Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Sistema Financeiro Internacional, Câmbio e Finanças 
 
Unidade III 
 
Prof. Edmir Kuazaqui 
 
 
 
 
 
 
 
 
APRESENTAÇÃO 
 
Prof. Edmir Kuazaqui – Doutor e mestre em Administração. Pós-graduado em 
marketing e bacharel em administração com habilitação em comércio exterior. 
Coordenador e professor de MBA em administração geral, marketing internacional e 
formação de traders, pedagogia empresarial, compras, marketing, startups: marketing 
e negócios, comunicação e jornalismo digital e comércio exterior. Consultor-
presidente da academia de talentos, empresa especializada em marketing, consultoria 
e treinamentos. Coordenador do grupo de excelência em relações internacionais e 
comércio exterior do Conselho Regional de Administração (CRA/SP). Autor de livros. 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 3 
 
2 EMPRESAS INTERNACIONALIZADAS .............................................................. 4 
2.1 Aspectos financeiros dos processos de internacionalização ................ 6 
2.2 Plano de contingências.............................................................................. 8 
2.3 Considerações sobre a abertura de uma empresa no exterior .............. 9 
 
3 AVALIAÇÃO FINANCEIRA DO PROCESSO DE INTERNACIONALIZAÇÃO .. 11 
3.1 Análise econômico-financeira ................................................................. 15 
3.2 Administração financeira internacional.................................................. 16 
 Riscos ............................................................................................... 17 
3.3 RISCOS ECONÔMICOS E FINANCEIROS ............................................... 17 
 Inflação e câmbio ............................................................................ 18 
 Riscos políticos ............................................................................... 18 
3.4 Análise de viabilidades ............................................................................ 18 
 
4 COMPLIANCE E AUDITORIAS ......................................................................... 22 
4.1 Compliance ............................................................................................... 22 
4.2 Auditorias .................................................................................................. 23 
 
5 OUTROS ASSUNTOS ........................................................................................ 26 
5.1 Criptomoedas ........................................................................................... 26 
5.2 Educação financeira ................................................................................. 27 
 
6 CONCLUSÕES .................................................................................................. 28 
 
 
 
3 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
Este livro-texto busca apresentar conteúdos relacionados aos processos de 
internacionalização e que influenciam no planejamento e na gestão. Iniciamos com os 
tipos de empresa que operam em mercados externos como extensões da casa 
matriz/sede. 
Seguimos com os aspectos financeiros desses processos dentro de uma visão 
formal do planejamento estratégico e discutimos a importância do plano de 
contingências. 
Apresentamos os principais indicadores de análise e de implantação/avaliação 
de um negócio. Ampliamos os conceitos e práticas de riscos. Finalmente, 
desenvolvemos conceitos relacionados à auditoria, às criptomoedas e a educação 
financeira. 
Ótima leitura! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
2 EMPRESAS INTERNACIONALIZADAS 
 
Os processos de internacionalização podem derivar das operações mais 
simples, como as de exportação indireta, até as que envolvem a transferência de 
ativos e recursos econômicos e financeiros, como as aquisições e fusões 
internacionais, bem como os investimentos diretos. As quantidades de processos 
aumentam, bem como os direitos e as responsabilidades, sempre de acordo com a 
complexidade das operações. 
Uma empresa multinacional é aquela que tem extensões em várias regiões do 
mundo, produzindo e comercializando produtos e serviços. Pode ser uma unidade 
produtiva (fábrica), revendedora (varejo) e mesmo de serviços (como os de 
representação comercial). 
As filiais são consideradas como extensões da casa matriz, do ambiente 
doméstico para os mercados internacionais, que podem executar as mesmas 
operações no sentido de ampliar seu alcance de negócios. 
São características básicas como a posição legal separada e/ou em conjunto 
com a casa matriz que têm 100% de participação sobre as filiais, onde as contas 
podem ser analisadas em conjunto e separadamente. Não possuem autonomia plena 
de gestão. Um bom exemplo são as filiais do Banco Itaú em outros países, que 
aumentam a capilaridade geográfica, a possibilidade de acesso às linhas de crédito 
internacional e permitem uma maior base de clientes (carteira). 
As subsidiárias são extensões, que podem ou não executar as mesmas 
operações e cujo controle acionário é realizado por uma outra empresa, a holding, que 
está localizada no ambiente doméstico. 
Elas têm autonomia maior que as filiais. São características básicas como a 
posição legal separada da casa matriz, que tem 100% de participação sobre a holding, 
onde as contas devem ser analisadas separadamente. 
Segundo a Petrobras (2019), existiam a Petrobras Distribuidora, a Transpetro 
e a Gaspetro como subsidiárias e que funcionam como unidades estratégicas de 
negócios. 
Para ser considerada como subsidiária, a empresa tem de contemplar parte 
dos seguintes fatores: 
 
 participação acionária, em que o capital da empresa é dividido por ações. 
 conselho de administração, com uma composição experiente passível de 
decidir sobre a empresa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 
 
Quadro 1 – Diferenças entre filial e subsidiária 
Critério Filial Subsidiária 
Subordinação 
 
Necessária para a sua sede. 
 
Necessária para a holding 
e/ou casa-matriz. 
Operações 
Deve realizar as mesmas 
operações comerciais que a 
sede. 
 
Pode ou não realizar as 
mesmas operações 
comerciais que a sede. 
Aspectos legais 
Entidade legal e identidade 
idênticas. 
Entidade legal e identidade 
separadas da controladora. 
Contas 
Pode haver a sua 
manutenção conjunta e/ou 
individual. 
Manutenção de contas 
separadas. 
Investimento 
100% de investimento inicial 
na sua extensão. 
Geralmente de 50 a 100% 
de investimento inicial na 
sua extensão. O restante 
deve vir de sua 
controladora. 
 
Responsabilidades 
A sede deve quitar as 
dívidas em caso de 
inadimplência de suas filiais. 
As responsabilidades da 
subsidiária não se estendem 
para a controladora. 
Em caso de prejuízo. 
 
A filial deverá ser fechada 
se assim for necessário. 
 
A subsidiária poderá ser 
vendida para terceiros. 
 
Assim, as duas formas jurídicas servem para aumentar a capacidade 
geográfica da empresa para atender o mercado, tendo cada uma delas determinado 
nível de autonomia. Pode-se afirmar categoricamente que: 
 as filiais aumentam a expansão e distribuição de produtos e serviços. 
Servem como formas de poder ampliar a marca da empresa, produtos e serviços. 
 as subsidiárias aumentam a expansão de negócios. Podem atender as 
necessidades de segmentos de mercados e aproveitar oportunidades inexploradas. 
Lopes (2003) afirma que as empresas têm diversificado cada vez mais seus 
investimentos de forma a obter mais retorno financeiro, bem como diminuir os riscos. 
São dois itens diferentes, mas que se complementam de alguma forma. 
A diversificação da carteira de investimentos implica expansão geográfica e 
respectivo alcance, bem como escalabilidade de negócios (ou melhor, o aumento das 
vendas e respectiva produção, o aprendizado pelo contato com as novas experiências 
e desafios que o mercado internacional proporciona). 
 
