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SEMIOLOGIA DO PACIENTE EM COMA + MORTE ENCEFÁLICA
 
Semiologia
Ana Maria Marques
2024. 2
AULA 16
 
QUAL A DIFERENÇA ENTRE COMA E MORTE ENCEFÁLICA?
Estado de Coma: No estado de coma, o paciente não se comunica mais, mas mantém a capacidade de permanecer com os batimentos cardíacos e com a respiração funcionando
Morte Encefálica: Na morte encefálica, os órgãos continuam funcionando apenas com o suporte de aparelhos. Este estado só é mantido até que o diagnóstico de morte encefálica seja confirmado
COMA
O coma é um rebaixamento profundo do estado de consciência, provocado por um dano grave no cérebro, que pode ter sido causado por um ferimento, uma hemorragia, uma parada cardíaca, intoxicação por remédios ou álcool, tumores, derrames, entre outros eventos. 
COMA
o indivíduo não interage com o ambiente nem reage sensorialmente a estímulos, ou seja, não ouve, não pensa e não tem lembranças desse período. Essa é uma condição passageira: não dura mais do que alguns dias ou semanas.
 Na sequência, os pacientes se recuperam, evoluem para o estado vegetativo ou morrem.
COMA
Níveis de coma:
O método mais usual para avaliar o nível de consciência durante o coma é a Escala de Glasgow, que consiste em graduar a resposta do paciente frente a estímulos progressivamente mais intensos. A pontuação vai de 3 a 15 e, quanto menor o grau, mais profundo é o rebaixamento de consciência do paciente, sendo 15 o valor normal para um paciente alerta, falando, responsivo e não confuso.
COMA
Síndrome de vigília arresponsiva:
Embora ainda seja muito utilizado, o termo “estado vegetativo” vem sendo abandonado, entre outros motivos, por ser considerado pejorativo, e substituído por Síndrome de vigília arresponsiva. Nesse estado, o indivíduo volta parcialmente ao estado de alerta, mas não interage com o ambiente. O cérebro mantém suas funções automáticas, que proporcionam reflexos de sucção ou movimentos das córneas, porém, sem nenhuma atividade voluntária por parte do paciente.
COMA
Coma estrutural:
A situação é causada por traumatismo ou acidente vascular cerebral (AVC), que promove alteração física no tecido do cérebro (edemas ou perda de massa encefálica). Os traumatismos cranianos, provocados por acidentes, geram uma lesão no sistema responsável por receber e distribuir os sinais nervosos para outras partes do cérebro, mantendo o indivíduo em estado de alerta.
COMA
Coma não estrutural:
 É o coma originado por falhas metabólicas, que ocorrem pelo excesso ou falta de uma substância no sangue, afetando o consumo de energia cerebral. Entre as situações que podem levar a esse tipo de coma estão a hipoglicemia ou excesso de glicose em pacientes com diabetes, intoxicações por álcool ou outras substâncias ou a falta de oxigênio em episódios de asfixia..
COMA
Coma induzido:
O coma induzido é um procedimento médico reversível, realizado com o uso de medicamentos, geralmente em cirurgias de grande complexidade, no tratamento de pacientes internados em Centros de Terapias Intensivas (CTIs) e em casos de hipertensão intracraniana e epilepsia, por exemplo.
COMA
Principais ações de enfermagem ao lidar com pacientes em coma :
Monitoramento Constante:
Verificação frequente dos sinais vitais (pressão arterial, frequência cardíaca, respiração, temperatura, Saturação de O2)
Avaliação neurológica contínua, usando a Escala de Coma de Glasgow
Monitoramento de alterações no nível de consciência, reflexos e padrões respiratórios
COMA
Principais ações de enfermagem ao lidar com pacientes em coma :
Manutenção das Vias Aéreas:
Posicionamento adequado do paciente para manter as vias aéreas permeáveis
Aspiração de secreções, se necessário
Utilização de dispositivos de suporte ventilatório, como intubação endotraqueal ou ventilação não invasiva
Quais os modos de ventilação mecânica?
A ventilação mecânica pode ocorrer de forma invasiva ou não invasiva
 Ventilação Não Invasiva:
 A ventilação não invasiva (VNI) se dá pela ausência de via aérea artificial no suporte ventilatório, o que significa que não há uso de dispositivos dentro da via aérea do paciente, como máscara laríngea, cânulas orotraqueais ou de traqueostomia.
 Nesse tipo de ventilação, são utilizados dispositivos, como máscaras faciais ou nasais, que servem como suporte ventilatório para paciente que precisa de auxílio do ventilador.
