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Direito das Coisas – “Consiste em um conjunto de princípios e normas da relação jurídica referente às coisas suscetíveis de apropriação pelo homem, segundo uma finalidade social”. Clóvis Beviláqua. ”Poder jurídico direto e imediato, do titular sobre a coisa, com exclusividade e contra todos”. Carlos Roberto Gonçalves” Direito das Coisas – É o ramo do Direito Civil que tem como conteúdo relações jurídicas estabelecidas entre pessoas e coisas determinadas. No âmbito do Direito das Coisas, há uma relação de domínio exercida pela pessoa (sujeito ativo) sobre a coisa. Não há sujeito passivo determinado, sendo esse toda a coletividade. O Direito das Coisas representa um complexo de normas que regulamenta as relações dominiais existentes entre a pessoa humana e coisas apropriáveis. Direitos Reais – Conjunto de categorias jurídicas relacionadas à propriedade, descritas inicialmente no Art. 1.225 do Código Civil. Os Direitos Reais formam o conteúdo principal do Direito das Coisas, mas não exclusivamente, eis que existem institutos que compõem a matéria e que não são Direitos Reais. Art. 1.225, CC - São direitos reais: · Direitos Reais são aqueles que conferem a uma pessoa um poder direto e imediato sobre uma coisa (bem), sem a necessidade da intermediação de outra pessoa. Ou seja, quem tem um direito real pode exercer sua vontade sobre o bem sem depender de um contrato com outra pessoa. I – A propriedade; · A propriedade é o mais completo dos direitos reais. Quem é proprietário de um bem tem cinco faculdades sobre ele, conforme o artigo 1.228 do Código Civil: 1. Usar (utilizar o bem conforme sua finalidade); 2. Gozar (aproveitar economicamente o bem, como alugar um imóvel); 3. Dispor (vender, doar, hipotecar etc.); 4. Reaver (recuperar o bem de quem o detenha sem autorização); 5. Reivindicar (pedir na Justiça a restituição do bem). Ex: João compra um terreno e o registra em seu nome no cartório. Ele pode construir uma casa, alugar, vender ou até deixar sem uso, pois tem a propriedade plena. II – A superfície; · A superfície é um direito real que permite que alguém construa ou plante em terreno alheio, mediante pagamento ou de forma gratuita. Esse direito pode ser concedido por tempo determinado e deve ser registrado. Ex: A Prefeitura concede a uma construtora o direito de construir um prédio sobre um terreno público por 30 anos. A construtora pode explorar os apartamentos, vendê-los ou alugá-los, mas não é dona do terreno. III – As servidões; · A servidão é um direito que permite que um imóvel (servidão passiva) seja utilizado em benefício de outro imóvel (servidão ativa). Normalmente, ocorre entre imóveis vizinhos. Ex: O dono do terreno A permite que o dono do terreno B passe com seu carro por uma estrada dentro de sua propriedade, pois o terreno B não tem acesso à rua. IV – O usufruto; · O usufruto é o direito de usar e gozar de um bem alheio, sem ser o proprietário. O usufrutuário pode morar, alugar e receber os frutos do bem, mas não pode vendê-lo. Ex: Um pai doa um apartamento para o filho, mas mantém para si o usufruto vitalício. O filho é o dono, mas o pai pode morar no imóvel até sua morte. V – O uso; · O direito de uso é parecido com o usufruto, mas é mais restrito. O usuário pode usar o bem apenas para atender suas necessidades e de sua família, sem explorá- lo economicamente. Ex: João recebe o direito de uso de uma chácara. Ele pode morar nela e colher frutas para consumo próprio, mas não pode vendê-las. VI – A habitação; · A habitação é um direito real que permite que alguém resida em um imóvel alheio, mas sem poder alugá-lo ou cedê-lo a terceiros. Ex: Maria ficou viúva e tem o direito real de habitação sobre o apartamento em que morava com o marido, conforme previsto no Código Civil. VII – O direito do promitente comprador do imóvel; · O promitente comprador de um imóvel que já pagou parte do preço e tem o contrato registrado pode reivindicar a propriedade, mesmo antes da escritura definitiva. Ex: João comprou um apartamento na planta, quitou 80% do valor e registrou o contrato. Se a construtora falir, João tem direito real sobre o imóvel. VIII – O penhor; · O penhor é a garantia real sobre um bem móvel. O devedor entrega o bem ao credor, que pode vendê-lo se a dívida não for paga. Ex: João pega um empréstimo no banco e dá seu carro em penhor. Se ele não pagar a dívida, o banco pode leiloar o veículo. IX – A hipoteca; · A hipoteca é semelhante ao penhor, mas recai sobre bens imóveis. O devedor continua com a posse do bem, mas o credor tem um direito real de garantia sobre ele. Ex: João financia uma casa e dá o próprio imóvel em hipoteca para o banco. Se não pagar as parcelas, o banco pode executar a hipoteca e vender a casa. X – A anticrese; · Na anticrese, o devedor entrega um imóvel ao credor, que pode usufruir da propriedade e receber os frutos (como aluguéis) até a dívida ser quitada. Ex: João tem uma dívida com Maria e entrega um imóvel para ela alugar. Maria usa o dinheiro do aluguel para compensar a dívida. XI – Concessão de Uso Especial para Fins de Moradia; · Esse direito permite que alguém que ocupa um imóvel público por mais de cinco anos sem contestação tenha direito de permanecer no local. Ex: Uma família ocupa um terreno da União há 10 anos e constrói uma casa. Pode receber a concessão de uso especial. XII – Concessão de Direito Real de Uso; · Semelhante à concessão anterior, mas pode abranger outras finalidades além da moradia. Normalmente, é concedida a empresas ou entidades. Ex: Uma associação recebe da Prefeitura o direito real de uso de um prédio para funcionar como escola comunitária. XIII – A laje; · O direito de laje permite que alguém construa sobre a edificação de outra pessoa e tenha um título de propriedade sobre essa nova construção. Ex: João constrói um segundo andar sobre a casa da mãe e registra seu direito de laje, tornando-se dono do pavimento superior. XIV – Direitos da Imissão Provisória na Posse; · Esse direito protege imóveis desapropriados pelo poder público antes do término do processo judicial, garantindo segurança jurídica para projetos públicos. Ex: O governo desapropria um terreno para construir uma rodovia. Antes do processo ser finalizado, a posse provisória já permite que a União use o imóvel. RES = COISA Direitos Pessoais - Relações jurídicas entre uma pessoa (sujeito ativo – credor) e outra (sujeito passivo – devedor). Exige o cumprimento de determinada prestação (dar, fazer e não fazer). O sujeito passivo é determinado ou determinável. Princípio da autonomia privada (liberdade). Podemos criar contratos que não são tipificados pelo sistema Efeitos inter parts. Há uma tendência de ampliação dos efeitos. Rol exemplificativo (numerus apertus) – art. 425 do CC – criação dos contratos atípicos. Os bens do devedor respondem (princípio da responsabilidade patrimonial). Caráter transitório, em regra, o que vem sendo mitigado pelos contratos relacionais ou cativos de longa duração. Instituto típico: contrato. Posse – Arts. 1.196 ao 1.224 do Código Civil Direitos Reais (Art. 1.225, CC) - É o direito sobre a COISA. Propter Rem - Obrigação por CAUSA da Coisa. Atualmente, houve a superação do Tema 866 do STJ, o qual mencionava que: A) Se o promissário comprador tem a posse do bem e; B) Se o condomínio tem ciência inequívoca da transação, a responsabilidade pelo pagamento do condomínio recai sobre o comprador e o vendedor é parte ilegítima para responder às quotas condominiais, mesmo no período anterior à venda. Esta tese foi superada e atualmente o condomínio poderá ingressar com uma ação contra o vendedor ou o comprador, a seu livre arbítrio. Art. 1.196, CC - Considera-se possuidor todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum dos poderes inerentes à propriedade. · Define