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Autor: Prof. Claudio Ditticio
Colaboradores: Profa. Daniela Menezes Brandão
 Prof. André Galhardo Fernandes
Finanças Corporativas - 
Avaliação de Viabilidade 
de Projetos
Professor conteudista: Claudio Ditticio
Graduado em Economia pela Universidade de São Paulo (USP-1973) e mestre em Economia Política pela Pontifícia 
Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP-2008). Participou de cursos de especialização em Métodos Quantitativos, 
Banking, Marketing, Processos Administrativos e Operacionais, Derivativos Financeiros, Sistemas e Processos de 
Educação a Distância (EaD), Avaliação de Empresas e Tecnologia da Informação e Comunicação.
Possui uma larga experiência profissional como administrador e diretor de bancos e instituições financeiras. 
Também atuou como sócio-diretor em consultoria de economia e de análise política. Foi professor e pesquisador da 
Escola de Contas do Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCMSP).
Atua na educação a distância da UNIP como professor conteudista. Foi coordenador do Curso Superior de 
Tecnologia em Gestão Pública, produzindo textos e ministrando aulas nos cursos de Empreendedorismo, Gestão 
Pública, Gestão Financeira, Gestão Ambiental e Gestão de Agronegócios, todos nessa modalidade de ensino. Participou 
de bancas examinadoras de concursos públicos, com ênfase em Ciências Contábeis e Gestão Pública.
É professor da graduação e pós-graduação da UNIP nos cursos presenciais e à distância de Administração, 
Ciências Econômicas, Ciências Contábeis, Direito, Propaganda e Marketing, Serviço Social, Engenharias Elétrica, da 
Computação, Mecatrônica e Mecânica, Gestão Financeira, Gestão de Agronegócio, Gestão de Empreendedorismo e 
Gestão de Comércio Exterior. Nessa instituição, participa também dos Núcleos Docentes Estruturantes (NDEs), de 
campi e cursos, de ensino nas modalidades presencial e a distância.
© Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou 
quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem 
permissão escrita da Universidade Paulista.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
D617f Ditticio, Claudio.
Finanças Corporativas - Avaliação de Viabilidade de Projetos / 
Claudio Ditticio. – São Paulo: Editora Sol, 2020.
220 p., il.
Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e 
Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517-9230.
1. Índices. 2. Custos. 3. Risco. I. Título.
CDU 658.15 
U509.04 – 20
Prof. Dr. João Carlos Di Genio
Reitor
Prof. Fábio Romeu de Carvalho
Vice-Reitor de Planejamento, Administração e Finanças
Profa. Melânia Dalla Torre
Vice-Reitora de Unidades Universitárias
Profa. Dra. Marília Ancona-Lopez
Vice-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa
Profa. Dra. Marília Ancona-Lopez
Vice-Reitora de Graduação
Unip Interativa – EaD
Profa. Elisabete Brihy 
Prof. Marcello Vannini
Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar
Prof. Ivan Daliberto Frugoli
 Material Didático – EaD
 Comissão editorial: 
 Dra. Angélica L. Carlini (UNIP)
 Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR)
 Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT)
 Apoio:
 Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD
 Profa. Deise Alcantara Carreiro – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos
 Projeto gráfico:
 Prof. Alexandre Ponzetto
 Revisão:
 Bruna Baldez
 Kleber Souza
 Talita Lo Ré
Sumário
Finanças Corporativas - Avaliação de Viabilidade 
de Projetos
APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................9
INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................................ 11
Unidade I
1 CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ANÁLISE CONTÁBIL E FINANCEIRA......................................... 15
1.1 Abrangência da análise financeira ................................................................................................ 16
1.2 Informações sobre a empresa ......................................................................................................... 19
1.3 Demonstrativos e relatórios contábeis ........................................................................................ 23
1.3.1 Balanço patrimonial (BP) ..................................................................................................................... 25
1.3.2 Demonstrativo dos resultados do exercício (DRE) .................................................................... 27
1.3.3 Demonstrativo de fluxo de caixa (DFC) ......................................................................................... 28
1.3.4 Relevância dos demonstrativos contábeis ................................................................................... 29
2 ÍNDICES CONTÁBEIS E FINANCEIROS ...................................................................................................... 29
2.1 Índices de liquidez ............................................................................................................................... 32
2.1.1 Índice de liquidez geral ........................................................................................................................ 33
2.1.2 Índice de liquidez corrente ................................................................................................................. 34
2.1.3 Capital de giro líquido .......................................................................................................................... 34
2.1.4 Índice de liquidez seca .......................................................................................................................... 35
2.1.5 Índice de liquidez imediata ................................................................................................................. 36
2.2 Índices de endividamento ................................................................................................................. 37
2.2.1 Índice de estrutura de capital ............................................................................................................ 37
2.2.2 Índice de dependência .......................................................................................................................... 38
2.2.3 Índice de dependência de curto prazo ........................................................................................... 38
2.2.4 Índice de cobertura de juros .............................................................................................................. 39
2.2.5 Índice de cobertura de caixa .............................................................................................................. 39
2.3 Índices de rentabilidade (ou lucratividade) ............................................................................... 40
2.3.1 Retorno sobre o ativo ........................................................................................................................... 41
2.3.2 Retorno sobre o capital próprio ........................................................................................................ 41
2.3.3 Margem líquida ....................................................................................................................................... 42
2.4 Índices de atividade ............................................................................................................................. 43
2.4.1 Giro do estoque ....................................................................................................................................... 43
2.4.2 Giro de contas a receber ...................................................................................................................... 44
2.4.3 Prazo médio de vendas .........................................................................................................................as informações que lhes servem de fonte, disponíveis no 
BP da empresa Sensação, com os valores verificados nos anos de 2017 e 2018, a partir da adaptação dos 
modelos apresentados em Silva (2012).
De forma a melhorar a legibilidade dos dados, os valores são expressos em milhares (R$).
Tabela 4 – BP da empresa Sensação em 2017 e 2018
Ativo 2017 2018 Passivo 2017 2018
Ativo circulante R$ (mil) R$ (mil) Passivo circulante R$ (mil) R$ (mil)
Disponibilidades Instituições financeiras 52,80 55,00
Caixa e bancos 5,50 5,40 Fornecedores 53,20 44,30
Aplicações financeiras 14,20 48,40 Tributos a pagar 33,10 26,00
Total de disponibilidades 19,70 53,80 Provisões para pessoal e outros 31,80 35,20
Clientes (líquido de provisão) 93,00 104,20 Dividendos e juros sobre capital próprio 25,80 19,90
Saques descontados -14,20 -30,00 
Estoques 73,70 67,10 
Impostos a recuperar 30,10 19,30 
Despesas antecipadas 3,90 1,90 
Total do ativo circulante 206,20 216,30 Total do passivo circulante 196,70 180,40
Ativo não circulante Passivo não circulante 
Realizável a longo prazo Exigível a longo prazo
Empresas relacionadas 1,13 7,00 Débitos com empresas relacionadas 41,10 25,80
Depósitos judiciais e outros 118,00 97,50 Provisões para eventuais 84,90 85,40
Total do realizável a longo prazo 119,13 104,50 
Investimentos 
Empresas controladas 165,20 137,70 
Outros investimentos 1,10 1,60 
Total de investimentos 166,30 139,30 
Imobilizado líquido 171,10 154,10 
Depreciação acumulada 10,00 20,00 
Intangível 1,30 10,00 
Total do ativo não circulante 457,83 407,90 Total do passivo não circulante 126,00 111,20
 Patrimônio líquido 
 Capital social 304,70 304,70
 Reserva de capital 3,40 0,00
 Reserva de lucros 33,23 27,90
 Total do patrimônio líquido 341,33 332,60
Total do ativo 664,03 624,20 Total do passivo 664,03 624,20
Adaptada de: Silva (2012, p. 72).
32
Unidade I
Para este estudo, utilizaremos, também, as informações disponíveis no DRE da empresa Sensação 
nos anos de 2017 e 2018, com a adaptação dos modelos apresentados em Silva (2012). Os valores 
são expressos em milhares (R$). Também é expressa em milhares de unidades a quantidade de ações 
negociadas pela empresa.
Tabela 5 – DRE da empresa Sensação em 2017 e 2018
 2017 2018
 R$ (mil) R$ (mil)
Receita operacional bruta 974,60 967,80
Impostos incidentes sobre vendas -231,00 -232,00
Renda operacional líquida 743,60 735,80
Custo dos produtos vendidos -521,00 -542,00
Lucro bruto 222,60 193,80
Despesas operacionais 
Vendas -85,40 -76,50
Gerais e administrativas -42,90 -46,00
Honorários da administração -1,00 -1,00
Despesas de depreciação -10,00 -10,00
Outras receitas e despesas -1,00 -1,00
Resultado antes das receitas e despesas financeiras 82,30 59,30
Receitas (despesas) financeiras líquidas -3,60 -7,80
Resultado antes dos tributos sobre o lucro 78,70 51,50
Imposto de Renda e Contribuição Social -31,48 -20,60
Lucro líquido do exercício 47,22 30,90
Quantidade de ações emitidas pela empresa 100,00 100,00
Lucro líquido por ação 0,472 0,309
Adaptada de: Silva (2012, p. 77).
2.1 Índices de liquidez
O índice de liquidez é um dos aspectos mais significativos quando se procura estudar determinada 
empresa. O que se diz é que não basta a empresa ser rentável, mas deve dispor, também, de caixa 
adequado para suprir seus compromissos com relação à manutenção de valores de curto prazo. Isso é 
ainda mais importante na análise de bancos e instituições financeiras, cuja operação depende de suas 
condições de liquidez, que podem “pôr por terra” os bons e até excelentes resultados, em termos de 
rentabilidade nos respectivos períodos de atuação.
A análise das condições de liquidez é obtida a partir dos valores inscritos em seu BP nos grupos 
de circulante, tanto no ativo quanto no passivo. Nos grupos do circulante, classificados no ativo, e, de 
outro lado, no passivo, são englobados os valores de direitos e obrigações vencíveis em curto prazo 
kamilly
Sublinhado Rabiscado
33
FINANÇAS CORPORATIVAS - AVALIAÇÃO DE VIABILIDADE DE PROJETOS
(até o final do exercício subsequente). Quanto maior for o valor, melhor será a condição retratada pelo 
respectivo índice.
São variados os índices de liquidez, mas comumente empregados nas análises de empresas à medida 
que determinados são ou não considerados para a sua formação.
Apresentamos, neste tópico, os mais adotados por quem deseja conhecer e analisar a 
liquidez de uma empresa.
2.1.1 Índice de liquidez geral
Compara os grupos circulante e realizável a longo prazo do ativo com os grupos circulante e exigível 
a longo prazo do BP:
AC RLP
ILG
PC ELP
+=
+
onde:
ILG: índice de liquidez geral;
AC: total do ativo circulante;
RLP: total do ativo realizável a longo prazo;
PC: passivo circulante;
ELP: passivo exigível a longo prazo.
Os cálculos deste índice para a empresa Sensação, com base em seus demonstrativos contábeis 
mostrados anteriormente e considerando que os valores são expressos em milhares de reais, serão:
Tabela 6 
2017 2018
206.20 119.13 325.33
ILG
196.70 126.10 322.80
ILG 1,0078
+= =
+
=
216.30 104.20 320.50
ILG
180.40 111.20 291.60
ILG 1,0991
+= =
+
=
Observa-se, neste caso, um aumento da liquidez geral da empresa em 2018, comparativamente 
ao ano anterior.
kamilly
Sublinhado Rabiscado
kamilly
Sublinhado Rabiscado
kamilly
Sublinhado Rabiscado
kamilly
Sublinhado Rabiscado
kamilly
Sublinhado Rabiscado
kamilly
Sublinhado Rabiscado
kamilly
Sublinhado Rabiscado
34
Unidade I
Esse índice será considerado bom caso o ILG seja superior ou igual a 1.
2.1.2 Índice de liquidez corrente
AC
ILC
PC
=
onde:
ILC: índice de liquidez corrente;
AC: total do ativo circulante;
PC: total do passivo circulante.
Neste caso, o que se procura é a razão entre os valores do ativo e do passivo circulante. O ativo 
circulante compreende as disponibilidades (também conhecidas como caixa e equivalentes de caixa), 
os direitos realizáveis no exercício social subsequente e as aplicações de recursos em despesas do 
próximo exercício.
Os cálculos deste índice para a empresa Sensação, revelados pelos demonstrativos contábeis 
anteriormente apresentados e considerando que os valores são expressos em milhares de reais, serão:
Tabela 7 
2017 2018
206.20
ILC 1,0483
196.70
= = 216.30
ILC 1,1990
180.40
= =
Este é, talvez, o índice de mais fácil apuração e revela, também, um aumento da liquidez da empresa 
em 2018, comparativamente a 2017.
O ILC será considerado bom quando for superior ou igual a 1.
2.1.3 Capital de giro líquido
O índice de liquidez corrente não deve ser confundido com o valor obtido a título de capital 
de giro líquido (CGL), que é representado pela diferença entre os montantes de ativo circulante e 
passivo circulante:
CGL = AC - PC
kamilly
Sublinhado Rabiscado
kamilly
Sublinhado Rabiscado
kamilly
Sublinhado Rabiscado
kamilly
Sublinhado Rabiscado
kamilly
Sublinhado Rabiscado
35
FINANÇAS CORPORATIVAS - AVALIAÇÃO DE VIABILIDADE DE PROJETOS
onde:
CGL: capital de giro líquido;
AC: total do ativo circulante;
PC: total do passivo circulante.
Os cálculos deste índice para a empresa Sensação, considerando que os valores são expressos no BP 
em milhares de reais, serão:
Tabela 8 
2017 2018
CGL = 206.20 - 196.70 = R$ 9.50 CGL = 216.30 - 180.40 = R$ 35.90
O CGL – também conhecido como capital circulante líquido (CCL) – indica o valor total da 
disponibilidade financeira para suportar seus compromissos de curto prazo.
Comenta Carmona (2009, p. 34):
Considerando que uma parcela significativa das obrigações contidas no 
passivo circulante não apresenta variações significativas ao longo do tempo, 
torna-se vital a preservação de um certo nível de segurança financeira.
Espera-se um resultado positivo, que reflita a folga de liquidez para a empresa arcar com seus 
compromissos, evitando tornar-se inadimplente.
2.1.4 Índice de liquidez seca
Para conhecermos, utilizamos a expressão a seguir:AC E
ILS
PC
−=
onde:
ILS: índice de liquidez seca;
AC: ativo circulante;
PC: passivo circulante;
E: estoques.
36
Unidade I
Este indicador é calculado com a redução do total do ativo circulante do que se mantém em estoques.