Quais os modos de ventilação mecânica?
Cateter nasal óculos
 5-6L/min de fluxo
Máscara com reservatório
 fluxo próximo a 15 L/min. Para evitar hipercapnia, a bolsa do reservatório deve permanecer inflada o tempo todo, o que requer fluxos mínimo entre 8-10L/min. Ainda que esta modalidade de suporte respiratório gere menor dispersão de aerossóis, o uso rigoroso de EPI deve ser mantido.
Quais os modos de ventilação mecânica?
Ventilação Invasiva
 A ventilação invasiva é realizada através do uso do tubo orotraqueal ou traqueostomia. Ela pode ser necessária em diversas situações clínicas. Por exemplo, em casos de trauma grave com rebaixamento do nível de consciência, SARA grave, lesão por inalação em incêndios, incapacidade de proteger a via aérea, instabilidade hemodinâmica
Quais os modos de ventilação mecânica?
máscara laríngea
Canula de Traqueostomia
Quais os modos de ventilação mecânica?
Tubo Orotraqueal
Quais os benefícios da ventilação mecânica?
O uso de ventilação mecânica permite reduzir o trabalho da musculatura respiratória, de forma a evitar a fadiga e desconforto no paciente. Além disso, em alguns casos, é a principal terapêutica, como no edema agudo de pulmão
COMA
Principais ações de enfermagem ao lidar com pacientes em coma :
Cuidados com a Pele e Prevenção de lesão por pressão:
Mudança frequente de decúbito
Inspeção e cuidados com a pele para prevenir lesões
Uso de colchões e almofadas anti-escaras
COMA
Principais ações de enfermagem ao lidar com pacientes em coma :
Manutenção da Hidratação e Nutrição:
Administração de fluidos e eletrólitos por via intravenosa ou sonda nasogástrica/enteral
Monitoramento do balanço hídrico
Fornecimento de nutrição adequada, conforme prescrição médica
PACIENTES QUE NECESSITAM DE BALANÇO HÍDRICO
Pacientes em uso de nutrição parenteral e enteral.
Pacientes grave de UTI
Pacientes de pós-operatório de grandes cirurgias principalmente dos sistemas geniturinário, digestivo e respiratório
Pacientes portadores de enfermidade cardíacas, edemas, drenos, ascite, entre outras
Pacientes com restrição hídrica
 Grande queimado
Patologias que caracterizam Inclusão nos Protocolos de BH
ICC ( Insuficiência cardíaca congestiva) IAM ( Infarto agudo do miocárdio), HAS descompensada 
Insuf. Renal Aguda e Crônica (IRA, IRC)
Cirrose e ou Hepatopatias descompensadas
DM descompensada
Instabilidade Hemodinâmica
Distúrbio eletrolitico (hipocalemia,hiponatremia acidose e alcalose metabólica)
 débito urinário ( 30 ml/kg/h em 24 hs)
 
PARTICULARIDADES DO BALANÇO HÍDRICO
Em casos de  SNE deve ser anotado volume administrado, incluindo em caso de ser desprezado parte desse volume o valor entre parênteses Exemplo: 200 ( -50ml) estavam  prescritos 200ml, foi infundido 150 ml e desprezados 50 ml. 
Anotar a administração de dieta enteral separadamente no campo especifico(SNE)
Diurese: desprezar o volume urinário de acordo com o intervalo estabelecido pela rotina 
Registrar volume das perdas ,caso esteja usando fraldas , pesar e descontar seu peso (120g)
Cálculo de líquidos administrados ao paciente
1.Anotar por via parenteral:
Soluções venosas como Ringer, S.G. 5%, 10% e 50%,S.F. 0,9%, nutrição parenteral, entre outros,
Medicações endovenosa e intramuscular, como penicilina, Keflin, aminofilina, entre outras.
Sangue Total, Plasma 
2. Anotar por via oral:
Pela boca: suco, água, sopa, etc.
Pela sonda gástrica: alimentação em geral, hidratação em geral, medicações.
Pela sonda nasoenteral soluções infundidas.
Pela gastrostomia; alimentação, medicações, etc
Cálculo de líquidos administrados ao paciente
As infusões parenterais recebidas pelo paciente Devem ser anotadas nacoluna correspondente a infusões venosas
Todo liquido eliminado pelo paciente deve ser medido e anotado na coluna correspondente.. Os liquidos eliminados corrrespondem a diurese,vômitos, liquidos de drenagem, diarréia. 