quem é considerado possuidor. De acordo com o dispositivo, possuidor é aquele que exerce, de fato, algum dos poderes inerentes à propriedade, independentemente de ser ou não o proprietário do bem. Ou seja, a posse não depende de um direito de propriedadeformal. O que importa é a relação de fato que a pessoa mantém com o bem. Assim, mesmo alguém que não tem o título de propriedade pode ser considerado possuidor se exercer algum dos poderes que normalmente pertencem ao dono. A posse é diferente da propriedade. A propriedade é um direito registrado e reconhecido pelo Estado, enquanto a posse é uma situação de fato. Art. 1.197, CC - A posse direta, de pessoa que tem a coisa em seu poder, temporariamente, em virtude de direito pessoal, ou real, não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor direto defender a sua posse contra o indireto. · Trata da relação entre posse direta e posse indireta. Ele estabelece que, quando uma pessoa tem um bem temporariamente em seu poder, por um direito pessoal ou real, isso não anula a posse indireta do verdadeiro possuidor original. Além disso, o possuidor direto pode defender sua posse contra o possuidor indireto. Posse Direta X Posse Indireta na prática Característica Posse Direta Posse Indireta Quem exerce? Quem está usando o bem no momento Quem é o proprietário ou detém direito real Tem direito sobre o bem? Sim, mas é temporário Sim, e geralmente permanente Exemplos Inquilino, comodatário, usufrutuário Proprietário, nu- proprietário Pode defender sua posse? Sim, contra terceiros e até contra o possuidor indireto. Sim, contra terceiros e até contra o possuidor direto. O artigo 1.197 do Código Civil estabelece um princípio essencial do direito possessório: posse direta e posse indireta podem coexistir. Mesmo que uma pessoa tenha a posse direta de um bem, o possuidor indireto não perde seu direito sobre ele. Além disso, o possuidor direto pode proteger sua posse contra o indireto, enquanto seu direito estiver em vigor. Art. 1.198, CC - Considera-se detentor aquele que, achando-se em relação de dependência para com outro, conserva a posse em nome deste e em cumprimento de ordens ou instruções suas. · O detentor é a pessoa que está na posse física do bem, mas não age em nome próprio, e sim em nome de outra pessoa, por conta de uma relação de dependência. Ou seja, o detentor não tem posse própria, mas conserva a posse para outra pessoa, obedecendo ordens ou instruções. Ex: João é o dono de uma fazenda, mas mora na cidade. Ele contrata Pedro para cuidar da fazenda. Pedro tem a posse física do bem, mas não é possuidor: ele age em nome de João. Se Pedro quiser reivindicar a posse da fazenda, não pode, porque é apenas detentor. Parágrafo Único - Aquele que começou a comportar-se do modo como prescreve este artigo, em relação ao bem e à outra pessoa, presume-se detentor, até que prove o contrário. · Se uma pessoa está em uma relação de dependência, conservando um bem em nome de outro, ela será presumida como detentora até prova em contrário. Ou seja, mesmo que essa pessoa alegue posse própria, o juiz presumirá que ela é apenas detentora, a menos que ela consiga provar que passou a agir como dona do bem. Ex: Carlos trabalha como caseiro na chácara de João por 15 anos. Depois desse tempo, Carlos começa a agir como se fosse o dono, aluga parte do terreno para terceiros e para de seguir as ordens de João. João entra com uma ação para tirar Carlos da propriedade. O juiz presumirá que Carlos é apenas detentor, pois começou nessa condição. Quem começa como detentor precisa provar que sua relação mudou para se tornar possuidor. Caso contrário, a lei presume que continua sendo apenas detentor. Posse X Detenção Critério Possuidor Detentor Tem poderes sobre o bem? Sim Não Age em nome próprio? Sim Não Pode adquirir o bem por usucapião? Sim Não Pode defender a posse em juízo? Sim Não Exemplos Inquilino, comodatário, usufrutuário Caseiro, motorista, empregado Art. 1.199, CC - Se duas ou mais pessoas possuírem coisa indivisa, poderá cada uma exercer sobre ela atos possessórios, contanto que não excluam os dos outros compossuidores. · Trata da posse compartilhada de um bem indivisível. Ele estabelece que, quando duas ou mais pessoas possuem conjuntamente um mesmo bem, cada uma delas pode exercer atos de posse sobre ele, desde que isso não prejudique os direitos dos outros co-possuidores. Essa regra é fundamental para situações em que duas ou mais pessoas têm posse sobre um único bem e precisam coexistir pacificamente. Coisa Indivisa - Bem que ainda não foi dividido entre os proprietários e, por isso, não pode ser usado separadamente. Enquanto esse bem não for dividido judicialmente ou extrajudicialmente, todos os copossuidores têm o direito de usá-lo, respeitando os direitos dos demais. Situação Permitido Cada co-possuídor usar o bem de maneira equilibrada Sim Um co-possuídor impedir outro de usar o bem Não Dividir a posse por acordo Sim Um co-possuídor vender sozinho a parte do outro Não Entrar na justiça para dividir o bem Sim Art. 1.200, CC - É justa a posse que não for violenta, clandestina ou precária. · Se alguém obtém a posse por meios legítimos e sem prejudicar outra pessoa, essa posse será considerada justa. Por outro lado, se a posse for adquirida de maneira violenta, escondida ou por abuso de confiança, ela será injusta. Nenhum dos casos dá direito à Usucapião. 1. Posse violenta – Obtida por meio de agressão, coação física ou ameaça. Ex: João invade um terreno de Pedro e expulsa os caseiros à força. Consequências: a) A posse violenta é ilegal e pode ser contestada judicialmente. b) O verdadeiro possuidor pode entrar com ação de reintegração de posse. c) A posse violenta não dá direito a usucapião, porque a posse precisa ser pacífica para isso. 2. Posse clandestina – Adquirida de maneira escondida, sem que o verdadeiro possuidor perceba. Ex: José percebe que o vizinho raramente visita um sítio abandonado e decide ocupar a área sem avisá-lo. Consequências: a) O verdadeiro possuidor pode entrar com ação de manutenção ou reintegração de posse. b) A posse clandestina também não gera usucapião, pois a posse deve ser pública. 3. Posse precária – Obtida com base em confiança ou empréstimo, mas a pessoa se recusa a devolver o bem. Ex: Um inquilino aluga um imóvel por um ano, mas, ao fim do contrato, se recusa a sair. Consequências: a) O verdadeiro possuidor pode entrar com uma ação de despejo ou reintegração de posse. b) A posse precária é ilegal e não pode ser usada para reivindicar usucapião. Art. 1.201, CC - É de boa-fé a posse, se o possuidor ignora o vício, ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa. · Trata do conceito de posse de boa-fé. Esse conceito é fundamental no direito civil, pois influencia diversos direitos do possuidor, como a possibilidade de usucapião e o direito à indenização por benfeitorias. A posse é de boa-fé quando o possuidor ignora qualquer defeito ou problema jurídico que impeça a aquisição do bem. Ou seja, se uma pessoa acredita sinceramente que adquiriu um bem de forma legítima, sem saber que há um problema na transferência da posse ou propriedade, sua posse será considerada de boa-fé. “Ignorar o vício ou o obstáculo” - Para que a posse seja de boa-fé, o possuidor não pode saber que existe um vício (problema jurídico na posse) ou um obstáculo (impedimento legal para adquirir a propriedade). Ex: O bem pertence a outra pessoa e foi vendido sem autorização. Parágrafo único - O possuidor com justo título tem por si a presunção de boa-fé, salvo prova em contrário, ou quando a lei expressamente não admite esta presunção. · Justo título é um documento que aparentemente legitima a posse de um bem, mesmo que, por um erro jurídico, a propriedade não tenha sido transferida corretamente. Ex: Escritura pública