cadastro Ambiental Rural (CAR), e o órgão estadual ambiental ou
instituição por ele habilitada irá aprovar a localização da RL.
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• 
• 
Qual é o percentual mínimo em relação à área do imóvel, que deve ser mantido a título de RL? Em
outras palavras, qual é o tamanho mínimo de uma RL?
Chave de resposta
Varia de acordo com a localização. Ver artigo 12, I, Código Florestal. Se o imóvel rural estiver localizado na
Amazônia Legal em área de florestas, 80% devem ser protegidos a título de RL. Se
estiver na Amazônia Legal em área de cerrado, 35%. Em campos gerais, segue a
regra geral de 20% (inciso II).
Por exemplo: João tem uma fazenda na qual
cria gado e cultiva soja. A regra geral é que
João deve criar uma RL com área mínima de
20%. Caso a fazenda de João esteja localizada
na floresta da Amazônia legal, a área mínima
protegida a título de RL será de 80%, e se
estiver em cerrado da Amazônia Legal, 35%.
Entretanto, se estiver em floresta ou cerrado
não localizados na Amazônia Legal, aplica-se a
regra geral de 20%.
Recomendação
Ler conceito de Amazônia Legal, estabelecido no artigo 3, I, Código Florestal. 
Será possível computar a área de RL no mesmo espaço que a APP?
Como sabemos, área de RL e APP são coisas distintas. A regra é que, em um imóvel rural, que possua, por
exemplo, um rio ou topo de morro, devam existir as duas áreas: APP e RL. Contudo, há exceções, que
permitem computar a área da RL em APP. Ver artigo 15 do Código Florestal. Por exemplo: no imóvel rural,
existe um rio. Ao lado dele, temos as margens protegidas (APP). Vamos supor que a RL possua 15% de área.
Será que poderíamos computar aquela área de APP (as margens do rio) para alcançar os 20% exigido de área
mínima de RL? Sim, desde que:
1º 
A área da APP não seja convertida em área de
uso alternativo do solo. O regime de proteção
da APP não se altera.
2º
A área da APP que será computada esteja
conservada ou em processo de recuperação.
3º 
O proprietário ou possuidor do imóvel tenha
incluído o imóvel no Cadastro Ambiental Rural
(CAR).
Caso o proprietário ou possuidor do imóvel tenha área de RL acima do mínimo exigido por lei (exemplo: a lei
obriga mínimo de 20%, mas o proprietário tem 30%), ele poderá usar a área para fins de: servidão ambiental,
cota de reserva ambiental e outros instrumentos para proteção do meio ambiente, previstos no Código
Florestal.
Pode haver exploração econômica na RL?
De acordo com artigo 17, a RL deve ser conservada pelo proprietário ou possuidor do imóvel, seja pessoa
física ou jurídica de direito público ou privado. A ideia geral é que não tenha exploração econômica nesta área.
Mas o Código Florestal prevê exceções nos parágrafos do artigo 17. Admite-se exploração econômica da RL,
desde que exista um plano de manejo sustentável aprovado pelo órgão ambiental. As modalidades de manejo
florestal são:
Sem propósito comercial paraconsumo na propriedade;
Para exploração florestal com propósito comercial.
Ou seja, é permitido com ou sem propósito comercial, desde que seja autorizado pelo órgão ambiental
competente (artigo 20).
Comentário
Se a RL estiver localizada em pequena propriedade ou posse rural familiar, o órgão ambiental realizará
procedimento simplificado para aprovação do plano de manejo. (Ver parágrafo 2º, artigo 17) 
Observações finais:
É obrigatória a suspensão imediata das atividades em área de RL desmatada ilegalmente.
Independentemente das sanções administrativas, cíveis e penais cabíveis, deve haver a recomposição
da área desmatada ilegalmente (artigo 17, parágrafo 4º). Essa obrigação é propter rem, ou seja, se
transfere ao novo proprietário.
Observamos que as áreas de RL são isentas do Imposto Territorial Rural (ITR). A RL não é tributável,
mas o restante da propriedade sim.
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Apicuns, Áreas de Uso Restrito e Áreas Ambientais
Municipais
Neste vídeo, tratamos de outros espaços protegidos e suas principais características. São eles: Apicuns,
Salgados, Áreas de Uso Restrito e Áreas Ambientais Municipais.