 
62.1 Aspectos financeiros dos processos de internacionalização 
 
Vimos, nas unidades anteriores, que a empresa pode ser aberta e seus 
investimentos lastreados em recursos próprios e de terceiros. Considerando a 
transferência de recursos econômicos e financeiros além-mar, o uso de capital deve 
considerar os volumes envolvidos e a questão do custo oportunidade do negócio, em 
que os acionistas/proprietários podem entender que não é um investimento seguro e 
rentável; desta forma, a aplicação de recursos de terceiros nos processos de 
internacionais apresenta uma série de benefícios e/ou justificativas mais fortes, como: 
 
Quadro 2 – Fatores internacionais e sua influência sobre as empresas multinacionais 
Fator Empresa A (nacional) Empresa B (multinacional) 
Propriedade de 
estrangeiros. 
 
Todos os ativos 
pertencem a entidades 
domésticas. 
 
Participação de sócios estrangeiros nos 
investimentos externos, afetando a 
tomada de decisões e os lucros obtidos 
no exterior. 
 
Mercados de 
capitais 
multinacionais. 
 
Estruturas de 
capital próprio e de 
terceiros baseadas no 
mercado de capitais local. 
 
Oportunidades e desafios surgem dos 
diferentes mercados de capitais, nos 
quais as empresas emitem títulos de 
dívida e ações. 
 
Contabilidade 
multinacional. 
 
Todas as consolidações 
de demonstrações 
financeiras baseadas em 
uma moeda. 
 
Diferentes moedas e regras específicas 
de conversão contábil afetam a 
consolidação das demonstrações 
financeiras em uma única moeda. 
 
Riscos de 
câmbio. 
 
Todas as operações feitas 
em uma única moeda. 
 
Flutuações nos mercados de câmbio 
podem afetar as receitas e os lucros 
obtidos no exterior, assim como o valor 
geral da empresa. 
Fonte: adaptado de Gitman (2010, p. 686). 
 
Ainda sobre as questões relativas aos riscos de variações, as empresas têm a 
sua disposição mecanismos de prevenção para que haja a desvalorização dos ativos 
e reflexos nos resultados de negócios. 
Lopes (2003) afirma que os derivativos são produtos financeiros que melhoram 
o rendimento de aplicações financeiras (especulação) e servem como valiosa 
proteção contra os riscos e como arbitragem entre taxas e moedas internacionais. 
Uma das operações que representa esta categoria é o swap de moeda, que 
envolve o pagamento da diferença das flutuações de duas moedas sobre um 
montante em moeda nacional. 
 
7 
 
Outros fatores devem ser analisados, conforme a figura a seguir, que interferem 
no sucesso ou fracasso do empreendimento e, consequentemente, no fluxo de caixa 
internacional. 
 
Figura 1 – Responsabilidades nas extensões internacionais 
 
Fonte: Treasy.1 
 
Não é possível desenvolver o planejamento financeiro sem considerar uma 
margem de erro, que deve ser aceitável e geralmente atribuída por erros de premissas 
e interpretações equivocadas e/ou mesmo por previsões por demais otimistas. 
Um outro fator preponderante é que o planejamento financeiro é realizado, por 
vezes, em determinados cenários e situações, e as operações bem depois, com 
características e condições diferentes. 
Tomemos esses exemplos (vivenciados pelo autor): 
 
 Um representante intermediou pela primeira vez a importação (recompra) de 
uma máquina cuja vida útil era em torno de vinte anos. Entretanto, a máquina 
apresentou alguns defeitos depois de quatro anos e ele teve de assumir os gastos 
com o envio para conserto no país de origem e a reimportação, pois não atentou às 
cláusulas do contrato entre as partes intervenientes, o que causou prejuízo para a 
operação. 
 Outro exemplo se refere a um plano de negócios que envolveu a produção 
e venda de um produto com grande margem de rentabilidade. Ocorre que a empresa 
realizou todo o planejamento financeiro a partir de um volume de compra de seus 
fornecedores, que concederam um substancial desconto financeiro. 
 
1 Disponível em: https://www.treasy.com.br/blog/como-abrir-uma-filial-de-sucesso/. Acesso em: 1º 
nov. 2019. 
 
8 
 
Por problema de caixa de curto prazo, a empresa não teve condições de 
realizar a compra nos volumes necessários e não obteve o desconto prometido e nem 
tampouco os prazos de pagamento mais extensos. 
Em síntese, a margem de lucratividade foi bastante diferente do planejado, o 
que influenciou negativamente nos resultados do período e nos reinvestimentos 
planejados. 
Desta forma, a empresa deve entender que deve haver uma margem de 
segurança baseada nas possíveis variáveis a partir de cenários prováveis. A análise 
de cenários é fundamental para alertar a empresa de diferentes situações que podem 
ocorrer e de como a empresa consegue preveni-las. Em situações mais extremas, 
temos a necessidade de um plano de contingências. 
 
2.2 Plano de contingências 
 
Para a realização de um planejamento estratégico, é necessária a identificação 
de variáveis que influenciam o sucesso e/ou o fracasso de um negócio. Por exemplo: 
uma empresa pode entender que as variáveis como o Produto Interno Bruto (PIB), a 
variação da taxa de câmbio e o poder de compra são essenciais para a análise de 
viabilidade aparente do negócio. 
O plano de contingências parte da premissa de que pode ocorrer alguma 
variação menor nessas variáveis e, consequentemente, a empresa deverá identificar 
o que deverá ser feito para amenizar os possíveis impactos que podem ocorrer. 
 
Figura 2 – Plano de contingências 
 
Fonte: Blog Gestão de Segurança Pública (2019).2 
 
Então, o plano de contingência é um desdobramento do planejamento 
estratégico. Nenhum planejamento estratégico pode ser considerado definitivo e deve 
ter uma previsibilidade de margem de erros, que devem ser atenuados. 
É um conjunto de medidas e ações que são adotados em casos extremos de 
emergência, em situações que exigem determinados tipos de controles. Alguns 
autores e empresas também contextualizam como um plano de recuperação ou 
mesmo de continuidade; entretanto, considero muito forte o termo “plano de 
recuperação”, pois denota a ideia de que a situação deve ser muito grave. 
 
