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APRESENTAÇÃO 3 2025-1 - Capital Social e Terceiro Setor

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O capital social e os efeitos cívicos e 
democráticos das associações.
“O despotismo, que, por natureza, e 
temeroso, vê no isolamento dos homens a 
mais segura garantia de sua duração e, 
comumente, faz tudo para isola-los. Não há 
vicio no coração humano que lhe agrade tanto 
quanto o egoísmo: um déspota perdoa 
facilmente aos governados não ama-lo, 
contanto que não se amem entre si. Não lhes 
pede para ajudá-lo a conduzir o Estado; basta 
que não pretendam dirigi-lo. Chama de 
espíritos turbulentos e inquietos os que 
pretendem juntar esforços para criar a 
prosperidade comum e, alterando o sentido 
natural das palavras, chama de bons 
cidadãos os que se encerram estreitamente 
em si mesmos”.
Uma referência: Alexis de Tocqueville
“A arte da associação”
“Dentre as leis que regem as sociedades humanas, há uma que 
parece mais precisa e mais clara do que todas as outras. Para 
que os homens permaneçam ou se tornem civilizados, e 
necessário que entre eles a arte de se associar se desenvolva e 
se aperfeiçoe na mesma proporção que a igualdade de 
condições cresce”.
Ainda Tocqueville...
“O interesse bem compreendido”
“Nos Estados Unidos, quase não se diz que a virtude e bela. Sustenta-
se que e útil, e prova-se isso todos os dias. Os moralistas americanos 
não pretendem que seja necessário sacrificar-se a seus semelhantes, 
porque e grandioso faze-lo; mas dizem ousadamente que tais 
sacrifícios são tão necessários a quem os impõe a si quanto a quem 
deles se aproveita”.
Capital social e desempenho 
institucional – Robert 
Putnam
- Cientista político e professor estadunidense, da 
Universidade de Harvard.
“Comunidade cívica” se caracteriza “por 
cidadãos atuantes e imbuídos de espírito 
público, por relações políticas igualitárias e 
por uma estrutura social assentada na 
confiança e na colaboração”
• Ponto de partida: contraposição às perspectivas que 
sustentam a incapacidade das pessoas de cooperar em 
proveito próprio a partir da análise racional do custo 
que a cooperação tem para cada uma. (“Dilema da 
ação coletiva”) Putnam: as pessoas cooperam mais do 
que se supõe.
• Indivíduos perfeitamente racionais podem produzir, em 
determinadas circunstâncias, resultados que não são 
racionais do ponto de vista de todos os que estão 
envolvidos.
 Análise das condições em que as pessoas cooperam e 
dos limites para que isto aconteça.
As pessoas tendem a ser egoístas ou a cooperar?
- Criadores de gado que compartilham um espaço
comum de pastoreio para seus rebanhos. O
pastoreio excessivo está destruindo o recurso
comum de que depende a subsistência de todos. O
problema para cada criador é que, se ele limitar seu
próprio uso do espaço de pastoreio, vai se
prejudicar. Mas se todos continuarem realizando um
pastoreio excessivo também vão acabar se
prejudicando e acabando com a subsistência de
todos. 
Casos (1)
• Greves: todos se beneficiam dos resultados, mesmo 
quem não participa.
• Bem público como ar ou água, que pode ser 
desfrutado por todos, mesmo por quem não o cuida.
• O “dilema do prisioneiro”: dois cúmplices são 
mantidos incomunicáveis e diz-se a cada um deles 
que se delatar o companheiro, ganhará a liberdade, 
mas se guardar silêncio e o outro confessar, receberá 
uma punição especialmente severa. Se ambos se 
mantivessem em silêncio, seriam punidos levemente. 
O que vai acontecer?
Casos (2)
• Qual a opção mais racional e qual a que tende a 
prevalecer em cada caso: obedecer aos 
interesses imediatos de cada um, recorrer a um 
terceiro ou cooperar? Por que?
