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O AUTUTO
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ultimato
BUSQUEM O SENHOR ENQUANTO É POSSÍVEL ACHÁ-LO DESDE1968
LAUSANNE 4
Que a Igreja anuncie e demonstre Cristo em unidade
Seoul LET OE CHCH рAR A8O
BESPLAY CHRETE
ISSN 1415-3165
9 771415 316000
Ano LVII n° 411
Janeiro/Fevereiro 2025
CONFRONTANDO A DIVISÃO: BUSCANDO
A UNIDADE POR MEIO DO ESPÍRITO
ANNE ZAKI
OS EVENTOS GLOBAIS
E A HISTÓRIA DA IGREJA
ALDERI SOUZA DE MATOS
COMO MISTURAR TEOLOGIA COM FILOSOFIA?
Primeiro, comece no lugar certo: em Oxford. Depois, reúna os principais pensadores e as
questões relacionadas à filosofia e religião. E, por último, publique um manual.
Pronto. O Manual Oxford de
Teologia Filosófica é o décimo
volume da série Filosofia e Fé Cristā
e reúne rigor e clareza ao explorar
questões sobre autoridade das
escrituras, tradição, religião e
ciência, oração, moralidade, além
de explorar doutrinas cristās
centrais para compreender melhor
a natureza e os atributos de Deus e
o seu relacionamento com o
mundo e seus habitantes.
Um livro de peso, com nome e
sobrenome: Manual Oxford.
F
E
 
C
R
I
S
T
A
THOMAS P. FLINT MICHAEL C. REA
MANUAL
OXFORD
DE TEOLOGIA
FILOSÓFICA
MANUALOXFO
CRORDDE TEOLOGIA
FILOSÓFICA
FILOSOFIA
EFECRISTÀ
TEOLOGIA
ANALITICA
DISCURSO
DIVINO
CIENCIA B
BELIGIAO
ILOSOFIA
DA RELIGIÃO
ATUREZA
ANGUINÁRIA
ORAÇÃO DE
PETICÃO TUAL
PESSOAS
HUMANAS
DIVINAS
XPIAÇÃO
esmparreet
Você encontra a série Filosofia e Fé Cristā também em formato digital nas melhores casas do ramo.
www.ultimato.com.br
31 3611-8500 ultimato
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3Janeiro/Fevereiro 2025 • ULTIMATO
Legado Elben César
ultimato.com.br/sites/elbencesar
MAIS NA INTERNET
Lugares e datas marcantes
Há certos inícios marcantes em nossa vida. A 
partir desses inícios, o modo de pensar é dife-
rente, o modo de viver é diferente, o modo de 
agir é diferente. Sempre há um elemento novo, 
determinante e impulsor que redireciona a vida. 
Pode ser a experiência da renúncia ao pecado, a 
experiência da conversão a Jesus, a experiência 
da vocação para um ministério específico, a expe-
riência de plena submissão ao senhorio de Jesus 
Cristo, a experiência da plenitude do Espírito e 
outras da mesma ordem e com a mesma força.
Acontece, então, que o momento e o lugar 
desses inícios tornam-se muito importantes para 
nós. Às vezes enfatizamos mais o local e menos 
o momento. Outras vezes, guardamos mais o 
momento e menos o local. Na maior parte das 
vezes, prezamos enormemente tanto a geografia 
(o lugar) como a história (a data) da experiência 
religiosa. O local do novo início passa a ser terra 
santa e o dia do novo início passa a ser uma data 
memorável.
Por saber que Deus estava tremendamente 
aborrecido com a construção e a adoração do 
bezerro de ouro, os israelitas “tiraram de si os 
seus atavios desde o monte Horebe em diante” 
(Êx 33.6). Essa abstinência de joias e enfeites por 
causa da vergonha do pecado começou ali no 
monte Horebe e continuou por algum tempo. O 
marco geográfico é mencionado com clareza: 
“Desde o monte Horebe”. Houve também o marco 
histórico, que não é mencionado no texto. Mas o 
povo sabia o dia da semana, o dia do mês e o ano 
em que deixaram suas joias para trás.
Estamos emocionalmente ligados a certos 
lugares e a certas datas. Abraão era obrigado a 
ligar a sua fé à noite estrelada, quando Deus lhe 
declarou: “Olha para os céus e conta as estrelas, 
se é que o podes. Será assim a tua posteridade” 
(Gn 15.5). Jacó nunca se esqueceu daquela 
noite nem daquele lugar (Betel), quando e onde 
teve a visão da escada que ligava a terra ao céu 
(Gn 28.10-17). Moisés nunca se esqueceu daquela 
manhã nem daquele sítio quando e onde a sarça 
ardia, mas não se consumia (Êx 3.1-6). A mulher 
samaritana nunca se esqueceu daquele dia e hora 
(por volta do meio-dia) e daquele lugar (junto ao 
poço de Jacó), quando e onde se encontrou com 
o Senhor Jesus (Jo 4.1-30). São datas e lugares 
sagrados demais para serem esquecidos!
Elben César (1930-2016), fundador e diretor-redator 
de Ultimato.
ABERTURA
Jesus e a Samaritana, Annibale Carracci 
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4 ULTIMATO • Janeiro/Fevereiro 2025
CARTA AO LEITOR
— O que não é registrado não é lembrado, dizia o fundador da revista 
Ultimato, Pr. Elben César. Ele gostava muito de história e a valorizava. 
Desde o início, em 1968, ele se empenhou em publicar na revista matérias 
relacionadas a fatos históricos importantes envolvendo a igreja no Brasil 
e no mundo. Graças a esse esforço, nas edições ao longo dos anos, há 
registros que não se encontram em nenhum outro lugar.
Um exemplo são as publicações sobre o movimento Lausanne: Ultimato 
publicou sobre os três Congressos (1974, 1989 e 2010). E, agora, com ale-
gria, por meio de uma ampla matéria, registramos o 4º Congresso Lausanne 
de Evangelização Mundial. Esta matéria foi produzida com a colaboração 
da delegação brasileira e, especialmente, do jornalista Lissânder Dias, que 
integra o grupo responsável pela comunicação de Lausanne Brasil.
Perguntados por Ultimato sobre as principais contribuições de 
Lausanne 4, os brasileiros destacaram as ênfases do congresso à colabora-
ção, à unidade da igreja, à igreja perseguida, à necessidade de humildade, 
perdão e avivamento para uma missão bem-sucedida e à participação de 
profissionais e empreendedores na missão. Eles citaram também as possi-
bilidades de conexões e parcerias advindas do ajuntamento, a satisfação 
e a surpresa de ver o que Deus está fazendo no mundo. 
Embora não integre a matéria de capa, o fabuloso artigo Confrontando 
a divisão: buscando a unidade por meio do Espírito (p. 32) é a transcri-
ção e tradução da exposição bíblica feita em Lausanne 4 por Anne Zaki, 
professora no Seminário Teológico do Cairo, no Egito.
Queremos celebrar com você, assinante, os 57 anos da revista 
Ultimato! Essa marca é fruto da bondade de Deus, da participação volun-
tária dos que escrevem, da atenção e do apoio dos leitores. Estamos 
agora mais perto dos sessenta!
Boa leitura!
Equipe Ultimato
Registrar para lembrar
ISSN 1415-3165
Revista Ultimato – Ano LVIII – N° 411
Janeiro/Fevereiro 2025
www.ultimato.com.br
Publicação evangélica não denominacional destinada à 
evangelização e edificação, Ultimato relaciona Escritura 
com Escritura e acontecimentos com Escrituras. Visa 
contribuir para criar uma mentalidade bíblica e estimular a 
arte de encarar os acontecimentos sob uma perspectiva 
cristã. Pretende associar a teoria com a prática, a fé com 
as obras, a evangelização com a ação social, a oração com 
a ação, a conversão com santidade de vida, o suor de hoje 
com a glória por vir.
Circula em meses ímpares
Fundadores
Elben M. Lenz César
Djanira Momesso César
Projeto gráfico: Rick Szuecs 
Diagramação: Ana Cláudia Nunes
Impressão: Esdeva
Tiragem: 8.000 exemplares
Colunistas: Alderi Matos • Carlos “Catito” Grzybowski 
Carlinhos Veiga • Dagmar Fuchs Grzybowski • Gladir Cabral 
Marcos Bontempo • Paul Freston • Ricardo Barbosa de 
Sousa • Valdir Steuernagel
Participam desta edição: André Gomes Quirino • Anne 
Zaki • Ariane Gomes • Christian Gillis • Elizabeth Ng Koo 
Fabiana Braun • Klênia Fassoni • Justin A. Schell • Lissânder 
Dias • Mila Kobi • Omid • Phelipe Reis • Ronaldo Lidório 
Sabrina Barroso Silva Lujić • Tiago Pereira
Publicidade: anuncio@ultimato.com.br
Assinaturas e edições anteriores:
atendimento@ultimato.com.br
Reprodução permitida: Favor mencionar a fonte. 
Publicado pela Editora Ultimato Ltda., membro
da Associação de Editores Cristãos (AsEC)
Editora Ultimato
Telefone: (31) 3611-8500
Caixa Postal 43
36570-970 — Viçosa, MG
ADMINISTRAÇÃO/MARKETING: Klênia Fassoni 
Ana Cláudia Nunes
EDITORIAL/PRODUÇÃO/ULTIMATO ONLINE: 
Marcos Bontempo • Ana Laura Morais • Ariane Gomes
Bernadete Ribeiro
FINANÇAS/CIRCULAÇÃO: Emmanuel Bastos
Cristina Pereira • Daniel César • Fábio FreitasA. Schell é diretor da Union (ministério que busca 
a reforma da igreja em todo o mundo) nos Estados 
Unidos, diretor do Younger Leaders Gathering de 2026 
e do YLGen 2 do movimento Lausanne e autor de livros. 
Coragem para viver o 
evangelho de Cristo 
e falar dele não é 
fruto de treinamento, 
conhecimento 
ou experiência. 
Vem de Deus
26 ULTIMATO • Janeiro/Fevereiro 2025
Foi um privilégio fazer a exposição dos últimos 
versículos do livro de Atos durante o Congres-
so Lausanne na Coreia do Sul. O último verso 
desse livro histórico, teológico e missionário nos 
apresenta Paulo, em prisão domiciliar em Roma 
durante dois anos, aguardando a sua sentença e 
recebendo a todos que vinham ter com ele, “pre-
gando o reino de Deus, e, com toda a intrepidez, 
sem impedimento algum, ensinava as coisas refe-
rentes ao Senhor Jesus Cristo” (At 28.31). 
Chamo a sua atenção para a fascinante e 
curiosa expressão: “Com toda a intrepidez, sem 
impedimento algum”.
Coragem
Como igreja de Cristo, temos tudo 
o de que precisamos para cumprir a 
missão: fé, pois cremos, conhecemos e 
seguimos a Jesus; poder espiritual no 
Santo Espírito, que habita em nós; as 
Escrituras, revelação de Deus, que nos 
guiam; a igreja, nossa comunidade de 
encorajamento e fé; o evangelho, men-
sagem que transforma corações. Portanto, de certa 
forma, temos tudo o que é preciso.
Há, porém, algo mencionado pelos patriar-
cas, profetas, apóstolos e pelo próprio Senhor Je-
sus que devemos buscar em oração e, ao receber, 
guardar bem, pois podemos perder. Algo sem o 
qual é muito difícil, ou até impossível, cumprir 
a missão. Trata-se da intrepidez para falar do 
evangelho de Cristo e vivê-lo.
A palavra grega usada para “intrepidez” no 
registro das ações de Paulo no fim de Atos é 
parrhesia, a mesma usada por Lucas ao escrever 
a oração da igreja, no início da sua persegui-
ção, após Pedro e João serem libertos da prisão: 
“Concede a teus servos que anunciem com toda 
a intrepidez a tua Palavra” (At 4.29). E Paulo, na 
mesma época de sua prisão, escreve à igreja em 
Éfeso pedindo que ore por ele, “para que me seja 
dada, no abrir da minha boca, a palavra, para, 
com intrepidez, fazer conhecido o mistério do 
evangelho” (Ef 6.19). 
Por que Paulo, o mais intrépido dos apósto-
los, experiente evangelista, pregador e plantador 
de igrejas, pede oração por intrepidez e ousadia? 
Isso significa que coragem para viver o evangelho 
de Cristo e falar dele não é algo que temos na-
turalmente. Não é fruto de treinamento, conhe-
cimento ou experiência. Vem de Deus. Por isso 
precisamos orar, pedindo que ele nos dê essa in-
trepidez. Creio que às vezes evangelizamos pou-
co porque oramos pouco.
Liberdade
Se o apóstolo anunciava o reino de Deus com toda 
a intrepidez, ele também o fazia “sem impedimen-
to algum”, que significa sem barreiras, livremente. 
Como isso é possível? Ele estava preso, com um 
soldado ao seu lado e inimigos na cidade. 
Paulo enxergava o que outros não viam. Ele 
observava a vida com os olhos da fé, entendendo 
que Deus abre caminhos onde outros só veem 
MATÉRIA DE CAPA
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O PODER DO EVANGELHO NO 
CUMPRIMENTO DA MISSÃO 
 RONALDO LIDÓRIO
27Janeiro/Fevereiro 2025 • ULTIMATO
barreiras. Seu corpo não estava livre, mas seu 
espírito, sim. 
Que paradoxo temos aqui! Paulo era prisio-
neiro de César, mas livre para dizer que Jesus é 
o único Rei!
Convicção
O que conferia intrepidez de palavras e liberdade de 
espírito a Paulo não era o apoio dos seus pares ou al-
guma garantia externa, mas as suas convicções. Le-
mos que ele, com coragem e liberdade “ensinava as 
coisas referentes ao Senhor Jesus Cristo” (At 28.31). 
Em nossos dias, o evangelho não será pro-
clamado sem enfrentar pressão, oposição e per-
seguição. Preparemos nossos corações, famílias, 
igrejas e agências missionárias para manter, mes-
mo sob pressão, três importantes convicções:
Convicção teológica. Entender nas Escrituras 
quem é Deus e como ele responde às questões le-
vantadas em tempos de caos, como guerras, per-
seguições, desastres naturais e sofrimentos pes-
soais. Convicções teológicas constroem uma base 
espiritual e prática para uma igreja missionária.
Convicção missiológica. Abraçar o intransfe-
rível chamado de Deus. Não podemos terceirizar 
o que o Senhor colocou em nossas mãos para 
fazer. A igreja é chamada para uma missão geral, 
que é ser sal da terra e luz do mundo. Em outras 
palavras, com tudo o que somos, temos e faze-
mos, devemos manifestar a verdade do evangelho 
de Cristo. Mas há também uma missão particu-
lar, que é proclamar o evangelho fazendo discípu-
los perto e longe, e entre todas as nações.
Convicção pessoal. Aceitar que Deus tem um 
plano e um propósito para o seu povo em cada 
circunstância da vida. Talvez você, que lê estas 
linhas, esteja com o coração cheio de dor, pas-
sando por um momento repleto de incertezas ou 
uma situação impossível. Se for o seu caso, con-
fie que Deus tem um plano e descanse no plano 
de Deus.
Que o Senhor encha o coração da igreja 
brasileira com intrepidez do alto, liberdade de 
espírito e forte convicção teológica, missiológi-
ca e pessoal no cumprimento da missão. E seja 
Cristo exaltado!
Ronaldo Lidório é teólogo e antropólogo, missionário 
(APMT e WEC) entre grupos pouco ou não evangeli-
zados. É organizador de Indígenas do Brasil – avaliando 
a missão da igreja e A Questão Indígena – uma luta 
desigual.
28 ULTIMATO • Janeiro/Fevereiro 2025
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O CAMINHO DO CORAÇÃO
RICARDO BARBOSA DE SOUSA
O Natal celebra a encarnação 
de Jesus Cristo, a verdade 
de que o Filho eterno de 
Deus se fez homem e veio habitar 
entre nós (Jo 1.14). Como Paulo 
afirma em sua carta aos filipenses: 
“mesmo sendo Deus, não conside-
rou esta condição como um meio 
para conquistar alguma vantagem, 
pelo contrário, esvaziou-se, humi-
lhou-se, fez-se humano e assumiu 
a forma de servo obediente até a 
morte”. Esta verdade está no centro 
da fé cristã.
O reverendo J. I. Packer, em 
seu livro O Conhecimento de Deus, 
descreve a centralidade deste mis-
tério para a fé cristã:
Mas a dificuldade real, por causa do 
mistério supremo com que o evan-
gelho nos confronta, [...] não se en-
contra na mensagem de expiação da 
Sexta-Feira Santa, nem na mensa-
gem da ressurreição da Páscoa, mas 
na do Natal com a encarnação de 
Deus. A afirmativa cristã realmente 
estonteante é que Jesus de Nazaré foi 
Deus feito homem – que a segunda 
pessoa da Trindade 
tornou-se o “segundo 
homem” (1Co 15.47), 
determinando o des-
tino humano, o se-
gundo representante 
da raça humana, e que 
ele tomou a forma humana sem per-
der a divindade de modo que Jesus 
de Nazaré era tão completo e to-
talmente divino quanto humano. 
Aqui há dois mistérios pelo preço de 
um – a pluralidade de pessoas den-
tro da unidade de Deus, e a união 
da divindade e da humanidade na 
pessoa de Jesus. É aqui, no acon-
tecimento do primeiro Natal, que 
jaz a mais profunda e impenetrável 
revelação do cristianismo. “O Verbo 
se fez carne” (Jo 1.14); Deus tornou-
-se homem.
Sendo Jesus verdadeiro Deus 
e verdadeiro homem, podemos 
compreender a natureza expia-
tória de sua morte na cruz e sua 
ressurreição. Somente o Deus-ho-
mem poderia realizar, ao mesmo 
tempo, a justiça divina e a justi-
ficação do ser humano. Segundo 
Packer, a encarnação é um mis-
tério insondável que ilumina e dá 
sentido a todas as demais mensa-
gens do Novo Testamento.
Gostaria de propor ao queri-
do leitor uma pequena disciplina 
espiritual para o ano que se ini-
cia: meditar no mistério da en-
carnação ao longo de todo o ano. 
Infelizmente, este evento central 
e fundamental para a fé cristã é 
lembrado apenas quando a árvore 
de Natal é montada, os shoppings 
são decorados, as luzes coloridas 
são acesas, as igrejas ensaiam suas 
cantatas e os cânticosde Natal 
começam a ser entoados. Porém, 
assim que o ano novo se inicia, as 
luzes são apagadas e as decorações 
guardadas para o próximo Natal, 
o mistério da encarnação é igno-
rado pelo restante do ano.
Reconheço que, nem mesmo 
no período de Natal, o mistério da 
encarnação é devidamente con-
siderado, em virtude da agitação 
típica da época. Essa agitação é 
uma forma de fuga, pois nossa ten-
dência é evitar o que não é prag-
mático e aquilo que não consegui-
mos compreender racionalmente. 
Mas, quando perdemos a admi-
ração e o assombro diante de tão 
grande mistério, a superficialidade 
espiritual e teológica toma conta das 
nossas conversas e preocupações.
Sabemos que o propósito da 
revelação se cumpre na cruz. Tudo 
nas Escrituras Sagradas aponta 
para esse centro. O mistério da 
encarnação é parte essencial do 
caminho que nos leva ao Calvário. 
Usando mais uma vez as palavras 
do reverendo Packer: “O ato de 
o Filho de Deus assumir a forma 
humana é colocado diante de nós 
de tal modo que nos mostra como 
devemos colocá-lo diante de nós 
mesmos e contemplá-lo sempre – 
não simplesmente como uma ma-
ravilha da natureza, mas sim, uma 
maravilha da graça”. Que todos 
nós, no decorrer do novo ano, pos-
samos contemplar reverentemen-
te a maravilhosa graça de Deus, 
que, em Jesus Cristo, se fez carne e 
habitou entre nós.
Ricardo Barbosa de Sousa é pastor 
da Igreja Presbiteriana do Planalto, em 
Brasília, DF, e coordenador do Centro 
Cristão de Estudos, em Brasília. É autor 
de, entre outros, A Cruz e o Paradoxo 
da Autoestima, Quando a Alegria Não 
Vem pela Manhã, A Espiritualidade, 
o Evangelho e a Igreja, Pensamentos 
Transformados, Emoções Redimidas 
e O Caminho do Coração.