2 Disponível em: https://gestaodesegurancaprivada.com.br/plano-de-contingencia-conceitos/. Acesso 
em: 08 nov. 2019. 
about:blank
 
9 
 
Na prática, todo planejamento estratégico deve ser estruturado a partir de 
variáveis macroambientais – como as econômicas, financeiras, demográficas, 
tecnológicas, entre outras –, que influenciam o cenário onde as empresas e negócios 
estão inseridos. Desta forma, é prudente a empresa realizar simulações com as 
variáveis mais significativas, para antever que desvios de rotas deverão ser realizados 
no futuro. 
Outro exemplo: estimamos a receita futura deste ano a partir da análise das 
variáveis de receita da empresa contextualizado com o Produto Interno Bruto (PIB) 
dos cinco últimos anos. Porém, as vendas estão indicando um decréscimo por razões 
ainda não conhecidas pelos envolvidos. E essa queda tem relação também com o 
PIB. 
Que ações emergenciais podem ser realizadas para atenuar a falta das 
vendas? Aumentar os investimentos em marketing? Ou em vendas? É possível 
reduzir custos e despesas? 
 
2.3 Considerações sobre a abertura de uma empresa no exterior 
 
A abertura de uma empresa no exterior como extensão natural da empresa do 
país de origem para o país destino requer uma significativa reestruturação 
organizacional da empresa já existente e uma nova, com processos definidos e novos 
fluxos financeiros. 
Tomemos como exemplo o Habib’s (Alsaraiva Comércio Empreendimentos 
Imobiliários e Participações Ltda). Fundado em 1988 por Antonio Alberto Saraiva, 
obteve crescimento considerável pela utilização do sistema de franquias, que 
possibilitou uma expansão dos pontos de vendas. 
Um dos pontos-chave para o desenvolvimento sustentado da rede foi que o 
aumento da oferta permitiu que a empresa obtivesse grande produtividade e economia 
de escala, poispreferiu, dentro de suas estratégias, a verticalização de seus 
processos de produção. 
Conforme a Exame (2019), existe uma cozinha central em cada estado onde 
grande parte da comida é produzida, como as massas de esfirras a serem distribuídas 
nas lojas da região. Nesta situação, a empresa tem grande poder de barganha junto 
aos fornecedores de matéria-prima e serviços. Além disso, possui marcas próprias 
que fornecem para a rede, como a Arabian Bread (panificação e doces), Promilat 
(queijos) e Ice Lips (sorvetes), por exemplo. 
Tomando como referência este modelo, a empresa terá dificuldades ao iniciar 
seu processo de internacionalização, pois não conseguirá reproduzir a atual estrutura, 
que possibilita a economia de escala e produtividade, tendo de criar uma estrutura 
organizacional em outro país, que será financiada pela receita do negócio no Brasil. 
Em outras palavras, terá de iniciar o negócio em terras estrangeiras com mais 
investimentos e obter a produtividade e economia de escala de acordo com o 
desenvolvimento de seus negócios. 
Em casos de internacionalização, não devemos esquecer que a empresa, 
embora seja extensão de negócios de uma empresa brasileira, necessita atender as 
diferentes demandas e deveres do país-destino. 
 
10 
 
Pensando em uma instituição financeira brasileira – um banco, por exemplo –, 
com filiais no exterior, estas deverão estar organizadas de acordo com a legislação 
local, mas desempenhando uma extensão de negócios e fluxo financeiro da empresa, 
que pode, entre outros benefícios, ter acesso a linhas de empréstimos internacionais 
e repassar a cada matriz. 
 
 
11 
 
3 AVALIAÇÃO FINANCEIRA DO PROCESSO DE 
INTERNACIONALIZAÇÃO 
 
A literatura sobre o assunto não é específica, até em razão de o processo de 
internacionalização envolver particularidades da empresa, do produto, do ambiente e 
da região onde o negócio será desenvolvido. Cada operação será diferente em cada 
região. 
A partir de diferentes fontes, inclusive da revista Isto É Dinheiro (2019, p. 23), 
destacamos itens a serem analisados quando do início do processo da 
internacionalização de uma empresa e/ou negócio. Destacamos os principais: 
 
 Variação e posição da receita no setor. 
 Relação disponibilidades/empréstimos e financiamentos de curto prazo. 
 Relação dívida total líquida/patrimônio líquido. 
 Margem Ebidta (Earning Before Interest, Taxes, Depreciation and 
Amortization ou, em português, LAJIDA (Lucros Antes de Juros, Impostos, 
Depreciação e Amortização) – (Ebdta/receita) 
 Rentabilidade do patrimônio líquido (lucro líquido/patrimônio líquido). 
 
Variação e posição da receita no setor: Indica a posição da receita no setor 
e a média estimada do retorno financeiro de empresas de um mesmo setor 
econômico, como, por exemplo, o automobilístico. 
Desta forma, a empresa, ao ingressar em um novo segmento econômico, deve 
pesquisar qual é esta média de ganhos das empresas e que ações devem ser 
formuladas no sentido de se diferenciarem dos concorrentes e estarem acima desta 
média. 
Outro ponto complementar é em quanto tempo a receita irá contribuir para o 
retorno do capital inicial investido, descontados os gastos contextualizados com o 
capital de giro e outros agregadores. 
Margem Ebidta (Ebdita/receita): o Ebidta é um indicador financeiro que 
possibilita conhecer o desempenho do fluxo de caixa de um determinado negócio, 
permitindo analisar o desempenho financeiro e não financeiro da empresa. 
O lucro operacional da empresa é representado pela receita operacional líquida 
menos os custos e despesas comerciais, administrativas e operacionais, excluídas as 
movimentações financeiras. Cecconello e Ajzental (2008) apresentam o seguinte 
exemplo: 
 
 
 
12 
 
 
 
Conta Ano 01 Ano 02 Ano 03 
 
 Receita bruta de vendas 
( - ) Deduções de vendas 
= Receita líquida de vendas 
 
( - ) Gastos proporcionais de vendas 
 Custos de produção 
 Despesas de vendas 
= Margem de contribuição 
( - ) Gastos fixos operacionais 
 Custos fixos de produção 
 Despesas fixas 
 Depreciações/amortizações 
 
= Resultado operacional (lucro ou prejuízo) 
 
 ( - ) Imposto de Renda (IR) 
 
= Resultado operacional após o IR 
Geração de caixa (por período) 
 
Fonte: adaptado de Cecconello e Ajzental (2008, p. 230-237). 
 
Esta é uma forma tradicional de representação. Entretanto, cada item citado 
merece maior ou menor detalhamento de acordo com a sua importância e relevância 
dentro do planejamento estratégico. 
 