Os cálculos deste índice para a empresa Sensação, a partir dos dados extraídos do seu BP e 
considerando que os valores são expressos em milhares de reais, serão:
Tabela 9 
2017 2018
206.20 73.70 132.50
ILS
196.70 196.70
ILS 0,6736
−= =
=
216.30 67.10 149.20
ILS
180.40 180.40
ILS 0,8271
−= =
=
2.1.5 Índice de liquidez imediata
Obtido a partir da formulação:
D
ILI
PC
=
onde:
ILI: índice de liquidez imediata;
D: montante das disponibilidades;
PC: total do passivo circulante.
Este indicador considera o total das disponibilidades, isto é, o que tem conversibilidade 
imediata em dinheiro, como é o caso da conta caixa e de outras que podem imediatamente ser 
transformadas em dinheiro.
Os cálculos deste índice para a empresa Sensação, a partir das informações de seu BP e considerando 
que os valores são expressos em milhares de reais, serão:
Tabela 10 
2017 2018
19.70
ILI 0,1002
196.70
= =
180.4
5
0
3.80
ILI 0,2982= =
kamilly
Sublinhado Rabiscado
kamilly
Sublinhado Rabiscado
37
FINANÇAS CORPORATIVAS - AVALIAÇÃO DE VIABILIDADE DE PROJETOS
Os cálculos exemplificados para a empresa Sensação, nos anos de 2017 e 2018, indicam que, de 
forma geral, quanto maior for o respectivo índice de liquidez, melhor será a situação financeira da 
empresa. Naturalmente, esse índice, assim como os demais relacionados com liquidez (mas não só com 
ela), pode ser comparado com os de outros períodos operacionais da mesma empresa ou com os de 
outras empresas do mesmo segmento de mercado.
2.2 Índices de endividamento
Indicam a avaliação do perfil da estrutura financeira de uma empresa para o financiamento de suas 
atividades operacionais e administrativas. Possibilitam o confronto dos capitais obtidos junto a terceiros 
com o que foi aportado ou está à disposição dos acionistas. Quanto menor for o valor, melhor será o 
resultado retratado pelo índice.
Ross et al. (2013) apud Carmona (2009) definem os níveis de endividamento como os que analisam 
a capacidade de a empresa liquidar as obrigações, principalmente de longo prazo.
Descrevemos, a seguir, os variados tipos de índices de endividamento, adotados pelos 
analistas de empresas.
2.2.1 Índice de estrutura de capital
PE
IEC
PL
=
onde:
IEC: índice de estrutura de capital;
PE: passivo exigível (capital de terceiros);
PL: patrimônio líquido (capital próprio).
Os cálculos deste índice para a empresa Sensação, a partir dos números expressos em seu BP e 
considerando que os valores são expressos em milhares de reais, serão:
Tabela 11 
2017 2018
126.00
IEC 0,3691
341.33
= =
332.
111.20
IEC 4
60
0,33 3= =
kamilly
Sublinhado Rabiscado
kamilly
Sublinhado Rabiscado
kamilly
Sublinhado Rabiscado
kamilly
Sublinhado Rabiscado
38
Unidade I
2.2.2 Índice de dependência
PE
ID
AT
=
onde:
ID: índice de dependência;
PE: total do passivo exigível (capital de terceiros);
AT: total do ativo.
Neste caso, o passivo exigível (capital de terceiros) é comparado com todos os ativos da empresa.
Os cálculos deste índice para a empresa Sensação, a partir dos valores constantes em seu BP e 
considerando que os valores são expressos em milhares de reais, serão:
Tabela 12 
2017 2018
664
126.00
IDCP 0,
. 3
98
0
18= =
624
111.20
IDCP 0,
. 0
81
2
17= =
2.2.3 Índice de dependência de curto prazo
É uma variante do indicador imediatamente anterior, calculado a partir de:
cp
PC
ID
AT
=
onde:
IDcp: índice de dependência de curto prazo;
PC: total do passivo circulante;
AT: total do ativo.
Para este indicador, é expressa a relação entre o passivo circulante (dívida com terceiros, mas apenas 
de curto prazo) contra todos os ativos da empresa.
kamilly
Sublinhado Rabiscado
kamilly
Sublinhado Rabiscado
kamilly
Sublinhado Rabiscado
39
FINANÇAS CORPORATIVAS - AVALIAÇÃO DE VIABILIDADE DE PROJETOS
Os cálculos deste índice para a empresa Sensação, com base nos registros do seu BP e considerando 
que os valores são expressos em milhares de reais, serão:
Tabela 13 
2017 2018
664.0
19
3
6.70
ID 0,2962= =
624.2
18
0
0.40
ID 0,2890= =
2.2.4 Índice de cobertura de juros
Neste caso, é utilizada a expressão:
LAJIR
ICJ
Juros
=
onde:
ICJ: índice de cobertura de juros;
LAJIR: lucro da empresa antes da dedução dos juros e dos impostos devidos sobre o resultado do período.
Neste caso, analisa-se a capacidade de pagamento de juros de obrigações (empréstimos e 
financiamentos) contraídas pela empresa.
Os cálculos deste índice para a empresa Sensação, considerando que os valores em seu BP e em seu 
DRE são expressos em milhares de reais, serão:
Tabela 14 
2017 2018
82.30
ICJ 22,8611
3.60
= = 59.30
ICJ 7,6026
7.80
= =
Quanto maior for esse índice, melhor será a condição de pagamento de juros contratuais pela 
empresa. Verifica-se uma significativa piora da empresa Sensação em 2018, comparativamente ao ano 
anterior, no que tange a essa medição.
2.2.5 Índice de cobertura de caixa
Ainda no conjunto dos indicadores do endividamento da empresa, este pode ser obtido 
com a formulação:
40
Unidade I
LAJIR Depreciação
ICC
Juros
+=
onde:
ICC: índice de cobertura de caixa;
LAJIR: lucro da empresa antes da dedução dos juros e dos impostos devidos sobre o resultado do período;
Depreciação: estimativa dos desgastes ou da obsolescência dos bens do ativo permanente.
Aqui, leva-se em conta a capacidade da empresa no pagamento dos juros contratuais de suas 
obrigações, considerando o respectivo fluxo de caixa (entrada e saída de recursos financeiros).
Os cálculos deste índice para a empresa Sensação, a partir dos valores expressos em milhares de reais 
no seu BP e DRE, serão:
Tabela 15 
2017 2018
82.30 10 92.30
ICC
3.60 3,60
ICC 25,6389
+= =
=
59.30 10 69.30
ICC
7.80 7.80
ICC 8,8846
+= =
=
 Observação
O valor da depreciação, apesar de se tratar de uma despesa, não altera 
o fluxo de caixa do respectivo período.
De forma geral, quanto menor for o respectivo índice de endividamento, com exceção dos dois 
últimos apresentados, melhor será a situação financeira da empresa. Novamente, esse índice pode ser 
comparado com os de outros períodos operacionais da própria empresa e/ou com os de outras empresas 
do mesmo ou até de diferentes segmentos de mercado.
2.3 Índices de rentabilidade (ou lucratividade)
Após apresentarmos os indicadores de liquidez e de endividamento, vamos conhecer os índices que 
visam medir o grau de eficiência da utilização dos ativos da empresa.
kamilly
Sublinhado Rabiscado
kamilly
Sublinhado Rabiscado
kamilly
Sublinhado Rabiscado
41
FINANÇAS CORPORATIVAS - AVALIAÇÃO DE VIABILIDADE DE PROJETOS
Brigham e Houston (2001) apud Carmona (2009, p. 37) definem os índices de rentabilidade como 
aqueles que mostram os efeitos combinados de liquidez, gestão de ativos e endividamento sobre os 
resultados operacionais.
Descrevemos, a seguir, os variados tipos de índices de rentabilidade (ou lucratividade), adotados 
pelos analistas de empresas.
2.3.1 Retorno sobre o ativo
É obtido com a expressão:
LL
RsA
AT
=
onde:
RsA: resultado sobre o total dos ativos da empresa;
LL: lucro líquido – final – do período;
AT: total dos ativos da empresa.
Com ele, consegue-se obter a taxa de retorno de todo o capital empregado na empresa mediante a 
razão entre o lucro líquido (LL) obtido pela empresa contra os ativos totais, no respectivo período.
Os cálculos deste índice para a empresa Sensação, a partir do que é apresentado pelo seu BP e DRE, 
e considerando que os valores são expressos em milhares de reais, serão:
Tabela 16 
2017 2018
47.22
RsA 0,0711
664.03
= = 30.90
RsA 0,0495
624.20
= =
Comenta Carmona (2009, p. 38): “Independentemente do tamanho das empresas, esse índice 
representa um dos quocientes de eficiência mais conhecidos e utilizados pelos usuários internose 
externos das informações contábeis”.
2.3.2 Retorno sobre o capital próprio
Temos, aqui, um dos mais populares índices de medição da rentabilidade de uma 
empresa, calculando-se:
kamilly
Sublinhado Rabiscado
kamilly
Destacar
kamilly
Sublinhado Rabiscado
42
Unidade I
LL
RsCP
PL
=
onde:
RsCP: resultado sobre o capital próprio;
LL: lucro líquido, no período;
PL: patrimônio líquido da empresa (pertencente aos sócios, acionistas etc.).
Agora, o que se mede é a taxa de retorno do capital próprio, com base no que foi aportado e retido 
em lucros anteriores, cujo total pertence aos sócios e acionistas da empresa.
Os cálculos deste índice para a empresa Sensação, no BP e no DRE, a partir dos valores registrados e 
expressos em milhares de reais, serão:
Tabela 17 
2017 2018
47.22
RsCP 0,1383
341.33
= = 30.90
RsCP 0,0929
332.60
= =
Consta-se, pois, uma perda nesse indicador em 2018.
2.3.3 Margem líquida
Entre os indicadores que procuram medir os resultados operacionais contra os lucros obtidos no 
período, a margem líquida é obtida com a formulação:
LL
MgL
V
=
onde:
MgL: margem líquida oferecida pelas vendas no período;
LL: lucro líquido, no período;
V: totais das vendas.
Aqui, é feita a comparação entre o lucro líquido obtido pela empresa e o total das vendas no 
respectivo período.
kamilly
Sublinhado Rabiscado
kamilly
Sublinhado Rabiscado
43
FINANÇAS CORPORATIVAS - AVALIAÇÃO DE VIABILIDADE DE PROJETOS
Para efeito de cálculo deste índice, consideramos como V o total da receita líquida, expresso no DRE 
de cada período/ano.
Os cálculos deste índice para a empresa Sensação, considerando que os valores são expressos em 
milhares de reais, serão:
Tabela 18 
2017 2018
47.22
MgL 0,0635
743.60
= = 30.90
MgL 0,0420
735.80
= =
De forma geral, quanto maior for o respectivo índice de rentabilidade (lucratividade), melhor será 
a situação financeira da empresa. Naturalmente, esse índice também pode ser comparado com os de 
outros períodos operacionais da mesma empresa ou com os de outras empresas do mesmo (ou até 
de diferente) segmento de mercado.
Comenta Carmona (2009, p. 38):
Os índices de rentabilidade são responsáveis pelo cálculo de alguns dos mais 
importantes parâmetros financeiros inerentes às empresas. Ao mensurar 
taxas de retorno, os índices de rentabilidade fornecem um parâmetro 
referencial interessante para avaliar a viabilidade de futuros investimentos.
 Lembrete
É sempre importante confrontar os diferentes índices, calculados para 
a empresa, com os que lhe correspondem, para outras instituições e seu 
respectivo segmento de mercado.
2.4 Índices de atividade
Este grupo de índices é usado, basicamente, para a medição dos níveis de atividades da empresa, 
relacionando diversos grupos de contas, operacionais e comerciais. Visam compreender como a 
instituição vem realizando suas operações.
2.4.1 Giro do estoque
Usa-se a formulação a seguir:
V
GE
Estoques
=
kamilly
Sublinhado Rabiscado
kamilly
Sublinhado Rabiscado
kamilly
Sublinhado Rabiscado
44
Unidade I
GE: giro dos estoques;
V: somatório das vendas líquidas, ocorridas no período analisado;
Estoques: mantidos na empresa.
Trata-se de um índice que é apurado utilizando informações tanto do BP quanto do DRE da empresa.
Com os valores expressos em milhares de reais, os cálculos deste índice para a empresa Sensação serão:
Tabela 19 
2017 2018
743.60
GE 10,0896
73.70
= = 735.80
GE 10,9657
67.10
= =
2.4.2 Giro de contas a receber
Enquanto o índice imediatamente anterior é relacionado com os estoques, este mede a velocidade 
com que a empresa reinicia o ciclo de vendas de seus produtos e serviços. Usa-se a formulação a seguir:
a
V
GCR
C R
=
GCR: giro de contas a receber;
V: vendas líquidas, em determinado período;
CaR: montante de contas a receber.
Para efeito de cálculo deste índice, novamente consideramos como V o total da receita líquida, 
expresso no DRE de cada período/ano, e o total de contas a receber, deduzido dos valores das 
duplicatas/títulos descontados junto ao sistema financeiro, em cada período/ano, demonstrado no BP.
Os cálculos deste índice para a empresa Sensação, expressos em milhares de reais, serão:
Tabela 20 
2017 2018
743.60 743.60
GCR
(93.00 14.20) 78.80
GCR 9,4365
= =
−
=
735.80 735.80
GCR
(104.20 30.00) 74.20
GCR 9,9164
= =
−
=
kamilly
Sublinhado Rabiscado
kamilly
Sublinhado Rabiscado
45
FINANÇAS CORPORATIVAS - AVALIAÇÃO DE VIABILIDADE DE PROJETOS
2.4.3 Prazo médio de vendas
O prazo médio de recebimento de vendas (PMR ou PMRV) é obtido calculando-se o tempo médio 
que uma empresa leva para receber de seus clientes aquilo que lhes vende, como bens ou serviços. 
Usa-se a formulação a seguir:
e
V
PM R
GCR
=
onde:
PmeR: prazo médio de recebimento de vendas;
V: vendas;
GCR: giro de contas a receber.
O equilíbrio entre suas contas a pagar e a receber é importante para a constatação da saúde do 
capital de giro da empresa.
Sabemos o quanto é complexo manter os números na “ponta da língua” e, mais do que isso, entender 
e transformar a montanha de informações que é gerada em dia em dados para melhorar a administração.
O índice mede o número de dias necessários, no período, para cobrar as contas a receber e poder 
reiniciar o processo operacional da empresa.
Carmona (2009, p. 40) comenta: “o objetivo deste indicador é ilustrar a velocidade com que a 
empresa está habilitada a cobrar pelas vendas realizadas”.