O MISTÉRIO DA ENCARNAÇÃO
A encarnação: feito de modo assombrosamente maravilhosoA encarnação: feito de modo assombrosamente maravilhoso
bit.ly/411-caminho-coracaobit.ly/411-caminho-coracao
MAIS NA INTERNET
O MISTÉRIO DA 
ENCARNAÇÃO É 
PARTE ESSENCIAL 
DO CAMINHO 
QUE NOS LEVA 
AO CALVÁRIO
29Janeiro/Fevereiro 2025 • ULTIMATO
30 ULTIMATO • Janeiro/Fevereiro 2025
Ad
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St
oc
k
O pastor cuida das ovelhas. E quem cuida do pastor?O pastor cuida das ovelhas. E quem cuida do pastor?
bit.ly/411-familiabit.ly/411-familia
MAIS NA INTERNET
A FAMÍLIA INFALÍVEL
Mateus estava esgotado 
após os primeiros anos 
de pastorado em uma 
igreja local. De seu chamado para 
ser um ministro do evangelho, ele 
não tinha dúvida. A voz de Deus 
soara clara em sua mente quando 
viu aquele grupo de jovens em-
briagados caídos na sarjeta, vin-
dos de uma noitada, enquanto ele 
caminhava em direção ao templo 
para adorar o Senhor: “São como 
ovelhas que não têm um pastor”.
Mas, ao ver seu filho de ape-
nas 10 anos afirmar que não que-
ria mais ir à igreja porque lá só 
tinha gente chata, a gota d’água 
do estresse fez o copo transbor-
dar. Não foram poucas as vezes 
em que ele tinha ouvido de ir-
mãos ‘bem-in-
tencionados’ que 
o filho dele não 
deveria correr 
pelo templo ao 
final do culto, 
que o filho dele 
tinha conversa-
do com o ami-
guinho durante 
o louvor, que o 
filho dele estava com o cabelo 
comprido demais para um filho 
de pastor.
Claro que também não falta-
ram “bons conselhos” em relação 
à sua esposa, que deveria procu-
rar se envolver mais nas ativida-
des da igreja.
Como Mateus, muitos pasto-
res são pressionados por mem-
bros obsessivos em suas comu-
nidades a apresentarem uma 
infalibilidade, especialmente na 
vida familiar, que vêm com o dis-
curso de que o líder deve gover-
nar bem sua própria casa (1Tm 
3.4-5). Vamos refletir um pouco 
sobre o significado desse texto 
bíblico.
Governar bem sua casa não 
é sinônimo de ser infalível. Esse 
erro impõe sobre o líder e sobre 
sua família um peso de responsa-
bilidade que, ao longo do tempo, 
vai minando as forças, a espon-
taneidade e vai comprometendo 
toda a dinâmica familiar. Algu-
mas vezes a comunidade cria a 
expectativa da infalibilidade na 
família do líder. Por seu lado, o 
líder corresponde à expectati-
va, impondo a ele e aos seus fa-
miliares exigências difíceis de 
cumprir. Assim se cria uma cir-
cularidade perversa que se retro-
alimenta continuamente entre 
líder e liderados.
Se, por um lado, o grupo cria 
expectativas de perfeição, como 
sinônimo de espiritualidade, 
impondo-as sobre o líder como 
atributo imprescindível para o 
exercício da liderança, por ou-
tro lado, o líder incrementa as 
fantasias comunitárias com um 
discurso de infalibilidade e uma 
máscara social erigida, muitas 
vezes, para esconder suas inse-
guranças. A infalibilidade é uma 
máscara social frequentemente 
utilizada para encobrir a insegu-
rança. Essa fantasia é incoeren-
te com a própria vida, pois esta 
continuamente zomba de nossas 
pseudosseguranças.
Filhos de líderes, em meio a 
este jogo de imagem, são impe-
didos de manifestar a esponta-
neidade infantil no seio da co-
munidade, pois esta poderia ser 
confundida com falta de limites 
ou traquinagem.
Mais importantes que a in-
falibilidade são a coerência e a 
transparência. Líderes coerentes 
e que reconhecem suas limita-
ções e imperfeições tornam-se 
modelos mais fáceis de ser se-
guidos e com quem é possível se 
identificar. Líderes infalíveis são 
míticos e os liderados podem até 
venerá-los – mas jamais se iden-
tificam com eles e não seguem 
seus ensinamentos ou modelo 
porque jamais se julgam capazes 
para tal.
Carlos “Catito” e Dagmar são 
casados, ambos psicólogos e tera-
peutas de casais e de família, e mem-
bros da Igreja Luterana. São autores 
de Pais Santos, Filhos Nem Tanto. 
Acompanhe o blog: ultimato.com.br/
sites/casamentoefamilia/
FAMÍLIA
CARLOS “CATITO” E DAGMAR GRZYBOWSKI
GOVERNAR BEM 
SUA CASA NÃO É 
SINÔNIMO DE SER 
INFALÍVEL. MAIS 
IMPORTANTE QUE 
A INFALIBILIDADE 
É A COERÊNCIA E 
A TRANSPARÊNCIA
31Janeiro/Fevereiro 2025 • ULTIMATO
A FAMÍLIA INFALÍVEL
HISTÓRIA
ALDERI SOUZA DE MATOS
32 ULTIMATO • Janeiro/Fevereiro 2025
ESPECIAL
ANNE ZAKI
CONFRONTANDO A DIVISÃO: BUSCANDO A 
UNIDADE POR MEIO DO ESPÍRITO
REFLEXÕES A PARTIR DE ATOS 15
É HORA DE RESTAURARMOS A ARTE PERDIDA DAS DISCUSSÕES DA IGREJA La
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O filme Remando para o ouro conta a história real 
de oito jovens atletas da equipe de remo da 
Universidade de Washington. No início, há um 
diálogo entre os treinadores, que estão claramente frus-
trados por não conseguirem fazer os oito atletas traba-
lharem juntos como um time. Todos eram fortes, mas não 
sabiam usar seus pontos fortes para lutarem juntos, em vez 
de lutarem entre si. Um dos treinadores diz: “Este é o grupo 
mais forte que já vimos, mas também pode ser a equipe 
mais fraca que já tivemos”.
Poderíamos descrever a Igreja de Antioquia (At 15.1-5) 
com as mesmas palavras do treinador – ela estava usando sua 
força para lutar uns contra os outros, em vez de lutarem juntos.
Enquanto Paulo e Barnabé discipulavam a jovem igreja 
de Antioquia, eles ficaram profundamente perturbados 
com o ensinamento de alguns homens vindos da Judeia: 
“Se vocês não forem circuncidados segundo o costume 
de Moisés, não podem ser salvos” (v. 1). Isso colocava em 
dúvida a morte e ressurreição de Jesus como única garantia 
de salvação, e ameaçava a unidade que o Espírito Santo já 
havia criado entre crentes judeus e gentios.
Após disputa e debate acirrados com aqueles homens 
da Judeia, a igreja reconheceu que tal falso ensino poderia 
alcançar outras igrejas e comissionou Paulo e Barnabé, 
junto com outros crentes, para irem até Jerusalém discutir 
essa importante questão com os apóstolos e presbíteros.
Assim acontece o primeiro concílio da igreja na história: 
uma reunião entre apóstolos, presbíteros e crentes enga-
jados, incluindo alguns que tinham opiniões opostas mas 
que, ainda assim, permaneceram até o final e discutiram 
juntos o assunto.
“Havendo grande debate, Pedro tomoua palavra e 
disse” (v. 7). Isso é notável por, pelo menos, duas razões. 
Primeiro, porque demonstra a coragem da liderança 
exemplificada por Pedro. Coragem de sair da arquibancada 
silenciosa do espectador (em que, infelizmente, muitos 
líderes da igreja permanecem em tempos de conflito e 
crise) e arriscar-se pelo bem de seus parceiros no evan-
gelho, Paulo e Barnabé — ainda mais pelo bem da verdade, 
que o próprio Pedro aprendeu de forma dolorosa, quando 
foi confrontado por Paulo, o que nos leva à segunda razão 
pela qual isso é notável.
No Concílio de Jerusalém, encontramos um Pedro 
mudado, corrigido, conquistado por seu irmão Paulo 
após um confronto bem-sucedido, de acordo com o ensi-
namento de Jesus em Mateus 18 (cf. Gl 2.11-21). Talvez a 
coragem que Pedro demonstrou ao falar em Jerusalém 
tenha se inspirado na coragem de Paulo ao falar com ele 
em Antioquia.
Mas, e se Paulo nunca tivesse confrontado Pedro? O que 
teria acontecido com a fé de Barnabé e dos outros crentes 
de Antioquia? E se Pedro nunca tivesse sido corrigido 
e, consequentemente, nunca tivesse falado no Concílio 
de Jerusalém? O que teria acontecido com a unidade e a 
missão da igreja naquela época, e que tipo de teologia da 
igreja teríamos herdado?
E hoje, o que acontece quando encobrimos o compor-
tamento errado dos nossos colíderes? Ou quando falhamos 
em confrontar corajosamente os ensinamentos errados 
sobre o que é necessário para a salvação? O que acontece 
quando os líderes da igreja ficam em silêncio diante de ensi-
namentos errados em vez de confrontar os guardiões pola-
rizadores que dividem os crentes?
Quando ficamos em silêncio em momentos de dizer a ver-
dade, o futuro da igreja está em jogo. Mas também devemos 
admitir que quebrar o silêncio nos traz um alto custo.
33Janeiro/Fevereiro 2025 • ULTIMATO
Acredito que, um dia, toda a comunidade missional 
terá que pagar um preço – o preço de ficar em silêncio 
ou o preço de quebrá-lo. Pedro quebrou o silêncio e 
lembrou ao Concílio como Deus evidenciou sua acei-
tação pelos gentios, dando-lhes o Espírito Santo, assim 
como tinha dado aos judeus.
Pedro conclui seu discurso com esta poderosa per-
gunta profética: “Agora, pois, por que vocês querem 
tentar a Deus, pondo sobre o pescoço dos discípulos 
um jugo que nem os nossos pais puderam suportar, 
nem nós?” (v. 10). Para Pedro, o tipo de distinção que 
resulta em “nós versus eles” eleva-se a ponto de tentar 
a Deus. Distorcer as palavras de Deus, de forma a dividir 
o seu povo e obstruir sua missão, é um ato de traição. E 
o próprio Pedro responde à sua pergunta: “Cremos que 
somos salvos pela graça do Senhor Jesus, assim como 
eles” (v. 11).
Depois dessa afirmação teológica fundamental, 
Paulo e Barnabé têm a chance de demonstrar essa ver-
dade compartilhando os sinais e maravilhas que Deus 
tem feito entre os gentios por meio deles. E toda a 
assembleia fica em silêncio. Não um silêncio de espec-
tador, descomprometido, que encobre os erros dos 
outros ou de si mesmos. Nem um silêncio temeroso, 
que não é “confrontacional”. Nem ainda um silêncio 
oprimido, que se rende à injustiça. Não. Este é um 
silêncio convicto, rendido à voz do Espírito Santo. Um 
silêncio que reorienta uma comunidade missional para 
declarar e mostrar livremente a verdade de Cristo.
“PARECEU BEM AO ESPÍRITO SANTO E A NÓS”
Tendo ouvido as discussões teológicas e os relatos que 
vieram dos campos missionários por meio de Paulo, 
Barnabé e Pedro, Tiago enquadra toda a discussão 
dentro do testemunho das Escrituras. Ele primeiro recita 
uma profecia do profeta Amós a fim de ajudar o Concílio 
a interpretar suas experiências atuais corretamente, 
assim como essas experiências testificam o cumpri-
mento da profecia: “Depois disso, voltarei e reedifi-
carei o tabernáculo caído de Davi; reedificarei as suas 
ruínas e o restaurarei. Para que o restante da humani-
dade busque o Senhor, juntamente com todos os gen-
tios sobre os quais tem sido invocado o meu nome, diz 
o Senhor” (v. 16-18). Em seguida, compartilha sua opi-
nião como um entre iguais e diz: “Por isso, julgo que não 
devemos perturbar aqueles que, entre os gentios, se 
convertem a Deus” (v. 19). E sugere que escrevam uma 
carta explicando que pareceu bem ao Espírito Santo e a 
eles não sobrecarregá-los com nada.
Nós amamos a frase “pareceu bem ao Espírito Santo 
e a nós” (v. 28)! Mas será que entendemos o processo 
pelo qual a igreja primitiva chegou a tal declaração? 
Foi um processo de falar uns com os outros – não uns 
para os outros ou uns sobre os outros. Foi um processo 
que levou horas de disputas e debates em Antioquia, 
seguido por longas horas de discussão em Jerusalém 
entre pessoas que tinham visões opostas sobre o 
mesmo assunto.
Imagine quanto tempo, esforço e dinheiro teriam 
sido economizados se os falsos mestres em Antioquia 
tivessem apenas escutado e se retratado. Imagine se 
Paulo e Barnabé não tivessem precisado interromper 
seu ministério, deixá-lo para trás e sofrer uma longa jor-
nada de Antioquia a Jerusalém, e de volta a Antioquia 
para resolver essa questão mais básica sobre a salvação.
A igreja primitiva era real, não muito diferente da 
igreja hoje. Ela ainda precisava decifrar questões teoló-
gicas em uma reunião com pessoas que tinham visões 
opostas sobre o mesmo assunto. Esse incidente mostra 
o preço e o processo pelo qual chegamos a uma decla-
ração do tipo: “Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós”. 
Uma declaração nascida da oração diária, 
do compromisso com o ensino da Palavra, 
do partilhar do pão e de uma generosidade 
notável. Uma declaração que preserva a voz 
da igreja e é reservada para a voz da igreja, 
de toda a igreja junta, incluindo pessoas que 
têm visões opostas. Não é uma declaração 
de um único líder que, depois de um retiro 
pessoal, afirma: “Pareceu bem ao Espírito 
Santo e a mim”. Também não é uma decla-
ração de um determinado grupo de líderes, 
motivado por finanças, poder ou status. A 
igreja unida somos nós. É hora de restau-
rarmos a arte perdida das discussões da 
igreja. A arte de falar e ouvir uns aos outros. É 
hora de aprendermos com a igreja primitiva 
a disciplina de criar espaços seguros – para nos dar uma 
chance, para reconsiderar nossas posições presumidas 
à luz do que está em jogo, ou seja, a unidade e a missão 
da comunidade de Deus.
A igreja primitiva realmente acreditava que Jesus 
voltaria em breve, que a colheita era abundante, que os 
trabalhadores eram poucos e que a Grande Comissão 
não poderia ser cumprida com apenas uma parte dela. 
Todos eram necessários. Precisou aprender rapida-
mente como se tornar uma equipe forte, lutando juntos 
em vez de uns contra os outros.
De volta ao filme Remando para o ouro, como fazer 
esses oito atletas atingirem seu máximo potencial como 
uma equipe unificada? Talvez, o problema não estivesse 
nos atletas, mas em ter o timoneiro certo. O timoneiro 
é a nona pessoa no barco, essencial para o sucesso da 
equipe. Enquanto os oito atletas remam voltados para 
trás, o timoneiro é posicionado para a frente, sendo a 
única pessoa qualificada para definir a direção e o ritmo 
do barco.
O Espírito Santo é o timoneiro do barco, que é 
a igreja. Por ser onipotente, é o único qualificado 
para definir a direção e o ritmo de como melhor 
É HORA DE 
APRENDERMOS 
COM A IGREJA 
PRIMITIVA A 
DISCIPLINA DE 
CRIAR ESPAÇOS 
SEGUROS. PARA 
NOS DAR UMA 
CHANCE, PARA 
RECONSIDERAR 
NOSSAS 
POSIÇÕES 
PRESUMIDAS 
À LUZ DO QUE 
ESTÁ EM JOGO
34 ULTIMATO • Janeiro/Fevereiro 2025
ESPECIAL
terminar a corrida, ao trazer clareza e unidade aos egos 
humilhados que estão dispostos a serem transformados 
e reformados continuamente por Deus.
CONCESSÕES DE CÁ E DE LÁ
A carta de Jerusalém declara quatro requisitos: abs-
tenção de alimentos sacrificados a ídolos, de sangue, da 
carne de animais estrangulados e da imoralidade sexual 
(v. 29). Por quê? O Concílio não havia concordado em 
não sobrecarregá-los?Os gentios não estavam agora 
livres em Cristo? Sim, a liberdade deles havia sido con-
quistada por Cristo. Mas precisava ser uma liberdade 
responsável, atenciosa para com os crentes mais fracos. 
Tiago viu na ausência desses requisitos uma ameaça 
à unidade e ao testemunho da igreja. Assim como o 
Concílio esperava que os crentes judeus fizessem uma 
concessão sobre a exigência da circuncisão, esperava 
também que os crentes gentios fizessem concessões 
sobre essas quatro exigências, a fim de manter 
a unidade por meio do vínculo da paz.
O Concílio em Jerusalém sabia que o 
Espírito Santo fez a igreja uma, mas reco-
nhecia que essa unidade estava em cons-
trução. Para alcançar a unidade, todos os 
membros deveriam considerar não apenas 
seus próprios interesses, mas também os 
interesses dos outros.
Tiago estava preocupado também com 
o testemunho da igreja perante seus vizinhos 
não crentes. O cerne da missão, conforme declarado na 
profecia de Amós, era que o restante do povo pudesse 
buscar o Senhor. Portanto, a igreja em Antioquia pre-
cisava remover quaisquer pedras que estivessem no 
caminho dos não crentes em direção à fé e à salvação. 
Afinal, o que os separaria como seguidores de Cristo se 
continuassem a comer carne sacrificada a ídolos e se 
envolvessem em imoralidade sexual?
O ser da Igreja é em si uma missão. Isso então levanta 
a questão: que exigências devemos colocar sobre nós 
mesmos em nossa liberdade em Cristo para remover 
todos os obstáculos do caminho de nossos vizinhos não 
crentes? Do que devemos nos abster em pensamentos, 
palavras, ações e relacionamentos para manter a comu-
nhão com nossos irmãos e irmãs crentes, sem com-
prometer a verdade do evangelho? Em um congresso 
como o Lausanne 4, podemos chegar a respostas que 
se aplicam à igreja global, mas também é importante 
chegar a respostas que sejam contextualizadas aos 
nossos cenários culturais e missionários únicos.
CORREÇÃO, ALEGRIA, CONSOLO E PAZ
Continuando em Atos 15, lemos que, quando a igreja 
de Antioquia se reuniu e leu a carta enviada pela igreja 
de Jerusalém, todos ficaram contentes e consolados 
(v. 31). Aquele poderia ter sido um momento tenso, 
todos esperando o que as vozes de Jerusalém diriam e 
qual lado eles defenderiam. Mas o Espírito Santo trouxe 
alegria e consolo quando a paz da igreja foi restaurada 
e a ameaça à unidade foi removida.
O Espírito Santo continua a nos oferecer a mesma 
alegria e consolação hoje. Quando a verdade subs-
titui nosso silêncio temeroso, a unidade é restaurada 
e somos liberados para retomar pacificamente nossa 
missão como igreja. É então que podemos declarar e 
mostrar o cumprimento da oração de Jesus: “A fim de 
que todos sejam um. E como tu, ó Pai, estás em mim 
e eu em ti, também eles estejam em nós, para que o 
mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17.21).
Hoje, é preciso ouvir de novo essas boas novas. A 
Trindade está investida em nossa unidade como uma 
comunidade missional. O Pai, o Filho e o Espírito Santo 
guiam a igreja e definem sua direção e seu ritmo rumo 
à verdade e unidade, que então produzem o fruto da 
paz e da justiça. Somos testemunhas da missão pacífica 
e justa da Trindade em tempos de crise na e por meio 
da igreja na África do Sul, em Ruanda, no Egito. E hoje 
oramos para que em breve testemunhemos a missão 
pacífica e justa da Trindade na e por meio da igreja nas 
crises em curso na Ucrânia, no Sudão e em Gaza.
Afinal, os oito atletas de Remando para o ouro 
aprendem a trabalhar juntos. Vencem, apesar de tudo, 
e se classificam para competir nas Olimpíadas de 1936 
em Berlim. Eles remam desimpedidos a ponto de enfren-
tarem os maiores rivais e conquistam o ouro olímpico.
E assim fez também a igreja primitiva. Eles desco-
briram maneiras de ouvir uns aos outros, de se unirem, 
apesar de suas diferenças, e seguiram adiante, desim-
pedidos, em sua missão. Os seguidores de Cristo e seu 
evangelho continuaram a superar todos os obstáculos 
e todas as divisões. E sabemos que um dia, pela graça 
de Deus, as palavras de 1 João 4.4 finalmente serão ver-
dadeiras: “Filhinhos, vocês são de Deus e venceram 
os falsos profetas, porque aquele que está em vocês 
é maior do que aquele que está no mundo”. Por causa 
dessa verdade, descansamos e nos alegramos. A Igreja 
de Cristo sempre será invicta.