Pergunta:
• A solução “hobessiana”: a coerção de um terceiro 
(Estado) para fazer valer o interesse de todos. 
Pergunta: É esta uma solução adequada? Por quê? 
Esta solução tem a virtude de estar ao alcance dos 
indivíduos que são incapazes de confiar nos outros.
• Putnam destaca os limites da coerção de um terceiro 
e aponta existência bastante frequente de exemplos 
de comportamentos cooperativos, contrapondo-se 
aos comportamentos egoístas sustentados pela teoria 
dos jogos. 
• Para haver cooperação, é preciso não só confiar nos 
outros, mas também acreditar que se goza da 
confiança dos outros
• Em todas as sociedades, os dilemas da ação coletiva 
obstam as tentativas de cooperar em benefício 
mútuo, seja na política ou na economia. 
• Pergunta: do que depende a superação dos 
dilemas da ação coletiva? 
• Proposta: A cooperação voluntária é mais fácil 
numa comunidade que tenha herdado um bom 
estoque de capital social sob a forma de 
• regras de reciprocidade e 
• sistemas de participação cívica.
Capital social: características da organização social 
como confiança, normas e sistemas que 
contribuam para aumentar a eficiência da 
sociedade, facilitando as ações coordenadas.
• Formas de capital social:
*Confiança *Normas *Cadeias de Relações Sociais
• O capital social multiplica-se com o uso e 
mingua-se com o desuso. Recursos que se 
esgotam se não forem utilizados. 
• Os que dispõem de capital social tendem a 
acumular mais. Círculos virtuosos.
• Capital social é um bem público e não privado (é 
um atributo da estrutura social em que se 
insere). Costuma ser insuficientemente 
valorizado e suprido pelos agentes sociais.
• A confiança é um componente básico do capital 
social.
• Confiança implica previsão de comportamento 
de um ator independente.
a. Regras de reciprocidade: são incutidas e sustentadas por 
meio de condicionamento e socialização e também por sanções. 
Elas vingam porque reduzem os “custos de transação”. 
Expectativas mútuas de que um favor concedido hoje poderá ser 
retribuído no futuro. Amplo sistema de intercâmbio social. 
 Dar-receber-retribuir.
b. Sistemas de participação cívica (associações, 
cooperativas...): Sistemas de intercâmbio e comunicação 
interpessoais que representam uma intensa interação horizontal. 
São formas essenciais de capital social: aumentam os custos 
potenciais para o transgressor, promovem regras de 
reciprocidade, facilitam a comunicação e melhoram o fluxo de 
informações, corporificam o êxito anterior alcançado.
A confiança social pode manar de duas fontes:
• Importância de compreender os condicionantes 
históricos e os modelos institucionais que tendem a 
reforçar-se e evitar que as pessoas cooperem, mesmo 
sendo ineficientes.
• A superação dos dilemas da ação coletiva e do 
oportunismo contraproducente depende do contexto 
social mais amplo em que determinado jogo é 
disputado.
• Procura de soluções conciliadoras, como comunidade e 
confiança.
• Importância das instituições de cunho cooperativo.
Instituições formais podem ajudar a superar os 
problemas da ação coletiva
Se, por uma parte, as experiências de mobilização e 
atuação coletiva acumulam um capital social derivado dos 
laços de confiança mútua entre os cidadãos, que intensifica 
o envolvimento cívico coletivo, por outro, um Estado 
liderado por elites políticas reformistas e determinadas a 
fixar normas transparentes que regulem a interação entre 
os interesses organizados facilita a disseminação de uma 
vida pública ativa e dinâmica.
 Experiências de mobilização e atuação coletiva
acumulam capital social (laços de confiança mútua 
entre os cidadãos, normas e sistemas que estimulam a 
cooperação entre eles) e intensificam o envolvimento 
cívico coletivo. 