2.4.4 Prazo médio de recebimento de vendas
dias receber
brutas
360 xDuplicatas
PMRV
Vendas
=
Os cálculos deste índice, em número de dias, para a empresa Sensação, cujos valores são expressos 
em milhares de reais, adotando o ano comercial de 360 dias, serão:
Tabela 21 
2017 2018
dias360 x93,00 33.480,00
PMRV 35
974,60 974,60
= =  dias360 x104,20 37.512,00
PMRV 39
967,80 967,80
= = 
kamilly
Sublinhado Rabiscado
kamilly
Sublinhado Rabiscado
kamilly
Destacar
kamilly
Destacar
46
Unidade I
Veja que houve um aumento desse prazo quando se comparam os exercícios de 2017 e 
2018 da empresa.
2.4.5 Prazo médio de pagamento de compras
Agora, vamos analisar o tempo que a empresa dispõe para pagar suas compras junto aos diversos 
fornecedores de matéria-prima e/ou produtos e serviços:
dias360 xFornecedores
PMPC
Compras
=
onde:
PMPC: prazo médio de pagamento de compras;
360: quantidade de dias, no ano comercial;
Fornecedores: valor dos pagamentos devidos a este stakeholder;
Compras: o que foi adquirido pela empresa no período em análise.
Os cálculos do número de dias de pagamento de compras para a empresa Sensação, cujos valores 
são expressos em milhares de reais, e considerando o ano comercial de 360 dias, serão:
Tabela 22 
2017 2018
dias360 x53,20 19.152,00
PMPC 37
521,00 521,00
= =  dias360 x44,30 15.948,00
PMPC 30
542,00 542,00
= = 
Este índice revela, em média, quantos dias a empresa demora para pagar suas compras. Foi adotado, 
na fórmula, o ano comercial de 360 dias. Como aproximação do total de compras, foi utilizado o valor 
(no DRE) em custo dos produtos vendidos.
2.4.6 Prazo médio de renovação de estoques
dias
vendas
360 xEstoques
PMRE
Custo
=
Os cálculos do número de dias que se renovam os estoques para a empresa Sensação, admitindo o 
ano comercial de 360 dias e os valores expressos em milhares de reais, serão:
kamilly
Destacar
47
FINANÇAS CORPORATIVAS - AVALIAÇÃO DE VIABILIDADE DE PROJETOS
Tabela 23 
2017 2018
dias
dias
360 x73,70 26.532,00
PMRE 51
521,00 521,00
= =  dias
dias
360 x67,10 24.156,00
PMRE 45
542,00 542,00
= = 
Este índice revela, em média, quantos dias a empresa demora para vender seu estoque.
2.5 Índices de valor de mercado
O valor de mercado é bastante utilizado para a averiguação da situação da empresa.
Os índices ora descritos, aplicáveis às companhias abertas, relacionam o preço das ações, praticado no 
mercado, para a respectiva empresa (por exemplo, em bolsas de valores) com as informações refletidas 
em seus valores contábeis.
 Saibamais
As companhias abertas são aquelas que possuem ações ou outros 
tipos de emissão, transacionados no mercado secundário (ou seja, nas 
bolsas de valores).
Para obter informações mais detalhadas quanto aos tipos de empresas 
– sociedades anônimas – com capital aberto ou fechado, consulte:
ASSAF NETO, A. Mercado financeiro. 14. ed. São Paulo: Atlas, 2018.
Brigham e Houston (2001) definem os índices de valor de mercado como aqueles que relacionam o 
preço das ações da empresa aos seus lucros e ao valor patrimonial da ação.
 Observação
O valor de mercado de uma ação reflete por quanto ela é negociada, 
no momento, para transações nos mercados de capitais (notadamente 
nas bolsas de valores). O valor patrimonial, também entendido como valor 
contábil da ação, é obtido pela divisão entre o total do PL e a quantidade 
de ações emitidas pela empresa.
Você deve ter percebido que dificilmente há uma igualdade entre esses 
dois valores, considerando as frequentes alterações das cotações dos papéis 
em negociação nos mercados de capitais.
kamilly
Destacar
kamilly
Sublinhado Rabiscado
kamilly
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kamilly
Sublinhado Rabiscado
48
Unidade I
 Saiba mais
Para obter mais informações sobre a formação de preços nos mercados 
de capitais, leia:
FORTUNA, E. Mercado financeiro: produtos e serviços. 22. ed. São Paulo: 
Qualitymark, 2020.
Descrevemos, a seguir, outros tipos de índices adotados pelos analistas de empresas.
2.5.1 Índice preço/lucro
Revela a relação entre o preço de mercado das ações da empresa (P), fazendo a comparação com os 
lucros (L) ocorridos no período em análise:
P
IPL
L
=
Para efeito de cálculo deste índice, consideremos que a cotação média do preço da ação da empresa 
no mercado é, apenas a título de exemplo, de R$ 1.000,00 em 2017 e R$ 12.000,00 em 2018. Admitindo 
que os valores são expressos em milhares de reais, os cálculos deste índice para a empresa Sensação serão:
Tabela 24 
2017 2018
1.000
IPL 21,18
47.22
= =
12000
IPL 0.3883
30.90
= =
Indica Carmona (2009, p. 41):
Mesmo considerando a possibilidade de ocorrência de eventuais oscilações 
no mercado acionário, esse indicador tende a representar uma certa 
paridade originada das expectativas que os investidores possuem sobre 
fluxos de caixa futuros.
2.5.2 Índice valor de mercado/valor de livro
Procura mostrar a relação entre o valor de mercado da empresa (M) – isto é, o valor total de suas 
ações negociadas nos mercados de capitais – e o valor expresso em sua contabilidade (VC):
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kamilly
Sublinhado Rabiscado
kamilly
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49
FINANÇAS CORPORATIVAS - AVALIAÇÃO DE VIABILIDADE DE PROJETOS
M
IVM
VC
=
Para efeito de cálculo deste índice, consideremos que a cotação média do preço da ação da empresa, 
no mercado, é de R$ 10,00 em 2017 e R$ 12,00 em 2018. Admitimos como valores contábeis das ações 
o que está contabilizado como capital social em 2017 e 2018.
Os cálculos deste índice para a empresa Sensação, cujos valores são expressos em milhares 
de reais, serão:
Tabela 25 
2017 2018
(100x10.00) 1.000,00
IVM
(304.7 /100) 3.0470
IVM 328,1917
= =
=
(100x12.00) 1.200,00
IVM
(304.70 /100) 3.0470
IVM 393,83
= =
=
Neste caso, quanto maior for o índice, melhor será a percepção dos investidores sobre a situação 
econômico-financeira da empresa.
 Lembrete
Utilizam-se de forma intensa os dados disponíveis nos relatórios 
contábeis, além de outras informações, para o estabelecimento de índices e 
a comparação, por exemplo, com o desempenho de outras empresas, como 
o nível de atividades, endividamento, rentabilidade e valor de mercado.
2.6 Análises: vertical e horizontal
Além dos índices financeiros, a análise de uma empresa costuma se valer das técnicas de análise 
vertical (AV) e análise horizontal (AH) de valores das demonstrações contábeis (normalmente, BP e DRE).
Tais técnicas permitem o conhecimento e a comparação de mais detalhes das demonstrações 
financeiras, muitas vezes não apurados ou perceptíveis com base nos variados índices (solvência, 
patrimônio, rentabilidade etc.).
Consegue-se efetuar comparações de valores (saldos e movimentações contábeis) dentro de um 
mesmo período ou entre períodos (exercícios sociais) diferentes.
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Sublinhado Rabiscado
kamilly
Sublinhado Rabiscado
kamilly
Sublinhado Rabiscado
kamilly
Sublinhado Rabiscado
50
Unidade I
Não existe uma legislação específica para definir a utilização e as formas de análise (vertical e 
horizontal). Na verdade, trabalha-se com práticas consagradas e aprovadas pelo mercado, tanto 
brasileiro quanto mundial.
2.6.1 Análise vertical
O objetivo da AV (também denominada análise da estrutura) é mostrar a participação relativa de 
cada item de uma demonstração contábil em relação:
•	 Ao total do ativo e passivo (no caso do BP).
•	 À apuração do lucro (ou prejuízo) do exercício, com base na receita bruta ou receita líquida (no DRE).
A fórmula básica para o cálculo é:
item
i
referência
valor
AV (100)
valor
=
Como exemplo, analisemos o BP da empresa Sensação nos anos de 2017 e 2018, que contém, para 
cada conta e subgrupo, tanto do ativo quanto do passivo, os valores em milhares de reais, permitindo 
os cálculos dos índices de AV:
Tabela 26 – Análise vertical do BP da empresa Sensação em 2017 e 2018
Ativo 2017 2018 Passivo 2017 2018
Ativo circulante R$ (mil) AV % R$ (mil) AV % Passivo circulante R$ (mil) AV % R$ (mil) AV %
Disponibilidades Instituições financeiras 52,800 7,951 55,000 8,811
Caixa e bancos 5,500 0,828 5,400 0,865 Fornecedores 53,200 8,012 44,300 7,097
Aplicações financeiras 14,200 2,138 48,400 7,754 Tributos a pagar 33,100 4,985 26,000 4,165
Total de disponibilidades 19,700 2,967 53,800 8,619 Provisões para pessoal 
e outros 31,800 4,789 35,200 5,639
Clientes (líquido de provisão) 93,000 14,005 104,200 16,693 Dividendos e juros 
sobre capital próprio 25,800 3,885 19,900 3,188
Saques descontados -14,200 -2,138 -30,000 -4,806 
Estoques 73,700 11,099 67,100 10,750 
Impostos a recuperar 30,100 4,533 19,300 3,092 
Despesas antecipadas 3,900 0,587 1,900 0,304 
Total do ativo circulante 206,200 31,053 216,300 34,652 Total do passivo 
circulante 196,700 29,622 180,400 28,901
Ativo não circulante Passivo não circulante 
Realizável a longo prazo Débitos com empresas 
relacionadas 41,100 6,189 25,800 4,133
Empresas relacionadas 1,130 0,170 7,000 1,121 Provisões para 
eventuais 84,900 12,786 85,400 13,682
kamilly
Sublinhado Rabiscado
kamilly
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51
FINANÇAS CORPORATIVAS - AVALIAÇÃO DE VIABILIDADE DE PROJETOS
Ativo 2017 2018 Passivo 2017 2018
Ativo não circulante R$ (mil) AV % R$ (mil) AV % Passivo não circulante R$ (mil) AV % R$ (mil) AV %
Depósitos judiciais e outros 118,000 17,770 97,500 15,620 
Total do realizável a 
longo prazo 119,130 17,940 104,500 16,741 
Investimentos 
Empresas controladas 165,200 24,878 137,700 22,060 
Outros investimentos 1,100 0,166 1,600 0,256 
Total de investimentos 166,300 25,044 139,300 22,317 
Imobilizado líquido 171,100 25,767 154,100 24,688 
Depreciação acumulada 1,000 0,151 2,000 0,320 
Intangível 1,300 0,196 10,000 1,602 
Total do ativo não circulante 457,830 68,947 407,900 65,348 Total do passivo não 
circulante 126,000 18,975 111,200 17,815
 Patrimônio líquido 
 Capital social 304,700 45,886 304,700 48,814
 Reserva de capital 3,400 0,512 0,000 0,000
 Reserva de lucros 33,230 5,004 27,900 4,470
 Total do patrimônio 
líquido 341,330 51,403 332,600 53,284
Total do ativo 664,030 100 624,200 100 Total do passivo 664,030 100 624,200 100
Portanto, o percentual representado pela AV no respectivo ano/período é obtido com a divisão/razão 
entre o item que está sendo analisado e o valor que é tomado como referência.
No exemplo, na empresa Sensação, para o subgrupo Disponibilidades do Ativo, em 2017, o indicador 
de AV será 2,967%.
E assim se procede com relação aosdemais valores do demonstrativo, sempre adotando como 
referência o total do ativo ou do passivo.
Comenta Silva (2012, p. 209):
A simples identificação da representatividade de um item do ativo ou 
do passivo em relação a determinado referencial pode não ser suficiente 
para possibilitar ao analista tirar conclusão sobre a situação da empresa. 
Observar a tendência da representatividade de um item ao longo de dois ou 
mais exercícios é um processo que ajuda o analista a visualizar mudanças 
ocorridas na estrutura do demonstrativo que esteja analisando.
Em síntese, a AV consiste em uma comparação da representatividade, em percentagem, de cada 
conta com o grupo de contas a que pertence. Cabe ao analista confrontar os percentuais auferidos na AV 
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52
Unidade I
com os de outras empresas, principalmente que atuem no mesmo segmento de operações, considerando 
eventuais diferenças de porte, região geográfica e outros fatores distintivos.
Outro importante demonstrativo contábil que pode ser utilizado na AV é o DRE, visando identificar a 
representatividade de cada um dos seus itens/valores em relação à receita líquida de vendas, por exemplo.
Como exemplo, analisemos o DRE da empresa Sensação nos anos de 2017 e 2018, cujos valores são 
expressos em milhares de reais e permitem a apuração, para cada item, dos índices de AV:
Tabela 27 – Análise vertical do DRE da empresa Sensação em 2017 e 2018
 2017 2018 
 r$ (mil) AV % R$ (mil) AV %
Receita operacional bruta 974,60 131,07 967,80 131,53
Impostos incidentes sobre vendas -231,00 -31,07 -232,00 -31,53
Renda operacional líquida 743,60 100,00 735,80 100,00
Custo dos produtos vendidos -521,00 -70,06 -542,00 -73,66
Lucro bruto 222,60 29,94 193,80 26,34
Despesas operacionais 
Vendas -85,40 -11,48 -76,50 -10,40
Gerais e administrativas -42,90 -5,77 -46,00 -6,25
Honorários da administração -1,00 -0,13 -1,00 -0,14
Despesas de depreciação -10,00 -1,34 -10,00 -1,36
Outras receitas e despesas -1,00 -0,13 -1,00 -0,14
Resultado antes das receitas e despesas financeiras 82,30 11,07 59,30 8,06
Receitas (despesas) financeiras líquidas -3,60 -0,48 -7,80 -1,06
Resultado antes dos tributos sobre o lucro 78,70 10,58 51,50 7,00
Imposto de renda e contribuição social -31,48 -4,23 -20,60 -2,80
Lucro líquido do exercício 47,22 6,35 30,90 4,20
Quantidade de ações emitidas pela empresa 100,00 100,00 
Lucro líquido por ação 0,472 0,309 
Cabe um alerta no que tange à análise dos resultados, em função de ocorrências de inflação e seu 
impacto na evolução dos preços.
