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Sistema Financeiro Internacional, Câmbio e Finanças Unidade III Prof. Edmir Kuazaqui APRESENTAÇÃO Prof. Edmir Kuazaqui – Doutor e mestre em Administração. Pós-graduado em marketing e bacharel em administração com habilitação em comércio exterior. Coordenador e professor de MBA em administração geral, marketing internacional e formação de traders, pedagogia empresarial, compras, marketing, startups: marketing e negócios, comunicação e jornalismo digital e comércio exterior. Consultor- presidente da academia de talentos, empresa especializada em marketing, consultoria e treinamentos. Coordenador do grupo de excelência em relações internacionais e comércio exterior do Conselho Regional de Administração (CRA/SP). Autor de livros. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 3 2 EMPRESAS INTERNACIONALIZADAS .............................................................. 4 2.1 Aspectos financeiros dos processos de internacionalização ................ 6 2.2 Plano de contingências.............................................................................. 8 2.3 Considerações sobre a abertura de uma empresa no exterior .............. 9 3 AVALIAÇÃO FINANCEIRA DO PROCESSO DE INTERNACIONALIZAÇÃO .. 11 3.1 Análise econômico-financeira ................................................................. 15 3.2 Administração financeira internacional.................................................. 16 Riscos ............................................................................................... 17 3.3 RISCOS ECONÔMICOS E FINANCEIROS ............................................... 17 Inflação e câmbio ............................................................................ 18 Riscos políticos ............................................................................... 18 3.4 Análise de viabilidades ............................................................................ 18 4 COMPLIANCE E AUDITORIAS ......................................................................... 22 4.1 Compliance ............................................................................................... 22 4.2 Auditorias .................................................................................................. 23 5 OUTROS ASSUNTOS ........................................................................................ 26 5.1 Criptomoedas ........................................................................................... 26 5.2 Educação financeira ................................................................................. 27 6 CONCLUSÕES .................................................................................................. 28 3 1 INTRODUÇÃO Este livro-texto busca apresentar conteúdos relacionados aos processos de internacionalização e que influenciam no planejamento e na gestão. Iniciamos com os tipos de empresa que operam em mercados externos como extensões da casa matriz/sede. Seguimos com os aspectos financeiros desses processos dentro de uma visão formal do planejamento estratégico e discutimos a importância do plano de contingências. Apresentamos os principais indicadores de análise e de implantação/avaliação de um negócio. Ampliamos os conceitos e práticas de riscos. Finalmente, desenvolvemos conceitos relacionados à auditoria, às criptomoedas e a educação financeira. Ótima leitura! 4 2 EMPRESAS INTERNACIONALIZADAS Os processos de internacionalização podem derivar das operações mais simples, como as de exportação indireta, até as que envolvem a transferência de ativos e recursos econômicos e financeiros, como as aquisições e fusões internacionais, bem como os investimentos diretos. As quantidades de processos aumentam, bem como os direitos e as responsabilidades, sempre de acordo com a complexidade das operações. Uma empresa multinacional é aquela que tem extensões em várias regiões do mundo, produzindo e comercializando produtos e serviços. Pode ser uma unidade produtiva (fábrica), revendedora (varejo) e mesmo de serviços (como os de representação comercial). As filiais são consideradas como extensões da casa matriz, do ambiente doméstico para os mercados internacionais, que podem executar as mesmas operações no sentido de ampliar seu alcance de negócios. São características básicas como a posição legal separada e/ou em conjunto com a casa matriz que têm 100% de participação sobre as filiais, onde as contas podem ser analisadas em conjunto e separadamente. Não possuem autonomia plena de gestão. Um bom exemplo são as filiais do Banco Itaú em outros países, que aumentam a capilaridade geográfica, a possibilidade de acesso às linhas de crédito internacional e permitem uma maior base de clientes (carteira). As subsidiárias são extensões, que podem ou não executar as mesmas operações e cujo controle acionário é realizado por uma outra empresa, a holding, que está localizada no ambiente doméstico. Elas têm autonomia maior que as filiais. São características básicas como a posição legal separada da casa matriz, que tem 100% de participação sobre a holding, onde as contas devem ser analisadas separadamente. Segundo a Petrobras (2019), existiam a Petrobras Distribuidora, a Transpetro e a Gaspetro como subsidiárias e que funcionam como unidades estratégicas de negócios. Para ser considerada como subsidiária, a empresa tem de contemplar parte dos seguintes fatores: participação acionária, em que o capital da empresa é dividido por ações. conselho de administração, com uma composição experiente passível de decidir sobre a empresa. 