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Rastreamento
SUMÁRIO
1. Conceito .............................................................................................................3
1.1. Rastreamento oportunístico.
1.2. Programas organizados de rastreamento
2. Critérios.. ............................................................................................................5
2.1. Magnitude ..............................................................................................................
2.2. Transcendência .....................................................................................................
2.3. Vulnerabilidade.....................................................................................................
2.4. História natural da doença ...................................................................................
2.5. Benefício comprovado do rastreamento.............................................................
3. Câncer de colo do útero ......................................................................................6
3.1. Indicações de rastreamento................................................................................. 8
3.2. Resultados do Papanicolau, suspeição e conduta .............................................
4. Câncer de mama .................................................................................................8
4.1. Indicações de rastreamento............................................................................... 11
4.2. Resultados, suspeição e conduta.......................................................................
5. Câncer de cólon e reto ......................................................................................11
5.1. Indicações de rastreamento............................................................................... 14
6. Câncer de próstata. ...........................................................................................11
7. Rastreamentos em pediatria .............................................................................11
7.1. Teste do pezinho ................................................................................................. 16
7.2. Teste da orelhinha .............................................................................................. 17
7.3. Teste do olhinho ..................................................................................................
8. Outros rastreamentos....................................................................................... 18
8.1. Rastreamento de risco cardiovascular .............................................................. 18
8.2. Rastreamento de Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS).................................. 19
8.3. Rastreamento de Diabetes Mellitus II................................................................ 20
8.4. Rastreamento de dislipidemia ........................................................................... 20
8.5. Outros rastreamentos......................................................................................... 21
REFERÊNCIAS.................................................................................................................. 22
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA...............................................................................................
Rastreamento   4
1. CONCEITO
O rastreamento consiste na realização de uma série de medidas diagnósticas, que 
incluem testes e exames, na população assintomática, com o objetivo de diagnosti-
car doenças latentes ou no seu estágio inicial.
É importante fazer a diferenciação entre seguimento da doença, investigação diag-
nóstica e rastreio. O seguimento da doença inclui os exames que são preconizados 
no processo de acompanhamento de uma doença já existente e diagnosticada, como, 
por exemplo, a solicitação de exames como glicemia em jejum, colesterol total, ECG e 
sumário de urina em pacientes conhecidamente hipertensos, uma vez que as lesões 
em órgãos-alvo, que podem ser identificadas através desses exames, fazem parte 
do desenvolvimento da doença. A investigação diagnóstica abarca a realização de 
exames com o objetivo de identificar a causa de um sintoma que gera queixa do pa-
ciente, como, por exemplo, a realização de um eletrocardiograma para pacientes com 
queixa dor precordial ou equivalentes anginosos. O rastreio, por sua vez, se trata da 
realização de exames e testes em pacientes sem nenhuma queixa em busca de um 
diagnóstico num estágio que o tratamento seja possível de ser realizado reduzindo 
morbidade e mortalidade do paciente em decorrência dessa enfermidade.
É possível observar nos países desenvolvidos uma transformação no foco dos 
cuidados clínicos que agora tem seu centro na prevenção, atuando de forma a ante-
cipar doenças futuras em pessoas saudáveis como prioridade de tratamento frente 
aos cuidados clínicos. No entanto, o sistema de saúde tem a função de prover cuida-
do efetivo às pessoas, famílias e grupos sociais em sofrimento de saúde já existente 
também, sendo de suma importância o equilíbrio de ações preventivas e de ações 
de cuidado clínico. Na realidade da saúde pública brasileira, o trabalho de prevenção 
é realizado primordialmente pela atenção primária à saúde e levando-se em consi-
deração que a cobertura de atenção primária ainda não consegue abarcar toda a 
população, rotinas de avaliação preventiva para todos os cidadãos ainda não é uma 
realidade possível.
Para que seja possível uma maior cobertura de rastreamento, geralmente os tes-
tes e exames aplicados inicialmente são de alta sensibilidade, garantindo que entre 
a população testada, grande parte dos positivos seja selecionada. No entanto, um 
exame ou teste positivo do rastreio não se traduz em diagnóstico. É necessário um 
segundo teste com maior especificidade para que o diagnóstico seja definido.
1.1. Rastreamento oportunístico
Consiste no rastreamento realizado a partir da busca inicial do indivíduo pelo sis-
tema de saúde e o aproveitamento do momento pelo profissional de saúde para a 
realização do rastreio de alguma doença ou fator de risco. É a forma mais comum ao 
redor do mundo, mas, apesar da sua importância, se demonstra menos efetivo em 
redução de morbidade e mortalidade, além de mais oneroso ao sistema de saúde.
Rastreamento   5
1.2. Programas organizados de rastreamento
Consistem no rastreamento sistematizado com o objetivo de detecção precoce 
de alguma doença ou fator de risco e normalmente são realizados por instituições 
de saúde de cobertura populacional, como os sistemas nacionais de saúde. Por 
abarcar o paciente desde o processo diagnóstico até o tratamento, quando for 
necessário, e por possuir um sistema de informação abrangente, os programas 
costumam apresentar maior eficiência. No Brasil, em decorrência de sua exten-
são territorial e densidade populacional, os programas de rastreamento são es-
truturados pela Atenção Primária à Saúde (APS). Os programas organizados de 
rastreamento caminham em confluência com a medicina baseada em evidências, 
realizando o rastreio apenas das condições com evidência e recomendação para 
intervenção precoce, permitindo mudança no curso natural da doença e, dessa for-
ma, reduzindo a morbimortalidade.
