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Rastreamento SUMÁRIO 1. Conceito .............................................................................................................3 1.1. Rastreamento oportunístico. 1.2. Programas organizados de rastreamento 2. Critérios.. ............................................................................................................5 2.1. Magnitude .............................................................................................................. 2.2. Transcendência ..................................................................................................... 2.3. Vulnerabilidade..................................................................................................... 2.4. História natural da doença ................................................................................... 2.5. Benefício comprovado do rastreamento............................................................. 3. Câncer de colo do útero ......................................................................................6 3.1. Indicações de rastreamento................................................................................. 8 3.2. Resultados do Papanicolau, suspeição e conduta ............................................. 4. Câncer de mama .................................................................................................8 4.1. Indicações de rastreamento............................................................................... 11 4.2. Resultados, suspeição e conduta....................................................................... 5. Câncer de cólon e reto ......................................................................................11 5.1. Indicações de rastreamento............................................................................... 14 6. Câncer de próstata. ...........................................................................................11 7. Rastreamentos em pediatria .............................................................................11 7.1. Teste do pezinho ................................................................................................. 16 7.2. Teste da orelhinha .............................................................................................. 17 7.3. Teste do olhinho .................................................................................................. 8. Outros rastreamentos....................................................................................... 18 8.1. Rastreamento de risco cardiovascular .............................................................. 18 8.2. Rastreamento de Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS).................................. 19 8.3. Rastreamento de Diabetes Mellitus II................................................................ 20 8.4. Rastreamento de dislipidemia ........................................................................... 20 8.5. Outros rastreamentos......................................................................................... 21 REFERÊNCIAS.................................................................................................................. 22 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA............................................................................................... Rastreamento 4 1. CONCEITO O rastreamento consiste na realização de uma série de medidas diagnósticas, que incluem testes e exames, na população assintomática, com o objetivo de diagnosti- car doenças latentes ou no seu estágio inicial. É importante fazer a diferenciação entre seguimento da doença, investigação diag- nóstica e rastreio. O seguimento da doença inclui os exames que são preconizados no processo de acompanhamento de uma doença já existente e diagnosticada, como, por exemplo, a solicitação de exames como glicemia em jejum, colesterol total, ECG e sumário de urina em pacientes conhecidamente hipertensos, uma vez que as lesões em órgãos-alvo, que podem ser identificadas através desses exames, fazem parte do desenvolvimento da doença. A investigação diagnóstica abarca a realização de exames com o objetivo de identificar a causa de um sintoma que gera queixa do pa- ciente, como, por exemplo, a realização de um eletrocardiograma para pacientes com queixa dor precordial ou equivalentes anginosos. O rastreio, por sua vez, se trata da realização de exames e testes em pacientes sem nenhuma queixa em busca de um diagnóstico num estágio que o tratamento seja possível de ser realizado reduzindo morbidade e mortalidade do paciente em decorrência dessa enfermidade. É possível observar nos países desenvolvidos uma transformação no foco dos cuidados clínicos que agora tem seu centro na prevenção, atuando de forma a ante- cipar doenças futuras em pessoas saudáveis como prioridade de tratamento frente aos cuidados clínicos. No entanto, o sistema de saúde tem a função de prover cuida- do efetivo às pessoas, famílias e grupos sociais em sofrimento de saúde já existente também, sendo de suma importância o equilíbrio de ações preventivas e de ações de cuidado clínico. Na realidade da saúde pública brasileira, o trabalho de prevenção é realizado primordialmente pela atenção primária à saúde e levando-se em consi- deração que a cobertura de atenção primária ainda não consegue abarcar toda a população, rotinas de avaliação preventiva para todos os cidadãos ainda não é uma realidade possível. Para que seja possível uma maior cobertura de rastreamento, geralmente os tes- tes e exames aplicados inicialmente são de alta sensibilidade, garantindo que entre a população testada, grande parte dos positivos seja selecionada. No entanto, um exame ou teste positivo do rastreio não se traduz em diagnóstico. É necessário um segundo teste com maior especificidade para que o diagnóstico seja definido. 