Em tempos não inflacionários, as receitas de vendas demonstram com mais exatidão quanto a 
empresa vendeu no respectivo período. Contudo, se forem significativos os impactos inflacionários, isso 
pode distorcer as informações apontadas no demonstrativo, dada a constante alteração de preços, por 
exemplo, entre os meses do ano (início e final).
kamilly
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53
FINANÇAS CORPORATIVAS - AVALIAÇÃO DE VIABILIDADE DE PROJETOS
2.6.2 Análise horizontal
Esta técnica possui características mais voltadas à análise dos resultados ao longo do tempo, 
diferentemente do que foi revelado na AV.
Este indicador permite que se examine a evolução histórica de cada rubrica contábil das respectivas 
demonstrações (BP e DRE).
Apresentamos, a seguir, os cálculos de AH aplicados sobre os dados do BP da empresa Sensação, cujos 
valores são expressos em milhares de reais, em 2017 e 2018.
Tabela 28 – Análise horizontal do BP da empresa Sensação em 2017 e 2018
Ativo 2017 2018 Passivo 2017 2018
Ativo circulante R$ (mil) AH % R$ (mil) AH % Passivo circulante R$ (mil) AH % R$ (mil) AH %
Disponibilidades Instituições financeiras 52,800 100 55,000 8,811
Caixa e bancos 5,500 100 5,400 98,182 Fornecedores 53,200 100 44,300 7,097
Aplicações financeiras 14,200 100 48,400 340,845 Tributos a pagar 33,100 100 26,000 4,165
Total de 
disponibilidades 19,700 100 53,800 273,096 Provisões para pessoal e 
outros 31,800 100 35,200 5,639
Clientes 
(líquido de provisão) 93,000 100 104,200 112,043 Dividendos e juros sobre 
capital próprio 25,800 100 19,900 3,188
Saques descontados -14,200 100 -30,000 211,268 
Estoques 73,700 100 67,100 91,045 
Impostos a recuperar 30,100 100 19,300 64,120 
Despesas antecipadas 3,900 100 1,900 48,718 
Total do ativo 
circulante 206,200 100 216,300 104,898 Total do passivo 
circulante 196,700 100 180,400 28,901
Ativo não circulante Passivo não circulante 
Realizável a longo prazo Débitos com empresas 
relacionadas 41,100 100 25,800 4,133
Empresas relacionadas 1,130 100 7,000 619,469 Provisões para eventuais 84,900 100 85,400 13,682
Depósitos judiciais e 
outros 118,000 100 97,500 82,627 
Total do realizável a 
longo prazo 119,130 100 104,500 87,719 
Investimentos 
Empresas controladas 165,200 100 137,700 83,354 
Outros investimentos 1,100 100 1,600 145,455 
Total de investimentos 166,300 100 139,300 83,764 
Imobilizado líquido 171,100 100 154,100 90,064 
Depreciação acumulada -1,000 100 -2,000 200,000 
Intangível 1,300 100 10,000 769,231 
Total do ativo não 
circulante 457,830 100 407,900 89,094 Total do passivo não 
circulante 126,000 100 111,200 17,815
 Patrimônio líquido 
 Capital social 304,700 100 304,700 48,814
 Reserva de capital 3,400 100 0,000 0,000
kamilly
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kamilly
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Unidade I
Ativo 2017 2018 Passivo 2017 2018
R$ (mil) AH % R$ (mil) AH % Patrimônio líquido R$ (mil) AH % R$ (mil) AH %
 Reserva de lucros 33,230 100 27,900 4,470
 Total do patrimônio 
líquido 341,330 100 332,600 53,284
Total do ativo 664,030 100 624,200 94,002 Total do passivo 664,030 100 624,200 100
Nesse exemplo, adotou-se como base de comparação (= 100%) os valores de cada item/conta em 
2017 e 2018. Adota-se, usualmente, o período mais antigo, considerando todos os seus valores como 
base 100, e, a partir daí, estabelece-se a comparação para exercícios posteriores.
Usa-se a formulação:
item 20Xn
20Xn
item 20X1
(valor )
AH [ ]100
(valor )
=
Faz-se a comparação entre o valor de determinado item no período analisado e o valor que ele 
apresentou no período-base da série.
Apresentamos, a seguir, os cálculos de AH aplicados sobre os valores apresentados pelo DRE da 
empresa Sensação, com valores expressos em milhares de reais, em 2017 (ano-base) e 2018.
Tabela 29 – Análise horizontal do DRE da empresa Sensação em 2017 e 2018
2017 2018
 R$ (mil) AH % R$ (mil) AH %
Receita operacional bruta 974,60 100,00 967,80 99,30
Impostos incidentes sobre vendas -231,00 100,00 -232,00 100,43
Renda operacional líquida 743,60 100,00 735,80 98,95
Custo dos produtos vendidos -521,00 100,00 -542,00 104,03
Lucro bruto 222,60 100,00 193,80 87,06
Despesas operacionais 
Vendas -85,40 100,00 -76,50 89,58
Gerais e administrativas -42,90 100,00 -46,00 107,23
Honorários da administração -1,00 100,00 -1,00 100,00
Despesas de depreciação -10,00 100,00 -10,00 100,00
Outras receitas e despesas -1,00 100,00 -1,00 100,00
Resultado antes das receitas e despesas financeiras 82,30 100,00 59,30 72,05
Receitas (despesas) financeiras líquidas -3,60 100,00 -7,80 216,67
Resultado antes dos tributos sobre o lucro 78,70 100,00 51,50 65,44
Imposto de renda e contribuição social -31,48 100,00 -20,60 65,44
Lucro líquido do exercício 47,22 100,00 30,90 65,44
Quantidade de ações emitidas pela empresa 100,00 100,00 
Lucro líquido por ação 0,47 0,31 
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55
FINANÇAS CORPORATIVAS - AVALIAÇÃO DE VIABILIDADE DE PROJETOS
Assim, pode-se constatar a evolução do valor do item ao longo do tempo, ou seja, seu crescimento 
(ou diminuição).
Comenta Silva (2012, p. 215): “Muitas vezes é importante saber o comportamento das vendas do 
último ano em relação ao [...] anterior do que desenvolvermos uma série histórica mais longa”.
Naturalmente, a estabilidade monetária dos períodos deve também ser analisada, considerando 
eventuaissituações inflacionárias ou deflacionárias.
Sandroni (1999, p. 158-159) define deflação como:
Queda persistente do nível geral de preços, o oposto da inflação. 
Caracteriza-se pela baixa oferta de moeda em relação à oferta de bens e 
serviços ou pela queda na demanda agregada (associada, por exemplo, a um 
maior índice de poupança). Esse excesso de oferta de bens — ou carência 
de demanda — aumenta o índice de capacidade ociosa na economia e 
causa um acirramento da concorrência entre os produtos, que disputam 
os poucos consumidores disponíveis, o que leva a uma rápida queda nos 
preços. Cai o investimento e, consequentemente, há queda no produto real 
e aumento no desemprego.
Analisando a tabela anterior, verifica-se que o índice de AH da receita operacional líquida (ROL) de 
2017 para 2018 foi:
2018
2017
ROL 735.80
(100) (100) 98.95%
ROL 743.60
= =
A receita operacional líquida para a empresa Sensação diminuiu 1,05% de 2017 para 2018, admitindo-se 
a inexistência da inflação.
Se, eventualmente, a inflação foi de 5% do primeiro para o segundo ano, precisamos deflacionar 
esse último, para poder compará-lo com 2017:
2018
2017
735.80
ROL 700.7621,05
(100) (100) (100) 94,24
ROL 743.60 743.60
 
  
= = =
Considerando uma inflação entre os dois períodos em torno de 5%, a receita operacional líquida 
diminuiu 5,76% entre os dois anos analisados.
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56
Unidade I
Assim, com a AH, é possível acompanhar, por exemplo, o crescimento (ou a diminuição) das vendas 
ou mesmo de outras receitas e despesas entre os períodos de análise, em função de aspectos como:
•	 Aumento (ou diminuição) do ritmo de crescimento econômico em que a empresa executa 
suas atividades.
•	 Variação (positiva ou negativa) de seus principais concorrentes.
•	 Efeitos provocados pela mudança de indicadores macroeconômicos, como inflação ou dólar.
•	 Aumento (ou diminuição) das taxas de juros, recebidas ou pagas em operações financeiras.
2.7 Atribuição de pesos para os índices
A atribuição de um peso, para que se possa realizar uma análise comparativa entre cada um 
dos índices estudados, permitirá uma melhor avaliação de seus resultados, melhorando os níveis de 
decisões pela empresa.
Evidentemente, a designação desses pesos relativos para os índices depende de conhecimento 
agudo da situação financeira e econômica da empresa. É importante para considerar o impacto de 
determinados índices, mas definindo seu peso na composição da análise final da instituição.
2.8 Limitações dos índices financeiros e das informações contábeis
De acordo com Carmona (2009, p. 44):
Um índice financeiro é uma representação simplificada e reducionista 
da situação financeira de uma empresa. Mesmo considerando um elenco 
significativo de indicadores financeiros, as avaliações e julgamentos 
elaborados a partir deles estão sujeitos a erros.
Devemos, pois, ter em mente o fato de que uma análise com base em índices contábeis deve ser 
completada por outras informações sobre o desempenho e as perspectivas de atuação da empresa e de 
seus administradores.
Além do que já foi salientado, relacionado com o fato de se tratar de informações passadas, entre os 
fatores que conduzem às imprecisões dos índices, podem ser citados:
•	 Diferentes estruturas operacionais e organizações das empresas.
•	 Possível tendência à obtenção de índices superiores aos que se verificam, em média, no respectivo 
setor de atividades.
•	 Ocorrência de períodos inflacionários ou sazonais.
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FINANÇAS CORPORATIVAS - AVALIAÇÃO DE VIABILIDADE DE PROJETOS
•	 Diferentes procedimentos para a elaboração dos demonstrativos contábeis das empresas.
•	 Atuação da empresa em diversos setores de atividade econômica.
•	 Dificuldade de estabelecer padrões referenciais para que se possa julgar, com mais precisão, os 
respectivos índices financeiros.
Silva (2012, p. 37) comenta:
[...] mesmo os dados contábeis tratados de acordo com as técnicas contábeis 
podem não retratar, com fidelidade, a real situação da empresa, quanto 
ao efetivo valor dos ativos, passivos, receitas, custos e despesas. Apesar da 
utilidade e importância das informações de origem contábil, precisamos ter 
consciência de que os Princípios Fundamentais de Contabilidade não são 
suficientemente fortes para tornar a contabilidade uma disciplina precisa 
segundo nosso desejo.
2.9 EBITDA, NOPAT e EVA
Ross et al. (2013) apud Carmona (2009, p. 45) consideram que “não há uma regra que seja útil para 
a identificação do elenco de indicadores a serem analisados e que sirvam para o estabelecimento de 
padrões para a análise e as comparações de empresas”.
Mencionamos, também, três outros importantes indicadores financeiros:
•	 EBITDA.
•	 NOPAT.
•	 EVA.
2.9.1 EBITDA
EBITDA é um acrônimo da expressão em inglês Earning Before Interest, Taxes, Depreciation and 
Amortization. Usa-se como substituto, em português, o termo LAJIDA, representando lucros antes de 
juros, impostos, depreciação e amortização.
Esse indicador é muito utilizado pelos estudiosos da situação da empresa e é extraído das informações 
constantes do DRE.
O indicador, padronizado por instrução da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), permite que se 
conheça, de forma mais confiável, a performance operacional da empresa e, naturalmente, a comparação 
de seus resultados com outras empresas do mesmo setor de atividades.
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Unidade I
A partir do lucro operacional da empresa, isto é, do que é gerado em decorrência da receita 
operacional líquida, deduz-se todos os custos e despesas, como administrativas, comerciais, 
operacionais e financeiras.
Assim:
Lucro operacional líquido = receita operacional líquida - (custos dos produtos vendidos + 
despesas operacionais)
Para o cálculo do EBITDA, é necessário somar (reverter) ao lucro operacional valores referentes à 
amortização e depreciação, inclusas nos custos e nas despesas operacionais.
 Observação
A depreciação quantifica a perda produtiva de um determinado 
equipamento por ação do tempo ou desgaste. Esse é o valor referente à 
própria produção e ao desempenho operacional e não representa um 
desembolso financeiro efetivo no período.
Assim:
EBITDA = lucro operacional antes do imposto de renda e receitas/
despesas financeiras + depreciação + amortização
2.9.2 NOPAT
O indicador NOPAT (Net Operating After Taxes, em inglês, ou lucro operacional depois dos impostos) 
leva em conta o impacto representado pelo desgaste do imobilizado da empresa e o imposto incidente 
sobre o resultado operacional do período.
Esse indicador ainda não considera os custos de obtenção de capitais (próprios ou de terceiros), o 
que é propiciado pela EVA.
2.9.3 EVA
Estudaremos de forma mais detalhada este indicador e o MVA ao final do livro-texto.
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59
FINANÇAS CORPORATIVAS - AVALIAÇÃO DE VIABILIDADE DE PROJETOS
 Resumo
Iniciamos o livro-texto com a discussão dos conceitos financeiros básicos 
aplicáveis à análise das empresas, a partir da abrangência da administração 
financeira e do tratamento das informações contábeis e não contábeis.
Procuramos identificar o foco da função financeira da empresa, que 
pode ser entendida, de forma geral, como alcançar a combinação de 
ativos e de passivos que melhor determina as escolhas de alternativas 
deinvestimentos que podem ser realizadas pela empresa. Abordamos 
as decisões financeiras fundamentais, relacionadas com investimentos, 
financiamentos, planejamento e controle financeiro.
Depois, apresentamos os três principais demonstrativos contábeis, 
extensamente adotados para a análise financeira e o próprio gerenciamento 
da empresa: balanço patrimonial (BP), demonstrativo dos resultados do 
exercício (DRE) e demonstrativo de fluxo de caixa (DFC).
Do lado esquerdo de quem olha frontalmente o BP, observam-se os 
ativos (bens e direitos), ficando os passivos (compromissos e dívidas) 
no lado direito.
O exame do DRE permite que se acompanhe, a partir das receitas 
operacionais brutas decorrentes das vendas dos produtos e serviços 
da empresa, como foram obtidos os lucros (ou gerados os prejuízos) do 
período em análise, fazendo-se a subtração das despesas tanto operacionais 
quanto financeiras.
Em seguida, apresentamos os diferentes índices, obtidos pelo confronto 
dos valores inscritos nos relatórios contábeis (notadamente, no BP e no 
DRE), e as ferramentas de análise vertical (AV) e análise horizontal (AH), 
que estudam as condições e expectativas de liquidez, endividamento, 
rentabilidade, atividade etc. da empresa em análise.
Esses índices são fundamentalmente calculados com base em 
quocientes (razões) entre os valores, em cada período, visualizados nesses 
demonstrativos contábeis.