5 Quadro 1 – Diferenças entre filial e subsidiária Critério Filial Subsidiária Subordinação Necessária para a sua sede. Necessária para a holding e/ou casa-matriz. Operações Deve realizar as mesmas operações comerciais que a sede. Pode ou não realizar as mesmas operações comerciais que a sede. Aspectos legais Entidade legal e identidade idênticas. Entidade legal e identidade separadas da controladora. Contas Pode haver a sua manutenção conjunta e/ou individual. Manutenção de contas separadas. Investimento 100% de investimento inicial na sua extensão. Geralmente de 50 a 100% de investimento inicial na sua extensão. O restante deve vir de sua controladora. Responsabilidades A sede deve quitar as dívidas em caso de inadimplência de suas filiais. As responsabilidades da subsidiária não se estendem para a controladora. Em caso de prejuízo. A filial deverá ser fechada se assim for necessário. A subsidiária poderá ser vendida para terceiros. Assim, as duas formas jurídicas servem para aumentar a capacidade geográfica da empresa para atender o mercado, tendo cada uma delas determinado nível de autonomia. Pode-se afirmar categoricamente que: as filiais aumentam a expansão e distribuição de produtos e serviços. Servem como formas de poder ampliar a marca da empresa, produtos e serviços. as subsidiárias aumentam a expansão de negócios. Podem atender as necessidades de segmentos de mercados e aproveitar oportunidades inexploradas. Lopes (2003) afirma que as empresas têm diversificado cada vez mais seus investimentos de forma a obter mais retorno financeiro, bem como diminuir os riscos. São dois itens diferentes, mas que se complementam de alguma forma. A diversificação da carteira de investimentos implica expansão geográfica e respectivo alcance, bem como escalabilidade de negócios (ou melhor, o aumento das vendas e respectiva produção, o aprendizado pelo contato com as novas experiências e desafios que o mercado internacional proporciona). 62.1 Aspectos financeiros dos processos de internacionalização Vimos, nas unidades anteriores, que a empresa pode ser aberta e seus investimentos lastreados em recursos próprios e de terceiros. Considerando a transferência de recursos econômicos e financeiros além-mar, o uso de capital deve considerar os volumes envolvidos e a questão do custo oportunidade do negócio, em que os acionistas/proprietários podem entender que não é um investimento seguro e rentável; desta forma, a aplicação de recursos de terceiros nos processos de internacionais apresenta uma série de benefícios e/ou justificativas mais fortes, como: Quadro 2 – Fatores internacionais e sua influência sobre as empresas multinacionais Fator Empresa A (nacional) Empresa B (multinacional) Propriedade de estrangeiros. Todos os ativos pertencem a entidades domésticas. Participação de sócios estrangeiros nos investimentos externos, afetando a tomada de decisões e os lucros obtidos no exterior. Mercados de capitais multinacionais. Estruturas de capital próprio e de terceiros baseadas no mercado de capitais local. Oportunidades e desafios surgem dos diferentes mercados de capitais, nos quais as empresas emitem títulos de dívida e ações. Contabilidade multinacional. Todas as consolidações de demonstrações financeiras baseadas em uma moeda. Diferentes moedas e regras específicas de conversão contábil afetam a consolidação das demonstrações financeiras em uma única moeda. Riscos de câmbio. Todas as operações feitas em uma única moeda. Flutuações nos mercados de câmbio podem afetar as receitas e os lucros obtidos no exterior, assim como o valor geral da empresa. Fonte: adaptado de Gitman (2010, p. 686). Ainda sobre as questões relativas aos riscos de variações, as empresas têm a sua disposição mecanismos de prevenção para que haja a desvalorização dos ativos e reflexos nos resultados de negócios. Lopes (2003) afirma que os derivativos são produtos financeiros que melhoram o rendimento de aplicações financeiras (especulação) e servem como valiosa proteção contra os riscos e como arbitragem entre taxas e moedas internacionais. Uma das operações que representa esta categoria é o swap de moeda, que envolve o pagamento da diferença das flutuações de duas moedas sobre um montante em moeda nacional. 7 Outros fatores devem ser analisados, conforme a figura a seguir, que interferem no sucesso ou fracasso do empreendimento e, consequentemente, no fluxo de caixa internacional. Figura 1 – Responsabilidades nas extensões internacionais Fonte: Treasy.1 Não é possível desenvolver o planejamento financeiro sem considerar uma margem de erro, que deve ser aceitável e geralmente atribuída por erros de premissas e interpretações equivocadas e/ou mesmo por previsões por demais otimistas. Um outro fator preponderante é que o planejamento financeiro é realizado, por vezes, em determinados cenários e situações, e as operações bem depois, com características e condições diferentes. Tomemos esses exemplos (vivenciados pelo autor): Um representante intermediou pela primeira vez a importação (recompra) de uma máquina cuja vida útil era em torno de vinte anos. Entretanto, a máquina apresentou alguns defeitos depois de quatro anos e ele teve de assumir os gastos com o envio para conserto no país de origem e a reimportação, pois não atentou às cláusulas do contrato entre as partes intervenientes, o que causou prejuízo para a operação. Outro exemplo se refere a um plano de negócios que envolveu a produção e venda de um produto com grande margem de rentabilidade. Ocorre que a empresa realizou todo o planejamento financeiro a partir de um volume de compra de seus fornecedores, que concederam um substancial desconto financeiro. 1 Disponível em: https://www.treasy.com.br/blog/como-abrir-uma-filial-de-sucesso/. Acesso em: 1º nov. 2019. 8 Por problema de caixa de curto prazo, a empresa não teve condições de realizar a compra nos volumes necessários e não obteve o desconto prometido e nem tampouco os prazos de pagamento mais extensos. Em síntese, a margem de lucratividade foi bastante diferente do planejado, o que influenciou negativamente nos resultados do período e nos reinvestimentos planejados. Desta forma, a empresa deve entender que deve haver uma margem de segurança baseada nas possíveis variáveis a partir de cenários prováveis. A análise de cenários é fundamental para alertar a empresa de diferentes situações que podem ocorrer e de como a empresa consegue preveni-las. Em situações mais extremas, temos a necessidade de um plano de contingências. 