Rentabilidade do patrimônio líquido (lucro líquido/patrimônio líquido): Se 
por um lado a empresa deve ter capital próprio, o quanto este está sendo remunerado 
aos investidores? Conforme entendimentos anteriores, os investidores necessitam de 
retornos financeiros melhores do que o mercado financeiro pode oferecer em relação 
ao investido no negócio. Por outro lado, como esses recursos próprios agregam valor 
para a empresa? 
Esse tipo de rentabilidade procura mensurar a rentabilidade que uma empresa 
gera a partir de seus recursos. Tem como objetivo a comparação entre as 
rentabilidades de empresas do mesmo setor econômico. 
 
 
13 
 
Relação disponibilidades/empréstimos e financiamentos de curto prazo: 
Representam a capacidade de pagamento da empresa em relação às obrigações de 
curto prazo. Geralmente a saúde financeira de uma empresa pode ser avaliada pelo 
volume e condições de seus haveres (dívidas) de curto prazo. Se em excesso, 
interferem sobremaneira na gestão do negócio, sendo mais aconselhável obrigações 
de longo prazo. 
 
Figura 3 – Rentabilidade do patrimônio líquido 
 
 
 
 
 
Os dados necessários para a análise estão contemplados nas demonstrações 
contábeis e no balanço patrimonial e, desta forma, devidamente representados nas 
contas do ativo circulante e do passivo circulante. O que está retratado na figura 
anterior é denominado “liquidez corrente”. Desta forma: 
 
Fórmula: liquidez corrente = ativo circulante 
 passivo circulante 
 
 Se maior que 1, demonstra que a empresa tem folga na disponibilidade de 
recursos financeiros para quitar suas dívidas. 
 Se igual a 1, demonstra que existe um equilíbrio entre direitos e deveres 
financeiros da empresa. 
 Se menor que 1, não existem recursos financeiros disponíveis para quitar as 
obrigações de curto e, desta forma, a empresa deve tomar as devidas providências 
se desfazendo de algum tipo de ativo, aumentando as vendas, negociando prazos 
com seus fornecedores e outras ações. 
 
Por outro lado, os estoques, que também são ativos, podem não ter a liquidez 
compatível, por serem específicos ou de baixa utilização pela empresa. Então, temos 
o índice de liquidez seca demonstrado na fórmula a seguir: 
 
Fórmula: liquidez seca = ativo circulante - estoques 
 passivo circulante 
 
Um índice considerado mais conservador considera os recursos financeiros 
que têm liquidez rápida, ou seja, liquidez imediata, como o caixa, saldos da rede 
bancária, bem como as aplicações financeiras que podem ser convertidas 
imediatamente em valores monetários. Sua importância está centrada em uma forma 
rápida de análise sobre a empresa. Segue fórmula representativa: 
Direitos de curto prazo 
 
caixa, bancos, estoques etc. 
Deveres de curto prazo 
 
empréstimos, financiamentos, 
fornecedores, impostos etc. 
 
14 
 
 
Fórmula: liquidez imediata = ativo circulante com liquidez imediata 
 passivo circulante 
 
Finalmente, temos o índice de liquidez geral, que considera os direitos e 
obrigações de longo prazo no sentido de analisar a situação de longo prazo da 
empresa. Segue a fórmula: 
 
 
Fórmula: liquidez geral = ativo circulante + realizável a longo prazo 
 
 passivo circulante + passivo não 
circulante 
 
A análise de liquidez é uma das mais tradicionais e diretas para a análise 
financeira de uma empresa. Pode ser realizada individualmente, mas recomenda-se 
a análise conjunta para uma visãomais integrada e comparativa com os propósitos, 
metas e objetivos da empresa (ou seja, no curto e médio prazo) de forma efetiva. 
 
Relação dívida total líquida/patrimônio líquido: Trata-se de uma das 
principais formas de medir e analisar o grau de endividamento da empresa. Segue a 
fórmula: 
 
Fórmula: Passivo líquido 
 Patrimônio líquido 
 
Indica o volume de dívidas que a empresa está utilizando em contraponto aos 
investimentos dos acionistas. De forma em geral, empresas que adotam uma relação 
elevada de endividamento possuem estratégias mais agressivas e com margem de 
risco proporcional, como no caso de empresas siderúrgicas, que exigem altos 
investimentos e retorno no longo prazo. 
Esse risco pode estar atrelado à situação econômica em que a empresa está 
inserida, ao aumento repentino das taxas de juros, bem como às flutuações cambiais 
e até erros de previsão de vendas e premissas orçamentárias equivocadas. 
Entretanto, espera-se também melhores retornos financeiros, em que os lucros 
dessa estratégia devem gerar lucros maiores que os custos de dívidas. Se sim, a 
empresa está obtendo os resultados e respeitando os investimentos dos acionistas. 
Se não, estão delapidando os respectivos investimentos. Por isso, deve-se tomar as 
devidas precauções, pois isso pode levar a empresa a graves problemas e, inclusive, 
em casos extremos, à recuperação judicial. 
 
 
15 
 
3.1 Análise econômico-financeira 
 
A análise de viabilidade econômico-financeira permite identificar indicadores 
que sustentam o processo decisório – se vale a pena ou não o investimento em 
determinado negócio e se o processo de internacionalização poderá ser realizado de 
forma a suprir as necessidades de crescimento sustentado da empresa. São estes os 
métodos tradicionais que permitem a análise do fluxo de caixa do projeto e da tomada 
de decisão: 
 
 Resultado econômico-operacional de cada período, em que é 
possível analisar e avaliar a partir de um padrão histórico, envolvendo, 
por exemplo, os últimos cinco anos e a projeção para o mesmo período 
futuro. 
 
 Total de gastos não financeiros, depreciações e amortizações ao 
longo dos períodos, em que se deve analisar as responsabilidades que 
a empresa tem adotado e que outras práticas e ajustes podem ser 
realizados de forma a respeitar e otimizar os recursos disponíveis. 
 
 Geração operacional de caixa, avaliando a capacidade da empresa em 
gerar os valores monetários necessários para atender as necessidades 
da empresa, bem como a possibilidade de constituir uma reserva 
estratégica financeira. 
 
 Investimentos necessários iniciais, pois nenhuma empresa e/ou 
negócio já inicia com as receitas previstas no planejamento estratégico. 
Desta forma, a empresa tem uma série de responsabilidades e haveres 
prévios, como as despesas pré-operacionais (até, por exemplo, os 
custos de abertura da empresa), imobilizados (local da empresa, 
armazém, por exemplo) e capital de giro (valores monetários para 
suportar as saídas de capital nos primeiros meses) e também do valor 
residual dos investimentos imobilizados (como os derivados das 
depreciações). 
 