Para que obtenha êxito, os programas organizados devem conseguir rastrear a 
maior parte da população susceptível para possibilitar alguma mudança no panora-
ma coletivo e na redução dos indicadores da doença.
O acesso ao rastreamento é um dos aspectos fundamentais aos programas. 
Acesso aos programas constitui um direito assegurado da população, não deman-
dando a necessidade de requisição para realização do teste ou exame, já que não se 
trata de um diagnóstico e sim de cumprir critérios que habilitem o cidadão a partici-
par do programa de rastreamento.
Se todo participante precisasse se encaixar na agenda dos serviços da unidade 
com marcação e atendimento para recebimento dos resultados, considerando a 
realidade de altademanda que o Sistema Único de Saúde no Brasil possui, o proces-
so de rastreamento ficaria muito menos eficiente e sua cobertura sofreria de uma 
queda importante, de forma que é de fundamental importância que, uma vez que os 
critérios técnicos sejam obedecidos, os serviços permitam o acesso dos candidatos 
sem burocracia e critérios de agendamento.
Os programas de rastreamento devem ser comprovadamente benéficos. A detec-
ção de algumas doenças impacta diretamente o bem-estar dos pacientes, então o 
diagnóstico de uma doença de forma precoce, mas que o benefício do tratamento 
não supera amplamente os riscos e danos do processo diagnóstico e terapêutico, 
apenas traria ônus financeiro para o sistema de saúde e para a qualidade de vida do 
paciente. É importante destacar que a adesão aos programas de rastreamento é direi-
to do cidadão e pode, inclusive, ser recusada, devendo ser feita de forma voluntária.
É fundamental que o participante seja informado e orientado sobre o significado, o 
risco, os benefícios e as propriedades do processo diagnóstico e, se necessário, tera-
pêutico do programa de rastreio que será submetido.
O estabelecimento de programas de rastreamento organizados permite avaliação 
dos seus resultados e funcionamento, permitindo aprimoração do programa como 
um todo, a fim de garantir programas cada vez mais efetivos coletivamente.
Rastreamento   6
RASTREAMENTO OPORTUNÍSTICO PROGRAMAS ORGANIZADOS DE 
RASTREAMENTO
Realizado a partir da busca do paciente/ 
candidato pelo serviço de saúde
Realizado a partir da busca ativa da 
população-alvo pelas instituições
Menor alcance da população-alvo e, 
portanto, menor eficácia na redução de 
morbidade e mortalidade
Maior alcance da população-alvo pela 
busca ativa e, portanto, maior eficácia na 
redução da morbidade e mortalidade
TIPOS DE RASTREAMENTO
Quadro 1. Tipos de rastreamento. 
Fonte: Elaborado pela autora.
2. CRITÉRIOS
Com o objetivo de identificar as patologias que realmente apresentam uma redu-
ção da morbidade e mortalidade a partir de um rastreio da população saudável que 
seja possível dentro da realidade do sistema de saúde pública brasileiro; a medicina 
baseada em evidências irá contribuir para a construção de critérios para a realização 
do rastreamento.
2.1. Magnitude
A importância clínica da doença é um dos critérios para a implantação de um 
programa de rastreamento. Mortalidade, morbidade, letalidade, avanço do contágio, 
assim como seu impacto para a saúde pública e sua relevância para a população em 
geral são questões fundamentais a serem levadas em consideração para a determi-
nação do rastreio.
2.2. Transcendência
Os impactos sociais, para além da questão da saúde, que a patologia em questão 
tem para a população também serão utilizados como critério na hora de determinar 
a necessidade de um programa de rastreamento.
2.3. Vulnerabilidade
Como já foi comentado, é preciso que existam evidências de que a doença em 
questão pode ter sua história natural modificada a partir do tratamento precoce con-
tribuindo na redução tanto da sua morbidade quanto da sua mortalidade para que o 
programa de rastreamento tenha sentido.
Rastreamento   7
2.4. História natural da doença
É preciso conhecer o desenvolvimento da história natural da doença para saber se 
a intervenção precoce terá algum impacto de fato ou não, avaliando, portanto, a vali-
dade do programa de rastreamento. Além disso, o conhecimento da história natural 
da doença permite a definição de um estado pré-clínico conhecido que permita o ras-
treio precoce antes do desenvolvimento clínico da doença.
2.5. Benefício comprovado do rastreamento
É necessária a existência de um estudo prévio dos impactos do rastreamento da-
quela doença para garantir que sua aplicação será eficaz e trará benefícios coletivos 
e individuais aos pacientes submetidos a ele mais do que os riscos envolvidos no 
processo diagnóstico tratamento terapêutico precoce.
3. CÂNCER DE COLO DO ÚTERO
Excluindo-se o câncer de pele não melanoma, o câncer de colo do útero ou câncer 
cervical é a terceira neoplasia em incidência e a quarta causa de morte por câncer 
na população feminina do Brasil. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que 
no ano de 2020 surgiram cerca de 16.710 novos casos e ocorreram 6.627 mortes em 
decorrência do câncer cervical no Brasil.
Durante as últimas décadas tem sido observada a redução expressiva na morbi-
mortalidade do câncer do colo do útero em países desenvolvidos e que pode ser atri-
buída ao rastreamento de base populacional que foram implantados principalmente 
entre as décadas de 1950 e 1960. A redução em torno de 80% da incidência do cân-
cer de colo do útero observada nos países desenvolvidos relaciona-se diretamente 
com a ampliação do rastreio citológico feito com qualidade em conjunto com um 
seguimento apropriado das mulheres submetidas ao teste.