Na última cena do filme, há uma conversa que 
acontece anos depois, entre um dos oito atletas e seu 
netinho: “Vovô, você gostou de remar em uma equipe 
de oito homens?”, ao que o avô responde: “Oito? Nunca 
fomos oito. Éramos um”.
“A fim de que todos sejam um”. Irmãos e irmãs em 
Cristo, nós somos um.
Transcrito e traduzido por Ana Laura Morais.
Anne Zaki é professora de teologia prática e pregação 
no Seminário Teológico do Cairo, no Egito. Este artigo 
é fruto da exposição bíblica feita por ela no Quarto 
Congresso Lausanne. Transcrição feita com per-
missão da autora a partir do vídeo disponível em bit.
ly/L4-anne-zaki.
ACREDITO QUE, 
UM DIA, TODA A 
COMUNIDADE 
MISSIONAL TERÁ 
QUE PAGAR 
UM PREÇO – O 
PREÇO DE FICAR 
EM SILÊNCIO 
OU O PREÇO DE 
QUEBRÁ-LO
35Janeiro/Fevereiro 2025 • ULTIMATO
Tenho 72 anos e cheguei ao 
Brasil com cinco anos. Meus 
pais eram ateus e autossu-
ficientes. Deus não tinha lugar na 
nossa vida. No meu primeiro ano da 
faculdade fui despretensiosamente a 
um acampamento da Aliança Bíbli-
ca Universitária (ABU) no Instituto 
Tecnológico de Aeronáutica (ITA). 
Não esperava encontrar pessoas in-
teligentes com a vida transformada 
por um Deus vivo, totalmente com-
prometidas com Jesus. E foi assim 
que o Senhor Jesus me chamou para 
também ser cristã.
Durante a faculdade – anos de 
ABU – minha fé e meu conheci-
mento de Deus foram fundamenta-
dos. Se aceitar Jesus como Salvador 
só leva um momento, tê-lo como 
Senhor é desafio de uma vida. O 
sangue de Jesus me redimiu da 
maneira vazia de viver transmitida 
pelos meus antepassados e pelo 
sistema vigente para um projeto 
de uma nova vida à sua imagem e 
semelhança. Esse projeto de vida se 
revela à medida que andamos com 
Jesus; cura, transformação e família 
fazem parte dele.
Pedi ao Senhor um marido 
que o tivesse como prioridade em 
sua vida, e Deus, com seu humor 
peculiar, me deu uma pessoa cuja 
única coisa que temos em comum 
é o nosso compromisso com ele 
e o seu reino. O meu velho eu era 
enorme e precisava ser diminuído 
para a vida de Jesus aflorar, e o 
relacionamento com meu marido 
foi usado para me moldar. Troquei 
meu sonho de ser cientista pelo de 
ser esposa e mãe em tempo integral. 
Embora tenha feito mestrado e 
doutorado em farmacologia, nunca 
tive uma carreira profissional; sou 
simplesmente dona de casa. Nunca 
me arrependi dessa decisão, porque 
estou convicta de que era disso que 
eu precisava, apesar de não defen-
der essa posição para toda mulher 
casada e com filhos. Como esposa, 
apoiei meu marido em todas as suas 
decisões de carreira e na sua função 
de líder da igreja. Como mãe de três 
filhos, aprendi muito e tive o privi-
légio de ensiná-los a andar no cami-
nho do Senhor. Pela graça, todos 
eles conhecem o Deus vivo e o 
servem ativamente com suas famí-
lias na igreja. Minha oração diária 
agora é pelos meus netos: que eles 
também tenham intimidade com 
Jesus e sejam sal e luz no mundo.
Com temperamento forte e 
pouco propensa a ceder ou ouvir, o 
treinamento do Senhor foi muitas 
vezes dramático, longo e intenso. 
Questionamento, reclamação e 
muitas vezes choro fizeram parte 
das minhas conversas com Deus. 
Nesses embates, como Jacó no vau 
de Jaboque, pela sua misericórdia, 
saio sempre menor e ele, maior.
Tive oportunidade de fazer 
seminário teológico e diferentes 
cursos de trabalhos manuais e artís-
ticos, que possibilitaram ampliar 
minha visão de mundo e conhecer 
pessoas com quem compartilhar a 
vida de Cristo em mim.
Desde a aposentadoria do meu 
marido, com quase cinquenta anos 
de casados, vivemos uma nova aven-
tura: a nossa segunda carreira. Já 
treinamos uma segunda geração de 
líderes,hoje compartilhamos com 
outros como a vida com Deus pode 
ser rica na velhice e incentivamos 
os mais idosos a continuarem a dar 
frutos (velhice não é esterilidade). 
O Senhor disse que quem semeia 
com fartura, também colherá farta-
mente, e ele sempre nos deu tudo de 
que precisamos e muito mais ainda 
para repartir com os outros. Temos 
a alegria de participar de projetos 
sociais e missionais como a ACEV 
Social, a Missão Sal, Asas de Socorro 
(na Amazônia), Cristolândia e mui-
tos outros. Há dezesseis anos tenho 
um problema de 
saúde que me 
limita, mas não 
me impede de 
servir a Deus; e, 
se nada puder 
fazer, ainda 
poderei interceder. Meu desafio 
diário continua sendo renovar a 
minha mente para não imitar o 
mundo e seus costumes, mas ser 
transformada pela renovação do 
meu modo de pensar e experi-
mentar com alegria a boa, perfeita 
e agradável vontade de Deus. 
Certamente é tempo de colher, mas 
ainda é tempo de semear. O melhor 
ainda está por vir!
Elizabeth Ng Koo, casada com 
Robert Liang Koo, mãe de três filhos 
e avó de nove netos, é membro da 
Igreja dos Cristãos de São Paulo.
EU, “APENAS” UMA DONA DE CASA?
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36 ULTIMATO • Janeiro/Fevereiro 2025
No domingo, dia primeiro de dezembro de 2024, a 
Igreja Cristã Maranata (ICM) realizou o evento “Trom-
betas e festas”. Esta foi a quarta edição deste esforço 
evangelístico da ICM. O objetivo destes eventos é apon-
tar os sinais da volta de Jesus Cristo à Terra, proclamar 
que Ele vai arrebatar a sua igreja e anunciar a mensagem 
da salvação.
Estima-se que a programação alcançou cerca de 
1 bilhão de pessoas em todo o globo. 
No Maanaim de Domingos Martins, a poucos 
quilômetros de Vitória, ES, quase 5 mil pessoas parti-
ciparam presencialmente do culto. Trombetas e Fes-
tas foi transmitido para toda a ICM, espalhada pelo 
mundo. A transmissão via satélite chegou aos 5 mil 
templos no Brasil e no exterior. Houve também trans-
missões em redes de televisão e plataformas digitais, 
nacional e internacionalmente. A mensagem foi tra-
duzida para 50 idiomas. Quinze deles em tempo real 
por tradutores e intérpretes. Com relação às edições 
anteriores, foram incluídos novos idiomas, como o 
grego, hebraico e mandarim. Além disso, outras 35 
línguas e dialetos foram contemplados graças ao uso 
de inteligência artificial.
Música: ponto forte do evento
O coral entoou hinos conhecidos: “Saudai o nome de Je-
sus”, “Vencendo vem Jesus” e “Quão grande és Tu!”. A or-
questra da ICM, com 320 vozes e mais de 170 instrumen-
tos, acompanhou os hinos. As trombetas foram aliadas 
da mensagem, que enfatizou Apocalipse 8, em que João 
anuncia o toque das trombetas. Algumas delas tinham 
uma �âmula com a palavra “Maranata”, que signi�ca “O 
Senhor Jesus vem!”.
O conteúdo da mensagem
Em seu propósito evangelístico, o evento apresentou 
os sinais proféticos que apontam para o dia em que a 
igreja, como povo de Deus, será arrebatada para a eter-
nidade. Os pregadores destacaram a iminência da volta 
de Jesus Cristo.
O pastor Gerson Beluci, coordenador da ICM na 
Europa, apresentou passagens bíblicas que são sinais 
e avisos proféticos sobre o arrebatamento, a partir das 
trombetas descritas em Apocalipse 8. Em sua palavra, 
ele mostrou que as profecias reveladas até a terceira 
trombeta já se cumpriram.
Com o auxílio de imagens, ele citou as mais de 
21,6 mil queimadas registradas na Amazônia em 
2024 e outros acontecimentos atuais em conexão à 
primeira trombeta (Ap 8.7) que menciona queima-
das atingindo um terço da terra. Em seguida destacou 
manchetes de diversas mídias que mostram a mor-
te de animais dos mares, relacionando-a à segunda 
trombeta, que anuncia a morte da terça parte das 
criaturas que vivem no mar. Conectando com o to-
que da terceira trombeta, que anuncia que as águas se 
tornaram amargas (Ap 8.10-11), o pastor referiu-se às 
notícias que mostram que atualmente um terço dos 
rios do planeta está poluído.
A IGREJA CRISTÃ MARANATA REALIZA 
TROMBETAS E FESTAS PARA 1 BILHÃO
InformeMaranata_2024.indd 2 12/12/2024 08:27:41
37Janeiro/Fevereiro 2025 • ULTIMATO
Ao �nal, o pastor Gerson Beluci destacou que ao to-
que da quarta trombeta a igreja �el será arrebatada. Os 
sinais da proximidade desse dia descritos pelo Senhor 
Jesus no Sermão do Monte, como as guerras e rumores 
de guerras (Mateus 24.6-7), além de sinais no sol, lua e 
estrelas, já são visíveis atualmente.
Foram lembrados também fenômenos socioeconô-
micos, tais como migrações em massa e o crescimento do 
ateísmo, visto como “rebelião dos homens contra Deus”.
O presidente da ICM, pastor Gedelti Gueiros, res-
saltou a seriedade do momento atual e qual deve ser o 
posicionamento da igreja: “A igreja tem que ser pro-
fética. Quando deixa de ser profética, descumpre sua 
missão”. Citando profetas bíblicos como Habacuque, o 
pastor Gedelti chamou a atenção para as a�ições dos úl-
timos dias, como con�itos e crises nos lares, enfatizando 
que a alma humana tem sede de Deus.
No findar do evento, a mensagem de salvação foi 
enfatizada destacando o desejo de Deus de salvar o 
homem: “Se com a tua boca confessares ao Senhor Je-
sus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou den-
tre os mortos, serás salvo” (Romanos 10.9).
INFORME
Para a ICM, o evento é uma chamada à atenção para 
os tempos proféticos que se cumprem e para a oportuni-
dade de salvação de almas.
O próprio nome da Igreja – Maranata – identi�ca 
uma convocação do Espírito Santo para um momento, 
um tempo especial da história e vida da Igreja que é o 
arrebatamento: “Esta igreja nasceu do meio evangéli-
co como opção para de�nir este momento histórico e 
profético. Maranata é a palavra usada por Paulo para 
falar sobre a grande mensagem da Igreja, que é “O Rei 
vem”, ou seja, “Jesus voltará” (trecho do “Quem So-
mos” no site da ICM).
A missão continua
Josias Júnior, gerente de co-
municação da ICM, conclui: 
“o evento foi uma proclama-
ção para o mundo, chaman-
do a atenção para o momen-
to que vivemos, à luz do que 
a Bíblia diz. Há um projeto 
de Deus, descrito com deta-
lhes nas Escrituras Sagradas, 
que está em curso e muito 
perto de seu �nal. Não se trata do �m do mundo, mas 
do �m da oportunidade oferecida ao ser humano para 
escolher viver a eternidade com Deus”.
E acrescenta que o evento foi �nalizado, mas a fes-
ta não acabou. Para ele, uma mensagem tão importan-
te como a do Trombetas e Festas não pode parar de 
ser pregada e precisa alcançar cada vez mais pessoas: 
“Vamos repercutir o evento nos próximos dias, sema-
nas e meses. Existe um número incontável de pessoas 
que foram impactadas e que decidiram estar neste ca-
minho. Elas serão assistidas, acompanhadas e ajudadas 
a viver a mesma experiência maravilhosa que vivemos. 
Há muito ainda a se fazer”, �naliza Junior.
TV
TV MAANAIM – ABERTO CANAL 126 – SIST. RO-EMBRATEL
VIA SATÉLITE CANAL 85 – SKY LIVRE
TV MAANAIM – 24H APP DA RÁDIO MAANAIM
TV MAANAIM – TV TERRESTRE CANAL 18.2 (ESPÍRITO SANTO)
TV MAANAIM – PORTUGAL - MEO CANAL 187
RÁDIO
RÁDIO MAANAIM - SATÉLITE CANAL 381 – SIST.RO-EMBRATEL
RÁDIO MAANAIM FM - MG FM 100,3 – DINÍSIO - MG
 
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Trombetas e Festas em detalhes
Canais da Igreja Cristã Maranata:
REDES SOCIAIS
IGREJA CRISTÃ MARANATA
RÁDIO MAANAIM
0800 – PROJETO DE ASSISTÊNCIA ESPIRITUAL
BRASIL – LIGAÇÃO GRATUITA 0800 707-3076
EXTERIOR - WHATSAPP +55 27 99309-1405
Pastor Gedelti Gueiros
InformeMaranata_2024.indd 3 12/12/2024 08:27:42
38 ULTIMATO • Janeiro/Fevereiro 2025
“Ide por todo o mundo e pregai 
o evangelho a toda criatura” 
(Mc 16.15). Seguindo o man-
dado de Jesus, os cristãos desde o 
início tiveram uma perspectiva glo-
bal. Os outros evangelhos sinóticos 
contêm a ordem de fazer discípulos 
e pregar em “todasas nações” (Mt 
28.19; Lc 24.47). O Quarto Evan-
gelho também é claro quanto ao 
alcance mundial da fé cristã: Deus 
amou o mundo e lhe enviou o seu 
Filho (Jo 3.16s); Jesus é o pão que 
dá vida ao mundo e a luz do mundo 
(6.33, 51; 8.12); na “oração sacerdo 
tal”, o Mestre declara que, assim 
como o Pai o enviou o mundo, ele 
também enviou os seus discípulos a 
esse mundo (17.18).
No transcurso dos séculos, isso 
se tornou uma realidade. Com 
maior ou menor intensidade, a fé 
cristã está presente em toda a Terra. 
O cristianismo é um fenômeno de 
proporções globais, inicialmente 
mais restrito ao Hemisfério Norte, 
mas hoje com forte presença na 
Ásia, África e América Latina. 
Porém, ao mesmo tempo em que 
a religião de Cristo exerce um pro-
fundo impacto na história, ela tam-
bém sofre a influência positiva ou 
negativa dos eventos globais, numa 
interação contínua. Tem sido assim 
desde o início.
Nos primeiros séculos da era 
cristã, o cristianismo se tornou 
uma religião majoritariamente oci-
dental sob a poderosa atração da 
cultura helênica e da administra-
ção romana. O Império Romano, 
apesar de graves manifestações de 
agressividade contra os cristãos, 
também veio a contribuir forte-
mente para a expansão da igreja, 
graças à sua vasta extensão, ao seu 
eficiente sistema de transportes e 
comunicações, e ao seu vigoroso 
ordenamento jurídico. A chamada 
pax romana contribuiu em muito 
para o crescente alcance geográ-
fico do cristianismo, que também 
alcançou regiões à margem do 
império, seguindo as grandes rotas 
comerciais.
Nos séculos finais do período 
antigo e iniciais da Idade Média, 
novos eventos de amplo alcance 
continuaram a interagir com a fé 
cristã. No aspecto positivo, as gran-
des migrações de povos bárbaros 
vindos do leste europeu contribu-
íram para a cristianização desses 
grupos, muitos dos quais lançaram 
os fundamentos das modernas 
nações europeias. Ao mesmo tempo, 
esse período testemunhou o surgi-
mento de um dos maiores desafios 
e ameaças para o cristianismo em 
toda a história – o advento do islã. A 
partir do sétimo século, os exércitos 
maometanos conquistaram imensas 
regiões com forte presença cristã no 
Oriente Médio, Ásia Menor e norte 
da África.
No período medieval, os 
crescentes contatos comerciais 
entre a Europa e o Oriente geraram 
um profundo interesse missionário. 
Porém, a verdadeira globalização 
da fé cristã teve início no século 15, 
com as grandes navegações ibéricas 
e os “descobrimentos” que as segui-
ram. Os enormes empreendimentos 
coloniais português e espanhol – e 
posteriormente de outras nações 
– fizeram com que o cristianismo 
pela primeira vez na história come-
çasse a assumir um caráter verda-
deiramente global. Isso se intensi-
ficou no século 19, com as missões 
mundiais protestantes.
Apesar do contexto de escra-
vidão e colonialismo em que o 
empreendimento missionário, tanto 
católico quanto protestante, ocor-
reu em muitos locais, não se pode 
simplesmente equiparar os dois 
fenômenos. Apesar das ligações 
entre os missionários e as nações 
escravocratas e imperialistas, eles 
foram muitos mais que agentes de 
interesses ideológicos, políticos 
e comerciais. Muitos deles servi-
ram as populações entre as quais 
trabalharam de modo devotado, 
amoroso e sacrificial, oferecen-
do-lhes apreciáveis contribuições 
OS EVENTOS GLOBAIS E 
A HISTÓRIA DA IGREJA
A multiplicação de regimes autoritários, os fenômenos climáticos extremos, 
o avanço do secularismo e de espiritualidades alternativas, entre outros, são 
desafios ou oportunidades para a missão?
HISTÓRIA
ALDERI SOUZA DE MATOS
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39Janeiro/Fevereiro 2025 • ULTIMATO
em diversas áreas, ao contrário de 
muitos de seus compatriotas impe-
lidos por motivações menos nobres.
No tempo presente, vários 
fenômenos de âmbito global estão 
afetando a história da igreja. Em 
primeiro lugar, a multiplicação de 
regimes autoritários ao redor do 
mundo, principalmente na Ásia, 
na África e no Oriente Médio. 
Esses regimes, quando associados 
a guerras internacionais ou civis, 
têm gerado o dramático fenômeno 
das massas de refugiados, com 
suas múltiplas consequências. Tais 
migrações têm afetado a demo-
grafia, inclusive religiosa, tanto das 
regiões de origem quanto das regi-
ões de destino desses grupos. Os 
fenômenos climáticos extremos em 
muitas dessas regiões, resultando 
em miséria e fome, também contri-
buem para esse êxodo gigantesco.
O segundo evento de vastas pro-
porções, muitas vezes associado ao 
anterior, é o aumento da intolerância 
religiosa em níveis jamais vistos. 
Nações comunistas, como China e 
Coreia do Norte, são famosas pela 
sua repressão contra os cristãos. 
Porém, o fenômeno assume propor-
ções ainda mais amplas e assustado-
ras em nações com forte presença 
islâmica. As ações intolerantes e 
violentas são promovidas tanto por 
governos oficiais quanto por grupos 
extremistas, como tem ocorrido, por 
exemplo, na África subsaariana. Um 
fato relativamente recente é o surgi-
mento de formas militantes de hin-
duísmo e budismo em várias regiões 
da Ásia, resultando em grandes pro-
vações para as minorias cristãs.
Um terceiro desdobramento, 
esse no âmbito do pensamento e da 
cultura, é o avanço do secularismo, 
de um lado, ou de espiritualidades 
alternativas, de outro lado, em ter-
mos mundiais. A globalização e a 
influência avassaladora dos meios 
eletrônicos de comunicação têm 
contribuído para isso, reconfigu-
rando agressivamente as crenças, os 
valores e os comportamentos de vas-
tos contingentes, em contraposição 
à cosmovisão cristã. Evidentemente, 
todos esses eventos e outros trazem 
consigo não somente desafios, mas 
também grandes oportunidades 
para a pregação do evangelho e o 
cumprimento da missão que Jesus 
confiou aos seus discípulos.
Alderi Souza de Matos é doutor em 
história da igreja pela Universidade 
de Boston e professor no Centro 
Presbiteriano de Pós-Graduação 
Andrew Jumper. É autor de Erasmo 
Braga, o Protestantismo e a Sociedade 
Brasileira; A Caminhada Cristã na 
História; Fundamentos da Teologia 
Histórica e Às Ciências Divinas e 
Humanas (150 anos do Instituto Pres-
biteriano Mackenzie). Está morando 
por um ano nas proximidades da 
Filadélfia, nos Estados Unidos. 