de compra e venda, mesmo que posteriormente se descubra que o vendedor não era o verdadeiro dono. Diferença entre Posse de Boa-Fé e Posse de Má-Fé Critério Posse de Boa-Fé Posse de Má-Fé Conhecimento do vício ou obstáculo Não sabia Sabia Justo título Tem presunção de boa-fé Não tem presunção Pode pedir indenização por benfeitorias? Sim Não Pode adquirir o bem por usucapião? Sim Não ExemploCompra um terreno sem saber que foi vendido ilegalmente. Compra sabendo que o terreno já tem dono. Art. 1.202, CC - A posse de boa-fé só perde este caráter no caso e desde o momento em que as circunstâncias façam presumir que o possuidor não ignora que possui indevidamente. · A posse de boa-fé só deixa de existir quando o possuidor passa a saber que sua posse é indevida. Ou seja, se no momento da aquisição o possuidor desconhecia qualquer vício ou impedimento legal, mas depois descobre que sua posse é irregular, ele perde a boa-fé a partir desse momento. Essa mudança de estado ocorre no exato momento em que ele toma ciência do problema – seja porque foi notificado, citado em um processo ou recebeu qualquer informação que o faça perceber que não é legítimo possuidor. · Como a boa-fé pode ser perdida? A perda da boa-fé pode ocorrer de várias formas, como: 1. Notificação Formal - O verdadeiro dono do imóvel envia uma notificação extrajudicial informando que ele é o proprietário. 2. Citação em Processo - O possuidor recebe uma intimação para responder a uma ação de reintegração de posse. 3. Descoberta Espontânea - O possuidor encontra um documento ou recebe uma informação confiável que prova que sua posse é irregular. Assim que qualquer uma dessas situações ocorre, a posse deixa de ser de boa-fé e passa a ser de má-fé. Art. 1.203, CC - Salvo prova em contrário, entende-se manter a posse o mesmo caráter com que foi adquirida. · Ou seja, se uma pessoa adquiriu a posse de um bem de boa-fé, a presunção é de que ela permanece de boa-fé ao longo do tempo. Da mesma forma, se a posse foi adquirida de má-fé, presume-se que ela continua sendo de má-fé, a menos que haja prova do contrário. Isso significa que o ônus da prova (obrigação de demonstrar que houve uma mudança no caráter da posse) cabe a quem afirma que essa mudança ocorreu. Art. 1.204, CC - Adquire-se a posse desde o momento em que se torna possível o exercício, em nome próprio, de qualquer dos poderes inerentes à propriedade. · Ou seja, a posse não depende de um título formal, contrato ou registro, mas sim do fato de que alguém começa a agir como possuidor do bem. Se a pessoa age como dona (mesmo sem ser), ela já pode ser considerada possuidora. O que são “Poderes Inerentes à Propriedade”? A propriedade concede ao titular quatro poderes essenciais sobre um bem: 1. Usar (ius utendi) – Ex: Morar em uma casa ou cultivar um terreno. 2. Fruir (ius fruendi) – Ex: Colher frutos de uma árvore ou alugar um imóvel. 3. Dispor (ius abutendi) – Ex: Vender, doar ou demolir um imóvel. 4. Reaver (ius vindicandi) – Ex: Entrar com ação de reintegração de posse se alguém ocupar o bem ilegalmente. Para adquirir a posse, basta exercer qualquer um desses poderes, desde que em nome próprio. Requisitos para Aquisição de Posse - Para que alguém seja considerado possuidor, basta que duas condições sejam atendidas: 1. Exercício de pelo menos um dos poderes da propriedade – Como usar, alugar, vender ou tomar posse física do bem. 2. Ato em nome próprio – A posse só é adquirida se a pessoa agir como se fosse dona do bem, e não como representante de outra pessoa. Art. 1.205, CC - A posse pode ser adquirida: I - Pela própria pessoa que a pretende ou por seu representante; · Esse inciso prevê dois modos de aquisição da posse: 1. Aquisição Direta - A própria pessoa adquire a posse pessoalmente. 2. Aquisição Por Representante - Alguém age em nome do interessado para adquirir a posse. No caso da posse adquirida por representante, a posse é considerada adquirida quando o representante age, mesmo sem a presença do representado. II - Por terceiro sem mandato, dependendo de ratificação. · Trata da situação em que uma pessoa adquire a posse de um bem em favor de outra, sem autorização prévia, mas essa aquisição só se torna válida se o verdadeiro interessado aprovar posteriormente. Consequências da Ratificação ou da Recusa da Posse Adquirida por Terceiro Situação O que acontece? O interessado ratifica a aquisição da posse feita por terceiro A posse é validada e retroage à data em que o terceiro adquiriu a posse. O interessado não ratifica a aquisição da posse feita por terceiro A posse nunca existiu para o interessado, e a aquisição não tem validade para ele. Art. 1.206, CC - A posse transmite-se aos herdeiros ou legatários do possuidor com os mesmos caracteres. · A posse passa automaticamente para os herdeiros ou legatários do possuidor com os mesmos caracteres que tinha antes da transmissão. Ou seja, os sucessores recebem a posse exatamente da mesma forma que o falecido a exercia. Art. 1.207, CC - O sucessor universal continua de direito a posse do seu antecessor; e ao sucessor singular é facultado unir sua posse à do antecessor, para os efeitos legais. · Sucessão Universal - O sucessor recebe a posse automaticamente. É aquele que herda todo o patrimônio ou uma fração dele de forma global, ou seja, sem especificar bens individuais. O sucessor universal não escolhe quais bens recebe, pois herda uma parte de toda a herança. · Sucessão Singular - O sucessor pode optar por somar sua posse à do antecessor para determinados efeitos legais. É aquele que recebe um bem específico, seja por compra, doação ou testamento. Diferente do sucessor universal, o sucessor singular adquire um bem individualmente e pode escolher se quer somar sua posse à do antigo dono. Art. 1.208, CC - Não induzem posse os atos de mera permissão ou tolerância assim como não autorizam a sua aquisição os atos violentos, ou clandestinos, senão depois de cessar a violência ou a clandestinidade. · Quem usa um bem com permissão ou tolerância do dono não pode alegar posse. · Quem adquire um bem de forma violenta ou clandestina só pode ser considerado possuidor depois que essas condições cessarem. Art. 1.209, CC - A posse do imóvel faz presumir, até prova contrária, a das coisas móveis que nele estiverem. · Se alguém tem a posse de um imóvel, presume-se que também tem a posse dos bens móveis dentro dele. · Essa presunção pode ser afastada com prova contrária, como contratos, notas fiscais e testemunhas. Art. 1.210, CC - O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação, restituído no de esbulho, e segurado de violência iminente, se tiver justo receio de ser molestado. · Trata dos direitos do possuidor para se manter na posse e protegê-la contra interferências indevidas. Ele estabelece que o possuidor pode: 1. Ser mantido na posse quando sofre turbação. 2. Ser restituído à posse quando sofre esbulho. 