Os fluidos que não puderem ser medidos poderão ser avaliados utilizando-se simbolos como:  pequena quantidade(+), média quantidade(++) e grande quantidade(+++).
Se o volume de líquidos ganhos for maior que as perdas o BH é POSITIVO e se o volume de líquidos eliminados for maior que o administrado teremos uma BH NEGATIVO
CÁLCULO DE REPOSIÇÃO HÍDRICA
Para cada 05 incursões respiratórias aumentadas acima de 20 irpm, o adulto perde 200ml de água nas24 horas.
Para cada 1º C acima de 38º C o adulto perde 100 ml de agua nas 24 horas 
 Acima de 38,5º C perde-se 500 ml
Para drenagem de fístulas ou penrose:
(+) molha o centro da gaze.
(++) molha a gaze toda.
(+++) molha a gaze toda e ainda escorre ou coloca-se bolsa de colostomia e mede-se o líquido drenado.
Medir o vômito sempre que possível.
Modelo de balanço hidrico
ESTUDO DE CASO
8hs Paciente em P.O.I de apendicectomia, sonolento, com acesso venoso ´perveo, SNG em sinfonagem, curativo cirurgico em região abdominal externamente limpo, dreno de penrose em flanco direito com saída de secreção serosanguinolenta, diurese por sonda vesical, 
prescrição:
1) dieta zero SNG= 350ml
2) S.G 5%, via EV, 2000ml nas 24hs diurese= 30ml/h
NACL , 5ml em cada soro dreno de penrose= 250ml 
KCL , 5ml em cada soro
COMPLEXO B , 2ml em cada soro
3) ceftriazona 1g , EV , diluido em 10ml de 6/6hs
4) dipirona 2ml , EV diluído em 10ml de 6/6hs
5) plasil 2ml,EV diluído em 10ml de 6/6hs
6) Medir diurese horária
7) Medir dreno de penrose e SNG
8) Instalar B.H
9) Verificar sinais vitais de 4/4hs
Siglas:
NACL: cloreto de sódio
KCL: cloreto de potássio
S.G: soro glicosado
SNG: sonda nasogástrica
EV: endovenosa
COMA
Principais ações de enfermagem ao lidar com pacientes em coma :
Prevenção de Complicações:
Profilaxia de tromboembolismo venoso
Prevenção de infecções, como pneumonia associada à ventilação mecânica
Cuidados com a bexiga e intestinos
COMA
Principais ações de enfermagem ao lidar com pacientes em coma :
Suporte Emocional e Comunicação:
Envolvimento da família no cuidado do paciente
Comunicação com o paciente, mesmo que inconsciente, para estimular a interação
Promoção de um ambiente calmo e seguro
 
Obs : Essas ações de enfermagem visam manter a estabilidade do paciente em coma, prevenir complicações e preparar o caminho para uma possível recuperação
Morte encefálica
A morte encefálica é a morte de fato, compreendida pela perda completa e irreversível das funções encefálicas cerebrais, definida pela cessação das funções corticais e do tronco encefálico ou tronco cerebral. Quando isso ocorre, a parada cardíaca será inevitável e, embora ainda haja batimentos cardíacos, a respiração não acontecerá sem ajuda de aparelhos e o coração não baterá por mais de algumas poucas horas. Por isso, a morte encefálica caracteriza a morte de um indivíduo.  
Morte Encefálica
Quando constatada a morte encefálica, que é irreversível, o óbito da pessoa é declarado. Nesta situação, os órgãos e tecidos podem ser doados para transplante, mas apenas após o consentimento familiar. A Lei nº 9.434/1997, conhecida como a “Lei dos Transplantes”, estabelece que a doação de órgãos após a morte só pode ser realizada quando for constatada a morte encefálica.
Morte Encefálica
Diagnóstico da morte encefálica
O diagnóstico de morte encefálica é regulamentado pela Resolução Nº 2.173, de 23 de novembro de 2017, do Conselho Federal de Medicina – CFM.
A constatação da morte encefálica deverá ser feita por médicos com capacitação específica, observando o protocolo estabelecido que define critérios precisos, padronizados e passiveis de serem realizados em todo o território nacional. Os critérios para identificar a morte cerebral ou encefálica são rígidos, sendo necessários dois exames clínicos com intervalos que variam de acordo com a idade dos doadores, realizados por médicos diferentes.
Morte encefálica e doações de orgãos
https://www.cofen.gov.br/wp-content/uploads/2022/10/RESOLUCAO-COFEN-N%C2%B0-0710-2022.pdf
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