De forma a tornar mais fácil o entendimento do assunto e demonstrar 
como são calculados os índices, servimo-nos de dois exemplos de BP e de 
DRE para a empresa Sensação. Com isso, foi possível calcular os resultados 
desses indicadores utilizando os valores dessa empresa-exemplo.
60
Unidade I
Você concorda que os índices que apresentamos e exemplificamos 
não esgotam esse tipo de apuração e confronto de resultados? Pense 
em empresas que tenham funções específicas que as destacam com 
relação a outras. Neste livro-texto, procuramos mostrar aqueles que são 
mais utilizados na prática das empresas, independentemente do setor de 
atividade em que atuam.
Evidentemente, é bem possível que o examinador/analista possa 
recorrer a índices mais específicos, ou mesmo criar outros, para melhor 
compreender os resultados e projetar as expectativas para a empresa.
Prosseguindo, vimos os indicadores de AV, que comparam as 
representatividades, em percentagem, de cada conta com o grupo de 
contas a que estão subordinadas.
Seguimos para o estudo dos valores de AH, tanto do BP quanto do DRE, 
novamente calculando exemplos com os valores dos demonstrativos da 
empresa Sensação. Essa análise revela as variações dos anos analisados em 
relação a um denominado base.
Encerramos a unidade apresentando os indicadores EBITDA e de geração 
de valor (como é o caso do indicador EVA).
Ressaltamos um ponto importante a ser analisado quando se verificam 
os números calculados com o apoio da AH, que é a perda (ou o aumento) 
do poder aquisitivo da moeda entre os períodos em análise, de forma a não 
distorcer os resultados.
Não é apenas a inflação (ou a deflação) que precisa ser observada 
sempre que trabalhamos com valores ao longo do tempo. Afinal, qualquer 
valor, hoje, será maior do que se contarmos com ele no futuro.
 Exercícios
Questão 1. Em 2018, as ações de uma determinada empresa de capital aberto tiveram o preço 
médio de R$ 52,40 (cinquenta e dois reais e quarenta centavos), valor 10% menor que o visto em 2019. 
O lucro da corporação manteve-se constante em R$ 56.000,00 (cinquenta e seis mil reais) em ambos os 
anos. A partir dos dados fornecidos, o índice de preço/lucro (IPL) de 2019 foi igual a:
A) 0,001.
B) 0,010.
61
FINANÇAS CORPORATIVAS - AVALIAÇÃO DE VIABILIDADE DE PROJETOS
C) 10,01.
D) 0,100.
E) 0,800.
Resposta correta: alternativa A.
Análise das alternativas
A) Alternativa correta.
Justificativa: o acréscimo de 10% no preço médio da ação para 2019 leva o indicador (p) para R$ 58,22, 
cuja divisão pelo lucro de R$ 56.000 é igual a 0,001.
B) Alternativa incorreta.
Justificativa: este valor é dez vezes maior que o correto para a conta proposta.
C) Alternativa incorreta.
Justificativa: para que o valor da alternativa c estivesse correto, seria necessário que o lucro anual 
da empresa fosse de aproximadamente R$ 5,60.
D) Alternativa incorreta.
Justificativa: para que o valor da alternativa c estivesse correto, seria necessário que o lucro anual 
da empresa fosse de aproximadamente R$ 560,00.
E) Alternativa incorreta.
Justificativa: este valor é mais de 768 vezes maior que o correto da questão.
Questão 2. “[...] em geral, os analistas preferem essa medida [ebitda] ao invés da margem operacional, 
pois ela exclui despesas financeiras e depreciação. O EBITDA (Earnings before Interest, Taxes, Depreciation 
and Amortization) é a expressão em inglês para lucro antes dos impostos, depreciação e amortização. 
Esse indicador é visto como uma aproximação do impacto das vendas no caixa da empresa, de forma 
que a margem EBITDA fornece uma ideia de retorno em termos de dinheiro em caixa (Fórmula 2). Além 
disso, é um número muito valorizado pelo mercado na avaliação de uma empresa, porque espelha o 
desempenho da instituição levando em consideração somente os ganhos gerados por sua atividade 
principal (Cavalcante & Associados, 2014)”
Disponível em: https://bit.ly/3ctKQ0p. Acesso em: 4 mar. 2020.
62
Unidade I
Quando o mercado precisa de uma análise acerca dos resultados após a inclusão das taxas e impostos, 
um dos indicadores a ser usado pode ser:
A) EBITDA ajustado.
B) NOPAT.
C) EBITDA.
D) PMPC.
E) Índice preço/lucro.
Resposta correta: alternativa B.
Análise das alternativas
A) Alternativa incorreta.
Justificativa: tal como o EBITDA, o indicador ajustado não incorpora os custos com impostos 
nas suas análises.
B) Alternativa correta.
Justificativa: o NOPAT (Net operating profit after taxes) avalia o lucro operacional da empresa, 
indicador que envolve a majoração dos números pelos impostos.
C) Alternativa incorreta.
Justificativa: o EBITDA é o equivalente a lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização, 
portanto, não é correto que seja utilizado para avaliar os dados após a inclusão dos tributos.
D) Alternativa incorreta.
Justificativa: o prazo médio para pagamento de compras (PMPC) envolve o cálculo do prazo de 
pagamento dos insumos e produtos adquiridos pela empresa.
E) Alternativa incorreta.
Justificativa: o índice preço lucro (P/L) envolve a análise de outras questões que não estão ligadas à 
inclusão ou não dos desembolsos com tributos.45
2.4.4 Prazo médio de recebimento de vendas ....................................................................................... 45
2.4.5 Prazo médio de pagamento de compras....................................................................................... 46
2.4.6 Prazo médio de renovação de estoques ........................................................................................ 46
2.5 Índices de valor de mercado ............................................................................................................ 47
2.5.1 Índice preço/lucro ................................................................................................................................... 48
2.5.2 Índice valor de mercado/valor de livro .......................................................................................... 48
2.6 Análises: vertical e horizontal ......................................................................................................... 49
2.6.1 Análise vertical ......................................................................................................................................... 50
2.6.2 Análise horizontal ................................................................................................................................... 53
2.7 Atribuição de pesos para os índices .............................................................................................. 56
2.8 Limitações dos índices financeiros e das informações contábeis .................................... 56
2.9 EBITDA, NOPAT e EVA.......................................................................................................................... 57
2.9.1 EBITDA ......................................................................................................................................................... 57
2.9.2 NOPAT .......................................................................................................................................................... 58
2.9.3 EVA ................................................................................................................................................................ 58
Unidade II
3 ADMINISTRAÇÃO DE CAIXA E DE VALORES DE CURTO PRAZO .................................................... 63
3.1 O valor do dinheiro no tempo ......................................................................................................... 65
3.2 Planejamento de caixa ....................................................................................................................... 68
3.2.1 Política financeira ................................................................................................................................... 69
3.2.2 Ciclos operacionais e financeiros ..................................................................................................... 70
3.2.3 Orçamento de caixa ............................................................................................................................... 73
3.3 Controle do saldo de caixa ............................................................................................................... 74
3.4 Manutenção de um saldo mínimo de caixa .............................................................................. 74
3.5 Elaboração do DFC ............................................................................................................................... 76
3.6 Construção do diagrama do fluxo de caixa ............................................................................... 78
3.7 Análises de outros valores de curto prazo ................................................................................. 81
3.7.1 Contas a receber de clientes .............................................................................................................. 81
3.7.2 Manutenção e controle de estoques .............................................................................................. 84
3.7.3 Contas a pagar ......................................................................................................................................... 88
4 CUSTOS E ESTRUTURAS OPERACIONAIS ................................................................................................ 89
4.1 Custos suportados pela empresa ................................................................................................... 89
4.2 Custos fixos ............................................................................................................................................. 90
4.3 Custos variáveis..................................................................................................................................... 91
4.4 Custos semifixos ................................................................................................................................... 92
4.5 Custos diretos e indiretos ................................................................................................................. 92
4.6 Margem de contribuição (MC) ........................................................................................................ 93
4.7 Ponto de equilíbrio (PE) ..................................................................................................................... 95
4.8 Alavancagens ......................................................................................................................................... 98
4.8.1 Alavancagem operacional ................................................................................................................... 99
4.8.2 Alavancagem financeira .....................................................................................................................102
4.8.3 Alavancagem total ou combinada .................................................................................................105
Unidade III
5 AVALIAÇÃO DE PROJETOS E INVESTIMENTOS .................................................................................... 112
5.1 Métodos de avaliação por períodos de payback ................................................................... 113
5.2 Método da taxa interna de retorno (TIR) ................................................................................. 115
5.3 Método do valor presente líquido (VPL) ou Net Present Value (NPV) .......................... 119
5.4 Método índice de valor atual (IVA) .............................................................................................124
5.5 Divergências de resultados na aplicação de diferentes métodos ...................................125
5.6 Taxa interna de retorno modificada (TIRM) .............................................................................125
5.7 Metodologia das opções reais .......................................................................................................126
6 ESTRUTURAS E CUSTOS DE CAPITAIS ....................................................................................................128
6.1 Orçamento de capital .......................................................................................................................128
6.2 Taxas de juros e orçamento de capital ......................................................................................129
6.3 Capital próprio x capital de terceiros .........................................................................................130
6.4 Estrutura de capital da empresa ..................................................................................................132
6.5 Estrutura ótima de capital ..............................................................................................................133
6.6 Mensuração do custo do capital ..................................................................................................133
6.6.1 Importância de medir o custeio do capitalutilizado pela empresa ................................ 134
6.7 Custo do capital próprio ..................................................................................................................135
6.7.1 Modelo de precificação de ativos de capital (CAPM) ............................................................ 135
6.7.2 Security market line .............................................................................................................................141
6.7.3 Modelo APT .............................................................................................................................................141
6.7.4 Custo de capital com base no lançamento de ações preferenciais ................................ 142
6.7.5 Custo de capital com base no lançamento de ações ordinárias ...................................... 143
6.7.6 Lucros retidos ........................................................................................................................................ 144
6.8 Custo do capital de terceiros .........................................................................................................145
6.8.1 Custo de capital com base na colocação de debêntures no mercado ........................... 146
6.8.2 Custo de capital com base na obtenção de empréstimos e financiamentos 
no mercado ....................................................................................................................................................... 147
6.9 Custo médio ponderado de capital (CMPC) ou 
Weighted Average Cost Of Capital (WACC) ....................................................................................149
6.10 Escolha dos pesos dos elementos de capital ........................................................................150
6.11 Questões relacionadas com gestão e custo de capital .....................................................152
6.12 Ajustes do custo de capital em função de riscos diferenciados dos projetos ........155
Unidade IV
7 RISCOS E RETORNOS....................................................................................................................................161
7.1 Retorno de investimentos e de ativos .......................................................................................163
7.2 Riscos de investimentos ..................................................................................................................165
7.3 Riscos medidos com o uso de estatística .................................................................................168
7.4 Tipos de riscos financeiros ..............................................................................................................170
7.4.1 Riscos de crédito .................................................................................................................................. 172
7.4.2 Riscos operacionais ............................................................................................................................. 173
7.4.3 Riscos cambiais ..................................................................................................................................... 173
7.4.4 Riscos de taxas de juros .................................................................................................................... 173
7.4.5 Riscos de financiamentos ................................................................................................................. 174
7.5 Comportamentos em relação a riscos .......................................................................................174
7.6 Diversificação dos investimentos .................................................................................................175
7.7 Riscos x incertezas .............................................................................................................................176
8 TÓPICOS COMPLEMENTARES ...................................................................................................................178
8.1 Market Valeu Added (MVA) ............................................................................................................178
8.2 Economic Value Added (EVA) ........................................................................................................179
8.3 Mercados financeiros ........................................................................................................................182
8.3.1 Subsistema normativo ....................................................................................................................... 183
8.3.2 Subsistema operativo ......................................................................................................................... 186
8.3.3 Divisão dos mercados financeiros ................................................................................................. 187
8.3.4 Mercados futuros e de derivativos ............................................................................................... 189
8.4 Políticas de distribuição de dividendos .....................................................................................191
8.5 Objetivos e práticas de responsabilidade social nas empresas ........................................193
8.6 A teoria de agência ............................................................................................................................195
8.7 Escolha do regime tributário aplicado à empresa ................................................................197
8.8 Obtenção de capital mediante IPO .............................................................................................198
8.9 Repasses governamentais ...............................................................................................................200
8.10 Análise de ativos intangíveis e Goodwill ................................................................................201
8.11 Projetos incentivados .....................................................................................................................203
8.12 Captações no exterior ....................................................................................................................204
9
APRESENTAÇÃO
Olá, aluno(a)!
Nesta disciplina, vamos tratar de finanças e, mais especificamente, dos recursos financeiros, obtidos 
e gerados pelas empresas, independentemente de seu porte e ramo de atividades. O livro-texto irá 
mostrar o status e a evolução das finanças das empresas, considerando os aspectos conjunturais e 
estruturais da economia como um todo e as melhores práticas e procedimentos das organizações no 
âmbito financeiro.
Sabemos que é muito importante o conhecimento de finanças por todos, principalmente aqueles 
que estão envolvidos com a análise e as decisões relacionadas às empresas e organizações em geral, 
sejam as que objetivam lucros em suas atividades, sejam outras voltadas, por exemplo, a interesses 
comunitários. É certo também que tais conhecimentos são muito úteis para o desempenho financeiro 
do próprio indivíduo.
Segundo Brigham e Ehrhardt (2016, p. IX): “Finanças são, no sentido real, o pilar do sistema de 
gestão empresarial livre. Uma boa administração financeira tem, portanto, vital importância para a 
saúde econômica das empresas, da nação e do mundo”.
A área de finanças corporativas, mais especificamente, estuda as aplicações da administração 
financeira nas empresas, independentemente do ramo e mercado em que atuam, e cujo objetivo 
fundamental é maximizar os seus resultados e a renda dos proprietários, sócios ou acionistas.
Este estudo acompanha as empresas desde a mais tenra idade e prossegue em toda a sua existência. 
Aqueles que vão iniciar um negócio novo, que vão empreender, procurando trazer produtos e soluções 
novas para a coletividade, já têm, naturalmente, uma preocupação fundamental com o assunto de finanças, 
além de considerar a necessidadede obtenção de capital para transformar seus objetivos em realidade.
Em muitas ocasiões, esses empreendedores necessitam de reforço de capital e recursos financeiros 
para esse desenvolvimento e, por isso, precisam obtê-los junto aos mercados financeiros (instituições 
privadas e públicas), necessitam convencer aquele que dispõe de recursos a aplicar em seu negócio.
O empreendedor, portanto, deve conhecer o melhor possível as diferentes possibilidades de vender 
e acompanhar os negócios que propõe. Afinal, o projeto de uma nova empresa, ainda que startup 
(aquela que está iniciando suas atividades, visando implementar um plano de negócios), precisa revelar 
também a sua sustentabilidade em termos econômico-financeiros, com o objetivo de atrair capitais 
e recursos financeiros para os seus investimentos, e não somente na fase de lançamento/inicial. Para 
quem dispõe desses recursos, vale a pena aplicá-los nessa nova empresa?
