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PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO Registro: 2023.0000688431 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos de Apelação Cível nº 1007438-28.2021.8.26.0001, da Comarca de São Paulo, em que é apelante CENTER NORTE S/A - CONSTRUÇÃO EMPREENDIMENTOS ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO, é apelado LUIZ ELIAS JOIAS LTDA. ACORDAM, em sessão permanente e virtual da 33ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, proferir a seguinte decisão: Deram provimento ao recurso. V. U., de conformidade com o voto do relator, que integra este acórdão. O julgamento teve a participação dos Desembargadores LUIZ EURICO (Presidente sem voto), MARIO A. SILVEIRA E SÁ MOREIRA DE OLIVEIRA. São Paulo, 15 de agosto de 2023. SÁ DUARTE Relator(a) Assinatura Eletrônica PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO Apelação Cível nº 1007438-28.2021.8.26.0001 -Voto nº 49.780 - mcv 2 APELAÇÃO Nº 1007438-28.2021.8.26.0001 COMARCA: SÃO PAULO - F. R. SANTANA APELANTE: CENTER NORTE S. A. - CONSTRUÇÃO EMPREENDIMENTOS ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO APELADA: LUIZ ELIAS JOIAS LTDA. VOTO Nº 49.780 RENOVATÓRIA DE LOCAÇÃO Desocupação do imóvel no curso da lide Extinção do processo sem resolução do mérito pela perda do objeto Encargos da sucumbência devidos por quem deu causa ao ajuizamento da ação, neste caso, a autora, de acordo com os elementos constantes dos autos Reforma da sentença na parte em que impôs ao réu o pagamento de tais encargos Apelação provida. Cuida-se de apelação interposta contra r. sentença de extinção do processo, sem resolução do mérito, em que deduzida pretensão renovatória de locação de imóvel não residencial, com fundamento no artigo 485, inciso VI, do Código de Processo Civil, condenado o réu ao pagamento das custas, despesas processuais e honorários advocatícios fixados em R$ 3.000,00, ante o princípio da causalidade. Inconformado, o réu sustenta que o D. Juízo “a quo” o condenou ao pagamento das verbas de sucumbência, ante o entendimento de que a conduta de se negar a renovar o contrato deu causa à ação. Alega que, entretanto, não foi a sua conduta que deu causa à propositura da ação renovatória, na medida em que o contrato de locação findou a 30.09.2016, o que evidencia a decadência do direito da autora à renovação compulsória, uma vez que a ação foi ajuizada em 2021, ultrapassados 6 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO Apelação Cível nº 1007438-28.2021.8.26.0001 -Voto nº 49.780 - mcv 3 anos do prazo legal disposto no artigo 51, § 5º, da Lei do Inquilinato, de modo que não houve provocação de sua parte para o ajuizamento da ação. Aduz que, além disso, o contrato de locação passou a vigorar por prazo indeterminado, dando-lhe o direito de denunciá-lo, nos termos dos artigos 56, § único e 57, da Lei n° 8.245/91, conduta que adotou a 26.05.2020, quando notificou a autora para a desocupação do imóvel, promovendo a ação de despejo por denúncia vazia, processo nº 1014386-20.2020.8. 26.0001. Ressalta que a autora possuía total conhecimento da ação de despejo proposta a 03.07.2020, ou seja, 8 meses antes do manejo da presente ação. Sustenta que, dessa forma, a ação renovatória foi proposta por conta e risco da autora, não sendo crível a manutenção da sua condenação nos ônus de sucumbência. Requer o provimento do recurso para o fim de reformar em parte a r. sentença, para inversão dos ônus de sucumbência, com a condenação exclusiva da autora ao pagamento das custas, despesas processuais e honorários advocatícios. Recurso tempestivo, preparado, sem resposta. É o relatório. A apelação comporta provimento. Com efeito, como demonstrado pelo apelante, a apelada ajuizou a ação renovatória do contrato de locação a 18.03.2021, quando já tramitava ação de despejo por denúncia vazia, ajuizada pelo apelante a 30.07.2020. Além disso, na contestação, o apelante apresentou argumentos relevantes acerca da ausência dos requisitos para renovação compulsória do contrato, especialmente o fato de que o contrato de locação estava vigorando por prazo indeterminado, de vez que o último contrato com prazo determinado findou a 21.03.2016 (fls. 15/21), o que implicaria na PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO Apelação Cível nº 1007438-28.2021.8.26.0001 -Voto nº 49.780 - mcv 4 ausência do requisito previsto no artigo 51, inciso I, da Lei Federal nº 8.245/91, bem como inobservância do prazo previsto no parágrafo 5º, do mesmo artigo, de modo que era grande a probabilidade de improcedência da ação renovatória. Nesse passo, constata-se que a apelada ajuizou a presente ação por sua conta e risco, com baixa ou nenhuma possibilidade de sucesso, tanto que, após a apresentação da contestação, ela pactuou com o apelante a rescisão do contrato de locação, com a consequente desocupação do imóvel (fls. 192/196), dando causa à extinção do processo sem resolução do mérito pela perda do objeto, razão pela qual é ela, apelada, quem deve responder pelos encargos da sucumbência. Confira-se, a propósito, a anotação de Theotonio Negrão e colaboradores a respeito do artigo 85, parágrafo 10, do Código de Processo Civil: “As custas e honorários advocatícios devem ser suportados pela parte que deu causa à extinção do processo sem julgamento do mérito ou a que seria perdedora se o magistrado chegasse a julgar o mérito da causa” (STJ-2ª T., REsp 188.743, Min. Peçanha Martins, j. 15.8.02, DJU 7.10.02). Condenando ao pagamento de honorários o litigante que perderia a ação se o fato superveniente não tivesse ocorrido: RSTJ 21/498; RT 706/77 e JTJ 158/158, bem fundamentado; RJTJESP 109/315, 116/294, maioria, 124/192, JTJ 147/160, 160/301, Lex-JTA 118/184, RF 291/293, RTJE 126/200 (CPC e legislação processual em vigor, 49ª edição, nota 50 ao artigo 85, p. 192). Assim, a apelação deve ser provida para o fim de inverter a responsabilidade pelos encargos da sucumbência, impondo-se à apelada, portanto, o pagamento das custas, despesas processuais e os honorários advocatícios arbitrados na r sentença. Isto posto, voto pelo provimento da apelação. SÁ DUARTE, Relator