2.2 Plano de contingências Para a realização de um planejamento estratégico, é necessária a identificação de variáveis que influenciam o sucesso e/ou o fracasso de um negócio. Por exemplo: uma empresa pode entender que as variáveis como o Produto Interno Bruto (PIB), a variação da taxa de câmbio e o poder de compra são essenciais para a análise de viabilidade aparente do negócio. O plano de contingências parte da premissa de que pode ocorrer alguma variação menor nessas variáveis e, consequentemente, a empresa deverá identificar o que deverá ser feito para amenizar os possíveis impactos que podem ocorrer. Figura 2 – Plano de contingências Fonte: Blog Gestão de Segurança Pública (2019).2 Então, o plano de contingência é um desdobramento do planejamento estratégico. Nenhum planejamento estratégico pode ser considerado definitivo e deve ter uma previsibilidade de margem de erros, que devem ser atenuados. É um conjunto de medidas e ações que são adotados em casos extremos de emergência, em situações que exigem determinados tipos de controles. Alguns autores e empresas também contextualizam como um plano de recuperação ou mesmo de continuidade; entretanto, considero muito forte o termo “plano de recuperação”, pois denota a ideia de que a situação deve ser muito grave. 2 Disponível em: https://gestaodesegurancaprivada.com.br/plano-de-contingencia-conceitos/. Acesso em: 08 nov. 2019. about:blank 9 Na prática, todo planejamento estratégico deve ser estruturado a partir de variáveis macroambientais – como as econômicas, financeiras, demográficas, tecnológicas, entre outras –, que influenciam o cenário onde as empresas e negócios estão inseridos. Desta forma, é prudente a empresa realizar simulações com as variáveis mais significativas, para antever que desvios de rotas deverão ser realizados no futuro. Outro exemplo: estimamos a receita futura deste ano a partir da análise das variáveis de receita da empresa contextualizado com o Produto Interno Bruto (PIB) dos cinco últimos anos. Porém, as vendas estão indicando um decréscimo por razões ainda não conhecidas pelos envolvidos. E essa queda tem relação também com o PIB. Que ações emergenciais podem ser realizadas para atenuar a falta das vendas? Aumentar os investimentos em marketing? Ou em vendas? É possível reduzir custos e despesas? 2.3 Considerações sobre a abertura de uma empresa no exterior A abertura de uma empresa no exterior como extensão natural da empresa do país de origem para o país destino requer uma significativa reestruturação organizacional da empresa já existente e uma nova, com processos definidos e novos fluxos financeiros. Tomemos como exemplo o Habib’s (Alsaraiva Comércio Empreendimentos Imobiliários e Participações Ltda). Fundado em 1988 por Antonio Alberto Saraiva, obteve crescimento considerável pela utilização do sistema de franquias, que possibilitou uma expansão dos pontos de vendas. Um dos pontos-chave para o desenvolvimento sustentado da rede foi que o aumento da oferta permitiu que a empresa obtivesse grande produtividade e economia de escala, poispreferiu, dentro de suas estratégias, a verticalização de seus processos de produção. Conforme a Exame (2019), existe uma cozinha central em cada estado onde grande parte da comida é produzida, como as massas de esfirras a serem distribuídas nas lojas da região. Nesta situação, a empresa tem grande poder de barganha junto aos fornecedores de matéria-prima e serviços. Além disso, possui marcas próprias que fornecem para a rede, como a Arabian Bread (panificação e doces), Promilat (queijos) e Ice Lips (sorvetes), por exemplo. Tomando como referência este modelo, a empresa terá dificuldades ao iniciar seu processo de internacionalização, pois não conseguirá reproduzir a atual estrutura, que possibilita a economia de escala e produtividade, tendo de criar uma estrutura organizacional em outro país, que será financiada pela receita do negócio no Brasil. Em outras palavras, terá de iniciar o negócio em terras estrangeiras com mais investimentos e obter a produtividade e economia de escala de acordo com o desenvolvimento de seus negócios. Em casos de internacionalização, não devemos esquecer que a empresa, embora seja extensão de negócios de uma empresa brasileira, necessita atender as diferentes demandas e deveres do país-destino. 10 Pensando em uma instituição financeira brasileira – um banco, por exemplo –, com filiais no exterior, estas deverão estar organizadas de acordo com a legislação local, mas desempenhando uma extensão de negócios e fluxo financeiro da empresa, que pode, entre outros benefícios, ter acesso a linhas de empréstimos internacionais e repassar a cada matriz. 11 3 AVALIAÇÃO FINANCEIRA DO PROCESSO DE INTERNACIONALIZAÇÃO A literatura sobre o assunto não é específica, até em razão de o processo de internacionalização envolver particularidades da empresa, do produto, do ambiente e da região onde o negócio será desenvolvido. Cada operação será diferente em cada região. A partir de diferentes fontes, inclusive da revista Isto É Dinheiro (2019, p. 23), destacamos itens a serem analisados quando do início do processo da internacionalização de uma empresa e/ou negócio. Destacamos os principais: Variação e posição da receita no setor. Relação disponibilidades/empréstimos e financiamentos de curto prazo. Relação dívida total líquida/patrimônio líquido. Margem Ebidta (Earning Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization ou, em português, LAJIDA (Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) – (Ebdta/receita) Rentabilidade do patrimônio líquido (lucro líquido/patrimônio líquido). Variação e posição da receita no setor: Indica a posição da receita no setor e a média estimada do retorno financeiro de empresas de um mesmo setor econômico, como, por exemplo, o automobilístico. Desta forma, a empresa, ao ingressar em um novo segmento econômico, deve pesquisar qual é esta média de ganhos das empresas e que ações devem ser formuladas no sentido de se diferenciarem dos concorrentes e estarem acima desta