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O CIRCO RESUMO ANESTESIOLOGIA Assunto: Anestesia Geral Endovenosa 1 Introdução • Nesta aula serão abordados anestésicos endovenosos, analgésicos opioides e bloqueadores neuromusculares. • Esses formam o “tripé” da anestesia geral: o Anestesia o Analgesia o Bloqueio neuromuscular Modelo farmacocinético tricompartimental • Esse modelo fala sobre 3 compartimentos que são: o V1 – Sangue e tecidos ricamente vascularizados. o V2 – Musculatura e tecidos mediamente vascularizados. o V3 – Gordura, osso e tecidos pobremente vascularizados. • Baseando-se nessa compartimentalização, eu tenho constantes de difusão (K12, K21, K13, K31 que representam a distribuição do líquido entre os compartimentos, constante de eliminação (K10) que representa a metabolização da medicação e o clearance (CL1) que é quando a medicação é eliminada. • Porém, a constante mais importante é a do acesso da medicação ao sítio efetor (Ke0), sendo que quando falamos de anestésicos endovenosos o sítio efetor nada mais é que o cérebro do paciente que é onde eu quero que a medicação atue. • É esse modelo que vai me dizer quanto de droga eu preciso fazer, qual o intervalo que eu tenho que dar essa droga e qual o tempo de ação da mesma. Preparação dos anestésicos • Os anestésicos são aspirados para seringas e as mesmas são identificadas na sua base. • Nunca devemos segurar a seringa pelo embolo dela para não contaminar. • Geralmente como mostrado na imagem podemos utilizar o propofol (seringa amarela de 20 ml) como um indutor anestésico), o analgésico em uma seringa de 10 ml e o relaxante muscular em uma seringa de 5 ml. • Quando utiliza-se bomba de infusão, podemos controlar toda a infusão dos medicamentos, escolher a quantidade que será aplicada em bolus e depois utilizar dose de manutenção do anestésico. Meia vida contexto sensitiva • É o conceito mais importante quando se fala do uso de anestésicos endovenosos, ele representa o tempo que o paciente leva para acordar quando for desligada a infusão. O CIRCO RESUMO ANESTESIOLOGIA Assunto: Anestesia Geral Endovenosa 2 • Olhando o gráfico ao lado vemos que o propofol, após utilizado por 6 horas em infusão contínua, tem cerca de 25-30 minutos de meia vida contexto sensitiva, isso quer dizer que depois que eu desligar a infusão de propofol após 6 horas de infusão, o paciente levará cerca de 25-30 minutos para acordar. • Quanto maior for o tempo de infusão do anestésico, maior o tempo que o paciente levará para despertar. • Diazepam é uma das drogas que tem maior tempo de meia vida contexto sensitiva, levando o paciente a ficar mais de 2 horas desacordado após a parada de infusão. • O midazolam tem grande estabilidade e por isso é considerado uma boa medicação para se utilizar, contudo, ele não é utilizado na anestesia como infusão continua, ele é utilizado mais na terapia intensiva, sendo na anestesia utilizado mais como medicação pré-anestésica para o paciente ficar mais relaxado. Mecanismo de ação anestésicos endovenosos • Aumenta a ação do GABA e inibe os receptores excitatórios. • Os anestésicos endovenosos em geral (como o propofol) irão aumentar o potencial do receptor GABA que realiza a abertura dos canais de cloro, que hiperpolarizam a célula e faz com que a mesma fique menos estimulada e assim o paciente permanece dormindo, irresponssivo a comandos. • A unida exceção para essa regra são os benzodiazepínicos (midazolam e diazepam, por exemplo) que possuem seu próprio receptor (receptor benzodiazepínico) que quando ativado causa uma hiperpolarização da célula por um grande período, por isso, os benzodiazepínicos deixam o paciente “apagado” por mais tempo. o Contudo, eles tem uma vantagem, o paciente não irá fazer depressão respiratória por que ele não tem bloqueio do sistema nervoso parassimpático ou simpático. Farmacocinética dos anestésicos endovenosos • A Meia vida de distribuição é o tempo que o fármaco leva para chegar a periferia. • Ligação proteica representa a quantidade daquele fármaco que