1.1. Rastreamento oportunístico Consiste no rastreamento realizado a partir da busca inicial do indivíduo pelo sis- tema de saúde e o aproveitamento do momento pelo profissional de saúde para a realização do rastreio de alguma doença ou fator de risco. É a forma mais comum ao redor do mundo, mas, apesar da sua importância, se demonstra menos efetivo em redução de morbidade e mortalidade, além de mais oneroso ao sistema de saúde. Rastreamento 5 1.2. Programas organizados de rastreamento Consistem no rastreamento sistematizado com o objetivo de detecção precoce de alguma doença ou fator de risco e normalmente são realizados por instituições de saúde de cobertura populacional, como os sistemas nacionais de saúde. Por abarcar o paciente desde o processo diagnóstico até o tratamento, quando for necessário, e por possuir um sistema de informação abrangente, os programas costumam apresentar maior eficiência. No Brasil, em decorrência de sua exten- são territorial e densidade populacional, os programas de rastreamento são es- truturados pela Atenção Primária à Saúde (APS). Os programas organizados de rastreamento caminham em confluência com a medicina baseada em evidências, realizando o rastreio apenas das condições com evidência e recomendação para intervenção precoce, permitindo mudança no curso natural da doença e, dessa for- ma, reduzindo a morbimortalidade. Para que obtenha êxito, os programas organizados devem conseguir rastrear a maior parte da população susceptível para possibilitar alguma mudança no panora- ma coletivo e na redução dos indicadores da doença. O acesso ao rastreamento é um dos aspectos fundamentais aos programas. Acesso aos programas constitui um direito assegurado da população, não deman- dando a necessidade de requisição para realização do teste ou exame, já que não se trata de um diagnóstico e sim de cumprir critérios que habilitem o cidadão a partici- par do programa de rastreamento. Se todo participante precisasse se encaixar na agenda dos serviços da unidade com marcação e atendimento para recebimento dos resultados, considerando a realidade de altademanda que o Sistema Único de Saúde no Brasil possui, o proces- so de rastreamento ficaria muito menos eficiente e sua cobertura sofreria de uma queda importante, de forma que é de fundamental importância que, uma vez que os critérios técnicos sejam obedecidos, os serviços permitam o acesso dos candidatos sem burocracia e critérios de agendamento. Os programas de rastreamento devem ser comprovadamente benéficos. A detec- ção de algumas doenças impacta diretamente o bem-estar dos pacientes, então o diagnóstico de uma doença de forma precoce, mas que o benefício do tratamento não supera amplamente os riscos e danos do processo diagnóstico e terapêutico, apenas traria ônus financeiro para o sistema de saúde e para a qualidade de vida do paciente. É importante destacar que a adesão aos programas de rastreamento é direi- to do cidadão e pode, inclusive, ser recusada, devendo ser feita de forma voluntária. É fundamental que o participante seja informado e orientado sobre o significado, o risco, os benefícios e as propriedades do processo diagnóstico e, se necessário, tera- pêutico do programa de rastreio que será submetido. O estabelecimento de programas de rastreamento organizados permite avaliação dos seus resultados e funcionamento, permitindo aprimoração do programa como um todo, a fim de garantir programas cada vez mais efetivos coletivamente. Rastreamento 6 RASTREAMENTO OPORTUNÍSTICO PROGRAMAS ORGANIZADOS DE RASTREAMENTO Realizado a partir da busca do paciente/ candidato pelo serviço de saúde Realizado a partir da busca ativa da população-alvo pelas instituições Menor alcance da população-alvo e, portanto, menor eficácia na redução de morbidade e mortalidade Maior alcance da população-alvo pela busca ativa e, portanto, maior eficácia na redução da morbidade e mortalidade TIPOS DE RASTREAMENTO Quadro 1. Tipos de rastreamento. Fonte: Elaborado pela autora. 2. CRITÉRIOS Com o objetivo de identificar as patologias que realmente apresentam uma redu- ção da morbidade e mortalidade a partir de um rastreio da população saudável que seja possível dentro da realidade do sistema de saúde pública brasileiro; a medicina baseada em evidências irá contribuir para a construção de critérios para a realização do rastreamento. 2.1. Magnitude A importância clínica da doença é um dos critérios para a implantação de um programa de rastreamento. Mortalidade, morbidade, letalidade, avanço do contágio, assim como seu impacto para a saúde pública e sua relevância para a população em geral são questões fundamentais a serem levadas em consideração para a determi- nação do rastreio. 2.2. Transcendência Os impactos sociais, para além da questão da saúde, que a patologia em questão tem para a população também serão utilizados como critério na hora de determinar a necessidade de um programa de rastreamento. 