média. Outro ponto complementar é em quanto tempo a receita irá contribuir para o retorno do capital inicial investido, descontados os gastos contextualizados com o capital de giro e outros agregadores. Margem Ebidta (Ebdita/receita): o Ebidta é um indicador financeiro que possibilita conhecer o desempenho do fluxo de caixa de um determinado negócio, permitindo analisar o desempenho financeiro e não financeiro da empresa. O lucro operacional da empresa é representado pela receita operacional líquida menos os custos e despesas comerciais, administrativas e operacionais, excluídas as movimentações financeiras. Cecconello e Ajzental (2008) apresentam o seguinte exemplo: 12 Conta Ano 01 Ano 02 Ano 03 Receita bruta de vendas ( - ) Deduções de vendas = Receita líquida de vendas ( - ) Gastos proporcionais de vendas Custos de produção Despesas de vendas = Margem de contribuição ( - ) Gastos fixos operacionais Custos fixos de produção Despesas fixas Depreciações/amortizações = Resultado operacional (lucro ou prejuízo) ( - ) Imposto de Renda (IR) = Resultado operacional após o IR Geração de caixa (por período) Fonte: adaptado de Cecconello e Ajzental (2008, p. 230-237). Esta é uma forma tradicional de representação. Entretanto, cada item citado merece maior ou menor detalhamento de acordo com a sua importância e relevância dentro do planejamento estratégico. Rentabilidade do patrimônio líquido (lucro líquido/patrimônio líquido): Se por um lado a empresa deve ter capital próprio, o quanto este está sendo remunerado aos investidores? Conforme entendimentos anteriores, os investidores necessitam de retornos financeiros melhores do que o mercado financeiro pode oferecer em relação ao investido no negócio. Por outro lado, como esses recursos próprios agregam valor para a empresa? Esse tipo de rentabilidade procura mensurar a rentabilidade que uma empresa gera a partir de seus recursos. Tem como objetivo a comparação entre as rentabilidades de empresas do mesmo setor econômico. 13 Relação disponibilidades/empréstimos e financiamentos de curto prazo: Representam a capacidade de pagamento da empresa em relação às obrigações de curto prazo. Geralmente a saúde financeira de uma empresa pode ser avaliada pelo volume e condições de seus haveres (dívidas) de curto prazo. Se em excesso, interferem sobremaneira na gestão do negócio, sendo mais aconselhável obrigações de longo prazo. Figura 3 – Rentabilidade do patrimônio líquido Os dados necessários para a análise estão contemplados nas demonstrações contábeis e no balanço patrimonial e, desta forma, devidamente representados nas contas do ativo circulante e do passivo circulante. O que está retratado na figura anterior é denominado “liquidez corrente”. Desta forma: Fórmula: liquidez corrente = ativo circulante passivo circulante Se maior que 1, demonstra que a empresa tem folga na disponibilidade de recursos financeiros para quitar suas dívidas. Se igual a 1, demonstra que existe um equilíbrio entre direitos e deveres financeiros da empresa. Se menor que 1, não existem recursos financeiros disponíveis para quitar as obrigações de curto e, desta forma, a empresa deve tomar as devidas providências se desfazendo de algum tipo de ativo, aumentando as vendas, negociando prazos com seus fornecedores e outras ações. Por outro lado, os estoques, que também são ativos, podem não ter a liquidez compatível, por serem específicos ou de baixa utilização pela empresa. Então, temos o índice de liquidez seca demonstrado na fórmula a seguir: Fórmula: liquidez seca = ativo circulante - estoques passivo circulante Um índice considerado mais conservador considera os recursos financeiros que têm liquidez rápida, ou seja, liquidez imediata, como o caixa, saldos da rede bancária, bem como as aplicações financeiras que podem ser convertidas imediatamente em valores monetários. Sua importância está centrada em uma forma rápida de análise sobre a empresa. Segue fórmula representativa: Direitos de curto prazo caixa, bancos, estoques etc. Deveres de curto prazo empréstimos, financiamentos, fornecedores, impostos etc. 14 Fórmula: liquidez imediata = ativo circulante com liquidez imediata passivo circulante Finalmente, temos o índice de liquidez geral, que considera os direitos e obrigações de longo prazo no sentido de analisar a situação de longo prazo da empresa. Segue a fórmula: Fórmula: liquidez geral = ativo circulante + realizável a longo prazo passivo circulante + passivo não circulante A análise de liquidez é uma das mais tradicionais e diretas para a análise financeira de uma empresa. Pode ser realizada individualmente, mas recomenda-se a análise conjunta para uma visãomais integrada e comparativa com os propósitos, metas e objetivos da empresa (ou seja, no curto e médio prazo) de forma efetiva. Relação dívida total líquida/patrimônio líquido: Trata-se de uma das principais formas de medir e analisar o grau de endividamento da empresa. Segue a fórmula: Fórmula: Passivo líquido Patrimônio líquido Indica o volume de dívidas que a empresa está utilizando em contraponto aos investimentos dos acionistas. De forma em geral, empresas que adotam uma relação elevada de endividamento possuem estratégias mais agressivas e com margem de risco proporcional, como no caso de empresas siderúrgicas, que exigem altos investimentos e retorno no longo prazo. Esse risco pode estar atrelado à situação econômica em que a empresa está inserida, ao aumento repentino das taxas de juros, bem como às flutuações cambiais e até erros de previsão de vendas e premissas orçamentárias equivocadas. Entretanto, espera-se também melhores retornos financeiros, em que os lucros dessa estratégia devem gerar lucros maiores que os custos de dívidas. Se sim, a empresa está obtendo os resultados e respeitando os investimentos dos acionistas. Se não, estão delapidando os respectivos investimentos. Por isso, deve-se tomar as devidas precauções, pois isso pode levar a empresa a graves problemas e, inclusive, em casos extremos, à recuperação judicial. 