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Nos tópicos anteriores, tratamos dos ETEP mais conhecidos do Código Florestal: Área de Preservação
Permanente e Reserva Legal. Contudo, existem outros na Lei 12.651/2012, sobre os quais faremos breves
comentários a seguir. Estes são: Apicuns e Salgados e Áreas de Uso Restrito. Também faremos observações
sobre as Áreas Ambientais Municipais, previstas na Lei 6.766/1979 (Lei do Parcelamento do Solo Urbano,
artigo 13).
Apicuns e Salgados
Para entendermos sobre estas áreas que merecem especial proteção, partiremos dos conceitos. O que
significa “Apicum” e “Salgados”? 
Salgados
De acordo com a definição do artigo 3º, incisos XIV, Salgados, também
chamados de marismas tropicais hipersalinos, são áreas situadas em
regiões com inundações intermediárias entre marés, com solos
hipersalinos), onde pode existir a presença de vegetação herbácea
específica.
Marisma da Lagoa Santo Antônio dos Anjos, Santa Catarina.
Apicuns
Apicuns, como disposto no inciso XV, do artigo 3º, também são áreas de
solos hipersalinos nas regiões entre marés, contudo, apresentam
salinidade superior, sendo desprovidas de vegetação vascular.
Apicum na transição para terra firme. Ilha de São Luís, Maranhão.
Em suma, a salinidade destes tipos de biomas é tão alta que não abriga árvores, como no caso dos mangues.
A vegetação, quando existente, é composta por herbáceas que crescem na areia. Seria uma espécie de brejo
de água salgada à beira mar.
Que tipo de atividade pode existir nos Apicuns e Salgados?
Chave de resposta
Carcinicultura (criação de crustáceos) e salinas. Entretanto, para exercer estas atividades, é necessário
licença ambiental, que será concedida se os requisitos dos parágrafos do artigo 11-A, do Código Florestal
forem atendidos. Ler artigo 11-A. A licença ambiental será de 5 (cinco) anos, podendo ser renovada, se o
empreendedor comprovar o cumprimento das exigências da legislação ambiental (parágrafo 2º, artigo 11-
A).
Parque Nacional do Pantanal Matogrossense.
Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
Caso a licença ambiental não esteja sendo respeitada pelo empreendedor, o órgão licenciador,
independentemente das sanções administrativas, cíveis e penais cabíveis, poderá alterar as condicionantes e
as medidas de controle e adequação, mediante decisão motivada (parágrafo 4º, artigo 11-A).
Áreas de Uso Restrito
Áreas de Uso Restrito têm como objetivo
proteger o pantanal e as planícies pantaneiras,
como, por exemplo: o bioma do Pantanal Mato-
grossense. É permitida a exploração desta área,
desde que seja de modo sustentável, devendo
considerar as recomendações técnicas dos
órgãos oficiais. Ler artigos 10 e 11 do Código
Florestal.
Áreas Ambientais Municipais
A lei 6.766/1979 (Lei do Parcelamento do Solo
Urbano, artigo 13) trata das áreas ambientais
municipais. São áreas de interesse especial,
que visam proteger os bens naturais, históricos, culturais, paisagísticos e arqueológicos no processo de
urbanização.
Para ilustrar, exemplificamos com as áreas verdes urbanas. Essas áreas podem ser espaços públicos ou
privados que contenham vegetação nativa, indisponível para a construção e moradia, mas disponíveis para
recreação, lazer, melhoria da qualidade ambiental urbana, proteção dos recursos hídricos e manutenção
paisagística.
Para a qualidade de vida humana, não basta termos
edifícios e shopping centers, é necessário mantermos o
contato com a natureza. Sendo assim, teremos essas áreas
verdes urbanas para a manutenção da vida nas cidades,
como, por exemplo: jardim botânico, jardim zoológico,
praças, parques urbanos.
O Poder Público contará, para o estabelecimento de áreas
verdes urbanas, com os instrumentos, tais como:
transformação das Reservas Legais em áreas verdes nas
expansões urbanas; estabelecimento da exigência de áreas
verdes nos loteamentos; empreendimentos comerciais e na
implantação de infraestrutura, dentre outros disponíveis no
artigo 25 do Código Florestal.
Finalizamos a análise dos tipos de ETEP e passaremos às observações finais sobre o Código Florestal.
Cadastro Ambiental Rural (CAR) e controle florestal
Neste vídeo, discorremos sobre a realização do Cadastro Ambiental Rural e os principais aspectos que
envolvem este processo.