 Capital de giro incremental a cada período a empresa necessita de 
recursos financeiros adicionais para manter as suas operações, pois 
ainda não obteve a receita necessária para cobrir o montante relativo 
aos custos de mão de obra, fixos, entre outros. 
 
 Taxa mínima de atratividade do negócio exigida pelos sócios, bem 
como custo médio das fontes de terceiros, ou seja: o quanto os 
investidores desejam ter como retorno aos recursos empregados na 
empresa. 
 
 
16 
 
3.2 Administração financeira internacional 
 
Além do que foi analisado, conforme Gitman (2010, p. 699), existem itens 
importantes na administração financeira internacional que envolvem compromissos de 
longo prazo. Seguem os principais: 
 
 Investimento Estrangeiro Direto (IED). 
 Fluxos de caixa e decisões de investimentos. 
 Estrutura de capital. 
 Endividamento de longo prazo. 
 
Investimento Estrangeiro Direto (IED): Gitman (2010, p 699) define 
sinteticamente como a “transferência de uma empresa multinacional, de capital, de 
capacidade de gestão e de tecnologia de seu país-sede de origem a um país anfitrião”. 
Trata-se, a princípio, de um caminho de mão dupla, pois envolve a necessidade de 
autorizações e registros na saída dos recursos do país de origem, bem como na 
entrada no país anfitrião. 
 
Fluxos de caixa, endividamento de longo prazo e decisões de 
investimentos: Conforme visto em materiais anteriores, a internacionalização pode 
ocorrer em diferentes situações e regiões, tornando o processo de análise específico 
para cada caso. Então, não é possível particularizar para cada mercado, mas pelo 
menos estabelecer premissas a partir do país de origem. 
Pode-se inferir determinadas premissas para poder ampliar a discussão: 
 
 Qual é a composição do capital utilizado no Investimento Estrangeiro Direto 
(IED)? 
 Quais são as condições de aquisição dos recursos produtivos necessários 
para o desenvolvimento de negócios da empresa? 
 Serão considerados os recursos obtidos pela matriz ou adquiridos no país-
destino? 
 Quais são as alíquotas de tributos a serem pagos? Existem formas de 
amenizar essas saídas obrigatórias de caixa? 
 A expatriação de capital pode ocorrer conforme o previsto, ou o país-destino 
pode interferir no fluxo? Existem barreiras de entrada e saída do capital investido? 
 
Estrutura de capital: Sobre a composição do capital, temos o capital próprio e 
o de terceiros e como orientação básica, pode compor parte do investimento 
estrangeiro direto, mas não a sua totalidade, sendo recomendável a participação de 
terceiros, oriundos da iniciativa privada, bem como da pública, como no caso do Banco 
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). 
 
 
17 
 
Endividamento de longo prazo: A empresa deve analisar, entre diversos 
fatores, a qualidade e a consistência do que foi solicitado como recursos financeiros, 
bem como de seu emprego estratégico. Percebe-se que endividamentos de longo 
prazo devem acompanhar efetivamente o desenvolvimento econômico, financeiro e 
social do empreendimento. 
 
 Riscos 
 
Conforme Gitman (2010, p. 700), a empresa incorre em três riscos em relação 
ao fluxo de caixa internacional, a saber: 
 
 Riscos econômicos e financeiros. 
 Riscos de inflação e câmbio. 
 Riscos políticos. 
 
Quadro 3 – Riscos considerando o nível de desenvolvimento de países 
Variáveis Economias menos 
desenvolvidas 
Economias mais 
desenvolvidas 
Retorno 
 
Taxas mais atrativas Taxas menos atrativas 
Risco 
 
Maior Menor 
Prazo de retorno 
 
Maior Menor 
Outras variáveis 
 
Depende da empresa e do 
mercado 
 
Depende da empresa e do 
mercado 
 
3.3 Riscos econômicos e financeiros 
 
As três variáveis – retorno financeiro, plano de retorno do investimento inicial e 
grau de risco envolvido – são as básicas que são avaliadas e outras variáveis são 
agregadas de acordo com cada situação – mercado e empresa. Para todas as 
variáveis é fundamental estipular um peso de importância 
Na Unidade 2 estudamos as moedas internacionais. Madura (2009, p. 18) 
afirma que a “flutuação da taxa de câmbio poderá afetar a demanda estrangeira pelo 
produto da empresa. Quando a moeda nacional se fortalece, os produtos 
denominados nesta moeda tornam-se mais caros para clientes estrangeiros”. Neste 
 
18 
 
caso, a demanda poderá ser afetada e, consequentemente, o consumo e a receita da 
empresa. 
 
 Inflação e câmbio 
 
Conforme o Banco Central do Brasil (2019), é definido como o aumento dos 
preços de bens e serviços, incorrendo em impactos no poder de compra. No caso da 
internacionalização, pode acarretar, entre os investimentos realizados para o 
processo, o efeito da inflação e os retornos financeiros considerando, entre outros 
fatores, os valores a partir da conversão cambial. 
 
 Riscos políticos 
 
Envolvea possibilidade de o país anfitrião não ter condições ou interesse em 
autorizar a saída ou mesmo a entrada de capital estrangeiro. No decorrer do século 
XX, as empresas brasileiras assumiam compromissos no formato de empréstimos e 
financiamentos internacionais, porém o país não tinha reservas suficientes em 
moedas estrangeiras para enviar os credores internacionais. Por outro lado, países 
com instabilidade econômica podem impor barreiras, limites ou mesmo proibir a saída 
de moeda para os respectivos países de investidores internacionais. 
 
3.4 Análise de viabilidades 
 
A empresa deve realizar em seus empreendimentos domésticos e 
internacionais uma análise de viabilidades que permita, de forma consolidada e 
consistente, entender que retornos financeiros serão realizados, em que prazos e de 
que formas os recursos estratégicos devem ser utilizados no sentido de atender as 
necessidades de crescimento sustentado da empresa, bem como de seus 
proprietários, investidores e acionistas. 
 
 
19 
 
Figura 4 – Resumo da viabilidade 
 
Resumidamente temos, conforme Cecconello e Ajzental (2008, p. 227), a 
análise de viabilidade econômico-financeira: 
 
 Preparação de premissas: 
 
 Plano de vendas; 
 Plano de produção; 
 Suprimentos; 
 Gastos com pessoal; 
 Gastos fixos; 
 Condições operacionais; 
 Investimentos; 
 Estrutura de capital; 
 TMA. 
 