15 3.1 Análise econômico-financeira A análise de viabilidade econômico-financeira permite identificar indicadores que sustentam o processo decisório – se vale a pena ou não o investimento em determinado negócio e se o processo de internacionalização poderá ser realizado de forma a suprir as necessidades de crescimento sustentado da empresa. São estes os métodos tradicionais que permitem a análise do fluxo de caixa do projeto e da tomada de decisão: Resultado econômico-operacional de cada período, em que é possível analisar e avaliar a partir de um padrão histórico, envolvendo, por exemplo, os últimos cinco anos e a projeção para o mesmo período futuro. Total de gastos não financeiros, depreciações e amortizações ao longo dos períodos, em que se deve analisar as responsabilidades que a empresa tem adotado e que outras práticas e ajustes podem ser realizados de forma a respeitar e otimizar os recursos disponíveis. Geração operacional de caixa, avaliando a capacidade da empresa em gerar os valores monetários necessários para atender as necessidades da empresa, bem como a possibilidade de constituir uma reserva estratégica financeira. Investimentos necessários iniciais, pois nenhuma empresa e/ou negócio já inicia com as receitas previstas no planejamento estratégico. Desta forma, a empresa tem uma série de responsabilidades e haveres prévios, como as despesas pré-operacionais (até, por exemplo, os custos de abertura da empresa), imobilizados (local da empresa, armazém, por exemplo) e capital de giro (valores monetários para suportar as saídas de capital nos primeiros meses) e também do valor residual dos investimentos imobilizados (como os derivados das depreciações). Capital de giro incremental a cada período a empresa necessita de recursos financeiros adicionais para manter as suas operações, pois ainda não obteve a receita necessária para cobrir o montante relativo aos custos de mão de obra, fixos, entre outros. Taxa mínima de atratividade do negócio exigida pelos sócios, bem como custo médio das fontes de terceiros, ou seja: o quanto os investidores desejam ter como retorno aos recursos empregados na empresa. 16 3.2 Administração financeira internacional Além do que foi analisado, conforme Gitman (2010, p. 699), existem itens importantes na administração financeira internacional que envolvem compromissos de longo prazo. Seguem os principais: Investimento Estrangeiro Direto (IED). Fluxos de caixa e decisões de investimentos. Estrutura de capital. Endividamento de longo prazo. Investimento Estrangeiro Direto (IED): Gitman (2010, p 699) define sinteticamente como a “transferência de uma empresa multinacional, de capital, de capacidade de gestão e de tecnologia de seu país-sede de origem a um país anfitrião”. Trata-se, a princípio, de um caminho de mão dupla, pois envolve a necessidade de autorizações e registros na saída dos recursos do país de origem, bem como na entrada no país anfitrião. Fluxos de caixa, endividamento de longo prazo e decisões de investimentos: Conforme visto em materiais anteriores, a internacionalização pode ocorrer em diferentes situações e regiões, tornando o processo de análise específico para cada caso. Então, não é possível particularizar para cada mercado, mas pelo menos estabelecer premissas a partir do país de origem. Pode-se inferir determinadas premissas para poder ampliar a discussão: Qual é a composição do capital utilizado no Investimento Estrangeiro Direto (IED)? Quais são as condições de aquisição dos recursos produtivos necessários para o desenvolvimento de negócios da empresa? Serão considerados os recursos obtidos pela matriz ou adquiridos no país- destino? Quais são as alíquotas de tributos a serem pagos? Existem formas de amenizar essas saídas obrigatórias de caixa? A expatriação de capital pode ocorrer conforme o previsto, ou o país-destino pode interferir no fluxo? Existem barreiras de entrada e saída do capital investido? Estrutura de capital: Sobre a composição do capital, temos o capital próprio e o de terceiros e como orientação básica, pode compor parte do investimento estrangeiro direto, mas não a sua totalidade, sendo recomendável a participação de terceiros, oriundos da iniciativa privada, bem como da pública, como no caso do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). 17 Endividamento de longo prazo: A empresa deve analisar, entre diversos fatores, a qualidade e a consistência do que foi solicitado como recursos financeiros, bem como de seu emprego estratégico. Percebe-se que endividamentos de longo prazo devem acompanhar efetivamente o desenvolvimento econômico, financeiro e social do empreendimento. Riscos Conforme Gitman (2010, p. 700), a empresa incorre em três riscos em relação ao fluxo de caixa internacional, a saber: Riscos econômicos e financeiros. Riscos de inflação e câmbio. Riscos políticos. Quadro 3 – Riscos considerando o nível de desenvolvimento de países Variáveis Economias menos desenvolvidas Economias mais desenvolvidas Retorno Taxas mais atrativas Taxas menos atrativas Risco Maior Menor Prazo de retorno Maior Menor Outras variáveis Depende da empresa e do mercado Depende da empresa e do mercado 3.3 Riscos econômicos e financeiros As três variáveis – retorno financeiro, plano de retorno do investimento inicial e grau de risco envolvido – são as básicas que são avaliadas e outras variáveis são agregadas de acordo com cada situação – mercado e empresa. Para todas as variáveis é fundamental estipular um peso de importância Na Unidade 2 estudamos as moedas internacionais. Madura (2009, p. 18) afirma que a “flutuação da taxa de câmbio poderá afetar a demanda estrangeira pelo produto da empresa. Quando a moeda nacional se fortalece, os produtos denominados nesta moeda tornam-se mais caros para clientes estrangeiros”. Neste 18 caso, a demanda poderá ser afetada e, consequentemente, o consumo e a receita da empresa. Inflação e câmbio Conforme o Banco Central do Brasil (2019), é definido como o aumento dos preços de bens e serviços, incorrendo em impactos no poder de compra. No caso da internacionalização, pode acarretar, entre os investimentos realizados para o processo, o efeito da inflação e os retornos financeiros considerando, entre outros fatores, os valores a partir da conversão cambial. Riscos políticos Envolvea possibilidade de o país anfitrião não ter condições ou interesse em autorizar a saída ou mesmo a entrada de capital estrangeiro. No decorrer do século XX, as empresas brasileiras assumiam compromissos no formato de empréstimos e financiamentos internacionais, porém o país não tinha reservas suficientes em moedas estrangeiras para enviar os credores internacionais. Por outro lado, países com instabilidade econômica podem impor barreiras, limites ou mesmo proibir a saída de moeda para os respectivos países de investidores internacionais. 