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Cadastro Ambiental Rural (CAR)
O CAR é um registro eletrônico obrigatório para todos os proprietários de imóveis rurais. A ideia é que, por
meio dos dados obtidos pelo CAR, o Poder Público poderá ter mais um meio de informação, para saber como
está a questão do desmatamento no país e, assim, elaborar estratégias e planos de proteção ambiental. Para
o particular, o CAR é interessante, pois, com esse cadastro, o proprietário ou possuidor do imóvel terá direto a
empréstimos com juros mais interessantes, linhas de créditos fornecidas pelos bancos. Leia o artigo 29 do
Código Florestal.
A inscrição do imóvel rural no CAR, deve ser feita preferencialmente no órgão ambiental municipal ou
estadual.
Dito isso, veremos algumas questões.
Cadastro
Será que o cadastro serve como meio de prova
para o reconhecimento de direito de
propriedade ou de posse? Não serve.
Inscrição
Essa inscrição no CAR é obrigatória? Sim e por
prazo indeterminado para os imóveis rurais.
Se a RL já tiver sido averbada na matrícula do imóvel, ainda é necessário inscrever no CAR? Sim, mas não será
obrigado a fornecer ao órgão ambiental as informações relativas à identificação do imóvel por meio de planta
e memorial descritivo, contendo as informações previstas no artigo 29, parágrafo 1º, inciso III – Ler este
dispositivo e artigo 30. Para esta desobrigação, deverá apresentar ao órgão ambiental a certidão do RGI que
conste a averbação da RL. 
Controle da origem dos produtos florestais
Devem ser controladas as origens dos produtos ou subprodutos de origem florestal, como madeira, sementes,
carvão e subprodutos florestais, pois, caso contrário, não teríamos como saber se aquele produto tem origem
de extração lícita.
O Sistema Nacional de Controle da Origem dos
Produtos Florestais – Sinaflor, coordenado,
fiscalizado e regulamentado pelo IBAMA, irá
cadastrar todas as informações relativas à
origem destes produtos. Recomendação: Ver
artigo 35 do Código Florestal.
É importante destacar que:
1
Plantio e reflorestamento
O plantio ou reflorestamento com espécies nativas ou exóticas não precisam de autorização.
Contudo, devem ser informados ao órgão competente, para fins de controle de origem (art. 35,
parágrafo 1º).
2
Extração de lenha 
É livre a extração de lenha e demais produtos de florestas plantadas nas áreas de uso alternativo do
solo, ou seja, que não sejam APP, RL. Então, se eu plantei, e não é área de RL ou APP, posso extrair
produtos florestais (art. 35, parágrafo 2º).
3Corte ou exploração de espécies nativas
Corte ou exploração de espéciesnativas em área de uso alternativo do solo são permitidos sem
necessidade de autorização prévia. Atenção: deve ser cadastrado no órgão ambiental competente o
plantio ou o reflorestamento, para o controle de sua origem (art. 35, parágrafo 3º).
4
Transporte e armazenamento 
O transporte e o armazenamento de madeira, lenha, carvão e outros produtos ou subprodutos
florestais oriundos de florestas de espécies nativas, para fins comerciais ou industriais, poderá ser
feito somente mediante licença do órgão ambiental competente, a qual se formalizará por meio da
emissão do Documento de Origem Florestal (DOF), no qual constará as características e volume do
material, origem e destino (ler artigo 36).
5
Produtos florestais
Todo aquele que recebe ou adquire produtos florestais, para fins comerciais ou industriais, é
obrigado a exigir a apresentação do DOF.
Proibição do uso de fogo e controle de incêndios
É permitido o uso de fogo na vegetação? Não! Mas há exceções.
Recomendação
Leia os artigos 38, 39 e 40 do Código Florestal. 
Vamos ver agora quais são as exceções.
Em determinados locais ou regiões que apresentem justificativa para o uso de fogo na atividade
agropastoril ou florestal, e que seja aprovado pelo órgão estadual ambiental, o qual estabelecerá
critérios de monitoramento e controle. O licenciamento da atividade deve conter o planejamento
específico sobre o emprego do fogo.
Em UC, desde que obedeça ao respectivo plano de manejo e possua aprovação prévia do órgão gestor
da unidade, com o objetivo do manejo conservacionista da vegetação nativa.
Na realização de atividades de pesquisa científicas aprovadas pelos órgãos competentes e feitas por
instituição de pesquisa reconhecido.
Por populações tradicionais e indígenas como forma de manutenção da sua agricultura de subsistência.