O método mais amplamente utilizado para o rastreio do câncer cervical é o teste 
chamado de Papanicolau ou exame citopatológico do colo do útero, com o objetivo 
de detectar lesões precursoras. O exame citopatológico requer treinamento para ga-
rantir uma coleta adequada de material, estrutura laboratorial com controle de qua-
lidade e preparo dos profissionais de saúde para garantir uma eficácia superior e o 
impacto positivo esperado para o programa de rastreamento.
A cobertura de no mínimo 80% da população-alvo do rastreio juntamente com a 
garantia de assistência diagnóstica e tratamento apropriado para resultados posi-
tivos pode reduzir de 60 a 90% a incidência de câncer invasivo no cérvix, de acordo 
com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Rastreamento   8
3.1. Indicações de rastreamento
De acordo com as diretrizes brasileiras, o exame citopatológico deve ser reali-
zado em mulheres com vida sexual ativa e que se encontrem na faixa etária entre 
os 25 e os 59 anos, justamente por ser nesse intervalo etário que são encontradas 
com maior frequência as lesões pré-malignas de alto grau que podem ser submeti-
das a tratamento antes de evoluírem para câncer. Abaixo dos 25 anos a epidemio-
logia demonstra uma prevalência de lesões de baixo grau que tendem a regredir 
espontaneamente, e a conduta indicada é observação. Acima dos 60 anos o risco 
de desenvolvimento de câncer de colo de útero inicia uma curva descendente pa-
ra as mulheres que tiveram acesso aos exames preventivos e não apresentaram 
resultados destoantes da normalidade. A indicação para manutenção do rastrea-
mento em mulheres entre os 60 e 65 anos é individualizada baseada nos resulta-
dos observados no período. Acima dos 65 anos é contraindicado manutenção de 
tratamento se houver normalidade dos exames, assim como é contraindicada a 
rotina de rastreamento para mulheres histerectomizadas por razões outras que não 
o câncer de colo de útero.
Saiba mais! Pacientes portadoras do vírus HIV ou imunodeprimi-
das devem realizar o exame citopatológico anualmente por conta da imunodefi-
ciência e uma maior vulnerabilidade para lesões precursoras do câncer de colo 
de útero.
Durante o início do rastreio, aos 25 anos das mulheres com vida sexual ativa, o 
Papanicolau deve ser realizado anualmente nos dois primeiros anos. Com os resulta-
dos normais, o exame deve ser realizado numa frequência de 3 em 3 anos.
Saiba mais! Apesar das recomendações do INCA e do Ministério 
da Saúde, alguns profissionais médicos mantêm a rotina anual de realização de 
exames citopatológicos mesmo para mulheres que não possuem nenhuma al-
teração nos exames. Estima-se que entre os 12 milhões de exames realizados 
anualmente (que cobririam em torno de 36 milhões de mulheres ou 80% da po-
pulação-alvo do programa), mais da metade são realizados por repetição anual 
antes do intervalo indicado levando à uma redução da efetividade do programa 
e de sua cobertura.
Rastreamento   9
RASTREAMENTO DE CÂNCER DE COLO DO ÚTERO
EXAME CITOPATOLÓGICO
Mulheres com vida sexual ativa e entre 25 e 59 anos
Realização anual nos 2 primeiros anosSe resultados normais, deve ser realizado a cada 3 anos
Quadro 2. Rastreamento do câncer de colo de útero. 
Fonte: Elaborado pela autora.
3.2. Resultados do Papanicolau, suspeição e 
conduta
A conduta de manutenção do rastreio com alteração do intervalo entre os exames 
ou necessidade de realização de um exame complementar vai depender do resultado 
do citopatológico.
RESULTADOS SUSPEIÇÃO CONDUTA
Normal ou alterações celulares benignas – Rotina do rastreamento
Atipias de 
significado
indeterminado
Em células 
escamos
Provavelmente não neoplásica Menor
Repetir citologia
em 6 meses
Não se pode afastar lesão de alto grau Maior Colposcopia
Em células 
glandulares
Provavelmente não neoplásica Maior Colposcopia
Não se pode afastar lesão de alto grau Maior Colposcopia
De origem 
indefinida
Provavelmente não neoplásica Maior Colposcopia
Não se pode afastar lesão de alto grau Maior Colposcopia
Atipias em 
células
escamosas
Lesão intraepitelial de baixo grau Maior
Repetir citologia
em 6 meses
Lesão intraepitelial de alto grau Maior Colposcopia
Lesão intraepitelial de alto grau não
podendo excluir microinvasão
Maior Colposcopia
Carcinoma epidermoide invasor Maior Colposcopia
Atipias em 
células 
glandulares
Adenocarcinoma in situ Maior Colposcopia
Adenocarcinoma invasor Maior Colposcopia
Quadro 3. Resultado do exame de Papanicolau, suspeição e conduta.
Fonte: Adaptado de DARAO/INCA.
Rastreamento   10
4. CÂNCER DE MAMA
Excetuando-se o câncer de pele não melanoma, o câncer de mama é a neoplasia 
de maior incidência e maior mortalidade na população feminina brasileira. Apesar de 
também acometer homens, seu acontecimento é raro, representando cerca de 1% do 
total de casos. Para o ano de 2021 foram estimados 66.280 novos casos, e em 2019 
o número de morte em decorrência da neoplasia foi de 18.068, alcançando a taxa de 
mortalidade de 14,23 óbitos/100.000 mulheres, ajustada pela população mundial.