3.4 Análise de viabilidades A empresa deve realizar em seus empreendimentos domésticos e internacionais uma análise de viabilidades que permita, de forma consolidada e consistente, entender que retornos financeiros serão realizados, em que prazos e de que formas os recursos estratégicos devem ser utilizados no sentido de atender as necessidades de crescimento sustentado da empresa, bem como de seus proprietários, investidores e acionistas. 19 Figura 4 – Resumo da viabilidade Resumidamente temos, conforme Cecconello e Ajzental (2008, p. 227), a análise de viabilidade econômico-financeira: Preparação de premissas: Plano de vendas; Plano de produção; Suprimentos; Gastos com pessoal; Gastos fixos; Condições operacionais; Investimentos; Estrutura de capital; TMA. A Taxa Mínima de Atratividade (TMA) consiste em identificar qual o mínimo que o investidor estará disposto a ganhar, ou, sob outra perspectiva, qual o montante máximo que este mesmo investidor estará propenso a investir para realizar e contribuir para um determinado investimento. Será que valerá a pena deslocar o dinheiro do caixa da empresa para ter o retorno estimado e/ou prometido? Comentamos que a estrutura de capital pode ser própria e/ou de terceiros. Conforme Lopes (2003), as empresas não precisam necessariamente recorrer ao investimento estrangeiro direto para financiar as suas operações internacionalmente, mas utilizar os fundos mútuos de investimentos internacionais. Ainda segundo o autor, esses fundos mútuos de investimentos internacionais se constituem em excelentes oportunidades para empresas que não têm condições econômicas e financeiras para atuar em mercados internacionais, porém identificam e querem investir em oportunidades interessantes de mercado. ABC ANÁLISE DA VIABILIDADE Pessimista Realista Otimista VPL 89.536,59 TIR 24,54% IL 1,198970199 PAYBACK DESCONTADO (ANOS) 4,10 Cenários 20 Projeção de resultados: Demonstração de resultados; Geração operacional de caixa; Análise de consistência; Capital de giro líquido; Balanço patrimonial. Seguem os três principais indicadores para a análise de viabilidade econômico- financeira. Payback simples: representa o tempo necessário para amortizar o investimento inicial. Fórmula: payback simples = investimento inicial ganhos no período Valor Presente Líquido (VPL): é uma medida em valores monetários (dinheiro) que representa o valor líquido restante do investidor depois da amortização do investimento inicial. Trata-se da soma algébrica das entradas geradas a cada período, cujos valores são descontados por uma taxa definida pelo investidor considerando o período – prazo de cada geração de caixa. Figura 5 – Fórmula do Valor Presente Líquido (VPL) Fonte: Dicionário financeiro (2019).3 Em que: FC = Fluxo de caixa TMA = Taxa mínima de atratividade J = Período de cada fluxo de caixa Taxa Interna de Retorno (TIR): indica a taxa de retorno (percentual) que o negócio proporciona a partir do fluxo de caixa. 3 Disponível em: https://www.dicionariofinanceiro.com/valor-presente-liquido/. Acesso em: 09 nov. 2019. about:blank 21 Figura 6 – Fórmula de Taxa Interna de Retorno (TIR) Fonte: Dicionário financeiro (2019).4 Em que: FC = Fluxos de caixa I = Período de cada investimento N = Período final do investimento A análise de sensibilidade procura determinar o efeito de variação de determinado item dentro de um valor total, indicando a importância do item contextualizada com o resultado. Seguem algumas variáveis: volume; preço; gastos variáveis; gastos fixos; investimentos. 4 Disponível em: https://www.dicionariofinanceiro.com/tir-taxa-interna-retorno/. Acesso em: 09 nov. 2019. about:blank 22 4 COMPLIANCE E AUDITORIAS A evolução da sociedade e o crescimento das operações entre pessoas, empresas e países aumentaram a complexidade das operações financeiras, que nem sempre ocorrem de acordo com as normas e leis vigentes no âmbito nacional e internacional. Figura 7 – Compliance Fonte: Siteware5. 4.1 Compliance As empresas procuram agir de acordo com as normas e leis do ambiente onde realizam suas operações. Pode-se definir o termo como um conjunto de práticas e ferramentas corporativas que norteiam os processos internos e que podem ser controlados e reduzir os possíveis riscos que a empresa pode ter ao desenvolver seus negócios em base nacional e internacional. Todas as operações e atividades de uma empresa são decodificadas como processos autônomos, complementares e sequenciais, que devem ser registrados para que haja a análise de cada parte e que ela seja passível de gestão e controle. Compliance consiste em um completo alinhamento com as normas e regras de órgãos externos com as práticas internas. É uma política que determina procedimentos, normas e controles de avaliação, tendo como base: transparência, com a informação circulando de maneira a promover a compreensão de todo o negócio, de forma direta e objetiva dentro da empresa. É o ponto fundamental do compliance; disciplina, seguindo diretrizes e protocolos; avaliar riscos; aderência e atendimento às normas e leis vigentes no país e internacionalmente; tratamento das não conformidades, ou seja, das exceções; criação de medidas corretivas e preventivas; localizar erros e fraudes; 5 Disponível em: https://www.siteware.com.br/processos/o-que-e-compliance-nas-empresas/. Acesso