2.3. Vulnerabilidade Como já foi comentado, é preciso que existam evidências de que a doença em questão pode ter sua história natural modificada a partir do tratamento precoce con- tribuindo na redução tanto da sua morbidade quanto da sua mortalidade para que o programa de rastreamento tenha sentido. Rastreamento 7 2.4. História natural da doença É preciso conhecer o desenvolvimento da história natural da doença para saber se a intervenção precoce terá algum impacto de fato ou não, avaliando, portanto, a vali- dade do programa de rastreamento. Além disso, o conhecimento da história natural da doença permite a definição de um estado pré-clínico conhecido que permita o ras- treio precoce antes do desenvolvimento clínico da doença. 2.5. Benefício comprovado do rastreamento É necessária a existência de um estudo prévio dos impactos do rastreamento da- quela doença para garantir que sua aplicação será eficaz e trará benefícios coletivos e individuais aos pacientes submetidos a ele mais do que os riscos envolvidos no processo diagnóstico tratamento terapêutico precoce. 3. CÂNCER DE COLO DO ÚTERO Excluindo-se o câncer de pele não melanoma, o câncer de colo do útero ou câncer cervical é a terceira neoplasia em incidência e a quarta causa de morte por câncer na população feminina do Brasil. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que no ano de 2020 surgiram cerca de 16.710 novos casos e ocorreram 6.627 mortes em decorrência do câncer cervical no Brasil. Durante as últimas décadas tem sido observada a redução expressiva na morbi- mortalidade do câncer do colo do útero em países desenvolvidos e que pode ser atri- buída ao rastreamento de base populacional que foram implantados principalmente entre as décadas de 1950 e 1960. A redução em torno de 80% da incidência do cân- cer de colo do útero observada nos países desenvolvidos relaciona-se diretamente com a ampliação do rastreio citológico feito com qualidade em conjunto com um seguimento apropriado das mulheres submetidas ao teste. O método mais amplamente utilizado para o rastreio do câncer cervical é o teste chamado de Papanicolau ou exame citopatológico do colo do útero, com o objetivo de detectar lesões precursoras. O exame citopatológico requer treinamento para ga- rantir uma coleta adequada de material, estrutura laboratorial com controle de qua- lidade e preparo dos profissionais de saúde para garantir uma eficácia superior e o impacto positivo esperado para o programa de rastreamento. A cobertura de no mínimo 80% da população-alvo do rastreio juntamente com a garantia de assistência diagnóstica e tratamento apropriado para resultados posi- tivos pode reduzir de 60 a 90% a incidência de câncer invasivo no cérvix, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Rastreamento 8 3.1. Indicações de rastreamento De acordo com as diretrizes brasileiras, o exame citopatológico deve ser reali- zado em mulheres com vida sexual ativa e que se encontrem na faixa etária entre os 25 e os 59 anos, justamente por ser nesse intervalo etário que são encontradas com maior frequência as lesões pré-malignas de alto grau que podem ser submeti- das a tratamento antes de evoluírem para câncer. Abaixo dos 25 anos a epidemio- logia demonstra uma prevalência de lesões de baixo grau que tendem a regredir espontaneamente, e a conduta indicada é observação. Acima dos 60 anos o risco de desenvolvimento de câncer de colo de útero inicia uma curva descendente pa- ra as mulheres que tiveram acesso aos exames preventivos e não apresentaram resultados destoantes da normalidade. A indicação para manutenção do rastrea- mento em mulheres entre os 60 e 65 anos é individualizada baseada nos resulta- dos observados no período. Acima dos 65 anos é contraindicado manutenção de tratamento se houver normalidade dos exames, assim como é contraindicada a rotina de rastreamento para mulheres histerectomizadas por razões outras que não o câncer de colo de útero. Saiba mais! Pacientes portadoras do vírus HIV ou imunodeprimi- das devem realizar o exame citopatológico anualmente por conta da imunodefi- ciência e uma maior vulnerabilidade para lesões precursoras do câncer de colo de útero. Durante o início do rastreio, aos 25 anos das mulheres com vida sexual ativa, o Papanicolau deve ser realizado anualmente nos dois primeiros anos. Com os resulta- dos normais, o exame deve ser realizado numa frequência de 3 em 3 anos. Saiba mais! Apesar das recomendações do INCA e do Ministério da Saúde, alguns profissionais médicos mantêm a rotina anual de realização de exames citopatológicos mesmo para mulheres que não possuem nenhuma al- teração nos exames. Estima-se que entre os 12 milhões de exames realizados anualmente (que cobririam em torno de 36 milhões de mulheres ou 80% da po- pulação-alvo do programa), mais da metade são realizados por repetição anual antes do intervalo indicado levando à uma redução da efetividade do programa e de sua cobertura. Rastreamento 9 RASTREAMENTO DE CÂNCER DE COLO DO ÚTERO EXAME CITOPATOLÓGICO Mulheres com vida sexual ativa e entre 25 e 59 anos Realização anual nos 2 primeiros anosSe resultados normais, deve ser realizado a cada 3 anos Quadro 2. Rastreamento do câncer de colo de útero. Fonte: Elaborado pela autora. 