Três mudanças na igreja e sete realidades globais que 
transformam os estudos de missão
bit.ly/411-historia
MAIS NA INTERNET
OS EVANGÉLICOS NO BRASIL
TIAGO PEREIRA
A CONTRIBUIÇÃO DOS EVANGÉLICOS 
PARA A CAUSA AMBIENTAL NO BRASIL
Pesquisas recentes têm mostrado a pronta reação dos evangélicos na prestação 
de socorro diante de crises ambientais e tragédias climáticas. O que mudou?
Existe um interessante debate 
nas ciências ambientais so-
bre a utilização dos termos 
conservação e preservação. Em-
bora ambos possam ser usados 
como sinônimos, tecnicamente 
eles se referem a diferentes atitu-
des que podem ser tomadas em 
relação ao meio ambiente. É um 
debate complexo, envolvendo di-
ferentes situações em que uma 
postura pode fazer mais sentido 
do que outra, a depender das va-
riáveis que estão em jogo.
Aqueles que advogam pela pre-
servação defendem que a natureza 
deve ser protegida integralmen-
te, de forma que não haja nenhu-
ma intervenção nem exploração 
humana no ambiente natural. A 
preservação entende que a nature-
za possui valor intrínseco, e a sua 
proteção deve ser empreendida 
independentemente de seu valor 
utilitário ou econômico. Os con-
servacionistas, por sua vez, enten-
dem que há possibilidade de uma 
interação harmônica do homem 
com a natureza. Nesse caso, a 
conservação deve ser norteada de 
forma que os benefícios para a hu-
manidade sejam equilibrados com 
o uso consciente e sustentável dos 
recursos naturais.
Dois importantes nomes da 
história ambiental – John Muir 
(1838-1914) e Gifford Pinchot 
(1865-1946) – estão relacionados 
com a preservação e com a con-
servação, respectivamente. Muir 
foi pioneiro no movimento de pre-
servação, influenciando a criação 
dasprimeiras áreas protegidas dos 
Estados Unidos, enquanto Pinchot 
foi um pioneiro na gestão de flo-
restas, defendendo um equilíbrio 
entre a preservação e o desenvolvi-
mento econômico pelo uso susten-
tável dos recursos naturais. Apesar 
dessas divergências, é importante 
perceber que a visão ambiental de 
ambos tinha a mesma origem. Os 
dois eram norte-americanos, her-
deiros de uma tradição religiosa 
protestante que reconhecia a cria-
ção como dádiva divina e via o 
cuidado com a natureza como uma 
questão moral e espiritual.
Poucos reconhecem que esse 
debate ambiental tem profundas 
raízes no movimento evangélico 
norte-americano e na ética pro-
testante. O historiador Mark Stoll, 
um estudioso do ambientalismo e 
sua relação histórica com o pensa-
mento religioso, mostra como as 
tradições cristãs protestantes aju-
daram a moldar a visão ambiental 
e influenciaram a origem dos 
movimentos de preservação e con-
servação nos Estados Unidos. Di-
versos pioneiros desses movimen-
tos foram inspirados pelos ideais 
calvinistas presentes nos puritanos 
e nos congregacionais a respeito da 
vocação para o cuidado e o senso 
de responsabilidade moral com a 
criação, o que contribuiu para fun-
damentar a ética ambiental que se 
construiu ao longo do século 20.
Embora os primeiros líderes 
ambientalistas tenham herdado 
de suas tradições evangélicas um 
forte senso de compromisso com 
o cuidado com a criação, diversos 
fatores nos movimentos evangéli-
cos subsequentes parecem ter con-
tribuído para um afastamento do 
engajamento cristão em torno do 
tema, que, aos poucos, se tornou 
bastante secularizado. No entanto, 
conhecer a influência histórica do 
protestantismo na formação desses 
movimentos é fundamental para 
4040 ULTIMATO • Janeiro/Fevereiro 2025
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Live de Diálogos de Esperança “Sustentabilidade global”
bit.ly/411-evangelicos-brasil
MAIS NA INTERNET
que os cristãos evangélicos possam 
resgatar essa visão hoje. De fato, 
nas décadas mais recentes, já po-
demos perceber um movimento de 
retorno das igrejas à preocupação 
com as questões ambientais.
Esse retorno relativamente 
recente parece ser uma resposta 
tanto a movimentos internacionais 
que resgataram o diálogo entre a 
ecologia e a teologia, quanto a uma 
crescente conscientização sobre a 
crise ambiental e climática. A par-
tir dos anos 1970 e 1980, registra-
mos o surgimento de importantes 
movimentos globais que apro-
ximaram a igreja das discussões 
ambientais; e, atualmente, encon-
tramos no Brasil diversas organi-
zações e iniciativas evangélicas que 
têm trabalhado com a perspectiva 
do cuidado com a criação, mudan-
ças climáticas e ecoteologia.
Podemos destacar o trabalho 
da Aliança Evangélica Brasileira, 
que representa diversas denomi-
nações e, dentre diversas frentes, 
atua nas áreas de justiça social e 
ambiental por meio de comitês 
e campanhas que incentivam a 
consciência ambiental e o enga-
jamento das igrejas em práticas 
sustentáveis. A organização inter-
nacional A Rocha, que teve uma 
importante atuação no Brasil de 
2006 a 2019, destaca-se em di-
versos países, por meio de proje-
tos de conservação da natureza e 
em questões de responsabilidade 
ambiental com igrejas e organiza-
ções locais. Nos treze anos em que 
atuou no Brasil, A Rocha conse-
guiu criar parcerias com organi-
zações seculares e foi responsável 
por plantar a semente do cuidado 
com a criação em diversas igrejas. 
Há alguns anos também vimos 
surgir em solo brasileiro a inicia-
tiva Renovar Nosso Mundo, um 
movimento global que tem como 
objetivo mobilizar os cristãos 
evangélicos em torno da temática 
ambiental por meio de ações de 
sensibilização, informação e capa-
citação. A Rede Evangélica Nacio-
nal de Ação Social (RENAS) tam-
bém inclui a questão ambiental 
em suas pautas de ação social, mo-
bilizando igrejas e grupos locais 
para essa causa. Essa lista pode se 
estender bastante ao somarmos 
iniciativas recentes como o gru-
po de estudos temáticos em eco-
teologia da Associação Brasileira 
de Cristãos na Ciência (ABC²), o 
projeto Casa Sem Lixo, os movi-
mentos Nós na Criação, Somos 
Criação, Evangélicos pelo Clima, 
a participação de muitos cristãos 
na Iniciativa Inter-religiosa pelas 
Florestas Tropicais no Brasil (IRI-
-Brasil), entre muitos outros. Nos 
últimos anos, o próprio Movi-
mento Lausanne também selou o 
seu compromisso com o cuidado 
da criação, integrando essa causa 
nas suas pautas globais de missão 
e justiça, e atualmente conta com 
uma importante representação 
brasileira na área.
Por mais que o engajamento 
ambiental dos evangélicos brasi-
leiros ainda seja razoavelmente 
modesto dentro de toda a diversi-
dade do contingente evangélico do 
país, é possível perceber, nesses úl-
timos anos, um fortalecimento da 
ideia de que o cuidado com o meio 
ambiente é uma responsabilidade 
intrínseca da fé cristã. E é nessa di-
versidade que talvez esteja a gran-
de riqueza da população evangé-
lica. Compreendendo mais de um 
quarto dos brasileiros, os evangé-
licos são uma parte significativa da 
sociedade, com motivos mais que 
suficientes para entender as neces-
sidades e os desafios ambientais 
enfrentados em todas as regiões 
do país. De fato, pesquisas recentes 
têm mostrado que os evangélicos 
não são necessariamente avessos 
às pautas ambientais, e é possí-
vel perceber sua pronta reação na 
prestação de socorro diante de 
crises ambientais e tragédias cli-
máticas. Talvez esse seja um pon-
to-chave para o estabelecimento 
de um diálogo entre os evangélicos 
e os movimentos seculares, uma 
forma de criar 
oportunidades 
de cooperação 
e serviço. Afi-
nal, essa é uma 
forma genuina-
mente cristã de 
obedecer ao cha-
mado de Deus e 
testemunhar o 
evangelho a toda 
criatura.
Nossa esperança é que o co-
nhecimento da história e o estu-
do da Bíblia levem cada vez mais 
evangélicos a se envolverem nessa 
causa. Que eles se inspirem na fé 
protestante de Gifford Pinchot, 
que entendeu o mandato bíblico 
de “domínio sobre a terra” como 
um chamado para a gestão cuida-
dosa e justa dos recursos naturais, 
de modo a beneficiar a humanida-
de e honrar o Criador. Que eles se 
fascinem com a espiritualidade de 
John Muir, que interpretava a na-
tureza como uma “catedral” viva, 
onde as pessoas podiam contem-
plar a beleza e a grandiosidade de 
Deus na criação.
Tiago Pereira, casado com Eliza e 
pai de Pedro e Maria Clara, é biólogo, 
mestre e doutor em botânica, com 
pós-doutorado em biologia mole-
cular e filogeografia. É coordenador 
nacional dos grupos de estudo da 
Associação Brasileira de Cristãos na 
Ciência (ABC2) e membro da Igreja 
Presbiteriana.
4141Janeiro/Fevereiro 2025 • ULTIMATO
DIVERSAS 
ORGANIZAÇÕES 
E INICIATIVAS 
EVANGÉLICAS 
NO BRASIL TÊM 
TRABALHADO COM 
A PERSPECTIVA DO 
CUIDADO COM A 
CRIAÇÃO, MUDANÇAS 
CLIMÁTICAS E 
ECOTEOLOGIA
A TENTATIVA DE GOLPE E A REAÇÃO 
EVANGÉLICA
A democracia não existe para garantir a vitória do nosso lado
nem da nossa visão da sociedade
Dois acontecimentos prenhes 
de significado para o futuro 
da igreja evangélica brasilei-
ra tiveram lugar no mês de novem-
bro de 2024: as novas e cada vez 
mais chocantes revelações sobre 
os planos para um golpe de estado 
em dezembro de 2022; e a vitória 
eleitoral de Donald Trump nos Es-
tados Unidos. De que forma esses 
dois eventos se revestem de tanta 
importância, para o país mas tam-
bém para a igreja brasileira?
Entre os dois turnos da eleição 
presidencial de 2022, escrevi em 
artigo de Ultimato de que “é ex-
tremamente importante, seja quem 
for o candidato perdedor, que os 
seus apoiadores evangélicos, mesmo 
lamentando o resultado, fiquem 
dentro das normas democráticas 
de reconhecimento da legitimidade 
do vencedor”. Por que é tão impor-
tante, perguntei, que os evangéli-
cos deem exemplo nesse sentido? 
Aleguei duas razões. Primeiro, por 
causa da história: das grandes cor-
rentes religiosas (cristãs e não cris-
tãs), o protestantismo, inclusive sua 
vertenteevangélica, tem historica-
mente a relação mais próxima com 
o desenvolvimento da democracia. 
E, em segundo lugar, por causa da 
Bíblia: apenas como pincelada das 
implicações democratizantes que 
permeiam a Bíblia, citei a criação 
do ser humano à imagem de Deus; 
as implicações da Queda; o impul-
so geral das leis de Moisés; e alguns 
textos de Paulo, como Gálatas 3.28 
e as listas de dons do Espírito em 
Romanos 12 e 1 Coríntios 12 (as 
“cartas constitucionais” da comu-
nidade cristã). A grande narrativa 
bíblica reflete, então, o valor 
fundamental da democracia como 
reflexo tanto da antropologia cris-
tã como do caráter de Deus ex-
presso na maneira em que trata a 
humanidade desde o começo. A 
propensão humana para o bem 
torna a democracia possível, e a 
propensão humana para o mal 
torna a democracia necessária. 
Ou seja, amar ao próximo inclui a 
defesa da democracia.
Idolatria de Estado
Concluí que os evangélicos, muni-
dos dessa teologia, deveriam ser o 
segmento menos vulnerável a des-
vios antidemocráticos, e que seria, 
portanto, esdrúxulo que evangé-
licos brasileiros hoje quisessem 
fechar o processo democrático. 
Querer romper com a democracia 
é idolatria do Estado! Aqueles que 
querem derrubar o resultado das 
urnas porque “o outro lado é co-
munista/fascista” estão traindo o 
evangelho. E aqueles que querem 
derrubar o resultado das urnas 
porque “houve fraude”, que apre-
sentem as provas.
Agora, estarrecidos, descobri-
mos cada vez mais o que o lado 
perdedor tentou fazer nos meses 
após a derrota; quão longe avan-
çou nos planos e quão violentas as 
ações planejadas.
E a vitória de Trump nas elei-
ções americanas de novembro 
de 2024, que tem a ver com isso? 
Sabemos que o próprio Trump 
tentou reverter, por meios an-
tidemocráticos, a sua derrota 
nas urnas em 2020, criando um 
precedente fatídico para os even-
tos brasileiros de dois anos depois. 
E nos Estados Unidos, ao contrário 
do Brasil, não existe uma “lei da 
ficha limpa” para impedir que um 
candidato que já atentou contra a 
democracia concorra novamente. 
Trump ganhou legitimamente em 
2024 e reassumirá a presidência 
em janeiro, o que significa que es-
tará no poder à época da próxima 
eleição presidencial brasileira. A 
relevância disso é que tudo indica 
que uma das razões principais, se 
não a principal, pela não concreti-
zação do plano de golpe no Brasil 
em dezembro de 2022 foi a conhe-
cida oposição do presidente Biden, 
o que provavelmente influenciou a 
não adesão de boa parte da cúpu-
la militar brasileira à conspiração. 
Com Trump ainda no poder em 
2022, o desfecho poderia ter sido 
muito diferente. Mas agora, em 
2026, não haverá o mesmo desestí-
mulo para aventuras golpistas.
Os evangélicos e 
a democracia
Obviamente, nem tudo depende 
dos evangélicos desses dois países. 
Mas constituem as duas maio-
res comunidades evangélicas do 
mundo. E sabemos que essas co-
munidades evangélicas votaram 
maciçamente, tanto em Trump 
como na candidatura brasileira 
perdedora em 2022. A postura dos 
evangélicos brasileiros terá grande 
peso em determinar o destino do 
Brasil nos próximos anos.
Em 2022, falei da importância 
dos apoiadores evangélicos ficarem 
dentro das normas democráticas. 
Isso inclui, agora, repudiar publi-
camente as tentativas de golpe e não 
votar mais em tais candidaturas 
ou naqueles que as aprovam.
42 ULTIMATO • Janeiro/Fevereiro 2025
ÉTICA
PAUL FRESTON
A hora de a liderança evangélica 
brasileira se levantar em defesa da 
democracia é agora. Se a candi-
datura presidencial de 2022, que 
recebeu dois terços do voto evan-
gélico, foi tão longe na tentativa de 
derrubar o sistema democrático, 
não seria de esperar uma reação, 
um repúdio contundente e uma au-
tocrítica?
Em julho de 2024, tive o privi-
légio de ser entrevistado na Folha 
de S. Paulo sobre a relação entre 
evangélicos e política. Em resposta 
à minha entrevista, um jornalista 
da própria Folha afirmou que, em 
vez de “conversar” com evangé-
licos, era melhor “enfrentá-los”, 
dar “combate ao ideário dessas 
correntes”, porque “forças hostis 
aos princípios da democracia têm 
de ser enfrentadas”. Pude publicar 
uma tréplica, em que caracterizei a 
abordagem do jornalista como de-
sinformada, que era “errôneo atri-
buir hostilidade à democracia aos 
70% de evangélicos que votaram 
em Bolsonaro. Os antidemocráti-
cos ideológicos não são maioria.” 
Quando evangélicos cometem atos 
antidemocráticos, eles têm que ser, 
de fato, enfrentados. Mas quando 
emitem opiniões, mesmo antide-
mocráticas, devem ser combatidos 
dentro do mundo evangélico e em 
termos “nativos”.
É isso que precisa acontecer 
agora. Deve haver, por parte de 
líderes evangélicos, um repúdio 
contundente e, se for o caso, uma 
autocrítica. Se não quiserem se 
pronunciar em defesa da demo-
cracia, pelo menos se pronunciem 
em defesa da vida; em defesa da 
legalidade; em defesa da decência; 
em defesa da verdade; em defesa 
da tranquilidade. Mas o evangélico 
consciente se pronunciará, sim, em 
defesa da democracia. A democra-
cia eleitoral é insuficiente e sempre 
desaponta, mas é insubstituível. 
A democracia não existe para ga-
rantir a vitória do nosso lado nem 
da nossa visão da sociedade. Ela 
existe para permitir a defesa con-
tinuada de projetos diversos para a 
sociedade, inclusive o nosso.
Com todas as imperfeições, a 
democracia brasileira permite a 
possibilidade de apresentar um 
amplo leque de visões para o futu-
ro do país. Aqueles cristãos que se 
encantam por pretensas soluções 
não democráticas deveriam recor-
dar o ditado de Churchill, de que 
a democracia é o pior sistema de 
governo já inventado, com exceção 
de todos os outros. Tanto a histó-
ria como a boa teologia cristã nos 
confirmam isso.
Quando as democracias 
morrem 
Não pensemos que as atividades 
ilegais e violentas dos golpistas 
são separáveis de alguma propos-
ta concreta deles que porventura 
aprovemos. Essa é uma ilusão re-
corrente. Como adeptos de regimes 
autoritários anteriores descobri-
ram, cedo ou tarde, não é possível 
isolar a maldade embutida. Os dis-
cursos e ações repugnantes acabam 
vindo à tona e infetando o todo.
Haverá, claro, em setores evan-
gélicos, as dissimulações de sem-
pre. Por parte de alguns, o simples 
negacionismo. Por outros, a pro-
jeção, atribuindo aos outros o que 
eles mesmos tentaram ou gosta-
riam de tentar. Outros culparão a 
vítima: o outro lado é responsável 
pelo que os golpistas tentaram fa-
zer! As falsas equivalências serão 
mobilizadas, para minimizar a 
gravidade dos fatos. E, por parte 
de apologistas mais cultos, haverá 
o pretenso distanciamento que, 
embora professe rechaçar as mani-
festações mais rasteiras, no fundo 
quer tornar pensável o impensável, 
e aceitável o inaceitável.
Outro setor evangélico, talvez 
o maior, decidirá que é melhor 
não falar nada. Primeiro porque, 
daqui a dois anos, do jeito que o 
Brasil imita os Estados Unidos, os 
golpistas podem estar de novo no 
poder, mais espertos e mais vinga-
tivos. E também (pensarão alguns 
pastores) porque muitos mem-
bros da igreja apoiam, aberta ou 
veladamente, o golpismo. Assim, 
optando pela prudência, deixarão 
de exercer seu papel pastoral de 
orientar o rebanho numa questão 
ética clara. Mas tanto o silêncio 
cúmplice quanto o apoio explícito 
trarão prejuízo à integridade da 
mensagem pregada.
Quer se trate de apoiadores 
radicais, ou de apologistas ilus-
trados, ou de calados prudentes, 
a todos o capítulo 8 do Evangelho 
segundo João se aplica: o diabo 
jamais se firmou na verdade, por-
que é mentiroso e pai da mentira 
(v. 44). Para sermos verdadeiros 
discípulos, temos que deixar que a 
verdade nos liberte (v. 31-32).
Para terminar, repito o alerta 
com queterminei o artigo de outu-
bro de 2022. As democracias mor-
rem quando os atores principais 
rejeitam as regras democráticas 
do jogo; quando toleram ou enco-
rajam a violência; quando negam 
a legitimidade dos seus rivais; e 
quando expressam o desejo de coi-
bir as liberdades civis de seus ad-
versários. A democracia brasileira 
talvez venha a morrer... mas que 
os evangélicos não sejam nem seus 
assassinos nem seus coveiros!
Paul Freston, inglês naturalizado bra-
sileiro, é professor emérito de religião e 
política em contexto global na Balsillie 
School of International Affairs e na 
Wilfrid Laurier University, em Waterloo, 
Ontário, Canadá, e professor colabo-
rador do programa de pós-graduação 
em sociologia na Universidade Federal 
de São Carlos. É autor de, entre outros, 
Religião e Política, Sim; Igreja e Estado, 
Não; Cristianismo Antigo para Tempos 
Novos e Nem Monge, Nem Executivo, 
todos pela Editora Ultimato.