A Taxa Mínima de Atratividade (TMA) consiste em identificar qual o mínimo que 
o investidor estará disposto a ganhar, ou, sob outra perspectiva, qual o montante 
máximo que este mesmo investidor estará propenso a investir para realizar e contribuir 
para um determinado investimento. Será que valerá a pena deslocar o dinheiro do 
caixa da empresa para ter o retorno estimado e/ou prometido? 
Comentamos que a estrutura de capital pode ser própria e/ou de terceiros. 
Conforme Lopes (2003), as empresas não precisam necessariamente recorrer ao 
investimento estrangeiro direto para financiar as suas operações internacionalmente, 
mas utilizar os fundos mútuos de investimentos internacionais. 
Ainda segundo o autor, esses fundos mútuos de investimentos internacionais 
se constituem em excelentes oportunidades para empresas que não têm condições 
econômicas e financeiras para atuar em mercados internacionais, porém identificam 
e querem investir em oportunidades interessantes de mercado. 
 
ABC
ANÁLISE DA VIABILIDADE
Pessimista Realista Otimista
VPL 89.536,59 
TIR 24,54%
IL 1,198970199
PAYBACK DESCONTADO (ANOS) 4,10
Cenários 
 
20 
 
Projeção de resultados: 
 Demonstração de resultados; 
 Geração operacional de caixa; 
 Análise de consistência; 
 Capital de giro líquido; 
 Balanço patrimonial. 
 
Seguem os três principais indicadores para a análise de viabilidade econômico-
financeira. 
 
 Payback simples: representa o tempo necessário para amortizar o 
investimento inicial. 
 
Fórmula: payback simples = investimento inicial 
 ganhos no período 
 
 Valor Presente Líquido (VPL): é uma medida em valores monetários 
(dinheiro) que representa o valor líquido restante do investidor depois da amortização 
do investimento inicial. Trata-se da soma algébrica das entradas geradas a cada 
período, cujos valores são descontados por uma taxa definida pelo investidor 
considerando o período – prazo de cada geração de caixa. 
 
Figura 5 – Fórmula do Valor Presente Líquido (VPL) 
 
 
Fonte: Dicionário financeiro (2019).3 
 
Em que: 
FC = Fluxo de caixa 
TMA = Taxa mínima de atratividade 
J = Período de cada fluxo de caixa 
 
 Taxa Interna de Retorno (TIR): indica a taxa de retorno (percentual) que o 
negócio proporciona a partir do fluxo de caixa. 
 
3 Disponível em: https://www.dicionariofinanceiro.com/valor-presente-liquido/. Acesso em: 09 nov. 
2019. 
about:blank
 
21 
 
 
Figura 6 – Fórmula de Taxa Interna de Retorno (TIR) 
 
Fonte: Dicionário financeiro (2019).4 
 
Em que: 
FC = Fluxos de caixa 
I = Período de cada investimento 
N = Período final do investimento 
 
A análise de sensibilidade procura determinar o efeito de variação de 
determinado item dentro de um valor total, indicando a importância do item 
contextualizada com o resultado. Seguem algumas variáveis: 
 
 volume; 
 preço; 
 gastos variáveis; 
 gastos fixos; 
 investimentos. 
 
 
4 Disponível em: https://www.dicionariofinanceiro.com/tir-taxa-interna-retorno/. Acesso em: 09 nov. 
2019. 
about:blank
 
22 
 
4 COMPLIANCE E AUDITORIAS 
 
A evolução da sociedade e o crescimento das operações entre pessoas, 
empresas e países aumentaram a complexidade das operações financeiras, que nem 
sempre ocorrem de acordo com as normas e leis vigentes no âmbito nacional e 
internacional. 
 
Figura 7 – Compliance 
 
Fonte: Siteware5. 
 
4.1 Compliance 
 
As empresas procuram agir de acordo com as normas e leis do ambiente onde 
realizam suas operações. Pode-se definir o termo como um conjunto de práticas e 
ferramentas corporativas que norteiam os processos internos e que podem ser 
controlados e reduzir os possíveis riscos que a empresa pode ter ao desenvolver seus 
negócios em base nacional e internacional. 
Todas as operações e atividades de uma empresa são decodificadas como 
processos autônomos, complementares e sequenciais, que devem ser registrados 
para que haja a análise de cada parte e que ela seja passível de gestão e controle. 
Compliance consiste em um completo alinhamento com as normas e regras de 
órgãos externos com as práticas internas. É uma política que determina 
procedimentos, normas e controles de avaliação, tendo como base: 
 transparência, com a informação circulando de maneira a promover a 
compreensão de todo o negócio, de forma direta e objetiva dentro da 
empresa. É o ponto fundamental do compliance; 
 disciplina, seguindo diretrizes e protocolos; 
 avaliar riscos; 
 aderência e atendimento às normas e leis vigentes no país e 
internacionalmente; 
 tratamento das não conformidades, ou seja, das exceções; 
 criação de medidas corretivas e preventivas; 
 localizar erros e fraudes; 
 
5 Disponível em: https://www.siteware.com.br/processos/o-que-e-compliance-nas-empresas/. Acesso 
em: 5 nov. 2019. 
about:blank
 
23 
 
 evitar a lavagem de dinheiro; 
 manutenção e atualização das normas internas. 
 
Complementando o item sobre riscos, Lopes (2003, p. 84-86) comenta que os 
principais a serem relevados são: 
 
 estabilidade política, pois em caso de desequilíbrio pode ocasionar a 
possibilidade de limites, restrições ou mesmo proibições de remessas de 
capital estrangeiro; 
 fuga de capitais; 
 irresponsabilidade fiscal; 
 entraves no sistema de controle cambial; 
 gastos governamentais descontrolados; 
 base tecnológica e recursos em geral; 
 ajuste aos choques externos pela economia local. 
 
Existem benefícios importantes a partir da adoção do compliance financeiro: 
 
 fortalecimento da credibilidade institucional (imagem corporativa refletida 
nos diferentes investidores); 
 aprofundamento do comprometimento, credibilidade e engajamento 
organizacional; 
 credibilidade e fortalecimento da imagem perante os diferentes públicos de 
interesse; 
 vantagem competitiva de negócios; 
 transmissão da integridade da empresa; 
 mais e melhor visibilidade no mercado; 
 mais eficiência, pois os processos devem ser executados de forma precisa 
e dentro de aspectos legais. 
 
4.2 Auditorias 
 
A auditoria é uma necessidade empresarial que consiste na revisão de 
registros, operações e transações que resultem nas demonstrações financeiras. Tais 
procedimentos são necessários para assegurar a credibilidade dos dados e 
informações, ou seja, das demonstrações financeiras e de outros documentos e 
relatórios decorrentes. 
 
