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PODER, AUTORIDADE, DOMINAÇÃO, LEGALIDADE E LEGITIMIDADE Diferentes concepções de poder e suas implicações Dominação, “capacidade de certos agentes obterem obediência para determinados mandatos”. Estado, “deve entender-se um instituto político de atividade continuada, quando e à medida que seu quadro administrativo mantenha com êxito a pretensão ao monopólio legítimo da coação física para a manutenção da ordem vigente”. “É o apoio do povo que empresta poder às instituições de um país, e este apoio não é mais que a continuação do consentimento que, de início, deu origem às leis. No governo representantivo, o povo supostamente controle os que governam. Todas as instituições políticas são manifestações e materializações de poder; petrificam e decaem quando o poder vivo do povo cessa de lhes sustentar”. (Arendt, idem, p. 120). ”O poder, para nossos propósitos, pode ser entendido, como a capacidade que a sociedade tem para mobilizar seus recursos no interesse de seus objetivos definidos como algo sancionado de maneira mais positiva do que permissiva pelo sistema como um todo – objetivos que são “afetados pelo interesse público. A quantidade do poder é um atributo do sistema total e uma função de muitas variáveis. Estas, segundo minha concepção, são: o apoio que pode ser mobilizado por aqueles que exercem o poder, os privilégios a que tem acesso (principalmente o controle da produtividade da economia), a legitimidade que pode ser conferida às posições dos detentores do poder, e a lealdade relativamente incondicional da população para com a sociedade em seus aspectos politicamente organizados. O centro de nossas considerações no presente momento será, acima de tudo, o fator apoio. [Parsons, T. ‘Poder, Partido e Sistema’ in Sociologia Política II, Rio de Janeiro: Zahar, 1970, pp. 9-10. FOUCAULT E O PODER “O que é o poder? (...) O que está em jogo é determinar quais são, em seus mecanismos, em seus efeitos, em suas relações, esses diferentes dispositivos de poder que se exercem, em níveis diferentes da sociedade, em campos e com extensões variadas. Grosso modo, acho que o que está em jogo em tudo isso é o seguinte: a análise do poder, ou a análise dos poderes, pode, de uma maneira ou de outra, ser deduzida da economia? [...] “...há um certo ponto em comum entre a concepção jurídica e, digamos, liberal do poder político – a que encontramos nos filósofos do século XVIII – e também a concepção marxista ou, em todo caso, uma certa concepção coerente que vale como sendo a concepção do marxismo. Esse ponto em comum seria aquilo que eu chamaria de ‘economicismo’ na teoria do poder. (...) no caso da teoria jurídica clássica do poder, o poder é considerado um direito do qual se seria possuidor como um bem (...) que seria da ordem da cessão ou do contrato. [...] ... Na concepção marxista geral do poder; nada disso, é evidente. Mas, vocês tem nessa concepção marxista algo diferente, que se poderia chamar de ‘funcionalidade econômica’ do poder. (...) Neste caso, o poder político encontra na economia sua razão de ser histórica.” [...] O poder não se dá, nem se troca, nem se retoma, mas ele se exerce e só existe em ato. (...) o poder não é primeiramente manutenção e recondução das relações econômicas, mas, em si mesmo, primariamente uma relação de força”. Foucault, M. Em defesa da sociedade. Curso no Collège de France, anos 1975-76. São Paulo, Martins Fontes, 1999, aula de 07/01/76, pp. 19-21.