Defender a democracia: um dever evangélico baseado na
história e na Bíblia
bit.ly/411_etica
MAIS NA INTERNET
43Janeiro/Fevereiro 2025 • ULTIMATO
44 ULTIMATO • Janeiro/Fevereiro 2025
M
ar
ia
 M
ad
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ra
ARTE E CULTURA
LITERATURA E CULTURA
GLADIR CABRAL
A escrita é muitas vezes comparada ao ato de tecer 
fios, como nos fazem entender relatos antigos como 
os de Ariadne, personagem de um mito grego que 
tenta ajudar Teseu a escapar do labirinto dando a ele 
um fio e uma espada. Com a espada, Teseu matou o 
Minotauro e, seguindo o fio de Ariadne, conseguiu 
encontrar a saída do labirinto. Dessa maneira, es-
crever pode ser entendido como uma forma de esca-
par do labirinto e encontrar a saída. O romance de 
Conceição Evaristo Becos da Memória parece fazer 
o contrário. Usando o fio da narrativa, a autora quer 
adentrar cada vez mais profundamente os labirintos 
de sua memória, os becos e vielas da Vila Pindura 
Saia, uma comunidade pobre que ficava na zona sul 
de Belo Horizonte e foi desfeita em 1970. Evaristo 
nasceu e passou parte de sua infância ali.
O livro caracteriza-se como um romance ins-
pirado em eventos e registros autobiográficos. Ele 
apresenta um grande número de personagens que 
habitam a favela ou por ela passam. Cada um de-
les tem sua origem, sua chegada, suas histórias e 
sua participação na vida cotidiana da comunidade, 
como Vó Rita, personagem central na narrativa e na 
vida da comunidade, Negro Alírio, um trabalhador 
resistente e sábio, Bondade, uma mulher que cuida 
de muita gente, Ditinha, uma jovem à procura de li-
berdade, a velha Balbina, Filó Gazogênia, Cidinha-
-Cidoca, além de inúmeros outros que passam pela 
história. Todos são apresentados a partir do olhar 
de Maria Nova, a narradora da história, uma meni-
na entrando na adolescência que acaba por se tornar 
a mão que tece todas as histórias e cuja voz mescla 
as memórias coletivas da comunidade e tece todas 
as outras vozes.
Há também uma personagem que permanece 
misteriosa ao longo de toda a narrativa e só ao fi-
nal é revelada: a Outra, uma figura muito especial 
que vive na casa de Vó Rita. Além do mistério em 
relação a essa personagem, há uma crescente tensão 
que cerca e corrói a vida da favela como um abis-
mo, um grande grotão: o processo contínuo e rui-
doso de desfavelamento. A cada capítulo, barracos e 
mais barracos são derrubados, pessoas pegam seus 
trapos e vão embora, 
uma sensação cada 
vez mais forte de des-
truição e vazio. Há 
um buraco que parece 
devorar tudo e que vai 
crescendo ao longo da 
narrativa, enquanto 
Maria Nova testemu-
nha todo esse drama e 
tenta compreender o significado do que está acon-
tecendo.
Como o romance parece sugerir, a memória é 
uma experiência narrativa, pois é feita de lingua-
gem, demanda um ponto de vista, tem uma estru-
tura que lhe dá sustentação e sentido, evoca perso-
nagens diferentes, cria um tempo diferente, paralelo 
ao tempo cronológico, que às vezes se acelera, às ve-
zes se atrasa. Ela tem um material bruto com o qual 
trabalha: as lembranças do passado, suas marcas, 
evidências muitas vezes dispersas do que se passou. 
Mas a memória, por ser eminentemente narrativa, 
é fruto de um ato construtivo, é também ela mes-
ma criação. Há, portanto, na memória um exercício 
ativo de imaginação. É o que reconhece Conceição 
Evaristo, no prefácio do seu livro, quando observa: 
“[...] invento sim e sem o menor pudor. As histórias 
são inventadas, mesmo as reais, quando são conta-
das. Entre o acontecimento e a narração do fato, há 
um espaço em profundidade, e é ali que explode a 
invenção”. É daí que Conceição elabora seu conceito 
de “escrevivência”: escrever a partir de uma vivência 
anterior, de uma experiência. Escrever como buscar 
sua própria voz em meio a outras tantas vozes.
EVARISTO, Conceição. Becos da memória. 3. ed. Rio de Janeiro: 
Pallas, 2018.
Gladir Cabral é pastor, músico e professor de letras na 
Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc). Acompanhe 
o seu blog pessoal: ultimato.com.br/sites/gladircabral.
A “ESCREVIVÊNCIA” DE CONCEIÇÃO EVARISTO EM 
BECOS DA MEMÓRIA
O que lembro, tenho
bit.ly/411-literatura
MAIS NA INTERNET
VAMOS LER!
ANDRÉ GOMES QUIRINO
DE UMA DOUTRINA QUE, COMO TODAS, 
É SINÔNIMA A “DEUS É AMOR”
Um livro propício a ser julgado pela capa – observado 
o adendo de que ele transforma o modo como jul-
gamos, ao discutir os pressupostos sobre como 
somos julgados.
A gravura que ilustra Expiação está inscrita no 
“bloco da morte” de Auschwitz. Com a unha, um 
polonês preso por integrar a resistência ao nazismo 
gravou na parede uma representação do Cristo cru-
cificado. Enquanto confrontava seu fim, Stefan 
Jasieński tornou visível a convicção de que Cristo 
sofria com ele e ele sofria com Cristo. De dentro da 
monstruosa pena que se lhe impunha, ele fez emergir 
o sofrimento que (argumenta este livro) julga e 
redime cada um dos demais.
O problema em que consiste a realidade do mal 
é um tema saliente na obra de Eleonore Stump, tida 
entre as principais intérpretes, hoje, de Tomás de 
Aquino. Expiação é um esforço de aprimoramento 
da abordagem tomista à doutrina segundo a qual 
Cristo reconcilia a humanidade com Deus, repa-
rando os danos da pecaminosidade. Aprimoramento, 
em parte, porque se busca uma unidade entre os pro-
blemas do pecado e do mal. Os recursos para tanto, 
de todo modo, se extraem do depósito do pensa-
mento cristão, cujo caráter plural e fecundo é o que a 
autora dedica a carreira a clarificar.
No panorama do tomismo acadêmico, a singu-
laridade da pesquisa de Stump deriva de sua insis-
tência na natureza não-aristotélica da ética de 
Tomás: na transformação que a ênfase cristã no amor 
(e, portanto, nas relações pessoais) implica para a 
ética grega das virtudes. Também em Expiação, uma 
nota vê a antropologia do Aquinate menos próxima 
do ditado délfico “Conhece-te a ti mesmo” do que do 
Ubuntu sul-africano, sintetizado no lema zulu “Uma 
pessoa é uma pessoa por meio de outras pessoas” (p. 
570, n. 16). Remetendo a escritos prévios de Stump, 
o livro assume por premissa uma tese que intensifica 
tal intuição: a saber, há um legítimo conhecimento 
via experiências em segunda pessoa, o qual não se 
reduz a proposições, mas se transmite sob narrativas 
(p. 328-329).
De cada interação pessoal emergem traços de 
vontade e ainda outras propriedades que não se 
poderiam apresentar em 
indivíduos isolados (p. 215). 
Há então algo de logi-
camente intraduzível na 
experiência de Stefan 
Jasieński com seus com-
panheiros de resistência; 
mas também com seus 
algozes; e ainda com 
Cristo; ou conosco, que 
sua história ouvimos.
É neste âmbito dife-
renciado de realidade, o 
dos encontros interpes-
soais, que é possível a 
injustiça – mas é também 
nele que se dá a desti-
nação das criaturas, sua 
adoção pelo Criador. A deificação é irredutivel-
mente relacional porque antes disso a deidade o é: 
se ninguém pode, sozinho, ser quem deveser, isso é 
porque nem mesmo as Pessoas divinas podem, sozi-
nhas, ser Deus (p. 245). A relacionalidade em que 
Deus consiste é um convite permanente à reconci-
liação, um oferecimento incessante de perdão. Daí 
que, antes até que o filho pródigo se arrependa, seu 
pai já o possa perdoar (p. 113): no mesmo plano em 
que abunda o pecado, superabunda desde sempre 
a graça.
Quando, sob sua dor, Jasieński pôs em imagem o 
sofrimento de Cristo, o que ele fez foi fender à unha 
a crosta que impedia ver: a pena injusta que se lhe 
abatia foi, já ela mesma, julgada. Cada malfeito não 
é mais do que um parasita ingênuo, sempre já decré-
pito, do fato de que ser é se doar, de que Deus é amor. 
A reconciliação entre o mundo e Deus, o que se 
infere exigir a mais implacável das compensações... 
Eis, ao contrário, “[o] que pode ser obtido pela fra-
queza e que não poderia ser alcançado por meio do 
poder” (p. 397).
André Gomes Quirino é graduado e mestre em filosofia 
(USP), graduado em teologia (Mackenzie) e membro da 
Catedral Evangélica de São Paulo.
45Janeiro/Fevereiro 2025 • ULTIMATO
ACONTECEU COMIGO
MEU ENCONTRO COM JESUS
ANSEIO POR DEUS
Ad
ob
e 
St
oc
k
OMID
Meu nome é Omid. Nasci 
em uma família muçul-
mana no Irã. Crescendo 
em um lar profundamente reli-
gioso, fui ensinado desde cedo 
a seguir de perto as tradições 
islâmicas. Meu pai dava gran-
de importância à observância 
das práticas religiosas, e eu ge-
nuinamente queria ser um bom 
muçulmano. Eu ansiava por uma 
conexão pessoal com Deus e fa-
zia tudo o que achava necessário 
para alcançar isso, rezando cinco 
vezes ao dia, jejuando durante o 
Ramadã e frequentando regular-
mente a mes-
quita. No en-
tanto, apesar de 
todos os meus 
esforços, sem-
pre sentia que 
faltava algo. O 
Deus que me ensinaram a acre-
ditar parecia distante, intocável e 
muito santo para ter um relacio-
namento pessoal.
Quando terminei o ensino 
médio, decidi sair do Irã e me 
mudei para a Malásia para apren-
der inglês e cursar a universida-
de. Embora uma nação muçul-
mana, a Malásia era um lugar 
com muito mais liberdade do que 
meu país natal. Essa nova liber-
dade teve um grande impacto em 
minha vida. Comecei a experi-
mentar coisas que me eram proi-
bidas em casa, como álcool e bo-
ates. Lentamente, passei a viver 
um estilo de vida pecaminoso, 
perdendo-me em distrações. A 
liberdade que eu pensava que me 
levaria a novas oportunidades, 
em vez disso, me levou mais fun-
do no vazio que estava tentando 
preencher.
Eu tentei anestesiar meu sen-
timento de vazio por meio de 
prazeres temporários, mas isso 
só piorou as coisas. Na mesma 
época, conheci uma equipe mis-
sionária cristã perto de minha fa-
culdade na Malásia. Inicialmen-
te, não tinha interesse em suas 
crenças. Eu apenas mantinha 
contato com eles porque via nisso 
uma oportunidade de melhorar 
meu inglês. Por dois anos, parti-
cipei de seus encontros semanais, 
ouvindo suas discussões sobre 
Jesus sem qualquer intenção de 
mudança.
Então, numa noite, tudo mu-
dou. Jesus veio a mim em um so-
nho. Foi diferente de tudo o que 
já havia experimentado antes. 
No sonho, ele falou diretamente 
comigo e me disse que, para es-
capar da vida pecaminosa que 
eu estava vivendo, eu precisava 
confessar meus pecados. Suas 
palavras me atingiram profunda-
mente, deixando-me em choque 
e confusão. Nunca havia experi-
mentado nada parecido em mi-
nha vida. No final de semana se-
guinte, como de costume, fui ao 
encontro da equipe missionária. 
Dessa vez, a mensagem que o lí-
der compartilhou penetrou fun-
do no meu coração. Era como se 
ele estivesse falando sobre tudo 
com o que eu estava lutando. De-
cidi falar com ele sobre o sonho 
que tive e, pela primeira vez, me 
abri sobre minhas lutas e meu 
desejo de mudança. Naquela 
noite, confessei meus pecados 
e tomei a decisão de aceitar Je-
sus Cristo como meu Senhor e 
Salvador.
Pouco tempo depois desse 
evento transformador, meus es-
tudos na Malásia chegaram ao 
fim. Antes de partir, fui batizado 
como uma declaração pública de 
minha nova fé em Cristo. Voltei 
para o Irã, cheio de entusiasmo e 
esperança. No entanto, logo en-
frentei novos desafios. O governo 
iraniano havia fechado todas as 
igrejas, e me vi isolado, incapaz 
de encontrar qualquer comuni-
dade de crentes. Eu estava espiri-
tualmente faminto e desesperado 
para aprender mais sobre minha 
fé e a Bíblia, mas as oportunida-
des eram escassas.
Por isso, viajei para um país 
vizinho e me inscrevi em uma 
Escola de Treinamento de Dis-
cipulado com uma organização 
cristã. Durante esse tempo, apro-
fundei o entendimento de minha 
fé, me aproximei de Deus e come-
cei a experimentar o relaciona-
mento pessoal que tanto desejava 
por todos aqueles anos. Minha 
caminhada com Jesus realmente 
começou, e minha vida nunca 
mais foi a mesma.
Omid é o nome fictício do autor, e 
visa preservar a sua identidade e 
segurança.
46 ULTIMATO • Janeiro/Fevereiro 2025
O que a Bíblia diz sobre conversãoO que a Bíblia diz sobre conversão
bit.ly/411-testemunhobit.ly/411-testemunho
MAIS NA INTERNET
JESUS VEIO A MIM 
EM UM SONHO. FOI 
DIFERENTE DE TUDO 
O QUE JÁ HAVIA 
EXPERIMENTADO 
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LANÇAMENTO
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Formando pessoas para transformar o mundo.
unievangelica.edu.brFilipe Rodrigues 
VENDAS: Lúcia Viana • Érica Oliveira 
Romilda Oliveira • Vanilda Costa
ESTAGIÁRIOS: Larissa Fávero 
Você está
rindo de quê?
Em janeiro de 2025, celebramos 57 anos de publicação ininterrupta. 
Ultimato é feita com oração, muito temor e dependência de Deus. 
Desde 1968.
VOCÊ CONHECE ESSA HISTÓRIA E FAZ PARTE DELA
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organizações, pastores, líderes e milhares de leitores ao longo de 
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5Janeiro/Fevereiro 2025 • ULTIMATO
Você está
rindo de quê?
6 ULTIMATO • Janeiro/Fevereiro 2025
PASTORAIS
ARIANE GOMES
É preciso alegrar-se!
O destino é Jerusalém. No caminho, algumas histórias, 
ensinos e admoestações. Também curas, libertação e 
muita, muita gente seguindo a Jesus.
Entre os que seguem estão os escribas e fariseus, 
que procuram confundir o Senhor a respeito de mui-
tos assuntos com o intuito de tirar das suas próprias 
palavras motivos para o acusarem. Eles se incomodam, 
ameaçam e, insatisfeitos, são incapazes de se alegrar 
com o anúncio do reino de Deus e com o que Jesus 
está fazendo entre o povo.
Lá pelas tantas, escribas e fariseus arrumam 
mais uma razão de queixa contra Jesus: “Ele recebe 
pecadores e come com eles”. Jesus não se aflige, e 
aproveita o ensejo para contar três parábolas que são 
um confronto à atitude do coração de seus acusadores.
Um homem, uma mulher e um pai perdem algo pre-
cioso: uma ovelha, uma moeda e um filho. O homem e 
a mulher suspendem por um tempo a atenção a outros 
bens e afazeres e se esforçam em busca do que foi 
perdido. Quando o encontram, se alegram e reúnem 
amigos e vizinhos e cada um deles anuncia: “Achei o 
que havia perdido!”.
O pai não se opõe à decisão do filho mais novo 
de, tomando sua parte dos bens, partir para uma terra 
distante. Deixa-o ir. Quando o filho retorna, com fome 
e humilhado, o pai se alegra e manda preparar um 
banquete para receber e comer com o filho outrora 
perdido.
Até aqui, a mensagem é simples e verdadeira: há 
muita alegria quando algo perdido é achado.
Porém há mais. O filho mais velho, tal como os 
escribas e fariseus, se aborrece com a atitude do 
pai, faz acusações e se recusa a entrar em casa para 
celebrar. O pai, compassivo e paciente, fala de seu 
amor: “Tu sempre estás comigo; tudo o que é meu é 
teu” e faz uma importante declaração: “Era preciso 
que nos regozijássemos e nos alegrássemos, porque 
o teu irmão estava morto e reviveu, estava perdido e 
foi achado” (Lc 15.31-32).
Não era possível deixar passar, não dar atenção, 
fazer de conta que não aconteceu. Era preciso que o 
tempo de espera fosse encerrado; a vida, celebrada; 
a graça, reconhecida.
Situações de perda, de dor e de morte que passam 
por uma reviravolta e se transformam em vida precisam 
ser reconhecidas e celebradas. O reaver de um bem, 
o retorno de um filho, a cura de uma doença, o fim de 
uma disputa, a liberdade alcançada, o livramento do 
acidente, o perdão concedido, a conversão de rota, o 
encontro com Jesus são motivos de muita alegria. No 
caminho e na caminhada, na singeleza ou na complexi-
dade da vida ordinária, é preciso que coisas pequenas 
ou grandes outrora perdidas sejam recebidas de volta.
Para os fariseus e escribas, que conheciam a histó-
ria do povo de Deus e sabiam de tantos episódios de 
renascimento, não deveria parecer estranho que, do 
meio da indignidade e da desesperança, Jesus Cristo, 
o Filho de Deus, estivesse fazendo surgir nova vida.
A vida devolvida e a esperança aumentada não 
devem ser algo estranho para nós. E não é difícil cele-
brar: um gesto de bondade e reconhecimento, uma 
palavra de gratidão, uma oração a sós com Deus ou 
com um grupo de amigos, um testemunho verbal ou 
escrito, um convite para uma refeição ou uma festa. 
Não importa a forma. Importa que haja alegria e 
gratidão ao Deus da Vida.
Ariane Gomes atua como coordenadora de 
produção de Ultimato e gestora de conteúdo do 
Portal Ultimato.
Prática da alegria
bit.ly/411_pastorais
MAIS NA INTERNET
O Retorno do Filho Pródigo, Rembrandt van Rijn
M
us
eu
 H
er
m
ita
ge
7Janeiro/Fevereiro 2025 • ULTIMATO
SUMÁRIO
11 CAPA 
SEÇÕES
“Que a Igreja anuncie e demostre Cristo, unida” é o tema do Quarto 
Congresso Lausanne de Evangelização Mundial realizado entre os 
dias 22 e 28 de setembro de 2024 na Coreia do Sul, e registrado 
por Ultimato numa ampla matéria de capa.
Colaboraram com esta edição mulheres e homens, jovens e 
velhos, líderes, missionários, pastores que estiveram em Lausanne 
4 e que prosseguem seu caminho na igreja, comunidade, 
organização ou em iniciativas do movimento Lausanne, 
trabalhando em favor do cumprimento da Grande Comissão.
SERVIÇO DE ATENDIMENTO AO LEITOR
Para assinar ou adquirir exemplares anteriores, consultar dados 
de sua assinatura, comunicar alteração de endereço, tirar dúvidas 
sobre pagamento ou entrega, renovação e outros serviços.
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ABERTURA
CARTA AO LEITOR
PASTORAIS
CARTAS
MAIS DO QUE NOTÍCIAS
ESPECIAL | Confrontando a 
divisão: buscando a unidade 
por meio do Espírito | Anne Zaki
ARTE E CULTURA
FAMÍLIA
A família infalível
Carlos “Catito” e Dagmar Grzybowski
30
O CAMINHO DO CORAÇÃO
O mistério da encarnação
Ricardo Barbosa
28
ACONTECEU COMIGO – MEU 
ENCONTRO COM JESUS
Anseio por Deus
Omid
46
ÉTICA
A tentativa de golpe e a 
reação evangélica
Paul Freston
42
/editora.ultimato
Podcast Ultimato
/editoraultimato
@ultimato
@editoraultimato
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32
44
HISTÓRIA
Os eventos globais e a história da igreja
Alderi Souza de Matos 
38
OS EVANGÉLICOS NO BRASIL
A contribuição dos evangélicos
para a causa ambiental
Tiago Pereira
40
SESSENTA+
Eu, “apenas” uma dona de casa?
Elizabeth Ng Koo
35
8 ULTIMATO • Janeiro/Fevereiro 2025
CARTASCARTAS
Gostaria de externar meus cumpri-
mentos pelo excelente conteúdo 
desta edição, com destaque para 
o “Especial” Vulnerabilidade que 
tornam os filhos de missionários mais 
suscetíveis ao abuso e ao silêncio, de 
Braian Pitondo, por se tratar de um 
assunto tabu no meio evangélico.