em: 5 nov. 2019. about:blank 23 evitar a lavagem de dinheiro; manutenção e atualização das normas internas. Complementando o item sobre riscos, Lopes (2003, p. 84-86) comenta que os principais a serem relevados são: estabilidade política, pois em caso de desequilíbrio pode ocasionar a possibilidade de limites, restrições ou mesmo proibições de remessas de capital estrangeiro; fuga de capitais; irresponsabilidade fiscal; entraves no sistema de controle cambial; gastos governamentais descontrolados; base tecnológica e recursos em geral; ajuste aos choques externos pela economia local. Existem benefícios importantes a partir da adoção do compliance financeiro: fortalecimento da credibilidade institucional (imagem corporativa refletida nos diferentes investidores); aprofundamento do comprometimento, credibilidade e engajamento organizacional; credibilidade e fortalecimento da imagem perante os diferentes públicos de interesse; vantagem competitiva de negócios; transmissão da integridade da empresa; mais e melhor visibilidade no mercado; mais eficiência, pois os processos devem ser executados de forma precisa e dentro de aspectos legais. 4.2 Auditorias A auditoria é uma necessidade empresarial que consiste na revisão de registros, operações e transações que resultem nas demonstrações financeiras. Tais procedimentos são necessários para assegurar a credibilidade dos dados e informações, ou seja, das demonstrações financeiras e de outros documentos e relatórios decorrentes. 24 Figura8 – Auditoria Fonte: Contábeis (2019).6 Além dos objetivos citados, a auditoria (operacional, financeira e de cumprimento) possibilita a identificação de deficiências nas áreas da empresa, nas quais deve procurar a regularização. Na auditoria financeira é possível perceber se as demonstrações estão de acordo com os princípios contábeis e financeiros vigentes. A auditoria de cumprimento está relacionada na revisão e comprovação dos controles e aspectos e procedimentos operacionais da empresa. Já a auditoria operacional visa mensurar o grau que os objetivos e metas da empresa estão sendo atingidos a partir de todas as suas atividades. Figura 9 – Tipos de auditorias De forma em geral, temos a possibilidade de três tipos de auditoria, de acordo com o porte, situação da empresa, características, se nacional, internacional e dependendo da estrutura de capital. Auditoria interna: auditagem sob responsabilidade da própria empresa, fazendo parte – os colaboradores internos – do quadro funcional da empresa. Objetivo principal – salvaguardar a segurança para os proprietários e gestores da empresa. 6 Disponível em: https://www.contabeis.com.br/artigos/4714/auditoria-contabil-como-instrumento-de- gestao-para-as-pequenas-e-medias-empresas/. Acesso em: 9 nov. 2019. Empresa (Casa-matriz/sede) Empresa (Filial) País de origem País-destino Auditoria interna Auditoria interna Auditoria externa Auditoria externa Auditoria internacional 25 Auditoria externa: auditagem sob responsabilidade de auditores externos à empresa – outra empresa isenta e neutra. Objetivo principal – Salvaguardar a segurança para os proprietários, acionistas e investidores da empresa. Outro ponto é que a auditoria interna, se constituída por colaboradores internos, pode influenciar na parcialidade e na neutralidade da auditagem e providências. Auditoria internacional: auditagem sob responsabilidade de auditores externos internacionais à empresa (filial). Além da auditagem normal, podem ser estabelecidas aquelas relacionadas diretamente ao ambiente internacional onde a empresa está inserida, bem como verificar se as formas e critérios de remessa de royalties estão sendo realizadas conforme acordado entre as partes. Objetivo principal – Salvaguardar a segurança da casa-matriz/sede sobre a filial. 26 5 OUTROS ASSUNTOS Na primeira unidade apresentamos a evolução da moeda e aspectos gerais. Na segunda, incluímos as características e os comentários sobre as moedas fortes. Agora vamos entender o conceito de criptomoedas. 5.1 Criptomoedas A evolução do ambiente digital propiciou um grande desenvolvimento econômico e social. Uma das consequências foi o aprofundamento da expansão do comércio no mercado externo, das empresas e dos negócios internacionalmente. Com o incremento dos negócios e das operações em mercados interno e externo, também ocorreu o desenvolvimento das formas e dos meios de pagamento, que permitiram uma facilitação tanto para quem compra, como para quem vende produtos e serviços. E dentro deste relacionamento, temos os prestadores de serviços, que sustentam as operações e entidades normativas. Uma das consequências gerais foi a criação e desenvolvimento de espécies de moedas virtuais que, a princípio, não têm relação direta com a moeda física da forma como a conhecemos e tampouco com a multiplicidade de leis que garantem direitos e deveres entre as partes intervenientes – muito pelo contrário. Ainda não existe uma uniformidade sobre sua utilização. Nem todos têm acesso à internet e têm o hábito de usar as ferramentas digitais para transações que envolvam valores monetários. Grande parte das transações digitais ainda estão relacionadas aos meios tradicionais de pagamento, como cartão de crédito, transações em conta corrente, entre outros, em moeda “normal”. Talvez com a tendência do crescimento das fintechs haja uma reversão desse processo. Outro ponto é que ainda não existe uma legislação internacional e nacional que propicie para as partes intervenientes uma clareza sobre procedimentos, controles, responsabilidades, direitos, deveres e até sistemas de punição que visem dar mais segurança para os usuários de criptomoedas. Este é um dos principais pontos. Conforme o Infomoney (2019), constituem-se em ativos não financeiros produzidos. Em outras palavras, são digitais que não possuem registro aduaneiro, mas as trocas – compra e venda – por pessoas residentes do Brasil implicam na celebração de contratos de câmbio. Outros consideram como forma de moeda ideal, “limpa”, pois não exige a impressão e material físico que exige uma estrutura para o seu desenvolvimento. Outro ponto é a dependência dos instrumentos que propiciem acesso aos ambientes digitais, como computador e celular, por exemplo. 