Por tratar-se de um conjunto de doenças com desenvolvimentos clínicos distin-
tos, são esperadas diferentes manifestações clínicas, morfológicas, genéticas e, 
em decorrência disso, são tratados com distintas abordagens terapêuticas. Apesar 
de sua heterogeneidade, o câncer de mama em geral quando identificado ainda no 
início da progressão da doença (com lesões de até 2 cm), apresenta chance de cura 
de até 100%. Assim como ocorreu no câncer de colo de útero, nos países desenvol-
vidos que investiram em programas de rastreamento eficazes é possível observar 
queda nos índices de mortalidade da população em decorrência desse tipo de neo-
plasia, uma vez que a estimativa aponta que entre 25 e 30% das mortes por câncer 
de mama na população-alvo podem ser evitadas com programas de rastreamento 
bem executados que possuam alta cobertura populacional, qualidade técnica na re-
alização dos exames e disponibilizem um acompanhamento terapêutico adequando 
quando necessário.
O rastreamento para o câncer de mama, por mostrar-se eficiente com resultados 
positivos em diversos países desenvolvidos, foi adotado como política de saúde 
pública pela OMS. Como política de saúde pública, os critérios para o rastreamento 
seguem sendo debatidos a fim de buscar o equilíbrio que permita o maior benefício 
com o menor prejuízo, seja ele financeiro, de saúde ou mesmo psicológico.
Apesar de diversos estudos comprovarem os benefícios do rastreamento, ainda 
há de se levar em consideração as mortes por câncer de mama induzidas por ex-
posição à radiação, assim como a taxa de falso-positivo que resulta na realização 
de exames de alta complexidade e exposição da mulher ao estresse da incerteza 
diagnóstica e os chamados sobrediagnósticos e sobretratamentos, que ocorrem em 
consequência da existência de lesões malignas de comportamento pouco agressivo 
e que poderiam nunca evoluir ou evoluir de forma muito lenta, mas são identificadas 
e tratadas independentemente da certeza do progresso.
4.1. Indicações de rastreamento
O Consenso elaborado pelo INCA em parceria com gestores do SUS, sociedades 
cientificas e universidades define a mamografia e o exame clínico das mamas como 
os métodos preconizados para rastreamento de câncer de mama na rotina de aten-
ção à saúde da mulher.
Rastreamento   11
O risco de desenvolvimento de câncer de mama cresce com a idade, sendo pri-
mordial a avaliação de mulheres na faixa etária entre 50 e 69 anos através de mamo-
grafia bianual.
Para as mulheres que se encontram na faixa-etária entre 40 e 49 anos o exame 
clínico das mamas realizado anualmente é a indicação. Caso haja qualquer alteração 
no ECM, é indicada realização de mamografia.
Saiba mais! Mulheres acima de 35 anos que possuam fatores de 
risco conhecidos devem ser submetidas a rastreamento a partir dessa idade 
com ECM e mamografia a ser realizada anualmente.
RASTREAMENTO DE CÂNCER DE COLO DO ÚTERO
EXAME CLÍNICO DAS MAMAS
Mulheres entre 40 e 49 anos
Anualmente
Se tiver alguma alteração
MAMOGRAFIA
Mulheres entre 50 e 69 anos
A cada 2 anos
Quadro 4. Rastreamento do câncer de mama. 
Fonte: Elaborado pela autora.
4.2. Resultados, suspeição e conduta
O ECM deve ser descrito em todas as suas etapas (inspeção e palpação de região 
axilar, supraclavicular e tecido mamário) e é normal quando na ausência de anor-
malidades. Na presença de qualquer sinal de assimetria ou alteração, deve haver 
complementação na investigação através da realização de exames complementares 
incluindo mamografias, ultrassonografia, punção ou biópsia.
Alterações incluem desde a presença de nódulos, massas, retração mamilar ou 
mesmo de pele, modificações na coloração da pele, presença de ulcerações e de 
descarga papilar espontânea, esta última sempre deve ser investigada.
O Colégio Americano de Radiologia definiu um sistema de classificação dos resul-
tados de exames de mamografia que foram adotados após serem trazidos ao Brasil 
pelo Colégio Brasileiro de Radiologia em 2007. O Breast Imaging Reporting and Data 
System (BI-RADS) prevê uma conduta para cada resultado obtido em uma de suas 
categorias, numeradas de 0 a 6.
Rastreamento   12
BI-RADS Achados Conduta
1 Sem achados Rotina de rastreamento
2 Achados benignos Rotina de rastreamento
3 Achados provavelmente benignos
Controle ragiológico por 3 anos (Semestral no 
primeiro ano e anual nos dois seguintes). Se 
lesão estável, volta a rotina. Se não, biópsia.
4 Achados suspeitos de malignidade Biópsia e histopatológico
5 Achados altamente suspeitos de malignidade Biópsia e histopatológico
0 Inconclusiva Avaliação adicional
Quadro 5. Categoria BI-RADS® e condutas relacionadas.
Fonte: American College of Radiology; Colégio Brasileiro de Radiologia.
BI-RADS® 1 OU 2 BI-RADS® 3 BI-RADS® 0
Rotina de
rastreamento
Mamografia
diagnóstica
Manobras / Outras
incidências Ultrassonografia
Sem alterações Alterado
MAMOGRAFIA DE RASTREAMENTO
Mulheres de 50 a 69 anos
Sem alterações
AlteradoBiópsia
BI-RADS® 4 OU 5
Benigno
Encaminhar para o
oncologista
Maligno
Fluxograma 1. Fluxograma de procedimentos no rastreamento do câncer de mama. 