Américo M. Ferreira, São Paulo, SP
Gostei muito da capa sobre a leitura 
da Bíblia como literatura. Só senti 
falta de indicação de bibliografia 
sobre o assunto, e alguma explicação 
de como se aborda a Bíblia enquanto 
literatura.
Ed M. Sarro, Curitiba, PR
Parabenizo Cynthia M. Soares pelo 
artigo O que ganhamos quando 
lemos a Bíblia como literatura?. Desde 
que me converti, em 1962, tenho ser-
vido ao Senhor, e todas as manhãs 
leio a Bíblia como uma conversa que 
esclarece, orienta e guarda. A Bíblia 
não é uma literatura comum, mas é a 
voz de Deus aos nossos ouvidos.
Eusvaldo G. dos Santos, Americana, SP 
Os artigos voltados à visão lite-
rária da Bíblia nesta edição ficaram 
excelentes!
Edson Porto, Campinas, SP
O artigo A ressonância mais poderosa 
de todas, de Délnia Bastos, é simples-
mente abençoado. Eu já passei pela 
máquina de ressonância magnética 
e sei, por experiência própria, o que 
é ficar imóvel durante vinte minutos. 
E saber que essa máquina é limitada 
ao que foi programada... Que bom 
receber um artigo com tamanha qua-
lidade e ensino sobre o Salmo 139. 
Digo isso com toda a sinceridade 
do meu coração. Eu amo a Palavra 
deDeus, sou um apaixonado pelas 
Sagradas Escrituras. Eu amo a revista 
Ultimato.
Ademir Bohrer, Tijucas, SC
NO DEVIDO LUGAR
Excelente o artigo Ó Deus, livra-nos 
do autoengano, de Klênia Fassoni 
(Ultimato, setembro/outubro de 2024). 
Ele nos coloca em nosso devido lugar 
e assim julgaremos menos.
Edumar Ramos C. Coelho, São 
Paulo, SP
ENVELHECEMOS – A ARTE 
DE CONTINUAR
Gostei bastante do artigo Enve-
lhecemos – a arte de continuar 
(Ultimato, novembro/dezembro de 
2023). Confesso que tenho dificul-
dade de enxergar a pessoa em vez da 
idade. Obrigado por me abrir os olhos.
Adriano Alves
CRÍTICAS E SUGESTÕES
Sou leitor de Ultimato por um bom 
tempo. Gostaria de emitir uma opi-
nião no sentido de apoio para con-
tinuar espalhando as boas novas. 
Entendo perfeitamente a linha da 
revista quanto à escolha de seus arti-
culistas, porém, vejo também que 
já é tempo de abrir um pouco mais. 
Há muitos bons autores da linha pen-
tecostal, que agregam valores, os 
quais poderão ser “convidados” para 
participarem desse seleto grupo e 
9Janeiro/Fevereiro 2025 • ULTIMATO
Uma diferença cultural se dá com o transpor de
fronteiras em contextos missionários
estrangeiros, por outras, com a simples chegada
de um pastor de outra cidade em uma
congregação.
Um livro para educadores e missionários
que desejam atuar em contextos diferentes
dos quais vieram
Lançamento
trazerem matérias interessantes para 
a revista e torná-la mais “democrá-
tica”. Outra opinião é sobre as temá-
ticas: por exemplo, temos muitos 
juristas cristãos que poderiam somar 
com temas interessantes do mundo 
do direito. Enfim, há um público muito 
grande que não conhece a Ultimato 
por pura falta de publicidade e inte-
resse, mas depois que conhecer a 
revista não conseguirá deixar de ser 
assinante, como é o meu caso.
José Augusto G. de Oliveira, São Luís, 
MA
MAIS ESTUDOS BÍBLICOS
Além dos artigos maravilhosamente 
escritos, gostaria de ter acesso a mais 
estudos bíblicos com temas diversos. 
Neste aspecto, o portal Ultimatoonline 
não tem suprido minha necessidade 
de pesquisa.
Paulo Sérgio dos Santos
EDIFICANTE E ESPERADA
Ultimato está excelente, cada vez mais 
edificante com os seus temas.
Romero Sial, Jaboatão 
dos Guararapes, PE
Sempre aprecio muito o conteúdo de 
Ultimato. É informativo e formativo. 
E sempre aguardo cada edição 
com curiosidade e a certeza de boa 
formação.
Ronildo Arruda de Souza, Anápolis, 
GO
A Ultimato me faz bem. Aleluia!
Padre Antonio
ULTIMATO 57 ANOS
Louvo a Deus pela vida de vocês, 
pela longeva Ultimato, pelas publica-
ções feitas, pelas vitórias alcançadas. 
Que as celebrações dos 57 anos da 
revista em janeiro de 2025 sejam de 
grande louvor e gratidão ao Senhor. 
Saí vendendo o primeiro então jornal 
Ultimato há 57 anos, o que me faz 
pensar: “Como estou velho!” (83 anos 
em janeiro próximo). Parabéns a todos, 
e grande abraço.
Éber M. Lenz César, Brasília, DF
CARTA DA PRISÃO
Sou muito grato a Deus pela rele-
vância de Ultimato entre os cristãos. 
Seus artigos nos fazem ter sede de 
conhecer e de permanecer em comu-
nhão com o Rei dos reis. Obrigado 
por cada edição inspiradora que nos 
ajuda a acreditar que podemos nos 
aproximar de Jesus Cristo.
F. A. M., Junqueirópolis, SP
LIVROS ULTIMATO 
A série “O Cristão Contemporâneo”, 
de John Stott e Tim Chester, é incrível. 
Li os cinco livros em 2024 e fui muito 
edificado. “Tio John” é cirúrgico em 
suas palavras.
Júnior Santos
Leio três devocionários todos os dias. 
Um deles é o Meditações Diárias para 
Todas as Estações, do saudoso pastor 
Elben César. No ano passado, li o Um 
Ano com os Salmos. Amei. Gosto da 
maneira como o autor medita sobre a 
Palavra de Deus.
Nancy Gonçalves Dusilek, Rio de 
Janeiro, RJ
O livro Expiação – Culpa, perdão e 
o sacrifício de Cristo, de Eleonore 
Stump, é incrível! Explorar a expiação 
numa abordagem filosófica e cristã 
é essencial para compreender 
a profundidade do sacrifício de 
Cristo. Mais uma obra indispensável 
para quem busca crescer em fé e 
conhecimento!
Gessé Costa
10 ULTIMATO • Janeiro/Fevereiro 2025
FRASES
O acolhimento é o ponto de partida na 
educação dos filhos, pois, além do colo 
físico, os filhos precisam do colo da alma.
Clarice Ebert
Psicóloga
É natural que tenhamos pensamentos 
divergentes, mas precisamos lembrar do 
nosso compromisso maior: a unidade em 
Jesus, que nos chama a viver em paz e 
a buscar o que é eterno acima do que é 
temporário.
Rubem Amorese 
Escritor
O individualismo se tornou tão familiar 
que nem sequer nos damos conta de sua 
presença.
Tiago de Melo Novais 
Doutorando em ciências da religião e editor- 
-assistente na Academia ABC2
A caminhada cristã é feita de cruzes, mas 
também de ressurreições.
Estêvão Marinato 
Estudante de teologia e coordenador de 
desenvolvimento do Centro Evangélico de 
Missões
Quando eu estou muito quieta por fora, é 
que dentro de mim alguma coisa grita e 
eu preciso parar e ouvir.
Clarice Lispector 
Escritora
ALGUNS DOS
 VISTOS
	� Expiação – Culpa, 
perdão e o sa-
crifício de Cristo 
Eleonore Stump
	� A Bíblia Toda, 
o Ano Todo 
John Stott
	� A Cruz e o Parado-
xo da Autoestima 
Ricardo Barbosa 
de Sousa
ALGUNS DOS
 LIDOS
ARTIGOS
 
LIVROS
A UM CLIQUE
Todo o conteúdo 
oferecido em “MAIS 
NA INTERNET” des-
ta edição em bit.ly/
ult411-mais
Em janeiro de 2025, Ultimato 
celebra 57 anos de publicação 
ininterrupta. A primeira edição, 
em janeiro de 1968, exibia o 
conhecido versículo: “Ensina-
-nos a contar os nossos dias” 
(Sl 90.12). Continuamos contan-
do e buscando a Sabedoria.
São mais de 10 milhões de 
revistas distribuídas até aqui, e 
você faz parte dessa história.
O MUNDO, A IGREJA E OS 
LEITORES MUDARAM. Nossa 
missão, no entanto, continua: 
Participamos da proclamação 
da boa nova que nunca fica 
velha, da esperança que nunca 
morre e de um Salvador que 
nunca muda.
Agora, apresentamos o 
PROJETO SEMENTE 60 ANOS, 
rumo a 2028. Conheça e jun-
te-se a nós no ministério da re-
conciliação.
Para saber mais, acesse: re-
vistaultimato.com.br/contribua
Ou aponte a 
sua câmera para 
o QRCode:
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E L E I A A S N OV I DA D ES D E 
U LT I M ATO TO D OS OS D I AS
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ULTIMATOONLINE
MAS, ONDE O PECADO 
SE RESSALTOU, A GRAÇA 
FICOU MAIS EVIDENTE; 
PARA QUE A GRAÇA REINE 
PELA JUSTIÇA PARA A VIDA 
ETERNA POR MEIO DE JESUS 
CRISTO, NOSSO SENHOR.
Romanos 5.20-21
	� A urgência da 
reconciliação: 
Reflexões a partir 
do 4º Congresso 
de Lausanne, 
um ano após 
o 7 de outubro 
Rula Khoury 
Mansour
	� Trabalho sob a 
perspectiva do 
reino de Deus 
Gabrielly C. 
Cardoso
	� Inteiros perante 
e para Deus 
Jacira Monteiro
Ad
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ULTIMATOONLINE
Janeiro/Fevereiro 2025 • ULTIMATO
MATÉRIA DE CAPA
O Quarto Congresso Lausanne de Evangeliza-
ção Mundial (Lausanne 4), na Coreia do Sul, 
foi um evento superlativo. Os números de-
monstram isso: 5.394 participantes de 202 países 
e territórios; mais de 30 mil espectadores únicos 
de 161 países conectados às transmissões ao vivo; 
494 voluntários na equipe; 6.888 “guerreiros de 
oração” coreanos orando durante o congresso; 
1,5 milhão de visualizações de postagens no Insta-
gram; formação de mais de 400 equipes globais 
de colaboração; 113 grupos nos canais oficiais do 
WhatsApp; mais de 251 itens perdidos e achados; 
mais de 350 cochilos tirados na área de relaxa-
mento; mais de 95 empréstimos de uma cadeira 
de rodas (dezenove cadeiras no total) ou de uma 
bengala disponíveis no evento.
Lausanne 4 insistiu em dois temas: unidade da 
igreja – expressa no lema “Que a Igreja anuncie e 
demostre Cristo, unida” – e colaboração – vários 
brasileiros contaram como desde os encontros 
que antecederam o evento, o programa, os pe-
quenos grupos e pessoalmente foram e têm sido 
desafiados à colaboração comoelemento essen-
cial ao cumprimento da Grande Comissão.
Os artigos a seguir foram escritos por mu-
lheres e homens, jovens e velhos, líderes, mis-
sionários, pastores, alguns bastante conhecidos 
no Brasil e outros nem tanto, alguns calouros e 
outros veteranos (participando pela segunda ou 
terceira vez) que estiveram em Lausanne 4. De al-
guma maneira, prosseguem refletindo, trocando 
ideias, percorrendo seu caminho na igreja, co-
munidade, organização, empreendimento ou em 
iniciativas do movimento Lausanne na América 
Latina ou no mundo.
Seus textos são uma mostra do estado da 
evangelização no mundo, da realidade da igreja 
(que é global, diversa, bela e cheia de desafios), 
do mundo (incluindo o “mundo digital” com to-
das as suas complexidades e possibilidades), da 
indispensável consciência de que a missão é de 
Deus e que a igreja continua sendo chamada a 
cooperar com ele, da cooperação de jovens lí-
deres cristãos na evangelização mundial e das 
iniciativas que o povo de Deus, sob o senhorio 
de Cristo, podem propor para ir ao encontro dos 
povos ou para recebê-los num mundo que não 
para de se movimentar.
O artigo do pastor Ronaldo Lidório é o último 
do conjunto. Queremos que o encorajamento 
que ele nos dá falando sobre o poder do evange-
lho permaneça na mente do leitor como um cha-
mado para “pregar o reino de Deus com toda a 
intrepidez, sem impedimento algum”.
LAUSANNE 4 – UMA JANELA PARA A IGREJA GLOBAL
Olhar foi mais do que um privilégio; foi uma porção da graça de Deus 
por meio da presença marcante da igreja de Cristo 
 LISSÂNDER DIAS
O gigantismo do Songdo Convencia – o 
Centro de Convenções de Incheon, na Coreia 
do Sul, onde ocorreu o Congresso Lausanne 
4 – nem se compara com a imensa abrangência que 
os 5.394 participantes reunidos no salão principal 
representavam. Eram cristãos de mais de 202 paí-
ses e territórios sentados ao redor de mesas de cinco 
a dez pessoas: olho no olho, ouvindo a 
Palavra, dialogando, compartilhando 
suas histórias e orando juntos.
Cristãos que representavam mi-
lhares de igrejas locais – grandes, 
médias e pequenas – de centros ur-
banos e de vilas rurais; de lugares 
prósperos e de periferias; de comunidades pacífi-
cas e de cidades violentas; de países favoráveis à fé 
cristã e de outros que ainda perseguem quem não 
compactua com suas crenças religiosas. O hori-
zonte ali delineado fez com a nossa vista o mes-
mo que os raios do sol fazem com nossos olhos 
quando olhamos diretamente para ele: é difícil 
ver tudo quando surge o fulgor da luz. 
Olhar foi mais do que um privilégio; foi uma 
porção da graça de Deus por meio da presença 
marcante da igreja de Cristo.
Protagonismo da Igreja
Questões climáticas, guerras, crise migratória, 
perseguição religiosa, injustiça social, pobreza, 
secularismo, doenças emocionais, povos 
não-alcançados... Entre tanto o que se poderia 
falar e registrar, vale ressaltar o protagonismo 
do Corpo de Cristo nas grandes questões globais. 
(Atenção: protagonismo não significa necessa-
riamente deter o poder político, financeiro ou 
outro, mas sim sustentar uma presença relevan-
te para transformar realidades.) Apesar de seus 
inúmeros defeitos e falhas, o poder da Igreja está 
em ser a noiva de Cristo, que, mesmo em sua fra-
queza e vulnerabilidade, é sustentada por uma fé 
simples, mas apaixonada e persistente. Lausanne 
4 me abençoou com cada história e cada rosto 
que eu vi e conheci lá. Vi a face da Igreja na face 
de mulheres e homens.
Vozes reais
Diante da triste história de 75 anos da guerra das 
Coreias, a igreja coreana tem se levantado para 
suscitar o diálogo em favor da reconciliação, rea-
lizando eventos, produzindo documentos teológi-
cos e aproximando igrejas de outros países (parti-
cularmente do Brasil) para esta causa. Do “pavio 
de pólvora” de Israel, ouvimos a voz da advogada 
e teóloga cristã palestino-israelense Rula Khoury 
Mansou, que mora em Nazaré, sobre a responsabi-
lidade da Igreja em áreas de ruptura. Ela nos ensi-
nou, com teoria e prática, os passos da reconcilia-
ção. O Rev. Ivan Rusyn, presidente do Seminário 
O Congresso 
“abriu uma janela” 
para vermos a beleza 
da igreja global 
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MATÉRIA DE CAPA
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Teológico Evangélico Ucraniano em Kiev, Ucrânia, 
compartilhou como a igreja tem lutado pela paz em 
seu país: “Na Ucrânia, nós oramos por justiça e paz”. 
O congolês Daniel Kyungu (com sua fala mansa, 
mas firme) mostrou como as pessoas com deficiên-
cia, assim como ele, têm sofrido preconceito por sua 
condição física em seu país. Ele ressaltou que a igre-
ja, ao acolher essas pessoas que representam qua-
se 16% de toda a população, tem diante de si uma 
oportunidade de testemunhar do amor de Deus. 
Foram muitas as histórias do poder do evan-
gelho por meio do Corpo de Cristo. Histórias que, 
aliás, passam ao largo das discussões vazias que, 
muitas vezes, dominam as agendas de nossas igre-
jas brasileiras.
Beleza da Igreja?
“Por todo o mundo este evangelho vai frutifican-
do e crescendo, como também ocorre entre vocês, 
desde o dia em que o ouviram e entenderam a gra-
ça de Deus em toda a sua verdade”. Essas palavras 
do apóstolo Paulo aos irmãos de Colossos (Cl 1.6) 
poderiam muito bem também ser as palavras a 
respeito do ajuntamento de Lausanne 4. O Con-
gresso “abriu uma janela” para vermos a beleza da 
igreja global. Como disse o presidente de Lausanne, 
Michael Oh, em sua palavra de encerramento:
Devemos buscar e mostrar ao mundo inteiro a be-
leza de todo o Corpo de Cristo! Não apenas uma 
pequena parte. Para ser honesto, mesmo na pessoa 
mais bonita, se você só vir o dedão do pé ou o co-
tovelo, você pode achar que ela é bem feia! Então 
vamos mostrar ao mundo inteiro todo o Corpo de 
Cristo!
Essa tal beleza, por vezes, está escondida em 
camadas de amargura e preconceito, mas, ainda 
assim, temos um caminho de esperança. Ainda as-
sim eu pude conhecer pessoas como John* – um 
pastor paquistanês que foi preso três vezes por 
pregar o evangelho, mas que se sentia feliz pela 
oportunidade de continuar falando de Cristo a 
encarcerados, sem impedimento. Ainda assim eu 
me sentei na mesma mesa que Arão Chau, um jo-
vem educador angolano apaixonado pelo evange-
lho e que dá testemunho de Cristo em vilas empo-
brecidas de seu país.
Diversidade da Igreja
Não foi difícil perceber 
como a Igreja é diversa: in-
tergeracional, intercultural e 
internacional. Um caldeirão 
de iniciativas e expressões. 
Uma igreja que não pode ser 
predefinida por ninguém 
sem que corra o risco de 
erros crassos causados pela 
arrogância de quem reduz o 
Corpo de Cristo a definições 
institucionais, doutrinárias 
ou políticas.
No segundo dia de Lau-
sanne 4, por exemplo, a ênfase foi dada ao poder 
e à ação do Espírito Santo na obra missionária. 
Tal tema não somente foi acertadamente bíblico, 
mas também nos ensinou que a tal “janela” para a 
igreja global só pode ser aberta porque o Espírito, 
que é protagonista da unidade, assim nos permite 
– o mesmo Espírito que nos dá a coragem de viver 
e anunciar o evangelho, juntos, aqui e acolá, e até 
os confins da terra.
Agora, cabe-nos seguir em frente, sem olhar 
para trás.
* Nome fictício
A missão de Deus não para nas portas da igreja. Ela continua 
por meio de você, em seu trabalho diário, em sua vida cotidiana.
Julia Garschagen, diretora do Pontes Institute for Science, Culture and Faith, 
professora de apologética e colíder da maior iniciativade evangelização de 
jovens entre os falantes de alemão no mundo
RECADO DE LAUSANNE
Lissânder Dias do Amaral é jornalista, cronista, poeta 
e editor de livros. Integra o Conselho Nacional da 
Interserve Brasil e do Movimento Vocare. É autor de 
O Cotidiano Extraordinário – a vida em pequenas crô-
nicas (W4 e Ultimato) e responsável pelo blog Fatos e 
Correlatos do Portal Ultimato. 
13Janeiro/Fevereiro 2025 • ULTIMATO
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Lausanne 4 em Seul foi marcado por uma igreja 
em plena transformação – uma mudança sem 
precedentes na história. Cercados por uma di-
versidade cultural e denominacional jamais vista nas 
edições anteriores do Congresso, com participantes 
de 202 países, havia também uma diversidade de ge-
rações digitais, de baby boomers a gen Z, anuncian-
do um novo momento na história da humanidade: o 
mundo digital veio para ficar. Quem não se adaptar 
ficará defasado, como foi comentado em algumas 
plenárias.
Numa diversidade tão grande de vozes, cada uma 
com sua vocação latente e diversas frentes de envol-
vimento na missão, como identificar o tamanho e a 
urgência da missão?
Numa tentativa de responder a essa pergunta, 
Lausanne preparou o relatório Status da Grande 
Comissão – uma pesquisa densa, elaborada durante 
anos antes do Congresso, com representantes de to-
das as regiões do mundo, e que serviu de documento 
basilar para apresentar à igreja global a grandiosida-
de e a urgência da missão.