Assim, esta disciplina se presta ao estudo das questões financeiras de modo geral, procurando 
mostrar técnicas e processos capazes de permitir análises mais acuradas sobre a empresa e, também, 
sobre a riqueza dos indivíduos que nela estão interessados.
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Os objetivos financeiros também são, obviamente, responsáveis por boa parte do que denominamos 
“preocupações com a sustentabilidade”, mas a empresa deve, além disso, procurar atender a outros 
aspectos relacionados aos objetivos sociais, cada vez mais valorizados em termos éticos, sociais, de 
proteção ao meio-ambiente etc.
De fato, não é possível conceber a sustentabilidade de forma restrita. Acima de tudo, uma empresa 
sustentável é criada para não “morrer”, ultrapassando o tempo de vida dos seus fundadores.
Se, por um lado, é necessário que a empresa procure sempre maximizar o lucro para os proprietários, 
acionistas, sócios, por outro, deve considerar o fato de que está inserida numa comunidade da qual é 
membro muito destacado; além de estar cada vez mais imersa num universo globalizado.
Assim, nesse mundo de intensas transformações tecnológicas e comportamentais, a empresa deve 
estar em condições de enfrentar cada vez mais os desafios que se lhe apresentam. Por isso, seja como 
empreendedor, seja como empresário, seja como investidor, as informações sobre as quais iremos nos 
debruçar são de grande significado.
Vê-se, então, em nível global, um forte direcionamento para a inclusão de assuntos ligados às 
finanças desde o início das atividades escolares, partindo do grau Fundamental ao Médio.
O que se espera é criar uma cultura e aumentar o conjunto de conhecimentos sobre o assunto, 
notadamente num período de mudanças na orientação econômica dos governos, procurando uma 
moeda mais estável, que permita à sociedade fugir do “fantasma” da inflação e demandando que 
cada indivíduo possa experimentar opções de aumento de rentabilidade do seu capital, mas sempre 
preocupado com o risco que corre nas operações do mercado. E, aqui, estamos tratando tanto das 
pessoas físicas quanto das empresas.
Note que, além da área de finanças propriamente dita, esta disciplina traz e estimula a consulta de 
conceitos e informações relacionadas com outras disciplinas correlatas, como administração, economia, 
contabilidade, matemática financeira, estatística etc. É esse tipo de abrangência e de inter-relação que 
torna o assunto mais desafiador – basta ver que, nas livrarias e bibliotecas, encontramos compêndios 
muito volumosos sobre o tema, destacando-se entre as várias áreas do conhecimento profissional.
Procuramos priorizar neste livro-texto o tratamento dos conceitos e as informações financeiras com 
base na realidade brasileira, seguindo o esforço de novos autores que pensam o assunto. Claramente, 
há especificidades no Brasil em comparação a outras nações, ditadas pela nossa história, nossa situação 
econômica, nossa cultura, nosso relacionamento com o exterior etc.
Convido-o, portanto, a uma leitura atenta do texto, com a certeza de que lhe será muito útil, 
não só para os fins específicos da disciplina e do curso que frequenta, mas para toda a sua vida 
profissional e pessoal.
Bons estudos!
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INTRODUÇÃO
Bem, iniciemos nossa caminhada!
Verifiquemos, de início, os conceitos, métodos e processos que permitem o estudo e a análise 
financeira das organizações, mais especificamente das empresas. Vamos partir dos critérios mais usuais 
e fortemente apoiados nas informações oferecidas pelos registros contábeis, até outros mais especializados, 
que levam em conta a evolução dos estudos sobre finanças.
Abordaremos os conceitos financeiros básicos aplicáveis às empresas, iniciando com a abrangência 
da administração financeira e das informações providas pelos registros contábeis, que são geradas pelos 
principais demonstrativos, destacando-se o balanço patrimonial, o demonstrativo dos resultados do 
exercício e o demonstrativo de fluxo de caixa.
Trataremos também das informações que são obtidas externamente aos controles/registros contábeis. 
O ponto de partida será o balanço patrimonial, que a maioria dos analistas considera como o mais 
importante e destacado relatório produzido pela contabilização dos eventos na empresa.
Uma visão bastante geral do conteúdo de um BP permite que comecemos a entender, por exemplo, 
quais as distinções básicas entre investimentos e financiamentos. Mas, antes de tudo, o que é a função 
financeira da empresa?
Intuitivamente, é possível entendê-la como o tratamento, através dos ativos e passivos, de qual é a 
melhor combinação entre a origem dos recursos (próprios ou de terceiros) com as várias alternativas e 
sua utilização nos variados tipos de investimentos ou projetos que podem ser realizados pela empresa.
Abordaremos as decisões financeiras fundamentais, relacionadas com investimento, financiamento, 
planejamento e controle financeiro. Em seguida, procuraremos mostrar diferentes métodos e índices, 
obtidos pelo confronto dos valores incluídos no BP e nos demais relatórios e posições contábeis, 
que revelam as condições e expectativas de liquidez, endividamento, rentabilidade, atividade etc. da 
empresa em análise.
Mais adiante, abordaremos as questões financeiras relacionadas fundamentalmente com a 
administração de caixa – ou, como se diz mais genericamente, elementos de caixa – e outros valores 
que compõem os denominados circulantes da empresa, tanto do ativo quanto do passivo. De pronto, 
procuraremos expor a importância de compreender e praticar a variação do dinheiro no tempo, a adoção 
de medidas de controle de caixa e a elaboração de diagramas que revelam os fluxos de entrada e de 
saída de recursos financeiros na companhia.
Há valores que, embora não estejam totalmente disponíveis em caixa – que é o caso do próprio 
dinheiro vivo, existente nos cofres da empresa ou depositados em contas correntes ou contas de rápida 
movimentação, em bancos e outras instituições financeiras –, são também passíveis de afetar a liquidez 
da empresa, como é o caso do que é mantido em estoques e em contas a receber, em função de créditos 
concedidos ou prazos oferecidos para pagamentos pelos clientes.
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O outro lado da moeda é também importante, como aquilo que recebemos de adiantamento 
dos nossos fornecedores e valores que já tenham sido comprometidos para pagamento de salários 
e recolhimento de tributos às entidades governamentais que, entre outros, fazem parte do passivo 
(dívidas e obrigações) de curto e médio prazos.
A análise dos valores classificados como circulantes propicia um melhor conhecimento das condições 
de liquidez de uma empresa. A liquidez é tão importante quanto a rentabilidade. Evidentemente, há 
instituições que demandam maior ou menor liquidez, dadas as suas características operacionais.
Sem dúvida, uma empresa que atua mais no curto prazo, no geral, tem mais necessidades de caixa 
(e liquidez) para cumprir com suas obrigações e saldar suas dívidas. E é claro que uma empresa precisa 
ser rentável, ainda que, em determinados momentos, mais difíceis, inclusivegerados por fatores externos 
a ela, possa não apresentar uma performance mais condizente com o que se planeja. No entanto, na 
maioria das vezes, é necessário que os seus resultados (das suas operações) remunerem, como veremos, 
os capitais que utilizou, seja de seus donos, sócios, acionistas ou mesmo de terceiros.
Depois, iremos analisar os diferentes tipos de custo e as possibilidades de alavancagem dos 
resultados positivos (lucros) ou negativos (prejuízos) da empresa, tanto operacionais quanto financeiros, 
relacionando as margens de contribuição de produtos com os resultados obtidos no período.
Nesse momento, trataremos das diferentes possibilidades de alavancagem dos lucros (operacional, 
financeiro e combinado/total), partindo da margem de contribuição obtida com as vendas líquidas 
(receitas menos despesas) dos produtos e considerando a existência de custos fixos e de despesas com 
juros das operações de empréstimo e financiamento para a obtenção de capitais de terceiros junto a 
bancos e demais agentes dos mercados financeiros.
Traremos ao nosso estudo os métodos e as técnicas de análises financeiras, considerando o estudo 
das oportunidades de investimento e financiamento de recursos para a empresa. Nossa preocupação é 
com os métodos quantitativos de avaliação dos investimentos, como payback, TIR e VPL.
Custos e estruturas de capitais (ou seja, do mix entre a aplicação do capital próprio e de terceiros) 
serão também um assunto a ser tratado. Afinal, quais capitais devem suportar as operações e os 
investimentos feitos pela empresa? Os que são aportados pelos sócios ou acionistas ou aqueles que são 
obtidos junto ao mercado, como em transações com bancos e instituições financeiras?
Explicitaremos os variados tipos de custos e riscos, comparando-os com as possibilidades de retorno 
(remuneração) do capital empregado (próprio e de terceiros). Chegaremos ao custo médio de capital da 
empresa, que é a base para a avaliação dos fluxos trazidos por investimentos.
Veremos a visão da gestão financeira fundamentada em criação de valor, com ênfase na adoção do 
indicador EVA – método que vem se tornando mais frequente e que mede o lucro econômico esperado 
em um novo negócio ou propicia a comparação de empresas ou negócios para possíveis investimentos.
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Apresentaremos, ainda que de forma sintética, as instituições e os produtos e serviços oferecidos 
pelos sistemas e mercados financeiros, cujo conhecimento é fundamental tanto para o administrador 
financeiro quanto para o empreendedor, empenhados em iniciar, com sucesso, as operações de sua 
empresa. A corporação precisa conhecê-los, por ser uma importante fonte de captação de recursos 
financeiros de terceiros, mas também próprios, como veremos mais detalhadamente.
Encerraremos este livro-texto tratando de outros aspectos que complementam os estudos 
financeiros e que levam em consideração outros objetivos da empresa. Tais assuntos têm recebido cada 
vez mais destaque das corporações e da sociedade em geral, agrupados sob os conceitos de governança 
corporativa: responsabilidade social, sustentabilidade, proteção do meio ambiente e outros.
Temos a certeza de que você terá em mãos um texto que lhe permitirá compreender de forma 
mais completa o extenso mundo financeiro e suas influências para as empresas. Indicaremos algumas 
leituras ao longo deste livro-texto, que irão proporcionar muitos convites ao incremento dessa pesquisa. 
É importante considerar a enorme interação desta disciplina com outras, como economia, ciências 
contábeis e administração geral.
Como mencionado na apresentação, para o empreendedor e para o investidor (que oferece os 
capitais/recursos financeiros), é questão de sobrevivência obter desenvoltura para o tratamento das 
questões financeiras. Muitas novas organizações, apesar de contarem com excelentes produtos e 
serem inovadoras, atendendo a novas necessidades dos usuários, acabam falhando, correndo o risco de 
encerrar suas atividades em função de seus inadequados controles e processos internos, notadamente 
os de cunho financeiro.
Para o empreendedor, é necessário apresentar e defender o seu projeto, demonstrando aos potenciais 
investidores a oportunidade de participar ou mesmo auxiliar no financiamento de seus recursos para o 
desenvolvimento do seu negócio.
Como indica o Sebrae:
O capital empreendedor, também conhecido como capital ou investimento 
de risco, é uma das formas de captar recursos para realizar os planos e 
projetos de longo prazo do seu negócio. Nessa forma de financiamento, um 
investidor – chamado de investidor de risco – aporta recursos no negócio em 
troca de participação societária, geralmente minoritária, de uma empresa de 
capital fechado.
Esse aporte pode ocorrer em diversos momentos de um projeto. De negócios 
que estão começando até os mais maduros, que já possuem uma grande 
operação, mas precisam de recursos para continuar crescendo. Investidores 
de risco podem entrar em diversas etapas de desenvolvimento de um 
negócio. Para cada estágio, existe um tipo de investidor com critérios de 
seleção e objetivos específicos (SEBRAE, [s.d.]a).
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A participação do investidor num novo empreendimento está diretamente relacionada às 
oportunidades por este oferecidas, que ele tenderá a comparar com outras alternativas de remuneração 
ou retorno, econômico e financeiro, e, claro, ao atendimento de outros objetivos quanto à sustentabilidade 
de seu aporte de capital.
Vamos, então, iniciar nossa caminhada no fascinante mundo das finanças!
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FINANÇAS CORPORATIVAS - AVALIAÇÃO DE VIABILIDADE DE PROJETOS
Unidade I
1 CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ANÁLISE CONTÁBIL E FINANCEIRA
Iniciamos nosso livro-texto apresentando as definições e os principais conceitos relacionados com a 
análise financeira de empresas.
Apesar de sua referência fundamental ser a empresa, tais conceitos são perfeitamente aplicáveis a 
organizações em geral, inclusive as de fins não lucrativos e independentemente de vínculo com o setor 
privado ou público, sejam estes da administração direta ou indireta.
No texto, porém, como padronização, todas as entidades serão denominadas empresas.
 Observação
É comum a comparação entre a atuação das empresas e dos demais 
agentes vinculados ao lado privado e ao público da economia.
Diz-se, então, que na administração privada tudo pode ser feito, desde 
que não seja contrário à legislação em vigor. Na pública, contudo, somente 
é permitido realizar o que é previsto na legislação.
Neste tópico, abordaremos aspectos fundamentais relacionados a:
•	 Informações disponíveis sobre a empresa.
•	 Uso de dados e valores contidos em relatórios e demonstrativos contábeis.
•	 Entendimento da mudança do valor do dinheiro no tempo.
As empresas e os mercados, de forma geral, têm cada vez mais atuado sob a égide dos processos 
de globalização, que tem afetado de forma muito significativa o porte e as características do sistema 
financeiro nacional.
Nas décadas de 1960 a 1980 (mais precisamente, 1964 a 1985), quando vigorava o regime militar 
no Brasil, foram promulgadas leis fundamentais para a constituição das instituições e a operação dos 
mercados financeiros, com destaque para:
•	 Lei n. 4.595 do Sistema Financeiro Nacional, de 31 de dezembro de 1964.
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Unidade I
•	 Lei n. 4.728 do Mercado de Capitais, de 14 de julho de 1965.
•	 Lei n. 6.404 das Sociedades Anônimas (SA), de 15 dezembro de 1976.
As crises que continuam a afetar empresas e mercados têm trazido, também, uma preocupação 
com a chamada accountability. Apesar de não haver uma tradução final para o termo accountability, é 
possível entendê-lo como um indivíduo ou organização que presta contas de suas atividades, aceita suas 
responsabilidades e disponibiliza as informações de forma transparente. Veremos sobre esse conceito e 
sua relação direta com as preocupações com governança corporativa mais adiante.
Compreender e participar dessas mudanças é crucial paraa nossa própria participação na economia 
e na sociedade e, obviamente, para o nosso sucesso profissional e pessoal.