se liga as proteínas. • Volume de distribuição é o volume total de plasma que teríamos caso a concentração de anestésico fosse igual a O CIRCO RESUMO ANESTESIOLOGIA Assunto: Anestesia Geral Endovenosa 3 do plasma sanguíneo, sendo que medicações lipossolúveis terão volume de distribuição maior que medicações hidrossolúveis. • Clearance falamos na velocidade do fármaco para ser eliminado. • Tempo de meia vida é igual o tempo para que metade do fármaco seja eliminado. Doses utilizadas e características da indução • A dose de indução é a dose utilizada para realizar a indução anestésica com o fármaco. o Temos que saber mais o do propofol que é de 1,5-2,5 mg/kg e midazolam 0,2-0,4mg/kg. • O inicio de ação representa o tempo entre a infusão do medicamento e o tempo de inicio da sua ação em segundos e podemos ver como o tempo de ação do propofol é rápido, sendo apenas cerca de 15 segundos para começar a fazer efeito. • O tempo de duração representa o tempo que o paciente ficará sob efeito do medicamento caso o mesmo seja utilizado em bolus apenas, sem infusão continua. • A dor a injeção é a dor que o paciente queixa quando se realiza a injeção do anestésico. o Dependendo da droga, pode-se fazer até mesmo uma anestésico local para o paciente não tem tanto desconforto. • Propofol – farmacocinética o Podemos ver que o clearance do propofol é um clearance rápido, por isso o paciente fica sob efeito dele apenas 10-15 minutos para injeção da medicação. o Existe uma bomba de infusão feita especificamente para o propofol que é chamada de “diprifusor” o Características físico-quimicas ▪ 2,3 diisoprofilfenol ▪ Solução 1% em emulsão leitosa branca, com 10% de óleo de soja, 2,25% glicerol e 1,2% de fosfatos purificados de ovos. • Pessoas com alergias a essas substancias não podem utilizar propofol. ▪ Contém EDTA. o Mecanismo de ação ▪ Inibição do sistema excitatório (glutamato) e ativação do inibitório (GABA). ▪ Os anestésicos endovenosos em geral irão aumentar o potencial do receptor GABA que realiza a abertura dos canais de cloro, que hiperpolarizam a célula e faz com que a mesma fique menos estimulada e assim o paciente permanece dormindo, irresponssivo a comandos. O CIRCO RESUMO ANESTESIOLOGIA Assunto: Anestesia Geral Endovenosa 4 Analgésicos opioides • Conceito – Termo genérico que define toda substancia natural ou sintética cuja ação ocorre pela interação com receptores específicos, os receptores opioides. • Possuem ação analgésica. • É inapropriado chama-los de hipnoanalgesicos pois eles apenas causam analgesia, não alteram a consciência do paciente. • A Morfina é o único considerado “opiáceo” (natural) todos os outros são “opioides” (sintéticos) • Mecanismo de ação o Possuem receptores específicos onde eles irão agir. o O receptor mais importante é o receptor “Mu” que é o receptor que vai dar analgesia supraespinhal (mu-1) e depressão respiratória (mu-2) além de gerar dependência física e rigidez muscular. o Quando o opioide se conecta a esse receptor e não há estimulo álgico (dor) ele fica mais ativado no mu-2 gerando depressão respiratória, por isso, tenho que utilizar ele apenas quando há estimulo álgido e em uma dose muito específica. o Revisando a farmacologia, temos medicações que podem agir como agonistas, antagonistas e fármacos agonistas parcial, sendo os mesmos relacionados com a atividade do fármaco no seu receptor alvo. o Todos eles tem afinidade pelo receptor, contudo, apenas o agonista terá aumento da atividade do receptor, o antagonista não terá atividade e o agonista parcial fica no meio termo. o A maior parte dos opioides existentessão agonistas, e sabendo disso, temos que estar cientes que um dos grandes antagonistas dos opioides é uma droga chamada de Naloxone. ▪ Ou seja, sempre que eu tiver um paciente que tenha tido uma intoxicação por opioides, a droga de escolha a ser usada como antídoto é o naloxone. o De droga agonista parcial, temos apenas uma chamada de Nalbufina que é um opioide mas ela tem menos efeitos colaterais pois como é um agonista