 Estado liderado por elites políticas reformistas que 
fixem normas transparentes e estimulem a participação 
cívica facilita uma vida pública ativa.
Papel fundamental das associações como agentes de 
transformação de um Estado burocrático, clientelista e 
paternalista para um Estado eficiente e transparente e para 
ativar uma dinâmica de inovação econômica e social. 
Ideias a partir da perspectiva do “Capital Social”
Esta abordagem passa a ser fundamental para sustentar as 
perspectivas sobre o papel da sociedade civil e do 
“Terceiro setor”, onde se destaca o papel das associações 
como o agente principal da reforma de um Estado 
burocrático, clientelista e paternalista e como parteda 
ativação de uma dinâmica de inovação econômica e 
social. 
Sociedade civil como “terceiro 
setor”: a perspectiva neoliberal
Retomada da tradição liberal norte-americana
• Inspirado em Tradição filantrópica e associativa nos EUA 
(lembrar Tocqueville): associativismo e voluntariado fazem parte 
de uma cultura política e cívica baseada no individualismo 
liberal. Confiança nas organizações associativas de gerar 
resultado, envolvendo tanto pessoas como grandes 
corporações.
• O Terceiro setor chega no Brasil nos anos 1990, com uma 
“promessa”: humanizar o capitalismo, democracia.
• Três responsáveis:
• Organizações multilaterais e internacionais: Banco Mundial
• Governo Federal (FHC) –Administração Pública Gerencial, 
eficiência e qualidade, descentralizada e com foco no 
cidadão. 
• Setor empresarial: GIFE, Instituto Ethos, IDIS
Sociedade civil como um “Terceiro Setor”: tradição 
liberal norte-americana e invenção nos anos 70
• Tradição filantrópica e associativa nos EUA (lembrar 
Tocqueville): associativismo e voluntariado fazem parte 
de uma cultura política e cívica baseada no 
individualismo liberal. Confiança nas organizações 
associativas de gerar resultado, envolvendo tanto 
pessoas como grandes corporações. 
• Anos 1970: “setor” no lucrativo (“nonprofit sector”). 
John D. Rockfeller: três setores (estado, mercado e 
privado sem fins de lucro). Organizações filantrópicas 
com isenções fiscais enquanto um setor único e 
coerente. “Third Sector”.
O conceito “Terceiro setor” chega ao Brasil nos anos 90
• O Terceiro setor no Brasil: “de fora para dentro”. Anos 90. 
Construção de uma “promessa”. 
• Três responsáveis:
• Organizações multilaterais e internacionais: Banco 
Mundial recomenda leis para estimular o “Terceiro 
Setor”
• Governo Federal (FHC) – MARE: Administração Pública 
Gerencial, caracterizada pela eficiência e qualidade, 
descentralizada e com foco no cidadão. Subordinadas 
aos imperativos econômicos do momento. De direitos 
universais a políticas focalizadas de combate à pobreza.
• Setor empresarial: GIFE, Instituto Ethos, IDIS
Organizações associativas e filantrópicas já existiam...
• Organizações filantrópicas:
• Filantropia privada, por ex., Santas Casas de Misericórdia
• 1920 -1960 o Estado assume papel nas políticas sociais
• A partir dos anos 70, voltam as ações privadas e, nos anos 
90, são rotuladas como “Terceiro Setor”.
• ONGs: campo específico
• Internacional: programas de cooperação internacional para o 
desenvolvimento dos países do Terceiro Mundo 
• Década de 70: campo de oposição à ditadura. 
• Fortalecimento com a Rio 92
• Novo espaço de participação cidadã. “Fortalecimento da 
sociedade civil”. Vínculos com movimentos sociais.
• Nasce com a marca da politização.
• Vão sendo rotuladas no conceito dominante de “Terceiro 
Setor”, mas muitas não se assumem desta forma. ABONG
Conceituação do “Terceiro setor”
• Mais uma ideia-força do que um conceito rigoroso. 
