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Capítulo 4 – A completude do ordenamento jurídico 
 
De acordo com Bobbio, três são as características fundamentais do 
ordenamento jurídico. A primeira delas é a unidade, a segunda, a coerência e, 
por fim, temos a completude. 
Por completude, entende-se a propriedade pela qual um ordenamento jurídico 
tem uma norma para regular qualquer caso. Uma vez que a falta de uma norma 
se chama geralmente “lacuna”, a completude seria exatamente a falta de 
lacunas. Tecnicamente, diz-se que um ordenamento é completo quando jamais 
se verifica o caso de que a ele não se podem demonstrar pertencentes nem uma 
certa norma, nem a norma contraditória. 
Dito de outra maneira, a incompletude consiste no fato de que o sistema não 
compreende nem a norma que proíbe um certo comportamento, nem a norma 
que o permite. 
Salienta, ainda, o nexo existente entre a coerência e a completude está em que a 
coerência significa a exclusão de toda a situação na qual pertençam ao sistema 
ambas as normas que se contradizem, ao passo, que, a completude, significa a 
exclusão de toda a situação na qual não pertençam ao sistema nenhuma das 
duas normas que se contradizem. 
Nesse diapasão, conclui que a coerência não é condição necessária para o 
ordenamento jurídico, podendo mesmo admitir-se ordenamentos em que haja a 
convivência de antinomias. 
Entretanto, a completude afigura-se como condição necessária de um 
ordenamento tal qual o italiano, onde o juiz deve julgar cada caso mediante uma 
norma pertencente ao sistema. 
Concluindo, para os ordenamentos que apresentam as duas regras abaixo, a 
completude constitui elemento necessário. 
a) o juiz é obrigado a julgar todas as controvérsias que se apresentarem a seu 
exame; 
b) deve julgá-las com base em uma norma pertencente ao sistema. 
A existência de lacunas, segundo Bobbio, caracterizaria a incompletude do 
ordenamento. Mas por lacunas, deve-se entender a ausência de critérios válidos 
para decidir qual norma deve ser aplicada, e não meramente a falta de uma 
norma a ser aplicada. 
A fim de alcançar a completude, Bobbio nos dá notícia de dois métodos, quais 
sejam, a hetero-integração e a auto-integração. 
No primeiro método, a integração do ordenamento é operada através do: 
a) recurso a ordenamentos diversos; e 
b) recurso a fontes diversas daquela que é dominante (identificada, nos 
ordenamentos que temos sob os olhos, com a Lei) 
Quanto ao segundo método, consiste na aplicação de dois procedimentos: 
a) a analogia 
b) os princípios gerais do Direito 
Bobbio prefere o segundo método, segundo ele, mais pertinente ao 
ordenamento jurídico italiano.

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