Verificando o aprendizado
Questão 1
• 
• 
• 
• 
O legislador constituinte, no artigo 225, parágrafo 1º, inciso III da CF/88, ao incumbir o Poder Público de criar
Espaços Territoriais Especialmente Protegidos, não se refere exclusivamente às Unidades de Conservação,
pois existem outros espaços que merecem proteção especial. Quais são eles?
A
Área de Preservação Permanente, CAR, Áreas Ambientais Municipais e Áreas de Uso Restrito
B
Área de Preservação Permanente, Reserva Legal, Apicuns e Salgados, Áreas Ambientais Municipais e Áreas de
Uso Restrito
C
Área de Preservação Permanente, Reserva Legal, Recursos Hídricos, Áreas Ambientais Municipais, Áreas de
Uso Restrito
D
Área de Preservação Permanente, Reserva Legal, Sinaflor, Áreas Ambientais Municipais e Áreas de Uso
Restrito
E
Área de Preservação Permanente, Reserva Legal, Carcinicultura, Áreas Ambientais Municipais e Áreas de Uso
Restrito
A alternativa B está correta.
Além das Unidades de Conservação, existem cinco outros tipos de Espaços Territoriais Especialmente
Protegidos: Área de Preservação Permanente, Reserva Legal, Apicuns e Salgados, Áreas de Uso Restrito e
Áreas Ambientais Municipais. Todos estes espaços estão disciplinados na Lei 12.651/2012, Código
Florestal, exceto as Áreas Ambientais Municipais, previstas, de forma geral, na Lei 6.766/1979, Lei do
Parcelamento do Solo Urbano, podendo ser encontrados exemplos deste tipo de área no Código Florestal,
como as áreas verdes urbanas. CAR significa Cadastro Ambiental Rural. Recurso Hídrico é um tipo de
recurso natural, água. Sinaflor é o Sistema Nacional de Controle da Origem dos Produtos Florestais.
Carcinicultura é a atividade desenvolvida em Apicuns e Salgados.
Questão 2
Sobre a Área de Preservação Permanente, assinale a alternativa correta.
A
Trata-se de Espaço Territorial Especialmente Protegido, disciplinado na Lei 9985/2000, Sistema Nacional de
Unidade de Conservação da Natureza.
B
A Área de Preservação Permanente, assim como a Reserva Legal, existe apenas em imóvel rural.
C
A Área de Preservação Permanente tem como objetivo proteger o pantanal e planícies pantaneiras.
D
Independentemente de sua localização, em imóvel rural, sua porcentagem será sempre 20% do total do
terreno, à diferença da Reserva Legal que varia de acordo com a localização.
E
Trata-se de Espaço Territorial Especialmente Protegido, disciplinado na Lei 12.651/2012, Código Florestal.
A alternativa E está correta.
A Área de Preservação Permanente (APP), encontra-se disciplinada no Código Florestal. De acordo com o
artigo 3º, inciso II, trata-se de área protegida, coberta ou não por vegetação nativa, com a função
ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade,
facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas.
À diferença da Reserva Legal, criada somente em imóvel rural, a APP pode ser constituída tanto em imóvel
urbano como em imóvel rural. Não há limites de porcentagem relacionados à proporção do tamanho do
terreno onde está inserido. Deve ser cumprida a extensão prevista no artigo 4º e 5º do Código Florestal.
Por fim, são as Áreas de Uso Restrito que têm objetivo de proteger o pantanal e planícies pantaneiras, logo,
não se trata de APP.
3. Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos
Gestão de recursos hídricos no Brasil
Neste vídeo, discorremos sobre a gestão de recursos hídricos no Brasil e sobre a política nacional de recursos
hídricos.
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No presente módulo, vamos tratar da gestão dos recursos hídricos no Brasil, ou seja, gestão da água. A água
é essencial para a qualidade de vida, e se nós não a protegermos, comprometeremos a existência humana e
dos demais seres vivos na Terra. Por ser um recurso natural finito, temos que protegê-la para garantir a
existência das futuras gerações.
A lei 9.433 de 1997, conhecida como Lei das Águas, institui a Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH) e
cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SNGRH), regulamentando o inciso XIX do
artigo 21 da Constituição Federal, o qual incumbe a União de instituir a PNHR e definir critério de outorga de
direitos de seu uso.