Pesquisa da Johns Hopkins Comparative Nonprofit Sector 
Project. Um “terceiro” setor, entre Estado e Mercado.
• Quais são as organizações que fazem parte do “Terceiro 
Setor”? Quais suas características? Elementos gerais:. 
organizações, associativas, voluntárias.
• de caráter privado mas com fins públicos
• organizações
• Associativas
• Adesão voluntária
• Debate sobre o papel do Estado e o potencial da 
sociedade civil para sua democratização e reforma. 
(Estado/Mercado/Sociedade). Privado/Público
Definição estrutural/operacional:
O Terceiro Setor é constituído de organizações que apresentem, em maior 
ou menos grau, as seguintes características (SALAMON e ANHEIER, 1992): 
• formalização, ou seja, que apresentem alguma forma de 
institucionalização, quer seja pelo registro público de suas atividades, 
quer seja por outras formas que justifiquem a sua existência formal 
(reuniões regulares, representantes reconhecidos, ou outras formas de 
regularidade estrutural); 
• natureza privada, ou seja, institucionalmente separadas do Estado 
(organizações não-lucrativas, para este projeto, não são parte do 
aparato do Estado, nem são dirigidas por conselhos formados 
majoritariamente por representantes de governos); 
• não distribuição de lucros, ou seja, se houver excedentes de natureza 
econômica, estes não podem ser de forma alguma repassados a sócios 
ou membros, mas revertidos para a própria atividade-fim; 
• auto-gestão, ou seja, são capazes de controlar a gestão de suas 
atividades; 
• participação voluntária quer seja em suas atividades, em sua gestão 
ou em sua direção. 
Rubem César Fernandes: privado, porém público
“O Terceiro Setor" é composto de organizações sem fins 
lucrativos, criadas e mantidas pela ênfase na participação 
voluntária, num âmbito não-governamental, dando 
continuidade às práticas tradicionais da caridade, da 
filantropia e do mecenato e expandindo o seu sentido para 
outros domínios, graças, sobretudo, à incorporação do 
conceito de cidadania e de suas múltiplas manifestações na 
sociedade civil”.
Lester Salamon: uma revolução associativa global
A “promessa” do Terceiro Setor
Na década de noventa, o Terceiro Setor surge como o 
portador de uma nova e grande promessa: a renovação 
do espaço público, o resgate da solidariedade e da 
cidadania, a humanização do capitalismo e, na medida do 
possível, a superação da pobreza. Uma promessa 
realizada através de atos simples e fórmulas antigas, 
como o voluntariado e filantropia, revestidas de uma 
roupagem mais empresarial. Promete-nos, 
implicitamente, um mundo onde são deixados para trás 
os antagonismos e conflitos entre classe e, se quisermos
acreditar, promete-nos muito mais. (Falconer, “A 
promessa do Terceiro Setor”)
Não há ações que pretendam a conquista do Estado, mas ações contra o
Estado ou em parcerias institucionais. Distanciamento da política.
O Estado que corresponde a essa sociedade civil é um Estado mínimo,
reduzido às funções de guarda da lei e da segurança, mais liberal e
representativo, com elementos democráticos e participativos.
A sociedade civil como “terceiro setor”
Desdobramento de ordem mais “prática”: a tese da participação,
incorporada na linguagem do planejamento e da gestão, redefinindo-a
em termos de cooperação com os governos, gerenciamento de crises e
implementação de políticas.
Sociedade civil: locus privilegiado da participação. Entra no universo 
gerencial como um espaço evidentemente “neutro”, ocupado por
associações não-governamentais, sede de intervenções sociais 
“privadas” e sem fins lucrativos dedicadas a ativar determinadas causas 
cívicas ou a auxiliar os governos no combate à questão social. 
“Terceiro setor”, não é apenas chegar onde o Estado não chega. É uma nova 
proposta sobre o próprio papel do Estado.

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