 
 
 
 
 
24 
 
Figura8 – Auditoria 
 
Fonte: Contábeis (2019).6 
 
Além dos objetivos citados, a auditoria (operacional, financeira e de 
cumprimento) possibilita a identificação de deficiências nas áreas da empresa, nas 
quais deve procurar a regularização. 
Na auditoria financeira é possível perceber se as demonstrações estão de 
acordo com os princípios contábeis e financeiros vigentes. A auditoria de cumprimento 
está relacionada na revisão e comprovação dos controles e aspectos e procedimentos 
operacionais da empresa. Já a auditoria operacional visa mensurar o grau que os 
objetivos e metas da empresa estão sendo atingidos a partir de todas as suas 
atividades. 
 
Figura 9 – Tipos de auditorias 
 
 
 
 
 
 
 
 
De forma em geral, temos a possibilidade de três 
tipos de auditoria, de acordo com o porte, situação da empresa, características, se 
nacional, internacional e dependendo da estrutura de capital. 
 Auditoria interna: auditagem sob responsabilidade da própria empresa, 
fazendo parte – os colaboradores internos – do quadro funcional da empresa. Objetivo 
principal – salvaguardar a segurança para os proprietários e gestores da empresa. 
 
 
6 Disponível em: https://www.contabeis.com.br/artigos/4714/auditoria-contabil-como-instrumento-de-
gestao-para-as-pequenas-e-medias-empresas/. Acesso em: 9 nov. 2019. 
 
 
 
Empresa 
(Casa-matriz/sede) 
 
 
 
Empresa 
(Filial) 
 
País de origem 
País-destino 
Auditoria interna 
Auditoria interna 
Auditoria externa 
Auditoria externa 
Auditoria internacional 
 
25 
 
 Auditoria externa: auditagem sob responsabilidade de auditores externos à 
empresa – outra empresa isenta e neutra. Objetivo principal – Salvaguardar a 
segurança para os proprietários, acionistas e investidores da empresa. Outro ponto é 
que a auditoria interna, se constituída por colaboradores internos, pode influenciar na 
parcialidade e na neutralidade da auditagem e providências. 
 Auditoria internacional: auditagem sob responsabilidade de auditores 
externos internacionais à empresa (filial). Além da auditagem normal, podem ser 
estabelecidas aquelas relacionadas diretamente ao ambiente internacional onde a 
empresa está inserida, bem como verificar se as formas e critérios de remessa de 
royalties estão sendo realizadas conforme acordado entre as partes. Objetivo principal 
– Salvaguardar a segurança da casa-matriz/sede sobre a filial. 
 
 
26 
 
 
5 OUTROS ASSUNTOS 
 
Na primeira unidade apresentamos a evolução da moeda e aspectos gerais. 
Na segunda, incluímos as características e os comentários sobre as moedas fortes. 
Agora vamos entender o conceito de criptomoedas. 
 
5.1 Criptomoedas 
 
A evolução do ambiente digital propiciou um grande desenvolvimento 
econômico e social. Uma das consequências foi o aprofundamento da expansão do 
comércio no mercado externo, das empresas e dos negócios internacionalmente. 
Com o incremento dos negócios e das operações em mercados interno e 
externo, também ocorreu o desenvolvimento das formas e dos meios de pagamento, 
que permitiram uma facilitação tanto para quem compra, como para quem vende 
produtos e serviços. E dentro deste relacionamento, temos os prestadores de 
serviços, que sustentam as operações e entidades normativas. 
Uma das consequências gerais foi a criação e desenvolvimento de espécies de 
moedas virtuais que, a princípio, não têm relação direta com a moeda física da forma 
como a conhecemos e tampouco com a multiplicidade de leis que garantem direitos e 
deveres entre as partes intervenientes – muito pelo contrário. Ainda não existe uma 
uniformidade sobre sua utilização. 
Nem todos têm acesso à internet e têm o hábito de usar as ferramentas digitais 
para transações que envolvam valores monetários. Grande parte das transações 
digitais ainda estão relacionadas aos meios tradicionais de pagamento, como cartão 
de crédito, transações em conta corrente, entre outros, em moeda “normal”. Talvez 
com a tendência do crescimento das fintechs haja uma reversão desse processo. 
Outro ponto é que ainda não existe uma legislação internacional e nacional que 
propicie para as partes intervenientes uma clareza sobre procedimentos, controles, 
responsabilidades, direitos, deveres e até sistemas de punição que visem dar mais 
segurança para os usuários de criptomoedas. Este é um dos principais pontos. 
Conforme o Infomoney (2019), constituem-se em ativos não financeiros 
produzidos. Em outras palavras, são digitais que não possuem registro aduaneiro, 
mas as trocas – compra e venda – por pessoas residentes do Brasil implicam na 
celebração de contratos de câmbio. 
Outros consideram como forma de moeda ideal, “limpa”, pois não exige a 
impressão e material físico que exige uma estrutura para o seu desenvolvimento. 
Outro ponto é a dependência dos instrumentos que propiciem acesso aos ambientes 
digitais, como computador e celular, por exemplo. 
 
 
27 
 
Figura 10 – Criptomoedas 
 
Fonte: Guia do Bitcoin.7 
 
Conforme o Valor Econômico Finanças (2019), criptomoedas são instrumentos 
que visam atender a demanda por trocas e pagamentos mais rápidos, transparentes, 
ágeis e seguros. Entretanto, conforme comentado, a falta de uma legislação e 
normatização nos países e as diferentes especificidades de cada criptomoeda, 
tornam-na ainda uma moeda de baixa utilização nacional e internacional. 
 
5.2 Educação financeira 
 
Muito se tem falado sobre a falta de conhecimento por parte da população 
brasileira sobre a área de finanças. Não estamos necessariamente discutindo 
aspectos complexos, como o mercado de opções e/ou mesmo o mercado financeiro 
e de investimentos, mas sim questões básicas que norteiam nossas ações no dia a 
dia. Desta forma, o governo federal incluiu o conteúdo como parte da grade de 
disciplinas no ensino básico no sentido de oferecer já aos novos estudantes a 
possibilidade de entender melhor como funciona um sistema financeiro básico e como 
podem contribuir, inclusive, para o orçamento familiar. 
Por outro lado, os conteúdos de finanças ainda estão limitados a alguns cursos 
da grande área de ciências sociais aplicadas, aqui representados pelos cursos de 
graduação em administração, bem como daqueles relacionados à própria finanças e 
de áreas que dela dependem, como comércio exterior, logística, supply chain, entre 
outros. 
Enfim, esse desconhecimento ainda está inserido em grande parte do 
empresariado brasileiro, seja pela questão da formação acadêmica, pela falta de 
interesse, pela percepção de importância e/ou mesmo pelo desconhecimento de 
conteúdos fundamentais para a gestão de negócios. Um exemplo é que ainda hoje 
algumas empresas brasileiras descontam os impostos internos e agregam os custos 
e despesas de exportação e utilizam o resultado com preço final de exportação para 
qualquer país (cada país deve ter um tratamento e estratégias de preços 
diferenciados). 
 