Ademais, há um certo consenso de que a pujança da economia de um país guarda relação direta 
com o seu sistema financeiro, o que importa a todos, notadamente às empresas e aos empreendedores.
1.1 Abrangência da análise financeira
De forma global, o estudo de finanças em empresas abrange tópicos como:
•	 Análise de investimentos: como são escolhidos os instrumentos para o financiamento das 
carteiras de investimentos e de projetos das organizações.
•	 Finanças empresariais: análise e decisões relacionadas com o status e as perspectivas 
financeiras de uma empresa.
•	 Mercados financeiros e de capitais: estudo sobre as instituições e os tipos de operações e de 
títulos neles transacionados.
Descreve Ribeiro (2016, p. 7):
Podemos dizer que o termo Finanças está relacionado ao processo, às 
instituições, aos mercados e aos instrumentos envolvidos na transferência 
de dinheiro entre pessoas, empresas ou órgãos governamentais. O termo 
Finanças pode ser definido como a “arte/ciência de administrar o dinheiro” 
[...] [surgida no início do século passado, como disciplina autônoma, a 
administração financeira evolui] no final da década de 1950, [iniciando-se] 
um movimento em direção à análise teórica, com enfoque nas decisões 
administrativas em relação à escolha de ativos e passivos, para a maximização 
do valor da empresa [...]. A partir do século XXI, com os avanços no campo da 
tecnologia da informação e comunicação, a maneira como são tomadas as 
decisões financeiras passa por um processo de revolução contínuo. E, com o 
advento da Internet, as empresas passam a estar conectadas umas com as 
outras, a seus clientes e fornecedores em uma rede mundial.
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FINANÇAS CORPORATIVAS - AVALIAÇÃO DE VIABILIDADE DE PROJETOS
As empresas, particularmente, têm nessa administração uma de suas tarefas mais naturais. Nelas, 
emergem a figura do hoje denominado CFO (chief financial officer), que responde pelo controle e pela 
gestão dos recursos financeiros da empresa, tido como executivo essencial para o desenvolvimento 
estratégico empresarial e sua competitividade.
A gestão financeira de uma empresa e, naturalmente, o foco de atuação dos profissionais que com 
ela trabalham são generalizados pelos elementos a seguir (RIBEIRO, 2016):
•	 Obtenção dos recursos nas condições mais favoráveis possíveis.
•	 Alocação eficiente desses recursos na empresa.
As empresas devem, primordialmente, ser vistas analisando-se sua dimensão estratégica, tanto 
em suas operações internas quanto nos relacionamentos externos, cobrindo as necessidades de seus 
diversos stakeholders.
Assaf Neto (2012b, p. 2) define stakeholder como:
[...] todo indivíduo (ou grupo de pessoas) que pode influenciar os objetivos 
de uma empresa, e, também, ser influenciado por suas decisões. Exemplo de 
stakeholders: acionistas (controladores e minoritários), empregados, fornecedores, 
clientes, consumidores.
Os acionistas ou proprietários de uma empresa são os que suprem primariamente os recursos para 
a realização de suas atividades, tendo como objetivo principal obter retorno financeiro compatível com 
o risco que assumem. É importante que a empresa gere riqueza para os seus acionistas e proprietários, 
que sejam competitivos com os outros retornos que o investidor possa obter nos mercados.
A análise financeira é um excelente instrumento para avaliar a situação e as perspectivas dos 
resultados da empresa, visando reduzir a incerteza de quem dela participa, direta ou indiretamente.
As empresas estão inseridas de forma global e crescente no universo em constante mutação, e um 
dos motivos é a expansão das tecnologias da informação e comunicação (TICs).
Participando intensamente de um universo globalizado e apoiado nas TICs, a administração das 
finanças ocupa, cada vez mais, uma posição proeminente entre as tarefas de condução da empresa.
Conhecida também pela sigla TI, a tecnologia da informação pode ser entendida como:
[...] uma área que utiliza a computação como um meio para produzir, 
transmitir, armazenar e usar informações.
Como a tecnologia da informação pode abranger e ser usada em vários 
contextos, a sua definição pode ser bastante complexa e ampla. A tecnologia 
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Nota
Stakeholders são todas as pessoas, grupos ou organizações que têm interesse ou são impactados pelas ações de uma empresa, projeto ou iniciativa
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Unidade I
é usada para fazer o tratamento da informação, auxiliando o utilizador a 
alcançar um determinado objetivo.
As TIs têm evoluído muito com o rápido desenvolvimento da tecnologia, e 
com este desenvolvimento surgem cada vez mais soluções disponibilizadas 
pela informática. A tendência é que a tecnologia da informação seja cada 
vez mais importante na nossa sociedade, onde a informatização de vários 
conteúdos se transformou em uma norma.
A Tecnologia da Informação pode ser dividida de acordo com as 
seguintes áreas:
•	 Hardware e seus componentes;
•	 Software e seus meios;
•	 Sistemas de telecomunicações;
•	 Gestão de informações e de dados. (SIGNIFICADO..., [s.d.]a)
É preciso que cuidemos da nossa realidade e das expectativas de ganhos (ou de perdas) que possam 
ocorrer com nosso patrimônio, seja da empresa, seja dos setores públicos, seja de cada um de nós 
como pessoas físicas. Como mencionamos, finanças é um assunto tão importante que, na atualidade, 
comenta-se muito sobre a intenção de orientar os alunos, desde o próprio ensino inicial, a conhecerem 
o que é o dinheiro e sua influência na sociedade.
Você certamente já deve ter percebido que, entre as decisões financeiras fundamentais, podem 
ser enquadradas:
•	 Determinação dos investimentos a serem realizados em diferentes tipos de ativos, analisando os 
seus retornos, custos e a perspectiva de rentabilidade do negócio.
•	 Oportunidades nas escolhas de fontes de captação de recursos financeiros, seja com seus 
próprios acionistas, sócios, proprietários ou junto a terceiros.
•	 Elaboração do planejamento e orçamento financeiro em consonância com o planejamento 
estratégico, procurando identificar as necessidades de expansão dos negócios.
•	 Controle do desempenho da empresa, confrontando-o com o que foi planejado.
•	 Retenção ou repartição dos resultados favoráveis, ocorridos na empresa em determinado 
ano ou ciclo de atividades, com base na definição de uma política de distribuição de dividendos, 
sempre visando à obtenção de resultados favoráveis nos períodos de operação da empresa.
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FINANÇAS CORPORATIVAS - AVALIAÇÃO DE VIABILIDADE DE PROJETOS
•	 Análise das oportunidades de M&A (mergers and acquisitions), ou seja, fusões e aquisições de 
empresas, e de trabalhos consorciados ou conduzidos em parcerias com outras organizações.
Como vimos, sob a ótica do empreendedor, é cada vez mais importante conhecer e poder analisar o 
capital necessário à abertura do negócio e as expectativas de crescimento da empresa. Enfim, num mundo 
globalizado e com alto nível de financeirização, essas exigênciastornam-se cada vez mais presentes.
Veremos, posteriormente, as opções de financiamento dos investimentos, como:
•	 Venda de participações societárias.
•	 Utilização dos próprios lucros gerados no ciclo de atividades econômicas e financeiras.
•	 Constituição de dívidas pela obtenção de capitais com terceiros (bancos, mercados de crédito e 
de capitais etc.).
Para entendermos como obter as estimativas dos valores a serem retornados pelos investimentos 
concretizados na empresa, serão também abordados os métodos de análise específicos (VPL, TIR etc.).
1.2 Informações sobre a empresa
Atualmente, em qualquer que seja a situação, precisamos conhecer ou criar as informações para 
melhor análise dos fatos e conceitos. Qualquer empresa, para o início e a manutenção de suas atividades, 
utiliza os chamados fatores ou recursos de produção. Os fatores de produção são, genericamente, 
entendidos como:
•	 Trabalho: mão de obra de seus funcionários e prestadores de serviços.
•	 Recursos naturais: uso do solo, rios, instalações etc.
•	 Capital: máquinas e equipamentos (capital físico) ou, ainda, recursos financeiros (capital 
financeiro) e intelectuais.
•	 Capacidade empresarial: ordenação e orientação dos demais recursos produtivos.
•	 Tecnologia: mais recentemente, tem sido destacada como outro fator de produção, aquele que 
tende a melhorar a produtividade dos demais.
Os agentes econômicos organizam-se de forma diversa, notadamente quando constituem uma 
empresa. Assim, uma sociedade empresária é aquela que visa à obtenção de lucro em suas atividades 
econômicas para a produção ou a circulação de bens ou serviços.
São vários os tipos de organização da sociedade, estruturada como societária, distinguindo-se, 
fundamentalmente, por:
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Nota
Os agentes econômicos são os participantes que influenciam e movimentam a economia por meio de suas ações. Eles podem ser pessoas físicas, empresas, instituições financeiras, o governo e até o mercado internacional.
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Unidade I
•	 Sociedade limitada: o capital é dividido em cotas, e a responsabilidade dos sócios no 
empreendimento é limitada ao montante investido pelos sócios ou acionistas.
•	 Sociedade anônima: o capital social é dividido em ações que podem ou não ser transacionadas 
livremente (nos mercados de balcão ou nas bolsas de valores). Os acionistas respondem apenas ao 
preço das ações subscritas ou adquiridas.
Aponta Carmona (2009, p. 17):
Há duas espécies de sociedades anônimas: a companhia aberta ou capital 
aberto, que capta recursos junto ao público e é fiscalizada pela CVM 
(Comissão de Valores Mobiliários), e a companhia fechada, que obtém seus 
recursos dos próprios acionistas.
 Saiba mais
Para obter informações mais detalhadas sobre a organização, atuação e 
responsabilidades das entidades componentes, além dos produtos e serviços 
dos mercados financeiros e de capitais, leia:
ABREU, E.; SILVA, L. Sistema financeiro nacional. São Paulo: Forense, 2017.
Existem outros tipos mais simples de organização societária, como é o caso das empresas ou 
microempresas individuais (com apenas um proprietário), de pequeno porte.
Entre as funções e os produtos desenvolvidos pela empresa, mediante a utilização de fatores de 
produção visando à obtenção dos bens e serviços, é necessário atentar-se para:
•	 A atuação e conduta dos proprietários, administradores e principais concorrentes.
•	 O mercado em que atua o público consumidor de seus produtos e serviços.
•	 Os órgãos e as entidades reguladoras.
•	 O status em tecnologia da informação ou específico das atividades da empresa.
•	 Os planos de investimentos e de financiamentos dos respectivos recursos financeiros.
•	 O status e a evolução do grau de endividamento.
•	 A capacidade instalada para fazer frente às necessidades de produção da empresa.
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FINANÇAS CORPORATIVAS - AVALIAÇÃO DE VIABILIDADE DE PROJETOS
Em síntese, admite-se que o objetivo principal da empresa é a maximização da receita e, mais do que 
isso, do lucro que deve proporcionar aos proprietários, acionistas, sócios etc.
Apesar de seu objetivo básico ser o lucro, há vários outros importantes perseguidos pela empresa, como:
•	 Comprometimento no atendimento às necessidades dos seus clientes e demais stakeholders.
•	 Busca de contínuo aperfeiçoamento tecnológico.
•	 Convivência e competitividade, tendo em vista a pressão exercida pelos concorrentes, em termos, 
por exemplo, de preço e qualidade dos produtos e serviços.
•	 Atendimento aos aspectos de interesses da sociedade com a qual convive.
No âmbito do empreendedorismo, as informações (previsões, por exemplo) devem procurar mostrar 
as vantagens e os benefícios, mas, obviamente, também os riscos de investir na empresa ou mesmo 
financiar as suas atividades.
Menciona Assaf Neto (2012b, p. 14):
[O comportamento da Economia é parte de um ambiente no qual a empresa 
está inserida e as decisões financeiras devem atentar para];
a) Risco econômico (operacional): inerente à própria atividade da empresa 
e as características do mercado em que opera. Esse risco independe da 
forma como a empresa é financiada, restringindo-se, exclusivamente, às 
decisões de investimento. Alguns exemplos: sazonalidade de mercado e 
comportamento cíclico, tecnologia, concorrência, estrutura de custos, 
qualidade dos produtos, variações nas taxas de juros etc.;
b) Risco financeiro: reflete o risco associado às operações de financiamento, 
isto é a capacidade da empresa em liquidar seus compromissos financeiros 
assumidos. Empresas com reduzido nível de endividamento apresentam 
baixo nível de risco financeiro; altos níveis de endividamento, por outro lado, 
ao mesmo tempo em que podem promover maior capacidade de alavancar 
os resultados, denotam maior risco financeiro.
Os estudos, portanto, devem considerar aspectos fortemente inter-relacionados com a economia, 
administração e análise financeira.
Você pode estar se perguntando como podemos conhecer e analisar uma empresa, inclusive 
compará-la com outras que atuem no mesmo ou em diferentes segmentos do mercado.
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Unidade I
Para a análise de qualquer empresa, utilizam-se as informações contábeis, mas também outras de 
cunho operacional e gerencial, para avaliar a situação e as perspectivas de atuação futura.
Por isso, a empresa se preocupa cada vez mais com a constituição de um sistema de informações 
que possa, por exemplo, monitorar e, com isso, garantir o seu desempenho e dos seus administradores 
e integrantes, de forma a subsidiar o processo decisório.
Sim, a contabilidade oferece um extenso leque de informações de uma empresa ou organização. 
Porém, ela não é suficiente. Para a análise de qualquer empresa, utilizam-se, também, as informações 
trazidas pelo conhecimento e pelos resultados de seus processos operacionais e gerenciais. As 
informações precisam ser conhecidas, classificadas e analisadas corretamente, permitindo uma 
adequada avaliação da situação e das perspectivas de atuação e de atingimento dos objetivos e das 
metas planejadas.
O diagrama a seguir apresenta, de forma simplificada, a estrutura de um sistema de informações 
para a empresa.
Contábeis ImprensaNão contábeis
InternaExterna
Outras fontes
Compreendem
Informações
De origem
Compreendem
Figura 1 – Estrutura do sistema de informações da empresa
De forma global, as informações podem ser separadas em internas e externas.
São internas as informações extraídas a partir dos registros e demonstrativos contábeis; expressas, 
portanto, em valores monetários.
No conjunto das informações externas, existem aquelas que são divulgadas por jornais, revistas, 
televisão e internet, e as que podem ser obtidas em visitas e contatos com os stakeholders da 
própria empresa.
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FINANÇAS CORPORATIVAS - AVALIAÇÃO DE VIABILIDADE DE PROJETOS
Argumenta Silva (2012, p. 23):
Por mais completo que possa ser o sistema de informações, sempre haverá 
[aquelas] que influenciam as decisões e que podem não constar de registro 
formal. Por outro lado, em muitas organizações ainda existem líderes 
que não transmitem a seus funcionários informações importantes para a 
realização de suas atividades.