Fonte: Adaptado de INCA.
Rastreamento   13
5. CÂNCER DE CÓLON E RETO
O câncer colorretal ou de cólon e reto, abrange todos as neoplasias que surgem 
em região de intestino grosso (cólon, reto e ânus).
A estimativa brasileira é que para cada ano entre 2020 e 2022 surjam cerca de 
20.540 casos de câncer colorretal em homens e 20.470 em mulheres, correspon-
dendo ao risco estimado de 19,64 novos casos a cada 100 mil homens e 19,03 para 
cada 100 mil mulheres. Falando em estimativa global, o câncer colorretal é o terceiro 
com a maior incidência na população masculina com predomínio das taxas nos paí-
ses europeus como Hungria, Eslovênia, Eslováquia, Holanda e Noruega.
O desenvolvimento natural da história da doença costuma partir da evolução dos 
pólipos, que são lesões benignas e que costumam existir por 10 a 15 anos antes do 
desenvolvimento do câncer. Isso confere ao rastreamento um período relativamente 
longo pré-clínico.O rastreamento possibilita a prevenção da ocorrência da doença 
pela retirada dos pólipos intestinais e o diagnóstico ainda no início, permitindo uma 
taxa de sobrevida de 90% em 5 anos com acentuada redução da mortalidade.
A remoção de pólipos adenomatosos encontrados durante o rastreamento não 
configura uma conduta geral e vai se relacionar diretamente com o tamanho do póli-
po encontrado. Pólipos pequenos, menores que 1cm, dificilmente evoluem para cân-
cer. Já os pólipos maiores de 1cm representam o foco do rastreio para esse tipo de 
neoplasia.
5.1. Indicações de rastreamento
A pesquisa de sangue oculto nas fezes é a estratégia mais utilizada para rastrea-
mento de câncer colorretal e deve ser realizada em indivíduos entre 50 e 75 anos por 
tratar-se de um exame barato, não invasivo, de baixa complexidade e necessidade de 
aparato tecnológico.
Tanto realizado bianualmente quanto anualmente apresenta taxas semelhantes 
de redução na mortalidade desse tipo de câncer.
A presença de um resultado positivo na pesquisa de sangue oculto nas fezes indi-
ca a realização de um exame mais específico e invasivo: a colonoscopia.
São poucos os países ao redor do mundo que possuem programas nacionais de 
rastreamento da população-alvo para o câncer de intestino grosso. Isso se dá pelo 
valor preditivo positivo baixo do exame de pesquisa de sangue oculto nas fezes, re-
sultando numa quantidade grande de falsos-positivos (cerca de 80% do total dos re-
sultados positivos) que serão submetidos a um segundo exame, muito mais custoso 
e invasivo.
Rastreamento   14
Por conta disso programas de rastreamento populacional de câncer colorretal 
não tem se mostrado como uma possibilidade viável e eficiente diante dos custos 
encontrados a ponto de se tornar uma política pública a ser direcionada para toda a 
população. O que o Ministério da Saúde recomenda é a ampliação na divulgação de 
informações que auxiliem no diagnóstico precoce através de capacitação dos profis-
sionais de saúde para identificar os fatores de risco, campanhas de informação de 
sinais e sintomas de alerta para a população em geral, acesso facilitado à investiga-
ção diagnóstica de casos com suspeição e o acesso ao tratamento adequado quan-
do for necessário.
RASTREAMENTO DE CÂNCER DE CÓLON E RETO
Sangue oculto nas fezes
Pessoas entre 50 e 75 anos
Realização bianual ou anual
Se positivo, realizar colonoscopia
Quadro 6. Rastreamento do câncer de cólon e reto.
Fonte: Elaborado pela autora.
6. CÂNCER DE PRÓSTATA
É o segundo tipo de câncer mais frequente em homens no mundo todo. Em va-
lores absolutos, ou seja, levando-se em consideração tanto o sexo feminino quanto 
o masculino, ainda é o segundo mais comum. É considerado um câncer da terceira 
idade, já que é muito mais comum, cerca de 75% dos casos, acima dos 65 anos.
Abarca uma variedade de doenças que possuem desenvolvimento clínico distinto, 
podendo evoluir rapidamente e alcançar outros órgãos e sistemas levando à morte 
do indivíduo, mas na maioria dos casos possui progressão lenta podendo, inclusive, 
não apresentar sinal algum durante a vida ou trazer qualquer tipo de ameaça à vida 
do homem. No entanto, no momento do diagnóstico, nem sempre é possível deter-
minar se o câncer em questão possui as características mais agressivas ou mais 
indolentes.
O rastreamento do câncer de próstata através do toque retal, e a realização do tes-
te do antígeno prostático específico (PSA) é contraindicado pelo Ministério da Saúde 
pela ausência de evidência de benefícios que superem os malefícios na detecção do 
câncer de próstata em indivíduos assintomáticos.
Rastreamento   15
Dentre as limitações do PSA estão o fato de que o teste é tecido-específico, mas 
não é tumor-específico, apresentando aumento diante de qualquer alteração prostáti-
ca, levando a cerca de 66% dos homens com PSA alterado e sem câncer de próstata 
ao exame de biópsia. Além disso, em torno de 20% dos homens que possuem câncer 
de próstata com alterações clínicas importantes podem apresentar valores de PSA 
normais. O valor preditivo positivo é relativamente baixo levando a um alto número de 
falsos-positivos que serão submetidos à biópsia, que é um exame invasivo e incômodo 
de forma desnecessária. O PSA também não identifica o tipo ou estágio do câncer, vol-
tando à questão do sobretratamento em neoplasias com comportamento indolente.