3. Ser protegido contra ameaça de violência quando há risco iminente de ser molestado. Além disso, o artigo permite que o possuidor se defenda imediatamente contra turbação ou esbulho, sem necessidade de ir ao Judiciário (autotutela da posse), desde que respeite certos limites. Por fim, ele impede que alguém use a alegação de ser proprietário do bem para justificar uma turbação ou esbulho. §1° - O possuidor turbado, ou esbulhado, poderá manter-se ou restituir-se por sua própria força, contanto que o faça logo; os atos de defesa, ou de desforço, não podem ir além do indispensável à manutenção, ou restituição da posse. · O possuidor que sofre turbação ou esbulho pode se defender imediatamente, sem precisar recorrer ao Judiciário. A reação deve ocorrer logo após a agressão e o possuidor só pode usar a força necessária para retomar ou manter a posse. Se o possuidor esperar muito tempo e não reagir na hora, terá que recorrer à Justiça para reaver a posse. §2° - Não obsta à manutenção ou reintegração na posse a alegação de propriedade, ou de outro direito sobre a coisa. · Mesmo que alguém alegue ser o dono do imóvel ou bem, isso não justifica tomar a posse de outra pessoa à força. A pessoa que se sente prejudicada deve entrar com uma ação judicial, não fazer justiça com as próprias mãos. Art. 1.211, CC - Quando mais de uma pessoa se disser possuidora, manter-se-á provisoriamente a que tiver a coisa, se não estiver manifesto que a obteve de alguma das outras por modo vicioso. · Se mais de uma pessoa afirmarser possuidora de um bem, mantém-se provisoriamente quem já está na posse. Mas se for evidente que essa pessoa tomou a posse de forma ilícita (violência, clandestinidade ou precariedade), ela não será protegida. Art. 1.212, CC - O possuidor pode intentar a ação de esbulho, ou a de indenização, contra o terceiro, que recebeu a coisa esbulhada sabendo que o era. · Trata da situação em que um terceiro recebe a posse de uma coisa esbulhada, ou seja, alguém que tomou algo de outra pessoa à força (esbulho) e passou a posse para uma terceira pessoa. Esse artigo possibilita ao possuidor original (aquele que foi esbulhado) entrar com ações contra o terceiro, caso ele tenha recebido a coisa sabendo que era produto de esbulho. Se o possuidor original for esbulhado, ele pode: 1. Tentar recuperar a posse por meio de ação de esbulho. 2. Exigir indenização do terceiro que soube que a coisa foi esbulhada, por meio de ação de indenização. A proteção da posse é uma das bases do direito civil, e esse artigo garante que nenhum terceiro que agiu de forma dolosa (sabendo do esbulho) saia impune. Art. 1.213, CC - O disposto nos artigos antecedentes não se aplica às servidões não aparentes, salvo quando os respectivos títulos provierem do possuidor do prédio serviente, ou daqueles de quem este o houve. · Limita a aplicação das regras gerais de posse às servidões não aparentes, exceto quando a servidão é formalizada por meio de um título dado pelo possuidor do imóvel que cede o direito. Regra Geral: Servidões não aparentes não têm a mesma proteção das servidões aparentes no que diz respeito a posse e disputas possessórias. Exceção: Se o título de criação da servidão vier do possuidor legítimo do imóvel serviente, a servidão será protegida pelas normas de posse. Art. 1.214, CC - O possuidor de boa-fé tem direito, enquanto ela durar, aos frutos percebidos. · Fala sobre o direito do possuidor de boa-fé aos frutos que ele percebeu durante o tempo em que estava em boa-fé. Ou seja, enquanto o possuidor não sabe que está possuindo de maneira irregular, ele tem direito aos frutos que a coisa produziu. Parágrafo único - Os frutos pendentes ao tempo em que cessar a boa-fé devem ser restituídos, depois de deduzidas as despesas da produção e custeio; devem ser também restituídos os frutos colhidos com antecipação. · Trata de um aspecto importante, ou seja, o que acontece quando a boa-fé do possuidor acaba. Quando o possuidor perde a boa-fé, ele deve restituir os frutos pendentes e colhidos antecipadamente. Art. 1.215, CC - Os frutos naturais e industriais reputam-se colhidos e percebidos, logo que são separados; os civis reputam-se percebidos dia por dia. · Distingue os tipos de frutos (naturais, industriais e civis) e estabelece quando eles são considerados colhidos e percebidos: 1. Frutos naturais e industriais: são considerados colhidos e percebidos quando são separados da coisa ou da produção. Isso pode ser no instante da colheita ou da retirada da linha de produção. 2. Frutos civis: são percebidos dia a dia, ou seja, o rendimento gerado por algo é considerado recebido à medida que passa o tempo, independentemente de quando efetivamente ocorre o pagamento. Art. 1.216, CC - O possuidor de má-fé responde por todos os frutos colhidos e percebidos, bem como pelos que, por culpa sua, deixou de perceber, desde o momento em que se constituiu de má-fé; tem direito às despesas da produção e custeio. · Trata da responsabilidade do possuidor de má-fé em relação aos frutos (naturais, industriais e civis) que ele colhe ou deixa de perceber, bem como das despesas que ele deve arcar durante o período em que ocupa o bem. O possuidor de má-fé responde por todos os frutos que colheu ou percebeu enquanto estava na posse do bem, ou seja, ele tem que devolver ou indenizar o legítimo proprietário pelos frutos retirados, porque ele não tinha direito à posse. Art. 1.217, CC - O possuidor de boa-fé não responde pela perda ou deterioração da coisa, a que não der causa. · O possuidor de boa-fé não será responsável pela perda ou deterioração da coisa caso não tenha dado causa para tais eventos. Se a coisa se perder ou se deteriorar devido a fatores externos, como um acidente, força maior, ou evento natural, a responsabilidade não recairá sobre o possuidor de boa-fé. Art. 1.218, CC - O possuidor de má-fé responde pela perda, ou deterioração da coisa, ainda que acidentais, salvo se provar que de igual modo se teriam dado, estando ela na posse do reivindicante. 1. Regula a responsabilidade do possuidor de má-fé quando ocorre a perda ou deterioração da coisa, estabelecendo que, mesmo que o evento seja acidental, o possuidor de má-fé será responsável, salvo em uma situação específica. A única exceção prevista pelo artigo é que o possuidor de má-fé pode se eximir da responsabilidade se ele conseguir provar que, se a coisa estivesse com o verdadeiro proprietário (reivindicante), o dano ou a perda teriam ocorrido da mesma forma. Art. 1.219, CC - O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis, bem como, quanto às voluptuárias, se não lhe forem pagas, a levantá-las, quando o puder sem detrimento da coisa, e poderá exercer o direito de retenção pelo valor das benfeitorias necessárias e úteis. · O possuidor de boa-fé tem direito à indenização pelas benfeitorias necessárias e úteis que realizou no imóvel, ou seja, ele será compensado pelo que investiu para conservar ou melhorar a coisa. Além disso, ele tem o direito de levantar-se (remover) as benfeitorias voluptuárias (melhorias estéticas), caso o verdadeiro proprietário não queira pagá-las, desde que não prejudique o bem. O possuidor de boa-fé também pode reter o bem até ser indenizado pelas benfeitorias feitas, ou seja, ele não precisa devolver a coisa até que seja ressarcido pelos custos das melhorias. Art. 1.220, CC - Ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias; não lhe assiste o direito de retenção pela importância destas, nem o de levantar as voluptuárias. · Limita os direitos do possuidor de má-fé no que diz respeito às benfeitorias realizadas no bem. O possuidor de má-fé só tem direito a ser indenizado pelas benfeitorias necessárias (que são essenciais para a manutenção do bem) e não pode reter a posse nem levantar as benfeitorias voluptuárias. Ele também não pode exigir o pagamento pelas melhorias feitas apenas para embelezamento ou prazer, como um jardim ou uma fonte decorativa. Art. 1.221, CC - As benfeitorias compensam-se com os danos, e só obrigam ao ressarcimento se ao tempo da evicção ainda existirem. · Estabelece que benfeitorias feitas pelo possuidor podem ser compensadas com os danos em casos de evicção, desde que essas benfeitorias ainda existam no momento da evicção. Esse dispositivo assegura que quem perde a posse do bem por evicção não seja prejudicado pelas melhorias feitas, embora a compensação seja limitada à existência das benfeitorias no momento da perda do bem. Art. 1.222, CC - O reivindicante, obrigado a indenizar as benfeitorias ao possuidor de má-fé, tem o direito de optar entre o seu valor atual e o seu custo; ao possuidor de boa- fé indenizará pelo valor atual. · Regula a forma como o reivindicante deve indenizar o possuidor de benfeitorias quando o imóvel é reivindicado. Ele diferencia o tratamento para possuidor de boa-fé e possuidor de má-fé: 1. Possuidor de boa-fé: O reivindicante deve pagar pelo valor atual das benfeitorias. 