1.3 Demonstrativos e relatórios contábeis
Definido o tipo de estruturação societária, o montante do capital a ser investido e os demais objetivos 
sociais, cabe à empresa desenvolver as suas atividades operacionais.
Comenta Carmona (2009, p. 23):
A análise contábil das empresas é responsável pela geração e interpretação 
de informações relevantes sobre seu patrimônio para dar suporte ao 
processo de tomada de decisão no que se refere ao planejamento e controle, 
considerando sua estrutura, suas variações e sua evolução em função do 
desenvolvimento das operações específicas de seu ramo de atividade.
Evidentemente, as atividades por ela executadas dependerão de seu tipo básico e ramo 
de atuação, como:
•	 Transformação de insumos e matérias-primas em produtos, quando não se tratar de empresa 
comercial (voltada à compra e venda de mercadorias) ou de prestação de serviços (de 
consultoria, técnicos etc.).
•	 Métodos de estocagem de insumos e produtos ou semielaborados.
•	 Pagamentos e recebimentos junto a fornecedores e clientes, respectivamente.
•	 Aplicações e empréstimos junto ao mercado financeiro.
As diversas contas que compõem o patrimônio da empresa podem ser inter-relacionadas, visando 
ao provimento de informações relevantes sobre seu comportamento, tanto para os usuários internos 
quanto externos.
De acordo com Fipecafi (2007) apud Carmona (2009, p. 25), “a estrutura de dados que a contabilidade 
possui é fundamental para que ela atinja seu valor informativo para os diversos usuários”.
Várias demonstrações financeiras podem ser elaboradas a partir das informações contábeis. Figuram 
entre os usuários das informações contábeis:
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Unidade I
•	 Acionistas e proprietários da empresa.
•	 Acionistas potenciais.
•	 Fornecedores de bens e/ou insumos.
•	 Clientes.
•	 Instituições financeiras.
•	 Entidades de governo.
•	 Concorrentes.
•	 Administradores da empresa.
A figura a seguir mostra o diagrama de um sistema de informações contábeis a partir dos eventos 
ocorridos na empresa.
Atividades e 
operações da 
empresa
Sistema de 
informações 
contábeis
Relatórios e 
informações 
gerenciais
Integralização de 
capital
Compra de 
matéria-prima
Produção de bens
Pagamentos a 
fornecedores, 
empregados e 
governos
Vendas dos produtos
Recebimento das 
vendas
Compra de 
equipamentos
Financiamentos de 
ativos permanentes
Diversas outras 
operações
Interpreta
Calcula
Classifica
Registra
Processa
Demonstrações 
financeiras
Dados para imposto 
de renda e outras 
informações fiscais
Relatórios de custos 
de produção
Dados para 
orçamento de 
receitas, despesas, 
custos e empréstimos
Acompanhamento 
de planos e 
investimentos e 
financiamentos
Diversos outros 
relatórios gerenciais
Figura 2 – Sistema de informações contábeis a partir dos eventos ocorridos na empresa
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FINANÇAS CORPORATIVAS - AVALIAÇÃO DE VIABILIDADE DE PROJETOS
Já comentamos que, entre os diversos demonstrativos e relatórios contábeis, destacam-se, para 
efeito de análise financeira da empresa:
•	 Balanço patrimonial (BP).
•	 Demonstrativo dos resultados do exercício (DRE).
•	 Demonstrativo de fluxo de caixa (DFC).
 Saiba mais
Para entender sobre a teoria que suporta, de forma geral, a contabilidade 
de indivíduos, empresas, governo etc. , consulte:
IUDÍCIBUS, S. Análise de balanços. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2009.
Os demonstrativos contábeis permitem identificar a composição do capital empregado na empresa 
(próprio e de terceiros), como veremos posteriormente neste livro-texto.
1.3.1 Balanço patrimonial (BP)
A tabela a seguir apresenta um exemplo, em reais, do BP de uma empresa hipotética.
Tabela 1 – Subgrupos do BP de uma empresa hipotética
Ativo R$ Passivo R$
Circulante 30.000,00 Circulante 15.000,00
Realizável a longo prazo 1.000,00 Exigível a longo prazo 0,00
Permanente 20.000,00 Patrimônio líquido: 36.000,00
		– Capital 32.000,00
		– Lucros acumulados 4.000,00
Total 51.000,00 Total 51.000,00
O BP revela a posição (uma espécie de fotografia) do patrimônio da empresa em determinado 
momento – usualmente, no último dia do respectivo ano ou do ciclo das atividades.
O patrimônio é mensurado pela diminuição, em relação aos seus bens e direitos (ativos), dos 
compromissos e das obrigações (passivo com terceiros), expressos monetariamente.
Ross, Westerfield e Jordan (2010) apud Carmona (2009, p. 27) destacam que “a estrutura das 
informações contábeis é uma maneira conveniente de organizar e resumir o que a empresa possui (seus 
ativos), o que ela deve (seus passivos) e a diferença entre os dois (patrimônio líquido)”.
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Unidade I
O BP possui dois lados: no lado esquerdo, de quem o enxerga frontalmente, estão os ativos; no 
lado direito, os passivos e o capital dos acionistas. Assim, o BP declara o que a empresa possui e como 
ela é financiada.
Como indicado em Ross et al. (2013, p. 22):
A composição dos ativos depende da natureza dos negócios e de como a 
administração escolheu conduzi-los. A administração deve fazer escolhas 
como: caixa ou títulos negociáveis, venda à vista ou venda a crédito, comprar 
ou produzir commodities, alugar ou comprar itens, em quais negócios 
se concentrar etc. No lado dos passivos e do patrimônio líquido, eles são 
listados na ordem típica em que seriam pagos ao longo do tempo.
 Observação
A empresa é neutra em termos de seu patrimônio, dado que tudo o que 
possui, como bens e direitos, é igual ao que deve (passivo com terceiros e 
patrimônio líquido, com sócios e acionistas).
A própria estrutura do BP mostra essa situação à medida que o total 
dos valores inscritos no ativo coincide com os do passivo.
O quadro a seguir mostra a estrutura conceitual/geral de um BP.
Quadro 1 – Estrutura conceitual/geral de um BP
Balanço patrimonial
Ativo circulante Passivo circulante
Ativo não circulante
Passivo não circulante
Patrimônio líquido
Os ativos são formados pelos bens e direitos da empresa. No passivo, estão registrados os relacionados 
com as diversas fontes de recursos obtidos pela empresa, contraindo dívidas com terceiros ou com os 
próprios sócios.
O patrimônio líquido (PL) – isto é, a dívida que a empresa mantém com os próprios sócios, proprietários 
e acionistas – é, então, descrito algebricamente como:
PL = A – P
PL: Patrimônio – Líquido
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FINANÇAS CORPORATIVAS - AVALIAÇÃO DE VIABILIDADE DE PROJETOS
A: Ativo
P: Passivo – com – terceiros
Tanto o ativo quanto o passivo segregam os valores decurto prazo (ou seja, realizáveis ou vencíveis 
até um ano, após a data do BP, denominados circulantes) e os de longo prazo, ou, ainda, de prazo 
indefinido. O que, então, pertence aos sócios e proprietários da empresa?
O PL representa, no BP, o que pertence aos sócios, proprietários, acionistas. É o que resta aos acionistas 
após a empresa ter quitado as suas obrigações.
Resumindo, o ativo mostra onde e como a empresa aplicou os recursos financeiros; e o passivo, de 
onde estes vieram (quais foram suas fontes de captação).
Um exemplo simples, como o revelado na tabela anterior, já permite que se consiga um número 
significativo de informações da empresa que se pretende analisar. Vê-se, por exemplo, que o financiamento 
dos ativos (isto é, dos investimentos, que totalizam 51 mil reais) é feito exclusivamente com capital 
próprio (36 mil reais), não havendo financiamentos de longo prazo. Mas observe que a empresa se vale 
de 15 mil reais (isso é, de capital de terceiros), que é um valor de curto prazo, necessário à cobertura de 
seus compromissos com fornecedores, empregados, governo etc.
1.3.2 Demonstrativo dos resultados do exercício (DRE)
O DRE, outro importante relatório contábil, apresenta como a empresa alcançou o resultado em 
cada ciclo (normalmente, ano) de atividades, finalizando-o com lucro ou prejuízo.
É fácil concordar que o DRE é essencial para a compreensão do desempenho financeiro de uma empresa.
A tabela a seguir mostra um exemplo de DRE, em reais (R$), em um determinado ano, para uma 
empresa hipotética.
Tabela 2 – DRE de uma empresa hipotética
Receita operacional 70.000,00
(-) Custo dos produtos vendidos 30.000,00
= Lucro bruto 40.000,00
(-) Despesas administrativas 10.000,00
(-) Despesas de vendas 5.000,00
(-) Despesas financeiras 0,00
= LAIR (lucro antes do imposto de renda) 25.000,00
(-) Provisão para o imposto de renda 10.000,00
= Lucro líquido 15.000,00
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Unidade I
Esse demonstrativo nos permite de pronto concluir, além do resultado positivo da empresa (lucro) 
no período, que ela foi financiada por recursos próprios. Veja que não houve a incidência de despesas 
financeiras, que denunciam financiamentos junto a terceiros.
1.3.3 Demonstrativo de fluxo de caixa (DFC)
Outro relatório contábil de grande importância para a verificação e a análise da empresa é o DFC, 
que permite o acompanhamento do caixa (liquidez) da empresa, registrando:
•	 Eventos operacionais.
•	 Operações de investimento.
•	 Operações de financiamento de recursos.
O exemplo a seguir apresenta um DFC com as divisões anteriores indicadas.
Tabela 3 – DFC de uma empresa hipotética
Demonstrativo do fluxo de caixa 20x2 (R$ mil)
Lucro líquido/prejuízo 25.350,00
(+) Depreciação do imobilizado 10.500,00
(+) Amortização do diferido 650
(+/-) Variação dos ativos e passivos circulantes operacionais
 (+/-) Variação das duplicatas a receber (-5.000,00)
 (+/-) Variação dos estoques -28.500,00
 (+/-) Variação das duplicatas a pagar 3.800,00
 (+/-) Variação de outros passivos circulantes operacionais 8.200,00
Fluxo de caixa das operações (1) 15.000,00
 (-) Investimento em ativo imobilizado 28.850,00
Fluxo de caixa dos investimentos (2) 28.850,00
 (+/-) Variação do passivo circulante financeiro 5.000,00
 (+/-) Variação do exigível a longo prazo 9.300,00
 (+) Captação de recursos próprios 350
Fluxo de caixa dos financiamentos (3) 14.650,00
Caixa gerado no período 4 (1 - 2 + 3) 800,00
 (+) Caixa inicial (5) 14.800,00
Caixa final 6 (4 + 5) 15.600,00
Adaptado de: Megliorini e Vallim (2009).
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FINANÇAS CORPORATIVAS - AVALIAÇÃO DE VIABILIDADE DE PROJETOS
1.3.4 Relevância dos demonstrativos contábeis
É importante ressaltar que os demonstrativos financeiros dificilmente refletem uma posição atual, 
mas de períodos passados da empresa.
Também deve ser observado que eles não apresentam valores não monetários (não quantificáveis), como:
•	 Motivação, experiência e conduta, pessoal e profissional, de quem atua na empresa, como é o caso 
dos administradores e funcionários.
•	 Potencial decorrente de investimentos pontuais ou continuados no que tange à pesquisa e ao 
desenvolvimento de produtos e outros.
•	 Grau de satisfação de seus clientes e demais stakeholders.
•	 Nível tecnológico da empresa em relação ao seu mercado de atuação.
•	 Disponibilidade de patentes e direitos especiais sobre marcas e produtos.
•	 Ameaças oferecidas pelas atuações de seus concorrentes.
•	 Políticas e práticas de sustentabilidade e de proteção ao meio ambiente.
 Lembrete
Os três relatórios mais importantes para coletar informações sobre a 
empresa são: o balanço patrimonial (BP), o demonstrativo dos resultados 
do exercício (DRE) e o demonstrativo de fluxo de caixa (DFC).
Deve-se, pois, procurar conhecer o máximo possível os aspectos relacionados com as informações 
que auxiliam a compreender a empresa.
2 ÍNDICES CONTÁBEIS E FINANCEIROS
Com o intuito de conhecer melhor e, assim, tirar conclusões mais precisas quanto a determinada 
empresa, são comumente utilizados, e de forma intensa, os dados disponíveis nos principais relatórios 
contábeis, antes mencionados, e, também, outras informações para estabelecer índices e poder, por 
exemplo, efetuar as oriundas de outras fontes. O que se pretende é apurar:
•	 Condições de liquidez.
•	 Nível de atividade e de endividamento.
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Unidade I
•	 Rentabilidade.
•	 Valor de mercado.
Como podemos perceber, tais índices cobrem muitas informações sobre a empresa e classificam-se 
entre as medidas mais tradicionais de avaliação da empresa, que são:
•	 Estabelecimento de índices econômico-financeiros.
•	 Análises vertical e horizontal.
De pronto, é possível destacar o fato de os resultados apresentados por esses índices representarem 
dados extraídos do passado, isto é, do momento que os demonstrativos contábeis foram emitidos. 
Por isso, muitas informações podem perder atualidade quando chegam às mãos dos analistas, 
encarregados do estudo da empresa.
Ademais, aponta Carmona (2009, p. 29): “Empresas que exploram atividades econômicas vinculadas 
ao setor industrial podem possuir padrões patrimoniais diferentes de entidades de atividade econômica 
vinculada ao setor comercial ou ao setor de serviços”.
Portanto, pode ser enfatizado o uso de diferentes tipos de indicadores, consoante o tipo, as 
características de atuação e até o porte da empresa em análise. Há situações em que os administradores 
e os analistas definem índices próprios para o acompanhamento e o controle da empresa, quando esta 
desempenha funções muito específicas no mercado.
A escolha dos índices mais adequados para a medição da empresa vincula-se a um conjunto de 
questões que devem ser observadas, a priori:
•	 Como o índice é calculado?
•	 Quais são os objetivos dessa medição?
•	 Qual foi a unidade de medida utilizada?
•	 O que pode ser considerado um valor alto ou baixo – bom ou ruim – para determinado índice?
•	 Como a medida pode ser melhorada?
É, ainda, Carmona (2009, p. 29) que acrescenta:
A definição, o cálculo e a utilização de índices financeiros como mecanismo 
sistemático para avaliação financeira da situação patrimonial de uma 
entidade não são tarefas simples e requerem conhecimento aprofundado 
sobre o setor de atividade econômica no qual ela esteja atuando.
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Para o estudo dos indicadores, utilizaremos

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