3.2. Resultados do Papanicolau, suspeição e conduta A conduta de manutenção do rastreio com alteração do intervalo entre os exames ou necessidade de realização de um exame complementar vai depender do resultado do citopatológico. RESULTADOS SUSPEIÇÃO CONDUTA Normal ou alterações celulares benignas – Rotina do rastreamento Atipias de significado indeterminado Em células escamos Provavelmente não neoplásica Menor Repetir citologia em 6 meses Não se pode afastar lesão de alto grau Maior Colposcopia Em células glandulares Provavelmente não neoplásica Maior Colposcopia Não se pode afastar lesão de alto grau Maior Colposcopia De origem indefinida Provavelmente não neoplásica Maior Colposcopia Não se pode afastar lesão de alto grau Maior Colposcopia Atipias em células escamosas Lesão intraepitelial de baixo grau Maior Repetir citologia em 6 meses Lesão intraepitelial de alto grau Maior Colposcopia Lesão intraepitelial de alto grau não podendo excluir microinvasão Maior Colposcopia Carcinoma epidermoide invasor Maior Colposcopia Atipias em células glandulares Adenocarcinoma in situ Maior Colposcopia Adenocarcinoma invasor Maior Colposcopia Quadro 3. Resultado do exame de Papanicolau, suspeição e conduta. Fonte: Adaptado de DARAO/INCA. Rastreamento 10 4. CÂNCER DE MAMA Excetuando-se o câncer de pele não melanoma, o câncer de mama é a neoplasia de maior incidência e maior mortalidade na população feminina brasileira. Apesar de também acometer homens, seu acontecimento é raro, representando cerca de 1% do total de casos. Para o ano de 2021 foram estimados 66.280 novos casos, e em 2019 o número de morte em decorrência da neoplasia foi de 18.068, alcançando a taxa de mortalidade de 14,23 óbitos/100.000 mulheres, ajustada pela população mundial. Por tratar-se de um conjunto de doenças com desenvolvimentos clínicos distin- tos, são esperadas diferentes manifestações clínicas, morfológicas, genéticas e, em decorrência disso, são tratados com distintas abordagens terapêuticas. Apesar de sua heterogeneidade, o câncer de mama em geral quando identificado ainda no início da progressão da doença (com lesões de até 2 cm), apresenta chance de cura de até 100%. Assim como ocorreu no câncer de colo de útero, nos países desenvol- vidos que investiram em programas de rastreamento eficazes é possível observar queda nos índices de mortalidade da população em decorrência desse tipo de neo- plasia, uma vez que a estimativa aponta que entre 25 e 30% das mortes por câncer de mama na população-alvo podem ser evitadas com programas de rastreamento bem executados que possuam alta cobertura populacional, qualidade técnica na re- alização dos exames e disponibilizem um acompanhamento terapêutico adequando quando necessário. O rastreamento para o câncer de mama, por mostrar-se eficiente com resultados positivos em diversos países desenvolvidos, foi adotado como política de saúde pública pela OMS. Como política de saúde pública, os critérios para o rastreamento seguem sendo debatidos a fim de buscar o equilíbrio que permita o maior benefício com o menor prejuízo, seja ele financeiro, de saúde ou mesmo psicológico. Apesar de diversos estudos comprovarem os benefícios do rastreamento, ainda há de se levar em consideração as mortes por câncer de mama induzidas por ex- posição à radiação, assim como a taxa de falso-positivo que resulta na realização de exames de alta complexidade e exposição da mulher ao estresse da incerteza diagnóstica e os chamados sobrediagnósticos e sobretratamentos, que ocorrem em consequência da existência de lesões malignas de comportamento pouco agressivo e que poderiam nunca evoluir ou evoluir de forma muito lenta, mas são identificadas e tratadas independentemente da certeza do progresso. 4.1. Indicações de rastreamento O Consenso elaborado pelo INCA em parceria com gestores do SUS, sociedades cientificas e universidades define a mamografia e o exame clínico das mamas como os métodos preconizados para rastreamento de câncer de mama na rotina de aten- ção à saúde da mulher. Rastreamento 11 O risco de desenvolvimento de câncer de mama cresce com a idade, sendo pri- mordial a avaliação de mulheres na faixa etária entre 50 e 69 anos através de mamo- grafia bianual. Para as mulheres que se encontram na faixa-etária entre 40 e 49 anos o exame clínico das mamas realizado anualmente é a indicação. Caso haja qualquer alteração no ECM, é indicada realização de mamografia. Saiba mais! Mulheres acima de 35 anos que possuam fatores de risco conhecidos devem ser submetidas a rastreamento a partir dessa idade com ECM e mamografia a ser realizada anualmente. RASTREAMENTO DE CÂNCER DE COLO DO ÚTERO EXAME CLÍNICO DAS MAMAS Mulheres entre 40 e 49 anos Anualmente Se tiver alguma alteração MAMOGRAFIA Mulheres entre 50 e 69 anos A cada 2 anos Quadro 4. Rastreamento do câncer de mama. Fonte: Elaborado pela autora. 4.2. Resultados, suspeição e conduta O ECM deve ser descrito em todas as suas etapas (inspeção e palpação de região axilar, supraclavicular e tecido mamário) e é normal quando na ausência de anor- malidades. Na presença de qualquer sinal de assimetria ou alteração, deve haver complementação na investigação através da realização de exames complementares incluindo mamografias, ultrassonografia, punção ou biópsia. Alterações incluem desde a presença de nódulos, massas, retração mamilar ou mesmo de pele, modificações na coloração da pele, presença de ulcerações e de descarga papilar espontânea, esta última sempre deve ser investigada. O Colégio Americano de Radiologia definiu um sistema de classificação dos resul- tados de exames de mamografia que foram adotados após serem trazidos ao Brasil pelo Colégio Brasileiro de Radiologia em 2007. O Breast Imaging Reporting and Data System (BI-RADS) prevê uma conduta para cada resultado obtido em uma de suas categorias, numeradas de 0 a 6. Rastreamento 12 BI-RADS Achados Conduta 1 Sem achados Rotina de rastreamento 2 Achados benignos Rotina de rastreamento 3 Achados provavelmente benignos Controle ragiológico por 3 anos (Semestral no primeiro ano e anual nos dois seguintes). Se lesão estável, volta a rotina. Se não, biópsia. 