Atenção
A água é de domínio público, ou seja, pertence ao Poder Público. Em outras palavras, a água não é um
bem privado, o que as pessoas possuem é o direito de uso dela. A água é do Poder Público, e ele
permite que um concessionário explore esse recurso hídrico que será utilizado por você, por exemplo,
em sua casa. Lembrando que o uso da água deve ser ecologicamente sustentável. 
Para melhor entendimento do conteúdo deste módulo, organizamos a estrutura da seguinte forma: primeiro,
explicaremos os principais fundamentos, objetivos e diretrizes da Política Nacional de Recursos Hídricos
(PNRH). Posteriormente, passaremos à análise do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos
(SNGRH), abordando os seus órgãos integrantes e os instrumentos utilizados por estes entes para cumprir os
objetivos da PNRH.
Fundamentos, objetivos e diretrizes da PNRH
Fundamentos da PNRH
Quais são os principais fundamentos, bases e princípios da PNRH? Estão estabelecidos no artigo 1º da Lei
9.433/1997. De acordo com o artigo, a água é um bem de domínio público, ou seja, não é privado.
Você deve estar se perguntando: eu não sou dono (a) da água da minha casa?
Chave de resposta
A resposta para essa pergunta é não. O que você tem é o direito de usar essa água segundo os parâmetros
definidos pelo Poder Público. A água é um recurso natural limitado e, por isso, não pode ser utilizada de
Ação do projeto Reviver Machado, voltado para a
preservação de rios em Rondônia.
qualquer jeito. A água tem valor econômico, então, com o objetivo de racionalizar a sua utilização, o Estado
cobra pelo seu uso, caso contrário, pessoas tomariam banho de duas horas sem se importar com a finitude
deste recurso.
Nossa legislação garante sempre o uso múltiplo das águas, isto é, a água deve ser utilizada para beber, lavar
roupa, carro, atividades industriais, navegação, geração de energia, irrigação etc. Em situação deescassez,
por exemplo, seca em bacia hidrográfica, a PNRH prioriza o fornecimento de água para o consumo humano e a
dessedentação de animais, mesmo que seja necessário cessar o uso da água para irrigação, indústria etc.
A PNRH afirma que a bacia hidrográfica é a unidade territorial para a implementação da PNRH, ou seja, a
gestão dos recursos hídricos deve ser feita individualmente por bacia hidrográfica. 
O que seria bacia hidrográfica?
De forma sucinta, seria a área composta por um rio principal e seus afluentes, que escoam para o mesmo
curso d´água. Por essa razão, não podemos pensar em gestão individualizada por municípios ou Estados.
Imagine um município que não tem preocupação com o rio, e toda a poluição deste contamina a bacia
hidrográfica. Então, a gestão deve ser de um todo.
A gestão dos recursos hídricos é descentralizada e vai
contar com a participação do Poder Público, dos usuários
das águas e das comunidades. A nossa legislação não
centraliza a gestão apenas no Poder Público, mas permite a
participação de outros interessados, por meio dos Comitês
de Bacia Hidrográficas, que analisaremos a seguir.
Objetivos da PNRH
Em alinhamento com os fundamentos, os objetivos da
PNRH, dispostos no artigo 2º, se resumem em:
Assegurar disponibilidade de água, atendendo aos padrões
de qualidade para as presentes e futuras gerações, afinal,
não adianta ter alta quantidade de água se não for possível o seu consumo pelo ser humano, por estar
contaminada;
Garantir a utilização racional e integrada dos recursos hídricos;
Realizar a prevenção e a defesa contra eventos hidrológicos críticos, por exemplo, chuvas fortes que
destroem casas;
Incentivar e promover a captação e aproveitamento de águas pluviais (água de chuva), por exemplo, é
comum fábricas reutilizarem água de chuva no processo de produção de seus produtos, atendendo
diretrizes do modelo de indústrias ecologicamente sustentáveis.
Diretrizes da PNRH
Seguindo a linha dos fundamentos e objetivos, as diretrizes gerais para a implementação da PNRH,
encontram-se previstas no artigo 3º. De forma sucinta: a gestão dos recursos hídricos deve associar aspectos
de qualidade e qualidade da água.
Comentário
Não adianta termos muita água se não for possível seu consumo, como também não é razoável ter
pouca água de altíssima qualidade, pois é necessário quantidade de água para atender outros usos. 
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Projeto Bacias Jaguariúna, São Paulo.
A gestão deve se adequar a cada diversidade física, demográfica, social e cultural das regiões do país, ou
seja, a região Sul possui características diferentes da região Norte, então, a gestão deve se adequar as
peculiaridades de cada lugar.