A partir das evidências clínicas encontradas nos estudos desenvolvidos, a indica-
ção é de que não seja realizado o rastreamento para o câncer de próstata.
Saiba mais! A Sociedade de Urologia, assim como o INCA, afirma 
que os exames de rastreamento podem ser solicitados após decisão tomada 
em conjunto com o paciente, depois dele ser informado dos riscos, benefícios e 
ausência de orientação do Ministério da Saúde.
7. RASTREAMENTOS EM PEDIATRIA
7.1. Teste do pezinho
O teste do pezinho é preconizado pelo Ministério da Saúde desde 2001 e é realiza-
do através da coleta do sangue capilar do calcanhar do recém-nascido, idealmente 
entre o 3º e o 5º dia de vida. É um teste simples e que permite a identificação de 
doenças graves que não apresentam sintomas ao nascer, mas que o diagnóstico e o 
tratamento precoce podem prevenir danos graves e irreversíveis à saúde e ao desen-
volvimento da criança. É preconizado que todas as crianças recém-nascidas sejam 
submetidas ao rastreamento do teste do pezinho.
Anemia falciforme
O Brasil é um país de importância epidemiológica para a anemia falciforme, sendo 
uma das patologias genéticas mais comuns do país. O rastreamento permite o diag-
nóstico precoce que, por sua vez, irá possibilitar orientação adequada e intervenção 
preventiva tornando as crianças menos vulneráveis às dolorosas crises da anemia 
falciforme, infecções e a anemia crônica. É parte do rastreamento que o resultado do 
teste seja avaliado na primeira consulta do bebê em uma unidade de saúde.
É importante que a amostra seja coletada antes que ocorram transfusões sanguíneas, 
reduzindo-se a chance de falsos-negativos ocasionados pelo processo de transfusão.
Rastreamento   16
O teste consiste na eletroforese por focalização isoelétrica (FIE) ou cromatografia 
líquida de alta resolução (HPLC), ambos os métodos apresentando sensibilidade e 
especificidade altíssima para anemia falciforme.
Saiba mais! Crianças nascidas muito prematuramente podem 
apresentar falso-positivo ao exame do teste do pezinho pela dificuldade na de-
tecção de hemoglobina adulta.
Em caso de resultado positivo, o recém-nascido deve ser encaminhado para reali-
zação de testes para a definição do diagnóstico antes de completar 2 meses de vida 
para que o tratamento seja iniciado antes do início do quarto mês, como preconizado, 
e devem possuir acompanhamento adequado para permitir orientação dos genitores 
e prevenção de crises de agudização, infecções e ocorrência de anemia crônica.
Hipotireoidismo congênito
Com uma incidência de 1 para cada 2.500 a 4.000 nascidos vivos, o hipotireoidis-
mo congênito é a doença endócrina mais frequente em infantes e é a causa mais 
frequente de retardo mental evitável.
No teste são dosados os valores de T4 e/ou TSH e caso o resultado apresente al-
terações, o recém-nascido deve ser direcionado para a realização de exames comple-
mentares para definição do diagnóstico e início do tratamento com reposição hormonal 
dentro das duas primeiras semanas de vida. A existência de falso-positivo demanda 
certo rigor na conferência da realização de testes confirmatórios, já que apenas 1 a ca-
da 25 resultados positivos realmente se tratam de hipotireoidismo congênito.
Fenilcetonúria
Também rastreada através do teste do pezinho a fenilcetonúria consiste em um de-
feito do metabolismo da fenilalanina e que ocorre com uma incidência de 1 caso para 
cada 12 a 15 mil recém-nascidos em território nacional. É uma outra patologia que po-
de levar ao desenvolvimento de retardo mental sério se não tratada precocemente.
O exame é realizado pela dosagem quantitativa da fenilalanina(FAL) na amostra 
retirada pelo capilar do calcanhar do neném. A detecção da FAL exige ingestão pré-
via de proteína pela criança, sendo indicada após 2 dias de vida, quando já ocorreu 
amamentação. Crianças de risco que não foram alimentadas com leite materno de-
vem ser submetidas ao teste se estiverem em uso de dieta parenteral com aminoáci-
dos essenciais.
Em caso de resultado positivo na triagem, o paciente deve ser encaminhado para 
seguimento com consultas frequentes e inicio do tratamento pela restrição de feni-
lalanina de forma mais precoce possível evitando, dessa forma, problemas no desen-
volvimento neurológico do infante.
Rastreamento   17
7.2. Teste da orelhinha
É um teste com evidência comprovada de precisão que permite a identificação 
precoce e o tratamento da perda auditiva nos recém-nascidos. A perda auditiva pode 
dificultar o desenvolvimento de habilidades comunicativas, tanto verbais quanto não 
verbais, ampliar a ocorrência de desordens comportamentais e diminuição do bem-
-estar psicossocial durante o desenvolvimento.
É preconizado que todas as crianças devem ser rastreadas antes do primeiro 
mês de vida, sendo o ideal a realização do teste ainda na maternidade. O rastrea-
mento pode ser realizado em uma ou duas etapas. O rastreamento em duas etapas, 
mais frequentemente aplicado, consiste na emissão otoacústica seguida por uma 
resposta auditiva do tronco cerebral. Os falsos-positivos podem ser evitados com 
preparação técnica adequada da equipe para aplicação do teste e a utilização de 
instrumento de qualidade para realização do teste. Em caso de resultado positivo, o 
infante deve ser avaliado por equipe médica e fonoaudiológica antes de completar 
3 meses de nascido para que seja realizada confirmação diagnóstica e acompanha-
mento subsequente.