2. Possuidor de má-fé: O reivindicante pode escolher entre pagar pelo valor atual ou o custo das benfeitorias. Art. 1.223, CC - Perde-se a posse quando cessa, embora contra a vontade do possuidor, o poder sobre o bem, ao qual se refere o art. 1.196. · Trata da perda da posse, ocorrendo quando o possuidor deixa de exercer o poder sobre o bem. Isso pode acontecer, mesmo que contra a vontade do possuidor, devido a ações de terceiros ou a impossibilidade de manter o poder sobre o bem. O artigo destaca que a intenção do possuidor de manter a posse não impede a perda, sendo a cessação do controlesobre o bem o fator determinante. Art. 1.224, CC - Só se considera perdida a posse para quem não presenciou o esbulho, quando, tendo notícia dele, se abstém de retornar a coisa, ou, tentando recuperá-la, é violentamente repelido. · Trata do momento em que a posse é perdida após um esbulho, estabelecendo que o possuidor não perde a posse automaticamente se não presenciar o esbulho, mas deve agir para recuperá-la assim que souber do ocorrido. Se ele se abster ou for impedido de forma violenta, a posse será considerada perdida. Direito Real - Art. 1.225, CC - Ou seja, direitos reais não são ligados à Posse. Posse: É o poder sobre uma coisa/capacidade de uso. No Art. 1.196 do Código Civil, é dito que a Posse é uma ideia de situação fática que uma pessoa, independentemente de sua qualidade de proprietário, exerce poder sobre uma coisa, conservando-a e defendendo-a. Você age como dono fosse. O conceito de Posse é extraído dos Arts. 1.196, 1.198 e 1.208 do Código Civil. Caseiros, zeladores, porteiros etc., em tese, possui a posse, mas devido a um contrato de trabalho. · Estado de Fato - Tratada como aparência de propriedade, um estado de fato que revela o poder que uma pessoa tem sobre uma coisa, sem, necessariamente, ser dono dela; · Nem Todo Estado de Fato é Posse - A evolução do entendimento de posse levou ao estabelecimento de diferença entre esta e a meta detenção da coisa; · Obrigação Legislativa de Proteção da Posse - "A nenhum proprietário interessa que a posse não seja protegida, ainda que a coisa esteja sob posse direta". A Teoria de Savigny possui 2 (dois) elementos: 1. Detenção Física da Coisa; 2. Intenção de Ser Dono. Questão psíquica subjetiva - A Teoria de Hering (?) não dá importância à intenção, ou seja, vontade de se tornar dono. Para esta teoria, adotada pelo Código Civil, o possuidor será aquele que exerce poderes de dono, se comporta como se dono fosse (Art. 1.196, CC). Função Social da Propriedade - Saleiles adequa/moderniza a teoria de Hering (?) incorporando objetivo social e econômico à posse (usucapião coletiva - 5 anos). Art. 1200, CC - Na posse injusta, não há cômputo do prazo para fins de usucapião (posse e tempo). Contudo, em razão de um grande lapso temporal, poderá ter início a contagem do prazo para usucapião, o que deverá ser analisado no caso concreto. Art. 1.200, CC - É justa a posse que não for violenta, clandestina ou precária. · O que é posse? Posse é a relação de fato de uma pessoa com uma coisa (normalmente um bem imóvel ou móvel), como se ela fosse dona, ainda que não tenha o título de propriedade. 1. Posse violenta - É aquela obtida com o uso da força física ou moral, contra a vontade do antigo possuidor. Exemplo - João invade à força uma casa desabitada que sabia ser de Maria, quebrando o cadeado e trocando as fechaduras. 2. Posse clandestina - É aquela oculta, realizada às escondidas do verdadeiro possuidor, sem que ele perceba que perdeu a posse. Exemplo - Um funcionário de um galpão começa a usar parte da estrutura como depósito próprio, escondendo isso do empregador. 3. Posse precária - Ocorre quando alguém recebe a posse de forma legítima, mas depois passa a agir como se fosse dono, sem direito para isso. Exemplo - Maria empresta sua casa de praia a Ana por um mês. Após o prazo, Ana se recusa a devolver, alegando que agora vai morar lá. Usucapião É o meio originário de aquisição da propriedade e de outros direitos reais, decorrente da posse prolongada incontestada, mansa e pacífica por determinado período (prescrição aquisitiva) Art. 1.238, CC - Aquele que, por quinze anos, sem interrupção, nem oposição, possuir como seu um imóvel, adquire-lhe a propriedade, independentemente de título e boa-fé; podendo requerer ao juiz que assim o declare por sentença, a qual servirá de título para o registro no Cartório de Registro de Imóveis. · Trata da chamada usucapião extraordinária, uma forma legal de adquirir a propriedade de um imóvel por meio da posse prolongada, ininterrupta e com ânimo de dono, mesmo sem título ou boa-fé. Segundo o artigo, aquele que, por quinze anos, sem interrupção nem oposição, possuir como seu um imóvel, adquire-lhe a propriedade, podendo pedir ao juiz que reconheça isso por meio de sentença judicial, a qual servirá como título para o registro da propriedade no Cartório de Registro de Imóveis. Esse dispositivo tem como finalidade regularizar situações de fato consolidadas com o tempo, protegendo juridicamente pessoas que vivem, trabalham ou utilizam imóveis como se fossem os verdadeiros donos, ainda que sem escritura, contrato ou qualquer documento formal. A usucapião é, portanto, uma forma originária de aquisição da propriedade: a pessoa não "compra" de ninguém, mas se torna proprietária pelo tempo e pelo uso contínuo e pacífico da coisa. · Para que se configure a usucapião nos termos do art. 1.238, é necessário preencher os seguintes requisitos: 1. Posse por 15 anos: A pessoa deve exercer posse contínua, ou seja, sem interrupções, durante quinze anos seguidos. Se a pessoa ficar um tempo fora, abandonar o imóvel ou for retirada da posse, o prazo é interrompido e começa a contar novamente. 2. Sem oposição: Significa que a posse deve ser mansa e pacífica, ou seja, sem que o verdadeiro dono ou terceiros tenham contestado essa posse durante os 15 anos. Essa oposição pode ocorrer, por exemplo, por meio de uma ação judicial de reintegração de posse, uma notificação extrajudicial ou qualquer medida concreta de contestação. 3. Posse com ânimo de dono (animus domini): a pessoa deve agir como se fosse realmente a dona do imóvel. Isso inclui cuidar do imóvel, construir, morar, plantar, cercar, entre outros comportamentos típicos de quem é proprietário. Não se exige exclusividade: mesmo alguém que exerce posse compartilhada com outro também pode usucapir, desde que haja animus domini. 4. Não exige boa-fé nem título: diferentemente de outras espécies de usucapião, como a usucapião ordinária, esta modalidade não exige que a posse seja de boa-fé nem que a pessoa tenha um justo título. Ou seja, mesmo que a pessoa saiba que o bem pertence a outra, a lei ainda assim permite que ela adquira a propriedade se os demais requisitos forem cumpridos. 