O tamanho do desafio
Sob o lema “Que a Igreja anuncie e demonstre a Cris-
to, unida”, o desafio entre o ser e o fazer, além da uni-
dade da igreja, num mundo de crescente intolerân-
cia, não é novidade.
O tamanho e a urgência dos desafios nomeados 
mostram, contudo, um novo momento na história. 
Compartilho alguns:
• Hoje, cerca de 3 bilhões de pessoas vivem em 
comunidades com pouco ou nenhum acesso ao evan-
gelho. Apenas 3% dos missionários vão para os povos 
não-alcançados, mostrando a grande desproporção 
da força missionária. 
• O crescimento do secularismo afetará não 
somente o Norte Global, mas também o Sul Global, 
incluindo o Brasil. A mudança religiosa global mais 
predominante nas próximas décadas será o abando-
no do cristianismo por cristãos que passarão a com-
por o grupo dos “não afiliados”. A maioria dos “não 
afiliados” não é composta de ateus e, no Ocidente, 
a maioria desses “não afiliados” mantém opiniões 
muito cristãs sobre Deus e a humanidade. Os “não 
afiliados” são simplesmente aqueles que não se vin-
culam a nenhuma religião. Os níveis elevados de ri-
queza e a diminuição das redes de relacionamento 
são os fatores dominantes associados à desfiliação.
• “Menos da metade dos cristãos se diz preparada 
para compartilhar o evangelho”.
• Existe uma nítida correlação entre a percepção 
da falta de discipulado na Grande Comissão e a falta 
de preparação para compartilhar o evangelho.
• Líderes na África, Ásia e América Latina perce-
beram que entre 30 e 40% dos cristãos consideram a 
Grande Comissão opcional em vez de essencial.
Quanto ao interesse pelo cristianismo no mundo, 
destacam-se:
• “O interesse digital pelo cristianismo é muito 
pequeno em comparação com o interesse por temas 
como sexo, dinheiro e entretenimento.”
• Registra-se um interesse crescente e contínuo 
por conteúdo impresso relacionado ao islã, que agora 
quase se iguala às publicações cristãs. Além disso, o 
interesse pela pesquisa digital no islã aumentou e ul-
trapassou o interesse digital pelo cristianismo.
Outro tema pesquisado foram os valores da hu-
manidade. Constatou-se que:
• “O amor, a ciência e o indivíduo (interesse pró-
prio) são os principais valores.”
• No último século, o interesse por religião foi 
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“BEM-VINDOS AO PRIMEIRO CONGRESSO GLOBAL DE MISSÕES
 REALIZADO NA QUARTA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL” MILA KOBI
MATÉRIA DE CAPA
ultrapassado por outros domínios, como, por exemplo, 
o interesse por política, música e tecnologia. O cris-
tianismo ocupa o último lugar na lista de domínios. 
No entanto, nas últimas décadas, a religião e o cris-
tianismo apresentaram uma tendência de cresci-
mento.
• A validade da mensagem do evangelho não 
depende de indivíduos ou instituições; no entanto, 
quando aqueles que compartilham as boas novas não 
são confiáveis, o evangelho é questionado. Global-
mente, observa-se um aumento no grau de ceticismo 
que acaba moldando as culturas de forma dinâmica, 
à medida que o mundo pergunta: “Qual é a base da 
confiança?”.
• Globalmente, os jovens demonstram elevados 
níveis de confiança nos membros da família em re-
lação à sua formação espiritual. Eles não procuram 
frequentemente pastores ou outros líderes religiosos 
para o desenvolvimento de sua fé. O mesmo acontece 
com a Bíblia, que ocupa uma posição inferior à dos 
familiares como fonte de influência religiosa.
• Em escala mundial, os jovens consideram que a 
corrupção dos líderes, especialmente os do governo, 
é o maior problema da sociedade. A falta de confian-
ça nos líderes estende-se às instituições religiosas. Os 
jovens confiam mais nas forças armadas do seu país, 
nas suas escolas e nos seus empregadores do que nas 
suas igrejas.
A percepção da influência da igreja na cultura é 
que ela está estática ou em declínio.
A maior influência da igreja global pode ser per-
cebida na área de educação. A menor influência da 
igreja é percebida na área financeira e de tecnologia.
Nossa resposta
Perante desafios tão alarmantes, nós, os participantes 
de Lausanne 4, fomos chamados a iniciar o congres-
so abrindo espaço para o Espírito Santo e, a seguir, 
ao arrependimento e chamado à unidade. Deixando 
as estratégias necessárias em segundo plano, fomos 
chamados à centralidade da missão guiada pelo Espí-
rito Santo. Somente ele poderá gerar multiplicação de 
recursos, obreiros, avivamento, salvação e as urgentes 
transformações para a nossa geração.
Lausanne 4 enfatizou a urgência de agir ago-
ra, com ênfase ainda maior em colaborações 
a partir da igreja. Falou-se muito em “Better 
Together”, representando parcerias, iniciativas, 
orações e obediência como um corpo, no qual to-
dos são importantes. 
Quando, em 1974, 
falou-se em 13 mil 
povos não-alcançados 
no mundo, muitas ini-
ciativas de colabora-
ção globais surgiram. 
Assim, nos últimos 
50 anos, pela graça de 
Deus, 9 mil povos fo-
ram alcançados.
A Igreja brasileira 
tem uma posição espe-
cial como ponte entre o Norte e o Sul Global, com 
uma perspectiva única e culturalmente relevante.
No Lausanne 4, vi uma Igreja diversificada e 
apaixonada, unida por um profundo senso de ur-
gência. Precisamos formar alianças, cruzar frontei-
ras culturais e avançar em unidade. Assim como os 
primeiros apóstolos, somos chamados a sacrificar o 
conforto pelo amor de Cristo e a caminhar com fé, 
acreditando que o evangelho pode alcançar todos os 
cantos da terra.
O relatório Status da Grande Comissão1 é um 
chamado poderoso para que cada um de nós parti-
cipe da Grande Comissão. A tarefa é enorme, mas a 
urgência é ainda maior. Como missionária brasilei-
ra, saí do Lausanne 4 com o coração cheio de espe-
rança e a convicção de que Deus está nos chamando 
para este momento. A missão é alcançável se colo-
carmos nossos corações, mentes e mãos à disposição 
do Senhor. Vamos avançar, unidos, com a certeza de 
que o amor de Deus iluminará todas as nações.
Nota
1. O relatório Status da Grande Comissão está disponível em 
https://lausanne.org/pt-br/report.
Mila Kobi, missionária da SEPAL e da APMT, é represen-
tante brasileira no conselho editorial de Análise Global de 
Lausanne.
Orar é inegociável
para a missão.
Femi Adleye, diretor da Christian Impact
e da Langham Preaching na África, 
acadêmico e escritor
RECADO DE LAUSANNE
15Janeiro/Fevereiro2025 • ULTIMATO
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QUE A IGREJA ANUNCIE E DEMONSTRE CRISTO, UNIDA
 CHRISTIAN GILLIS
O lema do 4º Congresso Mundial de Evangelização 
(Lausanne 4), Que a Igreja Anuncie e Demonstre 
Cristo, Unida, refletiu o legado e a perspectiva 
histórica da missão integral, e chamou o Corpo de 
Cristo, espalhado em todo o mundo, à obediência mis-
sional e ao serviço na missão de Deus numa postura 
pós-polarização.
Sim, a missão é de Deus – Deus tem a sua obra, 
seu projeto, planos, propósitos – e a Igreja é chamada a 
cooperar, participar, servir como agente da obra que o 
Senhor realiza. A Igreja só pode fazer missões porque 
Deus tem uma missão, nos chama 
e nos envia ao mundo como coo-
peradores na sua agenda.
Lausanne 4 acentuou que a 
missão de Deus é integral em 
múltiplos sentidos. É integral, 
primeiro, porque Deus declara 
seu amor, sua graça, sua disposi-
ção favorável, seu desejo de salvar 
e restaurar tanto a humanidade como toda a criação, 
tanto por meio de palavras como em atos redentores, 
libertadores.
A missão de Deus é integral, conforme o espírito 
e a tradição do movimento de Lausanne declararam, 
desde o primeiro congresso, ocorrido 50 anos atrás, na 
Suíça em 1974, porque a missão envolve “anúncio” e 
“demonstração”. Anúncio é proclamação, é declarar, é 
dizer com palavras claras e bem articuladas a história 
da pessoa, dos ensinamentos e da obra de Jesus Cristo 
de Nazaré, da sua morte pelos nossos pecados e da sua 
ressurreição para que possamos viver uma vida nova 
– anunciar as grandezas de Deus, o evangelho com 
as boas notícias da parte de Deus para toda a criação. 
Porém, trata-se de uma proclamação que carrega em si, 
junto e intrinsecamente, a atmosfera do reino de Deus.
A missão não é só proclamação num sentido res-
trito, discurso, oratória; a missão precisa demonstrar 
com coerência e boas obras visíveis, observáveis, tan-
gíveis, experimentáveis, a natureza da mensagem que 
declara. Falar e fazer, pregar e amar, proclamar e ser-
vir – eis o binômio indivisível da missão integral que 
Deus opera e manda a Igreja replicar no mundo.
Embora houvesse vozes que desejassem atualizar o 
sentido da missão, promovendo uma versão sintética, 
condensada, gerencial, esvaziando seu significado bí-
blico, reduzindo seu sentido missiológico, afastando-a 
da conexão com a presença do reino de Deus, o sig-
nificado apostólico e histórico da missão prevaleceu.
A missão é integral por causa do seu objeto: a hu-
manidade toda, todas as pessoas, cada pessoa, corpo e 
alma, presente e futuro, gente de todas as nações, et-
nias, línguas e tribos. O evangelho do reino de Deus, 
do bom governo de Deus, precisa ser pregado e seu 
amor demonstrado a todos os povos, e, em cada povo, 
precisa ser estabelecida uma comunidade viva de dis-
cípulos libertos, redimidos, que segue o Senhor Jesus 
e reproduz seu estilo de vida, seus ensinamentos e seu 
ministério em cada contexto.
Mas não apenas às pessoas. A missão envolve toda a 
criação, o planeta, o cosmos, todos os elementos criados, 
todos os seres viventes, toda a flora e fauna, tudo o que 
existe. Missão não é apenas salvar almas para povoarem 
um céu abstrato no futuro. O evangelho anuncia novo 
céu e nova terra, onde habita a justiça. É o evangelho das 
novas criaturas em Cristo e da nova criação pelo poder 
redentor da obra de Cristo, que é demonstrado antecipa-
damente na vitrine do testemunho que a Igreja dá.
A Igreja, unida, 
precisa atuar de modo 
integrado, em sujeição 
uns aos outros a partir 
do reconhecimento do 
senhorio de Cristo
16 ULTIMATO • Janeiro/Fevereiro 2025
MATÉRIA DE CAPA
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A missão é integral porque toda a Igreja, unida, 
precisa atuar de modo integrado, em sujeição uns aos 
outros a partir do reconhecimento do senhorio de 
Cristo, com os dons que o Senhor distribui ao seu Cor-
po, a Igreja (e cada igreja local), conforme a sua graça 
concedida a cada um. Cada membro da Igreja/igreja 
tem uma combinação singular de dons que precisam 
ser postos a serviço de forma articulada para que os 
bons propósitos de Deus sejam conhecidos e experi-
mentados por toda a humanidade e toda a criação.
Cada discípulo, no seu lar, no seu ambiente de 
trabalho ou estudo, na sua esfera de influência pre-
cisa compreender a missão e agir intencionalmente 
O BRASIL EM LAUSANNE 4
Não há números exatos, mas a presença brasileira 
em Lausanne 4 – mais de 150 pessoas – não passou 
despercebida. Estima-se que estava entre as três maiores 
delegações. Alguns, como Sarah Breuel, lideraram processos 
e outros, como Valdir Steuernagel, foram lembrados por sua 
relevância histórica no movimento. O pastor e missionário 
Ronaldo Lidório foi um dos preletores no último dia, 
encorajando o público a perseverar na missão.
Perfil
Menos pastores
Não se viu tantos pastores nem líderes de denominações, o 
que evidenciava uma medida das intenções do movimento 
Lausanne em incluir cristãos que fazem diferença em seus 
locais de trabalho. Entre os brasileiros, tínhamos: músicos, 
empresários, comunicadores, pastores, funcionários 
públicos, profissionais liberais, líderes de agências 
missionárias, antropólogos, gestores, professores. Vale 
registrar a presença do líder indígena Ricardo Poquiviqui.
Mais jovens
A presença de brasileiros com menos de 40 anos foi visível. 
Entre eles, até um influencer digital estava lá. Ao anunciar 
a notícia de que o Brasil sediará o próximo Encontro de 
para que o amor absoluto de Deus seja conhecido por 
todos. Assim, a Igreja toda, toda a Igreja, junta, uni-
da, tomando a cruz após colocar a sua vontade par-
ticular de lado, se apresenta de modo vívido a Jesus 
e seu reinado.
A visão do movimento de Lausanne continua 
viva: o evangelho para cada pessoa, igrejas que fazem 
discípulos de todos os povos, líderes semelhantes a Je-
sus em cada igreja e contexto, e o impacto da Igreja em 
todas as esferas da sociedade.
Jovens Líderes de Lausanne em 2026, duas brasileiras, 
Sabrina Lujić e Anna Queiroz, também foram anunciadas 
como integrantes da equipe organizadora. Nos pequenos 
grupos, foi bonito ver a mistura de idades: jovens e velhos 
juntos.
Diversidade geográfica
A maior parte era do Sul e Sudeste, mas foi possível 
conhecer brasileiros que saíram do Norte, Nordeste e 
Centro-Oeste – o que representa enfrentar viagens de mais 
de dois dias por transportes diversos. Alguns brasileiros 
vieram de outros países, onde atuam como pastores ou 
missionários. É o caso de Rita Macri, que é mineira, mas 
mora na Itália há muitos anos.
Ecos
Após Lausanne 4, os brasileiros continuam reverberando o 
evento. Muitos estão falando em suas igrejas, agências e 
pela internet sobre o que aprenderam. Esta tendência deve 
perdurar ao longo de 2025, já que a equipe executiva de 
Lausanne Brasil pretende realizar novos encontros para 
amadurecer os temas tratados no Congresso de Seul.
Ultimato agradece a colaboração de muitos brasileiros para 
esta edição com opiniões e artigos. 
Christian Gillis é pastor na Igreja Batista da Redenção, 
em Belo Horizonte, MG. Integrou a delegação brasileira em 
Lausanne 3 e Lausanne 4.
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“Tem muito brasileiro”, me disse, num tom 
jocoso, um líder histórico do movimento 
de Lausanne. De fato, havia muitos brasi-
leiros neste significativo evento que reuniu 5.394 
pessoas de 202 países e territórios. A maioria 
deles vive aqui, mas muitos vivem em diferentes 
países e envolvimentos missionários. Eu nunca 
tinha visto tantos num evento de 
Lausanne e essa presença podia 
ser identificada pela efusividade e 
até pelo barulho que faziam. Um 
participante de outro lugar co-
mentou: “Esses brasileiros estão 
aqui para brincar com tudo”.
A presença brasileira em Lau-
sanne 4, inclusive na organiza-
ção, é reflexo do crescimento da 
igreja brasileira, aqui entendida 
como igrejas evangélicas, e do seu envolvimento 
na missão global. É certamenteum privilégio e 
uma responsabilidade não apenas participar num 
evento como esse, mas engajar-se na igreja global, 
a serviço da missão de Deus. Mas tal participa-
ção requer tempo para, com sensibilidade cultu-
ral, sermos percebidos como ativos participantes 
nessa missão global. Em Lausanne 4 demonstra-
mos que estamos chegando, sim, mas ainda de 
forma “adolescente”. Chegamos falando muito e 
escutando pouco. Chegamos querendo afirmar 
quem somos e que somos “brasileiros de bem 
com a vida”, sem a devida percepção de quanto 
isso pode nos afastar e não aproximar do outro. 
Temos terreno a percorrer.
Há certamente muita coisa que se pode e deve 
dizer quanto a este Lausanne 4, que se reuniu sob 
o lema “Que a Igreja anuncie e demonstre a Cris-
to, unida”. O tempo ajudará a discernir a sua im-
portância e esta edição de Ultimato é um passo 
nesta direção. De minha parte, aponto para dois 
aspectos nos quais estive envolvido.
Um dos intentos ao realizar este evento em 
2024 era marcar o jubileu do movimento, inicia-
do com Lausanne em 1974, e tive o privilégio de 
participar num dos painéis que compuseram o 
programa da noite celebrativa destes 50 anos. Re-
lembro aqui, e ponho no contexto, dois dos meus 
comentários.
O primeiro deles tem a ver com a natureza da 
missão da igreja. Desde o seu início, Lausanne es-
teve comprometido com a evangelização mundial 
e, como tal, destaca a Grande Comissão segundo 
o Evangelho de Mateus (Mt 28.18-19). O que se 
tem percebido, na própria caminhada de Lausan-
ne, que tem como slogan “Todo o evangelho para 
todas as pessoas”, é que a evangelização não pode 
ser somente verbal; ela precisa estar a serviço do 
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t“TEM MUITO BRASILEIRO”... EM LAUSANNE 4
 VALDIR STEUERNAGEL
MATÉRIA DE CAPA
A presença 
brasileira em 
Lausanne 4, inclusive 
na organização, é 
reflexo do crescimento 
da igreja brasileira e 
do seu envolvimento 
na missão global
18 ULTIMATO • Janeiro/Fevereiro 2025
todo da missão de Deus. No seio do movimento, 
portanto, tem-se destacado que é necessário re-
ferir-se também à Grande Comissão segundo o 
Evangelho de João, onde Jesus é a inspiração e 
o modelo da missão. Nesse Evangelho, Jesus diz 
duas vezes aos seus discípulos: “Assim como o 
Pai me enviou, eu também envio vocês” (Jo 20.21 
e 17.18). Lausanne 4 foi enfático ao desafiar os 
seus participantes a avançar no cumprimento da 
Grande Comissão. Mas é preciso nunca esquecer 
que isso não se faz de qualquer jeito nem do nosso 
jeito, pois somos chamados a fazê-lo do jeito de 
Jesus. Nosso Mestre, de quem somos seguidores, 
é o indiscutível modelo de missão.
O meu segundo comentário tem a ver com 
nossa atitude, e me refiro à atitude missional. No 
painel eu me referi ao fato de que muitas vezes, 
em nosso esforço missionário, acabamos sen-
do intensos e invasivos, o que é perceptível até 
na linguagem que usamos. Uma linguagem que 
quer alcançar, conquistar e avançar, refletin-
do uma atitude de avanço em relação ao outro, 
quando não acompanhada de uma postura de 
superioridade, como tem acontecido em muitas 
de nossas experiências missionárias, tanto ontem 
como hoje. O Compromisso da Cidade do Cabo, 
documento que resultou de Lausanne 3, realiza-
do em 2010 na Cidade do Cabo, na África do Sul, 
colocou diante de nós o desafio de mergulhar na 
missão pelo viés do amor, dizendo que “nós ama-
mos porque Deus nos amou primeiro”. A minha 
intenção, ao lembrar esse Compromisso, foi de-
safiar Lausanne 4 a abraçar essa atitude de amor, 
a começar por uma linguagem de acolhimento e 
de graça, pois somos enviados ao mundo assim 
como Jesus o foi.
Foi um privilégio ter participado de Lausanne 
4, assim como tem sido um privilégio ser parte 
desse movimento no decorrer de muitos anos 
de minha vida. Ontem e hoje carecemos lem-
brar-nos, sempre de novo, que nossa missão, no 
modelo de Jesus, encontra sentido no Deus que 
“amou o mundo de tal maneira” que nos enviou o 
seu Filho (Jo 3.16) e nos desafia a andar exalando 
esse mesmo amor.
Valdir Steuernagel é pastor luterano, membro da 
Comunidade do Redentor, em Curitiba, PR, e embai-
xador da Aliança Cristã Evangélica Brasileira e da Visão 
Mundial. @silva.steuernagel.
Jesus nunca tolerou 
a injustiça, mas 
a transformou. 
Respondendo ao mal, 
com amor e perdão.
Emmanuel Ndikumana, 
diretor regional do 
movimento Lausanne 
para a África 
Francófona e fundador 
da PTI Church, que 
busca promover 
liderança 
transformacional no 
Burundi
O arrependimento 
pavimenta o 
caminho para o 
avivamento.
Sarah Breuel, fundadora 
e diretora executiva 
da Revive Europe e 
plantadora de igrejas 
em Roma, Itália
A perseguição nunca mata 
a igreja. Mas um Evangelho 
corrompido, sim.