Também é importante a integração da gestão
de recursos hídricos com a gestão ambiental,
com uso do solo. Não há como pensar que a
gestão da mata ciliar de uma APP não estará
vinculada com a gestão do rio que esta
vegetação protege. Da mesma forma, deve
haver integração da gestão dos recursos
hídricos com sistemas estuarinos e gestão
costeira.
Por último, deve haver articulação entre os
planejamentos da gestão dos recursos hídricos
e dos setores usuários.
Características e estrutura do SNGRH
Neste vídeo, tratamos do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos e de seus principais
aspectos.
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Feitos os esclarecimentos sobre os fundamentos, objetivos e diretrizes da PNRH, nos perguntamos: quem irá
implementar a PNRH? Quem fará a gestão das águas? Será o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos
Hídricos (SNGRH).
Objetivos do SNGRH
De acordo com o artigo 32 da Lei 9.433/1997, o SNGRH tem como objetivos:
Coordenar a gestão integrada das águas; arbitrar administrativamente os conflitos relacionados com os
recursos hídricos;
Implementar a PNRH;
Planejar, regular e controlar o uso, preservação e recuperação dos recursos hídricos e realizar a
cobrança do uso dos recursos hídricos.
Para a realização desses objetivos, o SNGRH repartiu as atribuições entre os seguintes órgãos: Conselho
Nacional de Recursos Hídricos; Agência Nacional de Águas; Conselhos de Recursos Hídricos dos Estados e do
Distrito Federal; Comitês de Bacia Hidrográfica; Órgãos dos poderes públicos federal, estaduais, do Distrito
Federal e municípios, cujas competências se relacionem com a gestão de recursos hídricos; e as Agências de
Água (artigo 33 da Lei 9.433/1997).
Órgãos integrantes do SNGRH
Conforme apontamos, o SNGRH é composto por diversos órgãos, ou seja, sua gestão não é centralizada.
Quais seriam as suas atribuições? Comentaremos, de forma breve, as funções dos principais entes.
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Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH)
O Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) está disciplinado nos artigos 34, 35 e 36 da Lei
9.433/1997. É imprescindível a leitura destes dispositivos. Em suma, é o órgão de instância máxima na
gestão dos recursos hídricos. Os critérios gerais serão estabelecidos por este órgão, como, por
exemplo: critérios para a outorga de direitos de uso dos recursos hídricos e critérios para a sua
cobrança. Os projetos de planejamento e suas respectivas implantações deverão passar por sua
aprovação. Sua gestão será presidida pelo Ministro de Estado do Desenvolvimento Regional.
Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA)
No âmbito federal, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), criada pela Lei
9.984/2000, é o órgão responsável pela execução dos instrumentos da PNRH. Suas competências
estão previstas no artigo 4º da Lei 9.984 (é imprescindível sua leitura), como, por exemplo: sempre
que os recursos hídricos forem de domínio da União, a ANA será competente para a outorgar o direito
de uso; fiscalizar os usos; implementar a cobrança pelo uso; arrecadar, distribuir e aplicar as receitas
auferidas pela cobrança na forma da lei.
Secretarias Estaduais do Meio Ambiente.
No âmbito estadual, com as atribuições semelhantes às da ANA, mas atuando em águas de domínio
estadual, podem existir entidades autônomas, mas o mais comum é que a gestão seja feita pela
administração pública direta, por meio de Secretarias Estaduais do Meio Ambiente.
Comitês de Bacia Hidrográfica (CBH)
Os Comitês de Bacia Hidrográfica (CBH) são os órgãos de gestão participativa dos recursos hídricos.
São compostos por: representantes do Poder Público, geralmente das prefeituras, câmara de
vereadores, órgãos ambientais etc.; pelos usuários de água, por exemplo, companhias de geração de
energia elétrica, irrigantes, companhias de saneamento; e representantes da sociedade civil
organizada, como: ONGs, associações comunitárias, universidades e povos tradicionais. Eles se
reúnem para discutir decisões importantes sobre a gestão da bacia hidrográfica, como a aprovação
de seu plano. Também têm competência para arbitrar em primeira instância administrativa os conflitos
relacionados aos recursos hídricos. Leitura importante dos artigos 37 ao 40 da Lei 9.433.