5. Reconhecimento judicial (ou extrajudicial): apesar de a pessoa se tornar, por força do tempo e da lei, proprietária do imóvel, ela precisa formalizar isso por meio de uma sentença judicial ou, em alguns casos, por meio de procedimento extrajudicial em cartório. A sentença ou a ata notarial servirá como título para registrar a propriedade no cartório, tornando o novo proprietário oficial perante a matrícula do imóvel. Parágrafo único - O prazo estabelecido neste artigo reduzir-se-á a dez anos se o possuidor houver estabelecido no imóvel a sua moradia habitual, ou nele realizado obras ou serviços de caráter produtivo. · Prevê a possibilidade de reduzir o prazo de 15 para 10 anos, caso o possuidor tenha estabelecido no imóvel a sua moradia habitual ou tenha realizado no local obras ou serviços de caráter produtivo. Isso ocorre, por exemplo, quando a pessoa vive no imóvel com sua família, planta alimentos, cria animais ou exerce alguma atividade econômica produtiva. Essa redução do prazo reconhece a função social da posse e da propriedade, valorizando quem dá utilidade ao imóvel e contribui para o seu aproveitamento. Art. 1.239, CC - Aquele que, não sendo proprietário de imóvel rural ou urbano, possua como sua, por cinco anos ininterruptos, sem oposição, área de terra em zona rural não superior a cinquenta hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho ou de sua família, tendo nela sua moradia, adquirir-lhe-á a propriedade. · Trata da usucapião especial rural, também conhecida como usucapião constitucional rural, por estar fundamentada tanto na legislação civil quanto no artigo 191 da Constituição Federal. Essa modalidade de usucapião permite que uma pessoa se torne proprietária de um imóvel rural que ocupa há pelo menos cinco anos, desde que cumpra determinados requisitos que envolvem posse, uso produtivoe moradia. O primeiro requisito essencial é que o possuidor não seja proprietário de nenhum outro imóvel, seja urbano ou rural. A pessoa deve estar em situação de real necessidade, ou seja, não pode ter outro bem onde morar ou produzir. Se a pessoa já possui uma casa na cidade ou um outro sítio registrado em seu nome, ela não poderá usar essa forma de usucapião. Além disso, a posse deve ser exercida com ânimo de dono, ou seja, a pessoa deve agir como se fosse proprietária do imóvel. Isso significa cuidar da terra, investir nela, usá-la como meio de vida. A posse também deve ser ininterrupta e sem oposição por pelo menos cinco anos. “Ininterrupta” quer dizer que a pessoa nunca pode ter abandonado o imóvel ou deixado de ocupá-lo nesse período. Já “sem oposição” significa que ninguém pode ter contestado essa posse, seja o verdadeiro proprietário, herdeiros ou terceiros. Outro requisito fundamental é que a área da terra não ultrapasse cinquenta hectares. Essa limitação de tamanho visa atender aos pequenos produtores, garantindo o direito à terra para quem a usa para subsistência familiar e não para grandes empreendimentos ou especulação. Mas não basta apenas ocupar a terra: o imóvel deve estar sendo usado de forma produtiva. A pessoa precisa tirar dali seu sustento, seja por meio da agricultura, pecuária, hortas, criação de animais etc. Esse uso deve ser feito pelo próprio possuidor ou por sua família, mostrando o trabalho direto, sem depender de empregados ou arrendamentos. Essa exigência reforça a ideia de que a terra deve cumprir sua função social, como previsto na Constituição. Além disso, o possuidor deve ter sua moradia no local, ou seja, deve residir habitualmente na área ocupada. Se todos esses requisitos forem cumpridos — ausência de outro imóvel, posse contínua por 5 anos, área inferior a 50 hectares, uso produtivo e moradia no local —, o possuidor adquire o direito de propriedade sobre a terra, mesmo que ela não tenha sido adquirida por compra, herança ou doação. Art. 1.240, CC - Aquele que possuir, como sua, área urbana de até duzentos e cinquenta metros quadrados, por cinco anos ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. · Institui a usucapião especial urbana, também conhecida como usucapião constitucional urbana, pois está prevista tanto no Código Civil quanto no artigo 183 da Constituição Federal. Essa modalidade busca garantir o direito à moradia de pessoas que ocupam terrenos urbanos pequenos de maneira pacífica e contínua, mas sem terem o título formal de propriedade. A usucapião urbana é destinada a pessoas que não são proprietárias de nenhum outro imóvel, seja urbano ou rural. Isso é fundamental: a finalidade é atender àqueles que não têm onde morar de forma legalizada, e não aqueles que já possuem propriedades. Além disso, é preciso que a pessoa tenha posse com ânimo de dono — ou seja, que aja como se fosse proprietária do terreno urbano. Isso significa morar no local, cuidar, zelar, construir, fazer melhorias etc. A posse deve ser ininterrupta, ou seja, sem abandono ao longo dos anos, e sem oposição, ou seja, sem contestação do verdadeiro dono ou de terceiros, durante cinco anos. Outro requisito essencial é que a área do terreno urbano não ultrapasse 250 metros quadrados. Trata-se de uma metragem pequena, pensada para beneficiar moradias populares em regiões urbanas densas. Se a área for maior do que isso, a pessoa poderá eventualmente recorrer a outro tipo de usucapião, como a extraordinária (art. 1.238), mas não a especial urbana. Além disso, a moradia habitual no local é indispensável. A pessoa deve viver de fato no imóvel, com sua família. Essa moradia não pode ser apenas esporádica ou de final de semana: o local precisa ser a residência principal do possuidor. Art. 1.240-A, CC - Aquele que exercer, por 2 (dois) anos ininterruptamente e sem oposição, posse direta, com exclusividade, sobre imóvel urbano de até 250m² (duzentos e cinquenta metros quadrados) cuja propriedade divida com ex-cônjuge ou ex- companheiro que abandonou o lar, utilizando-o para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio integral, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. · Cria uma modalidade de usucapião urbana especial familiar. Ele se aplica a casos em que dois cônjuges ou companheiros (ou seja, pessoas casadas ou em união estável) vivem juntos em um imóvel urbano que era de propriedade comum, mas um deles abandona o lar, e o outro permanece no imóvel, exercendo sozinho a posse com ânimo de dono por um determinado período. 1. Imóvel urbano de até 250 m² - Assim como na usucapião especial urbana (art. 1.240), essa modalidade também exige que o imóvel tenha até 250 metros quadrados e esteja localizado em zona urbana. 2. Propriedade comum do casal - O imóvel precisa estar registrado em nome de ambos os cônjuges ou companheiros. Ou seja, a casa pertence aos dois, mesmo que um deles tenha contribuído mais para a compra. 3. Abandono do lar por mais de dois anos - É necessário que um dos cônjuges ou companheiros tenha abandonado o lar e que esse abandono tenha durado por mais de dois anos ininterruptos, sem justificativa. Esse abandono pode ser físico (a pessoa simplesmente sai de casa e não volta mais) e pode ter um componente de descaso com as obrigações conjugais. Durante esse período, a outra pessoa precisa permanecer sozinha no imóvel, com ânimo de dono, ou seja, morando, cuidando, pagando as contas, zelando pela casa, como se fosse exclusivamente sua. 4. Ação judicial para declarar a propriedade - Passado o prazo de dois anos, a pessoa que permaneceu no imóvel pode ingressar com uma ação de usucapião familiar na Justiça. Se o juiz reconhecer que houve abandono e que os requisitos legais foram cumpridos, ele declarará a propriedade plena do imóvel em favor de quem ficou no lar. Essa sentença valerá como título para registro no Cartório de Registro de Imóveis. 5. Finalidade: proteção da família e da moradia - O objetivo do artigo 1.240-A é evitar que o cônjuge ou companheiro que abandonou a casa ainda tenha direito a metade do imóvel, mesmo depois de ter se desinteressado completamente da vida familiar e patrimonial. Essa regra protege especialmente mulheres com filhos pequenos, que com frequência permanecem na residência e arcam sozinhas com todas as despesas, enquanto o outro desaparece. 