4 Achados suspeitos de malignidade Biópsia e histopatológico 5 Achados altamente suspeitos de malignidade Biópsia e histopatológico 0 Inconclusiva Avaliação adicional Quadro 5. Categoria BI-RADS® e condutas relacionadas. Fonte: American College of Radiology; Colégio Brasileiro de Radiologia. BI-RADS® 1 OU 2 BI-RADS® 3 BI-RADS® 0 Rotina de rastreamento Mamografia diagnóstica Manobras / Outras incidências Ultrassonografia Sem alterações Alterado MAMOGRAFIA DE RASTREAMENTO Mulheres de 50 a 69 anos Sem alterações AlteradoBiópsia BI-RADS® 4 OU 5 Benigno Encaminhar para o oncologista Maligno Fluxograma 1. Fluxograma de procedimentos no rastreamento do câncer de mama. Fonte: Adaptado de INCA. Rastreamento 13 5. CÂNCER DE CÓLON E RETO O câncer colorretal ou de cólon e reto, abrange todos as neoplasias que surgem em região de intestino grosso (cólon, reto e ânus). A estimativa brasileira é que para cada ano entre 2020 e 2022 surjam cerca de 20.540 casos de câncer colorretal em homens e 20.470 em mulheres, correspon- dendo ao risco estimado de 19,64 novos casos a cada 100 mil homens e 19,03 para cada 100 mil mulheres. Falando em estimativa global, o câncer colorretal é o terceiro com a maior incidência na população masculina com predomínio das taxas nos paí- ses europeus como Hungria, Eslovênia, Eslováquia, Holanda e Noruega. O desenvolvimento natural da história da doença costuma partir da evolução dos pólipos, que são lesões benignas e que costumam existir por 10 a 15 anos antes do desenvolvimento do câncer. Isso confere ao rastreamento um período relativamente longo pré-clínico.O rastreamento possibilita a prevenção da ocorrência da doença pela retirada dos pólipos intestinais e o diagnóstico ainda no início, permitindo uma taxa de sobrevida de 90% em 5 anos com acentuada redução da mortalidade. A remoção de pólipos adenomatosos encontrados durante o rastreamento não configura uma conduta geral e vai se relacionar diretamente com o tamanho do póli- po encontrado. Pólipos pequenos, menores que 1cm, dificilmente evoluem para cân- cer. Já os pólipos maiores de 1cm representam o foco do rastreio para esse tipo de neoplasia. 5.1. Indicações de rastreamento A pesquisa de sangue oculto nas fezes é a estratégia mais utilizada para rastrea- mento de câncer colorretal e deve ser realizada em indivíduos entre 50 e 75 anos por tratar-se de um exame barato, não invasivo, de baixa complexidade e necessidade de aparato tecnológico. Tanto realizado bianualmente quanto anualmente apresenta taxas semelhantes de redução na mortalidade desse tipo de câncer. A presença de um resultado positivo na pesquisa de sangue oculto nas fezes indi- ca a realização de um exame mais específico e invasivo: a colonoscopia. São poucos os países ao redor do mundo que possuem programas nacionais de rastreamento da população-alvo para o câncer de intestino grosso. Isso se dá pelo valor preditivo positivo baixo do exame de pesquisa de sangue oculto nas fezes, re- sultando numa quantidade grande de falsos-positivos (cerca de 80% do total dos re- sultados positivos) que serão submetidos a um segundo exame, muito mais custoso e invasivo. Rastreamento 14 Por conta disso programas de rastreamento populacional de câncer colorretal não tem se mostrado como uma possibilidade viável e eficiente diante dos custos encontrados a ponto de se tornar uma política pública a ser direcionada para toda a população. O que o Ministério da Saúde recomenda é a ampliação na divulgação de informações que auxiliem no diagnóstico precoce através de capacitação dos profis- sionais de saúde para identificar os fatores de risco, campanhas de informação de sinais e sintomas de alerta para a população em geral, acesso facilitado à investiga- ção diagnóstica de casos com suspeição e o acesso ao tratamento adequado quan- do for necessário. RASTREAMENTO DE CÂNCER DE CÓLON E RETO Sangue oculto nas fezes Pessoas entre 50 e 75 anos Realização bianual ou anual Se positivo, realizar colonoscopia Quadro 6. Rastreamento do câncer de cólon e reto. Fonte: Elaborado pela autora. 6. CÂNCER DE PRÓSTATA É o segundo tipo de câncer mais frequente em homens no mundo todo. Em va- lores absolutos, ou seja, levando-se em consideração tanto o sexo feminino quanto o masculino, ainda é o segundo mais comum. É considerado um câncer da terceira idade, já que é muito mais comum, cerca de 75% dos casos, acima dos 65 anos. Abarca uma variedade de doenças que possuem desenvolvimento clínico distinto, podendo evoluir rapidamente e alcançar outros órgãos e sistemas levando à morte do indivíduo, mas na maioria dos casos possui progressão lenta podendo, inclusive, não apresentar sinal algum durante a vida ou trazer qualquer tipo de ameaça à vida do homem. No entanto, no momento do diagnóstico, nem sempre é possível deter- minar se o câncer em questão possui as características mais agressivas ou mais indolentes. O rastreamento do câncer de próstata através do toque retal, e a realização do tes- te do antígeno prostático específico (PSA) é contraindicado pelo Ministério da Saúde pela ausência de evidência de benefícios que superem os malefícios na detecção do câncer de próstata em indivíduos assintomáticos. Rastreamento 15 Dentre as limitações do PSA estão o fato de que o teste é