Agências de Água
As Agências de Água são conhecidas como o braço executivo do CBH. Como acabamos de ver, os
CBH são órgãos colegiados com atribuições normativas, deliberativas e consultivas na Bacia
Hidrográfica de sua jurisdição. As Agências de Água exercem a função de secretaria executiva dos
CBH, isto é, executam os anseios e as decisões deliberadas pelo CBH. Ler os artigos 41 ao 44 da Lei
9.433.
Instrumentos de gestão dos recursos hídricos
Neste vídeo, apresentamos as principais características e diferenciamos os instrumentos de gestão de
recursos hídricos.
Plano de Recursos Hídricos da Bacia do Paraguai, MS.
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Já sabemos quais são os órgãos responsáveis pela gestão dos recursos hídricos, e agora nos perguntamos
quais são os instrumentos de gestão que estes órgãos utilizam para o gerenciamento das águas? De acordo
com o artigo 5º da Lei 9.433/2000, os instrumentos são:
Planos de Recursos Hídricos;
Enquadramentos dos corpos de água em classe, segundo os usos preponderantes;Outorga dos direitos de uso de recursos hídricos;
Cobrança pelo uso de recursos hídricos e o Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos. Apesar
da compensação a municípios estar listada no artigo 5º, este instrumento foi vetado.
Vamos ver agora com mais detalhes cada um desses instrumentos.
Os Planos de Recursos Hídricos são elaborados
por bacia hidrográfica, por Estado e para o país.
São planos diretores que fundamentam e
orientam a implementação da PNRH e o
gerenciamento dos recursos hídricos. Eles são
planos de longo prazo, com horizonte de
planejamento compatível com o período de
implantação de seus programas e projetos.
Nele estarão informações como: diagnóstico da
situação atual dos recursos hídricos, análise de
alternativas de crescimento demográfico,
evolução de atividades produtivas e de
modificações dos padrões de ocupação do
solo; metas de racionalização de uso, aumento da quantidade e melhoria dos recursos disponíveis. Leia
artigos 7 e 8 da Lei 9.433.
O enquadramento dos corpos de água em classes visa assegurar a qualidade das águas com os usos
destinados e implementar ações preventivas permanentes de combate à poluição. Ler artigos 9 e 10 da Lei
9.433.
A outorga de direitos de uso de recursos hídricos tem como objetivos assegurar o controle quantitativo e
qualitativo dos usos da água e o efetivo exercício dos direitos de acesso à água. Estarão sujeitos a outorga
atividades como:
Derivação ou captação de parcela de água existente de um corpo de água ou extração de água de
aquífero subterrâneo para consumo final, inclusive abastecimento público, ou insumo de processo
produtivo;
Lançamento de esgotos e demais resíduos líquidos ou gasosos, tratados ou não, com o fim de sua
diluição, transporte ou disposição final;
Hidrelétricas e outras atividades que alterem a quantidade e/ou qualidade da água.
Será que todos os usos de água necessitam de outorga? Não! O uso da água para satisfação de pequenos
núcleos populacionais distribuídos na área rural; derivações, captações, lançamentos, acumulações de volume
de água, considerados insignificantes não precisam de outorga.
A outorga pode ser suspensa?
Chave de resposta
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Rio Jucu, ES. Cobrança pelo uso da água foi aprovada
pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos.
Sim. Poderá ser suspensa parcial ou totalmente, em definitivo ou por prazo determinado, em casos como:
não cumprimento da outorga pelo outorgado; ausência de uso por três anos consecutivos; necessidade
para atender situações de calamidade; necessidade de se prevenir ou reverter grave degradação
ambiental; necessidade de se atender a usos prioritários, quando não se disponha de fontes alternativas.
Por fim, o prazo da outorga não excederá a trinta e cinco anos, podendo ser renovado. Lembrando que a
outorga não implica na venda das águas, pois são inalienáveis, mas o simples direito de uso. Leia os artigos 11
ao 18 da Lei 9.433.
A cobrança do uso de recursos hídricos reconhece a água como bem econômico, incentivando o seu uso
racional.
Serão cobrados os usos de recursos hídricos
sujeitos à outorga. Na fixação dos valores, são
considerados: as derivações, captações,
extrações, volumes retirados; o volume e as
características dos esgotos e demais resíduos
líquidos ou gasosos lançados. Os valores
arrecadados serão aplicados prioritariamente
na bacia hidrográfica em que foram gerados.
Consulte os artigos 19 ao 22 da Lei 9.433.