6. Importante: não exige boa-fé nem justo título - Assim como em outras modalidades de usucapião especial, não se exige boa-fé nem justo título. O que importa é o comportamento da pessoa que permaneceu no imóvel e o abandono injustificado do outro. Art. 1.241, CC - Poderá o possuidor requerer ao juiz seja declarada adquirida, mediante usucapião, a propriedade imóvel. · Permite que o possuidor de um imóvel peça ao juiz que declare a aquisição da propriedade por usucapião. Para isso, o possuidor deve cumprir os requisitos legais de usucapião, como a posse com ânimo de dono por tempo determinado. A sentença judicial que declara a propriedade servirá como título para o registro no Cartório de Imóveis, tornando o possuidor o legítimo proprietário. Esse artigo é essencial para transformar a posse em propriedade reconhecida formalmente, sendo necessário recorrer ao Judiciário para garantir os direitos do possuidor. Parágrafo único. A declaração obtida na forma deste artigo constituirá título hábil para o registro no Cartório de Registro de Imóveis. Art. 1.242, CC - Adquire também a propriedade do imóvel aquele que, contínua e incontestadamente, com justo título e boa-fé, o possuir por dez anos. · Trata da usucapião ordinária, que exige justo título e boa-fé para que o possuidor possa adquirir a propriedade de um imóvel. A principal característica dessa modalidade é o prazo de posse necessário para que o possuidor tenha o direito de pedir ao juiz que declare a aquisição da propriedade. · Com Justo Título e Boa-fé: O possuidor deve ter um título legítimo que justifiquea posse do imóvel (por exemplo, um contrato de compra e venda) e boa-fé, ou seja, ele deve acreditar de maneira honesta que está adquirindo o imóvel de for ma legal. · Prazo de 10 anos: O possuidor deve manter a posse do imóvel de maneira contínua e incontestada por 10 anos, sem que ninguém conteste sua propriedade durante esse período. Parágrafo único. Será de cinco anos o prazo previsto neste artigo se o imóvel houver sido adquirido, onerosamente, com base no registro constante do respectivo cartório, cancelada posteriormente, desde que os possuidores nele tiverem estabelecido a sua moradia, ou realizado investimentos de interesse social e econômico. Art. 1.243, CC - O possuidor pode, para o fim de contar o tempo exigido pelos artigos antecedentes, acrescentar à sua posse a dos seus antecessores (art. 1.207), contanto que todas sejam contínuas, pacíficas e, nos casos do art. 1.242, com justo título e de boa-fé. · Permite que o atual possuidor de um imóvel some à sua posse o tempo de posse dos antecessores, para completar o prazo exigido para usucapião. Para isso, todas as posses devem ter sido contínuas (sem interrupção), pacíficas (sem conflito) e, no caso da usucapião ordinária (art. 1.242), com justo título e boa-fé. Isso facilita a aquisição da propriedade mesmo quando o prazo legal foi completado por mais de uma pessoa. Art. 1.244, CC - Estende-se ao possuidor o disposto quanto ao devedor acerca das causas que obstam, suspendem ou interrompem a prescrição, as quais também se aplicam à usucapião. · Determina que as regras que impedem, suspendem ou interrompem a prescrição também se aplicam à usucapião. Isso significa que, em certas situações — como quando o verdadeiro proprietário é menor de idade, está ausente em missão oficial, ou entra com ação judicial — o prazo da usucapião pode não correr, ser pausado ou até reiniciar do zero, assim como ocorre com a prescrição de direitos. Descoberta Art. 1.233, CC - Quem quer que ache coisa alheia perdida há de restituí-la ao dono ou legítimo possuidor. · Determina que quem encontrar uma coisa perdida deve devolvê-la ao dono. Se não souber quem é o dono, deve tentar encontrá-lo. Caso não consiga, deve entregar o objeto à autoridade competente, como uma delegacia. A norma protege o direito de propriedade e impede que o achador se aproprie do bem. Parágrafo único. Não o conhecendo, o descobridor fará por encontrá-lo, e, se não o encontrar, entregará a coisa achada à autoridade competente. Art. 1.234, CC - Aquele que restituir a coisa achada, nos termos do artigo antecedente, terá direito a uma recompensa não inferior a cinco por cento do seu valor, e à indenização pelas despesas que houver feito com a conservação e transporte da coisa, se o dono não preferir abandoná-la. · Estabelece que quem encontra e devolve uma coisa perdida tem direito a uma recompensa mínima de 5% do valor do bem e ao reembolso das despesas que teve com a conservação e o transporte da coisa, caso o dono não prefira abandoná-la. Parágrafo único. Na determinação do montante da recompensa, considerar-se-á o esforço desenvolvido pelo descobridor para encontrar o dono, ou o legítimo possuidor, as possibilidades que teria este de encontrar a coisa e a situação econômica de ambos. · Permite que o valor da recompensa seja ajustado conforme o esforço feito pelo descobridor para encontrar o dono, as possibilidades que o dono tinha de recuperar o bem por conta própria, e a situação econômica de ambos. Assim, o artigo busca equilibrar o incentivo à devolução com a justiça nas recompensas. Art. 1.235, CC - O descobridor responde pelos prejuízos causados ao proprietário ou possuidor legítimo, quando tiver procedido com dolo. · Estabelece que o descobridor de uma coisa perdida será responsável pelos prejuízos causados ao verdadeiro dono se agir com dolo, ou seja, intencionalmente prejudicando o proprietário. Se não houver má-fé, o descobridor não será responsabilizado por danos. Art. 1.236, CC - A autoridade competente dará conhecimento da descoberta através da imprensa e outros meios de informação, somente expedindo editais se o seu valor os comportar. · Determina que a autoridade competente deve divulgar a descoberta de uma coisa perdida por meios de comunicação. Editais formais só serão expedidos se o valor do bem justificar essa divulgação, devido ao custo envolvido. Art. 1.237, CC - Decorridos sessenta dias da divulgação da notícia pela imprensa, ou do edital, não se apresentando quem comprove a propriedade sobre a coisa, será esta vendida em hasta pública e, deduzidas do preço as despesas, mais a recompensa do descobridor, pertencerá o remanescente ao Município em cuja circunscrição se deparou o objeto perdido. · estabelece que, após 60 dias da divulgação da coisa perdida sem que o dono apareça, o objeto será vendido em leilão. O valor da venda será usado para cobrir despesas e pagar a recompensa ao descobridor, com o saldo indo para o Município. Se o objeto tiver baixo valor, o Município pode optar por deixá-lo com quem o encontrou. Parágrafo único. Sendo de diminuto valor, poderá o Município abandonar a coisa em favor de quem a achou. Perda de propriedade - art 1275 cc Abre a sucessão quando o sujeito morre. Em tese, a propriedade é perpétua, permanece com a pessoa ou seus sucessores de modo indefinido ou até que por um meio legal, seja afastado do seu patrimônio. a) ato voluntário: · alienação (compra e venda - arts. 107/108/481/496 (conceito)/504 e doação - arts 107 e 108); · abandono; · renúncia b) involuntário: · perecimento; · desapropiedade Perpétua: art. 1784 cc Alienar = tornar alheia a coisa Propietário se desfaz do bem pois não quer mais ser dono Abandono: O mero desprezo físico não é prova de abandono, lero o art. 1276,cc a) ninguém esteja na posse b) 3 anos sem efetuar o pgto. das respectivas taxas e impostos Renúncia: negócio jurídico unilateral em que o proprietário declara formalmente e explicitamente a intenção de abdicar-se do bem, sem transmissão para outra pessoa. Fatos involuntários: não tem manifestação de vontade, são fatos relativos ao objeto, por meio da força da natureza ou ações antrópicas (ação do próprio ser humano). Quatro causas para desapropriação: · Utilidade pública - decreto lei 3365/41 · necessidade pública (urgência) - também no decreto; · interesse social - art. 184, cf · desapropriação, sanção de imovel que não cumpre - art. 8, estatuto da cidade Desapropriação direta - Administrativa, o proprietário concorda com o valor pago. Desapropriação direta - desapropriações judiciais. Direito de Vizinhança - Arts 1.277 a 1.313 do CC; a) Do uso anormal da propriedade; - Arts 1.277 a 1.281 do CC; Art. 1.277 Direito de Segurança tem como base o uso dos três "S". - Saúde Sossego e Segurança O P.