Patrick Fung, médico, ministro 
ordenado e missionário. 
Embaixador Global 
da OMF International e 
presidente do 
programa do 
Quarto Congresso
 de Lausanne
E ao Cordeiro sobre o 
trono nós bendizemos e 
adoramos, pois venceu a 
batalha. Aleluia! Amém!
Keith e Kristyn Getty, 
músicos
RECADOS DE LAUSANNE
19Janeiro/Fevereiro 2025 • ULTIMATO
Estar fora da Amazônia, num país com cultura 
totalmente diferente, participando do Quarto 
Congresso Lausanne de Evangelização Mun-
dial, já torna a experiência incrível e fascinante.
De 22 a 28 de setembro de 2024, eu me vi num 
centro de convenções enorme na Coreia do Sul, 
com gente de todo canto do mundo, com roupas 
e línguas diferentes, tomando 
café gelado pela manhã, comen-
do frango levemente adocicado e 
com bastante pimenta no almoço, 
e todos louvando juntos ao mes-
mo Deus na celebração da noite. 
Uma estrutura impressionante 
e uma logística complexa. Uma 
programação repleta de atividades, com o devi-
do suporte tecnológico de alto nível. Celebrações 
equilibrando solenidade e espontaneidade, divi-
dindo o palco com encenações teatrais, pinturas 
em tela e arte em realidade virtual, feitas ao vivo. 
Tudo isso me deixou bastante impressionado.
Mas logo entrou em cena a frustração, ao per-
ceber tensões, descompassos e divergências, entre 
os que falavam no púlpito, entre os que compar-
tilhavam as mesas e entre os que conversavam 
pelos corredores. A brasileira Sarah Breuel, após 
uma palestra impactante sobre arrependimento e 
avivamento, foi considerada por alguns congres-
sistas como “muito emocionada e muito teatral”. 
Após a palestra proferida pela cientista climática 
canadense Katharine Hayhoe, sobre mudanças 
climáticas e fé, ouvi alguém dizer que o evento 
não estava focando nos assuntos mais importan-
tes. A teóloga costa-riquenha Ruth Padilla – filha 
de René Padilla, pioneiro da missão integral – 
recebeu duras críticas por ter dito, em sua pales-
tra sobre justiça, que a igreja precisa ter empatia 
diante do sofrimento do povo palestino. E, falan-
do em missão integral e seus pioneiros, o assunto 
foi brevemente mencionado apenas no último dia 
no palco principal, como uma pequena nota de 
rodapé. Isso parecia não fazer sentido e eu esta-
va, realmente, confuso, tentando processar esses 
descompassos e pensando: “Aqui também esta-
mos fragmentados e divididos, justamente num 
evento que propõe a unidade da igreja como tema 
principal?”.
O meu deslumbramento ingênuo dos primei-
ros dias foi abalado por essa realidade que está 
posta e que compõe o mesmo quadro polariza-
do e fragmentado, seja em um pequeno grupo 
de uma igreja local ou num evento mundial que 
reúne a igreja global. Na verdade, não é difícil 
chegar à obviedade dos fatos. É claro que a igreja 
está fragmentada e dividida, em escala global e 
local. É claro que haverá divergências sobre o que 
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DO DESLUMBRAMENTO INGÊNUO E DA FRUSTRAÇÃO 
PARA A ESPERANÇA DE ALGO NOVO PHELIPE REIS
MATÉRIA DE CAPA
É naquilo que me falta 
que eu me percebo 
dependente do outro, 
e vice-versa. Essa é a 
lógica do reino de Deus
20 ULTIMATO • Janeiro/Fevereiro 2025
são temas prioritários ou periféricos. É claro que 
há perspectivas teológicas diferentessobre temas 
complexos e sensíveis, como guerras e sexualida-
de, por exemplo. Na igreja primitiva foi assim e 
eles nem tinham internet.
Passados os sete dias de congresso, eu não 
podia voltar para casa resumindo minha experi-
ência em ingênuo deslumbramento e frustração. 
A síntese irônica é que o mesmo contexto diver-
so e as mesmas pessoas que pensam diferente, 
quando conduzidas pelo Espírito Santo, formam 
o ambiente propício para parcerias e trabalho co-
laborativo, pois é naquilo que me falta que eu me 
A DECLARAÇÃO DE SEUL
Cada edição do Congresso Lausanne se preocupou em 
elaborar um documento que afirmasse, com clareza e 
simplicidade, o compromisso dos cristãos com a missão de 
Deus, a urgência da evangelização mundial e o custo do 
discipulado. Assim, desde o primeiro Congresso, realizado 
em 1974, a igreja tem à disposição o Pacto de Lausanne, o 
Manifesto de Manila (1989), o Compromisso da Cidade do 
Cabo (2010) e agora a Declaração de Seul (2024).
A Declaração de Seul ratifica os documentos dos 
Congressos anteriores, renova o compromisso dos cristãos 
com 1) a centralidade do evangelho, 2) a leitura fiel das 
Escrituras e 3) a importância do povo de Deus que deve 
ser amado e edificado, 4) o valor do ser humano como 
imagem e semelhança de Deus, 5) o discipulado como 
um chamado à santidade e à missão, além de 6) enfatizar 
a responsabilidade da igreja em enfrentar os desafios 
contemporâneos, como, por exemplo, os povos em 
regiões de conflito, as revoluções tecnológicas e a crise de 
identidade sexual.
A escrita da Declaração de Seul foi coordenada por Ivor 
Poobalan, do Sri Lanka, e Victor Nakah, do Zimbábue, que, 
junto com homens e mulheres de várias regiões do mundo, 
escutaram líderes cristãos sobre lacunas, oportunidades, 
inovações e ações colaborativas para cumprir a Grande 
Comissão. Paralelamente, sob a liderança de Matthew 
Niermann, Lausanne também produziu o Relatório Status da 
Grande Comissão com dados globais sobre o cristianismo, 
as ações missionárias e os desafios a serem alcançados.
Alguns participantes de Lausanne 4 expressaram 
insatisfação quanto à forma como a Declaração de Seul 
foi elaborada – antes do evento e sem a colaboração dos 
congressistas – e compartilhada, sugerindo que consultas 
antecipadas e mais tempo durante o congresso poderiam 
ter sido dedicados a isso.
A conclusão do documento expressa uma chamada 
e aspiração: “Retornamos ao lugar onde servimos com o 
compromisso renovado de amar como ele nos amou, de 
deixar de lado a ambição egoísta, de desenvolver parcerias 
pelo evangelho e de crescer diariamente em dependência 
do seu Espírito. Para que possamos declarar a uma só voz 
os grandes feitos daquele que é a única esperança e luz 
do mundo. Para que possamos revelar, num só coração, 
a santidade e o amor daquele que se entregou pelos 
pecadores. Para que possamos anunciar e demonstrar 
Cristo juntos!”.
Leia a Declaração de Seul em lausanne.org/pt-br/statement/
declaracao-de-seul
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percebo dependente do outro, e vice-versa. Essa é 
a lógica do reino de Deus e esse foi o convite feito 
repetidamente em todos os espaços do congres-
so – “Vamos colaborar!” – e que fez Lausanne 4 
terminar, para mim, com um sabor de esperança 
e com cheiro de que algo novo e belo pode surgir 
quando quem pensa diferente em questões se-
cundárias consegue se unir, dar as mãos e traba-
lhar junto por algo maior: participar, com Jesus, 
da missão de reconciliar toda a criação.
Phelipe Reis é natural do Amazonas, casado com Luíze 
e pai de Elis e Joaquim. É jornalista, missionário e cola-
borador do Portal Ultimato.
21Janeiro/Fevereiro 2025 • ULTIMATO
Atualmente, cerca de 3,6% da população 
mundial mora fora de seu país de origem. 
Conforme dados da Organização Interna-
cional para as Migrações (OIM), esse número 
aumentou de 220 milhões em 2010 para 280 mi-
lhões em 2020, impulsionado por conflitos, cri-
ses econômicas e desastres naturais. Esse fluxo 
incessante de pessoas cria um cenário singular 
para a missão cristã, em que a di-
versidade cultural e linguística se 
apresenta como uma oportunida-
de para o evangelismo e o discipu-
lado, visando à expansão do reino 
de Deus.
Nas Escrituras, o movimento é 
uma expressão da própria nature-
za de Deus, que se revela em ação 
constante. Desde Gênesis, onde 
Deus se move sobre as águas, até 
as narrativas de figuras como Abraão, Noé, José, 
Noemi e Daniel, observa-se um fio condutor de 
deslocamento associado ao cumprimento dos 
propósitos divinos.
A diáspora brasileira
A diáspora brasileira é um fenômeno notável que 
reflete a crescente mobilidade dos brasileiros ao 
redor do mundo. O Brasil, historicamente reco-
nhecido por sua tradição de acolher imigrantes, 
também se tornou um país de emigração desde 
a década de 1980, com um aumento significativo 
após 2011. Atualmente, estima-se que mais de 
5 milhões de brasileiros vivam fora do país.
Podemos pensar em duas categorias prin-
cipais sobre a diáspora brasileira: a interna e a 
externa. A diáspora interna inclui aqueles que, 
embora nascidos em outros países, decidiram se 
estabelecer no Brasil, além dos deslocamentos in-
ternos, como a migração de áreas rurais para ur-
banas. De acordo com dados governamentais, há 
oficialmente cerca de 1,5 milhão de estrangeiros 
morando no Brasil por um longo período.
Por outro lado, a diáspora externa represen-
ta um fenômeno em constante crescimento, com 
brasileiros mudando-se para diferentes partes 
do mundo. Diversos motivos impulsionam esse 
movimento, sendo a busca por condições eco-
nômicas mais vantajosas (como emprego, tra-
balho, conforto e oportunidades relacionadas) 
e segurança os principais, seguidos daqueles 
que procuram investir em seus estudos, seja no 
aprendizado de idiomas, no campo acadêmico ou 
em cursos livres e profissionalizantes. Outros se 
mudam devido a designações institucionais ou 
organizacionais, como empregos, atividades reli-
giosas ou projetos internacionais.
A diáspora brasileira externa cristã está en-
tre as dez maiores do mundo, desempenhando 
um papel vital na disseminação do evangelho. 
Esse fenômeno oferece à igreja brasileira uma 
oportunidade única de atuar globalmente, 
tanto ao acolher estrangeiros como ao mobilizar 
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tDIÁSPORA: UM CHAMADO À IGREJA BRASILEIRA
 FABIANA BRAUN
MATÉRIA DE CAPA
A diáspora brasileira 
externa cristã 
está entre as dez 
maiores do mundo, 
desempenhando 
um papel vital 
na disseminação 
do evangelho
22 ULTIMATO • Janeiro/Fevereiro 2025
brasileiros no exterior para serem agentes da 
missão de Cristo. Essa dinâmica ressalta a impor-
tância de estratégias missionárias que conside-
rem a mobilidade humana como uma ferramenta 
poderosa para a propagação do evangelho.
Além disso, a riqueza cultural e a diversidade do 
Brasil são trunfos valiosos, permitindo que o evan-
gelho seja comunicado de maneira contextualizada 
e relevante em diferentes partes do mundo. Ao mes-
mo tempo, a experiência dos brasileiros no exterior 
oferece uma nova perspectiva e desafios que po-
dem enriquecer as igrejas locais, promovendo uma 
visão mais global e inclusiva da missão cristã.
Um chamado à ação
A diáspora oferece à igreja brasileira uma oportu-
nidade sem precedentes para reescrever Atos 8.4, 
que nos lembra que os primeiros cristãos, ao se-
rem dispersos, pregavam a Palavra por onde quer 
que fossem. Assim como no passado, hoje somos 
chamados a ver o movimento das pessoas como 
uma parte do plano divino para levar o evangelho 
a todas as nações.
É hora de a igreja brasileira responder a esse 
chamado, reconhecendo as oportunidades que a 
diáspora apresenta para a missão global. Precisa-
mos estar preparados para acolher, discipular e 
enviar aqueles que estão em movimento, trans-
formando desafios emoportunidades para o 
reino de Deus.
Fabiana Braun trabalha como missionária com dife-
rentes tipos de diásporas na Europa e em diversas 
partes do mundo. Integra o NexGen da rede Lausanne 
e é colaboradora na Aliança Evangélica da Alemanha. 
É casada com Sebastian Braun e mãe de Naomi e Yael 
Anna. diasporamov@gmail.com.
A obra de Deus não é feita por gênios solitários nem por 
redes fechadas, mas por meio de relacionamentos humildes 
e colaborativos em equipe.
Jae-Hoon Lee, pastor da Onnuri Igreja Comunitária na Coreia do Sul, 
presidente do Lausanne Coreano e co-presidente do comitê organizador 
de Lausanne 4
RECADO DE LAUSANNE
LEIA MAIS
Ultimato disponibiliza no portal uma série de artigos 
e recursos sobre Lausanne 4 e sobre os congressos 
anteriores (que aconteceram em 1974, 1989 e 2010). 
Aqui, destacamos apenas alguns deles. Veja a relação 
completa em bit.ly/411-capa-mais.
A urgência da reconciliação
Reflexões a partir do Quarto Congresso Lausanne, um 
ano após o 7 de outubro. [Rula Khoury Mansour]
Brasileiros em Lausanne 4: a alegria, a irreverência e o 
potencial missionário verde-amarelo
Como a igreja brasileira pode ser relevante para a 
missão global a partir desse movimento? [Phelipe Reis]
Onde estão as crianças?
Os mais jovens não são apenas o futuro da igreja; eles 
são a igreja hoje. [Susan Greener]
Quatro décadas em tempo de missão
O movimento Lausanne é uma corrente singular no 
mundo evangélico contemporâneo. [Samuel Escobar]
O legado de John Stott através do movimento 
Lausanne
Foi a parceria única entre Billy Graham e John Stott que 
possibilitou o surgimento do movimento Lausanne – 
um movimento comprometido em levar “o evangelho 
todo para o mundo todo”. [Julia Cameron]
Diálogos de Esperança
Nova temporada conversa sobre a Igreja e Lausanne 
4 com temas relevantes sobre o papel da igreja hoje. 
[Lissânder Dias]
Blog Movimento de Lausanne
ultimato.com.br/sites/lausanne/
23Janeiro/Fevereiro 2025 • ULTIMATO
Descobrindo o potencial da diáspora: Um chamado à igreja brasileira
bit.ly/411-diaspora
MAIS NA INTERNET
24 ULTIMATO • Janeiro/Fevereiro 2025
OLHANDO PARA FRENTE
Encontro de Jovens Líderes de Lausanne (YLG) acontecerá no Brasil em 2026 
 SABRINA BARROSO SILVA LUJIĆ E JUSTIN A. SCHELL
Em 1987, em Cingapura, foi realizado o primeiro 
Encontro de Jovens Líderes de Lausanne 
(YLG). Entre os 350 convidados estava o en-
tão jovem John Piper, que, na época, assim defi-
niu o objetivo da iniciativa: “Construir uma rede 
de amizades frutíferas que aumentará a coope-
ração na evangelização mundial nas próximas 
décadas”. De lá para cá, o movimento Lausanne 
realizou dois outros encontros dessa natureza: em 
2006, em Kuala Lumpur, Malásia; e em 2016, em 
Jacarta, Indonésia.
Com o desejo de realizar o próximo encontro 
na América Latina, a liderança do movimento, 
juntamente com o Departamento de Gerações, 
os diretores regionais e com o apoio de líderes da 
Associação de Missões Transculturais Brasileiras 
(AMTB), oficializaram o Brasil como sede do En-
contro de Jovens Líderes em 2026. Essa novidade 
foi anunciada no Quarto Congresso Lausanne, 
em Seul.
Existe um forte desejo por parte da liderança 
do movimento e do Encontro de se conectar com 
a igreja no Brasil e na América Latina. Reconhe-
cemos que a representação de cada país pode ser 
limitada, mas estamos otimistas de que os jovens 
líderes que participarem dessa jornada servirão 
como catalisadores, inspirando crescimento e 
colaboração em suas respectivas regiões e nações. 
Nós, brasileiros envolvidos na organização do 
Encontro, vemos uma grande oportunidade de a 
igreja brasileira servir a igreja global e encorajar, 
investir e apoiar jovens líderes a colaborarem a fim 
de acelerar o cumprimento da Grande Comissão.
O Encontro visa reunir cerca de 1.200 líde-
res jovens de 150 países a fim de identificar uma 
nova geração de jovens líderes para promover a 
visão quádrupla: o evangelho para cada pessoa, 
igrejas que fazem discípulos para cada povo, líde-
res semelhantes a Cristo para cada igreja e setor, 
e impacto do reino em cada esfera da sociedade.
Além do evento, o movimento anunciou 
a continuação da iniciativa conhecida como 
“YLGen – Geração de Líderes Mais Jovens”, por 
meio da qual Lausanne administra fielmente 
as conexões e os frutos da YLG para um maior 
impacto missionário. O “YLGen 2” permitirá o 
acompanhamento de um grupo seleto de jovens 
líderes de 2026 a 2036.
Fomos comissionados para este grande desa-
fio, pelo qual pedimos suas preciosas orações:
Preparação – ore pela equipe de líderes jovens 
que trabalharão ao lado da equipe de Lausanne 
para planejar e executar o Encontro em espírito 
de oração.
MATÉRIA DE CAPA
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25 LACUNAS DA GRANDE 
COMISSÃO
Como responder com sabedoria às questões 
mais complexas e emergentes do nosso tempo e 
lugar a fim de que a igreja anuncie e demonstre 
Cristo em unidade, de hoje até 2050?
Durante o Quarto Congresso Lausanne, esta pergunta 
foi feita a 25 grupos que se dedicaram à reflexão 
de diferentes questões como: envelhecimento da 
população, a próxima geração, povos menos alcançados, 
ministérios na era digital, sexualidade e gênero, missões 
policêntricas, integridade e anticorrupção, líderes com 
caráter, comunidades urbanas, liberdade religiosa, 
confiança da sociedade e influência do cristianismo, 
entre outras.
Chamadas “Lacunas da Grande Comissão”, as 
questões foram identificadas por meio de um processo 
de escuta global que envolveu líderes evangélicos 
de todo o mundo em preparação para o Lausanne 4. 
Reuniões entre esses líderes aconteceram entre 
setembro de 2020 e julho de 2021 e o conteúdo gerado 
nelas foi analisado e processado pela Equipe Global 
de Escuta até se tornar o relatório Status da Grande 
Comissão com questões que pudessem ser discutidas 
de maneira colaborativa no encontro em Seul.
Meses antes do evento, guiados pela pergunta 
Qual é a lacuna para onde Deus está chamando você?, 
os participantes conheceram, oraram e escolheram 
um grupo de afinidade no qual, durante o Congresso, 
poderiam oferecer melhor colaboração.
A conversa continua com a ajuda de ferramentas, 
treinamento e orientação adaptados às diferentes 
regiões, gerações e redes temáticas para incentivar o 
engajamento e ações colaborativas para o cumprimento 
da Grande Comissão.
Conheça mais sobre as 25 lacunas em bit.
ly/411-L4_lacunas.
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25Janeiro/Fevereiro 2025 • ULTIMATO
Versão ampliada de “Olhando para frente”
bit.ly/411-jovens-líderes
MAIS NA INTERNET
Participação – ore para que o Senhor conduza 
a nomeação, a seleção e a inscrição de 1.200 líde-
res jovens e por cerca de 250 mentores.
Provisão – ore por provisão para os que forem 
selecionados e para os custos gerais de planeja-
mento e realização do Encontro.
Local – ore para que o YLG’26 sirva de enco-
rajamento para a igreja em toda a América Lati-
na. Que possamos ver novas parcerias evangéli-
cas, a mobilização de todo o povo de Deus para a 
missão de Deus e que o Encontro abençoe o Brasil 
e toda a região.
Concluímos com as palavras de Leighton 
Ford, que serviu como presidente do Comitê de 
Lausanne para a Evangelização Mundial, de 1976 
a 1992: “Uma de nossas tarefas em Lausanne é 
sempre olhar para frente e ver quem Deus está 
levantando para servir na próxima geração”.
Para saber mais escreva para ylg2026@lausanne.org.
Sabrina Barroso Silva Lujić é mestre em geologia, 
serve como vice-diretora para YLG2026 (Younger 
Leaders Gathering) e YLGen 2 (Younger Leaders 
Generation) no Departamento de Gerações do 
Movimento de Lausanne. É casada com Ivan Lujić, bos-
nio-croata, com quem mora em Split, na Croácia.
Justin

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