7 As 10 melhores criptomoedas para investir em 2019. Disponível em: 
https://guiadobitcoin.com.br/as-10-melhores-criptomoedas-para-investir-em-2019/. Acesso em: 8 nov. 
2019. 
 
about:blank
 
28 
 
6 CONCLUSÕES 
 
Os processos de internacionalização e respectivos negócios envolvem uma 
série de responsabilidades, haveres e direitos. Pensando desta forma, esses 
processos devem ser bem planejados e estruturados para que atinjam pelo menos 
três objetivos: 
 
 atender às necessidades do mercado, em especial de consumidores e futuros 
clientes; 
 atender às responsabilidades técnicas e legais de entidades domésticas e 
internacionais – leis e normas; 
 atender às necessidades de seus investidores e de todos aqueles que 
financiam as operações da empresa. 
 
Desta forma, o planejamento estratégico e os indicadores de gestão são 
fundamentais para o sucesso de todo negócio. Os indicadores de gestão financeira 
possibilitam com que a empresa tenha consciênciada consistência de seus 
investimentos e saiba o que deve esperar deles. Por outro lado, as auditorias internas, 
externas e internacionais monitoram se tudo está de acordo, garantindo a segurança 
para aqueles que dela necessitam. 
Barbosa (2019, p. 99) afirma que é importante que as empresas tenham a 
confiança de que tempos melhores virão e cabe ao setor financeiro a viabilização 
dessa confiança. 
A área financeira não tem somente a função de registrar e mostrar como a 
empresa está financeiramente, mas como está sua saúde em conjunto com as outras 
áreas estratégicas da empresa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
29 
 
REFERÊNCIAS 
 
APEXBRASIL. Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos. 
Capital Estrangeiro. Disponível em: http://www.apexbrasil.com.br/uploads/Ficha%2
0Legal%20-%20Capital%20Estrangeiro%20-
%20PORTUGU%C3%8AS%20%281%29.pdf. Acesso em: 2 nov. 2019. 
BANCO CENTRAL DO BRASIL. Capitais internacionais e mercado de câmbio no 
Brasil. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/content/estabilidadefinanceira/Docum
ents/Politica%20cambial/texto_tecnico/Capitais_Internacionais_Mercado_Cambio_Br
asil.pdf>. Acesso em: 2 nov. 2019. 
BANCO CENTRAL DO BRASIL. O que é inflação? Disponível em: 
https://www.bcb.gov.br/controleinflacao/oqueinflacao. Acesso em: 3 nov. 2019. 
BARBOSA, Fábio Colletti. O setor financeiro e a construção do nosso futuro. Revista 
daESPM. Ano 25, ed. 116, n. 3, julho/agosto/setembro de 2019. p. 96-99. 
BLOG GESTÃO DE SEGURANÇA PÚBLICA. Plano de Contingências: O que é? 
Conceitos, objetivos, como fazer. Disponível em: 
https://gestaodesegurancaprivada.com.br/plano-de-contingencia-conceitos/. Acesso 
em: 8 nov. 2019. 
CECCONELLO, Antonio Renato; AJZENTAL, Alberto. A construção do plano de 
negócios. São Paulo: Saraiva, 2008. 
CONTÁBEIS. Disponível em: https://www.contabeis.com.br/artigos/4714/auditoria-
contabil-como-instrumento-de-gestao-para-as-pequenas-e-medias-empresas/. 
Acesso em: 9 nov. 2019. 
DICIONÁRIO FINANCEIRO. O que é VPL. Disponível em: 
https://www.dicionariofinanceiro.com/valor-presente-liquido/. Acesso em: 9 nov. 2019. 
DICIONÁRIO FINANCEIRO. O que é TIR e como calcular. Disponível em: 
https://www.dicionariofinanceiro.com/tir-taxa-interna-retorno/. Acesso em: 9 nov. 
2019. 
EXAME. A receita do Habib’s. Disponível em: https://exame.abril.com.br/revista-
exame/a-receita-do-habib-039-s-m0078633/. Acesso em: 1 nov. 2019. 
FUNPRESP – JUD. Auditoria dos órgãos patrocinadores da Funpresp – Jud. 
Disponível em: https://www.funprespjud.com.br/auditoria-dos-orgaos-patrocinadores-
da-funpresp-jud/. Acesso em: 5 nov. 2019. 
GITMAN, Lawrence J. Princípios de administração financeira. 12. ed. São Paulo: 
Pearson, 2010. 
GUIA DO BITCOIN. As 10 melhores criptomoedas para investir em 2019. 
Disponível em: https://guiadobitcoin.com.br/as-10-melhores-criptomoedas-para-
investir-em-2019/. Acesso em: 8 nov. 2019. 
INFOMONEY. Banco Central inclui Bitcoin e criptomoedas na balança comercial. 
Disponível em: https://www.infomoney.com.br/onde-investir/banco-central-inclui-
bitcoin-e-criptomoedas-na-balanca-comercial/. Acesso em: 8 nov. 2019. 
ISTO É DINHEIRO. Como são eleitas as melhores. ano 21, n. 1140- A. São Paulo: 
Editora Três, 2019. 
 
30 
 
LOPES, Alexsandro Broedel. Finanças internacionais. Uma introdução. São Paulo: 
Atlas, 2003. 
MADURA, Jeff. Finanças corporativas internacionais. 8. ed. São Paulo: Cengage, 
2009. 
PETROBRAS. Principais subsidiárias e controladas. Disponível em: 
http://www.petrobras.com.br/pt/quem-somos/principais-subsidiarias-e-controladas/. 
Acesso em: 4 nov. 2019. 
PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. Lei 4.131 de 3 de setembro de 1962. Disponível em: 
http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%204.131-
1962?OpenDocument. Acesso em: 1 nov. 2011. 
SITEWARE. Entenda o que é compliance nas empresas e a importância deste 
conceito. Disponível em: https://www.siteware.com.br/processos/o-que-e-
compliance-nas-empresas/. Acesso em: 5 nov. 2019. 
TREASY. Como abrir uma filial de sucesso. Disponível em: 
https://www.treasy.com.br/blog/como-abrir-uma-filial-de-sucesso/. Acesso em: 1 nov. 
2019. 
VALOR ECONÔMICO. Finanças. Criptomoedas podem gerar eficiência, diz 
Presidente do BC. Disponível em: 
https://valor.globo.com/financas/noticia/2019/11/08/criptomoedas-podem-gerar-
eficiencia-diz-presidente-do-bc.ghtml. Acesso em: 8 nov. 2019.

Mais conteúdos dessa disciplina