7.3. Teste do olhinho
O rastreamento realizado através do teste do olhinho permite a detecção precoce 
de condições como a ambliopia, redução da acuidade visual e estrabismo. É indica-
do que seja realizado antes dos 5 anos de idade através de consulta oftalmológica 
na qual serão realizados testes como Hirschberg para avaliação de estrabismo, ins-
peção e Snellen para avaliação de acuidade visual.
Antes dos 5 anos de idade
Até o primeiro mês
Antes dos 5 anos de idade
EstrabismoFenilcetonúria
Redução da acuidade
visualHipotireoidismo congênito
Perda auditiva AmbliopiaAnemia falciforme
TESTE DA ORELHINHA TESTE DO OLHINHOTESTE DO PEZINHO
RASTREAMENTOS NA PEDIATRIA
Quadro 7. Rastreamentos na pediatria.
Fonte: Elaborado pela autora.
Rastreamento   18
8. OUTROS RASTREAMENTOS
8.1. Rastreamento de risco cardiovascular
Diversas doenças que antes possuíam seu risco avaliado individualmente, agora 
são avaliadas dentro de um espectro de condições que podem ser traduzidas em 
doenças que aumentam o risco cardiovascular. Estratégias têm sido desenvolvidas 
com a finalidade de tornar objetiva a estimativa de risco de cardiovascular com 
maior precisão. Uma forma acessível, fácil e de baixa complexidade tecnológica para 
construir uma estimativa de risco é através da consulta, na anamnese e no exame 
físico coletar dados que possam compor um quadro de risco como dados epide-
miológicos, hábitos de vida, histórico familiar, entre outros. A associação de fatores 
representa aumento do risco cardiovascular.
Um dos métodos mais utilizados na estimativa de risco resultou de um estudo de 
coorte que colocou sob avaliação importantes variáveis para suspeição de risco car-
diovascular, o escore de Framingham que divide os critérios em alto risco, baixo risco
e risco intermediário.
Na prática a determinação do risco cardiovascular vai definir a classificação do 
paciente em três tipos:
1. Paciente com menos de 10% de chance de morrer em decorrência de um aci-
dente vascular encefálico (AVE) ou infarto agudo do miocárdio (IAM) nos próxi-
mos 10 anos – Para pacientes que possuem apenas um fator de risco baixo ou 
intermediário, não necessitando calcular risco cardiovascular.
2. Paciente com chance maior ou igual a 20% de morrer por AVC ou IAM nos pró-
ximos 10 anos. – Para pacientes que apresentarem pelo menos um fator de 
risco alto cardiovascular.
3. O risco deve ser calculado para pacientes que apresentam mais de um fator de 
risco baixo ou intermediário com o objetivo de alocá-lo em nível de risco.
Após a definição do paciente em baixo, intermediário ou alto risco, devem ser de-
finidas metas de controle pressórico, perfil lipídico, entre outros, objetivando a redu-
ção da morbidade e da mortalidade do paciente.
8.2. Rastreamento de Hipertensão Arterial 
Sistêmica (HAS)
Doença crônica extremamente prevalente que contribui para desenvolvimento de 
outras doenças e outros efeitos deletérios na saúde do paciente, entre eles o aumen-
to da probabilidade de ataques cardíacos, insuficiência renal e AVC.
Rastreamento   19
A indicação é que a partir dos 18 anos todo adulto deva possuir ao menos uma 
aferição de pressão arterial (utilizando técnica adequada e aparelho validado e ca-
librado) registrada em prontuário no último ano. Existem diversas formas de definir 
o diagnóstico de HAS. Pode ser feito através de medida ambulatorial que apresente 
pressão sistólica maior ou igual a 140 mmHg ou uma pressão diastólica maior ou 
igual a 90 mmHg em duas ou mais aferições em pelo menos duas ou mais visitas 
no período de uma ou mais semanas. Além da medida ambulatorial, a Monitorização 
Ambulatorial da PA (MAPA) de 24h realizada com aparelho que fará medições auto-
máticas durante 24h. A Medição Residencial da Pressão Arterial (MRPA) consiste na 
medição residencial da pressão arterial com registro dos valores.
A estimativa é que seja necessário rastrear de 274 a 1.307 pessoas para hiperten-
são ao longo de 5 anos com tratamento para evitar uma morte.
Classificação de PA PA sistólica (mmHg) PA diastólica (mmHg)
Normal 160 OU > 100
Quadro 8. Estratificação dos níveis pressóricos.
Fonte: Adaptado de National Heart Lung and Blood Institute.
Estágio Conduta
Normal Reavaliar em 2 anos
Pré-hipertensão Reavaliar em 1 ano
HAS – Estágio 1 Confirmar em 2 meses
HAS – Estágio 2
Avaliar e/ou referir para serviço de cuidados em até 1 mês.
Para pacientes com níveis pressóricos muito altos (>180/110 mmHg), avaliar e tratar 
imediatamente ou dentro de uma semana no máximo, dependendo da situação 
clínica e complicações envolvidas.
Quadro 9. Recomendação de acompanhamento baseado na aferição da PA inicial.
Fonte: Adaptado de National Heart Lung and Blood Institute.
8.3. Rastreamento de Diabetes Mellitus II
A prevalência de doenças crônicas como a Diabetes Mellitus tipo II (DM2) tem 
crescido conforme ocorre o aumento da expectativa de vida de população. A preva-
lência no Brasil atualmente é de cerca de 9,2%, e a doença atinge o primeiro lugar 
como causa de cegueira, doença renal e infecções distais de membros levando à 
amputação, além do aumento da mortalidade por eventos cardiovasculares.