parcial, possui menor efeito sobre receptor “mu”. • Farmacocinética dos opioides o Dos opioides, os que tem a terminação em “Nil” geralmente são os utilizados na anestesia, sendo eles mais potentes que a morfina. O CIRCO RESUMO ANESTESIOLOGIA Assunto: Anestesia Geral Endovenosa 5 o Morfina, codeína, tramadol e outros são utilizados como analgésicos pois são medicações “menos” potentes. o O fentanil se for utilizado como analgésico tem que ser muito bem controlado pois é 1000x mais potentes que a morfina. o O sufentanil, por ser muito lipofílico, quando é colocado em infusão contínua quanto maior o tempo de infusão, maior o tempo necessário para que o paciente desperte. o Bem como, pela análise do gráfico, vemos que apenas 100 minutos em infusão continua de fentanil, já são suficientes para o paciente levar mais de 2 horas para acordar quase. o Por outro lado, o remifentanil é metabolizado no meio intravascular, e isso faz com que apenas alguns poucos minutos após a sua parada de infusão, já corte seu efeito, e o paciente rapidamente reaja a isso. ▪ Por esse motivo, caso o remifentanil seja desligado, já deve-se ter outro analgésico para entrar no lugar dele. • Efeitos colaterais o Miose o Bradicardia o Liberação de histamina o Rigidez muscular o Náuseas e vômitos o Íleo paralitico o Espasmo de vias biliares o Hipotensão o Retenção urinária o Depressão respiratória o OBS: Hoje em dia, a anestesia está se convertendo para a “anestesia free-opioide” ou seja, sem o uso dos opioides pois existem muitas pessoas que tem diminuição da enzima metabolizadora o que faz que apenas uma dose possa ser prejudicial ao paciente e gerar vários efeitos colaterais. Bloqueadores neuromusculares • Conceitos o Unidade motora ▪ Formada pelo neurônio e músculos inervados por ele. o Placa motora ▪ Porção diferenciada da membrana muscular que é considerada quimioexcitável. o Junção neuromuscular ▪ Formada pelo axônio + fenda sináptica + placa motora. ▪ 1 músculo pode ter até 3 junções neuromuscular, exceto músculo da orbita, face e pescoço, onde 3 junções neuromuscular = 1 músculo com várias inervações. o Mecanismo de contração muscular ▪ Produção de neurotransmissor ▪ Liberação de acetilcolina ▪ Ação da acetilcolina nos receptores pós-sinápticos. • Mecanismo de ação dos bloqueadores neuromusculares o Cada canal que a acetilcolina irá agir, tem 5 subunidades, sendo 2 delas alfa, onde a o farmaco irá se ligar e fazer seu efeito. o Para eles funcionarem as duas subunidades do receptor alfa devem estar ocupadas, primeiro uma e depois a outra subunidade. O CIRCO RESUMO ANESTESIOLOGIA Assunto: Anestesia Geral Endovenosa 6 o O bloqueador neuromuscular irá basicamente impedir a ação do canal da acetilcolina à fim de impedir a contração muscular. • Succinilcolina o Temos que saber principalmente que ela é um bloqueador neuromuscular DESPOLARIZENTE, e o que significa isso? ▪ Significa que ela causa um bloqueio neuromuscular por competição, ela é semelhante a acetilcolina e ocupa o lugar da mesma no seu receptor e apesar de ativar o canal uma vez causando contração (despolarização que é vista no paciente como Fasciculações), ela permanece ali no receptor fixa e não é reabsorvida tão rápida como a acetilcolina, assim impedindo que o ciclo se repita e causa um bloqueio neuromuscular. o Dose = 1-2mg/kg ▪ Início de ação em torno de 59 segundos e desbloqueio em torno de 7-13 minutos. o Contraindicação: ▪ Paciente com alterações de hiperpotassemia ou predisposição a hiperpotassemia como pacientes grandes queimados. ▪ Isso ocorre pois a despolarização causada pela Succinilcolina gera uma entrada de sódio e saída maior de potássio para o meio extracelular. • Monitorização da junção neuromuscular o Importante pois me faz conhecer com precisão o grau de bloquei neuromuscular na sala de cirurgia, na recuperação pós anestésica e na UTI. o Me da segurança total para uso de bloqueadores neuromusculares. “O verdadeirO herOísmO cOnsiste em persistir pOr mais um mOmentO, quandO tudO parece perdidO”. (W. F. GrenFel)