tecido-específico, mas não é tumor-específico, apresentando aumento diante de qualquer alteração prostáti- ca, levando a cerca de 66% dos homens com PSA alterado e sem câncer de próstata ao exame de biópsia. Além disso, em torno de 20% dos homens que possuem câncer de próstata com alterações clínicas importantes podem apresentar valores de PSA normais. O valor preditivo positivo é relativamente baixo levando a um alto número de falsos-positivos que serão submetidos à biópsia, que é um exame invasivo e incômodo de forma desnecessária. O PSA também não identifica o tipo ou estágio do câncer, vol- tando à questão do sobretratamento em neoplasias com comportamento indolente. A partir das evidências clínicas encontradas nos estudos desenvolvidos, a indica- ção é de que não seja realizado o rastreamento para o câncer de próstata. Saiba mais! A Sociedade de Urologia, assim como o INCA, afirma que os exames de rastreamento podem ser solicitados após decisão tomada em conjunto com o paciente, depois dele ser informado dos riscos, benefícios e ausência de orientação do Ministério da Saúde. 7. RASTREAMENTOS EM PEDIATRIA 7.1. Teste do pezinho O teste do pezinho é preconizado pelo Ministério da Saúde desde 2001 e é realiza- do através da coleta do sangue capilar do calcanhar do recém-nascido, idealmente entre o 3º e o 5º dia de vida. É um teste simples e que permite a identificação de doenças graves que não apresentam sintomas ao nascer, mas que o diagnóstico e o tratamento precoce podem prevenir danos graves e irreversíveis à saúde e ao desen- volvimento da criança. É preconizado que todas as crianças recém-nascidas sejam submetidas ao rastreamento do teste do pezinho. Anemia falciforme O Brasil é um país de importância epidemiológica para a anemia falciforme, sendo uma das patologias genéticas mais comuns do país. O rastreamento permite o diag- nóstico precoce que, por sua vez, irá possibilitar orientação adequada e intervenção preventiva tornando as crianças menos vulneráveis às dolorosas crises da anemia falciforme, infecções e a anemia crônica. É parte do rastreamento que o resultado do teste seja avaliado na primeira consulta do bebê em uma unidade de saúde. É importante que a amostra seja coletada antes que ocorram transfusões sanguíneas, reduzindo-se a chance de falsos-negativos ocasionados pelo processo de transfusão. Rastreamento 16 O teste consiste na eletroforese por focalização isoelétrica (FIE) ou cromatografia líquida de alta resolução (HPLC), ambos os métodos apresentando sensibilidade e especificidade altíssima para anemia falciforme. Saiba mais! Crianças nascidas muito prematuramente podem apresentar falso-positivo ao exame do teste do pezinho pela dificuldade na de- tecção de hemoglobina adulta. Em caso de resultado positivo, o recém-nascido deve ser encaminhado para reali- zação de testes para a definição do diagnóstico antes de completar 2 meses de vida para que o tratamento seja iniciado antes do início do quarto mês, como preconizado, e devem possuir acompanhamento adequado para permitir orientação dos genitores e prevenção de crises de agudização, infecções e ocorrência de anemia crônica. Hipotireoidismo congênito Com uma incidência de 1 para cada 2.500 a 4.000 nascidos vivos, o hipotireoidis- mo congênito é a doença endócrina mais frequente em infantes e é a causa mais frequente de retardo mental evitável. No teste são dosados os valores de T4 e/ou TSH e caso o resultado apresente al- terações, o recém-nascido deve ser direcionado para a realização de exames comple- mentares para definição do diagnóstico e início do tratamento com reposição hormonal dentro das duas primeiras semanas de vida. A existência de falso-positivo demanda certo rigor na conferência da realização de testes confirmatórios, já que apenas 1 a ca- da 25 resultados positivos realmente se tratam de hipotireoidismo congênito. Fenilcetonúria Também rastreada através do teste do pezinho a fenilcetonúria consiste em um de- feito do metabolismo da fenilalanina e que ocorre com uma incidência de 1 caso para cada 12 a 15 mil recém-nascidos em território nacional. É uma outra patologia que po- de levar ao desenvolvimento de retardo mental sério se não tratada precocemente. O exame é realizado pela dosagem quantitativa da fenilalanina(FAL) na amostra retirada pelo capilar do calcanhar do neném. A detecção da FAL exige ingestão pré- via de proteína pela criança, sendo indicada após 2 dias de vida, quando já ocorreu amamentação. Crianças de risco que não foram alimentadas com leite materno de- vem ser submetidas ao teste se estiverem em uso de dieta parenteral com aminoáci- dos essenciais. Em caso de resultado positivo na triagem, o paciente deve ser encaminhado para seguimento com consultas frequentes e inicio do tratamento pela restrição de feni- lalanina de forma mais precoce possível evitando, dessa forma, problemas no desen- volvimento neurológico do infante. Rastreamento 17 7.2. Teste da orelhinha É um teste com evidência comprovada de precisão que permite a identificação precoce e o tratamento da perda auditiva nos recém-nascidos. A perda auditiva pode dificultar o desenvolvimento de habilidades comunicativas, tanto verbais quanto não verbais, ampliar a ocorrência de desordens comportamentais e diminuição do bem- -estar psicossocial durante o desenvolvimento. É preconizado que todas as crianças devem ser rastreadas antes do primeiro mês de vida, sendo o ideal a realização do teste ainda na maternidade. O rastrea- mento pode ser realizado em uma ou duas etapas. O rastreamento em duas etapas, mais frequentemente aplicado, consiste na emissão otoacústica seguida por uma resposta auditiva do tronco cerebral. Os falsos-positivos podem ser evitados com preparação técnica adequada da equipe para aplicação do teste e a utilização de instrumento de qualidade para realização do teste. Em caso de resultado positivo, o infante deve ser avaliado por equipe médica e fonoaudiológica antes de completar 3 meses de nascido para que seja realizada confirmação diagnóstica e acompanha- mento subsequente. 