Ú do art. 1.277 do CC fala da Teoria da Pré-ocupação que não é uma carta branca para o vizinho fazer o que bem entender. Art. 1278 Ex: Obras de metro, Hospital, Serviços públicos essenciais; Art. 1279 As ações de direito de vizinhança envolvem uma obrigação de fazer ou não fazer, sem prejuízo de indenização; Art. 1280 Caução é uma garantia com o intuito de garantias; Art. 1281 Uma pessoa tem o direito de fazer uma obra no seu imóvel. Ex: Uma passagem forçada ou passagem de cabos e tubulações; - Passagem forçada não se confunde com servidão de passagem. b) Das arvores limitrofes; - Arts 1.282 a 1.284 do CC; Três ocasiões/situações: - Arvore-meia; - Raízes e ramos; - Feutos; Art. 1.282: - Arvore-meia: No meio dos derrenos; -Tudo que esta relacionada a arbore-meia são ambos os vizinhos que decidem em conjunto com a concordância de ambas as partes; Art. 1.283: - Raízes e ramos: Ramos e raizes entrando e invadindo o imóvel vizinho; Art. 1.284: Este artigo é uma exceção ao artigo 1.232 que fala do principio do bem acessório (se eu sou o dono da arvore, eu também serei o dono da fruta) = regra O Art. 1284 menciona sobre os frutos caídos naturalmente e não considera-se as colheitas de forma antecipada e/ou forçadas. Ex: Maquinas que chacoalhampara derrubar os frutos. c) Passagem forçada e de cabos e tubulações Arts. 1.285 e 1.287 do CC; Passagem forçada é um direito de vizinhança; É um direito do DOMINANTE solicitar ao SERVIENTE a passagem forçada. Na passagem forçada, o imóvel DOMINANTE está completamente encravado ou o seu acesso/saída é extremamente precária, obsoleta, o que pode causar prejuízo a sua função social (Possui Jurisprudência contrarias e Analises de fato). O prédio DOMINANTE tem e deve indenizar o SERVIENTE. - Art. 1.285; - Art. 1.286; -Art. 1.287; Das Aguas Arts. 1.288 a 1.296 Aguas naturais: Agua da chuva, cachoeiras, que brota do terreno, etc... Aguas superficiais: Que são levadas pelo ser humano a algum lugar ou ao andar superior do predio; _________ Pesquisas de ações sobre o tema: TJ SP - 011017424.2010 Ação Condomínio - Arts. 1.314 e seguintes do Código Civil - Condomínio Voluntário - Art. 1.314 ao 1.326, CC; (Copropriedade). Alhear a Parte Ideal - Pode ser feita via Venda ou Doação. No caso da venda, deve ser garantido o direito de preferência dos demais coproprietários (Arts. 504 e 1.322 do CC). O que não acontece em caso de doação. Quando falamos em Condomínio, falamos em copropriedade. Em que cada condômino possui uma quota ideal, e não uma parcela material da coisa, por consequência todos possuem direitos iguais sob a totalidade da coisa, pois é um bem indivisível. Estabelecida em forma voluntária (acordo de verdade). - Sucessão - "Hereditariedade". Copropriedade traz muitos conflitos, como a manutenção e conservação do objeto. Alienação Judicial de Coisa Comum - Arbitramento de aluguel. Gravá-la =Dar em Garantia / Hipotecar Art. 1.315, CC - As despesas envolvem a manutenção e conservação da coisa, ou seja, benfeitorias necessárias, pois caso sejam benfeitorias voluptuárias ou úteis, todos devem concordar com tal melhoria e pgto proporcional. Estabelecer um contrato com a finalidade do imóvel, uso, etc, os direitos e obrigações dos coproprietários. Se não for possível, a administração será feita pela maioria calculada pelo valor dos quinhões. - Condomínio Necessário (?) - Art. 1.327/1.330, CC; - Condomínio Edilício - Art. 1.331 ao 1.358, CC. É aquele que se caracteriza pela justa posição de propriedades distintas e exclusivas, tendo cada coproprietário o uso exclusivo de sua unidade e a copropriedade, em fração, das áreas comuns. --------------------------------------------------------------- Aplicam-se também as vagas de garagem quando são levadas a leilão Art. 1.332, CC - Pode ser feita por escritura pública, testamento. O documento deve ser levado a registro para ter validade contra terceiros, sendo posteriormente redigido a convenção condominial. Convenção condominial VS Regimento Interno.Condomínio - Arts. 1.314 e seguintes do Código Civil. Continuacao O condomínio edilício não é PJ, pois falta a vontade de criar uma pessoa diversa dos membros que a compõe. *_Ente Despersonalizado_*, ou seja, um conjunto de direitos e deveres que não possui personalidade jurídica própria, mas que pode contratar, processar ou ser processado, tal qual ocorre com a *_massa falida e espólio_*. *_Arts. 1.335, 1.336 e 1.337 do Código Civil_* *_Art. 1.331, §1°_* - Vagas de garagem somente poderão ser alugadas para estranhos com autorização expressa na convenção. *_Art. 1.336, §2°_* - A convenção não pode determinar multas superiores ao teto deste artigo, ou seja, 5x o valor de sua contribuição mensal. Contudo, no caso do condômino anti social, *_a multa poderá ser de até 10x o valor da quota_*, sem prejuízo de posterior deliberação em assembleia. *_Art. 1.341, CC_* - Obras no condomínio. Pequenos reparos o síndico pode fazer (§1°). Obras urgentes e importarem despesas excessivas, deverá ser solucionado em assembleia (§2°). Não sendo urgentes, o síndico precisa da autorização dos moradores (assembleia - §3°). *_Art. 1.345, CC_* - Obrigação Propter Rem, acompanha a coisa. *_Multipropriedade - Art. 1.358, B, CC_*. Na multipropriedade, os coproprietários dividem a fração de tempo, ou seja, os multiproprietários terão direito de uso de forma alternada e exclusiva durante o período de tempo que adquiriu. *_Para cada período de tempo, é aberta uma nova matrícula._* *_Art. 1.358, C, CC_* - Conceito *_Art. 1.358, D, CC_* - Não se sujeita ação de divisão ou extinção. *_Art. 1.358, E, CC_* - Fração de Tempo. Mínimo de 7 dias (seguidos ou intercalados). Isonomia. Fixo. Flutuante (assembleia ou sorteio). Misto. *_Art. 1.358, J, §1°, II_* - Áreas comuns. --------------‐-‐---------------------------------------------- *_Art. 1.358, M, CC_* - Adm da Multipropriedade. *_Art. 1.358, N, CC_* - Fração de tempo destinada a manutenção. *_Art. 1.358, i, CC_* - Direitos e obrigações de cada proprietário. --------------------------------------------------------------- *_Direitos Reais de Uso ou Fruição_* São aqueles que conferem ao titular do direito de usar ou fruir bem alheio. Esses direitos são transmitidos com maior ou menor amplitude sobre imóvel que pertence a outra pessoa. 1. *_Direito de Superfície_* - Arts. 1.369 ao 1.377 do Código Civil. É aquele que o proprietário concede em favor de outrem (superficiário) o direito de construir ou de plantar em solo alheio, o superficiário terá o direito de propriedade das construções ou plantações, por tempo determinado em contrato. A propriedade do superficiário é resolúvel, pois o CC determina que seja estipulado um prazo de contrato. *_Sempre será feito através de Escritura Pública._* A concessão pode ser gratuita ou onerosa, cujo pgto poderá ser feito em uma única vez ou parcelado. Ler Art. 123 do CTN (Código Tributário Nacional) e enunciado 94 da Jornada de Direito Civil - para melhor compreensão do Art. 1.371 do CC. Necessário analisar jurisprudência para compreender a questão tributária (superficiário). 2. *_Alienação do Imóvel ou do Direito de Superfície_* - Art. 1.375, CC. A propriedade da construção passa a ser da proprietária do terreno, *_não havendo necessidade de pgto de indenização_*. 3. *_Desapropriação do Imóvel_* - Art. 1.376, CC. A indenização cabe ao proprietário e ao superficiário, no valor correspondente a cada direito real. *_Art. 1.373, CC_* - Tanto o direito de superfície, como a propriedade podem ser vendidos de forma separada, *_sendo necessária o conceber o direito de preferência tanto ao proprietário como ao superficiário_*. *_Art. 1.374, CC_* - Extinção do Direito de Superfície em caso do superficiário dar *_destinação diversa ao bem_*. image3.png