Por fim, o Sistema de Informações sobre
Recursos Hídricos é um sistema de gestão de
dados fornecidos pelo SNGRH. Seus objetivos
são: informar a situação qualitativa e
quantitativa dos recursos hídricos no Brasil;
atualizar permanentemente essas informações que servirão de subsídios para a elaboração dos Planos de
Recursos Hídricos. Veja os artigos 25 ao 28 da Lei 9.433.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Sobre a Política Nacional de Recursos Hídricos, Lei 9.433/1997, assinale a alternativa correta.
A
A água é um recurso natural ilimitado.
B
A gestão dos recursos hídricos é centralizada.
C
A água é um bem de domínio público.
D
Em época de seca, deve ser garantido, prioritariamente, água para o consumo humano, dessedentação dos
animais e uso para atividades de irrigação.
E
A gestão dos recursos hídricos é feita individualmente por cada estado e município ao qual pertencer o rio.
A alternativa C está correta.
A água é um recurso natural limitado e de domínio público. Em situação de escassez, deve ser garantido
seu acesso ao consumo humano e à dessedentação de animais. A gestão dos recursos hídricos é
descentralizada, contando com a participação do Poder Público, dos usuários das águas e das
comunidades. Por fim, toda gestão dos recursos hídricos deve ser feita individualmente por bacia
hidrográfica, não podendo ser feita de forma individual por estados ou municípios (art.1º).
Questão 2
Em relação à Política Nacional de Recursos Hídricos, assinale a alternativa correta.
A
Os planos de recursos hídricos são planos de curto prazo.
B
Compete aos Comitês de Bacia Hidrográfica arbitrar definitivamente os conflitos pelo uso da água
C
Os Planos de Recursos Hídricos serão elaborados por município, por estado e para o País.
D
Haverá cobrança pelos usos dos recursos hídricos sujeitos à outorga.
E
Baseia-se no fundamento de que a água é um bem de domínio público, tornando-se privado após a sua
outorga.
A alternativa D está correta.
A água sempre será bem de domínio público, sua outorga não a torna de domínio privado (art.18). Os
recursos hídricos sujeitos à outorga serão cobrados (art.20). Os Planos de Recursos Hídricos serão
elaborados por bacia hidrográfica, por Estado e para o País (art.8). Estes planos são de longo prazo (art.7).
Os Comitês de Bacia Hidrográfica são a primeira instância administrativa, cabendo suas decisões recurso
para os Conselhos Nacional ou Estadual (art. 38, II e parágrafo único).
4. Conclusão
Considerações finais
Como vimos no decorrer deste conteúdo, os Espaços Territoriais Especialmente Protegidos (ETEP) e a gestão
dos recursos hídricos fazem parte dos Sistemas Nacionais de Proteção ambiental.
Para ser assegurado o Direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado para as presentes e futuras
gerações, o legislador constituinte impôs ao Poder Público a proteção dos recursos naturais por meio de
instrumentos como a criação de ETEP e gestão da água.
A proteção dos ETEP tem o objetivo de proteger áreas que precisem de atenção especial em função de sua
localização, características e atributos. Conforme analisado, existem dois grandes grupos de ETEP: as
Unidades de Conservação (UC) (Lei 9985/2000) e os espaços disciplinados no Código Florestal, como a Área
de Preservação Permanente (APP) e Reserva Legal.
As UC se dividem em duas categorias: proteção integral e uso sustentável. Para serem criadas, precisam de
ato do Poder Público. Podem ser instituídas por meio de lei ou decreto. Contudo, por serem de interesse
coletivo, só podem ser alteradas ou suprimidas por meio da lei.
Os ETEP, por sua vez, previstos no Código Florestal, não precisam da vontade do Poder Público, basta que
sejam identificadas as características daquele tipo de espaço correspondentes às definições estabelecidas no
Código Florestal, e ele será instituído, lembrando da exceção de algumas espécies de APP que precisam de
ato do Poder Público.
Por fim, a água, por ser um recurso natural finito, é administrada pelo Sistema Nacional de Gerenciamento dos
Recursos Hídricos, composto por seus órgãos, que, por meio de instrumentos específicos, atuam em sua
gestão com o objetivo de disponibilizar água em quantidade e qualidade para as futuras gerações.
Podcast
Agora, trataremos dos três diferentes sistemas nacionais de proteção ao meio ambiente abordados ao
longo deste conteúdo.
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Para entender melhor o funcionamento do Conselho Nacional de Recursos Hídricos, acesse o site do Conselho
Nacional de Recursos Hídricos (CNRH).
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