7.3. Teste do olhinho O rastreamento realizado através do teste do olhinho permite a detecção precoce de condições como a ambliopia, redução da acuidade visual e estrabismo. É indica- do que seja realizado antes dos 5 anos de idade através de consulta oftalmológica na qual serão realizados testes como Hirschberg para avaliação de estrabismo, ins- peção e Snellen para avaliação de acuidade visual. Antes dos 5 anos de idade Até o primeiro mês Antes dos 5 anos de idade EstrabismoFenilcetonúria Redução da acuidade visualHipotireoidismo congênito Perda auditiva AmbliopiaAnemia falciforme TESTE DA ORELHINHA TESTE DO OLHINHOTESTE DO PEZINHO RASTREAMENTOS NA PEDIATRIA Quadro 7. Rastreamentos na pediatria. Fonte: Elaborado pela autora. Rastreamento 18 8. OUTROS RASTREAMENTOS 8.1. Rastreamento de risco cardiovascular Diversas doenças que antes possuíam seu risco avaliado individualmente, agora são avaliadas dentro de um espectro de condições que podem ser traduzidas em doenças que aumentam o risco cardiovascular. Estratégias têm sido desenvolvidas com a finalidade de tornar objetiva a estimativa de risco de cardiovascular com maior precisão. Uma forma acessível, fácil e de baixa complexidade tecnológica para construir uma estimativa de risco é através da consulta, na anamnese e no exame físico coletar dados que possam compor um quadro de risco como dados epide- miológicos, hábitos de vida, histórico familiar, entre outros. A associação de fatores representa aumento do risco cardiovascular. Um dos métodos mais utilizados na estimativa de risco resultou de um estudo de coorte que colocou sob avaliação importantes variáveis para suspeição de risco car- diovascular, o escore de Framingham que divide os critérios em alto risco, baixo risco e risco intermediário. Na prática a determinação do risco cardiovascular vai definir a classificação do paciente em três tipos: 1. Paciente com menos de 10% de chance de morrer em decorrência de um aci- dente vascular encefálico (AVE) ou infarto agudo do miocárdio (IAM) nos próxi- mos 10 anos – Para pacientes que possuem apenas um fator de risco baixo ou intermediário, não necessitando calcular risco cardiovascular. 2. Paciente com chance maior ou igual a 20% de morrer por AVC ou IAM nos pró- ximos 10 anos. – Para pacientes que apresentarem pelo menos um fator de risco alto cardiovascular. 3. O risco deve ser calculado para pacientes que apresentam mais de um fator de risco baixo ou intermediário com o objetivo de alocá-lo em nível de risco. Após a definição do paciente em baixo, intermediário ou alto risco, devem ser de- finidas metas de controle pressórico, perfil lipídico, entre outros, objetivando a redu- ção da morbidade e da mortalidade do paciente. 8.2. Rastreamento de Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) Doença crônica extremamente prevalente que contribui para desenvolvimento de outras doenças e outros efeitos deletérios na saúde do paciente, entre eles o aumen- to da probabilidade de ataques cardíacos, insuficiência renal e AVC. Rastreamento 19 A indicação é que a partir dos 18 anos todo adulto deva possuir ao menos uma aferição de pressão arterial (utilizando técnica adequada e aparelho validado e ca- librado) registrada em prontuário no último ano. Existem diversas formas de definir o diagnóstico de HAS. Pode ser feito através de medida ambulatorial que apresente pressão sistólica maior ou igual a 140 mmHg ou uma pressão diastólica maior ou igual a 90 mmHg em duas ou mais aferições em pelo menos duas ou mais visitas no período de uma ou mais semanas. Além da medida ambulatorial, a Monitorização Ambulatorial da PA (MAPA) de 24h realizada com aparelho que fará medições auto- máticas durante 24h. A Medição Residencial da Pressão Arterial (MRPA) consiste na medição residencial da pressão arterial com registro dos valores. A estimativa é que seja necessário rastrear de 274 a 1.307 pessoas para hiperten- são ao longo de 5 anos com tratamento para evitar uma morte. Classificação de PA PA sistólica (mmHg) PA diastólica (mmHg) Normal 160 OU > 100 Quadro 8. Estratificação dos níveis pressóricos. Fonte: Adaptado de National Heart Lung and Blood Institute. Estágio Conduta Normal Reavaliar em 2 anos Pré-hipertensão Reavaliar em 1 ano HAS – Estágio 1 Confirmar em 2 meses HAS – Estágio 2 Avaliar e/ou referir para serviço de cuidados em até 1 mês. Para pacientes com níveis pressóricos muito altos (>180/110 mmHg), avaliar e tratar imediatamente ou dentro de uma semana no máximo, dependendo da situação clínica e complicações envolvidas. Quadro 9. Recomendação de acompanhamento baseado na aferição da PA inicial. Fonte: Adaptado de National Heart Lung and Blood Institute. 