27 Figura 10 – Criptomoedas Fonte: Guia do Bitcoin.7 Conforme o Valor Econômico Finanças (2019), criptomoedas são instrumentos que visam atender a demanda por trocas e pagamentos mais rápidos, transparentes, ágeis e seguros. Entretanto, conforme comentado, a falta de uma legislação e normatização nos países e as diferentes especificidades de cada criptomoeda, tornam-na ainda uma moeda de baixa utilização nacional e internacional. 5.2 Educação financeira Muito se tem falado sobre a falta de conhecimento por parte da população brasileira sobre a área de finanças. Não estamos necessariamente discutindo aspectos complexos, como o mercado de opções e/ou mesmo o mercado financeiro e de investimentos, mas sim questões básicas que norteiam nossas ações no dia a dia. Desta forma, o governo federal incluiu o conteúdo como parte da grade de disciplinas no ensino básico no sentido de oferecer já aos novos estudantes a possibilidade de entender melhor como funciona um sistema financeiro básico e como podem contribuir, inclusive, para o orçamento familiar. Por outro lado, os conteúdos de finanças ainda estão limitados a alguns cursos da grande área de ciências sociais aplicadas, aqui representados pelos cursos de graduação em administração, bem como daqueles relacionados à própria finanças e de áreas que dela dependem, como comércio exterior, logística, supply chain, entre outros. Enfim, esse desconhecimento ainda está inserido em grande parte do empresariado brasileiro, seja pela questão da formação acadêmica, pela falta de interesse, pela percepção de importância e/ou mesmo pelo desconhecimento de conteúdos fundamentais para a gestão de negócios. Um exemplo é que ainda hoje algumas empresas brasileiras descontam os impostos internos e agregam os custos e despesas de exportação e utilizam o resultado com preço final de exportação para qualquer país (cada país deve ter um tratamento e estratégias de preços diferenciados). 7 As 10 melhores criptomoedas para investir em 2019. Disponível em: https://guiadobitcoin.com.br/as-10-melhores-criptomoedas-para-investir-em-2019/. Acesso em: 8 nov. 2019. about:blank 28 6 CONCLUSÕES Os processos de internacionalização e respectivos negócios envolvem uma série de responsabilidades, haveres e direitos. Pensando desta forma, esses processos devem ser bem planejados e estruturados para que atinjam pelo menos três objetivos: atender às necessidades do mercado, em especial de consumidores e futuros clientes; atender às responsabilidades técnicas e legais de entidades domésticas e internacionais – leis e normas; atender às necessidades de seus investidores e de todos aqueles que financiam as operações da empresa. Desta forma, o planejamento estratégico e os indicadores de gestão são fundamentais para o sucesso de todo negócio. Os indicadores de gestão financeira possibilitam com que a empresa tenha consciênciada consistência de seus investimentos e saiba o que deve esperar deles. Por outro lado, as auditorias internas, externas e internacionais monitoram se tudo está de acordo, garantindo a segurança para aqueles que dela necessitam. Barbosa (2019, p. 99) afirma que é importante que as empresas tenham a confiança de que tempos melhores virão e cabe ao setor financeiro a viabilização dessa confiança. A área financeira não tem somente a função de registrar e mostrar como a empresa está financeiramente, mas como está sua saúde em conjunto com as outras áreas estratégicas da empresa. 29 REFERÊNCIAS APEXBRASIL. Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos. Capital Estrangeiro. Disponível em: http://www.apexbrasil.com.br/uploads/Ficha%2 0Legal%20-%20Capital%20Estrangeiro%20- %20PORTUGU%C3%8AS%20%281%29.pdf. Acesso em: 2 nov. 2019. BANCO CENTRAL DO BRASIL. Capitais internacionais e mercado de câmbio no Brasil. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/content/estabilidadefinanceira/Docum ents/Politica%20cambial/texto_tecnico/Capitais_Internacionais_Mercado_Cambio_Br asil.pdf>. Acesso em: 2 nov. 2019. BANCO CENTRAL DO BRASIL. O que é inflação? Disponível em: https://www.bcb.gov.br/controleinflacao/oqueinflacao. Acesso em: 3 nov. 2019. BARBOSA, Fábio Colletti. O setor financeiro e a construção do nosso futuro. Revista daESPM. Ano 25, ed. 116, n. 3, julho/agosto/setembro de 2019. p. 96-99. BLOG GESTÃO DE SEGURANÇA PÚBLICA. Plano de Contingências: O que é? Conceitos, objetivos, como fazer. Disponível em: https://gestaodesegurancaprivada.com.br/plano-de-contingencia-conceitos/. Acesso em: 8 nov. 2019. CECCONELLO, Antonio Renato; AJZENTAL, Alberto. A construção do plano de negócios. São Paulo: Saraiva, 2008. CONTÁBEIS. Disponível em: https://www.contabeis.com.br/artigos/4714/auditoria- contabil-como-instrumento-de-gestao-para-as-pequenas-e-medias-empresas/. Acesso em: 9 nov. 2019. DICIONÁRIO FINANCEIRO. O que é VPL. Disponível em: https://www.dicionariofinanceiro.com/valor-presente-liquido/. Acesso em: 9 nov. 2019. DICIONÁRIO FINANCEIRO. O que é TIR e como calcular. Disponível em: https://www.dicionariofinanceiro.com/tir-taxa-interna-retorno/. Acesso em: 9 nov. 2019. EXAME. A receita do Habib’s. Disponível em: https://exame.abril.com.br/revista- exame/a-receita-do-habib-039-s-m0078633/. Acesso em: 1 nov. 2019. FUNPRESP – JUD. Auditoria dos órgãos patrocinadores da Funpresp – Jud. Disponível em: https://www.funprespjud.com.br/auditoria-dos-orgaos-patrocinadores- da-funpresp-jud/. Acesso em: 5 nov. 2019. GITMAN, Lawrence J. Princípios de administração financeira. 12. ed. São Paulo: Pearson, 2010. GUIA DO BITCOIN. As 10 melhores criptomoedas para investir em 2019. Disponível em: https://guiadobitcoin.com.br/as-10-melhores-criptomoedas-para- investir-em-2019/. Acesso em: 8 nov. 2019. INFOMONEY. Banco Central inclui Bitcoin e criptomoedas na balança comercial. 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