Rastreamento   20
O controle dos índices glicêmicos apresentou comprovada redução dos danos mi-
crovasculares, mas podem demorar anos para serem percebidos.
O rastreamento deve ser realizado com exame de glicemia em jejum a cada 3 
anos a partir dos 45 anos. Para pacientes com risco cardiovascular moderado ou al-
to, deve ser iniciada desde o primeiro contato, independentemente da idade.
8.4. Rastreamento de dislipidemia
É comprovado que a dislipidemia assintomática em homens e mulheres, quando 
tratada preventivamente, pode reduzir a chance de eventos cardiovasculares futuros. 
O alto índice de colesterol total, da lipoproteína de baixa densidade de colesterol 
(LDL-C) e os baixos níveis de lipoproteína de alta densidade de colesterol (HDL-C) 
são fatores de risco importantes para o desenvolvimento da doença arterial corona-
riana (DAC).
O rastreio deve ser realizado com solicitação de colesterol total, HDL e triglice-
rídeosa cada 5 anos a partir dos 35 anos de idade para homens e 45 anos para as 
mulheres.
O risco de desenvolvimento de DAC é maior nos pacientes que possuem mais de 
um fator de risco, sendo recomendado rastreamento a partir dos 20 anos para ho-
mens ou mulheres que sejam classificados como pacientes de alto risco para desen-
volvimento de DAC.
8.5. Outros rastreamentos
O Ministério da Saúde não preconiza o rastreamento de doenças da tireoide, mas
é indicado pela Sociedade de Endocrinologia que seja realizada a medição do TSH 
a cada 5 anos a partir dos 35 anos.
Obesidade, tabagismo e abuso de álcool são condições que devem ser investi-
gadas durante consultas de rotina com o objetivo de traçar um perfil de risco para 
o paciente e intervir precocemente evitando desfechos desfavoráveis pela progres-
são da condição. O tabagismo e o abuso de álcool devem ser rastreados através do 
questionamento em hábitos de vida durante a anamnese, lembrando de quantificar 
em prontuário o consumo do paciente e o período de tempo de uso. Já a obesidade 
é rastreada através do exame físico pelos dados antropométricos e avaliação do 
Índice de Massa Corporal (IMC), que apesar de pouco específico para obesidade, ser-
ve para dar um panorama geral do paciente.
Rastreamento   21
Câncer de colón e 
reto
Câncer de mama
Câncer de colo de
útero
Rastreamento de
câncer
RASTREAMENTOS
Teste do olhinho
Teste da orelhinha
Teste do pezinho
Rastreamento na
pediatria
Dislipidemia
Diabetes 
Mellitus 2
Hipertensão 
arterial
sistêmica
Risco
cardiovascular
Rastreamento
clínico
Etilismo
Tabagismo
Outros
rastreamentos
Obesidade
Quadro 10. Resumo dos rastreamentos.
Fonte: Elaborado pela autora.
Rastreamento   22
REFERÊNCIAS
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Estratégicas. Divisão de Apoio à Rede de Atenção Oncológica. Diretrizes brasilei-
ras para o rastreamento do câncer do colo do útero / Instituto Nacional de Câncer. 
Coordenação Geral de Ações Estratégicas. Divisão de Apoio à Rede de Atenção 
Oncológica. – Rio de Janeiro: INCA, 2011.
INCA – Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Parâmetros téc-
nicos para rastreamento do câncer de mama. / Instituto Nacional de Câncer José 
Alencar Gomes da Silva. – Rio de Janeiro: INCA, 2021.
National Heart Lung and Blood Institute, 2004 – NATIONAL HEART LUNG AND 
BLOOD INSTITUTE. The seventh report of the joint national committee on prevention, 
detection, evaluation, and treatment of high blood pressure, 2004.
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
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Disponível em: https://gco.iarc.fr/today/home. Acesso em: 3 maio 2021.
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cer de mama no Brasil: síntese de dados dos sistemas de informação. Rio de Janeiro:
INCA, 2019a. Disponível em: https://www.inca.gov.br/publicacoes/livros/situacao-do-
-cancer-de-mama-no-brasil-sintese-de-dados-dos-sistemas-de-informacao. Acesso 
em: 10 ago. 2021.
Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA). Atlas da mortali-
dade. Rio de Janeiro: INCA, 2021a. Disponível em: https://www.inca.gov.br/app/mor-
talidade. Acesso em: 18 jan. 2021.
Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA). Estimativa 2020: 
incidência do Câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2019b. Disponível em: https://
www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files/media/document/estimativa-2020-inci-
dencia-de-cancer-no-brasil.pdf. Acesso em: 12 maio 2021.
Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA). Parâmetros téc-
nicos para rastreamento do câncer de mama. Rio de Janeiro: INCA, 2021b. ISBN 
978-65-88517-25-3.
Ministério da Saúde (BR). Rastreamento. Brasília: Ministério da Saúde, 2010. (Série A. 
Normas e Manuais Técnicos) (Cadernos de Atenção Primária n. 29). 
Ministério da Saúde (BR). Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Protocolos 
de encaminhamento da atenção básica para a atenção especializada. Volume 7: 
Proctologia. Versão Preliminar. Brasília. Brasília: Ministério da Saúde; UFRGS, 2016. 
Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/protocolos_atencao_ba-
sica_especializada_ proctologia_v_VII.pdf. Acesso: 17 ago. 2021.
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