8.3. Rastreamento de Diabetes Mellitus II A prevalência de doenças crônicas como a Diabetes Mellitus tipo II (DM2) tem crescido conforme ocorre o aumento da expectativa de vida de população. A preva- lência no Brasil atualmente é de cerca de 9,2%, e a doença atinge o primeiro lugar como causa de cegueira, doença renal e infecções distais de membros levando à amputação, além do aumento da mortalidade por eventos cardiovasculares. Rastreamento 20 O controle dos índices glicêmicos apresentou comprovada redução dos danos mi- crovasculares, mas podem demorar anos para serem percebidos. O rastreamento deve ser realizado com exame de glicemia em jejum a cada 3 anos a partir dos 45 anos. Para pacientes com risco cardiovascular moderado ou al- to, deve ser iniciada desde o primeiro contato, independentemente da idade. 8.4. Rastreamento de dislipidemia É comprovado que a dislipidemia assintomática em homens e mulheres, quando tratada preventivamente, pode reduzir a chance de eventos cardiovasculares futuros. O alto índice de colesterol total, da lipoproteína de baixa densidade de colesterol (LDL-C) e os baixos níveis de lipoproteína de alta densidade de colesterol (HDL-C) são fatores de risco importantes para o desenvolvimento da doença arterial corona- riana (DAC). O rastreio deve ser realizado com solicitação de colesterol total, HDL e triglice- rídeosa cada 5 anos a partir dos 35 anos de idade para homens e 45 anos para as mulheres. O risco de desenvolvimento de DAC é maior nos pacientes que possuem mais de um fator de risco, sendo recomendado rastreamento a partir dos 20 anos para ho- mens ou mulheres que sejam classificados como pacientes de alto risco para desen- volvimento de DAC. 8.5. Outros rastreamentos O Ministério da Saúde não preconiza o rastreamento de doenças da tireoide, mas é indicado pela Sociedade de Endocrinologia que seja realizada a medição do TSH a cada 5 anos a partir dos 35 anos. Obesidade, tabagismo e abuso de álcool são condições que devem ser investi- gadas durante consultas de rotina com o objetivo de traçar um perfil de risco para o paciente e intervir precocemente evitando desfechos desfavoráveis pela progres- são da condição. O tabagismo e o abuso de álcool devem ser rastreados através do questionamento em hábitos de vida durante a anamnese, lembrando de quantificar em prontuário o consumo do paciente e o período de tempo de uso. Já a obesidade é rastreada através do exame físico pelos dados antropométricos e avaliação do Índice de Massa Corporal (IMC), que apesar de pouco específico para obesidade, ser- ve para dar um panorama geral do paciente. Rastreamento 21 Câncer de colón e reto Câncer de mama Câncer de colo de útero Rastreamento de câncer RASTREAMENTOS Teste do olhinho Teste da orelhinha Teste do pezinho Rastreamento na pediatria Dislipidemia Diabetes Mellitus 2 Hipertensão arterial sistêmica Risco cardiovascular Rastreamento clínico Etilismo Tabagismo Outros rastreamentos Obesidade Quadro 10. Resumo dos rastreamentos. Fonte: Elaborado pela autora. Rastreamento 22 REFERÊNCIAS DARAO/INCA – Instituto Nacional de Câncer (Brasil). Coordenação Geral de Ações Estratégicas. Divisão de Apoio à Rede de Atenção Oncológica. Diretrizes brasilei- ras para o rastreamento do câncer do colo do útero / Instituto Nacional de Câncer. Coordenação Geral de Ações Estratégicas. Divisão de Apoio à Rede de Atenção Oncológica. – Rio de Janeiro: INCA, 2011. INCA – Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Parâmetros téc- nicos para rastreamento do câncer de mama. / Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. – Rio de Janeiro: INCA, 2021. National Heart Lung and Blood Institute, 2004 – NATIONAL HEART LUNG AND BLOOD INSTITUTE. The seventh report of the joint national committee on prevention, detection, evaluation, and treatment of high blood pressure, 2004. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA International Agency for Research on Cancer (IARC). Cancer today. Lyon: WHO, 2020. Disponível em: https://gco.iarc.fr/today/home. Acesso em: 3 maio 2021. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA). A situação do cân- cer de mama no Brasil: síntese de dados dos sistemas de informação. Rio de Janeiro: INCA, 2019a. Disponível em: https://www.inca.gov.br/publicacoes/livros/situacao-do- -cancer-de-mama-no-brasil-sintese-de-dados-dos-sistemas-de-informacao. Acesso em: 10 ago. 2021. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA). Atlas da mortali- dade. Rio de Janeiro: INCA, 2021a. Disponível em: https://www.inca.gov.br/app/mor- talidade. Acesso em: 18 jan. 2021. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA). Estimativa 2020: incidência do Câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2019b. Disponível em: https:// www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files/media/document/estimativa-2020-inci- dencia-de-cancer-no-brasil.pdf. Acesso em: 12 maio 2021. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA). Parâmetros téc- nicos para rastreamento do câncer de mama. Rio de Janeiro: INCA, 2021b. ISBN 978-65-88517-25-3. Ministério da Saúde (BR). Rastreamento. Brasília: Ministério da Saúde, 2010. (Série A. Normas e Manuais Técnicos) (Cadernos de Atenção Primária n. 29). Ministério da Saúde (BR). Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Protocolos de encaminhamento da atenção básica para a atenção especializada. Volume 7: Proctologia. Versão Preliminar. Brasília. Brasília: Ministério da Saúde; UFRGS, 2016. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/protocolos_atencao_ba- sica_especializada_ proctologia_v_VII.pdf. Acesso: 17 ago. 2021. sanarflix.com.br Copyright © SanarFlix. Todos os direitos reservados. Sanar Rua Alceu Amoroso Lima, 172, 3º andar, Salvador-BA, 41820-770